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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Correntes verticais em “montanha-russa” no Oceano Antártico são mais intensas do que se pensava (video)


Investigadores australianos e norte-americanos mapearam pela primeira vez, com elevado detalhe, os movimentos verticais de massas de água no Oceano Antártico, revelando correntes muito mais intensas e complexas do que as estimativas anteriores sugeriam.

O estudo, publicado na revista científica Communications Earth & Environment, combinou observações de satélite com dados recolhidos por planadores oceânicos autónomos, criando uma imagem tridimensional sem precedentes das correntes que atravessam os primeiros mil metros de profundidade do oceano.

Segundo Yann-Treden Tranchant, estas correntes verticais desempenham um papel fundamental no transporte de calor, carbono, nutrientes e oxigénio entre a superfície e as profundezas marinhas.

“Ao ligarem a atmosfera ao oceano profundo, estas correntes ajudam a regular o clima da Terra”, explica o investigador.

Um redemoinho gigante junto à Antártida
A investigação centrou-se numa região particularmente dinâmica da Antarctic Circumpolar Current, a corrente oceânica mais forte do planeta, que circula em torno da Antártida.

Na área estudada, a sul da Tasmania, os cientistas analisaram um enorme redemoinho oceânico ciclónico formado junto à chamada Frente Polar, a fronteira natural onde águas frias antárticas encontram águas mais quentes provenientes do norte.

Este redemoinho apresentava uma diferença de quase um metro na altura da superfície do mar entre o seu centro e as águas circundantes, tornando-se um laboratório natural ideal para estudar os movimentos verticais da água.

Satélites e robôs mergulhadores
Os dados foram recolhidos durante a missão FOCUS, realizada em 2023 a bordo do navio de investigação RV Investigator.

A equipa utilizou observações do satélite Surface Water Ocean Topography (SWOT), capaz de detetar pequenas variações da altura da superfície do mar a partir do espaço.

Em simultâneo, dois planadores oceânicos autónomos foram colocados no interior do redemoinho. Estes robôs subaquáticos mergulharam repetidamente até mil metros de profundidade, recolhendo milhares de medições de temperatura, salinidade e oxigénio dissolvido.

Além disso, foram libertadas 15 bóias à deriva para acompanhar a velocidade e a direção das correntes superficiais.

Movimentos de centenas de metros por dia
Ao combinar os dados obtidos pelo satélite com as observações recolhidas debaixo de água, os investigadores conseguiram reconstruir os movimentos verticais da água em três dimensões.

Os resultados mostram que as correntes ascendentes e descendentes frequentemente ultrapassam os 150 metros por dia e podem deslocar massas de água várias centenas de metros em apenas 24 horas.

Estas correntes estendem-se até, pelo menos, mil metros de profundidade e ocorrem em escalas relativamente pequenas, por vezes inferiores a 10 quilómetros de largura.

Segundo os autores, a intensidade destes movimentos é significativamente superior à prevista por muitos modelos de circulação oceânica de grande escala.

Implicações para o clima global
Os cientistas acreditam que esta nova capacidade de observar movimentos verticais poderá melhorar significativamente a compreensão do papel do Oceano Antártico no sistema climático terrestre.


Os autores defendem que futuras observações através do satélite SWOT poderão permitir estimar com maior precisão a transferência de carbono, nutrientes, oxigénio e calor ao longo do tempo, ajudando a aperfeiçoar os modelos climáticos e a compreender melhor a resposta dos oceanos às alterações climáticas.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Climate Extremes - Agriculture (Extremos Climáticos - Agricultura)


De onde vem a sua alimentação?
Como é que os alimentos de todo o mundo chegam à sua mesa?
Como são os sistemas alimentares globais afectados pelas alterações climáticas?
Aprenda sobre o sistema alimentar global e as suas complexas relações com as alterações climáticas com cientistas de renome e executivos do agronegócio!

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Legendas disponíveis em: inglês, francês, italiano, alemão, espanhol, turco, português, português do Brasil, chinês e russo.

Porque é que a produtividade agrícola está a diminuir com o aquecimento global?
O sistema alimentar global é a maior fonte de emissão de gases com efeito de estufa. Por isso, fazer alterações no sistema alimentar pode ser a nossa principal ferramenta para combater as alterações climáticas.
Ao mesmo tempo, a agricultura global é uma das áreas mais vulneráveis ​​às alterações climáticas. A perda de produtividade agrícola significa menos disponibilidade de alimentos para a humanidade.
O futuro do nosso planeta depende da forma como lidamos com estes desafios agrícolas.

"Extremos Climáticos: Agricultura" explora estas questões, apresentando perspetivas de especialistas, investigação científica recente e desenvolvimentos tecnológicos.

O filme conta com informações de cientistas e especialistas pioneiros, incluindo Johan Rockstrom, Daniel Swain, Shely Aronov, Paul Behrens, Matthias Berninger, Benjamin Bodirsky, Sir Charles Godfray, Monika Zurek e Jamie Basillie, de instituições como o Instituto Potsdam para a Investigação do Impacto Climático, a Escola Oxford Martin da Universidade de Oxford, a Bayer AG, a Universidade da Califórnia (Agricultura e Recursos Naturais), a InnerPlant e a Hedgehog Foods.

O documentário intitulado "Climate Extremes: Agriculture" aborda a profunda e complexa relação entre as alterações climáticas e o sistema alimentar global, explorando como o aumento das temperaturas e os eventos climáticos extremos, como secas e cheias, estão a prejudicar a produtividade agrícola mundial e a ameaçar a segurança alimentar. No que diz respeito aos principais temas abordados, a obra divide-se na análise dos impactos, das vulnerabilidades e do mosaico de soluções necessárias para o futuro.

No âmbito do impacto da agricultura no planeta, o documentário evidencia que o sistema alimentar atual é responsável por cerca de um terço das emissões globais de gases com efeito de estufa, sendo o principal motor por trás do desrespeito pelas fronteiras planetárias, como a perda de biodiversidade e o consumo excessivo de água potável. Adicionalmente, analisa-se a vulnerabilidade das monoculturas, demonstrando que a falta de diversidade genética nas colheitas modernas torna o sistema frágil perante pragas e doenças, que se propagam mais rapidamente com o aquecimento global. Outro ponto crítico discutido é o risco de falhas simultâneas nos celeiros do mundo, alertando para o perigo real de secas ou ondas de calor atingirem simultaneamente várias das regiões produtoras de alimentos mais importantes do planeta, como os Estados Unidos e o Brasil, o que inviabilizaria o comércio internacional para compensar a escassez.

Como resposta a estes desafios, o documentário apresenta um mosaico de soluções que combina práticas ancestrais e alta tecnologia. Entre elas, destaca-se a agricultura de conservação, que propõe abandonar o arado tradicional e adotar o plantio direto para manter o carbono e a humidade no solo. Sugere-se também uma mudança na dieta através do flexitarianismo, reduzindo o consumo de carne industrializada e de derivados de ruminantes para libertar vastas áreas de terra para a conservação e diminuir as emissões de metano. A bio-revolução e a inteligência artificial surgem como ferramentas essenciais para compreender proteínas, acelerar o melhoramento genético de sementes mais resilientes e criar plantas que emitem sinais óticos quando atacadas por fungos. Por fim, apontam-se as fontes alternativas de proteína, com foco no cultivo de fungos e cogumelos em grande escala, utilizando resíduos agrícolas e quase sem gastar água ou solo.

Relativamente aos painelistas e especialistas presentes, embora o documentário não apresente letreiros com os nomes completos ao longo de todo o vídeo, as intervenções dividem-se de forma clara entre grandes cientistas do sistema terrestre, decisores do setor agrícola corporativo e inovadores tecnológicos. Os cientistas do clima e sistemas terrestres, como Johan Rockström e outros investigadores seniores, lideram a explicação sobre as fronteiras planetárias e os pontos de não retorno (tipping points), como o risco de savanização da Amazónia e a urgência de manter o aquecimento global abaixo dos 1,5 °C. Por sua vez, os representantes da indústria agrícola, nomeadamente da Bayer, discutem o papel do investimento em Investigação e Desenvolvimento (I&D) privado no melhoramento de sementes, a estagnação recente da produtividade devido ao clima e a criação de ferramentas digitais ou seguros para apoiar os pequenos agricultores no Sul Global. A encerrar o painel, os inovadores e empreendedores de biotecnologia, como a equipa da Hedgehog, explicam o desenvolvimento de novas tecnologias agroalimentares, com particular destaque para o cultivo vertical e otimizado de micélio e fungos, capaz de criar proteínas altamente eficientes sem exercer pressão adicional sobre a terra.

A substituição da proteína animal por fungos é apresentada como uma solução essencial para os sistemas alimentares sob pressão climática, focando-se na eficiência biológica deste reino. De acordo com os especialistas do filme, enquanto a pecuária tradicional exige grandes extensões de terra, gera emissões elevadas e é altamente vulnerável a secas e quebras de colheita de ração, os fungos podem ser cultivados em ambientes fechados e controlados, totalmente protegidos de eventos meteorológicos extremos. A grande vantagem está na capacidade do micélio (a estrutura fibrosa dos fungos) de realizar uma bioconversão eficiente, transformando resíduos e subprodutos agrícolas de baixo valor biológico numa proteína altamente nutritiva e rica em fibras, com uma fração minúscula do uso de água e solo exigido pelos animais. Além disso, o documentário detalha que o uso de automação, robótica e inteligência artificial permite otimizar as condições atmosféricas e de substrato para acelerar o crescimento dos fungos, reduzindo drasticamente os custos de produção e tornando esta alternativa economicamente viável para o consumo em massa.

Em relação à autoria e liderança destas iniciativas no documentário, vale a pena notar que o principal porta-voz e especialista responsável por apresentar esta tecnologia específica de quintas robóticas de cogumelos é um investigador e trata-se de Jamie Balsillie, CEO e cofundador da startup de tecnologia climática Hedgehog. É ele o especialista encarregado de explicar como transformar os fungos numa fonte de proteína acessível e de baixo impacto ambiental a partir do reaproveitamento de resíduos. Se estiver a pensar na liderança feminina principal presente no segmento de inovação agrícola desse mesmo documentário, o filme destaca a investigadora e empreendedora Shely Aronov, que é CEO e cofundadora da InnerPlant, uma startup focada em engenharia de sementes que faz com que as plantas emitam sinais óticos detetáveis por satélite quando sofrem de stresse climático.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Cimeira importante realizada em Paris, entre 30 de Março a 2 de Abril por We Don´t Have Time e Change NOW, antecipando a Conferência em Colômbia


Oradores presentes aqui

Palestras:
  1. Respeito pelos Limites Planetários We Don't Have Time ChangeNOW HUB - March 31 2026
  2. Negócios Sustentáveis (Business within Planetary Boundaries) e Transição do Sistema Alimentar   We Don't Have Time ChangeNOW HUB - April 1, 2026
  3. Uso de Dados e Transparência e Tecnologia e Inovação de Impacto We Don't Have Time ChangeNOW HUB - April 2, 2026
Durante três décadas, as negociações climáticas globais concentraram-se na gestão dos sintomas da crise climática — as emissões de gases com efeito de estufa — ignorando a causa principal: a proliferação descontrolada de carvão, petróleo e gás.

Embora a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC) e o Acordo de Paris sejam fóruns essenciais para a ação climática global, as suas estruturas baseadas no consenso permitem que grupos de pressão apoiados por indústrias poluentes impeçam a implementação de medidas necessárias no controlo da produção de combustíveis fósseis. Agora, temos uma oportunidade crucial para ultrapassar este impasse.

Entre 24 e 29 de abril de 2026, a Colômbia e a Holanda realizarão o  First Conference on Transitioning Away from Fossil Fuels em Santa Marta. A conferência é a primeira de uma “série de conferências” acordadas pelos 18 Estados-nação participantes no desenvolvimento de um Tratado sobre Combustíveis Fósseis, e será um fórum focado em soluções, operando fora dos auspícios da arquitectura climática internacional tradicional.

Estado da Arte do Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis aqui

sexta-feira, 20 de março de 2026

Como os nossos sistemas de água passaram da crise ao colapso


O artigo de Tim Smedley, publicado no portal The New Climate, apresenta uma perspetiva alarmante sobre a transição de uma crise hídrica passível de gestão para um verdadeiro colapso sistémico. O autor argumenta que a humanidade ultrapassou o conceito de "escassez" — que implica uma falta temporária — para entrar num estado de "falência hídrica", onde consumimos o capital natural de água doce muito mais depressa do que a natureza o consegue repor. Smedley explica que o ciclo hidrológico global foi quebrado pela intervenção humana, através da desflorestação, da urbanização excessiva e da destruição de ecossistemas como as zonas húmidas, que funcionavam como "esponjas" naturais. Sem estes filtros e reservatórios biológicos, a água da chuva deixa de se infiltrar no solo para recarregar os aquíferos, resultando em cheias destrutivas seguidas de secas extremas, um fenómeno que ele apelida de "chicote climático".

O texto sublinha que as nossas infraestruturas de engenharia tradicionais, como barragens e canalizações de betão, foram concebidas para um clima estável que já não existe, tornando-as rígidas e incapazes de lidar com a nova volatilidade atmosférica. Para além do volume físico da água, o autor alerta para a "água virtual" — a enorme quantidade de recursos hídricos invisíveis que são exportados por regiões secas sob a forma de produtos agrícolas e industriais, como amêndoas, carne ou têxteis, acelerando o colapso local em benefício do mercado global. Smedley aponta também a poluição por químicos persistentes, como os PFAS, que degrada a qualidade da água restante, tornando a sua recuperação financeiramente inviável para muitas comunidades.

Para evitar o abismo total, o autor defende uma mudança radical de paradigma que ele detalha na sua obra "The Last Drop". Esta mudança envolve a adoção de Soluções Baseadas na Natureza (como as promovidas pela IUCN, o restauro de rios e a implementação de uma "transparência radical" no uso da água. O texto baseia-se em dados de organismos como a UN-Water e nos estudos de Johan Rockström sobre os Limites Planetários, concluindo que a solução não reside em dominar a natureza com mais cimento, mas sim em aprender a viver dentro dos limites biológicos do planeta, restaurando a capacidade da própria Terra de gerir e armazenar a água de forma cíclica e sustentável.

Saber mais:

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Guess how many times world leaders mentioned climate change in Davos?

Zero.
This is not an opinion. It is a fact.
Across the 2026 World Economic Forum, the main special addresses from Trump, Carney, Merz, von der Leyen, Zelenski, and Macron amounted to almost four hours of speaking time.
In those four hours:
Not once was climate change or global warming mentioned.

Let that sink in.
These speeches are revealing. Not because of what was said, but because of what was carefully avoided. They show, in plain sight, what currently ranks as urgent for the political elite and what does not

This is exactly why We Don’t Have Time was present in Davos
While climate disappeared from the main stage, we did the opposite. Together with our partners GreenUp and the Davos Climate Hub, we broadcast more than 40 hours of live climate content, reaching over 15 million people worldwide.

At a time when many leaders and companies are actively avoiding the word climate, our role becomes even more critical. The climate crisis will not disappear just because the political climate has hardened.

Standing up for facts, science, and what is right now takes more courage than ever.
The Alternative WEF speech

From left: Carlos Nobre – Climate scientist, former President of CAPES (Brazil), leading expert on Amazon tipping points | Paul Polman – Former CEO of Unilever | Sandrine Dixson-Declève – Honorary Co-Chair, Club of Rome | Johan Rockström – Director, Potsdam Institute for Climate Impact Research. 

That silence did not go unanswered.
Just before President Trump’s address, an alternative WEF speech was delivered in Davos by some of the world’s leading scientists and systems thinkers. The speech was not on the official agenda of the World Economic Forum. It was not permitted on the public square either.

So we found another place. Quite literally, the only available space was a pile of snow.

From there, climate reality was addressed head-on.

While much of Davos had President Trump’s speech top of mind, this moment may prove to be the one history remembers: scientists standing up for facts, for evidence, and for what is right, even when it was inconvenient, even when there was no official stage.

Broadcast globally on We Don’t Have Time, Sandrine Dixson-Declève, Johan Rockström, Carlos Nobre, and Paul Polman presented a clear alternative to the economic and political model on display in Davos.

Their message was unambiguous: the old system is a dead end.

Every year, trillions are lost to climate and ecological breakdown. This is not the cost of progress, but the cost of delay. Their “giant leap” scenario shows that investing just 1–2 percent of global GDP in climate action and nature restoration can generate tenfold returns in economic, social, and environmental value.

They challenged the idea that prosperity can be measured by GDP alone. A viable economy must ensure that every child has enough to eat, every worker can live without fear, and every society can thrive within planetary boundaries. Continued fossil-fuel expansion offers no path forward.

This was not a protest. It was not theatre. It was a science-based intervention, delivered from the margins at a moment when silence had become the norm.

Everyone at We Don’t Have Time who helped make this possible is proud to have stood up for science when it mattered.

If this speech matters to you too, help it travel.
Download the video and share it on your own social media so more people can see what science actually says about our future.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Aquecimento acelera, enquanto resiliência do sistema terrestre diminui, indica relatório lançado na COP30



Os cientistas do clima estão mais preocupados do que nunca, afirma Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre Impacto Climático, da Alemanha. O cientista sueco, que propôs o conceito de limites planetários para definir as margens seguras para a pressão humana sobre processos ambientais essenciais para a estabilidade do planeta, tem chamado a atenção, com diversos outros pesquisadores, para novas evidências científicas que indicam que o aquecimento global está acelerando, enquanto a resiliência do sistema terrestre diminui.

“Estamos em apuros. O planeta está mostrando os primeiros sinais de redução da capacidade de amortecer e resfriar o estresse que estamos causando por meio de nossas emissões de gases de efeito estufa. Estamos nos aproximando rapidamente do ponto de inflexão e precisamos agir mais rápido do que temos feito até agora”, disse Rockström em palestra de inauguração do Pavilhão da Ciência Planetária, no primeiro dia da COP30.

Um relatório coordenado pelo pesquisador, lançado em setembro, indicou que sete de nove limites da segurança planetária já foram ultrapassados. Entre eles, as mudanças climáticas, a integridade da biosfera, o uso do solo, o uso de água doce, os ciclos biogeoquímicos (nitrogénio e fósforo) e a introdução de novas entidades (como produtos químicos e plásticos).

Agora, um novo relatório elaborado por 70 renomados cientistas de 21 países – entre eles do Brasil –, que foi lançado oficialmente durante a COP30, aponta que os sumidouros naturais de carbono do planeta – entre eles as florestas tropicais – estão atingindo limites críticos, absorvendo menos emissões que as esperadas, enquanto décadas de mudança climática têm debilitado sua capacidade.

Até o oceano, outro sumidouro vital de carbono e calor, está absorvendo menos dióxido de carbono (CO2), enquanto intensas ondas de calor marinhas devastam os ecossistemas e os meios de subsistência costeiros.

“O planeta inteiro está apresentando sinais de diminuição na capacidade de absorção de carbono”, disse Rockström, que é membro do conselho editorial do relatório. “A maior preocupação, com base nos dados atuais, reside nas regiões temperada e boreal e na zona do permafrost [solo congelado em regiões muito frias que retém gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono]”, disse Rockström.

De acordo com dados compilados para o relatório, os ecossistemas do hemisfério Norte começaram a indicar, a partir de 2016, uma redução na capacidade de absorção de carbono.

“Isso está a ficar muito preocupante porque sabemos que muitas áreas da parte brasileira da floresta amazônica já deixaram de ser sumidouros e se tornaram fontes de carbono, mas a mesma coisa está acontecendo com as florestas temperadas e boreais”, ponderou.

Remoção de dióxido de carbono
A ampliação da remoção de dióxido de carbono (CDR, na sigla em inglês) é necessária para complementar – e não substituir – cortes rápidos nas emissões, ponderam os autores do relatório.

O desenvolvimento de diretrizes internacionais robustas e o apoio à pesquisa e à inovação são essenciais para preencher a lacuna de CDR e apoiar tanto as metas de curto prazo quanto a estabilidade climática de longo prazo, garantindo, ao mesmo tempo, salvaguardas ambientais e sociais, apontam.

“As políticas climáticas mais ambiciosas discutidas hoje visam reduzir as emissões em 45% até 2030 e ter uma economia mundial com emissões líquidas zero até 2050, mas ninguém está cumprindo essa meta. Se não ampliarmos a CDR, teremos que descarbonizar a economia global até 2040”, apontou Rockström.

Segundo o cientista, mesmo com as melhores atualizações das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) pelos países, será possível conseguir reduzir as emissões globais em 5% até 2035. Mas as evidências científicas mostram que esse ritmo não será suficiente, ponderou.

“Na verdade, precisamos reduzir as emissões em 5% por ano, e não por década. É isso que a ciência nos diz para, no mínimo, desviar do perigo”, sublinhou.

Subsídio para as negociações
O relatório é fruto de uma iniciativa da Future Earth, da Earth League e do Programa Mundial de Pesquisa Climática, que todos os anos reúnem alguns dos principais cientistas do clima de todo o mundo para analisar as descobertas mais urgentes na pesquisa sobre mudanças climáticas. Os resultados são apresentados num artigo acadêmico revisado por pares e um relatório de ciência e política para oferecer uma síntese aos formuladores de políticas e à sociedade em geral para subsidiar as negociações das COPs.

“Espero que as conclusões do relatório estimulem o senso de urgência nos formuladores de políticas para que comecem a agir com base nas descobertas científicas”, disse Deliang Chen, professor da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, e um dos autores da síntese.

O relatório é complementar aos publicados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), mas com algumas diferenças, comparam os autores.

“Analisamos, todos os anos, os dados científicos do ano anterior que mostram evidências relacionadas às mudanças climáticas e sintetizamos isso em uma mensagem muito clara e direta. Esperamos que isso funcione de forma muito mais eficiente para a formulação de políticas e, de fato, subsidie as ações que serão tomadas e as negociações”, disse Regina Rodrigues, pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e uma das autoras da publicação.

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Em 2025 a civilização ultrapassou 7 dos 9 limites planetários

Este infográfico poderia estar nas primeiras páginas de todos os jornais do mundo, mas dificilmente circula fora dos fóruns científicos e ativistas.

Dos nove limites planetários que, segundo se diz, garantem um planeta habitável por humanos, até 2025 a civilização atual terá ultrapassado sete, com a controversa acidificação dos oceanos como o novo ponto de não retorno ou "ponto de inflexão".

Em 2009, eram duas, em 2015, eram três e, em 2023, já eram seis — cada faixa vermelha é um aviso ignorado para um futuro devorado pelo presente, de acordo com este artigo.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Deveríamos ver os pontos críticos da Terra como bens comuns globais


Deveríamos olhar para os elementos do sistema Terra como bens comuns globais, argumentam os pesquisadores em um novo artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os bens comuns globais não podem — como fazem atualmente — incluir apenas as partes do planeta fora das fronteiras nacionais, como o alto mar ou a Antártida. Devem também incluir todos os sistemas ambientais que regulam o funcionamento e o estado do planeta, nomeadamente todos os sistemas na Terra dos quais todos dependemos, independentemente de onde vivemos no mundo, de acordo com os investigadores por trás do artigo, incluindo os investigadores do Centro de Resiliência de Estocolmo Johan Rockström , Jonathan Donges e Carl Folke.

Isto exige um novo nível de cooperação transnacional. Para limitar os riscos para as sociedades humanas e garantir funções críticas do sistema terrestre, propõem um novo quadro de bens comuns planetários para orientar a governação do planeta.

“A estabilidade e a riqueza das nações e da nossa civilização dependem da estabilidade das funções críticas do sistema terrestre que operam além das fronteiras nacionais. Ao mesmo tempo, as atividades humanas pressionam cada vez mais as fronteiras planetárias destes sistemas fundamentais. Da floresta amazónica às massas de gelo da Gronelândia, existem riscos crescentes de desencadear mudanças irreversíveis e incontroláveis ​​no funcionamento do sistema terrestre. Como estas mudanças afectam pessoas em todo o mundo, argumentamos que os elementos de ruptura devem ser considerados como bens comuns planetários aos quais o mundo está confiado e, consequentemente, necessitados de governação colectiva”, explica Johan Rockström, director do Instituto Potsdam para Investigação do Impacto Climático (PIK). ) e professor de ciências da sustentabilidade no Centro.

A publicação é o resultado de um processo de pesquisa de quase dois anos envolvendo 22 importantes pesquisadores internacionais. Os cientistas jurídicos, políticos e do sistema terrestre defendem a sua posição com base na bem conhecida ideia dos bens comuns globais. Em seguida, expandem-no significativamente para conceber respostas jurídicas mais eficazes para governar melhor os sistemas biofísicos que regulam a resiliência planetária para além das fronteiras nacionais, tais como os sumidouros naturais de carbono e os principais sistemas florestais.

“Acreditamos que os bens comuns planetários têm o potencial de articular e criar obrigações de administração eficazes para os Estados-nação em todo o mundo através da governação do sistema terrestre que visa restaurar e fortalecer a resiliência planetária e promover a justiça. No entanto, uma vez que estes bens comuns estão frequentemente localizados em territórios soberanos, tais obrigações de administração também devem cumprir alguns critérios de justiça claros”, destaca a professora Joyeeta Gupta, da Universidade de Amesterdão.

Uma mudança planetária
Outros bens comuns globais ou bens públicos globais incluem o alto mar e os fundos marinhos profundos, o espaço sideral, a Antártida e a atmosfera. Estes são partilhados por todos os Estados e estão fora das fronteiras jurisdicionais e, portanto, dos direitos soberanos. Todos os estados e pessoas têm um interesse colectivo, especialmente quando se trata de extracção de recursos, que sejam protegidos e governados de forma eficaz para o bem colectivo. Os bens comuns planetários expandem a ideia dos bens comuns globais, acrescentando não só regiões geográficas globalmente partilhadas ao quadro dos bens comuns globais, mas também sistemas biofísicos críticos que regulam a resiliência e o estado, e portanto a habitabilidade, na Terra.

As consequências de uma tal “mudança planetária” na governação dos bens comuns globais são potencialmente profundas, argumentam os autores. A salvaguarda destas funções reguladoras críticas do sistema terrestre é um desafio numa escala planetária única de governação, caracterizada pela necessidade de soluções colectivas à escala global que transcendam as fronteiras nacionais.

Visitar a página Global Commons Alliance

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Os novos negacionistas


Quando Galileu descobriu que era a Terra que rodava em torno do Sol (e não o contrário), a doutrina dominante não aceitou e obrigou-o a renunciar à sua descoberta. Reza a história que à saída da igreja onde abjurara, Galileu se voltou para um amigo e lhe sussurrou: “E, no entanto, ela (a Terra) gira.”
O mesmo se passa hoje em relação à crise ecológica e ao crescimento económico exponencial das nossas economias. Quando se diz algo absolutamente razoável sobre a insustentabilidade de um sistema dependente do crescimento a todo o custo, a recepção violenta ou pedante (pelas elites, comentadores políticos, etc.) é sinal de que voltamos ao estilo da Idade Média.
Mas, independentemente do dogmatismo vigente, o facto é que não podemos continuar a aumentar o PIB para sempre. É muito simples: não é possível crescer o PIB sem aumentar ao mesmo tempo os fluxos de matérias e de energia – necessários para construir e fazer funcionar quase tudo o que se compra e vende. Mesmo quando uma inovação reduz o consumo material/energético de um bem ou serviço, esse ganho de produtividade/competitividade resulta em vendas acrescidas, o que leva a maiores consumos materiais e energéticos no total. Chama-se a isto o paradoxo de Jevons. Verifica-se sempre, desde que foi identificado no início da Revolução Industrial, e é o que demonstra a impossibilidade crónica do crescimento verde. Sem apelo.
E esta dependência de fluxos materiais e energéticos cada vez maiores implica uma destruição da Natureza na mesma proporção, porque estes têm de ser extraídos e transformados ao longo de toda a cadeia de produção: estamos a provocar a 6.ª extinção em massa, a desflorestar, sobrepescar, minerar, poluir, instalar megaparques solares e eólicos, e monoculturas industriais em todo o lado.
O relatório do Estado do Clima de 2023 publicado na revista BioScience é taxativo: “Estamos a deixar para trás as condições associadas com a civilização humana. Temos de mudar a nossa perspectiva de a emergência climática ser uma questão ambiental isolada para uma [perspectiva de] ameaça sistémica e existencial.” Continuar a acreditar que conseguimos “inovar tecnologicamente” as soluções para as múltiplas manifestações deste imenso problema é não perceber a natureza desse mesmo problema. É confundir causas com sintomas. É como tentar curar um cancro com aspirinas, por nos recusarmos a aceitar que temos cancro.
É este o novo negacionismo. No anterior, o climático, não se acreditava que o aquecimento global era provocado pela ação humana. Neste novo, (ainda) não se acredita que a destruição natural sem precedentes que estamos a viver seja provocada pela obsessão do crescimento económico exponencial.
Mas esse crescimento económico exponencial é matemática e fisicamente impossível num mundo com recursos finitos. Não só por causa dos desequilíbrios ecológicos, mas também devido a outras instabilidades como a financeira, a social ou a geopolítica.
O mundo como o conhecemos, e como se materializa nas nossas vidas diárias, está prestes a sofrer uma redução imensa na sua capacidade de aceder às quantidades de energia, materiais e estabilidades essenciais à sua continuação. E se não podemos fazer grande coisa relativamente aos sistemas macro, podemos fazê-lo em relação aos nossos sistemas socio-económicos locais, regionais, nacionais – e talvez europeus – preparando-(n)os para os choques que se avizinham.
É por isso que os artigos do JMT, de Pedro Norton, ou as lastimáveis conversas de café da CNN, são bem exemplificativos das "elites" em Portugal. Embrulham-se na sua incompreensão do que se está a passar, discorrendo disparatadamente sobre um qualquer acontecimento global, repentino, tipo “cometa dos dinossauros” ou apocalipse bíblico onde tudo acontece num repente – daqueles que, realmente, nunca aconteceram à espécie humana. Têm uma visão de progresso monolítica, subjugada ao imperativo do crescimento económico, fora da qual tudo para eles é "um inferno”.
Não contemplam qualquer possível transição, qualquer via de desenvolvimento alternativo. Não entendem que o tal "fim do mundo" se refere ao aproximar do "fim de um mundo", i.e. de um modo de viver: o nosso.
E estão 100% errados, porque isto foi algo que aconteceu, literalmente, a 100% das civilizações da história da humanidade. E nas 100% das vezes que isto aconteceu, as suas elites não reagiram: o que as tornava e mantinha como elites era o sistema em que viviam, mesmo quando este se desmoronava debaixo dos pés. Pelo que mantê-lo a todo o custo era – e é – o seu objetivo último.
O mundo como o conhecemos, e como se materializa nas nossas vidas diárias, está prestes a sofrer uma redução imensa na sua capacidade de aceder às quantidades de energia, materiais e estabilidades essenciais à sua continuação.
Hoje, com o velho mundo a desmoronar, surgem já várias alternativas sistémicas, económicas, democráticas, agrícolas, regenerativas, tecnológicas e em tantas outras vertentes. E o Decrescimento, enquanto corrente crítica, debruça-se precisamente sobre isto: convidar reflexões difíceis, mas honestas, imaginar e experimentar novas economias, novas medidas de progresso social, e experimentar formas de transitar, coletiva e estrategicamente, para uma sociedade onde será cada vez mais difícil o acesso a energia e materiais – por constrangimento, ou por opção.
O que não podemos – e não podemos mesmo – é deixar tudo na mesma, "nas mãos" de um nível de comentário político miserável, de elites políticas e económicas focadas meramente em lucros e eleições, e tudo dependente de uma premissa económica impossível.
Nas tantas histórias da humanidade, já se fez muito mais, por muito menos. Está na hora de mudar de página, de mundo – e de elites.

Texto original aqui

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Livro- Earth for All - Terra para Todos


Publicado em 2022 – Há cinco décadas, Os Limites do Crescimento chocou o mundo ao mostrar que o crescimento populacional e industrial estava a empurrar a humanidade para um precipício. Hoje, o mundo reconhece que estamos à beira do precipício: a Terra ultrapassou múltiplas fronteiras planetárias, enquanto a desigualdade generalizada está a causar instabilidades profundas nas sociedades. Parece não haver saída.

Earth For All é ao mesmo tempo um antídoto para o desespero e um roteiro para um futuro melhor. Utilizando modelos informáticos de última geração para explorar políticas que possam proporcionar o melhor bem para a maioria das pessoas, um importante grupo de cientistas e economistas de todo o mundo apresenta cinco reviravoltas extraordinárias para alcançar a prosperidade para todos dentro dos limites planetários numa única geração. A cobertura inclui:
  1. Os resultados da nova modelagem global que indica a queda do bem-estar e o aumento das tensões sociais aumentam o risco de colapsos sociais regionais
  2. Dois cenários alternativos – Too-Little-Too-Late vs The Giant Leap – e o que eles significam para o nosso futuro coletivo
  3. Cinco medidas de mudança de sistema que podem acabar com a pobreza e a desigualdade, ajudar as pessoas marginalizadas e transformar os nossos sistemas alimentares e energéticos até 2050
  4. Um caminho claro para reiniciar o nosso sistema económico global para que funcione para todas as pessoas e para o planeta.
Escrito num estilo aberto, acessível e inspirador, utilizando linguagem clara e recursos visuais de alto impacto, Earth For All é uma visão profunda para tempos incertos e um mapa para um futuro melhor.

Este guia de sobrevivência para a humanidade é leitura obrigatória para todos os que se preocupam em viver bem num planeta frágil.

Autores:
  1. Sandrine Dixson-Declève é copresidente do Clube de Roma 
  2. Owen Gaffney é estrategista, escritor, jornalista científico, cineasta e analista de sustentabilidade global no Centro de Resiliência de Estocolmo e no Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático, 
  3. Jayati Ghosh é uma economista reconhecida internacionalmente  e professora da Universidade de Massachusetts
  4. Johan Rockström é diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático
  5. Per Espen Stoknes é diretor do Centro de Sustentabilidade e Energia da Escola Norueguesa de Negócios em Oslo
  6. Jørgen Randers é professor emérito de estratégia climática na BI Norwegian Business School.

ONGA
Earth For All

Economia Ecológica

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Global Wave of Climate Action


15.000 scientists:

We are venturing into uncharted climate territory
20 of the 35 vital signs are now showing record extremes
Such anomalies may become more frequent and could have increasingly catastrophic impacts

Energy:
Fossil fuels remain dominant
Carbon emissions have continued soaring
Annual coal consumption reaching a near all-time high

Forests:
Global tree cover loss rate declined 9.7%
Humanity is not on track to end and reverse deforestation by 2030
Forests are increasingly threatened by powerful climate feedback loops

Global mean greenhouse gases and temperature:
CO2 is now at 420 ppm (Far above the save limit of 350 ppm)
Carbon dioxide, methane, and nitrous oxide—are all at record levels
2023 is on track to be one of the hottest years on record

Oceans and ice:
Ocean acidity, glacier thickness, and Greenland ice mass all fell to record lows
Sea level rise and ocean heat content rose to record highs
Atlantic meridional overturning circulation could pass a tipping point and start to collapse this century

Climate impacts and extreme weather:
Deadly flash floods in northern India
Record-breaking heat waves in the United States
Exceptionally intense Mediterranean storm that killed thousands of people
China experienced its heaviest rainfall in at least 140 years

Economics:
Economic growth, as it is conventionally pursued, is unlikely to allow us to achieve our social, climate, and biodiversity goals
Technological advancements often fall short in mitigating the overall ecological footprint of economic activities

Stopping warming: efforts must be directed toward
Eliminating emissions from fossil fuels and land-use change
Increasing carbon sequestration with nature-based climate solutions
We should not rely on unproven carbon removal techniques

Stopping coal consumption:
Global coal consumption is near record levels
Coal usage in China has accelerated rapidly in the past decades

Food security and undernourishment:
Undernourishment is now on the rise
735 million people faced chronic hunger
Hunger could escalate in the absence of immediate climate action
Risks of synchronized harvest failures caused by increased waviness of the jet stream
Efforts are needed to improve crop resilience and resistance to heat, drought, and other climate stressors
A shift toward plant-based diets could improve global food security and help mitigate climate change

Justice:
Impacts of climate change are already catastrophic for many
They disproportionately affect the world's most impoverished individuals
Strive for a convergence in per capita resource and energy consumption

Conclusions:
The truth is that we are shocked by the ferocity of the extreme weather events in 2023
We are afraid of the uncharted territory that we have now entered
This is our moment to make a profound difference for all life on Earth
Possibilities such as a worldwide societal breakdown are feasible and dangerously underexplored
By 2100 an estimated 3 to 6 billion individuals might find themselves confined beyond the livable region
Climate emergency is systemic, existential threat
Challenge the prevailing notion of endless growth and overconsumption
Advocate for reducing resource overconsumption
Transformation of the global economy to prioritize human well-being
Every further 0.1°C increase in future global heating cannot be overstated
Rather than focusing only on carbon reduction and climate change, addressing the underlying issue of ecological overshoot will give us our best shot at surviving

Relatório do estado do clima em 2023. Entrar em território desconhecido

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Johan Rockström interview - Planetary boundaries, 'negative emissions', mitigation models and fairness


Johan Rockström é mais conhecido por seu trabalho no Planetary Boundary Framework e como codiretor do Potsdam Institute for Climate Impact Research. Nesta ampla conversa com Kevin Anderson, gravada na Noruega em março de 2023, eles discutem as suas respetivas opiniões sobre os riscos e desafios que enfrentamos no cumprimento dos nossos compromissos climáticos de Paris.

Referências Bibliográficas:
  1. O artigo seminal de 2009 sobre fronteiras planetárias, do qual Johan foi coautor, 'Planetary Boundaries: Exploring the Safe Operating Space for Humanity'
  2. O artigo da Nature de Lucas Chancel que Kevin menciona é 'Desigualdade global de carbono ao longo de 1990-2019'
  3. O relatório da IEA que Kevin menciona é “O 1% dos maiores emissores do mundo produz mais de 1000 vezes mais CO2 do que o 1% da base”.

sábado, 16 de setembro de 2023

“A Terra está agora bem fora do espaço operacional seguro para a humanidade”: planeta ultrapassou seis dos nove limites de estabilidade



Um novo estudo publicado na revista “Science” esta quarta-feira alerta que o planeta ultrapassou seis dos nove limites de estabilidade e resiliência, podendo colocar a Terra num novo período geológico. “A Terra está agora bem fora do espaço operacional seguro para a humanidade”, alerta a investigação.

Em causa estão os limites para além dos quais os principais sistemas do planeta Terra (como o clima, água, biodiversidade) deixam de ter capacidade para se manterem nas condições seguras e estáveis que se têm observado nos últimos 10 mil anos.

"Este período do Holoceno, que começou com o fim da última era do gelo e durante o qual evoluíram a agricultura e as civilizações modernas, foi caracterizado por condições planetárias relativamente estáveis e quentes. As atividades humanas trouxeram agora a Terra para fora da janela de variabilidade ambiental do Holoceno, dando origem à proposta da época do Antropoceno”, concluem os investigadores da Universidade de Estocolmo.

A primeira avaliação deste género foi realizada em 2009, tendo já na altura concluído que três dos limites tinham sido superados. Posteriormente, 2015, este número tinha subido para quatro. Agora, os cientistas concluíram que foram superados seis dos nove limites dos processos que regulam a estabilidade e resiliência do sistema da Terra. Esta foi a primeira avaliação que contemplou todos os nove processos, sendo assim “primeiro exame científico de saúde para todo o planeta”.

Mais especificamente, identificam os investigadores, foram ultrapassadas as fronteiras quanto às alterações climáticas, integridade da biosfera, sistema terrestre, novas entidades, alterações na água doce e fluxos biogeoquímicos.

Embora o romper destes limites não seja considerado irreversível, estes são pontos a partir dos quais o planeta incorre no risco de sofrer mudanças profundas nos sistemas físicos, biológicos e químicos que asseguram a viabilidade da vida (nos suportes que conhecemos) na Terra.

“Esta atualização do quadro das fronteiras planetárias pode servir como um renovado alerta para a humanidade de que a Terra corre o risco de deixar o seu estado semelhante ao do Holoceno”, afirmam os cientistas. "Os resultados do nosso modelo demonstram que um dos meios mais poderosos que a humanidade tem à sua disposição para combater as alterações climáticas é respeitar os limites da mudança do sistema terrestre."

sábado, 3 de junho de 2023

Exceder os Limites Planetários Explode ao Considerar os Impactos Humanos

Um grupo de pesquisadores adicionou limites aos limites planetários em relação à justiça social e aos impactos negativos em comunidades e indivíduos associados ao cruzamento desses limites. Isso é o que eles chamam de "limites planetários seguros e justos". Ao que tudo indica, de oito deles, sete já foram ultrapassados.



Conhecemos os limites planetários , desenvolvidos em 2009 por uma equipa de especialistas liderada por Johan Rockström, codiretor do Potsdam Institute for Climate Impact Research. Estas nove variáveis ​​- entre as quais se encontram as alterações climáticas, a erosão da biodiversidade, a acidificação dos oceanos, a poluição química ou mesmo o uso global da água - regulam a estabilidade do planeta e não devem ser ultrapassadas para continuar a garantir uma "vida segura". "desenvolvimento para a humanidade. Até o momento, já ultrapassamos pelo menos seis, ou dois terços.

Mas os pesquisadores queriam ir mais longe. Num estudo publicado na quarta-feira, 31 de maio na revista Nature , eles identificaram pela primeira vez o que chamam de limites planetários "seguros e justos". Partindo dos limites físicos do planeta, os limites "seguros", eles acrescentaram critérios relativos à justiça social e aos impactos negativos sobre comunidades e indivíduos associados ao cruzamento desses limites. Esses são os limites além dos quais, por exemplo, os indivíduos não estão mais protegidos dos danos causados ​​pelas mudanças planetárias. O pedágio é ainda mais pesado, pois sete desses oito limites planetários "seguros e justos" já foram ultrapassados.

"Nossos resultados são bastante preocupantes. Isso significa que, a menos que haja uma transformação radical, é muito provável que pontos de inflexão irreversíveis e impactos generalizados no bem-estar humano sejam inevitáveis", comentou em comunicado à imprensa Johan Rockström , também codiretor da as Comissões da Terra, na origem deste novo conceito.

O limite "certo" das alterações climáticas já foi ultrapassado

Entre esses limites “seguros e justos”, há, por exemplo, as alterações climáticas. O limite "seguro" é definido em 1,5 ° C, porque abaixo desse limite, a probabilidade de desencadear elementos de inclinação, como o colapso da camada de gelo da Gronelândia ou um súbito degelo localizado do permafrost boreal, é considerada "moderada" pelos pesquisadores. Por outro lado, o limite “justo” é fixado num limiar mais estrito de 1°C, porque a este nível de aquecimento, dezenas de milhões de pessoas já estão expostas a temperaturas extremas, “levantando preocupações de justiça inter e intrageracional” , podemos ler no estudo.

É muito pior com um aquecimento de 1,5°C. “Mais de 200 milhões de pessoas, entre as mais vulneráveis, pobres e marginalizadas (injustiça intrageracional), podem ser expostas a temperaturas médias anuais sem precedentes e mais de 500 milhões podem ser expostas ao aumento prolongado do nível do mar. excede o princípio amplamente aceite de 'não deixar ninguém para trás' e falha na maioria dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável .

Assim, neste limite relacionado com o clima, os investigadores consideram que o limiar já foi ultrapassado uma vez que estamos a +1,2°C de aquecimento global e que recomendam tomar sempre o limite mais estrito, ou seja, neste caso 1°C. Entre os outros limites ultrapassados, estão os relativos à biosfera, à água ou mesmo aos fertilizantes. Apenas o limite relativo à poluição por aerossóis ainda não foi ultrapassado, mas os autores pedem a implementação de medidas para reduzir a poluição por partículas finas em todo o mundo.

17 empresas piloto

Esta nova pesquisa visa fornecer a base científica para definir a próxima geração de metas, expectativas e ações de sustentabilidade. As empresas são, portanto, convidadas a aproveitá-la e ir além da abordagem baseada apenas no clima que tem sido favorecido até agora. " Este novo estudo é extremamente importante para os negócios. Ele conecta clima à natureza, água doce, ar limpo e outros bens comuns globais e define o que é necessário para garantir nosso futuro coletivo ", respondeu Gim Huay, diretor geral do Centre for Nature and Climate no Fórum Económico Mundial.

Nesse contexto, a Science Based Targets Network (SBTN) , que fornece ferramentas às empresas sobre seu impacto na natureza, acaba de publicar seus primeiros objetivos. Um passo importante para ajudar as empresas a tomarem medidas integradas nas diferentes áreas. Um primeiro grupo de dezessete empresas-piloto, incluindo Bel, Carrefour, Kering e H&M, se preparam para submeter metas para validação. A iniciativa será estendida a todas as empresas em 2024.