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terça-feira, 1 de julho de 2025

O que está por trás do investimento pesado da China em baterias de sódio



Dezenas de motocicletas elétricas tipo scooter estão enfileiradas do lado de fora de um shopping na cidade de Hangzhou, no leste da China, atraindo transeuntes para testá-las.

Mas estas scooters semelhantes a Vespas, que são vendidas por de US$ 400 a US$ 660, não são movidas pelas tradicionais baterias de chumbo-ácido ou de íon de lítio, comumente usadas em veículos elétricos de duas rodas. Em vez disso, suas baterias são feitas de sódio, um elemento abundante que pode ser extraído do sal marinho.

Ao lado das scooters estão algumas torres de recarga rápida, que podem reabastecer o nível de energia dos veículos de 0% a 80% em 15 minutos, de acordo com a Yadea, a principal fabricante chinesa de veículos de duas rodas que realizou esse evento promocional em janeiro de 2025 para divulgar suas motos e sistema de recarga recém-lançados.

Há também uma estação de troca de baterias, que permite que os motoristas entreguem suas baterias usadas em troca de novas, com a leitura de um QR code.

A Yadea é uma das muitas empresas na China que tentam criar uma vantagem competitiva para tecnologias alternativas de bateria, uma tendência que mostra a rapidez com que o setor de tecnologia limpa do país está se desenvolvendo.

sábado, 4 de maio de 2024

Nova era: EUA começam a produzir baterias de sódio sem lítio

Nova bateria de íons de sódio sem lítio da Natron 

Após dois anos de trabalho e testes, a estadunidense Natron Energy, especialista em baterias de íon de sódio, começou a produzir, em massa, suas novas baterias de sódio sem lítio de longa duração. A ideia da empresa, segundo o New Atlas, era ter iniciado a produção em 2023, mas houve pequeno atraso 

Baterias de sódio sem lítio são melhores? O sódio é cerca de 500 a mil vezes mais abundante em nosso planeta do que o lítio; Além disso, sua obtenção é realizada por método diferente de extração, que não deixa marcas na Terra; A Natron diz que suas baterias de íon de sódio são produzidas somente de materiais abundantes no mundo, incluindo alumínio, ferro e manganês; Sem contar que os materiais necessários para a química do íon de sódio da Natron são adquiríveis a partir de cadeia de abastecimento doméstica confiável e localizada nos EUA, evitando assim questões geopolíticas, ao contrário de materiais comuns de lítio, como cobalto e níquel.

Os íons de sódio têm atraído grande interesse nos últimos anos por ser meio de armazenamento de energia promissoramente mais confiável e potencialmente mais barato.

Mesmo com sua densidade de energia ficando atrás da do íon de lítio, ele possui algumas vantagens, tais como ciclos mais rápidos, vida útil mais longa e utilização final mais segura e não inflamável. Ele se tornou atrativo para utilizações estacionárias, como centros de dados e armazenamento de backup de carregadores de veículos elétricos (EVs, na sigla em inglês).

Pioneirismo
A Natron tem 11 anos de existência e é uma das pioneiras na pesquisa e implementação de baterias de íons de sódio. A maioria dos projetos dessa tecnologia segue em laboratório, mas a estadunidense iniciou uma das primeiras grandes operações de produção no mundo todo.

Para comemorar, no início desta semana, a companhia realizou cerimônia em sua fábrica, localizada em Holland, Michigan (EUA), chamando-a de primeira produção em escala comercial de baterias de íon de sódio nos EUA.
As baterias de íon de sódio oferecem alternativa única ao íon de lítio, com maior potência, recarga mais rápida, ciclo de vida mais longo e química completamente segura e estável. A eletrificação de nossa economia depende do desenvolvimento e produção de soluções novas e inovadoras de armazenamento de energia. Nós, da Natron, estamos orgulhosos de fornecer tal bateria sem o uso de minerais de conflito ou materiais com impactos ambientais questionáveis.
Colin Wessells, fundador e co-CEO da Natron, em fala durante o evento de comemoração

Segundo a empresa, suas baterias carregam e descarregam a taxas dez vezes mais rápidas que as de íon de lítio. Tal nível as torna, de acordo com o New Atlas, importantes candidatas aos altos e baixos do armazenamento de energia de backup. Elas também têm vida útil estimada de 50 mil ciclos.

Não há nível de densidade de energia baseado no peso divulgado pela Natron, mas um artigo da Chemical & Engineering News, de 2022, colocou as baterias de íon de sódio em 70 Wh/kg na parte inferior da escala de densidade de energia das de íons e sódio.

Este resultado está em linha com o plano de negócios inicial da empresa, pois as baterias de íons de sódio com demanda para uso potencial em mobilidade têm mais que o dobro desta densidade.

Em 2021, a CATL apresentou bateria de íon de sódio de 160 Wh/kg e pretende ampliar a densidade para mais de 200 Wh/kg, visando melhor desempenho em carros elétricos.

A Natron prevê que suas instalações em Holland aumentem sua produção para até 600 megawatts e a deixem funcionando em 100% de sua capacidade, sendo modelo futuro para instalações em escala de gigawatts.

É natural que, atualmente, o foco da empresa para distribuir seu novo produto sejam as instalações de armazenamento de dados de inteligência artificial (IA), visto que, de dois anos para cá, a IA passou a exigir mais e mais consumo de energia.

Nas centrais de armazenamento de dados de IA, as baterias de ciclo rápido, como as novas de íon de sódio, podem se tornar ferramente essencial de gerenciamento de energia. Espera-se que as primeiras entregas sejam realizadas já em junho deste ano.

A empresa estadunidense pretende, também, expandir o foco para outros mercados de energia industrial a longo prazo, incluindo o carregamento rápido de EVs e telecomunicações.

segunda-feira, 22 de abril de 2024

Dia Mundial da Terra: Quais são as soluções aos problemas ecológicos globais que enfrentamos?


"Esta frase é na verdade mais uma falácia [...] É uma questão mal formulada porque parte de uma estrutura conceitual errónea".
"Todo o trabalho que fiz nesses 14 anos de divulgação, é resumido em que não há maneira técnica de manter o capitalismo. Não é possível, fisicamente, continuar com o mesmo sistema socioeconómico. Faltarão recursos, faltará energia, e os problemas ambientais e as Alterações Climáticas, em particular, já estão a causar catástrofes em cascata que afectam a execução "normal" do sistema económico".
"Essa questão contém implicitamente a ideia de soluções técnicas para manter o sistema como está. Ao fazer essa pergunta dessa maneira, supõe-se que o capitalismo deve ser mantido e só é aceite ouvir sobre os desenvolvimentos científicos e tecnológicos.
Estamos presos neste momento literalmente décadas. Sabemos há 50 anos que não existem soluções técnico-científicas para manter o capitalismo, mas temos colocado todo o peso da discussão em soluções técnico-científicas há 50 anos.
É a estrutura mental do inimigo. Pensamos com a estrutura mental do inimigo, o que torna impossível encontrar qualquer solução".
"Quais são as soluções?"
Existe apenas uma.
Saia da estrutura mental do inimigo.
Não há solução possível dentro do capitalismo. Simplesmente não há.
O crescimento econômico é incompatível com a preservação ambiental. A própria Agência Europeia do Ambiente diz isso, órgão dependente da Comissão Europeia.
Não há negociação possível com o capitalismo. A única coisa que podemos discutir é a sua conclusão, se queremos ter um futuro.
Existem soluções, mas não são de natureza técnica. Isso não significa que a ciência, a técnica e o desenvolvimento tecnológico não sejam úteis. Eles são; Além disso, eles são uma parte essencial da solução. Mas fora de um quadro capitalista.
Os industriais continuam a fazer barulho repetidamente para nos impedir de parar e perceber que o problema está mal colocado. Que o problema não pode ser resolvido com mais tecnologia, mas sim com mais cultura, mais sociedade, mais pessoas verdadeiramente humanas. O solucionismo distrai-nos da discussão real.
A mudança que precisamos é cultural, é social, é económica, é política e é radical, já que é necessário ir à raiz do problema. Precisamos sair da estrutura mental do inimigo e começar a pensar por nós mesmos, sendo livres, respirando".
António Turiel
(cientista e divulgador, licenciado em Física e Matemática e doutor em Física Teórica pela Universidade Autônoma de Madrid)

sábado, 2 de março de 2024

Adélio Mendes: “A extração de lítio em Portugal é um engano, as reservas são pequenas e os custos de extração enormíssimos”


Adélio Mendes, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), confessa-se entusiasta das energias renováveis, mas não abdica da capacidade crítica sobre alguns projetos que têm em vista colocar o País no mapa das baterias de nova geração.

“A extração de lítio em Portugal é um engano. As reservas em Portugal são pequenas, os custos da extração são enormíssimos, é uma extração que precisa de ser subsidiada para ser viável economicamente. E nós olhamos para o mar e temos milhares de vezes mais de lítio dissolvido na água do mar à espera de ser recolhido”, responde o cientista em entrevista ao Futuro do Futuro.

Também no que toca o uso do hidrogénio como vetor que armazena e permite transportar energia, Adélio Mendes é especialmente crítico, devido aos custos implicados. “É um mau vetor energético”, reitera o cientista. Segundo as estimativas que realizou, o projeto de produção e transporte de hidrogénio entre Sines e a Holanda terá sempre de debater-se com o custo da liquefação.

“O processo de liquefação faz com que se gaste o correspondente a 36% da energia do próprio hidrogénio”, refere Adélio Mendes, apontando o metanol como alternativa menos onerosa.

Numa entrevista que começa em cerveja e acaba num novo método de extração de dióxido de carbono para a produção de carvão e hidrogénio, o cientista portuense que hoje tem o nome em 35 famílias de patentes explica quais os métodos a que recorre quando quer potenciar ideias luminosas, e dá a conhecer os projetos de desenvolvimento de painéis fotovoltaicos para espaços interiores e também a corrida a novos materiais, como a perovskita, para painéis fotovoltaicos que eventualmente poderão superar os 32% do limite atual da captação de energia solar.

É também por questões ambientais e de eficiência energética que o investigador revela reticências quanto aos carros elétricos, que prefere descrever como carros a pilhas, devido às baterias que transportam. O reparo é essencialmente dirigido aos carros com baterias de lítio que têm “uma potência absolutamente brutal que não é precisa”, mas por outro lado não têm “o armazenamento de energia que gostaríamos que tivesse”.

Para garantir uma maior autonomia, as baterias dos automóveis terão de assumir um peso superior ao peso das pessoas transportadas. “ E o impacto ambiental passa a ser muito grande”, acrescenta Adélio Mendes, indicando as baterias de sódio como potencial solução para este problema.

Num dos projetos mais bem-sucedidos do currículo, o cientista recorda como foi transacionada aquela que é, provavelmente, a patente mais valiosa que alguma vez saiu de uma universidade portuguesa. Em causa estava um novo método de solda de painéis fotovoltaicos que tinha como atrativo o facto de não precisar de recorrer a temperaturas de 250 graus.

“Os australianos chegaram à nossa beira e disseram assim: “Damos 5 milhões de euros se vocês soldarem a 120 graus””, lembra o professor da FEUP que estará entre os mais prolíferos autores de patentes das universidades nacionais.

Para os desafios que costumam ser colocados no podcast Futuro do Futuro, Adélio Mendes trouxe um som que tem por base dados recolhidos pela Sonda Solar Parker, e ainda uma imagem ilustrativa da epopeia portuguesa do Descobrimentos, que só se tornou possível com “tecnologia, preparação de recursos humanos altamente qualificados, desenvolvimento de métodos de navegação dez vezes mais precisos do que a concorrência, aprovisionamento de matérias-primas, conservação dos alimentos e financiamento das operações”.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

O grafeno aumenta a capacidade das baterias de sódio


Baterias de sódio podem aumentar a sua capacidade em 10 vezes com grafeno

Ter baterias de sódio de alto rendimento pode ser uma realidade, pois investigadores da Universidade Tecnológica de Chalmers desenvolveram um novo conceito para produzir materiais de elétrodos de alto rendimento com recurso ao grafeno.

Este novo tipo de grafeno permite armazenar um dos iões metálicos mais comuns e baratos do mundo, o sódio. Sendo que os resultados obtidos mostraram que a capacidade de armazenamento pode mesmo igualar as capacidades atuais das baterias de iões de lítio.

Mesmo com um bom aproveitamento dos iões de lítio no armazenamento de energia, o lítio é um metal caro, além de grandes preocupações sobre o seu fornecimento a longo prazo, bem como problemas ambientais.

Por outro lado, o sódio, é um metal abundante, de barato e o principal ingrediente encontrado na água do mar, bem como no sal da cozinha. O que faz com que as baterias de sódio sejam uma excelente alternativa sustentável para reduzir a nossa necessidade em matérias primas limitadas. Mas têm um grande desafio… aumentar a sua capacidade!

Aumentar a capacidade das baterias de sódio

O atual rendimento das baterias de iões de sódio não consegue competir com o rendimento das baterias de iões de lítio! Limitação devida ao grafito, pois é feito de camadas empilhadas de grafeno e usado como ânodo nas baterias de iões de lítio atuais.

Os iões são intercalados com o grafito, o que significa que podem entrar e sair das camadas de grafeno e ser armazenados para usar como energia.

Os iões de sódio são maiores que os iões de lítio e interagem de maneira diferente. Não se conseguem assim armazenar de modo eficiente na estrutura de grafito, mas os investigadores de Chalmers descobriram uma forma de resolver esta limitação.

“Adicionámos um espaçador de molécula num dos lados da camada de grafeno, quando essas camadas são empilhadas, a molécula cria espaço entre as camadas de grafeno, criando assim um ponto de interação, aumentando a capacidade da bateria de sódio”, disse Jinhua Su, investigador do Departamento de Ciência Industrial e Materiais de Chalmers.

Dez vezes a capacidade energética do grafito

Normalmente a capacidade de intercalação de sódio no grafito é de 35 miliamperes/hora/grama (mA/h/g-1). O que significa que é menos de uma décima da capacidade de intercalação de iões de lítio em grafito.

Com este novo grafeno, a capacidade passa para 332 miliamperes/hora/grama, aproximando-se do valor do lítio no grafito. Os resultados também mostraram uma reversibilidade total e um aumento de estabilidade do número de ciclos.

A investigação ainda se encontra numa fase inicial, mas os resultados têm sido animadores. Resultados que vêm comprovar que é possível criar camadas de grafeno numa estrutura ordenada que se adapte aos iões de sódio, comparando-os ao grafito.

Este estudo foi iniciado por Vicenzo Palermo, quando era ainda subdiretor da Graphene Flagship, financiado pela Comissão Europeia e coordenado pela Universidade Tecnológica de Chalmers.

Este novo grafeno tem uma função química assimétrica em lados opostos e por isso, chama-se grafeno Jano, em honra ao antigo Deus romano de duas caras, Jano, o Deus de novos começos, associado a portas e portões, e um dos primeiros passos de uma viagem.

Neste caso, o grafeno de Janus correlaciona-se bem com a mitologia Grega, o que pode abrir portas para as baterias de sódio de alta capacidade.

Ainda está longe de ter aplicações industriais, mas os novos resultados mostraram, que podem ser criadas lâminas ultrafinas de grafeno, no pequeno espaço entre elas, um excelente armazenamento de energia de alta capacidade. Claro que será também um projeto de conceito com metal rentável, abundante e sustentável.

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

As baterias de sódio


A corrida ao lítio não se justifica e é insustentável: a sua extração é altamente poluente, é um mineral raro, exige mineração e destruição de montanhas, logo é um recurso não renovável. Além disso há um marketing abusivo dos globocratas como Ellon Musk que não olham a meios para vender "green" uma bateria que dura uns 10 anitos e depois para comprar uma nova é uma fortuna. Carro para o lixo, literalmente. Sucede que existem as baterias de sódio. 

Abundante e barato, e com propriedades químicas semelhantes às do lítio, o sódio é um substituto promissor para o lítio nas baterias de próxima geração. Em 2021, dados que tenho, a densidade energética das baterias de lítio continuavam superiores à de sódio. Por enquanto, os dados espelham as diferenças: uma bateria de iões de sódio tem uma densidade energética de 160 Wh/Kg e uma bateria de lítio entre 200 a 250 Wh/Kg. A densidade energética representa a capacidade de guardar energia por unidade de volume. Mas quanto à estabilidade e a segurança das baterias de sódio as tornam especialmente promissoras para os dispositivos electrónicos e carros, onde baterias superaquecidas de íon-lítio às vezes se mostram perigosas.

A China é altamente dependente de importações para satisfazer necessidades em relação ao lítio. Um artigo publicado no site Science Direct em 2017, já apontava o país como o maior consumidor mundial de lítio, a satisfazer 70% das necessidades deste material com importações da Austrália.

A minha questão é a seguinte: como envolver as baterias de sódio: com vidro ou com grafeno? Algum investigador me possa esclarecer? E porque é que as baterias de sódio ainda não estão comercializadas? Obrigado

Saber mais:

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Baterias a baixo-custo e abundantes na Natureza


As baterias vão ter um papel fundamental na transição energética. De uma forma simples, sem baterias não há transição energética.

A última década mostrou avanços em custo, em densidade energética e performance incríveis das baterias que tornou, desde já, possível que a mobilidade eléctrica possa arrancar em escala.
Mas o caminho está só a começar e precisa de ir bastante mais longe para que a transição energética possa ser uma realidade.

O nível de investimento em investigação que se está a fazer em baterias é simplesmente impressionante. Os EUA e também a Europa estão a olhar para esta tecnologia de uma forma estratégica como olham por exemplo microprocessadores. A história da Northvolt na Suécia é incrível. As 3 giga factories aqui ao lado em Espanha mostra que, com atraso, o Ocidente está a acordar.

Não só as baterias precisam de continuar a melhorar a densidade energética, o custo e performance como precisam de utilizar materiais abundantes para que possam ter escala num prazo curto. Materiais abundantes também ajudam em muito baixar os custos e sobretudo diminuir a dependência de materiais da China.

O MIT publicou há dias um artigo sobre uma bateria com alumínio e enxofre, materiais abundantes em quantidade, geograficamente e com cadeias de fornecimento maduras.

Vale a pena ler o artigo para quem tem interesse nestas coisas.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Investigadora da FEUP é a Personalidade do Ano do "Portugal Tecnológico"

A edição 2020 dos prémios “Os Melhores do Portugal Tecnológico” reconheceu o contributo de Maria Helena Braga para o desenvolvimento de uma nova geração de baterias inovadoras.


A investigadora Maria Helena Braga, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), acaba de ser distinguida como “Personalidade do Ano” pelo júri da edição deste ano dos prémios “Os Melhores do Portugal Tecnológico”, atribuídos anualmente pela Exame Informática, em parceria com a revista VISÃO, àqueles “que mais fazem pela Ciência e pela Tecnologia” no país.

Com trabalho publicado desde 2014 sobre a utilização de eletrólitos de vidro, Maria Helena Braga é uma referência internacional no que diz respeito ao desenvolvimento da nova – e revolucionária – geração de baterias de eletrólitos sólidos. Trabalhou, durante vários anos, com a equipa de John B. Goodenough, o “pai” das baterias de iões de lítio e Prémio Nobel da Química em 2019.

A investigadora e atual diretora do diretora do Departamento de Engenharia Física da FEUP tem prosseguido a sua investigação em colaboração com Joana Oliveira, docente e investigadora do mesmo departamento. Já em 2020, a equipa de Maria Helena Braga lançou as bases de uma bateria inovadora que, ao combinar “capacitância negativa e resistência negativa” na mesma célula, permite que esta se autocarregue, aumentando a energia armazenada, em oposição à degradação natural do processo eletroquímico que faz com que a energia armazenada diminua pela dissipação de calor.
Distinção por unanimidade

A atribuição do “título de Personalidade do Ano a Helena Braga resultou de uma decisão unânime do júri, e vem enfatizar a importância do trabalho da investigadora da FEUP a no processo de descarbonização da economia, considerada “fundamental para o futuro coletivo, não fosse o Aquecimento Global uma das maiores ameaças à humanidade”.

Com a atribuição deste prémio, o júri – composto por José Tribolet, presidente do INESC; Pedro Veiga, professor catedrático; Arlindo Oliveira, professor e investigador no Instituto Superior Técnico e Sérgio Magno, diretor da “Exame Informática” – reitera igualmente a importância de se desenvolver tecnologia capaz de produzir e sobretudo “armazenar energia limpa”. Isto porque, como é amplamente reconhecido, “algumas das melhores fontes de energia renovável, com destaque para a solar e a eólica, estão longe de disponibilizar a energia sempre que dela precisamos”.

Esta tecnologia de armazenamento assume particular interesse se for também sustentável, como as baterias. “É fundamental conseguir desenvolver uma bateria que suporte carregamentos mais rápidos e, sobretudo, sejam mais económicas e capazes de funcionar durante muito tempo para reduzir os impactos negativos da produção”, assume o júri.
A 14.ª edição dos Prémios “Os Melhores do Portugal Tecnológico” decorreu num evento totalmente digital realizado esta quarta-feira, 18 de novembro, nos sites da Exame Informática e VISÃO. A lista com todos os premiados pode ser consultada aqui.

terça-feira, 23 de julho de 2019

Quantino o carro movido a água salgada que fez 150 mil quilómetros sem poluição

Foto e notícia aqui

A nanoFlowcell é uma marca protótipo do carro Quantino movido a água, neste caso a água salgada. E recentemente numa experiência o Quantino completou mais de 150 mil quilómetros em estrada tendo como combustível o recurso a água salgada.

Como Funciona a NanoFlowcell?

O funcionamento da tecnologia da nanoFlowcell é em tudo idêntico à de uma célula de combustível, só que recorre à água salgada invés do hidrogénio!

Assim, os iões positivos ficam separados dos iões negativos, sendo que ambos ao passarem por uma membrana se misturam e interagem, e é essa interação que gera energia elétrica que permite mover o automóvel!

O resultado final dessa mistura do líquido de iões gera água, tal como na célula de combustível de hidrogénio, mas tem como vantagem o facto de permitir que o veículo se movimente com zero emissões de carbono e um reabastecimento rápido!

Quando Surgiu a NanoFlowcell?

Esta é uma empresa já com algum tempo no mercado. Desde 2014 que esta empresa suiça tem vindo a desenvolver protótipos com o intuito de usarem água salgada como combustível primário.

Foram vários os protótipos desenvolvidos:
Desportivo e-Sportlimousine
Crossover Quant F
Compacto Quantino

Os três modelos têm sido testados em estrada, mas foi o Quantino o primeiro a mostrar a verdadeira capacidade do combustível a água salgada.

Outra grande meta deste veículo com combustível alternativo e zero emissões de carbono, ou seja, nada de poluição, é o facto de ter feito 1000 quilómetros durante oito horas e 21 minutos ininterruptos!

Ou seja, durante esses 1000 quilómetros não precisou de parar para atestar, o que comprava que também tem uma excelente autonomia!

Caraterísticas Quantino

Quanto às características desde compacto que está a revolucionar o mercado, é de ressalvar que permite até quatro pessoas no seu chassis, tem um motor de 80kW (cerca de 109 CV), e pesa pouco mais de 1400kg.

Ainda assim, com essas características consegue atingir a velocidade de 100km/h em pouco mais de cinco segundos!

A nanoFlowcell tem como objetivo iniciar a produção final deste modelo protótipo a curto prazo… se conseguir será uma grande revolução no mercado automóvel!

É que ainda agora começaram a surgir os veículos elétricos, e se vier um veículo com estas caraterísticas, basta irmos à beira mar para atestar o carro!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Ted Talks - A bateria de metal líquido, por Donald Sadoway

A bateria de metal líquido está a ser desenvolvida por Donald Sadoway e a sua equipa na Ambri. Esta é a bateria que promete revolucionar as energias renováveis contribuindo para o melhoramento da eficiência das mesmas. Donald Sadoway afirma que a existência de uma bateria entre as renováveis e a rede eléctrica põe fim às actuais variações abruptas no fornecimento de energia, tornando o sistema eléctrico mais eficiente. Com esta tecnologia pode-se armazenar a energia quando esta está disponível para usar quando é necessária, possibilitando assim que se desliguem as centrais em stand-by, que são caras e poluentes e que actualmente são usadas para equilibrar a produção de energia com o consumo da rede. A bateria concebida por Donald Sadoway e a sua equipa além de grande capacidade de armazenamento deve ter um custo de produção reduzido, tornando-a na mais promissora das tecnologias de armazenamento de energia de grande escala.

A Ambri conta com investidores importantes como Bill Gates, Khosla Ventures e a empresa de energia Total.

Entre as vantagens desta bateria estão o baixo custo devido à utilização de materiais abundantes e baratos, a flexibilidade de resposta podendo responder em milissegundos ou lentamente ao longo do tempo e a longa duração devido à utilização de eléctrodos líquidos em vez de eléctrodos sólidos.

Site oficial

Donald Sadoway