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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Dia Mundial das Zonas Húmidas: Expansão agrícola e urbana, alterações climáticas e invasoras continuam a pressionar estes ecossistemas vitais


Ambientes aquáticos costeiros ou interiores que albergam uma grande diversidade de formas de vida, que fornecem uma série de serviços críticos para o bom funcionamento dos ecossistemas e para a sobrevivência de humanos e não-humanos. Contudo, estão gravemente ameaçados, sobretudo devido à forma como temos lidado com eles, e a sua degradação custar-nos-á caro.

Para quem ainda não percebeu, falamos de zonas húmidas, pois esta segunda-feira, dia 2 de fevereiro, assinala-se o Dia Mundial das Zonas Húmidas. Esta efeméride foi estabelecida com a adoção da Convenção de Ramsar, em vigor desde 1975, e que tem como missão basilar a conservação desses habitats, vitais para humanos e não-humanos, para a diversidade biológica e sociocultural, e também eles muito diversos.

As zonas húmidas podem ser pântanos, charcos, ou turfeiras, naturais ou artificiais, de água estagnada ou corrente, de água doce, salobra ou salgada, incluindo áreas de água do mar cuja profundidade não seja superior a seis metros. Além disso, podem incluir zonas ribeirinhas ou costeiras que a elas sejam adjacentes, como “ilhéus ou massas de água marinha com profundidade superior a seis metros durante a maré baixa”, especialmente de forem importantes como habitats para aves marinhas.

Apesar de apenas cobrirem 6% da superfície da Terra, estimativas apontam para que cerca de 40% de todas as espécies de animais e de plantas dependem das zonas húmidas, para viverem, para se alimentarem e para se reproduzirem.

Um estudo publicado em 2023 na ‘Nature’ revelava que, entre 1700 e 2020, o mundo perdera cerca de 21% das suas zonas húmidas devido às atividades humanas, uma extensão perto dos 3,4 milhões de quilómetros quadrados. Essas perdas foram sobretudo causadas pela conversão das zonas húmidas em áreas agrícolas, mas também pela poluição, pela expansão urbana e industrial e pelo turismo insustentável.Stanford-led study finds global wetlands losses overestimated despite high losses in many regions

À Green Savers, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) explica que, quando a essas ameaças juntamos os efeitos das alterações climáticas, “o cenário torna-se, de facto, mais preocupante”.

Por provocarem secas cada vez mais frequentes e intensas, as alterações climáticas são apontadas como umas das principais ameaças às zonas húmidas. Quando esses habitats, como as turfeiras, perdem a água que lhes dá vida, o carbono aí armazenado ao longo de muitos anos no solo e na biomassa pode acabar por libertar-se na atmosfera, “contribuindo de forma significativa para um aumento das emissões globais de dióxido de carbono” e também para a crise climática.

Atualmente, aproximadamente 25% das espécies que dependem das zonas húmidas (para se reproduzirem, para se alimentarem, como pontos de paragem importantes durante migrações) estão ameaçadas de extinção, diz o ICNF. E se a destruição desses habitats não for travada e se não se recuperar dos danos causados, essas espécies enfrentarão um risco ainda maior.

As zonas húmidas em Portugal
Em Portugal, as zonas húmidas estão também a sofrer uma série de pressões, à semelhança do que se passa no resto do mundo.

Diz-nos o ICNF que, de acordo com dados comunicado pelo país à Comissão Europeia no ano passado relativos ao período entre 2019 e 2024, 58,7% dos habitas de zonas húmidas de Portugal continental e regiões autónomas estão em bom estado de conservação. Em sentido inverso, 31,7% estão avaliados como em mau estado de conservação.

Por cá, as principais ameaças às zonas húmidas são a fragmentação, degradação e destruição, especialmente devido à intensificação da agricultura e da silvicultura, à expansão urbana e à “crescente pressão turística”, explica o instituto. A agravar esses fatores está a introdução de espécies exóticas invasoras “que afeta a estrutura das comunidades biológicas nativas destes ecossistemas”, e, claro, as alterações climáticas são mais um prego no caixão.

Portugal tem 32 zonas húmidas protegidas ao abrigo da Convenção de Ramsar, com uma área total combinada de perto de 134.000 hectares. A Lagoa de Óbidos foi a mais recente adição à lista portuguesa de Sítios Ramsar, com cerca de 6,9 quilómetros quadrados e fazendo fronteira com os concelhos de Caldas da Rainha e de Óbidos.

O ICNF assegura que quase todas as zonas húmidas listadas da Convenção de Ramsar estão sujeitas a algum tipo de proteção legal, seja por serem parte da Rede Nacional de Áreas Protegidas, por serem Zonas de Proteção Especial no âmbito da Diretiva Aves da União Europeia ou Zonas Especiais de Conservação da Diretiva Habitats, por estarem sujeitas aos Planos Diretores Municipais ou ainda por estarem incluídas nas reservas agrícola ou ecológica nacionais.

No relatório nacional submetido em fevereiro do ano passado à 15.ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção de Ramsar, que aconteceu em Victoria Falls, no Zimbabué, Portugal diz que entre a COP15 e a COP14, de 2022, conseguiu-se aumentar a consciência das populações e das autoridades locais para o valor das zonas húmidas e para a sua importância na adaptação e mitigação das alterações climáticas.

O documento aponta ainda como conquistas nesse período de três anos o aumento do número de eventos e atividades realizados todos os anos no país para celebrar o Dia Mundial das Zonas Húmidas, o “aumento significativo” do número de projetos implementados de restauro de zonas húmidas, a crescente valorização da dimensão sociocultural e histórica desses habitats e o maior número de ações para gerir e controlar espécies invasoras que ameaçam esses ecossistemas.

Entre as principais dificuldades na implementação da convenção entre 2022 e 2025 Portugal indicou a falta de planos de gestão para a maioria dos Sítios Ramsar no país, a falta de um inventário nacional das zonas húmidas, o aumento dos impactos das alterações climáticas, o aumento da agricultura intensiva em algumas zonas do país e a “rápida expansão” das espécies invasoras.

Para o biénio 2026-2028, Portugal elencou como prioridades a continuação da gestão das invasoras, o desenvolvimento do inventário nacional, a criação de um órgão equivalente a uma comissão nacional das zonas húmidas e o reforço do envolvimento da população na conservação desses ecossistemas.

As pessoas e as zonas húmidas

O tema do Dia Mundial das Zonas Húmidas deste ano pretende destacar a íntima e longeva ligação entre as culturas humanas e esses habitats aquáticos, especialmente salientando os serviços culturais por eles prestados aos humanos.

“As pessoas coexistem com as zonas húmidas desde a pré-História, aproveitando os serviços que elas prestam, e desenvolvendo um valioso conhecimento tradicional”, diz-nos fonte do ICNF. Durante milénios, essa coexistência permitiu à nossa espécie desenvolver um amplo conhecimento tradicional, transmitido de uma geração para a seguinte, que sobre os aspetos mais científicos das zonas húmidas, mas também sobre as dimensões éticas e espirituais.

Esse saber alicerçado na convivência e interligação com esses habitats, e com a vida que neles se encontra, permitiu “uma gestão sustentável dos recursos naturais fornecidos pelas zonas húmidas ao longo de milhares de anos”, afirma o instituto, que considera que devemos olhar para o passado, aprender com aqueles que vieram antes de nós, para tentar solucionar os problemas com os quais nos deparamos no presente.

“A integração destas práticas e tradições ancestrais nas estratégias de conservação atuais é essencial para obter soluções eficazes, inclusivas e duradouras”, argumenta o ICNF, destacando como fundamental o envolvimento das comunidades locais e a valorização e aproveitamento do seu conhecimento e experiência para proteger, conservar e restaurar as zonas húmidas.

“Os conhecimentos locais, bem como a ciência cidadã, já são recursos inestimáveis para se conhecer o estado das zonas húmidas.”

Por tudo isso, a continuação da perda de zonas húmidas ameaça a sobrevivência de muitas espécies de plantas e de animais que delas dependem, põe em risco a subsistência de diversas comunidades humanas que nelas encontram a sua principal fonte de sustento, como pescadores e mariscadores, e podem fazer desaparecer tradições e costumes de séculos ou de milénios de existência, como festas e romarias, que ainda hoje são celebradas e que têm as zonas húmidas no seu cerne.

“A perda e degradação das zonas húmidas agrava o problema da perda da biodiversidade e coloca em risco as espécies dependentes destes habitats”, diz-nos o ICNF, e “ameaça não só a subsistência das suas comunidades locais, como também a sua identidade cultural”.

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

A COP 27 reconhece e compensa os danos irreversíveis das mudanças climáticas, mas o acordo se contenta em não recuar


A conferência de Ramsar (COP14) foi concluída após um mês de reuniões internacionais de alto nível que são fundamentais para o futuro da resposta global à emergência ambiental. Esta cimeira apelou à relevância da conservação das zonas húmidas para fazer face às alterações climáticas e à perda de biodiversidade.

Em Espanha, perdemos 60% das zonas húmidas desde a década de 1990. É cada vez mais evidente que é necessário declarar estas zonas como o primeiro habitat em perigo de extinção, como há anos pedimos à SEO/BirdLife.

Saudamos o fato de a COP27 reconhecer que os mais vulneráveis ​​devem ser compensados ​​pelos danos irreversíveis causados ​​pelas mudanças climáticas, cada vez mais presentes em nossas vidas. Ao mesmo tempo, lamentamos que os negociadores tenham tido que chegar a um acordo mínimo, e sem avanços, para não deixar morrer o objetivo comum de que o planeta não aumente sua temperatura média acima de 1,5º Celsius. Essa meta, definida na COP26 em Glasgow, estava prestes a cair, o que significaria o primeiro revés na história das negociações climáticas.

A cúpula do Egito finalmente aprova o tão esperado sistema de perdas e danos. Com este fundo, promovido pela UE in extremis, os Estados mais vulneráveis ​​serão compensados ​​pelos danos que já são irreversíveis e que, no futuro, podem levar diretamente ao desaparecimento de parte ou da totalidade de um país, especialmente ilhas . Países que, por outro lado, não foram responsáveis ​​pelas mudanças climáticas.

“É um passo decisivo no caminho para alcançar a justiça climática para os mais vulneráveis ​​e mais afetados pelas mudanças climáticas que ocorreram em outras partes do mundo. Mas é muito mais: é o mais franco reconhecimento da comunidade internacional sobre as mudanças climáticas e seus efeitos. Num momento de crescente negacionismo, mesmo no Ocidente, fica ainda mais claro que a mudança global está aqui e está prejudicando as pessoas. O que o Egito deixa no ar é quanto, quem e como os danos e prejuízos serão pagos aos países mais vulneráveis. O dinheiro que existe no momento é absolutamente insuficiente. Os países têm que começar a trabalhar agora para que essa questão seja definida até 2023”, disse o chefe de Clima da SEO/BirdLife, David Howell, de Sham el-Sheikh.

Um acordo para deixar as coisas como estão

O avanço decisivo, mas ainda pequeno, representado pelo mecanismo de perdas e danos é provavelmente o único motivo de satisfação na COP27, onde – pela primeira vez – a comunidade internacional está prestes a dar um passo atrás na luta contra a mudança climática: abandonar o objetivo de que a temperatura do planeta não suba acima de 1,5º Celsius, limite de segurança para as pessoas segundo a comunidade científica.

“Fundamentalmente devido à determinação da UE, que esteve prestes a abandonar a cimeira, foi permitido chegar a um acordo mínimo em que as coisas permanecem como estavam: nos mesmos termos que foram alcançados em Glasgow. Isso, na prática, significa pelo menos um atraso na ação climática: enquanto a temperatura média continua subindo (já estamos em um aumento de 1,1ºC), os esforços e compromissos que os países agora têm sobre a mesa permitiriam o aumento médio a 2,5ºC ou mais. Isso, segundo o consenso científico, terá consequências devastadoras para as pessoas e também para a natureza. Cada décimo a mais no termómetro implica o desaparecimento de fato de espécies, de espaços naturais e sofrimento adicional para milhões de pessoas”, aponta Howell.

Direito a um ambiente saudável, na decisão

Nas negociações, também ameaçou que a COP27 reconhecesse o direito humano a um meio ambiente limpo, saudável e sustentável em sua resolução final. O comunicado sumiu na tarde desta sexta-feira, 18 de novembro, por pressão de alguns dos partidos. Isto levou à mobilização de centenas de ONG à escala global, entre as quais a BirdLife International e a SEO/BirdLife, promotoras da iniciativa que conseguiu, no passado mês de julho, que a Assembleia Geral das Nações Unidas reconhecesse este direito.

“O que aconteceu em Sham el-Sheikh é a prova de que conquistar direitos como esse é tremendamente difícil e que eles podem ser perdidos em apenas um instante. A justiça climática e a luta pela mitigação de emissões são parte fundamental do direito ao meio ambiente e, a partir de agora, faz parte do roteiro da Diplomacia Climática significa que ganhamos uma nova ferramenta para levar os países adiante, nos picos e nas casa. Em Espanha, é tempo de exigir que este direito, agora reconhecido como princípio orientador da política social e económica, se torne um direito fundamental e plenamente vinculativo”, afirma a diretora executiva da SEO/BirdLife, Asunción Ruiz.

Nenhuma chamada para a cúpula da biodiversidade

Por último, outra das desilusões desta cimeira é que a resolução final não prevê a mais do que decisiva Cimeira da Biodiversidade, que se realiza desde 7 de dezembro em Montreal (Canadá). “Esta cúpula é chamada a criar um Acordo de Paris para a natureza e a COP27 perdeu a oportunidade de lembrar aos negociadores que, sem a biodiversidade, os objetivos, justamente, os Acordos de Paris, não podem ser alcançados. 37% de suas metas dependem exclusivamente da conservação e recuperação da natureza”, diz Ruiz. E acrescenta: “Sem dúvida, Montreal é a cúpula mais importante a ser realizada este ano. Precisamos de um acordo com objetivos claros e vinculantes para todos os países que permitam ao mundo deter a sexta extinção que estamos vivendo até 2030 e começar a recuperar a natureza.

Papel da Espanha na COP27

A Espanha posicionou-se como um dos países que lideram os esforços para alcançar acordos multilaterais que permitam abordar os requisitos expressos pela Ciência. A SEO/BirdLife valoriza muito a atuação da vice-presidente do governo espanhol, Teresa Ribera, e solicita um papel semelhante na COP15 da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD) que começa no dia 7 de dezembro em Montreal. «A perda da biodiversidade é a outra face da moeda das alterações climáticas e uma das soluções para a travar. é por isso que a Espanha deve mostrar a mesma determinação na CBD COP15. O trabalho do governo não deve terminar hoje, em Montreal devemos alcançar um Marco Global para a Biodiversidade semelhante ao que alcançamos em Paris para o Clima», aponta Ruiz.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Dossiê BioTerra: COP

ATENÇÃO © Copyleft - É permitida a partilha do dossiê exclusivamente para fins não comerciais e desde que o autor e o BioTerra sejam citados.


Conference of the Parties (COP)  || Conferência das Partes


O que é a COP?
A COP é o órgão decisório supremo da Convenção. Todos os Estados que são  Partes da Convenção estão representados na COP, na qual revisam a implementação da Convenção e quaisquer outros instrumentos legais que a COP adote e tomem as decisões necessárias para promover a implementação efetiva da Convenção, incluindo arranjos institucionais e administrativos .

Mais informações sobre a COP
Uma tarefa fundamental para a COP é rever/reformular/ emendar as comunicações nacionais e os inventários de emissões apresentados pelas Partes. Com base nessas informações, a COP avalia os efeitos das medidas adotadas pelas Partes e o progresso alcançado na consecução do objetivo final da Convenção.

A COP reúne-se todos os anos, a menos que as Partes decidam  outra forma. A primeira reunião da COP foi realizada em Berlim, Alemanha, em março de 1995. A COP reúne-se em Bonn, sede do secretariado, a menos que uma Parte se ofereça para sediar a sessão. Assim como a presidência da COP gira entre as cinco regiões reconhecidas da ONU - isto é, África, Ásia, América Latina e Caraíbas, Europa Central e Oriental e Europa Ocidental e Outros - há uma tendência de que o local da COP também mude entre esses grupos.

Saber mais:
Bureau of the COP
Information on election and membership of the bodies of the Convention

NOVA ATENÇÃO © COPYRIGHT-  Ao partilhar, agradeço atempadamente a indicação do autor e do meu blogue Bioterra. Estes dossiês resultam de um apurado trabalho de pesquisa, selecção de qualidade e organização.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

COP19 / CMP9 – Varsóvia, Polónia (Novembro de 2013)


    Com o objetivo de chegar à um acordo climático, onde se tornará obrigatória a redução das emissões de gases de efeito estufa à partir de 2020, aconteceu em Varsóvia – Polônia, a Conference of Parties (COP19) da Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudanças do Clima (United Nations Framework Convention on Climate Change – UNFCCC), onde ocorreu simultaneamente a Conference of Meeting of Parties (CMP9) do Protocolo de Quioto, no período de 11 à 23 de novembro de 2013.

    A conferência também incluiu reuniões de três órgãos subsidiários: a 39ª sessão do Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico e Tecnológico (SBSTA 39), o Órgão Subsidiário de Implementação (SBI 39) e a terceira parte da segunda sessão do Trabalho Ad Hoc Grupo sobre a Plataforma de Durban para Ação Avançada (ADP 2).

    Pela segunda vez na Polónia, a Conferência teve mais de 8.300 participantes que representavam os governos, órgãos das Nações Unidas, ONG’s, a sociedade civil, a impressa e partes interessadas no assunto. A primeira vez que o país recebeu uma COP foi na cidade de Poznan em 2008, quando ocorreu a COP14.

    No início da Conferência houve o discurso de Nadrev Sano, Comissário de Mudanças Climáticas das Filipinas, que falou sobre a devastação que seu país sofreu por conta do tufão Hayan. Tal discurso ocorreu no dia 12 de novembro – segundo dia do evento-, emocionando os presentes na Conferência.

    A Conferência foi marcada por conflitos entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento, principalmente no que se referiu à diminuição das emissões de gases do efeito estufa (GEE), onde os países emergentes – principalmente China e Índia responsabilizaram os países industrializados pelos problemas climáticos atuais e reivindicaram seu direito ao desenvolvimento e, por conta do mecanismo de compensação econômica por perdas e danos, projeto este muito contestado pelos desenvolvidos.

    Por causa desses e outros impasses, as negociações ocorreram de forma muito lenta o que gerou protestos em muitos observadores, sobretudo àqueles que representavam as ONG’s e, se retiraram no penúltimo dia do encontro, alegando a falta de progresso nas negociações por um novo acordo global de redução das emissões dos GEE, como pressão para o prosseguimento das negociações.

    Dentre as decisões gerais da COP19, destacam-se o regime de compensação por perdas e danos (loss & damage), financiamento climático e pagamento por emissão reduzida a partir de esforço de combate ao desmatamento e à degradação florestal (REDD+). A próxima conferência (COP20) será em Lima no Peru, no período de 1 à 12 de dezembro de 2014, onde se espera uma melhor tomada de decisões, pois ocorrerá às vésperas do novo acordo climático de reduções de GEE, que deve ser assinado na COP21, em Paris.

    Durante a COP19 aconteceram eventos paralelos de interesse dos governos estaduais. Ocorreu o evento Implementing Climate Actions on the Basis of Territorial Cooperation, que foi promovido pela Rede de Governos Locais para o Desenvolvimento Sustentável (NRG4SD), The Climate Group (TCG) e Centro Euro Mediterrâneo para Mudanças Climáticas (CMCC). Moderado por Antonio Navarra (Presidente do CMCC), o encontro contou com a presença do Secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo Bruno Covas (Co-Presidente Sul da NRG4SD) e do Vice-Presidente da CETESB Nelson Bugalho, entre outros representantes da Catalunha/Espanha, Califórnia/EUA, Comitê de Regiões/ União Europeia, Quebec/Canadá, País de Gales/Reino Unido. Na ocasião foram apresentadas as políticas das diversas regiões. São Paulo expôs a iniciativa conjunta com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Ministério de Meio Ambiente (MMA), no sentido de harmonizar políticas iniciando pela realização centralizada de inventários de emissões dos demais Estados da Federação.

    O calendário oficial da UNFCCC pode ser acompanhado no link: unfccc.int/
  • United Nations Framework Convention on Climate Change.
  • Revista ECO-21.

Saiba mais sobre a COP19

Página Oficial COP 19 – UNFCCC
Notícias COP19
IISD Reporting Services
Decision -/CP.19 – Addressing the drivers of deforestation and forest degradation – Warsaw Climate Change Conference – November 2013.
Decision -/CP.19 – Arrangements between the Conference of the Parties and the Green Climate Fund – Warsaw Climate Change Conference – November 2013.
Further advancing the Durban Platform – Warsaw Climate Change Conference – November 2013.
Decision -/CP.19 – General guidelines for domestic measurement, reporting and verification of domestically supported nationally appropriate mitigation actions by developing country Parties – Warsaw Climate Change Conference – November 2013.
Decision -/CP.19 – Guidelines and procedures for the technical assessment of submissions from Parties on proposed forest reference emission levels and/or forest reference levels – Warsaw Climate Change Conference – November 2013.
Decision -/CP.19 – Modalities for national forest monitoring systems – Warsaw Climate Change Conference – November 2013.
Decision -/CP.19 – Nairobi work programme on impacts, vulnerability and adaptation to climate change – Warsaw Climate Change Conference – November 2013.
Decision -/CP.19 – National adaptation plans – Warsaw Climate Change Conference – November 2013.
Decision -/CP.19 – Report of the Global Environment Facility to the Conference of the Parties and guidance to the Global Environment Facility – Warsaw Climate Change Conference – November 2013.
Decision -/CP.19 – Report of the Green Climate Fund to the Conference of the Parties and guidance to the Green Climate Fund – Warsaw Climate Change Conference – November 2013.
Decision -/CP.19 – Warsaw international mechanism for loss and damage associated with climate change impacts – Warsaw Climate Change Conference – November 2013.
Decision -/CP.19 – Work programme on long-term finance – Warsaw Climate Change Conference – November 2013.
Decision -/CP.19 – Work programme on results-based finance to progress the full implementation of the activities referred to in decision 1/CP.16, paragraph 70 – Warsaw Climate Change Conference – November 2013.
IISD. Climate Change Warsaw: Thursday, 22 November 2013. Earth Negotiations Bulletin, New York, Vol. 12 N° 593, Nov 2013.
IISD. Climate Change Warsaw: Wednesday, 21 November 2013. Earth Negotiations Bulletin, New York, Vol. 12 N° 592, Nov 2013.
IISD. Climate Change Warsaw: Tuesday, 20 November 2013. Earth Negotiations Bulletin, New York, Vol. 12 N° 591, Nov 2013.
IISD. Climate Change Warsaw: Monday, 18 November 2013. Earth Negotiations Bulletin, New York, Vol. 12 N° 589, Nov 2013.
IISD. Climate Change Warsaw: Saturday, 16 November 2013. Earth Negotiations Bulletin, New York, Vol. 12 N° 588, Nov 2013.
IISD. Climate Change Warsaw: Friday, 15 November 2013. Earth Negotiations Bulletin, New York, Vol. 12 N° 587, Nov 2013.
IISD. Climate Change Warsaw: Thursday, 14 November 2013. Earth Negotiations Bulletin, New York, Vol. 12 N° 586, Nov 2013.
IISD. Climate Change Warsaw: Wednesday, 13 November 2013. Earth Negotiations Bulletin, New York, Vol. 12 N° 585, Nov 2013.
IISD. Climate Change Warsaw: Tuesday, 12 November 2013. Earth Negotiations Bulletin, New York, Vol. 12 N° 584, Nov 2013.
IISD. Climate Change Warsaw: Monday, 11 November 2013. Earth Negotiations Bulletin, New York, Vol. 12 N° 583, Nov 2013.
IISD.Bonn Climate Change Conference:Friday, 7 June 2013. Earth Negotiations Bulletin, New York, Vol. 12 N° 574, Jun 2013.
IISD. Summary of the Bonn CLimate Change Conference: 3-14 June 2013. Earth Negotiations Bulletin, New York, Vol. 12 N° 580, Jun 2013.
IISD.Summary of the Bonn Climate Change Conference:29 april – 3 may 2013. Earth Negotiations Bulletin, New York, Vol. 12 N° 568, Sep 2012.

sábado, 10 de agosto de 2013

O que é e o que não é sustentabilidade segundo F. Capra


Começa Capra dizendo que conceito de sustentabilidade, que tem assumido diversas formas desde a sua concepção na década de 1980.

“Não é o que os economistas gostam de falar – sobre crescimento econômico e vantagens competitivas”, colocou. “Uma comunidade sustentável deve ser desenvolvida de forma que a nossa forma de viver, nossos negócios, nossa economia, tecnologias, e estruturas físicas não interfiram na capacidade da natureza de sustentar a vida. Devemos respeitar e viver de acordo com isto”.

Os primeiros passos para tal seriam entender como a natureza sustenta a vida, isso envolve toda uma nova compreensão ecológica, um pensamento sistêmico, explica Capra.

“Não podemos mais enxergar o universo como uma máquina, composta de blocos elementares. Descobrimos que o mundo material é principalmente uma rede inseparável de relações. O planeta é um sistema vivo e auto-regulado. A evolução não é uma luta competitiva pela existência, mas sim uma dança cooperativa.”

Nesta nova ênfase na complexidade, as redes são o padrão básico da organização dos seres vivos. Os ecossistemas são uma rede de organismos, por exemplo. Para compreender as redes, Capra explica que precisamos pensar em termos de relacionamentos, de padrões.

“Isto é o pensamento sistêmico. É compreender que a natureza tem sustentado a ‘Teia da Vida’ por milhões de anos e que para isto são necessários ecossistemas e não apenas organismos ou espécies.”

Alfabetização Ecológica
Nas próximas décadas, a sobrevivência da humanidade vai depender da nossa capacidade de entender os princípios básicos da ecologia e de viver de acordo com eles, ressalta o físico. Isso significa que a alfabetização ecológica precisa se tornar um campo crítico para políticos, lideres empresariais e profissionais de todas as áreas, além de ser a parte mais importante da educação em todos os níveis.

“Quando pensamos sobre os maiores problemas, o surpreendente é que estão interconectados. Não temos apenas uma crise econômica, ou ecológica, ou de pobreza, ou financeira, elas estão todas conectadas. Esses problemas não podem ser compreendidos isoladamente. São sistêmicos, interdependentes e precisam de soluções correspondentes”.

Capra elogiou o Programa Água Boa, desenvolvido pela Itaipu Energia, classificando a iniciativa como um “exemplo muito bonito de solução sistêmica”.

“Analisando os problemas atuais dessa forma sistêmica, podemos constatar que a questão subjacente é a ilusão que o crescimento infinito pode continuar em um planeta finito. Os economistas, com o seu pensamento linear, parecem não entender”, lamenta o físico.

“Nosso sistema econômico é movido pela ganância e pelo materialismo, pensando que não há limites. Isto resulta nas diferenças imensas entre o preço de mercado e o verdadeiro custo, como é visto com os combustíveis fósseis. Ouvimos sobre o gás de xisto e o novo processo de ‘fracking’ – ouvimos que é muito barato, mas o fato é que devasta o ambiente e é tóxico para as pessoas (..) O pensamento linear leva a concluir que o xisto é muito barato, mas se pensarmos nisso sistemicamente, ele é muito caro e perigoso”, explica Capra.

“No centro da economia global está uma rede de crescimento financeiro, criado sem qualquer enquadramento ético. Hoje, se você é especulador pode investir em qualquer projeto ao redor do mundo e computadores levam uma fração de segundo para movimentar dinheiro. O único critério é lucrar (..) não há critérios éticos envolvidos nesta economia global. Exclusão social e desigualdades são elementos inerentes desta globalização.”

O crescimento indiscriminado é na verdade “uma doença”, nota, completando que o desafio elementar é como mudar do crescimento ilimitado para um sistema ecologicamente sustentável e socialmente justo.

Crescimento qualitativo
Para Capra, o crescimento zero não é a resposta, pois crescer é uma característica central da vida.

“Na natureza o crescimento não é linear e ilimitado. Num ecossistema, uns crescem mais, outros declinam e assim reciclam seus componentes, que se tornam recursos para um novo crescimento. Há um crescimento multifacetado, qualitativo, que contrasta com o quantitativo pregado atualmente por economistas”.

Assim como outros grandes pensadores, Capra questiona o uso preponderante Produto Interno Bruto (PIB) para medir a saúde dos países.

Custos sociais como acidentes, guerras, mitigação e cuidados com a saúde são adicionados e aumentam o PIB e o fato que o seu crescimento pode ser patológico raramente é citado por economistas, alerta.

“Esse reconhecimento da falácia do crescimento económico é essencial. É o primeiro passo para superar a atual crise económica global (..) Grande parte do que se chama de ‘crescimento’ é lixo e destruição.”

O verdadeiro crescimento, explica, melhora a qualidade de vida e aumenta a sua complexidade, sofisticação e maturidade.

“Isto faz parte de uma mudança de paradigma de quantidade para qualidade. O crescimento qualitativo é consistente com a nova concepção científica da vida”, explica. “Não se pode medir a natureza de um sistema complexo, como os ecossistemas, a sociedade ou a economia, em termos puramente quantitativos.”

Para Capra, a qualidade não pode ser agregada em um único número. “Então, como seria possível promover o crescimento qualitativo? Definitivamente não através do PIB”.

“Precisamos distinguir o bom do ruim para que os recursos naturais presos a processos ruins possam ser direcionados para os eficientes e sustentáveis”, comentou. “O crescimento ruim é aquele que gera externalidades ambientais, econômicas e sociais e o bom envolve processos produtivos mais eficientes, que usam energias renováveis, têm emissões zero, reciclam, restauram ecossistemas e a apoiam as comunidades locais.”

Construindo a qualidade
Entender as conectividades dos nossos problemas globais e reconhecer soluções sistêmicas é a primeira lição para construir a qualidade que precisamos hoje para a liderança global, segundo Capra. Outra lição seria a construção de um ‘senso moral’.

A perspectiva sistêmica mostra que dois problemas urgentes, a desigualdade econômica e as mudanças climáticas, resultam da estrutura econômica e corporativa global que não têm ‘senso moral’, nota.

Um exemplo disso são as conclusões de um estudo de 2012 apontando que os ricos globais somam juntos até US$ 32 triliões. “Se eles tivessem um senso moral e pagassem seus impostos não haveria mais crise. Haveria dinheiro suficiente”, ressaltou Capra.

Outro exemplo citado pelo físico se volta para as conclusões inequívocas da ciência sobre as mudanças climáticas e a necessidade das empresas que exploram combustíveis fósseis de abandonar os planos de exploração de 80% das reservas contabilizadas em seus ativos.

“Elas estão dispostas a fazer isso? As empresas precisam se perguntar: o meu modelo de negócios inclui a destruição do planeta? Ou tem uma alternativa moral?”

Liderança e o Brasil
“Hoje temos conhecimento e tecnologia para a transição para um futuro sustentável, não precisamos dos perigos da energia nuclear e nem de gás de xisto. Podemos ir além dos combustíveis fosseis”, defendeu Capra.

“Precisamos de vontade política e liderança (..) O que em tempos estáveis é diferente do que em tempos de crise ambiental e econômica, que é o que temos hoje. A maioria dos problemas são globais, apesar da demanda por lideranças em nível regional e corporativo, precisamos também de lideranças em nível global”.

Capra ressalta que na atual crise global, o Brasil e a Alemanha estão melhor posicionados do que a maioria dos países.

Ele comentou que nos Estados Unidos, Barack Obama foi eleito com grandes esperanças, mas sucumbiu ao sistema corrupto, e no fim, a riqueza dos pobres está sendo sistematicamente repassada para os ricos. Porém, ele acredita que no Brasil a situação está melhor, apesar da população não estar satisfeita.

“Programas como o Bolsa Família e o Fome Zero reduziram a desigualdade econômica ao retirar milhões de pessoas da pobreza, mas mesmo assim muitos problemas de desigualdade e corrupção permanecem e ainda há muito trabalho a ser feito.”

“O Brasil pode ser um líder global”, ressaltou após assistir apresentações sobre o Programa Água Boa e sobre as ações de sustentabilidade previstas para a Copa de 2014. “Estes são ótimos exemplos de liderança global que precisam ser divulgados. O que pode acontecer no ano que vem, já que todo o mundo vai olhar para o Brasil”.

E-Livro

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Widget da semana : Veja o nível de GEE agora mesmo!



O que o mundo precisa para assistir

O aquecimento global é principalmente o resultado dos níveis de CO2 subindo na atmosfera da Terra. Tanto CO2 na atmosfera e as mudanças climáticas estão se acelerando. Cientistas do clima dizem que temos anos, não décadas, para estabilizar gases de efeito estufa CO2 e outros.

Para ajudar o mundo a ter sucesso, CO2Now.org torna mais fácil para ver o nível mais atual de CO2 e que isso significa. Então, use este site e manter um olho em CO2. Convida outras pessoas a fazerem o mesmo. Então nós podemos fazer mais para enviar CO2 na direção certa.

Assista agora CO2 e saber a pontuação sobre o aquecimento global, praticamente em tempo real.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

COP14 / MOP4 – Poznan, Polónia (dezembro de 2008)




A COP14 foi considerada uma transição entre a COP13 e a expectativa pela COP15 com um novo acordo climático, diante do cenário político mundial. A eleição do presidente norte-americano Barack Obama provocou uma espera dos demais países por sua posição em relação às mudanças climáticas, constituindo o principal fator que impediu um maior comprometimento por parte dos países desenvolvidos.

Essa Conferência teve poucos avanços concretos, mas um dos principais pontos positivos do encontro foi a mudança oficial de postura dos países em desenvolvimento, alterando o eixo da negociação internacional sobre clima. Enquanto as nações desenvolvidas assumiram poucas metas de real relevância, países como Brasil, China, índia, México e África do Sul sinalizaram uma abertura para assumir compromissos na redução das emissões de dióxido de carbono, embora não tenham proposto números.

As Partes chegaram a um acordo sobre o programa de trabalho e o plano de reunião para a COP15, assim como sobre a operacionalização final do Fundo de Adaptação, para apoio de medidas de adaptação concretas nos países menos desenvolvidos, com um consenso entre as Partes na aprovação das normas e procedimentos. Outros pontos foram também discutidos, como a promoção do Plano de Ação de Bali, a inclusão do desmatamento no regime do próximo período de compromisso, a transferência de tecnologia aos países em desenvolvimento, porém sem conclusões concretas. Diante da urgência de se estabelecer um novo tratado, a COP14 caracterizou-se por discussões lentas e ausência de resultados mais sólidos.


Saiba mais sobre a COP14