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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Os muçulmanos eram historicamente menos tolerantes do que os cristãos?

A resposta curta é: não. E também não é verdade o contrário.

A História raramente cabe em slogans.

Se olharmos para o território que hoje é Portugal, entre os séculos VIII e XIII, encontramos uma realidade bem mais complexa. Durante o domínio islâmico, cristãos e judeus podiam manter a sua religião mediante o pagamento de impostos específicos e com algumas limitações legais. Não tinham igualdade de direitos, mas também não eram automaticamente expulsos ou obrigados à conversão. Houve discriminação, sim; mas também houve séculos de convivência, comércio e intercâmbio cultural.

Depois da Reconquista cristã, a situação inverteu-se. Os muçulmanos que permaneceram em território português (os mudéjares) continuaram inicialmente a existir em comunidades próprias, mas a sua liberdade foi sendo progressivamente restringida. Muitas mesquitas foram transformadas em igrejas, surgiram mourarias segregadas e, com o passar dos séculos, aumentaram as pressões para a conversão. No final do século XV e início do XVI, Portugal deixou praticamente de admitir a existência pública do Islão e do Judaísmo.

Ou seja: houve períodos de maior tolerância e períodos de maior intolerância dos dois lados.

Também é importante lembrar que o conceito moderno de liberdade religiosa simplesmente não existia. Tanto reinos cristãos como Estados muçulmanos entendiam a religião como parte da ordem política. A tolerância, quando existia, era normalmente pragmática e limitada, não baseada na igualdade entre cidadãos.

A História de Portugal mostra precisamente isso: nem um paraíso de convivência, nem uma guerra permanente de civilizações. Houve guerras, massacres, discriminações, mas também séculos de coexistência, acordos e influência mútua.

Outro exemplo que mostra como a História é mais complexa do que slogans é a Palestina.

Antes da criação de Israel, em 1948, a Palestina sob o Mandato Britânico tinha comunidades muçulmanas, cristãs e judaicas. Havia tensões e episódios de violência entre elas, mas também coexistência em muitas cidades. A liberdade religiosa existia, embora condicionada pelo contexto político e pelos conflitos crescentes entre comunidades.

Depois de 1948, e sobretudo após 1967, a situação tornou-se muito mais complexa. A ocupação israelita da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental trouxe restrições de circulação que afetam o acesso de muçulmanos e cristãos aos seus locais sagrados em determinados períodos. Ao mesmo tempo, Israel garante liberdade de culto dentro das suas fronteiras reconhecidas, embora organizações internacionais tenham documentado restrições relacionadas com segurança, discriminação e acesso aos locais santos.

Quem procura provar que "uma religião foi sempre mais tolerante do que a outra" está normalmente a usar o passado para alimentar debates do presente (e não a fazer História).

Fontes:

domingo, 28 de junho de 2026

Esther Abrami - Transmission

“My grandmother was a violinist but stopped her career when she got married. I know she never imagined that her only granddaughter would take up the instrument she had left behind one day. This piece is my way of continuing her story, whilst also telling my own. ‘Transmission’ is about the passing of music through generations. This is the first time I’ve ever recorded one of my own compositions. Merci Mamie de m’avoir mis ton violon dans les mains.”

“Ma grand-mère était violoniste mais elle a arrêté sa carrière quand elle s’est mariée. Je sais qu’elle n’aurait jamais imaginé que sa seule petite fille, des années plus tard, reprenne l’instrument qu’elle avait elle-même délaissé. Cette pièce est ma manière de continuer son histoire, tout en inscrivant la mienne. Transmission parle de la passation de la musique entre les générations. C’est la première fois que j’enregistre l’une de mes compositions. Merci, Mamie, de m’avoir mis ton violon dans les mains.”


A avó de Esther, Françoise Abrami era uma violinista muito talentosa, mas, seguindo os costumes rígidos da sua época, abandonou totalmente a prática e a perspectiva de uma carreira musical assim que casou. A ligação entre as duas começou muito cedo: quando Esther tinha apenas três anos, a avó Françoise deu-lhe o seu próprio violino, que conservava com todo o carinho. Embora Esther só tenha começado a estudar o instrumento a sério por volta dos dez anos, o impacto de ter recebido aquele objeto tão cheio de história moldou o seu destino. 
Infelizmente, a avó Françoise já faleceu, mas a sua memória e o seu sonho continuam bem vivos a cada nota de "Transmission".

Biografia de Ilse Weber

Página Oficial

sexta-feira, 15 de maio de 2026

A História Milenar da Civilização Palestina

O termo Palestina não é uma invenção moderna nem uma criação arbitrária do Império Romano, mas sim o resultado de uma evolução linguística e geográfica que se estende por mais de três milénios. As suas raízes mais remotas encontram-se nos hieróglifos egípcios do século XII a.C., onde se menciona o povo Peleset, um dos "Povos do Mar" que se estabeleceu na costa sul do Levante. Esta denominação persistiu nos registos assírios do século VIII a.C. sob as formas Palashtu ou Pilistu, referindo-se inicialmente à região costeira da Filisteia. No entanto, foi a influência grega que começou a expandir o alcance do nome; no século V a.C., o historiador Heródoto utilizava o termo Palaistine não apenas para a costa, mas para descrever todo o distrito que se estendia para o interior, até ao vale do Jordão e à fronteira com o Egito.
Quando o imperador romano Adriano reorganizou a província após a revolta de Bar Kokhba em 135 d.C., renomeando-a como Syria Palaestina, não estava a cunhar um vocábulo novo, mas sim a oficializar uma terminologia que já era padrão no mundo helenístico e académico da época. O que começou como um marcador étnico para um grupo específico de colonos costeiros (os filisteus) acabou por se tornar, através dos séculos, numa designação administrativa e geográfica abrangente. Este processo reflete como as potências imperiais da antiguidade frequentemente adotavam e adaptavam nomes preexistentes para consolidar os seus próprios quadros territoriais, integrando tradições locais, gregas e romanas numa identidade cartográfica que perduraria no tempo.
Após séculos de domínio romano e otomano, passou pelo Mandato Britânico e culminou na partilha da ONU em 1947, resultando na criação de Israel e nos atuais conflitos pela soberania e reconhecimento estatal.

Análise do famoso historiador Escocês 
William Dalrymple tem sido crítico das ações de Israel durante a guerra em Gaza e do apoio do Reino Unido a Israel. Numa entrevista de 2024 ao The Times, fez uma analogia entre a resposta de Israel aos ataques de 7 de outubro e a resposta da Grã-Bretanha à Revolta dos Sipaios de 1857, dizendo: "A Revolta tem ecos contemporâneos. O mesmo sentimento de que mulheres e crianças inocentes foram atacadas e que, portanto, isso forneceu carta branca para vingança e represálias." Em maio de 2025, Dalrymple assinou uma carta aberta chamando a guerra em Gaza de genocídio. Num artigo de Setembro de 2025 para o New Statesman, Dalrymple argumentou que a Grã-Bretanha tinha uma responsabilidade histórica de ajudar a estabelecer um Estado palestiniano.

Saber mais:
A Place of Many Beginnings: Three Paths into the History of Palestine (Um Lugar de Muitos Começos: Três Caminhos para a História da Palestina) é um projecto interactivo de história da Palestina desenvolvido por Visualizing Palestine que foi apresentado no passado fim-de-semana no Festival de Literatura Palestine Writes, na Universidade da Pensilvânia e está disponível para o público interessado.


A história da Palestina... tem múltiplos 'começos' e a ideia da Palestina evoluiu ao longo do tempo a partir destes múltiplos 'começos' para um conceito geopolítico e uma política territorial distinta
Nur Masalha, Palestine: A Four Thousand Year History (pág. 8)

A Place of Many Beginnings foi apresentado no sábado, 23 de Setembro, durante um painel com os académicos palestinos Nur Masalha e Salman Abu Sitta, moderado pela autora e activista palestina Susan Abulhawa.


Com um visual muito apelativo e um conteúdo rico e inovador, esta apresentação aponta caminhos para conhecer a verdadeira história da Palestina.

Na secção Many Beginnings (Muitos Começos) pode conhecer a forma como a revolução agrícola, os berços de civilização, o comércio e o trânsito e a religião moldaram a Palestina e saber mais sobre a posição central da Palestina nas rotas comerciais antigas mais importantes.

Na secção Material Culture (Cultura Material) fala-se da arquitectura vernacular, da arquitectura monumental e muito mais.

Na secção Naming Palestine (Nomear a Palestina) ficamos a saber como os nomes palestinos dos lugares em árabe transmitiram a memória social e a história.

Com este ambicioso projecto, a Visualizing Palestine diz pretender lançar um debate sobre a forma como a história palestina tem sido obscurecida e distorcida por centenas de anos de abordagens e prioridades coloniais, incorporadas por estudos bíblicos e pela historiografia sionista.

«Os palestinos estão numa viagem intelectual inspiradora, rigorosa e de afirmação da vida, juntamente com outras comunidades indígenas que estão a escrever e a recuperar as suas histórias no meio de mitos dominantes e sancionados pelo Estado», diz Visualizing Palestine na apresentação do projecto. «Esperamos que o lançamento de hoje seja apenas um "começo" e que a plataforma evolua à medida que o diálogo progride.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Steve Earle - City Of Immigrants (canção de intervenção, mais uma no seu currículo imaculado e coerente com princípios éticos e eco-pacifistas)


Veteran singer-songwriter-actor Steve Earle and veteran actor-director Steve Buscemi are two people who would seem to have known each other for ages. Their work, whether it’s Earle’s vast catalog of songs (“Copperhead Road,” “Guitar Town”) and acting roles (“The Wire,” “Treme,” “Leaves of Grass”), or Buscemi’s formidable history of acting and directing (“Fargo,” “Reservoir Dogs,” “The Big Lebowski,” “The Sopranos,” “Boardwalk Empire”), shares a certain humanity, sensitivity and sensibilities.

Yet the two actually met for the first time earlier this year, after Buscemi was suggested as a director for a new video for Earle’s 2007 song “City of Immigrants” from his New York-themed album “Washington Square Serenade.” The video is a heartfelt, lively celebration of the polyglot melting pot that New York City has always been, created by two longtime residents.

Earle and Buscemi, together with a small cast of extras and technicians, were together in the East Village one sunny spring afternoon in April to shoot footage for the clip, which features people from the city’s countless ethnic groups, along with shots of Earle walking the streets and singing the in several different neighborhoods — also including Jackson Heights in Queens, which the singer describes as “easily the most diverse neighborhood in the country” — and performing a concert at the Gramercy Theater.

Steve Earle has never been afraid to speak his mind even if it loses him fans. He was singing about gun violence and attacking the NRA back in the 80's when it was deeply unpopular. He made a whole album against the war in Iraq when most of the country, especially his Copperhead Road fans, were supporting it. He has sung about the children of Gaza long before anyone was talking about Palestine. Seeing him stand up for immigrants is not surprising. Beautiful song.

Letra
Livin' in a city of immigrants
I don't need to go travelin'
Open my door and the world walks in
Livin' in a city of immigrants
Livin' in a city that never sleeps
My heart keepin' time to a thousand beats
Singin' in languages I don't speak
Livin' in a city of immigrants

City of black
City of white
City of light
City of innocents
City of sweat
City of tears
City of prayers
City of immigrants

Livin' in a city where the dreams of men
Reach up to touch the sky and then
Tumble back down to earth again
Livin' in a city that never quits
Livin' in a city where the streets are paved
With good intentions and a people's faith
In the sacred promise a statue made
Livin' in a city of immigrants

City of stone
City of steel
City of wheels
Constantly spinnin'
City of bone
City of skin
City of pain
City of immigrants

All of us are immigrants
Every daughter, every son
Everyone is everyone
All of us are immigrants - everyone
Livin' in a city of immigrants
River flows out and the sea rolls in
Washin' away nearly all of my sins
Livin' in a city of immigrants

City of black
City of white
City of light
Livin' in a city of immigrants
City of sweat
City of tears
City of prayers
Livin' in a city of immigrants

City of stone
City of steel
City of wheels
Livin' in a city of immigrants

City of bone
City of skin
City of pain
City of immigrants
All of us are immigrants


segunda-feira, 11 de maio de 2026

Investigação do New York Times revela campanha de influência estatal de Israel na Eurovisão


Israel impulsionou artificialmente a sua candidata à Eurovisão através de uma campanha de influência apoiada pelo Estado, alimentando especulações de que o seu segundo lugar no voto popular foi distorcido por intervenção governamental, revelou uma investigação do New York Times.

A campanha - que incluiu fundos públicos, pressão diplomática, anúncios online multilingues e apelos diretos para que os espetadores votassem repetidamente - expôs como Israel transformou o concurso de música mais visto do mundo numa arma de soft power, enquanto a sua imagem global colapsava devido ao genocídio em Gaza.

A investigação do Times, baseada em documentos internos da Eurovisão, dados de votação confidenciais e entrevistas com mais de 50 pessoas, concluiu que o governo do Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu gastou pelo menos 1 milhão de dólares em marketing relacionado com o festival. Parte do financiamento proveio do gabinete de hasbara de Netanyahu, amplamente entendido como o braço de propaganda de Israel no estrangeiro.

Só em 2024, os gastos do governo israelita em publicidade ligada à Eurovisão ultrapassaram os 800.000 dólares, a maioria proveniente do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Uma rubrica separada do gabinete de hasbara do primeiro-ministro terá alocado verbas especificamente para a “promoção do voto”.


As revelações levantam sérias questões sobre se os fortes resultados de Israel na Eurovisão refletiram um apoio público genuíno ou uma campanha governamental coordenada, concebida para fabricar uma aparência de popularidade na Europa, onde a opinião pública se virou drasticamente contra Israel devido ao genocídio em Gaza.

Supostamente, os governos não devem intervir na votação da Eurovisão, que é formalmente um concurso entre emissoras públicas e artistas. No entanto, o Times apurou que os esforços de Israel foram mais amplos e começaram anos antes do que se sabia. O governo israelita terá apoiado discretamente esforços promocionais em torno das suas participações desde, pelo menos, 2018, o ano em que Israel venceu o concurso.

O investimento aumentou acentuadamente após o início do genocídio em Gaza, quando cresceram os apelos em toda a Europa para que o país fosse excluído do certame. Segundo o jornal, as autoridades israelitas acreditavam que um desempenho forte demonstraria que Israel ainda era amado pelo público europeu, apesar dos protestos em massa, dos apelos ao boicote e das crescentes acusações de crimes de guerra.

O Padrão de Votação e a Reação Internacional
Em 2024, a representante de Israel, Eden Golan, ficou em segundo lugar no voto do público e liderou a votação em vários países onde o sentimento pró-palestiniano era forte. A comunicação social israelita celebrou o resultado como prova de que “o mundo, afinal, não está contra nós”.

O padrão repetiu-se em 2025, quando o representante de Israel, Yuval Raphael, terminou em segundo lugar na classificação geral e venceu o voto popular. Desta vez, o resultado gerou um escrutínio muito maior depois de a emissora finlandesa Yle ter revelado que o governo israelita comprou anúncios online em várias línguas, instando as pessoas a votarem em Israel até ao máximo de 20 vezes permitido.


O próprio Netanyahu publicou um gráfico nas redes sociais a encorajar o voto em Raphael (20 vezes). Grupos pró-Israel em toda a Europa circularam mensagens semelhantes, enquanto diplomatas e funcionários de embaixadas israelitas ajudaram a mobilizar o apoio da diáspora.

O diretor da Eurovisão, Martin Green, reconheceu que a campanha de Israel foi “desproporcionada” e “excessiva”, mas insistiu que esta não afetou o resultado. O Times, contudo, apurou que a União Europeia de Radiodifusão (EBU), que organiza o evento, não realizou uma investigação externa completa e manteve os dados detalhados da votação em segredo, inclusive perante as suas próprias emissoras membros.

A controvérsia intensificou-se à medida que várias estações de televisão europeias exigiram respostas. A emissora da Eslovénia solicitou repetidamente os dados da votação e ameaçou retirar-se. Espanha pediu um debate sobre a participação de Israel e alertou que o sistema de votação é vulnerável a manipulações. A emissora pública da Islândia acusou Israel de se apropriar indevidamente do concurso.

Com o aumento da indignação, Islândia, Irlanda, Holanda, Espanha e Eslovénia avançaram para um boicote à edição de 2026. Segundo o Times, os organizadores da Eurovisão temem perder centenas de milhares de dólares em taxas de participação caso o boicote se alargue.

Esta campanha faz parte de uma ofensiva de propaganda israelita muito maior. Israel aumentou drasticamente o financiamento para a hasbara à medida que o seu prestígio internacional colapsa. Relatórios indicam que o orçamento para a diplomacia pública de Israel disparou para cerca de 730 milhões de dólares — quase cinco vezes os 150 milhões alocados no ano anterior — numa tentativa de reabilitar a sua imagem após os acontecimentos em Gaza.

domingo, 10 de maio de 2026

Em homenagem a Francesca Albanese

Yanis Varoufakis

Há uma pergunta que me assalta nas primeiras horas da madrugada, quando o sono não chega e a mente remói velhos assuntos. A pergunta é esta: «O que teria eu feito na década de 1930, na manhã seguinte à Kristallnacht?» Não o que digo que teria feito. Não o que espero que tivesse feito. Mas o que teria eu realmente feito — quando os comboios começaram a circular, quando os vizinhos ficaram em silêncio, quando o preço da decência passou a ser a perda de tudo? A maioria de nós, penso eu, teria feito pouco. Não por malícia. Por medo. Pela convicção suave e insidiosa de que alguém falaria, de que a situação é complexa, de que temos de ser «razoáveis».

Para que não nos esqueçamos, o comum é o álibi do extraordinário. E como nos agarrámos a esse álibi! Como ainda nos agarramos a ele! E então, de vez em quando, surge alguém que não se agarra. Alguém que dá um passo em frente quando os outros recuam. Alguém que diz o nome da coisa quando todos os outros estão ocupados a nomear outra coisa. Francesca Albanese é essa pessoa. Ela ergue-se perante o mundo — sozinha, desarmada, armada apenas com a lei, a linguagem e uma coragem rara — e diz o que os centristas não dizem, o que os ministérios dos Negócios Estrangeiros não dizem, o que os conselhos editoriais não dizem.

Ela diz: «Isto é um genocídio. E estamos a assistir a tudo.» Não me digam que isso é exagero. Não me digam que o termo é contestado. Ela não o utilizou de ânimo leve. Utilizou-o da mesma forma que um médico chega cientificamente a um diagnóstico — não para ferir, mas para alertar. Não para inflamar, mas para nomear. E por isso, vieram atrás dela. Oh, como vieram atrás dela. Calúnias. Investigações. Editoriais maliciosos. Contas bancárias congeladas. Desapropriação do único apartamento que alguma vez possuíra. A máquina dos respeitáveis voltou-se contra ela para a esmagar. Porque os respeitáveis não suportam o que ela representa: um espelho que lhes mostra a sua cumplicidade.

Voltemos, mais uma vez, à década de 1930. De volta aos poucos que se levantaram quando os comboios começaram a circular carregados de judeus. Havia Aristides de Sousa Mendes, um cônsul português em Bordéus. Ele desafiou o seu próprio governo. Assinou milhares de vistos, à mão, durante horas, até os dedos sangrarem. Salvou mais vidas do que Schindler. E morreu sem um tostão, desonrado, apagado. Havia um oficial alemão em Varsóvia chamado Wilm Hosenfeld. Ele escondeu um pianista judeu nos escombros. Não salvou milhares. Salvou um. Mas esse único — Władysław Szpilman — guardou a memória. E a memória é «o único refúgio do qual não podemos ser expulsos». Havia Raoul Wallenberg. Havia os aldeões de Le Chambon. Havia os anónimos, os silenciosos, os poucos furiosos que diziam: «Não enquanto eu estiver aqui.»

Francesca Albanese é a sua herdeira. Não porque ande armada. Não porque esconda refugiados na sua cave. Mas porque faz algo igualmente perigoso num mundo que aperfeiçoou a arte de não ver. Ela vê. E fala. Não fala como uma diplomata. Ainda bem que não! Os diplomatas deram-nos a linguagem do «há argumentos de ambos os lados», da «moderação» e da «proporcionalidade». A linguagem diplomática é o túmulo perfumado da clareza moral. Não, ela fala como jurista. Como ser humano. Como uma mulher que olhou para o abismo e se recusou a chamá-lo de «paisagem geopolítica complexa».

Edna O’Brien descreveu uma vez uma personagem que «tinha a imprudência daqueles que já perderam tudo o que valia a pena perder». Francesca Albanese não perdeu tudo. Ela tem a sua dignidade, o seu cargo, a sua voz, a sua família. Mas calculou o custo de dizer a verdade ao poder. E decidiu que esse custo é infinitamente menor do que o custo do silêncio.

Qual é esse custo? Vamos nomeá-lo. Ela foi chamada de antissemita — ela, que se baseia no direito internacional forjado nas cinzas de Auschwitz e nas chamas de Nuremberga. Ela foi chamada de teórica da conspiração — ela, que cita todas as fontes, todas as notas de rodapé, todas as resoluções da ONU. Ela foi chamada de ingénua — ela, que compreende melhor do que a maioria a maquinaria da realpolitik.

Estas acusações não são argumentos. São a saliva dos que se sentem ameaçados. Porque Francesca Albanese ameaça algo muito precioso para os poderosos: o direito de cometer atrocidades sem ser identificado.

Amigos, os anos 30 não chegaram com botas militares e pogroms logo no primeiro dia. Chegaram aos poucos. Com restrições «razoáveis». Com medidas «proporcionais». Com o silêncio dos respeitáveis. Dizemos a nós próprios que teríamos sido diferentes. Que teríamos sido Sousa Mendes. Que teríamos sido Wallenberg. Mas a maioria de nós, receio, teria sido os vizinhos que mais tarde disseram: «Eu não sabia.»

Francesca Albanese sabe. E recusa-se a fingir o contrário. Por isso, louvemo-la. Não com estátuas ou prémios que ela não procura. Mas com algo mais difícil: com a nossa própria recusa em desviar o olhar. Com as nossas próprias vozes, erguidas em lugares que são seguros para nós, mas perigosos para ela. Com os nossos próprios corpos, se for preciso. Uma mulher corajosa, que ficou ferida durante uma manifestação à porta de uma base militar nuclear dos EUA em 1982, a infame Greenham Common, disse-me que «o coração é um caçador daquilo que não pode ter». Mas eu digo que o coração é um caçador daquilo que não vai perder. E o que não vamos perder é a memória daqueles que se levantaram quando levantar-se custava tudo. Francesca Albanese está a levantar-se agora. No nosso tempo. Em nosso nome. Sob o nosso céu indiferente. Vamos ficar ao lado dela. Não amanhã. Não quando for seguro. Agora.

sábado, 18 de abril de 2026

Roger Waters escreve carta ao adorável Billy Corgan com recado para David Draiman, dos Disturbed


Durante o programa, Corgan e Draiman conversaram sobre o conflito Israel-Palestina e, em determinado momento, Draiman, que é judeu e já demostrou seu apoio a Israel diversas vezes, disse que daria um soco em Waters, que é pró-Palestina, caso eles se encontrassem.

Após Corgan ter sugerido que o fato de Waters ter perdido o seu pai na Segunda Guerra Mundial foi “o momento decisivo” em sua vida, e que o “trauma” resultante disso o teria tornado “hipersensível” ao conflito na Palestina, David respondeu:

“Concordo… [mas] veja bem, Billy: eu cresci ouvindo Pink Floyd. Eu amava Pink Floyd. Foi uma traição enorme, não só para mim, mas para todos os judeus, quando ele seguiu o caminho que seguiu. E não foi só há dois anos; ele vem fazendo isso há muito tempo. Roger tem uma queda por ditadores — as piores pessoas do planeta, Roger simplesmente se aproxima deles. Ele não tem problema nenhum com isso.”

Em seguida, Corgan perguntou se ele “se sentaria para conversar” com Waters, ao que Draiman respondeu:

“Eu teria que dar um soco nele primeiro, mas sim.”

Depois de David Draiman, dos Disturbed, participar no podcast de Billy Corgan, Roger Waters enviou uma mensagem ao líder dos Smashing Pumpkins: “Ouvi dizer que escreve mensagens em bombas antes de as IDF as deixarem cair sobre civis em Gaza”

Roger Waters endereçou uma carta aberta a Billy Corgan depois de o líder dos Smashing Pumpkins receber David Draiman, dos Disturbed, no seu podcast, “The Magnificent Others”. “Nunca tinha ouvido falar dele, mas parece que ele ouviu falar de mim e que tem um problema comigo pelo facto de eu defender os direitos humanos, particularmente os dos meus irmãos e irmãs em Gaza”.

“Tu, sendo o tipo adorável que és, deste a este pedaço de bosta a oportunidade de clarificar a sua posição”, continua o músico britânico no post de Instagram, “ele é um porco racista psicótico e Nazi. Ouvi dizer que escreve mensagens em bombas antes de as IDF [exército israelita] as deixarem cair sobre civis em Gaza. Está tudo dito”.

A mensagem, na qual o ex-Pink Floyd identifica Corgan, mas também Draiman e os próprios Disturbed, termina da seguinte forma: “Continuarei a trabalhar com todos os meus irmãos e irmãs de todo o mundo num movimento que exige direitos humanos iguais para todos os seres humanos, independentemente da sua religião, etnia ou nacionalidade”.

“Se tu, meu amigo, te perguntas se quero conversar com este cretino detestável… não, obrigado, Billy. A vida é demasiado curta e ele pode continuar a habitar o seu pequeno cantinho no inferno sem o benefício do meu amor e verdade”. No final, deixa um PS, “Disturbed? [perturbado, em português]. Sim! Só um pouquinho!”.

No passado, Draiman chamou a Waters "um homem muito doente" e, durante o concerto dos Disturbed em Tel Aviv, Israel, em 2023, exclamou a partir do palco: "Que se fodam o Roger Waters e todos os seus nazis idiotas do BDS [Boicote, Desinvestimento e Sanções] — todos eles!".

Entretanto, Waters lançou uma audição aberta para encontrar um vocalista para liderar a banda do seu filho, Harry Waters, numa digressão de tributo aos Pink Floyd em 2027.

"You cannot commit genocide in Gaza, invade Lebanon, bomb Iran, Syria, Yemen, and Iraq, violate Geneva and Vienna Conventions, international law, human rights, and state sovereignty, then hide behind anti-Semitism and the Holocaust." - Mohamad Safa

sábado, 11 de abril de 2026

Excelente resposta de Pedro Sanchez após as acusações de Netanyahu: 'Não permitamos uma nova Gaza no Líbano"

"Espanha difamou os nossos heróis. Temos o exército mais moral do mundo", disse Netanyau. Vem falar de Moral? Um genocida, com um ódio insuperável aos islâmicos, com ideias expansionistas do território de Israel, incluindo Líbano e Síria.
Ana Gomes: Netanyahu «é outro narcisista maligno como Donald Trump»
 

Sánchez apela à Europa para que contenha Netanyahu e suspenda o acordo de associação com Israel

Só em Gaza os israelitas sionistas "apagaram" mais de 80.000 palestinianos.
1. Números Oficiais de Fatalidades
Até ao momento, os dados do Ministério da Saúde de Gaza (que são considerados fiáveis por organizações internacionais como a ONU e a OMS) reportam cerca de 41.000 a 43.000 mortes confirmadas. Este número inclui pessoas cujos corpos foram processados em hospitais ou necrotérios.
Aproximadamente 70% das vítimas identificadas são mulheres e crianças.

2. De onde vem o número de 80.000?
Embora o número oficial de mortes confirmadas seja cerca de metade disso, o valor de 80.000 (ou até mais) aparece frequentemente em discussões devido a dois fatores principais:
Pessoas Desaparecidas: estima-se que existam pelo menos 10.000 a 20.000 pessoas desaparecidas sob os escombros. Como não há equipamento pesado suficiente para remover os destroços, estas pessoas são presumidas mortas, mas não constam na contagem oficial inicial.
Feridos Graves: o número de feridos ultrapassa os 95.000 a 100.000. Em contextos de guerra, a linha entre "ferido" e "vítima mortal" é ténue devido à falta de hospitais funcionais; muitos feridos acabam por falecer posteriormente por falta de cuidados médicos.

3. A Projeção da revista "The Lancet"
É possível que a confusão com números maiores venha de um estudo publicado na prestigiada revista científica The Lancet em julho de 2024.
Os investigadores alertaram que o número total de mortes (diretas e indiretas) poderia ser drasticamente superior aos dados oficiais. Eles estimaram que, se incluirmos as mortes indiretas (causadas por fome, sede, falta de saneamento e colapso do sistema de saúde), o balanço final poderia chegar a 186.000 mortes ou mais a longo prazo.


As assinaturas estão a decorrer. Assina e partilha nas redes sociais. Já vamos em 880.972

N.B. Para que uma iniciativa de cidadania europeia seja válida, deve obter pelo menos um milhão de assinaturas válidas e atingir os limiares mínimos em, pelo menos, sete países.

terça-feira, 31 de março de 2026

O pior país do mundo


Por Paulo Nogueira Batista Jr *
Preparem-se para um artigo violento. A nossa paciência esgota-se e, com ela, desaparece também a capacidade de medir palavras e fazer as devidas ressalvas. Para determinados assuntos, pelo menos. Qual é o pior país do mundo? A concorrência é forte. Temos, por exemplo, a Inglaterra e a Holanda. Ao longo da vida, tive a oportunidade de conhecer vários ingleses e holandeses. E devo dizer: poucos se salvam. Os ingleses, nem se fala, estão na origem de grande parte dos males que enfrentamos no mundo. Os holandeses, menores, menos conhecidos nas suas abjeções, destacam-se pela antipatia e preconceitos contra estrangeiros. Deram bastante liberdade aos judeus em tempos remotos, é verdade, mas figuraram entre os principais e entusiásticos colaboradores dos nazis na perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Em contraste com os dinamarqueses, que resistiram obstinadamente, como relatou Hannah Arendt no seu célebre livro Eichmann em Jerusalém. Cerca de ¾ dos judeus que viviam na Holanda foram assassinados! Já a história dos judeus dinamarqueses é sui generis, conta Arendt. A resistência dos dinamarqueses à perseguição dos judeus foi única entre todos os países da Europa, fossem países ocupados, aliados de Hitler ou verdadeiramente neutros e independentes. Ninguém se igualou à Dinamarca.

Estou a desviar-me um pouco do assunto, porém. Não era da Holanda ou da Dinamarca que queria falar, países pequenos e irrelevantes para o quadro mundial. Retomo o tema principal. Seriam os Estados Unidos o pior país do mundo? Há muitos motivos para pensar assim; eu próprio morei oito longos anos em Washington e sei como os americanos podem ser desagradáveis e até detestáveis. Muito mais importante: o Império americano tem uma longa lista de crimes e agressões contra outros países. Os seus últimos feitos foram o ataque à Venezuela e a intensificação do embargo criminoso contra Cuba, além da agressão ao Irão.

Mas ninguém consegue superar o estado genocida e terrorista de Israel. Um alerta meio óbvio: vou falar aqui do estado de Israel (que nunca deveria ter sido criado) e do projeto sionista que levou à sua criação – e não propriamente do povo judeu ou dos judeus em geral. Note-se, entretanto, que as políticas do governo de Israel são apoiadas pela maioria dos judeus israelitas, em especial a agressão ao Irão e a oposição à criação de um Estado palestiniano. Essas políticas são apoiadas também pela maioria das comunidades sionistas em outros países, inclusive aqui no Brasil e – mais importante – nos Estados Unidos.

O lobby sionista nos Estados Unidos
O cientista político americano John Mearsheimer, em coautoria com Stephen Walt, escreveu um importante livro, publicado em 2007, sobre o que ele denomina de “Israel lobby”, cuja influência decisiva nos Estados Unidos, notadamente em Nova Iorque e Washington, acaba por subordinar a política externa dos Estados Unidos – um caso clássico do rabo a abanar o cão. Um país pequeno, com 10 milhões de habitantes, dita as regras à superpotência, os Estados Unidos, contribuindo para acentuar a sua delinquência. A mais recente demonstração da força desse lobby foi precisamente o ataque ao Irão. Os Estados Unidos acabaram por se envolver numa guerra para servir não os próprios interesses, mas os de um país estrangeiro, como denunciou Joseph Kent ao renunciar ao cargo de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, para o qual foi nomeado pelo próprio Donald Trump.

Os judeus sionistas financiam campanhas sórdidas, corrompem, elegem e controlam políticos para a Presidência e o Congresso, controlam grande parte da comunicação social, são donos de bancos e outras instituições financeiras privadas e têm forte influência em Hollywood e na indústria da pornografia. Mandam e desmandam. Beneficiam os seus serviçais e ameaçam, chantageiam e punem os seus críticos. Jeffrey Epstein, não por acaso, era judeu. Esses sionistas são todos eles criminosos, apoiantes de assassinos de crianças palestinianas, iranianas e de outros países. E assassinar crianças é o crime mais grave que se pode cometer. Nos Estilhaços, o meu livro mais recente, cheguei a escrever que o sofrimento das crianças não só desmente a existência de Deus, como prova a do Diabo. E quem representa o Diabo na Terra hoje? Quem melhor que Israel e os seus apoiantes no resto do mundo?

O lobby israelita faz parte, na verdade, de algo maior e mais desastroso para os Estados Unidos – a subordinação das políticas públicas a bilionários e lobbies privados – entre os quais figuram também as big techs (gigantes da tecnologia), o complexo industrial-militar (que ganha com todas as guerras), o lobby cubano (focado em boicotar Cuba), o lobby pró-armas, o lobby financeiro (que se sobrepõe em grande parte ao israelita), entre outros. Não há democracia, mas plutocracia – o governo dos ricos. E cleptocracia – o governo dos ladrões. E, também, kakistocracia – o governo dos piores. Não é o que se vê, diga-se de passagem, na Rússia e na China.

Génios e mediocridades judaicas
Os judeus têm, desde tempos remotos, forte presença nos meios financeiros privados – em bancos e demais instituições financeiras. Sabem ganhar dinheiro. Mas isso não quer dizer grande coisa. Muitos ditos “génios financeiros” não passam em geral de figuras bizarras. A dedicação a assuntos financeiros parece levar inexoravelmente a uma perda continuada de massa cerebral e criatividade, além de solapar valores éticos.

Bem. Uma das singularidades do povo judeu é a mistura de génios, verdadeiros génios, com uma massa criminosa e/ou medíocre. Entre os génios, podemos recordar Karl Marx, Gustav Mahler, Sigmund Freud, Franz Kafka e Albert Einstein. A própria Hannah Arendt foi, não diria genial, mas certamente uma intelectual de enorme destaque. E entre economistas judeus americanos de projeção hoje em dia podemos mencionar Joseph Stiglitz, Paul Krugman e Jeffrey Sachs (nenhum deles sionista). Para mim, entretanto, o judeu mais importante de todos foi Heinrich Heine, um poeta alemão da primeira metade do século XIX, que figura com destaque nos Estilhaços e por quem tenho verdadeira paixão desde os meus 22 anos.

Por outro lado, a galeria de mediocridades judaicas é extensa. Dou alguns exemplos ao acaso. Aqui no Brasil temos Celso Lafer, discípulo fervoroso e acrítico de Hannah Arendt, e ministro das Relações Exteriores no governo Fernando Henrique Cardoso, o mais limitado que já comandou o Itamaraty (superado apenas por Ernesto Araújo, nomeado por Bolsonaro). Outro exemplo, este da área financeira brasileira: Luís Stuhlberger. Até recentemente, eu nunca ouvira falar dele. Sinal alarmante de ignorância financeira, pois ele é um destacado e respeitado judeu, que integra as hostes da Faria Lima. Não merece respeito, porém. Vejam a entrevista que ele deu ao jornal Valor (publicada a 30 de maio de 2025, p. C3), um verdadeiro festival de asneiras políticas, económicas e culturais, inclusive na linguagem salpicada de termos ingleses para os quais há palavras rigorosamente equivalentes na nossa língua.

Mas vamos voltar aos Estados Unidos. Como mencionei, os judeus têm, historicamente, forte presença no setor financeiro privado – em bancos, fundos de investimento e outras instituições financeiras. Menos conhecida é a presença desse lobby no setor financeiro público, especialmente nos Estados Unidos. No FMI, por exemplo, onde trabalhei durante oito anos, todos ou quase todos os representantes do governo americano na Administração e na Direção eram judeus americanos (alguns bem inteligentes). Mais importante: o lobby domina também o Tesouro dos EUA (o ministério das finanças deles). Nas décadas recentes, a maioria dos Secretários do Tesouro dos EUA foram também judeus americanos. A “comunidade” marca presença. É o Tesouro quem dita as regras no FMI, no Banco Mundial e no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), entidades financeiras sediadas em Washington. Não é por acaso, por exemplo, que uma mediocridade brasileira, o judeu Ilan Goldfayn, foi alçado à presidência do BID. Ele está lá para cumprir as ordens do Tesouro americano, leia-se, do lobby sionista.

A reação do Irão
Não vale a pena, entretanto, gastar pólvora com fracos. O que importa são as barbaridades que o estado terrorista de Israel está a cometer em Gaza, na Cisjordânia, no Líbano e, agora, com o ataque ao Irão. Não se deve perder de vista que a guerra foi iniciada por Israel. Os Estados Unidos acompanharam a agressão. O Irão já provou que não é nenhum país indefeso. Pelo contrário, está a castigar Israel com uma chuva de mísseis balísticos e drones, que atingem Telavive e Haifa, entre outros locais. As indicações são de que a economia israelita está a ser arruinada. E os israelitas estão a provar do próprio veneno. Israel desencadeou uma guerra regional, com consequências económicas, sociais e políticas para o mundo inteiro. Esse país criminoso precisa de ser travado. Vida longa ao Irão e ao grande povo iraniano! Que não lhes falte munição, mísseis e drones para deter Israel e outros inimigos da humanidade!

*Economista. Foi vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, estabelecido pelos BRICS em Xangai, de 2015 a 2017, e diretor executivo no FMI pelo Brasil e mais dez países em Washington, de 2007 a 2015. Lançou no final de 2019, pela editora LeYa, o livro O Brasil não cabe no quintal de ninguém: bastidores da vida de um economista brasileiro no FMI e nos BRICS e outros textos sobre nacionalismo e nosso complexo de vira-lata. A segunda edição, atualizada e ampliada, foi publicada em 2021.

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Trump's Magical Thinking

Parlamento israelita aprova projeto de lei que prevê pena de morte para palestinianos


À esquerda, a deputada israelita, vice-presidente do Parlamento, que redigiu a lei da pena de morte para palestinianos aprovada ontem, e que elogiou um assassino (há vídeo) que queimou vivos um bebé palestiniano e seus pais enquanto os seus camaradas cantavam "Ali está na grelha". O nome dela é Limor Son-Har Melech e o dele é Amiram Ben-Uliel
Aqui está ela com uma corda de forca na mão direita e uma seringa na esquerda. Ao lado, o seu marido segura uma arma com a etiqueta "ocupação", um avião com a etiqueta "expulsão" e uma casa com a etiqueta "colonização".  Esta gente integra o poder e o governo de Israel.

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terça-feira, 24 de março de 2026

Manual Prático para Intocáveis ou Como Cometer Horrores e Ainda Dar Lições de Direito


Há um certo tipo de poder que já não precisa de argumentos, apenas de memória curta alheia. Esse poder observa o mundo, escolhe cuidadosamente as palavras “ordem”, “segurança” e “valores”, e depois trata de garantir que nenhuma dessas palavras interfira com aquilo que realmente importa. A ausência de consequências.

O episódio recente envolvendo o Tribunal Penal Internacional tem a elegância de um acto assumido. O tribunal faz o que supostamente foi criado para fazer, investiga alegados crimes de guerra e crimes contra a humanidade no contexto da devastação de Gaza, aponta responsabilidades concretas, incluindo o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu e o então ministro da Defesa Yoav Gallant, e de repente descobre-se que o verdadeiro problema não são os factos, mas a ousadia de os nomear.

A partir daí, a coreografia é previsível. Entra em cena o aliado indispensável, os Estados Unidos, com nomes próprios e assinatura oficial. Donald Trump, através de uma ordem executiva, e o Congresso norte-americano, com legislação feita à medida, assumem o papel de escudo político. Não há necessidade de desmontar acusações, nem de discutir o conteúdo jurídico dos mandados. Isso implicaria aceitar que o debate se faz no terreno do direito. E o terreno, aqui, é outro.

O método escolhido é particularmente revelador. Não se prende ninguém, não se abre processo contra os juízes, não se convoca sequer um simulacro de contraditório. Simplesmente torna-se a vida dos magistrados impraticável. Juízes como Nicolas Guillou, e outros como Karim Khan, Tomoko Akane ou Rosario Aitala, passam a existir numa espécie de exílio funcional, onde cada operação bancária, cada serviço digital, cada gesto banal depende de um sistema que decidiu tratá-los como ameaça.

É uma pedagogia eficaz. Não se diz “não investiguem”, mas garante-se que todos percebem o custo de o fazer. É uma linguagem que dispensa tradução. E, como todas as linguagens de poder bem afinadas, funciona melhor quando não precisa de ser explicitada.

Entretanto, do outro lado, mantém-se a narrativa. Benjamin Netanyahu continua a falar de segurança nacional, de defesa existencial, de necessidade estratégica. A linguagem é cuidadosamente construída para sobreviver à realidade. Yoav Gallant, na mesma linha, enquadrou operações militares como inevitabilidades técnicas. No meio dessa retórica limpa, desapareceram nos escombros, as dezenas de milhar de vítimas civis, e a devastação prolongada de um território inteiro.

O incómodo do Tribunal Penal Internacional não está em ser perfeito. Está em existir com a pretensão de aplicar critérios universais. Essa pretensão é tolerável enquanto se dirige a alvos previsíveis, de preferência frágeis ou isolados. Torna-se insuportável quando se aproxima de quem tem capacidade para responder.

E é aqui que a ironia aberrante atinge o seu ponto mais alto. Os mesmos actores que invocam constantemente a necessidade de responsabilização global e ousam gritos contra o terrorismo e crimes internacionais são os primeiros a reagir quando essa responsabilização deixa de ser teórica. De repente, a justiça internacional transforma-se numa ameaça à estabilidade. Julgar passa a ser visto como um acto de hostilidade.

O mais curioso é que nada disto exige grande disfarce. A lógica é sobreviver sem grandes esforços retóricos. Há um conjunto de regras que se aplicam a todos. E há um conjunto de excepções que se aplicam a quem pode garantir que essas regras não lhe tocam. A diferença entre uma coisa e outra não está nos tratados nem nos princípios. Está na capacidade de impor custos a quem ousa ignorar essa distinção.

Os juízes do Tribunal Penal Internacional, ao aceitarem lidar com casos que envolvem Israel e, por extensão directa, a protecção política dos Estados Unidos, entraram numa zona onde o direito deixa de ser suficiente. Não porque o direito falhe tecnicamente, mas porque deixou de ser o factor decisivo.

O resultado é um sistema interessante. Crimes de guerra continuam a ser condenados em abstracto, genocídios continuam a ser definidos com rigor, relatórios continuam a ser escritos com detalhe. Tudo permanece no lugar certo, como num museu bem organizado. A única alteração relevante é que certas peças estão protegidas por vidro blindado e não podem ser tocadas.

Enquanto isso, Nicolas Guillou, um dos 11 juízes do Tribunal Penal Internacional, afirmou que a sua vida se tornou um pesadelo desde que os EUA impuseram sanções aos juízes do TPI em 2025. Guillou, que faz parte do grupo de juízes que emitiu mandados de detenção contra o Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o Ministro da Defesa, Yoav Gallant, pela guerra genocida israelita em Gaza e crimes contra a humanidade, disse ser forçado a viver como se estivesse no passado de "há 30 anos", porque a maioria dos serviços digitais depende de fornecedores norte-americanos. Por exemplo, referiu que não pode utilizar um cartão de crédito, encomendar produtos na Amazon, fazer reservas em plataformas como a Expedia ou o Airbnb, nem receber encomendas através da UPS.

Nicolas Guillou, reduzido a uma existência condicionada por sanções, é apenas um dos rostos visíveis desta engrenagem. Não é o alvo principal. É o aviso. Um lembrete de que há linhas que não devem ser cruzadas, não porque sejam ilegais, mas porque são inconvenientes para quem tem poder suficiente para redefinir o que significa inconveniente.

No meio disto tudo, fica um equilíbrio peculiar. A justiça existe, mas com perímetro. Os crimes existem, mas com hierarquia. E os responsáveis dividem-se com uma clareza desconcertante entre os que enfrentam tribunais e os que contam com a protecção activa de Washington.

É um sistema estável, desde que ninguém leve demasiado a sério a ideia de que a lei é igual para todos.

Porque existe uma clara tentativa de excepção para os criminosos genocidas sionistas e os seus comparsas imperialistas psicopatas.

Referências consultadas:

segunda-feira, 2 de março de 2026

Donald Trump é o primeiro presidente norte-americano que, em apenas um ano, já bombardeou e autorizou ataques militares em 7 países


Reports from late 2025 and early 2026 [1] [2] [3] indicate that the second Trump administration has indeed authorized military strikes in seven countries during its first year. While the administration has often framed these actions as part of a "Peace through Strength" doctrine, conflict monitors have noted a significant surge in the frequency of operations compared to previous years.

Below is the breakdown of the countries involved and the nature of the strikes:

Countries Targeted in 2025–2026

CountryTimingObjective / Context
YemenJan – May 2025Operation Rough Rider: Extensive strikes against Houthi rebels to secure Red Sea shipping lanes.
SomaliaOngoing (since Feb 2025)Significant escalation of counterterrorism strikes against al-Shabaab and ISIS-Somalia.
IraqMarch 2025Precision strikes targeting high-ranking ISIS leaders in the Anbar province.
IranJune 2025 / Feb 2026Initial strikes on nuclear facilities in 2025, followed by Operation Epic Fury in early 2026 targeting leadership and military infrastructure.
SyriaDec 2025Operation Hawkeye Strike: Retaliatory strikes against over 70 ISIS targets following the deaths of U.S. service members.
NigeriaDec 25, 2025Christmas Day strikes against ISIS-affiliated groups in the Sokoto state, coordinated with the Nigerian government.
VenezuelaDec 2025 – Jan 2026Maritime strikes against alleged drug-smuggling vessels and a January 2026 operation resulting in the capture of Nicolás Maduro.
Key Contextual Points
  1. Scale of Activity: The Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED) reported over 600 strikes in 2025 alone. Some analysts have noted that this volume in a single year exceeds the total number of strikes carried out during the entire preceding four-year term.
  2. Controversy over "Peace" Platform: Critics and conflict monitors often contrast this high level of military activity with the President's campaign promises to end "forever wars" and avoid new foreign entanglements.
  3. Legal & Humanitarian Concerns: Organizations like Airwars have raised concerns regarding civilian casualties, particularly during the intensive campaigns in Yemen and Somalia. Additionally, the strikes on Venezuelan vessels in international waters have been described by some legal experts as "legally dubious."
Sobre a capa de "democratizar" o Irão e fim dos "terroristas", só há 2 interesses: petróleo e o expansionismo demencial de Israel sionista.
Embora seja o 9º em produção, o Irão possui a 3ª maior reserva provada de petróleo do mundo (atrás apenas da Venezuela e Arábia Saudita).

Going to War, Again, for Israel

"Israel & Saudi Arabia pushed the U.S. to attack Iran. Netanyahu killed 72,000 people in Gaza, mostly women & children.
Saudi Arabia is a brutal dictatorship that allows no opposition.
These are the leaders who want to bring “freedom” to Iran?
Does anyone really believe that?" [Bernie Sanders]

domingo, 1 de março de 2026

Invasão do Irão


Esta guerra desencadeada contra o Irão não é um desvio táctico nem uma reacção nervosa a uma ameaça iminente, é a manifestação crua de um projecto de poder que perdeu qualquer pudor moral e que actua com a convicção de que a força substitui o direito. O governo de Israel não age como um actor sitiado que responde no limite da sobrevivência, age como uma potência militar convencida de que pode redesenhar o mapa humano da região à custa de quem estiver no seu caminho. O governo dos Estados Unidos, por sua vez, não é um aliado constrangido, é o garante estrutural dessa audácia, o fiador armado de uma política que já mostrou, na Palestina, até onde está disposto a ir.
Em Gaza não houve uma tragédia inevitável, houve um método. Não houve apenas o confronto com o Hamas, houve uma devastação sistemática de um território densamente povoado onde se sabia, com precisão estatística, que morreriam milhares de mulheres e crianças que nada tinham a ver com decisões militares. Quando hospitais são bombardeados, quando bairros inteiros são apagados do mapa, quando a fome e a ausência de cuidados médicos se tornam instrumentos de pressão, não se está perante um erro operacional, está-se perante uma escolha, e essa escolha foi repetida até se tornar uma rotina.
Genocídio é a palavra exacta. Não como um grito emocional, mas como uma descrição política de um processo que destrói deliberadamente as condições de existência de um povo enquanto tal. A morte massiva de civis deixou de ser uma consequência indesejada para se tornar uma variável integrada no cálculo estratégico. 
A indignação internacional é gerida como um ruído de fundo, tolerável enquanto não comprometer as alianças nem os contratos militares.
A ofensiva contra o Irão amplia esta lógica. 
A ameaça futura é convertida numa licença para a destruição presente. Invoca-se o perigo nuclear para justificar ataques, que se sabe de antemão, não ficarão confinados a instalações militares. 
A mensagem é clara e brutal. Quem desafia a arquitectura de poder imposta por Israel e garantida pelos Estados Unidos torna-se um alvo legítimo, e as populações civis tornam-se simplesmente danos previsíveis.
Os Estados Unidos desempenham aqui o papel de motor geopolítico. Financiam, armam, vetam resoluções, moldam narrativas e apresentam como defesa da ordem internacional aquilo que é, na prática, a sua corrosão selectiva. A sua superioridade militar e diplomática funciona como um escudo de impunidade. Israel executa no terreno com a confiança de quem sabe que não será travado por sanções sérias nem por um isolamento efectivo.
Esta convergência transforma ambos numa força motriz de instabilidade que ameaça não apenas uma região, mas o próprio princípio de que a vida civil deve estar protegida em qualquer conflito. Quando dois Estados com tal poder normalizam a destruição de populações inteiras em nome da segurança, enviam ao mundo um sinal devastador: a lei é opcional para quem tem força suficiente para a ignorar.
Não se trata de uma retórica exaltada, trata-se de constatar que esta aliança tem agido como um catalisador de guerras sucessivas, ampliando conflitos e reduzindo o espaço para soluções políticas. Ao escolher reiteradamente a via militar, ao aceitar como custo assumido a morte de inocentes, ao expandir o teatro de operações para além da Palestina até ao Irão, assumem-se como agentes centrais de uma lógica que corrói a própria ideia de uma humanidade partilhada.
A História acabará por registar esta fase não como uma defesa heróica de valores, mas como um período em que duas potências decidiram que a sua segurança e a sua indisfarçável ganância justificava tudo. 
E quando tudo é justificável, nada fica de pé. 
Nem cidades, nem direitos, nem a confiança mínima que sustenta a coexistência entre povos.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Adeus Spotify


Por Luís Sobral
O Spotify é a plataforma de streaming que menos paga aos artistas, com pagamentos que não excedem 0,003 cêntimos por reprodução . Além disso, como consequência da sua nova política, só remunera os artistas com pelo menos 1000 streams por faixa.
 Em 2005, 88% da música do Spotify ficou sem monetização. O Spotify também investe e colabora com grandes editoras discográficas para criar música feita com inteligência artificial, que há muito tempo inunda de forma oculta as playlists de descoberta semanal e acumula milhões de streams. Reproduções que geram lucros enormes para a empresa, que não beneficiam os artistas e que desumanizam e banalizam a música de uma forma inaceitável.
Além disso, nos Estados Unidos o Spotify  emitiu , ao longo do outono de 2025 , anúncios para uma campanha de recrutamento da ICE ( agência de controlo de imigração ) que nos últimos meses, agindo sob ordens da administração Trump, tem realizado sequestros, deportações em massa de imigrantes e violência contínua contra a população dos EUA.
Daniel Ek , fundador , ex CEO e actual chairman do Spotify investiu aproximadamente 700 milhões de euros na Helsing, uma startup armamentista alemã que fabrica tecnologia militar com inteligência artificial . Esta empresa colabora com agentes relacionados com o genocídio na Palestina : desde que o fundador do Spotify  começou a investir nesta empresa e se juntou ao seu conselho de administração, a Helsing assinou contratos de cooperação tecnológica com a Airbus e a Rheinmetall, empresas que fabricam armas directamente utilizadas pelas forças de ocupação de Israel.
Que mais é preciso acontecer para abandonarmos esta plataforma ???
Dito isto e para acabar com uma nota de esperança e otimismo , deixo-vos a minha recomendação de uma plataforma de música que é justa e ética - Qobuz. É a que eu uso e estou muito satisfeito!

Actualização:

domingo, 25 de janeiro de 2026

Ayman Odeh Calls for Unified Arab List to Challenge Netanyahu Government



Arab lawmaker Ayman Odeh, head of the Democratic Front for Peace and Equality–Arab Movement for Change list in the Knesset, said Arab political parties are moving to form a unified joint list to confront what he described as the “fascist” government led by Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu in the upcoming elections.

In statements carried by Quds News, Odeh said the push to reunify the Arab parties is a direct response to the will of Palestinians inside the territories occupied in 1948 and reflects growing concern over the current government’s policies.

Odeh held Netanyahu’s government responsible for the killing of more than 71,000 Palestinians in Gaza, including tens of thousands of children, stressing that the upcoming elections are not merely about seats or numbers, but a political, moral, and national obligation.

“These elections are not just about arithmetic,” Odeh said. “They are a political and ethical battle to prevent the continuation of Netanyahu’s policies and those of his extremist ministers.”

Targeting the Joint List
Odeh also addressed repeated attacks by far-right National Security Minister Itamar Ben-Gvir, who has described Arab lawmakers as a “coalition of terrorism representatives.”

He said such rhetoric reflects the government’s unease over the potential strength of a unified Arab list, warning that Israeli authorities may attempt to raise the electoral threshold or activate legal measures aimed at preventing the joint list from entering the Knesset.

“These attacks are not media stunts,” Odeh said. “They are part of a broader political effort to control the system and prevent Arabs from achieving the largest possible representation.”

He noted that previous iterations of the Joint List demonstrated its electoral potential, securing between 13 and 15 seats, a result that continues to alarm the current government.

Racism, Crime, and Political Exclusion
Odeh said the renewed effort to reunify the Arab parties is also driven by mounting fears over the rise of racism and the entrenchment of what he called a “fascist government,” alongside the escalation of crime within Arab communities—policies he said are actively supported by Ben-Gvir.

He warned that another election cycle under the current government could lead to what he described as a “phase of elimination” across all aspects of life for Palestinians inside Israel.

According to Odeh, the upcoming elections will be decisive not only for Arab parties but also for Israel’s broader opposition, as the outcome could directly affect Netanyahu’s ability to form a governing coalition.

He cautioned that the government may exploit procedural or legal maneuvers to weaken the joint list, reiterating that its core objective is to preserve Arab political unity and apply sustained pressure on the government.

Odeh concluded by emphasizing that the political struggle ahead is not solely over parliamentary seats, but over rights, equality, and the protection of Arab citizens inside Israel.

“The unity of Arab parties and commitment to a joint list is the surest path to defending our rights and confronting attempts to exclude us or label us as ‘terrorists,’” he said.