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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Central Solar Sophia - O negócio do filho de Marques Mendes


O projecto Sophia, localizado no concelho do Fundão, prevê a ocupação de 428 hectares de Reserva Ecológica Nacional, abrangendo zonas de leitos e margens de cursos de água, áreas de risco de erosão e territórios classificados pela sua sensibilidade ambiental. O empreendimento implicará o abate de cerca de 1.500 sobreiros e afectará habitats de mais de 140 espécies de aves, incluindo a Águia-imperial-ibérica, o Abutre-preto e a Cegonha-preta — todas espécies protegidas em áreas de Reservas Naturais.

O Projecto Sophia é promovido pela empresa Coloursflow Unipessoal, Lda, cujo capital social é 1 euro, foi constituída em 27 de Maio de 2021, e é gerida por Miguel Ricardo Fernandes Lobo. O único sócio desta sociedade é a Lightsource Renewable Energy, Lda, detida por João Pedro Pinto Salazar Marques Mendes, filho de Luís Marques Mendes.

Trata-se de um investimento de grande escala (600 milhões de euros), inserido num conjunto mais vasto de empreendimentos fotovoltaicos actualmente em desenvolvimento em diversas regiões do País. A localização, no interior da Beira Baixa, tem suscitado críticas de associações ambientais e das populações locais, que alertam para o impacto irreversível sobre os solos, os recursos hídricos e os ecossistemas.

Em paralelo, o nome de João Marques Mendes, advogado, surge referido nas escutas da Operação Influencer, investigação conduzida pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP). Segundo o Ministério Público, o advogado, ligado à Start Campus, participou na elaboração de uma portaria do então ministro João Galamba, destinada a viabilizar o grande centro de dados de Sines — considerado o maior investimento estrangeiro em Portugal desde a Autoeuropa. As escutas telefónicas transcritas pelo DCIAP documentam contactos entre o advogado e administradores da Start Campus, considerados relevantes para o esclarecimento do processo. A investigação assinala coordenação entre agentes públicos e privados com vista à criação de condições favoráveis à aprovação do projecto.

O projecto solar Sophia enquadra-se num contexto de expansão acelerada da produção fotovoltaica, em que a dimensão e a localização dos empreendimentos levantam questões ambientais e sociais de grande alcance. Os estudos técnicos apontam para aumento da temperatura local entre 3 e 5 graus, perda de biodiversidade, alterações na drenagem natural e degradação dos solos, com repercussões directas sobre a agricultura, as comunidades rurais e o equilíbrio ecológico da região. Prevê-se também o isolamento de pequenas povoações e a transformação definitiva da paisagem, com impactos duradouros no território e na qualidade de vida das populações locais.

O processo encontra-se sujeito a avaliação ambiental e a pareceres técnicos que determinarão a sua viabilidade final. A discussão pública em torno do projecto reflecte uma preocupação crescente com a forma como os grandes investimentos energéticos estão a ser conduzidos em Portugal e com a necessidade de assegurar que a política de transição ambiental decorre de forma transparente, equilibrada e compatível com a preservação do património natural.

O projecto Sophia, localizado no concelho do Fundão, prevê a ocupação de 428 hectares de Reserva Ecológica Nacional, abrangendo zonas de leitos e margens de cursos de água, áreas de risco de erosão e territórios classificados pela sua sensibilidade ambiental. O empreendimento implicará o abate de cerca de 1.500 sobreiros e afectará habitats de mais de 140 espécies de aves, incluindo a Águia-imperial-ibérica, o Abutre-preto e a Cegonha-preta — todas espécies protegidas em áreas de Reservas Naturais.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Parecer negativo: Proposta de definição de âmbito da Central Solar Fotovoltaica da Beira


O meu texto na Consulta Pública
"Discordo da implementação da Central Solar Fotovoltaica de Sophia e das Linhas de Muito Alta Tensão associadas, pois o impacto ambiental e paisagístico em concelhos como o Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova é demasiado elevado face aos benefícios apresentados.
Isto é um crime ambiental! As duas centrais preveem o abate de cerca de 2.000 árvores "protegidas". Mas serão muitos milhares mais! As que não são protegidas não as contam! Em qualquer terreno da Beira Baixa, além dos sobreiros e azinheiras (espécies protegidas) há oliveiras. Muitas delas centenárias. É previsível que sejam arrancadas milhares delas. Iremos ter terras estéreis, de onde antes provinha um azeite de excelente qualidade. Além disso nidificam aves nessa região aves de relevância ecológica (águia-de-bonelli, abutre preto, águia imperial ibérica, águia real) e localiza-se perto do Parque Natural do Tejo Internacional.
Não existe "energia verde" à conta do extermínio do verdadeiro verde da vida, do abate de milhares de árvores, da destruição de ecossistemas, provável extinção de aves sensíveis já referidas e alteração grave de uma ZPE ambientalmente rica e, repito, muito sensível."
E anexei o parecer da SPEA.



domingo, 21 de setembro de 2025

Porto contra os eucaliptos e na defesa da floresta tradicional

O país não pode estar entregue à celulose, além disso, o eucalipto não é assim tão bom negócio quanto isso.

"Com mais um bocado de trabalho, o carvalhal dá mais rendimento", argumentou Carlos Evaristo, apontando a um estudo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Embora demore mais anos a crescer, uma floresta de carvalhos "permite subprodutos como os cogumelos ou o mel, valoriza a paisagem e atrai turistas - ninguém gosta de fazer turismo no meio dos eucaliptos", acrescentou, lembrando o mote principal da manifestação: os fogos florestais.

"O eucalipto é uma árvore que beneficia do fogo para se reproduzir", diz Carlos Evaristo. A árvore, originária da Austrália, não só medra no fogo como "é terreno fértil para outras invasoras como mimosas e acácias", argumentou, defendendo a substituição do eucaliptal por floresta autóctone. "Os carvalhos e sobreiros desenvolveram estratégias melhores para lidar com o ciclo do fogo", argumentou.

"A monocultura do eucalipto é uma paisagem monótona que só degrada os solos", que não é só consequência, mas também causa. "Num interior abandonado, o eucalipto cresce por ele próprio, não precisa de manutenção, não produz emprego e contribuiu mais para a desertificação", defende Carlos Evaristo.


O que precisamos é de uma floresta para o futuro, uma floresta com várias espécies misturadas e com espécies nativas, espécies que já estão adaptadas às nossas condições climáticas há milhares e milhares de anos, portanto, não precisamos de espécies exóticas que nos trazem os  problemas atrás referidos.

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Abate a peso de ouro


"Não pode ser um ministro a dizer corte-se esta árvore por utilidade pública. Não pode ser. É uma árvore classificada. Isto é um ecossistema brutal. Quando se derruba uma árvore destas derrubaram-se, mataram-se, eliminaram-se muitos seres vivos. E, por isso, é que nós andamos a brincar. Neste momento, a gaiola onde estamos metidos só tem 25% das florestas que existiam quando nós aparecemos na terra. Isto é gravíssimo! Eu acho que só tenho uma palavra para isto: É um crime! É um crime nacional! E, portanto, isto tem que ser travado ou pela lei ou pela Assembleia da República." - Jorge Paiva – Botânico

Nos últimos 20 anos foram abatidos quase 78 mil sobreiros e mais de 262 mil azinheiras, em Portugal, espécies protegidas por Decreto-Lei. Projetos de imprescindível utilidade pública ou relevantes para a Economia Local têm permitido a devastação.

Um dos casos mais recentes envolve a permissão para o abate de mais de 1.800 sobreiros para a implementação do Parque Eólico de Morgavel, em Sines.

O projeto teve luz verde no verão passado através de um despacho assinado pelo ex-ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro. Uma decisão que despertou a indignação da sociedade civil.

Várias foram as ações interpostas em Tribunal para travar o abate de sobreiros, ao longo dos últimos anos. Mas afinal o que se sobrepõe? A lei ou um despacho governamental?


Reportagem aqui

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Pobreza a aumentar em Portugal


Utopicamente sem crescimento não haverá saída para o empobrecimento. Só temos viabilidade em clima de paz se crescermos mais de modo a garantir níveis de solidariedade que permitam aos mais pobres viver melhor. Mas crescer onde? Como?
Insistimos numa agricultura intensiva, numa "floresta" distorcida (só eucaliptos, sobreiro e olival intensivos), sem ferrovia competitiva e virados para o turismo.
1. Como mudar um país com 96% de micro empresas em que o objeto social da maioria não permite escala?
2. Encapotados por 3 ou 4 multinacionais lusas, o resto das empresas têm residência fiscal na Holanda, Estónia, Dinamarca, etc? Como atraí-las outra vez para o País?
3. Muitos empregos estão ligados às autarquias. É um polvo enorme, que dificulta a transparência e competitividade.

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Dia da Floresta Autóctone - Apenas um habitat florestal em Portugal está em bom estado de conservação


Nesta quinta-feira, 23 de novembro, celebra-se o Dia da Floresta Autóctone, e a ZERO fez uma avaliação ao estado de conservação dos habitats florestais de Portugal, de acordo com um reporte do ICNF, relativo ao período 2013-2018, e revela que “a situação é preocupante”.

Assim, para as três regiões biogeográficas – Atlântica, Mediterrânica e Macaronésica – verifica-se que das representações presentes (sete habitats ocorrem em mais do que uma região) apenas uma se encontra em estado de conservação favorável, 15 encontram-se em estado desfavorável-inadequado, e nove em estado desfavorável-mau.

De forma mais detalhada, a região biogeográfica macaronésica, que abrange as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, tem apenas o habitat prioritário Laurissilvas macaronésicas em estado de conservação favorável, enquanto as florestas endémicas de zimbros e as florestas de zambujeiros e de alfarrobeira estão em estado desfavorável-inadequado e o habitat prioritário turfeiras arborizadas se encontra em mau estado de conservação.

No que respeita à região biogeográfica Atlântica (noroeste de Portugal continental), a situação também não é melhor. Dos cinco habitats representados, dois encontram-se em estado desfavorável-inadequado e três em estado desfavorável-mau, com destaque para o mau estado de conservação dos carvalhais de carvalho-alvarinho ou de carvalho-negral e dos bosquetes de teixo.

Quanto à região biogeográfica mediterrânica, a com mais habitats representados, o panorama não se altera muito, com 10 habitats em estado de conservação desfavorável-inadequado e seis em desfavorável-mau, sendo os carvalhais de carvalho-alvarinho ou de carvalho-negral e os bosquetes de teixo repetem a má condição e juntam-se a estes os freixiais de freixo-de-folhas-estreitas, os carvalhais de carvalho-português e os bosques de sobreiro.

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Marcha: "Vamos Salvar os Sobreiros"


Marcha "Vamos Salvar os Sobreiros", a realizar no próximo sábado, 26 de agosto, com início pelas 12:00 horas, no Parque Eduardo VII, em Lisboa, dirigindo-se depois para o Ministério do Ambiente e Ação Climática e a terminar no jardim do Príncipe Real.

Em causa está a salvaguarda de um bosque de sobreiros, adultos, saudáveis, a extrair cortiça, localizado em Sines. Embora seja uma espécie protegida, o Governo autorizou o abate de mais de 1800 sobreiros, classificada pelo Parlamento como “Árvore Nacional de Portugal”, para a instalação de um parque eólico pela EDP Renováveis.

O objetivo desta marcha é exigir aos governantes a revogação do Despacho n.º 7879/2023, de 1 de agosto 2023, que autoriza a EDP a proceder ao abate.

Porquê proteger os sobreiros?
- Árvores resistentes ao fogo, importantes para o ciclo hidrológico, retenção de água nos solos, limpeza e arrefecimento do ar, silvopastorícia, apicultura, colheita de cogumelos, turismo rural e casa de inúmeros animais - crucial para a biodiversidade!
- Exportação de cortiça gera cerca de 900 milhões de euros anuais. Um sobreiro pode dar cortiça até aos 200 anos de idade!
- Produzem muito oxigénio e retêm muito dióxido de carbono: Um montado de sobreiros pode anualmente absorver até 14,7 toneladas de dióxido de carbono (CO2) por hectare - aqui estamos a falar de 32 hectares 

Num momento em que as alterações climáticas são cada vez mais sentidas, é imprescindível proteger as nossas florestas. Os sobreiros são das árvores mais importantes a nível ecológico e económico que temos em Portugal. 

A EDP promete repovoar uma área de 50 hectares, contudo os sobreiros demoram cerca de 20-25 anos até atingir idade adulta, e não sabemos quantas destas árvores plantadas poderão sobreviver (com o aumento da seca, as percentagens de sobrevivência são baixas) 

A energia eólica pode ser produzida em muitos lugares: zonas sem floresta ou onde os incêndios passaram, ou zonas de monoculturas ou com espécies invasoras como acácias ou eucaliptos que são altamente inflamáveis e são um problema grave em Portugal. 

Sobre o Projeto e porque é que desaprovamos:
- 16 km de linhas elétricas associados ao empreendimento junto ao Parque Natural do Sudoeste Alentejano e da Costa Vicentina.
- coincide com o corredor de migração de aves selvagens protegidas, nos concelhos de Sines e Santiago do Cacém.
- o projeto de compensação do abate de sobreiros a realizar em Tavira, deveria ser proposto para a Área Florestal de Sines, ou outra próxima, no Alentejo.
- o Plano de Acompanhamento Ambiental da Obra omite o plano para a compensação do abate de sobreiros, assim como o Plano de Gestão Florestal e a sua monitorização.
- a constituição de nova faixa de gestão de combustível sobre as linhas elétricas aumenta impacto do projeto.
- este projeto localiza-se próximo de 1 dos 2 únicos ninhos de Águia-pesqueira existentes em Portugal e pode contribuir para o desaparecimento da população reprodutora desta espécie em perigo critico de extinção.
- o projeto também está localizado numa área muito crítica identificada pelo ICNF para as aves aquáticas que interdita este tipo de projetos. 

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Florestas: Falta “músculo” e fiscalização para travar multiplicação de eucaliptos



O especialista em direito do ambiente José Trincão Marques considerou que falta músculo político e fiscalização para travar a proliferação de eucaliptos em Portugal, um dos fatores que levam ao despovoamento e ao abandono dos territórios, sobretudo no interior.

José Trincão Marques salienta que só se fala nos incêndios florestais quando há crises como a desta semana, mas já se poderia ter feito “mais alguma coisa relativamente ao reordenamento florestal”, nomeadamente contra a proliferação de eucaliptos, pelo menos desde a tragédia de Pedrógão Grande.

“Esta é a principal questão. Acho que é mais eficaz, mais inteligente e mais económico combater o problema a montante, no ordenamento florestal, com mais resultados, do que propriamente a jusante, quando os problemas acontecem”, disse.

Para Trincão Marques, o problema da floresta não são só os eucaliptos, mas “toda uma conjugação de fatores como de alterações climáticas, desordenamento florestal, despovoamento do interior e abandono da agricultura e da pastorícia nos termos em que havia há uns anos”.

No entanto, embora sem dados atualizados e fidedignos, os eucaliptos “estão em expansão descontrolada pelo país todo”, apesar das leis que estabelecem limites à sua plantação.

“O problema é mais de fiscalização e de monitorização do que propriamente, se calhar, até de lei”, considerou.

Trincão Marques destacou ainda que há um ‘lobby’ muito forte das celuloses, que faz o seu trabalho e que agora até vem com o argumento de que os eucaliptos são dos maiores sumidouros de carbono, contribuindo para o combate às alterações climáticas.

“Pode ser verdade, mas a que preço?”, questionou.

“É necessário músculo político, porque o poder é um principio constitucional. O poder económico deve estar subordinado ao poder político. Este é um princípio fundamental da nossa Constituição da República. E, volto a repetir, o ‘lobby’ das celuloses é fortíssimo em Portugal”, sublinhou.

Já o Código Civil de 1966 impunha cuidados nas plantações de eucaliptos e acácias, por serem espécies que, com a sua capacidade de reprodução, abafam completamente as restantes.

“Tivemos várias fases de desflorestação intensa. A nossa floresta de hoje não é a mesma de há 200, 300, 400 anos. Os descobrimentos causaram uma desflorestação intensa, sobretudo de carvalhos, para construir naus. A construção do caminho-de-ferro também foi outra altura de grande desflorestação, para construção das sulipas para as linhas. Houve progressiva introdução de árvores exóticas, mas esta questão da cultura intensiva de eucaliptos só se põe nos últimos 50 anos”, contou.

Admitindo que “há florestas de eucalipto que estão bem ordenadas e bem cuidadas”, salientou que “o problema é o descontrolo”.

“Temos essencialmente minifúndios no centro e no norte do país, e cada pessoa planta os seus pés de eucalipto, e o próprio eucalipto vai-se alastrando com as sementes e as raízes. E o problema é que, depois, essa floresta não é ordenada. Se houver ordenamento florestal, o problema deixa de existir com esta gravidade”, considerou, salientando que os eucaliptos, mesmo em áreas ardidas, dão origem a novas árvores, já que cada raiz pode produzir mais do que um rebento.

Tal como na generalidade das culturas intensivas, estas áreas com eucaliptos representam “uma perda de biodiversidade”.

“No meio de um eucaliptal grande, quase que não se ouve nada. Não se ouvem outros seres vivos, mamíferos, pássaros, ao contrário do que sucede com outros bosques, com outro tipo de árvores, com outras espécies de plantas. Estas árvores são árvores de crescimento rápido e consomem muita água também. Secam os solos, causam desertificação, não só natural, mas também humana. Afastam as pessoas dos locais, porque não há mais nada. Havendo eucalipto não há agricultura, não há pastorícia”, concluiu.

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Adeus, eucaliptos. Valongo vai plantar 2.960 sobreiros



Valongo não renovou o contrato de exploração de madeira de eucalipto na encosta poente da serra de Santa Justa, que está a ser reconvertida para floresta nativa – 2960 sobreiros serão plantados no Outono.
Escrito por Ana Patrícia Silva quinta-feira 25 março 2021

Mais de sete hectares de eucaliptal na Serra de Santa Justa serão reconvertidos numa floresta com árvores autóctones. O protocolo de cooperação entre a Junta de Freguesia de Valongo e a Metro do Porto foi assinado esta quarta-feira e prevê a plantação de 2960 sobreiros no Outono, a época mais propícia a este tipo de operação.

"A Junta de Valongo, que tem participado com grande proactividade no projecto do Parque das Serras do Porto, tomou a decisão de não renovar um contrato antigo de exploração de madeira de eucalipto, estando a sua propriedade, na encosta poente da Serra de Santa Justa, gradualmente a ser reconvertida para floresta nativa, com o envolvimento do Parque e do município de Valongo, e contando com apoio técnico da Portucalea", anuncia uma publicação do Parque das Serras do Porto.

Esta área foi alvo de estudos académicos por parte de estudantes da FCUP e de uma experiência de inoculação de touças de eucalipto com fungos, para prevenir a rebentação, numa acção promovida pelo CRE.Porto/projecto FUTURO. Em 2019, com a colaboração da LIPOR, foram reconvertidos cerca de quatro hectares, com a plantação de sobreiros e pinheiros-mansos. A LIPOR continua a assegurar a manutenção da área e está a alargar a intervenção a mais dois hectares. Com o envolvimento da Metro do Porto, este trabalho será expandido a mais 7,4 hectares.

O sobreiro foi eleito Árvore Nacional de Portugal desde 2011, devido à grande importância económica, social e ambiental que representa para o país, nomeadamente através da exploração sustentável da cortiça e por contribuir para a preservação da biodiversidade. É uma espécie protegida pela legislação portuguesa desde 2001.


terça-feira, 29 de junho de 2021

Vizinhos Inesperados - Sabia que Estes Animais Existem em Portugal?


Será que conhece bem a fauna portuguesa? Sabia que, pelos bosques e florestas, ou até no seu jardim ou horta pode deparar-se com um rato-de-faraó, um musaranho-pigmeu ou um camaleão? Descubra alguns dos animais que vivem em Portugal, e que muitos não conhecem!

O ESQUIVO RATO-DOS-POMARES
O Leirão, ou Rato-dos-Pomares, de nome científico Eliomys quercinus, é um roedor europeu com características bastante estranhas. É que o leirão, sentido-se ameaçado, consegue largar a pele e a cauda. Está classificado como Quase Ameaçado (NT) à escala global, no entanto, há uma grande falta de estudos sobre este roedor esquivo em Portugal. Foi identificado em várias áreas de Portugal Continental, mas, devido aos seus hábitos noturnos, é muito difícil de avistar. O Leirão gosta de uma variedade de habitats, de hortas a montados, ou mesmo zonas pedregosas de vegetação escassa, mas as florestas de sobreiros são os seus favoritos.

A SOLITÁRIA LONTRA-EUROPEIA
A Lontra-Europeia, Lutra lutra, é uma espécie abundante em Portugal, classificada como Pouco Preocupante (LC), se bem que na vizinha Espanha é uma espécie Vulnerável. Este mamífero semiaquático encontra-se de Norte a Sul do país em vários ambientes aquáticos como lagos, rios, ribeiras, canais, pauis, sapais e pequenas albufeiras, bem como em estuários e rias do litoral atlântico. Apesar de não se tratar de uma situação de emergência, a lontra-europeia enfrenta algumas ameaças como a poluição da água, a sobre-exploração dos recursos hídricos, ou ainda morte por atropelamento ou afogamento em redes de pesca. Saiba mais sobre a lontra-europeia, e as ameaças à sua conservação.

O ADORÁVEL GAMO
O Gamo é um cervídeo parente dos veados e cervos, de nome científico Dama dama. Apesar de estar classificada como Pouco Preocupante, não há populações silvestres desta espécie em Portugal, encontrando-se praticamente todos os gamos em reservas de caça privadas e parques naturais. Este tímido ruminante distingue-se do veado comum pela sua pelagem clara com manchas brancas, cauda comprida e pelas hastes. No entanto, à semelhança do veado, o macho do Gamo perde as suas hastes no inverno, que voltam a crescer na primavera. As fêmeas não têm hastes. Costumam encontrar-se mais ou menos por todo o país, com preferência para as zonas de pinhal ou montado.

O BRAVIO MUFLÃO
Ora, o Muflão, Ovis ammon musimon, é o antecessor selvagem do carneiro doméstico. É também chamado carneiro-selvagem, e é originário da Ásia. A introdução em Portugal ocorreu na década de 1990, em zonas de caça turística do Centro e Alto Alentejo. A nível global, é uma espécie vulnerável, pois é uma das ovelhas selvagens mais ameaçadas de extinção. O Muflão tem uma cor acastanhada que escurece à medida que vai envelhecendo, e desenvolve uma mancha branca distintiva de cada lado do torso, bem como os característicos cornos enrolados. Sabia que este atento animal consegue detetar o mais pequeno rumor a mais de duzentos metros de distância? E ainda que tem um apetite especial por frutos mais doces?

O TERRITORIAL CAMALEÃO-COMUM
O Camaleão-comum, Chamaeleo chamaeleon, é uma das únicas espécies de camaleões que se estende à Europa. Este réptil bem territorial, que não gosta da companhia dos seus pares, alimenta-se principalmente de gafanhotos e é autóctone do Sul da Península Ibérica, Chipre e Creta. Em Portugal, habita o Sul, no Algarve, e o seu estado de conservação é Pouco Preocupante. Além das suas características mais fascinantes – muda de cor e língua extremamente comprida e ágil -, o Camaleão-comum tem visão estereoscópica, cauda preênsil, e possui uma movimentação independente dos olhos. A próxima vez que for ao Algarve, fique atento aos pinhais costeiros e aos pomares: pode estar a ser observado por um curioso camaleão-comum.

O REGRESSO DO ESQUILO-VERMELHO
O Esquilo-vermelho, ou Sciurus vulgaris, voltou a Portugal! E, porquê “voltou”? É que este esquilo reguila ter-se-ia extinguido em Portugal no século XVI, mas a inícios do século XX terá começado a habitar o país novamente, vindo de Espanha. No entanto, há uns anos atrás foi declarado o regresso deste simpático roedor, e não apenas confinado a umas poucas áreas do Alto Douro. Agora, pode, com alguma sorte, ver estes esquilos-vermelhos (que também podem ser castanhos ou pretos) no Parque Nacional Peneda-Gerês, no Parque Florestal de Monsanto e no Jardim Botânico de Coimbra. Uma curiosidade: estes amigos nervosos, que têm por hábito enterrar as sementes que encontram, por vezes esquecem-se da localização das suas reservas de comida contribuindo, assim, para a reflorestação das áreas que habitam.

A TÍMIDA TOUPEIRA D'ÁGUA
Esta toupeira muito, muito tímida e difícil de ver, de nome científico Galemys pyrenaicus, é nativa e circunscrita ao centro de norte da Península Ibérica, e à zona dos Pirinéus. É um animal vulnerável, tanto a nível global como nacional, pelo que muitos esforços têm sido feitos para a sua conservação. Foi no Douro que o fotógrafo da National Geographic Joel Sartore fotografou um exemplar desta espécie, no âmbito do projeto conjunto Photo Ark. Esta excelente nadadora, pouco maior que um hamster, habita as margens de rios, ribeiras e outros cursos de água.

O MINÚSCULO MUSARANHO-PIGMEU
Quem já viu um musaranho-pigmeu provavelmente pensou que seria um ratinho de campo. Mas não, esta espécie, Suncus etruscus, não se trata de um roedor! Este musaranho, da família Soricidae, é o menor mamífero do mundo! O musaranho-pigmeu tem um comprimento entre 3 e 5 centímetros, e pesa em média 1,8g apenas. Está maioritariamente confinado às zonas rurais do Mediterrâneo, de Portugal ao Médio Oriente, com presença no Norte de África. Se vai procurá-lo no seu jardim – ou num olival ou vinha -, faça-o antes do Inverno: este pigmeu pode hibernar se ficar muito frio.

GINETA-EUROPEIA
Já alguma vez ouviu falar de uma gineta? Pois bem, este é um dos mamíferos carnívoros mais abundantes de Portugal! A genetta foi introduzida em Portugal, vinda de África de onde é natural, e adaptou-se muito bem. Não se sabe ao certo como foi a sua introdução na Europa, mas acredita-se que os Árabes a usassem como exterminadora de ratos nas habitações – a gineta é um excelente caçador – antes de os gatos domésticos terem sido importados do Egito. As ginetas apresentam uma pelagem normalmente castanha acinzentada, com manchas características, podendo ser mais escuras, e têm dimensões semelhantes às de gatos. Apesar de serem bastante adaptáveis a variados habitats, as ginetas preferem áreas florestais com cursos de água nas proximidades.

O VELOZ SACARRABOS
Sacarrabos, rato-de-faraó, icnêumon, mangusto ou manguço são alguns dos nomes comuns da espécie Herpestes ichneumon. O seu nome gera divisões: há quem acredite que vem da sua forma peculiar de deslocação em grupo – em fila indiana, muito com os narizes muito próximos da cauda do seguinte -, e também quem considere uma corrupção da palavra escalavardo, como é chamado no Alentejo. Este pequeno mamífero originário de África está restrito ao sudoeste da Península Ibérica, na Europa, e habita os matagais mediterrânicos. Pensava-se que tivesse sido introduzido na Europa pelos primeiros muçulmanos, mas um estudo de 2011 revelou traços fósseis de sacarrabos numa suposta ponte no Estreito de Gibraltar, durante o Pleistoceno, entre os períodos glaciar e interglaciar. Hoje em dia é bastante abundante no nosso país, e é muito conhecido por comer cobras, mesmo venenosas. Mas porquê o nome rato-de-faraó? Bem, o sacarrabos era venerado e considerado sagrado, no Antigo Egito, tendo sido encontradas várias múmias deste animal. Na mitologia egípcia, o Deus Rá transforma-se em sacarrabos para lutar o Deus serpente Apophis.

sexta-feira, 11 de março de 2005

Abate de 2.605 Sobreiros: que crime!!

Sem dúvida é uma medida que se impunha!!!

· Providência cautelar já foi entregue
· Quercus exige demissão do Director

Em sequência do Despacho Conjunto n.º 204/2005, dos Ministros da Agricultura, Pescas e Florestas, do Ambiente e do Ordenamento do Território e do Turismo, que reconhece indevidamente a imprescindível utilidade pública de um loteamento turístico/imobiliário da Portucale em Benavente, a QUERCUS e o CIDAMB apresentaram hoje no Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria uma providência cautelar para suspender a sua eficácia. Desta forma pretende-se impedir o abate de 2605 sobreiros, já iniciado no terreno, e a ocupação de mais de 500 hectares de Reserva Ecológica Nacional. A QUERCUS considera que a imprescindível utilidade pública conferida pelo despacho acima referido foi um acto destituído de qualquer suporte legal. A imprescindível utilidade pública prevista na lei que protege o sobreiro (Decreto-Lei 169/2001 de 25 de Maio) não se aplica de forma alguma ao empreendimento que a Portucale pretende implementar na Herdade da Vargem Fresca, o qual inclui, entre outros, a construção de 1.534 fogos e dois campos de golfe. Por outro lado, em harmonia com o Decreto-lei nº69/2000 (Regime Jurídico da Avaliação de Impacte Ambiental), pelo facto deste projecto implicar o loteamento de uma área superior a 500 hectares e a construção de mais de1500 fogos carece de avaliação de impacte ambiental, o que não sucedeu até à data. Tendo em conta que os Ministros responsáveis pela assinatura do despacho acima referido estão em fim de funções e são já demissionários, a QUERCUS exige ao novo governo a demissão do Director da Circunscrição Florestal do Sul, o qual autorizou rapidamente o abate dos sobreiros após a publicação em Diário da República da imprescindível utilidade pública dada ao empreendimento. Com esse acto, o Director da Circunscrição Florestal do Sul demonstrou não possuir as condições mínimas para desempenhar as suas funções e salvaguardar o interesse do coberto florestal Português.
Lisboa, 11 de Março de 2005
A Direcção Nacional daQUERCUS - Associação Nacional de Conservação da Natureza