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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Mais um estudo científico a alertar porque é que as crianças olham tanto para alimentos pouco saudáveis nas idas ao supermercado

A recente investigação australiana que revelou que as crianças passam cerca de 17% do tempo de compras fixadas em locais estratégicos e que 99% dessa atenção vai para produtos pouco saudáveis insere-se num corpo científico sólido e em constante crescimento. A forma como o design das lojas e as embalagens capturam a atenção infantil tem sido amplamente documentada por investigadores em todo o mundo. A ciência comportamental e a nutrição comunitária há muito que analisam o fenómeno do "pester power" (o poder de persuasão e insistência das crianças sobre os pais durante as compras), e as técnicas de monitorização visual moderna, como a tecnologia de rastreamento ocular (eye-tracking), apenas vieram confirmar numericamente o que a observação direta e a psicologia do consumo já haviam mapeado.

A atenção das crianças aos ultraprocessados não é acidental, pois responde a estímulos biológicos e visuais diretos. A este respeito, a fixação visual automática em alimentos calóricos demonstra como o cérebro está programado para o consumo; um estudo publicado no PMC (PubMed Central) revelou que o cérebro humano está naturalmente programado para detetar e fixar o olhar em alimentos com maior densidade calórica de forma mais rápida. No entanto, enquanto os adultos conseguem exercer autorregulação e desviar o olhar, as crianças mantêm o foco visual preso nesses produtos, tornando-as o alvo perfeito para estratégias no ponto de venda.

A par desta vulnerabilidade biológica, o impacto das mascotes e personagens nas embalagens surge como uma das ferramentas mais poderosas no retalho. A investigação divulgada pelo MDPI / Nutrients avaliou a influência das personagens de desenhos animados e das cores vivas na escolha alimentar infantil, concluindo que estes elementos ativam respostas emocionais e comportamentos impulsivos no momento de decisão, sobrepondo-se a qualquer noção de valor nutricional.

Por fim, a importância da posição nas prateleiras completa este ciclo de atração no retalho. A localização estratégica nas pontas de corredor e junto às caixas registadoras explora a vulnerabilidade do momento final da compra, e os relatórios analíticos sobre o ambiente de consumo publicados pela World Health Organization (WHO) alertam que a exposição contínua a alimentos ricos em gorduras, açúcar e sal (HFSS) nas zonas de maior circulação dos supermercados correlaciona-se diretamente com um aumento substancial nas solicitações de compra por parte dos mais novos.

Para ler mais sobre o impacto do ambiente alimentar e das estratégias de marketing na saúde infantil, pode consultar investigações focadas em estudos com eye-tracking, tais como a Atenção visual e atratividade das embalagens alimentares nas crianças (PMC / PubMed Central) ou a Monitorização ocular de estímulos de marketing alimentar no retalho (MDPI Nutrients). Caso pretenda aprofundar estudos de impacto comportamental e políticas públicas sem eye-tracking, recomenda-se o Manual da Organização Mundial da Saúde sobre restrições ao marketing alimentar infantil (WHO) e a análise sobre O papel da exposição no ponto de venda e o comportamento de compra familiar (Appetite / ScienceDirect).

domingo, 16 de agosto de 2026

A carne vegetal entre a urgência planetária e a realidade do prato

A transição para um sistema alimentar de base vegetal vive atualmente um dos seus momentos mais paradoxais. Se, por um lado, a comunidade científica mundial reforça que mudar a forma como nos alimentamos é uma urgência ambiental e de saúde pública, por outro, a realidade dos supermercados e o comportamento dos consumidores mostram que a aceitação da carne vegetal continua a enfrentar barreiras profundas.

Do ponto de vista da urgência global, o diagnóstico da ciência é inequívoco. Como lembra a Plant Based Foods Association (PBFA) na sua tomada de posição sobre o Relatório da Comissão EAT-Lancet, a chamada "Dieta da Saúde Planetária" não é uma tendência passageira, mas sim um modelo desenhado por especialistas globais para garantir a nutrição humana sem ultrapassar os limites ecológicos da Terra. A redução drástica do consumo de carne animal e o aumento de alimentos de origem vegetal surgem aí como imperativos para mitigar as alterações climáticas, conter a desflorestação e prevenir doenças crónicas. Esta urgência é suportada pela evolução geral do mercado, onde o mais recente relatório State of the Marketplace 2024-2025 da PBFA revela que quase 60% dos lares norte-americanos já consomem produtos de base vegetal com regularidade, impulsionados pela procura de hábitos mais saudáveis.

Contudo, este crescimento no setor plant-based não se traduz de forma direta na adesão aos análogos da carne. Quando a teoria científica chega ao prato do dia a dia, esbarra na psicologia e no orçamento do consumidor habitual de carne. Um estudo da Universidade de Adelaide, publicado no Journal of Marketing Management, revela que os apelos publicitários e a consciência ambiental não chegam para vencer a perceção de risco dos consumidores. Segundo a investigação australiana, a maioria dos comedores de carne continua a rejeitar as alternativas vegetais devido ao seu elevado preço (price premium), a dúvidas quanto ao sabor e textura, e à preocupação de que estes análogos sejam produtos altamente processados. Na verdade, dados de mercado de entidades como o Good Food Institute em parceria com a Euromonitor confirmam que o chamado "Triângulo da Adoção" (Sabor, Preço e Conveniência) é o fator decisivo:mesmo em mercados maduros, a principal razão para o abandono das alternativas vegetais não é a falta de consciência ambiental, mas sim o preço elevado e expetativas frustradas quanto à textura e sabor.  A este cepticismo soma-se a percepção de risco nutricional revelada por investigações em revistas especializadas como a Appetite e a Food Quality and Preference. Muitos consumidores flexitarianos hesitam em trocar um corte de carne simples por análogos vegetais que associam a produtos ultraprocessados e com listas extensas de ingredientes. Cria-se, assim, um paradoxo: o desejo de fazer uma escolha sustentável colide com a receita da saúde e do orçamento diário. Para a grande maioria dos comedores de carne, a transição só ganhará escala real quando a indústria superar a barreira dos rótulos e entregar produtos genuinamente saborosos, acessíveis e transparentes.

Concluindo, o fosso entre o relatório EAT-Lancet e as conclusões do estudo de Adelaide demonstra que a transição alimentar não se concretizará apenas com discursos morais ou campanhas publicitárias emocionais. Enquanto as alternativas vegetais à carne não garantirem uma verdadeira paridade de preço, transparência nos ingredientes e uma experiência gastronómica equivalente à carne convencional, a sustentabilidade continuará a despertar o interesse dos consumidores na teoria, mas poucas mudanças no carrinho de compras.

Veja a íntegra da edição de 2025 do relatório e um resumo em português da Comissão EAT-Lancet aqui


sábado, 15 de agosto de 2026

A comida que compras no supermercado vai mudar (e não é no preço)


Primeiro foi a reciclagem de embalagens através do sistema Volta. Agora, a preocupação está literalmente à volta daquilo que comemos.

A União Europeia está a apertar as regras para as embalagens e os resíduos de embalagens e a primeira mudança com impacto direto na saúde dos consumidores começa já a aplicar-se: novos limites para os chamados PFAS, conhecidos como “químicos eternos”.

Os PFAS são um grupo de milhares de substâncias químicas utilizadas para conferir resistência à gordura, à humidade e ao calor, contudo, algumas destas substâncias são extremamente persistentes no ambiente e podem acumular-se no organismo humano.

É por isso que a União Europeia decidiu limitar a sua presença nas embalagens destinadas a entrar em contacto com alimentos, como, por exemplo, uma embalagem de queijo, de pizza ou de comida pronta em take away.

A partir de 12 de agosto de 2026, não podem ser colocadas no mercado embalagens que ultrapassem os valores definidos para estas substâncias. E a regra não se limita ao material de que é feita a embalagem que reveste comida ou bebidas quentes. Abrange também tintas, revestimentos e adesivos.

O que acontece aos alimentos que já estão nas prateleiras?
A recente mudança não significa que, de um dia para o outro, todas as embalagens dos supermercados tenham de ser substituídas.

As novas obrigações entram em vigor de forma faseada e existem períodos de adaptação previstos no novo enquadramento europeu. Para além disso, a partir de agora, as informações sobre o fabricante das embalagens terão de estar visíveis, permitindo identificar e contactar quem as colocou no mercado.

Mas as mudanças não ficam por aqui. A partir de 2028, deverá começar a aplicar-se em toda a União Europeia um sistema de rotulagem harmonizado para as embalagens. A ideia é tornar mais simples perceber como devem ser separadas e encaminhadas para reciclagem ou compostagem.

Já em 2030, a ideia é introduzir novas regras sobre a quantidade de espaço vazio nas embalagens, metas de reutilização e restrições a determinados formatos de plástico descartável de pequena dimensão, utilizados, por exemplo, no setor da hotelaria e restauração.

Segundo a Comissão Europeia, cada cidadão europeu deita fora, em média, cerca de meio quilo de embalagens por dia, isto entre copos de café, cápsulas de bebidas, películas aderentes, folhas de alumínio, caixas e embalagens de compras online.

Sem novas medidas, Bruxelas estima que o desperdício de embalagens na União Europeia poderia aumentar 19% até 2030. No caso específico dos resíduos de embalagens de plástico, o crescimento poderia chegar aos 46%.

Ainda faltam alguns anos para que grande parte das novas regras esteja plenamente em vigor. Mas a direção está definida: no supermercado do futuro, não estará apenas em causa aquilo que compramos dentro da embalagem. Também contará, cada vez mais, aquilo de que a própria embalagem é feita.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Vaga de calor agrava desperdício alimentar e acelera deterioração dos alimentos

Portugal enfrenta uma vaga de temperaturas extremamente elevadas, com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a emitir múltiplos avisos meteorológicos devido ao calor intenso. Para além dos impactos na saúde pública e no quotidiano das populações, as temperaturas extremas trazem consigo um desafio crítico de sustentabilidade e gestão económica: a aceleração drástica do desperdício alimentar.

Esta aceleração é validada cientificamente através do Princípio Q10, que demonstra que um aumento de apenas 10°C na temperatura ambiente pode duplicar ou até triplicar a velocidade das reações químicas e biológicas responsáveis pela deterioração dos alimentos.

O fenómeno agrava o panorama nacional num período em que, de acordo com o relatório oficial do Parlamento Europeu sobre o Desperdício Alimentar, cada português desperdiça cerca de 184 kg de alimentos por ano – o que posiciona Portugal como o quarto país da União Europeia com maior quebra alimentar por habitante, estimando-se um total anual de 1,9 milhões de toneladas de comida desperdiçada no país.

Esta pressão estrutural intensifica-se consideravelmente durante a época estival. De acordo com o histórico de dados de consumo da Too Good To Go, 28% dos consumidores portugueses admitem desperdiçar uma maior quantidade de alimentos durante os meses de verão, sendo a fruta (48%) a categoria de produto mais afetada, seguida de perto pelos legumes e pelos produtos lácteo, devido ao seu menor tempo de vida útil sob temperaturas elevadas.

“As temperaturas extremas exigem uma adaptação rigorosa nos nossos hábitos de conservação”, afirma Maria Tolentino, Country Manager da Too Good To Go em Portugal. “Num contexto de pressão económica sobre o orçamento das famílias, o desperdício de alimentos devido ao calor representa um prejuízo duplo: o custo financeiro do produto que se estragou e o desperdício da energia elétrica que o equipamento de refrigeração consumiu, em sobre-esforço, para tentar conservar esse mesmo alimento. É fundamental adotarmos medidas preventivas imediatas, recorrendo tanto a pequenos gestos diários na cozinha como ao suporte da tecnologia, para mitigar este impacto antes que o desperdício aconteça.”

 Para apoiar os consumidores na mitigação do impacto das altas temperaturas, a Too Good To Go reuniu um conjunto de orientações e dicas:

  1. Avaliação sensorial dos produtos (Observar, Cheirar, Provar): o calor pode fazer com que laticínios ou sumos sofram alterações físicas ligeiras perto do fim do seu prazo de validade. Antes de descartar um produto com a indicação de “Consumir de preferência antes de” ultrapassada, a Too Good To Go recomenda a utilização dos sentidos para verificar se o alimento está realmente impróprio para consumo;
  2. Eficiência do equipamento de refrigeração: os frigoríficos operam em sobre-esforço com temperaturas externas elevadas. Para evitar falhas técnicas ou consumo excessivo de energia, não deve sobrecarregar o equipamento (o ar frio necessita de circular livremente) e deve assegurar a limpeza das bobinas traseiras. Garanta que a temperatura se mantém entre os 0°C e os 4°C na zona mais fria.
  3. Isolamento de alimentos produtores de etileno: frutas como bananas, maçãs e tomates libertam gás etileno, um componente natural que funciona como catalisador e acelera a maturação dos vegetais circundantes. Durante uma vaga de calor, separe estes alimentos dos restantes e armazene as frutas de verão na gaveta inferior do frigorífico para retardar o processo de desidratação e amadurecimento acelerado;
  4. Utilização de cortiça para controlo de humidade: a colocação de uma ou duas rolhas de cortiça (cortadas longitudinalmente) no interior da fruteira ajuda a absorver o excesso de humidade ambiente. Esta medida reduz significativamente a proliferação de bolor nas frutas mais sensíveis;
  5. Preparação de refeições frias (Gaspacho): Tomates e pimentos que tenham amolecido devido ao calor acumulam uma maior concentração de açúcares naturais. Este é o momento ideal para os processar a frio com azeite e alho, resultando numa refeição hidratante e com aproveitamento total da matéria-prima;
  6. Congelação e confeção de gelados caseiros: caso verifique que as bananas estão a amadurecer demasiado rápido, corte-as em rodelas e armazene-as no congelador. Posteriormente, podem ser trituradas para a criação de um gelado natural instantâneo (nice cream), sem adição de açúcares;
  7. Bebidas aromatizadas com excedentes de fruta: morangos ou fatias de pepino que apresentem sinais de desidratação pelo calor podem ser integrados num jarro com água fria e gelo, constituindo uma opção de hidratação refrescante e de desperdício zero;
  8. Armazenamento em suportes ventilados: evite recipientes fechados para produtos frescos. Os ventilados permitem a circulação contínua do ar, impedindo a criação de bolsas de calor e humidade entre os alimentos.
O papel da tecnologia na gestão do retalho nacional
As temperaturas elevadas não afetam apenas as cozinhas dos consumidores; representam também um desafio severo para a gestão de stocks em supermercados, padarias, restaurantes e mercearias, onde a quebra de produtos frescos tende a registar um aumento linear nos dias de maior calor.

A Too Good To Go, empresa de impacto social responsável pela maior aplicação do mundo para salvar alimentos e combater o desperdício alimentar, posiciona-se aqui como uma ferramenta de resposta rápida para o tecido empresarial. Atualmente, a comunidade da plataforma em Portugal já conta com mais de 2,7 milhões de utilizadores, que em conjunto com uma rede de mais de 5.500 parceiros já salvaram mais de 7,7 milhões de refeições (Suprise Bags) — o que evitou diretamente a destruição de mais de 7.700 toneladas de comida em perfeitas condições de consumo.

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1.Será que a Too Good To Go compensa? Testámos em supermercados e padarias, fizemos as contas... e temos respostas

segunda-feira, 25 de maio de 2026

O sistema Volta - puro Enshittification


Já tinha falado sobre isso aqui

A SDR Portugal, uma associação sem fins lucrativos, é apresentada como uma das grandes conquistas da nova economia circular. Uma solução moderna, sustentável e inevitável para aumentar as taxas de reciclagem e aproximar Portugal dos objectivos ambientais europeus. A narrativa pública é simples, eficaz e cuidadosamente construída: devolver embalagens para salvar o planeta.

Consumir continua perfeitamente aceitável. Desde que a culpa venha com código de barras e seja colocada na máquina correcta.

O presidente da SDR Portugal é Leonardo Bandeira de Melo Mathias, antigo Secretário de Estado Adjunto e da Economia no governo de Pedro Passos Coelho. Um dos vice-presidentes é António Augusto dos Santos Casanova Pinto, vice-presidente do Conselho de Administração da Sumol Compal Marcas e administrador executivo do grupo.

Segundo o Relatório e Contas de 2024 da própria SDR, os órgãos sociais não são remunerados. No entanto, os gastos com remunerações em 2024 ascenderam a €136.333,25 antes de impostos (Seg. Social + IRS). O número de pessoas ao serviço em 31 de Dezembro de 2024 era de apenas 3, sendo referido no relatório que existia um Director-Geral contratado desde Junho de 2022 e que apenas em Dezembro de 2024 foram contratados um Director de Operações e um Director de Tecnologias de Informação.

Ou seja, durante praticamente todo o exercício de 2024, o grosso dos encargos salariais esteve concentrado numa única pessoa e com um valor (€9.738 líquidos /mês) bastante interessante para uma estrutura ainda em fase inicial de operação. Afinal, até a reciclagem moderna exige a sua pequena aristocracia técnica.

O próprio Relatório e Contas revela ainda outro detalhe particularmente curioso: existe um conjunto de grandes empresas que realizaram empréstimos à SDR, os quais, segundo o Relatório de Gestão, serão pagos “quando a associação tiver meios financeiros para o fazer”.

Traduzindo do dialecto institucional para português corrente: o dinheiro há-de voltar. Ou seja, não se trata propriamente de capital a fundo perdido nem de um gesto puramente filantrópico. Trata-se de dinheiro que deverá regressar futuramente a quem o colocou no sistema.

Entre os credores encontram-se:
Auchan Retail Portugal, S.A.: €247.000
ITMP Alimentar, S.A.: €247.000
Super Bock Bebidas, S.A.: €247.000
Pingo Doce - Distribuição Alimentar, S.A.: €247.000
Lidl & Companhia: €247.000
Modelo Continente Hipermercados, S.A.: €247.000
Sumol Compal Marcas, S.A.: €247.000
Coca-Cola Europacific Partners Unipessoal, Lda: €247.000
SCC - Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, S.A.: €247.000
Unilever Fima, Lda: €247.000
Total: €2.470.000

A pergunta verdadeiramente interessante não é se o sistema é ecológico. É perceber como, quando e através de que mecanismos financeiros estes valores serão recuperados. Porque num sistema financiado por depósitos, taxas, fluxos operacionais e receitas futuras associadas à reciclagem, alguém acabará inevitavelmente por pagar a factura final da virtude ambiental.

No entanto, quando se observa o modelo para além da superfície publicitária e das campanhas institucionais, percebe-se que talvez estejamos perante algo bastante mais complexo do que uma simples iniciativa ecológica.

O que está a ser criado não é apenas um sistema de reciclagem. É uma infraestrutura económica, logística e tecnológica de enorme dimensão, construída em torno da circulação permanente de embalagens, depósitos, dados e contratos.

A lógica do mecanismo parece inocente. O consumidor compra uma bebida, paga um valor adicional associado à embalagem e recupera esse montante caso a devolva num ponto autorizado. À primeira vista, trata-se apenas de um incentivo comportamental. Uma pequena penalização temporária destinada a ensinar adultos a colocar recipientes vazios no sítio correcto. Mas é precisamente aqui que o modelo se torna interessante. O sistema não vive apenas da reciclagem. Vive sobretudo da arquitectura financeira criada à volta da reciclagem.

Cada embalagem deixa de ser apenas um recipiente descartável e transforma-se numa unidade económica rastreável:
- alguém paga
- alguém recolhe
- alguém valida
- alguém transporta
- alguém processa
- alguém monitoriza
- alguém factura

A garrafa já não termina no lixo. Passa a circular dentro de uma cadeia económica cuidadosamente organizada, onde praticamente cada etapa gera actividade financeira.

O primeiro aspecto raramente explicado de forma transparente é a importância dos depósitos não reclamados. Nem todas as pessoas irão devolver embalagens. Nem todas terão tempo. Nem todas terão máquinas próximas. Nem todas guardarão garrafas em casa. Nem todas considerarão justificável deslocar-se por alguns cêntimos. Nem todas transformarão a cozinha numa extensão informal do centro de triagem nacional.

E é precisamente aí que surge uma das peças mais relevantes do sistema. Os depósitos pagos e nunca recuperados permanecem dentro do circuito financeiro da estrutura. Ou seja, uma parte significativa da sustentabilidade económica do modelo assenta não apenas na reciclagem, mas também na inevitável imperfeição humana.

E aqui vale a pena pegar nas próprias palavras do presidente da SDR Portugal:
“Só para lhe dar um enquadramento, são consumidas em Portugal 2,1 mil milhões de garrafas de plástico (PET) até três litros. E as latas de aço e de alumínio, portanto, são 2,1 mil milhões de unidades por ano. Agora imagine…”
Sim, vamos então imaginar.
Com optimismo ambiental, admitamos que 70% das embalagens são devolvidas. Isso significa que 30% ficam fora do circuito de retorno.
2,1 mil milhões × 30% = 630 milhões de embalagens não devolvidas.
Multiplicando por um depósito de 10 cêntimos:
630 milhões × €0,10 = €63 milhões.

Ou seja, mesmo num cenário bastante optimista, estariam potencialmente 63 milhões de euros anuais a permanecer dentro do sistema apenas através de depósitos não reclamados.

Agora abandonemos por momentos o optimismo institucional e ambiental. Se a taxa de retorno fosse de 50%, então metade das embalagens não regressaria:
2,1 mil milhões × 50% = 1.050 milhões de embalagens.
Multiplicando novamente pelos 10 cêntimos:
1.050 milhões × €0,10 = €105 milhões.
Cento e cinco milhões de euros.

Naturalmente, estes valores não representam lucro directo líquido nem podem ser analisados isoladamente dos custos operacionais do sistema. Mas ajudam a perceber a dimensão financeira potencial criada por um mecanismo que depende precisamente de uma percentagem significativa de embalagens nunca ser devolvida.

Há aqui uma ironia difícil de ignorar. O sistema apresenta-se como solução para mudar comportamentos, mas beneficia financeiramente do facto de esses comportamentos nunca mudarem completamente. Se os consumidores devolvessem rigorosamente todas as embalagens, uma das maiores almofadas financeiras do mecanismo desapareceria. Isso obrigaria inevitavelmente a:
- aumentar taxas
- reforçar contribuições da indústria
- procurar mais financiamento público
- ou criar novas formas de receita

Por outras palavras, o sucesso ambiental absoluto poderia transformar-se num problema económico bastante menos sustentável do que os folhetos institucionais sugerem. Naturalmente, esta parte raramente aparece nos vídeos promocionais acompanhados por folhas verdes ao vento, crianças sorridentes e música suficientemente inspiradora para absolver moralmente uma garrafa de plástico. Mas os depósitos não reclamados são apenas uma componente do ecossistema.

Outra dimensão do modelo surge quando se observa a infraestrutura criada à sua volta.
Para operacionalizar a devolução de milhões de embalagens, torna-se necessário construir uma rede nacional composta por:
- máquinas automáticas de recolha
- software de reconhecimento e validação
- sistemas antifraude
- logística reversa
- transporte especializado
- centros de triagem
- compactação industrial
- plataformas digitais
- manutenção técnica
- monitorização estatística
- auditorias
- certificações ambientais
- contratos operacionais

Ou seja, cria-se um novo sector económico completo em torno de algo que, até aqui, cabia essencialmente num ecoponto. E como acontece frequentemente na economia contemporânea, o discurso público concentra-se na moralidade ambiental, enquanto os fluxos financeiros reais se distribuem silenciosamente pelos bastidores tecnológicos e logísticos.

Porque alguém fabrica as máquinas. Alguém fornece o software. Alguém gere os dados. Alguém assegura manutenção. Alguém opera a logística. Alguém ganha contratos. Alguém presta consultoria. Alguém vende a solução para o problema que o próprio sistema ajudou a transformar numa nova necessidade estrutural. O operador central pode apresentar-se como entidade sem fins lucrativos, o que é tecnicamente verdadeiro. Mas isso pouco diz sobre o volume de actividade económica gerada à volta da estrutura.

Aliás, um dos traços mais sofisticados dos modelos contemporâneos é precisamente este: o núcleo institucional mantém uma aparência neutra e moralmente virtuosa, enquanto a rentabilidade se espalha discretamente pelas camadas periféricas do sistema.

Existe ainda uma dimensão menos visível, mas potencialmente mais valiosa a longo prazo: os dados.
Cada devolução gera informação. Cada máquina recolhe padrões de utilização. Cada localização produz métricas comportamentais. Cada embalagem contribui para mapear hábitos de consumo. Num contexto onde indicadores ambientais, métricas ESG* e monitorização de comportamento possuem valor económico crescente, o controlo de uma infraestrutura nacional deste tipo representa muito mais do que reciclagem. Representa capacidade de observação, recolha, análise e venda de dados. (*Indicadores quantitativos e qualitativos que medem o desempenho de uma empresa nas áreas Ambiental, Social e de Gestão)

Quem gere um sistema desta escala passa a ter acesso a:
- padrões de consumo
- volumes regionais
- sazonalidade de vendas
- participação dos consumidores
- fluxos logísticos
-métricas ambientais
- indicadores de conformidade regulatória
O lixo deixa de ser apenas lixo.Torna-se informação.

Outro aspecto particularmente curioso é a transferência parcial de trabalho da indústria para o cidadão. Antes, o consumidor colocava a embalagem no ecoponto e encerrava aí a sua participação. Agora, espera-se que:
- guarde embalagens em casa sem as danificar 
- organize resíduos
- transporte recipientes
- procure máquinas disponíveis
- aguarde validação
- execute parte da logística operacional

Tudo isto naturalmente apresentado como exercício de cidadania ambiental. Na prática, parte do trabalho anteriormente absorvido pelo sistema tradicional de resíduos é silenciosamente transferido para o próprio consumidor, que continua simultaneamente a financiar o processo através dos depósitos pagos.

Entretanto, os grandes produtores de embalagens conseguem algo ainda mais relevante: legitimidade. As empresas responsáveis pela colocação de milhões de embalagens descartáveis no mercado passam a operar dentro de uma arquitectura verde certificada, compatível com exigências regulatórias europeias e extremamente útil para relatórios ESG, reputação corporativa e marketing institucional.

A questão deixa então de ser: “como reduzir embalagens descartáveis?” E passa subtilmente a ser:“como integrar embalagens descartáveis num circuito economicamente rentável e ambientalmente legitimado?”

É uma diferença conceptual importante.
O sistema não elimina o consumo massivo de recipientes descartáveis. Pelo contrário: reorganiza-o, profissionaliza-o e transforma-o numa cadeia económica ainda mais sofisticada.

No fundo, o que está a emergir não é apenas um mecanismo de reciclagem. É a monetização integral da embalagem desde o momento da compra até ao momento da devolução.

A embalagem gera receita quando é vendida. Gera receita quando circula. Gera receita quando não é devolvida. Gera receita quando é devolvida. Gera receita quando é processada. Gera receita enquanto dado estatístico. E gera legitimidade política e ambiental durante todo o percurso. Chama-se a isso enshittification (merdificação)

Nada disto significa que reciclar seja inútil ou que a reutilização de materiais não tenha benefícios reais. O problema não está na reciclagem. Está na forma quase religiosa como certos modelos económicos são apresentados como altruísmo ambiental puro, quando na realidade envolvem estruturas financeiras altamente sofisticadas e interesses económicos evidentes.

Porque quando uma solução ecológica cria uma indústria multimilionária sustentada por depósitos, contratos, dados, logística, tecnologia e falhas previsíveis do comportamento humano, talvez seja legítimo perguntar se o principal objectivo é proteger o ambiente ou descobrir como transformar até o lixo numa fonte permanente de rentabilidade.
E nesse aspecto, convenhamos, o modelo é brilhante.

O ecoponto de rua - esse herói anónimo da reciclagem portuguesa — continua a ser mais eficiente, mais inclusivo e com menor pegada carbónica. Pode não dar vales de desconto, mas pelo menos não exige carregar lixo no porta-bagagens. Faz apenas aquilo que deve: recolher para reciclar. Por isso, continuo fiel a ele. Pode não ser bonito nem moderno, mas funciona - e não precisa de marketing para provar isso.
E mais: 
Aqui em casa uso água da torneira. É o mais ecológico e simples. Quando vou a restaurantes, se bebo água devolvo o talão à menina(o). 

Saber mais:
3. Sistema Volta, as contas da DECO e o peso da tua “preguiça” forçada

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Não queremos patentes das sementes e exigimos regulação das NTG´s

A UE está prestes a realizar a votação final sobre novas regras que desregulamentariam a maioria das culturas geneticamente modificadas desenvolvidas através de Novas Técnicas Genómicas (NGTs), prevista para 19 de maio. A proposta eliminaria a rotulagem, a rastreabilidade e a avaliação de riscos para a maioria destes produtos, levantando preocupações quanto à transparência, aos polinizadores e aos agricultores. O cenário atual confirma as minhas preocupações: o acordo provisório alcançado entre o Conselho e o Parlamento não inclui a proibição de patentes que o Parlamento tinha inicialmente exigido. Em vez disso, propõe apenas medidas de "transparência", o que na prática permite que grandes multinacionais continuem a patentear características genéticas de plantas, ameaçando a autonomia dos agricultores e a biodiversidade.
Portanto e por tudo isto e pela salvaguarda da nossa soberania alimentar e em defesa da agricultura biológica nacional - pondo em causa a Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica (ENAB 2027) - temos que agir!

𝐀 𝐬𝐨𝐜𝐢𝐞𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐜𝐢𝐯𝐢𝐥 𝐞𝐬𝐭𝐚́ 𝐚 𝐦𝐨𝐛𝐢𝐥𝐢𝐳𝐚𝐫-𝐬𝐞 𝐚𝐭𝐫𝐚𝐯𝐞́𝐬 𝐝𝐞𝐬𝐭𝐚 𝐜𝐚𝐦𝐩𝐚𝐧𝐡𝐚.
𝐉𝐚́ 𝐪𝐮𝐚𝐬𝐞 𝟗𝟓.𝟎𝟎𝟎 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐞𝐧𝐯𝐢𝐚𝐫𝐚𝐦 𝐞𝐦𝐚𝐢𝐥𝐬 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐨𝐬 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨𝐬 𝐞𝐮𝐫𝐨𝐝𝐞𝐩𝐮𝐭𝐚𝐝𝐨𝐬.

Não brinquemos com a nossa alimentação nem mantenhamos os consumidores na ignorância – a rotulagem nas embalagens deve ser garantida ao longo de toda a cadeia de valor. Se estes novos produtos geneticamente modificados são tão promissores como a indústria de sementes afirma, então por que razão não devem ser rotulados em conformidade?
𝐄́ 𝐭𝐞𝐦𝐩𝐨 𝐝𝐞 𝐫𝐞𝐬𝐩𝐨𝐧𝐬𝐚𝐛𝐢𝐥𝐢𝐳𝐚𝐫 𝐨𝐬 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨𝐬 𝐝𝐞𝐩𝐮𝐭𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐩𝐞𝐥𝐚𝐬 𝐬𝐮𝐚𝐬 𝐝𝐞𝐜𝐢𝐬𝐨̃𝐞𝐬; 𝐞𝐥𝐞𝐬 𝐝𝐞𝐯𝐞𝐦 𝐝𝐞𝐟𝐞𝐧𝐝𝐞𝐫 𝐨 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨 𝐝𝐢𝐫𝐞𝐢𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐞𝐬𝐜𝐨𝐥𝐡𝐚 𝐞 𝐩𝐫𝐨𝐭𝐞𝐠𝐞𝐫 𝐚 𝐚𝐠𝐫𝐢𝐜𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐥𝐢𝐯𝐫𝐞 𝐝𝐞 𝐎𝐆𝐌.

𝐀𝐣𝐮𝐝𝐞-𝐧𝐨𝐬 𝐚 𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐫𝐯𝐚𝐫 𝐨 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨 𝐝𝐢𝐫𝐞𝐢𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐞𝐬𝐜𝐨𝐥𝐡𝐚 𝐞 𝐚 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐚 𝐬𝐨𝐛𝐞𝐫𝐚𝐧𝐢𝐚 𝐚𝐥𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐚𝐫! 



O Contexto
A desregulamentação das NGTs irá comprometer as normas de segurança alimentar e o direito de escolha dos consumidores, sendo também provável que conduza a uma maior concentração no setor das sementes através do patenteamento de culturas alimentares.

Um artigo do Corporate Europe Observatory e da GMWatch mostra que os grupos de pressão da indústria tentam acalmar as preocupações sobre o impacto das culturas patenteadas com argumentos superficiais e enganosos. Uma sondagem recente revela que a maioria dos cidadãos da UE se opõe às patentes sobre plantas e animais.

Documentos de lóbi obtidos junto da Comissão Europeia revelam que: 
(1) os grupos de pressão da indústria Euroseeds e CropLife Europe, que representam multinacionais biotecnológicas como a Bayer e a Syngenta, minimizam os problemas associados às patentes e propõem «soluções» inadequadas, e 
(2) o grupo de pressão agrícola Copa-Cogeca emitiu um forte aviso contra as patentes, mas posteriormente silenciou-se sobre o assunto. Outros grupos agrícolas, como a Deutsche Bauern Verband e a ECVC, continuam a manifestar abertamente as suas objeções às patentes.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Gigantes globais da carne são forçados a reduzir as alegações enganosas sobre o clima



No final de 2025, um acordo judicial histórico nos EUA colocou a gigante da carne Tyson Foods e as suas alegações climáticas exageradas sob um escrutínio sem precedentes.

O processo, interposto pelo Environmental Working Group (EWG) , representado pelo Animal Legal Defense Fund , Earthjustice, Edelson PC e FarmSTAND, questionou a promessa da Tyson de atingir emissões líquidas zero de gases com efeito de estufa até 2050 e o seu marketing de "carne de bovino climaticamente inteligente", incluindo a linha Brazen Beef, agora descontinuada, anunciada como "a primeira carne de bovino amiga do clima com uma redução de 10% nas emissões de gases com efeito de estufa". O cientista ambiental Matthew Hayek, da Universidade de Nova Iorque, questionou a credibilidade científica de alegações tão precisas sobre as emissões e se os consumidores poderiam realmente ter a certeza de que os seus bifes teriam emissões mais baixas em comparação com os produtos de carne de bovino convencionais. Como parte do acordo, a Tyson concordou em deixar de descrever a sua carne de bovino como "emissões líquidas zero" ou "climaticamente inteligente" durante cinco anos, a menos que estas alegações sejam comprovadas por provas verificadas por especialistas, embora a empresa ainda insista que a decisão "não representa qualquer admissão de culpa".

Os dados destacados pelo EWG pintam um quadro negro das prioridades dentro da corporação: segundo o relatório, a Tyson gasta menos de 0,1% da sua receita anual em esforços de redução de emissões, principalmente em investigação, o que equivale a cerca de 50 milhões de dólares de um total aproximado de 53 mil milhões de dólares, enquanto gasta cerca de três vezes mais em publicidade . Durante este período, o EWG estima que as emissões de gases com efeito de estufa da Tyson superam as de países inteiros como a Áustria ou a Grécia, sendo que a produção de carne de bovino é, por si só, responsável por 85% da sua pegada de carbono.

O setor da criação de animais em geral continua a ser um dos maiores poluidores climáticos, com uma estimativa de 12% a 19% de todos os gases com efeito de estufa causados ​​pela atividade humana ligados aos animais explorados para alimentação, sendo a carne de bovino apontada como particularmente prejudicial. Outras corporações têm-se apoiado na marca “carbono neutro”, frequentemente sustentada por compensações em vez de cortes profundos na produção, enquanto a JBS, outro gigante global da carne, foi recentemente pressionada pelo procurador-geral do estado de Nova Iorque a baixar a sua mensagem de “Emissões Líquidas Zero até 2040” para uma mera “meta” ou “ambição” e a investir 1,1 milhões de dólares em programas de agricultura climática inteligente. Matthew Hayek, da Universidade de Nova Iorque, que há muito critica as chamadas narrativas sobre carne amiga do clima, acolheu bem o escrutínio, dizendo à Corporate Knights : "10% parece uma redução de emissões tão pequena que está bem dentro da margem de erro.
Duvido que alguém tenha informações que possam 'provar' que, quando um consumidor vai ao supermercado, está realmente a consumir menos 10% de emissões do que o bife que está ao lado." 

sábado, 14 de março de 2026

Soberania alimentar e autossuficiência em crise no Reino-Unido


O primeiro Relatório de Segurança Alimentar do Reino Unido, de dezembro de 2021, constatou que o país era 54% autossuficiente em termos alimentares. Outros países ricos, como os EUA, a França e a Austrália, são todos autossuficientes em termos alimentares, o que significa que produzem alimentos suficientes para alimentar as suas populações sem necessidade de importações.

O Reino Unido é um dos países menos autossuficientes em termos alimentares na Europa. A Holanda, por exemplo, que é densamente povoada, tem 80% de autossuficiência, e a Espanha, 75%.

“Não estamos a pensar nisso adequadamente. Estamos a fugir do problema”, disse Lang, falando na conferência da União Nacional dos Agricultores em Birmingham.

“A ideia de que os outros nos podem alimentar está enraizada no sistema estatal britânico e, de facto, na própria natureza do capitalismo agroalimentar na Grã-Bretanha. Outros países são mais sábios. Outros países estão a armazenar alimentos”, disse. “Os outros países têm muito mais flexibilidade nos seus sistemas do que nós. O que glorificamos como eficiência agora é a vulnerabilidade.”

Outros países possuem reservas de emergência para casos de guerra, contaminação alimentar ou choques climáticos. A Suíça ainda possui reservas suficientes para alimentar toda a sua população durante três meses e está a aumentá-las para um ano. A recomendação do governo do Reino Unido para as famílias é que mantenham nos seus armários alimentos suficientes para três dias.

Agora um novo relatório revela algo preocupante do Reino Unido, onde um painel de peritos concluiu que uma guerra, um choque climático ou uma combinação de ambos poderia desencadear uma verdadeira crise alimentar nas Ilhas Britânicas.

Notícia completa no Guardian

sábado, 14 de fevereiro de 2026

A epidemia invisível dos ultraprocessados


Nas prateleiras dos supermercados, embalagens coloridas prometem conveniência, sabor imediato e preços acessíveis. Mas por detrás dessa sedução industrial esconde-se uma ameaça que a ciência tem vindo a estudar e não permite ignorar. Um estudo internacional publicado na The Lancet, assinado por 43 especialistas de vários países, revela que os alimentos ultraprocessados não são apenas "menos saudáveis” são agentes ativos de doença, com impacto mensurável em praticamente todos os órgãos humanos.

Os números impressionam. Em países como EUA, Reino Unido e Austrália, metade das calorias ingeridas diariamente provém de ultraprocessados. Snacks embalados, refrigerantes, refeições prontas e cereais artificiais tornaram-se rotina, substituindo alimentos frescos e minimamente processados. O estudo identificou mais de 30 associações distintas entre o consumo destes produtos e doenças crónicas: obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardiovasculares, depressão e mortalidade precoce.

Mas o alerta vai mais longe. Não se trata apenas de calorias vazias ou excesso de açúcar. Os investigadores descrevem um efeito sistémico: fígado, rins, coração e cérebro mostram sinais de impacto direto. A combinação de aditivos, emulsionantes e processos industriais altera a forma como o corpo metaboliza os alimentos, criando uma espécie de “nova biologia alimentar” que fragiliza o organismo.

Esperar por "provas perfeitas" é repetir erro histórico
A comparação com o tabaco é inevitável. Tal como aconteceu no século XX, as empresas recorrem a marketing agressivo, lobbying político e estratégias de influência para atrasar regulamentações. A The Lancet avisa: esperar por “provas perfeitas” seria repetir o erro histórico de deixar que um produto nocivo se enraizasse ainda mais nas dietas globais.

O estudo não se limita à ciência. Aponta também para a política e para a desigualdade social. Os ultraprocessados são mais consumidos em comunidades vulneráveis, onde o preço e a conveniência pesam mais do que a qualidade nutricional. A crise é, portanto, dupla: sanitária e social.

​​De acordo com os inquéritos nacionais analisados pelos investigadores da série publicada na The Lancet, a presença destes produtos na dieta das famílias aumentou de forma expressiva nas últimas décadas. Em Espanha, por exemplo, a proporção de energia proveniente de ultraprocessados nas compras alimentares quase triplicou, passando de cerca de 11% para 32%. Na China, o salto foi igualmente significativo, de 4% para 10% em apenas 30 anos. A tendência repete-se na América Latina: no México e no Brasil, a contribuição energética dos ultraprocessados duplicou em 40 anos, evoluindo de 10% para 23%.

A análise mostra ainda que a proporção destes produtos na ingestão energética total varia de acordo com fatores económicos e culturais. Nos países do Sul da Europa com maior rendimento, como Portugal, Itália, Chipre e Grécia, e em algumas economias asiáticas, como Taiwan e Coreia do Sul, os ultraprocessados representam menos de um quarto da dieta. Já em nações como Austrália e Canadá, essa percentagem ultrapassa os 40%, enquanto no Reino Unido e nos EUA chega a superar metade da energia diária consumida.

Desafio não é só individual
Os especialistas pedem medidas urgentes: legislação forte, rotulagem clara com alertas visíveis, promoção ativa de dietas frescas e acessíveis e políticas públicas que enfrentam desigualdades. Para além da transparência informativa, defendem também regras mais apertadas no campo do marketing, sobretudo no que toca à publicidade dirigida a crianças e à difusão em plataformas digitais. Entre as medidas propostas está ainda a exclusão de alimentos ultraprocessados de instituições públicas, como escolas e hospitais, e a definição de limites tanto para a sua comercialização como para o espaço que ocupam nas prateleiras dos supermercados.

O desafio é global e não pode ser resolvido apenas com escolhas individuais. No fundo, o que este estudo revela é uma verdade desconfortável: os ultraprocessados são um motor silencioso da crise de saúde contemporânea. A sua omnipresença nas mesas e prateleiras representa uma ameaça comparável às epidemias de tabaco e álcool do século passado. A diferença é que, desta vez, a ciência chega cedo e clara. Falta saber se a política terá coragem de colocar a saúde antes do lucro.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Mensagem de Natal do Primeiro-Ministro - a essência de um regime cleptocrata


A mensagem de Natal de Luís Montenegro não foi neutra. Foi uma armadilha retórica para deslocar a responsabilidade do Governo para as pessoas. Segundo o Primeiro-Ministro, o país está bem e a economia cresce. Se não sentes isso na tua vida, se o salário é curto, o problema não é estrutural, é teu. Falta-te ambição. Falta-te “mentalidade de campeão”.

É aqui que a analogia com Cristiano Ronaldo se torna ofensiva. O modelo deste Governo não é quem segura o SNS ou a escola pública, é um multimilionário a jogar na Arábia Saudita, um regime autoritário que usa o desporto para lavar a sua imagem internacional. A mensagem é simples. Se ele conseguiu, tu também consegues. Ronaldo é a exceção absoluta. Usar uma exceção para julgar a vida de milhões de portugueses que trabalham, descontam e cumprem é profundamente desonesto.

Sete minutos de ladainha. Dizem que está tudo óptimo, mas quando chega à prática temos o menor aumento percentual do salário mínimo dos últimos anos e um ataque cerrado aos direitos laborais. Sinal claro de que a propaganda vive melhor do que as pessoas.

Enquanto vendem a ilusão do “país rico”, os números mostram onde fica a riqueza:
Jerónimo Martins: faturou 33,4 mil milhões € em 2024 (lucro: 599M€).
Sonae: cerca de 10 mil milhões € de volume de negócios (lucro: 223M€).
EDP: 801M€ de lucro.
Galp: 961M€ de lucro.
Banca: lucros recorde de 6,3 mil milhões €, à custa dos juros pagos pelas famílias.

A riqueza existe. A distribuição é que não. O “trickle-down” é uma mentira contada muitas vezes. A produtividade sobe, mas os ganhos ficam nos salários e prémios dos CEOs e nos dividendos, não nos salários de quem trabalha.

E sobre o essencial? Silêncio.

Ignorou as falhas graves no SNS, a habitação que esmaga vidas e ignorou a transparência. O mesmo Primeiro-Ministro que pede “mentalidade” opôs-se a revelar detalhes de 55 imóveis e lidera um Governo com um património conjunto de 20,9 milhões €, com três ministras a concentrarem mais de 11M€.
A distância entre quem governa e quem trabalha é abismal.

Esta mensagem não serviu para unir o país. Serviu para disciplinar. Para justificar desigualdade.
Para transformar problemas colectivos em culpas individuais.

domingo, 12 de outubro de 2025

Este hábito na caixa automática já fez clientes perderem dinheiro

Nos últimos anos, os supermercados têm apostado cada vez mais nas caixas automáticas. São práticas, rápidas e permitem que os clientes passem as compras sem depender de um funcionário. Mas o que parece uma solução perfeita tem também riscos escondidos. A verdade é que um hábito muito comum na caixa automática já fez clientes perderem dinheiro e muitos só se apercebem quando é tarde demais.

Como funcionam as caixas automáticas
As caixas automáticas substituem o operador tradicional por um sistema onde o cliente faz tudo:
  1. Passa os códigos de barras dos produtos.
  2. Pesa frutas, legumes ou pão.
  3. Escolhe o método de pagamento.
  4. Recebe troco, talão e segue caminho.
Tudo isto parece simples, mas basta um pequeno erro ou distração para abrir a porta a perdas de dinheiro ou mesmo burlas.

O hábito que mais problemas causa
O erro mais frequente é sair antes da operação estar concluída.
Muitos clientes têm pressa, ouvem o terminal fazer um som e assumem que a compra já está paga. Mas nem sempre o pagamento foi validado. Nalguns casos, o processo ainda está em curso; noutros, a transação foi recusada e a máquina aguarda uma nova tentativa.

O que acontece depois?
O cliente sai sem o comprovativo e a compra fica em aberto.
O próximo utilizador pode terminar a operação e levar os produtos sem pagar.
Em pagamentos contactless, pode haver duplicações em alguns casos especiais.

Porque isto acontece tanto?
Três fatores ajudam a explicar:
  1. Pressa: as caixas automáticas são usadas sobretudo por quem quer rapidez. Essa pressa leva a atalhos e distrações.
  2. Ruído e distrações: filas atrás, barulho ambiente e a pressão de não “atrasar os outros” fazem com que muitos não confirmem os passos finais.
  3. Mensagens pouco claras: os ecrãs variam de supermercado para supermercado e, em alguns casos, os avisos não são suficientemente explícitos.
Quem é responsável se houver erro?
Esta é a parte mais delicada: na maioria dos casos, a responsabilidade recai sobre o cliente.
Se deixar o cartão, cabe ao cliente reportar de imediato ao banco.
Se esquecer o troco considera-se negligência.
Em duplicações de pagamento, é preciso abrir reclamação, mas nem sempre é fácil recuperar o valor.
Os supermercados raramente assumem falha, a não ser que se prove um defeito técnico.

Como evitar perder dinheiro
A boa notícia é que este problema tem solução e depende sobretudo da atenção do cliente:
  1. Espera sempre pela mensagem final no ecrã: só te levantares quando leres “Pagamento concluído”.
  2. Confirma no talão: guarda sempre o recibo; é a tua prova de compra e única forma de reclamar.
  3. Recolhe imediatamente o troco e conta-o antes de sair.
  4. Nunca deixes o cartão no terminal. guarda-o logo após retirar.
Se algo correr mal, chama um funcionário no momento em vez de saíres.

Vantagens vs riscos das caixas automáticas
Não se trata de demonizar as caixas automáticas. De facto, são úteis para compras pequenas e rápidas. Para além disso reduzem filas nas horas de maior movimento. Entretanto permitem maior autonomia para o cliente. No entanto exigem atenção redobrada, já que não há funcionário para confirmar se tudo correu bem. A pressa e a distração são as principais inimigas.

As caixas automáticas dos supermercados trouxeram rapidez, mas também novos riscos. O hábito de sair antes da operação estar totalmente concluída já fez muitos clientes perderem dinheiro, seja por duplicações, esquecimento de troco ou abandono do cartão.

Outras advertências:
Nunca deixes o carrinho do supermercado sozinho: pode sair caro

domingo, 5 de outubro de 2025

Les Français ne paient pas le vrai prix de l’alimentation



Champion des produits laitiers, des eaux et de la nutrition spécialisée avec ses marques Activia, Actimel, Evian, Volvic et Aptamil, le groupe Danone a renoué avec la croissance après une période compliquée au tournant des années 2020. Redressé par Antoine de Saint-Affrique, le groupe revendique un modèle combinant performance économique et responsabilité sociale, théorisé en 1974 par Antoine Riboud. Son patron insiste sur le rôle social des entreprises. « Le chef d’entreprise a un rôle dans la cité, car l’entreprise est un endroit absolument unique : c’est l’un des rares où l’on fasse encore société, où l’on apprenne à la fois le compromis et la constance d’un temps. C’est un endroit où on partage, et où des gens extrêmement divers d’opinion, de religion et d’origine construisent quelque chose pour le futur. Donc c’est aussi un facteur de stabilisation », estime-t-il.

Antoine de Saint-Affrique soutient l’initiative du président du Medef, Patrick Martin, d’organiser le 13 octobre « un énorme meeting » du patronat pour revendiquer l’apport des entreprises au débat public. « Sauf si je suis en déplacement, j’y serai pour rappeler une chose très importante, qui est que l’entreprise est créatrice de valeur et probablement le dernier lieu de consensus et de dialogue social. Il faut le réaffirmer de manière extrêmement forte. »

Consommation diverse
Alors que la grogne patronale monte face à l’instabilité politique, le dirigeant appelle à faire de la pédagogie. « Au-delà de l’opportunité de telle ou telle mesure, il faut revenir à un débat factuel, et ancré dans la réalité. Expliquons par exemple que quand on dépense 100 et que l’on emprunte 46, ce n’est pas un modèle durable. Ni pour le pays ni pour l’entreprise. Sur ces sujets, il y a une vraie vertu à la répétition et aux faits simples (…) pour arriver à des solutions de bon sens et de compromis ».

Bon indicateur de la consommation des Français, qui ont souvent ses produits dans leurs frigos, Danone évolue comme ses concurrents dans une conjoncture fragile. « En France, la consommation est diverse mais elle ne se porte pas trop mal. Le grand défi de notre pays reste beaucoup plus l’industrialisation que la consommation (…). Il y a souvent un décalage entre ce que le consommateur paye et la réalité des prix. Les Français ne paient pas le vrai prix de l’alimentation », insiste le dirigeant, appelant à ne pas faire de l’alimentaire « un produit d’appel ». Cela menace la rémunération des agriculteurs, un sujet sur lequel s’est engagé Danone avec des contrats de long terme, pour accompagner les investissements des fermes et des pratiques agricoles plus vertes.

« Quand vous vendez une baguette à quelques centimes d’euros ou une bouteille de côtes-du-rhône à prix cassé pour faire venir des gens dans vos magasins, vous créez un modèle qui n’est pas durable pour les agriculteurs. Et vous mettez en cause la souveraineté alimentaire du pays en entraînant la totalité de la filière vers le bas . C’est cela, l’enjeu, aujourd’hui », conclut Antoine de Saint-Affrique.

quinta-feira, 29 de maio de 2025

Como reduzir a exposição a microplásticos



Muito do que consumimos hoje em dia contém plástico, ou melhor, microplásticos, pequenas partículas com menos de cinco milímetro que são invisíveis a olho nu. Para se ter uma ideia, uma pesquisa realizada pela Universidade de Victoria, no Canadá, apontou que a ingestão dessas partículas varia de 74 mil a 121 mil partículas por ano por pessoa, conforme idade, sexo e hábitos de consumo.

O impacto disso sobre a saúde humana ainda não é totalmente compreendido, mas existem indícios de que é bastante prejudicial. Alguns estudos já demonstraram associação com doenças cardiovasculares, câncer, desequilíbrio hormonal, falhas no desenvolvimento fetal, infertilidade e lesões celulares, entre outras condições.

Os microplásticos, atualmente, estão presentes na água, no ar e no solo, e é por isso que chegam aos alimentos e, também, a itens cotidianos como cosméticos, embalagem e até roupas. Apesar dessa onipresença, há maneiras de evitá-los. Confira, a seguir, 8 dicas:

1-Evite utilizar utensílios de plástico
Produtos como potes, garrafas, tábuas de corte e copos feitos de plástico podem transferir microplásticos para alimentos e bebidas. No caso da tábua, um estudo da American Chemical Society (ACS) mostrou que elas podem expor os seres humanos a até 79,4 milhões de microplásticos de polipropileno - um tipo de polímero plástico - por ano. Sempre que possível, opte por utensílios de vidro, silicone ou aço inoxidável (inox).

2-Não coloque recipientes plásticos no micro-ondas
Quando aquecidos no forno de micro-ondas, os recipientes de plástico podem libertar quantidades significativas de microplásticos nos alimentos. Um estudo realizado em 2023 por cientistas da Universidade de Nebraska-Lincoln, dos Estados Unidos, encontrou até 4 milhões de microplásticos por centímetro quadrado em certos alimentos para bebês embalados em plástico que podem ser levados ao micro-ondas.

3-Substitua os enlatados e os alimentos embalados em plástico
As latas geralmente são revestidas com produtos químicos como BPA (Bisfenol A), um conhecido desregulador do sistema endócrino, ou outras alternativas de plástico que podem contaminar o conteúdo. Os alimentos vendidos em embalagens plásticas nos supermercados, incluindo processados e mesmo frutas e verduras, também têm risco de serem contaminados pela liberação de microplásticos. Se possível, evite enlatados e alimentos embalados em plástico.

4-Filtre a água que irá beber ou cozinhar
Tanto a água engarrafada quanto a água da torneira podem conter microplásticos. Por isso, a indicação é utilizar um filtro. Invista num de alta qualidade e certificado, capaz de remover partículas de microplástico da água.

5-Reduza o consumo de frutos do mar
Mariscos, mexilhões ostras e vieiras tendem a ter mais microplásticos porque os pegam da água. Esses seres acabam ingerindo as partículas que estão na água e aí, quando os consumidos, ingerimos também. Opte por peixes selvagens e frutos do mar de fontes confiáveis que sejam coletados usando práticas de pesca sustentáveis.

6-Fique atento aos chás
Muitas marcas de chá usam plástico em seus saquinhos para vedá-los, e o material pode passar para a bebida quando a água quente é adicionada. Tenha atenção na hora de comprar, dando preferência para os chás que vem em saquinhos de algodão ou linho orgânicos. Ou, então, prefira adquirir as folhas naturais de chá e utilize coador de metal para preparar.

7-Escolha alimentos frescos e integrais
Tente comer mais alimentos frescos, como frutas, vegetais, grãos, feijões, nozes, ovos e carne, sobretudo os que não são vendidos em embalagens plásticas. Sempre opte por uma dieta integral, rica em alimentos orgânicos, proteína de qualidade e gorduras saudáveis.

8 - Opte por produtos naturais
Roupas de fibras naturais, como algodão, lã e linho, liberam menos fibras microplásticas em comparação com os tecidos sintéticos (poliéster e náilon, por exemplo). No caso de produtos de limpeza, muitos contém elementos plásticos, então, aposte no vinagre e no bicarbonato de sódio. E, em relação aos cosméticos, e maquiagens, verifique os rótulos com cuidado e garanta que não contenham microplásticos adicionados, como politetrafluoretileno (PTFE) ou do polietileno (PE).

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How to Reduce Exposure to Microplastics