domingo, 28 de fevereiro de 2021

Fidel Castro advierte del desastre ecológico de Brasil en 1992

Filme - "Viagem ao Princípio do Mundo" de Manoel de Oliveira, 1997


O filme gira em torno de um realizador (Marcello Mastroianni), “duplo” de Manoel de Oliveira, numa autobiografia da obra do cineasta português. É um reencontro com as raízes (em duplo sentido literal e metafórico), onde uma velha camponesa (Isabel de Castro) é incapaz de entender a língua francesa falada pelo seu neto criado em França. 
Grande parte do filme é rodado em Melgaço, sobretudo no Peso e em Castro Laboreiro...

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Ricardo Rocha: “Atormenta-me o rápido declínio de muitas espécies que consideramos ‘comuns’”

Fonte: Wilder


Ricardo Rocha é investigador de pós-doutoramento do CIBIO-InBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, associado à Universidade do Porto e ao Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa.

WILDER: O que espera de 2021 para a Conservação da Natureza em Portugal e no mundo?

Ricardo Rocha: Espero que se faça mais e melhor. No meu ver, o ano anterior acabou por trazer ao de cima – de forma bem dolorosa – três coisas extremamente importantes: i) que a saúde humana e a saúde dos ecossistemas e das espécies selvagens estão interligadas; ii) enfatizou a importância da ciência, tanto fundamental como aplicada, na resolução de problemas locais e globais; e, iii) mostrou-nos a importância de assentarmos as nossas decisões em dados viáveis e de revermos as nossas ações com base em informação rigorosa e actualizada. Em 2021, espero que os decisores políticos tenham a capacidade de incorporar estes ensinamentos numa estratégia concertada de conservação da natureza, que esteja assente em dados científicos sólidos, de acordo com prioridades bem delineadas e em colaboração próxima com investigadores sérios. Estou ciente que dito desta forma, parece um pouco abstrato, mas na prática o que espero para 2021 é que as políticas de conservação de natureza se assentem na filosofia de conservação com base na evidência (do inglês “Evidence-based Conservation”), na qual – com base em ciência – fazemos mais do que funciona, e menos do que não funciona. Aconselho os leitores a explorarem este site https://www.conservationevidence.com/, caso queiram conhecer mais sobre esta forma de fazer conservação. 

W: No seu entender, quais devem ser as prioridades para este ano em prol da natureza em Portugal? E mais concretamente, para a presidência portuguesa da União Europeia?

Ricardo Rocha: A Organização das Nações Unidas designou 2021-2030 como a década do restauro de ecossistemas. Em Portugal temos excelentes exemplos de projectos de restauro de ecossistemas, em particular no que toca ao restauro de sistemas insulares. Veja-se, por exemplo, o trabalho pela SPEA e pelas autoridades açorianas na recuperação da floresta laurissilva da Ilha de São Miguel, lar do Priolo (Pyrrhula murina) ou, mais recentemente, o projecto LIFE Berlengas, finalistas do Prémio Europeu Natura 2000 no ano anterior, na categoria “Conservação”. Eu acho que as prioridades em Portugal devem seguir o mote da década do restauro de ecossistemas, nomeadamente “prevenir, abrandar e reverter a degradação dos ecossistemas” e, mesmo que se usem espécies bandeira – espécies apelativas e capazes de mobilizar um maior apoio para ações de conservação – a estratégia deverá passar por uma visão de ecossistema, que vise repor funções ecológicas importantes (ex. controle de pragas florestais/agrícolas por vertebrados insectívoros) e conservar processos naturais (ex. reciclagem de nutrientes).

No último ano tivemos o anúncio do Pacto Ecológico Europeu que mostra um compromisso grande da União Europeia (UE) com políticas de conservação da natureza. Com a liderança da UE Portugal tem uma oportunidade única para assumir um papel de líder na transição para um mundo mais verde, menos poluído e no qual a nossa espécie vive em maior harmonia com as demais. Espero que Portugal lidere pelo exemplo, começando por projectos e políticas nacionais em linha com o Pacto Ecológico, e ações a nível internacional que desincentivem a destruição de ecossistemas naturais e promovam actividades sustentáveis do ponto de vista ambiental e social. Relativamente ao último ponto, é fundamental que a UE use o seu poderio económico e diplomático, de forma a pressionar os seus parceiros a optarem por políticas que se alinhem com os princípios europeus de defesa ambiental e dos direitos humanos. Em 2019 fiz parte de um grupo de mais de 600 investigadores e ambientalistas que escreveu uma carta na revista Science, na qual apresentavamos um exemplo concreto do que a UE pode fazer neste sentido, na sua relação com o Brasil. Tendo em conta os números assombrosos relativos à desflorestação na Amazónia em 2019 e 2020 (nos últimos dois anos perdeu-se uma área de Amazónia 20 vezes superior à área da Ilha da Madeira), o que escrevemos nessa carta é hoje particularmente relevante. 

W: Quais as espécies ameaçadas que, na sua opinião, precisam de ajuda premente em 2021?

Ricardo Rocha: Infelizmente há toda uma imensidão de espécies em perigo crítico de desaparecer do planeta e que precisam de auxílio urgente – veja-se por exemplo a situação da vaquita Phocoena sinus, um pequeno golfinho endémico do Golfo da Califórnia cujo efectivo populacional poderá ser inferior a uma dezena de indivíduos. No entanto, algo que me atormenta e que recebe menos atenção é o rápido declínio – em termos de abundância e área de distribuição – de muitas espécies que consideramos “comuns”. Por exemplo, a população de rola-brava Streptopelia turtur teve um declínio de 80% nos últimos 15 anos em Portugal. Embora não esteja em perigo crítico de desaparecer, os sinais de alarme estão a tocar e a hora de actuar é agora. O problema é ainda maior para espécies e subespécies que apenas ocorrem num determinado território e para as quais não temos dados populacionais. Veja-se, por exemplo, a situação do Pardal da terra da Madeira Petronia petronia madeirensis, uma subespécie endémica do arquipélago. Qual o seu tamanho populacional? Qual a sua área de distribuição? Está em declínio? É extremamente importante que tenhamos respostas para estas perguntas, antes que estas espécies/subespécies desapareçam debaixo da cortina de fumo de serem comuns. A situação é ainda pior para muitas espécies de plantas e invertebrados.

W: Se coubesse a si decidir, qual seria a principal medida que tomaria este ano para tentar travar a extinção das espécies?

Ricardo Rocha: Promover uma dieta com menos carne. O consumo excessivo de carne é, directa e indirectamente, uma das maiores ameaças à biodiversidade. Isto materializa-se através da destruição de habitats naturais para pasto e produção de rações que são utilizadas para alimentar animais que acabamos por consumir, ou através de um agravamento do aquecimento global através da libertação de gases produzida pelas atividades pecuárias. 

W: Qual, ou quais, os projectos na área da Biodiversidade em que estará a trabalhar em 2021 que mais o entusiasmam?

Ricardo Rocha: Ao longo dos últimos anos tenho estado a trabalhar principalmente em ecossistemas tropicais. No entanto, agora estou a centrar os meus projectos um pouco mais perto de casa, na Macaronésia, com um ênfase particular na Madeira, de onde sou natural. Durante a maior parte de 2021 estarei a fazer trabalho de campo no arquipélago da Madeira, principalmente com morcegos, com vista a conhecer mais sobre a sua ecologia, potenciais contributos ao nível de serviços de ecossistema e necessidades de conservação. Em paralelo conto também trabalhar com outros grupos de vertebrados terrestres do arquipélago, nomeadamente com aves e répteis, sobre os quais sabemos muito pouco.   

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Pressão mineira no Parque Natural de Montesinho

"Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não,
sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo.
O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original
diante da realidade, e o coração, depois, não hesite…
Começa logo porque fica no cimo de Portugal,
como os ninhos ficam no cimo das árvores
para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos.”
(Miguel Torga)
Fonte: 7 Margens

O projeto Valtreixal da empresa canadiana Almonthy pretende abrir uma mina a céu aberto numa área de 247 hectares (cerca de 500 campos de futebol), em território espanhol, mas a 5 km da fronteira com o Parque Natural de Montesinho, para explorar volfrâmio e estanho. A exploração situa-se na Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica, que abrange territórios de Trás-os-Montes e de Castela Leão, numa área total de 1.132.606 hectares. Esta região de montanha abriga espécies selvagens, ameaçadas, e de rara beleza, tais como o lobo ibérico, a cegonha preta, o veado e o corso.

“Este tipo de explorações mineiras a céu aberto é uma enorme agressão à paisagem. A perturbação do meio vai muito para além da enorme ferida que se abrirá naquelas encostas forradas a urzes, giestas e carquejas. As explosões ouvir-se-ão a quilómetros e afastarão a fauna” diz António Sá, fotógrafo da natureza e empresário turístico, habitante do Parque Natural de Montesinho.


António Sá em Montesinho: “Este tipo de explorações mineiras a céu aberto é uma enorme agressão à paisagem.” Foto © António Sá

O projeto prevê fazer explodir 1,7 mil toneladas de dinamite durante 19 anos para extrair o minério, criando uma cratera estéril de quase 2 quilómetros de comprimento e centenas de metros de profundidade. A legislação atual obriga o promotor a fazer um plano de recuperação da paisagem, de plantação de árvores e a realizar o enchimento parcial da zona explorada com os resíduos inertes provenientes da extração. Contudo, o ruído proveniente das explosões continuadas, da utilização de maquinaria pesada na extração e do tráfego de várias dezenas de camiões por dia é inevitável. Mais de 23 milhões de metros cúbicos de resíduos mineiros serão gerados, alguns dos quais perigosos para a saúde e que serão aterrados in situ.

A paisagem descrita por António Sá perderá definitivamente o seu encanto e valor, pois no fim de vida da mina ficará uma escombreira visível de Bragança, apesar de a cidade se situar a quase 20 quilómetros de distância. “Para mim, é como se apagássemos aquela zona do mapa”, conclui António Sá.

O ZASNET, entidade gestora desta área, obteve a classificação de reserva da biosfera da UNESCO, selo que lhe tem valido o reconhecimento mundial e uma nova capacidade para atrair turistas da natureza, bem como novos moradores. “O reconhecimento emitido pela UNESCO serve para destacar e recompensar” os esforços locais “e para ajudar a atrair fundos. São territórios destinados a promover o desenvolvimento sustentável, a conservação da natureza, ao mesmo tempo que promovem o desenvolvimento social e apoiam a educação e a investigação científica” – refere a exposição do ZASNET em que este contesta a instalação da mina, exposição também assinada pelo presidente da Câmara de Bragança.



Passeio em bosque misto – carvalho e castanheiro-bravo, em Carrazedo (Bragança): desvalorizar este património terá consequências diretas para a economia local. Foto © António Sá.

Conflito entre indústria e património natural

A estratégia de desenvolvimento da região assenta na qualidade de vida e no património natural. O combate à desertificação humana aposta fortemente na qualidade do ambiente, e em produtos endógenos, tais como o mel e as castanhas de Montesinho, o cabrito e os cogumelos. Desvalorizar este património terá consequências diretas para a economia local, nomeadamente ao nível do alojamento e da restauração e também na produção e consumo destes produtos.

“Tudo aqui anda à volta da qualidade do ambiente. Os lameiros são tão importantes para as ovelhas como para as espécies silvestres, como o corço. Estes prados seminaturais abrigam uma flora quase exclusiva. É um tipo de paisagem onde a ação do homem é crucial. As bolotas dos bosques de carvalho e de azinheira alimentam javalis e corços (presas naturais do lobo) e também os rebanhos” – sintetiza o fotógrafo António Sá, sem disfarçar a sua paixão por esta paisagem viva.

Porém, o conflito entre as possíveis utilizações do solo não tem vencedor à partida. A União Europeia mantém, por um lado, uma política de ordenamento territorial que cria zonas protegidas. Mas por outro lado, quando nessas zonas jazem minérios necessários para alimentar a indústria e promover a autonomia da União, a proteção é frágil.

A iniciativa “Matérias-Primas” (novembro de 2008) da Comissão Europeia refere: “O bom funcionamento da economia da UE depende fortemente do acesso a preços módicos às matérias-primas minerais…uma concorrência crescente, devida à utilização dos solos para outros fins, e um ambiente altamente regulado…são necessárias estratégias para proteger o acesso a estes depósitos para utilização futura.”

Tais estratégias passam, como se pode ler na mesma comunicação, por colocar os interesses da indústria acima de que quaisquer outros: “A indústria suscitou preocupações quanto aos objetivos por vezes contraditórios de proteção das zonas de Natura 2000 e de desenvolvimento das atividades extrativas na Europa. A Comissão sublinha que não está prevista qualquer exclusão absoluta de operações extrativas no quadro jurídico de Natura 2000”.


As organizações ambientalistas não entendem como compatibilizar o projeto de exploração mineira com o desenvolvimento baseado na conservação da natureza. Foto © António Sá.

Perante esta ameaça o ZASNET não percebe como poderá compatibilizar a atividade do projeto Valtreixal com a estratégia de desenvolvimento que tem seguido, baseada na conservação da natureza, na qual tem investido e que começa a dar frutos. No documento em que contesta a instalação do projeto Valtreixal argumenta: “São amplamente conhecidas as consequências bem como os impactos negativos resultantes da exploração de uma Mina de Volfrâmio e Estanho (…) afeta gravemente a população residente (…), os ecossistemas (…) dado que põe em causa os princípios e fundamentos de uma Reserva da Biosfera, com todos os seus preceitos, aprovada e reconhecida pela UNESCO, em 2015.”

Vários grupos de cidadãos, como o Uivo – Por uma Reserva da Biosfera Meseta Ibérica Livre de Minas e o Stop Mina Sanabria, têm surgido nos últimos meses para organizar iniciativas de contestação à instalação da mina.

'PIB cresce, mas destrói biodiversidade': economista ecológico propõe mudar forma como medimos nossa produção de riqueza

Fumaça saindo de chaminés
Existem muitos economistas no mundo, mas são raros os economistas ecológicos — e o espanhol Joan Martínez Alier é um deles.

Um dos fundadores da Sociedade Internacional de Economia Ecológica e seu ex-presidente, ele é um dos mais conceituados especialistas da área. Dedicou toda sua vida acadêmica ao estudo da relação entre os desafios ambientais e a economia, contribuindo ativamente para a promoção do conceito de justiça ambiental.


Professor emérito e pesquisador do Instituto de Ciência e Tecnologia Ambiental da Universidade Autônoma de Barcelona (ICTA-UAB) desde 2010, Martínez Alier teve seu trabalho aclamado recentemente ao conquistar o Prêmio Balzan.

A honraria, concedida desde 1961, é considerada por muitos como o primeiro passo para obter na sequência o reconhecimento da Academia Sueca. A prova disso é que vários vencedores do Prêmio Balzan posteriormente ganharam o Nobel.

Martínez Alier conquistou o Balzan pela "excepcional qualidade das suas contribuições para a criação da economia ecológica", entre outras razões.

Leia a seguir a entrevista realizada pela BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, feita com ele.

Colaboração campanha sobre Aquecimento Global - Twinkl

Dia Internacional do Urso Polar 2021: saiba mais sobre estes animais e por que eles são tão afetados pelas mudanças climáticas



Para comemorar o Dia Internacional do Urso Polar, decidimos trazer alguns fatos e números sobre esses animais fascinantes e sobre como as mudanças climáticas estão afetando seu modo de vida. Também conversamos com pessoas envolvidas em ações pró-meio ambiente para falar da importância da sustentabilidade e saber como você pode dar o primeiro passo na diminuição do seu impacto ambiental.

O que é o Dia Internacional do Urso Polar e por que ele é importante?

O aquecimento do Ártico e o efeito devastador que isso tem sobre o gelo marinho são uma grande ameaça para os ursos polares. Com o objetivo de aumentar a conscientização sobre os problemas que os ursos estão enfrentando, o Dia Internacional do Urso Polar é comemorado em 27 de fevereiro de cada ano, uma data que coincide com a época do ano em que as mães ursas protegem seus ​​filhotes recém-nascidos em uma toca construída na neve. Algumas semanas após esta data, os filhotes (que normalmente são gêmeos, aumentando a chance de sobrevivência até a idade adulta) sairão de sua toca com a mãe.

Fatos sobre os ursos polares

Os ursos polares são encontrados em cinco países do Ártico: Canadá, Groenlândia, Noruega, Rússia e os EUA, no Alasca. No entanto, eles são classificados internacionalmente como vulneráveis ​​na escala de risco de extinção e seus números estão em declínio em pelo menos quatro das 19 subpopulações em que são divididos.


Como o maior carnívoro terrestre do mundo, esses enormes animais dependem da comida de alto teor calórico que obtêm da caça de focas barbadas e aneladas. Os ursos polares podem caminhar longas distâncias em busca de focas, mas como isso requer uma grande quantidade de energia, eles normalmente praticam a caça de emboscada. Sua técnica mais bem-sucedida envolve localizar o orifício de respiração de uma foca no gelo (eles conseguem cheirar suas presas a até um quilômetro de distância) e esperar que a foca venha à superfície. No entanto, não é uma caça rápida, pois as focas aneladas podem permanecer submersas por até 45 minutos e às vezes sopram bolhas pelo orifício de respiração para ver se há algum urso polar por perto - por isso, esse estilo de caça de emboscada pode envolver várias horas de espera e observação.

Esses animais são a única espécie de urso considerada um mamífero marinho. Apesar de passarem a maior parte do tempo fora da água, eles são totalmente adaptados para a natação e podem nadar por várias horas (ou até mesmo dias). Eles usam suas patas dianteiras como remos para tomar impulso, e mantêm as patas traseiras planas para que funcionem como um leme. Nadar longas distâncias consome muita energia, e pode ser difícil repô-la se o gelo não for adequado para a caça. Além disso, os ursos polares dependem do mar (e do gelo dele) não só para sua alimentação, mas também para viajar, acasalar, descansar e abrigar seus filhotes.

fatos e curiosidades sobre ursos polares

10 curiosidades sobre os ursos polares

  1. São a única espécie de urso considerada um mamífero marinho
  2. Sua pele é preta e seus pelos são transparentes - eles parecem brancos porque os fios refletem a luz visível
  3. Eles chegam a nadar a aproximadamente 10 quilômetros por hora - é uma velocidade parecida com a do nadador Michael Phelps, três vezes mais rápido do que um humano não-atleta
  4. Menos de 2% das suas caças são bem-sucedidas
  5. Existem cerca de 26.000 ursos polares na natureza, e eles são divididos em 19 subpopulações
  6. Dessas 19 subpopulações, 4 estão em declínio, 5 estão estáveis e 2 estão aumentando. Ainda não há dados suficientes sobre as 8 restantes
  7. Ursos polares machos têm o dobro do peso das fêmeas e podem pesar 600 quilos - ou o equivalente a 8 humanos adultos
  8. Somado a seu peso, o fato de chegarem a ter até 3 metros de comprimento os torna os maiores carnívoros terrestres do mundo
  9. Eles podem sentir o cheiro de focas a até um quilômetro de distância e sob uma camada de um metro de neve compactada
  10. A maior ameaça à sua sobrevivência é a mudança climática, seguida pela extração de óleo e gás e por conflitos diretos com seres humanos

 

 Com a palavra...

Todo mundo concorda que esses animais são muito fofos, certo? Então, que tal começar a a contribuir para um planeta mais sustentável? Conversamos com quem entende do assunto e pedimos dicas para fazermos a nossa parte. Veja o que eles disseram:

Suzana Camargo

Jornalista que aborda mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Editora do portal Conexão Planeta, assina com Mônica Nunes o blog Inspiração para a Ação

Suzana Camargo

 

O que podemos fazer para diminuir nosso impacto ambiental?

Precisamos diminuir nossa pegada de carbono e para isso, é necessário rever a maneira como agimos e consumimos. Como sociedade, precisamos estar mais atentos a pequenas ações do dia a dia, como a redução a ingestão de carnes, dar preferência ao uso de transporte público ou modais menos poluentes (a bicicleta, por exemplo), diminuir o consumo de água e energia e ainda, implementar a prática da reciclagem e mesmo da compostagem, como norma. Já no caso de empresas e grandes corporações, elas têm obrigação de cumprirem seu papel social e ambiental e mostrarem suas ações de maneira completamente transparente. Não dá mais para aceitar que companhias vendam seus produtos comprados em áreas de desmatamento ilegal. É uma prática vergonhosa e deve ser denunciada.

Como podemos reagir diante de opiniões negacionistas sobre as mudanças climáticas?

Com evidências científicas, informações de fontes confiáveis e a verdade. E sempre com uma linguagem que possa ser compreendida por todos os setores da sociedade. A ignorância precisa ser combatida com clareza e jamais, com ataques.

Tasso Azevedo

Coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (SEEG) e do Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo no Brasil (MapBiomas), é engenheiro florestal e colunista de O Globo e de Revista Época Negócios. Assina o Blog do Tasso Azevedo.

Tasso Azevedo

 

Que atitudes podem ser tomadas coletivamente para evitar o aquecimento global?

Zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa no planeta até meados do século. Isso inclui minimizar e eventualmente eliminar o uso de combustíveis fósseis, acabar com o desmatamento, eletrificar a economia com fontes renováveis de energia e reflorestar o planeta.

O que podemos fazer enquanto indivíduos para diminuir nosso impacto ambiental?

Andar mais, usar produtos e serviço que conhece a origem, evitar toda forma de desperdício, cuidar de todas as formas de vida, manter contato com a natureza e deixar sempre os ambientes por anda passa melhores do que encontrou.

João Soares

Biólogo, mestre em Ecologia e pesquisador do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) da Universidade do Porto. Formador de opinião, mantém o blog BioTerra

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O que é sustentabilidade e por que ela é tão importante?

Para mim respeitar os 17 objetivos do Milénio, descritos pela ONU. No entanto, sustentabilidade será sempre tudo o que possamos fazer para garantir o mesmo património da Natureza que recebemos e legá-lo às gerações vindouras.

O que podemos fazer para diminuir nosso impacto ambiental?

Muita coisa. Especialmente o plástico. Substituir no nosso quotidiano tudo o que seja de plástico em materiais naturais e biodegradáveis. Outra preocupação é apoiar os produtores biológicos. Um mundo sem pesticidas nem OGM. Finalmente as nossas casas: aumentar a eficiência energética.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Gil e o premiado fotógrafo Sebastião Salgado se unem para plantar 1 milhão de árvores

O cantor e compositor Gilberto Gil, em parceria com o fotógrafo Sebastião Salgado e Lélia Deluiz Wanick Salgado, estão reunidos com a incrível missão para plantação de 1 milhão de árvores por ano no país. Tudo isso por meio do Instituto Terra.

O cantor e compositor Gilberto Gil, em parceria com o fotógrafo Sebastião Salgado e Lélia Deluiz Wanick Salgado, estão reunidos com a incrível missão para plantação de 1 milhão de árvores por ano no país. Tudo isso por meio do Instituto Terra.

Com o objetivo de incentivar a luta pelo meio-ambiente, Gil também lançou o videoclipe da música “Refloresta”, sua nova composição criada exclusivamente para a campanha de reflorestamento do instituto.

A ideia da entidade é expandir o reflorestamento no Brasil e produzir 1 milhão de mudas de espécies nativas da Mata Atlântica, contando com o auxílio do grupo segurador Zurich, na Fazenda Bulcão, que já possui 120 espécies.

A ação busca falar sobre a importância da recuperação de áreas de floresta degradadas pelo homem e foi oficialmente lançada na noite do último domingo, dia 21.

A sede do instituto de Sebastião Salgado, um dos fotógrafo mais renomados do mundo, acompanha a situação ambiental do país há tempos, sendo um exemplo vivo de iniciativa de recuperação de áreas desmatadas em nosso território.

De acordo com o instituto, 100 mil mudas já estão sendo plantadas desde novembro do ano passado.

E entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022, o planejamento é plantar 140 mil árvores de 69 espécies.

A Década da Restauração de Ecossistemas como chama a ONU, que ocorre entre 2021 e 2030 é fundamental para o nosso futuro em todo o planeta.

E como diz a música de Gil, “manter em pé o que resta não basta”, seguido pelo verso “o jeito é convencer quem devasta a respeitar a floresta”.

Veja o clipe da canção abaixo:


Fonte: A Soma de Todos os Afectos

Nuclear Power in the European Union


Texto e tabelas aqui

 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Is the World poor, or unjust?


"Poor countries are not 'under-developed', they are over-exploited." —Michael Parenti

By Jason Hickel

Social media has been ablaze with this question recently. We know we face a crisis of mass poverty: the global economy is organized in such a way that nearly 60% of humanity is left unable to meet basic needs. But the question at stake this time is different. A couple of economists on Twitter have claimed that the world average income is $16 per day (PPP). This, they say, is proof that the world is poor in a much more general sense: there is not enough for everyone to live well, and the only way to solve this problem is to press on the accelerator of aggregate economic growth.

This narrative is, however, hobbled by several empirical problems.

1. $16 per day is not accurate

First, let me address the $16/day claim on its own terms. This is a significant underestimate of world average income. The main problem is that it relies on household surveys, mostly from Povcal. These surveys are indispensable for telling us about the income and consumption of poor and ordinary households, but they do not capture top incomes, and are not designed to do so. In fact, Povcal surveys are not even really legitimate for capturing the income of “normal” high-income households. Using this method gives us a total world household income of about $43 trillion (PPP). But we know that total world GDP is $137 trillion (PPP). So, about two-thirds of global income is unaccounted for.

What explains this discrepancy? Some of the “missing” income is the income of the global rich. Some of it is consumption that’s related to housing, NGOs, care homes, boarding schools, etc, which are also not captured by these surveys (but which are counted as household consumption in national accounts). The rest of it is various forms of public expenditure and public provisioning.

This final point raises a problem that’s worth addressing. The survey-based method mixes income- and consumption-based data. Specifically, it counts non-income consumption in poor countries (including from commons and certain kinds of public provisioning), but does not count non-income consumption or public provisioning in richer countries. This is not a small thing. Consider people in Finland who are able to access world-class healthcare and higher education for free, or Singaporeans who live in high-end public housing that’s heavily subsidized by the government. The income equivalent of this consumption is very high (consider that in the US, for instance, people would have to pay out of pocket for it), and yet it is not captured by these surveys. It just vanishes.

Of course, not all government expenditure ends up as beneficial public provisioning. A lot of it goes to wars, arms, fossil fuel subsidies and so on. But that can be changed. There’s no reason that GDP spent on wars could not be spent on healthcare, education, wages and housing instead.

For these reasons, when assessing the question of whether the world is poor in terms of income, it makes more sense to use world average GDP, which is $17,800 per capita (PPP). Note that this is roughly consistent with the World Bank’s definition of a “high-income” country. It is also well in excess of what is required for high levels of human development. According to the UNDP, some nations score “very high” (0.8 or above) on the life expectancy index with as little as $3,300 per capita, and “very high” on the education index with as little as $8,700 per capita. In other words, the world is not poor, in aggregate. Rather, income is badly maldistributed.

To get a sense for just how badly it is maldistributed, consider that the richest 1% alone capture nearly 25% of world GDP, according to the World Inequality Database. That’s more than the GDP of 169 countries combined, including Norway, Argentina, all of the Middle East and the entire continent of Africa. If income was shared more fairly (i.e., if more of it went to the workers who actually produce it), and invested in universal public goods, we could end global poverty many times over and close the health and education gap permanently.

2. GDP accounting does not reflect economic value

But even GDP accounting is not adequate to the task of determining whether or not the world is poor. The reason is because GDP is not an accurate reflection of value; rather, it is a reflection of prices, and prices are an artefact of power relations in political economy. We know this from feminist economists, who point out that labour and resources mobilized for domestic reproduction, primarily by women, is priced at zero, and therefore “valued” at zero in national accounts, even though it is in reality essential to our civilization. We also know this from literature on unequal exchange, which points out that capital leverages geopolitical and commercial monopolies to artificially depress or “cheapen” the prices of labour in the global South to below the level of subsistence.

Let me illustrate this latter point with an example. Beginning in the 1980s, the World Bank and IMF (which are controlled primarily by the US and G7), imposed structural adjustment programmes across the global South, which significantly depressed wages and commodity prices (cutting them in half) and reorganized Southern economies around exports to the North. The goal was to restore Northern access to the cheap labour and resources they had enjoyed during the colonial era. It worked: during the 1980s the quantity of commodities that the South exported to the North increased, and yet their total revenues on this trade (i.e., the GDP they received for it) declined. In other words, by depressing the costs of Southern labour and commodities, the North is able to appropriate a significant quantity effectively for free.

The economist Samir Amin described this as “hidden value”. David Clelland calls it “dark value” – in other words, value that is not visible at all in national or corporate accounts. Just as the value of female domestic labour is “hidden” from view, so too are the labour and commodities that are net appropriated from the global South. In both cases, prices do not reflect value. Clelland estimates that the real value of an iPad, for example, is many times higher than its market price, because so much of the Southern labour that goes into producing it is underpaid or even entirely unpaid. John Smith points out that, as a result, GDP is an illusion that systematically underestimates real value.

There is a broader fact worth pointing to here. The whole purpose of capitalism is to appropriate surplus value, which by its very nature requires depressing the prices of inputs to a level below the value that capital actually derives from them. We can see this clearly in the way that nature is priced at zero, or close to zero (consider deforestation, strip mining, or emissions), despite the fact that all production ultimately derives from nature. So the question is, why should we use prices as a reflection of global value when we know that, under capitalism, prices by their very definition do not reflect value?

We can take this observation a step further. To the extent that capitalism relies on cheapening the prices of labour and other inputs, and to the extent that GDP represents these artificially low prices, GDP growth will never eradicate scarcity because in the process of growth scarcity is constantly imposed anew.

So, if GDP is not an accurate measure of the value of the global economy, how can we get around this problem? One way is to try to calculate the value of hidden labour and resources. There have been many such attempts. In 1995, the UN estimated that unpaid household labour, if compensated, would earn $16 trillion in that year. More recent estimates have put it at many times higher than that. Similar attempts have been made to value “ecosystem services”, and they arrive at numbers that exceed world GDP. These exercises are useful in illustrating the scale of hidden value, but they bump up against a problem. Capitalism works precisely because it does not pay for domestic labour and ecosystem services (it takes these things for free). So imagining a system in which these things are paid requires us to imagine a totally different kind of economy (with a significant increase in the money supply and a significant increase in the price of labour and resources), and in such an economy money would have a radically different value. These figures, while revealing, compare apples and oranges.

3. What matters is resources and provisioning

There is another approach we can use, which is to look at the scale of the useful resources that are mobilized by the global economy. This is preferable, because resources are real and tangible and can be accurately counted. Right now, the world economy uses 100 billion tons of resources per year (i.e., materials processed into tangible goods, buildings and infrastructure). That’s about 13 tons per person on average, but it is highly unequal: in low and lower-middle income countries it’s about 2 tons, and in high-income countries it’s a staggering 28 tons. Research in industrial ecology indicates that high standards of well-being can be achieved with about 6-8 tons per per person. In other words, the global economy presently uses twice as much resources as would be required to deliver good lives for all.

We see the same thing when it comes to energy. The world economy presently uses 400 EJ of energy per year, or 53 GJ per person on average (again, highly unequal between North and South). Recent research shows that we could deliver high standards of welfare for all, with universal healthcare, education, housing, transportation, computing etc, with as little as 15 GJ per capita. Even if we raise that figure by 75% to be generous it still amounts to a global total of only 26 GJ. In other words, we presently use more than double the energy that is required to deliver good lives for everyone.

When we look at the world in terms of real resources and energy (i.e., the stuff of provisioning), it becomes clear that there is no scarcity at all. The problem isn’t that there’s not enough, the problem, again, is that it is maldistributed. A huge chunk of global commodity production is totally irrelevant to human needs and well-being. Consider all the resources and energy that are mobilized for the sake of fast fashion, throwaway gadgets, single-use stadiums, SUVs, bottled water, cruise ships and the military-industrial complex. Consider the scale of needless consumption that is stimulated by manipulative advertising schemes, or enforced by planned obsolescence. Consider the quantity of private cars that people have been forced to buy because the fossil fuel industry and automobile manufactures have lobbied so aggressively against public transportation. Consider that the beef industry alone uses nearly 60% of the world’s agricultural land, to produce only 2% of global calories.

There is no scarcity. Rather, the world’s resources and energy are appropriated (disproportionately from the global South) in order to service the interests of capital and affluent consumers (disproportionately in the global North). We can state it more clearly: our economic system is not designed to meet human needs; it is designed to facilitate capital accumulation. And in order to do so, it imposes brutal scarcity on the majority of people, and cheapens human and nonhuman life. It is irrational to believe that simply “growing” such an economy, in aggregate, will somehow magically achieve the social outcomes we want.

We can think of this in terms of labour, too. Consider the labour that is rendered by young women in Bangladeshi sweatshops to produce fast fashion for Northern consumption; and consider the labour rendered by Congolese miners to dig up coltan for smartphones that are designed to be tossed every two years. This is an extraordinary waste of human lives. Why? So that Zara and Apple can post extraordinary profits.

Now imagine what the world would be like if all that labour, resources and energy was mobilized instead around meeting human needs and improving well-being (i.e., use-value rather than exchange-value). What if instead of appropriating labour and resources for fast fashion and Alexa devices it was mobilized around providing universal healthcare, education, public transportation, social housing, organic food, water, energy, internet and computing for all? We could live in a highly educated, technologically advanced society with zero poverty and zero hunger, all with significantly less resources and energy than we presently use. In other words we could not only achieve our social goals, but we could meet our ecological goals too, reducing excess resource use in rich countries to bring them back within planetary boundaries, while increasing resource use in the South to meet human needs.

There is no reason we cannot build such a society (and it is achievable, with concrete policy, as I describe here, here and here), except for the fact that those who benefit so prodigiously from the status quo do everything in their power to prevent it.