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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Mesmo com mais população, Portugal convergiu com os países mais ricos da Europa

O PIB per capita de Portugal ainda está muito abaixo do dos países mais ricos da UE, mas mesmo corrigindo o efeito do aumento da população, está mais próximo do destes países do que alguma vez esteve nos últimos 60 ou 70 anos

A ideia de que, os novos dados sobre população, revelam que a convergência de Portugal na última década afinal não existiu, é uma ideia falsa. Na última década (2015-2025), ao contrário do que tinha acontecido na década e meia anterior (2000-2015), Portugal convergiu com os países mais ricos da União Europeia, e também com os EUA, o Canadá e o Japão. A alteração ao cálculo da população residente, feita pelo INE, altera a dimensão dessa convergência, mas não muda o facto de que Portugal se aproximou em PIB per capita (em PPC) de todos os países do G7, o grupo que reúne as economias mais ricas do mundo.

Quando, em 1986, Portugal entrou para a então CEE, o objetivo era conseguir aproximar-se do rendimento per capita das economias mais ricas desse clube (Alemanha França, Itália, Reino Unido). Nesse ano, Portugal era o país mais pobre dos 12, com um PIB per capita entre os 50% e os 60% do destes seis países e de 45% do PIB per capita dos EUA.

Nos primeiros 15 anos de integração, o país teve um forte processo de convergência. Em 2001, Portugal continuava a ser o país mais pobre da União Europeia a 15, mas tinha um PIB per capita que já estava entre os 65% e os 72% de qualquer uma das 4 maiores economias da UE e que já chegava aos 52% do dos EUA.

A este primeiro período de convergência, seguiram-se 14 anos de estagnação ou mesmo de retrocesso. Entre 2001 e 2015, o PIB per capita português caiu face a todos os parceiros da UE15, exceto a Grécia e a Itália.

Estes dados estão refletidos no gráfico. Em todos os países apresentados, a primeira coluna é positiva mostrando que houve convergência entre 1986 e 2001. Pelo contrário, a segunda coluna é negativa ou próxima de zero para todos os países exceto a Itália, o que significa entre 2001 e 2015, Portugal não convergiu com os países mais ricos.

Quando olhamos para as últimas duas colunas, o que vemos é que, no período de 2015 a 2025 os valores são todos positivos. Isso significa que, depois de 2015, voltou a haver convergência. Esta conclusão é visível na coluna a preto (que apresenta os cálculos com os valores utilizados pelo Eurostat), mas é também visível na coluna a cinzento, em que os dados foram corrigidos pela nova estimativa da população portuguesa. Obviamente, tomando em consideração os novos dados da população, a convergência em termos de PIB per capita fica menor. Mas continua a ser bem visível nos dados.

Portugal convergiu, mesmo com a Correção da População
Mesmo com os dados corrigidos, na última década, o PIB per capita de Portugal converge. Convergiu 23 pontos percentuais (pp) com o do Japão, 10 pp com o do Reino Unido, 7 pp com o da Alemanha e França, 6 com o dos EUA, e 2 pp com o de Itália. Por exemplo no caso da França, usando os dados do Eurostat, o PIB per capita de Portugal passa de 71% do de França, em 2015, para 82% em 2025. Corrigindo, com o aumento da população, o PIB per capita português já só representa 78% do PIB francês. É uma diferença entre uma convergência de 11 pontos e uma de apenas 7 pp, nestes 10 anos. Mas, em qualquer dos casos Portugal está hoje próximo dos 80% do PIB per capita francês, quando em 1986 estava nos 57% e, em 2015, estava nos 72%.

Estes dados significam que o ritmo de convergência anual entre Portugal e as economias mais ricas do mundo, nestes últimos dez anos, foi em alguns casos, muito próximo do que se registou nos primeiros 15 anos de integração.

Mesmo com os dados corrigidos, no caso dos EUA, Japão e Reino Unido, na última década, convergimos mais por ano, do que no período de ouro dos primeiros 15 anos de integração (1986-2001). Nos casos da França e Alemanha, no primeiro período convergimos 1 ponto percentual por ano, (15 pp em 15 anos), o mesmo valor que obtemos para a última década, com os dados não corrigidos. Quando se corrigem os dados, o valor passa para 0,7 pontos por ano, um ritmo menor, mas ainda assim uma aproximação significativa (7 pontos percentuais numa década). Apenas no caso da Itália, a correção coloca a convergência a níveis pouco significativos (passa de 6pp para 2pp).

O que é verdade para as grandes economias da UE, é também verdade para todos os restantes países que faziam parte da UE15. Mesmo considerando os dados corrigidos, entre 2015 e 2025, Portugal convergiu em PIB per capita com todos os países que integravam a UE15, exceto a Irlanda.

Quando se olha para a média, a correção populacional baixa significativamente a nossa convergência. Na última década, a aproximação de Portugal passa a ser de apenas 1 a 2 pontos percentuais (em vez de 5 ou 6 pp sem a correção), se considerarmos a UE27, e 3 ou 4 pontos, se compararmos com a Zona Euro (em vez de 7 ou 8 pp).

Isto deve-se ao facto de que a maioria dos países de leste terem continuado a crescer a um ritmo mais elevado do que Portugal e do que os restantes países da UE. A correção do PIB per capita português, pelo aumento da base populacional, apenas acentua esta realidade, que os dados anteriores já mostravam. Portugal convergiu mais com os países mais ricos do que com a média porque houve outros países que também convergiram, e que convergiram mais, contribuindo para aumentar a média.

Convergência mais forte dos países de leste
Desde 2000, a generalidade dos países de leste, cresceram a um ritmo muito superior ao português e ao da média da União Europeia. No entanto, também aqui é possível encontrar dois períodos distintos. Enquanto, entre 2000 e 2015, os países de leste convergiam fortemente com os países mais ricos da Europa e Portugal estava a divergir, depois de 2015, os países de leste continuaram a convergir, mas Portugal voltou a convergir.

Entre 2000 e 2015, todos os países de leste aumentaram o seu PIB per capita face ao de Portugal de forma acentuada. Depois de 2015, alguns países de leste, como a Chéquia, a Estónia e a Eslováquia, tiveram uma evolução do PIB per capita muito semelhante à de Portugal, mas outros, como a Bulgária, a Roménia ou a Polónia, continuaram a crescer a um ritmo mais acelerado.

Nos últimos anos Portugal cresceu mais em PIB per capita e convergiu com a Alemanha, a França, a Áustria e a Suécia. Mas, cresceu menos do que a Roménia a Polónia ou a Bulgária. A Roménia e a Polónia convergiram com Portugal, tendo chegado já ao mesmo nível de PIB per capita do nosso país.

A correção do PIB pela nova estimativa da população não altera a realidade de que os países de leste cresceram mais do que Portugal. No entanto, na margem, pode alterar a posição de Portugal, no ranking do PIB per capita, face a países como a Estónia, a Polónia, a Roménia ou a Croácia. Estes quatro países registam um PIB per capita entre os 77% e os 81% da média da UE27. O valor de 81% é o que surge para Portugal, nos dados do Eurostat e coloca o nosso país à frente destes países. O de 77% é o que se obtêm para Portugal quando se aplica a alteração da população portuguesa (sem outros ajustamentos) e coloca estes países à frente de Portugal. O valor real vai provavelmente estar no meio destes dois.

Estas pequenas diferenças mostram como este indicador face a países próximos é muito sensível a alterações de critérios, no cálculo da população, do PIB, ou dos níveis de preços. O próprio Eurostat salienta que: “há um consenso geral de que os indicadores baseados em Paridades de Poder de Compra (PPC), não se destinam a estabelecer um ranking rigoroso dos países. O grau de incerteza associado aos dados de preços e despesas, bem como aos métodos utilizados para o cálculo das PPC, pode gerar erros que influenciam a classificação dos países, especialmente quando estes se concentram em uma faixa de resultados muito estreita”. Parece uma frase destinada ao presente caso, mas já lá está há muitos anos.

Neste caso, para além da incerteza no cálculo dos preços, estamos a juntar alterações nas estimativas da população, e a aplicar essas alterações sem ter em conta os efeitos que a própria alteração da população pode ter no cálculo do PIB.

Questões sobre o uso dos novos dados de população
Na parte anterior deste artigo aceitei a ideia de fazer o ajustamento do PIB per capita de Portugal introduzindo na base 11,39 milhões de cidadãos (para 2024), em vez dos 10,75 milhões, que anteriormente eram usados. O resultado é uma descida do PIB per capita de 81% da média europeia, para os 77%. O que tentei demonstrar foi que, mesmo considerando este ajustamento, na última década, verifica-se uma convergência significativa entre Portugal e todos os países mais ricos da UE, exceto a Irlanda.

Esta correção, ao adicionar 637 mil residentes face às anteriores estimativas de população do INE, altera as estimativas de PIB per capita. Mas estas alterações não são lineares, uma parte dos agregados do PIB são estimados usando o emprego e a população como fatores de cálculo, o que significa que os novos dados de população podem obrigar a uma revisão para cima do PIB português, nos anos de 2021 a 2025. Ou seja, o método que apliquei na primeira parte do artigo, tende a sobrestimar a diminuição do PIB per capita. Esta diminuição deverá existir, mas pode não ser tão acentuada como a que utilizei.

Para calcular a nova estimativa de população, o INE recorreu a dados administrativos provenientes de uma multiplicidade de entidades públicas como a AIMA, a Segurança Social, o Instituto de Registos e Notariado, a Autoridade Tributária, o Instituto do Emprego e Formação Profissional e o Ministério da Educação. Estas estimativas permitiram encontrar a presença de muitos residentes estrangeiros que estavam a ser omitidas no método anterior.

O atual método, permite contar na população residente mesmo estrangeiros que estão ilegais, ou temporários. Isso dá uma visão mais realista do total dos residentes em Portugal. No entanto, devemos ter cuidado a ter no uso dos novos dados nas comparações internacionais.

As estimativas de estrangeiros ilegais na Alemanha variam entre os 800 mil e os 1,5 milhões, na França apontam para 600 a 900 mil ilegais, a maioria não captados nas estatísticas da população. Em Espanha, as estatísticas de estrangeiros residentes, para 2024 ou 2025, consideram apenas os registados. O governo estimava-se que pudessem existir mais de 500 mil imigrantes não registados. No processo extraordinário de regularização, em 2026, surgiram mais de 1,2 milhões de inscrições. Se estamos a ajustar o PIB per capita português colocando mais 600 mil pessoas, não devíamos então comparar este com um PIB per capita da Espanha ajustado para incluir mais 1,2 milhões de residentes? Ou o da Alemanha com mais 1,5 milhões de pessoas?

Por outro lado, se ficou claro que o método anterior subestimava o número de residentes, penso que é importante verificar se o atual método, para efeitos de cálculo do PIB per capita, não poderá sobrestimar os residentes estrangeiros.

Hoje temos mais nómadas digitais, que vivem parte do ano em Portugal, mas têm rendimentos fora do país. Temos também mais trabalhadores sazonais e temporários, em áreas como a construção, o turismo ou a agricultura, que mudam muitas vezes de emprego e de país, ao longo do ano. Temos ainda imigrantes temporários, que entraram em Portugal, mas estão em circulação para outros países.

É razoável assumir que muitos destes estrangeiros residentes, agora detetados, apenas trabalhem uma parte do ano em Portugal. Nestes casos estamos a contar uma capita na parte de baixo da equação, como se esta pessoa tivesse passado todo o ano em Portugal, mas o contributo para a produção e consumo desta pessoa em Portugal, pode ter sido dado em apenas alguns meses. Estas realidades podem conduzir a conclusões erradas sobre a produtividade e o contributo para o PIB per capita destes trabalhadores.

Por estas e outras razões, a nova metodologia não deve dispensar a realização de um exercício de Census, que permita avaliar algumas destas questões e calibrar os eventuais erros e omissões.

Conclusão
A revisão de dados sobre a população feita pelo INE é a meu ver positiva. Vai permitir um retrato mais claro da população residente e da presença de cidadãos estrangeiros no território nacional. No entanto, a utilização destes dados para comparações internacionais, deve ser feita com cuidado, no sentido de ser compatível com os critérios dos países com que estamos a comparar, e de incorporar todos os efeitos desta alteração, incluindo a forma como vai afetar o cálculo do PIB.

Volto ao princípio deste artigo, para salientar que, mesmo usando os dados na versão mais simples, e que tem mais impacto na baixa do nosso PIB per capita, o que os dados revistos com o aumento da população mostram é que, nos últimos 10 anos, o PIB per capita de Portugal se aproximou, não só do de todas as economias mais ricas da UE (UE15 - exceto a Irlanda), mas também do dos restantes países do G7 (EUA, Canadá e Japão).

Os novos dados sugerem que o país se aproximou menos do que antes pensávamos. E certamente menos do que desejávamos. Mas mostram que a realidade de Portugal como um país que não se estava a conseguir aproximar dos países mais ricos, que dominou todo o período entre 2001 e 2015, se inverteu na década de 2015 a 2025.

A última década correu bem e permitiu a Portugal convergir com a Alemanha, a França, o Reino Unido, a Suécia, a Áustria, os EUA ou o Japão. E convergiu em valores significativos. O PIB per capita de Portugal ainda está muito abaixo do dos países mais ricos da UE, mas mesmo corrigindo o efeito do aumento da população, está mais próximo do destes países do que alguma vez esteve nos últimos 60 ou 70 anos.

Penso que é mais importante centrarmo-nos em como conseguir que essa convergência continue ou até se reforce na década de 2025 a 2035, do que estar a usar os novos dados para alimentar o negativismo e para tirar conclusões, que estes não sustentam.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Noruega destaca-se como “o país europeu que mais portugueses expulsou” em 2025?


Não. Em 2023, o Polígrafo já tinha verificado um post onde era visível um artigo do “Público”, ilustrado com os retratos de oito indivíduos negros, que supostamente teriam sido expulsos da Noruega. A notícia, apesar de verdadeira, não tem qualquer relação com a imagem utilizada. Agora, repete-se a alegação, completamente desprovida de contexto.

O artigo foi publicado em 2022 e, consequentemente, diz respeito a 2021. Nesse ano, dos 370 portugueses deportados, 276 (74%) foram realmente expulsos de países europeus, sendo que, de acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2021, 95 desses foram obrigados a abandonar a Noruega, mais do que qualquer outro país. As autoridades norueguesas especificaram ainda que o número não só engloba expulsões, como também recusas de entrada e permanência.

A estatística, no entanto, volta a ser partilhada em 2026, referindo-se assim ao ano de 2025. Ora, o RASI de 2025 aponta para um total de 352 portugueses que receberam ordens de saída em todo o mundo, dos quais 219 foram afastados de países na Europa. Ao contrário do registado em anos anteriores, a Noruega não consta sequer dos países referidos neste contexto.

Tal como mencionado, as fotografias que acompanham o post não mostram portugueses afastados de qualquer país. Na realidade, são retratos de criminosos detidos em 2017 por tráfico de droga em Londres. De facto, alguns dos homens detidos têm nomes em língua portuguesa, como Bruno da Silva, Evanildo Gomes ou José Mário Sá. Porém, nenhuma das penas aplicadas consistiu na expulsão de qualquer um dos condenados, cujas penas variaram entre nove meses e quatro anos de prisão.

Em conclusão: os números indicados na publicação estão desatualizados e, no último ano (2025), a Noruega não foi o país europeu que mais portugueses deportou; as imagens não correspondem a indivíduos de nacionalidade portuguesa, nem a indivíduos deportados da Noruega. Duas falsidades numa mesma publicação.

sábado, 9 de maio de 2026

Anúncios de emprego falsos: qual é a probabilidade de ser enganado na Europa?


Quase um em cada três recrutadores é vítima de roubo de identidade, de acordo com uma nova investigação, com a Geração Z a ser vítima de anúncios falsos de oportunidades de emprego que "parecem demasiado escassas para deixar passar", apesar de serem claros sinais de alerta.

Os anúncios de emprego falsos tornaram-se um problema grave na Europa, com novos casos registados regularmente em todo o continente.

Nos últimos anos, a Europol e os governos nacionais têm vindo a exortar os candidatos a emprego a serem mais cautelosos, num contexto de aumento acentuado das tentativas de fraude, sobretudo em plataformas online.

À medida que a IA e os deepfakes tornam as ameaças ainda mais difíceis de detetar, o LinkedIn tem estado a investigar a questão e descobriu que quase um em cada três responsáveis por recrutamento no Reino Unido e na Alemanha foi vítima de roubo de identidade com o objetivo de enganar potenciais candidatos.

A investigação foi realizada com um total de 4.000 pessoas e partilhada com o Europe in Motion.

Como é que os falsos empregadores conduzem as suas burlas?
A principal tática utilizada pelos burlões consiste em pedir às vítimas que paguem despesas adiantadas, especialmente por empregos no estrangeiro que não existem.

As desculpas são variadas e vão desde verificações de antecedentes a taxas de pedido de visto e custos de formação e de integração, bem como de equipamento como telefones e computadores portáteis.

Cerca de 43% dos candidatos a emprego da Geração Z no Reino Unido afirmaram que quase foram vítimas de burlas de emprego em geral, enquanto 31% afirmaram que foram efetivamente burlados.

Os números são ligeiramente inferiores, mas ainda assim significativos, na Alemanha, com cerca de um em cada três candidatos da Geração Z a afirmar que esteve perto de ser vítima de uma burla.

Quem são as vítimas mais frágeis?
As preocupações com a falta de emprego aumentam ainda mais o risco.

Apesar de os jovens candidatos terem frequentemente fortes competências digitais, muitos ainda ignoram os sinais de alerta devido ao medo de perder oportunidades e ao elevado custo de vida, o que faz com que a Geração Z tenha 3,7 vezes mais probabilidades de ser burlada do que a Geração X, de acordo com a investigação do LinkedIn.

Este facto é também consistente com outros relatórios que indicam que os jovens são o grupo "favorito" para serem vítimas de burla.

"Em toda a Europa, estamos a assistir a um ambiente de contratação mais difícil, com uma diminuição das contratações em muitos mercados europeus. Este facto pode deixar os candidatos a emprego mais vulneráveis", disse ao Europe in Motion Oscar Rodriguez, vice-presidente de "Product Trust" no LinkedIn.

"A urgência pode levar os candidatos a emprego a não verem alguns dos sinais de alerta mais comuns, e é por isso que estamos a investir em ferramentas e proteções que ajudam os membros a tomar decisões mais informadas sobre a credibilidade, e a acrescentar passos para encorajar os membros a fazer uma pausa e a refletir durante a procura de emprego".

Atualmente, mais de 100 milhões de profissionais e mais de 700.000 responsáveis de recrutamento verificaram os seus perfis no LinkedIn.

Que sinais de aviso deve procurar?
Para além de quaisquer pagamentos adiantados ou da falta de contexto suficiente ao longo da comunicação, os candidatos devem estar atentos a pessoas que solicitem informações sensíveis no início do processo de seleção e que o apressem excessivamente a tomar uma decisão.

Acima de tudo, é crucial navegar no site da empresa para verificar a sua legitimidade, bem como a existência da vaga e do responsável em questão, antes de passar à fase de candidatura.

Na sua investigação, o LinkedIn constatou que quase metade dos recrutadores no Reino Unido e na Alemanha foram contactados proativamente por candidatos a emprego para verificar se uma função era genuína.

A grande maioria dos responsáveis (67%) admite, no entanto, que a criação de confiança se tornou mais difícil.

É por isso que "muitos também estão a ser mais transparentes sobre o emprego, a empresa e o processo desde o início", diz Rodriguez, porque sabem que os candidatos estão a analisar o alcance com mais cuidado.

Onde é que as pessoas estão mais em risco e qual é o impacto financeiro?
Outro estudo, efetuado pela empresa de tecnologia financeira Revolut, analisou a escala das burlas de emprego relativamente a todos os casos de fraude comunicados à empresa em vários países europeus.

Embora a taxa não seja tão elevada como a de outros tipos de fraude, como as relacionadas com compras ou investimentos, as candidaturas falsas continuam a representar uma parte significativa.

A Roménia está em primeiro lugar, com quase um quinto de todas as fraudes, seguida da Espanha (12%) e do Reino Unido (8%), enquanto a maioria dos países ronda os 4% ou 5%.

No entanto, o impacto financeiro relativo a todas as fraudes é muito maior do que o simples número de casos poderia sugerir, 10% em média nos países inquiridos.

Nos casos mais graves, a fraude no emprego representa 20% de todas as perdas financeiras relacionadas com a burla em Portugal, 19% no Reino Unido, 18% em Itália e 16% na Alemanha e na Roménia.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Era só o que faltava que eu não pudesse reflectir em voz alta - Amanhã votarei em António José Seguro!

Ainda tem dúvidas? 
Autarca do Chega de 49 anos aterrorizou um vizinho com tiros (!!). Além de lhe ter matado uma ovelha, o fulano causou danos avaliados em 20 mil euros à vítima, também resultantes de disparos de arma de fogo.
Amanhã voto ANTÓNIO SEGURO, faça chuva, faça Sol.

Amanhã irei votar contra o ódio, contra o fascismo, contra o racismo, contra a xenofobia, contra a homofobia, contra a misoginia, contra as touradas, contra a bufaria, contra a militarização das fronteiras, contra a criação de uma polícia migratória estatal e contra criminosos de colarinho branco. 

Não é só Portugal que está em causa. André Ventura partilha e difunde os pilares fundamentais do movimento Internacional Nacionalista, a saber: 

A. Nacionalismo Identitário: A defesa da "identidade cristã" e dos valores tradicionais contra o multiculturalismo. 

B. Populismo de Exclusão: A dicotomia entre o "povo de bem" e as "elites corruptas", estendendo-se frequentemente a ataques contra minorias (especialmente a comunidade cigana e imigrantes). 

C. Segurança e Autoritarismo: Defesa de penas mais pesadas (prisão perpétua, castração química) e um apoio incondicional às forças policiais. (vejam o ICE, nos EUA)

2. As Alianças Internacionais 
André Ventura tem sido muito eficaz a inserir-se na "Internacional Nacionalista". Ele não é apenas um admirador, é um parceiro ativo de figuras chave: 

Santiago Abascal (VOX) Espanha - O aliado mais próximo, com frequentes visitas mútuas e uma agenda comum para a Península Ibérica. 

Matteo Salvini (Lega) Itália - é parceiro no grupo parlamentar europeu Identidade e Democracia (ID). 

Marine Le Pen (RN) França - uma das principais referências e apoiante pública de Ventura em campanhas eleitorais. 

Viktor Orbán (Hungria)- Ventura aponta frequentemente a Hungria como modelo de defesa das fronteiras e da família. 

Donald Trump / Jair Bolsonaro- Ventura adoptou o estilo de comunicação direta e brutalista nas redes sociais e a retórica de "limpeza do sistema" destes líderes.

André Ventura pratica e abusa de deepfake, bots e mentiras.

Só tenho pena de não ter sido discutido o tema ecologia e ambiente.

Provavelmente este “ português de bem ”vai apresentar como defesa, que a ovelha o insultou ou era do Bangladesh (ironia)

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Mão de obra imigrante é nove anos mais jovem do que a portuguesa – estudo


Os imigrantes que trabalham em Portugal são, em média, nove anos mais novos que a força de trabalho portuguesa, segundo uma análise estatística hoje divulgada.

De acordo com uma pesquisa da plataforma Prepara Portugal, com base nos dados cruzados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), “em 2023, a idade mediana dos trabalhadores estrangeiros era de 33 anos, enquanto a dos trabalhadores portugueses atingia os 42 anos”, um sinal de que os imigrantes contribuem para o “rejuvenescimento do mercado de trabalho nacional”.

Por outro lado, o estudo indica que mais de 85% da população estrangeira residente em Portugal encontra-se em idade ativa, muito acima da população portuguesa.

“Entre os nacionais, o grupo com 65 anos ou mais representa mais de 24% da população, enquanto entre os imigrantes esse valor não ultrapassa 8,5%”, refere Higor Cerqueira, diretor pedagógico do Prepara Portugal, uma plataforma destinada a estudantes internacionais e imigrantes que procuram inserção profissional no mercado português.

Segundo o estudo, cuja versão final será apresentada em janeiro, os imigrantes “estão fortemente inseridos em setores estratégicos como construção civil, turismo, restauração, agricultura, serviços administrativos e tecnologia da informação, áreas que enfrentam escassez estrutural de mão de obra nacional”.

De acordo com Pedro Stob, formador do curso de Análise de Dados e Tecnologia da Informação Aplicada à Gestão, do Centro de Formação Prepara Portugal, o objetivo final foi formar “alunos a trabalhar com dados reais, interpretar fenómenos sociais complexos e comunicar conclusões com impacto para a sociedade”.

“O estudo aponta ainda para uma integração progressiva dos imigrantes no mercado laboral, refletida na melhoria das taxas de emprego e no aumento gradual das remunerações médias ao longo do período analisado, apesar da persistência de desafios como diferenças salariais, reconhecimento de qualificações e estabilidade contratual em alguns setores”, referem os autores.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Figura nacional do ano 2025 - Os imigrantes


Raquel Moleiro, Expresso, 26/12/2025
Como é tradição no Expresso, a redação escolheu as figuras nacionais e internacionais do ano. 
O imigrante nunca deixou de marcar a atualidade. Escolhido como urgência política, serviu de moeda de troca ao Governo para ganhar o apoio do Chega e atrair o seu eleitorado. São 1,5 milhões, a viver entre o discurso anti-imigração e o suporte da economia e da natalidade. 
O ano quase no fim e em dois dias o mar matou mais pescadores do que em todo o 2025. Primeiro naufragou o “Vila de Caminha”, a 14 de dezembro. O barco de pesca costeira avariou quando regressava da faina e um golpe de mar virou-o entre a barra de Caminha e a ilha de Ínsua. Levava cinco homens, três morreram. Dois dias depois, foi o “Carlos Cunha”, 21 metros dedicados à pesca do espadarte, a ir ao fundo a 370 quilómetros ao largo de Aveiro. Dos sete pescadores, apenas dois sobreviveram. Entre as duas embarcações só havia um português. Os oito que morreram eram todos imigrantes. Dos 14 pescadores que faleceram este ano, dez eram estrangeiros, da Indonésia. Mais do que números de uma tragédia repetida, estas são cifras que revelam a dependência do sector pesqueiro da mão de obra imigrante. 

São 75% de todos os tripulantes. Fazem parte de uma espinha dorsal estrangeira, mais ou menos invisível, que suporta em cada vez maior percentagem vários sectores da economia nacional: agricultura, construção, turismo, hotelaria, restauração, limpezas, apoio social.

Em 2025 reforçou-se.Dos 1.543.697 imigrantes residentes em Portugal — números da AIMA, ainda em revisão pelo INE —, 71% estão inscritos na Segurança Social, e representam 24% da população ativa do país. Em 2025, até 17 de outubro, tinham contribuído com €3,1 mil milhões, cinco vezes mais do que o valor recebido em subsídios e prestações sociais.

Diz a OCDE que é graças ao imigrante que a força de trabalho em Portugal continua a crescer. Diz o INE que um terço dos bebés que nascem no país tem mãe estrangeira, número que mais do que duplicou na última década, alimentando o aumento da natalidade há dois anos consecutivos. E que é também a imigração que tem garantido o crescimento da população ao manter o saldo migratório positivo. Mas este é um retrato pouco propagado da população estrangeira em Portugal. É positivo e só a custo entra no discurso político ou norteia as decisões do Governo e, em consequência, molda as perceções populares. 

Em 2025, a imigração foi o assunto que tudo dominou, mas encarada como um problema a resolver. O imigrante viu na restrição aos seus direitos de entrada, permanência, legalização, reagrupamento e obtenção de nacionalidade uma prioridade política do executivo de Luís Montenegro. Conseguiu, aliás, o feito notável de ultrapassar em importância a crise da habitação, que mantém os jovens em casa dos pais para todo o sempre, amassa famílias em quartos e repõe barracas. 

Ou o caos do SNS, que só conseguiu romper a hegemonia dos holofotes migrantes quando o número de bebés a nascer em ambulâncias começou a atingir proporções alarmantes. A Educação lá teve o seu curto período de estrelato com a falta crónica de professores — no final do 1º período, havia 13.446 horários por preencher. Mas a cada nova lei criada, votada, vetada, mudada, aprovada, o estrangeiro voltou sempre à ribalta.

Durante este ano, o Governo — pela mão do ministro Leitão Amaro — quis alterar todos os diplomas da imigração, numa transposição legal do fim da ‘política de portas escancaradas’. No Parlamento, o imigrante serviu de moeda de troca ao voto favorável do Chega, com leis a incluir artigos de uma Direita mais inclinada, só travados pelo Tribunal Constitucional (TC).Além de permitir a criação da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF), a nova Lei de Estrangeiros, em vigor desde outubro, veio dificultar o processo de reagrupamento familiar, obrigando um imigrante a esperar dois anos após receber a autorização de residência para iniciar o pedido.

O TC, que chumbou a primeira versão do diploma, forçou a inclusão de um prazo menor para cônjuges e filhos menores. Esta nova lei acabou também com o visto de procura de trabalho, mantendo-se como exceção o uso por profissionais altamente qualificados, e extinguiu o privilégio de legalização com isenção de visto para cidadãos CPLP.

A entrada de trabalhadores estrangeiros passa a fazer-se quase exclusivamente através de visto laboral, dependente da celeridade (demorada) dos consulados ou da ‘via verde’ criada pelo Governo para a contratação de mão de obra por grandes empresas. As confederações esperavam receber por aí 100 mil trabalhadores por ano, mas desde abril só passaram 1305. Por agora, a “porta escancarada” tem aberta uma nesga.
A Lei da Nacionalidade foi o segundo diploma temático aprovado. Igualmente polémica, seguiu o caminho da primeira e foi chumbada a semana passada pelos juízes do Palácio Ratton, vetada por Marcelo Rebelo de Sousa e devolvida ao Parlamento. Em traços gerais, aumenta de cinco para dez anos — sete para países lusófonos — o tempo de residência legal no país para um imigrante iniciar um pedido, o que coloca Portugal entre os mais restritivos da UE. A inclusão de uma pena acessória de perda de nacionalidade não passou no TC. Já em dezembro, o Conselho de Ministros aprovou as linhas gerais do último diploma da tríade migratória, a Lei do Retorno, que regula o afastamento dos ‘ilegais’ de Portugal e mexe igualmente na Lei do Asilo. Encontra-se em consulta pública. Entre as medidas está o aumento do tempo de detenção no Centro de Instalação Temporária dos atuais 60 dias para um ano e meio, e o fim das Notificações para Abandono Voluntário, que acelera a expulsão lá fora, o medo 

Fora da bolha política do Parlamento, no mundo real do imigrante, a vida piorou. O diagnóstico é comum às várias comunidades: entre os 485 mil brasileiros que são 31% dos estrangeiros; os indianos que não chegam aos 100 mil, quase os mesmos que os angolanos; os 79 mil ucranianos; ou entre os cabo-verdianos que se ficam pelos 66 mil. É esse o top cinco das principais nacionalidades em Portugal.Se se ligasse apenas às perceções e cartazes políticos, o Bangladesh estaria em primeiro lugar com os seus 55 mil nacionais, só mais 7 mil que os britânicos. 

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Ordem dos Biólogos contra integração do ICNF na Agência Portuguesa do Ambiente


A Ordem dos Biólogos manifestou-se hoje contra uma eventual integração do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas na Agência Portuguesa do Ambiente e transferência de responsabilidades para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional.

“Num ano em que se assinalam 50 anos de um serviço público dedicado à conservação da natureza e da biodiversidade, esta proposta levanta sérias dúvidas quanto ao futuro da gestão das áreas protegidas, à autonomia técnica necessária e à eficácia das políticas ambientais em Portugal”, alertaram os biólogos.

O Livre apresentou hoje um requerimento para ouvir, com urgência, a ministra do Ambiente e Energia no parlamento sobre uma eventual fusão das competências do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) nas duas entidades.

O requerimento surge depois de o jornal Expresso ter noticiado, na terça-feira, citando “várias fontes” não identificadas, que o Governo pretende extinguir o ICNF, tal como atualmente existe, e dividir as suas competências entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).

A Ordem dos Biólogos anunciou também que pediu uma audiência ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Para a Ordem, uma reorganização desta natureza seria “profundamente preocupante”, sobretudo no que diz respeito à gestão das áreas protegidas e à conservação da biodiversidade, pilares que considera estratégicos de qualquer política ambiental.

“Num País com a dimensão de Portugal, regionalizar a gestão destas áreas pode significar a criação de “quintais” administrativos e políticos, comprometendo a coerência e a eficácia das políticas de conservação”, defendeu a estrutura.

A Ordem dos Biólogos teme que se repita a experiência polémica da AIMA, a Agência para a Integração, Migração e Asilo, na sequência da extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), criando-se “um mega organismo”, com múltiplas funções e perda eficácia nas principais competências.

“O ICNF desempenha funções com responsabilidades nacionais e compromissos internacionais muito específicos, que exigem autonomia técnica e capacidade especializada”, sustentou a Ordem, em comunicado, sublinhando que a integração dessas competências numa entidade com missão já alargada “fragilizaria inevitavelmente” a proteção da natureza e a conservação da biodiversidade.

O Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) receberá 44,7 milhões de euros para áreas protegidas, prevenção de incêndios ou alterações climáticas, segundo a proposta de Orçamento do Estado para 2026.

O documento, entregue pelo Governo na semana passada e disponibilizado no ‘site’ da Assembleia da República, prevê a transferência de receitas próprias do Fundo Ambiental até ao limite de 44.750.000 euros para o ICNF, destinados a projetos de gestão das áreas protegidas, prevenção de incêndios florestais e de conservação da natureza.

As verbas destinam-se ainda a projetos de ordenamento do território e adaptação às alterações climáticas, pagamentos a equipas de sapadores florestais, gabinetes técnicos florestais e “agrupamento de baldios”.

A dotação para 2026 é inferior à do orçamento em vigor (53,2 milhões), que significou uma duplicação da verba alocada face a 2024.

Está também prevista a transferência do ICNF, enquanto autoridade florestal nacional, para as autarquias locais, ao abrigo dos contratos celebrados ou a celebrar no âmbito do Fundo Ambiental, mas sem indicação de dotação.

Na proposta admite-se ainda transferências do ICNF “para entidades, serviços e organismos competentes da área da defesa nacional, com vista a suportar os encargos com ações de vigilância e gestão de combustível em áreas florestais sob gestão do Estado”, ao abrigo de protocolo a celebrar no âmbito Fundo Ambiental.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Israelitas concentram 40% das nacionalidades adquiridas em 2023

Das 41.393 pessoas que receberam passaporte português em 2023, os mais representados foram os Israelitas, com 16.377 cidadãos a adquirirem nacionalidade. Estes 40% de israelitas naturalizados são descendentes de judeus sefarditas. Esta informação consta nos últimos dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Do número total de estrangeiros naturalizados em 2023, 24.408 não vivem no país, ou seja, 60% dos cidadãos estrangeiros que adquiriram a nacionalidade portuguesa vivem fora de Portugal.

Os dados divulgados pelo INE revelam também que apenas um quarto de todas as nacionalidades adquiridas foi concedida a estrangeiros que residiam em Portugal há pelo menos seis anos. Destes, 30% são de países de língua portuguesa, como Brasil e Cabo Verde, com uma grande representação de ucranianos e nepaleses no número total de casos.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

O farsante André Ventura, que critica a nova lei da emigração


Antes de chegar ao Parlamento, André Ventura saltou da Autoridade Tributária (AT) para a Finpartner, uma empresa de contabilidade e assessoria fiscal com intensa actividade nas áreas da engenharia fiscal via offshore e vistos gold, o que não deixa de ser engraçado, à luz da narrativa em torno da “pátria” e das posições anti-emigração que agora defende. Porque isto da pátria não é para qualquer gajo que chegue de barco de borracha em fuga da miséria. Isso seria cristão demais para um farsante como Ventura. Tratando-se de um oligarca russo, angolano ou chinês, que aterre em Lisboa no seu jacto privado, então já somos capazes de ter aqui alguma coisa para lhe vender. Nacionalidade portuguesa pelo preço certo em euros.

Isto do trabalho, na óptica do André Ventura, tem muito que se lhe diga. É que eu ainda sou do tempo em que, em 2019, o líder do Chega deu uma entrevista a uma estação televisiva de uma igreja qualquer, onde afirmou, com a convicção a que nos habituou, que, mal fosse eleito, deixaria todas as suas outras ocupações para se dedicar a tempo inteiro a servir o país. Porque defendia, convictamente, que os deputados o deviam ser em exclusividade de funções. Claro que, uma vez eleito, Ventura continuou a servir os interesses da Finpartner, durante quase mais dois anos, durante os quais teve acesso a informação privilegiada resultante da sua posição no Parlamento, que pode ou não ter entregue ao seu principal empregador. E desengane-se quem achar que Ventura saiu da Finpartner por imperativo de consciência. Saiu, isso sim, porque a contradição se tornou insustentável. E porque os próprios militantes do Chega começaram a ficar indignados. Tivessem deixado Ventura tranquilo na sua vida, e ainda hoje lá estaria.

Indo um pouco mais atrás, até 2014, recorde-se que André Ventura assinou um parecer, enquanto inspector tributário ao serviço da AT, que contribuiu para isentar uma empresa de Lalanda de Castro, ex-patrão de José Sócrates, do pagamento de 1,8 milhões de euros de IVA. Este caso foi investigado no âmbito do processo dos Vistos Gold, por suspeita de favorecimento de Lalanda e Castro, que também está referenciado na Operação Marquês, Panama Papers e é acusado de corrupção no processo Máfia do Sangue. E sim, este Ventura que serviu de peão na manobra de evasão fiscal de Lalanda e Castro, que prejudicou todos os portugueses, é o mesmo Ventura que demoniza todos os beneficiários do RSI, incluindo crianças.

Em 2021, as contribuições dos imigrantes subiram para um valor recorde: 1293 milhões de euros. Paralelamente, as prestações sociais de que beneficiaram ficaram-se pelos 325 milhões, o que significou um saldo positivo de 968 milhões para os cofres da Segurança Social.
Em 2022, novo recorde. Desta vez, as contribuições ascenderam a 1861 milhões, as prestações sociais caíram para 257 milhões e o saldo disparou para os 1604 milhões.
Mais um ano, mais uma chapada na retórica desonesta da extrema-direita xenófoba e racista.
Mais uma chapada na narrativa canalha que faz dos imigrantes o bode expiatório da agenda do ódio.
Mais uma chapada na instrumentalização do medo e da ignorância, da demagogia da divisão, do cheio nauseabundo do isolacionismo nacionalista.
A verdade, digam o que disserem os descendentes de Salazar, é que precisamos destas pessoas. Porque são eles quem aceita os trabalhos precários e mal pagos na construção civil, no turismo, na restauração e no serviço doméstico. Sem eles, estes sectores colapsariam, ou ficaram perto do colapso.
Porque falta mão-de-obra, e porque os portugueses não querem esses trabalhos. Preferem emigrar.
Portanto, sim, estes imigrantes, sejam brasileiros, paquistaneses, indianos ou nepaleses, fazem falta à economia portuguesa.
E contribuem para contas públicas mais saudáveis. Muito mais saudáveis.
Portugal precisa deles.
O resto é conversa de populistas que não têm mais do que ódio e ditadura para oferecer ao país.