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segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Rádio Comercial: Homenagem Sérgio Godinho - O Primeiro Dia


“Sem palavras
Dizem-me várias vezes: tu és um homem das palavras, e eu sei que sim, como muitos são de outras formas. Sim, porque tenho uma paixão pelas palavras, e nomeadamente na sua concubinagem com a música. Mas tudo isto para dizer que agora fiquei mesmo sem palavras, perante este vídeo que me é oferecido pela Rádio Comercial, agregando as vozes de tantos músicos cantores, cada um e cada uma com a sua razão própria e generosa de me agradecer, cantando-me. E aí teria uma palavra, sim – obrigado. Que diz tudo. Nessa palavra cabe toda a força desta irmandade musical, que se estende a tantas praias e tantos horizontes. Cada um mergulhou no seu mar, nadou à sua maneira, flutuou, soube ir ao fundo e voltar. ‘Eu fui ao fim do mundo, vou ao fundo de mim...’ Obrigado por terem ido ao fundo de mim. Os tesouros e os despojos que talvez encontrem são vossos, todos vossos.”

Poema:

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Conectividade - Um ensaio de Michael Marder

A Lua Cheia está a chegar e eu encanto-me com leituras sobre conectividade, ecologismo, nossa Gaia, a tecnologia e o Universo.

"O mal-estar na civilização", um livro que Sigmund Freud escreveu há quase cem anos, começa com uma consideração sobre “o sentimento oceânico”, “um sentimento de algo ilimitado, ilimitado”, “um sentimento de um vínculo indissolúvel, de ser um com o mundo externo como um todo.” Freud, que confessou ser incapaz de descobrir esse afecto em si mesmo, certamente não cunhou o termo, que apareceu pela primeira vez numa carta de 1927 de seu amigo, o escritor francês e vencedor do Nobel Romain Rolland. O que o psicanalista propõe é uma interpretação original, segundo a qual a sensação de “ser um com o mundo externo como um todo” é um sintoma de desvanecimento das fronteiras do ego, lembrando o estado de uma criança no seio materno, ainda incapaz de “ser capaz de lidar”. distinguir seu ego do mundo externo como a fonte das sensações que fluem sobre ele.”

Na fusão primária e secundária com o mundo, porém, já não existe ou ainda não existe uma relação com esse mundo: fundir-se no outro é tão prejudicial para a lógica da relacionalidade como a separação e o desapego absolutos. Será que, como resultado, relações de qualquer tipo dependem de atos cuidadosos de calibração da distância (física ou não) entre o que se relaciona e o que se relaciona? Talvez, mas esta intuição deixa escapar algo crucial sobre relações e conexões que não são posteriores aos termos inter-relacionados nem limitadas às suas aproximações positivas. É necessário cavar ou aprofundar um pouco mais para começar a entender como eles funcionam.

A textura elementar do sentimento que Rolland expressa em palavras e sobre a qual Freud expressa as suas dúvidas é importante. O sentimento oceânico dissolve, ao liquefazer, as fronteiras entre o ego e o mundo. Hoje, outro tipo de sentimento está em ascensão, o “sentimento terreno”, que é o análogo do sentimento oceânico, desta vez direcionado para a terra. Tanto os críticos do Antropoceno como os defensores da ecologia profunda ou da teoria de Gaia têm este sentimento, tingido de um misto de nojo e fascínio, repulsa e atração. Ao contrário da água, a terra é um substrato duro para a existência física, mas também é múltipla na sua unidade, combinando, acomodando todos os outros elementos na sua superfície e nas suas profundezas. Não podemos nos fundir com ele por fusão, mas podemos decair nele, tornando-nos parte dele, como resultado, que é o que acontece na morte, pelo menos de acordo com alguns ritos funerários. E também podemos obstruí-lo com materiais não decomponíveis. Qualquer que seja a nossa posição, o século XXI obriga-nos a estabelecer uma relação com a terra e a clarificar a própria lógica da relacionalidade no processo.

Como é possível calibrar a nossa relação com a Terra numa situação em que estamos simultaneamente demasiado longe e demasiado perto dela?

A dificuldade da tarefa em questão é que a inclusão imanente no rebanho terreno do ser chamado “humano” (o grego antropos) é simultaneamente perturbada e exacerbada hoje. A era das viagens espaciais, pressagiada pelo movimento intelectual conhecido como cosmismo russo, coloca-nos à distância do planeta, mesmo que nunca tenhamos saído da sua superfície. O avanço tecnológico que nos permitiu ver a Terra tal como ela é vista do espaço exterior atribui-nos o papel de observadores externos, desvinculados do planeta. Na formulação contundente de Kelly Oliver, “as fotografias da Terra vistas do espaço provocam a reação de ‘ame-a ou deixe-a’ que alimenta a ilusão de controle e domínio ao sugerir que devemos, ou podemos, escolher um ou outro, mas não ambos. ” Ninguém pode deixar de ser afetado por esta provocação; até o príncipe William opina sobre o assunto. Por outro lado, o Antropoceno, com resíduos industriais incrustados nos estratos da Terra e presentes em todos os ecossistemas do planeta, sinaliza o envolvimento inextricável dos nossos “corpos tecnológicos” transgeracionais na geofisicalidade do planeta. Como é possível calibrar a nossa relação com a Terra numa situação em que estamos simultaneamente demasiado longe e demasiado perto dela? Não será a relação da Terra connosco, em última análise, desregulamentada e irregulável, apesar de toda a ousadia da geoengenharia?

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

No Web Summit, a personagem central não foi a tecnologia, mas sim os seres humanos

O mundo passa por uma transformação digital que será cada vez mais imprevisível, sofisticada e complexa, sobretudo porque o sucesso dela dependerá sempre de nós, indivíduos.

Nós — humanos de carne, ossos e códigos — fomos personagens centrais do Web Summit por diversos ângulos: no clamor da primeira-dama ucraniana Olena Zelenska para que a tecnologia seja usada a favor da vida, nos cartazes pedindo internet livre no Irão, no crescente protagonismo de diferentes grupos sub-representados e nos múltiplos debates sobre a nossa relação com nossos empregos e com as organizações - das startups às gigantes.

Tive a oportunidade de cruzar com muitas falas, entrevistas e conversas especificamente a respeito desse novo pacto que se configura entre nós e as empresas, quando o assunto é carreira.

A primeira palavra que saltou aos olhos de todos foi flexibilidade. O debate não é mais sobre trabalho remoto, presencial ou híbrido. Não há propriamente uma fórmula a ser copiada - é um tema que depende muito de quem lidera, da cultura em questão e, também, das características de cada negócio. Estamos a falar, sobretudo, da crescente possibilidade de definir o lugar do trabalho na composição das nossas necessidades. Um mundo que seguirá tendo workaholics, mas não poderá mais criminalizar aqueles que redimensionam o peso do currículo sobre suas definições pessoais.

É um panorama que, ao apontar para o futuro, não olha mais para as descrições de cargos ou a extensão do currículo profissional. Obviamente as experiências continuam sendo importantes - mas elas não necessariamente definem o encaixe para uma posição atual. Falou-se muito sobre os empregos baseados em habilidades e competências - sem distinção entre hard e soft skills — afinal, essa separação per se implica um juízo de valor.

Foi inevitável, portanto, abordar o paradigma emergente da liderança nas corporações. Reconheceu-se que ainda falta treinamento suficiente para preparar pessoas realmente inspiradoras, solidárias, motivadoras e que, ao mesmo tempo, entreguem resultados. Entre os principais eixos de desenvolvimento das lideranças, destacam-se a capacidade de se comunicar bem com as equipas e colaborar entre diferentes clubes e parceiros. Não há mais espaço para déspotas encastelados em seus escritórios privativos.

Além disso, definiu-se a importância de líderes como indutores e responsáveis por um ambiente de trabalho pautado pelo bem-estar físico e mental. Como zeladores da segurança psicológica, não podem mais apartar esses pilares da performance das respectivas equipas. Produtividade e resultados estão, de forma indissociável, conectados às variáveis de saúde mental e segurança psicológica. Gerenciar recursos psicológicos será tão crucial quanto administrar métodos, orçamentos, estruturas e processos.

Não foram poucos os CEOs que ressaltaram a cultura organizacional como condição necessária para alavancar a prosperidade e a escala de suas empresas. E, bom lembrar, ela é uma metamorfose ambulante. E quem não se adapta fica pelo caminho.

Cultura, a propósito, não existe sem equidade e inclusão. É fundamental que sejamos intencionais no exercício de reduzir desigualdades e oferecer mais oportunidades. Saímos do QI (quem indica) para a AI (artificial intelligence). Ou seja: com base em mais dados e menos vieses, seremos mais capazes de definir as melhores pessoas para cada posição. Mas vem o desafio: como fazer isso em uma sociedade extremamente desigual?

Um dos caminhos mora, claro, na tecnologia — que pode oferecer inúmeras soluções para reduzir os abismos de habilidades, conhecimentos e competências. Em vez de mitigar os problemas, deve-se ampliar as oportunidades. Essa é uma tarefa ainda mais crítica na indústria tech, que tem 75% de brancos na força de trabalho — uma dos piores neste quesito. E, claro, isso se reflete na maneira pela qual desenvolvemos softwares e desenhamos serviços. No fim, é crucial pensar em quem está faltando à mesa na hora de tomarmos uma decisão importante.

Quando nos voltamos para as grandes questões planetárias não é diferente. Clima, guerra, violência de género, intolerâncias de múltiplas naturezas e pobreza cruzam-se na busca por respostas às nossas perguntas mais difíceis.

Uma coisa sabemos: o mundo passa por uma transformação digital que não é um projeto — mas um processo, uma jornada que será cada vez mais imprevisível, sofisticada e complexa. Sobretudo porque o sucesso dela dependerá sempre de nós, indivíduos.

Saber mais:

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Conheça o lowsumerism, a nova tendência de consumo

"A Terra é nossa casa e não o nosso shopping"



Antes de comprar algo, você já se perguntou se realmente precisaria daquilo ou se estava apenas em busca de autoafirmação? Ou mesmo se, ao adquirir um produto, estaria prejudicando o planeta de alguma forma? É esse tipo de questionamento que traz uma nova tendência mundial. O “lowsumerism” (low + consumerism, ou baixo consumismo em português) vem buscando estimular um consumo cada vez mais consciente e equilibrado.

A maneira como gastamos dinheiro hoje começou a ser riscada durante a Revolução Industrial. Era preciso aumentar a procura para que a produção (e os lucros) também crescessem. A publicidade fez sua parte: entrou na vida da população de maneira agressiva, pela TV, rádio e nas publicações. A compra de determinados bens eram associados à felicidade, ao bem-estar e ao status. De maneira inconsciente, passamos, então, a comprar muito mais do que o necessário – em grande parte das vezes, sem perceber.

Todo esse consumo desenfreado tem apenas um lado realmente frágil: o planeta Terra. “O lowsumerism é um reflexo do nosso momento político e económico, mas também da percepção de que o consumo frenético é insustentável”, comenta Henrique Diaz, diretor da Box 1824, agência de pesquisa de tendências em consumo, comportamento e inovação.

Lowsumerism e a nova lógica de mercado
De acordo com a instituição Global Footprint Network, se não mudarmos nosso padrão de consumo, antes de 2050 precisaremos de dois planetas Terra para conseguir suprir todas as nossas necessidades. Isso quer dizer que, em essência, a questão não é financeira. Mas sim de preservação dos recursos naturaise de comprar o que é realmente necessário. “O lowsumerism não trata de gastar menos dinheiro ou de deixar de consumir, mas de fazer isso com sentido e consciência”, reforça Diaz.

Lançado pela Box 1824, o documentário The Rise of Lowsumerism (O Surgimento do Lowsumerism) narra como surgiu, se desenvolveu e vem se transformando o hábito do consumo no século 21. E o mais importante: como isso vem trazendo resultados desastrosos para o planeta. De acordo com o vídeo, por exemplo, um terço dos recursos naturais da Terra foi consumido somente nas três últimas décadas.

A solução apresentada para salvar o planeta é bastante simples: reduzir drasticamente o consumo. Só assim, é possível dar tempo ao meio ambiente para se renovar sem esgotamento e ter uma menor produção de lixo.

A tendência da redução do consumo já começa a mudar até mesmo como as grandes marcas pensam a publicidade. Hoje, elas se preocupam mais em mostrar os benefícios do produto, as matérias-primas e a forma de produção. “O consumidor não quer mais o excesso, mas um produto de qualidade”, comenta Diaz. Por qualidade, entende-se também a sustentabilidade da sua produção.

Para evitar compras por impulso, o vídeo propõe que cada pessoa se questione sobre alguns pontos antes de fechar a compra. O objetivo não é fazer com que ela mude os hábitos de uma hora para a outra. Mas que se quebre a lógica de consumo, desestimulando aquisições desnecessárias e impulsivas.
  • Você também pode se questionar antes de adquirir um produto:
  • Você realmente precisa disso?
  • Você pode pagar por isso?
  • Você não está querendo ser incluído ou afirmar sua personalidade?
  • Você sabe a origem desse produto e para onde ele vai depois de descartado?
  • Você não está sendo iludido por publicidade e branding?
  • O mais importante: você acha que essa compra prejudica o planeta?
  • Quantas dessas compras você acha que o planeta pode suportar?
Consumindo menos
Embora ainda em proporções tímidas, o consumo reduzido vem ganhando força nas mais diversas esferas da sociedade. Ele já mostra sua força no uso de carros compartilhados, por exemplo, ou mesmo nos grupos que se organizam pelas redes sociais para comprar legumes e frutas orgânicos de maneira coletiva. Cresce também a predileção pelo faça você mesmo, por marcas que prezam o bem-estar socioambiental e por todas as iniciativas de compartilhamento (de livros, roupas, entre outros).

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Petição - COP27: Stop Excluding Military Pollution from Climate Agreements


Governments are hearing our demand! This petition is unchanged from that submitted to COP26 in Glasgow, Scotland, in 2021. But that does not mean it has had no impact yet. We protested outside the COP26 meetings. At COP27 there are three official events planned on the topic of militarism and climate within the conference. That’s a result of your efforts! Now is a time to further build the demand for action.

To: Participants in COP27 UN Climate Change Conference, Sharm El-Sheikh, Egypt, Nov. 6-18, 2022

As a result of final-hour demands made by the U.S. government during negotiation of the 1997 Kyoto treaty, military greenhouse gas emissions were exempted from climate negotiations. That tradition has continued.

The 2015 Paris Agreement left cutting military greenhouse gas emissions to the discretion of individual nations.

The UN Framework Convention on Climate Change, obliges signatories to publish annual greenhouse gas emissions, but military emissions reporting is voluntary and often not included.

NATO has acknowledged the problem but not created any specific requirements to address it.

There is no reasonable basis for this gaping loophole. War and war preparations are major greenhouse gas emitters. All greenhouse gas emissions need to be included in mandatory greenhouse gas emission reduction standards. There must be no more exception for military pollution.

We ask COP27 to set strict greenhouse gas emissions limits that make no exception for militarism, include transparent reporting requirements and independent verification, and do not rely on schemes to “offset” emissions. Greenhouse gas emissions from a country’s overseas military bases must be fully reported and charged to that country, not the country where the base is located.


Saber mais:

terça-feira, 19 de julho de 2022

Dossiê Música Rock

ATENÇÃO COPYRIGHT-  Ao partilhar, agradeço atempadamente a indicação do autor de do blogue Bioterra. Estes dossiês resultam de um apurado trabalho pessoal e profissional de pesquisa, selecção de qualidade e organização.


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domingo, 31 de outubro de 2021

Presidente executivo da Web Summit destaca clima e futuro do trabalho na edição deste ano

Paddy Cosgrave considerou que "muita gente se vai interessar pelo período" que se vive relativamente ao meio ambiente.

O presidente executivo da Web Summit destacou o clima e o futuro do trabalho como dois dos temas que estarão em destaque na edição deste ano, que conta com mas de 200 'startups' focadas na sustentabilidade.

Instado a destacar três temas na edição deste ano da cimeira tecnológica, que arranca na segunda-feira, em Lisboa, Paddy Cosgrave considerou que "muita gente se vai interessar pelo período" que se vive relativamente ao meio ambiente.

"Temos mais de 200 'startups' com foco na sustentabilidade, elas estão a fazer tudo o que poderia imaginar" para lidar com tudo, "desde a criação ao consumo de energia e tudo mais", acrescentou.

"Além do clima, energia e meio ambiente, temos também um grande foco na cripto", salientou.

A noite de abertura conta com o fundador da plataforma NFT de criptomoedas e a denunciante do Facebook Frances Haugen.

"E encerramos a Web Summit com uma conversa com Tim Berners-Lee, que criou a 'web', sobre o futuro da 'web' e o papel que a descentralização de protocolos e tecnologias podem desempenhar", acrescentou Cosgrave.

O terceiro tema "que estamos a ver a partir dos dados de todos os nossos participantes é o futuro do trabalho", apontou.

"Temos um novo palco inteiramente dedicado a discussões e debates sobre como o trabalho vai ser no futuro", porque "não acho que tudo venha a ser remoto, mas também não acho que vamos voltar aos velhos tempos", considerou.

Por isso, "o que é que vai funcionar para a maioria dos empregados? E para a maioria das empresas? Acho que isso não está claro e que todos estão a tentar descobrir" e este é um tema do interesse de muita gente, salientou o cofundador da Web Summit.

Este ano, a edição contará com 40.000 participantes porque a prioridade "é a saúde e segurança", afirmou, salientando que a organização trabalhou em "estreita colaboração com a DGS.

"Aprovaram a nossa licença há duas semanas e o principal para a aprovação da licença foi que cumpramos todas as regras e regulamentos que aconselharam, incluindo distanciamento social, incluindo como construímos o espaço, que tipo de espaços usamos", explicou.

"Como consequência, a única maneira de o fazer de forma segura e respeitando todas das regras é aumentar o espaço à disposição de todos. Portanto, este ano a capacidade máxima é de 40.000", disse, apontando que o evento está "muito perto de estar cheio".

Questionado se espera duplicar o espaço para o próximo ano, Paddy Cosgrave disse que sim.

"A menos que haja algo que eu não saiba, a minha expectativa é que o espaço seja duplicado, a construção de espaços para convenções é muito, muito rápida", leva cerca de seis meses para ficar concluída, disse.

Com o aumento do espaço, a organização espera acolher mais de 100.000 participantes

"Não tenho dúvidas de que a Web Summit poderá ter várias vezes o tamanho do que é hoje se tivéssemos mais espaço", salientou.

Na edição deste ano haverá "literalmente milhares de 'startups', 1.500 'startups' farão parte do nosso programa. Várias centenas delas irão aparecer no palco. Acho que há um grupo particular de 'startups' que estão na minha mente, as mais entusiasmantes ou mais importantes", disse, apontando as 200 focadas no clima.

Além disso, a "COP26 [conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas] estará a acontecer ao mesmo tempo. E temos líderes políticos de todo mundo e os maiores poluidores. Não sei por que é que eles estão lá. Esperançosamente, esperam que o acordo seja favorável", comentou.

"Mas na Web Summit temos vários empreendedores que esperam que as suas empresas e as suas inovações venham a ajudar-nos a criar um planeta mais habitável nos próximos anos, um planeta mais sustentável", disse.

Em termos de países, o Reino Unido lidera, apesar do Brexit, seguido da Alemanha, com o Brasil a ocupar o 'top 5' dos países de origem das 'startups'.

"Acho que há um gigante adormecido na América Latina que está lentamente a acordar e as suas 'startups' estão interessadas em conquistar a Europa e estão a vir à Web Summit em números cada vez maiores", contou.

Empresas de Angola, Moçambique e Cabo Verde também participam na edição deste ano.

"Acho que o continente mais desafiante na participação [desde evento] é África por causa das taxas de vacinação", que estão "abaixo dos 5% na maioria dos países, o que torna impossível, na maioria dos casos, as viagens dessas pessoas", lamentou.

Em termos de media, estão registados 1.500. No que respeita à participação por género, "mais de 40% das participantes" e "mais de 30% dos oradores" são do sexo feminino

Sobre a oradora Frances Haugen, denunciante das práticas do Facebook, cujo tema tem estado na ordem do dia, Paddy Cosgrave disse que todos na Web Summit "são crescidos e compreendem que "estas são as conversas" que é preciso ter no evento.

"Acho que os participantes preferem ouvir estas conversas do que demonstrações sem fim de pequenos produtos de tecnologia que podem ou não funcionar", considerou.

Sobre a expansão de eventos além da Web Summit, Cosgrave apontou que na próxima década os maiores mercados de crescimento para a cimeira são a América do Sul, África, Médio Oriente e Ásia.

"Estamos a planear nos próximos três anos começar eventos regionais Web Summit" nestes mercados, apontando que tal deverá arrancar em 2023.

"Se queremos crescer o evento anual, precisamos de ir a mercados onde o potencial de crescimento existe", porque assim é "mais fácil persuadir" as pessoas a apanhar aviões e voar de outras partes do mundo para vir para Lisboa todos os anos, argumentou.

Paddy Cosgrave salienta que se assistiu a mudanças no ecossistema português: primeiro, os empreendedores eram todos homens, o que hoje já não acontece, e eram todos portugueses, o que também já não é verdade.

"Diria que pelo menos um terço, senão metade dos empresários, são de outros países ao redor do mundo que decidiram" vir para Portugal, apontou.

"Acho que uma das mudanças mais surpreendentes é o número de pessoas que abrem empresas em Portugal, o que diz muito", e quando uma empresa nova decide escolher o país para abrir o negócio, isso "enriquece todo o ecossistema".

Sobre a possibilidade de Portugal criar um 'hub' de inteligência artificial (IA), Paddy Cosgrave salientou que esta é uma área que "obviamente vai ter um enorme papel no futuro da medicina, segurança", em quase todos os aspetos da vida das pessoas.

"Portanto, quanto mais Portugal puder fazer para apoiar investigação de ponta e depois ajudar a agrupar empresas líderes no espaço, acho que acaba por ter um efeito cumulativo positivo no ecossistema", defendeu, embora admita que na área da IA ainda há muitas coisas que não são claras.

"Tenho certeza de que há um futuro, é apenas incerto quão grande será esse futuro e quão grande será o papel que terá para Portugal", rematou.

Quanto as expectativas para a edição deste ano, Cosgrave afirmou que nunca viu tantas pessoas "entusiasmadas" com a Web Summit como agora.

"Acho que as pessoas estão simplesmente animadas por estar de volta", disse, esperando que as expectativas delas correspondam à realidade.

"O que é importante para nós (...) é que garantimos o máximo possível que o evento seja seguro" e que "haja café disponível", disse, a sorrir.


"E, depois disso, toda a magia e toda a 'networking' deverá simplesmente acontecer", concluiu Paddy Cosgrave.