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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Ambientalistas alertam que zonas de aceleração de renováveis ameaçam áreas de valor ecológico no Algarve


O Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (PSZAER) compromete áreas de valor ecológico e a conservação de espécies ameaçadas no Algarve, alertou hoje a Plataforma Pela Sustentabilidade e Biodiversidade do Algarve e Alentejo (PPSBAA).

Em comunicado enviado à agência Lusa, a plataforma ambientalista afirma que o plano identifica, no Algarve e Alentejo, áreas que coincidem com territórios considerados essenciais para a conservação da natureza e de espécies classificadas como «em perigo» ou «criticamente em perigo» de extinção.

A discussão pública da proposta do PSZAER, disponível no Portal Participa, decorre até ao final do hoje.

O documento é um instrumento nacional de ordenamento do território criado para identificar, à escala nacional, as áreas consideradas mais adequadas para a instalação de projetos de energias renováveis (como centrais solares, parques eólicos e infraestruturas associadas), visando acelerar o seu licenciamento.

A proposta identifica cerca de 7% do território continental com potencial para acelerar projetos solares e eólicos, mas alerta que a concretização depende de rede, licenciamento, mercado e aceitação pública.

A conclusão consta da Avaliação Ambiental Estratégica e proposta de Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis, um trabalho técnico colocado em consulta pública sobre a delimitação final das áreas.

Segundo a plataforma, o PSZAER «não garante a salvaguarda do corredor migratório das serras algarvias», utilizado por milhares de aves durante a migração outonal para África.

No mesmo sentido, adianta, não assegura a integridade dos corredores ecológicos que ligam a Serra de Monchique à Serra do Caldeirão e o nordeste algarvio ao vale do Guadiana e à Estremadura espanhola.

A plataforma sustenta que o plano abrange montados, mosaicos agroflorestais de azinheira e sobreiro, bem como habitats considerados «fundamentais para várias espécies com estatuto de conservação crítico».

De acordo com a organização ambientalista, a inclusão destas áreas sensíveis aumenta o risco de mortalidade por colisão, fragmentação e perda de ‘habitats’, bem como do chamado «efeito barreira».

Para a PPSBAA, fica comprometida a sobrevivência de espécies como o abutre-preto, britango, cegonha-preta, águia-imperial-ibérica, abetarda, sisão, rolieiro, francelho, tartaranhão-caçador, cortiçol-de-barriga-preta, morcego-de-ferradura-mourisco, morcego-rato-pequeno, gato-bravo, coelho-bravo e lince-ibérico.

No caso do lince-ibérico, a plataforma refere que o plano inclui, no nordeste algarvio, áreas de reprodução e expansão da espécie, alertando que a crescente artificialização do território «poderá também afetar habitats essenciais para a águia-de-bonelli e a águia-imperial-ibérica».

A plataforma considera que as opções previstas no PSZAER comprometem «décadas de investimento público e científico» na recuperação destas espécies, ao reduzirem as condições ecológicas necessárias para a consolidação das suas populações no sul de Portugal.

Como alternativa, a PPSBAA defende que a expansão das energias renováveis deve privilegiar áreas já artificializadas, como edifícios, zonas industriais e outras infraestruturas, bem como o sobre-equipamento e a repotenciação de parques eólicos existentes, reduzindo a necessidade de ocupar novas áreas naturais.

Por estes motivos, a plataforma manifesta a sua oposição ao PSZAER, apelando à revisão da proposta para compatibilizar o desenvolvimento das energias renováveis com a proteção da biodiversidade.

terça-feira, 16 de junho de 2026

Crescimento da energia eólica trava em Portugal e coloca pressão sobre metas para 2030

 A energia eólica assegurou 25,4% do consumo de eletricidade em Portugal continental em 2025, mas as metas definidas para 2030 exigem maior ambição e aceleração de novos projetos, segundo um estudo hoje divulgado.

O relatório “Parques Eólicos em Portugal”, elaborado pelo INEGI - Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial - em parceria com a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), divulgado hoje no Dia Mundial do Vento aponta para uma produção eólica de 13,5 terawatts-hora (TWh), face a um consumo total de eletricidade de 53,1 TWh em Portugal continental.

Tendo em conta que o Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030) prevê uma capacidade geradora de 10,4 gigawatts (GW) de eólica em terra (‘onshore’) e a concretização de 2 GW de eólica no mar (‘offshore’) até 2030, o estudo considera que este conjunto de metas é “muito ambicioso e exigente”.

Nesse sentido, defende que a sua concretização depende de uma “estreita colaboração entre os agentes públicos e privados", que permita acelerar o desenvolvimento de novos projetos.

Em declarações à Lusa, a coordenadora de Políticas e Inteligência de Mercado da APREN, Susana Serôdio, afirmou que “efetivamente nos últimos anos tem havido aqui uma estagnação da energia eólica” e que esta fonte “não tem acompanhado o que seria expectável face ao que está no PNEC2030”.

“O primeiro [fator], claramente, é a questão do licenciamento e a falta de visibilidade de prazos, dificuldades em algumas áreas de avaliação de impacto ambiental, mas também claramente questões das condições do mercado atual e também de rede”, disse.

De acordo com o mesmo estudo, após um período de crescimento, 2025 evidenciou uma “nova estagnação da capacidade adicional instalada em Portugal”.

Em 2025, encontravam-se mapeados 446,8 megawatts (MW) de potência em fase de construção, dos quais cerca de 80% correspondem a novos projetos, incluindo os parques de Tâmega Norte, com 194,4 MW, e Tâmega Sul, com 79,2 MW.

A maioria destes novos projetos está, contudo, associada a hibridizações, isto é, à combinação de um projeto eólico com outro projeto renovável já existente, como hídrico ou solar, aproveitando pontos de rede já disponíveis.

Os projetos de reequipamento (‘repowering’), que consistem na substituição ou modernização de equipamentos existentes por outros mais eficientes, representam 14% da potência em construção, enquanto os restantes 6% dizem respeito a sobreequipamento, ou seja, à instalação de uma potência de geração superior à capacidade de injeção.

Com 6 GW de capacidade instalada acumulada, Portugal mantém-se no ‘top 10’ europeu da capacidade eólica, num ranking liderado pela Alemanha, com 77,7 GW, e por Espanha, com 33,2 GW.

Em termos geográficos, Viseu mantém-se como o distrito com maior potência eólica instalada em território nacional, com 1.231,1 MW ligados à rede, seguido de Coimbra, com 745,7 MW, Vila Real, com 696,3 MW, e Guarda, com 653,2 MW.

Évora continua a ser o único distrito de Portugal continental sem qualquer aerogerador instalado.

As regiões autónomas concentram um total de 106,4 MW operacionais, repartidos entre 63,8 MW na Madeira e 42,6 MW nos Açores.

Questionada sobre o crescimento futuro em terra, Susana Serôdio defendeu que “o futuro passa pelo reequipamento”, mas ressalvou que “existe, efetivamente, ainda margem para crescer em terra”.

A responsável acrescentou que a hibridização com solar está a ganhar relevância, devido à queda dos preços nas horas de maior produção fotovoltaica.

“À hora de produção solar, efetivamente, os preços são muito baixos e a rentabilidade dos projetos começa a ser muito pequena. E, se hibridizarem com o eólico, geram aqui outro potencial ao projeto”, afirmou.

Dia Mundial do Vento: uma data para celebrar um recurso único

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Tecnologia reduz morte de morcegos em turbinas eólicas


A geração de energia elétrica pelo vento é um dos métodos mais sustentáveis, mas as turbinas eólicas que fazem a conversão da energia são responsáveis por milhões de mortes de morcegos.

De acordo com um estudo de 2024, 500 mil mortes ocorrem em parques eólicos nos Estados Unidos. O caso dos morcegos é complicado porque eles usam o mesmo espaço aéreo para alimentação e migração, se tornando muito vulneráveis às turbinas.

Com isso, a agência de proteção à vida selvagem dos EUA aprovou uma tecnologia da empresa EchoSense. A solução é a “redução inteligente” de mortes de morcegos pelas turbinas, sem comprometer a geração de energia eólica.

Em inglês, o termo é “smart curtailment”, reduzindo de modo inteligente a velocidade das pás das turbinas eólicas em horários de maior atividade dos animais.

A redução inteligente da EchoSense funciona ao combinar Sistemas de Supervisão e Aquisição de Dados (SCADA) com dados meteorológicos e acústicos para travar as turbinas eólicas quando os morcegos estão próximos.

O método, que interrompe o funcionamento de turbinas eólicas com ventos em velocidades inferiores a 5 metros por segundo, reduz as mortes de morcegos em mais de 60%.
Veja como funciona:


Outras empresas também buscam na tecnologia formas para evitar as mortes de morcegos. A Biodiv-Wind, da França, usa câmeras infravermelhas, e a DTBird & DTBat, da Espanha, adopta inteligência artificial para identificar espécies pelo som.

Winifred Frick, cientista da ONG Bat Conservation International (BCI), ressalta que as mortes de morcegos aumentaram ainda mais com as turbinas eólicas. Frick, que participou do documentário recém-lançado “The Invisible Mammal” aponta para importância ecológica dos morcegos.

A cientista alerta que combinação de dados acústicos, para Frick, pode ser perigoso para morcegos.

“Há evidências de que dissuasores acústicos podem aumentar as mortes de certas espécies de morcegos devido à sua curiosidade natural. E o som de alta frequência não viaja tão longe”, afirma.

Por fim, Frick foi uma das autoras do estudo sobre as mortes dos morcegos por turbinas eólicas, que contou com a participação de cientistas brasileiros.

Saber mais: 

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Petição contra o Parque Eólico no Alto Minho


Durante anos, opus-me à instalação de parques eólicos na Peneda-Gerês. Não por rejeitar a energia do vento, mas porque cada coisa tem o seu lugar. E ali, na vastidão da serra da Peneda, não é esse o sítio certo.

Nas Terras de Arcos de Valdevez é a casa de 2 a 3 alcateias que tem permanecido estáveis e com reprodução confirmada e regular nas últimas décadas, alcateias que são fulcrais para a manutenção da população lobeira na região, bem como para a reexpansão da espécie nas áreas circundantes e em Portugal.

Integrada na Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés e na Rede Natura , esta serra guarda um património natural e cultural de valor incalculável — brandas antiquíssimas, pastagens de altitude construídas pelo homem, vestígios glaciares que contam histórias antigas, a mais resguardada alcateia da região, águias-reais, grifos e muito mais.

Se achas que este tipo de intervenção não devia acontecer aqui, por favor ASSINA e Partilha a PETIÇÃO.

Há meses conseguiu-se impedir uma central solar na Paradela. Claro que nesse caso o próprio Plano de Ordenamento foi determinante. Mas se não tivesse existido oposição escrita nos sítios próprios a central tinha passado. Neste caso é importante verificar por onde vão passar os corredores com os postes de alta tensão. Podem ajudar a chumbar o projecto.

domingo, 26 de janeiro de 2025

Transição verde: trajetória pautada na cooperação e na integridade da informação



A transição verde, ou transição ecológica, se mostra cada vez mais necessária e urgente, trazendo desafios e oportunidades para as empresas, o setor público e organismos da sociedade civil.

Tal movimento consiste em estratégia de transformação do modo de vida, visando reduzir o impacto no meio ambiente e promover o desenvolvimento sustentável. Suas bases foram estabelecidas no Acordo de Paris, firmado em 2015, o primeiro acordo global sobre mudanças climáticas, universal e juridicamente vinculativo, cujo objetivo principal era conseguir, através de diferentes fórmulas, que a temperatura do planeta nunca ficasse mais que 1,5 ºC acima do nível da era pré-industrial.

Para tanto, os países deveriam adotar diferentes medidas, dentre elas: promover a descarbonização e favorecer a energia verde em oposição aos combustíveis fósseis; investir no transporte ecológico; aumentar os investimentos em eficiência energética; apoiar a inovação nas empresas e na ciência; desenvolver planos de ação e estratégias para a economia circular e desenvolver e priorizar um plano político de ação climática. Essa nova ampla agenda trouxe riscos e oportunidades para os diferentes players da sociedade, fazendo com que os formuladores de políticas públicas tenham de administrar assimetria de informação, mudanças repentinas de cenários e interesses muitas vezes conflitantes entre os diferentes setores da economia e a sociedade como um todo.

Ao setor privado especificamente, cabe enfrentar os novos riscos e aproveitar as oportunidades, para garantir a perenidade das empresas e, alinhado à estratégia de seus negócios, comprometer-se com melhores práticas de sustentabilidade. Neste movimento, as empresas precisam de cautela, atuar com transparência e divulgar informações sólidas e rastreáveis, para evitar acusações de greenwashing, que rapidamente tomam os meios de comunicação e geram danos irreversíveis à reputação.

Assim, os investimentos em inovações para a transição verde, acompanhado por ganhos de produtividade, cruciais para a evolução do país, somente serão possíveis com políticas públicas de Estado, bem estruturadas, com coordenação multidisciplinar entre as diferentes agendas do governo e com as parcerias estratégicas entre os setores público e privado. Conforme bem colocado pelo relatório da OCDE Anti-Corruption and Integrity Outlook 2024, será muito desafiador para um governo, sozinho, atingir as metas climáticas, pois dependem do conhecimento, da experiência e inovação do setor privado, fatores expostos a um elevado risco de corrupção e de falta de integridade.

Com efeito, via de regra, se comparado com as autoridades governamentais, as empresas privadas possuem maior conhecimento das peculiaridades, desafios e oportunidades dos seus respectivos setores de atuação. Neste contexto de importante assimetria de informação, conforme prevê a teoria econômica, há espaço para comportamento oportunista, beneficiando e conferindo vantagens para os agentes com maior acesso às informações relevantes.

Mais precisamente, é possível que diferentes setores que mais necessitam adotar políticas sustentáveis, se valendo da assimetria de informação, serão os que menos teriam motivação para efetivamente avançar nesta direção – comportamento que pode ser denominado de seleção adversa. Há também a possibilidade de risco moral – ou seja, se valendo da assimetria de informação, a implementação das políticas necessárias e acordadas acabarem ocorrendo de forma incompleta e ineficiente. Com isso, os investimentos necessários serão subótimos e os resultados da política pública tendem a se distanciar do inicialmente desejado.

Esse possível resultado está em linha com riscos citados no relatório da OCDE e, para contornar os problemas que decorrem ou são reforçados pela assimetria de informação, a teoria econômica também prevê mecanismos de sinalização por parte das empresas e entidades privadas (como certificações, por exemplo) e diferentes ferramentas de monitoramento.

Enfrentamento de tais problemas decorrentes da assimetria de informação, que passam por possível lobby enganoso, além do tratamento dos conflitos de interesse com transparência, deve contar com apoio de especialistas de áreas diversas, interação entre setor público e privado primada pela transparência e formalidade, com pautas claras e agendas divulgadas, são algumas das medidas que podem mitigar os riscos apontados pela OCDE e apoiar o setor público na formulação de políticas eficientes para a transição verde.

Uma das diretrizes proposta pela própria OCDE é se valer de informações produzidas por agentes independentes, como consultorias, grupos de especialistas e organismos nacionais e estrangeiros que estudam as mudanças climáticas. Mesmo também estando expostas a algum grau de risco de conflito de interesses e assimetria de informação, tais entidades podem contribuir com recursos importantes, com conhecimentos e competências para o desenvolvimento e monitoramento das políticas.

Sob a ótica da governança interna das empresas, as áreas de compliance e riscos também têm papel fundamental na implementação de processos e controles para mitigar tais riscos, e devem trabalhar em sinergia com as áreas de Relações governamentais e sustentabilidade, para mapear os novos fatores de riscos e garantir esse diálogo transparente com as autoridades públicas e os setores da sociedade civil. Aderir aos padrões internacionais de combate à corrupção e estar em conformidade com as regulamentações nacionais e internacionais é crucial para navegar nesse cenário complexo.

Por fim, as empresas que lideram a agenda de sustentabilidade devem apoiar o fortalecimento das instituições e das regulamentações, com definição de diretrizes e padrões robustos e abrangentes. Deve haver em diálogo construtivo com órgãos reguladores, organizações ambientais e comunidades locais, com base em evidências empíricas independentes, favorecendo a transparência e integridade das informações. A cooperação se mostra decisiva.

O cenário é complexo e o campo de atuação, amplo. É crucial que as estratégias empresariais se coordenem internamente entre as diferentes áreas e, externamente, promovam cooperação com os agentes interessados e impactados, sem se limitar aos temas tradicionais. O planejamento estratégico das empresas deve ser apoiado para liderar a agenda da transição verde.

Estamos prontos para assumir essa direção?

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Energia: Portugal e a Europa estão a ficar perigosamente dependentes da China



País mais poluidor do planeta controla 80 a 90% das matérias-primas indispensáveis às baterias dos carros elétricos, turbinas eólicas e painéis solares

"A dependência de matérias-primas críticas poderá em breve substituir a presente dependência do petróleo". Este sério aviso está escrito no relatório final da Comissão Europeia relativo ao 'Estudo das matérias-primas críticas para a União Europeia', publicado em 2023. A nova dependência levanta questões da maior gravidade. Para começar, põe em causa o modelo - e, sobretudo, o ritmo de aplicação - das políticas de transição energética. No limite, no futuro próximo, ameaça a segurança do abastecimento energético à Europa para satisfazer as necessidades correntes das famílias e das empresas, com destaque para as industriais.

O assunto ainda não é discutido em Portugal, que continua a ser pioneiro na implementação das políticas comunitárias de transição energética sem qualquer ponderação daqueles riscos. João Bernardo, que foi diretor-geral de Energia e Geologia entre 2018 e 2023, lança o debate em entrevista à CNN Portugal. “Esta transição energética está a ser demasiado brusca, porque as renováveis dependem de um conjunto de materiais críticos - indispensáveis à construção de baterias, carros elétricos, torres eólicas e painéis solares - controlados por países que têm praticamente o monopólio do seu processamento”, alerta o agora presidente do Centro de Biomassa para a Energia (CBE).

O lítio é a matéria-prima mais popular, devido à massificação dos telemóveis. No entanto, eletrodomésticos, veículos elétricos e tecnologias para a digitalização, dependem de dezenas de outros minérios, em muitos casos raros ou concentrados em áreas geográficas politicamente instáveis. Passa-se o mesmo com as centrais eólicas e solares, já hoje predominantes na produção de eletricidade em Portugal. A OCDE prevê que a procura global por esses materiais críticos mais do que duplique, dos 79 mil milhões de toneladas, em 2023, para 167 mil milhões de toneladas em 2060. “A competição por matérias-primas tornar-se-á feroz na próxima década”, antecipa o relatório da Comissão Europeia.

“Já é evidente um descompasso entre a oferta e a procura por vários minerais, com níveis particularmente altos observados para o lítio”, descreve o relatório “Geopolítica da Transição Energética”, da Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA). Esta organização declara-se preocupada com o impacto que este desequilíbrio poderá vir a ter no cumprimento das metas de transição energética.

A Agência Internacional de Energia (AIE) antecipa problemas de curto prazo no fornecimento de níquel e de terras raras como o neodímio e o disprósio. O próprio lítio, no médio prazo, será insuficiente para as encomendas. “Um enorme aumento na procura de matérias-primas críticas - na maioria dos casos bem acima do ritmo histórico - levanta questões sobre se essa demanda pode ser satisfeita de forma segura”, previne a AIE. Para além disso, adverte os decisores políticos para “as consequências ambientais e sociais associadas à produção mineral”. As populações do mundo desenvolvido reagem mal à exploração mineira ao pé da porta.

O Conselho Europeu aprovou em 18 de março o Regulamento Europeu das Matérias-Primas Críticas, com o propósito assumido de controlar, até 2030, a origem de 10% e o processamento de 40%. Este ato legislativo constitui a primeira tentativa concreta de mitigar os riscos de interrupção das cadeias de abastecimento. Provavelmente, chegou tarde demais. “Dado que países como a China, os Estados Unidos e mesmo a Rússia já se posicionaram estrategicamente nesta corrida há algum tempo, tanto no continente Africano, como na América do Sul ou na Ásia Central, parece-me muito difícil alcançar essas metas”, adverte João Bernardo.

Partido Comunista Chinês tem o telecomando da Europa na mão
De acordo com os dados da IRENA, a China tem uma quota de processamento, a nível mundial, de 100% de grafite; superior a 85% nas terras raras; mais de 70% do cobalto; e cerca de 60% do lítio e do manganésio. Todos estes materiais, juntamente com o níquel, são indispensáveis ao fabrico dos motores dos carros e autocarros elétricos. Problemas nas cadeias de fornecimento destas matérias-primas chinesas colocariam em risco o modelo de transportes públicos que está a ser implementado em Portugal e na Europa.

Um sistema elétrico dependente da primeira geração de energias renováveis é o segundo elo fraco dos países europeus face ao gigante asiático. A China processa também 100% de algumas terras raras, como o disprósio. Para além de fazer falta aos motores dos veículos elétricos, esta matéria-prima é vital para as turbinas eólicas de alta eficiência, assim como nas barras de controlo dos reatores nucleares. Já o manganês é crucial na produção de aço de alta resistência, imprescindível ao funcionamento de turbinas eólicas e ao fabrico das infraestruturas dos parques solares.

A China é, de longe, o país mais poluidor do mundo, com 31,58% das emissões de dióxido de carbono do planeta. Os dados do Atlas Global do Carbono mostram que o gigante asiático se destaca no ranking dos países responsáveis pela concentração de CO2 na atmosfera. Os outros quatro são Estados Unidos (14,01%), Índia (7,84%), Rússia (4,58%) e Japão (2,92%). Nos últimos três anos, a China abriu cerca de quarenta centrais a carvão, aumentando a potência instalada em 91 gigawatts (GW), em 2022; outros 107 GW, em 2023; e mais 10 GW nos primeiros seis meses deste ano.

As novas centrais a carvão chinesas equivalem a nove vezes a potência instalada em todo o sistema elétrico português. “A China continua a utilizar as energias fósseis para manter preços baratos para a sua economia e garantir a segurança de abastecimento do seu sistema energético”, salienta João Bernardo. O antigo diretor-geral de Energia chama também a atenção para o investimento do maior país asiático na investigação e desenvolvimento de tecnologias alternativas e descarbonizadas. “O governo chinês está a tentar dominar as energias renováveis do ponto de vista tecnológico e da inovação, atraindo conhecimento, para quando tiver de fazer mesmo a mudança já estar a liderar este mercado”, comenta. A empresa estatal China Three Gorges, que é a maior acionista da portuguesa EDP, acaba de anunciar um investimento de 11 mil milhões de dólares no deserto do interior do país, combinando as tecnologias eólica, solar e… o carvão.

O governo chinês ignora por completo os protestos de organizações ambientalistas, como a Greenpeace, e justifica a sua política nos fóruns internacionais com o argumento de que as energias fósseis são mais fiáveis do que as renováveis, por oferecerem ao sistema elétrico potência firme, sempre que ela é necessária, independentemente das condições meteorológicas. Pela mesma razão, anunciou este verão a decisão de construir onze novos reatores nucleares, num investimento de 28 mil milhões de euros.
O risco da morte anunciada do gás natural

Os Estados Unidos, segundo maior emissor de CO2 do mundo, seguem igual política de investimento em tecnologias alternativas, mas sem descontinuar abruptamente as fontes tradicionais, como a energia nuclear e as centrais termoelétricas movidas a combustíveis fósseis. O governo federal americano reservou 342 mil milhões de euros de subsídios e descontos fiscais para financiar a deslocalização de empresas de energias verdes da Europa para o seu território. “Isto está a roubar competências e postos de trabalho na Europa e a criá-los do lado de lá”, lamenta João Bernardo. Se a União Europeia não responder com “mecanismos mais assertivos para apoiar as empresas, fixando cá o trabalho e a riqueza, vamos perder a batalha da competitividade à escala mundial”, antecipa o presidente do CBE.

Em Portugal, os planos de transição energética passam pelo encerramento do gás natural, para produção elétrica e no uso doméstico e industrial. “Se isso acontecer, será um erro grave. Eu sempre defendi, enquanto fui diretor-geral, a importância de mantermos dois vetores de energia: um vetor gás e um vetor eletricidade. Duas redes e duas infraestruturas, para não ficarmos dependentes de um único vetor energético”, argumenta João Bernardo.

Para o presidente do CBE, o fim da rede de gás natural seria acrescentar uma segunda vulnerabilidade estrutural à economia, por cima da dependência de matérias-primas raras. “Temos de ter muito cuidado antes de cancelar algumas energias, mesmo fósseis, para não nos lançarmos numa aventura que não sabemos onde vai terminar”, recomenda João Bernardo. “O gás natural é crítico para a segurança de abastecimento e um veículo para a introdução dos gases renováveis, como o hidrogénio e o biometano”, justifica este especialista.

Para além de aconselhar prudência no encerramento de fontes energéticas, João Bernardo elege as áreas de investimento que lhe parecem críticas para a União Europeia. A primeira delas passa pelo aproveitamento dos processos de dessalinização. “A água potável vai ser um recurso cada vez mais crítico, esse investimento vai ter de acontecer”, antecipa. A água da dessalinização é essencial para a agricultura, mas também pode ser aproveitada para a produção de hidrogénio. “Nesta tecnologia não ficaremos tão dependentes de matérias críticas como estamos nas renováveis eólica e solar, porque a água é um bem mais democrático e a tecnologia dos eletrolisadores é dominada pela Europa”, argumenta.

O hidrogénio deverá depois ser aproveitado para a produção de combustíveis sintéticos. O presidente do CBE considera este investimento estratégico por duas razões: o aproveitamento da rede existente de postos de combustível e a defesa da indústria automóvel europeia da feroz concorrência dos carros elétricos produzidos na China.

segunda-feira, 18 de abril de 2022

A difícil tarefa de tornar as criptomoedas amigas do clima



People have many feelings about bitcoin. It’s the cryptocurrency that started it all, the progenitor of a thousand memes, a thousand more questions, multiple dubious salary decisions, and an entire industry built around its promise of a financial revolution.

It’s also a point of contention. Some countries have embraced bitcoin wholeheartedly, with El Salvador saying the cryptocurrency will give more citizens access to banking; others have outright banned it from their borders, citing the risk of criminal activity. Wherever you stand on bitcoin, though, one fact is undeniable: Bitcoin is extremely energy-hungry. One oft-cited example is that it uses more energy than the annual consumption in countries like Finland or Denmark — and that’s concerning in a world that’s already on track to blow past its climate goals, thanks in large part to fossil fuel emissions from energy consumption.

That problem is partly why Intel, one of the largest chipmakers in the world by revenue, recently unveiled Bonanza Mine, its first computing chip specially designed for mining bitcoin in an energy-efficient way. According to Intel, the Bonanza Mine chip would allow bitcoin miners to get the same amount of bitcoin for less energy. Problem solved, right?

Not quite. While Intel may be one of the biggest chipmakers getting into the bitcoin game, other companies have for years been working on making their chips more energy efficient without any resulting drop in the energy used by mining operations. The reason, experts say, is due to a fundamental paradox at the heart of how bitcoin mining works — and that paradox could have far-reaching implications for the climate crisis.

“There hasn’t been any time in the history of bitcoin where increasing machine efficiency led to less energy consumption,” said Alex de Vries, founder of the website Digiconomist, which tracks the sustainability of cryptocurrencies.

Bitcoin, along with many other cryptocurrencies, works on a simple concept: Every 10 minutes, the bitcoin protocol — essentially, the code underlying bitcoin — generates a math equation with a numerical solution. In order to mine bitcoin, you need to guess what that solution is. As more people (i.e., computers) try to guess that number, the protocol adjusts itself to make the number harder to guess, so more computing power is needed to make more guesses quickly.

In computing-speak, this is called proof of work: The more work you put in, the more bitcoin you get out. In the early days of bitcoin, the math equations were less complicated and you could mine bitcoin fairly quickly using just a home computer. But as bitcoin grew in popularity and more people got into the mining game, the computing power (or the “work”) needed to find the right numerical sequence grew as well. Today, companies invest millions in setting up giant mining operations outfitted with rack upon rack of specialized bitcoin-mining computers that consume huge amounts of energy.
“There hasn’t been any time in the history of bitcoin where increasing machine efficiency led to less energy consumption” —Alex de Vries

When crypto mining operations are set up in a new location, their owners often negotiate with local utilities for predetermined electricity rates. The miners are promised they’ll get a certain amount of energy each month for a fixed price, and in return the utilities don’t have to worry about trying to account for energy demand from those mining operations fluctuating as equipment ages or mining rigs are taken on or offline. Without those energy needs predetermined, utilities could end up generating too much or too little energy — which could lead to brownouts or blackouts.

For bitcoin mining companies, the equation is pretty simple: The more bitcoin that can be mined using a unit of energy, the higher the profits. So even if they’re using energy-efficient machines, there’s no reason for those miners to use any less energy than before, especially if the energy has already been paid for. Proof of work always incentivizes doing more work.

“If you have more efficient machines that require less electricity per unit, your electricity budget doesn’t change,” de Vries told Recode. “You just employ two machines instead of one.”

All that energy consumption comes at a significant cost to the environment. Most utilities across the country still depend largely on fossil fuels to generate electricity, and supplying the energy needed for bitcoin mining often means burning even more fossil fuels. Late last year, a utility company in New York state drew criticism for converting a shuttered coal plant into a natural gas-powered plant that would supply energy to a local cryptocurrency-mining operation. Even as the Biden administration moves toward transitioning the country to clean energy, those climate gains risk being undermined, at least in part, by crypto mining.

Proponents of bitcoin say the easy solution to this problem is to power mining operations with clean energy; some even go so far as to say crypto could help the environment. “If you flip the script, you can see the energy use of crypto is a feature, not a bug,” said Dip Patel, CTO of Soluna, a company that buys excess renewable energy to power cryptocurrency mining operations. (His comments echoed, word for word, testimony provided by Soluna’s CEO during a January congressional hearing on the environmental impact of cryptocurrency).

It’s quite common for renewable energy producers, like solar or wind farms, to generate more electricity than the grid may need at any given moment. Without batteries that can store that excess electricity, the energy instead ends up getting wasted — a practice known in the energy industry as curtailment. Crypto mining companies, Patel told Recode, can help by buying that excess energy and using it to run their mining operations. The energy producers can get paid for energy that would otherwise go to waste, and the crypto miners are able to power their operations without fossil fuels. In the best-case scenario, Patel said, crypto-mining operations can even help spur new renewable energy developments by offering developers guaranteed demand for their energy.

The idea is promising, but it has limitations. “I think it’s more of a narrative play,” said Justin Drake, a researcher at the Ethereum Foundation, a nonprofit that supports the ethereum blockchain platform and the ether cryptocurrency, which is the second most popular cryptocurrency after bitcoin.

More people around the world are scrutinizing bitcoin for its energy use and impact on the environment, and investors who want to make climate-friendly investments are growing wary of it, Drake said. Even if companies that only used excess renewable energy did become more common, he added, they would represent a minority of mining operations around the world. “The vast majority would still be drawing power from a coal plant or whatever.”

Bitcoin’s energy consumption is more of a symptom than a cause, and the goal should be to address the root issue by reducing the energy consumed by cryptocurrencies rather than just switching a few operations to run on clean energy sources. That’s why Drake and the ethereum community at large are proposing a more radical shift for ethereum: They want to switch from a proof of work system, which ethereum also currently runs on, to something called “proof of stake.”

A proof of stake model works something like a raffle. To participate, you need to hold a raffle ticket — in this case, a predetermined number of units of a cryptocurrency. Every few minutes, an algorithm selects someone to receive more of that cryptocurrency; the more of a cryptocurrency (i.e., raffle tickets) you have, the higher your chances of receiving even more.

The goal should be to address the root issue by reducing the energy consumed by cryptocurrencies

This means that in order to participate in a cryptocurrency built on a proof of stake protocol, you need to be able to buy into that cryptocurrency using another currency, like dollars, euros, or even bitcoin — something that proponents of proof of work models like bitcoin say makes proof of stake unfairly weighted to favor the rich, whereas bitcoin, at least in theory, allows anyone with a computer to take part. The reality is quite different: Setting up a single bitcoin mining rig costs thousands of dollars, depending on the components used, which means only people with enough disposable income to spend that kind of money and then pay for the additional energy required to run the rig would be able to even consider mining bitcoin.

Proof of stake could be a solution to crypto’s energy woes because it requires far less computing power — and by extension less energy — than proof of work. Ethereum operations around the world currently use as much power as the Netherlands, and the Ethereum Foundation estimates switching to proof of stake will lead to a 99.95 percent drop in the cryptocurrency’s energy use. Instead of needing a dedicated mining rig, Drake said, ethereum users would be able to run their ethereum software on something as low-powered as a Raspberry Pi.

If ethereum makes the switch and those energy estimates pan out, it could have huge implications for the cryptocurrency world and the environment at large: Ethereum could become a model for creating cryptocurrencies that are also climate-friendly. The rigs currently used to mine ethereum would suddenly become obsolete, and they would have to be recycled or used for other applications.

Drake and his colleagues at the Ethereum Foundation hope to make the switch to proof of stake by July or August of this year, at which point the algorithm has been preprogrammed to set off a “difficulty bomb” that will make mining more difficult — but developing the code to make the switch to proof of stake is presenting difficulties of its own.

“Ethereum has been saying they’ll move to proof of stake in six months for the past six years, so I’m kind of skeptical,” said de Vries. “But if they were to succeed, they could realize energy savings by a factor of 10,000 times less energy.” Earlier this month, ethereum developers conducted a stress test of the software that will switch the network to proof of stake, declaring it a “huge success.”

But many people oppose switching to proof of stake; the differences between proof of work and proof of stake are the subject of long-running, hotly contested debates in crypto communities. Proponents of proof of work, like Soluna’s Patel, say the energy consumed by bitcoin also secures it, as someone trying to steal bitcoin would need to use a tremendous amount of computing power to successfully hack the bitcoin blockchain. A proof of stake model, Patel said, also runs the risk of power being concentrated in the hands of a few players who could buy the majority of the available coins (or, in the case of new currencies, their founders could simply reserve a large portion for themselves).

In theory, that would allow them to unilaterally make decisions that affect all the users of the platform in a process similar to how shareholders with a majority stake in a company can influence the company’s decisions. Their majority stake would mean they continue to receive more cryptocurrency than anyone else, making it difficult for others to wrest control away from them. That, Patel said, is no different from how banks operate nowadays — an idea that’s antithetical to the ideals of decentralized finance that undergird how bitcoin works today.

“I don’t think it should be one versus the other,” Patel said. “I think they provide credible value for very different things.” Proof of stake, said Patel, would be great for applications that would benefit from centralization, like medical records that are administered by a hospital system.

Drake disagrees with Patel’s characterization of the downsides of proof of stake. The ethereum protocol, Drake said, is written in a way that both prevents unilateral decision-making and secures it against would-be hackers, with the added benefit that the protocol can strike back at attackers by destroying part or all of their cryptocurrency stake in a move known as “slashing.”

All these arguments over proof of stake and proof of work, however, may not get very far. Cryptocurrency mining companies — which have real influence over Bitcoin, even if it is decentralized — have already invested millions of dollars into the proof of work model, and convincing them to move to proof of stake, or some other method to reduce energy consumption, won’t be easy.

Cryptocurrencies are here to stay, at least for the foreseeable future, and while they may be digital, they will continue to have far-reaching effects on the real world. It’s vital that we find a way to make them coexist with the world many of their backers seem to want to leave behind.

Fonte: Vox

segunda-feira, 26 de abril de 2004

Ainda Montemuro


Caro João Paulo Soares:

A Serra do Montemuro é sítio de Rede Natura 2000. No entanto os seus limites apanham apenas parte da zona eucaliptizada (ainda não sei porque é que incluíram essa zona, talvez para servir de tampão).
As árvores junto à estrada de que fala não sei onde são, mas obras e estradas maltratadas é o que não falta por lá.

Sou montemurana de coração (e quase de nascença), tendo vivido toda a minha infância e adolescência naquelas paragens, e acho que a área tem uma data de problemas ainda mais preocupantes. A velocidade a que os parques eólicos se espalham por aquela Serra, sem que se faça um estudo ambiental para o conjunto dos vários parques, mas apenas para um de cada vez (é claro que o impacto de um parque é muito diferente do impacto das carradas de parques que neste momento proliferam pela serra). A possibilidade de uma mini-hídrica no ribeiro Bestança é ainda mais assustador, uma vez que esse ribeiro encerra valores ambientais muito importantes.


Mas o que me assusta mais é a falta de informação sobre o património ambiental da área. Esta foi classificada devido à presença de lobo-ibérico (núcleo mais importante a sul do Douro), de ribeiros com galerias ripícolas conservadas, turfeiras de altitude e salamandra lusitânica e etc, mas o desconhecimento que existe sobre a região em diversas áreas é notório, sobretudo nas Câmaras Municipais. Embora toda a gente se dê conta do valor do Ribeiro Bestança, por exemplo, não há nenhum  estudo sobre a flora, e que eu conheça, só os anfíbios foram bem estudados na zona.


Sobretudo é necessária ajuda para estudar a Serra, com todo o seu património natural e histórico, e para pensar projectos de desenvolvimento que possam "premiar" as pessoas que aí habitam, sofrendo todas as consequências do isolamento e esquecimento a que foram votadas durante todo este tempo e que são, em última análise as principais responsáveis pelo sucesso ou insucesso de politicas de conservação. Toda a que vier é bem vinda.
Com os melhores cumprimentos

Alexandra Sá Pinto (via email)

Após a leitura da sua carta, muito esclarecedora, creio que é necessário e urgente proteger ambientalmente a belíssima serrania de Montemuro e preservar a cultura das suas gentes. Muito obrigado e espero ter boas notícias em breve.