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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

ONU prevê um El Niño “muito forte” com possível duração até fevereiro de 2027


O fenómeno El Niño está “firmemente estabelecido” e deverá intensificar-se ainda mais nos próximos meses, atingindo uma intensidade “muito forte” com uma probabilidade “próxima dos 100%” de durar até fevereiro de 2027, alertou hoje a Organização Meteorológica Mundial.

“O El Niño estabeleceu-se firmemente e irá intensificar-se, tornando-se um fenómeno muito forte nos próximos meses, com repercussões significativas nos padrões de temperatura e precipitação, bem como nos riscos associados de inundações, secas e calor extremo”, alerta uma nova atualização da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Espera-se que o fenómeno “se intensifique ainda mais nos próximos meses, atingindo uma intensidade muito forte antes de atingir o pico no final de 2026”, alerta ainda a OMM.

Além disso, a organização sublinha que as últimas previsões sazonais dos centros de produção globais da OMM indicam uma “probabilidade excecionalmente elevada”, de quase 100%, de que o El Niño persista até fevereiro de 2027.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para a intensificação nos próximos meses do fenómeno El Niño, realçando que o mundo vive uma situação de “alto risco” com eventos climáticos extremos. “A ciência é inequívoca: o planeta está a entrar em águas desconhecidas, e essas águas estão a aquecer. As temperaturas da superfície do mar estão a atingir níveis recorde, os termómetros continuam a subir e encontramo-nos numa zona de alto risco onde os eventos climáticos extremos estão a tornar-se a nova normalidade”, disse Guterres em comunicado. António Guterres sublinhou que “este evento excecional do El Niño exige uma preparação e uma resposta excecionais”. “Não há tempo a perder. Está em curso uma corrida contra o tempo entre os riscos crescentes e a nossa determinação em agir contra as alterações climáticas e proteger as pessoas. É uma corrida que devemos ganhar”, disse.

O El Niño é um fenómeno natural que se repete a cada dois a sete anos. As águas superficiais do Pacífico equatorial central e oriental começam a aquecer na primavera, levando a grandes alterações nos padrões de vento, pressão e precipitação em todo o mundo nos meses seguintes.

As temperaturas da superfície do mar nesta zona do Pacífico equatorial já estão significativamente acima da média e continuam a subir.

As temperaturas estiveram, em média, 1,5 graus acima do normal entre maio e julho de 2026, passando para dois graus acima do normal em julho, segundo a OMM, que refere ainda leituras de 2,2 graus a 2,6 graus acima da média entre o final de julho e meados de agosto, “o que demonstra o contínuo fortalecimento do fenómeno”.

Abaixo da superfície do oceano, as temperaturas oceânicas estiveram ainda mais de 08 graus acima da média em algumas áreas durante julho e início de agosto.

Embora cada El Niño seja diferente, o fenómeno causou ou intensificou historicamente secas e riscos de incêndio em partes da Amazónia, América Central, Indonésia e Austrália, interrompeu a monção na Índia e trouxe chuvas torrenciais para a África Oriental.

Este fenómeno soma-se às alterações climáticas causadas pelas atividades humanas, exacerbando os eventos climáticos extremos.

Para o período de setembro a novembro deste ano, as previsões da OMM indicam um aumento da probabilidade de temperaturas acima da média em quase todas as massas terrestres, bem como padrões de precipitação consistentes com uma resposta atmosférica forte e clássica a um El Niño intenso no Pacífico.

No ano seguinte ao El Niño, o calor armazenado no oceano é libertado para a atmosfera, contribuindo geralmente para o aumento das temperaturas globais, levando muitos cientistas do clima a prever que 2027 será o ano mais quente de que há registo.

O ano mais quente até à data é 2024, depois do último El Niño.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

A geopolítica do cacau: soberania económica, agroecologia e a resistência à monocultura biotecnológica

A recente melhoria nas condições meteorológicas em importantes regiões produtoras trouxe um alívio temporário ao mercado internacional do cacau. De acordo com análises do setor (como as divulgadas pelo portal Mercado do Cacau), a chuva regular favoreceu o desenvolvimento das lavouras, permitindo que a cotação da matéria-prima ensaiasse uma recuperação. No entanto, esse impulso nas bolsas de commodities continua a ser limitado pela acumulação de estoques nos principais portos importadores e pela volatilidade da procura global.

Embora o suporte climático ofereça uma trégua a curto prazo, a cadeia de abastecimento global ainda carrega as cicatrizes do forte défice causado pelo fenómeno El Niño. Os países da África Ocidental - em especial a Costa do Marfim e o Gana, que juntos concentram mais de metade da oferta mundial, além da Nigéria e dos Camarões - continuam a enfrentar desafios estruturais profundos, como o envelhecimento dos pomares, a degradação dos solos e a persistência de doenças como a podridão-parda e o vírus do broto inchado.

Segundo dados estatísticos da International Cocoa Organization (ICCO), o mercado global caminha para um reequilíbrio delicado, passando dos déficits recordes de safras anteriores para uma projeção de pequeno superávit.

Análises detalhadas do International Food Policy Research Institute (IFPRI) revelam que a vulnerabilidade do setor não resulta apenas do clima, mas de uma rigidez estrutural: a dependência da exportação de grãos em bruto e o modelo de monocultura intensiva, que expõe os pequenos agricultores à especulação dos mercados globais.

1. A encruzilhada tecnológica: a pressão do CRISPR e da cultura celular
Como resposta à crise, o Norte Global e as multinacionais agroalimentares têm acelerado a promoção de soluções laboratoriais e patenteadas:
  • Edição genómica (CRISPR/Cas9): Investigações focam-se no desenvolvimento de cacaueiros geneticamente alterados para resistir a fungos e secas, com estudos publicados em revistas como a Nature. Nos EUA (via regras do USDA- SECURE) e progressivamente na UE (através da regulamentação de Novas Técnicas Genómicas - NGT 1 supervisionada pela EFSA), estas plantas caminham para a isenção do rótulo de OGM.
  • Cultura celular e sintéticos: Startups desenvolvem massa de cacau em biorreatores industriais ou alternativas sem cacau por fermentação de precisão, visando suprir a oferta sem depender do cultivo agrícola tradicional.
Para muitos peritos e organizações dos países produtores, este caminho não resolve as causas profundas da crise: transfere o controlo da produção agrícola para patentes corporativas e arrisca marginalizar milhões de pequenos agricultores na África Ocidental.

2. As vias de empoderamento e soberania dos países produtores
Em alternativa à dependência de patentes de laboratório, especialistas em agronomia tropical e economia de desenvolvimento apontam para quatro pilares fundamentais de autonomia e resiliência:

A. Agroecologia e Sistemas Agroflorestais (SAFs)
Em vez de modificar o DNA da planta para suportar solos degradados e Sol pleno, os Sistemas Agroflorestais recriam o ecossistema original do cacaueiro. Ao cultivar cacau sob a copa de árvores nativas, fruteiras e espécies florestais:
  • Mantém-se a humidade do solo e reduz-se a temperatura local em vários graus, anulando os efeitos térmicos do El Niño.
  • Promove-se o controlo biológico de pragas, eliminando a necessidade de pesticidas sintéticos.
  • Garante-se a diversificação de rendimentos dos agricultores com a venda de frutas, madeira e outros alimentos.
B. Processamento Local e Retenção do Valor Acrescentado
A África Ocidental exporta tradicionalmente a matéria-prima em bruto, retendo menos de 10% do valor final de um mercado global avaliado em mais de 100 mil milhões de dólares. O verdadeiro empoderamento passa pela industrialização nacional na Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões, transformando o grão em manteiga, massa e chocolate acabado antes da exportação, retendo os lucros e gerando emprego qualificado localmente.

C. Negociação Coletiva de Mercado (LID - Livelihood Income Differential)
Através de alianças regionais entre governos produtores, a implementação do prémio fixo por tonelada (LID) sobre o preço de mercado assegura um rendimento mínimo digno aos agricultores. O fortalecimento do comércio justo (Fairtrade) e o poder de negociação em bloco impedem que as multinacionais imponham preços abaixo do custo de produção.

D. Seleção Tradicional e Bancos de Germoplasma
O melhoramento agronómico tradicional - com seleção de variedades locais naturalmente resistentes a pragas e secas, aliado a técnicas de enxertia - permite renovar os pomares sem recorrer a transgenia ou CRISPR, preservando o património genético nativo e a autonomia das sementes.

3. Matriz Comparativa de Modelos de Desenvolvimento
DimensãoModelo Tecnológico Ocidental (CRISPR / Biorreatores)Modelo de Soberania Agroecológica (SAFs / Industrialização Local)
Soberania e PropriedadeDependência de patentes e empresas de biotecnologiaControlo comunitário, estatal e dos pequenos agricultores
Resiliência ClimáticaModificação genética da planta (solução laboratorial)Restauração do microclima e da biodiversidade florestal
Modelo EconómicoManutenção da importação de matérias-primas baratasProcessamento local e retenção do valor acrescentado
Rácio de RiscosPerda de mercado para os produtores tradicionaisProteção da biodiversidade e diversificação de rendimentos
A crise do cacau na África Ocidental expôs os limites da monocultura tradicional. No entanto, o futuro do setor não precisa de passar pela entrega do património agrícola a laboratórios estrangeiros: a combinação de agroecologia, justiça comercial e industrialização nos países de origem posiciona-se como a resposta mais duradoura, justa e sustentável.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Correntes verticais em “montanha-russa” no Oceano Antártico são mais intensas do que se pensava (video)


Investigadores australianos e norte-americanos mapearam pela primeira vez, com elevado detalhe, os movimentos verticais de massas de água no Oceano Antártico, revelando correntes muito mais intensas e complexas do que as estimativas anteriores sugeriam.

O estudo, publicado na revista científica Communications Earth & Environment, combinou observações de satélite com dados recolhidos por planadores oceânicos autónomos, criando uma imagem tridimensional sem precedentes das correntes que atravessam os primeiros mil metros de profundidade do oceano.

Segundo Yann-Treden Tranchant, estas correntes verticais desempenham um papel fundamental no transporte de calor, carbono, nutrientes e oxigénio entre a superfície e as profundezas marinhas.

“Ao ligarem a atmosfera ao oceano profundo, estas correntes ajudam a regular o clima da Terra”, explica o investigador.

Um redemoinho gigante junto à Antártida
A investigação centrou-se numa região particularmente dinâmica da Antarctic Circumpolar Current, a corrente oceânica mais forte do planeta, que circula em torno da Antártida.

Na área estudada, a sul da Tasmania, os cientistas analisaram um enorme redemoinho oceânico ciclónico formado junto à chamada Frente Polar, a fronteira natural onde águas frias antárticas encontram águas mais quentes provenientes do norte.

Este redemoinho apresentava uma diferença de quase um metro na altura da superfície do mar entre o seu centro e as águas circundantes, tornando-se um laboratório natural ideal para estudar os movimentos verticais da água.

Satélites e robôs mergulhadores
Os dados foram recolhidos durante a missão FOCUS, realizada em 2023 a bordo do navio de investigação RV Investigator.

A equipa utilizou observações do satélite Surface Water Ocean Topography (SWOT), capaz de detetar pequenas variações da altura da superfície do mar a partir do espaço.

Em simultâneo, dois planadores oceânicos autónomos foram colocados no interior do redemoinho. Estes robôs subaquáticos mergulharam repetidamente até mil metros de profundidade, recolhendo milhares de medições de temperatura, salinidade e oxigénio dissolvido.

Além disso, foram libertadas 15 bóias à deriva para acompanhar a velocidade e a direção das correntes superficiais.

Movimentos de centenas de metros por dia
Ao combinar os dados obtidos pelo satélite com as observações recolhidas debaixo de água, os investigadores conseguiram reconstruir os movimentos verticais da água em três dimensões.

Os resultados mostram que as correntes ascendentes e descendentes frequentemente ultrapassam os 150 metros por dia e podem deslocar massas de água várias centenas de metros em apenas 24 horas.

Estas correntes estendem-se até, pelo menos, mil metros de profundidade e ocorrem em escalas relativamente pequenas, por vezes inferiores a 10 quilómetros de largura.

Segundo os autores, a intensidade destes movimentos é significativamente superior à prevista por muitos modelos de circulação oceânica de grande escala.

Implicações para o clima global
Os cientistas acreditam que esta nova capacidade de observar movimentos verticais poderá melhorar significativamente a compreensão do papel do Oceano Antártico no sistema climático terrestre.


Os autores defendem que futuras observações através do satélite SWOT poderão permitir estimar com maior precisão a transferência de carbono, nutrientes, oxigénio e calor ao longo do tempo, ajudando a aperfeiçoar os modelos climáticos e a compreender melhor a resposta dos oceanos às alterações climáticas.

terça-feira, 30 de junho de 2026

A onda de calor na Europa é a mais quente e húmida de sempre

As temperaturas actuais na Europa ocidental e central teriam sido virtualmente impossíveis há 50 anos, e os níveis de humidade sem precedentes tornam esta onda de calor especialmente perigosa.
Não sou eu que o digo. É a Ciência e a Biogeografia que o dizem.

A Europa está a viver um verão histórico e extremamente severo. Após um final de junho com recordes absolutos de temperatura estilhaçados por todo o continente, com os termómetros a passarem os 41°C na Alemanha e os 44°C em França e Espanha, os modelos de previsão sazonal apontam para uma continuidade deste cenário crítico nos meses de julho e agosto.
As previsões detalhadas para as próximas semanas indicam que, em julho, haverá o retorno da crista de altas pressões. Embora os primeiros dias do mês tragam um ligeiro alívio temporário em partes da Europa Central e Ocidental devido a uma mudança de fase na Oscilação do Atlântico Norte (NAO), o calor extremo vai regenerar-se rapidamente. Em Portugal e Espanha, o IPMA e a AEMET já emitiram avisos para o início de julho, prevendo máximas entre os 40°C e os 43°C, especialmente nos vales do Tejo, Douro e Alentejo, acompanhadas de "noites tropicais" onde as mínimas não descem dos 20°C a 25°C. 
Já na segunda quinzena de julho, os modelos europeus, como o ECMWF, apontam para o regresso em força da crista de alta pressão e de um bloqueio atmosférico. Espera-se que o núcleo do calor extremo se mova ligeiramente mais para Leste, afetando severamente a Europa Central, Itália e os Balcãs, mas mantendo todo o sul do continente com temperaturas muito acima da média.
Por sua vez, as previsões para agosto desenham-se como o mês mais preocupante em termos de persistência e risco de incêndios, caracterizando-se por calor sustentado e seca. 
Os modelos de longo prazo estimam que as temperaturas globais em agosto sejam 1°C a 2°C mais quentes do que a média histórica de referência de 1991–2020, sendo que no sul da Europa e no Mediterrâneo essa anomalia pode ser ainda maior. 
A probabilidade de ocorrência de ondas de calor com temperaturas acima do normal em agosto é de 60%, esperando-se que os sistemas de alta pressão se tornem dominantes e estacionários, o que favorece períodos de calor mais longos e secos. Adicionalmente, o fator marítimo terá um papel crucial, dado que as águas do Atlântico e, muito em particular, o Mar Mediterrâneo estão a registar uma onda de calor marinha. Esta água invulgarmente quente impede o arrefecimento noturno das zonas costeiras e atua como um combustível que intensifica a sensação de abafamento e a força das massas de ar quente que sobem do Norte de África.

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sábado, 14 de março de 2026

Now comes the heat

Iam (mostly) going to take a break from writing about the war for a day, because big though it is, it’s not quite the biggest thing happening on our planet. Or rather, its widespread destruction is taking place inside a larger context. Trump’s endless folly (first tariffs, now a desperately stupid war that has closed the Strait of Hormuz) has caused what everyone is beginning to understand is widespread economic damage. As the Times reported today, “this is the big one,” and “the fallout is rattling households and businesses in neighborhoods all over the globe.”

On a stable planet, though, the damage might be contained and repaired; someone as incompetent as Trump (who is now describing his war as a “short excursion” and insisting that the Strait is in “very good shape”) will eventually (please God) burn himself out. Our bigger problem, as we’re about to be reminded, is that the planet is the furthest thing from stable. The backdrop is about to become the foreground, and with that the drama will shift once more.

It’s already hot, all over the world and here in the United States. That’s been a little hidden these past months, because the country’s population and power center—the northeast corridor from Boston to DC—has had a cold winter; until the last few days of rapid-onset mud season it’s felt like an old-school winter in New England (with sublime skiing, which has kept me sane). And Minnesota, the source of much of the year’s news so far, was cold too, at least in bursts. But we’ve been the exception: in fact, it was the second-warmest winter on record in the continental U.S., and that’s because the West broke every possible record, usually by a mile.

Several cities can now claim winter 2025-26 as their warmest on record, including locations with over a century of data, like Salt Lake City (152 years of data), Tucson (130 years of data) and Rapid City, South Dakota (114 years of data).

Phoenix, Arizona, obliterated its previous record (a record that was only a year old, mind you) by almost 3 degrees, a pummeling of a record in the realm of three-month temperature data.

Albuquerque, New Mexico, clobbered its previous record warmest winter by 3 degrees, according to the Southeast Regional Climate Center. Helena, Montana, Las Vegas and Lubbock, Texas, were among the other cities record warm this winter.

I don’t want to brush by those numbers. Phoenix and Albuquerque have temperature records going back more than a century. If they were going to beat the old record for a three-month stretch, something that shouldn’t happen very often, it should be by a tenth of a degree. That’s how statistics work on a set that large—or it’s how they did work on a stable planet. Three degrees is insane. And if that’s insane, then what’s going to happen in the next week is truly bonkers. A giant heat dome is set to settle in over the Southwest, bringing new temperature records. As the Washington Post reported today, Palm Springs California is projected to reach 104 degrees on Monday; the old record for the date is 95 degrees. Again, that’s statistically bizarre in a way that makes my head hurt.

This record-breaking heat dome will contribute to worsening drought conditions across the Intermountain West.

In Utah, snowpack remains at record low levels according to Meyer. He said that it would take a foot of snow in Salt Lake City for the season to catch up with even the second-lowest seasonal snowfall total — and that a storm of that magnitude isn’t expected to come.

“The knockout punch comes in the form of Utah’s reservoirs, which are only at 40 percent of capacity right now,” Meyer said. “All this means we are likely going to see some very tangible water supply cuts and conservation efforts by the state this year.”

The weather forecast and climate outlook community in Utah was “filled with trepidation” because drought relief looked unlikely, added Meyer, stressing that much more meaningful impacts were possible for agricultural communities as water conservation efforts grow.

“Right now, every drop is going to count this year,” he said.

Across the region, New Mexico was also reporting its lowest snowpack on record and Colorado was in a similar situation.

Here’s how Daniel Swain and the good folks at Weather West described the heat dome that is forming as of this morning

In fact: the strongest mid-tropospheric ridge ever observed in the southwestern U.S. in March is expected to develop by Friday, and then will probably go on to break that new record (set this week) when it re-organizes into an even broader and stronger ridge next week.

In case you’re wondering, this heat is in no way confined to land. The oceans, which have soaked up most of the planet’s excess warmth, are crazily warm right now too.

Sea surface temperatures off the coast of Southern California have risen as much as five degrees above average for the time of year, causing a strong, Category 2 marine heat wave to develop.

These unusually warm waters will provide a boost to air temperatures near the coast, especially at night, preventing them from dropping off as much as they otherwise would.

“A strong to severe marine heatwave is ongoing off the coast of California,” wrote Colin McCarthy, a storm chaser affiliated with the University of California at Davis.

In early March, ocean temperatures reached the mid- to upper 60s at Scripps Pier in La Jolla, California.

“That’s the average ocean temperature for mid-June,” McCarthy said.

And here’s the kicker. All this is happening during a La Niña “cool phase” of the Pacific, something that will soon change. I alerted you exactly a month ago to the likelihood we were going to see an El Niño kick off sometime this summer; in the last few weeks the chances of that have grown stronger, and more to the point it looks like it could be an exceptionally strong “super” version of the warming current. The normally cautious-almost-to-a-fault climate scientist Zeke Hausfather came out with his new forecast this afternoon, and it was a doozy.

I’ve collected 11 different models that have been updated since the beginning of March. Each of these in turn features a number of ensemble members, so that we end up with 433 total ENSO forecasts…

These clearly show that a strong El Niño is indeed likely to develop later in the year. While I’d probably discount some of the higher values (much above 3C) as outliers here, the median and mean across all the models still gives an estimate around 2.5C, which would put it notably stronger than the 2023/2024 El Niño and close to if not matching what we saw back in 2015/2016.

So what does this mean for global temperatures this year and in 2027? All things being equal, the lag between peak El Niño conditions and the global surface temperature response would result in the largest impacts on 2027 temperatures (as El Niño events generally peak between November and January). It would still boost 2026, but probably not enough to set a new record this year.

However, I have to be a bit cautious here. Long time readers may remember my post in May 2023 where I deemed it unlikely that 2023 would set a new record (given this historical lag in global temperature response to El Niño) and argued that 2024 would instead. I was partially wrong – 2023 was weird, and the heat came much earlier than expected. We think the extended triple-dip La Niña event between 2020 and 2023 may have primed the system for more rapid heating, something absent this time around. But we don’t know for sure. Fool me once, and all that.

Either way, this means that 2027 looks increasingly likely to set a new record, perhaps by a sizable margin if we end up on the high end of the range of El Niño forecasts.

That Hausfather and the brasher Jim Hansen are in basic agreement here should terrify us. We’re going to see temperatures unlike any that humans have seen before, which means we’re going to see chaotic weather unlike humans have seen before. If you think this is some kind of lefty enviro fantasy, check out this source: “Due to the increasing concentration of greenhouse gases, the climate system cannot effectively exhaust the heat released in a major El Niño event before the next El Niño comes along and pushes the baseline upward again,” Defense Department meteorologist Eric Webb said.

Therefore, a super El Niño in 2026-27 would disperse more heat than other very strong events in 1982-83, 1997-98 and 2015-16.

And were not going to know what hit us, in several ways. The substack Future Earth Catalog published an interview today with veteran Florida weatherman John Morales which was the best account I’ve seen yet of what the Trump cuts to our scientific system mean in real time.

The cuts to NOAA and the National Weather Service have been devastating. If you look at the statistics of forecast accuracy for tropical cyclone tracks and intensities from the National Hurricane Center, they were off in 2025. And anecdotally, I’m not the only meteorologist who will tell you that day-to-day forecasting has become more challenging. The weather models are flip-flopping from one solution to the next.

Think about how many times TV meteorologists in the fall of 2025 had to show you two or three models with different solutions and say, “Well, this is what this model says, but yesterday it was saying something different.” That leads to more confusion among the public — and it makes our job of saving life and property more difficult.

We’ve been missing 15 to 20 percent of our weather balloon data. And those missing balloons are upstream — out West, in the Plains, in the Intermountain West, and especially in Alaska. That’s where our weather comes from. We’re no longer able to really know what’s going on out there. And nothing provides the detail weather balloons can: every 15 feet, all the way up to 100,000 feet.

So we may not know what’s coming, but we can guess it’s going to be bad. For instance, I noted before that the western snowpack is at record low levels. Even in California, which, due to a couple of record-level atmospheric rivers off the warm Pacific saw lots of midwinter snow, the early heat in the Sierras has already led to widespread melt. I do not think it’s fear-mongering to warn that fire may be a serious danger this season in the West.

And what’s happening in the U.S. will be paralleled in places around the planet as El Niño takes us up the escalator. A new study just found that rising temperatures are already taking many humans past the point where they can live with any kind of comfort. As Todd Woody reports, " the number of days where extreme heat makes it too dangerously hot to walk the dog, sweep the porch and engage in other ordinary pursuits has doubled around the world over the past 75 years, according to new research."

Scientists determined that on average, those 65 and older experience a month a year when heat prevents them from routine activities. Parts of Asia, Africa, Australia and North America are becoming unlivable for senior citizens, the researchers said. Younger adults also are losing time as climate-driven heat restricts their lives for 50 hours a year.

Overall, more than a third of the global population resides in regions where heat severely affects daily life, according to the peer-reviewed paper published Tuesday in the journal Environmental Research: Health.

But it may be getting too hot for some key physical systems too. It seems likely that this is the year the Colorado River system may finally have to deal with the fact that it simply can’t provide the water people have been counting on. A new study last week found clear signs that the Gulf Stream is beginning to drift northward, a “clear sign” that worries about the collapse of the Atlantic Meridional Overturning Current (AMOC) are no mere phantasm.

The findings indicate that the movement of the Gulf Stream could be a “canary in the coal mine” for the AMOC’s collapse. According to their analysis of satellite data, the Gulf Stream has already been nudged northwards from the coast near Cape Hatteras, North Carolina, since the early 1990s. This is likely to be the result of the AMOC dwindling and losing its grip.

We don’t know for sure how the Iran war will play out, nor the El Niño; at the moment, though, things look ominous. All I’m saying is, the next six months could be the ultimate in teachable moments, with rapidly rising prices for oil, and rapidly rising temperatures. And what do you know, we have a midterm exam coming up on November 3.

sábado, 10 de janeiro de 2026

Experts say oceans soaked up record heat levels in 2025




A new study published in Advances in Atmospheric Sciences on 6 January 2026 shows that ocean temperatures in 2025 reached another record, as the ocean absorbed more heat last year than in any year since measurements began in the 1960s.

The study provides an updated assessment of global sea surface temperatures (SST) and upper-ocean heat content (OHC) for 2025. According to the Institute of Atmospheric Physics at the Chinese Academy of Sciences (IAP/CAS), in 2025, the heat accumulated in the oceans increased by around 23 ZJ (zettajoules), a large increase from the 16 ZJ absorbed in 2024.

This finding is confirmed by three additional independent research groups: the CIGAR-RT, the National Centers for Environmental Information at the National Oceanic and Atmospheric Administration (NCEI/NOAA), and Copernicus Marine.

A single zettajoule is equivalent to 1,000,000,000,000,000,000,000 joules. Twenty-three zettajoules in one year is equivalent to the energy of 12 Hiroshima bombs exploding in the ocean every second.

The study focused on the upper 2,000 meters of the ocean to measure the ocean’s heat content, where most heat accumulation occurs, and measurement coverage is most reliable.

The global OHC estimates are based on three gridded observational products from IAP/CAS, Copernicus Marine, NCEI/NOAA, and an ocean reanalysis dataset, CIGAR, a product from CNR ISMAR (Italian National Research Council’s Institute of Marine Sciences) that combines actual ocean measurements with computer model simulations to fill in gaps.

The ocean absorbs approximately 90% of the excess heat trapped by greenhouse gas emissions in Earth’s climate system. The atmosphere, despite being what we most directly experience, only retains about 1% of this excess heat. The remaining heat goes into melting ice and warming land.

Ocean heat content (OHC) changes are less affected by short-term weather and El Niño events than global mean surface temperature (GMST), making them a reliable sign of long-term climate change. Observations show that OHC has steadily increased over time, highlighting a continuous buildup of extra heat in the Earth’s system.

Higher OHC leads to more frequent and intense marine heatwaves, changes in atmospheric circulation, greater evaporation and moisture in the air, and stronger extreme rainfall, all of which help tropical cyclones intensify rapidly. The ongoing, unusually warm ocean conditions in 2025 have played a significant role in driving extreme weather and climate events worldwide.

The study notes that ocean warming is not uniform, with some areas warming faster than others. “Regionally, about 33% of the global ocean area ranked among its historical (1958–2025) top three warmest conditions, while about 57% fell within the top five, including the tropical and South Atlantic Ocean, Mediterranean Sea, North Indian Ocean, and Southern Oceans, underscoring the broad ocean warming across basins”.

Ocean warming has major effects on our planet. Rising ocean heat content (OHC) is the main driver of sea level rise, intensifies marine heatwaves, and contributes to more extreme weather by adding heat and moisture to the atmosphere.

Continuous GHG emissions will increase OHC. Monitoring of OHC will inform the pace of climate change.

This will entail strengthening space-based observation and ocean monitoring to support climate adaptation planning and to better respond to climate change.


sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

‘Profound impacts’: record ocean heat is intensifying climate disasters, data shows

Enquanto Trump insiste nos seus planos para extrair e queimar as colossais reservas de petróleo da Venezuela, o calor continua a aumentar.
Espere mais um ano de emissões crescentes — e de eventos climáticos extremos ainda mais devastadores e letais.

The world’s oceans absorbed colossal amounts of heat in 2025, setting yet another new record and fuelling more extreme weather, scientists have reported.

More than 90% of the heat trapped by humanity’s carbon pollution is taken up by the oceans. This makes ocean heat one of the starkest indicators of the relentless march of the climate crisis, which will only end when emissions fall to zero. Almost every year since the start of the millennium has set a new ocean heat record.

This extra heat makes the hurricanes and typhoons hitting coastal communities more intense, causes heavier downpours of rain and greater flooding, and results in longer marine heatwaves, which decimate life in the seas. The rising heat is also a major driver of sea level rise via the thermal expansion of seawater, threatening billions of people.

Reliable ocean temperature measurements stretch back to the mid-20th century, but it is likely the oceans are at their hottest for at least 1,000 years and heating faster than at any time in the past 2,000 years.

The atmosphere is a smaller store of heat and more affected by natural climate variations such as the El Niño-La Niña cycle. The average surface air temperature in 2025 is expected to approximately tie with 2023 as the second-hottest year since records began in 1850, with 2024 being the hottest. Last year the planet moved into the cooler La Niña phase of the Pacific Ocean cycle.

“Each year the planet is warming – setting a new record has become a broken record,” said Prof John Abraham at the University of St Thomas in Minnesota, US, and part of the team that produced the new data.

“Global warming is ocean warming,” he said. “If you want to know how much the Earth has warmed or how fast we will warm into the future, the answer is in the oceans.”

The analysis, published in the journal Advances in Atmospheric Sciences, used temperature data collected by a range of instruments across the oceans and collated by three independent teams. They used this data to determine the heat content of the top 2,000 metres of the oceans, where most of the heat is absorbed.

The amount of heat taken up by the ocean is colossal, equivalent to more than 200 times the total amount of electricity used by humans across the world. “Ocean warming continues to exert profound impacts on the Earth system,” the scientists concluded.

Ocean warming is not uniform, with some areas warming faster than others. In 2025, the hottest areas included the tropical and South Atlantic and North Pacific oceans, and the Southern Ocean. In the latter, which surrounds Antarctica, scientists are deeply concerned about a collapse in winter sea ice in recent years.

The North Atlantic and the Mediterranean Sea are also getting warmer, as well as saltier, more acidic and less oxygenated owing to the climate crisis. This is causing “a deep-reaching ocean state change in, making the ocean ecosystems and the life they support more fragile”, the researchers said.

“As long as the Earth’s heat continues to increase, ocean heat content will continue to rise and records will continue to fall,” said Abraham. “The biggest climate uncertainty is what humans decide to do. Together, we can reduce emissions and help safeguard a future climate where humans can thrive.”

terça-feira, 15 de abril de 2025

Taxa recorde de aumento de CO2 atmosférico


Dados do satélite Copernicus: recorde de CO2 atmosférico a aumentar taxa recorde, salto de 2022. Sem resposta - portanto, a taxa de aumento recorde continuará até à catástrofe planetária.
Consultar IPCC

segunda-feira, 24 de junho de 2024

Oito mortos no centro da China na sequência de fortes chuvas


Oito pessoas morreram num deslizamento de terras em Douxi, na província de Hunan, no centro da China, após fortes chuvas na região, avançou hoje a agência de notícias oficial chinesa Xinhua.

As fortes chuvas afetaram sobretudo as províncias de Hunan, Anhui (leste) e Guizhou (centro) e exigiram a retirada no domingo de milhares de vítimas das inundações, detalhou a Xinhua.

As autoridades meteorológicas chinesas advertiram que a chuva persistente e os aguaceiros torrenciais vão continuar no norte e centro de Hunan esta semana, com riscos de mais inundações, riscos geológicos e alagamentos em áreas urbanas.

Em Anhui, chuvas generalizadas atingiram áreas a sul da capital, Hefei, entre sábado e domingo, levando à retirada de cerca de 30 mil residentes e ao resgate de quatro mil pessoas que ficaram presas.

Em Guizhou, as fortes chuvas registadas desde sexta-feira levaram à retirada de sete mil pessoas e afetaram outras 213.300.

Na semana passada, pelo menos 38 pessoas morreram devido às fortes chuvas na província de Guangdong, no sudeste do país.

Devido à influência de fenómenos como o El Niño, prevê-se que a China venha a registar inundações e secas até agosto, período durante o qual os principais rios do país poderão extravasar os leitos, informou recentemente o Ministério dos Recursos Hídricos da China.

Nos últimos verões, os fenómenos meteorológicos extremos causaram estragos no país asiático: o verão de 2023 foi marcado por inundações em Pequim que causaram a morte de mais de 30 pessoas, enquanto em 2022 várias ondas de calor extremo e secas atingiram o centro e o leste da China.

Em julho de 2021, chuvas de uma intensidade que não se via há décadas fizeram cerca de 400 mortos na província de Henan, no centro do país, que o Governo chinês atribuiu a uma “falta de preparação e de perceção dos riscos” por parte das autoridades locais.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Alterações climáticas e mão criminosa: a tragédia dos incêndios no Chile


Cidade mais afetada é Viña del Mar, onde pelo menos 1.600 pessoas ficaram sem casa. Há ainda duas centenas de pessoas por localizar.

Os incêndios florestais dos últimos dias no Chile já fizeram 122 mortos e não estão a dar descanso aos bombeiros. Em Viña del Mar, onde os fogos lavram com mais intensidade, pelo menos 1.600 pessoas ficaram desalojadas e um célebre jardim botânico de 1931 foi consumido pelas chamas este domingo.

Vários bairros na parte leste da cidade foram cercados pelas labaredas e pelo fumo, surpreendendo algumas famílias dentro das próprias casas. Segundo as autoridades chilenas, 200 pessoas estão dadas como desaparecidas em Viña del Mar e arredores, zona conhecida por ser uma popular estância balnear e por acolher um conhecido festival de música no verão do hemisfério sul.

A cidade de Quilpé, no centro do Chile, também foi fustigada pelos incêndios. O balanço de 122 mortes pode aumentar, já que as equipas de resgate procuram corpos por entre os destroços das casas que colapsaram, sendo que várias das pessoas que chegam aos hospitais estão em estado crítico.

O governador da região de Valparaíso, à qual pertencem Viña del Mar e Quilpé, acredita que alguns dos fogos têm mão criminosa. Os incêndios na área de Viña del Mar começaram em zonas montanhosas de difícil alcance, mas entretanto já se propagaram a bairros densamente povoados na periferia da cidade. Já foram consumidos 8.000 hectares de floresta e áreas urbanas. Para evitar pilhagens, foi decretado em algumas áreas o recolher obrigatório.

O presidente do Chile, Gabriel Boric, declarou dois dias de luto. "Todo o Chile está a sofrer. Mas nós vamos reerguer-nos", afirmou.

Os incêndios no Chile começaram numa semana em que as temperaturas subiram até níveis sem precedentes no centro do país. Nos últimos dois meses, o fenómeno El Niño causou secas e temperaturas elevadas no oeste da América do Sul, o que tem aumentado o risco de incêndios florestais.

Desde quarta-feira, as temperaturas aproximam-se dos 40 graus no centro do Chile e na capital Santiago.

"Esta é a maior tragédia a que assistimos desde o terramoto de 2010", acrescentou, referindo-se ao terramoto de magnitude 8,8 seguido de um tsunami em 27 de fevereiro de 2010, que matou mais de 500 pessoas.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

O que John Clauser diz está errado. Travemos a desinformação climática e os negacionistas climáticos


Diz assim o texto no facebook
J𝐎𝐇𝐍 𝐂𝐋𝐀𝐔𝐒𝐄𝐑, 𝐕𝐄𝐍𝐂𝐄𝐃𝐎𝐑 𝐃𝐎 𝐏𝐑𝐄̂𝐌𝐈𝐎 𝐍𝐎𝐁𝐄𝐋 𝐃𝐄 𝐅𝐈́𝐒𝐈𝐂𝐀 𝐃𝐄 𝟐𝟎𝟐𝟐: 
“𝑃𝑜𝑠𝑠𝑜 𝑎𝑓𝑖𝑟𝑚𝑎𝑟 𝑐𝑜𝑚 𝑚𝑢𝑖𝑡𝑎 𝑐𝑜𝑛𝑓𝑖𝑎𝑛𝑐̧𝑎 𝑞𝑢𝑒 𝑁𝐴̃𝑂 𝑒𝑥𝑖𝑠𝑡𝑒 𝑒𝑚𝑒𝑟𝑔𝑒̂𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑐𝑙𝑖𝑚𝑎́𝑡𝑖𝑐𝑎”.
“... 𝑃𝑜𝑟 𝑚𝑎𝑖𝑠 𝑞𝑢𝑒 𝑖𝑠𝑠𝑜 𝑝𝑜𝑠𝑠𝑎 𝑖𝑛𝑐𝑜𝑚𝑜𝑑𝑎𝑟 𝑚𝑢𝑖𝑡𝑎𝑠 𝑝𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎𝑠, 𝑎 𝑚𝑖𝑛ℎ𝑎 𝑚𝑒𝑛𝑠𝑎𝑔𝑒𝑚 𝑒́ 𝑞𝑢𝑒 𝑜 𝑝𝑙𝑎𝑛𝑒𝑡𝑎 𝑁𝐴̃𝑂 𝑒𝑠𝑡𝑎́ 𝑒𝑚 𝑝𝑒𝑟𝑖𝑔𝑜. … 𝑂 𝐶𝑂2 𝑎𝑡𝑚𝑜𝑠𝑓𝑒́𝑟𝑖𝑐𝑜 𝑒 𝑜 𝑚𝑒𝑡𝑎𝑛𝑜 𝑡𝑒̂𝑚 𝑢𝑚 𝑒𝑓𝑒𝑖𝑡𝑜 𝑖𝑛𝑠𝑖𝑔𝑛𝑖𝑓𝑖𝑐𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑛𝑜 𝑐𝑙𝑖𝑚𝑎.
𝐴𝑡𝑒́ 𝑎𝑔𝑜𝑟𝑎, 𝑖𝑑𝑒𝑛𝑡𝑖𝑓𝑖𝑐𝑎́𝑚𝑜𝑠 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙𝑚𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑚𝑎𝑙 𝑞𝑢𝑎𝑙 𝑒́ 𝑜 𝑝𝑟𝑜𝑐𝑒𝑠𝑠𝑜 𝑑𝑜𝑚𝑖𝑛𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑛𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑜𝑙𝑜 𝑑𝑜 𝑐𝑙𝑖𝑚𝑎, 𝑒 𝑡𝑜𝑑𝑜𝑠 𝑜𝑠 𝑣𝑎́𝑟𝑖𝑜𝑠 𝑚𝑜𝑑𝑒𝑙𝑜𝑠 𝑏𝑎𝑠𝑒𝑖𝑎𝑚-𝑠𝑒 𝑒𝑚 𝑓𝑖́𝑠𝑖𝑐𝑎 𝑖𝑛𝑐𝑜𝑚𝑝𝑙𝑒𝑡𝑎 𝑒 𝑖𝑛𝑐𝑜𝑟𝑟𝑒𝑐𝑡𝑎.
𝑂 𝑝𝑟𝑜𝑐𝑒𝑠𝑠𝑜 𝑑𝑜𝑚𝑖𝑛𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑒́ “𝑜 𝑚𝑒𝑐𝑎𝑛𝑖𝑠𝑚𝑜 𝑑𝑜 𝑡𝑒𝑟𝑚𝑜𝑠𝑡𝑎𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑟𝑒𝑓𝑙𝑒𝑥𝑖𝑣𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑎 𝑛𝑢𝑣𝑒𝑚-𝑙𝑢𝑧 𝑠𝑜𝑙𝑎𝑟.
𝐴𝑠 𝑛𝑢𝑣𝑒𝑛𝑠 𝑠𝑎̃𝑜 𝑡𝑜𝑑𝑎𝑠 𝑏𝑟𝑎𝑛𝑐𝑎𝑠 𝑒 𝑏𝑟𝑖𝑙ℎ𝑎𝑛𝑡𝑒𝑠 𝑒 𝑟𝑒𝑓𝑙𝑒𝑡𝑒𝑚 90% 𝑑𝑎 𝑙𝑢𝑧 𝑠𝑜𝑙𝑎𝑟 𝑑𝑒 𝑣𝑜𝑙𝑡𝑎 𝑎𝑜 𝑒𝑠𝑝𝑎𝑐̧𝑜, 𝑡𝑜𝑟𝑛𝑎𝑛𝑑𝑜-𝑎𝑠 𝑜 𝑎𝑠𝑝𝑒𝑐𝑡𝑜 𝑚𝑎𝑖𝑠 𝑐𝑟𝑢𝑐𝑖𝑎𝑙, 𝑝𝑜𝑟𝑒́𝑚 𝑚𝑎𝑖𝑠 𝑛𝑒𝑔𝑙𝑖𝑔𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑑𝑜, 𝑑𝑜 𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 𝑐𝑙𝑖𝑚𝑎́𝑡𝑖𝑐𝑜.
𝐷𝑜𝑖𝑠 𝑡𝑒𝑟𝑐̧𝑜𝑠 𝑑𝑎 𝑇𝑒𝑟𝑟𝑎 𝑠𝑎̃𝑜 𝑜𝑐𝑒𝑎𝑛𝑜𝑠. 𝑆𝑜́ 𝑜 𝑂𝑐𝑒𝑎𝑛𝑜 𝑃𝑎𝑐𝑖́𝑓𝑖𝑐𝑜 𝑟𝑒𝑝𝑟𝑒𝑠𝑒𝑛𝑡𝑎 𝑚𝑒𝑡𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑎 𝑇𝑒𝑟𝑟𝑎.
𝐴 𝑐𝑜𝑏𝑒𝑟𝑡𝑢𝑟𝑎 𝑚𝑒́𝑑𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝑛𝑢𝑣𝑒𝑛𝑠 𝑛𝑎 𝑇𝑒𝑟𝑟𝑎 𝑒́ 𝑑𝑒 67%; 𝑐𝑒𝑟𝑐𝑎 𝑑𝑒 50% 𝑠𝑜𝑏𝑟𝑒 𝑎 𝑡𝑒𝑟𝑟𝑎 𝑒 75% 𝑠𝑜𝑏𝑟𝑒 𝑜𝑠 𝑜𝑐𝑒𝑎𝑛𝑜𝑠.
𝐴𝑓𝑖𝑟𝑚𝑜 𝑞𝑢𝑒 𝑎𝑠 𝑝𝑟𝑜𝑝𝑟𝑖𝑒𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑝𝑖́𝑐𝑢𝑎𝑠 𝑑𝑎𝑠 𝑛𝑢𝑣𝑒𝑛𝑠 𝑠𝑎̃𝑜 𝑎 𝑝𝑎𝑟𝑡𝑒 𝑞𝑢𝑒 𝑓𝑎𝑙𝑡𝑎 𝑛𝑜 𝑞𝑢𝑒𝑏𝑟𝑎-𝑐𝑎𝑏𝑒𝑐̧𝑎.
𝑷𝒐𝒔𝒔𝒐 𝒂𝒇𝒊𝒓𝒎𝒂𝒓 𝒄𝒐𝒎 𝒎𝒖𝒊𝒕𝒂 𝒄𝒐𝒏𝒇𝒊𝒂𝒏𝒄̧𝒂 𝒒𝒖𝒆 𝒏𝒂̃𝒐 𝒉𝒂́ 𝒆𝒎𝒆𝒓𝒈𝒆̂𝒏𝒄𝒊𝒂 𝒄𝒍𝒊𝒎𝒂́𝒕𝒊𝒄𝒂”.

O que John Clauser diz está errado. Não tem um artigo de revisão entre pares em questões de alterações climáticas e ainda: Anton Zeilinger, que venceu o Nobel com ele, afirma categoricamente, que Clauser não é um perito em alterações climáticas. 

Robin Monotti não tem credibilidade! A desinformação tem que ser travada. E mais, este negacionismo radical existe entre os membros dos partidos Chega e Iniciativa Liberal.

Aqui as respostas ao texto de Clauser, por 2 cientistas do clima, que estudam há anos esta questão:

1. Michael Mann, cientista climático da Universidade da Pensilvânia, disse que o argumento é “puro lixo” e “pseudociência”.
A “melhor evidência disponível” mostra que as nuvens realmente têm um efeito líquido de aquecimento, disse Mann por e-mail. “Em física, chamamos isso de ‘erro de sinal’ – é o tipo de erro que um calouro tem vergonha de ser apanhado ao cometê-lo”, disse ele.

2. Andrew Dessler, professor de ciências atmosféricas na Texas A&M University, concorda.
“As nuvens amplificam o aquecimento”, disse Dessler num e-mail, acrescentando: “A comunidade científica passou o último século a estudar [as alterações climáticas] e, neste momento, praticamente tudo o que está a acontecer foi previsto. John Clauser e sua turma ignoram isso porque não estão apresentando críticas científicas sérias.”

Se seguirem o link do realizador italiano na rede X vão dar de caras com a rede Deposit of Faith Coalition, ultra-católica, extrema-direita norte-americana. 

Saber mais:

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

I wasn't worried about climate change. Now I am. ECS: Equilibrium Climate Sensitivity


In this video I explain what climate sensitivity is and why it is important. Climate sensitivity is a number that roughly speaking tells us how fast climate change will get worse. A few years ago, after various software improvements, a bunch of climate models began having a much higher climate sensitivity than previously. Climate scientists have come up with reasons for why to ignore this. I think it's a bad idea to ignore this. 
The quiz for this video is here

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

As vitórias deixadas até 2023 e o litígio climático que marcará 2024


A crise climática faz-se sentir de forma mais evidente a cada ano na forma de noites tórridas , incêndios florestais incontroláveis ​​em momentos inoportunos ou inundações que ceifam vidas humanas e causam grandes perdas económicas todos os anos. Perante este declínio na segurança e na qualidade de vida, cada vez mais pessoas exigem responsabilidades das empresas que contribuem para o desastre e medidas contundentes dos Estados. Esta exigência de um planeta mais justo e habitável não está apenas a rugir nas ruas, mas também a ser resolvida nos tribunais.

O Centro Sabin para a Legislação sobre Mudanças Climáticas contou até 2.341 ações judiciais climáticas, 190 das quais foram movidas no ano passado. A maioria dos processos judiciais ocorre nos Estados Unidos , mas atualmente também existem casos relevantes em países como Bulgária, China, Finlândia, Roménia, Rússia, Tailândia e Turquia. Os julgamentos climáticos transcendem as fronteiras nacionais e chegaram aos tribunais internacionais.

O Tribunal Internacional de Justiça , o Tribunal Internacional do Direito do Mar , o Sistema Interamericano de Direitos Humanos estão avaliando as obrigações dos países em relação à crise climática. Espera-se que os seus pareceres consultivos ( opiniões consultivas ) descrevam quais as obrigações que os Estados têm em termos de ambiente e protecção dos direitos humanos e também que forneçam chaves para futuras decisões do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e outras audiências.

Chile, primeiro país a reconhecer o ecocídio
No ano passado, o Chile tornou-se o primeiro país a reconhecer o crime de ecocídio no seu código penal. A nova legislação estabelece que as pessoas e empresas poluidoras serão processadas, podendo ser punidas com penas de até 10 anos de prisão . Em Espanha, o Parlamento da Catalunha pediu a inclusão do ecocídio no Código Penal num projecto de lei registado pela CUP.

Nos últimos anos, tem havido um aumento de processos contra empresas pelas suas emissões de gases com efeito de estufa e pelos danos ambientais causados ​​pelas suas atividades. Só nos Estados Unidos, estima-se que 20 casos movidos por cidades e estados federais contra empresas fósseis , conhecidas como Carbon Majors , irão em breve a julgamento .

Decisão histórica na Bélgica
Em Espanha , este tipo de litígio não proliferou. Entre outros, porque em 2023 o Supremo Tribunal rejeitou a ação contra o Governo por inação climática que tinha sido movida por diversas organizações ambientalistas. No entanto, o ano passado, o mais quente de que há registo, trouxe grandes vitórias nos tribunais de outros países.

Em 30 de Novembro, a ONG belga Klimaatzaak conseguiu que o Tribunal de Recurso de Bruxelas ordenasse ao Estado belga que reduzisse as suas emissões em pelo menos 55% até 2030 . Esta decisão estabelece um precedente importante para “os mais de 40 casos semelhantes pendentes em todo o mundo, incluindo aqueles contra governos em Itália, Austrália e Coreia do Sul, onde as comunidades aguardam resultados finais em 2024”, afirma Lucy Maxwell, co-diretora. da Global Litigation Network , em declarações divulgadas pelo Global Strategic Communications Council .

«O Tribunal Belga afirmou que a ação climática é um dever legal, baseado em direitos humanos e deveres de direito civil bem estabelecidos; e ordenou ao Governo que colmatasse a lacuna de ambição entre as suas fracas reduções de gases com efeito de estufa e o que a ciência exige para manter o aquecimento abaixo de 1,5°C”, acrescenta Maxwell.

Os direitos das crianças
Em 2023, um tribunal em Montana , nos Estados Unidos, decidiu a favor de 16 jovens demandantes, com idades entre 5 e 22 anos, na sua luta contra as políticas energéticas do seu estado, com base no seu direito a um ambiente saudável. Outro caso notável é a intervenção do Comité Nacional de Direitos Humanos da Coreia do Sul num caso liderado por jovens , declarando que a crise climática viola praticamente todos os direitos humanos.

Além disso, no ano passado, instituições internacionais como o Comité dos Direitos da Criança e a Assembleia Geral da ONU afirmaram o direito da geração mais jovem a um ambiente seguro e saudável . Da Colômbia à Nova Zelândia, os jovens estão a intentar ações judiciais para exigir medidas mais fortes contra a emergência climática e a proteção dos seus direitos.

Das ‘avós da Suíça’ aos jovens de Portugal, causas que serão decididas em 2024
O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos tem vários litígios pendentes para resolver este ano. Uma delas é a das conhecidas como ' avós da Suíça ', um grupo de mulheres da KlimaSeniorinnen (Mulheres Idosas pela Protecção do Clima), com uma idade média de 73 anos, que apoiadas pela Greenpeace Suíça processaram o Governo do seu país por entender que a sua uma política climática insuficiente viola os seus direitos. Outra é a levantada pelo eurodeputado francês Daniel Carême contra o seu Governo por inacção face à emergência climática.

Também aguarda sentença em Estrasburgo o maior caso climático visto até agora, o dos seis jovens portugueses que viram as suas casas arderem nos incêndios de 2017 e que colocaram 32 Estados europeus, incluindo Espanha, no banco dos réus. “Uma decisão a favor dos seis jovens poderia forçar os países europeus réus a aumentar o seu nível de ambição climática de acordo com as suas obrigações legais existentes e com a ciência”, disse Sébastien Duyck, advogado sénior do Centro de Direito Ambiental, à Climática  Internacional ( CIEL ).
O caso tem sido uma fonte de inspiração para jovens de todo o mundo, mas é um desafio jurídico difícil de vencer dada a sua ambição. Durante a audiência do caso português em Setembro, os governos europeus tentaram fugir à responsabilidade de salvaguardar o futuro dos demandantes face à crise climática.

«As obrigações relativas às alterações climáticas não estão contidas nos regulamentos que são da competência do TEDH. Os tratados das Nações Unidas, como o Acordo de Paris, não prevêem um tribunal ou mecanismos de sanção , pelo que os Estados evitam entrar nestes problemas”, disse Karlos Castilla-Juárez, chefe de investigação do Instituto de Direitos Humanos da Catalunha, à Climática .
Recurso contra a petrolífera Shell

Em maio de 2021, a ONG Milieudefensie (Amigos da Terra Holanda) venceu um julgamento histórico denominado “Pessoas versus Shell”. Com efeito imediato, a decisão de Haia ordenou que a petrolífera reduzisse as suas emissões em 45% até 2030, em comparação com os números de 2019. A gigante petrolífera recorreu do veredicto e não deu sinais de cumprir a ordem do tribunal. A audiência do caso acontecerá nos dias 2, 3, 4 e 12 do próximo mês de abril. A sentença deverá ser proferida cinco meses depois.

Roger Cox, sócio do escritório de advocacia Paulussen Advocaten e advogado no caso, espera que o tribunal holandês rejeite o recurso apresentado pela Shell e que envie “um forte sinal de que a redução das empresas de combustíveis fósseis é inevitável ”. O jurista avança que a Milieudefensie e a sua equipa jurídica também vão iniciar este ano um novo processo climático pioneiro contra uma empresa do setor financeiro. “Continuaremos a trabalhar incansavelmente para acelerar o mundo rumo à transição que necessitamos”, garante.

Batalha contra o greenwashing
Outra tendência legal crescente é a batalha contra o greenwashing por parte de grandes empresas. Em março de 2023, a Comissão Europeia lançou uma proposta legislativa contra a “ ecopostura ” de algumas grandes empresas que utilizam rótulos ambientais enganosos nos seus produtos. “ Os casos de lavagem climática que põem em causa a integridade das estratégias empresariais e as reivindicações de emissões líquidas zero provavelmente continuarão a proliferar e serão provavelmente moldados por mudanças regulamentares em curso”, explica Catherine Higham, do Grantham Research Institute.

A repressão do activismo climático também é cada vez mais evidente. Centenas de pessoas foram assassinadas em defesa dos recursos naturais, especialmente na América Latina. Além disso, há muitos activistas presos pelas suas acções de protesto em países como o Reino Unido ou a Alemanha . Em Espanha, membros da Rebelião Científica ou do Futuro Vegetal também poderão ser condenados. E os movimentos climáticos que recorrem à acção directa são considerados terroristas em países como a França.

Neste contexto, a via judicial abre novos caminhos para canalizar os protestos climáticos. Até agora, uma em cada duas ações judiciais climáticas foi vencida. Sim, 50% dos casos climáticos têm resultados judiciais favoráveis ​​e estes litígios têm importantes impactos indiretos na tomada de decisões sobre alterações climáticas para além dos tribunais, de acordo com um relatório do Grantham Research Institute. Resta saber se a percentagem de sentenças a favor de um planeta mais habitável aumentará em 2024.

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Estudo conclui que ondas internas no Pacífico ajudam a prever fenómenos atmosféricos


Investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) concluem que a existência de ondas internas ao longo do Oceano Pacífico Equatorial ajuda a determinar a previsão de fenómenos atmosféricos como o El Niño e La Niña.

Em comunicado, a faculdade esclarece que o estudo, publicado no Journal of Physical Oceanography, descreve um conjunto de processos associados às ondas internas que podem afetar a variabilidade e previsibilidade dos fenómenos ENSO (padrões climáticos).

As ondas internas solitárias – ondas gigantes que se propagam no interior do oceano – são conhecidas por “aumentar a mistura vertical das águas dos oceanos e potenciam, por exemplo, o arrefecimento da temperatura da superfície do mar”.

“Numa zona já de si de grande instabilidade onde ocorrem estes fenómenos, os seus efeitos poderão ser ainda mais marcantes e intensificar o mecanismo de realimentação do ENSO (particularmente em regime La Niña), podendo resultar numa maior regulação da temperatura à superfície”, salienta.

Citado no comunicado, o investigador José da Silva, da FCUP, esclarece que as ondas internas estão “numa longa banda zonal com milhares de quilómetros de extensão, conhecida por ‘língua fria do Pacífico Equatorial’, onde estes fenómenos de anomalias térmicas geralmente se desenvolvem”.

“Acreditamos que estas ondas podem intensificar a absorção de calor da atmosfera para águas mais profundas onde esse calor pode então desempenhar um papel importante na circulação oceânica e na variabilidade climática”, afirma José da Silva.

De acordo com a investigação, as ondas internas solitárias poderão provocar “uma maior mistura vertical na língua fria”, fator ainda não conhecido e não devidamente parametrizado nos modelos climáticos.

“Esta mistura, que até agora não estava atribuída a estas ondas, pode, de acordo com os investigadores, regular e determinar a previsão de eventos El Niño (aquecimento anómalo das águas superficiais) /La Niña (elevado arrefecimento das águas superficiais)”, acrescenta.

Para os investigadores, estas ondas podem ter um impacto significativo “no arrefecimento da superfície do mar durante as transições para anos de La Ninã, uma vez que ocorrem com maior frequência durante este fenómeno”.

A investigação, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e pela Agência Espacial Europeia (ESA), contribui para um maior conhecimento sobre a mistura e transferência de calor na vertical numa região crítica do oceano para o clima.

O estudo, salienta a FCUP, pode “motivar mais investigações para compreender melhor como a absorção de calor da atmosfera dentro da “língua fria” pode retardar (pelo menos por algum tempo) as mudanças climáticas antropogénicas, como o aquecimento global”.

Na sequência deste trabalho, uma equipa norte-americana está a preparar-se para efetuar medições com campanhas oceanográficas na região onde foram encontradas ondas internas.

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Steven Koonin on The Limitations of Climate Change Models


Steven Koonin reviews the state of climate science, focusing on data trends, climate models, and the uncertainties involved. He highlights issues with climate models, including their high sensitivity and inability to accurately reproduce historical temperature changes, cautioning against relying on inaccurate model projections.

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