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sábado, 22 de agosto de 2026

Alterações climáticas nas montanhas europeias: porque é que o aquecimento não explica tudo

As temperaturas nos pontos mais elevados da Europa estão a aumentar - um reflexo regional do aquecimento global. Como consequência, as comunidades vegetais nos cumes montanhosos registam uma presença cada vez maior de espécies associadas a climas quentes. Contudo, esta transformação não ocorre da mesma forma nem ao mesmo ritmo em todos os locais.

Um estudo que analisou dados de mais de 700 sítios em 53 cumes europeus, ao longo de 21 anos, revela que a relação entre o aumento da temperatura e a "termofilização" (o avanço da flora adaptada ao calor) é mais complexa do que se pensava. Embora cerca de 63% das zonas monitorizadas confirmem esta tendência, a subida direta da temperatura explica menos de 10% da variação na mudança das plantas a nível local.

Os investigadores descobriram que o verdadeiro acelerador do processo é a ecologia envolvente: onde já existem espécies de zonas mais baixas na vizinhança do cume, a transição é muito mais rápida. Em contrapartida, os terrenos rochosos funcionam como uma barreira natural contra essa colonização. 

Como explica Johannes Hausharter, da Universidade de Viena, 'os nossos dados mostram claramente que a vegetação nos cumes está a mudar, mas o ritmo dessas alterações não depende apenas do aumento da temperatura'. Stefan Dullinger, coautor do estudo, reforça que a resposta da flora alpina depende tanto da magnitude do aquecimento como da presença prévia de espécies vindas de zonas mais quentes.

O estudo indica ainda que a vegetação alpina reage com um atraso médio de quatro anos às mudanças térmicas. Para as plantas endémicas e exclusivas das zonas frias - que já não têm para onde migrar no topo das montanhas -, a chegada destas novas concorrentes representa uma ameaça silenciosa, mas real, à biodiversidade europeia.

Embora as alterações climáticas sejam a causa central destas transformações, o seu impacto nos ecossistemas de altitude não é uniforme: varia de cume para cume e é profundamente moldado pelas condições e pela geografia locais.

sexta-feira, 20 de março de 2026

JJ72 - Snow


A canção é do álbum homónimo JJ72 (2020) e aqui

Snow - Letra (Lyrics)
As fast as you can
Run my way again
As fast as you can
I'm waiting

[Refrão]
As fast as you can
Run my way again
As fast as you can
I'm waiting

[Verse 2]
And it's a long way down
To the place where we'll be found
In the snow
In the snow

[Refrão]

And it's a long way down
To the place where we'll be found
In the snow
In the snow

[Verse 2]

As fast as you can
Run my way again

Os JJ72 foram uma das bandas mais marcantes do rock alternativo irlandês no início da década de 2000. Formados em Dublim, o trio destacou-se pela sua sonoridade melancólica e etérea. O tema "Snow" é, sem dúvida, o seu hino mais icónico, servindo de porta de entrada para um álbum de estreia que atingiu o galardão de platina. A canção é definida pela voz invulgar de Mark Greaney — capaz de atingir notas altíssimas — e por uma atmosfera de urgência emocional que capturou perfeitamente o espírito do indie daquela época.

A origem do nome JJ72 
A "Janela de juncos": a explicação mais aceite e citada pelo próprio Mark é que o nome surgiu de uma referência a uma janela específica na escola onde estudavam em Dublim. Segundo ele, havia uma janela (ou uma série delas) que tinha as iniciais "JJ" e o número "72" gravados ou marcados nela. Eles acharam que a combinação soava bem e decidiram adotá-la.

Significado da canção
A canção "Snow" é uma peça central do rock alternativo dos anos 2000, destacando-se pela sua estrutura minimalista que foca intensamente na carga emocional. A letra funciona como um apelo urgente e quase desesperado por conexão, onde a repetição constante de frases como "As fast as you can" (Tão depressa quanto possas) cria uma sensação de pressa e ansiedade juvenil. Esta urgência é contrastada com a imagem estática e silenciosa da neve, que serve como uma metáfora poderosa para o isolamento e para um refúgio emocional onde o ruído do mundo exterior é finalmente silenciado.

Para Mark Greaney, o mentor e vocalista dos JJ72, a neve não representa apenas o frio, mas sim um estado de pureza e uma forma de fuga à realidade. A descida mencionada no refrão ("And it's a long way down") sugere um mergulho profundo na introspeção ou numa relação tão íntima que se torna um esconderijo. É esta dualidade — a energia frenética da batida e da voz aguda contra o cenário gélido e imóvel da letra — que define o impacto da música. No fundo, "Snow" é um retrato da vulnerabilidade adolescente, capturando aquele desejo cru de encontrar um lugar (ou alguém) onde nos possamos perder para, finalmente, sermos encontrados.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Crise climática faz com que estâncias de esqui tenham de repensar modelo de negócio

Uma das pistas que acolherá os Jogos Olímpicos de inverno em Cortina d'Ampezzo 

A poucas semanas da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de inverno em Milão-Cortina, prevista para 6 de fevereiro, as pistas da "pérola das Dolomitas" estão cobertas de neve. No entanto, o manto branco típico dos invernos de montanha nem sempre acompanha os turistas e os esquiadores.

Actualmente, é habitual contentarmo-nos com a presença de neve limitada às encostas. E, cada vez mais frequentemente, mesmo nas pistas, é garantida pela produção artificial de neve, o que impõe um aumento dos custos económicos e ambientais, com repercussões também nos preços dos passes de esqui. Assim, o esqui está a tornar-se um desporto reservado apenas àqueles que podem pagar preços incomportáveis para a maioria dos europeus.

A maior parte das estâncias que acolheram os Jogos Olímpicos de inverno deixarão de o poder fazer
Mesmo na famosa estância de esqui da província de Belluno, as alterações climáticas estão a tornar a queda de neve mais rara e as temperaturas mais elevadas. Um problema que afeta todo o arco alpino. O próprio COI, o Comité Olímpico Internacional, reconheceu o impacto do aquecimento global, causado principalmente pela queima de carvão, petróleo e gás.

Inevitavelmente, a própria geografia dos Jogos Olímpicos será afectada. Desde 1924, vinte e um locais acolheram os Jogos de inverno. Um estudo publicado na revista científica Taylor & Francis - realizado por investigadores da Universidade de Waterloo, no Canadá - explica que, se não forem tomadas medidas rápidas e drásticas para combater as alterações climáticas, apenas quatro desses locais continuarão a ser adequados em meados do século.

São elas Lake Placid (Estados Unidos), Lillehammer e Oslo (Noruega) e Sapporo (Japão). Para todos os outros, entre o calor e a falta de neve, será simplesmente impossível voltar a acolher os cinco anéis olímpicos, se a temperatura média global aumentar 4 graus Celsius em relação aos níveis pré-industriais. E, em 2080, apenas a estância de esqui japonesa o poderá fazer.

E não é só isso: mesmo que o Acordo de Paris seja respeitado, ou seja, limitando o aquecimento global a um máximo de 2 graus Celsius, apenas nove locais "olímpicos" poderiam voltar a acolher o evento desportivo em 2050 (apenas oito em 2080).

Itália, França, Suíça, Áustria: quanto vale a economia dos desportos de inverno na região alpina
No entanto, os Jogos só se realizam de quatro em quatro anos e durante apenas algumas semanas. No entanto, para quem vive da economia do esqui, os problemas são uma realidade quotidiana.

Os Alpes são o centro nevrálgico do turismo de inverno europeu. Segundo o Plano de Ação da UE para a região alpina, nela vivem 80 milhões de pessoas (cerca de 15% da população total da UE). E abrange 48 regiões em cinco Estados-Membros (Alemanha, França, Itália, Áustria e Eslovénia), bem como dois países terceiros (Liechtenstein e Suíça). A região alberga também um dos recursos hídricos mais importantes da Europa e uma biodiversidade inestimável.

O Instituto de Investigação Demoskopica prevê um total de cerca de 30 milhões de chegadas do estrangeiro e mais de 93 milhões de presenças nas estâncias de esqui em Itália para a época de 2025-2026, de acordo com a associação profissional Assosport.

A mesma análise indica uma despesa turística direta de quase 15 mil milhões de euros.

Em França, os números são semelhantes, com cerca de 10 mil milhões de euros de volume de negócios, que incluem os teleféricos, o alojamento, a restauração e o aluguer de equipamentos. O setor assegura igualmente (direta e indiretamente) mais de 120 mil postos de trabalho.

Também em solo transalpino, nas estâncias de esqui, uma média de 75% do volume de negócios dos hoteleiros está ligada aos desportos de inverno. Esta percentagem aumenta para 85% no caso das lojas de desporto e para 95% no caso dos teleféricos.

Da mesma forma, na Áustria, estima-se que o turismo de inverno gere um volume de negócios de 12,6 mil milhões de euros, empregando 250 mil pessoas, ou seja, 7,6% do emprego total a nível nacional. Também na Suíça, estima-se que o setor represente uma parte não negligenciável da economia do desporto, que na confederação suíça representa um valor total de cerca de 17 mil milhões de francos suíços (18,3 mil milhões de euros).

Quais são os países europeus com mais estâncias de esqui e mais esquiadores?
No que respeita às estâncias de esqui, de acordo com os dados publicados pelo portal Statista, a Alemanha é o país europeu que acolhe mais estâncias de esqui. São 498, contra 349 em Itália e 317 em França. Completam o top 10 a Áustria (253 áreas de esqui), a Suécia (228), a Noruega (213), a Suíça (181), a Finlândia (76), a Eslovénia (44) e a Espanha (32).

Em termos de quilómetros de pistas para o esqui alpino, é Sestriere, na província de Turim, que detém o recorde, com um total de 400 quilómetros. Em segundo lugar estão duas estâncias suíças: Zermatt, com 360 quilómetros, e St. Moritz, com 350 quilómetros.

Alemanha tem o maior número de esquiadores, seguida da França e da Itália
A Alemanha detém outro recorde: o do número de pessoas a esquiar. De acordo com os dados atualizados para a época de inverno de 2020/2021, trata-se de uns impressionantes 14,6 milhões de pessoas. Este número é significativamente superior aos 8,5 milhões da França, aos 7,2 milhões da Itália e aos 6,3 milhões do Reino Unido.

No entanto, os números mudam significativamente se olharmos para os números em função da população: é o Liechtenstein que tem a percentagem mais elevada, com 36%, seguido da Suíça, com 35%. Em terceiro lugar está a Áustria, com 34%, à frente de alguns países escandinavos. Seguem-se França (13%), Itália (12%), Bélgica (11%), Reino Unido (10%), Espanha (5%) e Portugal (apenas 2%).

Áustria é o maior exportador de equipamento desportivo
Outro dado que dá uma ideia clara do peso da indústria do turismo de inverno é a exportação de equipamento desportivo. Os últimos dados disponíveis são relativos a 2019 e mostram que a Áustria é claramente o país que mais exporta, com 334 milhões de euros. França situa-se nos 100 milhões, Alemanha nos 91 milhões e a Itália nos 54 milhões.

É por isso que os impactos das alterações climáticas serão particularmente pesados para a economia. Um estudo publicado em 2023 na revista científica Nature Climate Change explica que, de um total de 2 234 estâncias de esqui existentes na Europa, 53% não poderão contar com neve suficiente, mesmo com um aquecimento climático de apenas 2 graus Celsius. Em particular, um terço das estâncias de esqui dos Alpes franceses estará condenado, enquanto nos Pirinéus essa percentagem atingirá os 89%.

Se a temperatura média global aumentar 4 graus em relação aos níveis pré-industriais, quase todas as estâncias europeias não poderão contar com uma quantidade suficiente de neve: 98%.

Alterações climáticas afectarão os ecossistemas e as economias das montanhas
"Há uma variabilidade de região para região, mas podemos identificar três grandes categorias de maciços montanhosos na Europa ", diz François Hugues, investigador do Inrae (Instituto Nacional Francês para a Agricultura, Alimentação e Ambiente), à Euronews. "Um grupo que tem altitudes e condições bastante favoráveis, estamos a falar, por exemplo, dos Alpes interiores, principalmente em França, Suíça e Áustria".

"Um segundo grupo", continua o especialista, "inclui situações intermédias, que são muito mais vulneráveis às condições climáticas, como é o caso dos Alpes eslovenos ou dos Pirinéus. Por fim, há territórios que a crise climática já levou ao limite: as montanhas da Península Ibérica ou os Apeninos em Itália. Se o segundo grupo ainda tem alguma margem de manobra, para o segundo, sujeito a escolhas locais destinadas a apoiar certas zonas, é difícil prever retornos económicos positivos continuando a apostar nos desportos de inverno."

Em muitas estâncias, já estão a ser feitas tentativas para atenuar o problema com neve artificial. No entanto, já em 2007, um estudo da OCDE tinha salientado a chamada "regra dos cem dias", ou seja, a ideia de que uma zona deve poder contar com cem dias por ano de abertura, com pelo menos 30 centímetros de neve natural. Caso contrário, é difícil obter a rentabilidade esperada.
Neve artificial, apenas uma solução parcial e não isenta de custos económicos e ambientais

A neve disparada por canhões pode, portanto, ser um apoio, mas não um substituto e o preço deve ser tido em conta: "Para fazer neve numa encosta com um quilómetro de comprimento, cerca de 50 metros de largura e 40 centímetros de espessura, o custo varia entre 30 e 40 mil euros", explica a agência Agi.

Segundo a qual, "o custo de produção da neve artificial varia de 2 a 3,8 euros por metro cúbico, dependendo da temperatura e da humidade do ar. Com estes valores, a produção é de 2,5 metros de neve por metro cúbico de água. O custo da neve por hectare é de 15 mil euros".

"Os custos associados à produção de neve (artificial ) propriamente dita são, de qualquer modo, relativamente marginais em relação aos custos globais de exploração de uma estância de esqui", salienta Hugues. "Mas há também um fator ambiental a ter em conta, que está ligado aos recursos hídricos e à sua disponibilidade. De facto, é muitas vezes necessário criar lagos artificiais para poder dispor da água necessária, e estas obras representam um custo não negligenciável. Em geral, portanto, mesmo para as estâncias menos afetadas pelas alterações climáticas, é necessário repensar os modelos de negócio e adaptá-los às consequências do aquecimento global".

Neve artificial - uma enorme pegada hídrica 
A World Wide Fund for Nature (WWF) sublinhou precisamente o impacto em termos de recursos hídricos da neve disparada por canhões: "para a produção básica de neve (cerca de 30 centímetros de neve, muitas vezes mais) de uma pista de um hectare, são necessários pelo menos um milhão de litros de água, ou seja, mil metros cúbicos. Enquanto a produção de neve subsequente exige, consoante as situações, um consumo de água consideravelmente superior, que corresponde aproximadamente ao consumo anual de uma cidade de 1,5 milhões de habitantes."

É por esta razão quea União Europeia, na revisão do seu plano de ação para a região alpina, contido numa comunicação de 11 de dezembro de 2025, sublinhou que, face à pressão da crise climática, "a gestão comum e bem coordenada dos cursos de água transfronteiriços é essencial para assegurar a proteção integrada, a melhoria e a recuperação dos recursos hídricos e dos seus ecossistemas, e é fundamental para a resiliência e a segurança da água na Europa."

A eletricidade é necessária para fazer funcionar os canhões e as lanças, o que leva a um aumento do consumo e consequentes emissões de gases com efeito de estufa. Contribuindo assim para o círculo vicioso que alimenta a crise climática. De facto, calculou-se no passado que, para nevar artificialmente todo o arco alpino, seriam necessários cerca de 600 GWh, o que equivale ao consumo anual de 130 mil agregados familiares de quatro pessoas.

Custos dos passes de esqui estão a aumentar na Europa: +34,8% em dez anos
As despesas de esqui na Europa aumentaram em média 34,8%, muito acima da inflação, desde 2015, com os maiores aumentos na Suíça, Áustria e Itália. De tal forma que muitas das principais estâncias tornaram-se inacessíveis para a maioria dos turistas.

"O esqui vai tornar-se um desporto para os ricos ", explica Christophe Clivaz, professor da Universidade de Lausanne, ao Valori.it. Na verdade, "já o é, mas vai sê-lo cada vez mais, porque os custos de manutenção das pistas vão aumentar. Sem contar que para esquiar é preciso comprar ou alugar esquis e botas. E depois casacos, calças, luvas, óculos de proteção. Já hoje, num país como a Suíça, uma grande parte da população não tem meios para esquiar, sobretudo as famílias numerosas."

Segundo a associação de defesa do consumidor Assoutenti, um passe diário de esqui para o "Dolomiti Superski", que garante o acesso às doze estâncias das Dolomitas, custa atualmente 86 euros por dia, contra 67 euros em 2021.

Em Roccaraso, Abruzzo, em Itália, o preço de um bilhete semelhante atinge os 60 euros. O mesmo bilhete em 2021 custava 47 euros e no ano passado 58 euros. Em Livigno, na fronteira com a Suíça, registou-se o maior aumento: de 52 euros em 2021 para 72 euros em 2025 (mais 38%).

Os operadores das estâncias de esqui alpinas onde continuará a ser possível esquiar, conclui Hugues, "atrairão turistas ricos de mais longe, clientes provenientes, por exemplo, do Reino Unido, mas também de Espanha ou da Grécia, países onde será cada vez mais difícil esquiar. Isto pode ser positivo do ponto de vista económico, mas vai complicar as coisas do ponto de vista ambiental e climático, uma vez que irá aumentar as emissões de gases com efeito de estufa associadas às viagens turísticas, alimentando ainda mais as alterações climáticas."

Para visualizar os gráficos da Statista aqui

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Floco de neve visto ao microscópio electrónico


O cientista Nathan Myhrvold conseguiu registar as mais belas e detalhadas fotografias de flocos de neve já feitas! Isto graças a um trabalho árduo e a uma tecnologia de ponta, criada especialmente para registar estes pequenos cristais gelados.

A neve é um dos fenómenos meteorológicos mais fascinantes, responsável por criar cenários incríveis e encantadores quando precipita das nuvens e se acumula na superfície. Mas a sua beleza não se limita apenas às paisagens, existe uma beleza que não podemos vislumbrar a olho nu: os flocos de neve!

Nathan Myhrvold, ex CTO da Microsoft, afirma ter captado as imagens de flocos de neve de maior resolução do mundo.

Esta beleza difícil de ser vista foi o que inspirou Nathan Myhrvold a aventurar-se em mais um grande desafio: fotografar flocos de neve em alta resolução! Myhrvold foi diretor de tecnologia na Microsoft por muitos anos, mas deixou o seu cargo em 1999. À procura de novos desafios, passou a dedicar-se às suas paixões: cozinha e fotografia. Inclusive, ele é coautor do livro de receitas Modernist Cuisine, um livro de 5 volumes sobre a arte e a ciência de cozinhar.

Myhrvold disse à Accuweather que o seu desejo de fotografar flocos de neve começou quando decidiu que gostaria de fotografar coisas comuns que as pessoas vivenciam todos os dias. Mas ele queria que os temas das suas fotos fossem objetos que não podem ser vistos a olho nu, colocando-os em foco.

Entretanto, os desafios de fotografar flocos de neve são bem óbvios, sendo extremamente frágeis e minúsculos, medindo apenas alguns milímetros de diâmetro, um floco de neve pode derreter em segundos. Por isso, Myhrvold teve que pensar muito e arquitetar uma configuração tecnológica perfeita para superar todos estes desafios.

A tecnologia e a ciência por detrás das fotografias
Após 18 meses de trabalho duro, Myhrvold projetou e criou uma câmara de alta resolução personalizada combinada com um microscópio que funciona em climas frios. Para tal, ele teve que fazer uma série de adaptações, como, por exemplo, colocar fibra de carbono na moldura do seu microscópio, já que o metal se expande e contrai com a temperatura.

Para certificar-se de que os flocos não derretiam na lâmina do microscópio antes que os pudesse fotografar, Myhrvold decidiu usar safira artificial em vez de vidro, pois o vidro transmite bem o calor. Essa safira artificial era arrefecida para garantir que os flocos de neve ficassem intactos durante o maior tempo possível.

Até mesmo o esquema de iluminação por flash teve que ser adaptado. Myhrvold optou por luzes de LED que piscavam por apenas um milionésimo de segundo, que elimina tanto a transferência de calor quanto as vibrações, que poderiam destruir o espécime ou borrar a fotografia.

Assim que o equipamento estava pronto, havia outro desafio à sua espera: encontrar o local certo e capturar os flocos! Para isso, instalou-se em varandas em Fairbanks, Alasca e Yellowknife, Territórios do Noroeste, Canadá, sob temperaturas de até -20ºC! Com um pedaço de papelão coberto de veludo, Myhrvold capturou milhares de flocos de neve, mas nem todos estavam em perfeitas condições para serem fotografados.

Então, Myhrvold analisava cada floco com uma lupa, selecionava os melhores, capturava-os com um pequeno pincel e colocava-os na sua câmara microscópica, gerando as mais belas imagens de flocos de neve!

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

World heading toward ‘peak glacier extinction’ with up to 4,000 set to disappear a year



Hundreds gathered to say goodbye when 700-year-old Pizol died. The funeral in Switzerland in 2019 was solemn. Mourners wore black; flowers were laid; a priest spoke. It was a symbolic moment: Pizol had been a glacier, but human-driven climate change had reduced it to some scattered chunks of ice.

Pizol is far from the first glacier death. Thousands have vanished over the past few decades and as the world continues to heat up, they are expected to disappear at an increasing pace. New research gives a glimpse of just how quickly that might happen, and it’s stark.

By the middle of the century, the number of glaciers disappearing is set to peak at up to 4,000 a year, if humans keep pumping out climate pollution, according to a study published Monday in Nature Climate Change. That’s equivalent to losing all the glaciers in the European Alps in just one year.

Research has tended to focus on the total amount or area of ice lost from glaciers as temperatures tick upward, rather than changes to their total number. This is partly because the number of glaciers is a less clearly defined metric. It depends on assessments of what constitutes a glacier and current inventories sometimes struggle to detect smaller or debris-covered ice bodies. Best estimates say there are currently more than 200,000 glaciers on Earth.

But the study authors say knowing where and when individual glaciers will vanish is important. It shows “climate change does not just lead to some ice melt, but it leads to the complete extinction of many glaciers,” said Matthias Huss, a study author and a glaciologist at the Swiss university ETH Zürich, who spoke at Pizol’s funeral back in 2019.

The scientists looked at the planet’s glaciers using a global database to pin down “peak glacier extinction,” meaning the period during which the largest number of glaciers disappear.

They used models to determine when each individual glacier would become too small to be classified as a glacier: defined as when its area falls below 0.01 square kilometers (0.004 square miles), or it reaches less than 1% of its initial volume, as measured around the year 2000.

Their analysis found that glacier extinction will peak around mid-century, with the exact timing and extent dependent on the level of global warming.

If the world manages to keep warming to 1.5 degrees Celsius above pre-industrial levels, something it is not on track to do, the number of individual glaciers disappearing will peak around 2041, at roughly 2,000 per year.

At 4 degrees of warming, that peak shifts to the mid-2050s and intensifies to around 4,000 a year. This is 3 to 5 times higher than the present rate of global loss, the report says.

The world is currently on course for around 2.7 degrees of warming if climate pledges are met. At this level, peak extinction will happen over a longer period, with the world losing around 3,000 glaciers a year between 2040 and 2060.

The researchers also drilled down to specific regions. In areas where smaller glaciers dominate, such as the European Alps, parts of the Andes and North Asia, more than half the glaciers are expected to disappear within the next two decades, the report found. They are also expected to see an earlier peak in glacier extinction, around 2040.

In contrast, regions with bigger glaciers, including Greenland and the Russian Arctic, will see a delayed peak in glacier extinction, later in the century.

Whether the world ends up witnessing the deaths of 2,000 or 4,000 glaciers a year is all about how much is done to rein in global heating.

Only 20% of glaciers are expected to remain by 2100 under 2.7 degrees of warming, compared to around 50% at 1.5 degrees. At 4 degrees, the world is looking at a nearly complete loss of glaciers.

“This study does a great job at highlighting the fact not only are glaciers melting worldwide, many of them may be entirely gone in the coming decades; and the trend is accelerating,” said Eric Rignot, professor of Earth system science at the University of California at Irvine, who was not involved in the research. It is “a point of no return, because reforming a glacier would take decades if not centuries,” he told CNN.

The losses will have significant implications. Glaciers are a vital source of water for many communities but beyond that, they are a tourist draw, attracting millions of visitors each year and many ski resorts depend on them. They also hold a deep cultural importance for communities, tied to local traditions.

“They are really icons of climate change,” said Harry Zekollari, a study author and glaciologist at the Vrije Universiteit Brussel in Belgium. “If you go to someone, you talk to them on the street about the fact that temperatures have risen by 2 degrees, it’s really difficult to picture, but glaciers, they’re so visual.”

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

O Dia Internacional das Montanhas de 2025 destaca as comunidades e os ecossistemas das montanhas do mundo



O Dia Internacional das Montanhas é celebrado em todo o mundo anualmente em 11 de dezembro, e é um dia dedicado ao papel que as montanhas desempenham na manutenção da vida, da cultura e da biodiversidade. As montanhas ocupam aproximadamente 22% da área terrestre da Terra. e são o habitat natural de mais de 1.1 bilião de pessoas em todo o mundo. Elas oferecem rios, alimentos, energia e uma fonte de patrimônio cultural para as populações que vivem tanto em suas encostas quanto em áreas mais afastadas. Este Dia Internacional das Montanhas de 2025 é um momento para lembrar as comunidades de montanha e a natureza que delas dependem; portanto, o foco se volta para a necessidade de sua gestão sustentável para salvar essas áreas delicadas.

Ameaças aos ecossistemas de montanha
Ainda assim, os ecossistemas de montanha estão declinando de forma muito grave em várias partes do mundo. As mudanças climáticas aceleraram o derretimento das geleiras, elas estão recebendo chuvas em épocas nunca antes vistas e estão sofrendo deslizamentos de terra com mais frequência devido ao aquecimento global.

Corte de madeira, extração de minerais e atividades turísticas descontroladas. São exemplos de intervenções humanas que tornam o local ainda mais perigoso para os moradores dessas áreas. fauna e flora da montanha Essas regiões são particularmente vulneráveis, visto que um grande número de espécies está aclimatado a pouquíssimas condições climáticas. É de suma importância que protejamos esses ecossistemas para garantir o abastecimento contínuo de água e o equilíbrio ecológico para milhões de pessoas que vivem rio abaixo.

Comunidades de montanha: a vida em lugares altos
As montanhas não são meramente formações naturais; elas também abrigam civilizações e meios de subsistência distintos. Normalmente, comunidades indígenas e rurais Eles se dedicam à agricultura, à pecuária e ao turismo como fontes de renda. No entanto, estão na linha de frente para sofrer os impactos negativos das mudanças ambientais.[Fonte]

Neste dia, os eventos e projetos giram principalmente em torno do tema de equipar os habitantes com os meios de sobrevivência através da implementação de práticas ecologicamente corretas e do uso de energia renovávele a oferta de educação.

Aumentar a Conscientização e a Ação
O Dia Internacional das Montanhas de 2025 é uma oportunidade para aumentar a conscientização e agir em prol da conservação e do desenvolvimento sustentável de áreas de alta altitude. Muitas organizações promovem a data realizando workshops, organizando mutirões de limpeza comunitários, fornecendo informações educativas e patrocinando atividades de aventura para conectar as pessoas a essas paisagens majestosas. Este dia promove a colaboração global e o apoio mútuo para ajudar a garantir a prosperidade das montanhas. comunidades montanhosas e ecossistemas saudáveis.

Ao celebrarmos este dia, lembramos da importância das montanhas para a vida, a cultura e a regulação do clima da Terra, e que, ao protegê-las, podemos ajudar a garantir que as pessoas e os ecossistemas prosperem nas montanhas do mundo para as gerações futuras.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Respiração branca


"A neve repousa sobre o mundo,
uma capa branca que tudo guarda.
Folhas caídas dormem entre os cristais,
como barcos de silêncio
a flutuar sobre o tempo.

Sob a superfície branca,
o pequeno e o invisível respiram.
Ramos quebrados, pegadas quase apagadas,
o sussurro de animais que passam despercebidos
—cada gesto, um fio
que liga gelo, vida e ar.

Eu caminho, discreto,
mas cada passo é sentido
por raízes e por ventos,
pelas sombras que escorrem
pelos troncos, pelas pedras,
e pelos olhos atentos da vida selvagem  
—tudo é respiração,
um mesmo instante cósmico
onde o mundo se reconhece inteiro.

E eu,
só por estar aqui,
já me torno parte do acordo primordial:
um instante de respiração branca,
um nome 
no silêncio luminoso da paisagem."

João Soares, 08.12.2025

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Cocteau Twins - How to Bring a Blush to the Snow


A canção “How to Bring a Blush to the Snow”, dos Cocteau Twins, faz parte do álbum Victorialand (1986), um dos trabalhos mais etéreos e contemplativos da banda. Gravado sem o baixista Simon Raymonde, o disco apresenta uma sonoridade leve, dominada por guitarras cristalinas e ambientes sonoros quase imateriais, que criam a sensação de um espaço gelado e luminoso, entre a melancolia e o sonho. A faixa em particular destaca-se pelo seu clima de fragilidade e pela forma como as guitarras parecem “tremeluzir”, acompanhando a voz de Elizabeth Fraser — uma voz que não narra, mas se transforma num instrumento emocional.

Como em quase todas as canções dos Cocteau Twins, as letras são enigmáticas, por vezes ininteligíveis, e o significado é mais sugerido do que dito. O título, “How to Bring a Blush to the Snow” (“Como fazer a neve corar”), evoca a ideia de dar cor, calor ou vida a algo frio e imaculado. Pode ser lido como uma metáfora para o despertar da emoção num ambiente de silêncio e distância, ou como a tentativa de introduzir humanidade e ternura num mundo de gelo — literal ou simbólico. Há quem veja na canção uma meditação sobre o renascimento e a delicadeza, uma paisagem sonora onde o frio se dissolve aos poucos pela presença de algo vivo.

Em Victorialand, as referências à neve, ao vento e às paisagens árticas são recorrentes, e esta faixa parece representar o momento em que a natureza começa a mudar, quando o gelo ganha um leve rubor — o presságio da primavera ou do afeto. Mais do que transmitir uma mensagem concreta, a canção convida o ouvinte a uma experiência sensorial: é sobre sentir a beleza efémera do calor que toca o frio, do silêncio que ganha voz. O seu significado, como o próprio mundo dos Cocteau Twins, reside menos nas palavras e mais na emoção que provoca.

No no no no no (I did everything) (I want a banana) But it’s driving me bonkers (I did everything) (I want a banana) Every beddie time he cries (I want a banana) (I want a banana) They mostly never soothe them (Oh wonderful food-ah) (Oh wonderful food-ah) I did everything I did everything No no no no no (I did everything) (I want a banana) But it’s driving me bonkers (I did everything) (I want a banana) Every beddie time he cries (I want a banana) (I want a banana) They mostly never soothe them (Oh wonderful food-ah) (Oh wonderful food-ah) I did everything (The fold-over, proper cheeks, I got …) I did everything (… Be firm, I said “It’s very fattening!”) (oh) Rotondedissima Rotondo tondo tondo rotondo Rotondedissima Rotondo tondo tondo rotondo Rotondedissima Rotondo tondo tondo rotondo Rotondedissima Rotondo tondo tondo rotondo Don’t know, hurry, hurry (Oh wonderful food-ah) Siss, I miss your commentary (Oh wonderful food-ah) Any time he cries (You ate a banana) (You ate a banana) They mostly never soothe them (You ate a banana) (You ate a banana) Oh wonderful food-ah Oh wonderful food-ah Someone hurry, hurry (Oh wonderful food-ah) Siss, I miss your commentary (Oh wonderful food-ah) Any time he cries (You ate a banana) (You ate a banana) They mostly never soothe them (You ate a banana) (You ate a banana) Oh wonderful food-ah (The fold-over, proper cheeks, I got …) Oh wonderful food-ah (… Be firm, I said “It’s very fattening!”) Tondo Bravo Rota, did ya see you move a mondo Tondo Bravo Rota, did ya see you move a mondo

sábado, 25 de outubro de 2025

Anja Huwe / Xmal Deutschland - Polar Forest


Anja Huwe é a vocalista icónica dos lendários precursores do movimento pós-punk Xmal Deutschland. Após o sucesso da banda com quatro álbuns em editoras de culto como a 4AD, Huwe seguiu uma carreira nas artes visuais, sem nunca ter abandonado a sua paixão pela música através de várias plataformas criativas.

Convidada pela sua amiga de longa data Mona Mur, musicista, compositora e produtora, Huwe reconsiderou o seu hiato de décadas na música e decidiu juntar-se a Mur no seu estúdio em Berlim. Juntas, trabalharam durante um ano e meio, compondo, tocando e produzindo as faixas de raiz, que acabariam por se tornar no álbum “Codes”, lançado este ano pela Sacred Bones Records, de Nova Iorque.

O álbum apresenta sons electrónicos distintos, bem como o estilo único de guitarra Xmal de Manuela Rickers. O regresso de Anja Huwe aos palcos com a apresentação do seu requintado álbum a solo “Codes”, juntamente com uma sólida seleção de clássicos de Xmal Deutschland em interpretações modernas é inesperado, mas há muito esperado. “Codes” é a página que faltava nos livros de história do pós-punk, a tinta acabada de espalhar pela tela de décadas – é o produto da incansável vontade de sobreviver nos seus próprios termos.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Ice Apocalypse


In a remote region of Antarctica known as Pine Island Bay, 2,500 miles from the tip of South America, two glaciers hold human civilization hostage.

Stretching across a frozen plain more than 150 miles long, these glaciers, named Pine Island and Thwaites, have marched steadily for millennia toward the Amundsen Sea, part of the vast Southern Ocean. Further inland, the glaciers widen into a two-mile-thick reserve of ice covering an area the size of Texas.

There’s no doubt this ice will melt as the world warms. The vital question is when.

The glaciers of Pine Island Bay are two of the largest and fastest-melting in Antarctica. (A Rolling Stone feature earlier this year dubbed Thwaites “The Doomsday Glacier.”) Together, they act as a plug holding back enough ice to pour 11 feet of sea-level rise into the world’s oceans — an amount that would submerge every coastal city on the planet. For that reason, finding out how fast these glaciers will collapse is one of the most important scientific questions in the world today.

To figure that out, scientists have been looking back to the end of the last ice age, about 11,000 years ago, when global temperatures stood at roughly their current levels. The bad news? There’s growing evidence that the Pine Island Bay glaciers collapsed rapidly back then, flooding the world’s coastlines — partially the result of something called “marine ice-cliff instability.”

The ocean floor gets deeper toward the center of this part of Antarctica, so each new iceberg that breaks away exposes taller and taller cliffs. Ice gets so heavy that these taller cliffs can’t support their own weight. Once they start to crumble, the destruction would be unstoppable.

“Ice is only so strong, so it will collapse if these cliffs reach a certain height,” explains Kristin Poinar, a glaciologist at NASA’s Goddard Space Flight Center. “We need to know how fast it’s going to happen.”

In the past few years, scientists have identified marine ice-cliff instability as a feedback loop that could kickstart the disintegration of the entire West Antarctic ice sheet this century — much more quickly than previously thought.

Minute-by-minute, huge skyscraper-sized shards of ice cliffs would crumble into the sea, as tall as the Statue of Liberty and as deep underwater as the height of the Empire State Building. The result: a global catastrophe the likes of which we’ve never seen.

Ice comes in many forms, with different consequences when it melts. Floating ice, like the kind that covers the Arctic Ocean in wintertime and comprises ice shelves, doesn’t raise sea levels. (Think of a melting ice cube, which won’t cause a drink to spill over.)

Land-based ice, on the other hand, is much more troublesome. When it falls into the ocean, it adds to the overall volume of liquid in the seas. Thus, sea-level rise.

Antarctica is a giant landmass — about half the size of Africa — and the ice that covers it averages more than a mile thick. Before human burning of fossil fuels triggered global warming, the continent’s ice was in relative balance: The snows in the interior of the continent roughly matched the icebergs that broke away from glaciers at its edges.

Now, as carbon dioxide traps more heat in the atmosphere and warms the planet, the scales have tipped.

A wholesale collapse of Pine Island and Thwaites would set off a catastrophe. Giant icebergs would stream away from Antarctica like a parade of frozen soldiers. All over the world, high tides would creep higher, slowly burying every shoreline on the planet, flooding coastal cities and creating hundreds of millions of climate refugees.

All this could play out in a mere 20 to 50 years — much too quickly for humanity to adapt.

“With marine ice cliff instability, sea-level rise for the next century is potentially much larger than we thought it might be five or 10 years ago,” Poinar says.

A lot of this newfound concern is driven by the research of two climatologists: Rob DeConto at the University of Massachusetts-Amherst and David Pollard at Penn State University. A study they published last year was the first to incorporate the latest understanding of marine ice-cliff instability into a continent-scale model of Antarctica.

Their results drove estimates for how high the seas could rise this century sharply higher. “Antarctic model raises prospect of unstoppable ice collapse,” read the headline in the scientific journal Nature, a publication not known for hyperbole.

Instead of a three-foot increase in ocean levels by the end of the century, six feet was more likely, according to DeConto and Pollard’s findings. But if carbon emissions continue to track on something resembling a worst-case scenario, the full 11 feet of ice locked in West Antarctica might be freed up, their study showed.

Three feet of sea-level rise would be bad, leading to more frequent flooding of U.S. cities such as New Orleans, Houston, New York, and Miami. Pacific Island nations, like the Marshall Islands, would lose most of their territory. Unfortunately, it now seems like three feet is possible only under the rosiest of scenarios.

At six feet, though, around 12 million people in the United States would be displaced, and the world’s most vulnerable megacities, like Shanghai, Mumbai, and Ho Chi Minh City, could be wiped off the map.

At 11 feet, land currently inhabited by hundreds of millions of people worldwide would wind up underwater. South Florida would be largely uninhabitable; floods on the scale of Hurricane Sandy would strike twice a month in New York and New Jersey, as the tug of the moon alone would be enough to send tidewaters into homes and buildings.

DeConto and Pollard’s breakthrough came from trying to match observations of ancient sea levels at shorelines around the world with current ice sheet behavior.

Around 3 million years ago, when global temperatures were about as warm as they’re expected to be later this century, oceans were dozens of feet higher than today.

Previous models suggested that it would take hundreds or thousands of years for sea-level rise of that magnitude to occur. But once they accounted for marine ice-cliff instability, DeConto and Pollard’s model pointed toward a catastrophe if the world maintains a “business as usual” path — meaning we don’t dramatically reduce carbon emissions.

Rapid cuts in greenhouse gases, however, showed Antarctica remaining almost completely intact for hundreds of years.

Pollard and DeConto are the first to admit that their model is still crude, but its results have pushed the entire scientific community into emergency mode.

“It could happen faster or slower, I don’t think we really know yet,” says Jeremy Bassis, a leading ice sheet scientist at the University of Michigan. “But it’s within the realm of possibility, and that’s kind of a scary thing.”

Scientists used to think that ice sheets could take millennia to respond to changing climates. These are, after all, mile-thick chunks of ice.

The new evidence, though, says that once a certain temperature threshold is reached, ice shelves of glaciers that extend into the sea, like those near Pine Island Bay, will begin to melt from both above and below, weakening their structure and hastening their demise, and paving the way for ice-cliff instability to kick in.

In a new study out last month in the journal Nature, a team of scientists from Cambridge and Sweden point to evidence from thousands of scratches left by ancient icebergs on the ocean floor, indicating that Pine Island’s glaciers shattered in a relatively short amount of time at the end of the last ice age.

The only place in the world where you can see ice-cliff instability in action today is at Jakobshavn glacier in Greenland, one of the fastest-collapsing glaciers in the world. DeConto says that to construct their model, they took the collapse rate of Jakobshavn, cut it in half to be extra conservative, then applied it to Thwaites and Pine Island.

But there’s reason to think Thwaites and Pine Island could go even faster than Jakobshavn.

Right now, there’s a floating ice shelf protecting the two glaciers, helping to hold back the flow of ice into the sea. But recent examples from other regions, like the rapidly collapsing Larsen B ice shelf on the Antarctic Peninsula, show that once ice shelves break apart as a result of warming, their parent glaciers start to flow faster toward the sea, an effect that can weaken the stability of ice further inland, too.

“If you remove the ice shelf, there’s a potential that not just ice-cliff instabilities will start occurring, but a process called marine ice-sheet instabilities,” says Matthew Wise, a polar scientist at the University of Cambridge.

This signals the possible rapid destabilization of the entire West Antarctic ice sheet in this century. “Once the stresses exceed the strength of the ice,” Wise says, “it just falls off.”

And, it’s not just Pine Island Bay. On our current course, other glaciers around Antarctica will be similarly vulnerable. And then there’s Greenland, which could contribute as much as 20 feet of sea-level rise if it melts.

Next to a meteor strike, rapid sea-level rise from collapsing ice cliffs is one of the quickest ways our world can remake itself. This is about as fast as climate change gets.

Still, some scientists aren’t fully convinced the alarm is warranted. Ted Scambos, lead scientist at the National Snow and Ice Data Center in Colorado, says the new research by Wise and his colleagues, which identified ice-cliff instabilities in Pine Island Bay 11,000 years ago, is “tantalizing evidence.” But he says that research doesn’t establish how quickly it happened.

“There’s a whole lot more to understand if we’re going to use this mechanism to predict how far Thwaites glacier and the other glaciers are going to retreat,” he says. “The question boils down to, what are the brakes on this process?”

Scambos thinks it is unlikely that Thwaites or Pine Island would collapse all at once. For one thing, if rapid collapse did happen, it would produce a pile of icebergs that could act like a temporary ice shelf, slowing down the rate of retreat.

Despite the differences of opinion, however, there’s growing agreement within the scientific community that we need to do much more to determine the risk of rapid sea-level rise. In 2015, the U.S. and U.K. governments began to plan a rare and urgent joint research program to study Thwaites glacier. Called “How much, how fast?,” the effort is set to begin early next year and run for five years.

Seeing the two governments pooling their resources is “really a sign of the importance of research like this,” NASA’s Poinar says.

Given what’s at stake, the research program at Thwaites isn’t enough, but it might be the most researchers can get. “Realistically, it’s probably all that can be done in the next five years in the current funding environment,” says Pollard.

He’s referring, of course, to the Trump administration’s disregard for science and adequate scientific funding; the White House’s 2018 budget proposal includes the first-ever cut to the National Science Foundation, which typically funds research in Antarctica.

“It would be sensible to put a huge effort into this, from my perspective,” Pollard says. Structural engineers need to study Antarctica’s key glaciers as though they were analyzing a building, he says, probing for weak spots and understanding how exactly they might fail. “If you vastly increase the research now, [the cost] would still be trivial compared to the losses that might happen.”

Bassis, the ice sheet scientist at the University of Michigan, first described the theoretical process of marine ice-cliff instability in research published only a few years ago.

He’s 40 years old, but his field has already changed enormously over the course of his career. In 2002, when Bassis was conducting his PhD research in a different region of Antarctica, he was shocked to return to his base camp and learn that the Larsen B ice shelf had vanished practically overnight.

“Every revision to our understanding has said that ice sheets can change faster than we thought,” he says. “We didn’t predict that Pine Island was going to retreat, we didn’t predict that Larsen B was going to disintegrate. We tend to look at these things after they’ve happened.”

There’s a recurring theme throughout these scientists’ findings in Antarctica: What we do now will determine how quickly Pine Island and Thwaites collapse. A fast transition away from fossil fuels in the next few decades could be enough to put off rapid sea-level rise for centuries. That’s a decision worth countless trillions of dollars and millions of lives.

“The range of outcomes,” Bassis says, “is really going to depend on choices that people make.”

sábado, 21 de novembro de 2015

Música do Bioterra: Otto A. Totland - Âust


Video: Iceland, March, 2014 (Gulfoss, mainly)
Uma característica marcante das gravações de Totland em "Âust" é a inclusão dos sons mecânicos do próprio piano — o ranger do banco, o movimento dos pedais e o respirar das teclas. Estes ruídos de fundo são parte integrante da experiência estética, conferindo à música uma sensação de proximidade física e vulnerabilidade.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Música do BioTerra: Sisters of Mercy- Driven like the snow


Still night, nothing for miles
A white curtain come down
Kill the lights in the middle of the road
And take a, take a look around
It don't help to be one of the chosen
One of the few to be sure
When the wheels are spinning around
And the ground is frozen through

And you're driven like the snow
Pure in heart
Driven together

And given away to the west
A white dress but still the river don't run
A black dress looking like mine
'Til the sun don't shine no more
Where the sky meet the ground
Where the street fold round
Where the voice you hold don't make no sound
Look snow on the river and two by two
Took a lot to live, a lot like you
I don't go there now, but I hear they sung their
"Fuck me and marry me young"
Some wild idea and a big white bed
Now, you know better than that, I said

Like a voice in the wind blow little crystals down
Like brittle things will break before they turn
Like a lipstick on my cigarette
And the ice get harder overhead
Like think it twice but never, never learn

And the mist will wrap around us
And the crystal, if you touch it

And the cars lost in the drift are there
And the people that drive lost in the drift are there
And the cars I've lost in the drift are there
Theirs, ours, lost in the drift are, are, are, are, are
Driven
Driven together
And driven apart

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O papel vital da criosfera, a glaciologia e as alterações climáticas

Em tempo de balanço do Ano Internacional Polar, que termina em 2009, refiro aqui mais alguns documentos, vídeos e páginas muito pertinentes.

1. Glaciologia do Antárctico
1.1.Expedição, fotos e linques sobre as megadunas na e-página National Snow and Ice Data Center (NSIDC)
1.2.Gigante base de informações na e-página Antarctic Glaciological Data Center (AGDC)
1.3. Numa expedição em Fevereiro de 2006, designada IceTrek, uma equipa internacional de investigadores, incluindo Ted Scambos, procurou saber em que medida as alterações climáticas aceleram a fragmentação de grandes blocos de gelo
1.4.VELMAP trata-se da compilação das medições da velocidade do gelo e variações


2. Sítios com enorme informação sobre a criosfera

Glaciologia e alterações climáticas em:

Cooperative Institute for Research in Environmental Sciences (CIRES)