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sábado, 25 de abril de 2026

Cidade portuguesa entra no top das mais felizes do mundo


A Maia é a cidade portuguesa mais bem posicionada no Happy City Index 2026. Ocupa o 69.º lugar a nível mundial, com 6.273 pontos, destacando-se entre os municípios nacionais.

A capital dinamarquesa, Copenhaga, lidera o ranking, que resulta de uma avaliação feita a centenas de cidades em todo o mundo.

Como é avaliada a qualidade de vida no ranking
O índice, desenvolvido pelo Institute for Quality of Life, avalia onde se vive melhor ao analisar fatores como:
  1. a governação
  2. o ambiente
  3. a economia
  4. a saúde
  5. a sustentabilidade
  6. o envolvimento dos cidadãos
A edição de 2026 começou com a análise de 3.400 cidades em todo o mundo, sendo depois reduzida a uma seleção mais detalhada de mil, até chegar à lista final de 251 cidades.

O estudo envolveu centenas de investigadores e teve em conta milhares de registos validados.

As dez cidades mais felizes do mundo
Os investigadores destacam as cidades mais bem classificadas a nível mundial por pontuação:
1. Copenhaga, Dinamarca
2. Helsínquia, Finlândia
3. Genebra, Suiça
4. Uppsala, Suécia
5. Tóquio, Japão
6. Trondheim, Noruega
7. Berna, Suíça
8. Malmö, Suécia
9. Munique, Alemanha
10. Aarhus, Dinamarca

Cidades portuguesas em destaque
A posição da cidade da Maia ganha ainda mais relevância por surgir entre as 70 cidades mais bem classificadas do mundo, à frente de destinos internacionais como Bordéus e Adelaide. Este reconhecimento surge no mesmo ano em que a cidade foi eleita Capital Europeia do Voluntariado.

Portugal conta com várias cidades neste ranking. Depois da Maia, surgem Matosinhos (111.º lugar), Odivelas (114.º), Almada (124.º), Lisboa (159.º), Braga (166.º), Gondomar (199.º) e Funchal (225.º).

O estudo confirma a presença de cidades portuguesas na lista, mas destaca a Maia como o principal exemplo nacional em termos de qualidade de vida.

domingo, 2 de novembro de 2025

Por onde andam a democracia e o bem comum e qual o papel da petição?


Vivemos um tempo paradoxal. Nunca tivemos tantos meios para nos informarmos, comunicarmos e participarmos na vida pública — e, no entanto, a sensação dominante é a de afastamento. A democracia, esse bem conquistado à custa de tanto esforço e memória, parece hoje andar perdida entre o ruído e a indiferença. O bem comum, fundamento ético da convivência humana, foi sendo substituído por um pragmatismo egoísta, por uma lógica de mercado que transforma cidadãos em consumidores e a política em espetáculo.
A democracia não se esgota no voto. Ela exige presença, vigilância e um sentido de pertença. Precisa de cidadãos atentos, críticos, capazes de questionar e propor. Infelizmente, a apatia cresce à medida que se agravam as desigualdades, que o discurso público se torna tóxico e que os centros de decisão se afastam das pessoas. A desinformação — alimentada por algoritmos que premiam o escândalo — corrói o terreno fértil da confiança, sem a qual nenhuma comunidade pode florescer.
E o bem comum? Esse conceito, tão simples e tão esquecido, é o que poderia restituir sentido à democracia. Falar de bem comum é lembrar que a liberdade individual só faz sentido num quadro de responsabilidade partilhada. É reconhecer que a nossa saúde depende da saúde dos ecossistemas, que o nosso bem-estar depende da justiça social, que o futuro dos nossos filhos depende da coragem coletiva de mudar de rumo.
Por onde andam, então, a democracia e o bem comum? Talvez não estejam perdidos — apenas esquecidos nos gestos pequenos que deixámos de valorizar: no diálogo entre vizinhos, na participação local, na escola que ensina a pensar, na comunidade que cuida. É aí, no quotidiano concreto, que renasce a possibilidade de uma cidadania viva e solidária.

Porque a democracia não se herda — constrói-se. E o bem comum não se decreta — cultiva-se.

A democracia — como defende Pierre Rosanvallon (2008) — “não é um estado, é um processo contínuo de invenção coletiva”. E esse processo exige participação real, protagonismo cidadão e uma educação que ensine não apenas a competir, mas a cooperar. O bem comum, por sua vez, não é uma abstração moral: é, como lembra Martha Nussbaum (2011), a condição material e simbólica que permite que todas as pessoas floresçam em dignidade e interdependência.

Uma petição pode ter um papel estratégico e simbólico muito forte neste contexto de reflexão sobre democracia e bem comum.
Mesmo parecendo um instrumento modesto, ela representa a prática viva da cidadania participativa — um antídoto contra a apatia democrática. 

Para Rosanvallon (2015), estes “atos de vigilância cívica” são hoje essenciais para revitalizar a democracia representativa, criando laços entre a sociedade civil e as instituições.

Estudos recentes (por exemplo, Smith, 2009; Nabatchi & Leighninger, 2015) mostram que formas de democracia participativa — como petições, orçamentos participativos e assembleias cidadãs — aumentam a confiança pública e a qualidade deliberativa das políticas públicas.

Eis algumas vantagens claras:
🟢 1. Reforça a cidadania ativa
Assinar (ou criar) uma petição é um ato de participação direta. Mostra que as pessoas não se limitam a votar de quatro em quatro anos, mas querem intervir no debate público. Cada assinatura é um gesto de consciência cívica, e o conjunto delas cria uma voz coletiva que o poder político não pode ignorar.
🟢 2. Cria comunidade e convergência
Num tempo de fragmentação e polarização, uma petição pode reunir cidadãos em torno de um propósito comum — seja ambiental, social ou ético. Funciona como ponto de encontro entre pessoas que, mesmo diferentes, reconhecem a urgência de defender um valor partilhado.
É o bem comum, em forma de mobilização.
🟢 3. Traz visibilidade e pressão política
Uma petição bem articulada e divulgada atrai a atenção pública e mediática, obrigando decisores e instituições a reagirem. Mesmo quando não resulta imediatamente em legislação, força o debate, expõe contradições e obriga à transparência.
🟢 4. Educa e desperta
Muitas pessoas tomam contacto com certos temas através de uma petição — é um instrumento de consciencialização. Bem redigida, ela explica, contextualiza e propõe soluções. Ou seja, transforma a indignação dispersa em conhecimento e ação concreta.
🟢 5. Articula o local e o global
Peticionar é um ato simultaneamente local e global: pode começar num bairro, numa escola ou numa associação, e acabar a influenciar decisões nacionais ou internacionais. É uma ponte entre a democracia de proximidade e a política institucional.

👉 Em resumo:
1. Num tempo em que muitos se perguntam “por onde anda a democracia?”, uma petição é um modo de trazê-la de volta para as mãos das pessoas — não como ideal abstrato, mas como prática quotidiana.
2. Portanto, peticionar não é um gesto simbólico ou de "activismo de sofá": é agir sobre a realidade, dar forma política à indignação ética. É um exercício de corresponsabilidade e de reconstrução do bem comum a partir da base social.

Relembro o Exercício do direito de petição
Lei n.º 43/90 publicado no Diário da República n.º 184/1990, Série I de 1990-08-10

Referências bibliográficas selecionadas

  • Freire, P. (1996). Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra.

  • Habermas, J. (1996). Between Facts and Norms: Contributions to a Discourse Theory of Law and Democracy. MIT Press.

  • Nabatchi, T., & Leighninger, M. (2015). Public Participation for 21st Century Democracy. Jossey-Bass.

  • Nussbaum, M. (2011). Creating Capabilities: The Human Development Approach. Harvard University Press.

  • Orr, D. (2004). Earth in Mind: On Education, Environment, and the Human Prospect. Island Press.

  • Rosanvallon, P. (2008). La légitimité démocratique. Seuil.

  • Rosanvallon, P. (2015). Le bon gouvernement. Seuil.

  • Smith, G. (2009). Democratic Innovations: Designing Institutions for Citizen Participation. Cambridge University Press.

  • Sterling, S. (2010). Transformative Learning and Sustainability: Sketching the Conceptual Ground. Learning and Teaching in Higher Education, 5(11), 17–33.

  • UNESCO (2019). Education for Sustainable Development Beyond 2019. Paris: UNESCO.


quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Pró - Democracia


Texto muito poderoso. Obrigado Helena Freitas. Já tinha abordado isto nesta postagem . Vivemos em tempos do absurdo, de grave iniquidade social, muita desinformação e estamos a sofrer das escolhas desumanas dos globocratas (para melhor perceberem, os multibilionários e bilionários, sejam eles russos, norte-americanos ou chineses ou de outra nacionalidade) . É necessário VER esta época, sair do absurdo e criar coragem e ver quem está a fazer boas práticas sócio-ambientais e travar a tempo, novo fascismo e desconstruir o patriotismo pacóvio. Também relembro outra reflexão que fiz aqui, com o título "Demorar a chamar os fascistas pelo nome, custará a nossa democracia". Varoufakis diz, e bem, que esta época é tecno-feudalista. Só um exemplo: porque não nos revoltamos contra McDonald´s, Burger Kings, Coca-Cola e aceitamos como "normalidade". Não é! Porque aceitamos a Temu, Shein, Shopee, AliExpress, Amazon como "normalidade"? Não é! Porque nos inscrevemos e pagamos para a Netflix, Prime Video, Disney+ ou Filmin que são "estrangeiras"? Porque não contestamos a Galp, a Navigator, a Altri? E por aí fora. Neste texto alerto para um problema existencial grave: a lavagem do cidadão (citizen washing). E, desculpem: porra, a culpa não é dos imigrantes "ilegais", a culpa não é do envelhecimento da população. Não gosto da palavra "estrangeiros" nem "povos indígenas", nem "idosos". Gosto da palavra "povos originários", "pessoas", "humanidade". Gosto também da palavra "urbanidade" . Gosto da palavra "Renaturalizar", "Regenerar" e "Prevenir". As causas são as nossas ESCOLHAS e atitudes e EXIGIR Sustentabilidade REAL e não lavagem verde!

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Necear


O que é que junta um economista, um jornalista e uma poeta neste podcast “Um pouco mais de azul”?

Rita Taborda Duarte vai falar do livro "Nada", da escritora catalã Carmen Laforet, editado em 1945 e que foi agora reeditado em Portugal. Francisco Louçã trata de duas formas de necear: trumpizar (enquanto comenta a cadeira de cidadania para a AD), e usar o Chat GPT para saber se o Orçamento do Estado é de esquerda ou de direita. Fernando Alves destaca o momento em que Luís Montenegro neceou, ao associar Cavaco Silva ao transformismo, uma disciplina na qual, seguramente, o professor não se reconhecerá.

domingo, 5 de maio de 2024

Subscreva o Manifesto Mais Cidadania

50 anos após o 25 de Abril, a democracia em Portugal está doente.


SINAIS E SINTOMAS: Polarização, revolta e falta de esperança

Vivemos num sistema político onde os processos eleitorais e os debates parlamentares reforçam ideias preconcebidas e a divisão da sociedade. A composição das assembleias municipais e da República, em conjunto, não é representativa da população: são mais homens, mais velhos e mais ricos que a nossa sociedade. Há a perceção de que as nossas vozes não são ouvidas sobre decisões de interesse geral. Observamos uma elevada abstenção eleitoral e a ascensão de forças antissistema que oferecem como alternativa o autoritarismo.

DIAGNÓSTICO: Reduziu-se democracia a eleições.

A organização em partidos é útil e necessária, mas insuficiente para a persecução dos interesses gerais e da convergência, pois cada qual precisa atender às suas bases de apoio. A necessidade de sobreviver aos ciclos eleitorais dificulta a implementação de políticas públicas de longo prazo. Os processos participativos existentes não mudam os rumos das políticas e não são acessíveis a uma grande parcela da população. Esta conjugação de fatores impede que a maioria das pessoas se sinta ouvida e representada.

TRATAMENTO: Instituir Assembleias Cidadãs.

Assembleias Cidadãs (ACs) são espaços em que pessoas comuns participam em sessões de informação transparentes e discutem, num ambiente estruturado e com a assistência de moderadores, quais são as melhores decisões sobre questões políticas complexas.

A legitimidade democrática deriva dos seus participantes serem, de facto, uma amostra representativa da população geral, ao refletirem a sua diversidade em termos de género, idade, nível de rendimentos, identidade étnico-racial e zona de residência. A amostragem é um método com provas dadas e um longo histórico de utilização nas ciências naturais e sociais, sendo indispensável para a regeneração de democracias doentes.

A aleatoriedade e rotatividade dos participantes é altamente resistente à corrupção e ao desenvolvimento de grupos com interesses particulares.

A etapa de aprendizagem, que precede a etapa de deliberação em pequenos grupos, é um antídoto para decisões baseadas em preconceitos e desinformação, permitindo gerar recomendações políticas pelo bem comum.

RESULTADOS ESPERADOS: Revitalização de laços sociais, regeneração das instituições, prevenção da corrupção.

Muitas experiências internacionais demonstram que ACs podem dar resposta a qualquer questão política, por muito complexa que seja, por exemplo: rever artigos de uma constituição (Irlanda), escolher um novo um sistema eleitoral (Canadá) ou decidir como responder à crise climática (França). Pela sua ação promotora de diálogo entre camadas distintas da sociedade, as ACs geram compromissos que dificilmente seriam atingidos em eleições e referendos, com resultados esperados na melhoria da governabilidade, na (re)estabilização do sistema político e na retoma da confiança nas instituições.

COMO USAR: Aplicação pura ou diluída.

As ACs já demonstraram enorme potencial político. O seu uso mais promissor é serem novas instituições políticas, complementando a representação por via eleitoral (exemplo: Ostbelgien). Em simbiose com os órgãos do poder, podem ser implementadas pelas juntas de freguesias, pelos municípios, pela Assembleia da República ou pelo governo. São uma poderosa ferramenta para encontrarmos consensos em questões de ordem local ou nacional. A sua introdução deve ser progressiva e a sua composição deve ser periodicamente avaliada e ajustada para se obterem os efeitos esperados.

COMO OBTER: Ação direta
Subscreva este manifesto e junte-se à construção de uma iniciativa legislativa para se reconhecer as Assembleias Cidadãs como (mais) uma forma válida do povo exercer o poder político.

Para grandes males, grandes remédios.

NOS 50 ANOS DO 25 DE ABRIL, QUEREMOS MAIS DEMOCRACIA!
25 de março de 2024

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

A 'hipocrisia verde" do aumento do IUC


“A hipocrisia ‘verde’ do aumento do IUC: o governo quer sufocar ainda mais os que vivem fora dos eixos do transporte público, que vivem na periferia e dependem do carro, enquanto reformula o aeródromo de Tires para receber jatos particulares dos que podem viver à frente do Metro no centro de Lisboa. As emissões médias de um único voo de jato privado correspondem a 23 mil km de um carro a gasolina, segundo o Greenpeace. ‘Um voo de um jato privado entre Lisboa e Nova Iorque emite mais CO2 do que um ano de consumo energético para aquecimento numa casa europeia’. Raquel Varela.

Aumento do IUC é duplamente "inconstitucional", considera o constitucionalista Paulo Otero. 

Saber mais:
  1. Webinar: Aviation Greenwashing and False Solutions (2020)
  2. As companhias aéreas estão a ser atingidas por litígios anti-greenwashing – eis o que as torna alvos perfeitos

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Da tenacidade germânica vs. lusa- estudo de caso Frankfurt


Frankfurt, sede do Banco Central Europeu (BCE)  estive há 20 anos atrás e fui recentemente até lá. O rio Meno limpinho, mais espaços para os peões, uma cadeia de produtos biológicos famosa na Alemanha,  capaz de competir com lojas comerciais do tamanho da "nossa" Auchan, por exemplo: trata-se da Alnatura. Marca alemã (com sede na cidade de Darmstadt) que como o próprio nome indica os produtos comercializados são naturais, biológicos e com várias secções dedicadas a intolerantes (sem glúten e sem lactose). 
Portanto, mesmo com uma pressão enorme como um ponto fulcral do espaço aéreo da Europa, os germânicos pensam e fazem à séria a sustentabilidade das suas cidades. É uma cidade "cara" certo, mas o dinheiro vemos no reflexo na qualidade de vida das suas gentes. Frankfurt  é incomparável com Lisboa. Ultrapassa Lisboa em muitos scores. Em Frankfurt as pessoas são respeitadas! Em Lisboa? É que vemos....cidade triste, cada vez com menos árvores. Hoje leio que em Aveiro fechou "A Salineira Aveirense" que iniciou atividade há cerca de 70 anos. Refere que a falta de sal é um dos motivos para o fecho do único espaço que se dedicava à venda de sal. No "Allgarve"  luta ambiental longa de 7 anos Alagoas Brancas  quando a vida selvagem pode ser substituída por um retail park. Demorou muitos anos, mas vencemos!  . O rio Tejo? Ninguém quer saber...Em Portugal não saímos da cepa torta!!

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Baloiços e afins


Dinheiro público mal investido. Depois a moda passa. As pessoas vêm, tiram selfies e instas e não voltam ao local. Fauna e flora locais foram dizimadas. Este tipo de turismo é efémero e depois estas instalações vão custar mais caro: quero ver como vão retirar o cimento colocado e como resolver a ferrugem das estruturas. Recreio sim mas mais amigo do ambiente. Eu conheço Cinfães e Montemuro. Não tenho respostas para o isolamento e como atrair pessoas para esses locais. Considero, no entanto que, uma aposta mais direccionada para um turismo sustentável, sem ferir a belíssima paisagem dessa região se consegue gerar emprego sem ser à custa e pressa de obter dinheiro rápido e repito efémero. As pessoas vêm, gostam e não voltam mais.

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Citizenwashing: What it is and how to spot it



“This is for the benefit of the citizens”, “We have consulted citizens and…”, “This is what citizens want.” The word “citizen” is regularly used by politicians and public authorities to justify their decisions. But sometimes the claim that a decision is based upon the public opinion is baseless. In this article we define citizenwashing and help you spot it.

In Ancient Greece, “citizens” were those who had a legal right to participate in the affairs of the state. While citizenship is more broadly applied in our current representative democracies (not least because it includes women and is not limited to members of a certain class), it is used to invoke the same sense of a person’s right and responsibility to participate in decision-making for our societies. But are we really all that powerful? Or should we raise a sceptical eyebrow when the term “citizen” is employed time and time again without a clear outline of how our opinions shape public policy?
Introduction to citizenwashing

As people become increasingly interested in climate issues – as well as impacted by the effects of climate change – it is becoming more and more important for public authorities and politicians to appear to be including peoples’ concerns in environmental decision-making. But, as we know, appearances can be deceiving. When the public is involved too late in the process, a public consultation garners little response, or corporate lobby interests outweigh the voice of concerned individuals, then legitimizing a decision by throwing the word “citizen” around in a speech or press release is dishonest; it becomes “citizenwashing”.

When it comes to environmental policies, citizenwashing is sometimes used by public authorities in the same way as greenwashing is by companies. It is a way for politicians and public bodies to give the impression of good governance without doing the legwork of factoring people’s views into decisions about climate policy. While citizenwashing can happen across the political spectrum, it can be particularly aggressive when it comes to social issues and environmental decisions.

It is also important to remember that the public concerned by decisions about the environment aren’t always necessarily citizens. “Citizen” refers to someone with a given nationality and passport, whereas the public concerned are the people affected in an area or by an issue, regardless of their citizenship. This is particularly significant in the case of climate change where we see the economic activity of some parts of the world causing climate related disasters overseas.


Why does it happen?
In many cases, citizenwashing is a result of poor planning around participatory processes. For example, the Conference on the Future of Europe – the EU’s most ambitious citizen forum to date – faced criticism for not laying out clear plans in its initial phases on how participants’ views would be taken into account. The conference could end up being labelled a citizenwashing exercise if there is no real follow up to their recommendations.

The conference has been a unique experiment. While it has real potential, there is a risk of it being written off as a citizenwashing exercise if there is no real follow up to the citizens’ recommendations. European institutions must understand that citizens’ participation does not in itself serve better buy in from people to European policies. Public participation processes must ensure that policies are informed by different perspectives, get a reality check and benefit from innovative ideas,”says Patrizia Heidegger, Deputy Secretary General of the European Environmental Bureau.

It is yet to be seen how the opinions expressed in the Conference will shape environmental policy in the real world but there is plenty of reason to be hopeful.

On other occasions, citizenwashing appears to be intentional. Take for example misrepresented public polling figures during the Brexit discussion or orchestrated town hall debates which have no real influence on decisions. Claiming to know what people want without asking them is bad enough, but distorting their replies and opinions is even worse, especially when powerful corporate lobby interests are in the mix.

How to spot it?

What you heard: “It is in the interest of the citizens that we …”
  1. Where: Run of the mill politician’s speeches
  2. Politicians’ Tweets
  3. Politicians’ op-eds
The best of a bad bunch. This type of citizenwashing is above all lazy. It occurs when politicians overuse the term “citizen” and make throwaway references to “the citizens.” With no plans to consult such a being, politicians will employ the word, giving an inflated impression of support for their decisions.

What you heard: “We are consulting/have consulted citizens and…”
  1. Where: Public authority press release
  2. Calls for public consultations
  3. Dodgy statistics
Pretty bad. This type of citizenwashing is a result of poor planning or a predictably ineffectual box ticking exercises. The public is consulted but the consultation process lacks the structure to make it meaningful and effort is not put in to take participants’ views into account. Perhaps the decision has already been taken. People are alienated and public trust in democratic processes is undone.

What you heard: “Citizens have demanded that…”
  1. Where: Angry politicians’ speeches
  2. Response to criticism of a policy decision
This type of citizenwashing is the most damaging. Here, politicians and public authorities claim to have involved citizens in decision-making when they intentionally have not done so or they misrepresent the outcomes of citizens involvement. Perhaps leading questions are asked and biased information is fed to people before consultation.

Here, personal and/or corporate interests are misrepresented as the public interest for manufactured legitimacy and persuasiveness.

At its worst this can take the form of flat out lies twisting a majority ‘no’ into a majority ‘yes’ to manipulate public opinion.

Why is it bad?
Tarnishing a politician’s reputation isn’t the worst result of uncovering cases of citizenwashing. People give up their time and energy to participate in public consultations, contribute to feedback processes and engage in decision-making. When they are unable to see how their contribution has been taken into account, or realise that it has been overridden by corporate interests, they can naturally grow frustrated and lose trust in democratic processes. Or worse still, people become totally alienated and are therefore unwilling to participate in future policy making. Fewer voices can only lead to worse policies and ultimately slow down the fight against climate change.

Through citizenwashing, not only is the public morally deceived, but international legal obligations are also breached. There are lots of democratic obligations to listen to people affected by political decisions. Most notably, the Aarhus Convention – an international treaty on public rights regarding access to information, public participation and access to justice in environmental policies – includes the obligation for authorities to allow for public participation early on,1 to seriously consider its outcome,2 and to address public opinion in decision-making, policymaking and law-making.

Conclusion
Meaningful public participation improves the quality of decisions, gives them legitimacy and increases public support for those decisions. Citizenwashing does the exact opposite and can only lead to a cycle of political alienation and worsening environmental policy.

domingo, 16 de janeiro de 2022

Assembleias de cidadãos: “Podemos ser muito mais poderosos do que somos, politicamente”

Manuel Arriaga, um dos fundadores do movimento de participação popular, explica como as Assembleias de Cidadãos podem criar uma vida cívica mais ativa e saudável. E podia ser em Lisboa.

Apesar do momento entusiasmante que vivemos agora – eleições dão sempre debates nas tvs, campanha eleitoral, etc. -, a verdade é que a democracia representativa podia funcionar melhor, e uma das provas disso é a crescente abstenção.

Uma das falhas que se lhe aponta é a representatividade: faz sentido que os cidadãos participem diretamente apenas uma vez de quatro em quatro anos? Manuel Arriaga faz parte de um grupo de pessoas que defende que não. E mais: hoje, temos meios tecnológicos e políticos para permitir uma maior participação contínua dos cidadãos.

Professor da Universidade de Nova Iorque (NYU) e “visiting fellow” do Centro para a Inovação Digital em Cambridge, Manuel Arriaga é um dos fundadores do Forum dos Cidadãos, uma experiência que pretende trazer as opiniões informadas dos portugueses para o debate político. Também escreveu um livro chamado Reinventar a Democracia, onde conta porque chegámos aqui e o que fazer para mudar.

Estamos em plena época eleitoral, viemos das autárquicas para as legislativas. É o auge da democracia representativa, em que as pessoas se sentem mais poderosas e em que de facto podem intervir. Somos assim tão poderosos, votando?
No regime que temos, eu diria que não. Com estes mecanismos eleitorais que temos, diria mesmo que somos impotentes, o contrário de poderosos.

E isso podia ser diferente? Como?
Podemos ser, sim, potencialmente, muito mais poderosos do que isto. Para isso teríamos de conseguir alterar os canais de participação que temos para que eles captem muito mais do potencial e capacidade dos cidadãos. O sistema que temos atualmente é baseado em fazer uma cruz a cada par de anos…

O que é que podia ser de outra forma? Como é que funcionam as tais Assembleias de Cidadãos que já estão a ser experimentadas em vários países, nomeadamente ao nível das cidades?
Um painel alargado de cidadãos, sejam munícipes ou cidadãos de um estado ou residentes de uma qualquer região ou divisão administrativa do território, é escolhido através do processo de amostragem, mas com escolha aleatória dos participantes. Forma-se um painel de algumas dezenas ou mesmo uma ou duas centenas de cidadãos comuns que são convidados, puxados para o sistema, ao contrário de quem tipicamente toma a iniciativa de se envolver na política.

É algo bem diferente: as pessoas são convidadas! Dizemos: “Não quer participar e ser remunerado pelo seu tempo para se envolver num processo de decisão coletiva sobre um tema de política importante?”. Estas pessoas são trazidas para a Assembleia de Cidadãos, aprendem sobre o tema com especialistas com diferentes perspetivas, ouvem representantes de diferentes partidos e de diferentes grupos de interesse da sociedade civil… E depois, através de um processo deliberativo, elaboram propostas. No final, os cidadãos tornam público um conjunto de medidas sobre o tema às instituições públicas, aos órgãos de comunicação social e ao público em geral.Fotos da experiência realizada no Forum dos Cidadãos, em 2018, sobre migrações.

Como e porque é que essas pessoas são mais representativas que os políticos que são eleitos, e que são muitos, pelo povo?
A representatividade tem vários sentidos. Podemos estar a falar do representativo no sentido de alguém que se torna nosso representante porque recebe um mandato para tal, quando nós delegamos poder e competências a alguém. É essa a atual democracia representativa.

Quando falamos no contexto das Assembleias de Cidadãos, elas são mais representativas da população em geral num sentido estatístico, de amostragem. É um microcosmo da população como um todo. Ou seja, se há 51% de mulheres, vamos tender a ter 51% de mulheres nos painéis. Se há 25% de cidadãos com mais de 65 anos, vamos tender a ter 25% de cidadãos com mais de 65 anos numa Assembleia de Cidadãos.

No universo atual da política, as posições de topo e de chefia continuam a ser dominadas por homens e os perfis socioeconómicos são bastante mais afunilados e reduzidos do que na população como um todo. Isto é muito distante daquilo que é uma Assembleia de Cidadãos.


E como é que essas pessoas, normais, têm conhecimentos para decidir o que quer que seja?
Um professor de Stanford, James Fishkin, tem uma vasta obra publicada pelo Centro de Democracia Deliberativa, liderado por ele, a atestar a profunda competência do cidadão comum, quando lhe é dado o tempo, os recursos e o contexto necessários para ele fazer um bom trabalho.

“Ah, o cidadão é incapaz”, dizem. Há dois problemas com a ideia de considerar um cidadão incapaz: uma é a nossa perceção enviesada, porque é baseada no que ouvimos qualquer desconhecido dizer no café ao ler as “gordas” do Correio da Manhã… Só nos lembramos das maiores barbaridades que são ditas e não nos lembramos dos outros 99% em que alguém não disse nada de tão chocante.

Segundo, é não termos noção de que o contexto determina fortemente o nosso comportamento, como os académicos das ciências sociais nos dizem há décadas. Converso num registo bem diferente daquele em que dou aulas, do que estou num bar numa sexta-feira à noite. Se esse 1% que faz barbaridades for confrontado com participantes e experiências profundamente diferentes da sua pode aprender sobre o tema, e se o processo estiver estruturado para a co-construção de propostas concretas sobre temas, em vez de fazer gritos identitários, produzem-se resultados completamente diferentes.

Isso não é pensamento otimista? Aqui, por exemplo, na Mensagem, temos algumas experiências com polarização das opiniões que nos chegam em vários fóruns…
Seja através das redes sociais, por excelência um ambiente de comportamento tóxico de extremar posições, seja em ambientes presenciais em que é preciso motivação para dar o passo à frente, isso são já mecanismos de autosseleção que trazem para a esfera pública quem tem opiniões muito mais vincadas e fortes do que o grosso da população. Esse grosso que não vai escrever no Twitter, nem vai aparecer numa reunião ao final do dia para fazer parte de uma comunidade engajada em Lisboa. É uma pequena franja da população e daí essa perceção, diria eu.

Entrevista completa aqui

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Petição: É Possível Impedir a Destruição do Geossítio do Paredão


O Curral das Freiras é conhecido pela sua paisagem, uma paisagem que marca a nossa identidade enquanto madeirenses, e que a distingue de muitos outros destinos turísticos. A Freguesia conhecida no exterior pela sua beleza quase intocada e movendo essencialmente turismo externo e interno de natureza, não pode ver destruído o seu bem mais precioso com uma plataforma suspensa que a atravessará de uma ponta a outra e a irá descaracterizar brutalmente. Para ver teleféricos bastará ir a tantos outros destinos que já os têm, mas a marca identitária do Curral das Freiras, apenas existe no Curral das Freiras, um dos espaços naturais mais privilegiados da nossa Região. Este projecto megalómano irá, não só destruir a identidade de um povo, mas destruir também património geológico inestimável que está inventariado pela “Estratégia de Conservação do Património Geológico da Região Autónoma da Madeira”, identificado na Carta de Património e que integra o Plano Director Municipal de Câmara de Lobos, o Miradouro do Paredão. Por isso, o Miradouro do Paredão está classificado como Geossítio.
No dia 3 de Dezembro, o Governo Regional publicou a resolução n.º 1261/2021, dando conta de que o processo de expropriação já está em curso e que, aliás, prevê-se a comparticipação financeira ainda para este ano de 3.419.831,13€. Um valor exorbitante para destruir o que de mais valioso temos.
Os cidadãos abaixo-assinados, vêm assim exigir que o processo de construção do Teleférico do Paredão não vá em frente e que seja preservada a identidade de um povo e de uma Região.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Zero Apela a que Candidatos se Comprometam a Promover a Sustentabilidade a Nível Local


Oito áreas, trinta e cinco medidas para debate na campanha eleitoral que começa amanhã

Amanhã, dia 14 de setembro, dia em que se inicia oficialmente a campanha eleitoral para as eleições autárquicas, e dado o seu impacto direto na vida quotidiana dos portugueses, a ZERO apela a que os candidatos dos partidos políticos e dos movimentos de cidadãos independentes se comprometam com medidas concretas para garantir a sustentabilidade e a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.

Para fomentar a reflexão e o debate durante este período, a ZERO apresenta um conjunto de medidas, algumas com impactos positivos nas contas dos municípios e das freguesias, que não só podem ser adotadas pelas listas candidatas, como podem vir a fazer parte das Grandes Opções dos Planos Municipais a aprovar pelos eleitos para os próximos quatro anos.

Neste contexto, foram identificadas oito áreas de atuação onde os autarcas terão um papel decisivo a desempenhar.

  1. Fazer da mitigação e adaptação às alterações climáticas uma verdadeira prioridade com metas e medidas a cumprir
    1. O combate às alterações climáticas é um dos maiores desafios para a humanidade e a ação a nível local é decisiva; é fundamental a adesão de todas as autarquias portuguesas ao Pacto dos Autarcas em Matéria de Clima e Energia e comprometerem-se principalmente com a meta de atingir a neutralidade climática até 2050. Note-se que atualmente apenas 169 autarquias são signatárias do Pacto dos Autarcas.
    2. Plano de Recuperação e Resiliência vai ter um conjunto de investimentos à escala municipal associados ao pilar da transição verde, nomeadamente na componente relacionada com as alterações climáticas, que em conjunto com outras áreas como a resiliência e a transição digital, têm de ser bem aplicados na promoção da sustentabilidade, melhoria da qualidade de vida e bem-estar.
  1. Promover o combate à pobreza energética, investir na eficiência energética e na produção local de energia renovável
    1. Identificar e intervir na melhoria do conforto das famílias em pobreza energética, recorrendo à cooperação com as agências de energia e outras instituições relevantes.
    2. Apostar na reabilitação do parque edificado, integrando critérios exigentes de eficiência energética e promoção da produção local de energia renovável.
    3. Prioridade à instalação de unidades de produção em autoconsumo nos edifícios das autarquias (fotovoltaico e eólico), ambas as medidas com reflexos na diminuição de custos no médio/longo prazo.
    4. Assegurar a sustentabilidade da instalação de parques solares no concelho, envolvendo a população e assegurando uma compatibilização com a proteção da paisagem e da biodiversidade.
  1. Incentivar a mobilidade sustentável
    1. Promover a mobilidade sustentável nas vilas e cidades, tornando-as mais próximas dos seus cidadãos, dando prioridade aos serviços locais na malha social em que estes vivem, trabalham, estudam e se divertem.
    2. Redução do uso do transporte individual através da promoção do transporte público, mobilidade suave e penalização do uso do automóvel sempre que haja oferta alternativa.
    3. Criação de ciclovias por todo o território (com particular enfoque nos acessos a estabelecimentos de ensino) e generalização de redes de bicicletas partilhadas e de locais de estacionamento para bicicletas.
    4. Incremento das áreas pedonais urbanas, com aplicação de restrições à circulação de veículos.
    5. Garantir infraestruturas acessíveis e generalizadas para carregamento de veículos elétricos, já que esta é a principal restrição na promoção da mobilidade elétrica.
    6. Eletrificação progressiva dos transportes públicos e viaturas municipais
    7. Reabilitação ou criação de novos interfaces (nós do sistema de transportes que permitem conexões entre vários modos e/ou serviços de transporte que facilitam os transbordos), com o objetivo de reforçar a utilização do transporte público e, de igual modo, promover uma utilização conjunta deste com os modos suaves (andar a pé, bicicleta).
  1. Promover a alimentação com base na produção agrícola de proximidade
    1. Intervir nos mercados municipais e junto das empresas do concelho na promoção de fornecimento de recursos alimentares de proximidade.
    2. Criação e/ou continuação da dinamização de hortas comunitárias, com a distribuição de talhões para cultivo aos cidadãos interessados, de preferência em modo de produção biológico.
    3. Criação de bolsas de terrenos agrícolas municipais para facilitar o acesso à terra e, assim, estimular o aparecimento de novos produtores locais com surgimento ou consolidação de cadeias curtas agroalimentares.
  1. Dinamizar um consumo responsável assente nos princípios da economia circular
    Desenvolvimento e apoio a diferentes iniciativas promotoras de uma cultura resíduos zero:

    1. Criação de espaços agregadores de serviços locais de pequenas reparações de equipamentos e de mobiliário, e de promoção da reutilização (e.g. troca/venda de roupas em segunda mão, móveis, têxteis).
    2. Apoio a iniciativas coletivas e partilhadas de disponibilização de recipientes reutilizáveis para o pronto a comer na área do município.
    3. Proibição da utilização de pratos, copos e utensílios descartáveis em festas, romarias ou eventos realizados na área do seu município (públicos ou privados), promovendo, ao mesmo tempo, iniciativas de disponibilização e higienização de alternativas reutilizáveis.
    4. Promoção da utilização de fraldas reutilizáveis e de produtos menstruais reutilizáveis – copo menstrual, pensos reutilizáveis, cuecas menstruais, etc. – através da oferta de vouchers para aquisição destes produtos. No caso das fraldas é também importante o fomento de iniciativas de lavagem centralizada, no sentido de facilitar a vida às famílias.
    5. Distribuição alargada de compostores domésticos, instalação de compostores comunitários e dotar os espaços de restauração coletiva das escolas, dos lares e de outros serviços, de equipamentos de biocompostagem.
    6. Investimento na instalação de pequenas centrais de compostagem, por forma a evitar o transporte dos resíduos a longas distâncias, a facilitar a devolução dos nutrientes aos solos e apoiar a agricultura de proximidade.
    7. Investimento estrutural na recolha seletiva porta-a-porta, incluindo a dos resíduos orgânicos (40% do total de resíduos).
  1. Promover a eficiência e o uso sustentável da água
    1. Realização de auditorias ao sistema de abastecimento de água, com especial enfoque na análise ao volume de água não faturada.
    2. Promoção do consumo de água da torneira, em detrimento do uso de água engarrafada, e para divulgar boas práticas de prevenção do desperdício de água e de reutilização de águas pluviais.
    3. Investimento no tratamento de águas residuais, desenvolvendo esforços financeiros para melhorar a acessibilidade dos cidadãos às redes de drenagem e ao tratamento, dando especial atenção a investimentos em soluções de saneamento descentralizado (micro-ETAR, fito-ETAR), para melhorar a qualidade das águas superficiais.
  1. Gestão do território integrando os processos naturais nas decisões
    1. Implementação de estratégias baseadas na natureza na adaptação às alterações climáticas.
    2. Ponderação da designação de áreas protegidas de âmbito regional ou local
    3. Programação da reabilitação ecológica de espaços degradados, nomeadamente linhas de água e zonas húmidas.

Promoção da biodiversidade no interior das cidades e vilas, através nomeadamente:

    1. Do abandono do uso de pesticidas e dos fertilizantes artificiais;
    2. Da reciclagem dos resíduos da gestão dos espaços verdes, mantendo o solo vivo;
    3. Da utilização de espécies autóctones em detrimento de exóticas;
    4. Da promoção de iniciativas de cidadãos – como a criação de charcos, o reaproveitamento das águas pluviais, a plantação de sebes que favoreçam as aves e os polinizadores, a instalação de ‘hotéis’ para polinizadores, a colocação de caixas-ninho para aves e morcegos ou a criação de espirais de ervas aromáticas.
  1. Instituir Orçamentos Participativos
    1. Adoção de Orçamentos Participativos deliberativos como uma forma de melhorar a gestão autárquica, sem receio de envolverem os cidadãos e de aprofundar a democracia participativa a nível local.
    2. Criação de novas formas de “dinheiro”, como as moedas locais, senhas para aquisição de produtos locais, os bancos de tempo (trocas solidárias), e a incentivarem novas formas de economia cooperativa e colaborativa.

terça-feira, 20 de abril de 2021

Do calor às inundações: o papel fundamental das florestas urbanas


As florestas são essenciais para a nossa sobrevivência e bem-estar. Elas conseguem limpar o nosso ar, a nossa água, o nosso solo e regulam o nosso clima. Apesar de nem sempre estarem associadas a paisagens urbanas, elas desempenham funções de valor inestimável, mesmo que invisível.

Estudos científicos mostram que as florestas urbanas e os espaços verdes ajudam a melhorar a saúde física e o bem-estar psíquico. Mais de três quartos das pessoas na Europa vivem em áreas urbanas, pelo que as árvores são agora mais importantes do que nunca.

1. As alterações climáticas aumentam os riscos para a saúde
Estima-se que as alterações climáticas levem a um aumento de 2ºC a 5ºC das temperaturas médias anuais da Europa até 2100. As ondas de calor apresentam riscos, em particular para os idosos e para as pessoas que sofrem de doenças respiratórias e cardiovasculares. Muitas vezes, a qualidade do ar piora durante as ondas de calor, agravando problemas de saúde.

Os idosos são particularmente vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas. Na Europa, a proporção da população com 65 anos ou mais aumentou de 10% em 1960 para 16% em 2010 – e espera-se que aumente para 30% em 2060. Ao mesmo tempo, o número de pessoas a viver em áreas urbanas também está a crescer.

Nesta sociedade cada vez mais envelhecida e urbanizada, as florestas e os espaços verdes podem revelar-se muito úteis.

2. As florestas reduzem as ondas de calor urbano
As árvores e os arbustos refrescam as áreas circundantes através de uma série de mecanismos. As suas folhas reflectem a luz e o calor e proporcionam sombra, enquanto a sua transpiração liberta água para o ar – o que faz baixar as temperaturas em volta. Estes processos naturais podem reduzir parcialmente os impactos negativos das ondas de calor em áreas urbanas.

Alguns estudos prevêem que as temperaturas em áreas urbanas, em locais com somente 10% de cobertura vegetal, possam aumentar 8,2ºC nos próximos 70 anos. Por outro lado, o aumento da cobertura verde nas cidades em 10% pode restringir esse aumento da temperatura em apenas 1ºC.

3. As florestas melhoram a qualidade do ar
As florestas e os espaços verdes ajudam a melhorar a qualidade do ar em áreas urbanas e rurais. Eles extraem uma vasta gama de poluentes do ar, tais como partículas e óxidos de carbono emitidos, por exemplo, pelos automóveis e pela indústria. As árvores também ajudam a combater as mudanças climáticas – num ano, uma árvore adulta absorve cerca de 22 Kg de dióxido de carbono da atmosfera, libertando, em troca, oxigénio.

A cada ano, estima-se que 1,3 milhões de árvores removam mais de 2.500 toneladas de poluentes do ar.

4. As florestas evitam inundações
As plantas facilitam a infiltração das águas das chuvas no solo. Plantar árvores e criar espaços verdes urbanos são, portanto, passos essenciais para o fortalecimento da infra-estrutura verde da Europa, pois contribuem fortemente para a gestão de inundações.

5. As florestas ajudam a saúde
Dar à população urbana a oportunidade e possibilidade de desfrutar de um maior acesso ao contacto com a natureza traz múltiplos benefícios à saúde física e mental. Um estudo que envolveu toda a população de Inglaterra mostrou que, junto daqueles que vivem mais perto de ambientes verdes, a taxa de mortalidade é 25% menor.

Outro estudo concluiu que cada aumento de 10% de um espaço verde está associado a uma redução de doenças, o que equivale a um aumento de cinco anos da esperança média de vida.

As florestas proporcionam ainda importantes benefícios, como o incentivo ao aumento da actividade física e redução da obesidade, a redução dos níveis de stress e melhorias na saúde mental, menores níveis de violência e criminalidade e o aumento das interacções sociais.

O caminho a seguir

Mais árvores e florestas urbanas?
À medida que a população europeia envelhece e se torna mais urbanizada, é provável que aumente a necessidade de recorrer aos benefícios das florestas. Em termos práticos, isto significa que muitas cidades precisam de aumentar os seus espaços verdes, torná-los mais seguros e acessíveis. Por outro lado, o cultivo de árvores em meios urbanos deve ser encarado como uma prioridade para o ordenamento do território local e regional.

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domingo, 23 de fevereiro de 2020

Entrevista. José Carlos Mota: A falta de cultura participativa dos portugueses é um 'mito urbano'

É importante procurar transformar uma aula “num permanente processo de inquietação, curiosidade e pesquisa”, afirma José Carlos Mota. O professor do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (DCSPT), considera que a Universidade de Aveiro atravessou três fases na relação com a comunidade: cooperação com o tecido industrial, relação com as autarquias da região e aproximação às comunidades locais. “A falta de cultura participativa dos portugueses é um ‘mito urbano’”, contesta.


José Carlos Mota é professor do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (DCSPT), e considera que a Universidade de Aveiro atravessou três fases na relação com a comunidade: cooperação com o tecido industrial, relação com as autarquias da região e aproximação às comunidades locais. “A falta de cultura participativa dos portugueses é um ‘mito urbano’”, contesta.

Como define um bom professor? Na sua perspetiva, que caraterísticas deve ter um bom professor?
Não é fácil captar a atenção de um aluno ao longo de uma aula ou de um semestre. Há estudos que mostram que as metodologias ativas de aprendizagem baseadas em demonstrações e questões mantêm os alunos atentos e estimulam o interesse pelas matérias. Pelo contrário, as aulas em formato de palestra tendem a ser menos eficazes. Nesse sentido, é importante procurar transformar uma aula ou uma unidade curricular num permanente processo de inquietação, curiosidade e pesquisa. Para isso, um docente tem de ser um estudioso das matérias, um bom comunicador e alguém disponível para acompanhar o aluno nesse caminho longo e difícil da aquisição e sedimentação de conhecimentos.

O que mais o fascina no ensino e na função docente?
A vida académica tem desvalorizado a função docente em detrimento de outras como a investigação, por exemplo. Considero que a função docente é a mais nobre das atividades académicas pois é aquela que permite ajudar um aluno a crescer como pessoa, como profissional e como cidadão. Por outro lado, ajuda-nos também a nós docentes a evoluir e a apurar a clareza e a argumentação.

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes no(s) curso(s) a que está (esteve) ligado?
Dou aulas há dezasseis anos na UA, sobretudo a estudantes da Licenciatura em Administração Pública e do Mestrado em Planeamento Regional e Urbano. São formações de natureza inter e transdisciplinar que procuram combinar os diálogos entre a teoria e prática, centradas numa reflexão crítica sobre a sociedade e o território e com um sentido de forte responsabilidade social e cívica com a comunidade onde nos inserimos.

Se lhe fosse pedido um conselho dirigido aos alunos, que conselho daria?
Sejam muito exigentes com os docentes, com os colegas, com a universidade e claro também convosco. Somos, infelizmente, uma sociedade pouco exigente.

Houve alguma turma/grupo de alunos/aluno que mais o tivesse marcado? Porquê?
Todas os alunos e turmas marcam. A apresentação dos trabalhos finais é sempre um momento importante. Ao contrário do que os alunos julgam, aquele momento é um enorme exercício de avaliação dos docentes. É ali que percebemos se conseguimos ou não fazer um bom trabalho ao longo do semestre.

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula ou com estudantes (constrangimento/situação agradável)?
Há um momento curioso que deu origem a uma causa que tenho de recuperar. Certo dia, uma aluna Erasmus queixou-se, no início de uma aula, dos colegas portugueses. Dizia ela que eles nunca chegavam a horas. Marcavam uma reunião e ou não apareciam ou chegavam atrasados e raramente davam satisfações. Isso incomodou-me e resolvi lançar uma campanha cívica chamada tolerância zero à falta de pontualidade. Considero que este é um dos problemas mais graves da nossa vida coletiva e um dos responsáveis pela nossa baixa produtividade. Um dia destes volto à carga com a campanha.

Tem centrado o seu trabalho de investigação nas estratégias de envolvimento dos cidadãos no processo de planeamento, ou em como tornar a cidade um espaço ainda mais dos cidadãos… Provavelmente, mais de 40 anos de ditadura em Portugal ainda estão a marcar a sociedade. Mesmo assim, haverá bons exemplos.
A falta de cultura participativa dos portugueses é um “mito urbano”. O que acontece é que tem havido poucos estímulos consequentes à participação e os que existem ocorrem quando os cidadãos pouco podem acrescentar. Nessas condições, até acho muito bem que as pessoas não participem. No sentido inverso, quando se usa as metodologias adequadas e as pessoas sentem que o seu contributo é útil, a participação acontece com uma intensidade e riqueza mágicas. E isso ocorre em territórios e condições tão diversas como Aveiro (VivobairroAveiro SoupLab Cívico SantiagoSerras do PortoLousada ou Maia). Podemos estar descansados, os portugueses não possuem nenhum problema genético que os debilite para a participação cívica.

Como poderão as redes sociais facilitar o caminho para uma sociedade mais participativa?
As redes sociais que fazem a diferença não são as virtuais, são as de proximidade. O que falta é criar condições (espaços físicos, momentos temporais e oportunidades temáticas) para despoletar a energia cívica adormecida. As redes virtuais podem dar uma ajuda para divulgar e difundir oportunidades, para levar a mensagem e para criar o efeito “bola de neve”. Mas não são elas que fazem a ignição. São os diálogos presenciais entre pessoas e as causas que as movem que podem fazer a diferença.

Quem se forma na UA, nestas áreas, estará mais preparado para trabalhar em prol de cidades mais vividas e próximas dos cidadãos?
Julgo que sim. Eu diria que a UA tem algumas “bandeiras” e a relação com a comunidade é uma delas, como o prova a sua história. Se na sua origem esteve uma forte cooperação com o tecido industrial, num segundo fôlego ganhou destaque a relação com as autarquias da região. Mais recentemente, “surgiu” uma nova frente de aproximação com as comunidades locais, reforçando o carácter de “universidade cívica”. Há em vários departamentos da UA esse esforço de capacitação dos alunos com as competências de diálogo com a comunidade e de compreensão das suas necessidades e do papel que a ciência pode desempenhar na melhoria das suas vidas. Esse sentido de utilidade social do conhecimento é fundamental.

Impressão digital

Traço principal do seu carácter
Inquietação
Ocupação preferida nos tempos livres
Fotografia
O que não dispensa no dia-a-dia
Telemóvel, para desespero da família.
O desejo que ainda está por realizar
Dar a volta ao mundo.