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domingo, 8 de março de 2026

You'll Never Get To Heaven - Caught In Time, So Far Away


Letra
This dream goes on forever
Keeps on and on
Can't reconcile the apathy
Its hold too strong
Automated, my senses are
Numb, broke and bleak
When it gets worse, I'll ask for you to believe
In me

Caught in time, so far away
Dreams linger on
Can't recreate naivety
The feeling's gone
Heavy hearts hung out to dry
It's plain to see
When it gets worse I'll ask for you to believe
In me

Automated, my senses are
Numb, broke and bleak
When it gets worse, I'll ask for you to believe
In me
To believe
In me

Footages fom the film "Dolls" de Takeshi Kitano 

Os You’ll Never Get to Heaven são um duo canadiano, originário de London, Ontário, composto por Alice Hansen e Chuck Blazevic. A sua sonoridade é uma das mais fiéis representações do que hoje entendemos por pop etérea, fundindo texturas de ambient, dream pop e uma nostalgia quase fantasmagórica que os críticos frequentemente associam ao conceito de hauntology. É uma música que não se impõe pela força, mas sim pela envolvência, assemelhando-se a uma neblina sonora onde a voz de Hansen flutua, processada e distante, como se fosse um eco de outra época.

A canção "Caught in Time, So Far Away" funciona como uma meditação profunda sobre a suspensão e o isolamento. O título sugere imediatamente alguém que ficou retido num momento específico do passado, incapaz de acompanhar o fluxo do presente. Em termos de significado, a letra não procura narrar um evento concreto, mas sim capturar o estado emocional de quem observa a própria vida através de uma lente baça. Existe uma melancolia inerente à ideia de estarmos "tão longe" (so far away), não necessariamente em termos de distância física, mas de desconexão emocional.

Ouvir este tema é como folhear um álbum de fotografias antigas onde as figuras começam a desaparecer. A música evoca a beleza triste da impermanência e a sensação de que certas memórias são tão vívidas que acabam por se tornar mais reais do que a própria realidade imediata. É, em última análise, um convite à introspeção, onde o ouvinte é transportado para um espaço liminal, algures entre o sonho e a vigília, onde o tempo parece ter parado por completo.

Sites
Bandcamp
Blogue
Spotify
Youtube

quinta-feira, 5 de março de 2026

Encontros Improváveis: Thomas Nashe e Vanessa Bowman



✍ "Spring, the sweet spring, is the year’s pleasant king,
Then blooms each thing, then maids dance in a ring,
Cold doth not sting, the pretty birds do sing:
Cuckoo, jug-jug, pu-we, to-witta-woo!..."
Thomas Nashe (1567 - 1601), Spring, the sweet spring

🎨 Vanessa Bowman é uma artista Britânica contemporânea de estilo naif que nasceu em 1970

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Olga Sacharoff

                        "Mulher apoiada na mesa" (1915)

Olga Sacharoff (1889–1967) foi uma figura singular na cena artística do século XX, servindo como uma ponte cultural entre a vanguarda russa e o espírito boémio de Paris e Barcelona.

Biografia Resumida
Nascida em Tbilisi (Geórgia), então parte do Império Russo, Olga estudou Belas-Artes em Tbilisi antes de se mudar para Munique em 1910, onde absorveu o expressionismo alemão. Em 1911, fixou-se em Paris, tornando-se parte ativa da "Escola de Paris" em Montparnasse.
Com o eclodir da Primeira Guerra Mundial, refugiou-se em Barcelona com o marido, o pintor Otho Lloyd. Embora tenha retornado a Paris nos anos 20, a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial levaram-na a estabelecer-se definitivamente na Catalunha, onde se tornou uma figura central nos círculos intelectuais até à sua morte.

Estilos e Evolução
A obra de Sacharoff é marcada por uma transição fluída entre correntes, mantendo sempre uma identidade muito pessoal:
  1. Cubismo e Futurismo (Fase Inicial): Nos seus primeiros anos em Paris, experimentou a fragmentação geométrica, mas de uma forma mais suave e decorativa do que os seus contemporâneos.
  2. Realismo Mágico e Naïf: É frequentemente associada a um estilo "ingénuo" (naïf) sofisticado, com influências do mestre Henri Rousseau, mas com uma execução técnica muito mais refinada.
  3. Noucentisme: Em Espanha, a sua obra integrou-se no movimento catalão que privilegiava a ordem, a clareza e um retorno ao classicismo mediterrânico, mas sempre com um toque de fantasia.
Temas Centrais
O universo de Sacharoff é íntimo, poético e, por vezes, ligeiramente irónico:
  1. O Mundo Feminino: Retratos de mulheres, cenas domésticas e de lazer.
  2. Natureza e Animais: Pássaros, cavalos e cães são presenças constantes, muitas vezes coexistindo com figuras humanas em cenários idílicos.
  3. Naturezas-Mortas e Flores: Composições vibrantes que revelam o seu domínio da cor.
  4. Retratos de Grupo: Ficou famosa pelas suas cenas de "garden parties" e reuniões sociais, que capturavam a atmosfera da alta burguesia e da boémia intelectual.
Técnica e Estética
A técnica de Olga Sacharoff destaca-se pela delicadeza e pela atenção ao detalhe:
  1. Paleta de Cores: Evoluiu de tons frios e cinzentos (fase cubista) para uma explosão de cores pastéis, verdes suaves e rosas vibrantes na maturidade.
  2. Traço: Linhas finas e precisas que definem contornos claros, conferindo às suas figuras uma aparência quase de porcelana.
  3. Textura: Utilizava frequentemente o óleo e a aquarela, conseguindo transparências que davam leveza e uma aura onírica às suas telas.
Curiosidade: Olga era conhecida como a "pintora dos gatos", devido à sua enorme afeição por estes animais, que frequentemente apareciam como protagonistas ou observadores silenciosos nas suas pinturas.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Dia de nascimento de Kateryna Bilokur



Hoje é o aniversário da grande artista ucraniana – Kateryna Bilokur (1900-1961). Ela poderia ter sido mais reconhecida durante a sua vida, mas não foi porque era mulher e camponesa. Mas agora podemos celebrar a arte dela como ela merece!

Kateryna Bilokur (1900–1961) foi uma proeminente artista ucraniana reconhecida internacionalmente pelo seu talento singular, tendo chegado a encantar Pablo Picasso, que declarou em 1954: "Se tivéssemos uma artista deste nível, faríamos o mundo inteiro falar dela." A sua vida e obra desenrolaram-se num contexto histórico de profundas e violentas transformações políticas, sociais e económicas que devastaram o campo ucraniano ao longo da primeira metade do século XX.

Nascida no seio de uma família camponesa na aldeia de Bohdanivka, na região de Poltava, sob o domínio do Império Russo, Bilokur cresceu numa época em que a educação das mulheres no campo era profundamente limitada e vista como desnecessária. A mentalidade patriarcal vigente ditava que o seu dever se devia restringir ao trabalho agrícola e à gestão do lar. Totalmente autodidacta, aprendeu a desenhar em segredo, enfrentando a forte oposição e as punições da família, que temia que a sua paixão pela arte prejudicasse as suas hipóteses de casamento.

Mais tarde, com a queda do império e a criação da União Soviética, a vida rural sofreu um golpe devastador durante o final da década de 1920 com a coletivização forçada imposta por Joseph Stalin. O regime soviético negou passaportes internos aos camponeses dos kolkhozes (quintas coletivas), prendendo-os de forma efetiva às suas aldeias. Devido a este impedimento burocrático e ao facto de não possuir o diploma da escolaridade básica de sete anos, viu ser-lhe recusada a admissão em várias instituições de ensino artístico, como a Escola Técnica de Cerâmica de Myrhorod e o Colégio de Belas Artes de Kiev.

Bilokur sobreviveu também ao Holodomor (1932–1933), a fome devastadora provocada pelas políticas de requisição de grãos do regime soviético que vitimou milhões de ucranianos. Diante do horror, da escassez e da morte ao seu redor, a pintura funcionou como um refúgio estético e de resistência espiritual. Em 1934, exausta dos conflitos familiares e da impossibilidade de pintar livremente, tentou o suicídio ao atirar-se às águas geladas do rio Chumhak. Embora tenha sobrevivido, o incidente deixou-lhe sequelas permanentes nas pernas, o que acabou por levar a sua família a aceitar, ainda que com relutância, a sua vocação artística.

Sem acesso a materiais profissionais durante a maior parte da vida, desenvolveu uma técnica inteiramente artesanal: fabricava os seus próprios pincéis com pelos de rabo de gato e finos ramos de salgueiro, extraía pigmentos de plantas e minerais locais (como beterraba, calêndula e bagas) e misturava-os com óleos. Aplicava a tinta a óleo diretamente na tela sem esboços ou rascunhos prévios, trabalhando detalhe por detalhe com pinceladas extremamente finas. Recusando-se a colher as flores para pintar no estúdio, caminhava quilómetros até aos campos para pintar a flora viva ao ar livre.

O seu estilo enquadra-se na Arte Naïf e no Primitivismo Folclórico, destacando-se pelas suas composições de natureza-morta botânica de uma densidade e riqueza cromática impressionantes, onde frequentemente combinava plantas de diferentes estações do ano numa única cena sobre fundos escuros ou céus limpos.

As suas influências transcendem o âmbito técnico. No plano literário e cultural, a sua maior inspiração moral foi o poeta e pintor Taras Shevchenko, cujos textos lhe deram força espiritual para perseverar. Nutriu-se igualmente das descrições místicas do folclore rural na obra de Nikolai Gogol, do patriotismo de Ivan Kotlyarevsky e da poesia oral e canções populares ucranianas. Visualmente, foi influenciada pela tradição dos pintura decorativa de Petrykivka, pelos bordados tradicionais (vyshyvanka) e pela iconografia religiosa ortodoxa. Sob o ponto de vista filosófico, a sua obra é marcada pelo panteísmo e pelo vitalismo, encarando as flores não como meros ornamentos, mas como seres vivos dotados de alma - a que chamava "os seus filhos" -, traduzindo uma celebração contemplativa da harmonia entre a terra, o cosmos e a natureza.

A sua vida mudou radicalmente em 1940, quando a cantora de ópera Oksana Petrusenko, impressionada por um desenho que a artista lhe enviara por carta, intercedeu junto do meio artístico para a organização da sua primeira exposição individual em Poltava. Após a Segunda Guerra Mundial e o fim da ocupação nazi da sua aldeia, o regime soviético acabou por promovê-la como uma "artista do povo", aproveitando a sua origem camponesa para a propaganda cultural. Contudo, o estilo de Bilokur manteve-se imune às exigências ideológicas do Realismo Socialista, preservando a sua liberdade poética.

O ápice do seu reconhecimento internacional ocorreu em 1954, quando três das suas obras foram exibidas na Exposição Internacional de Paris e elogiadas por Picasso. Apesar dos títulos e da aclamação tardia, viveu os seus últimos anos em condições financeiras modestas na sua aldeia natal, cuidando da mãe doente antes de falecer em 1961, deixando um legado indelével na história da arte ucraniana e mundial.

Biografia

sábado, 16 de junho de 2007

Taken by Trees - Only Yesterday


Lyrics:

Oh honey,
I really miss you.
Oh honey,
though it was only yesterday you kissed me.
And that kiss,
that kiss was so, so true.

I guess I should know better
when it comes to falling.
Yes, I should know better
when it comes to falling.

Oh honey,
I really miss you.
Oh honey,
If only you could hold me now.
'Cause you hold,
you hold me oh, so well.

I guess I should know better
when it comes to falling.
Yes, I should know better
when it comes to falling in love again.

Oh honey,
I really miss you.
Oh honey,
though it was only yesterday you kissed me.
And that kiss,
that kiss was so, so true.

I guess I should know better
when it comes to falling.
Yes, I should know better
when it comes to falling in love again.


Com filmagens muito bonitas aqui
Este vídeo é uma montagem (um "supercut") que reúne cenas de vários filmes românticos bem conhecidos. As principais cenas repetem-se ao longo do vídeo, intercaladas com imagens de arquivo reais (como as gravações históricas de Frida Kahlo e Diego Rivera) e com cenas dos seguintes filmes:

(500) Dias com Ela ((500) Days of Summer): Identificável logo no início com a famosa cena do elevador entre Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel.

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain): Várias cenas da protagonista (Audrey Tautou) aparecem, incluindo o momento clássico em que ela segura uma câmara fotográfica.

Mesmo se Nada Der Certo (Begin Again): Cenas com Keira Knightley e Mark Ruffalo a andar pelas ruas e no metro de Nova Iorque enquanto partilham música através de um duplicador de auscultadores.

Leis da Atracção (Laws of Attraction): Com Pierce Brosnan e Julianne Moore.

P.S. Eu Amo-Te (P.S. I Love You): Filme que inclusive dá nome ao ecrã final do vídeo.