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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Inicitiva Liberal - um partido extremista e misógino


"Sobre Bernardo Blanco diretor de campanha de Cotrim de Figueiredo e mencionado lateralmente na história de assédio da alegada vítima de Cotrim de Figueiredo. Uma vez convidou-me para uma palestra sobre liberalismo e feminismo. Eu aceitei e escreveu-me, como que a sugerir, de como afinal tinha sido o capitalismo a libertar as mulheres, com a invenção dos eletrodomésticos que facilitavam a vida às mulheres. Portanto para ele a libertação feminina tinha sido as mulheres deixarem de lavar a roupa num tanque à mão para passarem a pôr tudo numa máquina de lavar e, quiçá, não estragarem tanto a manicure. Disse-lhe que se fosse para propalar tão estúpida teoria eu não era a pessoa certa. Disse-me que não, para ficar, e eu já com má impressão lá fui para o IEP na Católica para a dita palestra. Foi uma coisa tenebrosa. Estava lá a palestrar também a Ana Vasconcelos, eurodeputada, que também já veio defender o seu colega do Parlamento Europeu. É uma daquelas mulheres que considero como idiota útil do patriarcado. Não sabia nada do assunto feminismo, dizia que o feminismo certo era o de John Stuart Mill (homem moderno para o fim do século XIX e agora completamente ultrapassado e que, como sabe quem já leu The Subjection of Women, com uma visão confrangedoramente conservadora sobre mulheres), negava que existisse qualquer preconceito que prejudicasse mulheres (donde, se enfrentam discriminação é porque são, coitadas, mázitas), até brincou que se calhar sofria de machismo intrínseco (no kidding), como se tal coisa não existisse. Ah, e não entendia por que carga de água as mulheres não formavam partidos se não estavam bem representadas nos existentes. A estupidez vinda desta senhora foi avassaladora.
A grunhice da conferência foi de tal ordem que houve quem sugerisse que se deviam diminuir os direitos das mulheres para não incomodar os imigrantes que chegavam de sítios mais conservadores. Bernardo Blanco e uma outra criatura da assistência puseram em causa a existência da licença de maternidade porque, afinal, é um direito que discrimina positivamente as mulheres e, portanto, não é justo para os homens; também argumentavam que não era o estado que tinha de suportar a escolha individual das mulheres terem filhos. Sim, foi a este nível e foi este Bernardo Blanco que Cotrim de Figueiredo escolheu para diretor de campanha. (Até a IL no parlamento já se conseguiu livrar de Bernardo Blanco, mas Cotrim reciclou-o).
Bernardo Blanco fez parte de uma coisa tenebrosa que era o Instituto Mises Portugal, grupo de gente anarco capitalista que gozava (gulosamente) com os assassinatos de Pinochet dos comunistas que eram atirados de helicópteros. Que debatiam, como se fosse debatível, a ‘remoção física’ de comunistas e - tcharan - democratas. Bernardo Blanco é um extremista e um fanático que faz António Filipe parecer moderado. E, na minha humilde opinião, capaz de tudo.
Outra pessoa que é mencionada nas alegações de assédio a Cotrim de Figueiredo é Ricardo Pais Oliveira. Não o conheço pessoalmente, mas foi a pessoa que organizou no twitter, nos primórdios da IL, a campanha mais nojenta de ódio online aos opositores que eu jamais vi. Não pode ser pessoa decente.
Isto para dizer o quê? Alguém que desgosta destas duas personalidades é uma pessoa com valores no sítio certo e que me merece, pelo menos, o benefício da dúvida. Mais do que quem escolhe rodear-se destas pessoas."

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Não é o socialismo: como o capitalismo morre


Muitos liberais e conservadores que defendem o bom e velho capitalismo tendem a encarar o socialismo como o seu principal rival. Estão a mirar no alvo errado. Nota: socialismo e democracia dizem respeito, sobretudo, a arranjos políticos, enquanto capitalismo e economia planeada são arranjos económicos. A oposição relevante, portanto, não é apenas entre “capitalismo” e “socialismo”, mas entre diferentes formas de organizar o poder político e económico.

A discussão aqui desenvolvida é que o capitalismo não é a condição normal da vida económica da humanidade. A condição “normal” é a economia de compadrio (cronyism): um sistema no qual elites políticas e económicas cooperam para obter privilégios em benefício próprio.

O capitalismo — entendido como mercados impessoais, com direitos de propriedade estáveis, possibilidade de entrada e saída, alguma previsibilidade institucional - só conseguiu emergir, e de forma sempre parcial e frágil, quando estruturas jurídicas e institucionais deixaram de proteger, ou passaram a limitar, essa economia de compadrio.

É facto que o socialismo representou, ao longo do século XX, uma grande ameaça ao sistema económico que mais elevou o padrão de vida da humanidade. No entanto, a competição histórica entre economias de mercado e regimes de planeamento central confirmou algo que hoje é amplamente reconhecido: uma economia de mercado é capaz de gerar resultados superiores a um arranjo em que um grupo restrito de burocratas, num sistema de partido único, toma todas as decisões económicas.

Os socialistas que admiravam a URSS - onde os meios de produção eram controlados por um partido que supostamente “representava” o povo - sofreram um choque profundo com a sua dissolução.

Após a vitória ocidental na Guerra Fria, alguns liberais concluíram que o “fim da história” havia chegado: a democracia liberal e o capitalismo teriam demonstrado a sua superioridade e nada mais poderia ameaçar a sua hegemonia.

A China, porém, introduziu um elemento de complicação nesse quadro. Trata-se de um modelo híbrido: sistema político fechado, de partido único, combinado com uma economia relativamente liberalizada em vários setores, mas com forte intervenção e controlo sobre grandes empresas. Ainda assim, é algo bastante distinto da rigidez económica da antiga URSS.

Hoje, o capitalismo continua a ser questionado como sistema económico sustentável, mas as alternativas apresentadas como substitutas pouco inovam. Em geral, são releituras de modelos anteriores que tentam apenas corrigir falhas já conhecidas de arranjos estatistas.

Os críticos apontam, com razão, para a crescente parceria entre elites políticas e económicas, que alimenta a estagnação, a desigualdade e a erosão democrática. Marx não foi o primeiro a constatar este entrelaçamento.

Os liberais clássicos, por sua vez, também condenaram os privilégios e a procura de rendas (rent seeking) gerados pelo Estado através do conluio, ainda que cheguem a diagnósticos distintos. Adam Smith tentou alertar-nos:

“A proposta de qualquer nova lei ou regulamento comercial que provenha desta classe deve ser sempre examinada com grande precaução e cautela, não só com a atenção mais escrupulosa, mas também com a maior desconfiança. É uma proposta que advém de uma classe de pessoas cujo interesse jamais coincide exatamente com o do povo, as quais, em geral, têm interesse em enganá-lo e mesmo oprimi-lo e, consequentemente, têm, em muitas oportunidades, tanto iludido como oprimido esse povo” (SMITH, 2023, p. 228).

Smith via o mercantilismo como um sistema que enriquecia interesses particulares e enfraquecia a prosperidade geral. De facto, essa descrição ajusta-se ao sistema económico vigente no Brasil: um arranjo no qual elites políticas e económicas cooperam para obter benefícios mútuos à custa da sociedade.

O caso recente do Banco Master, os escândalos de corrupção envolvendo a JBS, Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Braskem e uma lista praticamente inesgotável de empresas com forte envolvimento político ilustram claramente este padrão.

Diante deste quadro, o “socialismo” chinês - ou qualquer variação contemporânea de experiência estatista — não é a maior ameaça ao capitalismo. A ameaça principal vem de dentro: do entrelaçamento entre grandes empresários, políticos, burocratas e juízes.

A maioria dos defensores do capitalismo interpreta a situação atual como uma traição aos princípios originais do sistema, um subproduto não intencional do ideal de liberdade natural de Adam Smith. Nota: dentro da tradição da Escola de Virgínia, há um debate importante: de um lado, a visão de que o capitalismo tende a evoluir para um “capitalismo de compadrio”, à medida que grupos de interesse aprendem a usar o aparelho estatal em seu favor; de outro, a perspetiva de que mercados e Estados estão inerentemente entrelaçados, de modo que o cronyism é uma característica recorrente - e não uma anomalia - de todas as economias políticas.

Já os críticos de inspiração marxista afirmam que o Estado é um comité que administra os interesses da burguesia (MARX; ENGELS, [2024], p. 46). Esta análise capta parte da realidade, mas é incompleta e enganosa. Parte da premissa de que a captura do Estado é uma via de sentido único, na qual agentes económicos subordinam a autoridade política. Nesta leitura, o capitalismo é o problema.

O erro começa ao tratar políticos como déspotas benevolentes ou figuras ingénuas, sem poder próprio de decisão, supostamente manipuladas por capitalistas gananciosos. Tal como contribuintes, consumidores e eleitores — que, em larga medida, são as mesmas pessoas - têm os seus interesses, os políticos e os grandes empresários também têm os seus. O que vemos não é um lado “puro” corrompido pelo outro, mas um conluio de interesses: uma ordem de laços ou compadrio em que elites políticas e económicas se reforçam mutuamente - e em que a sociedade paga a conta.

Esta forma de análise parte de uma redução simplista de “mercado” e “Estado”, quando, na verdade, deveríamos olhar para os indivíduos. Apenas os indivíduos agem. A unidade básica de decisão é o indivíduo. Coletivos não são agentes que “tomam decisões” por si mesmos; toda a decisão coletiva é sempre o resultado de algum mecanismo de escolha — votação, negociação — baseado nas decisões individuais.

O “Estado” não é um bloco monolítico orientado por objetivos homogéneos; é um conceito abstrato que reúne uma multiplicidade de objetivos que, muitas vezes, são conflituosos entre si. Um exemplo pode ser visto quando o Estado – encarado como o monopólio legítimo da força – oferece serviços de segurança e policiamento. De um lado, há órgãos que querem endurecer punições, ampliar o poder da polícia, facilitar prisões e alargar o uso da força. De outro, há instituições que defendem garantias individuais, o devido processo legal, limites à ação policial, proteção de minorias e a redução do encarceramento em massa.

Algo semelhante ocorre no que chamamos de “mercado”: algumas empresas produzem e comercializam cigarros, enquanto outras vendem pastilhas e medicamentos para ajudar as pessoas a deixar de fumar. Não há um “propósito único” do mercado, mas uma multiplicidade de estratégias e objetivos individuais que, em conjunto, produzem resultados muitas vezes contraditórios.

E por que razão os interesses destas elites – que são minorias - prevalecem sobre os interesses do resto da sociedade? Pelo mesmo motivo apontado anteriormente: a sociedade não é um bloco monolítico dotado de um interesse homogéneo.

A maioria das pessoas está ocupada a trabalhar, a ganhar a vida, a cuidar da família e a ter algum tempo para o lazer. Do ponto de vista individual, faz pouco sentido investir tempo e esforço para se informar profundamente sobre política ou para tentar mudar o governo, porque a probabilidade de a sua opinião ou o seu voto alterarem o resultado é extremamente baixa. Trata-se do problema da ignorância racional: é racional para o cidadão médio não se envolver politicamente de forma intensa.

Já os grupos que se beneficiam de favores políticos enfrentam um conjunto de incentivos muito diferente. Empresários que recebem subsídios, proteção regulatória ou contratos privilegiados possuem empresas; essas empresas têm empregados; e tanto empresários como empregados têm um forte interesse em preservar estes arranjos que garantem os seus ganhos e os seus empregos.

Estes grupos são relativamente pequenos, organizados e enfrentam custos de coordenação muito menores. Isto gera um forte incentivo para que se organizem.

No entanto, este interesse é antagónico ao interesse dos consumidores, que passam a pagar preços mais altos ou a consumir produtos e serviços de pior qualidade, sofrendo uma perda de bem-estar. É também antagónico ao interesse dos contribuintes, que veem uma parte significativa da receita fiscal ser utilizada para criar ou perpetuar privilégios em vez de financiar bens públicos genuínos.

Assim, benefícios concentrados para poucos são financiados por custos difusos impostos sobre muitos, o que ajuda a explicar por que os interesses das elites organizadas frequentemente prevalecem sobre os da sociedade em geral.

Do lado político, a assimetria de informação faz com que as elites políticas influenciem os eleitores através de narrativas. Eles "vendem" estas políticas de defesa do emprego, proteção da indústria nacional, justiça social, soberania nacional, estabilidade, etc.

Em vez de forçar ou comprar poder, as elites políticas usam o discurso, a propaganda e o enquadramento (framing) para tornar desejáveis políticas que criam ou preservam privilégios em seu favor. As pessoas acabam por usar o voto expressivo para, de alguma forma, “se sentirem do lado certo da história”, “reforçarem a sua identidade de grupo (trabalhador, empresário, patriota, socialista, liberal, etc.)” ou para “não se sentirem culpadas depois”.

O resultado é que o processo democrático fornece uma aparência de consentimento popular a arranjos que, na prática, beneficiam minorias organizadas às custas do restante da sociedade. E o problema reside aqui: as pessoas que mais beneficiam de uma economia livre não se manifestam para a defender.

Para Schumpeter, o capitalismo não sucumbe por fracasso económico, mas porque o seu próprio sucesso destrói a base social que o apoiava. Ao burocratizar a atividade empresarial e fomentar o surgimento de uma intelligentsia hostil, o sistema gera uma sociedade na qual quase ninguém está disposto a defendê-lo. O capitalismo, em última instância, morre não por falta de eficiência, mas por falta de defensores.

Smith escrevia num contexto em que a economia política dominante era o mercantilismo: um sistema supostamente voltado para o “interesse nacional”, no qual o Estado distribuía sistematicamente privilégios a guildas, burocratas e companhias de comércio. Este arranjo começava a ser desafiado por uma ordem emergente de livre comércio. De certa forma, o padrão permanece o mesmo, com o Estado contemporâneo a atuar como vendedor de favores, enquanto elites económicas investem recursos para os capturar, produzindo um sistema de compadrio.

Tanto o período que antecede Smith como o momento atual indicam que o padrão histórico é uma economia política de manutenção de privilégios. A liberdade económica não aparece como ponto de partida, mas como um “acidente da história”, resultado de mudanças institucionais específicas que, por algum tempo, limitaram a capacidade de grupos organizados de usar o poder político em benefício próprio.

O que chamamos de capitalismo — entendido como mercados impessoais, com direitos de propriedade estáveis, possibilidade de entrada e saída, alguma previsibilidade institucional — surge, assim, como uma rutura rara com essa lógica de privilégio, e não como o “estado natural” da cooperação social. Nota: isto não constitui um argumento contra a ideia de que o ser humano é naturalmente inclinado à troca voluntária, mas sim o reconhecimento de que, na maior parte da história, os arranjos institucionais vigentes impediram que essa inclinação se traduzisse em mercados livres e competitivos.

A economia livre é uma construção institucional improvável e frágil, que precisa continuamente de resistir às pressões de grupos organizados — pressões essas frequentemente legitimadas por apoiantes que, em tese, deveriam defender justamente o contrário.

Se o capitalismo do tempo de Adam Smith já não existe, o que precisamos de fazer para que algo semelhante volte a prevalecer? De modo geral, tomo o pensamento de Randall Holcombe e Richard Wagner como base para escrever este texto e para uma síntese de resolução.

Os defensores da economia de mercado devem atuar em três frentes: política, económica e no mercado de ideias.1. Ordem espontânea não é passividade Em primeiro lugar, os liberais precisam de compreender a importância da ordem espontânea. Isto significa abandonar a ilusão de que a sociedade pode (ou deve) ser planeada de cima para baixo por algum agente benevolente. Não trabalhamos com a hipótese de imposição centralizada. Isto, porém, não implica uma postura passiva. Pelo contrário: é preciso agir sobre regras, incentivos e ideias para que a ordem social emergente seja mais compatível com a liberdade económica. Não se trata de desenhar um “plano perfeito”, mas de criar arranjos institucionais que limitem a capacidade de grupos organizados de capturar o Estado para fins privados

2. Promover a “destruição criativa” entre as elites Em segundo lugar, é necessário fomentar a concorrência entre elites estabelecidas e elites emergentes — aquilo que Holcombe descreve como o conflito entre o grupo do “getting ahead” (chegar à frente) e o do “staying ahead” (manter-se à frente).

O grupo do staying ahead é composto por empresas e empresários que já estão no topo. Trata-se de uma elite económica consolidada, cuja sobrevivência depende, em larga medida, de lucros e ganhos derivados de rent seeking. Para este grupo, a concorrência deixa de ser oportunidade e passa a ser ameaça; por isso, os seus membros tendem a usar o poder político para erguer barreiras à entrada, proteger mercados e congelar a ordem existente.

Já o grupo do getting ahead é formado por aqueles que querem “chegar lá”: empreendedores inovadores que, em geral, não têm acesso direto ao poder político. Para eles, a única via legítima de ascensão é a inovação, a criação de valor, a expansão da oferta de bens e serviços que melhoram a vida das pessoas. O espírito empreendedor é, por natureza, criativo o suficiente para contornar barreiras e encontrar brechas — desde que essas barreiras não sejam institucionalmente intransponíveis. Uma sociedade mais livre é aquela em que este segundo grupo consegue desafiar o primeiro em vez de ser bloqueado por uma muralha de privilégios legais.

3. Fortalecer a democracia constitucional Por fim, é preciso fortalecer a democracia constitucional, não como ídolo, mas como instrumento. Isto requer uma constituição que limite de maneira clara o poder da elite política de intervir na economia e, sobretudo, que restrinja o espaço para interpretações discricionárias por parte de juízes e tribunais. Os juízes devem dizer o que a lei é, não o que acham que ela deveria ser. Quanto maior a margem para “criar” direitos, benefícios ou privilégios a partir da caneta judicial, mais vulnerável o sistema se torna à pressão de grupos organizados.

À primeira vista, pode parecer contraditório dedicar boa parte do texto a criticar os problemas da democracia e, ao mesmo tempo, defendê-la como componente de uma sociedade livre. Mas a tensão é apenas aparente. Apesar de todas as suas falhas, a democracia ainda é o melhor mecanismo político de que dispomos para limitar o poder concentrado e permitir a alternância desse poder. Ela não é uma forma de santidade política, mas sim uma tecnologia institucional imperfeita, porém superior às alternativas historicamente testadas.

A proposta, portanto, não é tratar a democracia como um fim em si mesma, mas como um meio: um arranjo que, quando combinado com um Estado de direito robusto e limites constitucionais claros, pode abrir espaço para que uma ordem de mercado relativamente livre floresça.

Não podemos resolver todos os problemas de maneira perfeita, mas podemos criar um ambiente em que uma sociedade livre possa experimentar, errar, corrigir e produzir modelos institucionais melhores ao longo do tempo.

Defender o capitalismo, neste contexto, não é defender o status quo, mas exatamente o oposto: é recusar o comodismo de um sistema de privilégios travestido de mercado e trabalhar pela reconstrução de um arranjo institucional em que a regra geral, e não o favor particular, seja a norma.

Isto exige clareza conceptual, coragem intelectual para chamar pelo nome o capitalismo de compadrio que nos cerca e disposição para atuar simultaneamente na política, na economia e no mercado de ideias, limitando o poder discricionário do Estado, abrindo espaço para novas elites empreendedoras e reforçando os travões constitucionais à manipulação das regras do jogo.

Não há promessas de harmonia perfeita nem de fim definitivo do compadrio. O que há é a possibilidade modesta, mas real, de construir instituições que tornem mais difícil comprar e vender privilégios, que preservem algum grau de concorrência e que mantenham aberto o espaço para que pessoas comuns possam melhorar de vida sem precisar de um padrinho político.

Se o capitalismo é, como sugerimos, um “acidente feliz” na história da humanidade, cabe-nos decidir se aceitaremos passivamente o retorno ao padrão histórico de privilégios ou se estaremos dispostos a defendê-lo - não como dogma, mas como a melhor oportunidade que temos de conciliar prosperidade, liberdade e dignidade individual numa ordem social imperfeita, porém continuamente aperfeiçoável.

Referências
  1. MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. 1. ed. São Paulo: CEDET, mar. 2024.
  2. SMITH, Adam. A riqueza das nações: investigação sobre a sua natureza e suas causas. Vide Editorial, 2023, p. 228.
  3. HOLCOMBE, Randall G. “Crony Capitalism: By-Product of Big Government.” Independent Review, 2013
  4. HOLCOMBE, Randall G. Political Capitalism: How Economic and Political Power Is Made and Maintained. Cambridge University Press, 2018.
  5. HOLCOMBE, Randall G. Coordination, Cooperation, and Control: The Evolution of Economic and Political Power. Springer, 2020.
  6. HOLCOMBE, Randall G. Following Their Leaders: Political Preferences and Public Policy. Cambridge University Press, 2023.
  7. WAGNER, Richard E. Politics as a Peculiar Business: Insights from a Theory of Entangled Political Economy. Edward Elgar, 2016.
  8. WAGNER, Richard E. (org.). Entangled Political Economy. Emerald, 2014.
  9. EKELUND, Robert B.; TOLLISON, Robert D. Mercantilism as a Rent-Seeking Society: Economic Regulation in Historical Perspective. Texas A&M University Press, 1981.
  10. HODGSON, Geoffrey M. “Capitalism, Cronyism, and Democracy.” The Independent Review, v. 23, n. 3, 2019, p. 345–355.
  11. TULLOCK, Gordon. “The Transitional Gains Trap.” Bell Journal of Economics, 1975.
  12. OLSON, Mancur. The Logic of Collective Action: Public Goods and the Theory of Groups. Harvard University Press, 1965.
  13. CAPLAN, Bryan. The Myth of the Rational Voter: Why Democracies Choose Bad Policies. Princeton University Press, 2007.
  14. BRENNAN, Geoffrey; LOMASKY, Loren. Democracy and Decision: The Pure Theory of Electoral Preference. Cambridge University Press, 1993.
  15. MUNGER, Michael C.; VILLARREAL-DÍAZ, Mario. “The Road to Crony Capitalism.” The Independent Review, 2019.
Fonte

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

O Toque de Thanatos

Evelyn De Morgan- Angel of Death (1880)
Não desejo o empresário ou o estado com "toque de Hades", imperando a falsa ideia de pobrete mas alegrete, em que regressa a bufaria, a polícia dos costumes e a censura nas actividades culturais, mais analfabetismo e abandono escolar. Política da terra queimada, sem sindicatos, partido único e ideologia nacionalista ou eugénica. Porém, longe estamos do mítico "toque de Midas",  em que os ricos ainda pensavam em responsabilidade social, partilhavam por entre os trabalhadores os lucros da sua empresa, aumentando os salários dos funcionários, promovendo bolsas de estudo para que os filhos dos seus trabalhadores prosseguissem estudos, prémios de estímulo ao desporto e actividades culturais.  E contam-se pelos dedos das nossas mãos empresários com este ideal. Agora? Até a partilha é negócio, com a uberização da sociedade. Agora? Temos os super-ricos que realmente estão a desregular mercados, abalar as democracias, incentivar o discurso do ódio e do racismo, em particular. São causadores do aparecimento de conflitos religiosos e armados e pagam mercenários para impôr os seus desejos e ambições desmedidas de dinheiro e poder . Interferem directamente na soberania dos estados e no  bem-estar de nações inteiras. Um multimilionário emite um milhão de vezes mais gases com efeito de estufa do que o cidadão comum, denuncia Oxfam. Têm o "toque de Thanatos". Onde tocam com as suas actividades transformam tudo em deserto, mais desmatamento, mais poluição, mais herbicidas (para combater as ervas daninhas dos campos de transgénicos), mais fome, mais pobreza, muito suicídio. Schumpeter, teórico do desenvolvimento económico em que estamos mergulhados, questionou no fim de vida os seus princípios. Fico muito contente em saber que  Professores e Investigadores apoiam ocupações da Greve Climática Estudantil. Apoio o movimento M.A.E. 

Leituras adicionais
  1. Can Capitalism Survive? Ben Rogge on Capitalism's Future by Dwight R. Lee
  2. Edição Especial do Boletim da ECOECO, nº 41- Limites Biofísicos ao Crescimento - Esta edição especial do Boletim da ECOECO trata do tema “Limites biofísicos ao crescimento da Economia: 50 anos depois”, o qual tem raiz na publicação do livro de Georgescu-Roegen The Entropy Law and the Economic Process e no Relatório do Clube de Roma, Limites do Crescimento.

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Schumpeter: inovação, destruição criadora e desenvolvimento


Joseph Alois Schumpeter faz parte de um seleto panteão de economistas, é comprovadamente responsável pela revisão de todo o pensamento económico de sua época e fruto até hoje de estudos e reflexões. Nascido no extinto Império Austro-húngaro na segunda metade do séc. XX, coincidentemente no mesmo ano da morte de Karl Marx e do nascimento de Jonh M. Keynes, é considerado um dos economistas mais importantes da história, sobretudo por suas contribuições na teoria do crescimento econômico, democracia, estratégias empresarias e história económica.

Schumpeter foi um dos vários pensadores que nasceu embebido na avalanche causada por Charles Darwin na apresentação da Teoria da Seleção Natural, que rapidamente transcendeu as ciências biológicas, para ser aplicada na ótica das ciências humanas. O economista sonhava contribuir para a criação da “Economia Exata”, com rigor suficiente para se assemelhar à física, sendo previsível e passível de controle – porém já no final de sua vida, pode chegar à conclusão de que a dita “Economia Exata” é tão incongruente quanto uma “História Exata”.

Como todo génio, foi precoce em toda sua vida, depois de formar-se em Direito na Universidade de Viena no ano 1904, passou um período em Londres, mas retornou para lecionar na cadeira de Antropologia na região em que hoje é situada a Ucrânia. E foi lá onde recebeu pela primeira vez seu apelido de enfant terrible, pois costumava frequentar reuniões e aulas calçando botas de montaria. Contudo, ao se casar com Glayds Seaves, mudaram-se para a cidade do Cairo, onde se tornou conselheiro de finanças da rainha egípcia e tão logo retornam em março de 1919 para a Áustria, assumiu o robusto posto de Ministro das Finanças a convite do Partido Socialista Cristão (não, ele não era socialista), no qual durou pífios 10 meses.

Em seguida, assumiu a presidência do famoso banco Biedermannbank, em Viena, antiga e conceituada instituição financeira de pequeno porte. O banco abriu falência em 1924, não somente por conta das difíceis condições económicas vividas, mas também pela desonestidade de alguns de seus diretores, o que fez Schumpeter não só perder toda sua fortuna pessoal, como ainda ficar totalmente endividado. Finalmente, depois de muitas idas e vindas, em 1932 Schumpeter assume a cadeira de Antropologia em Cambridge na Universidade de Harvard, ali permanecendo até sua morte e produzindo uma quantidade assombrosa de conteúdo.

Costumava afirmar que o ponto máximo da capacidade criativa do homem é até os 30 anos de idade, e de fato, quando tinha apenas 25 anos, em 1908, publicou sua primeira grande obra: “A Natureza e a Essência da Teoria da Economia Nacional” e quatro anos mais tarde, sua célebre teoria do “Desenvolvimento Económico” [1]. Ambas estabeleceram sua importância como teórico da economia. Trabalhava compulsivamente, aproximadamente 84 horas semanais e ainda insatisfeito, de fato além de criador do conceito, também foi representante do chamado “agente empreendedor”.

O capitalismo como um sistema dinâmico

Era boémio e costumava dizer que iria “torna-se o maior economista, cavaleiro e amante do mundo... mas que os negócios dos cavalos não iam tão bem”. Contudo, teve o privilégio de vivenciar o capitalismo na sua forma mais madura (diferentemente de Smith ou Marx), o que lhe permitiu inferir importantes constatações e voltar-se a questões essenciais da compressão do que viria ser exatamente o sistema capitalista e como/porque este vinha funcionando em certos lugares e outros não.

Seu principal ponto era de substituir a teoria estática da Economia, por sua teoria dinâmica, com um quê de evolucionismo, que ia de encontro às ideias de outro grande expoente da época, Alfred Marshall [2], cuja principal teoria seria de que a natureza não dava saltos, reafirmando a necessidade de melhorias continuas de procedimentos, o que valorizava o papel de administradores e técnicos. Schumpeter, por outro lado, que valorizava saltos inovadores, inesperados e não-lineares.


O galanteador de botas de montaria,Schumpeter.

Schumpeter considerava então, que o capitalismo deveria ser estudado sob a ótica da produtividade e do crescimento, sendo a máxima expressão da inovação, luta humana e pura/simples destruição – tudo isso ao mesmo tempo.

Uma sociedade pode ser considerada capitalista quando funda seu processo económico ao sabor dos homens de negócio. Dito isso, as características do sistema são elencadas:

1) A propriedade privada dos meios de produção;

2) Produção para o lucro privado, sendo a produção pela iniciativa particular em caráter privado;

3) Ponto importante e crucial: a criação do crédito.

Schumpeter não acreditava que o crescimento podia ser explicado pela variação populacional, da renda e ou riqueza, uma vez que tais fatores não resultavam necessariamente em um fenómeno qualitativamente novo, considerados por ele como mudanças de dados naturais, nada de novo sob o sol.

O desenvolvimento, em sua visão, é um fenómeno distinto, inteiramente novo ao usual fluxo circular, na tendência para o equilíbrio ou da nossa rotina. É uma mudança espontânea e descontínua nos canais do fluxo, rompimento do equilíbrio, que altera e desloca para sempre o estado de equilíbrio previamente estabeleicido, se tornando um “novo normal” na vida industrial e comercial, não na esfera das necessidades dos consumidores de produtos finais.

Sendo assim, finalmente no capítulo II de sua teoria do desenvolvimento, ele nos apresenta a sua figura central: o empresário inovador. Ele é o responsável por novos produtos para o mercado, por meio de combinações mais eficientes dos fatores de produção. Tipificando, as combinações inovadoras se configurariam nos seguintes casos: i) Introdução de um novo bem; ii) Introdução de um novo método de produção, baseado numa descoberta cientificamente inovadora; iii) Abertura de um novo mercado; iv) Conquista de uma nova fonte de matérias-primas e v) Estabelecimento de um novo modo de organização de qualquer indústria (criação ou fragmentação de uma posição de monopólio, por exemplo).

O empreendedor, independentemente do porte da empresa em que atua, é o agente da inovação e da destruição criativa, esta entendida como a força propulsora não só do capitalismo como do progresso material. Quase todos os negócios, por mais fortes que pareçam em dado momento, acabam falindo, e quase sempre porque não foram capazes de inovar (algumas empresas que foram vanguarda, hoje estão na lata de lixo da história).

Aqui a teoria schumpeteriana se torna uma derivada dos ciclos de Kondratieff: 
As ondas de inovação são cada vez mais curtas

Afirma Schumpeter [3]: “Historicamente, o primeiro Kondratieff [4] coberto por nossa análise, significa a revolução industrial, incluindo o prolongado processo de absorção. Nós o datamos dos anos oitenta do século XVIII até 1842. O segundo cobre o que chamamos de era da máquina a vapor e do aço. Vai de 1842 a 1897. E o terceiro, O Kondratieff da eletricidade, da química e dos motores, nós o datamos de 1898 em diante. ”

Nesse sentido, a destruição criadora está na essência da dinâmica do capitalismo, quando novas tecnologias surgem como ondas, aleatoriamente e geralmente vem acompanhada do aumento da produtividade do capital e do trabalho, pois os empresários inovadores conseguem alocar produtos com vantagens competitivas em relação a suas concorrentes tecnologicamente desfasadas.

Sua expressão “destruição criativa” adquiriu contornos quase lendários e é frequentemente repetida em palestras, livros e reuniões empresarias, tornando-se praticamente senso-comum e palavra de ordem em alguns ambientes. Contudo, a grande chave de sua sobrevivência dos empreendedores é o crédito barato e farto, via de regra tais personagens são financistas, rigorosos com relação ao risco e atentos às novas oportunidades e de novos negócios.

Assim sendo, em seu capítulo final da teoria do desenvolvimento, o austríaco trata dos grandes momentos de expansão e retração económica – os ciclos econômicos tão comuns no processo de desenvolvimento capitalista. Portanto, em períodos de prosperidade, o empreendedor ao criar novos produtos é imitado por uma verdadeira onda de empreendedores não-inovadores, que investem recursos para emular os novos bens criados. Consequentemente, uma onda de investimentos de capital ativa a economia, gerando a prosperidade e o aumento do nível de emprego.

À medida que as inovações tecnológicas ou as modificações nos produtos antigos são assimilados pela conjuntura e seu consumo generalizado, a taxa de crescimento da economia diminui (o que não gera mais ganhos extraordinários) e assim se inicia o processo recessivo da redução dos investimentos e a baixa da oferta de emprego. A constante mudança entre prosperidade e recessão, isto é, da volatilidade da produção é entendido como um obstáculo periódico e transitório, aparte do curso normal de expansão da renda nacional, da renda per capita e do consumo.

Anteriormente, o caráter cíclico do capitalismo era explicado pelos economistas das mais diversas formas, desde a atividade cósmica, do subconsumo da subpopulação e até colheitas frustradas. Então, nesse sentido, a grande contribuição de Schumpeter foi delimitar a relação existente entre o nível de investimento explicado pelo movimento inovador, e que tão logo é transformado em produtos e posteriormente em prosperidade, empregos, renda, além do estabelecimento de um novo paradigma.

Como já afirmado, Schumpeter não mantinha simpatia pela ideologia socialista, mesmo porque nesse sistema a figura do empreendedor não existia (o que também pode ser uma pista para o fracasso do mesmo), porém o que não exclui uma certa visão pessimista por parte do autor em relação ao capitalismo e sua instabilidade. A “máquina capitalista’’, outro famoso termo, defende que o processo capitalista eleva sistematicamente o padrão de vida das massas, contudo não deve ser considerado um estado natural da vida humana. Se caso o fosse, teria surgido muito antes na história e hoje estaria em todos os lugares, então devemos compreende-lo como um sistema construído e mantido com dificuldade hercúlea.

Encerro afirmado que Schumpeter, de forma nobre, acreditava que o mundo só poderia se beneficiar da benesses do capitalismo, caso as pessoas entendessem como ele de fato funciona, e não é à toa que dedicou toda sua vida não só o compreendendo, mas principalmente explicando-o, assim como eu e você estamos buscando neste exato momento.

Saber mais:
[1] Divirta-se como mais de 200 páginas de Schumpeter, na série “Os Economistas” 

[2] Para mais textos de A. Marshall, ver  Principles of Economics. Amherst, New York

[3] E-Livro  J. A. Schumpeter (1939), Business Cycles. New York, NY: McGraw-Hill.


[5] E-Livro J.A Schumpter .(1942)  Capitalism Socialism and Democracy



terça-feira, 5 de abril de 2022

Schumpeter: desenvolvimento por meio da inovação


Schumpeter e a inovação para gerar desenvolvimento
Joseph Schumpeter é conhecido por suas contribuições teóricas para a ciência econômica contemporânea. Por mencionar em seus trabalhos a inovação como meio para alcançar o desenvolvimento econômico (descrito como alteração do estado de equilíbrio econômico), o autor é também amplamente citado quando o assunto é inovação e empreendedorismo.

Contexto histórico

Joseph Alois Schumpeter foi um dos mais importantes economistas do início do século XX. Nascido em 1883 no Império Austro-Húngaro, ingressou na faculdade de direito na Universidade de Viena em 1901. Após isso, começou a lecionar antropologia na universidade de Czernovitz (onde hoje é a Ucrânia) até 1911, quando se mudou para Graz e permaneceu durante toda a primeira guerra mundial. Em 1919 assumiu o cargo de ministro das finanças da República Austríaca, onde permaneceu por pouco tempo. Em seguida, tornou-se presidente de um banco privado, o Bidermann Bank, que veio a falir em 1924. Assim, essa desastrosa passagem pelo setor privado custou a Schumpeter toda sua fortuna. Posteriormente, voltou a lecionar em Bonn, na Alemanha, entre 1925 e 1932.

Com o fortalecimento do nazismo, Joseph Schumpeter decide deixar a Europa, transferindo-se em 1932 para os Estados Unidos. Assim, naquele mesmo ano, assumiu a docência na universidade de Harvard, em Cambridge, estado de Massachusetts. Em 1933 ele fundou a Sociedade Econométrica, encorajando uma série de economistas matemáticos – apesar de Schumpeter não ser matemático, ele defendia a existência da integração entre a matemática e a sociologia para melhor entendimento das teorias económicas. Joseph permaneceu como cidadão de Cambridge até o dia de sua morte em janeiro de 1950.

Contribuições teóricas para inovação
Schumpeter em suas obras descreve que as inovações são fatores preponderantes para a alteração no estado de equilíbrio de uma economia. Assim, é descrito que uma inovação não necessariamente deve ser radical, podendo ser apenas alteração nos arranjos comerciais. Toda introdução de inovação no sistema econômico é chamado por Schumpeter de “ato empreendedor”: Uma nova matéria-prima, uma introdução de um novo produto no mercado, um novo modo de produção, um novo modo de comercialização de bens e serviços ou até uma quebra de monopólio. Assim, essas são ações realizadas pelo “empresário empreendedor”, visando a obtenção de “lucros extraordinários”. O chamado lucro extraordinário é o que o autor descreve não como a simples remuneração sobre o capital investido, mas o rendimento acima da média do mercado.

Condições para inovação
O autor descreve três condições a serem cumpridas para a inovação:
  1. Em determinado período temporal, deverão existir possibilidades mais distintas ou vantajosas do ponto de vista económico do privado. Seja na indústria como um todo ou em algum de seus segmentos.
  2. Que exista acesso limitado a essas possibilidades. Essas limitações podem estar associadas a qualificações pessoais necessárias ou fatores externos.
  3. A situação econômica deve permitir cálculo de custos e planeamento confiável. Assim, a situação apresentada deverá demonstrar uma situação de equilíbrio económico.
Além disso, Schumpeter reiteradamente enaltecia os empreendedores como os pivôs do sistema econômico. Pois são eles os agentes da inovação e da “destruição criativa”. A destruição criativa é um conceito no qual o autor descrevia uma mudança no perfil econômico, onde os empreendimentos inovadores destruíam empresas e modelos de negócios antigos e ultrapassados.

Em 1992, os economistas Phillipe Aghion e Peter Howitt publicaram um artigo chamado A Model of Growth Through Creative Destruction (Um modelo de crescimento através da destruição criativa, em tradução livre). Assim, partindo das ideias de Joseph Schumpeter, formularam uma versão formal da teoria da destruição criativa. Descrevendo uma forma de competição por meio de inovações que permitiriam ao empreendedor o estabelecimento de monopólio em detrimento do monopólio anterior estabelecido no setor específico.

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sábado, 29 de janeiro de 2022

Joseph Schumpeter and the Economics of Imperialism

The Austrian economist Joseph Schumpeter believed that the triumph of socialism was inevitable, but he rejected the Marxist view of how capitalism works. His ideas are a stimulating challenge for those seeking an alternative to capitalism today.



Joseph Alois Schumpeter was one of the most prominent political economists during the first half of the twentieth century. He published prolifically in both German and English on questions of economic theory, economic sociology, economic and social policy, and the history of ideas. A phrase Schumpeter coined to describe the essence of capitalism as he understood it, “creative destruction,” has become one of the most familiar terms in the economic lexicon.

In politics, Schumpeter was a liberal conservative — or perhaps a conservative liberal — but he was also deeply influenced by his Marxian contemporaries. As a student at the University of Vienna, Schumpeter was a member of Eugen von Böhm-Bawerk’s legendary graduate seminar, along with three leading Austro-Marxists — Rudolf Hilferding, Otto Bauer, and Emil Lederer — and the free-market liberal Ludwig von Mises.

This experience no doubt encouraged Schumpeter to explore many of the same questions that his Marxist contemporaries had posed, although the answers that he formulated differed sharply from theirs. He disagreed with the Marxist view of capitalism’s inner contradictions while believing that the ultimate victory of socialism was inevitable anyway. For Schumpeter, the drive toward imperialism and war that was so evident in his own time stemmed from precapitalist social forces that were still at work in European society rather than the logic of capitalism itself.

Life and Work

Schumpeter was born into a prosperous middle-class family in the Moravian town of Triesch on February 8, 1883, a month before the death of Karl Marx. He died in Cambridge, Massachusetts on January 7, 1950. Schumpeter’s father, a merchant, had died in 1887, and his mother soon remarried. His new stepfather was a general in the Austro-Hungarian army, so the young Joseph grew up in a distinctly upper-class environment.

He was educated in Vienna at the prestigious Theresianum Academy of Knights of Vienna. Schumpeter went on to spend five years at the University of Vienna between 1901 and 1906, where he studied law, mathematics, and philosophy in addition to economics. His first publication came in 1906, when he was only twenty-three years of age.

From 1909 to 1911, Schumpeter was professor of economics at the University of Czernowitz, moving first to the University of Graz (1911–1921) and then to the University of Bonn (1925–1932). In addition to these academic posts, he worked as a lawyer and a financial speculator — not to mention a brief stint as minister of finance in the new post-Habsburg Austrian republic between March and October 1919 — and spent some time in Britain and the United States.

Schumpeter spent the last eighteen years of his life at Harvard University, where he was president of the Econometric Society (in 1942) and the American Economic Association (in 1948). Were it not for his unexpected death, Schumpeter would also have served as the founding president of the International Economic Association in 1950.Schumpeter disagreed with the Marxist view of capitalism’s inner contradictions while believing that the ultimate victory of socialism was inevitable anyway.

Although there is a substantial literature on Schumpeter’s life and work, no comprehensive edition of his works has yet been published, whether in English or in German. Richard Sturn suggests that this may reflect the absence of a specific “Schumpeter school” of economics. Probably best known today as a historian of economic thought, Schumpeter was the author of two hundred journal articles and several influential books, two of which ran to more than a thousand pages: the two-volume Business Cycles and the posthumously published History of Economic Analysis.

However, those interested in Schumpeter’s thinking, especially from the left, will probably turn first to his most celebrated work, 1942’s Capitalism, Socialism and Democracy, which is a mere 425 pages in length. The book consists of five parts, respectively titled “The Marxian doctrine,” “Can capitalism survive?” “Can socialism work?” “Socialism and democracy,” and “A historical sketch of socialist parties.”

It would be impossible in the space of a short article to give a satisfactory account of this complex, scholarly, and highly opinionated work. I will concentrate instead on Schumpeter’s analysis of the economics of imperialism, which provides an entry point into his broader approach to the capitalist mode of production, its history, and its prospects.
Explaining Imperialism

Twenty-three years before the appearance of Capitalism, Socialism and Democracy, Schumpeter published a lengthy article on “The Sociology of Imperialism” in a German-language academic journal, which did not appear in English until just after his death. In the version that I have consulted, there are ninety-six pages of text, amounting to perhaps 35,000 words.

Schumpeter began with a brief introductory section outlining the nature of the problem, in which he argued that aggressive attitudes on the part of states need not be a simple reflection of the population’s concrete economic interests. Indeed, in the case of imperialism, we might say that nations and classes seek “expansion for the sake of expanding, war for the sake of fighting, victory for the sake of winning, dominion for the sake of ruling.” In this spirit, he defined imperialism as “the objectless disposition on the part of a state to unlimited forcible expansion.”

The author did acknowledge that “neo-Marxist theory” had attempted to provide an economic explanation for imperialism, reducing it to “the economic class interests of the age in question” (emphasis in original, and hereafter). Although he conceded that the Marxist view was “by far the most serious contribution” that had been made to the analysis of imperialism and agreed that there was “much truth in it,” Schumpeter proceeded to criticize it at some length.

He began by describing the strongly anti-imperialist sentiments that had prevailed in mid-nineteenth-century Britain in a section with the strange title “Imperialism as a catchphrase.” After a lengthy account of the way imperialism had operated in ancient times, the medieval period, and the age of absolute monarchy, Schumpeter devoted the final third of the essay to discussing the relationship between imperialism and capitalism.

At the start of this concluding section, Schumpeter returned to the prevalence of “non-rational and irrational, purely instinctual inclinations towards war and conquest.” He believed that many — and perhaps most — wars throughout history had been waged without any adequate reason. According to Schumpeter, this in turn was strong evidence that “psychological dispositions and social structures acquired in the dim past . . . tend to maintain themselves and to continue in effect long after they have lost their meaning and their life-preserving function.”

On the strength of this analysis, Schumpeter rejected the argument of Vladimir Lenin and other Marxist thinkers that there was a necessary link between imperialism and capitalism. Imperialism was in fact “atavistic in character” and stemmed from “the living conditions, not of the present but of the past — put in terms of the economic interpretation of history, from past rather than present relations of production.” In political terms, we should see imperialism as the product not of capitalist democracy but rather of the earlier stage of “absolute autocracy.”Schumpeter rejected the argument of Marxist thinkers that there was a necessary link between imperialism and capitalism.

Schumpeter insisted that under capitalism, there was “much less excess energy to be vented in war and conquest than in any pre-capitalist society.” In a capitalist society, the pursuit of profit absorbed the energies of the population, with wars of conquest rightly seen as “troublesome distractions, destructive of life’s meaning, a diversion from the accustomed and therefore ‘true’ task.”

The economist cited what he considered to be strong evidence of the powerful anti-imperialist tendencies at work in capitalist society. Those tendencies included deep opposition to militarism, military expenditure, and war, which were most powerful among industrial workers but also manifested in large sections of the capitalist class.

It was no accident, he suggested, that of all the capitalist nations, the United States was the one least inclined toward imperialist adventures and also “the least burdened with pre-capitalist elements, survivals, reminiscences, and powerful factors.” We should look upon the imperialist tendencies that could indeed be found within capitalism as “alien elements, carried into the world of capitalism from the outside, supported by non-capitalist factors in modern life.”