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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Mais de 3.000 mortos e 13 milhões afetados por fenómenos climáticos em África em 2025

Mais de 3.000 pessoas morreram e 13 milhões foram afetadas devido aos fenómenos meteorológicos e climáticos extremos em 2025 no continente africano, disse hoje a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Estes fenómenos causaram “impactos em cascata em todos os setores da economia e da sociedade” africana, com os sinais das alterações climáticas “visíveis em toda a África, desde o aumento das temperaturas e da subida do nível do mar até às cheias e secas devastadoras”, disse a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, a propósito do relatório divulgado hoje por esta agência especializada das Nações Unidas.

“Este relatório evidencia não apenas a dimensão dos riscos, mas também a crescente importância dos alertas precoces, dos serviços climáticos e da ação coordenada para proteger vidas e meios de subsistência”, sublinhou a responsável.

Segundo o relatório, que reúne contributos de dezenas de especialistas, serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais, centros climáticos e parceiros do sistema das Nações Unidas, “o continente continua a ter dificuldades em lidar com estes impactos e apenas 40% dos países dispõem de sistemas de alerta precoce multirriscos, essenciais para salvar vidas e meios de subsistência”.

Ainda assim, enalteceram as melhorias no reforço da cooperação entre os serviços meteorológicos, os organismos de gestão de catástrofes e as autoridades locais, bem como os progressos nos serviços climáticos, como as previsões sazonais.

No mesmo relatório, a OMM detalhou que, em 2025, a temperatura média anual do ar à superfície em África ficou 0,51 graus centígrados acima da média do período 1991-2020.

Por outro lado, os glaciares africanos perderam mais de 90% da sua área desde o final do século XIX. No Monte Kilimanjaro, a área glaciar diminuiu de 11,4 quilómetros quadrados (km²) em 1900 para menos de 1 km² nos últimos anos.

Já o aquecimento dos oceanos prossegue em todo o continente, embora em 2025 o conteúdo térmico dos oceanos e a temperatura da superfície do mar tenham sido inferiores aos níveis recorde observados em 2023 e 2024, com a subida do nível do mar ao longo das costas africanas entre 1999 e 2025 a ultrapassar a média mundial de 3,6 milímetros por ano em várias regiões.

Quantos aos países lusófonos, foram registados totais anuais de precipitação acima da média na maior parte da África Austral em particular, Moçambique.

A agência recordou ainda que ciclones tropicais e as cheias afetaram várias zonas da África Austral no início de 2025.

“Moçambique foi atingido pelos ciclones Dikeledi, em janeiro, e Jude, em março, agravando os impactos já provocados pelo ciclone Chido, em dezembro de 2024”, recordou, detalhando que “mais de um milhão de pessoas foram afetadas pela passagem do Jude em Moçambique, tendo sido registadas 16 mortes e mais de 492 mil deslocados”.

domingo, 4 de fevereiro de 2024

Corrente do Golfo pode entrar em colapso já em 2025, aponta estudo


O que já está (muito) ruim nos oceanos por causa das alterações climáticas caminha para ficar ainda pior – e antes do que se esperava. O sistema da Corrente do Golfo pode entrar em colapso já em 2025, sugere um estudo publicado na Nature. O fim do sistema, que impulsiona as correntes do Atlântico e determina o clima da Europa Ocidental, pode causar impactos climáticos catastróficos em todo o mundo.

Já se sabia que a Circulação Meridional do Atlântico (AMOC, na sigla em inglês) está em seu ponto mais fraco em 1.600 anos, devido ao aquecimento global. E os pesquisadores detectaram sinais de alerta de um ponto de inflexão em 2021, segundo o Guardian.

A nova análise estima uma escala de tempo para o colapso entre 2025 e 2095, com uma estimativa central de 2050, se as emissões globais de gases de efeito estufa não forem reduzidas. Evidências de colapsos anteriores indicam mudanças de temperatura de 10°C em algumas décadas, embora tenham ocorrido nas eras glaciais.

A avaliação mais recente do IPCC concluiu que a AMOC não entraria em colapso tão rapidamente. Mas o autor do atual estudo, o professor Peter Ditlevsen, da Universidade de Copenhague, disse à BBC que outros cientistas alertaram sobre o potencial de colapso do sistema de correntes marítimas.

Alguns cientistas questionaram a nova pesquisa, afirmando que as suposições sobre como um ponto de inflexão aconteceria e as incertezas nos dados subjacentes são muito grandes para uma estimativa confiável do momento do ponto de não retorno. Mas todos concordaram que a perspectiva de um colapso da AMOC é extremamente preocupante e deveria estimular cortes rápidos nas emissões.

A AMOC é um complexo emaranhado de correntes que funciona como uma gigantesca correia transportadora global. Ele transporta água quente dos trópicos para o Atlântico Norte, onde a água esfria, torna-se mais salgada e afunda no oceano, antes de se espalhar para o sul, explica a CNN.

A Circulação Meridional do Atlântico desempenha um papel crucial, ajudando a regular os padrões climáticos globais. E além de invernos muito mais extremos e aumentos do nível do mar afetando partes da Europa e dos Estados Unidos, seu colapso mudaria as monções nos trópicos.

A antecipação do colapso da AMOC foi destaque também nos POLITICO, Axios, Financial Times, CNBC, USA Today, Newsweek e RealClimate.

Em tempo: Nem mulher, nem do Sul Global. O físico escocês James Skea foi eleito para a presidência do IPCC, derrotando em segundo turno, por 90 votos a 69, a matemática brasileira Thelma Krug, informam Folha, Correio Braziliense, g1 e OC. Também disputaram o cargo a sul-africana Debra Roberts e o belga Jean-Pascal van Ypersele. Skea é um dos mais respeitados cientistas do campo da climatologia e pessoa preocupada com o Sul Global. As eleições aconteceram na 59ª sessão do IPCC, que ocorre em Nairóbi, Quénia, até a 6ª feira (28/7/2923). Nos próximos dias, serão escolhidos os três vice-presidentes do painel e os copresidentes dos grupos de trabalho que conduzirão o próximo ciclo de avaliação do IPCC.

sábado, 9 de dezembro de 2023

“Numa trajetória desastrosa”: Cientistas alertam para risco de cinco pontos de inflexão da Terra


O aquecimento médio do planeta continua a progredir, impulsionado pelas emissões de gases com efeito de estufa geradas pelas atividades humanas e pela degradação e destruição da Natureza. Em 2015, em Paris, os governos do mundo acordaram que era preciso agir para impedir que a Terra aqueça mais do que 1,5 graus até ao final do século.

De ano para ano, surgem alertas de novos recordes de temperaturas máximas, de secas intensas, de incêndios devastadores e de tempestades sem precedentes, e, com isso, multiplicam-se o alertas de que é preciso fazer mais, melhor e mais rapidamente.

Apesar de ainda se considerar que nem tudo está para já perdido e que há tempo, mesmo que pouco, e conhecimento suficiente para alcançar esse objetivo, a janela de oportunidade está a fechar-se rapidamente e as ações climáticas tardam em chegar.

De acordo com os mais de 200 investigadores do projeto internacional Global Tipping Points, se nada for feito para contrariar essa tendência, a Terra poderá ultrapassar, pelo menos, cinco limiares naturais, pontos de inflexão em que pequenas alterações podem resultar em transformações rápidas e profundas, e além dos quais consequências negativas para a humanidade e para a Natureza podem ser irreversíveis. E três deles podem ser cruzados já na próxima década.

Num comunicado divulgado pela Universidade de Exeter, que coordenou o trabalho, os cientistas dizem que esta é “a avaliação dos pontos de inflexão mais abrangente alguma vez feita” e explicam que “a humanidade está atualmente numa trajetória desastrosa”.

Entre os limiares que poderão ser ultrapassados nos próximos anos, os cientistas destacam o colapso de grandes mantos de gelo na Gronelândia e na Antártida ocidental, o derretimento do pergelissolo (ou permafrost), a mortalidade generalizada de recifes de corais de água quente e o colapso da circulação atmosférica no Atlântico Norte.

Para Tim Lenton, um dos investigadores, “os pontos de inflexão no sistema da Terra representam ameaças de uma magnitude nunca antes enfrentada pela humanidade” e “podem provocar efeitos em dominó devastadores, incluindo a perda de ecossistemas inteiros e a capacidade para fazer uma agricultura estável, com impactos sociais que incluem deslocações em massa, instabilidade política e colapso financeiro”.

A investigação analisou 26 “pontos de inflexão negativos do sistema da Terra” e concluiu que “a atual governança global não é adequada à escala do desafio”, e que a manutenção do estado de coisas “já não é possível”, visto que “rápidas alterações na natureza e nas sociedades estão já a acontecer, e mais estão para vir”.

“Sem ação urgente para travar as crises climática e ecológica, as sociedades serão assoberbadas, enquanto o mundo natural se degrada”, avisam.

Apesar do tom alarmista do relatório, os cientistas acreditam que é possível promover “pontos de inflexão positivos”, que permitam contrair os negativos e manter o planeta numa rota de sustentabilidade.

“Uma cascata de pontos de inflexão positivos salvaria milhões de vidas”, pouparia biliões de dólares em prejuízos provocados por eventos climáticos extremos e permitira “começar a restaurar o mundo natural do qual todos nós dependemos”.

Lenton afirma que ações positivas estão já a ser realizadas, como o fortalecimento da aposta nas energias renováveis, a expansão da mobilidade elétrica e a transição para dietas menos intensas em produtos de origem animal.

Manjana Milkoreit, da Universidade de Oslo e que esteve também envolvida no projeto, considera que ações concretas para evitar os piores cenários “deverá ser o principal objetivo da COP28”.

E os investigadores deixam algumas sugestões para os líderes mundiais: acabar com as emissões dos combustíveis fósseis até 2050, reforçar a adaptação e os mecanismos de financiamento de perdas e danos, coordenar esforços globais para promover pontos de inflexão positivos, criar “uma cimeira global urgente sobre pontos de inflexão” e aprofundar o conhecimento sobre esses fenómenos.

“Resolver as crises climática e da natureza exigirá grandes transições em muitos setores – de mudanças nas dietas ao restauro de florestas”, passando pelo “abandono progressivo do motor de combustão interna”, avisa Kelly Levin, do Bezos Earth Fund, instituição parceira do projeto.

terça-feira, 28 de novembro de 2023

Climate change is a multidimensional phenomenon


Climate change is a multidimensional phenomenon. As such, no single metric can capture all trajectories of change and associated impacts. While numerous metrics exist to measure climate change, they tend to focus on central tendencies and neglect the multidimensionality of extreme weather events (EWEs). EWEs differ in their frequency, duration, and intensity, and can be described for temperature, precipitation, and wind speed, while considering different thresholds defining “extremeness.” We review existing EWE metrics and outline a framework for classifying and interpreting them in light of their foreseeable impacts on biodiversity. Using an example drawn from the Caribbean and Central America, we show that metrics reflect unequal spatial patterns of exposure across the region. Based on available evidence, we discuss how such patterns relate to threats to biological populations, empirically demonstrating how ecologically informed metrics can help relate EWEs to biological processes such as mangrove recovery. Unveiling the complexity of EWE trajectories affecting biodiversity is only possible through mobilisation of a plethora of climate change metrics. The proposed framework represents a step forward over assessments using single dimensions or averages of highly variable time series.

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Temperatura média e número de ciclones tropicais está a aumentar nos Açores


A temperatura média e o número de ciclones tropicais extremos tem vindo a aumentar nos Açores nos últimos 50 anos, revelou ontem o presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

“Em séries de 30 anos, as normais climatológicas, os dados não mentem. Temos uma subida de um grau centígrado nas temperaturas médias mínimas e temos o maior número de dias com temperatura acima dos 25 graus”, realçou José Guerreiro.

O presidente do IPMA falava na conferência internacional “Planclimac Projet Final Conference – Adaptation and Mitigation to Climate Change”, destinada à reflexão sobre os impactos das alterações climáticas, no Coliseu Micaelense, em Ponta Delgada.

Segundo os dados apresentados, a temperatura média anual nos Açores tem vindo a aumentar, passando de 17,5 graus centígrados (1971-2000) para 17,8 graus centígrados (1981-2010) e 18,2 graus (1991-2020).

O número de dias com uma temperatura máxima acima de 25 graus centígrados também tem registado um acréscimo, uma vez que passou de 48,4 dias por ano (1971-2000) para 52,2 dias (1981-2010) e 60,8 dias por ano (1991-2020).

Os ciclones tropicais aumentaram no arquipélago nas últimas décadas, existindo uma “tendência” de deslocação daqueles fenómenos para norte do atlântico.

“Falamos do ciclone Lorenzo [que atravessou a região em 2019], mas a verdade é que, se olharmos aos dados, nós temos o maior número de eventos de sempre em relação àquilo que são os ciclones que passaram na região definida em torno dos Açores”, reforçou.

Entre 1971 e 2000 foram registados 20 ciclones tropicais, entre 1981 e 2010 aconteceram 22 eventos e entre 1991 e 2020 o número de ciclones subiu para 35.

A intensidade daqueles ciclones também tem vindo a aumentar, com 11 eventos com categoria igual ou superior a três entre 1991 e 2020, que compara com sete e dois eventos registados nos períodos 1981-2010 e 1971-2000, respetivamente.

“O número de ciclones de categoria superior a três subiu exponencialmente. O número de eventos também. O Lorenzo chegou com categoria dois e fez o que o que fez. Isso quer dizer que a prevenção, o planeamento com a proteção civil, o ordenamento do território é algo que não pode ser descurado”, alertou.

José Guerreiro lembrou ainda o investimento em curso de um milhão de euros para a criação de um observatório nos Açores destinado a monitorizar a evolução dos gases com efeito de estufa.

O presidente do IPMA realçou que os novos cabos submarinos destinados a assegurar a ligação ao arquipélago vão ter sensores para recolher dados de “natureza geoquímica, sismicidade e atividade de tsunamis”.

“Os Açores têm uma posição geoestratégica absolutamente privilegiada. Estão numa posição central do atlântico. O anticiclone dos Açores, que tanto beneficiou a era dos descobrimentos, agora traz todos os poluentes, nomeadamente os gases com efeito de estufa”, concluiu.

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Capitalismo ou Humanidade



Por Jorge Bateira, 15 de Março de 2021
Durante milénios, as sociedades humanas mantiveram sistemas produtivos cujo impacto na biosfera tinha uma escala compatível com os seus mecanismos regeneradores. Porém, com o advento e a expansão do capitalismo, ocorreu uma ruptura Histórica em diferentes domínios. Karl Polanyi, um nome incontornável da Economia Política do século XX, explicou-nos o essencial: ao transformar (em larga medida) o trabalho, a moeda e a natureza em mercadorias, o capitalismo criou um enorme potencial de crescimento económico. A riqueza produzida cresceu exponencialmente, o que permitiu a alguns países alcançar, em poucas décadas, um nível de bem-estar inédito na História. Porém, tal sucesso teve custos que não podem ser ignorados. A exploração dos seres humanos destruiu milhões de vidas, da escravatura às guerras, criou pobreza em larga escala e de ordem estrutural, gerou desigualdades chocantes e lutas de classes que dilaceram sociedades, promoveu guerras locais e empurrou milhões de pessoas para a emigração intercontinental. A criação de moeda pelos bancos, e a sua aplicação em activos para uso especulativo, produziu sucessivas crises financeiras de consequências devastadoras para as sociedades. O crescimento industrial, alimentado pelo consumo de massa – ele mesmo objecto da manipulação pelo marketing –, foi sustentado pela extracção desenfreada de combustíveis fósseis, pela transformação do solo agrícola e da floresta em agro-negócio global, e pela degradação dos solos e da água com a utilização de produtos químicos, para além da acumulação de gases, resíduos tóxicos e produtos não recicláveis.

A lógica do lucro comanda o capitalismo e o motor da sua expansão é o continuado crescimento do consumo. Porém, este permanente crescimento económico colide com a finitude dos recursos naturais que até agora o sustentou e, ao mesmo tempo, colide com a capacidade do planeta para absorver os desequilíbrios que lhe são infligidos. Há quem defenda que o capitalismo pode adaptar-se e continuar a crescer, sobretudo através dos serviços, utilizando proporcionalmente menos recursos materiais. Contudo, a investigação mais recente não sustenta esta tese e conclui que o “crescimento verde” é uma ilusão.[1]

Na realidade, o que temos pela frente é uma trajectória que, se nada de radical for feito, conduzirá ao colapso das condições de vida na Terra. A comunidade científica tem vindo a produzir documentos de alerta sobre a gravidade da situação em que nos encontramos, com destaque para as consequências calamitosas de um aumento da temperatura média global do planeta que ultrapasse os 2 ºC por comparação com a do início da Revolução Industrial. Isto implica uma travagem drástica das emissões de gases com efeito de estufa, ou seja, emissões nulas ou mesmo negativas (por recurso a diversas formas de captura do carbono) até ao final do século XXI. Em 2017, mais de 15 000 cientistas de 184 países produziram um sério aviso à Humanidade. Face à predação dos recursos do planeta, a comunidade científica afirmou que estamos a caminho de “miséria em larga escala e de uma catastrófica perda de biodiversidade.” Um aspecto poucas vezes mencionado é a natureza cumulativa das emissões de carbono. O que determinará a futura temperatura global, e as decorrentes alterações climáticas do planeta, é a acumulação das emissões passadas, das presentes, e as dos próximos anos. Portanto, não basta neutralizar as emissões de carbono dos países ditos desenvolvidos, é preciso travá-las à escala global, o que coloca o gravíssimo problema da reconversão dos modelos de desenvolvimento industrial nos países ‘emergentes’, e noutros que legitimamente pretendem alcançar melhores condições de vida.

Apesar da gravidade do que está em causa, os avisos dos cientistas ainda são formulados numa retórica de grande contenção para evitar questionar os fundamentos do sistema económico que, sendo a causa dos males do planeta, também lhes financia a investigação e o emprego. Nos documentos oficiais, as análises são quase sempre sujeitas a uma ‘edição’ que suaviza os termos mais fortes e procura preservar a teoria económica dominante que fundamenta as políticas económicas do capitalismo.[2]

Contudo, a devastação produzida pelo ciclone Idai em África (Moçambique, Zimbabwe e Malawi), as inundações com perdas da produção agrícola na Guatemala, Honduras e El Salvador, assim como a recente onda de calor na Europa, seguida do degelo na Gronelândia, os fogos na Rússia e no Ártico, e os furacões devastadores nos EUA – apenas alguns episódios de uma lista que poderia ser muito longa –, constituem fenómenos com impacto relevante para questionar políticas ambientais que não incomodam o sistema económico-financeiro predador do planeta.

Face à gravidade da situação, seria de esperar que os media ocupassem uma parte significativa do seu tempo a discutir as causas das alterações climáticas, a eficácia e o grau de cumprimento dos acordos internacionais, e a escala das mudanças a realizar na produção e na logística das actividades económicas, assim como o nível e a estrutura do consumo actual, incluindo o turismo por via aérea. Porém, a comunicação social de grande alcance, a dos canais de televisão, apenas responde ao que dá rendimento publicitário. O tema das alterações climáticas não é comercialmente interessante, e até pode ser incómodo para alguns anunciantes que contribuem significativamente para o problema que enfrentamos. Exibe-se a tragédia humanitária mas silencia-se a discussão séria das causas estruturais dos desastres ambientais.

Se pensarmos bem, não é difícil perceber o interesse das grandes empresas na manutenção do caminho para o abismo que estamos a percorrer. A cotação das suas acções na bolsa depende em boa parte das expectativas de crescimento da economia, sendo este em larga medida sustentado pelo crescimento do consumo, o que exige a exploração dos recursos finitos e a degradação do planeta. Há aqui um conflito de interesses e uma real ameaça à democracia. Os decisores políticos estão sujeitos a uma enorme pressão das empresas no sentido de manterem uma política de mudanças leves que não ponham em causa o status quo. Como alguns cidadãos já perceberam, este crescimento económico e financeiro só pode ser mantido através de uma poderosa rede comunicacional que seja eficaz na alienação das populações através do entretenimento vazio, e alimente a ilusão de que, através de alguns investimentos em energias renováveis, temos boas perspectivas para uma trajectória sustentável. Difundem um cenário de resolução do problema pela via do mercado das emissões e pela inovação tecnológica que está em curso. Através de um ‘crescimento verde’, o capitalismo reinventar-se-ia e a crise ambiental desapareceria.

Na verdade, apenas uma transformação profunda deste sistema económico pode evitar o colapso da Humanidade. Isso implica grandes mudanças nos padrões de consumo, grandes mudanças nos sistemas agrícolas, grandes mudanças no sentido da desglobalização comercial (os transportes aéreo e marítimo são uma grande fonte de emissões) e, ainda mais importante, uma mudança no que entendemos por desenvolvimento. Para além de um dado limiar de consumo frugal, as políticas públicas deverão promover a busca do sentido da vida através da criação de tempo/espaço favorável a relacionamentos humanos de qualidade, uso de serviços e equipamentos públicos, fruição da natureza, investimento pessoal na organização e nas actividades da comunidade a que pertencemos, intervenção em diferentes níveis de debate e decisão no quadro de uma democracia participativa, em complemento de uma renovada democracia representativa, etc. Uma nova macroeconomia focada no pleno emprego, no desenvolvimento regional e local, na justiça social, e no respeito pelos limites e equilíbrios do planeta terá de informar as políticas económicas.

De facto, confrontados com um enorme risco de sobrevivência da Humanidade, bloqueados pelos interesses instalados que insistem no caminho para o desastre, enfrentando o silêncio cúmplice dos media que anestesiam os cidadãos, só nos restam a mobilização através dos media alternativos, e a realização no espaço público de acções mediáticas que abram caminho a novas iniciativas políticas. Por imperativo moral, o silêncio não é uma opção. A ideologia e o sistema de interesses que comandam as nossas vidas obrigam-nos a escolher: ou o Capitalismo, ou a Humanidade.
 
[1]Schroder, E. e Storm, S. (2018), Why “Green Growth” Is an Illusion

[2]Anderson, K. (2015), On the duality of climate scientists. Disponível em: 

sexta-feira, 10 de março de 2023

Lei de Bases do Clima e a prioridade número 1 da ONU



A aprovação da Lei de Bases do Clima, pela AR, a 31 de Dezembro de 2021, sugere a continuidade de uma consciência ambiental que determina a sua execução.

Na resolução do Parlamento Europeu, pode ler-se o seguinte: "É fundamental tomar medidas imediatas e ambiciosas para limitar o aquecimento global a 1,5° C e evitar uma perda significativa da biodiversidade", afirmaram os eurodeputados instando a Comissão Europeia, os Estados-Membros e todos os intervenientes a nível mundial para que estes tomem urgentemente medidas concretas e necessárias para combater esta ameaça - "antes que seja demasiado tarde", acrescentam.

Esta resolução foi aprovada em 2019. Já lá vão quatro anos e, à escala nacional, muito pouco se tem avançado no combate às alterações climáticas.

António Guterres, Secretário-Geral da ONU, tem vindo a fazer vários alertas nos quais adverte que a emergência climática não tem tido uma resposta adequada. Aconteceu na celebração dos 75 anos da primeira sessão da Assembleia Geral, em Londres. O líder das Nações Unidas, deixou claro na sua mensagem que a emergência climática é a prioridade número 1 da ONU.


O Chefe das Nações Unidas pronunciou-se ainda, no final de 2022, sobre os resultados de relatório publicado pela Organização Meteorológica Mundial, sublinhando que "o mundo caminha na direção errada face às mudanças climáticas".

Sabemos que o impacto dos desastres ambientais se reflete na conjuntura socioeconómica mundial e que isso expõe e determina diversas crises que geram repercussões de variada ordem, como a problemática da escassez de recursos naturais e a complexidade de encontrar respostas científicas que possam garantir a subsistência da humanidade.

No contexto internacional, os acontecimentos no Paquistão, em Agosto de 2022, são exemplo disso. Mais de 1200 mortos, 6000 feridos, e 300.000 casas completamente destruídas resultaram num pedido de 160 milhões de dólares mais ajudas humanitárias para "atender às necessidades básicas das vítimas". 

São demasiado evidentes as sucessivas catástrofes climáticas sem precedentes. Mas isso parece não ser suficiente para acelerar a execução da Lei de Bases do Clima.

Em matéria de meio ambiente, a inércia é devoradora e demonstra fixar o estado de emergência num lugar secundário.

A este respeito, vejamos, o sentido de emergência é indissociável da ação. Quer isto dizer, neste caso em particular, que se não há ninguém a cumprir com as exigências de aceleração para a execução da lei, fica então demonstrada a indiferença face às medidas ambientais propostas cujo impacto revela, afinal, não ser uma prioridade. Também será justo dizer que a emergência climática tem vindo a ser diluída no tempo.

Há mais de ano, o Parlamento deveria ter criado o Conselho de Acção Climática, entidade independente a quem caberá emitir pareceres sobre a acção climática. Só que isso ainda não aconteceu.

Do mesmo modo, persiste também a falta de informação que a Lei de Bases do Clima iria permitir resolver com o lançamento do Portal de Acção Climática. Este portal, pretende refletir com maior imediatez toda a informação elementar sobre a neutralidade carbónica, e apresentar estudos aos quais todos os cidadãos podem aceder e compreender de forma pormenorizada como poderão envolver-se e dar o seu contributo para as políticas climáticas.

É, então, legítimo que a partir daqui se levantem dúvidas sobre o compromisso político face à emergência climática que, na realidade, tem vindo a ser pautado por ações que oscilam entre a inércia e o adiamento.

Já passou mais de um ano desde que foi aprovada a Lei de Bases do Clima. Resumidamente, a emergência climática exige coerência num conjunto de ações que mostrem a necessária resiliência com a qual se possa ultrapassar a crise em que o planeta vive. Isto é crucial.

Que esta seja, não uma urgência abstratizada e circunscrita a intenções, mas, sim, a prioridade número 1 de todos.

Vera Teixeira da Costa, head of Communication na Raposo Bernardo & Associados - Sociedade de Advogados

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Alterações climáticas têm “impacto devastador” nas comunidades indígenas


O diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM) disse à Lusa que as alterações climáticas “têm um impacto devastador” na vida dos povos indígenas, numa altura em que foi conhecida a situação dramática do povo Yanomami.

“As alterações climáticas têm um impacto devastador sobre os meios de produção, sobre a atividade agrícola, que sobretudo estas comunidades indígenas dedicam-se à atividade agrícola”, disse António Vitorino, em entrevista à Lusa em Brasília, no último dia da sua visita oficial ao Brasil.

“É preciso incluir na agenda do combate às alterações climáticas esta dimensão humana, não é uma dimensão humana para daqui a 10, 15 anos é uma dimensão humana para pessoas que já sofrem dos impactos hoje”, frisou Vitorino.

Estas declarações surgem depois de uma visita do Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, no sábado passado, para observar a situação de saúde nas aldeias Yanomami, localizadas nos estados do Amazonas e Roraima, na fronteira com a Venezuela.

O território Yanomami, a maior reserva indígena do Brasil, com quase 10 milhões de hectares, é habitado por cerca de 27 mil indígenas que, segundo o novo Governo, sofreram nos últimos anos uma falta de assistência e abandono em questões de saúde e também foram assediados por mineradores ilegais que operam na Amazónia.

“A situação que atinge a componente indígena Yanomani é muito preocupante”, considerou António Vitorino, acrescentando que os vários ramos das Nações Unidos no país estão a preparar uma proposta para apresentar ao Governo brasileiro de forma a apoiar estas pessoas.

Além da fome e da degradação dos rios da região devido ao mercúrio usado na mineração ilegal, também foram detetados vários casos de malária e outras doenças.

O primeiro passo de ajuda, disse o responsável português da OIM, passa por uma “componente médica muito importante”.

“Garimpo ilegal e a concentração de mercúrio tem tido um impacto devastador sobre a comunidade indígena e o número de 570 crianças mortas é um número aterrador”, sublinhou.

Tanto a Amazónia, como o nordeste brasileiro sofrem “profundamente” com o impacto “pelas alterações climáticas”, disse o diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações, recordando que o Nordeste brasileiro é das regiões que mais risco corre de “tempestades, ciclones, tufões e inundações que alteram o modo de vida das comunidades e os seus meios de subsistência”.

“Por ano há cerca de 21 milhões de pessoas que são forçadas a deixar o sítio onde vivem por causa das alterações climáticas no mundo inteiro”, avançou António Vitorino, acrescentando que no Brasil o número de pessoas deslocadas por causa das alterações climáticas “cifra-se na ordem dos largos milhares”.

Por essa razão, enfatizou o responsável, é necessário “prevenir os efeitos mais perversos das alterações climáticas” e “isso só se pode fazer em colaboração com as comunidades”.

É por isso crucial que se altere, em vários lugares do globo, o tipo de produções agrícolas e repensar os circuitos de captação e distribuição da água.

“Encontrar alternativas para que as pessoas tenham meios de vida para continuarem a viver nesses sítios. É isso que nós nos propormos a fazer juntamente com outras agências das Nações Unidas”, afirmou Vitorino, avisando que o “número de pessoas que vivem em insegurança alimentar está constantemente a crescer”.

“É importante preparar as comunidades para esse novo cenário de maneira a garantir que elas tenham o apoio necessário”, concluiu.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Clima extremo causou 18 desastres nos EUA no ano passado, custando US$ 165 biliões

Desastres que custaram pelo menos US$ 1 bilião mataram 474 pessoas no ano passado, mostram dados do governo.


Os EUA passaram por um ano particularmente doloroso, enquanto as comunidades lutavam contra os crescentes impactos da crise climática, com 18 grandes desastres causando estragos em todo o país, à medida que as emissões de aquecimento do planeta continuavam a subir.

Tempestades, inundações, incêndios florestais e secas causaram um total de US$ 165 bilhões em danos nos EUA no ano passado, US$ 10 biliões a mais do que o total de 2021 e o terceiro ano mais caro desde que os registros de grandes perdas começaram em 1980, de acordo com novos dados do governo dos EUA.

Com 18 desastres custando pelo menos US$ 1 bilhão em danos, 2022 ficou apenas marginalmente atrás de 2020 e 2021 em termos de número de eventos graves. Um total de 474 pessoas morreram no ano passado devido a essas grandes calamidades, segundo o relatório anual .

O ano passado foi “parte de uma tendência de anos de desastres hiperativos nos EUA”, disse Adam Smith, climatologista aplicado da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), que divulgou os dados. Desde 2016, houve 122 eventos meteorológicos e climáticos de biliões de dólares que, no total, mataram mais de 5.000 pessoas e causaram mais de US$ 1 trilião em danos.

“Estamos vendo várias tendências de desastres climáticos”, disse Smith, observando que os EUA estão vendo temporadas de incêndios florestais mais longas e intensas, chuvas severas e o tipo de furacões enormes de categoria quatro e cinco nos últimos anos que Noaa não havia documentado antes em seu registro histórico, que remonta a 1851.

“Não parece provável que essas tendências sejam revertidas”, disse Smith. “Talvez precisemos estar mais preparados para um futuro que rapidamente se tornou nosso presente.”

Embora os EUA sempre tenham experimentado fenômenos como inundações e incêndios florestais, os cientistas descobriram repetidamente que o aquecimento global está sobrecarregando esses impactos, causando rajadas de chuva mais intensas de uma atmosfera quente e carregada de umidade, ao mesmo tempo em que seca a vegetação semelhante a uma caixa de pólvora em alguns lugares. como a Califórnia.

Há evidências de que a crise climática também está ampliando a força dos furacões que atingem os estados do leste, como o furacão Ian , que se tornou a tempestade mais mortal a atingir os EUA desde o furacão Katrina, quando atingiu a Flórida em setembro. Ian também foi o terceiro furacão mais caro já registrado, de acordo com Noaa, causando US$ 112,9 biliões em danos econômicos.

Os números não incluem os custos de todos os climas extremos, incluindo o calor, que no ano passado foi associado a centenas de mortes apenas em Phoenix, Arizona, sozinho.

Nas últimas décadas, as autoridades nacionais e locais fizeram alguns avanços na previsão de condições perigosas, na evacuação de pessoas e na construção de infraestruturas mais resilientes para suportar tais impactos.

Mas o relatório Noaa esboça uma situação em que os desastres crescentes causados ​​pela crise climática estão superando a resposta – nos últimos seis anos houve apenas 18 dias em média entre desastres de bilhões de dólares, em comparação com 82 dias na década de 1980, dificultando o a capacidade e os recursos do país para se recuperar e se preparar.

Houve uma onda de esperança no verão passado de que os EUA estavam começando a enfrentar as causas da crise climática, com a aprovação da Lei de Redução da Inflação, que vai gerar pelo menos US$ 370 bilhões para impulsionar projetos de energia renovável e incentivar as pessoas a abandonar a gasolina carros movidos a energia elétrica e aparelhos poluentes em casa.

Mas o desafio continua a crescer, com as emissões de aquecimento do planeta nos EUA aumentando 1,3% em comparação com 2021, mostraram novos números. O aumento nas emissões veio em grande parte de um aumento no uso de energia em edifícios e um aumento no uso de combustível de aviação, à medida que as viagens aéreas estenderam sua recuperação após o início da pandemia de Covid-19.

Os cientistas dizem que as emissões devem ser cortadas pela metade nesta década em todo o mundo e zeradas totalmente até 2050, se o mundo quiser evitar impactos climáticos catastróficos. O Rhodium Group, a casa de pesquisa que divulgou os novos números de emissões , disse que o aumento em 2022 foi um pouco mais encorajador do que a recuperação da poluição por carbono em 2021, que foi maior e também superou o crescimento económico geral.

“Estamos indo na direção errada, embora haja alguma esperança de que possamos reduzir a intensidade de carbono de nossa economia”, disse Kate Larsen, sócia da Rhodium. Larsen disse que é encorajador ver a desativação de usinas de carvão nos EUA, bem como uma explosão esperada de projetos de energia limpa estimulados pela legislação climática do ano passado que pode resultar numa queda nas emissões este ano.

“Parece que 2023 está marcado para um ano de reduções de emissões muito mais significativas, que só vão acelerar à medida que os incentivos começarem”, disse ela.

“A incerteza é a rapidez e a eficiência com que o governo dos EUA pode mover esses créditos e a rapidez com que a indústria de energia limpa pode enterrar as pás. Em vez de apenas fechar fábricas de carvão, precisamos construir coisas novas, o que é um desafio.”

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Clive Hamilton - I’ve had a long battle with climate despair. Now I’m leaving the ‘denial machine’ to their demons


After years of robust campaigning for climate preservation, writing books on climate change, scores of articles and hundreds of public talks – not to mention serving on the Climate Change Authority, helping set up an international taskforce and running for parliament – I couldn’t take it any more.

I became so despairing about where we were heading and the unwillingness of most to face up to reality that I stopped working on climate change altogether.

In 2010, I argued in my book Requiem for a Species that the world was on a path to a very unpleasant future, that it’s too late to stop it, and that climate scientists themselves are in a state of barely suppressed panic.

The message was met with a wall of silence. Even committed environmentalists didn’t want to hear it.

At a writers’ festival, a well-known scientist took me behind a tent and berated me for taking away people’s hope. “So,” I asked, “are you saying we should lie?”

It was a time when the climate science “denial machine”, imported into Australia from the United States, was just hitting its stride. Its work would give us another lost decade.

Spending my days working on matters unrelated to climate helped, but it could not douse the burning anger I felt towards those who were responsible for preventing any effective response to the scientific warnings.

I knew about the psychological coping strategies we used to manage feelings of anxiety, despondency and grief (I wrote about them in 2010). But how does one cope with the fact there are people in our community who worked doggedly to stop Australia responding to the unfolding crisis and are still at it?
The tide has turned against the deniers, although for most people the full truth is still hard to swallow

My work on climate change, from the first paper in 1996 on the need for a carbon tax to my decision in 2017 to stop, occupies a large share of the memoir I have just written. It was hard to keep bitterness out of the book when naming some of those who actively undermined climate science and blocked every serious abatement policy. Many of them appeared in the lists of the “dirty dozen” I compiled periodically over the years.

In the last couple of years, the tide has turned against the deniers, although for most people the full truth is still hard to swallow. We actually have a government that, for the first time, appears to be serious about reducing emissions.

Nevertheless, after the wasted decades, look at what the climate scientists are now telling us. From the preindustrial benchmark of 280 parts per millions (ppm), the concentration of carbon dioxide in the atmosphere grew to 390ppm in 2010 and then to 420ppm today.

This year the Intergovernmental Panel on Climate Change, an organisation criticised for consistently understating the dangers, concluded that the damaging effects of climate change are mounting much faster than previously reported.

A recent paper in the scientific journal Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America calls for a research program into a “climate endgame”, that is, the possibility of societal collapse and even human extinction. The authors argue that optimistic assumptions about global emission reductions still put us on “dangerous Earth system trajectories”.

The most hopeful case of a 2º C rise above preindustrial levels – now almost certainly out of reach – would lead to a state of the Earth system not seen for more than 2.6 million years.

Even with declining global emissions, feedback effects and tipping points in the climate system could generate greenhouse gas concentrations so high they do not appear in the models. Crossing tipping points – such as melting Arctic permafrost and a halt in the capacity of the oceans to soak up carbon dioxide – could give rise to cascading effects across the linked climatic, ecological and social systems, with calamitous consequences.

In the meantime, our political leaders, even the more enlightened ones, continue with the narrative that promoting economic growth must come first.

A sharp increase in immigration and thus population is promised with no thought to its implications for carbon emissions. Waving the wand of “net zero”, our leaders assure us that technology can deal with rising emissions and take carbon out of the atmosphere. And we can adapt to unavoidable warming. In short, have faith.

Some aren’t buying it.

The grim prognostications of the climate scientists have spread beyond their “holy shit” tête-à-têtes to sections of the wider community, especially young people who have grown up in a warming world.

Tragically, many seem to have accepted that humanity no longer controls its fate. When I interviewed 20 or so young climate activists in 2020, one expressed the feelings of many young activists.

There are people who don’t have much hope for the future … [they feel] massive hopelessness. … Yet the more you show up you get that sense of hope. But will that showing up and acting early be enough to solve the climate crisis? I honestly don’t think so.

While Pakistan sinks under water, Europe contends with a crippling drought, and we in Australia struggle with the practical and psychological fallout of catastrophes such as the black summer bushfires and this year’s floods in New South Wales and Queensland, the people most responsible recede into history. Should we let them?

Some years ago, I suggested Greenpeace should approach primary schools asking them to bury in their playgrounds time capsules containing the names and deeds of the “dirty one hundred”. The capsules could be dug up in 2100 to reveal who was responsible for the state of the Earth.

Perhaps, though, it’s better to leave the perpetrators to their demons. We’re better off devoting our energies to responding to the situation we find ourselves in, especially helping young people learn to thrive as best they can in the world we have left them.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Frio extremo congela parcialmente as Cataratas do Niágara. Eis as imagens.

No entanto, a quantidade e movimentação enorme de água nunca permitirá que as cataratas congelem completamente.

O ‘ciclone-bomba’ que se abateu sobre os Estados Unidos congelou parcialmente as Cataratas do Niágara, situadas na fronteira entre o Canadá e o estado norte-americano de Nova Iorque, um dos mais afetados pela tempestade ‘Elliot’.

Este cenário de inverno captou a curiosidade dos turistas, que rumaram até ao local, apesar das temperaturas gélidas, tal como poderá verificar na galeria acima.

Contudo, ainda que parcialmente congeladas, a quantidade e movimentação enorme de água nunca permitirá que as cataratas congelem completamente, segundo a página do Niagara Falls USA Tourism.

De notar que, depois de a governadora de Nova Iorque, Kathy Hochul, ter apelado à administração norte-americana para que declarasse o noroeste daquele estado como zona de catástrofe, devido à passagem da tempestade ‘Elliot’, que provocou 27 mortos no estado de Nova Iorque, 18 dos quais na cidade de Buffalo, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu à governadora "os recursos necessários" para superar a situação.

Causada por uma frente fria ártica, a tempestade tem assolado os Estados Unidos, desde a zona dos Grandes Lagos, na fronteira com o Canadá, até ao Rio Bravo, ou Rio Grande, na fronteira com o México, afetando cerca de 60% da população dos EUA.

As temperaturas muito abaixo do normal para a época que atingiram todos os estados norte-americanos deverão manter-se durante a semana, obrigando ao cancelamento de voos e deixando as estradas perigosas para circulação, além de terem levado a um corte de energia em quase 1,7 milhões de casas e empresas.

Em Buffalo e na fronteira com o Canadá, as condições meteorológicas foram as piores da História destas regiões, mantendo-se as cidades completamente cobertas de neve e os aeroportos fechados.

Em várias cidades da costa leste, e até no estado da Flórida, conhecido pela temperatura amena, os termómetros marcaram mínimas que não eram atingidas há várias décadas.

A cidade de Nova Iorque alcançou uma temperatura mínima de -10,5°C no dia de Natal, o que não acontecia desde 1872, enquanto Washington, a capital dos EUA, esteve com -10°C naquele que foi o Natal mais frio desde 1983 e Tampa, na Florida, chegou a marcar temperaturas abaixo de zero, o que não se verificava desde 1966.

sábado, 4 de junho de 2022

Carbon Dioxide Levels Are Highest in Human History


The amount of planet-warming carbon dioxide in the atmosphere broke a record in May, continuing its relentless climb, scientists said Friday. It is now 50 percent higher than the preindustrial average, before humans began the widespread burning of oil, gas and coal in the late 19th century.

There is more carbon dioxide in the atmosphere now than at any time in at least 4 million years, National Oceanic and Atmospheric Administration officials said.

The concentration of the gas reached nearly 421 parts per million in May, the peak for the year, as power plants, vehicles, farms and other sources around the world continued to pump huge amounts of carbon dioxide into the atmosphere. Emissions totaled 36.3 billion tons in 2021, the highest level in history.

As the amount of carbon dioxide increases, the planet keeps warming, with effects like increased flooding, more extreme heat, drought and worsening wildfires that are already being experienced by millions of people worldwide. Average global temperatures are now about 1.1 degrees Celsius, or 2 degrees Fahrenheit, higher than in preindustrial times.

Growing carbon dioxide levels are more evidence that countries have made little progress toward the goal set in Paris in 2015 of limiting warming to 1.5 degrees Celsius. That’s the threshold beyond which scientists say the likelihood of catastrophic effects of climate change increases significantly.

They are “a stark reminder that we need to take urgent, serious steps to become a more climate-ready nation,” Rick Spinrad, the NOAA administrator, said in a statement.

Although carbon dioxide levels dipped somewhat around 2020 during the economic slowdown caused by the coronavirus pandemic, there was no effect on the long-term trend, Pieter Tans, a senior scientist with NOAA’s Global Monitoring Laboratory, said in an interview.

The rate of increase in carbon dioxide concentration “just kept on going,” he said. “And it keeps on going for about the same pace as it did for the past decade.”

Carbon dioxide levels vary throughout the year, increasing as vegetation dies and decays in the fall and winter, and decreasing in spring and summer as growing plants absorb the gas through photosynthesis. The peak is reached every May, just before plant growth accelerates in the Northern Hemisphere. (The North has a larger effect than the Southern Hemisphere because there is much more land surface and vegetation in the North.)

Dr. Tans and others at the laboratory calculated the peak concentration this year at 420.99 parts per million, based on data from a NOAA weather station atop the Mauna Loa volcano in Hawaii. Observations began there in the late 1950s by a Scripps Institution of Oceanography scientist, Charles David Keeling, and the long-term record is known as the Keeling Curve.

Scripps’s scientists still make observations at Mauna Loa under a program run by Dr. Keeling’s son, Ralph Keeling. Using that independent data, which is similar to NOAA’s, they calculated the concentration at 420.78.

Both figures are about 2 parts per million higher than last year’s record. This peak is 140 parts per million above the average concentration in preindustrial days, which was consistently about 280 parts per million. Since that time, humans have pumped about 1.6 trillion tons of carbon dioxide into the atmosphere.

Poor U.S. performance. The Environmental Performance Index, published every two years by researchers at Yale and Columbia, found that the United States’ performance on combating climate change had declined in relation to other countries — largely as a result of Trump-era policies.

Hurricane season. The National Oceanic and Atmospheric Administration expects an “above normal” Atlantic hurricane season this year. If that plays out, it would make 2022 the seventh consecutive year with an above-normal season.

Extreme heat. Global warming has made the severe heat wave in Pakistan and India — now in its third month — hotter and much more likely to occur in the future, according to scientists. The researchers said that the chances of a heat wave in South Asia like this one have increased by at least 30 times since preindustrial times

Warming oceans. A new study found that if fossil fuel emissions continue apace, warming waters could trigger ocean species loss by the year 2300 that is on par with the five mass extinctions in Earth’s past. But reining in emissions now could drastically reduce those extinction risks, researchers found.

To reach the Paris Agreement target of 1.5 degrees Celsius, emissions must reach “net zero” by 2050, meaning sharp cuts, with any remaining emissions balanced out by absorption of carbon dioxide by the oceans and vegetation. If the world approached that target, the rate of increase in carbon dioxide levels would slow down and the Keeling Curve would flatten out.

If emissions were completely eliminated, Dr. Tans said, the Keeling Curve would start to fall, as the oceans and vegetation continued to absorb the existing carbon dioxide from the air. The decline in atmospheric concentration would continue for hundreds of years, although progressively more slowly, he said.

At some point an equilibrium would be reached, he said, but carbon dioxide concentrations in both the atmosphere and oceans would be higher than preindustrial levels and would remain that way for thousands of years.

Over such a long time scale, sea levels could rise significantly as polar ice melts and other changes could take place, like the conversion of Arctic tundra to forests.

“It’s that long tail that is really worrisome to me,” Dr. Tans said. “That has the potential to really change climate.”


Learn More About Climate Change

If you struggle to understand the science behind climate change, let us walk you through the basics.


Get your children invested, by talking to them about our warming planet, and what we can all do about it.

In the climate debate, the science is clear, and the language is anything but. These are the buzzwords to know.

How good are you at making choices that are good for the planet? This quiz will tell you.

Do airline climate offset programs really work? There’s good news, and bad.

quarta-feira, 27 de abril de 2022

ONU alerta: atividade humana está nos levando a uma "espiral de autodestruição"


Em novo relatório, a Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que as atividades humanas estão levando a número crescente de desastes no planeta, ameaçando a vida de milhões de pessoas. O documento estima que, até 2030, a média diária de desastres, em grande parte relacionados ao aquecimento global, será de 1,5.

A cada dois anos o Escritório das Nações Unidas para Redução do Risco de Desastres (UNDRR) publica o Relatório de Avaliação Global para apresentar maneiras pelas quais a humanidade ainda pode diminuir os riscos catastróficos. O relatório deste ano (GAR2022) revela um cenário alarmante.

Nas últimas duas décadas, o mundo sofreu 350 a 500 desastres de média e grande escala a cada ano. Este número tende a subir para 560 por ano até 2030, uma média de 1,5 desastres a cada dia. Segundo o relatório, isso se deve a uma percepção distorcida da humanidade de que está “tudo bem”.

As decisões políticas, financeiras e de desenvolvimento desconsideram os riscos e aumentam a vulnerabilidade que já existe, colocando diversas populações em risco. Para Amina Mohammed, vice-secretária-geral da ONU, é este comportamento que está “colocando a humanidade em uma espiral de autodestruição”.

Principais pontos do relatório
O relatório, intitulado “Nosso mundo em risco: transformando a governança para um futuro resiliente”, descobriu que a adoção de estratégias de redução de risco de desastres, apresentadas pelo Marco de Sendai em 2015, diminuiu o número de pessoas afetadas e de mortes na última década.

Se de um lado esta informação soa positiva, porque revela como a adoção de boas práticas para evitar tais desastres funciona, de outro, tanto a escala quanto a intensidade dos desastres estão aumentando. Nos últimos cinco anos, o número de pessoas afetadas e mortas foi maior que nos cinco anos anteriores.

Além disso, os desastres afetam de maneira desproporcional os países em desenvolvimento. Em média, eles perdem 1% de seu Produto Interno Bruto (PIB) ao ano por conta de catástrofes. Enquanto isso, as nações desenvolvidas perdem entre 0,1 a 0,3% de seu PIB.

Ásia e Pacífico perdem uma média de 1,6% de seu PIB a cada ano. “Ao ignorar deliberadamente o risco e não integrá-lo na tomada de decisões, o mundo está efetivamente financiando sua própria destruição”, disse Mami Mizutori, Secretária-Geral Adjunta e Representante Especial do Secretário-Geral para Redução do Risco de Desastres do UNDRR.

O GAR2022 segue as propostas de adaptação ao aquecimento global apresentadas na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26), que aconteceu no final do ano passado. “A boa notícia é que as decisões humanas são as maiores contribuintes para o risco de desastres”, ponderou Mizutori.

sábado, 22 de janeiro de 2022

Cabe-nos ter uma política global e local articulada


Nas últimas décadas é inegável e sobejamente documentado o aumento do número de pessoas em movimento e à procura de terra para viver. Também conhecidos como refugiados climáticos, fogem de situações socio-ecológicas extremas que põem em causa a sua sobrevivência com saúde, bem-estar e paz, num determinado território e por isso são forçadas a deslocarem-se em busca de territórios onde viver. Podemos imaginar-nos nessa situação? Os nossos filhos e netos provavelmente vão passar por isso em poucas décadas. Por isso está na hora de assumirmos este problema como algo que nos diz respeito a todos e todas e encontrar soluções estruturais – as respostas atuais não resolvem estas situações, antes pelo contrário!! E o problema é tanto mais importante quanto já sabemos que se nada for feito, cerca de 143 milhões de pessoas serão migrantes climáticos até 2050 .
Em primeiro lugar é preciso relembrar que são as pessoas que menos contribuíram para as alterações climáticas que tendem a ser as que mais sofrem com os seus impactos, por vezes chegando ao extremo de verem inviabilizado o seu modo de vida. As migrações (permanentes, temporárias ou cíclicas) surgem frequentemente como uma forma de gerir a adaptação a esses impactos e pressões socio-ecológicas e que se manifestam mais ou menos abruptamente (seja via eventos extremos – ondas de calor, furacões, tsunamis, entre outros – seja via degradação ambiental progressiva: perda de biodiversidade, insegurança alimentar, etc), e levam populações inteiras a sair de zonas expostas. Essa busca de terra para viver tem o duplo intuito da sobrevivência de quem parte e de quem fica, contribuindo com recursos para que a comunidade de origem tenha mais possibilidades nas suas respostas de adaptação. No entanto, e é preciso sublinhar, a migração não é uma resposta disponível para todos os indivíduos, agregados familiares e comunidades – frequentemente os impactos das Alterações Climáticas ou degradação ambiental, afetam a disponibilidade dos recursos necessários para embarcar num processo migratório. É importante também realçar que a migração interna e regional é o fenómeno mais frequente em termos de mobilidade humana, e não a migração internacional de longas distâncias.
Face às circunstâncias atuais e que tenderão a degradar-se no futuro muito próximo, cabe aos diversos países que mais contribuíram para o agravar das Alterações Climáticas no planeta, agir! Cabe-nos a todos nós! Já é tempo de termos uma política global e local articulada e que efetivamente responda às diversas dimensões político jurídicas, sociais, económicas e culturais que o problema coloca e que seja implementada na prática. É fundamental divulgar a informação disponível sobre o modo como as alterações climáticas estão a influenciar processos migratórios, para podermos delinear ações individuais e coletivas e compreender melhor as vivências das populações e assegurar respostas adequadas aos contextos locais. Essas respostas devem mobilizar as comunidades na sua elaboração e implementação em respeito pelos direitos humanos e dignidade humana de quem luta pela sobrevivência, independentemente de cada individuo optar pela migração ou não.

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Documentário - Beyond Borders


Em todo o planeta, as vidas estão mudando à medida que o colapso climático altera o mundo ao nosso redor. Os piores impactos estão sendo sentidos de forma desproporcional por pessoas pobres que já vivem em condições precárias e agora são obrigadas a se adaptar ou se mudar para sobreviver. Como resultado, uma pessoa a cada 1,3 segundo deixa sua casa e sua comunidade devido aos impactos relacionados ao clima.

Amargamente, suas histórias raramente chegam à comunidade global. Mas ouvi-los é crucial para todos nós. Somente compreendendo o alcance do colapso climático e entendendo as implicações pessoais dessa tragédia coletiva, podemos propor soluções eficazes e justas.

"Além das Fronteiras" traça o perfil das pessoas por trás das estatísticas, fornecendo espaço para as histórias de testemunhas do aquecimento global do Ártico a Bangladesh. Também apresenta políticos e acadêmicos que ajudam a entender a complexa ligação entre o colapso climático, a migração internacional e o conflito violento.


quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Dados revelam impactos da emergência climática no deslocamento forçado

Visualização de dados mostra como a emergência climática e outras ameaças podem forçar novos deslocamentos e acentuar vulnerabilidade de pessoas já deslocadas


Os impactos das mudanças climáticas estão sendo sentidos em todo o mundo, mas os países que lutam com conflitos, pobreza e altas taxas de deslocamento forçado estão enfrentando alguns dos efeitos mais graves.

Do Afeganistão à América Central, secas, inundações e outros eventos climáticos extremos estão atingindo pessoas menos preparadas para se recuperar e se adaptar.

No Dia Mundial Humanitário, o ACNUR lança a versão em português do painel: “Deslocados na linha de frente da emergência climática.” Os números mostram como o aquecimento global aumenta os riscos para pessoas que já vivem em regiões de conflitos e instabilidade, levando a mais deslocamentos e, muitas vezes, diminuindo as possibilidades de retorno.

Desastres relacionados às mudanças climáticas podem acentuar a pobreza, a insegurança alimentar e o acesso a recursos naturais, levando à instabilidade e à violência. A visualização de dados olha para o exemplo do Afeganistão, onde secas e inundações recorrentes, combinadas a décadas de conflito e deslocamento, deixaram milhões de pessoas vulneráveis ​​à fome este ano.

Moçambique está passando por uma confluência semelhante de conflitos e desastres múltiplos com um ciclone após o outro atingindo a região central do país, enquanto o aumento da violência e de turbulências ao norte deslocam centenas de milhares de pessoas.

Muitos dos países mais sujeitos aos impactos das mudanças climáticas já abrigam um grande número de pessoas refugiadas e deslocados internos. Em Bangladesh, mais de 870 mil refugiados Rohingya que fugiram da violência em Mianmar estão agora vulneráveis a ciclones e inundações cada vez mais frequentes e intensos.

“Esperar que ocorra um desastre não é uma opção”

O ACNUR está trabalhando para reduzir os riscos que eventos climáticos extremos representam para pessoas refugiadas e deslocados internos. Em Bangladesh, a Agência trabalha com parceiros para plantar árvores de rápido crescimento em regiões dos campos de refugiados que são propensas a deslizamentos de terra durante as tempestades de monções, e distribui fontes alternativas de energia à lenha de cozinha.

Cerca de 40 países participaram virtualmente da Cúpula de Líderes sobre o Clima organizada pelo Presidente Joe Biden entre 22 e 23 de abril. O ACNUR pede que todos os Estados intensifiquem suas ações para combater as mudanças climáticas e prover proteção e assistência às pessoas deslocadas por esses efeitos.

“Precisamos investir agora na preparação para mitigar as necessidades futuras de proteção e evitar mais deslocamentos causados ​​por mudanças climáticas”, afirmou o Alto Comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, no início deste ano.