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terça-feira, 28 de julho de 2026

Nove em cada dez europeus ponderam emigrar: estes são os destinos preferidos

Como já tinha referido aqui, há uma mudança global nos passaportes e destinos.

Quase metade das pessoas que vivem em França, Alemanha, Itália e no Reino Unido espera vir a viver noutro país algures no futuro, revela um novo inquérito.

Realizado para a seguradora digital Feather, o estudo mostra que a crise do custo de vida é o principal motivo que leva as pessoas a ponderar uma vida no estrangeiro, apontado por 53% dos britânicos, 48% dos franceses, 43% dos alemães e 32% dos italianos.

Apenas um em cada dez europeus em cada um dos mercados analisados – com 500 adultos inquiridos em cada país – afirmou que, em caso algum, se mudaria para o estrangeiro.

Embora o destino preferido varie de país para país, Espanha surge como a escolha destacada.

Tanto britânicos como italianos identificam Espanha como a opção de eleição, com 24% e 20% a indicar o país, respetivamente, enquanto este ocupa o segundo lugar em França e Itália, com 16% e 12% a sugeri-lo como principal opção.

No caso de França, o destino número um é o Canadá, mencionado por 17% como um lugar onde gostariam de viver no futuro, à frente de Itália, assinalada por 14% dos inquiridos.

Os alemães não parecem querer afastar-se muito de casa: 17% escolhem a Áustria, seguida de Espanha e Suíça, ambas com 12%.

Já os britânicos mostram-se bastante disponíveis para mudar para destinos longínquos, com 19% a escolher a Austrália, 15% o Canadá e 10% a Nova Zelândia.

Embora o Dubai seja frequentemente referido como um dos principais destinos para expatriados, apenas 3% dos britânicos disseram estar a ponderar essa opção. Ainda assim, o inquérito foi realizado no final de junho, pelo que as respostas terão sido inevitavelmente influenciadas pelos ataques do Irão contra os Emirados Árabes Unidos nos últimos meses.

Ascensão dos ‘semi-pats’
Ao analisar o futuro dos expatriados, a Feather falou também com a especialista em viagens Holly Rubenstein.

A autora do podcast “The Travel Diaries” nota que a versão tradicional da vida de expatriado, em que se escolhe um único país e aí se constrói toda a vida, está a perder terreno.

“A versão que está a emergir é muito mais flexível: passar seis meses num lugar, trabalhar remotamente, experimentar um estilo de vida e criar ligações em vários sítios”, sublinha.

“A geração Alpha vai crescer com a ligação remota como norma. Para estas pessoas, carreira, amizades e identidade já não terão de estar concentradas num único lugar.”

sexta-feira, 24 de julho de 2026

O Atolamento das Vaidades


Ontem, Donald Trump declarou que a guerra com o Irão está a correr “melhor do que qualquer um esperava”. Está a delirar, é claro. E os seus delírios são a razão pela qual o preço do petróleo voltou a cerca de 100 dólares por barril e - como explicarei em breve  - o preço real é muito superior a isso.

A guerra gratuita de Trump contra o Irão transformou-se num atoleiro notável - notável porque a única coisa que mantém a guerra em curso é a vaidade de Trump. Perdeu efectivamente a guerra nos primeiros tempos, quando se tornou evidente que o regime de linha dura do Irão tinha sobrevivido ao ataque inicial e que os militares norte-americanos não conseguiam manter o Estreito de Ormuz aberto. Mas Trump é psicologicamente incapaz de admitir o fracasso. Assim, a guerra continua, enfraquecendo os Estados Unidos a cada dia, enquanto ele procura alguma forma de transformar a sua derrota abjeta numa vitória.

E as declarações de que as consequências económicas da guerra foram contidas parecem agora perigosamente prematuras.

É verdade que, durante o primeiro fecho do Estreito, os preços do petróleo não subiram tanto como muitos analistas - incluindo eu próprio, em certa medida - esperavam. Parte do petróleo do Golfo Pérsico chegou aos mercados contornando o Estreito de Ormuz, principalmente através do oleoduto saudita para o Mar Vermelho. A China reduziu drasticamente as suas importações de petróleo. E o mundo compensou uma parte substancial da escassez de oferta reduzindo os seus stocks.

O segundo encerramento de Ormuz pode ser pior, por vários motivos. Os aliados houthis do Irão estão agora a atacar navios no Mar Vermelho, ameaçando esta válvula de segurança. Além disso, os stocks estão agora muito mais baixos do que quando o conflito começou e não podem servir de reserva daqui para a frente.

Talvez o mais importante a perceber sobre a situação actual, no entanto, é que o petróleo é mais caro do que parece.

Ninguém queima petróleo bruto. O petróleo precisa de ser refinado para se transformar em combustíveis utilizáveis, principalmente gasolina e gasóleo. E há uma escassez global de capacidade de refinação. Isto reflecte em parte a guerra no Irão, mas também a campanha surpreendentemente eficaz da Ucrânia contra a infra-estrutura energética de Vladimir Putin.

Esta escassez de capacidade de refinação ajudou a manter os preços do crude baixos - porquê comprar crude se não se pode refiná-lo? Mais importante, porém, significa que os preços dos produtos petrolíferos para os consumidores finais são muito mais elevados do que seria de esperar, tendo em conta o preço do petróleo bruto. O gráfico no início deste post mostra o preço do gasóleo no mercado grossista, que mesmo durante o cessar-fogo falhado estava muito acima do seu nível pré-guerra e está agora próximo do seu pico anterior.

O spread geral - a diferença de preço entre um barril de crude e o preço dos produtos refinados a partir desse barril - explodiu, de cerca de 25 dólares por barril antes da guerra para mais de 65 dólares agora:

Do ponto de vista dos consumidores finais, isto equivale a um aumento de 40 dólares por barril no preço do crude. Na prática, o mundo está a lidar com o equivalente a 140 dólares pelo petróleo, embora o preço anunciado ronde "apenas" os 100 dólares.

Prenuncia uma catástrofe económica? Não, ainda não. Mas não é um bom sinal.

A desaceleração da inflação no mês passado parece agora temporária. Com os preços da energia a subirem novamente - para não falar do impacto inflacionista da nova ronda tarifária de Trump, imposta sob a desculpa absurda de que as nações não estão a fazer o suficiente para acabar com o trabalho forçado - as taxas de juro vão quase certamente subir, intensificando a pressão sobre as famílias e as empresas. As taxas de longo prazo, refletindo os futuros aumentos esperados da Fed, são já demasiado elevadas:

Ainda assim, as coisas podiam ser piores. E podem estar prestes a piorar. O Wall Street Journal refere que Trump está em "modo de vingança" e que as forças armadas dos EUA estão a enviar tropas para o Médio Oriente.

E se Trump insistir no fracasso, intensificando drasticamente a sua guerra desastrosa, os impactos económicos, para não falar dos humanos, serão muito mais graves.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Reno, Danúbio, Elba, Loire. Alguns dos maiores rios da Europa vão secar este verão


Uma vaga de calor prolongada e a ausência persistente de precipitação na Europa estão a deixar os principais cursos de água do continente a níveis criticamente baixos. Rios vitais como o Reno, o Danúbio, o Elba e o Loire estão a registar reduções drásticas no seu caudal, ameaçando a navegação comercial, a geração de energia hidroelétrica e nuclear, a agricultura e os ecossistemas aquáticos.

O Danúbio, o segundo maior rio da Europa depois do Volga, caiu para o nível mais baixo dos últimos 30 anos na Roménia, onde desagua no Mar Negro, segundo a agência governamental Romanian Waters.
De acordo com a agência, o caudal do Danúbio em Baziaș, onde o rio entra no país, desceu para cerca de 1.700 m³ por segundo, pouco mais de um terço da média de julho, que ronda 4.700 m³ por segundo.

A seca deixou longos trechos de areia exposta nas margens junto à fronteira com a Bulgária, com vários serviços de ferry suspensos e barcaças de transporte de cereais paradas, reportou a Reuters. A agência acrescentou que a situação deverá melhorar a partir de 20 de julho, quando se previa chuva em vários condados.

Do outro lado do continente, o outro grande rio europeu, o Reno, também foi afetado pela onda de calor e pela seca. A imprensa europeia notou que o nível da água no ponto crítico de medição em Kaub desceu recentemente para 80–90 centímetros.

O Reno é uma rota de transporte essencial para mercadorias como cereais, minerais, minérios, carvão e produtos petrolíferos, incluindo gasolina. Os baixos níveis do rio têm afetado a navegação, obrigando os navios de carga a navegar parcialmente carregados, o que aumenta significativamente os custos de transporte nos centros industriais europeus.

A Reuters noticiou recentemente que o rio deverá subir ligeiramente após chuvas inesperadas no sul da Alemanha, permitindo que os navios transportem cargas maiores.

Em França, o Loire, com 625 milhas (cerca de 1.005 km), ficou recentemente reduzido a um leito seco com poças isoladas após semanas de calor intenso em Montjean-sur-Loire, segundo relatos da imprensa. O Doubs também secou, evidenciando o agravamento das condições de seca.

Impactos Socioeconómicos e perspetivas
A diminuição dos caudais dos rios afeta não só o comércio e as redes de logística industrial, mas agrava também a crise energética no continente. A escassez de água fria limita a capacidade de refrigeração das centrais nucleares e térmicas, enquanto as albufeiras hidroelétricas operam com reservas mínimas.

Segundo as projeções da Agência Europeia do Ambiente e do Observatório Europeu da Seca, a frequência e a intensidade destes eventos extremos tendem a aumentar devido às alterações climáticas, exigindo reformas urgentes na gestão sustentável dos recursos hídricos na Europa.

terça-feira, 7 de julho de 2026

OCDE antecipa pressão adicional de choque energético sobre os salários

Os salários reais permanecem abaixo dos níveis de 2021 em cerca de um terço dos países da OCDE e espera-se que o choque energético deste ano exerça pressão adicional sobre os rendimentos, segundo um novo relatório.

Mesmo antes da recente subida nos preços da energia, a recuperação dos salários reais já estava a desacelerar, ao passo que, num terço dos países da OCDE, os salários reais permaneciam abaixo dos níveis observados no início de 2021, pouco antes da onda inflacionária do pós-pandemia.

O crescimento anual dos salários reais foi positivo em praticamente todos os países da OCDE no primeiro trimestre de 2026, mas ficou abaixo do registado um ano antes em dois terços deles.

A média entre os países foi de 2,2% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com 2,7% no primeiro trimestre de 2025, de acordo com o relatório da OCDE divulgado hoje.

Com as novas pressões inflacionárias decorrentes dos custos mais elevados de energia, espera-se que o crescimento dos salários reais desacelere ainda mais, alerta a OCDE, que destaca que os salários dos trabalhadores de menor remuneração "resistiram melhor à inflação do que os da maioria dos trabalhadores, graças aos aumentos do salário mínimo".

Já os mercados de trabalho nos países da OCDE mantiveram-se resilientes, com o emprego total a atingir um nível recorde e a previsão de que continue a crescer neste ano e no próximo.

A OCDE sublinha ainda que existem grandes diferenças regionais nos resultados do mercado de trabalho, sendo que as taxas de desemprego nas regiões com pior desempenho são, em média, mais do que o dobro das observadas naquelas com melhor desempenho.

O relatório salienta também que o comércio e as mudanças tecnológicas afetam os mercados de trabalho locais de maneiras muito distintas, dependendo da sua estrutura industrial.

As regiões com pior desempenho (onde o desemprego é o dobro) são muitas vezes aquelas que não têm empresas preparadas para integrar ferramentas de IA ou onde a mão de obra não tem formação digital para acompanhar a transição. O comércio global favorece agora as regiões que conseguem produzir mais e mais rápido recorrendo a estas novas tecnologias.

O desemprego está baixo e há trabalho, mas o dinheiro que cai na conta ao fim do mês compra menos coisas do que comprava há 5 anos, com a classe média a sentir mais este aperto do que quem ganha o salário mínimo.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Europa: bombas de calor substituem a dobrar gás do Médio Oriente; que país lidera?

As vendas de bombas de calor dispararam em toda a Europa, ajudando as famílias a suportar os custos elevadíssimos do gás numa altura de guerra contra o Irão.

Segundo uma nova análise da Associação Europeia de Bombas de Calor (EHPA), as bombas de calor do continente fornecem tanta energia térmica como o gás natural liquefeito (GNL) transportado por mais de 200 navios-tanque.

Isto é o dobro do volume que chegou à UE em 2025 vindo do Médio Oriente e representa cerca de 7% do total anual de GNL importado pela UE. Segundo a EHPA, só em 2025 isso permitiu evitar custos de importação no valor impressionante de 9,7 mil milhões de euros.

Bombas de calor transformam o aquecimento na Europa
Quase três milhões de bombas de calor, que captam energia do ar, da água ou do solo e a convertem em calor ou ar frio, foram vendidas em 21 países europeus no ano passado, elevando o parque instalado para 29,3 milhões de unidades.

A análise indica que só as 2,9 milhões de novas bombas de calor substituem 2,5 mil milhões de metros cúbicos de GNL, o equivalente a cerca de 24% das importações da UE provenientes do Médio Oriente.

“Cada bomba de calor instalada representa mais um reforço da segurança energética europeia”, afirma Paul Kenny, da EHPA.

“O GNL é a fonte de energia mais cara e vem de fornecedores pouco fiáveis, mas as bombas de calor podem reduzir drasticamente a nossa dependência desse combustível. Na verdade, os europeus já estão a afastar-se dos sistemas de aquecimento a combustíveis fósseis, como mostram os nossos novos dados.”

Kenny acrescenta que o bloco tem agora de tornar o aquecimento limpo tão “simples e acessível” quanto possível.

O bloco prepara atualmente um pacote não legislativo sobre eletrificação, que deverá ser apresentado este mês. Para incentivar a adoção de bombas de calor, os Estados-membros são instados a reduzir impostos e IVA sobre o aquecimento verde e a eletricidade, medida que a Comissão já está a ponderar.

Muitos países europeus já oferecem incentivos para tornar as bombas de calor mais acessíveis. Mesmo Inglaterra, que historicamente registou a menor adesão a bombas de calor, concede um apoio de 7.500 libras (cerca de 8.638,76 euros) para ajudar a cobrir o custo de instalação, se forem cumpridos determinados critérios.

Que país europeu tem mais bombas de calor?
A França liderou no ano passado, com a venda de impressionantes 528 mil bombas de calor. O país tem agora o maior número de bombas de calor instaladas na Europa, com cerca de sete milhões de unidades.

A Itália surge logo a seguir, com 423 mil unidades vendidas em 2025, enquanto Malta (2 mil), Luxemburgo (3 mil) e Chipre (5 mil) ficaram no fim da tabela. Importa, porém, notar que a população destes três países em conjunto é de apenas cerca de 2,5 milhões de pessoas (face aos cerca de 69 milhões que vivem em França).

A Alemanha registou o maior aumento homólogo, com as instalações a dispararem 50%. A subida das vendas surge depois de o país ter abandonado, de forma controversa, um projeto de lei que obrigava as famílias a substituir caldeiras a combustíveis fósseis por alternativas compatíveis com o clima.

A líder parlamentar dos Verdes, Katherina Droege, cujo partido apresentou a lei original em 2023, descreveu a decisão como “um abandono completo das metas climáticas da Alemanha”.

Em termos relativos à dimensão da população, a Noruega lidera a corrida às bombas de calor, com 650 instalações por cada mil agregados familiares. A Finlândia segue de perto, com pouco mais de 540 instalações por cada mil agregados familiares.

Estes países mais frios derrubaram o mito de que as bombas de calor não funcionam com temperaturas baixas. Mesmo quando os termómetros descem aos 30 graus negativos, as bombas de calor podem continuar a ser mais eficientes do que o aquecimento elétrico.

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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Todos gostamos do ambiente, mas o ambiente sai muito caro


Com os preços atuais do biometano ainda não é possível descarbonizar a indústria. Esta foi uma conclusão transversal aos dois debates que decorreram hoje na Feira Nacional de Agricultura, promovidos pela Floene e a que o Expresso se juntou como media partner.

Portugal depende quase exclusivamente de gás importado e, a este nível, tem sido um dos países da Europa mais afetado pela subida generalizada de preços, resultante da guerra na Ucrânia. Contudo, uma das soluções pode estar no biometano, capaz de somar vantagens como a descarbonização, a competitividade industrial e a valorização territorial. No debate desta manhã na Feira Nacional de Agricultura (FNA), em que o tema foi ‘o biometano enquanto solução ambiental’, os vários participantes foram unânimes no diagnóstico de que o país tem potencial na produção desta energia renovável, mas continua longe de conseguir transformá-lo em escala.

Quando questionado sobre se o país está a aproveitar o seu potencial agropecuário, António Farracho não hesitou em garantir que “a resposta óbvia é que não”. O fundador e CEO da Prado Energia recorda que o biometano permite transformar “um passivo ambiental que não está a ser aproveitado, em ativo energético”, sobretudo em territórios rurais onde os odores e riscos sanitários associados aos efluentes são uma preocupação constante.

Contudo, e como referiu Nuno Pinto, o biometano é antes de tudo um caminho de qualificação territorial, o que significa que “os projetos têm de ser transparentes, sem segredos, e envolver todos os envolvidos, até as populações”. Ou seja, o responsável pela área do biometano na REGA Energy alertou para a importância da aceitação, que dependerá sempre da forma como se comunica e como se escolhem os locais, e lembrou que, no contexto europeu, o gás renovável é já um pilar estratégico. “O biometano é um dos fatores essenciais da soberania energética europeia”.

Do lado da comercialização, Óscar Delfim, diretor comercial B2B da Goldenergy, destacou a vantagem imediata para as empresas. “As empresas conseguem descarbonizar rapidamente e sem necessidade de investir nos equipamentos”. Mas alerta para aquele que considera o principal desafio: “Há uma grande dificuldade na parte dos licenciamentos”.

Já na perspetiva da indústria cerâmica, altamente exposta ao custo do gás, o biometano “é uma solução técnica já madura”. Paulo Pires, vice‑presidente da APICER (Associação Portuguesa Indústria Cerâmica), não tem dúvidas de que seria possível “substituir a 100% o gás natural por biometano”. Mas, à data de hoje, identifica o preço “incomportável para a indústria” e a falta de oferta como os grandes travões à descarbonização. “Todos gostamos do ambiente, mas o ambiente sai muito caro”, acrescentou Nuno Pinto.

Miguel Faria reforçou que o país está atrasado na política de resíduos e que isso limita a matéria‑prima disponível, lembrando que o biofertilizante resultante do processo “já permite substituir metade do fertilizante que vem da Rússia ou do que passa pelo Estreito de Ormuz”. Para o COO (Chief Operating Officer) da Floene, o desafio é “dar velocidade à implementação dos projetos”.

Mix perfeito não existe
Quando falamos de mix energético, Portugal não pode substituir uma dependência por outra, nem avançar para soluções simplistas num sistema que continua estruturalmente ancorado em combustíveis fósseis. A opinião é de Nuno Ribeiro da Silva, que abriu o debate da tarde no espaço Floene, na Feira Nacional de Agricultura, e que defendeu também que a transição energética não é um exercício tecnológico, mas um teste económico e geopolítico à resiliência dos países. Como lembrou o ex-presidente da Endesa, “quando dizemos que produzimos 80% da energia com fontes renováveis, falamos apenas da eletricidade, que representa menos de um quarto do total da energia consumida no país. O resto continua a ser petróleo e gás”.

Neste contexto, defendeu ainda Nuno Ribeiro da Silva, o gás, e sobretudo o biometano, permanece “a geração menos agressiva do ponto de vista ambiental”, sendo por isso inevitável no equilíbrio do sistema.

Do lado regulatório, Mário Paulo rejeitou a ideia de que a ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) trava a transição. “A ERSE não faz leis”, sublinhou, lembrando que o regulador atua dentro das políticas definidas e que “acabar com o gás em dois ou três dias é uma fantasia tecnicamente impossível”. A Europa, acrescentou o presidente da ERSE, já reviu a sua posição e admite que o gás continuará a representar “cerca de 20% do mix energético em 2040”.

Gabriel Sousa, CEO da Floene, destacou que Portugal pode acelerar a adoção de biometano aprendendo com quem começou mais cedo. “Não é sempre mau sermos os últimos”, afirmou. França, Itália e Dinamarca mostram que o crescimento depende de mecanismos estáveis e de uma articulação entre energia, agricultura e resíduos. “Portugal vai precisar dos dois sectores”, defendeu, sublinhando que o país pode fazer “em três anos o que outros demoraram quinze a fazer”.

Nuno Ribeiro da Silva reforçou ainda que as tecnologias emergentes precisam de apoio, tal como aconteceu com a eólica e o solar. “Se fosse puramente o mercado, só as tecnologias incumbentes existiam”, disse, defendendo que o biometano representa uma oportunidade industrial acessível e integrável na economia nacional.

Outras conclusões:
  1. O potencial agropecuário português continua largamente por explorar, apesar de estar mapeado e quantificado. “O Concelho de Torres Vedras figura no Top 10 dos concelhos com maior produção de efluentes agropecuários”, exemplificou António Farracho.
  2. A aceitação social dos projetos depende da forma como são apresentados às comunidades. “Quando se chega a um território e se apresenta um projeto há sempre um fator de rejeição natural”, afirmou Nuno Pinto.
  3. Para Óscar Delfim, a produção nacional de biometano pode reduzir a exposição do país às flutuações internacionais do preço do gás. “Não estaremos sujeitos às acelerações de preços que têm sido fruto dos conflitos”.
  4. A indústria cerâmica enfrenta um risco real de perda de competitividade se não houver acesso a gás renovável a preços viáveis. “O problema que temos é um fator de competitividade”, alertou Paulo Pires.
  5. “A classificação dos resíduos como subprodutos é um passo essensial para desbloquear matéria‑prima para o biometano”, sublinhou Miguel Faria.
  6. A evolução do sistema energético não pode assentar em ilusões de substituição instantânea: exige convivência prolongada entre múltiplas fontes e uma gestão realista das limitações técnicas. “Neste processo de transição energética, temos de dar tudo para conseguir libertar‑nos deste uso que ainda fazemos do petróleo e do gás natural”, disse Nuno Ribeiro da Silva.
  7. “A regulação acompanha, mas não inventa políticas”, garantiu Mário Paulo. O regulador sublinha que o país precisa de soluções compatíveis com a sua estrutura industrial e que a transição não pode ignorar a história e o ritmo dos sistemas energéticos.
  8. Gabriel Sousa alertou que o biometano só avança se unir sectores que nunca trabalharam juntos. “Juntar energia, agricultura, resíduos, economia e indústria não é fácil, mas parece‑me absolutamente indispensável”.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Trocar uma crise por outra? Preço do petróleo pode aumentar em 70% a procura global por biocombustíveis até 2030


A atual procura por matérias-primas para produção de biocombustíveis para escapar aos impactos da subida dos preços do petróleo pode vir a fazer disparar o consumo desses combustíveis de baixo carbono.

Um estudo da organização Transport & Environment (T&E) prevê um aumento de até 30% do consumo de biocombustíveis a nível global ainda este ano, e que poderá chegar aos 70% em 2030. Os especialistas temem que esse aumento acentuado da procura por biocombustíveis faça subir ainda mais os preços dos alimentos, levando-os para novos máximos.

Apelando aos governos para não trocarem “uma crise dos combustíveis por uma crise alimentar”, a T&E diz que, um pouco por todo o mundo, os preços de vários produtos alimentares, especialmente dos óleos vegetais, uma das principais matérias-primas do biodiesel, estão a subir há três meses consecutivos. Os analistas desta organização não-governamental referem que esse é um padrão já visto em 2022, altura da invasão da Ucrânia pela Rússia.

Com os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, e com a crise no Médio Oriente daí resultante, os preços dos combustíveis fósseis atingiram máximos históricos, o que levou vários governos, como o norte-americano, o tailandês e o indonésio, a definirem novas metas de incorporação de biocombustíveis nos combustíveis fósseis para tentarem amortecer os impactos da subida de preços do petróleo.

Ao mesmo tempo, grandes potências exportadoras, como o Brasil e a Indonésia, têm limitado a quantidade de matérias-primas para biocombustíveis que vendem para outros mercados.

“Os governos estão a correr riscos ao promoverem a conversão de alimentos em combustível”, avisa Kädi Ristkok, diretor das áreas de energia e clima na T&E. “Compreensivelmente, os líderes estão a tentar encontrar soluções para a atual crise do petróleo, mas os biocombustíveis jamais poderão desempenhar um papel mais do que marginal nos nossos sistemas energéticos sem consequências devastadoras”, salienta.

Para o responsável, “os impactos indesejados nos preços dos alimentos e no ambiente são enormes” e argumenta que “em vez de alimentarem os carros, os governos devem apostar em opções mais sustentáveis, como a eletrificação”.

A guerra no Médio Oriente levou também a uma escassez de fertilizantes de escala mundial, pressionado os sistemas de produção agroalimentar e refletindo-se nos preços dos produtos. Por isso, a T&E considera que a corrida aos biocombustíveis poderá esgotar rapidamente as reservas globais de produtos alimentares.

Os biocombustíveis já consomem 5 % dos fertilizantes mundiais para produzir apenas 4 % dos combustíveis para transportes a nível global, diz a organização, que alerta que qualquer aumento na produção dos biocombustíveis exerceria “ainda mais pressão sobre um mercado que tem sido fortemente afetado pelo bloqueio no Estreito de Ormuz”.

Os analistas da T&E acreditam que não é possível aumentar a produção de biocombustíveis sem entrar em concorrência direta com a produção alimentar, e estimam que se os esses combustíveis passassem a representar 20% da composição dos combustíveis usados nas estradas por todo o mundo, como países como a Indonésia e o Brasil propõem, seriam precisos mais 130 milhões de hectares de terras para consegui-lo.

Isso, apontam, resultaria no agravamento da perda de ecossistemas e de florestas, e em mais emissões de gases com efeito de estufa do que as libertadas pelos combustíveis fósseis que se pretende substituir por biocombustíveis.

“A escassez mundial de fertilizantes ameaça pôr em risco a segurança alimentar global. Enquanto os governos procuram formas de armazenar fertilizantes, ninguém fala dos biocombustíveis. Quanto mais cultura queimarmos, de mais fertilizantes precisaremos. Os governos têm de dar prioridade aos alimentos em vez de aos combustíveis”, defende Kädi Ristkok.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Património dos super-ricos causa danos climáticos desproporcionados, diz estudo

Stargate Datacenter (Texas)
A Greenpeace calcula que os mais abastados contribuem com quase um bilião de dólares de prejuízos por ano através de emissões associadas à propriedade de ativos.

As pessoas ultra ricas que cruzam os céus mundiais nos seus jatos privados, relaxam em iates e se destacam pelo seu consumo ostensivo no Instagram estão entre os culpados individuais mais facilmente identificáveis na crise climática. No entanto, uma nova investigação defende que a culpa não reside apenas nos seus estilos de vida exuberantes, mas também nas suas contas bancárias.

Através da detenção de empresas e de ativos financeiros e físicos privados — que vão desde produtores de petróleo a empreendimentos imobiliários —, os super-ricos são responsáveis por uma fatia desproporcionada dos gases com efeito de estufa que estão a sobreaquecer o planeta. O 1% do topo da população mundial em termos de riqueza controla, através das suas participações acionistas e investimentos, cerca de um quarto do total das emissões anuais globais.

A Greenpeace calculou a "dívida climática" destes indivíduos com elevado património líquido, atribuindo-lhes a respetiva quota-parte dos danos causados ao clima pelos ativos de que são proprietários. Segundo estas contas, os mais ricos do mundo provocam quase um bilião de dólares ($1tn) por ano em prejuízos climáticos.

Clara Thompson, responsável global de campanhas sobre sistemas socioeconómicos na Greenpeace International, afirmou: "Numa altura em que as pessoas enfrentam faturas de energia cada vez mais altas, o aumento do custo de vida e impactos climáticos crescentes, muitos questionam-se por que razão os agregados familiares comuns devem carregar com uma parte tão grande do fardo, enquanto algumas das pessoas mais ricas do mundo continuam a lucrar com as indústrias que alimentam a crise."

A Greenpeace estima que o 1% mais rico da população seja responsável por cerca de 40% de todas as emissões baseadas na "propriedade" — ou seja, as emissões produzidas por empresas e associadas a ativos financeiros e físicos privados —, as quais representam, por si só, 60% da produção global de carbono. Dentro desse grupo, os 0,1% do topo respondem por cerca de 17% das emissões baseadas na propriedade, e os 0,01% mais ricos por cerca de 9%.

O escalão do 1% do topo é composto por indivíduos com um património superior a cerca de 2 milhões de dólares; os 0,1% detêm uma riqueza acima dos 7 milhões de dólares; e os 0,01% correspondem a pessoas com fortunas superiores a cerca de 38 milhões de dólares. Em contrapartida, a metade mais pobre da população mundial detém apenas 3% das emissões associadas à propriedade de ativos.

Thompson sublinhou que é fundamental pensar em termos de emissões baseadas na propriedade porque, embora sejam menos visíveis do que as emissões associadas ao consumo, são mais difíceis de combater.

"Isto não é apenas uma história sobre jatos privados e estilos de vida luxuosos. Quando se trata da poluição dos ultra-ricos, a propriedade importa ainda mais do que o consumo. Uma grande parte das emissões está associada à detenção de ativos e investimentos com elevada intensidade de carbono", explicou. "Durante anos, a política climática focou-se nos consumidores. Mas as nossas conclusões sugerem que deveríamos prestar muito mais atenção àquilo que as pessoas possuem e onde investem."

Uma forma de corrigir este desequilíbrio poderia passar pela aplicação de impostos sobre a riqueza. "A dívida climática tem a ver com responsabilidade", referiu Thompson. "Se concordamos que aqueles que mais contribuíram para o problema devem contribuir mais para o resolver, é perfeitamente razoável perguntar se esse princípio também se deve aplicar à riqueza extrema."

Dados independentes revelaram que os grandes bancos e outros investidores financeiros canalizaram 900 mil milhões de dólares para combustíveis fósseis no ano passado, apesar das promessas feitas por muitos deles há cinco anos para reduzir tais investimentos.

As disparidades gritantes entre o impacto ambiental dos super-ricos e o dos cidadãos comuns estão cada vez mais no centro das atenções, à medida que a desigualdade de riqueza dispara em todo o mundo. Recentemente, um relatório liderado pelo economista Thomas Piketty demonstrou que o mundo poderia viver de forma equitativa dentro dos recursos finitos do planeta, caso os excessos de riqueza fossem travados por impostos e os mais pobres pudessem reter uma maior fatia daquilo que o seu trabalho produz.

Governos de todo o mundo, com exceção dos EUA, estão reunidos em Bona, na Alemanha, para duas semanas de conversações que antecedem a cimeira do clima da ONU (Cop31) em novembro. Um dos temas que deverá receber maior atenção prende-se com os mecanismos para uma "transição justa", que ajude os trabalhadores afetados pelo abandono dos combustíveis fósseis a integrarem-se na economia de baixo carbono.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Os maiores bancos do mundo comprometeram 906 mil milhões de dólares com empresas de combustíveis fósseis. num aumento "incompreensível" em 2025, revela relatório


O JPMorgan Chase lidera a lista de 65 bancos que estão a tomar decisões incompatíveis com a contenção do aumento das temperaturas globais, afirmam investigadores.

Os maiores bancos do mundo comprometeram 906 mil milhões de dólares ($906bn) em financiamento para a indústria dos combustíveis fósseis no ano passado — um aumento "incompreensível" no investimento que garante mais anos de produção de carvão, petróleo e gás, numa altura em que o planeta continua a sobreaquecer, concluiu um novo relatório.

O surto de novos empréstimos para combustíveis fósseis, que aumentou 64 mil milhões de dólares (quase 8%) em relação a 2024, demonstra que os 65 maiores bancos mundiais estão a tomar decisões incompatíveis com os acordos internacionais para conter o aumento das temperaturas globais, de acordo com a coligação de grupos ambientalistas responsável pela nova análise.

O JPMorgan Chase voltou a ser o principal financiador mundial de combustíveis fósseis, segundo o relatório anual Banking on Climate Chaos, após ter injetado 58 mil milhões de dólares no setor no ano passado — um aumento de 13% face a 2024.

O Bank of America comprometeu a segunda maior quantia com combustíveis fósseis no ano passado, seguido pelos bancos japoneses MUFG e Mizuho Financial. O Citigroup, outro banco norte-americano, fecha o "top 5", com o Barclays, na oitava posição, a ser o banco britânico mais bem classificado.

"O ano passado foi o primeiro em que esperávamos ver uma redução contínua nos números históricos, mas na verdade assistimos a esse aumento, que se prolongou este ano", afirmou Caleb Schwartz, analista de políticas da Rainforest Action Network, um dos grupos responsáveis pelo relatório. "Trata-se, portanto, de uma tendência preocupante."

Questionado sobre os seus empréstimos ao setor dos combustíveis fósseis, um porta-voz do JPMorgan Chase declarou: "Como um dos maiores financiadores de energia do mundo, apoiamos toda a gama de soluções e tecnologias energéticas, com foco na fiabilidade, acessibilidade, segurança e resiliência a longo prazo. Acreditamos que os nossos dados refletem as nossas atividades de forma mais abrangente e precisa do que as estimativas de terceiros."

No acordo climático de Paris, em 2015, os países concordaram em envidar esforços para evitar que o aquecimento global ultrapassasse os 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, limite a partir do qual o mundo sofrerá ondas de calor, cheias, secas e outros desastres alimentados pelas alterações climáticas ainda mais devastadores.

Evitar este limiar exigiria a quase eliminação das emissões que aquecem o planeta resultantes da produção de combustíveis fósseis. No entanto, desde o Acordo de Paris, os maiores bancos do mundo já canalizaram 8,7 biliões  de dólares para a indústria dos combustíveis fósseis para a extração e perfuração de mais carvão, petróleo e gás.

Os cientistas preveem agora que o limite de 1,5°C será ultrapassado de forma iminente, antecipando que a recente sucessão de anos com temperaturas recorde seja superada ainda nesta década.

No rescaldo do ataque dos EUA e de Israel ao Irão, que fez disparar o custo global do petróleo e do gás, várias das maiores empresas de combustíveis fósseis do mundo registaram lucros recorde este ano.

"As empresas históricas de combustíveis fósseis não vão desaparecer sem dar luta", afirmou Niko Lusiani, especialista em clima e energia que editou o relatório deste ano. "Estão a duplicar a aposta para expandir um sistema energético cada vez mais frágil, pouco fiável e arriscado."

O financiamento a combustíveis fósseis está a concentrar-se cada vez mais num grupo restrito de grandes instituições, concluiu o novo relatório, com aquilo a que os grupos ecologistas chamaram a "dúzia suja" a ser responsável por 40% de todo o financiamento do setor. Quase todo o financiamento para combustíveis fósseis provém de seis jurisdições: os EUA, o Canadá, o Japão, a China, o Reino Unido e a União Europeia.

Um total de 26 dos 65 maiores bancos reduziu o seu financiamento a combustíveis fósseis no ano passado, com os bancos europeus BNP Paribas, UBS e La Caixa a liderarem as reduções.

Contudo, os grandes operadores de petróleo e gás não ficaram sem liquidez disponível. Os maiores bancos prometeram 508 mil milhões de dólares para a expansão de explorações de combustíveis fósseis já existentes no ano passado, um aumento de 27% em relação a 2024. Três operadoras norte-americanas de petróleo e gás — Venture Global, Enbridge e Energy Transfer — foram as principais beneficiárias dos fundos emprestados em 2025.

Vários grandes bancos tinham anunciado anteriormente metas para reduzir as suas emissões e restringir os empréstimos a formas de energia particularmente poluentes, como o carvão. Mas, face ao regresso político de Donald Trump — que já classificou a crise climática como uma "treta" ("bullshit") e exigiu a extração desenfreada de combustíveis fósseis —, os bancos voltaram as costas aos compromissos ambientais assumidos anteriormente.

No ano passado, a Net-Zero Banking Alliance, uma iniciativa apoiada pela ONU que pretendia alinhar os empréstimos dos bancos com um cenário de emissões líquidas nulas até 2050, foi dissolvida após a saída de vários membros de relevo.

"Vimos muitos bancos darem as costas, seja de forma silenciosa ou mais ruidosa, num contexto de pressão política, particularmente nos EUA", afirmou Lusiani.

O especialista acrescentou: "A era dos compromissos voluntários não funcionou à escala que necessitamos, o que aponta para um papel muito mais ativo dos reguladores financeiros, legisladores e decisores políticos, especialmente nesses seis grandes centros financeiros."

Em resposta a um pedido de comentário, um porta-voz do Bank of America afirmou que o banco apoia "uma vasta gama de clientes, tanto no setor das energias renováveis como no das energias tradicionais, fornecendo-lhes o capital e o aconselhamento necessários para atingirem os seus objetivos — incluindo o avanço das tecnologias de energia limpa e a garantia de acessibilidade e segurança energética num ambiente cada vez mais complexo e dinâmico".

Por sua vez, um porta-voz do Citi afirmou que a empresa "apoia os clientes na transição para uma economia de baixo carbono, ao mesmo tempo que reconhece a necessidade real de energia segura, acessível e fiável hoje em dia. Estamos empenhados em alcançar emissões financiadas líquidas zero até 2050 e em avançar com a nossa meta de financiamento sustentável de 1 bilião de de dólares, focando-nos em equilibrar a transição com a resiliência energética global".

terça-feira, 19 de maio de 2026

The American epoch of oil is collapsing. What comes next could be ugly

China is dominating the energy transition with astonishing result, while fossil fuel fascists in the US try to turn back the clock [Fonte]

“Farewell,” the flag-waving Chinese children chanted to Donald Trump as he strolled along the red carpet back to Air Force One at the end of his summit with Xi Jinping in Beijing.

The US leader claimed he was leaving with a cluster of “fantastic” trade deals to sell US oil, jets and soya beans to China. That has not been confirmed by his smiling host, but one thing was crystal clear from the two days of meetings: the global balance of power is shifting, from the declining petrostate in the west to the rising electrostate in the east.

Trump flew home to chaos – war with Iran, surging gas prices, spectacular unpopularity, friction with former allies and a 20th-century policy of “energy dominance” that seeks to turn back the clock, use tariffs and military threats to open markets, and enrich his supporters in the fossil fuel industry. The long dominant superpower increasingly appears a malignant force as it pushes the world towards ever greater turbulence.

Xi, meanwhile, presides over a country that has invested more than any other in renewable energy, which has helped to buffer its economy from the gas price shocks caused by the conflict in the Middle East, while opening up huge new export markets for solar panels, wind turbines, smart grids and electric vehicles. While the Chinese president’s Communist party still faces criticism for its suppression of dissent, its soft power deficit no longer seems so great when its main global rival is killing protesters at home and bombing schoolchildren overseas.

Why is this happening now? Tempting as it is to blame these global shifts on a single malignant narcissist in the White House, a more useful – and maybe even hopeful – analysis needs to take into account the tectonic changes that are shaking not just the foundations of politics, but the very nature of human power, as the world shifts from molecules to electrons.

History has proven that when the dominant form of energy changes, there is often a shift in the global pecking order. We are now in the midst of one such transition as the epoch of petrol, predominantly produced in the United States, Russia and Gulf states, starts to give way to an era of renewables, overwhelmingly manufactured in China. But the outcome remains contested, and the process could be ugly. The new energy order is winning the economic and technological battle – wind turbines and solar panels were already producing record-cheap electricity even before the Iran war pushed up the costs of gas and oil-fired power plants. But the old petro-interests still have political, military and financial might on their side, and they are using that to try to turn back the energy clock.

As a result, democracies across the planet are now threatened by what might be called fossil fuel fascism – an extremist political movement that breaks laws, spreads lies and threatens violence in an increasingly desperate attempt to maintain markets for oil, gas and coal that would otherwise be replaced by cheaper renewables.

Of course, there are multiple other, overlapping reasons for the war against Iran: its nuclear program, Trump’s need for a distraction from the Epstein files, and his willingness to adopt positions favourable to Israel’s Benjamin Netanyahu, Russia’s Vladimir Putin and Saudi Arabia’s crown prince, Mohammed bin Salman, to name a few.

But the wider context is that the Earth is becoming a more hostile environment for humanity. This is driving up tensions, exposing economic limits that have been ignored for centuries and redefining geopolitical realities.

Who is actually winning? In the short term, the biggest windfall from the Iran conflict has gone to companies, executives and shareholders in the US petroleum industry – a major source of campaign funding for Trump – that was struggling with low prices and a production glut at the start of the year, but is now enjoying a spectacular revenue surge while rival suppliers in the Gulf are choked by threats in the strait of Hormuz. Along with Russian and Saudi Arabian petro-companies, US energy suppliers look set to cash in for months to come, even as consumers pay more at the pumps.

At the same time, the war is forcing countries across the world to explore ways to increase their energy independence. In the next few years, that will happen by increasing domestic production of oil, gas and coal. By one reckoning, this has increased the likely 2030 output of fossil fuels by a fifth – an alarming setback for global efforts to reduce greenhouse gas emissions, and a victory for the petroleum industry and the far-right political groups it funds.

But that will not be the final reckoning of this war, which has reinforced the argument for both renewable energy and a concurrent shift in geopolitical alignments. With major oil and gas producers now led by ever more erratic and menacing authoritarian leaders, other countries are looking for alternative ways to generate power. Electric cars, for example, have never been more in demand.

The prime beneficiary is China, which suddenly appears a relative oasis of pragmatic, internationally minded diplomacy and energy independence. Beijing’s bet on renewable power and EVs over the past two decades is paying enormous dividends. Not only has this made it less reliant on fuel imports, it now has a wind, solar and battery export industry that looks set to dominate global markets for many decades to come.

Future historians may well see the Iran war as the moment the US unwittingly ceded leadership to China. If so, it would not be the first time that a change in the world’s energy matrix led to a reordering of the political hierarchy of nations. When humankind taps new power supplies, new empires rise and old ones fall. Realignments tend to be violent.

How empires fall
One of the cornerstones of geostrategic thinking since the start of the Industrial Revolution, 250 years ago, is that the country that controls energy supply controls the world. For most of the past century, that has centered on oil.

“Oil has meant mastery through the years,” wrote Daniel Yergin in his Pulitzer prize-winning book about the decisive role of energy in world politics, The Prize: The Epic Quest for Oil, Money, and Power. Yergin argues oil was a primary reason why Germany invaded the Soviet Union during the second world war, and motivated Japan to attack the US at Pearl Harbor. It was why the US launched Desert Storm to thwart Iraq’s seizure of Kuwait, which would have given Saddam Hussein control over the planet’s most abundant oil supplies. It explained former US president Barack Obama’s comment that energy was “priority number one” for his administration. Earlier this year, it was a primary justification by Trump and other US officials for invading Venezuela, which has the world’s biggest untapped reserves, and it is now a key factor in the war on Iran, which has the fourth highest supply.

Not for nothing has the old joke been revived that the “US is a very fortunate country because everywhere it goes to bring freedom it finds oil.”

But what is different today is the realisation that oil – once considered “black gold” – and other fossil fuels are now a toxic threat to the stability of the climate and the political world order. Now that cheaper, cleaner alternatives are available, the demand for these industrial fuels has to be artificially inflated, propped up by political lobbying, hefty subsidies, disinformation campaigns and military force.

The most spectacular example of an energy transition completely upturning the world order was in the mid-19th century, when the coal-powered gunships of the Royal Navy shredded the fragile coastal defences of southern China to impose a market for the British empire’s most lucrative and unethical commodity: opium. Up to that point, Beijing had been the capital of the world’s biggest economy for most of the previous 2,000 years but its historic advantage in manpower and culture was being lost to fossil-fuelled engines and the spirit-sapping drug trade. The Daoguang Emperor was so deeply in denial about the changes reshaping the world that his actions stirred rebellion among his own people. His forces were crushed by the superior firepower of an industrialised adversary, ushering in an era of western dominance that became known in China as the “century of humiliation”.

Britain’s empire also came to end – albeit it more limply – when its primary source of fuel – coal – was superseded by oil in the early-to-mid-20th century. Back then, the UK had no petroleum supplies of its own which meant it was at a disadvantage to the US. The power shift was confirmed in 1956 when Britain, France and Israel invaded Egypt to try to secure the Suez canal – a vital route for fossil fuels from the Middle East. The US refused to help this imperial adventure by the old world, thereby confirming Washington as the dominant superpower outside the Soviet bloc. Since then, it has steadily expanded its primacy in the age of oil.

That era – and that supremacy – are both now winding down, as the pendulum swings again, this time towards renewables and back to Asia. In the past decade, clean energy investment worldwide has risen tenfold to more than $2tn a year. Last year, it was more than double that of fossil fuels, and for the first time renewables overtook coal as the world’s top electricity source. “We have entered the age of clean energy,” the United Nations secretary-general, António Guterres, observed in February. “Those who lead this transition will lead the global economy of the future.”

There is only one contender for that title: China. It is impossible to understand what is happening in the US, Iran and Venezuela without looking there.

China looks to the future …
The government in Beijing has turned the greatest crisis facing humanity – climate breakdown – into an opportunity to finally lay to rest the “humiliation” of the opium war. For most of the past 30 years, it has been catching up with the west by copying its dirty, coal-driven model of industrialisation, which notoriously made it the world’s biggest carbon emitter. Now, though, it is leapfrogging its rivals on clean energy with astonishing results. For the past two years, China’s carbon emissions have been flat or falling, raising hopes of a historical turning point in the curve of global emissions.

Last year, the amount of wind and solar it had under construction was double the rest of the world combined, helping China to reach an installed capacity of 1,200GW six years ahead of the government’s schedule. Trump absurdly claimed he had not been able to find any wind turbines in China, though in reality the country now has more than the next 18 countries combined.

But the biggest success story is solar, which is now so cheap, abundant and efficient that its generation capacity in China has just overtaken coal for the first time. Meanwhile, petrol and diesel use is also falling because EVs account for more than half of car sales in China.

The country is also utterly dominant in supplying overseas markets with renewable technology. The top four wind turbine makers in the world are all Chinese. It is a similar story of majority market share for the manufacture and export of photovoltaic cells and EVs. China also controls supply of critical minerals, essential for batteries, AI datacentres and hi-tech military equipment.

Last year, more than 90% of the investment growth in China came in the renewables sector. Thanks to these trends, cleantech from China is affordable in many global south nations. The same is happening with battery technologies, which are spreading the market for electric cars to countries in Africa and South America.

China’s clean energy sector is now worth 15.4tn yuan ($2.2tn/£1.6tn), bigger than all but seven of the world’s economies. With every year that passes, this business becomes more important to the state, accounting for 11.4% of China’s gross domestic product last year, up from 7.3% in 2022.

To be sure China is simultaneously the world’s biggest investor in coal and far from a democracy in its domestic politics, but the scale of its renewable industry means Beijing has a growing stake in the success of global climate negotiations. Not just because it is good for the planet, but because it makes solid business sense.

The turbulence caused by the US-Israeli assault on Iran only strengthens its sales pitch.

… while the US goes backwards
While the rest of the world looks for an exit ramp off the exhaust-fumed highway on to a cleaner, electrified, 21st-century freeway, Trump has pulled a U-turn and is accelerating back towards 20th-century smoke stacks without so much as a glance in the rearview mirror.

On the same day he was sworn in for his second term in the White House, Trump signed an executive order withdrawing the US from the 2015 Paris Agreement, as he did in his first term.

But this time he has also announced that he will quit the entire UN Framework Convention on Climate Change, the Cop process that was put in place at the 1992 Earth Summit. In February his administration repealed the 2009 “endangerment finding”, the core US government determination that greenhouse gases threaten public health that has been the legal basis for almost all federal climate regulation over the past 17 years. Without it, power plants, factories and carmakers will have a freer pass to pollute the air and heat the atmosphere.
The US state has essentially been captured by a business group that puts its own interests above those of the nation

Trump has filled the Department of Energy and the Environmental Protection Agency with dozens of former oil industry employees. He has declared a “national energy emergency”, which was a cue for businesses to mine, drill and frack like never before. He has signed at least 20 more executive orders meant to incentivize fossil fuel extraction. And he has granted $18bn in new and expanded tax incentives for fracking, drilling and pumping.

His administration halted the closure of 17GW worth of power plants that use coal, the dirtiest and most polluting fuel, and ordered the US defense department to procure billions of dollars of coal power. Industry executives have shown gratitude with donations and a trophy for the “undisputed champion of beautiful clean coal” given to Trump by the CEO of the largest coal company in the US.

He also used the military – and the federal budget – to assist the petroleum industry by seizing control of Venezuela. (It is not a coincidence that Venezuela and Iran are both key partners to China.) Domination of this country will give the US more influence in setting global oil prices. But for whose benefit? Donald Trump said US companies would tap these fossil fuels and “start making money for the country”. In fact, most of the first billion dollars in revenue was initially stashed offshore in a bank account in Qatar.

After Trump ordered the bombing of Iran, he initially celebrated the spike in crude values: “When oil prices go up, we make a lot of money,” he said, though the “we” evidently did not include the majority of Americans suffering from higher gas costs.

Meanwhile, his government has accelerated the phaseout of tax credits for renewable projects, which has had a chilling effect on the sector with $22bn in clean energy projects cancelled and wind power investment down to its lowest level in a decade. “My goal is to not let any windmill be built. They’re losers,” Trump told oil executives in January.

By the end of last year, downsizing and more than 60 project cancellations began to shake investor confidence in US renewables.

Three dollars of clean energy investment were abandoned for every one dollar announced in 2025, according to an analysis by the E2 thinktank. The record number of factory closures and project reversals eliminated 38,031 clean energy manufacturing jobs – more than in the previous three years combined. Worst hit was the EV and battery sectors, which each accounted for more than $21bn in lost investment. This eroded the global competitiveness of US carmakers at the worst possible moment when EV sales had just started to overtake those of petrol vehicles.

Oil in command
The US state has essentially been captured by a business group that puts its own interests above those of the nation.

During the last presidential election, Trump invited 20 oil executives, including the heads of Chevron, Exxon and Occidental, to his club in Mar-a-Lago, Florida, saying he would scrap barriers to drilling, resume gas exports and reverse car pollution controls if they helped to bankroll his race for office. Mike Sommers, president and CEO of the American Petroleum Institute, said Trump’s legislative agenda “includes almost all of our priorities”.

Big oil poured a record $450m into the campaigns of Trump and Republicans in 2024, according to the watchdog group Climate Power. Then after Trump won, the industry gave another $19m to his inauguration fund. And even though Trump is forbidden by the constitution from running for a third term, fossil fuel money continues to pour into his Pac, including $25m from oil pipeline company Energy Transfer Partners and its CEO, Kelcy Warren.

And these are only the publicly disclosed funds. Nobody knows how much secretive “dark money” is flowing through other channels, though it has been revealed that Trump accepted a gift of a Boeing 747-8 luxury jetliner from the oil-rich Qatari royal family. The similarly wealthy Abu Dhabi royals bought a $500m stake in the Trump family’s cryptocurrency business.

The White House argues the focus on fossil fuels is necessary for national security and “energy dominance”. Increasing supply, it insists, will bring down costs, trim inflation and stimulate the economy.

Ten or more years ago, this might have been true. But today solar and wind prices have fallen below coal and ushered in what the International Energy Agency calls “the cheapest electricity in history”. The Trump administration is denying US consumers these benefits. Electricity prices in the US rose more quickly than inflation even before the Iran war. Meanwhile, the hidden costs of fossil fuels, such as pollution and respiratory diseases hurt national productivity and add to the burden on taxpayers.

In the long term, it is hard to imagine a more self-harming policy. Between 2021 and 2024, the renewable sector was generating jobs 50% faster than the rest of the labour market. This is high-value employment with long-term prospects compared with jobs in the oil and gas extraction industry, which are projected to decline by 6% over the coming decade.

Most disturbingly, all of this creates a perverse incentive for the US to use its economic, diplomatic and military power to stimulate the market for fossil fuels.
The championing of fossil fuels depends on a big lie – that the US and the planet can return to an era powered by climate-destabilising fuels

Last September, Chris Wright, the US energy secretary and a former fracking magnate, went on an arm-twisting tour to Brussels and Milan to press the EU to increase its purchases of US liquified natural gas (LNG). In February, Wright stepped up the pressure, claiming there was “a climate cult” in Europe, after EU leaders agreed to reduce their energy dependency on the US in response to Trump’s talk of seizing Greenland.

The threats did not stop there. Wright said the US would leave the International Energy Agency unless it abandoned its goal of net zero carbon emissions and stopped referring to “climate stuff” in its analyses of renewables, fossil fuels and carbon emissions.

This explains why huge sums of money are now being channelled from the US to support far-right groups in Europe, who are campaigning on anti-net zero platforms.

The championing of fossil fuels depends on a big lie – that the US and the planet can return to an era powered by climate-destabilising fuels. It’s a lie that relies on threatening or downsizing scientific academies, truth-seeking news media and unfiltered online debate.

The US president has repeatedly called the climate crisis a “hoax”, “scam” or “bullshit”, ushering in what has been called a period of “climate hushing” (or “green hushing”). Essentially, this is a campaign to stifle public debate so that people are less aware of the dangers posed by fossil fuels and the benefits of cheaper renewable alternatives. His administration has announced plans to close down or slash budgets for the world’s leading science institutions. Meanwhile the president’s billionaire backers are helping to choke the climate debate in the media. After Elon Musk bought Twitter, now X, scientists report the social media algorithm is suppressing their voices and encouraging misinformation about the climate. Earlier this year, the Washington Post, owned by Jeff Bezos, slashed the size of the paper’s award-winning climate reporting team.

The Trump administration’s obsession with fossil fuels will dwarf the economic and human toll of the Iran war. The world’s hottest 10 years ever recorded have all occurred in the past decade. Extreme weather is increasingly out of control, pushing up food prices, prompting migration and sparking conflict. Many scientists fear the planet is heating faster than expected, pushing oceans, the Amazon, coral reefs, the Arctic and Antarctic ever closer to the point of no return. And worse is to come, with an El Niño expected to supercharge global temperatures in the coming year.

Throughout the world, a huge majority of people want their governments to take stronger action on the climate crisis. So fossil ambitions run up against popular opinion, which means its proponents have to rely on force to maintain control – with more oppression at home and more war overseas, an ever more extreme and violent response to ever more extreme and destructive weather.

All of this makes China suddenly seem a more appealing and serious alternative. This was not previously the case. Beijing used to project the opposite of soft power. Its political system is repressive. It continues to lock up journalists, artists and dissidents. But today there is a narrowing gap in its human rights record compared with the US, while its energy policy is increasingly aimed at halting climate breakdown rather than making it worse.

China, of course, is also building up its military and investing in energy-sucking artificial intelligence – though at much lower levels than the US. This is not to say its intentions are any more benign. But think of it, from the perspective of Europe, Africa or Latin America: do you choose China, which is becoming a modern electrostate that engages in multilateral decision making, and can supply you with more energy autonomy? Or do you pick the US, which appears to be trying to turn the clock back to the 20th century when it comes to fossil fuel domination, and the 19th century when it comes to imperial gunship diplomacy?

Former allies of the US are lining up to visit Beijing and seek balancing relationships with China. Canada’s prime minister, Mark Carney; Britain’s Keir Starmer; Germany’s Friedrich Merz have made the journey in the past few months. Narendra Modi, the prime minister of longtime rival India, visited last year, as did the EU president Ursula von der Leyen. As he did with Trump, Xi has accommodated them from a position of more global authority than any Chinese leader has had since the opium war.

The fightback
You have to grasp at straws until your fingers bleed to find positives in the US government these days, but at least the Trump administration has clearly delineated the battle lines on the future of the planet.

On one side are the vast majority of the world’s people, all of nature, 99.9% of climate scientists and the fastest-growing, greatest-job-creating chunk of the global economy: the clean energy sector.

On the other is Trump and the primary producers and users of fossil fuels, who need enormous taxpayer subsidies to stay profitable and ever greater violence to quell public unease and global opposition. The latter controls the US state – including the military and ICE – and is allied with much of the money of Silicon Valley’s power-thirsty datacentre companies. (The US and its tech oligarchs may be hoping that AI can replace energy as the country’s source of global power – but China is keeping apace on that front, too.)

Will this fossil fuel fascism, that billionaire-backed campaign to crush a green transition by any means necessary, hold back the tide of clean energy autonomy? It cannot be ruled out. The closest thing the world has to a planetary spokesperson recently warned of the dark forces threatening the future of all life on Earth: “Some fossil fuel interests remain hellbent on slowing progress, spreading disinformation, pretending the transition is unrealistic or unaffordable,” Guterres, the UN secretary-general, said last month. “Let’s tell it like it is; the world’s addiction to fossil fuels is one of the greatest threats to global stability and prosperity.”

But the climate will not be bending to the will of even the best funded, most heavily militarised and artificially idealised US administration nor the King Canute at its centre.

Most people realise this. Much of Europe is resisting. China is defiant. India is moving fast on solar. Brazil is pushing a roadmap away from fossil fuels. Colombia just hosted the First International Conference on Transitioning Away from Fossil Fuels. Even in the US, people want their government to do more to prevent global heating.

The fightback is under way in the courts, at elections and on the streets. The most populous and fast-growing state economy of California already gets two-thirds of its electricity from renewables and has pledged to continue expanding wind and solar. Even Texas, the historic home of the US oil industry but also the centre of wind power, is bristling at Maga-led attempts to curtail renewables. Michigan is suing oil companies for delaying funds. Judges in Virginia, New York and New England, including a Trump appointee, have issued injunctions against government efforts to halt windfarm projects. The US president’s popularity has plummeted and polls suggest his party will lose heavily in the autumn midterms – if they are allowed to go ahead without Maga interference.

Despite the deep pockets of the backers of fossil fuel fascism, their resistance will be futile. The movement could become more deranged and violent in its efforts to turn back the clock, suppress dissent and thwart China’s rise. But ultimately, the planet will have the final say.