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sábado, 20 de dezembro de 2025

Sim, André Ventura admitiu que já votou em José Sócrates


Áudio de entrevista para o livro "Dias de Raiva" prova como o líder do Chega afirma ter-se sentido enganado pelo líder socialista enquanto eleitor. "De facto, via-o com firmeza, coragem. Gostava da forma de ele se exprimir e tudo. Enganou-me uma vez, mas não me enganou mais."

Foi um dos momento mais tensos da noite. No fim do debate presidencial entre João Cotrim Figueiredo, candidato presidencial apoiado pela Iniciativa Liberal, e André Ventura, candidato apoiado pelo Chega, ambos trocaram uma série de farpas.

João Cotrim Figueiredo: Fala tanto das elites, mas não fui eu que fui inspetor tributário a dar conselho a milionários de como fugir aos impostos. Isso é que é trabalhar com as elites. Não fui eu que fui chamado, via minha atividade, a testemunhar em tribunal sobre um caso de vistos Gold em tinha dado um parecer positivo à isenção de IVA - e do outro lado estava quem? Lalanda de Castro, grande amigo de José Sócrates. Mas isto não é surpresa: tu já confessaste que votaste no José Sócrates.

André Ventura: Isso é falso. Nunca confessei, isso é falso, é mais notícias falsas que andam a espalhar.

JCF: A sério? Saiu num livro e num jornal.

AV: De livros, a maior parte sobre o Chega são falsos.

O líder do Chega mente. O caso tem origem no livro Dias de Raiva - Os Segredos da Ascensão de André Ventura (2024, Manuscrito). Na página 33, no capítulo dedicado às origens do líder político, o candidato do Chega explica como viu com entusiasmo a maioria absoluta de José Sócrates, um homem que via com "firmeza, coragem", ocasião em que diz ter votado nele.

A primeira vez que Ventura revelou o sentido de voto foi ainda em 2017, enquanto candidato do PSD à Câmara Municipal de Loures. Em conversa com o jornalista da SÁBADO (e autor deste livro), afirmou: "Era jovem e parecia uma voz do povo. Aqui entre nós, fui um dos muitos que votou nele." Volvidos quatro anos, em entrevista dedicado para o livro, o tema surgiu novamente:

Alexandre Malhado: Havia dentro do PS um discurso populista, na medida em que tivemos o líder José Sócrates.
André Ventura: Enganou-me a mim.
AM: Pois, exato. Chegaste a votar e lembro-me de teres dito que te enganou.
AV: Mas enganou mesmo. Foi o único líder socialista que me enganou. Porque na altura, de facto, via-o com firmeza, coragem. Gostava da forma de ele se exprimir e tudo. Mas depois com a questão da licenciatura e do caso Freeport, fiquei com um pé atrás. Enganou-me uma vez, mas não me enganou mais.

Pode ouvir o áudio deste trecho aqui:Reproduzir Vídeo
Entrevista a André Ventura em 2021 para o livro Dias de Raiva.

Em 2015, no seu próprio livro livro Justiça, Corrupção e Jornalismo — Os Desafios do Nosso Tempo, André Ventura classificou Sócrates como um homem "capaz de lutar contra os interesses instalados" e admite que chegou "a ser influenciado por este movimento" do antigo secretário-geral socialista. "José Sócrates foi um político que me convenceu no seu início, não tanto como secretário de Estado do Ambiente, uma vez que não tive tanto contacto com essa realidade, mas como líder do Partido Socialista. Primeiro, contra João Soares e Manuel Alegre e, depois, como candidato a primeiro-ministro nos seus primeiros anos, tendo-me aparecido como um homem íntegro, como um homem firma nalgumas decisões, capaz de lutar contra interesses instalados, mas o que é que se revelou no fim!?" Na mesma página, os elogios continuam: "José Sócrates era mestre nas encenações, todos os grandes congressos do Partido Socialista sobre José Sócrates continham uma ovação quase estalinista, em que estávamos perante grandiosos cenários, o hino nacional. José Sócrates apareceu quase como salvador da pátria." Há dez anos, concluía que "temos de ser mais exigentes com a democracia, mais exigentes com a verdade."

O debate entre o deputado André Ventura, candidato presidencial apoiado pelo Chega, e o eurodeputado João Cotrim Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal (IL), foi tenso e pessoal. Ambos eleitos deputados únicos ao mesmo tempo, em 2019, liderando partidos recém-criados a ganhar assento parlamentar, foi uma disputa entre velhos rivais. “Acho que o maior erro da vida do João foi ter deixado a liderança da IL para ir ter uma reforma dourada em Bruxelas", acusou Ventura. “Tenho uma reforma dourada tão boa que decidi candidatar-me a Presidente da República”, respondeu o liberal. Além da Lei da Nacionalidade e Ucrânia — “Não quero mandar para lá tropas como tu”, atirou Ventura —, discutiram com informalidade, num "tu cá, tu lá", a idade de Cotrim Figueiredo, pedofilia no Chega e o passado de André Ventura enquanto inspetor da autoridade tributária.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Os cartazes abjectos do Chega - como denunciar



Não partilho as fotos dos cartazes abjectos.
Partilho que já mandei queixa para CNE, PGR, Internet Segura e outros órgãos de soberania. Qualquer cidadão pode fazer. Não é preciso ser especialista em direito para perceber a violação do artigo 240 do código penal.
Aproveitem agora, porque se continuarmos muito por este caminho e voltarem novos salazares, piar é verbo que pode deixar de existir no dicionário.

"Venho por este meio denunciar e solicitar a atuação da Comissão Nacional de Eleições, Ministério Público e demais órgãos de soberania perante os cartazes colocados em locais públicos associados à candidatura presidencial de André Ventura.
Cartazes que têm por objetivo difamar e acicatar o ódio relativamente a comunidades imigrantes e à comunidade cigana. Tais mensagens, além de chocantes do ponto de vista social e humanitário, além de causarem alarme público e social, violam claramente a Constituição e em específico o Artigo 240 do Código Penal português, "Discriminação e incitamento ao ódio e à violência".
Para mim, enquanto cidadão, é inconcebível que num estado de Direito como é Portugal, cartazes daquele teor sejam expostos e mantidos no espaço público sem serem rapidamente retirados. Tal como não é compreensível que os continuados promotores destas mensagens, contrárias aos princípios da democracia, continuem impunes, apesar de o Artigo 240 prever até penas de prisão em diferentes alíneas."

Seguro diz que cartazes do Chega são inaceitáveis e violam valores constitucionais

terça-feira, 11 de abril de 2023

Estes são os processos que Bolsonaro enfrenta na Justiça


Bolsonaro é alvo de vários processos
O ex-presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PL), é alvo de diversos processos no Supremo Tribunal Federal (STF), no Tribunal Eleitoral (TSE) e também na Justiça Federal, em 1ª instância, já que perdeu o foro privilegiado.
Bolsonaro volta ao Brasil
Após hospedar-se durante 3 meses nos Estados Unidos, o político regressou ao Brasil no dia 30 de março de 2023. Ele havia deixado o país no dia 30 de dezembro de 2022, esquivando-se, assim, de fazer a passagem da faixa presidencial a Luiz Inácio Lula da Silva, seu sucessor, no dia 1 de janeiro de 2023.
O caso das joias na 1ª instância
O caso que ganhou atenção midiática mais recente está relacionado às investigações que envolvem um presente dado ao presidente por autoridades estrangeiras.
Um presente
Segundo grandes meios de comunicação como o jornal O Globo, trata-se de um conjunto de joias que ele recebeu, durante uma viagem oficial à Arábia Saudita, em outubro de 2019, e que seriam um presente para sua esposa, Michelle Bolsonaro.
Peças estavam com Bento Albuquerque
As joias, avaliadas em um total de R$ 16,5 milhões, incluíam um colar de diamantes, um anel, um relógio e um par de brincos, que entraram no Brasil na mochila do assessor do então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.
Como as joias entraram no Brasil?
Os itens não teriam sido declarados devidamente e foram retidos pela Receita Federal, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, no começo de 2021, segundo revelou o jornal O Estado de São Paulo. Depois, Jair Bolsonaro teria mandado assessores tentarem recuperar as joias.
Joias retidas na Receita Federal
Além disso, desde 2016, presentes recebidos pelo presidente, no Brasil ou no exterior, devem ser incluídos no patrimônio da União, a não ser que sejam de uso personalíssimo (roupas, perfumes, comidas e bebidas, por exemplo).
Resposta de Bolsonaro
Em um pronunciamento, Bolsonaro disse que soube da retenção das joias pela imprensa e que o devido cadastro das peças havia sido feito conforme o protocolo.
Investigação solicitada
Em março de 2023, o Ministério da Justiça pediu que houvesse uma investigação para averiguar as circunstâncias em que as joias foram presenteadas, de acordo com a reportagem da BBC Brasil.
Possíveis crimes de Bolsonaro
O atual ministro da Justiça, Flávio Dino, citou possíveis crimes. O primeiro seria o descaminho, quando não há o pagamento dos devidos impostos, logo, o peculato, ou seja, a apropriação de um bem por meio do abuso de poder público e uso de tal bem em benefício próprio e, finalmente, a lavagem de dinheiro.
Depoimentos no dia 5 de abril
Assim, no dia 5 de abril de 2023, Jair Bolsonaro prestou seu depoimento na sede da Polícia Federal, em Brasília. Segundo o Jornal Nacional, os investigadores queriam saber se ele ordenou o recolhimento das joias apreendidas pela Receita Federal.
Outras ações no Poder Judiciário
O ex-presidente responde a, pelo menos, mais oito ações em primeira instância, depois que o STF as redirecionou ao Poder Judiciário, segundo informou a BBC Brasil.
O discurso de campanha no 7 de setembro
Uma destas oito ações refere-se ao pronunciamento feito por Bolsonaro na comemoração do dia 7 de Setembro, em 2021. No Dia da Independência, durante o ato oficial do governo, o ex-presidente aproveitou a ocasião para fazer um discurso de campanha, citando diretamente o dia das eleições e pedindo votos.
Ataques ao TSE
Já no STF, Bolsonaro é investigado por incitar ataques à segurança e confiabilidade das urnas eletrônicas, além de usar meios digitais para desestabilizar a democracia e difundir notícias falsas sobre o sistema eleitoral, segundo informou a BBC Brasil. O caso está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes.
A invasão da sede dos Três Poderes
Além disso, Alexandre de Moraes também é o relator do inquérito da invasão da sede dos Três Poderes por milhares de pessoas. Bolsonaro é um dos investigados por ser responsável a incitar tal ato, ocorrido no dia 8 de janeiro de 2023.
Interferência na PF
Outro processo que tramita no STF é uma possível interferência do, hoje, ex-presidente na Polícia Federal. Em 2020, aquele que foi seu ministro de Justiça, Sérgio Moro acusou Bolsonaro de trocar a chefia de superintendências da PF para proteger pessoas aliados e familiares, de acordo com a revista Isto É.
Bolsonaro divulgou notícias falsas durante a pandemia
Para piorar, Bolsonaro ainda é investigado por haver divulgado, em suas redes sociais, a falsa informação sobre uma possível relação entre a vacina contra a covid-19 e a propagação do vírus HIV. A investigação está sendo feita a pedido da CPI da Covid.
Atos ilegais durante campanha eleitoral
Além do STF, Bolsonaro ainda enfrenta a Justiça Eleitoral, com 16 processos, incluindo o risco de tornar-se inelegível. Ele teria cometido atos ilegais durante a campanha.
Disseminação de fake news contra adversários
Bolsonaro é investigado por abuso de poder econômico, político e dos meios de comunicação, em campanha eleitoral. Uma das ações foi aberta pelo PT. Nela, procura-se apurar o envolvimento do ex-presidente em um grupo organizado que visava disseminar a desinformação e fortalecer a candidatura do candidato do PL, com fake news sobre seus adversários políticos, de acordo com a Isto É.
Bolsonaro questionou o sistema eleitoral
Outra ação movida no TSE é do PDT, partido de Ciro Gomes, candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2022. Bolsonaro é acusado de cometer abuso de poder político, quando colocou em dúvida o sistema eleitoral.
PDT moveu a ação contra Bolsonaro
Para mover a ação, o PDT citou a reunião de Bolsonaro com embaixadores de outros países, ocorrida em julho de 2022, no Palácio da Alvorada, na qual discursou sobre as possíveis falhas do processo eleitoral brasileiro.
Minuta de "estado de defesa" é encontrada na casa de ex-ministro de Bolsonaro
Em 2023, foi encontrado um decreto na casa de Anderson Torres, ministro da Justiça durante a gestão Bolsonaro, que previa o estado de defesa e a suspensão das eleições de 2022. Então, o PDT pediu para que a minuta fosse incluída na ação contra o ex-presidente.
Corte eleitoral
O relator do caso, o ministro Benedito Gonçalves, concedeu o pedido do PDT e também ouviu Anderson Torres. O ministro deve liberar o caso para ser julgado na Corte eleitoral, segundo a CNN Brasil.
Bolsonaro e o abuso de poder político
O PT também moveu outro processo contra Bolsonaro, no qual cita benefícios concedidos por ele, durante o período eleitoral, configurando abuso de poder político e econômico.
"Pacote de bondades"
O ato eleitoreiro ilegal foi chamado de "pacote de bondades". Segundo a BBC Brasil, na época que precedia as eleições presidenciais de 2022, Bolsonaro incluiu 500 mil famílias no programa Auxílio Brasil, concedeu crédito consignado para estas famílias e autorizou a renegociação de dívidas na Caixa Econômica Federal.
Bolsonaro ficará inelegível?
Se condenado por alguma destas ações, no TSE, Bolsonaro ficará inelegível para as eleições de 2026.
As investigações estão em andamento
Para a BBC Brasil, especialistas disseram que a ação movida pelo PT, na qual Bolsonaro fez uso do "pacote de bondades" é a que tem maiores chances de resultar em condenação e inelegibilidade.

domingo, 16 de outubro de 2022

Aliados de Bolsonaro usam teorias da conspiração QAnon em campanha



Teorias da conspiração criadas pela extrema-direita estão a ser usadas como estratégia política de aliados que apoiam a reeleição do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, na segunda volta das presidenciais, segundo especialistas ouvidos pela Lusa.

"Não temos no Brasil uma militância QAnon como nos Estados Unidos em que os grupos exibem de maneiras mais vocal essa grande teoria conspiratória representada pelo QAnon, mas a gente vê elementos sendo trazidos por atores políticos 'bolsonaristas' para o debate publico", considerou o analista político Guilherme Casarões, integrante do Observatório da Extrema-direita.

Na última semana, o Brasil foi surpreendido por um vídeo gravado na Assembleia de Deus Ministério Fama, em Goiânia, no qual a pastora evangélica, ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e senadora eleita, Damares Alves, afirmava que o inferno se levantou contra Bolsonaro porque ele teria coibido um esquema de tráfico e abuso de crianças na Ilha de Marajó, no norte do país.

"Bolsonaro tem uma compreensão espiritual que vocês não têm ideia. Fomos para a Ilha do Marajó e descobrimos que nossas crianças estavam sendo traficadas por lá, e que essas crianças comem comida pastosa para o intestino ficar livre na hora do sexo anal", disse.

"Imagens de crianças nossas, brasileiras, de quatro anos, três anos, que quando cruzam as fronteiras, sequestradas, os seus dentinhos são arrancados para elas não morderem na hora do sexo oral", acrescentou no culto em Goiânia que atuou numa ação de campanha a favor de Bolsonaro, onde participou também a primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

As declarações chocaram o país e mobilizaram as autoridades judiciais, que divulgaram um comunicado, dizendo desconhecer a existência destes crimes e pedindo esclarecimentos.

"O Ministério Público Federal (MPF) atuou, de 2006 a 2015, em três inquéritos civis e um inquérito policial instaurados a partir de denúncias sobre supostos casos de tráfico internacional de crianças que teriam ocorrido desde 1992 no arquipélago do Marajó, no Pará. Nenhuma das denúncias mencionou nada semelhante às torturas citadas pela ex-ministra Damares Alves no último dia 8", diz o órgão público brasileiro.

O MPF pediu a Damares Alves e ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos que apresentasse provas sobre a existência destes casos de abuso e as ações que o foram realizadas para impedi-los e ainda aguarda resposta.

O relato de Damares é muito semelhante a um conto de ficção que se tornou uma teoria da conspiração em circulação desde 2010, conhecida como "Lolitas escravas brinquedos" sobre abusos contra crianças alegadamente cometidos num país do leste europeu, publicado no 4chan.

O 4chan é fórum de discussão que se baseia na publicação de imagens e texto, geralmente de forma anónima que ganhou mais notoriedade depois que um utilizador anónimo (QAnon) ter passado a fazer publicações com informações falsas alegando ter acesso a dados de agências de segurança dos Estados Unidos sobre um grupo liderado por uma elite corrupta formada por pedófilos satanistas que sequestravam e sacrificavam crianças, criando um movimento que tem muitos adeptos no Partido Republicano.

No Brasil, o QAnon adaptou a narrativa conspiratória local e os seus disseminadores, que dizem defender valores cristãos e conservadores, usam as redes sociais para espalhar mentiras contra pessoas que fazem críticas ao Governo liderado por Bolsonaro.

"Ela [Damares Alves] que criar pânico, ela precisa criar um estado de pânico (...) Eu diria que ela é a grande liderança de teorias conspiratórias no Brasil, não só de QAnon", salientou Adriana Dias, doutorada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que estuda neonazismo e grupos que propagam teorias conspiratórias da extrema-direita.

"A história que a Damares conta de Marajó está num site neonazista chamado 4chan. É uma história que está no 4chan. Agora, porquê [a senadora citou este conteúdo]? Porque nos fóruns neonazistas existe muito incentivo à pedofilia. (...) Não é estranho que a ministra que deveria proteger as crianças esteja usando um site que ensina pedófilos a estuprá-las", disparou Adriana Dias.

Já Casarões reforçou que o Brasil ainda não é um baluarte QAnon, mas agentes políticos como Damares Alves, as deputadas Carla Zambelli, Bia Kisses e Eduardo Bolsonaro, deputado e filho do chefe de Estado brasileiro, têm feito uma adaptação de pontos específicos destas narrativas.

"Autorizar o emprego do cargo eletivo para a disseminação de teorias conspiratórias em geral, difamatórias e que têm um alvo muito específico ou um conjunto de alvos muito específico tem impactos muito importantes no jogo político. Permitir que isso se dissemine no mundo político terá um impacto eleitoral", ponderou Casarões.

"No caso da Damares Alves, em particular, que é uma líder evangélica, vinculada aos grupos evangélicos organizados como a Igreja Batista da Lagoinha isto também gera um outro problema que é disseminar teorias conspiratórias que vão chegar fatalmente à crescente população evangélica", completou.

Casarões considerou que, na eleição Presidencial, o impacto das teorias QAnon poderá ser mais grave porque os conceitos conspiratórias moldam a maneira como muitos eleitores veem o mundo.

"Nesse caso da eleição de 2022, percebe-se que muitas dessas teorias conspiratórias têm muito claramente um alvo que são o PT [Partido dos Trabalhadores] e o ex-presidente Lula da Silva", concluiu referindo-se ao oponente de Bolsonaro na segunda volta da eleição presidencial que acontecerá em 30 de outubro.