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domingo, 9 de agosto de 2026

A IA não é o maior problema de cibersegurança. São as pessoas

Os casos de Inteligência Artificial (IA) a escapar dos laboratórios, a infiltrar-se noutras empresas e a tentar enganar pessoas têm sido notícia nas últimas semanas. E, num desses casos, modelos de IA chegaram mesmo a trabalhar em conjunto para escapar dos seus ambientes de teste.

Significa isto que as máquinas estão a tomar conta de tudo? Não propriamente.
A IA não é a mente por detrás das ameaças cibernéticas mais disseminadas atualmente; são as pessoas que podem utilizar a IA de forma maliciosa - e para fins maliciosos. A IA deu aos agentes mal-intencionados um poder enorme, permitindo-lhes criar software malicioso, investigar alvos, elaborar esquemas convincentes e automatizar ataques a uma velocidade sem precedentes.

Um em cada quatro ataques que resultaram em violações de dados foi impulsionado por IA entre fevereiro de 2025 e março de 2026, segundo um relatório da IBM. E os norte-americanos perderam mais de 893 milhões de dólares (cerca de 775 milhões de euros) em burlas relacionadas com IA no ano passado, segundo o FBI.

Mas os especialistas dizem que os agentes de ameaça do mundo real - isto é, as pessoas - continuam a ser quem controla tais acontecimentos. Os agentes de IA apenas têm perpetuado métodos de ataque já existentes, como o phishing e as burlas com malware, em vez de criarem métodos totalmente novos.

“São os seres humanos que temos de vigiar”, alerta Oren Etzioni, professor emérito da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e antigo CEO do Allen Institute for Artificial Intelligence. “A IA é apenas a ferramenta.”

A IA a agir de forma descontrolada
Alguns incidentes recentes mostraram aquilo de que a IA é capaz no mundo real, e não apenas em teoria, alimentando receios de que a tecnologia esteja a avançar demasiado depressa.

Em julho, modelos de teste da OpenAI (criadora do ChatGPT) ultrapassaram as suas limitações e invadiram os sistemas de outras empresas durante uma avaliação interna.

Dias depois, a Anthropic (criadora do Claude AI) afirmou ter descoberto que os seus modelos de IA tinham conseguido entrar nos sistemas de três empresas durante os testes.

Num teste separado, o modelo mais avançado da Anthropic utilizou identidades falsas para tentar enganar pessoas reais, segundo revelaram recentemente investigadores do AI Security Institute do Reino Unido.

Um dos modelos de IA da Meta (‘dona’ do Facebook, Instagram e WhatsApp) também conseguiu entrar numa empresa externa, informou a gigante das redes sociais.

Estas intrusões também demonstram como a IA pode ser imprevisível ao interpretar instruções. Os modelos da OpenAI, por exemplo, estavam a tentar realizar um teste de cibersegurança quando saíram do seu ambiente de teste e invadiram outra empresa, apesar de não terem recebido instruções para o fazer.

Patrick Fussell, responsável global pela simulação de adversários na IBM, comparou a IA a um génio.

“Queremos pedir-lhe um desejo, mas temos de ser muito, muito específicos quanto aos detalhes desse desejo”, diz à CNN. “Caso contrário, as coisas podem acabar por correr mal”, continua, em tom de aviso.

Mas estes casos também ocorreram em circunstâncias muito específicas.

A OpenAI desativou restrições que teriam impedido o seu modelo de “realizar atividades cibernéticas de alto risco”. A Anthropic realizou os seus testes sem as salvaguardas de segurança padrão presentes nos modelos disponibilizados ao público em geral. O AI Security Institute também desativou determinadas ferramentas que poderiam ter “reduzido o âmbito” das capacidades dos modelos.

Por norma, os investigadores fazem isto para avaliar plenamente as capacidades de um modelo.

“Eu não poderia entrar no ChatGPT ou no Claude, ou em algo semelhante, e isso, acidentalmente, invadir o FBI. Isso não vai acontecer”, adianta Adam Meyers, responsável pelas operações de combate a adversários na empresa de cibersegurança CrowdStrike. “O que estamos a ver é que estes testes são realizados em condições específicas, nas quais se monitoriza para perceber: ‘Será que isto faz algo que não era suposto fazer?’”

Como os hackers estão a utilizar a IA
Segundo os especialistas, a IA não está a agir de forma autónoma para conceber novos ataques. Em vez disso, está a ajudar os cibercriminosos a implementar técnicas já existentes muito mais rapidamente, tornando-as mais eficientes e eficazes.

Isto pode incluir a utilização de IA para analisar o site de uma empresa e descobrir quem deve ser visado, ou a utilização de um agente de IA para conduzir as primeiras negociações com uma vítima de extorsão informática. Os agentes de IA conseguem imitar conversas humanas, tanto através de texto como até de vozes específicas. Hackers com poucos conhecimentos técnicos podem agora recorrer à IA para executar esquemas sofisticados.

“Estão a utilizar a IA para melhorar a metodologia dos ciberataques, essencialmente, em todas as diferentes fases, mas continua, de certa forma, a ser uma atividade conduzida por seres humanos”, afirma Jud Dressler, responsável pelo centro de operações de risco da seguradora especializada em cibersegurança Resilience.

Segundo Meyers, antigamente os agentes mal-intencionados criavam à pressa scripts básicos - pequenos programas com instruções destinadas a automatizar tarefas - para atingir os seus objetivos. Agora, porém, conseguem produzir trabalho de maior qualidade que parece ter demorado três vezes mais tempo a desenvolver.

Também utilizam IA para tarefas que acontecem nos bastidores, como gerar a infraestrutura necessária para criar sites maliciosos.

“Com a IA, podem automatizar essa construção e, por isso, o custo de reconstrução tornou-se muito baixo. E isso muda as regras do jogo”, afirmou Rob Lefferts, vice-presidente corporativo de proteção contra ameaças da Microsoft.

A maior ameaça
Para Etzioni, os incidentes recentes são um momento de “canário na mina de carvão” para a IA e a cibersegurança - uma expressão que significa um importante sinal de alerta. E não é o único a pensar assim: Geoffrey Hinton, cientista informático galardoado com o Prémio Nobel e conhecido popularmente como o ‘padrinho da IA’, alertou recentemente para a probabilidade de surgirem mais ataques realizados por IA de forma descontrolada.

Os relatos sobre IA a agir de forma descontrolada reforçam a importância de implementar boas práticas de cibersegurança, como corrigir vulnerabilidades, monitorizar os agentes de IA no local de trabalho e estar atento a burlas de engenharia social e phishing, dizem os especialistas.

Mas, por mais avançada que a IA esteja a tornar-se, continua a ser um programa orquestrado por um ser humano. E são esses seres humanos que constituem a maior preocupação, porque são eles que tomam as decisões - como realizar operações de espionagem ou enganar utilizadores para lhes retirar enormes quantias de dinheiro - afirma Meyers.

As gigantes tecnológicas estão numa corrida para tornar a IA tão inteligente quanto os seres humanos, um marco teórico conhecido como “inteligência artificial geral” (AGI). Os incidentes recentes, contudo, intensificaram os apelos a um abrandamento do desenvolvimento.

Mais de 1200 trabalhadores de grandes empresas de IA, incluindo Dario Amodei, CEO da Anthropic, assinaram recentemente uma carta aberta a apelar ao governo norte-americano para ajudar a definir o ritmo do desenvolvimento da IA. A Casa Branca reuniu-se recentemente com grandes empresas de IA para discutir um quadro que permitiria ao governo analisar determinados modelos de IA antes de estes serem disponibilizados.

Muito provavelmente, os investigadores de cibersegurança já consideraram as ameaças associadas à AGI, porque as pessoas que trabalham nesta área tendem a ser paranoicas, adianta Fussell, da IBM. Mas ainda estamos muito longe de uma realidade em que os agentes de IA sejam tão inteligentes quanto os seres humanos, continua.

“É como perguntar a alguém: ‘Como seria viver noutro planeta?’”, exemplifica, continuando: “Conseguimos imaginar, de certa forma, mas está tão para além da nossa capacidade que é realmente difícil fazer um plano.”

Ler mais:

sexta-feira, 31 de julho de 2026

The Durutti Column - Scammer


Por Vitor Belanciano
O novo álbum de The Durutti Column, “Renascent”, chega como um regresso que mais do que cronológico ė sensorial: uma reabertura da luz que sempre habitou a guitarra de Vini Reilly, minimalista, ambientalista, lírica, tão espontânea e singular, quanto clássica. Dezasseis anos depois, o timbre mantém a mesma fluidez íntima, aquela forma de avançar como quem pensa em voz baixa. Mas agora há uma lentidão nova, talvez nascida dos 
 anos de doença e do silêncio, que transforma cada nota numa espécie de respiração cuidada.
As colaborações (para além do omnipresente Bruce Mitchell na percussão há  o produtor e multi-instrumentista Keir Stewart, a pianista e cantora Caoilfhionn Rose ou Lucas Elliot) surgem como superfícies de acolhimento. Não interrompem a solidão luminosa da guitarra. antes, oferecem pequenas variações de temperatura, como se o disco respirasse em conjunto. São presenças que prolongam o gesto de Reilly, permitindo que a fragilidade se torne método e não limitação. É um disco que tanto evoca os tempos de definição de um estilo - os primeiros e maravilhosos álbuns dos anos 80 - como outros registos da fase em que diversificou a sua assinatura abrindo-se a muitos estímulos exteriores. 
Este regresso acontece num momento curioso: Reilly é hoje citado como influência por nomes muito distintos, de Brian Eno a Blood Orange, ou o mais improvável Harry Styles). Há algo de comovente nesta inversão temporal. O músico que sempre pareceu deslocado do seu próprio presente encontra agora diferentes geraçoes que o reconhecem como origem. O novo álbum não capitaliza essa atenção. Limita-se a existir com a mesma delicadeza de sempre, fiel ao gesto inicial.
O acontecimento está precisamente aí: na persistência de uma linguagem que nunca precisou de se reinventar para continuar a ser necessária. O disco avança como um murmúrio, uma memória que regressa não para repetir, mas para mostrar que ainda sabe iluminar.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

TikTok está farto do lixo gerado por IA e vai passar a apanhar quem publica



Se andas no TikTok, de certeza que já esbarraste neles: vídeos estranhos, meio absurdos, com vozes robóticas e imagens claramente feitas por inteligência artificial, publicados às dezenas por contas que não fazem mais nada. Pois a própria plataforma está farta e acaba de anunciar que vai começar a caçá-los.

O que o TikTok vai fazer em relação à IA
Esta sexta-feira, o TikTok anunciou que vai reforçar os sistemas de deteção para identificar contas dedicadas exclusivamente a publicar aquilo a que chama “spam gerado por IA”. Nas próximas semanas, a plataforma vai testar melhorias que apontam sobretudo às contas que despejam conteúdo automático sobre temas sensíveis.


TikTok está farto do lixo gerado por IA e vai passar a apanhar quem publica
E quais são esses temas? Precisamente os mais perigosos quando a informação é falsa ou de baixa qualidade: política, atualidade, saúde e conselhos financeiros. Ou seja, as áreas onde um vídeo enganador feito por IA pode fazer estragos reais, desde desinformação política a maus conselhos de dinheiro ou saúde.

Afinal, o que é o “AI slop”?
O fenómeno tem nome e tudo: chama-se “AI slop”, algo como “lixo de IA”. Descreve aquele conteúdo produzido em massa por inteligência artificial, de baixíssima qualidade e muitas vezes sem pés nem cabeça, cujo único objetivo é gerar visualizações a custo quase zero.

A lógica de quem faz isto é simples e cínica. Com ferramentas de IA generativa, uma pessoa consegue produzir dezenas de vídeos por dia sem esforço, atirá-los ao algoritmo e ver o que “cola”. O problema é que este dilúvio de conteúdo automático rouba visibilidade aos criadores reais. Aqueles que passam horas a fazer vídeos genuínos ficam soterrados por baixo da enxurrada de lixo.

Como o TikTok identifica uma conta “de spam”
Segundo a plataforma, uma conta entra na mira quando junta vários destes sinais: produz conteúdos de IA “de baixa qualidade e muito padronizados”, concentra-se em temas de alto risco que podem abalar a confiança pública, e detalhe revelador compra ou vende seguidores. É o retrato-robô da fábrica de conteúdo automático montada só para explorar o algoritmo.

O TikTok não deu pormenores técnicos sobre como vai detetar estas contas, o que é normal, revelar o método seria dar o mapa a quem tenta contorná-lo.

Não é só o TikTok
Vale a pena notar que isto não é um caso isolado. O TikTok anunciou também uma funcionalidade de denúncia automática de conteúdo gerado por IA. Entretanto não está sozinho nesta luta: outras redes, como o Pinterest, já estão a implementar medidas parecidas para filtrar o dilúvio de conteúdo artificial.

No fundo, estamos a assistir ao início de uma batalha que vai marcar os próximos anos: as redes sociais construíram-se a incentivar quem publica mais, e agora veem-se obrigadas a distinguir o que é feito por pessoas do que é cuspido por máquinas.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Novo relatório revela que escravidão moderna no Reino Unido atingiu níveis recorde

A escravatura no Reino Unido atingiu níveis recorde e a expectativa é que se agrave na próxima década, alertou a comissária independente do governo para o combate à escravatura.

Esse número aumentou mais de 50% nos últimos cinco anos e está a acontecer com pessoas cada vez mais jovens

De acordo com o número de denúncias encaminhadas para o mecanismo nacional de encaminhamento, que avalia as potenciais vítimas de escravatura e lhes oferece apoio, os números quase duplicaram nos últimos cinco anos, passando de 12.691 denúncias em 2021 para 23.411 em 2025, o número mais elevado alguma vez registado.

No seu relatório, publicado na terça-feira, Eleanor Lyons afirmou que este aumento não se deve apenas à melhor detecção da escravatura, mas também ao agravamento das condições no Reino Unido e em todo o mundo.

“A pobreza, a instabilidade global, os conflitos, a deslocação global de pessoas e a rutura das rotas migratórias seguras estão a criar um fluxo crescente de vulnerabilidades que os traficantes exploram rapidamente”, lê-se no relatório, Antecipando a Exploração: Uma Análise Baseada em Projeções Futuras. O relatório reuniu pesquisas compiladas por mais de 50 especialistas de diferentes áreas, incluindo segurança pública, governo, sociedade civil e organizações sem fins lucrativos, e é a primeira análise abrangente e prospetiva sobre como a escravatura moderna e o tráfico humano provavelmente evoluirão no Reino Unido na próxima década.

Lyons afirmou que, a menos que o Reino Unido tome medidas, a situação poderá agravar-se ainda mais com a utilização da inteligência artificial para ampliar e profissionalizar a exploração; o aumento do uso de trabalho digital em esquemas fraudulentos – como atrair pessoas para fraudes de investimento e romance; e a integração de criptomoedas em modelos de tráfico.

O relatório também expressou preocupação com o crescimento contínuo das plataformas da economia gig, o trabalho coercivo em áreas como a agricultura, a construção civil e a mineração, e o aumento da escravatura reprodutiva, como a recolha forçada de óvulos e a gestação de substituição.

Lyons instou os ministros a aumentar o financiamento das unidades policiais especializadas para que possam combater a exploração, processar mais empresas que exploram ou escravizam trabalhadores e lançar uma campanha nacional para ajudar o público a reconhecer e denunciar a exploração. Pediu ainda ao governo que melhore o atendimento às vítimas.

O relatório alertou que, sem medidas urgentes, as redes criminosas tornar-se-ão mais astutas, menos visíveis e mais difíceis de desmantelar. “A escravatura e as formas mais terríveis de exploração estão a tornar-se mais disseminadas neste país e a evoluir mais rapidamente do que conseguimos reagir”, disse Lyons.

“À medida que a exploração se torna mais complexa e oculta, impulsionada pela tecnologia e pela instabilidade global, irá espalhar-se ainda mais e tornar-se mais difícil de travar, a menos que ajamos agora”.

Um relatório de avaliação separado, também publicado na terça-feira pelo influente grupo de peritos em tráfico de seres humanos do Conselho da Europa, o GRETA, destacou um aumento acentuado do número de potenciais vítimas de tráfico.

Embora os especialistas tenham elogiado uma série de medidas tomadas pelas autoridades do Reino Unido nos últimos anos para combater o tráfico de seres humanos, como a de não responsabilizar as vítimas por actos criminosos que foram forçadas a cometer pelos seus traficantes, instaram o Reino Unido a adoptar uma série de outras medidas para alinhar plenamente as leis, políticas e práticas de combate ao tráfico de pessoas do país com a Convenção sobre a Acção contra o Tráfico de Seres Humanos.

O relatório destacou a necessidade de mais recursos, maior priorização e melhor coordenação entre as forças policiais e outras agências, bem como o reforço das investigações financeiras.

Acrescentou ainda que são necessárias mais salvaguardas para prevenir o tráfico de pessoas para exploração laboral, bem como o tráfico de pessoas de grupos vulneráveis ​​– incluindo crianças, migrantes, requerentes de asilo e pessoas sem-abrigo.

Um porta-voz do Ministério do Interior afirmou: “A escravatura moderna é um flagelo global que abusa e explora pessoas para obter lucro. Estamos empenhados em rever o sistema de combate à escravatura moderna para reduzir as oportunidades de abuso do sistema, garantindo, ao mesmo tempo, que temos as proteções adequadas para quem delas necessita.

Estamos a trabalhar com sobreviventes corajosos para fundamentar o desenvolvimento de políticas e melhorar o processo de identificação de vítimas. Também tomámos medidas imediatas para reduzir o atraso nos processos, garantindo que as vítimas obtêm decisões rápidas e o apoio necessário para reconstruir as suas vidas.”

Se você suspeita de algum caso de tráfico humano, é vital denunciar.
Portugal: Ligue 808 257 257 (Linha de Apoio à Vítima), contacte a PJ/PSP local ou ainda a AIMA 

sábado, 9 de maio de 2026

Anúncios de emprego falsos: qual é a probabilidade de ser enganado na Europa?


Quase um em cada três recrutadores é vítima de roubo de identidade, de acordo com uma nova investigação, com a Geração Z a ser vítima de anúncios falsos de oportunidades de emprego que "parecem demasiado escassas para deixar passar", apesar de serem claros sinais de alerta.

Os anúncios de emprego falsos tornaram-se um problema grave na Europa, com novos casos registados regularmente em todo o continente.

Nos últimos anos, a Europol e os governos nacionais têm vindo a exortar os candidatos a emprego a serem mais cautelosos, num contexto de aumento acentuado das tentativas de fraude, sobretudo em plataformas online.

À medida que a IA e os deepfakes tornam as ameaças ainda mais difíceis de detetar, o LinkedIn tem estado a investigar a questão e descobriu que quase um em cada três responsáveis por recrutamento no Reino Unido e na Alemanha foi vítima de roubo de identidade com o objetivo de enganar potenciais candidatos.

A investigação foi realizada com um total de 4.000 pessoas e partilhada com o Europe in Motion.

Como é que os falsos empregadores conduzem as suas burlas?
A principal tática utilizada pelos burlões consiste em pedir às vítimas que paguem despesas adiantadas, especialmente por empregos no estrangeiro que não existem.

As desculpas são variadas e vão desde verificações de antecedentes a taxas de pedido de visto e custos de formação e de integração, bem como de equipamento como telefones e computadores portáteis.

Cerca de 43% dos candidatos a emprego da Geração Z no Reino Unido afirmaram que quase foram vítimas de burlas de emprego em geral, enquanto 31% afirmaram que foram efetivamente burlados.

Os números são ligeiramente inferiores, mas ainda assim significativos, na Alemanha, com cerca de um em cada três candidatos da Geração Z a afirmar que esteve perto de ser vítima de uma burla.

Quem são as vítimas mais frágeis?
As preocupações com a falta de emprego aumentam ainda mais o risco.

Apesar de os jovens candidatos terem frequentemente fortes competências digitais, muitos ainda ignoram os sinais de alerta devido ao medo de perder oportunidades e ao elevado custo de vida, o que faz com que a Geração Z tenha 3,7 vezes mais probabilidades de ser burlada do que a Geração X, de acordo com a investigação do LinkedIn.

Este facto é também consistente com outros relatórios que indicam que os jovens são o grupo "favorito" para serem vítimas de burla.

"Em toda a Europa, estamos a assistir a um ambiente de contratação mais difícil, com uma diminuição das contratações em muitos mercados europeus. Este facto pode deixar os candidatos a emprego mais vulneráveis", disse ao Europe in Motion Oscar Rodriguez, vice-presidente de "Product Trust" no LinkedIn.

"A urgência pode levar os candidatos a emprego a não verem alguns dos sinais de alerta mais comuns, e é por isso que estamos a investir em ferramentas e proteções que ajudam os membros a tomar decisões mais informadas sobre a credibilidade, e a acrescentar passos para encorajar os membros a fazer uma pausa e a refletir durante a procura de emprego".

Atualmente, mais de 100 milhões de profissionais e mais de 700.000 responsáveis de recrutamento verificaram os seus perfis no LinkedIn.

Que sinais de aviso deve procurar?
Para além de quaisquer pagamentos adiantados ou da falta de contexto suficiente ao longo da comunicação, os candidatos devem estar atentos a pessoas que solicitem informações sensíveis no início do processo de seleção e que o apressem excessivamente a tomar uma decisão.

Acima de tudo, é crucial navegar no site da empresa para verificar a sua legitimidade, bem como a existência da vaga e do responsável em questão, antes de passar à fase de candidatura.

Na sua investigação, o LinkedIn constatou que quase metade dos recrutadores no Reino Unido e na Alemanha foram contactados proativamente por candidatos a emprego para verificar se uma função era genuína.

A grande maioria dos responsáveis (67%) admite, no entanto, que a criação de confiança se tornou mais difícil.

É por isso que "muitos também estão a ser mais transparentes sobre o emprego, a empresa e o processo desde o início", diz Rodriguez, porque sabem que os candidatos estão a analisar o alcance com mais cuidado.

Onde é que as pessoas estão mais em risco e qual é o impacto financeiro?
Outro estudo, efetuado pela empresa de tecnologia financeira Revolut, analisou a escala das burlas de emprego relativamente a todos os casos de fraude comunicados à empresa em vários países europeus.

Embora a taxa não seja tão elevada como a de outros tipos de fraude, como as relacionadas com compras ou investimentos, as candidaturas falsas continuam a representar uma parte significativa.

A Roménia está em primeiro lugar, com quase um quinto de todas as fraudes, seguida da Espanha (12%) e do Reino Unido (8%), enquanto a maioria dos países ronda os 4% ou 5%.

No entanto, o impacto financeiro relativo a todas as fraudes é muito maior do que o simples número de casos poderia sugerir, 10% em média nos países inquiridos.

Nos casos mais graves, a fraude no emprego representa 20% de todas as perdas financeiras relacionadas com a burla em Portugal, 19% no Reino Unido, 18% em Itália e 16% na Alemanha e na Roménia.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Já existem esquemas para pagamentos com o smartphone!


Há algumas semanas atrás, dissemos para priorizaes pagamentos com o smartphone ou relógio, de forma a evitar a grande maioria dos esquemas que andam por aí. Mas… O problema é não é só a tecnologia que evolui. Os scammers também aprendem novas técnicas.

Dito tudo isto, está na hora de falar do NGate: o esquema no Android que permite levantar dinheiro no multibanco sem te roubarem o cartão.

Portanto, se achas que para alguém te esvaziar a conta bancária precisa de te roubar o cartão ou saber o PIN, convém leres isto com atenção. Há um esquema a circular chamado NGate que usa o teu próprio smartphone Android para dar a volta ao sistema… e o pior é que muita gente nem percebe como foi enganada.

Ou seja, aqui não há skimmers, nem cartões clonados à antiga. Há engenharia social, aplicações falsas e NFC. Uma combinação perigosa.

O que é afinal o esquema NGate?
NGate é o nome dado a um tipo de burla que explora o NFC do teu telemóvel. Sim, a mesma tecnologia que usas para pagar com um toque.

Assim, o esquema começa quase sempre da mesma forma. Recebes uma SMS ou email a fingir que vem do teu banco. A mensagem fala de um problema urgente, uma falha de segurança ou uma operação suspeita. Tudo pensado para te meter alguma pressão em cima.

Na mensagem vem um link para instalares uma aplicação. Não está na Play Store. Esse é logo o primeiro grande sinal de alerta.

A aplicação parece legítima, tem logótipos, linguagem cuidada e até “verificações de segurança”. Mas, claro, foi criada pelos burlões.

Como é que passam do telemóvel para o multibanco?
Depois de instalares a app, o esquema continua.

Recebes uma chamada de alguém a dizer que é do banco. Às vezes até há um SMS adicional para “confirmar identidade”, de forma a tudo para parecer real. A seguir, a app pede-te algo crítico. Que encostes o cartão bancário ao telemóvel e introduzas o PIN. Tal e qual como num pagamento contactless.

O que está a acontecer na verdade é isto. A app lê os dados do cartão via NFC e envia-os em tempo real para o burlão, que está perto de um multibanco. Em segundos, conseguem levantar dinheiro como se tivessem o teu cartão físico.

Em suma, tu ficas em casa. Eles ficam com o dinheiro.
Não é um esquema super perigoso, e de facto, pagar com o telemóvel continua a ser a forma superior de fazer as coisas. Mas… É preciso ter os olhos bem abertos!
Não parece uma burla clássica. Porque não te pedem dados num site estranho. Não te pedem transferências diretas. Usam processos que já conheces e em que confias.

Além disso, como o levantamento é feito com os teus próprios dados e PIN, a deteção e a recuperação do dinheiro tornam-se muito mais difíceis.

Mas, como sempre, a regra de ouro continua a ser a mesma de sempre. O banco nunca te pede para instalares aplicações fora da Play Store. Nunca. Nem te pede dados por mensagem ou telefonema.

Liga tu para o banco usando o número oficial do site ou da app. Nunca uses contactos que vêm na mensagem. Nunca encostes o cartão ao telemóvel a pedido de uma aplicação ou de alguém ao telefone. Isso simplesmente não faz parte de nenhum processo legítimo.