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terça-feira, 9 de junho de 2026

Os maiores bancos do mundo comprometeram 906 mil milhões de dólares com empresas de combustíveis fósseis. num aumento "incompreensível" em 2025, revela relatório


O JPMorgan Chase lidera a lista de 65 bancos que estão a tomar decisões incompatíveis com a contenção do aumento das temperaturas globais, afirmam investigadores.

Os maiores bancos do mundo comprometeram 906 mil milhões de dólares ($906bn) em financiamento para a indústria dos combustíveis fósseis no ano passado — um aumento "incompreensível" no investimento que garante mais anos de produção de carvão, petróleo e gás, numa altura em que o planeta continua a sobreaquecer, concluiu um novo relatório.

O surto de novos empréstimos para combustíveis fósseis, que aumentou 64 mil milhões de dólares (quase 8%) em relação a 2024, demonstra que os 65 maiores bancos mundiais estão a tomar decisões incompatíveis com os acordos internacionais para conter o aumento das temperaturas globais, de acordo com a coligação de grupos ambientalistas responsável pela nova análise.

O JPMorgan Chase voltou a ser o principal financiador mundial de combustíveis fósseis, segundo o relatório anual Banking on Climate Chaos, após ter injetado 58 mil milhões de dólares no setor no ano passado — um aumento de 13% face a 2024.

O Bank of America comprometeu a segunda maior quantia com combustíveis fósseis no ano passado, seguido pelos bancos japoneses MUFG e Mizuho Financial. O Citigroup, outro banco norte-americano, fecha o "top 5", com o Barclays, na oitava posição, a ser o banco britânico mais bem classificado.

"O ano passado foi o primeiro em que esperávamos ver uma redução contínua nos números históricos, mas na verdade assistimos a esse aumento, que se prolongou este ano", afirmou Caleb Schwartz, analista de políticas da Rainforest Action Network, um dos grupos responsáveis pelo relatório. "Trata-se, portanto, de uma tendência preocupante."

Questionado sobre os seus empréstimos ao setor dos combustíveis fósseis, um porta-voz do JPMorgan Chase declarou: "Como um dos maiores financiadores de energia do mundo, apoiamos toda a gama de soluções e tecnologias energéticas, com foco na fiabilidade, acessibilidade, segurança e resiliência a longo prazo. Acreditamos que os nossos dados refletem as nossas atividades de forma mais abrangente e precisa do que as estimativas de terceiros."

No acordo climático de Paris, em 2015, os países concordaram em envidar esforços para evitar que o aquecimento global ultrapassasse os 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, limite a partir do qual o mundo sofrerá ondas de calor, cheias, secas e outros desastres alimentados pelas alterações climáticas ainda mais devastadores.

Evitar este limiar exigiria a quase eliminação das emissões que aquecem o planeta resultantes da produção de combustíveis fósseis. No entanto, desde o Acordo de Paris, os maiores bancos do mundo já canalizaram 8,7 biliões  de dólares para a indústria dos combustíveis fósseis para a extração e perfuração de mais carvão, petróleo e gás.

Os cientistas preveem agora que o limite de 1,5°C será ultrapassado de forma iminente, antecipando que a recente sucessão de anos com temperaturas recorde seja superada ainda nesta década.

No rescaldo do ataque dos EUA e de Israel ao Irão, que fez disparar o custo global do petróleo e do gás, várias das maiores empresas de combustíveis fósseis do mundo registaram lucros recorde este ano.

"As empresas históricas de combustíveis fósseis não vão desaparecer sem dar luta", afirmou Niko Lusiani, especialista em clima e energia que editou o relatório deste ano. "Estão a duplicar a aposta para expandir um sistema energético cada vez mais frágil, pouco fiável e arriscado."

O financiamento a combustíveis fósseis está a concentrar-se cada vez mais num grupo restrito de grandes instituições, concluiu o novo relatório, com aquilo a que os grupos ecologistas chamaram a "dúzia suja" a ser responsável por 40% de todo o financiamento do setor. Quase todo o financiamento para combustíveis fósseis provém de seis jurisdições: os EUA, o Canadá, o Japão, a China, o Reino Unido e a União Europeia.

Um total de 26 dos 65 maiores bancos reduziu o seu financiamento a combustíveis fósseis no ano passado, com os bancos europeus BNP Paribas, UBS e La Caixa a liderarem as reduções.

Contudo, os grandes operadores de petróleo e gás não ficaram sem liquidez disponível. Os maiores bancos prometeram 508 mil milhões de dólares para a expansão de explorações de combustíveis fósseis já existentes no ano passado, um aumento de 27% em relação a 2024. Três operadoras norte-americanas de petróleo e gás — Venture Global, Enbridge e Energy Transfer — foram as principais beneficiárias dos fundos emprestados em 2025.

Vários grandes bancos tinham anunciado anteriormente metas para reduzir as suas emissões e restringir os empréstimos a formas de energia particularmente poluentes, como o carvão. Mas, face ao regresso político de Donald Trump — que já classificou a crise climática como uma "treta" ("bullshit") e exigiu a extração desenfreada de combustíveis fósseis —, os bancos voltaram as costas aos compromissos ambientais assumidos anteriormente.

No ano passado, a Net-Zero Banking Alliance, uma iniciativa apoiada pela ONU que pretendia alinhar os empréstimos dos bancos com um cenário de emissões líquidas nulas até 2050, foi dissolvida após a saída de vários membros de relevo.

"Vimos muitos bancos darem as costas, seja de forma silenciosa ou mais ruidosa, num contexto de pressão política, particularmente nos EUA", afirmou Lusiani.

O especialista acrescentou: "A era dos compromissos voluntários não funcionou à escala que necessitamos, o que aponta para um papel muito mais ativo dos reguladores financeiros, legisladores e decisores políticos, especialmente nesses seis grandes centros financeiros."

Em resposta a um pedido de comentário, um porta-voz do Bank of America afirmou que o banco apoia "uma vasta gama de clientes, tanto no setor das energias renováveis como no das energias tradicionais, fornecendo-lhes o capital e o aconselhamento necessários para atingirem os seus objetivos — incluindo o avanço das tecnologias de energia limpa e a garantia de acessibilidade e segurança energética num ambiente cada vez mais complexo e dinâmico".

Por sua vez, um porta-voz do Citi afirmou que a empresa "apoia os clientes na transição para uma economia de baixo carbono, ao mesmo tempo que reconhece a necessidade real de energia segura, acessível e fiável hoje em dia. Estamos empenhados em alcançar emissões financiadas líquidas zero até 2050 e em avançar com a nossa meta de financiamento sustentável de 1 bilião de de dólares, focando-nos em equilibrar a transição com a resiliência energética global".

segunda-feira, 11 de maio de 2026

O erro mais caro da próxima década é tratar a IA como uma ferramenta estática


A inteligência artificial não é um software que se compra, instala e resolve. O erro estratégico mais caro dos próximos anos será tratar a IA como um produto acabado, e não como um sistema em constante mutação.

Prever com inteligência artificial já é o básico; a verdadeira vantagem competitiva reside agora em entender como essa capacidade será redesenhada por agentes autónomos e modelos multimodais que se otimizam a si mesmos em tempo real.

O futuro deixou de ser apenas objeto de análise para se tornar parte integrante da ferramenta que analisa.

O deslocamento na adoção corporativa
A adoção corporativa confirma esta mudança. Dados recentes indicam que 88% das organizações já utilizam IA em pelo menos uma função de negócio. Mais relevante do que o volume é a complexidade: 39% das empresas já experimentam agentes autónomos.

Isto sinaliza que a inteligência artificial saiu definitivamente dos laboratórios de inovação para se tornar infraestrutura de decisão. Está no orçamento, na engenharia, na análise de risco e, principalmente, na ordem do dia dos conselhos de administração. A transição é clara: saímos da análise retrospetiva ("o que aconteceu?") para a antecipação preditiva ("o que tende a ocorrer e sob que sinais de alerta?").

Na prática, essa força preditiva altera a gestão de ponta a ponta. No retalho, antecipa a procura com uma granularidade inédita, combatendo a rutura de stock. Na indústria, identifica desvios operacionais antes que se tornem perdas em série. Nas finanças, cruza padrões comportamentais para mitigar fraudes em milissegundos.

O valor aqui não está na sofisticação tecnológica por si só, mas na disciplina de transformar a previsão em ação. As empresas maduras criam rotinas para decidir antes que o atraso se transforme em custo. As imaturas limitam-se a colecionar painéis bonitos enquanto permanecem reféns do improviso.

O risco subtil da precisão
A precisão da máquina traz consigo um risco subtil: a erosão do pensamento crítico. Um estudo da Harvard Business Review com gestores mostrou que o uso de IA generativa para previsões financeiras aumentou o otimismo e a confiança dos utilizadores, mas resultou em previsões piores do que as feitas por equipas que debateram entre pares.

A fluência verbal da inteligência artificial pode anestesiar a dúvida. E, em estratégia, a dúvida é um ativo valioso. Delegar a estratégia inteiramente à máquina é trocar responsabilidade por conveniência. Uma empresa resiliente usa a IA para ampliar a visão, mas jamais para terceirizar a coragem de decidir.

Há também um limite confortável na previsão algorítmica: ela depende de padrões observáveis. Ruturas geopolíticas e crises sanitárias operam fora da média. Além disso, o European Systemic Risk Board alerta para a concentração de modelos. Se todo o mercado utiliza os mesmos fornecedores e lógicas, a diversidade decisória diminui.

A automação pode criar eficiência, mas também pode sincronizar erros em escala. A IA que prevê o futuro está em mutação interna. Estima-se que 40% das aplicações empresariais sejam baseadas em agentes específicos até ao fim de 2026. Para as lideranças C-Level, a janela para definir a estratégia de IA agêntica é de três a seis meses. No calendário corporativo, isso é um trimestre; na evolução da tecnologia, é uma era inteira.

A reconfiguração dos processos e do balanço
Os agentes mudam o desenho dos processos. O valor migra do uso individual para a arquitetura organizacional. A liderança deve agora responder a que processos aceitam autonomia parcial, questionar quais exigem validação humana obrigatória e definir que decisões devem permanecer sob responsabilidade direta dos líderes.

A disputa já chegou à última linha do balanço. Os setores expostos à IA viram o crescimento da receita por colaborador dar um salto para os 27%, contra 9% nos menos expostos. Os profissionais com competências em IA já exigem prémios salariais de até 56%. Para os executivos, o recado é direto: ela já está a impactar a remuneração de talentos e a capacidade de escalar receitas com a mesma base humana.

Talvez o ponto mais crítico seja o que o Google DeepMind chama de agentes evolutivos (como o AlphaEvolve). A IA começou a participar no aperfeiçoamento da sua própria infraestrutura, gerando ganhos de eficiência computacional que escalam globalmente.

Daí surge o paradoxo central: a empresa usa a IA para ver o futuro, mas precisa de vislumbrar o seu próprio futuro para sobreviver. Os comités que tratam a tecnologia como uma mera compra de licenças são anacronismos. A liderança moderna deve monitorizar modelos, governação e custos computacionais com a mesma seriedade que dedica aos juros e à regulação.

Conclusão: um sistema vivo
A conclusão é clara. Prever é poder, transformar-se é sobrevivência.

Para quem consome tecnologia, a omnipresença da IA em dispositivos e serviços financeiros trará conveniência, mas exigirá transparência. Inovação sem explicabilidade é apenas assimetria de poder.

A próxima vantagem competitiva não virá de quem "comprou" a melhor IA, mas de quem a trata como um sistema vivo. As organizações que procuram um produto acabado serão surpreendidas pela própria tecnologia que acreditavam dominar.

As vencedoras usarão a inteligência artificial para antecipar o mundo e, simultaneamente, vigiar a transformação da lente com que observam esse mundo. O futuro já fala através de máquinas. A liderança que apenas escuta, obedece. A que compreende, decide.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

A Delek Group, uma empresa israelita incluída na lista negra da ONU, arrecadou mais de mil milhões de dólares com o petróleo e o gás do Mar do Norte em apenas seis anos



An Israeli firm blacklisted by the UN for its West Bank activities has raked in over $1bn from North Sea oil and gas in just six years – and could be set to earn even more if the Rosebank field is approved.

Analysis by The Ferret shows Aberdeen oil company Ithaca Energy has paid over $1bn in dividends to its largest shareholder, Delek Group, since 2020.

Delek, an Israeli energy conglomerate, has been named on a United Nations database of firms whose activities in the occupied West Bank raise “particular human rights concerns”.

Ithaca owns a stake in the Rosebank oil field off the coast of Shetland, which the UK energy minister Ed Miliband is under pressure to green light. It also now owns 100 per cent of the Cambo field, which was at the centre of controversy in 2021.

Lawyers for the campaign group Uplift have claimed that Ithaca’s connection to Delek means approving Rosebank could risk the UK breaching the Geneva convention, and alleged that the Israeli company’s activities could be seen as “ancillary” to war crimes.

Environmental campaigners told The Ferret that “not one penny of profit should flow from the North Sea towards Delek” and that choosing to approve Rosebank would be “morally reprehensible” because it could “bolster" its activities in the West Bank.

Both Ithaca and Delek were approached for comment.

Delek has been Ithaca’s largest shareholder since 2017, but its pay-outs from the firm have accelerated in recent years as Ithaca expanded its presence in UK fossil fuels. Ithaca says it now holds stakes in six of the UK’s ten largest oil and gas fields.

Our analysis shows Ithaca paid $569m in dividends to Delek across 2024 and 2025, with a further $101m distributed on 16 April this year. That takes total payments since 2020 to more than $1bn.

Delek has previously described Ithaca’s operations in the North Sea as part of the “growth engine” for its wider business. 

As The Ferret first reported when Ithaca bought Cambo back in 2022, Delek was included in a 2020 list of companies whose activities in the occupied West Bank “raised particular human rights concerns” after a UN fact finding mission. It remained on updated versions of the list published in 2023 and 2025.

Delek was included because it was deemed to be providing services and utilities to support the maintenance of the settlements and was using natural resources in the West bank for “business purposes”. Israeli settlements in the West Bank are widely regarded as illegal under international law.

We also previously found that another firm in which Delek holds a significant stake – Delek Israel – has held contracts to provide refueling services to the Israel Defense Forces (IDF).

Rosebank is at the centre of a political row over whether the UK should continue to expand oil and gas production in the North Sea.

It is the UK’s largest untapped oil field and is estimated to contain 300 million barrels of oil. Backers of the project argue it could create thousands of jobs and support the country’s energy security in an increasingly unstable world.

Opponents claim it is incompatible with the UK’s climate targets and would do little to lower bills because most of the oil extracted from it would be exported.

The field was initially approved by the Conservative government in 2023, but Scotland’s court of session later found that decision unlawful, deeming that its full environmental impact had not been considered.

A revised application has since been submitted and the final decision will rest with Ed Miliband, who has faced pressure from politicians and industry to approve the project.

Analysis by WWF Norway previously estimated a further $300m (£222m) could flow to Delek if Rosebank goes ahead. Ithaca is expected to make a final decision on whether to try and develop the Cambo field either this year or in 2027.

“If the UK Government chooses to green light Rosebank, it would be a morally reprehensible decision that turns a blind eye to the fact that the project could bolster Delek’s activities in the Occupied Palestinian Territories,” Lauren MacDonald from the campaign group Stop Rosebank told The Ferret.

She continued: "There are many reasons why this toxic field should be stopped - but this is simply indefensible.

“The UK Government is well aware of these risks, and has even been warned that it could breach its own obligations under international law if it allows the field to go ahead.

"If the UK and Scottish governments are serious about creating a better world, they will pull the plug on Rosebank for good and ensure no further profits flow from our North Sea to Delek.”

Ithaca has not publicly commented on Delek’s links to the West Bank but has pointed out that it is a London stock exchange listed company and claims to be “governed by the highest standards of corporate governance”.

“Ithaca is one of the biggest investors in the North Sea and Scotland, is a responsible employer and is a major contributor to both the UK Treasury through tax payments and the UK’s energy security,” it told us in response to a story last August.

The UK Government also failed to respond to a request for comment. It previously said in regard to Rosebank that it cannot comment on individual projects.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Mapeado: Como variam os preços das rendas nas principais cidades do mundo (valores em dólares)

Para melhor visualização amplie aqui
Metodologia
Este mapa compara os preços mensais de arrendamento de um apartamento de três quartos no centro das grandes cidades globais em 2025. Os dados para esta visualização são da Numbeo, via Deutsche Bank. O conjunto de dados da Numbeo é maioritariamente colaborativo, baseado em informações sobre o custo de vida enviadas por utilizadores de cidades de todo o mundo.

Análise
A nível global, a crise habitacional em 2026 não é um fenómeno isolado de Portugal, mas sim uma tendência que afeta grandes metrópoles e economias desenvolvidas. Embora as causas locais variem, existem macrotendências mundiais que explicam por que comprar ou arrendar casa se tornou um desafio global.
Aqui estão as principais causas a nível mundial:
1. Financeirização da Habitação
Este é um dos conceitos mais importantes em 2026. A habitação deixou de ser vista apenas como um direito social para se tornar um ativo financeiro.
Capital Global: grandes fundos de investimento internacionais compram milhares de imóveis para gerir carteiras de arrendamento, o que aumenta a competição com as famílias e inflaciona os preços.
Imóveis como Reserva de Valor: em tempos de instabilidade económica, investidores preferem "guardar" o dinheiro em imobiliário em cidades seguras (como Nova Iorque, Londres, Berlim ou Lisboa), muitas vezes mantendo as casas vazias apenas para valorização de capital.

2. Mudanças Demográficas e Urbanização
Urbanização Acelerada: a ONU estima que, até 2050, 70% da população mundial viverá em cidades. A procura concentra-se em centros urbanos com melhores empregos, enquanto as zonas rurais se desertificam.
Agregados Familiares Menores: há uma tendência mundial de as pessoas viverem sozinhas ou em famílias mais pequenas. Isto significa que são precisas mais casas para o mesmo número de pessoas em comparação com décadas anteriores.
Envelhecimento da População: em 2026, com os primeiros baby boomers a atingirem os 80 anos, há uma retenção de stock imobiliário por gerações mais velhas, dificultando a rotatividade para os mais jovens.

3. Choques nas Cadeias de Abastecimento e Custos
Materiais de Construção: os efeitos das crises geopolíticas globais e da pandemia elevaram o custo de materiais como o aço e o alumínio a níveis históricos. Construir uma casa nova custa hoje significativamente mais do que há 10 anos em qualquer parte do mundo.
Escassez de Mão de Obra: existe um défice global de trabalhadores qualificados na construção civil, o que atrasa projetos e encarece o produto final.

4. Políticas de "Zonamento" e Regulação
Restrições de Planeamento: em muitos países (especialmente nos EUA, Reino Unido e Canadá), leis de urbanismo restritivas impedem a construção de prédios altos ou de maior densidade, favorecendo moradias unifamiliares que ocupam muito espaço para pouca oferta.
Exigências Ambientais: embora necessárias, as novas normas de eficiência energética (edifícios de balanço nulo) aumentam o custo inicial da construção, que é invariavelmente passado para o consumidor.

5. Fenómeno dos "Nómadas Digitais"
A tecnologia permitiu que trabalhadores de países com salários altos (como EUA ou Alemanha) se mudassem para países com custo de vida mais baixo.
Gentrificação Transnacional: isto cria uma pressão de preços em cidades de "acolhimento" (como Cidade do México, Banguecoque ou Madrid), onde os residentes locais, com salários nacionais, não conseguem competir com o poder de compra estrangeiro.

O Ciclo Imobiliário de 18 Anos
Alguns economistas apontam que estamos a chegar ao pico do Ciclo de Kuznets (um ciclo imobiliário que dura cerca de 18 anos). Segundo esta teoria, 2026 seria um ano de tensão máxima antes de uma potencial correção ou estagnação global, devido ao desajuste extremo entre os preços e os rendimentos reais.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Mensagem de Natal do Primeiro-Ministro - a essência de um regime cleptocrata


A mensagem de Natal de Luís Montenegro não foi neutra. Foi uma armadilha retórica para deslocar a responsabilidade do Governo para as pessoas. Segundo o Primeiro-Ministro, o país está bem e a economia cresce. Se não sentes isso na tua vida, se o salário é curto, o problema não é estrutural, é teu. Falta-te ambição. Falta-te “mentalidade de campeão”.

É aqui que a analogia com Cristiano Ronaldo se torna ofensiva. O modelo deste Governo não é quem segura o SNS ou a escola pública, é um multimilionário a jogar na Arábia Saudita, um regime autoritário que usa o desporto para lavar a sua imagem internacional. A mensagem é simples. Se ele conseguiu, tu também consegues. Ronaldo é a exceção absoluta. Usar uma exceção para julgar a vida de milhões de portugueses que trabalham, descontam e cumprem é profundamente desonesto.

Sete minutos de ladainha. Dizem que está tudo óptimo, mas quando chega à prática temos o menor aumento percentual do salário mínimo dos últimos anos e um ataque cerrado aos direitos laborais. Sinal claro de que a propaganda vive melhor do que as pessoas.

Enquanto vendem a ilusão do “país rico”, os números mostram onde fica a riqueza:
Jerónimo Martins: faturou 33,4 mil milhões € em 2024 (lucro: 599M€).
Sonae: cerca de 10 mil milhões € de volume de negócios (lucro: 223M€).
EDP: 801M€ de lucro.
Galp: 961M€ de lucro.
Banca: lucros recorde de 6,3 mil milhões €, à custa dos juros pagos pelas famílias.

A riqueza existe. A distribuição é que não. O “trickle-down” é uma mentira contada muitas vezes. A produtividade sobe, mas os ganhos ficam nos salários e prémios dos CEOs e nos dividendos, não nos salários de quem trabalha.

E sobre o essencial? Silêncio.

Ignorou as falhas graves no SNS, a habitação que esmaga vidas e ignorou a transparência. O mesmo Primeiro-Ministro que pede “mentalidade” opôs-se a revelar detalhes de 55 imóveis e lidera um Governo com um património conjunto de 20,9 milhões €, com três ministras a concentrarem mais de 11M€.
A distância entre quem governa e quem trabalha é abismal.

Esta mensagem não serviu para unir o país. Serviu para disciplinar. Para justificar desigualdade.
Para transformar problemas colectivos em culpas individuais.

sábado, 20 de dezembro de 2025

Mariana Mortágua despediu-se do Parlamento e ouviu elogios de quase todas as bancadas


Mariana Mortágua despediu-se do Parlamento e ouviu elogios de quase todas as bancadas. Cumpriu e fê-lo, com elevação e ética, características que infelizmente já não abundam muito na Assembleia da República.
Como sempre, vejo as redes sociais a destilar ódio a quem combateu o sistema, como pôde. À Mariana devemos sobretudo o seu empenho em desmascarar a rede do BES e isso não interessa para esta gente que nunca gostaram de quem interfere e denuncia o poder podre do país. Doutorada em Economia pela Universidade de Londres. A Mariana já tem emprego, estejam descansados. Em princípio será Professora Universitária no ISCTE. Destaco três livros que são actuais, infelizmente:

1. "Isto é um Assalto" (2013)
Com ilustrações e BD de Nuno Saraiva e design de Rita Gorgulho, este livro descreve o assalto que Portugal está a sofrer. Eles estão a cobrar impostos acima das nossas possibilidades, a retirar subsídios de férias e de Natal que eram as nossas possibilidades, a destruir o Serviço Nacional de Saúde, a escola pública e a Segurança Social que deveriam ser a devolução dos nossos tributos. Eles querem tudo. Eles, a finança, cobram uma renda sobre o nosso futuro e ainda querem convencer-nos de que somos culpados. Por isso, em Isto é um Assalto, faz-se a conta e cobra-se a fatura: verá como os bancos foram financiados pelos nossos impostos, como a austeridade e a chantagem da dívida estão a criar o maior desemprego da história do nosso país, como a troika destrói a vida das pessoas.

2."Privataria" de 2015
«Portugal foi tricampeão de privatizações em 2012, 2013 e 2014, ocupando sempre, nesses anos, o primeiro lugar em volume de vendas a nível europeu. Esta revolução, pela sua escala e pelos setores alcançados - os correios e os aeroportos, por exemplo, tinham sido sempre públicos -, é isso mesmo: uma revolução. Mas a apropriação por privados (ou entidades estatais estrangeiras) de monopólios naturais e outros recursos estratégicos iniciou-se vinte anos antes. Com entoações diferentes, a justificação política foi sempre a da superioridade da gestão privada, aliada à pressão das instituições europeias para a redução do défice e da dívida, uma constante ao longo do tempo, ora em função das regras do "mercado comum", ora dos critérios de convergência para a moeda única, ora do memorando com a troika ou ora ainda do tratado orçamental europeu.»

3. "No Sonho Selvagem do Alquimista" de 2021
Como se cria o dinheiro? Quem é que controla a criação do dinheiro? E quem o detém? Como é que as nossas vidas são condicionadas pelo sistema financeiro mundial?
Neste livro destinado ao grande público, Mariana Mortágua explica os principais processos de criação de moeda e o modo de funcionamento dos bancos. Acompanhando a sua evolução desde a Idade Média, a autora reflete sobre o poder associado às relações financeiras e de dívida. E sobre as novas formas de poder financeiro, nomeadamente a «banca-sombra» e as criptomoedas. O principal argumento é que a moeda, a banca e a finança são demasiado importantes para se manterem fora do espaço de discussão e decisão democráticas.

E quanto ao seu papel, tão criticado pelos portugueses, quando fez parte da flotilha por Gaza, infelizmente a situação continua calamitosa, agravada com as inundações deste Inverno. O acordo de paz na Faixa de Gaza, que vigora desde 10 de outubro é um frágil cessar-fogo entre Israel e o grupo radical palestiniano. Os Palestinianos continuam vítimas de Netanyahu. Israel continua a restringir a ajuda humanitária vital (77% da população ainda sofre de fome aguda, apesar do cessar-fogo) e vários relatos mostram que o país viola o cessar-fogo, não apenas o Hamas como os media destacam mais, os habitantes de Gaza sofrem com tendas inundadas, fome, poluição e doenças.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Esta é a lista de clientes divulgada por Marques Mendes


O candidato presidencial Luís Marques Mendes divulgou esta sexta-feira uma lista com os 22 clientes da sua empresa, na qual se encontram prestações de serviços em consultoria, comentário e participações em conferências, e que inclui a construtora de Famalicão Alberto Couto Alves.

Numa lista enviada à agência Lusa pela sua candidatura, encontram-se como clientes da sociedade LS2MM, Lda., no âmbito de consultoria estratégica: a Alberto Couto Alves, SGPS, SA; a Associação Portuguesa dos Industriais de Engenharia Energética (APIEE); a Atrys Portugal Centro Médico Avançado, SA, do Porto; a Denominador Comum – Consultoria de Negócios, SA, com sede na Póvoa de Lanhoso; e a Painhas SA, com sede no Porto.

À Lusa, o diretor de campanha, Duarte Marques, desafia os restantes candidato, “a bem da transparência”, a divulgarem “tudo o que se possa suscitar conflitos de interesses”.

McDonald’s e transportes pesados entre clientes

Na sequência de um artigo da revista Sábado, segundo o qual Marques Mendes ganhou mais de 700 mil euros nos últimos dois anos enquanto consultor da Abreu Advogados e na sociedade LS2MM, Lda, o candidato presidencial comprometeu-se a divulgar a lista da sua empresa familiar, após autorização dos clientes, mas não da sociedade de advogados, por colocar em causa o sigilo profissional.

Da lista da sua empresa constam igualmente, no âmbito de conferências proferidas por Marques Mendes: a ARP – Associação Rodoviária de Transportes Pesados de Passageiros; associação de Restaurantes McDonald’s, Brandom – Comunicação, Imagem e eventos, Lda; CBRE – Sociedade de Mediação Imobiliária, Lda; Cimpor – Serviços, SA; Eixo e Debate, Lda; El Circo del Marketing SL; Ger Imotion – Lda; GS1 Portugal; Marketividade – Marketing, comunicação e vendas, Lda; Primavera – Business Software Solutions, SA; Rede Global, SA; Shopitur, SA; a Tabaqueira II, SA; e Tedcom, Lda.

A SIC Sociedade Independente de Comunicação, SA, aparece na lista pelo espaço de comentário que manteve, assim como a Medipress Sc Jornalística e Editorial, Lda, no âmbito de artigos de opinião.

"Quem não deve não teme"
O diretor de campanha de Marques Mendes salientou, na declaração escrita enviada à Lusa, que o candidato presidencial divulgou esta lista “por dever de escrutínio e porque quem não deve não teme”.

“Cumpriu o que prometeu”, declarou, sublinhando que “o escrutínio deve ser para todos”.

“Isto é escrutínio e é correto. Outra coisa são insinuações vindas de alguns outros candidatos, só exibem desespero e baixa política”, afirmou Duarte Marques, que disse que “Marques Mendes resolveu fazer algo de inédito em Portugal em termos de transparência: divulgar a lista de clientes com que trabalhou, na sua vida”.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Nota de 7 euros de Ronaldo é falsa, alerta Banco de Portugal

Em causa está a emissão de uma nota, no valor de 7 euros, em homenagem ao futebolista Cristiano Ronaldo

O Banco de Portugal (BdP) alertou esta quinta-feira para publicações falsas, nas redes sociais, sobre a emissão de uma nota em homenagem ao futebolista Cristiano Ronaldo, esclarecendo que não o fez nem tem previsto emitir uma nota assim.

"O Banco de Portugal tem tomado conhecimento de publicações falsas, divulgadas nas redes sociais, relativamente à emissão, pelo Banco de Portugal, de uma nota, no valor de 7 euros, em homenagem ao futebolista Cristiano Ronaldo", lê-se no comunicado publicado esta quinta-feira.

O banco central reiterou que não emitiu nem colocou em circulação, nem tem previsto emitir ou colocar em circulação, "qualquer nota alusiva à personalidade em questão".

"Esclarece-se ainda que a emissão de notas de euro pelo Banco de Portugal é feita no quadro do Eurosistema", acrescentou o banco central.


O Eurosistema é a autoridade monetária da área do euro, composta pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelos bancos centrais nacionais dos países da União Europeia que adotaram o euro. A sua principal função é manter a estabilidade de preços, e as suas atividades incluem a definição e implementação da política monetária, a realização de operações cambiais, a gestão das reservas cambiais e a promoção do bom funcionamento dos sistemas de pagamento. 

Composição e objetivos
Composição: O Eurosistema inclui o BCE e os bancos centrais nacionais dos Estados-Membros que adotaram o euro, como o Banco de Portugal.
Objetivo principal: Manter a estabilidade de preços na área do euro, procurando um aumento anual dos preços inferior, mas próximo, de 2%.

Outras funções:
  1. Salvaguardar a estabilidade financeira.
  2. Promover a integração financeira europeia.
  3. Emitir notas de euro.
  4. Compilar estatísticas. 
  5. Funcionamento
Tomada de decisões: As decisões de política monetária são tomadas pelo Conselho do BCE, que é composto pelos membros executivos do BCE e pelos governadores dos bancos centrais nacionais.

Implementação: A implementação dessas decisões é feita de forma descentralizada pelos bancos centrais nacionais. O Banco de Portugal, por exemplo, interage com as instituições bancárias portuguesas para executar as decisões do BCE no mercado nacional.

Instrumentos: O Eurosistema utiliza instrumentos como a fixação das taxas de juro diretoras, operações de mercado aberto, facilidades permanentes e programas de compra de ativos financeiros para influenciar a liquidez do sistema bancário. 

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

2,9 milhões de euros. É este o valor que Portugal perde todos os dias


Não é um erro de cálculo. É o dinheiro que as multinacionais retiram do país diariamente através de esquemas de planeamento fiscal agressivo. Estamos a falar de mais de 1000 milhões de euros por ano que deviam entrar nos cofres públicos, mas que desaparecem para paraísos fiscais ou jurisdições mais simpáticas.

​E quem é que paga o rombo? Pagas tu.
​A máquina fiscal é implacável, mas só com quem não tem como fugir. Caem em cima do trabalhador por conta de outrem, caem em cima da pequena empresa que luta para pagar salários, caem em cima da classe média. Para nós, a carga fiscal é asfixiante, para os gigantes que lucram milhões cá dentro, é opcional.

Relatório da Tax Justice Network
O relatório da Tax Justice Network concluiu que durante seis anos, entre 2015 e 2021, Portugal perdeu cerca de cinco mil milhões de euros. Ou seja, por ano o país ficou com menos 800 milhões de euros. O estudo indica que estas perdas estão associadas a estratégias de transferência de lucros para paraísos fiscais e jurisdições fiscais mais brandas. Dos cinco mil milhões perdidos, cerca de 739 milhões de euros correspondem apenas a multinacionais com sede nos Estados Unidos

O contraste com Espanha é humilhante.
​Enquanto por cá fingimos que não se passa nada, aqui ao lado teve-se a coragem política de avançar. Espanha criou o Imposto de Solidariedade sobre Grandes Fortunas (para patrimónios acima de 3 milhões de euros). Resultado? Só no primeiro ano, foram buscar 623 milhões de euros aos mais ricos. O Tribunal Constitucional espanhol deu luz verde, ignorando os protestos da direita que queriam proteger os milionários.

Para atenuar os efeitos da evasão fiscal, as autoridades portuguesas têm em vigor uma taxa aprovada pelo G7, em 2021, e apoiada pelo G20, que passa pela cobrança de 15% sobre os lucros das multinacionais com vendas superiores a 750 milhões de euros.

​Lá, o dinheiro dos mais ricos serve para financiar o Estado Social. Cá, continuamos a proteger o grande capital enquanto o SNS, a Cultura, a Ciência, o Ambiente e a Escola Pública pedem socorro.

​E não se iludam com o atual cenário político. Com o crescimento da direita e da extrema-direita em Portugal, a tendência não será ir atrás dos poderosos. A história diz-nos exatamente o oposto, o discurso de "baixar impostos" serve muitas vezes para aliviar quem está no topo, enquanto a fatura e o desmantelamento dos serviços públicos sobram para quem vive do seu trabalho. Vêm sempre atrás do elo mais fraco.
A questão é até quando vamos permitir.

domingo, 16 de novembro de 2025

Dia Mundial dos Pobres — e dos culpados

"Hoje celebra-se o dia mundial dos pobres.
Curioso: nunca celebramos o dia mundial
dos que produzem pobreza.
Erguem-se palcos, discursos, fotografias.
Fala-se de “apoio”, “solidariedade”, “valores”.
Mas ninguém pronuncia os nomes
dos que lucram com a miséria,
dos que apertam orçamentos
para que sobrem dividendos,
dos que tratam gente colada ao chão.

A pobreza não cai do céu —
é fabricada.
Tem autores, assinaturas, logótipos,
programas eleitorais,
conivências silenciosas.

E corporações que, ano após ano,
garantem que os mesmos continuem pobres
e os bilionários continuem a decidir.

Hoje, os poderosos dirão
que “ninguém fica para trás”.
Mentira: alguém fica para trás
porque alguém está sempre a empurrar.

É mais fácil decorar a palavra “equidade”
do que taxar fortunas;
mais fácil erguer campanhas
do que erguer salários;
mais fácil proclamar "caridade"
do que enfrentar interesses.

Pobreza não é tragédia humana —
é estratégia populista e ódio aos pobres
É o resultado frio
de permitir que o lucro vença o direito,
que o mercado vença a vida,
que a indiferença vença a vergonha.

Um dia mundial não chega.
O que falta é romper o silêncio cúmplice
e enfrentar e denunciar todos os dias
os que fazem da pobreza
uma máquina de produção contínua,
uma estratégia calculada,
um rendimento garantido.

Se é para lembrar os pobres,
então que nos lembrem também dos culpados.
E que se lhes retire — finalmente —
o privilégio de continuar a produzi-los."

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Em 2024, os bancos globais recuaram em muitas das promessas climáticas e aumentaram significativamente o seu financiamento dos combustíveis fósseis


Em 2024, os bancos globais recuaram em muitas das promessas climáticas e aumentaram significativamente o seu financiamento dos combustíveis fósseis, incluindo o aumento do financiamento
para a expansão dos combustíveis fósseis.

Toda a informação aqui

O valor comprometido é superior em mais de 162 mil milhões de dólares ao financiamento comprometido em 2023, ou seja aumentou em 20%
No total, 48 dos 65 bancos analisados ​​no relatório expandiram o seu financiamento para combustíveis fósseis entre 2023 e 2024, de acordo com o relatório "Banking on Climate Chaos", publicado em junho de 2025.

O J.P. Morgan Chase foi o principal financiador de combustíveis fósseis em 2024, tendo sido concedidos 53,5 mil milhões de dólares de financiamento. Seguem-se o Bank of America (46 mil milhões de dólares), o Citigroup (44,7 mil milhões de dólares), o Mizuho Financial (40,3 mil milhões de dólares) e o Wells Fargo (39,3 mil milhões de dólares).

Este crescimento no financiamento dos combustíveis fósseis é preocupante porque a nova infra-estrutura para os combustíveis fósseis perpetua a dependência destes combustíveis durante mais décadas, refere o relatório.

Após a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos em novembro de 2024, que prometeu durante sua campanha aumentar a produção de petróleo e gás, os maiores bancos do país abandonaram a Net-Zero Banking Alliance. A aliança é uma iniciativa voluntária, apoiada pela ONU, que visa incentivar os bancos a reduzirem seu apoio a projetos com alta emissão de carbono.

“A mensagem central do relatório deste ano é que as iniciativas voluntárias falharam”, disse Dordi. “Isso sinaliza um colapso total no compromisso do setor com a ação climática e confirma que essas instituições não liderarão a transição sem serem compelidas a fazê-lo.”

Estima-se que exista uma lacuna de financiamento anual de 14 a 17 triliões de dólares na transição para um futuro com zero emissões de carbono, de acordo com um relatório separado de 2024 da Force for Good.

sábado, 11 de outubro de 2025

O truque silencioso dos Bancos para te fazer gastar mais


Os bancos sabem mais sobre ti do que imaginas. Não apenas quanto dinheiro tens mas como e quando o gastas. E é com essa informação que aplicam um truque silencioso, quase invisível, que te leva a gastar mais sem te aperceberes. Mas no que consiste o truque silencioso dos bancos?

Este truque dos bancos não é magia. É psicologia (e dados)
Todos os bancos modernos utilizam sistemas de análise comportamental. Ou seja, algoritmos que estudam os teus hábitos de consumo, horários, tipo de compras e até o humor que transpareces nas tuas transações. Sim, o teu cartão também fala. E é aqui que entra o truque.

Cartões virtuais são seguros? Só se fizeres isto antes da compra!
O “limite invisível” que muda tudo
Quando recebes um aumento automático do limite de crédito ou do plafond do cartão, parece um gesto simpático, certo? Na realidade, é uma jogada calculada.

O banco aumenta ligeiramente o teu limite para dar-te uma falsa sensação de folga financeira. Não é suficiente para parecer excessivo, mas o bastante para te fazer pensar: “posso comprar isto, ainda tenho margem”.

E é assim que pequenas compras, 20€ aqui, 30€ ali, transformam-se em dívidas com juros de 15%, 18%, até 25%.

Os arredondamentos “sem dor”
Outro truque muito comum são os pagamentos automáticos arredondados:
Cada vez que pagas com o cartão, o sistema arredonda o valor para cima e coloca os cêntimos “de lado”, geralmente num fundo de poupança ou numa conta associada.

Parece uma boa ideia e até pode ser mas psicologicamente desliga-te do valor real que estás a gastar. Pagas 19,20€ mas sentes que gastaste “menos de 20€”. Esse “quase nada” repetido dezenas de vezes por mês é o que mantém os lucros constantes dos bancos de retalho.

O atraso calculado das notificações
Já reparaste que às vezes as notificações das tuas compras demoram a chegar? Não é sempre erro da app. Alguns bancos atrasam propositadamente o envio de alertas quando o cliente está a fazer várias transações seguidas.

A ideia é simples: não interromper o fluxo de compras. Se recebes notificações a cada 10 segundos, paras para pensar. Mas se só chegas a casa e vês todas de uma vez, já é tarde  e o cartão já trabalhou por ti.

Como não cair nestas armadilhas
Não há como escapar completamente, mas há formas de contrariar a psicologia do sistema:
  1. Desativa limites automáticos e aumentos “pré-aprovados”.
  2. Vê o teu saldo real, não o “disponível”.
  3. Usa apenas alertas imediatos por SMS ou push.
  4. Evita cartões com pagamento diferido porque mascaram o impacto do gasto.
O segredo é simples: quanto mais consciência tens do que gastas, menos te conseguem influenciar.

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Cartel da banca: bancos não têm de pagar nada pelas infrações cometidas em 11 anos



O Tribunal Constitucional rejeitou uma segunda tentativa da Autoridade da Concorrência (AdC) no caso conhecido como 'cartel da banca' para reverter a anulação das coimas de 225 milhões de euros aos bancos.

Num acórdão de 25 de agosto, a que a Lusa teve acesso, a conferência do Tribunal Constitucional (TC) indefere a reclamação do regulador da concorrência contra o facto de, em junho, o juiz-conselheiro Afonso Patrão ter rejeitado admitir o recurso que a AdC submeteu para apreciar a constitucionalidade do processo.

Com esta segunda decisão, o TC recusa de forma definitiva apreciar se o acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa (TRL) que declarou o processo prescrito é, ou não, conforme com a Constituição da República Portuguesa e com o direito da União Europeia (UE).

O litígio chega agora ao fim com este acórdão, fazendo transitar em julgado a decisão do TRL que declarou a prescrição e que anulou as coimas aos 11 bancos condenados pelo Tribunal da Concorrência.

Para o TC, a questão de inconstitucionalidade colocada pela AdC "não tem natureza normativa, sendo, por isso, inidónea a fiscalização concreta da constitucionalidade".

Segundo o acórdão, o tribunal entende que a AdC não lhe solicitou "que interprete a Constituição em consonância com o direito da União Europeia", antes que analisasse "a alegada desconformidade da interpretação seguida pelo tribunal a quo [Relação de Lisboa] com o direito da União Europeia num problema de inconstitucionalidade com referência, por um lado, ao valor que a Constituição atribui ao direito da UE e, por outro, à eficácia jurisdicional do direito da UE". Por isso, entendeu rejeitar analisar a decisão tomada pelo TRL.

A 20 de setembro de 2024, o Tribunal da Concorrência deu como provado que, de 2002 a 2013, os principais bancos do mercado português agiram em "conluio" para falsear a concorrência e confirmou as coimas aplicadas pela AdC em 2019.

Nessa instância ficou provado que as instituições trocavam informação de forma regular por telefone e por email para enviar dados aos concorrentes sobre os 'spreads' que iam praticar e sobre os volumes de crédito já concedidos.

Os bancos recorreram da decisão da primeira instância para o TRL, onde um coletivo de juízes declarou a contraordenação prescrita, por considerar que no período em que o processo esteve a ser analisado no Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) o processo não ficava suspenso para efeitos de contagem da prescrição.

A decisão no TRL foi tomada sem unanimidade, com um dos três juízes do coletivo a discordar que o processo estivesse prescrito.

A AdC e o Ministério Público recorreram para o TC para tentarem travar a anulação das coimas, mas logo num primeiro momento o tribunal rejeitou o pedido.

Foi contra essa decisão que a AdC apresentou a reclamação agora rejeitada.

Tal como o TC, o TRL também não analisou se a conduta dos bancos infringiu, ou não, a concorrência, porque, no ponto de partida, considerou os autos prescritos.

À Lusa, fonte oficial da AdC reagiu à decisão do TC afirmando que "fez tudo o que pôde para que esta infração à lei da concorrência fosse punida, até porque foi confirmada" por duas instâncias judiciais (o Tribunal da Concorrência e o TJUE).

"Esta decisão da conferência do TC não retira razão à AdC", afirma a instituição liderada por Nuno Cunha Rodrigues, lembrando que o TCRS "confirmou os factos" e que o TJUE confirmou que se tratava de "uma infração por objeto (expressão do direito da concorrência que qualifica as infrações como tão graves que dispensam a prova de efeitos nos consumidores)".

Os bancos que veem as coimas anuladas são a CGD (82 milhões de euros), BCP (60 milhões), Santander (35,65 milhões), BPI (30 milhões) Banco Montepio (13 milhões de euros), BBVA (2,5 milhões), BES (700 mil), BIC (500 mil), Crédito Agrícola (350 mil), UCI (150 mil). O Barclays também foi condenado, mas sem ter de pagar coima por ter denunciado o caso à AdC.

A Autoridade da Concorrência (AdC) afirmou ter feito todos os esforços para que os bancos envolvidos no ‘cartel da banca’ fossem sancionados pelas infrações cometidas entre 2002 e 2013.

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Abusadores da mama


Portugueses, a hora é grave: há bebés a mamar à conta do patronato até irem para a escola (ao menos, vá lá, não até irem para a tropa). Tudo para mães desviantes abocanharem uma redução de horário no trabalho. Ao que chegámos, compatriotas. Por isso é que isto está como está. Cuspam no chão, em repugnância. Felizmente, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social está à coca. "Infelizmente, temos conhecimento de muitas práticas em que, de facto, as crianças parece que continuam a ser amamentadas para dar à trabalhadora um horário reduzido, que é duas horas por dia que o empregador paga, até andarem na escola primária", disse em entrevista ao JN e TSF, no último domingo.

Agora, acabou-se a mama. O Governo propõe-se impor que o atestado médico para aceder à redução de horário, hoje só necessário a partir do primeiro ano de vida do bebé, passe a ser obrigatório desde a nascença e renovado a cada seis meses. O resultado prático, previsível, será diminuir o acesso a este direito, ou impedi-lo de todo. “Vai claramente afetar a sociedade mais vulnerável a nível económico, como é o caso das mães solteiras e vai empobrecer as famílias”, disse à SÁBADO Sara do Vale, da Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto. Faz hoje mesmo um ano e oito meses, o Estado português criou a Comissão para a Promoção do Aleitamento Materno, com a missão de mais do que duplicar a taxa de aleitamento materno exclusivo nos primeiros meses de vida do bebé. Agora sabota essa missão, para acabar com a fraude.

Qual fraude? A ministra não explicou, nem o Ministério responde a questões dos jornalistas sobre o assunto, desde domingo. Não há dados, nem provas, nem o mais leve indício publicado que fundamente que o problema existe, muito menos qual a sua dimensão. Há o “temos conhecimento” da ministra. Um achismo autossuficiente que justifica alterar uma política pública sem sequer validar os seus fundamentos ou estudar os seus impactos.

O Governo anda a prometer, e bem, desburocratizar e simplificar o funcionamento do Estado para facilitar a vida a investidores e empresas. Mas, quando se trata de direitos sociais, cria obrigações acrescidas de provas, papéis e carimbos de seis em seis meses para infernizar a vida de todos, a cavalo de umas vagas fraudes cuja dimensão, ou sequer existência, nem se maça a demonstrar. O Estado ágil e descomplicado é para quem possa pagá-lo.

Na verdade, não surpreende ver a ministra da Solidariedade mais empenhada na solidariedade corporativa do que na solidariedade social. Maria do Rosário Ramalho é hoje o exemplo mais gritante de uma cultura de conflitos de interesses que há muito permeia a política e se instalou no Governo. A sua família direta ilustra de forma eloquente um mercado de influências que une poderes públicos e privados e se banqueteia nos favores da lei. Ramalho, convém lembrar, é o apelido do gestor António Ramalho, marido da ministra, com profícua carreira, quer no setor público, quer no privado. Passou pela Infraestruturas de Portugal antes de aterrar no Novo Banco, de que foi CEO no período em que o “banco bom” do BES, comprado pelo fundo abutre da Lone Star, se serviu de 3,4 mil milhões de euros do Fundo de Resolução.

Sugado o filão das garantias públicas, Ramalho deu por concluído o seu serviço aos cobóis do Texas, que agora empocharam 4,8 mil milhões com a venda do Novo Banco. Ainda passou por uma consultora que o próprio havia contratado, na mesma lógica de porta giratória em que construiu o seu currículo, antes de uma passagem fulgurante pela Cruz Vermelha Portuguesa. Em maio, voltámos a vê-lo num lugar-chave: a presidência da Lusoponte, precisamente no momento em que a concessionária das pontes 25 de Abril e Vasco da Gama começa a negociar com o Governo uma eventual extensão da concessão (ou um novo concurso) para construir a terceira (e quem sabe a quarta) travessias, já anunciadas pelo Governo. Ramalho parte para essa negociação com a experiência que traz do lado público, na Infraestruturas de Portugal, e com o conforto de ter a esposa sentada à mesa do Conselho de Ministros. Como se não bastasse, a sua filha, Inês Ramalho, é vice-presidente do PSD. Entre pai, mãe e filha, a tríade Ramalho está instalada, simultaneamente, no concessionário, no Governo e no partido.

Depois dos dois anos, estranhou a ministra, “acho difícil de conceber” que uma criança continue a precisar de leite materno durante o horário de trabalho. Já um banco ou uma concessionária precisam da amamentação do contribuinte durante muito mais tempo do que isso. As prioridades públicas no combate aos abusos ficam claras. Acautelem-se, mães e bebés: a mama não é para todos.

E as Misericórdias roubam que se fartam. Roubam aos utentes, roubam aos municípios, roubam à Segurança Social. 

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Os negócios de Hugo Soares, Aguiar-Branco e alguns deputados do Chega



Conflito de interesses dos deputados do PSD:
Hugo Soares como José Pedro Aguiar-Branco detêm empresas com actividade no sector imobiliário. Com efeito, Hugo Soares, bastante próximo de Luís Montenegro, criou em 2020 a Capítulo Universal com a sua mulher, Patrícia Lopes Mendes. Com um capital social de 5.000 euros, a empresa começou por estar sedeada em Caminha, mas mudou-se entretanto para Braga. E tem um objecto social quase decalcado da Spinumviva: além de actividades de consultoria, surge a inevitável “gestão e comércio de bens imóveis próprios ou de terceiros, incluindo a compra para revenda”.
A empresa de Hugo Soares não tem facturado tanto como a de Luís Montenegro, mas aparenta ser um bom “pé-de-meia”. Nas últimas contas apresentadas, a Capítulo Universal facturou 164.000 euros – nem um cêntimo a mais nem a menos – e um lucro de quase 69 mil euros, tendo Hugo Soares declarado que recebeu 19 mil euros como gerente. Sem distribuição de lucros – para não haver aplicação de impostos –, o presidente do grupo parlamentar do PSD tem lucros acumulados de cerca de 285 mil euros, um pecúlio de quatro anos bastante razoável para quem investiu cinco mil euros.
Quanto a Aguiar-Branco, conhecido pela sua actividade de advogado, também mete o dedo no imobiliário. De entre as três empresas em que declara participações, uma delas – a Portocovi – tem actividade no sector imobiliário. Com uma participação minoritária do social-democrata (38,97%), a Portocovi tem sede em Lisboa, um capital próprio de 29 mil euros e no seu objecto social está “a compra e venda de bens móveis e imóveis, arrendamento, gestão e administração de bens próprios ou alheios e prestação de serviços”.

Conflito de interesses dos deputados do Chega
Filipe Melo é detentor de 50% de uma empresa com o seu próprio nome - a António Filipe Dias Melo Peixoto, Unipessoal Lda.
Filipe Melo é gerente da empresa constituída em 2016, com sede em Braga e capital social de 5.000 euros. O âmbito do negócio, refere o registo, é de “promoção imobiliária” e de “compra e venda de imóveis”.
A mulher de Filipe Melo, com quem está casado por comunhão de adquiridos, é também dona de uma imobiliária com o seu nome - Cristina Vilaça, Unipessoal Lda -, constituída em 2020, quando o marido já era deputado do Chega, com sede em Braga mas diferente da outra empresa, e com capital social de 500 euros.
Outro deputado mencionado é José Dias Fernandes, eleito pelo círculo da Europa e que é membro suplente do Chega na comissão que vai votar alterações à lei dos solos, que terá uma holding de gestão de património - a JOAM - nos arredores de Paris, em França.
Marcus Santos, deputado e ex-atleta de MMA, é dono de um ginásio onde ministra aulas. 
Rui Paulo Sousa, secretário-geral do CHEGA, é empresário agrícola, sócio da empresa Villabosque — Espargos Verdes do Ribatejo. Todos os que referi mantêm os seus negócios e são deputados na AR.

Fontes:

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Faixa de Gaza. "O genocídio, ao que parece, é lucrativo", denuncia relatora da ONU"


"Da Economia da Ocupação à Economia do Genocídio" é o título do mais recente relatório que Francesca Albanese vai apresentar, esta semana, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. A relatora especial da ONU para a situação dos Direitos Humanos na Palestina conclui que o genocídio levado a cabo por Israel em Gaza está a ser "lucrativo" para muitas multinacionais de setores como tecnologia, bancos e armas. 

O documento menciona mais de 60 empresas, incluindo grandes fabricantes de armas e tecnologia (Microsoft, Alphabet Inc. e Amazon), pelo apoio que têm dado à instalação de colonatos judeus e às operações militares em Gaza. 

Estas ações são referidas como parte de uma "campanha genocida". 

Também são mencionadas Caterpillar Inc e HD Hyundai, cujos equipamentos contribuíram para a destruição de propriedades palestinianas. São alguns nomes referidos no mesmo documento em que a relatora pede que as empresas interrompam as relações comerciais com Israel e que os dirigentes e executivos das mesmas sejam responsabilizados por “violações do Direito Internacional”. 

“Enquanto líderes políticos e governos se esquivam das suas obrigações, muitas entidades corporativas lucraram com a economia israelita de ocupação ilegal, apartheid e, agora, genocídio”, denuncia o documento. 

Francesca Albanese sublinha a urgência em exigir responsabilidades porque “a autodeterminação e a própria existência de um povo estão em jogo”.“Este é um passo necessário para pôr fim ao genocídio e desmantelar o sistema global que o permitiu”, está escrito no documento de 27 páginas. 

O relatório que Francesca Albanese apresenta esta semana, em Genebra, foi partilhado pela própria na mensagem que partilhou na rede social X. “Isto não é o negócio de sempre. O meu novo relatório da ONU, Da Economia da Ocupação à Economia do Genocídio, foi publicado hoje. Ele revela como as corporações alimentaram e legitimaram a destruição da Palestina. O genocídio, ao que parece, é lucrativo. Isto não pode continuar, a responsabilização deve ser o resultado”. 

“A cumplicidade exposta pelo relatório é apenas a ponta do icebergue”, admite o relatório de Francesca Albanese. O relatório foi elaborado com base em mais de 200 contribuições de Estados, defensores de Direitos Humanos e académicos. Francesca Albanese, que está mandatada pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU, mas que não fala em nome da organização, é uma das vozes mais críticas da guerra de Israel em Gaza. 

Francesca Albanese foi também uma das primeiras vozes a classificar a guerra de Israel contra a população palestiniana como "genocídio". 

Ainda na terça-feira, os Estados Unidos pediram ao secretário-geral da ONU que expulse Francesca Albanese do cargo de relatora especial para a situação dos direitos humanos na Palestina, alegando "má conduta". Washington considerou ainda que as alegações de Albanese de que Israel está a cometer genocídio em Gaza e a envolver-se num sistema de 'apartheid' "são falsas e ofensivas".

sábado, 24 de maio de 2025

Lucros da banca: riqueza para uns, sacrifício para o povo

Os números falam por si: os grandes bancos portugueses anunciaram lucros astronómicos. Milhões e milhões acumulados — não por mérito produtivo, mas à custa do aperto que o povo enfrenta todos os dias.

Enquanto as famílias vivem com salários estagnados, enfrentam rendas insustentáveis e veem os serviços públicos a degradar-se, os bancos celebram em festa. Crescem comissões, aumentam juros nos créditos à habitação, e lucra-se com a dívida de quem só quer viver com dignidade.

É o retrato de um sistema invertido: os que produzem riqueza são penalizados, os que a acumulam sem produzir são premiados. Um sistema onde a especulação vale mais do que o trabalho, onde os direitos de quem trabalha são tratados como obstáculos, enquanto os lucros dos acionistas são tratados como intocáveis.

Esta situação não é inevitável. É o resultado de escolhas políticas:
– Escolhas que protegem o grande capital.
– Que alimentam desigualdades.
– Que empobrecem a maioria para enriquecer uma minoria.

É inaceitável que se continue a tratar a banca como se fosse um setor “sagrado”, imune a qualquer responsabilização social ou fiscal. O que hoje existe não é economia — é um sistema de extração, onde os bancos funcionam como máquinas de sugar o pouco que resta às famílias trabalhadoras.

A solução não é dar mais benefícios aos banqueiros.
A solução é romper com a política de direita que desmantela o Estado social e entrega o país aos interesses financeiros.

Está na hora de dizer basta.
Está na hora de valorizar quem trabalha, de garantir direitos, de regular a banca com coragem, e de reconstruir um país onde o lucro de uns não se faça à custa da miséria dos outros.

O povo não pode continuar a pagar a fatura do privilégio