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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Europa: estamos preparados para o fim de vida de 1 milhão de baterias?


Mais de um milhão de baterias de veículos elétricos (VE) poderão atingir o fim da vida útil até 2030, tornando-se num dos “fluxos de resíduos com crescimento mais rápido” a nível mundial.

As vendas globais de VE dispararam nos últimos anos, ultrapassaram os 20 milhões de unidades e já representam cerca de 25 por cento de todos os carros novos vendidos no mundo. O boom dos VE foi também impulsionado pela guerra contra o Irão, que continua a fazer disparar os preços do petróleo e do gás.

Na verdade, mais de 1,24 milhões de carros totalmente elétricos foram vendidos na Europa no primeiro semestre de 2026, o que representa um aumento de 33,7 por cento face ao mesmo período do ano passado.

Veículos elétricos são mais ecológicos do que carros a gasolina?
Os VE começam frequentemente com uma “dívida de carbono” mais elevada do que os carros a gasolina e a gasóleo, porque exigem muito mais energia para serem fabricados.

Muito disso deve-se à produção das baterias, que necessita de enormes quantidades de eletricidade para gerar o calor requerido durante a fabricação. Embora essa eletricidade possa ser produzida a partir de renováveis, muitos países continuam a depender da queima de combustíveis fósseis poluentes.

Minerais como lítio, cobalto e níquel, necessários nas baterias de VE, levantam também preocupações ambientais e sociais.

Um relatório de 2023 da Amnistia Internacional concluiu que a exploração de minerais críticos deu origem a uma série de violações de direitos humanos, incluindo despejos forçados e agressões físicas.

Embora a mineração moderna continue a ser controversa, a investigação mostra que os benefícios ambientais dos VE superam o impacto da sua produção intensiva em energia.

Um relatório de 2020 da organização Transport & Environment (T&E) concluiu que os VE têm melhor desempenho do que os carros a gasóleo e a gasolina em todos os cenários, mesmo em redes elétricas intensivas em carbono, como a da Polónia, onde são cerca de 30 por cento mais limpos do que os carros convencionais.

No melhor cenário, em que um VE é alimentado por eletricidade limpa e a bateria é produzida com eletricidade limpa, os veículos elétricos já são cerca de cinco vezes mais limpos do que os equivalentes convencionais.

“Fundamentalmente, os dados mostram que os VE alimentados com a eletricidade média amortizam a sua ‘dívida de carbono’ decorrente da produção da bateria ao fim de pouco mais de um ano e poupam mais de 27 toneladas de CO₂ ao longo da sua vida útil, em comparação com um equivalente convencional”, lê-se no relatório.

“Os VE que fazem quilometragens elevadas (por exemplo, veículos partilhados, táxis ou serviços tipo Uber) poupam até 77 toneladas ao longo da sua vida útil (em comparação com veículos a gasóleo).”

Resíduos de baterias de VE tornam-se preocupação crescente
Grande parte dos VE é alimentada por baterias de iões de lítio (LIB), do mesmo tipo que se encontra em muitos equipamentos eletrónicos do dia a dia, como smartphones, computadores portáteis e consolas de jogos.

Mas, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o número de baterias de iões de lítio e similares que chegam ao fim da vida útil deverá aumentar acentuadamente a partir de meados da década de 2030. É nessa altura que a bateria já não consegue armazenar ou fornecer energia de forma eficaz, porque se degradou ao longo do tempo.

Isso significa que cerca de 1,2 milhões de baterias de VE poderão tornar-se resíduos nos próximos quatro anos. Em 2040, prevê-se que esse número chegue aos 14 milhões.

Em simultâneo, a procura de baterias de iões de lítio está a aumentar, o que intensifica a pressão para extrair minerais críticos e aumenta o risco de uma futura escassez de lítio.

Embora as baterias de VE possam ser recicladas, fazê-lo é notoriamente difícil e dispendioso. Antes de uma bateria poder sequer iniciar o processo de reciclagem, tem de passar por uma fase de preparação demorada, que implica a descarga, desmontagem e separação dos seus componentes.

Existem também riscos de segurança associados às reações químicas usadas na reciclagem das baterias, que podem libertar substâncias tóxicas como o ácido fluorídrico. Estes compostos representam riscos graves para a saúde e segurança dos trabalhadores e podem mesmo danificar os equipamentos das unidades de reciclagem.

Por isso, especialistas defendem uma “expansão significativa” das infraestruturas de reciclagem, capaz de gerir os volumes de resíduos futuros e recuperar, em segurança, os materiais valiosos necessários à produção de novas baterias.

“Os VE são uma parte essencial da transição para uma economia de baixo carbono, mas o seu sucesso a longo prazo depende da forma como gerimos, de forma eficaz, o fluxo de resíduos associado, reforçando ao mesmo tempo o abastecimento de minerais críticos”, afirma James Skifmore, da consultora ambiental Valpak.

“Ampliar a capacidade e a eficiência das infraestruturas circulares será fundamental para recuperar materiais valiosos, reforçar as cadeias de abastecimento, reduzir a dependência da extração de recursos virgens e maximizar a sustentabilidade a longo prazo da transição para os VE.”

Em toda a Europa, empresas estão a correr para alcançar precisamente isso.

Podem as baterias de VE ser recicladas de forma mais eficiente?
O projeto ReLiB, liderado pela Universidade de Birmingham, no Reino Unido, está a desenvolver tecnologias de reciclagem que, afirma, irão colocar o país na “linha da frente” da investigação e desenvolvimento.

Os investigadores pretendem desenvolver e ampliar tecnologias que elevem as taxas de recuperação de materiais das baterias recicladas de cerca de 50 para 90 por cento, apostando em processos de desmontagem e separação mais rápidos e eficientes.

A União Europeia financiou também um projeto de quatro anos, coordenado pelo Centro Tecnológico LEITAT, em Espanha, que visa substituir a desmontagem manual e lenta por sistemas semiautomatizados capazes de desmantelar as baterias em segurança, recuperando cerca de 95 por cento dos componentes.

O projeto BATRAW, financiado pela UE, irá igualmente trabalhar na atribuição de uma segunda vida às baterias, já que algumas baterias de VE podem deixar de ter capacidade suficiente para alimentar um carro, mas continuar aptas para funções de armazenamento de energia menos exigentes, em vez de serem imediatamente recicladas.

O projeto está a desenvolver formas mais seguras de transportar baterias antigas e a explorar como as novas baterias podem ser concebidas para serem mais fáceis de reparar e reciclar.

domingo, 5 de julho de 2020

UN highlights urgent need to tackle impact of likely electric car battery production boom

Fonte: aqui


Demand for raw materials used in the production of electric car batteries is set to soar, prompting the UN trade body, UNCTAD, to call for the social and environmental impacts of the extraction of raw materials, which include human rights abuses, to be urgently addressed.

Electric cars are rapidly becoming more popular amongst consumers, and UNCTAD predicts that some 23 million will be sold over the coming decade: the market for rechargeable car batteries, currently estimated at $7 billion, is forecast to rise to $58 billion by 2024 .

The shift to electric mobility is in line with ongoing efforts to reduce the world’s dependence on fossil fuels, and reduce harmful greenhouse gas emissions responsible for climate change, but a new report from UNCTAD, warns that the raw materials used in electric car batteries, are highly concentrated in a small number of countries, which raises a number of concerns.

Drilling down in DRC, Chile

For example, two-thirds of all cobalt production happens in the Democratic Republic of the Congo (DRC). According the UN Children’s Fund (UNICEF), about 20 per cent of cobalt supplied from the DRC comes from artisanal mines, where human rights abuses have been reported, and up to 40,000 children work in extremely dangerous conditions in the mines for meagre income.

And in Chile, lithium mining uses nearly 65% of the water in the country's Salar de Atamaca region, one of the driest desert areas in the world, to pump out brines from drilled wells. This has forced local quinoa farmers and llama herders to migrate and abandon ancestral settlements. It has also contributed to environment degradation, landscape damage and soil contamination, groundwater depletion and pollution.

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Electric cars at UN Headquarters, New York (file)

Climb the value chain

Noting that "the rise in demand for the strategic raw materials used to manufacture electric car batteries will open more trade opportunities for the countries that supply these materials”, UNCTAD's director of international trade, Pamela Coke-Hamilton, emphasised the importance, for these countries, to “develop their capacity to move up the value chain".

In the DRC, this would mean building processing plants and refineries that would add value and, potentially, jobs within the country. However, for various reasons (including limited infrastructure, financing and a lack of appropriate policies), refining takes place in other countries, mainly Belgium, China, Finland, Norway and Zambia, which reap the economic benefit.

The report recommends that countries such as DRC provide “conducive environment to attract investment to establish new mines or expand existing ones”.

Diversify and thrive

UNCTAD also recommends that the industry find ways to reduce its dependence on critical raw materials. For example, scientists are researching the possibility of using widely-available silicon, instead of graphite (80% of natural graphite reserves are in China, Brazil and Turkey).

If the industry manages to become less reliant on materials concentrated in a small number of countries, says UNCTAD, there is more chance that prices of batteries will drop, leading to greater take-up of electric cars, and a shift away from fossil-fuel powered transport.

As for the environmental consequences of the batteries themselves, the report recommends the development of improved, more sustainable mining techniques, and the recycling of the raw materials used in spent Lithium-Ion batteries, a measure that would help deal with the expected increase in demand, and also create new business opportunities.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

RD Congo. Crianças morrem no escuro à procura de cobalto

Gigantes tecnológicos como a Apple, Google, Microsoft, Dell e Tesla estão a ser julgados por se aproveitarem do trabalho de crianças nas suas baterias. “Esta miséria está no meu bolso, está na minha mão quando vejo os SMS, estou nas redes sociais ou falo consigo”, explicou ao i Siddharth Kara, responsável pela investigação.


Quando nos falam em produção “artesanal”, provavelmente pensamos em atenção ao detalhe, qualidade ou respeito pelas tradições. Mas na República Democrática do Congo, prospeção artesanal de cobalto significa pessoas pobres, frequentemente crianças, a escavar em rochas soltas, com pequenas pás, às vezes com as mãos, expostas a metais pesados e fumos tóxicos. Cavam túneis que chegam aos 30, 40 metros de profundidade, sem vigas ou estruturas de segurança, que frequentemente colapsam. O cobalto que mineram é essencial para as baterias de lítio, utilizadas em quase todos os nossos equipamentos, produzidos por algumas das empresas mais ricas do mundo, como a Apple, Google, Microsoft, Dell ou a Tesla. São apenas alguns dos gigantes tecnológicos que enfrentam um processo na justiça norte-americana, desde a semana passada, por cumplicidade com o trabalho infantil. É movido por 14 familiares e vítimas, com o apoio da International Rights Advocates.
O i falou com Terry Collingsworth, advogado e diretor desta ONG. Quisemos saber qual é a probabilidade de que os telemóveis que usámos na nossa conversa tivessem cobalto minerado por crianças. “Perto de 100%, se não 100%”, assegurou Collingsworth. “Cerca de 60% da produção global de cobalto vem da RD Congo, e quase deste um terço vem de prospeção artesanal, que inclui crianças. No final é tudo misturado e fundido junto, haverá sempre uma porção de cobalto minerado por trabalho infantil”, explicou Siddharth Kara, investigador e professor na Universidade de Harvard, cuja pesquisa resultou no processo judicial.
O investigador tem sido um visitante frequente do chamado Copperbelt – ou “cinturão do cobre” – que abrange as províncias congolesas de Alto Catanga e Lualaba. É aí que estão a maioria das minas de cobalto, cujo preço disparou na última década. E deverá continuar a subir, à semelhança da procura: os fabricantes de baterias utilizaram 41 mil toneladas de cobalto em 2017, mas a estimativa é que usem 117 mil toneladas em 2025. É essencial para o boom tecnológico, que gerou biliões para as empresas envolvidas, mas deixou um resto de miséria no fundo desta cadeia, no sudeste da RD Congo. “Aldeias inteiras são arrasadas por bulldozers quando um depósito de cobalto é descoberto. Enormes porções do território foram devastados, florestas cortadas e enormes minas construídas”, conta Siddharth. “É quase impossível ganhar a vida de outra maneira que não seja na prospeção”.
É uma indústria desumana, assegura o investigador, onde “os salários pagos aos adultos envolvidos mal chega a um ou dois dólares por dia”. Algo que força as crianças a contribuir para a sobrevivência da família, e é agravado pelo custo da educação na RD Congo, acrescenta Siddharth: “É quase impossível de compreender, mas uma mensalidade de seis dólares é a diferença entre ter uma educação ou morrer numa mina de cobalto”. Um círculo vicioso, “por ser um trabalho tão perigoso. Se um pai, mãe ou irmão mais velho fica aleijado ou morre, ainda é mais premente que a criança abandone a escola e entre no setor mineiro”, explica o investigador, que documentou vários casos de prospetores órfãos, que perderam ambos os pais nas minas. Além disso, muitas vezes adultos formam grupos de cinco ou seis crianças, que forçam a trabalhar para si. “Metade dos miúdos que representamos passaram por isso”, afirma Collingsworth. A mais absoluta miséria junta-se ao tráfico humano. “É uma combinação dos dois fatores”, nota o advogado.
Entretanto, os prospetores artesanais vão sendo expostos a níveis elevadíssimos de cobalto. “Por vezes vemos mulheres e crianças – toda a gente, aliás – com tosse e dermatite de contacto”, conta Siddharth. Já os cientistas alertam que concentrações elevadas de cobalto podem causar problemas cardíacos e de visão. Como se verificou nos anos 60, quando uma empresa canadiana adicionou cobalto à cerveja, para ter uma espuma mais consistente – rapidamente foi relacionado com um aumento nos ataques cardíacos. Outros efeitos, a longo prazo, estão por estudar. ”Irá uma percentagem elevada desta população desenvolver cancro mais tarde, assumindo que vivem o suficiente para isso, antes de serem enterrados vivos? Não sabemos”, declara o investigador.
Tudo isto com o apoio tácito de multinacionais de mineração, como a chinesa Zhejiang Huayou Cobalt e a britânica Glencore, segundo se lê no processo. Quer seja em minas formais – propriedade destas empresas – ou informais – à beira de um rio ou no meio do campo – os prospetores artesanais vendem o cobalto a intermediários, que revendem às multinacionais. “Montam pequenas tendas cor-de-rosa e pintam com spray algo como ‘loja de cobalto’”, conta Siddharth, explicando que, de certa forma, “os minerais estão a ser lavados”.
“Se acontece algum acidente que chega aos media – o que quase nunca acontece – ou se alguém questiona porque é que têm prospetores artesanais nas minas, a resposta é sempre: ‘eles estão ali ilegalmente, não deviam estar ali, etc., etc.’. Ao mesmo tempo, esse trabalho é usado para aumentar a produção de cobalto a custo zero”, assegura o investigador. Já Collingsworth acrescenta: “Eles sabem o que estão a fazer. Estive lá duas semanas e observei-o, está ali, à vista de todos, é tão óbvio. Não podem dizer que não sabiam. E é só isso que temos de provar, que eles foram cúmplices conscientes deste esquema”.
A relação entre estas multinacionais de mineração e gigantes como a Apple, Google, Microsoft, Dell, ou a Tesla é em tudo semelhante. Os abusos na RD Congo são conhecidos há anos, com investigações de jornais como a Bloomberg, que expôs o caso em 2008, bem como relatórios de organizações não governamentais. “A Amnistia Internacional contactou estas empresas e questionou-as. Todas as empresas reagiram emitindo comunicados, garantindo que o trabalho infantil era proibido aos seus fornecedores, mas não fizeram nada”, critica o advogado das vítimas.

Tentáculos globais
Há poucas dúvidas de que o Estado congolês esteja envolvido nestes abusos. “As forças armadas congolesas estão muito presentes por toda a região de prospeção de cobalto. Bem como forças menos convencionais, como milícias”, conta Siddharth. Fez a sua investigação com o apoio de ONG’s congolesas, que já tinham a confiança e faziam parte da comunidade – não foram identificadas para evitar retaliações violentas. O mesmo se passa com os queixosos. “Se se sabe que alguém falou a forasteiros sobre estas condições, não verão outro nascer do sol”, afirma o investigador. Para os militares e milícias no terreno, “o silêncio, secretismo e falta de transparência são fundamentais para manter o negócio a todo o vapor, com o máximo de lucros”.
Entretanto, a Glencore – o maior vendedor de matérias-primas do globo – está a ser investigada pela justiça norte-americana, por corromper o Governo do Congo. Os chamados Paradise Papers revelaram que, em 2009, a Glencore emprestou dezenas de milhões de dólares ao multimilionário israelita Dan Gertler, para que conseguisse um acordo favorável à multinacional britânica.
Note-se que, em 2001, uma investigação das Nações Unidas revelou que Gertler ofereceu cerca de 18 milhões de euros ao Presidente congolês Joseph Kabila, para que comprasse armas. Acabou a conseguir que o Estado congolês não cobrasse uma dívida de quase 400 milhões de euros à Glencore – mais do que o orçamento da RD Congo para a Educação.
Os tentáculos da Glencore são cada vez mais visíveis, um pouco por todo o globo. A multinacional foi uma das indiciadas por corrupção no Brasil, na operação Lava Jato. Juntamente com outras três empresas, é acusada de pagar o equivalente a quase 14 milhões euros em subornos a funcionários da Petrobras, a empresa energética semiestatal brasileira. “As empresas investigadas pagavam propinas a funcionários da Petrobras para obter facilidades, conseguir preços mais vantajosos e realizar contratos com maior frequência”, lia-se num comunicado da Procuradoria-geral da República do Brasil, de 2018. A Glencore também é acusada de praticar crimes semelhantes na Venezuela, subornando funcionários da PDVSA, a empresa petrolífera estatal.
Apesar do poder da Glencore, uma empresa britânica sediada na Suíça, importa salientar que os chineses da Zhejiang Huayou são os verdadeiros pesos pesados na RD Congo. Fala-se numa corrida ao cobalto entre superpotências, desencadeada pela sua importância para o setor tecnológico, mas Siddharth discorda. “Não é uma corrida, a China já domina”, nota. As estatísticas mostram que a maioria da extração de cobalto na RD Congo é dominada por interesses chineses. O resto vem em parte da Austrália, mas sobretudo de países como o Zâmbia e Cuba, com grande presença da China. Que, além disso, também domina a indústria de refinação do minério – têm cerca de 80% do mercado. “Eles podem fechar a torneira global de cobalto amanhã, se quiserem”, assegura o investigador.

“Uma história que se repete”
A prospeção de cobalto ocorre na antiga província de Catanga, onde se estabeleceram boa parte dos europeus quando o Congo era uma colónia belga. Há um eco colonial nas ações destas empresas multinacionais? “Claro, é uma história que se repete para as pessoas do Congo. Há uma centena de anos, era o Rei Leopoldo e, depois, o Estado belga a explorar os recursos que eram valiosos na altura, incluindo borracha e depois metais, como cobre e ouro. Interesses estrangeiros, que pilham o povo e o ambiente do Congo para se enriquecerem a si mesmos”, considera Siddharth, acrescentando: “É a mesma história. Simplesmente há um sistema diferente, um pouco mais reluzente e bem polido. E desta vez o recurso é o cobalto”.
Aliás, muita da constante instabilidade na RD Congo desde a independência teve origem no Catanga, com os seus enormes jazigos de minerais. Foi na região, em 1961, que foi torturado e morto o primeiro primeiro-ministro eleito na RD Congo, Patrick Lumumba, às mãos dos independentistas catangueses, liderados por Moïse Tshombe, um empresário do setor mineiro – contava com o apoio da Bélgica, França e África do Sul. Lumumba foi capturado pelo então coronel Joseph-Désiré Mobutu, que manteve o país sob um reinado de terror durante mais de três décadas. “Certamente que a pobreza e instabilidade, corrupção e quebra do Estado de direito, facilitam a exploração e da região e da sua população”, salienta Siddharth.

Miséria no bolso
Por vezes, ao longo da conversa, o tom de Siddharth torna-se emotivo. Sobretudo quando fala dos casos do colapsos de túneis, de crianças enterradas vivas. “Destroem a alma”, diz o investigador. “Ter uma mãe a descrever-lhe isso, a imaginar o terror e o medo que o filho sentiu, enquanto sufocava lentamente no escuro, completamente sozinho...“. Por momentos, faltam-lhe as palavras para continuar. “É um pesadelo. Pensar que esse tipo de miséria está no meu bolso, está na minha mão quando vejo os sms, estou nas redes sociais ou quando falo consigo, é demasiado para processar”, desabafa.
“Quando o professor Kara voltou da sua última viagem, ele conhecia o meu trabalho como advogado. Contactou-me e disse: ‘Temos de voltar. Quero que vejas isso, temos de tentar ajudar estas crianças’. Dois meses depois estávamos num avião a caminho da R D Congo”, conta Collingsworth. Hoje, assegura: “Faço trabalho de direitos humanos há quase quarenta anos, mas este é o pior caso em que trabalhei”. O advogado recorda o caso de uma mulher, listada no processo como Jane Doe 1, cujo sobrinho foi enterrado vivo numa derrocada. “Quando a entrevistei estava histérica, nem se pôde despedir dele. Disse-me: ‘por favor ajude-me, as nossas crianças estão a morrer como cães’. Ali toda a gente conhece um miúdo enterrado nas minas”.
Ambos os ativistas não hesitam em apontar o dedo às grandes empresas tecnológicas, que consideram cúmplices desta tragédia. “Eles podiam resolver este problema rapidamente. Não custaria muito em termos de recursos ou esforço para garantir segurança, dignidade, empregos formais, salários que permitam viver, escolas, clínicas”, acusa Siddharth. Tudo por uma fração dos lucros destas multinacionais, dependentes do cobalto.
Até agora, estas empresas têm seguido “guião do costume”, nas palavras de Collingsworth. “Primeiro são apanhados e negam. Depois, quando não podem negar, porque as provas estão a acumular-se, emitem alguma política da treta e dizem: ‘ok, resolvemos o assunto’. Tentam convencer o público com fraude e programas modelo, são apanhados outra vez e depois processados”, resume o advogado, garantindo: “Já não acreditamos neles”. Em 2016 foi criada a Responsible Cobalt Iniciative, por parte das autoridades chinesas. Juntou empresas como a Apple Inc, Sony Corp, Volvo e a Mercedes-Benz Cars – Collingsworth fala numa única mina modelo. “A realidade no terreno, que vi com os meus próprios olhos, não reflete qualquer iniciativa responsável no que toca à extração de cobalto”, garante Siddharth.

terça-feira, 27 de março de 2018

Smartphones Are Killing The Planet Faster Than Anyone Expected

Researchers are sounding the alarm after an analysis showed that buying a new smartphone consumes as much energy as using an existing phone for an entire decade.


Before you upgrade your next iPhone, you may want to consider a $29 battery instead. Not only will the choice save you money, it could help save the planet.

A new study from researchers at McMaster University published in the Journal of Cleaner Production analyzed the carbon impact of the whole Information and Communication Industry (ICT) from around 2010-2020, including PCs, laptops, monitors, smartphones, and servers. They found remarkably bad news. Even as the world shifts away from giant tower PCs toward tiny, energy-sipping phones, the overall environmental impact of technology is only getting worse. Whereas ICT represented 1% of the carbon footprint in 2007, it’s already about tripled, and is on its way to exceed 14% by 2040. That’s half as large as the carbon impact of the entire transportation industry.

Smartphones are particularly insidious for a few reasons. With a two-year average life cycle, they’re more or less disposable. The problem is that building a new smartphone–and specifically, mining the rare materials inside them–represents 85% to 95% of the device’s total CO2 emissions for two years. That means buying one new phone takes as much energy as recharging and operating a smartphone for an entire decade.

Yet even as people are now buying phones less often, consumer electronics companies are attempting to make up for lost profits by selling bigger, fancier phones. The researchers found that smartphones with larger screens have a measurably worse carbon footprint than their smaller ancestors. Apple has publicly disclosed that building an iPhone 7 Plus creates roughly 10% more CO2 than the iPhone 6s, but an iPhone 7 standard creates roughly 10% less than a 6s. So according to Apple, the trend is getting better, but the bigger phones companies like Apple sell seem to offset some gains. Another independent study concluded that the iPhone 6s created 57% more CO2 than the iPhone 4s. And despite the recycling programs run by Apple and others, “based on our research and other sources, currently less than 1% of smartphones are being recycled,” Lotfi Belkhir, the study’s lead author, tells me.

In any case, keeping a smartphone for even three years instead of two can make a considerable impact to your own carbon footprint, simply because no one has to mine the rare materials for a phone you already own. It’s a humbling environmental takeaway, especially if you own Samsung or Apple stock. Much like buying a used gasoline-fueled car is actually better for the environment than purchasing a new Prius or Tesla, keeping your old phone is greener than upgrading to any new one.

Smartphones represent a fast-growing segment of ICT, but the overall largest culprit with regards to CO2 emissions belongs to servers and data centers themselves, which will represent 45% of ICT emissions by 2020. That’s because every Google search, every Facebook refresh, and every dumb Tweet we post requires a computer somewhere to calculate it all in the cloud. (The numbers could soon be even worse, depending on how popular cryptocurrencies get.) Here, the smartphone strikes again. The researchers point out that mobile apps actually reinforce our need for these 24/7 servers in a self-perpetuating energy-hogging cycle. More phones require more servers. And with all this wireless information in the cloud, of course we’re going to buy more phones capable of running even better apps.

As for what can be done on the server end, Belkhir suggests that government policies and taxes might make a difference–whatever needs to be done to get these servers migrated over to renewable energy sources. Google, Facebook, and Apple have all pledged to move to 100% renewable energy in their own operations. In fact, all of Apple’s servers are currently run on renewable power. “It’s encouraging,” says Belkhir of these early corporate efforts. “But I don’t think it’d move the needle at all.”

If this all sounds like bad news, it’s because it absolutely is bad news. To make matters worse, the researchers calculated some of their conclusions conservatively. The future will only get more dire if the internet of things takes off and many more devices are hitting up the cloud for data.

“We are already witnessing internet-enabled devices, ranging from the smallest form factor such as wearable devices, to home appliances, and even cars, trucks and airplanes. If this trend continues . . . one can only wonder on the additional load these devices will have on the networking and data center infrastructures, in addition to the incremental energy consumption incurred by their production,” the team writes in the study. “Unless the supporting infrastructure moves quickly to 100% renewable power, the emergence of IoT could potentially dwarf the contribution of all the other traditional computing devices, and dramatically increase the overall global emissions well beyond the projections of this study.”

Indeed, tech’s carbon footprint is beyond what any one designer, one company, or even one government regulator can contain. As consumers, we have more reason than ever to hesitate when it comes to our next shiny tech splurge. The bottom line is that we need to buy less, and engage less, for the health of this entire planet.