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sábado, 27 de junho de 2026

Manifesto contra a Caquistocracia: O Teatro do Citizenwashing e a Merdificação do Futuro

O meu amigo Nuno Gomes há tempos alertou-nos para fazermos boicote aos produtos norte-americanos. Pois acrescento a META e a Starlink. Agora piorou muito mais. O Macarthismo tem novas roupagens. Há de facto um bias de ataque e diminuição/irrelevância dos valores socialistas. Esta notícia é apenas a amostra do que aí vem. Só tenho um título: merda! Governo de merda, ideias de merda e badamerda o FMI!
 
Vivemos num época de Citizenwahing (Impotência Cívica). O conceito não é novo. Citizenwahing refere-se a processos de "participação cidadã" que são puramente teatrais. O governo ou uma instituição abre canais de diálogo (como consultas públicas, assembleias ou orçamentos participativos), mas as decisões reais já foram tomadas nos bastidores. As primeiras menções estruturadas ao termo começaram a aparecer em artigos de ONGs e redes de ativismo, como o European Environmental Bureau (EEB) em julho de 2022. O termo foi cunhado por analogia direta ao greenwashing (quando empresas fingem ser sustentáveis). Nesse caso, governos usavam consultas públicas apressadas para aprovar projetos ambientais controversos, alegando que "os cidadãos foram ouvidos". No entanto, a oficialização e a projeção institucional do termo ocorreram no final de 2023. O grande marco foi o discurso da Ombudsman Europeia, Emily O'Reilly, durante um simpósio em Bruxelas explicitamente intitulado Unmasking Citizenwashing (Desmascarando o Citizenwashing). Na ocasião, ela alertou que painéis e assembleias de cidadãos organizados pela União Europeia corriam o risco de se tornarem apenas um exercício vazio de relações públicas se as recomendações reais das pessoas continuassem sendo ignoradas pelos governantes. O termo explodiu após a Conferência sobre o Futuro da Europa, quando muitos participantes perceberam que o seu tempo e energia foram usados apenas para legitimar decisões que já haviam sido tomadas de antemão, consolidando o citizenwashing como a palavra que define a modernização da impotência cívica.
 
Muito grave.
 
E mais grave é que os pobres votaram neste PSD/Chega/IL. A caquistocracia sobrevive porque consegue convencer as suas próprias vítimas a defendê-la, muitas vezes através do medo, discurso do ódio e da desinformação planeada.

Merda para isto tudo.
 
Para ficar triste e aborrecido e irritado com tanta desinformação ou saber que o Zuckerberg inspeciona os meus likes e atrair-me para publicidade que não quero. O gajo é a META, magot. Um estupor. Nem tenho wasap. Sabiam que META e ELON MUSK activamente detroiem o jornalismo que se deseja imparcial. Lembrem-se que Elon Musk está no Pentágono e no Congresso Americano via STARLINK. 

Isto é um assalto à tua/ nossa liberdade. Tempos de combate. Mas fora da esfera de merda. Daí o meu silêncio , mas activo no terreno.

Se me desejarem contactar, tenho o telemóvel, sem wasap, sem tik tok nem insta nem nada desta corja de malfeitores. Os próximos presidentes vão ser decididos por estes globocratas e por Xi Jinping. Farto do anarco-capitalismo. Farto da geopolítica financeira. Farto da caquistocracia. 
 
Resta o biorregionalismo e alter-globalização. O resto é merda! 

A IA também vai cair na merdificação e mais polarização. Fica aqui o registo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Guess how many times world leaders mentioned climate change in Davos?

Zero.
This is not an opinion. It is a fact.
Across the 2026 World Economic Forum, the main special addresses from Trump, Carney, Merz, von der Leyen, Zelenski, and Macron amounted to almost four hours of speaking time.
In those four hours:
Not once was climate change or global warming mentioned.

Let that sink in.
These speeches are revealing. Not because of what was said, but because of what was carefully avoided. They show, in plain sight, what currently ranks as urgent for the political elite and what does not

This is exactly why We Don’t Have Time was present in Davos
While climate disappeared from the main stage, we did the opposite. Together with our partners GreenUp and the Davos Climate Hub, we broadcast more than 40 hours of live climate content, reaching over 15 million people worldwide.

At a time when many leaders and companies are actively avoiding the word climate, our role becomes even more critical. The climate crisis will not disappear just because the political climate has hardened.

Standing up for facts, science, and what is right now takes more courage than ever.
The Alternative WEF speech

From left: Carlos Nobre – Climate scientist, former President of CAPES (Brazil), leading expert on Amazon tipping points | Paul Polman – Former CEO of Unilever | Sandrine Dixson-Declève – Honorary Co-Chair, Club of Rome | Johan Rockström – Director, Potsdam Institute for Climate Impact Research. 

That silence did not go unanswered.
Just before President Trump’s address, an alternative WEF speech was delivered in Davos by some of the world’s leading scientists and systems thinkers. The speech was not on the official agenda of the World Economic Forum. It was not permitted on the public square either.

So we found another place. Quite literally, the only available space was a pile of snow.

From there, climate reality was addressed head-on.

While much of Davos had President Trump’s speech top of mind, this moment may prove to be the one history remembers: scientists standing up for facts, for evidence, and for what is right, even when it was inconvenient, even when there was no official stage.

Broadcast globally on We Don’t Have Time, Sandrine Dixson-Declève, Johan Rockström, Carlos Nobre, and Paul Polman presented a clear alternative to the economic and political model on display in Davos.

Their message was unambiguous: the old system is a dead end.

Every year, trillions are lost to climate and ecological breakdown. This is not the cost of progress, but the cost of delay. Their “giant leap” scenario shows that investing just 1–2 percent of global GDP in climate action and nature restoration can generate tenfold returns in economic, social, and environmental value.

They challenged the idea that prosperity can be measured by GDP alone. A viable economy must ensure that every child has enough to eat, every worker can live without fear, and every society can thrive within planetary boundaries. Continued fossil-fuel expansion offers no path forward.

This was not a protest. It was not theatre. It was a science-based intervention, delivered from the margins at a moment when silence had become the norm.

Everyone at We Don’t Have Time who helped make this possible is proud to have stood up for science when it mattered.

If this speech matters to you too, help it travel.
Download the video and share it on your own social media so more people can see what science actually says about our future.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Metade das emissões fósseis do mundo tem origem em apenas 32 empresas

Vitaliy Mashchenko (pintor Ucraniano, nascido em 1975)"Permanency", 2021


Apesar dos objetivos globais para a redução de emissões de gases com efeito de estufa, uma análise recente da Carbon Majors mostra que, em 2024, a poluição com origem na produção de combustíveis fósseis e cimento continuou a aumentar. A base de dados aponta que 166 produtores foram responsáveis por 34,7 gigatoneladas de CO2 equivalente, mais 0,8% do que no ano anterior.

O dado mais expressivo do relatório é a forte concentração das emissões em “apenas 32 empresas” que “estiveram associadas a mais de metade das emissões globais de CO2 provenientes de combustíveis fósseis e cimento em 2024”. Há cinco anos, eram 38 as empresas responsáveis por essa fatia de emissões, evidenciando uma tendência de concentração progressiva da produção poluente.

A maioria das 166 organizações são controladas pelo Estado, que representam “54% das emissões globais em 2024”, enquanto 93, com capital privado, originaram 23,7%. No topo da tabela, a concentração é ainda mais evidente, mostram os dados. “As dez empresas com maiores emissões, responsáveis em conjunto por 27,6% das emissões globais de CO2 fóssil em 2024, eram todas total ou maioritariamente detidas pelo Estado”, lê-se no relatório.

A base de dados Carbon Majors, gerida pela InfluenceMap, agrega informação histórica e atualizada sobre a produção de petróleo, gás, carvão e cimento, e atribui emissões às empresas produtoras e não aos países.

Os números de 2024 surgem num contexto climático particularmente crítico, já que aquele foi o ano em que, segundo o Copernicus, pela primeira vez a temperatura média global ultrapassou 1,5 graus acima dos níveis pré-industriais. No mesmo ano, as emissões globais de gases com efeito de estufa atingiram um novo máximo histórico e as emissões de CO2 provenientes da queima de combustíveis fósseis subiram para cerca de 38,6 gigatoneladas.

Em declarações citadas pelo The Guardian, Emmett Connaire, analista sénior da InfluenceMap, afirma que “as empresas petrolíferas e de gás têm sido, durante décadas, dos lóbis mais negativos para a política climática a nível mundial”. O responsável acrescenta que estas empresas “desenvolveram um manual de táticas que passa por enganar decisores políticos e a opinião pública, tendo feito campanha repetidamente contra políticas destinadas a permitir uma transição justa”.

Os dados do Carbon Majors estão, por isso, a ser cada vez mais utilizados como base para mecanismos de responsabilização. O relatório destaca que, no estado norte-americano de Nova Iorque, está em discussão legislação que poderá exigir até 75 mil milhões de dólares em compensações por danos climáticos a grandes produtores de combustíveis fósseis. Numa declaração citada no relatório, a senadora Liz Krueger defende que “é agora possível utilizar os registos das empresas para determinar a quantidade de produto colocada no mercado e traduzi-la num volume de gases com efeito de estufa emitidos para a atmosfera”.

Recorde-se que, de acordo com dados mais recentes do Copernicus, 2025 voltou a ser um dos anos mais quentes de sempre desde que há registo, apenas 0,01 graus abaixo de 2023 e 0,13 graus abaixo de 2024. Pela primeira vez, o planeta viveu três anos seguidos acima do limite de 1,5 graus definido pelo Acordo de Paris como sendo o teto máximo a manter até ao final deste século.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

A riqueza dos 12 mais ricos já ultrapassa a de metade da humanidade


Um novo recorde de desigualdade: 12 pessoas concentram mais riqueza do que metade da humanidade



A concentração extrema de riqueza voltou a atingir um novo máximo. As 12 pessoas mais ricas do mundo detêm hoje mais dinheiro do que a metade mais pobre da humanidade — cerca de quatro mil milhões de pessoas — segundo um relatório divulgado este domingo pela Oxfam, no arranque do Fórum Económico Mundial, em Davos.

Em 2025, a riqueza dos multimilionários cresceu mais de 16%, um ritmo três vezes superior à média dos últimos cinco anos, atingindo um total de 15,7 biliões de euros, o valor mais elevado alguma vez registado. Só no último ano, a riqueza conjunta deste grupo aumentou 2,1 biliões de euros — um montante que, segundo a organização, seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes.

O número de multimilionários ultrapassou pela primeira vez a fasquia dos 3.000. No topo da hierarquia surge o empresário norte-americano Elon Musk, que se tornou o primeiro indivíduo a acumular uma fortuna pessoal superior a meio bilião de dólares (cerca de 430 biliões de euros).

A dimensão do desequilíbrio é ilustrada por outro dado: a riqueza acumulada pelos multimilionários no último ano permitiria entregar 250 dólares a cada habitante do planeta, mantendo ainda assim intacto um património conjunto de 430 mil milhões de euros entre os mais ricos.

“A riqueza dos multimilionários aumentou 81% desde 2020”, sublinha a Oxfam, num contexto em que “uma em cada quatro pessoas no mundo não tem o suficiente para comer regularmente” e quase metade da população vive em situação de pobreza.

Intitulado "Resistir ao Domínio dos Ricos: Proteger a Liberdade do Poder dos Bilionários", o relatório analisa a crescente influência política dos super-ricos e o modo como moldam regras económicas e institucionais em benefício próprio. Os Estados Unidos surgem como um dos exemplos centrais desta dinâmica.

A Oxfam associa a aceleração da concentração de riqueza à administração de Donald Trump, apontando uma agenda favorável aos bilionários: cortes fiscais para grandes fortunas, recuo nos esforços internacionais de tributação das multinacionais, enfraquecimento do combate ao poder monopolista e um forte impulso aos mercados ligados à inteligência artificial, que beneficiaram sobretudo os grandes investidores.

Ainda assim, a organização sublinha que o fenómeno não é exclusivo dos Estados Unidos. O relatório identifica sinais semelhantes noutras geografias, alertando para o risco de as oligarquias económicas estarem a corroer as democracias e a ampliar desigualdades sociais à escala global.

Perante este cenário, a Oxfam defende que os governos avancem com planos nacionais para reduzir as disparidades entre ricos e pobres, incluindo impostos sobre grandes fortunas, medidas para limitar o poder económico excessivo e regulamentação que proteja a independência dos meios de comunicação social.

O relatório é divulgado no mesmo dia em que arranca o Fórum Económico Mundial, que decorre até sexta-feira sob o lema “O espírito do diálogo” e reúne líderes políticos, empresariais e institucionais num contexto marcado por tensões geopolíticas e incerteza económica.

Entre os participantes confirmados estão o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — que regressa presencialmente a Davos pela primeira vez desde 2020 —, o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, seis dos sete líderes do G7, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, e cerca de 850 líderes empresariais de todo o mundo.

sábado, 1 de novembro de 2025

Principais Recursos dos Bilionários


Continuando a minha reflexão sobre os bilionários aqui elenco os principais recursos que os leva a alimentar esta gigante riqueza.

1. Capital financeiro
Uma parte grande da riqueza deles está investida em ações, participações em empresas, títulos, fundos, e outros instrumentos financeiros.
Esse capital financeiro dá-lhes poder para influenciar mercados, fazer aquisições, e multiplicar a riqueza através de investimentos.

2. Participações em empresas (empresas próprias ou holdings)
Muitos bilionários são fundadores ou detêm participações significativas em grandes empresas (tecnologia, indústria, energia, etc.).
Por exemplo, setores como finanças, bebidas e tecnologia são dominantes entre as origens da riqueza bilionária.
Esses ativos empresariais lhes dão controlo direto sobre cadeias produtivas, decisões estratégicas e inovação.

3. Propriedade imobiliária
Muitos bilionários investem em imóveis comerciais, terrenos, edifícios residenciais — uma parte importante do seu portfólio de riqueza é tangível.
A valorização das propriedades também contribui para o crescimento patrimonial.
4. Recursos naturais
Alguns controlam minas, terras agrícolas, reservas de petróleo ou outros recursos naturais, que são ativos físicos estratégicos.
Por exemplo, bilionários no setor energético ou de mineração tiram parte de sua fortuna da extração e gestão desses recursos. (No caso de Rinat Akhmetov, ele tem empresas em mineração e energia.)

5. Capital humano
Embora não seja “dono” de pessoas no sentido absoluto, muitos bilionários controlam grandes empresas que empregam dezenas de milhares de pessoas. Isso lhes dá poder sobre a direção estratégica, mas também sobre talento, inovação e produção.
Além disso, muitas das suas empresas dependem de capacidades técnicas, científicas e de gestão — ou seja, eles investem (e captam) talento.

6.Influência política e institucional
Bilionários muitas vezes têm ligações políticas, institucionais ou contato direto com decisores. Essa influência permite moldar políticas, regulamentos e leis que podem favorecer os seus negócios ou proteger o seu capital.
Também podem usar lobbies para manter vantagens competitivas ou para criar barreiras à entrada de novos concorrentes.

7. Acesso a infraestruturas críticas
Eles podem financiar ou controlar infraestruturas como data centers, redes de telecomunicação, energia, logística, etc. Esse é um recurso estratégico porque dá poder sobre recursos que sustentam a economia moderna.
No campo digital, por exemplo, gigantes tecnológicos (alguns bilionários) controlam plataformas, dados e serviços essenciais — o que lhes dá grande poder sobre a “economia da atenção” e dos dados.

8. Propriedade intelectual
Patentes, direitos de autor, marcas registradas são ativos intangíveis muito valiosos. Bilionários em tecnologia, farmacêutica ou biotecnologia frequentemente detêm patentes que lhes garantem receitas futuras e vantagem competitiva.

9. Redes de capital social
Além do capital formal (dinheiro, ativos), há recurso social: os bilionários geralmente têm redes poderosas de influenciadores, outros bilionários, políticos, investidores. Essas redes são um recurso estratégico porque permitem parcerias, financiamento, influência e acesso privilegiado a oportunidades.

10. Estruturas offshore e otimização fiscal
Muitos usam jurisdições fiscais favoráveis para armazenar parte de sua riqueza, o que lhes permite preservar capital, reduzir impostos e reinvestir de forma eficiente.
Isso também significa que parte da sua riqueza está “fora do radar” direto de muitos sistemas fiscais nacionais.

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Francisco Pinto Balsemão: um protector dos ricos


Francisco Pinto Balsemão foi membro do núcleo director do Bilderberg e representou Portugal no grupo durante 33 anos. Mais que político foi um empresário e da elite global, infuenciando a política económica e social em todo o Mundo e, sobretudo, Portugal.  Ele participou em praticamente todas as reuniões anuais desde 1988. Em 2015, Balsemão deu o seu lugar no "comité de direção" do Bilderberg a José Manuel Barroso. Em 2018, Balsemão criou um grupo semelhante ao Bilderberg em Cascais, onde foram convidados empresários e outras figuras importantes da sociedade portuguesa. Balsemão criou um grupo de Bilderberg à portuguesa em Cascais - "Encontros de Cascais". A direcção contava além dele com onze personalidades, entre empresários, banqueiros, gestores de topo e milionários, como Paula Amorim, Leonor Beleza, Carlos Carreiras, António Ramalho e Carlos Gomes da Silva.
Fundou com 19 deputados a Ala Liberal. A Ala Liberal era um grupo de deputados do partido fascista no poder.
Os «liberais» pertenciam às elites do Estado Novo e, no seu seio, exerceram aquilo que Tiago Fernandes designa, na esteira de Juan Linz, uma «semioposição» ao Estado Novo, estando em parte dentro e em parte fora do regime da ditadura.
Com o passar do tempo e o avolumar das desilusões, começaram a estar cada vez mais fora, sobretudo à medida em que se apercebiam de que as iniciativas que levavam a cabo no plano da legalidade – na revisão constitucional, nas leis de liberdade religiosa e de imprensa, em defesa dos presos políticos – eram sistematicamente votadas ao insucesso.
Em momento algum, porém, trilharam caminhos revolucionários ou romperam com o modelo de oposição legal, ou legalista, em que sempre se moveram.
Foi, até à sua morte, membro do Conselho de Estado, órgão de consulta do Presidente da República.
Portanto Balsemão nunca foi um social democrata, antes pelo contrário, foi defensor da elite neoliberal e protegeu os milionários.

Ler mais:

quarta-feira, 4 de junho de 2025

José Luís Arnaut - o facilitador das privatizações


Em entrevista ao podcast “A lei e a Prática” do Diário de Notícias, José Luís Arnaut afirma que “a morte do Bloco de Esquerda é um sinal positivo para a economia”. E por economia o ex-ministro do PSD e atual presidente da ANA Aeroportos refere-se ao investidor estrangeiro que “olha para as notícias e vê tetos nas rendas, taxar os ricos, impostos sobre a fortuna” e assusta-se e vai embora. Para o antigo secretário-geral do PSD, “quem o bom senso dos portugueses mandou embora foram esses que tinham essas veleidades, digamos, de criar essas medidas”.

17 de janeiro 2018

O antigo ministro de Durão Barroso e Santana Lopes ficou conhecido como “o advogado das privatizações”, com o seu escritório a estar ligado às vendas pelo Estado da EDP, REN, ANA, TAP e CTT. No caso dos Correios, o seu escritório assessorou o banco Goldman Sachs, que se tornou no maior acionista após a privatização. Arnaut viria a ser nomeado em 2014 para o conselho consultivo internacional do Goldman Sachs, cargo que ainda hoje ocupa.

Entre 2014 e 2016, a sociedade de advogados de Arnaut faturou mais de 400 mil euros em serviços jurídicos à REN, outra empresa privatizada e onde Arnaut ocupa o cargo de administrador não executivo desde 2012.
O centro de negócios, 03 de abril 2019

Em 2013 o governo de Passos Coelho e Paulo Portas concluiu a privatização dos aeroportos portugueses, entregando 95% do capital à multinacional francesa Vinci. Do lado do comprador, estava a assessoria jurídica da CMS Rui Pena & Arnaut, como o ex-ministro à frente da equipa que preparou o negócio. Mais tarde viria a ser recompensado com o cargo de presidente da ANA Aeroportos, que também continua a ocupar hoje.

Segundo os dados biográficos atualizados, além dos cargos na Goldman Sachs, REN e ANA Aeroportos, José Luís Arnaut é ainda presidente adjunto da Associação de Turismo de Lisboa, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Portway, da Siemens, do grupo Super Bock e da Tabaqueira. Até há poucos meses ocupava o mesmo cargo na Federação Portuguesa de Futebol e também presidiu à Associação de Amizade Portugal-Qatar, participando em iniciativas promovidas pela família real daquele país. Em 2021, o consórcio de jornalistas OCCRP - Organized Crime and Corruption Reporting Project - revelou detalhes do negócio de concessão à Vinci de um aeroporto em Belgrado e da compra dos terrenos contíguos a um milionário com ligações ao narcotráfico, que a seguir se tornou sócio de José Luís Arnaut.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Relatório Oxfam 2025: Takers Not Makers



A organização não governamental britânica Oxfam lançou este ano um relatório, intitulado Takers Not Makers: The unjust poverty and unearned wealth of colonialism, no qual se mostra que as grandes fortunas estão a aumentar com cada vez mais maior velocidade. A data da sua apresentação coincide com o início do Fórum Económico de Davos onde se reúnem governantes, grandes patrões e seus defensores de vários pontos do mundo. E também com a tomada de posse como presidente dos Estados Unidos da América de um bilionário, Donald Trump, apoiado de perto pelo homem mais rico do mundo, Elon Musk.

De acordo com o estudo, em 2024, surgiram 204 novos bilionários, cerca de quatro por semana. Isto faz com que o total de bilionários no mundo seja de 2.769. Estes enriqueceram mais dois biliões de euros num ano, 5,5 mil milhões de euros por dia, o que é o triplo do ano anterior.

A concentração de riqueza é tal que os dez mais ricos viram crescer a fortuna em média perto de 100 milhões por dia e mesmo que perdessem 99% de sua riqueza da noite para o dia, ainda permaneceriam bilionários”. Isto implica a previsão de que dentro de dez anos haja cinco “trilionários”. Anteriormente estimava-se que nível inédito de riqueza só fosse alcançado por uma pessoa.

O documento revela ainda que a maior parte da riqueza dos multimilionários, 60%, se enquadra naquilo a que a organização chama “riqueza imerecida”, sendo proveniente de heranças (36%) ou surgindo a partir de monopólios ou de conexões com poderosos (24%).

Grande parte dos bilionários, 68%, concentram-se nos países mais desenvolvidos. Já o número de pessoas a viver na pobreza mantém-se estagnado desde 1990, segundo o Banco Mundial.

A ONG defende o aumento dos impostos sobre as grandes fortunas e a necessidade de criar uma política fiscal global para que “as pessoas e as empresas mais ricas paguem a sua parte justa”. E propõe também a abolição dos paraísos fiscais e a tributação das heranças, num mundo em que metade dos multimilionários estão sediados “em países sem imposto sobre as heranças para os descendentes diretos”.

Para além disso, luta pelo cancelamento da dívida dos países mais pobres, dado que “o 1% mais rico dos países do Norte Global, como os EUA, o Reino Unido e a França, extraiu cerca de 30 milhões de euros por hora do Sul Global através do sistema financeiro em 2023”, por “acabar com os monopólios, democratizar as regras das patentes e regular as empresas para garantir que pagam salários dignos e limitar a remuneração dos CEO”.

Sugere-se ainda “reestruturar os poderes de voto no Banco Mundial, no FMI e no Conselho de Segurança da ONU para garantir uma representação justa dos países do Sul Global” e que “as antigas potências coloniais devem enfrentar os danos duradouros causados pelo seu domínio colonial, apresentar desculpas formais e fornecer reparações às comunidades afetadas”.

O ideal, afirma-se, era que os governos se comprometessem na garantia de que “o rendimento dos 10% mais ricos não é superior ao dos 40% mais pobres”. A instituição insta ainda os executivos a “acabar com o racismo, o sexismo e as divisões que sustentam a exploração económica contínua”.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Novo Relatório da OXFAM- Inequality Inc.


Os cinco homens mais ricos do mundo, Elon Musk, Bernard Arnault, Jeff Bezos, Larry Ellison e Mark Zuckerberg, mais do que duplicaram as suas fortunas desde 2020, segundo um relatório da Oxfam. O relatório acrescenta que, juntos, possuem agora um património de 869 mil milhões de dólares, depois de terem aumentado as suas fortunas a um ritmo de 14 milhões de dólares por hora nos últimos quatro anos.

Intitulado "Desigualdade S.A.", o relatório da Oxfam foi divulgado na segunda-feira e afirma que, apesar do crescimento das fortunas dos cinco, 5 mil milhões de pessoas ficaram mais pobres no mesmo período.

Os multimilionários são hoje 3,3 biliões de dólares mais ricos do que eram em 2020, e um multimilionário lidera 7 das 10 maiores empresas do mundo, afirmou a organização de solidariedade com sede em Londres. Se as tendências actuais se mantiverem, o mundo terá o seu primeiro trilionário numa década, mas a pobreza não será erradicada durante mais 229 anos.

A Oxfam afirmou que seriam necessários 476 anos para que os 5 mais ricos esgotassem toda a sua fortuna se decidissem gastar 1 milhão de dólares por dia. Enquanto Musk demoraria 673 anos, Bezos necessitaria de 459 para esgotar a sua riqueza.

Outro ponto interessante destacado no relatório é o facto de o 1% mais rico do mundo deter 43% de todos os ativos financeiros globais.

Não é segredo para ninguém que a riqueza dos multimilionários do mundo, especialmente Elon Musk, teve um aumento astronómico desde 2020, devido à subida das ações da Tesla. O seu património líquido é de US$ 206 biliões atualmente.

“As pessoas mais ricas do mundo continuam a ser as grandes vencedoras neste momento de crise. Em 2023, os multimilionários têm mais 3,3 triliões de dólares, ou mais 34% do que tinham em 2020, no início desta década de divisões. A projeção é de que o número de milionários aumente 44% entre agora e 2027, enquanto o número de pessoas com um património líquido de 50 milhões de dólares ou mais deverá aumentar 50%”, refere o relatório.

Enquanto os mais ricos do mundo viram as suas riquezas crescer exponencialmente, os mais pobres não tiveram a mesma sorte, uma vez que os níveis crescentes de inflação, o impacto económico das alterações climáticas e os conflitos geopolíticos tornaram as suas vidas mais difíceis.

O relatório destacou que, durante o mesmo período, quase cinco mil milhões de pessoas em todo o mundo ficaram mais pobres. “As dificuldades e a fome são uma realidade diária para muitas pessoas em todo o mundo. Ao ritmo atual, serão necessários 230 anos para acabar com a pobreza, mas poderemos ter o nosso primeiro trilionário em 10 anos”, conclui o relatório.

Tradicionalmente, a Oxfam divulga o seu relatório anual sobre a desigualdade pouco antes da abertura do Fórum Económico Mundial (WEF).

Oxfam defende intervenção estatal para controlar concentração de riqueza


Num estudo intitulado "Desigualdade Lda" ["Inequality Inc", na versão em inglês] sobre a desigualdade e o poder das empresas a nível mundial, publicado para coincidir com o primeiro dia do Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, a Oxfam revela que as fortunas dos cinco homens mais ricos aumentaram 114% desde 2020.

De acordo com o estudo, 148 empresas geraram lucros de 1,8 biliões de dólares (1,64 biliões de euros ao câmbio atual), mais 52% do que a média dos últimos três anos, e distribuíram prémios aos acionistas ricos, enquanto centenas de milhões de pessoas sofreram cortes nos salários reais.

Segundo a revista norte-americana Forbes, o homem mais rico do mundo é o empresário norte-americano Elon Musk (dono da rede social X e da marca de automóveis Tesla) com uma riqueza líquida estimada em 235 mil milhões de dólares (cerca de 215 mil milhões de euros), seguido pelo francês Bernard Arnaut e família (que detêm a gigante francesa de artigos de luxo LVMH) que acumularam 183 mil milhões de dólares (cerca de 167 mil milhões de euros).

De acordo com os cálculos da Oxfam, os cinco homens mais ricos do mundo mais do que duplicaram as fortunas desde 2020 a um ritmo de 14 milhões de dólares (cerca de 13 milhões de euros) por hora.

A continuar esta tendência, a organização não-governamental (ONG) prevê que uma pessoa poderá tornar-se no primeiro bilionário de sempre na próxima década, mas seriam necessários mais de dois séculos para acabar com a pobreza.

No documento hoje publicado, a Oxfam defende que os Governos à escala mundial devem intervir para reduzir "rápida e radicalmente o fosso entre os super-ricos e o resto da sociedade", investindo em serviços públicos como o da Saúde e Educação e em participações em setores essenciais como os da Energia e Transportes.

A organização sugere também uma legislação sobre salários dignos, limitar a remuneração de executivos e a criação de novos impostos sobre os super-ricos e os lucros excessivos.

A Oxfam calcula que um imposto sobre a riqueza dos milionários em todo o mundo poderia gerar 1,8 biliões de dólares (cerca de 1,64 biliões de euros) por ano.

Por fim, a ONG propõe alterações à forma de gestão das empresas com participação dos trabalhadores para redistribuir a riqueza pelos mais pobres.

O diretor-executivo interino da Oxfam International, Amitabh Behar, confia que a intervenção estatal pode conter a crescente desigualdade mundial e a acumulação de riqueza por milionários.

"O poder público pode controlar o poder empresarial descontrolado e a desigualdade, moldando o mercado para ser mais justo e livre do controlo dos bilionários. Os Governos têm de intervir para acabar com os monopólios, dar poder aos trabalhadores, tributar os enormes lucros das empresas e, sobretudo, investir numa nova era de bens e serviços públicos", afirma o representante citado no estudo.

O Fórum Económico Mundial de Davos, que reúne anualmente figuras do meio empresarial, da política e da diplomacia, arranca hoje focado em debater a reconstrução da confiança num mundo atingido por conflitos como os de Gaza e da Ucrânia.

Na 54.ª edição do Fórum de Davos, que vai decorrer até sexta-feira, são esperados 60 chefes de Estado e de Governo.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Jacques Delors - um genuíno socialista


Somos todos herdeiros da obra de vida de Jacques Delors: uma União Europeia vibrante e próspera.
Jacques Delors forjou a sua visão de uma Europa unida e o seu compromisso com a paz durante as horas sombrias da Segunda Guerra Mundial.
Com uma inteligência notável e uma humanidade sem paralelo, tem sido o defensor incansável da cooperação entre as nações europeias e, depois, do desenvolvimento da identidade europeia.
Uma ideia que concretizou graças, nomeadamente, à criação do Mercado Único, ao programa Erasmus e às fases iniciais de uma moeda única, moldando assim um bloco europeu próspero e influente.
A sua presidência da Comissão Europeia foi marcada por um profundo compromisso com a liberdade, a justiça social e a solidariedade – valores agora enraizados na nossa União.
Jacques Delors foi um visionário que tornou a Europa mais forte. O seu trabalho teve um impacto profundo na vida de gerações de europeus, incluindo a minha. Estamos profundamente gratos a ele.

Vamos honrar o seu legado renovando e revigorando continuamente a nossa Europa.

Sites

domingo, 12 de novembro de 2023

Menina - Pássaro


Hoje deu-me para fazer mais uma arte digital. Pensei nos jovens e crianças que estamos a hipotecar o seu futuro com as nossas acções. Não somos todos os culpados. Há apenas 1% da humanidade, juntando-se c. de 1 milhão de bilionários, cujas atitudes são ignóbeis, infantis, ecologicamente reprováveis e mexem com as escolhas individuais e de milhentas de ONG, pequenas comunidades que se esforçam para reduzir a pegada ecológica. O semblante da menina é enigmático.

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terça-feira, 29 de agosto de 2023

Musica do BioTerra: Motörhead - Breaking the Law


There I was completely wasting, out of work and down
All inside it's so frustrating, drift from town to town
Feel as though nobody cares if I live or die
So I might as well begin to put some action in my life

Breaking the law, breaking the law [4x]

So much for the golden future, I can't even start
I've had every promise broken, anger in my heart
You don't know what it's like, you don't have a clue
If you did you'd find yourselves doing the same thing too

Breaking the law, breaking the law [4x]

You don't know what it's like
Breaking the law, breaking the law [8x]

Biografia e Discografia

Página Oficial

terça-feira, 22 de agosto de 2023

“Armadilha tóxica”: Dívidas aos países ricos mantêm Estados mais pobres ‘reféns’ dos combustíveis fósseis


Os países mais pobres, do chamado Sul Global, não têm alternativa senão manterem-se dependentes da exploração de combustíveis fósseis como forma de gerar receitas para pagarem dívidas às nações mais ricas e a credores privados.

A conclusão é de um relatório publicado esta segunda-feira por 35 organizações não-governamentais, incluindo a portuguesa Oikos – Cooperação e Desenvolvimento.

Enquanto na região ocidental do hemisfério norte do planeta se procura abandonar a energia fóssil em prol de uma transição energética que permita alicerçar essas sociedades em modelos de produção e consumo de energia de fontes limpas e renováveis, no sul o cenário é outro.

Os relatores avançam que para vários países em desenvolvimento, como a Argentina, o Uganda e Moçambique, poderá ser “impossível abandonar progressivamente os combustíveis fósseis” em prol das renováveis, a não ser que o problema das suas dívidas externas “seja resolvido”.

“Os governos do Sul Global não serão capazes de cortar a dependência da produção de combustíveis fósseis a menos que resolvamos os prejudiciais níveis de endividamento e as vulnerabilidades e desigualdades que estão associadas aos atuais sistemas financeiros e de dívida”, escrevem.

Assim, as organizações defendem, sobretudo, a implementação de planos de cancelamento das dívidas externas de todos os países mais pobres que deles precisem para poderem abdicar da energia fóssil, bem como o reforço do financiamento a esses Estados para poderem fazer face aos danos sofridos por eventos climáticos extremos.

“Altos níveis de endividamento são uma das principais barreiras ao abandono progressivo dos combustíveis fósseis para muitos países do Sul Global”, explica Tess Woolfenden, responsável de políticas da Debt Justice, uma das organizações que participou no trabalho.

A ativista alerta que muitos países em desenvolvimento estão ‘reféns’ da exploração da energia fóssil “para gerar receitas para pagar as dívidas”, e salienta que, por vezes, os projetos de combustíveis fósseis podem não gerar as receitas esperadas “e podem deixar os países ainda mais endividados do que quando começaram”.

Woolfenden fala de uma “armadilha tóxica” em que os Estados mais pobres estão enredados, apelando a que as nações do Norte Global cancelem “urgentemente” as dívidas dos seus contrapartes do Sul “para evitar ainda mais problemas climáticos”.

Para Mae Buenaventura, do movimento Asian People’s Movement on Debt and Development, cancelar as dívidas dos países mais pobres “é o mínimo que os países ricos e os credores podem fazer para compensar o Sul Global” pelos danos que a esses Estados causaram por causa do financiamento de projetos de energia fóssil. E diz que se trata de “uma questão de justiça”.

As alterações climáticas, e todos os seus efeitos, “estão a afundar cada vez mais os países vulneráveis em dívidas, aprisionando-os num ciclo vicioso que, perversamente, alimenta o investimento em combustíveis fósseis” que agudiza a crise climática, argumenta Arthur Larok, secretário-geral da organização ActionAid International.

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

We the People Are All in This Together


The purpose of human institutions is to secure the well-being of people and Earth. Despite our differences, all of Earth’s people share a common destiny that depends on our learning to live together with mutual commitment to a foundational truth recognized by our early ancestors: “I am because you are.” South Africans call it ubuntu.

Now, however, we get near-daily reminders of the failure of our institutions to uphold that truth. Ignoring ubuntu, they pit us against each other in a deadly competition to dominate and exploit both the planet and our neighbors.

Our future depends on cooperating to create new institutions that support us in caring for and living within the means of a finite living Earth. But competition presents a terminal barrier to progress on two defining fronts: the growing number of billionaires, and the growing dominance of the world’s largest economies. The United States currently leads in both fronts. China is in second place but is positioned to soon take the lead.

Two current examples stand out in revealing the profound institutional failure that imperils our common future. Each underscores the need for the deep transformation we have only begun to envision.

The U.S. has long presented itself as the model of prosperity and democracy for other nations to emulate—a conceit that is fast losing its luster. In addition, between 2019 and 2021, life expectancy in the United States dropped from 79 years to 76 years—the sharpest two-year decline in a century.
The U.S. and China are confronting each other over many issues, most recently the status of Taiwan. If we are to move toward peace, equality, and a sustainable climate on which a viable human future depends, our two countries must join in common cause to create a world in which the very concept of a global superpower is a relic of history.
Alarming statistics on the dramatic fall in U.S. life expectancy come from a New York Times news story on a report by the U.S. National Center for Health Statistics. COVID-19 was the major driver.

Dr. Steven Woolf, director emeritus of the Center on Society and Health at Virginia Commonwealth University, observed that while other high-income countries were also hard hit by COVID-19 in 2020, most had begun to recover by 2021. “None of them experienced a continuing fall in life expectancy like the U.S. did, and a good number of them saw life expectancy start inching back to normal,” Woolf told the Times. U.S. life expectancy is now the lowest it has been since 1995. Among the world’s high-income nations, the United States is leading—in the wrong direction.

According to Dr. Woolf, compared with other high-income countries, we in the U.S. are handicapped by a fragmented, profit-driven health care system, poor diet, lack of physical activity, smoking, widespread access to guns, and high levels of poverty and pollution. Break it down, and much of our loss traces to the failures of an economic system captive to the power of profit-maximizing corporations.

We bear the consequences not just in our health industry. We also bear them in our food and agriculture, gun, automobile, and other industries that put financial returns to their richest shareholders above the well-being of their own workers and the communities in which they do business.

If we evaluate these industries based on the flow of profits to the rich, they are exemplary. If, however, we evaluate them based on their contributions to the well-being of people and Earth, they are literally killing us—revealing the U.S. as a model the rest of the world best avoid at all costs. Here are basics of the billionaire problem:

On Jan. 17, 2022, Oxfam International reported that the wealth of the world’s 10 richest billionaires had doubled since the beginning of the pandemic. Incomes of 99% of the world’s people had fallen while corporate profits soared as those companies raised their prices faster than their costs rose—the automobile industry being but one example.

In March 2022, Forbes identified a global total of 2,668 billionaires with a combined wealth of $12.7 trillion, up significantly from the 2,096 billionaires it had identified in 2020 before COVID became a global pandemic. The U.S. leads the world, with 735 billionaires holding a collective $4.7 trillion in financial assets. China is a close second, with 607 billionaires holding $2.3 trillion in assets. Together, the two countries account for 56% of the total assets of all the world’s billionaires.

The more inequality grows, the more power shifts to those the current system enriches, thus increasing their ability to further shape the system to their advantage. Those competing for the top spot on the Forbes billionaires list have chosen to ignore the obvious reality that there will be no winners on a dead Earth.

On the global superpower front, the U.S. and China compete for global economic and military dominance. The U.S. military budget dwarfs that of all other nations, but here, too, China is in second place and growing rapidly.

An obvious place to start in eliminating human environmental damage to Earth is with things that provide us with no real benefit. War is an obvious example. As Indian Prime Minister Narendra Modi recently pointed out to Russian President Vladimir Putin, “this is not an era of war.”

So true. It is an era for eliminating war and moving forward a long overdue process of disarmament.

Achieving the well-being of both people and Earth will require a radical sharing of power to facilitate the cooperative learning and equitable resource sharing essential if humanity is to achieve the future most people seek. A key part of the process is transforming our society into an ecological civilization, which I outlined in my Club of Rome paper, “Ecological Civilization: From Emergency to Emergence.”

The U.S. has presented itself as a model of democracy and prosperity for the world to emulate. China has led the world in reducing extreme poverty and has written a commitment to an ecological civilization into its constitution. Yet both nations stand out as the primary drivers of militarism, extreme inequality, and environmental devastation, pushing humanity toward social and environmental collapse. If our two countries continue competing to be the last global superpower on a dying Earth, we will fail to meet the minimum targets that science tells us are essential to avoid triggering environmental tipping points from which there will be no recovery. This existential crisis presents an opportunity for unprecedented cooperation between China and the U.S., along with other nations everywhere, in which we apply our proven creative potential to build a world of peace, equality, and a thriving Earth.

quinta-feira, 22 de junho de 2023

Adrienne Buller: "A crise ecológica não pode ser submetida aos mecanismos de mercado"

Adrienne Buller [Fonte: The Guardian]

Adrienne Buller é diretora de pesquisa do think tank britânico Common Wealth , onde lidera projetos sobre a construção de uma economia democrática, autora de "The Value of a Whale: On the Illusions of Green Capitalism" , e coautora, com Mathew Lawrence, de Owning o Futuro: Poder e Propriedade em uma Era de Crise .

Numa época em que o capitalismo verde exige que filtremos a nossa resposta à crise climática por meio do mercado, a autora analisa tudo o que há de errado com essa abordagem.

Nesta entrevista realizada como parte de um projeto sobre populismo climático de direita no Centro para o Avanço da Imaginação Infraestrutural (CAII), Buller aponta que tudo se resume à política: o greenwashing não impedirá que o financiamento climático minimize os riscos, maximize os retornos e negligencie o bem comum. É fundamental que lutemos para governar democraticamente nossos sistemas económicos.

O que é capitalismo verde e quais são seus objetivos? Quem são suas líderes de torcida, tanto em termos de instituições quanto de indivíduos reais?
Em essência, o capitalismo verde tenta encontrar uma maneira de gerenciar a complexidade de abordar a crise climática e ecológica através do prisma do mercado. Isso requer encontrar preços para as coisas, seja carbono ou outras formas de capital natural, e encaixá-los em nosso modelo financeiro.
O mercado busca promover a arbitragem neutra entre atores que buscam lucro e, então, a entende como algo inerentemente alinhado com resultados positivos, como redução de emissões ou combate à perda de biodiversidade.
Minha primeira experiência com o capitalismo verde foi trabalhar na numa organização sem fins lucrativos que ajudava empresas financeiras a otimizar seu papel na transição verde.
A indústria financeira sustentável foi uma janela para essa mentalidade sobre como enfrentar a crise climática e ecológica fazendo pequenos ajustes impulsionados pelo mercado e resistindo à suposta confusão da política.
Seus defensores estão por toda parte. A própria indústria financeira está, na minha opinião, na vanguarda dessa ideia. Você tem campeões como Larry Fink, CEO da BlackRock, como emblemas desse movimento. Mas também está presente em todos os tipos de fóruns de governança climática europeia.
O European Green New Deal é um programa político arquetípico do capitalismo verde. Assim como o Inflation Reduction Act [IRA] nos EUA, que tenta atrair agentes do mercado e encontrar maneiras de tornar os investimentos climáticos desejáveis ​​para o setor privado e seus clientes. É realmente a estrutura predominante com a qual a maioria dos formuladores de políticas, pelo menos no norte global, está trabalhando.

Qual é o principal fator por trás de sua aparência? As empresas não querem enriquecer com esta tragédia?
Sem ficar muito do lado da conspiração, eu diria que este é um casamento feliz de uma série de interesses do capital. Há o reconhecimento da ameaça de que a crescente crise climática representa um alerta sem precedentes para o capitalismo, especialmente em termos de sua capacidade de se reproduzir.
Mas, ao mesmo tempo, também há um entendimento de que essa é uma esfera totalmente nova de lucro com esse problema. Voltando aos chefões financeiros, Larry Fink publica uma carta anual apresentando a crise climática como uma oportunidade sem precedentes para os investidores.
O outro lado está mais perto dos palcos de Davos. Há reconhecimento da ameaça, mas também da necessidade de manter o capitalismo e os sistemas baseados no mercado.
Isso muitas vezes me parece um compromisso mais ideológico, motivado pela crença de que este é o único – e último – sistema econômico que poderíamos ter. A chave para o capitalismo verde é que é um casamento feliz de todos esses interesses.

Quem interpreta o antagonista do capitalismo verde? Quem representa essa figura da oposição?
Se existe um inimigo imaginário, é aquele que resiste aos sistemas de mercado existentes, ou questiona os fundamentos do capitalismo diante da crise climática e ecológica. É uma descrição bastante nebulosa do inimigo no capitalismo verde.
Aqueles que se encaixam com ela podem ser as partes mais anarquistas da frente climática, grupos como Extinction Rebellion, o ambientalista que resiste a colocar um preço na natureza em qualquer sentido romântico ou de princípios.
Dito isto, nem tenho certeza se há necessidade de um "inimigo" em sentido estrito. Tudo o que consigo lendo o trabalho ou entrevistas de pessoas que considero líderes do movimento capitalista verde é a convicção absoluta de que a sua posição é inevitável e correta. Eles têm aquela crença thatcheriana estridente de que não há alternativa ao sistema existente.
Na minha opinião, é menos sobre ter um "inimigo" e mais sobre uma convicção genuína de que o capitalismo verde e seus defensores são os adultos na sala. Eles acham que todo mundo está a jogar um jogo, sem entender como o mundo funciona e como ele deve continuar a funcionar.

Em seu livro, ele desmonta a ideia dos mercados de carbono, um dos métodos que o capitalismo tem usado para enfrentar a crise climática. O que já sabemos sobre sua eficácia?
Eu me apoio no trabalho de duas pessoas, Jessica Green, uma académica canadiana, e Cédric Durand, que escreveu artigos brilhantes sobre as falácias lógicas dos mercados de carbono.
Olhando para os sistemas atualmente em vigor e a sua eficácia comprovada, Green publicou uma das únicas meta-análises para analisar os resultados reais de todos os sistemas de precificação de carbono que foram implementados, como o esquema de comércio de emissões na União Europeia. Ela conclui que apesar de muitas reclamações sobre a incrível eficácia desses programas, em média, eles estão a gerar reduções entre 0 e 2% ao ano.
A sua eficácia é limitada, em parte porque cobre apenas uma parcela relativamente pequena das emissões reais da UE, mas também porque muito do que realmente consegue é a mudança de emissões.
Embora mudanças como as do carvão para o gás pareçam temporárias, não é exatamente um resultado notável em termos da capacidade dos sistemas de precificação de carbono de fazer o que eles dizem que fazem. Ele refuta as habituais alegações pomposas feitas por economistas sobre a rapidez e a justiça com que podem cortar.
A razão para isso acontecer se resume principalmente a questões políticas. A precificação do carbono pretende ser um mecanismo apolítico baseado no mercado para enfrentar a crise climática. A ideia é que o que ela emitir a mais terá um preço mais alto e, portanto, será expulso do mercado; então, a motivação do lucro garantirá a sua substituição por soluções inovadoras que possam ser oferecidas a um custo menor.
Mas, paradoxalmente, todos os tipos de questões políticas rapidamente entram em jogo. Até mesmo estabelecer os limites do que o preço do carbono cobre requer política. Os combustíveis fósseis e as emissões de carbono estão tão profundamente enraizados em todos os aspectos das nossas vidas, desde a energia até o transporte e a alimentação, que é impossível inovar tão cedo.
Para que os mecanismos de precificação do carbono sejam realmente eficazes, eles teriam que entrar em vigor num nível politicamente tóxico. É por isso que nunca aconteceu. Imediatamente, você está a enfrentar enormes injustiças e desigualdades que muitas vezes recaem sobre aqueles que menos podem pagar pelo preço do carbono.
É por isso que vimos surgir rapidamente muita resistência política aos mercados de carbono. Seja no Canadá , em torno dos esforços de Trudeau para impor um preço ao carbono; ou mais recentemente na Holanda , com a oposição dos trabalhadores rurais às metas climáticas. Há boas razões para essa resistência.

Onde a China se encaixa nessa narrativa? Como você explica o fato de eles terem optado pelos mercados de carbono e parecerem estar indo bem?
Indiscutivelmente, é necessário haver formas mais autoritárias de governo para que esse tipo de mecanismo de mercado funcione. A menos que sejam cuidadosamente articulados ou aplicados num nível tão baixo que sejam muito lentos ou ineficazes na redução de emissões, esses sistemas têm o potencial de causar injustiças e desigualdades económicas significativas.
Portanto, acho justo presumir que na China a ausência de caminhos reais para a dissidência democrática desempenhou um papel significativo no sucesso político percebido de seu sistema de comércio de carbono.

Outro tema que se seguiu é a ascensão da agenda ambiental, social e de governança (ESG). Como você vê a política deles, ou a falta dela?
Há um primeiro ponto muito óbvio. Quer a sua perspectiva da economia seja capitalista ou não, nesta transição precisa haver uma realocação massiva de capital para longe das tecnologias marrons e poluentes e para as verdes. E os ESGs têm sido a principal resposta do financiamento privado e do setor corporativo a essa necessidade óbvia.
O E significa "ambiente", as outras duas letras significam "social" e "governança". Os critérios ESG oferecem uma estrutura clara para os investidores avaliarem o destino de seu capital. Você pode indicar se uma empresa na qual deseja investir atende a uma série de critérios, que podem estar relacionados ao clima ou a questões como paridade de gênero nos conselhos. Mas isso também substitui o planeamento.
Isso nos impede de ter metas mais exatas de como queremos realocar o capital. O ESG tem se mostrado uma maneira eficaz de reduzir a pressão por regulamentações mais rígidas que proíbem a alocação de capital para certas coisas, ou exigem que mais material seja alocado para investimentos verdes, criando a impressão de que algo está sendo feito sem exigir muito, ou nada , de empresas.
Também tem tido enorme sucesso como ferramenta de marketing. Por muito tempo, a área financeira entendeu que tinha um problema de imagem quando se tratava de clima e meio ambiente.
O ESG tem sido um produto incrivelmente popular tanto para investidores de retalho quanto para fundos de pensão, todos os quais colocam seus ativos no sistema acreditando que você ainda pode ser verde e fazer o bem ganhando dinheiro, que você pode maximizar o retorno financeiro. e leve em consideração o critério ESG.
Se isso é verdade ou não, é outra questão, mas é assim que foi vendido. E há muito triunfalismo no setor financeiro sobre como está funcionando bem, sobre como os retornos dos investidores se alinham perfeitamente com questões de sustentabilidade, direitos humanos ou leis trabalhistas.

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Uma moda com pouco impacto e destinada a uma morte catastrófica - As previsões falhadas sobre a Internet


Entrámos na máquina do tempo e viajámos até aos “primórdios” da World Wide Web e da Internet como a conhecemos para recordar algumas das previsões tecnológicas que acabaram por não se cumprir.
O nascimento da World Wide Web fez correr muita tinta, entre manifestações efusivas acerca do potencial da tecnologia, visões mais moderadas e críticas, mas também muitas previsões acerca do seu futuro.

É verdade que ainda não existem bolas de cristal ou outros artifícios mágicos que permitam prever o futuro com exatidão, mas algumas previsões acabaram mesmo por não vingar. Aliás, como relembrou recentemente Tim Berners-Lee, quando a World Wide Web surgiu, muitos acreditavam que seria apenas uma moda.

Na data em que se assinala o Dia das Telecomunicações e da Sociedade da Informação, aproveitamos para fazer uma viagem no tempo e recordar algumas das previsões falhadas sobre a Internet.

Em fevereiro de 1995, um artigo de opinião publicado na revista norte-americana Newsweek, assinado pelo astrónomo, autor e professor Clifford Stoll, chamou a atenção com o cabeçalho “A Internet? Bah!” (numa tradução para português), frisando os motivos pelos quais considerava que nunca seria possível atingir um estado de “nirvana” através do ciberespaço.

Apesar da sua experiência com a tecnologia que esteve na base da Internet, Clifford Stoll admitia sentir desconforto em relação ao futuro que os visionários da época preconizavam: do trabalho remoto às bibliotecas interativas e salas de aula multimédia, passando pelas comunidades virtuais, negócios e comércio online e até pela possibilidade de a liberdade das redes digitais tornar os governos mais democráticos. Para o autor, tudo não passava de “tretas”.
“a verdade é que nenhuma base de dados online vai substituir os jornais diários, nenhum cd-rom vai tomar o lugar de um professor competente e nenhuma rede de computadores vai mudar a forma como o governo funciona”.
Muitos anos mais tarde após a sua publicação, a peça passou a constar de múltiplas listas online de previsões falhadas sobre a Internet. Em 2017, a propósito do 28º aniversário da World Wide Web, a Newsweek publicou uma versão “corrigida” do artigo.

No entanto há ainda quem defenda que uma leitura mais aprofundada permite ver que alguns das questões mencionadas por Clifford Stoll acabaram por se tornar desafios com os quais lidamos atualmente, sobretudo, no que toca à desinformação, ou até no impacto da Internet na forma como nos relacionamos socialmente.

Uma “morte” catastrófica?
Também em 1995, num artigo de opinião publicado na revista InfoWorld, Robert Metcalfe, co-inventor da Ethernet, deu a conhecer que acreditava que a Internet iria explodir tal como uma supernova e depois colapsar de forma catastrófica em 1996, deixando para trás um rasto de websites “fantasma”.

Curiosamente, Robert Metcalfe prometeu comer as suas palavras caso a sua previsão não se concretizasse, numa promessa feita nesse mesmo ano, na quarta edição da World Wide Web Conference.

O que é certo é que em abril de 1997, durante uma edição da World Wide Web Conference, o autor cumpriu à letra o que prometeu, não sem antes passar uma cópia impressa do seu artigo por uma liquidificadora, como reconta um artigo da InfoWorld.


Mas Robert Metcalfe não foi o único a dar um prazo de validade curto ao mundo online. Em 1998, o economista Paul Krugman, que foi laureado com o prémio Nobel da Economia em 2008, previa num artigo na revista Red Herring que o crescimento da Internet iria desacelerar drasticamente.

O motivo? Tal aconteceria “à medida que a falha na Lei de Metcalfe, que indica que o número de potenciais ligações numa rede é proporcional ao quadrado do número de participantes, se torna aparente: a maioria das pessoas não tem nada para dizer às outras”.
“por volta de 2005 ficará claro que o impacto da internet na economia não terá sido maior do que o da máquina de fax”.
Em janeiro de 1997, numa edição da revista Popular Mechanics, Brian C.Fenton, editor da secção de eletrónica, alertava para a possibilidade da Internet sucumbir ao “peso” do seu sucesso, ficando tão lenta que acabaria por se tornar inútil.

Nas palavras do autor, recordadas num artigo mais recente, onde a revista aponta várias das suas previsões tecnológicas que não se concretizaram, tendo em conta a procura, com um número de utilizadores que estava a crescer a um ritmo anual de 200%, o facto de a Internet não ter colapsado era “impressionante”.
Nem a Microsoft se "escapou"

No final dos anos 90, até mesmo Bill Gates, que co-fundou e durante anos dirigiu a Microsoft, mostrava algumas incertezas quanto à Internet. Num artigo de 1997, o jornal The New York Times, apontava o responsável da gigante tecnológica como um dos “céticos” da época.

Segundo o artigo, no livro “The Road Ahead”, publicado em 1995, Bill Gates detalhava que a tecnologia para as “killer apps”, isto é, aplicações não era a mais adequada para atrair os consumidores para a Internet. Mais tarde, a obra foi revista, passando a incluir um capítulo sobre a Internet.

Já em 2020, por ocasião do 25º aniversário do lançamento do livro, Bill Gates aproveitou para rever as suas previsões com novos olhos. “Fui muito otimista em relação a algumas coisas, mas outras aconteceram mais depressa ou mais dramaticamente do que eu imaginava”, admitiu numa publicação no seu blog.

Esta não foi a única previsão falhada do antigo responsável da Microsoft. Alegadamente, Bill Gates terá dito, num evento da feira de tecnologia Comdex em 1994, que não via grande potencial para a Internet para os próximos 10 anos. Já em 2004, durante a edição desse ano do Fórum Económico Mundial em Davos, onde garantiu que o problema do spam seria resolvido em dois anos.

A verdade é que, hoje, o spam continua a ser um problema, tendo assumido contornos ainda mais preocupantes, com o crescimento do phishing e outros esquemas fraudulentos, indo muito além das caixas de correio eletrónico.

O sucesso do motor de busca da Google foi um dos aspectos subvalorizados pelo responsável durante o seu discurso em Davos. Mas Bill Gates não seria o único responsável da Microsoft a partilhar uma opinião semelhante sobre a empresa que, mais tarde, se tornaria numa gigante tecnológica.

Quatro anos depois, numa entrevista ao Financial Times, Steve Ballmer, antigo presidente executivo da Microsoft, não previa o melhor futuro para a Google. “Eles têm apenas um produto”, afirmou, referindo-se ao motor de busca da tecnológica. “Eles têm o Gmail agora, mas têm um produto que lhes traz todo o dinheiro e ele não mudou em cinco anos”.

Voltando aos anos 90, se alguma vez teve curiosidade em descobrir que previsões de futuro marcavam o panorama das comunicações e dos "primórdios" da Internet no início da década, a Universidade de Elon tem uma "cápsula do tempo" com mais de 4.200 citações de mais de 1.000 personalidades da época.