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sábado, 29 de agosto de 2026

Espécies marinhas invasoras em Portugal aumentaram 75% em 10 anos

O número de espécies marinhas invasoras nas águas portuguesas aumentou 75% em 10 anos, com mais 98 registos, de acordo com um estudo científico a que hoje a agência Lusa teve acesso.

Este estudo foi uma atualização de um levantamento com 10 anos das “espécies não indígenas ou espécies introduzidas nas águas costeiras portuguesas, portanto estuários nas costeiras, lagoas costeiras, e incluiu tanto o continente como as ilhas”, explicou à Lusa Paula Chainho, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (Mare), uma das organizações que tutelou o projeto.

“Verificámos que há 10 anos tínhamos reportado 133 espécies não indígenas e atualmente reportámos 231”, que corresponde a “uma taxa muito elevada de novas introduções”, disse.

Isto “é ainda mais preocupante” porque os investigadores que realizaram o estudo há 10 anos admitiam que o elevado número então registado correspondia a espécies que não haviam sido estudadas, mas tudo indica que estes novos 100 registos correspondem a um “aumento bastante acentuado” porque, desde então, têm sido feitas várias análises.

“Das 231 espécies confirmadas, 159 ocorrem em Portugal continental, 81 nos Açores e 62 na Madeira”, pode ler-se na apresentação do trabalho de 31 investigadores de 11 universidades portuguesas entre várias organizações, e liderado pelo Mare e pela Rede de Investigação Aquática (Arnet), que foi publicado na revista Marine Pollution Bulletin e aponta vários problemas na costa portuguesa.

Segundo Paula Chainho, a “navegação é a principal causa de introdução de novos exemplares”, seja através da “incrustação nos cascos das embarcações” de espécies ou pela lavagem dos tanques de água de lastro.

As embarcações de transporte têm tanques de água no interior para ficarem equilibradas quando carregam mercadoria e descarregam conforme necessitem para garantir a estabilidade da estrutura.

“Quando uma embarcação descarrega uma determinada carga, tem que compensar essa saída de peso com um peso adicional e, portanto, neste caso, as águas que são introduzidas nos tanques de lastro”, que são descarregadas noutro ponto do globo quando carregam novas mercadorias.

“Nestas águas que são captadas num local e descarregadas noutro viajam muitos organismos vivos”, explicou a investigadora, que aponta também riscos na aquacultura.

Em causa, nestes casos, está a introdução de novas espécies de produção, mas também organismos que “chegam à boleia” destes exemplares.

Por isso, o “foco deve estar principalmente na prevenção porque quando uma espécie aquática entra num determinado local, nós só vamos detetá-la quando ela já está perfeitamente instalada”, defendeu a investigadora.

Nesse capítulo, existe uma “convenção internacional das águas de lastro que obriga ao tratamento lastro antes de serem descarregadas” mas “em Portugal não temos relatórios oficiais que possamos consultar sobre como é que isto tem vindo a ser implementado”.

Já em relação à aquacultura, “também há regulamentação e, portanto, para ser introduzida uma nova espécie não indígena para a aquacultura é preciso um requerimento específico”, mas também “não há nenhum tipo de verificação em Portugal em relação a como é que isto está a ser cumprido ou não”, disse.

Noutros casos, há espécies como a ameijoa japonesa, uma espécie invasora nas águas nacionais há muitos anos, e em que a única forma de controlar a sua população é através da gestão da pesca, reconheceu.

O trabalho propõe também uma lista de vigilância inédita com 22 espécies detetadas através de ADN ambiental, um sistema de deteção precoce capaz de identificar espécies invasoras antes de serem observadas a olho nu.

Nas águas de Portugal continental, 39% das espécies não indígenas são originárias do Pacífico Norte, seguidas de 24% com origem noutras zonas do Atlântico Norte, uma tendência que é invertida nos Açores e Madeira, com o Pacífico Norte a ter predominância.

De todos os portos, Sines “surge no estudo como um ponto estratégico de entrada, dada a sua localização no cruzamento de rotas marítimas que ligam a Ásia, o Mediterrâneo, os Estados Unidos e África”, refere, justificando a investigação específica desta zona.

“As invasões marinhas são um fenómeno dinâmico e transfronteiriço, e compreendê-las exige uma ciência capaz de trabalhar à mesma escala. Este estudo permitiu-nos ir muito além de uma simples atualização do número de espécies, revelando padrões de introdução, lacunas no conhecimento genético e prioridades para a monitorização futura”, refere Romeu Ribeiro, investigador do Mare e primeiro autor do estudo, num comunicado.

A equipa desenvolveu uma “lista de vigilância pioneira com 22 espécies detetadas exclusivamente por métodos moleculares, como o ADN ambiental”, mesmo “sem confirmação física da existência.

Este mecanismo constitui “um sistema de alerta precoce, capaz de sinalizar potenciais invasores antes de serem visualmente identificados no terreno”.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Dia Mundial dos Oceanos alerta para importância das áreas marinhas protegidas


O Dia Mundial dos Oceanos, que se celebra hoje, alerta para a importância de uma rede global de Áreas Marinhas Protegidas (AMP) que “restaure ecossistemas”, lembrando que “todas as nações dependem de oceanos saudáveis”.

Reconhecido pelas Nações Unidas desde 2008, o Dia Mundial dos Oceanos envolve mais de duas mil organizações em 180 países.

Este ano, a efeméride tem como tema “Áreas Marinhas Protegidas Robustas para o Nosso Planeta Azul”.

“Podemos acelerar o progresso e ajudar a criar uma rede global de Áreas Marinhas Protegidas que restaure ecossistemas, construa resiliência e inspire esperança para o futuro”, lê-se na mensagem que assinala a data.

Segundo o portal do Dia Mundial dos Oceanos, a criação de AMP “rigorosamente regulamentadas” será “essencial para transformar os compromissos globais em resultados reais de conservação” e alcançar a meta de proteção de pelo menos 30% das áreas terrestres e marinhas do planeta até 2030.

Atualmente, à escala global, menos de 17% da área terrestre e apenas 8% dos oceanos estão protegidos.

Em outubro, Portugal previa antecipar para 2026 a meta de 30% de AMP, com a criação Reserva Natural Marinha D. Carlos, que cobre 173.000 quilómetros quadrados, abrangendo uma vasta cadeia de montes submarinos e planícies abissais entre Sagres e o Arquipélago da Madeira.

“Todas as nações dependem de oceanos saudáveis [para garantir] a estabilidade climática, a biodiversidade e o bem-estar humano. A proteção dos oceanos, incluindo o alto-mar, é uma responsabilidade partilhada”, acrescenta a mensagem do Dia Mundial dos Oceanos 2026.

Em janeiro entrou em vigor o Tratado do Alto-Mar, que estabelece o enquadramento legal para a designação de AMP em águas internacionais.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Ondas de calor desencadeiam “relação tóxica” entre ervas marinhas e microrganismos


As ondas de calor marinhas, cada vez mais frequentes devido ao aquecimento contínuo do planeta, são já consideradas das maiores ameaças atuais à biodiversidade dos mares e dos oceanos por toda a Terra.

Uma investigação recente revela que os efeitos desses fenómenos não se limitam apenas a gerar águas mais quentes, mas que causam alterações importantes nas relações entres seres vivos que podem ter consequências nefastas para todo o ecossistema.

Quatro cientistas das universidades australianas de Sydney e da Nova Gales do Sul dizem que o stress térmico causado pelas ondas de calor marinhas desencadeia uma “relação tóxica” entre as ervas marinhas e “um ecossistema oculto de bactérias” que com elas normalmente coexiste, num arranjo que beneficia ambas as partes.

Tal como os microrganismos nos solos em terra firme são fundamentais para a vida das plantas, ajudando-as a manter-se saudáveis e a adquirir nutrientes, também na água as bactérias que vivem no leito aquático desempenham um papel semelhante em relação às ervas marinhas. Essas são plantas que vivem na água do mar e que dão flor, podendo formar extensas pradarias que servem de refúgio a muitos animais, purificam a água e ajudam a sequestrar carbono.

No que descrevem como uma “experiência de jardinagem subaquática”, os investigadores encontraram um ecossistema bacteriano de grande diversidade no solo e em torno das raízes das ervas marinhas. Num artigo publicado na ‘New Phytologist’, explicam que o aumento da temperatura da água, como durante uma onde de calor marinha, faz proliferar bactérias conhecidas por produzirem ácido sulfídrico, um composto que dizem ser tóxico para as ervas marinhas e que pode limitar o seu crescimento.

“Embora as ervas marinhas possam, à primeira vista, parecer bem, o que encontrámos no subsolo, em condições de temperatura elevada, revela uma realidade bem diferente”, avisa Renske Jongen, primeira autora do estudo.

“Sob stress térmico, as comunidades microbianas em torno das raízes das ervas marinhas alteram-se de formas que podem prejudicar a planta em vez de ajudá-la.”

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Rescaldo das eleições presidenciais - desafios a António Seguro para derrubar o populista e fascista André Ventura


Estudos sobre populismo de direita mostram que condição económica (rendimento, precariedade, frustração com mobilidade social) é um dos motores centrais do voto radical, muitas vezes mais do que a escolaridade isolada. Os candidatos derrotados de centro e centro-direita somaram cerca de 40% dos votos. Agora o debate será António Seguro atrair o centro e centro-direita, activando propostas inequívocas de progresso social e recusar/ denunciar o discurso racista e populista de André Ventura.
Proponho também a António Seguro que seja claro do que esperamos dele enquanto Presidente nas questões ambientais.
O País, incluindo Madeira e Açores tem 1,7 milhões de km² de águas marítimas e uma plataforma continental que pode chegar a 4 milhões de km². O que pensa sobre isso: segurança nacional apenas ou investimento na Economia Azul? Vemos o mar sempre de costas voltadas, quando bem gerido, é uma nova "indústria", salvaguardando o património pesqueiro. O sector energético também é fulcral. Onde e como vamos fazer a transição verde? Outro aspecto importante é a nossa biodiversidade e turismo. Como equilibrar as duas valências? Qual é a política florestal mais adequada ao Continente? Que compromissos fará com as cadeias de abastecimento e a agricultura biológica? Qual é a sua posição em relação ao REACH, Codex Alimentarius e a prevalência do princípio ecológico da precaução? 
Em Portugal estima‑se que existam atualmente cerca de 200 mil pessoas a viver com diagnóstico de cancro nos últimos 5 anos, e surgem perto de 60–70 mil novos casos por ano.
Áreas de Ciências da Vida, incluindo Biologia, registam 0-2% de desemprego em estudos recentes, superando Engenharia (média 5-10%, com picos em Civil a 23%) e superadas apenas por Saúde (0-1%). Como melhorar os seus salários, para evitar a emigração?
A Inteligência Artificial é o novo mercado. O que António Seguro pensa sobre isso? Não chega os unicórnios das Web Smmit. Queremos saber acção concreta, atraindo os nossos jovens qualificados para esta área em grande crescimento.
Ventura, por sua vez, muito provavelmente vai retratar a esquerda como uma ameaça a Portugal e responsável por muitos dos problemas que o país enfrenta hoje.
E ainda não está claro se ele vai redobrar a aposta em discursos que têm causado controvérsia pública - como cartazes com mensagens ofensivas a populações imigrantes do Sul da Ásia e ciganos - ou se adoptará um tom mais moderado e pragmático para conquistar eleitores de centro.
Ventura, como bom "artista" político que é (e farsante), apareceu vestido de roupa militar, num de seus últimos discursos e prometeu acabar com “os privilégios das minorias” e “não dar nem um cêntimo para políticas de identidade de género”. Diz que ama os animais, mas apoia a tourada. Ele conhece a frustração dos jovens masculinos vs femininos. Quantas mulheres votarão contra a supressão das políticas de acesso ao trabalho e emprego estável? Quase 8 milhões de posts falsos, com desinformação, foram registados na campanha política- 85% deles partiram de Ventura. Olho também nos media. Quanto é a falência dos meios de comunicação?
As intenções de Catarina, António Filipe e José Pinto foram declaradas nas intervenções sobre os resultados eleitorais: votar Seguro.
Cotrim, Passaláqua e Mendes basicamente declararam não apontar para algum lado legitimando Ventura como uma "direita moderada" do sistema.
Juntos na derrota do Ventura. Pela democracia, sempre!

sábado, 17 de janeiro de 2026

A petromoralidade de Trump



Em 1953, a Inglaterra e os Estados Unidos da América coordenam esforços para depor o governo democrático do Irão. Até há pouco tempo, a CIA e o MI6 negaram ter promovido um plano para derrubar o primeiro-ministro eleito, Mohammed Mossadegh, até que, em 2013, um relatório publicado pela CIA admitiu a manipulação da imprensa, as operações de propaganda e o financiamento de protestos contra o governo, reconhecendo a autoria do golpe.

A monarquia apoiada pelo Ocidente converteu-se numa ditadura brutal. A recente nacionalização do petróleo, motivo não assumido para o golpe de Estado, foi revertida a favor de empresas britânicas, norte-americanas, holandesas e francesas. Durante 38 anos, os iranianos sofreram as brutas consequências da intervenção imperialista. O profundo ressentimento popular aberto por essas décadas de repressão e exploração pavimentaram o caminho para a Revolução de 1979 e a instauração de um regime teocrático e violento, contra o qual o povo iraniano agora resiste corajosamente nas ruas.

Independentemente das coordenadas ideológicas de cada um, não acredito que exista um historiador ou analista intelectualmente honesto que não estabeleça um nexo de causalidade entre a intervenção externa motivada pelo controlo de petróleo e a ascensão do regime repressivo liderado por Ali Kahmenei. Da mesma forma, ninguém nega as verdadeiras motivações que levaram à destruição do Iraque, deixando um rasto de guerra e morte, milhões de refugiados e a ascensão do DAESH.

Tanto esforço dedicado à mentira, encobrimento e malabarismos morais para afinal acabarmos aqui. Séculos de doutrina da “guerra justa” arduamente pensada por filósofos, historiadores, teólogos, militares, glosadores e intelectuais, tudo arrasado numa frase digna do absolutismo mais raso, não de um príncipe, mas de um canalha: “os limites da guerra são os limites da minha moral”, ou seja, nenhuns.

Trump não precisou de uma tese hipócrita e mentirosa para justificar a operação militar especial e a ocupação (do poder) na Venezuela, não precisou de autorização do Congresso nem de fingir respeito pelo direito internacional. Bastou-lhe a legitimidade conferida pelas poderosas petrolíferas norte-americanas e o seu vazio ético e moral.

É tudo assustador, mas será suficiente para demolir um edifício normativo internacional fundado no século XVII e edificado depois de duas guerras mundiais, cem milhões de mortos e mais do que um genocídio? Não, isto não é trabalho para um homem só.

O resto, o bocado que falta, está a ser-lhe servido na bandeja da quieta complacência europeia e da terna cumplicidade dos que exclamam “as pessoas falam do petróleo como se isso fosse uma razão menos digna para uma intervenção”.

Não celebro o fim da hipocrisia, acho que havia nela uma réstia de ilusão sobre um mundo em que os pequenos conseguem proteger-se contra os desvarios dos grandes. Está na moda teorizar sobre o interesse nacional, reduzindo-o à legitimidade de pilhar os vencidos. Até admito que nos EUA essa tese seja “natural”, o que me espanta é a síndrome de Estocolmo em países periféricos e mínimos mas com 1,7 milhões de km² de águas marítimas e uma plataforma continental que pode chegar a 4 milhões de km².

Em nenhuma circunstância Portugal teria a possibilidade de garantir militarmente a sua soberania no Atlântico, o que inclui os Açores. Será assim tão difícil compreender que é do interesse de Portugal e da maioria dos estados (que não são superpotências) alinhar pela defesa do direito internacional e do respeito pela soberania?

Enquanto escrevo, tropas alemãs, norueguesas, suecas e dinamarquesas são simbolicamente desembarcadas para “defender” a Gronelândia dos apetites vorazes do sr. Trump. Mas há em Portugal quem ache que o nosso destino é escolher um dos líderes imperiais autoritários para ser o “nosso líder autoritário”. Sonham com o império e aceitam patrioticamente converter-se em pequeno jardineiro do seu quintal… que patético “interesse nacional”.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

Dia Mundial do Ambiente - relatório da Pordata


Portugal ocupa a 3.ª posição entre os países da UE27 com as mais baixas emissões de gases com efeito de estufa. Em 2023, o valor per capita foi o equivalente a 5 toneladas de CO2, colocando-nos no pódio da União Europeia a competir com os países mais evoluídos em políticas de proteção ambiental, revela um estudo da Pordata baseado nos últimos números oficiais (2023), publicado hoje, 5 de junho, no âmbito do Dia Mundial do Ambiente. De acordo com o relatório, para este esforço contribui também a significativa redução das emissões de CO2 pelos carros novos registados em Portugal, passando-se de 169g por km em 2000 para 90g por km em 2023. Uma tendência comum aos países da União Europeia, com especial destaque para o top 6, onde Portugal está incluído: não só apresentam os valores mais baixos como são os que mais reduziram emissões desde o ano 2000.   

O estudo, porém, não traz apenas boas notícias. Em 2022, Portugal emitiu 2,24 gramas de partículas finas por cada euro de riqueza gerada pela indústria. Ou seja, o total de partículas finas emitidas para a atmosfera não conseguiu ser compensado pela riqueza gerada pela indústrias, nomeadamente as que mais contribuem para esta disparidade: a química e a dos produtos químicos, e a do papel e a de produtos de papel.   

Igualmente muito preocupante: mais de metade do lixo ainda vai, hoje, para aterro. Os resíduos urbanos, que incluem o lixo produzido pelas famílias, pelo comércio, restauração, empresas e entidades públicas, tem vindo a aumentar ao longo dos últimos 20 anos. Em 2023, ascenderam a 5,6 milhões de toneladas, correspondendo esse valor a uma média diária de 1,4kg por habitante (mais do dobro do registado em 1995). Números que deixam Portugal na 8.ª posição da UE27 entre os países com maior valor per capita na produção de resíduos municipais, um ranking liderado por Luxemburgo, Bélgica e Chipre. O estudo é claro: Portugal é dos países que conduz para aterro uma maior proporção de resíduos (54%), estando, desde 2020, entre os 10 países onde esta percentagem é mais elevada.  
 
O valor das renováveis  
Além da proteção do ambiente, a PORDATA analisa e reúne um conjunto de indicadores em outras três grandes áreas: produção, consumo e dependência energética; temperatura do ar e pluviosidade; configuração e proteção do território, fornecendo dados que ajudam avaliar a viabilidade de o país atingir as metas definidas pela União Europeia no âmbito do Pacto Ecológico Europeu (PEE), com horizontes temporais ambiciosos para 2030 e 2050.  

“O país está no bom caminho no que a esforços diz respeito”, diz ao DN Luísa Loura. A diretora da Pordata destaca “a diminuição das emissões de CO2 provenientes dos carros e nas renováveis”.  

De facto, na área energética, verifica-se que o país tem registado uma evolução significativa: desde 1990, a produção nacional de energia mais do que duplicou, impulsionada pelas renováveis, responsáveis, em 2023, pela produção de 35% - 16 pontos percentuais acima do registado em 2004- da energia consumida. No entanto,  Portugal produz apenas um terço das suas necessidades – e, desse, mais de metade destina-se à exportação.  Em 2023, consumimos 22 milhões de TEP, quase o dobro dos valores de 1990, o que resulta na maior taxa de variação face a 1990 entre os países da União Europeia. Ainda assim, o consumo per capita português está abaixo do europeu.  

Estando a produzir mais, apesar de termos de importar a quase totalidade do que consumimos, a dependência energética de Portugal tem vindo a reduzir-se: o último dado disponível indica 67% (eram 85% no início do século). Ainda ficamos acima da média europeia, ao lado de Espanha, Alemanha e Itália que, apesar de serem grandes produtores de energia, têm uma dependência energética de mais de 60%.  Lideram a lista dos mais dependentes Malta, Chipre e Luxemburgo. No lado oposto estão Estónia, Suécia e Roménia.   
 
Aquecimento de 2ºC na temperatura média do ar   
Há um claro padrão de aquecimento desde os anos 2000, tanto na temperatura mínima como na máxima. O estudo avaliou os registos das temperaturas nas estações meteorológicas de Bragança, Castelo Branco, Lisboa, Beja e Funchal para concluir que, quando agregados em termos de médias, revelam um padrão comum de aquecimento a partir do início dos anos 2000 face a anos anteriores, uma conclusão válida para a temperatura máxima, média e mínima. A diferença face à década de sessenta aproxima-se dos 3ºC em Bragança, para a temperatura máxima, e supera os 2ºC no Funchal, para a temperatura média.  

No que diz respeito à pluviosidade, os registos do número de dias sem chuva nas mesmas estações meteorológicas, divulgados no relatório, revelam que Bragança tem, em média, mais dias de chuva por ano que as restantes estações (em cada 3 dias, 1 é de chuva) e que é no Funchal que menos chove (em cada 5 dias, só 1 é de chuva). Em Lisboa chove em 30% dos dias, um pouco menos do que em Bragança.  

Contrariamente ao que se passa com a temperatura, o padrão temporal da pluviosidade não apresenta sinais de tendência sistemática nos mais de sessenta anos em análise. Para qualquer das estações consideradas, os períodos mais e menos chuvosos vão alternando.  É o caso de Lisboa: choveu relativamente pouco entre 2000 e 2009, os anos sessenta e setenta foram mais chuvosos e, entre 2020 e 2024, o número de dias sem chuva esteve em linha com a média.  
 
Mais terreno para arbustos, menos para agricultura  
Olhando o território, Portugal é dos países com mais terreno ocupado por arbustos, e dos que têm menos terreno para produção agrícola. As áreas artificializadas (com casas, estradas e outras construções) representam apenas 6,4% da superfície do país, segundo a Pordata, citando dados do levantamento feito pelo Eurostat em 2018, os últimos dados disponíveis.   
A floresta ocupa quase 40% do território e as terras para cultivo não atingem a quinta parte. Em percentagem de área terrestre protegida, Portugal ocupa a 12.ª pior posição da UE27.  “Uma situação que é claramente contrastante com o mar”, comenta Luísa Loura, sublinhando a importância marítima, na história e na economia do país.   

No mar, seremos os primeiros  
 No mar, Portugal poderá tornar-se o país da UE com maior extensão de áreas marítimas protegidas. Este aumento é reflexo das novas áreas do Parque Natural Marinho do Recife do Algarve - Pedra do Valado (156 km2) e da Revisão do Parque Marinho dos Açores (adicionais 252355 km2). Em setembro de 2025, com a entrada em vigor do diploma, Portugal terá protegido cerca de 19% da sua área marítima.  Estão em causa cerca de 300 mil quilómetros quadrados.   

A qualidade das praias costeiras é outro ponto positivo: Nove em cada dez praias costeiras têm águas com qualidade excelente. Em 2023, Portugal ocupava, em 2023, o 9.º lugar entre os 22 países da União Europeia banhados pelo mar. Uma situação oposta da que se observa nas águas balneares interiores, onde a posição de Portugal é a 6.ª pior. Com apenas 67% das praias fluviais e lacustres com água de qualidade excelente, Portugal figura entre os 11 países da UE27 em que essa percentagem é inferior a 70%.  

sábado, 24 de maio de 2025

Deep-Sea Mining for Critical Minerals Will Do More Harm Than Good


Since U.S. President Donald Trump’s inauguration in January, we have witnessed an upsurge of interest and intrigue surrounding the critical minerals necessary for the renewable energy transition and next-generation technology. The race for access to resources like nickel, cobalt, lithium, manganese, copper, rare earth elements and other metals has fueled the Trump administration’s push for security deals in the Democratic Republic of Congo and Ukraine and saber-rattling over Greenland. And as of last month, it now involves efforts to mine critical resources from the depths of our oceans.

On April 24, Trump signed an executive order that, though lacking in specifics, underscored his administration’s desire to explore and extract critical resources through offshore and deep-sea mining, both by expanding operations in U.S.-controlled waters and creating interstate partnerships to pursue projects in international waters. The decisive factor in this initiative is clear: China’s current dominance over the mining and refinement of critical minerals. The executive order effectively proclaims that, while China now controls critical resources on land, the U.S. will seek to dominate the sector at sea.

If the 20th century was defined by who produced and controlled the extraction and refining of petroleum, this century will be defined by who produces and controls the extraction and refining of critical minerals. Today, China controls anywhere from 60 percent to 95 percent of the mining and refining capacity for various critical minerals, with the U.S. only becoming a distant second due to efforts to expand access to land-based sources under former President Joe Biden.

Trump’s executive order on deep-sea mining represents a new but also potentially hazardous frontier in that competition. Despite technological innovations, we still know very little about the world’s oceans, having only explored 5 percent of them. What we do know is that lying in the depths of international waters are critical resources. But accessing them will come with environmental costs and uncertainty.

Critical Resources for What?
Globally, meeting the climate action targets under the Paris Agreement will mean achieving net-zero emissions by 2050. The renewable energy transition required to do so will create a twofold to eightfold increase in demand for critical minerals like nickel, lithium and copper. Emerging technologies, data centers and artificial intelligence will also elevate demand for critical minerals in ways not entirely understood.

The currently known land-based supplies of these critical minerals do not meet the projected demand to transition toward renewable energy, let alone for technology and AI. Take nickel, for instance, of which 3.6 million tons was mined globally in 2023. But demand is anticipated to quadruple by mid-century. While there is an estimated 130 million tons of known terrestrial reserves of nickel, it’s estimated there could be more than double that—up to 270 million tons—in deep-sea areas of the Pacific Ocean.

For this and other resources, the race to access critical resources at all costs now seems to be pointing inexorably to seabed mining. But which sectors will benefit from that race and how it will affect our environment are still up for debate.

The Trump administration’s push to secure access to critical minerals coincides with its efforts to abandon carbon emissions targets and sabotage clean energy projects at home. As a result, it’s likely that whatever critical resources the administration’s terrestrial and sea-based initiatives manage to extract will be diverted away from the renewable energy transition and toward data centers, technological innovation and AI, all of which happen to be heavily energy- and water-intensive. They could also go toward military needs.

domingo, 2 de junho de 2024

Florestas marinhas transportam cerca de 56 milhões de toneladas de carbono para sumidouros no oceano profundo


Um estudo realizado por uma equipa internacional de investigadores, que integrou investigadores do Centro de Investigação Marinha e Ambiental, Laboratório Associado (CIMAR-LA), revelou que as florestas marinhas de algas transportam cerca de 56 milhões de toneladas de carbono para sumidouros no oceano profundo, contribuindo significativamente para regular a quantidade de CO2 na atmosfera e, consequentemente, o clima na Terra.

Segundo a mesma fonte, esta descoberta, agora publicada na prestigiada revista Nature Geoscience, “abre novas oportunidades para a mitigação das mudanças climáticas através da preservação e restauração das florestas marinhas de algas”.

As florestas de algas, compostas principalmente por algas castanhas gigantes como as famosas kelp, são o ecossistema costeiro vegetado “mais extenso e produtivo do planeta”. Estas florestas podem crescer tão rapidamente quanto as florestas terrestres, sendo, portanto, “altamente eficientes na captura e armazenamento de carbono”.

O estudo internacional “Carbon export from seaweed forests to deep ocean sinks” que foi liderado por Karen Filbee-Dexter do Instituto Norueguês de Investigação Marinha e da Universidade da Austrália Ocidental, revela que, todos os anos, as florestas marinhas exportam cerca de 15% do seu carbono para as águas profundas do oceano, onde este pode permanecer retido durante centenas ou milhares de anos. Estas estimativas foram efetuadas com base em modelos oceânicos globais de última geração, que permitiram rastrear o destino do carbono das algas marinhas desde a costa até ao oceano profundo.

As florestas marinhas e o carbono azul
Historicamente, as florestas de algas marinhas foram excluídas do “carbono azul”, dado a incertezas sobre a sua capacidade de remover efetivamente carbono a longo prazo. Este estudo “fecha esta lacuna de conhecimento e abre novas oportunidades para a mitigação das alterações climáticas em zonas polares e temperadas, onde as opções de remoção de carbono por ecossistemas costeiros são atualmente limitadas”.

Jorge Assis e Isabel Sousa Pinto, investigadores do CIMAR – LA e co-autores deste estudo de caracter internacional, indicam que estes resultados “são de grande importância para a conservação marinha, uma vez que a perda ou a degradação destas populações de florestas marinhas leva à interrupção da absorção e transporte de carbono atmosférico para o mar profundo, onde fica potencialmente retido durante séculos ou mesmo milénios”.

O estudo sublinha a necessidade urgente de proteger, gerir e restaurar as florestas marinhas de algas, que estão atualmente a ser perdidas em muitas regiões do mundo devido a uma variedade de pressões, que incluem as alterações climáticas, tipicamente traduzidas em ondas de calor extremo, mas também a poluição e a pesca.

Isabel Sousa Pinto, investigadora do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR-UP) e do CIMAR-LA, reforça a importância da conservação e restauro das florestas de algas, “não só pelo seu papel na remoção de carbono, mas especialmente pelo papel que têm de berçário e refúgio para muitas espécies de animais, muitas delas importantes para a pesca”. Jorge Assis investigador do Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR) e do CIMAR-LA, acrescenta que “as florestas marinhas são um recurso para combater as mudanças climáticas e para preservar a biodiversidade nos nossos oceanos, devendo ser uma prioridade para o nosso país”.

terça-feira, 9 de abril de 2024

Petição Criação da Ordem dos Geólogos (2024)

Para: Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia da República

Os geólogos são profissionais com formação superior específica no vasto domínio da geologia, debruçando-se, nomeadamente, no estudo do solo, do subsolo, dos processos geológicos ativos e daqueles que ocorreram ao longo da história da Terra. Atuam, igualmente, no âmbito do ordenamento e planeamento do território, na exploração e gestão sustentável dos recursos naturais, e na prevenção e mitigação dos riscos geológicos. O desempenho da profissão de geólogo está dependente do conhecimento geológico do território, sendo este de importância estratégica para o desenvolvimento socioeconómico do país. Estes profissionais contribuem para a obtenção de soluções sustentáveis para muitos dos grandes problemas sociais, económicos e ambientais que a Sociedade enfrenta, tais como as mudanças climáticas, a transição energética, a escassez hídrica e o declínio dos ecossistemas.

A profissão de geólogo tornou-se, nas últimas décadas, complexa e muito diversificada devido à sua ligação com outras profissões numa grande variedade de domínios de atividade, nomeadamente, nos sectores das indústrias de construção, extrativa e energética, do ordenamento do território, da gestão ambiental, bem como da prestação de serviços especializados ao Estado e às empresas. Atua, ainda, nos setores da proteção ambiental e societal. Ou seja, o geólogo é um especialista com um olhar único na proteção e gestão sustentável do nexo solo-água-energia-alimentos-património, tão destacado, por exemplo, pela ONU – Organização das Nações Unidas, FAO - Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, e UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Tem, também, um papel determinante na dinamização da geologia espacial dos programas da AEP - Agência Espacial Portuguesa, ESA – Agência Espacial Europeia e NASA - Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Estados Unidos da América).

Neste quadro complexo, mas desafiante, os geólogos defendem a necessidade da criação de uma associação pública profissional, assentando esta aspiração em quatro pontos fundamentais:

1) A necessidade de uma cabal regulação da profissão, visando definir os requisitos e as qualificações profissionais, o âmbito da profissão e a exigência dos respetivos atos profissionais, levando à atribuição de uma certificação através de uma cédula profissional, elevando assim os mais exigentes padrões na prática do geólogo profissional englobando todos os princípios éticos e de probidade técnica que acarretam;

2) A necessidade de dispor de um código de princípios deontológicos e de dispositivos jurídico-disciplinares adequados à defesa da independência do julgamento profissional;

3) A necessidade de criar condições que permitam o reconhecimento das qualificações e requisitos profissionais em condições de reciprocidade com instituições homólogas nacionais e estrangeiras, visando garantir o exercício da atividade profissional dos geólogos portugueses dentro e fora do espaço europeu;

4) A verificação do cumprimento de requisitos profissionais deve ser confiada aos próprios geólogos constituídos em associação pública profissional, dado que, face à atual complexidade desta atividade profissional, estão mais bem apetrechados para a realizar, compatibilizando a liberdade de acesso e de exercício da profissão, e a ponderação do interesse público.

A estreita relação entre a natureza da profissão e o interesse público emerge com clareza do simples enunciado de algumas das áreas mais paradigmáticas da intervenção profissional dos geólogos:

a) Planeamento territorial e georrecursos: estudos de cartografia geológica sistemática do país, realizada a várias escalas, implementação e gestão de bases de dados digitais da cartografia geológica, dos recursos geológicos, hidrogeológicos e geotérmicos, entre outros. Apoio à execução de cartografia temática e com fins diversos que incluem uma perspetiva agronómica, agrícola, geotécnica, hidrológica, territorial e de risco natural/geológico. De facto, o território é um agente de transformação a ser conhecido e gerido de uma forma ambientalmente sustentável e de interligação com todos os agentes envolvidos, incluindo as comunidades e os ecossistemas;

b) Riscos naturais, segurança e proteção civil: previsão e prevenção de riscos naturais visando a minimização dos desastres, a proteção da vida humana e a limitação de danos (identificação das falhas sísmicas e zonamento do perigo sísmico das regiões e dos sítios, contribuição na engenharia sísmica geotécnica, monitorização da atividade vulcânica, controlo da erosão, da estabilidade de taludes, das encostas e das arribas de praia ou adjacentes a outros espaços públicos, entre outros);

c) Análise de riscos na construção e economia das grandes obras: estudo e avaliação das condições geológico-geotécnicas para o projeto e construção das grandes obras de engenharia e identificação dos riscos financeiros, bem como de problemas de desempenho induzidos por causas geológicas (a derrapagem do custo final das grandes obras está frequentemente relacionada com a falta ou com a insuficiência de estudos de geologia de engenharia);

d) Ambiente, água, território e adaptação às mudanças climáticas: prospeção, pesquisa, captação e proteção de águas subterrâneas; contributo para a avaliação, proteção e gestão sustentável dos recursos hídricos e recursos hidrominerais, a várias escalas; avaliação da radioatividade natural; estudos sobre o uso sustentável do solo; prevenção e mitigação de riscos naturais ou tecnológicos; remediação de solos e águas contaminadas, monitorização da erosão costeira, restauro da natureza, gestão da geodiversidade, entre outros;

e) Gestão sustentável e proteção dos recursos naturais: prospeção, avaliação e extração dos recursos minerais numa base eco-eficiente (metálicos estratégicos e não-metálicos); estudo, caracterização e gestão de geomateriais; colaboração na exploração e gestão dos recursos energéticos (como a geotermia); conservação do património geológico e valorização do geoturismo;

f) Saúde pública e geologia: prevenção dos riscos de contaminação dos solos e das águas subterrâneas, com base no estudo dos sistemas aquíferos, da sua vulnerabilidade e dos processos de propagação dos contaminantes; estudo da contaminação dos solos e dos métodos de descontaminação; avaliação do risco de exposição da radioatividade natural; estudos e o papel da geologia médica nos solos-alimentos-água; o papel terapêutico e de bem-estar dos recursos hidrominerais; contributos dos recursos hidrominerais em produtos farmacêuticos e dermocosméticos, entre outros temas;

g) Geologia marinha e reconhecimento dos fundos oceânicos da Zona Económica Exclusiva (ZEE) de Portugal: o nosso país detém a maior ZEE da Europa, revestindo-se esta de grande valor estratégico e potencial base de um novo paradigma do desenvolvimento económico do país ligado à Economia do Mar e Oceanografia Geológica. Os geólogos têm um papel preponderante no estudo da geologia dos fundos marinhos, e no estudo, exploração e gestão dos valiosos recursos naturais localizados na ZEE. A geologia costeira é, igualmente, importante na gestão, valorização da zona costeira continental e insular, bem como para a valorização deste fantástico e frágil território de interface com o oceano;

h) Investigação, ensino e cultura: os geólogos têm um papel extremamente relevante quer nas atividades de investigação, desenvolvimento e inovação em equipas inter, multi e transdisciplinares, quer no ensino básico, secundário e superior, bem como na formação de cidadãos cultos e informados. É, igualmente, relevante a sua participação em programas de astrogeologia para a difusão da geologia planetária, promovidos pela AEP e ESA. Os geólogos têm, também, um papel pertinente na difusão e disseminação de uma literacia e cultura geocientífica esclarecida direcionada aos cidadãos, através de programas e iniciativas de divulgação científica.

Assim, tendo em conta a defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos, a salvaguarda do interesse público e a correlativa necessidade de autorregulação da profissão de Geólogo, assinamos esta petição solicitando à Assembleia da República a criação da Ordem dos Geólogos.

quarta-feira, 6 de março de 2024

Reflorestação marinha em 10 zonas costeiras


A Seaforester pretende avançar com reflorestação marinha, no sentido da recuperação de habitats rochosos na costa continental portuguesa, que outrora dominados por abundantes laminárias, algas marinhas de grande importânciaecológica e económica. O projeto será aplicado nas seguintes zonas, de norte para sul: Carreço, Amorosa, Peniche Sul, Ericeira, Cascais, Cabo Raso, Guia, Pedra do Sal, Porto Covo, Ilha do Pessegueiro, Serro do Sudoeste, Mar das Troncas e Baixa Atafonas. A SeaForester tem recebido apoio do governo Português por intermédio de vários projetos financiados pelos mecanismos do Fundo Azul (Seaforest Portugal) e EEA Grants (Blueforests e Blueforesting). 

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Encontros Improváveis - Sylvia Earle e João Soares


Quando observo o oceano, esse vasto mundo, questiono-me com Sylvia Earle:

"Temos de mudar a nossa mentalidade. Quando olhamos para a vida selvagem, em terra, pensamos que a temos de proteger, mas quando olhamos para o mar vemos produtos. Começámos a mudar em relação às baleias ou às tartarugas, mas temos de fazer o mesmo para todos os seres vivos. Os camarões ou as lagostas são animais selvagens, como os leões ou os tigres. Os tubarões ou os atuns são os seus equivalentes, grandes predadores que fazem parte da química planetária, do ciclo do carbono e hidrogénio, parte da janela de oportunidade que mantém a terra habitável. Pode soar um pouco nerd, mas é tão básico. Sabemos que as árvores geram oxigénio e capturam o carbono, por isso sabemos que as devemos proteger, mas no mar o plâncton tem vindo a diminuir nos últimos anos, tal como os recifes de corais, as florestas de algas, as pradarias marinhas. E capturam mais dióxido de carbono e produzem mais oxigénio do que todas as florestas terrestres. Eu assisti a tudo isto, sou uma testemunha."

"Os peixes têm caras, personalidade, famílias e protegem as crias tão vigorosamente como a maior parte das criaturas que adoramos em terra. Não é aceitável explorar a vida selvagem, nem em terra nem no mar."

Os oceanos produzem mais de metade do oxigénio, são o maior reservatório de dióxido de carbono e o maior regulador do clima e da temperatura. Todos os 8 mil milhões de habitantes da Terra, quer vivam perto ou longe do mar, dependem diretamente dos oceanos para a sua sobrevivência, mas os oceanos não são água. São vida, e esta está (também) seriamente em perigo.

Sobre esta temática, Extinção e Ecocídio, está disponível na rtp1 e rtpplay uma série de documentários muitíssimo interessante, Ressuscitar o Éden - Ajuda Humana Para a Resiliência da Natureza que recomendo a todos, biólogos, professores, estudantes, políticos, gestores ambientais, economistas...
A nossa pegada ecológica é tremenda e, por vezes, não temos noção do quão longe demais já fomos e como podemos ainda reverter isso... 

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Finalmente a nossa Zona Económica Exclusiva é completamente uma Área Protegida


Portugal tem a maior ZEE da Europa e vejo agora no mapa das Áreas Marinhas Ecologicamente ou Biologicamente Significativas, que esta região já consta da lista. Burocracias à parte, Portugal submeteu, em 2019, uma proposta às Nações Unidas para a extensão da sua plataforma continental, sobre a qual aguardou uma decisão. Em 2022, a nossa proposta mereceu aprovação formal na COP15. 4 anos depois. Finalmente conseguimos.

Competiu à DGRM (Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos) propor a criação de áreas marinhas protegidas, em articulação com a autoridade nacional para a conservação da natureza e biodiversidade, ICNF. 

Saber mais: 

domingo, 12 de novembro de 2023

Atlântico


XII. Prece

Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.

Dá o sopro, a aragem - ou desgraça ou ânsia -
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistaremos a Distância -
Do mar ou outra, mas que seja nossa!

Fernando Pessoa - Mar Português - Segunda de Três Partes da obra

domingo, 13 de agosto de 2023

Predadores marinhos podem perder 70% de habitat até 2100. Oceano Atlântico é foco de preocupação


Até ao final deste século, 12 espécies de predadores marinhos migradores, como os tubarões, os atuns e os espadartes, podem vir a perder grandes porções dos seus habitats naturais no noroeste do Oceano Atlântico e no Golfo do México. Nessas zonas, a temperatura do mar está a subir mais rapidamente do que em qualquer outra região marinha do planeta.

Segundo um estudo divulgado esta quarta-feira na revista ‘Science’, uma equipa de investigadores dos Estados Unidos da América, liderada pelo Instituto Oceanográfico Woods Hole, alerta que, até 2100, algumas dessas espécies “icónicas e económica e ecologicamente importantes” poderão perder até 70% de habitat adequado à sua sobrevivência. E os cientistas avisam que “na maioria dos casos, os impactos destas alterações induzidas pelo clima podem já ser observadas”.

No artigo, escrevem que os efeitos das alterações climáticas, os que já se sentem e os que se prevê que surjam num futuro não muito distante, destacam “a necessidade urgente de gerir de forma adaptativa e proativa os ecossistemas marinhos dinâmicos”.

Dado a dimensão e ritmo de aquecimento das águas no Golfo do México e no noroeste do Atlântico, os investigadores estimam que essas duas áreas serão ‘pontos quentes’ de perda de habitat para diversas espécies de predadores marinhos.

Camrin Braun, primeiro autor do artigo, considera que as alterações climáticas provocarão transformações profundas na distribuição e modo de vida dos predadores marinhos abrangidos pela investigação. E embora admita que o trabalho não tenha tido em consideração a capacidade de adaptação dessas espécies aos efeitos da subida da temperatura marinha, afirma que este estudo ajudará a perceber que mudanças serão essas “para que possamos fazer alguma coisa quanto a isso”.

Para chegar a essas conclusões, a equipa recorreu a dados recolhidos por satélite nos últimos 30 anos, bem como a novas informações adquiridas no ‘terreno’, que permitiram “desenvolver modelos dinâmicos da distribuição das espécies para avaliar como as alterações climáticas já estão e continuarão a afetar essas espécies de peixes”.

Rebecca Lewison, professora de biologia da Universidade de San Diego e que também assina o artigo, declara que “a nossa investigação mostra que as alterações causadas pelo clima estão a acontecer agora, não a partir de projeções, mas com base em dados de observação empírica das últimas duas décadas”.

A docente refere também a importância dos dados de satélite para perceber “como um oceano em transformação está a impactar espécies marinhas de importância comercial, como os espadartes e os atuns”. Por isso, esta investigação, defendem os seus autores, não se reveste apenas de importância ecológica, mas deve também ajudar a criar políticas de gestão de pesca que possam adaptar essa atividade de grande relevância económica e social às transformações que estão a mudar a face, e as profundezas, dos oceanos do planeta, e todas as formas de vida de neles habitam e que deles dependem.

quinta-feira, 9 de março de 2023

GEOTA reconhece potencial das energias renováveis offshore em Portugal, mas deixa seis alertas


No âmbito da consulta pública da proposta preliminar de novas áreas de implantação para energias renováveis offshore, o GEOTA, Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, “reconhece o potencial das energias renováveis oceânicas para a descarbonização do sistema energético português, contudo”, mas deixa alertas.

Citado em comunicado, Miguel Macias Sequeira, membro do GEOTA e investigador em energia e clima na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa afirma que “esta é uma aposta necessária, que permite diversificar as fontes de energia renovável e pode reduzir a pressão no território terrestre, mas que deve ser feita de forma bem ponderada”.

Neste sentido, o GEOTA “posiciona-se de forma a apoiar o desenvolvimento de energias renováveis oceânicas em Portugal”. No entanto, “reforça a urgência do Governo estabelecer uma estratégia que avalie os seus impactos positivos e negativos no ambiente e sociedade e que defina concretamente como e onde devem ser implementadas os parques eólicos offshore, de forma a não se repitam os erros que estão a ser cometidos noutras fontes de energia renovável”.

Os seis principais alertas deixados pelo GEOTA são os seguintes:
  1. Embora as renováveis offshore permitam reduzir as emissões de gases de efeito estufa, existem também evidências de impactes negativos nos ecossistemas e em algumas espécies marinhas que não devem ser esquecidos. Pode também haver impactos negativos nas atividades piscatórias, noutras atividades tradicionais e na paisagem costeira.
  2. Face ao objetivo de instalar 10 GW de potência eólica offshore até 2030, urge questionar a justificação técnica desta meta. Para referência, este valor corresponde a quase o dobro da potência instalada eólica onshore em Portugal (5,6 GW em 2020). Existem alternativas ao sobredimensionamento excessivo dos sistemas centralizados de eletricidade renovável, que passam por eficiência energética, renováveis descentralizadas e flexibilidade nos consumos.
  3. As áreas propostas nesta fase são demasiado vastas e refletem o desconhecimento do território. Deve ser feita uma análise mais exaustiva à escala local de forma a refinar áreas mais específicas onde de facto poderá fazer sentido implementar estes projetos.
  4. Existem conflitos ambientais claros com sobreposições em áreas protegidas e o Grupo de Estudos relembra que Portugal assinou o compromisso de proteger 30% do seu território marinho. O primeiro passo deve passar pelo reforço das áreas protegidas já existentes. Dado que, atualmente, Portugal apenas protege 2,5% da sua área marinha, a expansão dos parques eólicos offshore deve simultaneamente antecipar a necessidade de expandir a proteção de ecossistemas marinhos essenciais.
  5. O relatório reconhece que existem lacunas de informação importantes a colmatar. É necessário estudar área-a-área as consequências ambientais e sociais, positivas e negativas, da instalação de parques eólicos offshore. A realização de procedimentos sólidos de avaliação de impactes ambientais é crucial. A passagem dos cabos submarinos e das linhas de alta tensão também merece um estudo cuidadoso, que parece não ter sido começado ainda.
  6. É crucial refletir sobre o desenho dos concursos para atribuição de licenças de exploração. Os leilões deverão incluir critérios não financeiros, de forma a alavancar projetos que sejam viáveis e que promovam benefícios múltiplos para o território. Devem ser aprendidas as lições dos leilões solares de 2019 e 2020, onde a escolha cega e orgulhosa “do mais barato” – anunciado com pompa e circunstância como os “preços mais baixos do mundo” – tem levado a atrasos na execução real dos projetos.

sábado, 25 de fevereiro de 2023

Marinha brasileira vai afundar porta-aviões tóxico no Atlântico


Após 37 anos de serviço na marinha francesa e 10 anos sob a bandeira brasileira, o Brasil decidiu afundar o seu porta-aviões São Paulo ao largo da sua costa do Atlântico Nordeste, apesar da presença de elevados níveis de amianto e de resíduos tóxicos a bordo. Face a certos riscos de poluição dos ecossistemas da região e da cadeia alimentar marinha, várias ONG denunciam este crime ambiental.

Anteriormente conhecido como o Foch, este porta-aviões participou nos primeiros testes nucleares franceses no Pacífico, e foi destacado para África, Médio Oriente e ex-Jugoslávia, até ser substituído pelo nuclear Charles-de-Gaulle. Em 2000, este antigo porta-estandarte da marinha francesa foi vendido ao Brasil pela modesta soma de 12 milhões de dólares. Para o tornar plenamente operacional, teria sido uma intervenção no valor de 80 milhões de dólares. Nem a marinha francesa nem a brasileira investiriam na remodelação.

A empresa turca de reciclagem marítima Sök Denizcilik adquiriu o casco por 10,5 milhões de dólares. Com a ajuda do rebocador holandês ALP Guard, o São Paulo partiu para águas turcas. Contudo, ao chegar ao Estreito de Gibraltar, as autoridades ambientais turcas recuaram, temendo que contivesse mais amianto do que o esperado. No seu regresso ao Brasil, infelizmente, não conseguiu atracar, pois a viagem tinha danificado seriamente o estado do seu casco.

A Associação Robin Hood descreveu o antigo porta-aviões como um "pacote tóxico de 30.000 toneladas".

Segundo um estudo realizado pela norueguesa Grieg Green, o porta-aviões continha 9,6 toneladas de amianto, 644,7 toneladas de metais pesados e 10.000 lâmpadas fluorescentes de mercúrio. Numa altura em que os nossos oceanos e biodiversidade marinha já estão sob pressão e o recém-eleito presidente brasileiro, Lula da Silva, comprometeu-se a pôr fim aos múltiplos ecocídios que afetaram o Brasil durante a era Bolsonaro, este afundamento controlado parece ser um novo crime ambiental. Segundo organizações ambientalistas, como a Greenpeace Brasil, as autoridades brasileiras terão violado vários tratados internacionais dos quais são signatárias:

- a Convenção de Basileia sobre o Controlo dos Movimentos Transfronteiriços de Resíduos Perigosos e sua Eliminação

- a Convenção de Londres sobre o Controlo da Poluição Marinha e sobre a Proibição de Dumping de Resíduos Industriais no Mar;

- a Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

Moratória à mineração no mar profundo da Madeira - Moratorium on deep sea mining in the Madeiran waters

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A Assembleia Nacional Francesa – ANF acaba de tomar uma decisão histórica com vista a impedir a razia dos fundos marinhos por meio de mineração (215 votos a favor, 56 contra), ao convidar o governo francês a defender uma moratória relativa à exploração mineira dos fundos marinhos.
É uma decisão de grande importância, que vem contrariar a avidez de empresas e de Estados sobre as profundezas oceânicas relativamente a numerosos metais e minerais cobiçados pela indústria. A ANF pede a proibição dessa exploração na sequência de uma campanha determinada oriunda da sociedade civil francesa. Prevê-se que o governo siga as injunções dos deputados.
O presidente francês, Emmanuel Macron, inicialmente favorável à exploração dos mares profundos, mudou de opinião. Hervé Berville, secretário de Estado do Mar, afirmou nos debates parlamentares que precederam a votação: «Não é possível uma exploração mineira sem danos irreversíveis para os ecossistemas marinhos.»
A resolução vem reforçar a posição dos países críticos da exploração dentro da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, onde uma dúzia de Estados se pronunciaram até agora por uma moratória ou por uma simples pausa, isto enquanto já se iniciou a escavação em sondagens por robôs dos fundos oceânicos. (Adaptado do jornal digital francês ReporTerre, 18 de janeiro de 2023).



sábado, 4 de fevereiro de 2023

4 maneiras práticas de descarbonizar a indústria offshore


No webinar Net Zero Investment da Business Green para empresas offshore de petróleo e gás, um painel de investidores experientes fez um pronunciamento importante. Embora o portfólio global de investimentos em petróleo e gás tradicionais em 2021 ainda supere significativamente o das energias alternativas, o investimento em fontes renováveis ​​está aumentando anualmente. A questão para as empresas de petróleo e gás não é mais se as energias renováveis ​​ultrapassarão o petróleo, mas quando chegará o ponto de inflexão.

Dados como este – juntamente com condições de mercado em constante mudança, expectativas sociais e pressões financeiras – estão levando as empresas de petróleo e gás a se adaptarem. Muitos grandes produtores fizeram recentemente investimentos substanciais em energia renovável e prometeu retrabalhar suas cadeias de suprimentos e métodos de produção com alto teor de carbono. Mas é mais fácil falar do que fazer, e as empresas de petróleo e gás agora estão enfrentando as implicações práticas de seus investimentos e iniciativas conscientes do clima.

Quatro áreas-chave para ação

A primeira preocupação de qualquer empresa de petróleo e gás é minimizar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) — principalmente carbono — das operações de produção. O petróleo não desaparecerá completamente e continuará a fazer parte do futuro mix de energia. Os produtores, no entanto, procuram tornar seus processos de produção mais ecológicos e gerar “barris de baixo carbono”. Isso requer a análise da cadeia produtiva, identificando áreas de melhoria e implementando políticas para reduzir a emissão de GEE.

Uma segunda frente crucial é o desenvolvimento de energias mais limpas. Empresas offshore de petróleo e gás deram os primeiros passos para desenvolver parques eólicos offshore, que podem se beneficiar de algumas das mesmas infraestruturas das plataformas de petróleo. A eletrificação de ativos permitirá que os produtores removam máquinas pesadas em carbono, substituindo-as por conexões com operações onshore e parques eólicos offshore que geram eletricidade produzida de forma sustentável. Entre as fontes de energia renovável que as empresas estão desenvolvendo estão o hidrogénio verde, a energia solar, a energia eólica offshore e a energia das marés.

Um terceiro pilar para muitas empresas envolve a minimização das emissões de carbono durante a transição de atividades pesadas em carbono para atividades descarbonizadas. O desenvolvimento da tecnologia de captura e armazenamento de carbono (CCS) é fundamental para esses esforços, permitindo que os produtores capturem quantidades significativas de carbono produzido por atividades tradicionais. Olhando ainda mais adiante, a tecnologia CCS pode ajudar as empresas de petróleo e gás a remover o carbono que já escapou para a atmosfera, desfazendo os impactos ambientais negativos do passado.

Finalmente, além de mudar os processos internos de produção e desenvolver formas sustentáveis ​​de energia, as empresas de petróleo e gás precisarão ampliar sua visão para incluir toda a cadeia de suprimentos. As empresas estão cada vez mais sendo responsabilizadas pelos impactos dos fornecedores e, para alcançar emissões líquidas zero até 2050, os fornecedores também precisarão limitar as emissões. Embora as empresas possam primeiro priorizar a minimização da emissão de carbono de suas próprias operações, elas precisarão integrar o pensamento da cadeia de suprimentos em suas estratégias de gestão ambiental de longo prazo.

Um conjunto de serviços para a descarbonização

Em colaboração com nossos colegas da rede global do Bureau Veritas, o Bureau Veritas Marine & Offshore oferece um conjunto completo de serviços de descarbonização. Nossos especialistas ajudam empresas offshore de petróleo e gás a construir uma estratégia completa de carbono. Com uma abordagem sólida, nossos clientes podem quantificar seu impacto, implementar padrões e sistemas de gerenciamento relevantes, relatar esforços de descarbonização e verificar dados .

Nossas soluções técnicas para protocolos de GHG e critérios ESG ajudam as empresas a monitorar e limitar seu consumo de energia e emissões . O Bureau Veritas fornece verificação de terceiros, certificação de projeto, aprovação em princípio e qualificação de tecnologia para novas soluções para CCS, hidrogénio e outras energias alternativas.

Isso ajuda a reduzir os riscos e avançar em projetos importantes, permitindo que os clientes capitalizem a já extensa experiência do Bureau Veritas em energias renováveis ​​e limpas. Também oferecemos verificação de dados por terceiros, auditoria regulatória, garantia e relatórios e consultoria para atores em toda a cadeia de suprimentos, incluindo fabricantes, operadores e distribuidores.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

Estudo mapeou áreas de Portugal continental mais indicadas para acolher centrais solares e parques eólicos



Um estudo identificou as áreas de Portugal Continental com menor sensibilidade ambiental e patrimonial para acolher projectos de produção de electricidade renovável. Cerca de 12% do território poderá vir a ser elegível para um processo de licenciamento simplificado com vista à instalação e, assim, à antecipação das metas europeias para responder à crise energética, destacou o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), na semana passada.

Cerca de 10 350 km2 do território continental português tem a capacidade de acolher centrais solares e parques eólicos sem que o impacto sobre o ambiente e/ou sobre o património seja tão significativo. As áreas sinalizadas estão distribuídas por todo o país, com a maior parte concentrada na região do Centro (aproximadamente 41% do total identificado), do Alentejo (~31%), e Norte (~24%). No Algarve (3%) e em Lisboa e Vale do Tejo (2%) a disponibilidade para instalar, nestas condições, projectos de produção de electricidade renovável é menor.

As conclusões são de um estudo levado a cabo por várias instituições portuguesas, nomeadamente pelo LNEG, pela Agência Portuguesa do Ambiente, pela Direcção-Geral de Energia e Geologia, pela Direcção-Geral do Território, pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, e pela Direcção-Geral do Património Cultural.

Simplificar licenciamento e antecipar resposta à crise energética

O estudo é o primeiro a avaliar esta questão no território português e permite, segundo os autores, perceber quais são as zonas que têm potencial para usufruir de um regime simplificado de licenciamento, uma vez que apresentam menor sensibilidade ambiental e patrimonial.

Através da simplificação de processos, a instalação poderá ser efectuada de forma mais célere, o que, por sua vez, pode contribuir ainda para “antecipar em dois anos um requisito da Comissão Europeia para fazer face à crise energética actual”, sublinha o LNEG, em comunicado.

Um mapa dos territórios que foram identificados pelo estudo está disponível on-line aqui.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Como funciona o Sistema de Comércio de Emissões nos Transportes?


Para incentivar as indústrias poluentes a reduzir as suas emissões, os governos fixam um limite ao nível máximo de emissões que um setor é autorizado a emitir. O limite é reduzido ao longo do tempo para que o total de emissões caia. Os governos criam licenças para cada unidade de emissão. As empresas devem obter e ceder uma licença para as suas emissões. Podem obter licenças do governo ou através do comércio com outras empresas. Para as empresas que são demasiado poluentes em comparação com os concorrentes, torna-se demasiado caro comprar licenças e a empresa terá de reduzir as emissões. Por outras palavras, a emissão tem um preço. O comércio de emissões é um instrumento-chave utilizado pelos governos para reduzir as emissões - inclusive no setor dos transportes. Na Europa, os três principais modos de transporte em causa são os automóveis, aviões e navios.

Nos automóveis
Na UE, o ETS está em vigor desde 2005 para setores intensivos em energia como a energia, siderurgia, cimento, químicos e muito mais. Mas a mais recente adição à lista são os automóveis e o aquecimento. Desta vez não são as empresas, mas aqueles que conduzem veículos poluentes e utilizam caldeiras a gás que irão pagar pela sua poluição. Para evitar o pesadelo logístico de rastrear a poluição de automóveis e caldeiras individuais, os intermediários, como empresas que vendem combustível para automóveis e aquecimento, são obrigados a demonstrar o cumprimento da regulamentação, entregando as licenças de poluição. Em última análise, o consumidor final cobre o custo. As famílias mais ricas, que conduzem e consomem mais para aquecimento e arrefecimento, acabam por pagar mais. Mas as famílias de baixos rendimentos arriscam-se a gastar uma parte maior do seu rendimento em energia, restando pouco para mudar para alternativas limpas. É por isso que os governos da UE introduziram simultaneamente o Fundo Social Climático para canalizar fundos (gerados pela venda de licenças de emissão de carbono) para as famílias mais vulneráveis. Isto ajudará as famílias de baixos rendimentos a aceder a transportes públicos acessíveis, aparelhos de aquecimento e arrefecimento sustentáveis e a isolar adequadamente as suas casas.

Nos aviões
O ETS para a aviação existe desde 2012 - mas apenas afetou os voos dentro do espaço económico europeu. Em dezembro, os negociadores tiveram de decidir se isto seria alargado aos voos de longo curso - que representam 58% das emissões de CO2 da aviação na Europa. Mas isto falhou e a dimensão do ETS está condenada a permanecer a mesma. Isto faz da aviação internacional um dos setores da economia da UE que não está sujeito a um limite de emissões ou a um preço. Como o preço do carbono da aviação é transferido para os passageiros, as famílias europeias médias que viajam dentro da Europa para as suas férias anuais continuarão a pagar muito mais pelas suas emissões de CO2 do que os passageiros frequentes de longo curso. Apesar disso, as companhias aéreas ainda encontraram motivos para protestos. O acordo prevê a eliminação gradual das licenças gratuitas - um fim às licenças gratuitas de poluição, das quais as companhias aéreas têm beneficiado durante anos.

Nos navios
Até agora, não havia mercado de carbono para o transporte marítimo. A situação alterou-se imenso nos últimos dias de 2022. A partir de 2024, as companhias de navegação serão obrigadas a pagar pelas emissões tanto de viagens domésticas como internacionais de e para a UE. Embora o sistema abranja inicialmente apenas o CO2, as emissões de metano serão rapidamente introduzidas no sistema nos anos seguintes. Ao contrário de qualquer outro setor, as companhias de navegação não terão licenças de poluição gratuitas. Embora seja pouco provável que as taxas de poluição ao abrigo do ETS façam a ponte entre os preços dos combustíveis fósseis marinhos e as alternativas verdes, o sistema continuará a gerar quantidades substanciais de receitas que a UE e os estados membros poderão reinvestir em tecnologias verdes para navios, tais como os combustíveis à base de hidrogénio.