Mostrar mensagens com a etiqueta Franquismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Franquismo. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Brigade Internationale - Remember My Death


O nome Brigade Internationale (Brigada Internacional) é uma referência direta às unidades militares compostas por voluntários estrangeiros que viajaram para a Espanha para lutar ao lado da Segunda República Espanhola contra as forças fascistas de Francisco Franco durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

Ao escolherem este nome, a banda evoca uma estética de resistência antifascista, idealismo político e melancolia histórica, temas comuns na subcultura coldwave da época.

Regard Extrême é uma das músicas mais conhecidas da banda, presente no álbum/cassete Regard Extrême lançado em 1984 pela gravadora Wallenberg Produktion.

A canção: Mantém a sonoridade característica do género, com sintetizadores sombrios, linhas de baixo marcantes e uma atmosfera minimalista e melancólica.

Significado da Letra: O título "Remember My Death" (Lembre-se da minha morte) reforça a temática existencialista e fúnebre do grupo, possivelmente ligando-se ao sacrifício dos voluntários das brigadas originais

sexta-feira, 1 de março de 2024

Verdadeiro, Mariana - houve prisão perpétua no Estado Novo e alguns morreram


A PIDE prendia qualquer pessoa que suspeitasse ser contra o regime. Apesar da pena perpétua estar abolida, os presos eram sujeitos a "medidas de segurança" que prolongavam indefinidamente a sua pena, tornando-se equivalente a perpétua.

Consultando os arquivos da PIDE, comecem por escolher Tarrafal. Alguns não era prisão perpétua, era prisão até morrerem. 37 ali morreram. O Campo de Concentração do Tarrafal situava-se no extremo norte da ilha de Santiago, Cabo Verde, num lugar ironicamente chamado de Chão Bom.

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Fascistas, novamente? Não obrigado!

"Sou um homem, sou pai de família, sou avô e... sou fascista!" Foi dito publicamente na última 6.ª Convenção Nacional do Chega.
Pois bem, meus caros. Não esquecemos! Não esquecemos nem queremos recalcamentos nem pós-verdade. Ainda há muito silêncio e carrascos fachos que não chegaram à barra dos tribunais.
A Ditadura Nacional (1926–1933) e o Estado Novo de Salazar e Marcello Caetano (1933–1974) foram, conjuntamente, o mais longo regime autoritário na Europa Ocidental durante o séc. XX, estendendo-se por um período de 48 anos. Teve impacto global.
O regime franquista foi igual. Global. O Franquismo foi um regime totalitário de caráter nazifascista fundado pelo ditador Francisco Franco, que dominou a Espanha e os países ibero-americanos durante os anos de 1939 a 1975.
Por favor voltar a rever este excelente documentário.
O Silêncio dos Outros, retrato da luta das vítimas do franquismo é um dos mais importantes e premiados documentários do ano 2019.
Produzido por Pedro Almodóvar e realizadado por Almudena Carracedo e Robert Bahar, o filme conquistou, nos prémios mais importantes do cinema espanhol, o Goya de Melhor Documentário e venceu o Prémio do Público da secção Panorama no Festival de Berlim.
O Silêncio dos Outros mostra a luta épica das vítimas dos 40 anos da ditadura de Franco, em Espanha, que continuam hoje a procurar justiça. Filmado ao longo de 6 anos, o filme acompanha várias vítimas e sobreviventes, enquanto organizam o "Processo Argentino" e enfrentam uma amnésia imposta pelo Estado perante crimes contra a Humanidade num país, que após quatro décadas de democracia, continua dividido.

Desde sua morte, em 1975, o corpo de Franco esteve no Vale dos Caídos, um imponente mausoléu a 50 quilómetros de Madrid. Por decisão do próprio ditador, o local foi construído por milhares de presos políticos espanhóis nos anos 1940 e 1950. Neste templo católico, onde se destaca uma cruz de 150 metros de altura, também estão os restos mortais de 27 mil combatentes leais a Franco e das vítimas de seu regime, 10 mil republicanos, retirados de fossas comuns e cemitérios e levados para o local sem aviso prévio às famílias. O franquismo e o salazarismo tiveram impactos globais. Salazar com a Guerra Colonial e Franco estendendo o seu impacto nos países ibero-americanos.
Não esquecemos!

terça-feira, 12 de maio de 2020

The Clash - Spanish Bombs

Melhor som aqui
Letra
Spanish songs in Andalucia
The shooting sites in the days of '39
Oh, please, leave the ventana open
Federico Lorca is dead and gone
Bullet holes in the cemetery walls
The black cars of the Guardia Civil
Spanish bombs on the Costa Rica
I'm flying in on a DC 10 tonight

[refrão]
Spanish bombs, yo te quiero infinito
Yo te quiero, oh mi corazón
Spanish bombs, yo te quiero infinito
Yo te quiero, oh mi corazón

Spanish weeks in my disco casino
The freedom fighters died upon the hill
They sang the red flag
They wore the black one
But after they died it was Mockingbird Hill
Back home the buses went up in flashes
The Irish tomb was drenched in blood
Spanish bombs shatter the hotels
My señoritas rose was nipped in the bud

[refrão]

The hillsides ring with: Free the people
Or can I hear the echo from the days of '39?
With trenches full of poets
The ragged army, fixin' bayonets to fight the other line
Spanish bombs rock the province
I'm hearing music from another time
Spanish bombs on the Costa Brava
I'm flying in on a DC 10 tonight

[refrão]
Oh mi corazón, oh mi corazón

Spanish songs in Andalucia, Mandolina, oh mi corazón
Spanish songs in Granada, oh mi corazón
Oh mi corazón, oh mi corazón
Oh mi corazón, oh mi corazón

Lançada em 1979 no aclamado álbum duplo London Calling, "Spanish Bombs" é uma das composições mais ricas e multifacetadas dos The Clash. A canção, escrita por Joe Strummer e Mick Jones, destaca-se musicalmente por construir um forte contraste entre a sua sonoridade e o seu conteúdo lírico. Estilisticamente posicionada no ponto de transição entre o punk rock inicial da banda e o post-punk com influências de new wave e jangle pop, a faixa combina guitarras melodiosas, um ritmo fluido com nuances de ska e reggae e uma melodia luminosa com uma letra sombria sobre guerra, assassinato e terrorismo. Um dos elementos mais marcantes da dinâmica musical é o refrão cantado num espanhol gramaticalmente imperfeito, fruto da abordagem direta e intencionalmente crua de Strummer ao tentar expressar afeição na língua local sem ter um domínio formal do idioma.

Historicamente, a canção estabelece uma ponte direta entre dois momentos de forte tensão política e social. De um lado, resgata a memória da Guerra Civil Espanhola (1936–1939), o sangrento conflito em que as forças republicanas de esquerda tentaram conter o avanço do fascismo liderado pelo General Francisco Franco. Do outro, reflete o contexto contemporâneo do final dos anos 1970, período em que Strummer viajou pela Andaluzia durante a conturbada transição espanhola para a democracia. Na época, a Espanha lidava com atentados bombistas do grupo separatista basco ETA em zonas turísticas da Costa del Sol, enquanto o Reino Unido vivia a violência do IRA e o surgimento de movimentos radicais.

Neste sentido, o significado de "Spanish Bombs" gira em torno do desencanto político, da perda da inocência revolucionária e da reflexão sobre a violência histórica. A letra confronta a visão romântica do heroísmo das Brigadas Internacionais da década de 1930 com a realidade brutal e cega do terrorismo moderno, questionando como causas ideológicas nobres acabam muitas vezes afogadas em sangue e destruição. Trata-se, sem dúvida, de uma música de intervenção política e social. No entanto, longe de operar como um mero panfleto ideológico, a intervenção da banda faz-se pela via da conscientização histórica, resgatando a memória da luta antifascista num momento em que a Europa vivia uma nova guinada à direita e enfrentava crises de segurança interna.

O impacto cultural da canção foi significativo. "Spanish Bombs" demonstrou a maturidade do movimento punk ao provar que o género podia articular temas geopolíticos e literários complexos sem perder a urgência ou a energia crítica. A música reintroduziu a narrativa da Guerra Civil Espanhola a uma nova geração de jovens nos anos 80 e influenciou profundamente o rock alternativo de cariz político que surgiria nas décadas seguintes, servindo de referência para bandas como os Manic Street Preachers, R.E.M. e artistas como Billy Bragg.

Por fim, as inspirações literárias e filosóficas da canção são explícitas e profundas. A figura do poeta e dramaturgo andaluz Federico García Lorca, assassinado por milícias fascistas em 1936, é evocada diretamente nos versos que recordam Granada como o local onde o poeta tombou. Além de Lorca, a obra Homenagem à Catalunha, de George Orwell, surge como uma influência fundamental na representação da complexidade e do romantismo trágico da resistência republicana, onde conviviam fações anarquistas e comunistas. Esse imaginário dialoga também com a literatura de  em Por Quem Os Sinos Dobram e com o idealismo do anarquismo e do socialismo libertário, transformando "Spanish Bombs" numa elegia poética sobre a solidariedade internacional e os custos humanos da luta pela liberdade.

sábado, 7 de agosto de 2010

Federico García Lorca

A 19 de Agosto de 1936, Federico García Lorca era assassinado pelo fascismo de Franco.
Leiamos a sua poesia.
Garcia Lorca por Khadzhi-Murad Alikhanov

poeta pede a seu amor que lhe escreva
Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.
O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.
Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de mordiscos e açucenas.
Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.

[…] Era inevitável que o resgate dos restos de Federico García Lorca, enterrado como milhares de outros no barranco de Viznar, na província de Granada, se tivesse convertido rapidamente em autêntico imperativo nacional. Um dos maiores poetas de Espanha, o mais universalmente conhecido, está ali, naquele páramo, aliás em um lugar acerca do qual existe praticamente a certeza de ser a fossa onde jaz o autor do Romancero Gitano, junto com três outros fuzilados, um professor primário chamado Dióscoro Galindo e dois bandarilheiros anarquistas, Joaquín Arcollas Cabezas e Francisco Galadí Melgar. Estranhamente, porém, a família de García Lorca sempre se opôs a que se procedesse à exumação. Os argumentos alegados relacionavam-se, todos eles, em maior ou menor grau, com questões que podemos classificar de decoro social, como a curiosidade malsã dos meios de comunicação social, o espectáculo em que se iria tornar o levantamento das ossadas, razões sem dúvida respeitáveis, mas que, permito-me dizê-lo, perderam hoje peso perante a simplicidade com que a neta de Dióscoro Galindo respondeu quando, em entrevista numa estação de rádio, lhe perguntaram aonde levaria os restos do seu avô, se viessem a ser encontrados: “Ao cemitério de Pulianas”. Há que esclarecer que Pulianas, na província de Granada, é a aldeia onde Dióscoro Galindo trabalhava e a sua família continua a morar. Só as páginas dos livros se viram, as da vida, não.

José Saramago, in O Caderno de Saramago