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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

A Lua, Gloriosamente Indiferente

Image credit: NASA/Goddard Space Flight Center Scientific

Antes do alfabeto, antes do relógio, esta pedra imperturbável já aqui estava - uma presença ancestral, indiferente e crua, a puxar pelo oceano e pelos ossos sem pedir permissão.

Pergunto-me: como é que os primeiros hominídeos a sentiram? Sem palavras para «órbita» ou «maré», erguendo as mãos pré-vocais para a escuridão, terão sentido aquela atração gravitacional no peito? Será que se tornaram um pouco mais humanos com aquela visão, ou eram simplesmente pó a reconhecer pó?

E eis que surge o absurdo da nossa era: homens em fatos elegantes e com carteiras sem fundo, Bezos a inspecionar crateras para futuros armazéns, Musk a sonhar com painéis publicitários de néon cravados no regolito. A sátira definitiva do ego humano: olhar para quatro mil milhões de anos de silêncio sereno e perguntar: «Quanto vale este imóvel?»

Anseiam por extrair o basalto lunar com fins lucrativos, vendendo bilhetes VIP para o vazio sem ar, enquanto a Terra sob os seus pés arde em febre.

No entanto, a Lua permanece gloriosamente imperturbável. Continua a girar - indiferente, imensa - segurando os oceanos na palma da sua mão sem nunca saber o que é a água e sem se importar minimamente com quem é o dono do foguetão.

João Soares, 24.09.2026 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Manifesto Contra o Colonialismo Espacial e a Soberba Antropocêntrica

cosmic web and earthly root

from void's embrace, our tethered light,
framed through the lens at five p.m. daylight.
a blue moon sings a solemn tune,
of phases shared by dust and dune.

in root and earthly connection below,
we feel where galaxies and wonder grow.

each part a whole, no life divine,
is separate from the cosmic vine.

we are but star-dust, earth-bound breath,
uniting sky and biome, birth and depth.

João Soares, 21.08.2026

Introdução
A Terra não é um mero depósito de recursos ou um cenário passivo para a atividade humana, mas sim um superorganismo vivo e autorregulado, em linha com a Hipótese de Gaia de James Lovelock. Sob a perspetiva da ecologia profunda, cada ecossistema, bioma e espécie no nosso planeta possui o direito inerente de existir e evoluir naturalmente, livre do domínio humano destrutivo. Os seres humanos não são os mestres da Terra, mas simples membros de uma comunidade biótica complexa, onde a perturbação de uma única parte do sistema, como o clima ou as correntes oceânicas, prejudica a totalidade da teia da vida, incluindo a própria humanidade. Por essa razão, os ecologistas profundos defendem o respeito rigoroso pelos limites ecológicos do planeta, rejeitando categoricamente modelos de crescimento económico baseados na extração infinita de recursos terrestres.

À medida que a atividade humana se expande para o espaço através da mineração lunar, dos voos comerciais e da proposta de bases permanentes, esta filosofia estende-se também aos corpos celestes, num campo conhecido como ética espacial ou cosmoecologia. Os pensadores deste movimento sustentam que as estruturas naturais não vivas, como as crateras, o rególito e as paisagens intocadas da Lua, possuem um valor geológico e estético intrínseco, não devendo ser reduzidas a simples locais de mineração para a extração de minerais raros ou combustíveis como o Hélio-3. A corrida à colonização e exploração do espaço é vista como uma extensão da mesma mentalidade antropocêntrica que devastou a Terra, considerando que tentar resolver a escassez de recursos terrestres através da exploração lunar evita confrontar a verdadeira questão moral da sobreintensidade do consumo humano. Assim como advoga a criação de zonas selvagens livres da presença humana na Terra através do reassilvagemento, a ecologia profunda moderna defende que a Lua representa uma forma de vida selvagem cósmica que merece ser protegida da poluição industrial, da saturação comercial e da militarização.

Enquanto a visão antropocêntrica convencional considera a Terra um armazém de recursos naturais para sustentar a civilização e a Lua ou Marte uma plataforma estratégica para a ciência, mineração e expansão humana, a ecologia profunda moderna interpreta a Terra como um sistema sagrado e vivo com direitos inerentes, onde a humanidade deve habitar dentro dos seus limites naturais, a Lua e Marte como uma paisagem cósmica intocada dotada de valor próprio que deve ser preservada da exploração industrial.
Disto isto propomos este manifesto.

1. O Mito do Quintal Extraterrestre
A proposta de transferir a indústria pesada para a Lua ou Marte sob o pretexto de "salvar a Terra" é uma ilusão. Aplica a mesma lógica inconsequente que criou a nossa catástrofe ambiental: tratar outro ecossistema intocado como um caixote do lixo. A mineração da superfície lunar não salva a Terra - apenas normaliza a destruição cósmica de ambientes que não temos o direito de profanar.

2. A Falácia do Planeta "Plano B"
A obsessão em colonizar e "terraformar" Marte trata a Terra como algo descartável - uma casa gasta para abandonar quando for conveniente. Gastar energia, recursos e esforço humano para construir suporte de vida artificial num mundo tóxico enquanto deixamos a biosfera viva da Terra colapsar é um ato de cobardia ética. Marte não é um disco externo para a vaidade humana.

3. O Valor Intrínseco da Vida Selvagem Cósmica
Cada canto do cosmos possui um valor intrínseco independente da utilidade humana. As crateras milenares da Lua, os desertos intocados de Marte e o silêncio frágil dos corpos celestes possuem uma integridade ecológica e geológica que precede a existência humana. Não são ativos imobiliários. Não são concessões mineiras corporativas.

Estes dois vídeos permitem escrutinar os propósitos de Jeff Bezos e Elon Musk acerca mineração da Lua e a colonização de Marte e confirmar as nossas preocupações éticas e ambientais.

1.1. Vejam este discurso do Jeff Bezos e o seu plano de colonização da Lua
This Time We Are Going to the Moon to Stay" Bezos Reveals Blue Origin’s Moon Colony Plan

1.2. Elon Musk’s Vision for Humanity: Mars, AI & the Future of Civilization

O Nosso Compromisso
Rejeitamos a narrativa perigosa de que o universo é um livro de contabilidade de recursos à espera de ser explorado pelo capital humano.

A crise planetária que enfrentamos hoje não foi causada pela falta de matérias-primas, mas por uma crise de valores humanos - um antropocentrismo descontrolado que trata sistemas naturais intocados como ferramentas descartáveis para o crescimento económico infinito.

Não precisamos de colonizar outros mundos para provar a nossa inteligência; precisamos de cultivar a maturidade de viver dentro dos limites naturais do mundo que nos deu origem.

O verdadeiro progresso não é colocar fábricas na Lua ou bandeiras em Marte - é a expansão do Eu Ecológico, reconhecendo o nosso lugar dentro da teia da vida e defendendo a integridade sagrada e autorregulada da Terra e do universo contra a conquista corporativa.

Referências Bibliográficas
  1. Abram, D. (1996). The Spell of the Sensuous: Perception and Language in a More-Than-Human World. New York: Vintage Books.
  2. Devall, B., & Sessions, G. (1985). Deep Ecology: Living as if Nature Mattered. Salt Lake City: Gibbs M. Smith.
  3. Krenak, A. (2019). Ideias para Adiar o Fim do Mundo. Lisboa: Objectiva.
  4. Lovelock, J. (1979). Gaia: A New Look at Life on Earth. Oxford: Oxford University Press.
  5. Næss, A. (1973). "The Shallow and the Deep, Long-Range Ecology Movement: A Summary". Inquiry, 16(1-4), 95–100.
  6. Næss, A. (1989). Ecology, Community and Lifestyle: Outline of an Ecosophy. Cambridge: Cambridge University Press.
  7. Rolston III, H. (1986). "Preserving Wild Value on the Moon and Planets". The Earth First! Journal, 7(2), 23–25.
  8. Schwartz, J. S., & Milligan, T. (Eds.). (2016). The Ethics of Space Exploration. Cham: Springer.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

O Telhado Chegava

Ricardo Meireles
No dia 28 de Abril de 2025, ao princípio da tarde, a Península Ibérica apagou-se em cinco segundos. Tenho familiares que nesse dia estavam debaixo de um telhado coberto de painéis, pagos à EDP, com o inversor de corrente instalado e a funcionar. O sol caía em cima da casa, os painéis absorviam a energia toda, e essa energia ia parar a lado nenhum. Nem uma luz se acendia lá dentro.

No mesmo dia, um casal amigo, a Alice e o André, que há muitos anos exploram com persistência os modos de vida mais resilientes, publicava numa rede social que o sol e umas baterias de chumbo compradas a preço acessível lhes estavam a dar a energia toda de que precisam para a vida frugal que com orgulho vão mostrando. O post recebeu uma série de comentários depreciativos. Entre eles, o argumento de que é muito fácil para quem tem terreno. Os painéis deles estão no telhado. Curioso.

Duas casas portuguesas, o mesmo sol, o mesmo dia. Numa, o investimento grande, o contrato com a empresa, a escuridão. Na outra, os painéis apoiados pelas baterias de chumbo e a luz acesa. A explicação técnica é simples: os sistemas ligados à rede desligam o inversor quando a rede cai, por segurança de quem repara as linhas, e os painéis ficam inúteis exactamente no momento em que fariam mais falta. O sistema foi desenhado para que os painéis sirvam a rede primeiro e a família depois. No dia em que a rede caiu, ficou claro quem serve quem.

A história por trás da explicação técnica é a de como um país desenhou, e depois desmontou, a hipótese de uma energia democrática.

Em 2007 a política energética portuguesa promovia a microprodução doméstica: instalava-se, ligava-se à rede, vendia-se tudo a uma tarifa bonificada, calculada de maneira a que o investimento se pagasse a si próprio. Milhares de famílias fizeram as contas, pediram crédito e ousaram subir ao telhado. E a área chegava. Chega ainda. João Joanaz de Melo, professor de Engenharia do Ambiente na Nova e ligado ao partido do Governo (PSD), resume o que os estudos dizem: “no edificado doméstico e de serviços português, temos área suficiente para produzir duas a três vezes o consumo das famílias e dessas empresas”. Três vezes. Sobre o caminho que se seguiu em vez desse: “Isto é uma iniquidade e um erro estratégico. Devíamos ter um metro descentralizado por cada metro centralizado.”

Um país com área construída para o triplo do que consome em casa reservou 456 mil hectares de solo rústico para centrais de escala. Entre uma frase e a outra há uma distância. Este texto é sobre a maneira como ela se foi abrindo. Ler texto completo aqui

Minha Análise
Caro Ricardo,
O teu texto é de uma lucidez e sensibilidade raras, porque consegue desmontar a narrativa oficial da transição verde a partir da realidade concreta da terra, da fatura das famílias e da própria física dos sistemas. A imagem do apagão - o contraste entre as casas conectadas à rede que ficaram às escuras e a resiliência simples da casa off-grid - resume com precisão a grande contradição do nosso tempo. O sistema não foi desenhado para dar autonomia aos cidadãos, mas para canalizar fluxos de capital e garantir o abastecimento de grandes atores.
Subscrevo por inteiro a tua crítica à ocupação de 456 mil hectares de solo rústico quando temos telhados e zonas impermeabilizadas de sobra. Ainda assim, a leitura do teu artigo faz-me pensar em alguns pontos que tornam esta equação ainda mais perversa e que reforçam a gravidade do que está a acontecer com o PSZAER.
Em primeiro lugar, há a questão do próprio consumidor que investe no telhado. Não se trata apenas de o inversor desligar por razões de segurança da rede; trata-se de um enquadramento regulatório que desincentiva ativamente a instalação de sistemas híbridos com comutação automática. A regulamentação e as exigências técnicas da DGEG e da ERSE foram construídas de tal forma que amarram o cidadão à infraestrutura central. Quem tenta criar a sua própria resiliência com armazenamento encontra barreiras burocráticas e custos acrescidos. Pagas o equipamento, mas a regra do jogo impede-te de usar a tua própria energia quando a rede falha.
Depois, há um lado de usurpação do planeamento local que o PSZAER concretiza sem rodeios. Ao transformar vastas manchas de solo rústico em zonas de aceleração, o poder central passa por cima dos Planos Diretores Municipais e da vontade das comunidades locais. Isto gera uma pressão especulativa brutal no campo: o pequeno agricultor ou quem está no terreno a tentar regenerar a terra com técnicas agroecológicas simplesmente não consegue competir com as rendas anuais por hectare oferecidas pelas multinacionais da energia. O programa não está apenas a disputar espaço ao eucaliptal; está a bloquear ativamente a regeneração e a soberania alimentar.
Outra grande contradição que se esconde por trás desses 456 mil hectares é a própria incapacidade física da rede elétrica nacional para absorver tanta energia sem armazenamento em grande escala. Nos dias de pico solar, o excesso de oferta sem capacidade de rede vai inevitavelmente conduzir ao corte forçado de produção, o chamado curtailment. Ou seja, vamos ver ecossistemas destruídos e solos selados para instalar painéis que, em vários momentos do ano, terão de ser desligados porque não há onde meter a eletricidade. E a ineficiência deste modelo acabará, como sempre, refletida na tarifa de uso da rede paga por todos nós.
Ao mesmo tempo, ao extrativismo energético para alimentar os data centers de Sines e a inteligência artificial do outro lado do Atlântico junta-se uma pegada hídrica da qual quase não se fala. Estes grandes agregados de servidores exigem volumes gigantescos de água para os seus sistemas de arrefecimento. Numa região do país estruturalmente fustigada pela seca, estamos a entregar o solo para a produção fotovoltaica e os aquíferos para arrefecer máquinas, tudo para processar dados que não deixam valor real no território que os acolhe.
No fundo, aquilo que o teu ensaio expõe brilhantemente é que a transição energética em curso não é uma transição de paradigma, mas apenas uma transição de combustível. Mantém-se a mesma lógica centralizadora, extrativista e colonizadora do território, trocando o carvão e o gás por hectares de silicone, e sacrificando a esponja viva do húmus em nome do consumo ilimitado das metrópoles e das grandes tecnológicas. Obrigado por pores em palavras aquilo que a terra e quem trabalha nela já sentem há muito tempo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Diretora do Google DeepMind diz que risco de extinção por IA 'não é zero'


A possibilidade de a inteligência artificial (IA) representar um risco existencial para a humanidade continua a preocupar parte dos principais nomes do setor. A diretora de operações de IA da Google DeepMind, Lila Ibrahim, afirmou que a hipótese de a tecnologia provocar a extinção da humanidade "não é zero", embora tenha ressaltado que qualquer estimativa além disso seria apenas um palpite. Ao mesmo tempo, a executiva contestou previsões otimistas de empresários como Elon Musk sobre o futuro da IA.

Em entrevista à revista Fortune, Ibrahim lembrou que assinou, em 2023, a declaração do Center for AI Safety que defendia que o risco de extinção causado pela IA deveria ser tratado com a mesma prioridade de ameaças como guerras nucleares e pandemias.

Três anos depois, ela afirmou que mantém a mesma posição. "Não é zero", disse sobre a possibilidade de um cenário extremo. "Qualquer coisa além disso é apenas um palpite meu, é a engenheira em mim." Segundo a executiva, "seria irresponsável da nossa parte não falar sobre o risco existencial”.

Debate sobre riscos e oportunidades
Ibrahim afirmou que o avanço acelerado da IA exige que empresas e governos discutam não apenas as oportunidades, mas também os possíveis impactos negativos da tecnologia. Para ela, uma das lições deixadas pela pandemia foi que ameaças de grande escala nem sempre são previsíveis.

A executiva também afirmou que a indústria de tecnologia falhou, no passado, ao não debater suficientemente os riscos associados à expansão da internet e das redes sociais. "As duas coisas que me tiram o sono são: estamos a fazer tudo o que podemos para mitigar os riscos? E estamos a fazer tudo o que podemos para maximizar as oportunidades? Na minha opinião, essas duas coisas andam de mãos dadas", afirmou.

As declarações de Ibrahim somam-se às de outros investigadores e executivos que já manifestaram preocupação com os impactos da IA. Geoffrey Hinton, conhecido como um dos "padrinhos da inteligência artificial", estimou anteriormente entre 10% e 20% a hipótese de a humanidade ser extinta nas próximas décadas em consequência da tecnologia.

Já Dario Amodei, diretor da Anthropic e também signatário do manifesto de 2023, afirmou que existe 25% de probabilidade de o futuro ser "muito, muito mau". Antes mesmo da popularização da IA generativa, o físico Stephen Hawking também alertou para os riscos que sistemas avançados poderiam representar.

Na entrevista, Ibrahim também discordou das previsões feitas por Elon Musk sobre uma sociedade em que o trabalho deixaria de existir devido à abundância produzida por robôs e sistemas de IA. O empresário afirmou recentemente que, até 2036, o dinheiro perderia relevância porque produtos e serviços seriam extremamente baratos e os governos distribuiriam um rendimento básico universal elevado. Jeff Bezos, fundador da Amazon, também já projetou que milhões de pessoas viverão no espaço nas próximas décadas.

Para a diretora da Google DeepMind, porém, o ritmo de evolução da IA torna impossível prever com precisão como será o futuro. "Não acho que possamos realmente prever como será o futuro", afirmou à Fortune.

Em vez de apostar em cenários distantes, Ibrahim defendeu que o foco esteja no uso da tecnologia para resolver problemas concretos, como eventos climáticos extremos, resíduos industriais e o desenvolvimento de soluções para doenças. "Prefiro que concentremos a nossa atenção em como usar a tecnologia como ferramenta para maximizar o potencial humano", disse.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Perdeu tudo: Musk não é mais trilionário após ações da SpaceX caírem

Menos de duas semanas depois da estreia da SpaceX na Bolsa de Nova Iorque, as ações da empresa afundaram, numa altura em que os mercados recuam nas grandes tecnológicas. Elon Musk viu 350 mil milhões de dólares, cerca de 306 mil milhões de euros, desaparecerem do seu património líquido.

As ações da SpaceX dispararam depois da Oferta Pública Inicial de 12 de junho, subindo de um preço de abertura de 150 dólares para um máximo histórico ligeiramente acima dos 225 dólares — o que levou a capitalização bolsista da empresa a aproximar-se dos 3 biliões de dólares, e tornou Elon Musk o primeiro trilionário da História.

Segundo análise da ONG humanitária Oxfam, ele será mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial juntos, cerca de 3,8 bilhões de pessoas.

Se Musk gastasse 1 milhão de dólares por dia, levaria 2.740 anos para gastar 1 trilhão de dólares, supondo que esse valor não rendesse nenhum juro.

"Essa concentração extrema de riqueza é sintomática de décadas de políticas pró-bilionários que lhes permitiram ditar as regras econômicas a seu favor", afirmou a Oxfam em nota.

Nabil Ahmed, diretor sénior de justiça económica da Oxfam América, disse que a ascensão do magnata ao status de trilionário "é um novo marco para a oligarquia e um dia sombrio para a democracia".

Mas, nos dias seguintes, muitos investidores começaram a perder confiança, dissipando centenas de milhares de milhões de dólares em valor à medida que as ações desciam - primeiro lentamente, depois com uma aceleração cada vez mais acentuada.

Só na segunda-feira, as ações afundaram quase 17%, o pior desempenho diário da empresa até à data, nota o Futurism.

Na manhã de terça-feira, a viagem inaugural de 11 dias da SpaceX em bolsa ficava simbolicamente encerrada com as ações a caírem abaixo do preço de abertura, atingindo um mínimo histórico pouco acima dos 147 dólares.

Por outras palavras, a SpaceX perdeu oficialmente todos os ganhos registados desde a entrada em bolsa. Mais tarde, as ações recuperaram para valores intermédios da casa dos 150 dólares, um nível que teria sido impensável apenas alguns dias antes.

Com a queda das ações da SpaceX, 350 mil milhões de dólares desapareceram do património líquido de Elon Musk — que a Forbes estima que tenha atingido, após a OPI e a valorização inicial, os 1,4 biliões de dólares.

Saber mais:

Análise
A recente queda da SpaceX, que perdeu mais de 600 mil milhões de dólares em valor de mercado num espaço de três dias, representa um evento de proporções históricas que cruza a volatilidade financeira com a alta geopolítica. Apesar do impacto numérico impressionante, que equivale à economia inteira de vários países, a empresa ainda retém uma capitalização superior a dois biliões de dólares, mantendo-se acima do preço da sua recente OPI. Para compreender este fenómeno, é necessário analisar o cenário através de duas lentes interligadas: a económica e a política.

Do ponto de vista económico, este recuo acentuado reflete uma forte correção de mercado após a euforia inicial da OPI. Um dos principais fatores técnicos para esta oscilação foi a baixa flutuação de ações no mercado, uma vez que apenas uma pequena percentagem do capital total da empresa foi disponibilizada para negociação pública. Quando a oferta é muito reduzida e a procura por parte de pequenos investidores é maciça, o preço sobe de forma artificialmente rápida, mas o reverso da medalha é que qualquer movimento de venda em massa faz o valor desabar com o mesmo impacto. Além disso, o grande gatilho para a desconfiança dos investidores foi o anúncio de que a SpaceX irá emitir títulos de dívida para angariar pelo menos 20 mil milhões de dólares, com o objetivo de refinanciar empréstimos de curto prazo associados à aquisição e integração da xAI, a empresa de inteligência artificial de Elon Musk. Como a SpaceX passou a ser avaliada também como um conglomerado de inteligência artificial, a empresa acabou por ser severamente castigada pelo ceticismo geral que atualmente afeta o setor tecnológico global, onde persistem receios de uma bolha tecnológica e de potenciais subidas de juros.

No plano político, o tombo financeiro ganha contornos ainda mais complexos devido ao papel estratégico que a SpaceX desempenha na infraestrutura de segurança e exploração espacial dos Estados Unidos. Em primeiro lugar, esta perda afetou diretamente a fortuna pessoal de Elon Musk, retirando-lhe o estatuto temporário de trilionário, o que tem impacto na sua capacidade de autofinanciamento e na sua influência geopolítica direta, frequentemente exercida através de tecnologias como a rede Starlink. Em segundo lugar, o governo norte-americano, através da NASA e do Pentágono, depende quase exclusivamente da SpaceX para missões críticas de Defesa e exploração espacial. Uma volatilidade financeira desta magnitude numa empresa que detém um monopólio de infraestrutura vital gera apreensão em Washington, levantando dúvidas sobre se o endividamento para financiar projetos de inteligência artificial poderá, a longo prazo, desviar o foco dos programas espaciais essenciais. Por fim, ao misturar a atividade aeroespacial fortemente regulada com investimentos de alto risco em inteligência artificial, Musk atrai um escrutínio redobrado por parte de reguladores e opositores políticos, que questionam a enorme concentração de contratos estatais nas mãos de uma entidade privada exposta a tanta volatilidade. Em suma, esta perda bilionária não sinaliza a falência da SpaceX, mas sim um ajuste drástico de expectativas que prova como as finanças privadas, a inteligência artificial e a segurança nacional estão hoje indissociavelmente ligadas.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Património dos super-ricos causa danos climáticos desproporcionados, diz estudo

Stargate Datacenter (Texas)
A Greenpeace calcula que os mais abastados contribuem com quase um bilião de dólares de prejuízos por ano através de emissões associadas à propriedade de ativos.

As pessoas ultra ricas que cruzam os céus mundiais nos seus jatos privados, relaxam em iates e se destacam pelo seu consumo ostensivo no Instagram estão entre os culpados individuais mais facilmente identificáveis na crise climática. No entanto, uma nova investigação defende que a culpa não reside apenas nos seus estilos de vida exuberantes, mas também nas suas contas bancárias.

Através da detenção de empresas e de ativos financeiros e físicos privados — que vão desde produtores de petróleo a empreendimentos imobiliários —, os super-ricos são responsáveis por uma fatia desproporcionada dos gases com efeito de estufa que estão a sobreaquecer o planeta. O 1% do topo da população mundial em termos de riqueza controla, através das suas participações acionistas e investimentos, cerca de um quarto do total das emissões anuais globais.

A Greenpeace calculou a "dívida climática" destes indivíduos com elevado património líquido, atribuindo-lhes a respetiva quota-parte dos danos causados ao clima pelos ativos de que são proprietários. Segundo estas contas, os mais ricos do mundo provocam quase um bilião de dólares ($1tn) por ano em prejuízos climáticos.

Clara Thompson, responsável global de campanhas sobre sistemas socioeconómicos na Greenpeace International, afirmou: "Numa altura em que as pessoas enfrentam faturas de energia cada vez mais altas, o aumento do custo de vida e impactos climáticos crescentes, muitos questionam-se por que razão os agregados familiares comuns devem carregar com uma parte tão grande do fardo, enquanto algumas das pessoas mais ricas do mundo continuam a lucrar com as indústrias que alimentam a crise."

A Greenpeace estima que o 1% mais rico da população seja responsável por cerca de 40% de todas as emissões baseadas na "propriedade" — ou seja, as emissões produzidas por empresas e associadas a ativos financeiros e físicos privados —, as quais representam, por si só, 60% da produção global de carbono. Dentro desse grupo, os 0,1% do topo respondem por cerca de 17% das emissões baseadas na propriedade, e os 0,01% mais ricos por cerca de 9%.

O escalão do 1% do topo é composto por indivíduos com um património superior a cerca de 2 milhões de dólares; os 0,1% detêm uma riqueza acima dos 7 milhões de dólares; e os 0,01% correspondem a pessoas com fortunas superiores a cerca de 38 milhões de dólares. Em contrapartida, a metade mais pobre da população mundial detém apenas 3% das emissões associadas à propriedade de ativos.

Thompson sublinhou que é fundamental pensar em termos de emissões baseadas na propriedade porque, embora sejam menos visíveis do que as emissões associadas ao consumo, são mais difíceis de combater.

"Isto não é apenas uma história sobre jatos privados e estilos de vida luxuosos. Quando se trata da poluição dos ultra-ricos, a propriedade importa ainda mais do que o consumo. Uma grande parte das emissões está associada à detenção de ativos e investimentos com elevada intensidade de carbono", explicou. "Durante anos, a política climática focou-se nos consumidores. Mas as nossas conclusões sugerem que deveríamos prestar muito mais atenção àquilo que as pessoas possuem e onde investem."

Uma forma de corrigir este desequilíbrio poderia passar pela aplicação de impostos sobre a riqueza. "A dívida climática tem a ver com responsabilidade", referiu Thompson. "Se concordamos que aqueles que mais contribuíram para o problema devem contribuir mais para o resolver, é perfeitamente razoável perguntar se esse princípio também se deve aplicar à riqueza extrema."

Dados independentes revelaram que os grandes bancos e outros investidores financeiros canalizaram 900 mil milhões de dólares para combustíveis fósseis no ano passado, apesar das promessas feitas por muitos deles há cinco anos para reduzir tais investimentos.

As disparidades gritantes entre o impacto ambiental dos super-ricos e o dos cidadãos comuns estão cada vez mais no centro das atenções, à medida que a desigualdade de riqueza dispara em todo o mundo. Recentemente, um relatório liderado pelo economista Thomas Piketty demonstrou que o mundo poderia viver de forma equitativa dentro dos recursos finitos do planeta, caso os excessos de riqueza fossem travados por impostos e os mais pobres pudessem reter uma maior fatia daquilo que o seu trabalho produz.

Governos de todo o mundo, com exceção dos EUA, estão reunidos em Bona, na Alemanha, para duas semanas de conversações que antecedem a cimeira do clima da ONU (Cop31) em novembro. Um dos temas que deverá receber maior atenção prende-se com os mecanismos para uma "transição justa", que ajude os trabalhadores afetados pelo abandono dos combustíveis fósseis a integrarem-se na economia de baixo carbono.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Starlink de Elon Musk duplica preço do plano de emergência em Portugal. Conheça o outro lado da moeda - os seus impactos ambientais


A Starlink, que fornece internet via satélite, incluindo no território português, está a comunicar aos clientes uma subida de preços que chega aos 100% no plano mais básico para situações de emergência, apurou o ECO. O agravamento ocorre numa altura em que várias famílias adquiriram nos últimos meses equipamentos da marca da SpaceX para se precaverem, depois do apagão do ano passado e das tempestades de fevereiro, e em que o Governo planeia entregar um kit de conectividade desta empresa às juntas de freguesia no âmbito do PTRR. Mas coincide também com o histórico IPO da ‘casa-mãe’, a SpaceX, do multimilionário Elon Musk.

A mensalidade do “Modo Standby”, que permite manter um equipamento Starlink ativo, com serviços mínimos — para que esteja pronto a reativar em caso de necessidade ou emergência –, irá passar de cinco para dez euros por mês. O preço duplicará já em meados do próximo mês de junho, segundo o comunicado enviado aos clientes consultado pelo ECO.

O email obtido não detalha as subidas que serão aplicadas aos restantes pacotes e não foi possível encontrar informação agregada no site da empresa. Nesse sentido, o ECO contactou a Starlink para solicitar a tabela comparativa dos preços, mas ainda não obteve resposta.

Portugal não é o único mercado a assistir a aumentos de preços da Starlink. Nos Estados Unidos, o agravamento das mensalidades varia entre os cinco e os dez dólares, conforme o plano, de acordo com o portal de tecnologia Cnet: 
  1. O plano Residencial 100 Mbps (velocidade máxima de download) vai aumentar de 50 para 55 dólares nos EUA, uma subida de cinco dólares mensais. Em Portugal o mesmo plano custa, atualmente, 29 euros por mês.
  2. Já o Residencial 200 Mbps, que custava 80 dólares nos EUA, irá subir para 85 dólares mensais, o que também representa um aumento de cinco dólares. Em Portugal, a mensalidade atual é de 45 euros.
  3. O Residencial Max irá aumentar nos EUA de 120 para 130 dólares, um agravamento de dez dólares por mês. Em Portugal, custa 65 euros.
Estes planos permitem aceder à internet numa morada fixa definida pelo cliente. Mas os planos Roam, que permitem aceder à internet em qualquer local onde se coloque a antena — incluindo em viagem — também irão sofrer agravamentos:
  1. Nos EUA, o Roam 100 Mbps passará de 50 para 55 dólares, custando atualmente 45 euros por mês em Portugal.
  2. O Roam Ilimitado subirá no mercado norte-americano de 165 para 175 dólares, quando em Portugal custa 95 euros por mês.
“A Starlink está a aumentar rapidamente a capacidade da rede, a expandir a cobertura e a melhorar a fiabilidade para os clientes. A forte procura da Starlink reflete o valor que os clientes continuam a ver no serviço, e os preços podem mudar à medida que continuamos a investir em produtos e serviços acessíveis e de alto desempenho”, justifica a empresa, num conjunto de perguntas e respostas disponibilizado aos clientes.

Este aumento de preços surge cerca de três meses depois de a Starlink ter promovido outras alterações nas suas assinaturas. Em meados de março, a empresa comunicou o fim do plano Residencial Lite, cujo tráfego não era considerado prioritário, passando a limitar a velocidade de download a 100 Mbps e cobrando o mesmo preço. Na prática, tratou-se de um downgrade do serviço, mantendo o preço e a oferta de tráfego ilimitado.

Startlink conquista clientes após Kristin e apagão
A nova política de preços da empresa do homem mais rico do mundo acontece depois de um período de grande expansão da base de clientes em Portugal, sobretudo depois de a operadora ter promovido uma campanha de descontos agressiva no preço dos equipamentos, logo após o grande apagão energético de 28 de abril de 2025, que afetou toda a Península Ibérica.

Ademais, coincide com um momento em que o Governo tem em cima da mesa, no âmbito do plano PTRR (Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência), uma proposta para distribuir uma ligação de dados Starlink por cada uma das mais de três mil freguesias do país.

A ideia é que estes equipamentos sirvam de redundância no acesso à internet numa situação em que as redes de comunicações eletrónicas tradicionais estejam indisponíveis, bastando, para tal, a ligação da antena e do router (se necessário) a uma fonte de corrente elétrica — por exemplo, um gerador. A proposta está associada às tempestades que no início do ano afetaram a zona centro do país.

Starlink é a galinha dos ovos de ouro da SpaceX
O aumento dos preços ocorre também num momento de grande importância para a Starlink, mais propriamente a sua ‘casa-mãe’: a SpaceX vai realizar a maior Oferta Pública Inicial (IPO) de sempre, com a qual espera arrecadar 75 mil milhões de dólares a uma avaliação de 1,75 biliões (ou trillions, como se diz em inglês).

Nesta mesma quarta-feira, 20 de março, a SpaceX entregou ao regulador norte-americano dos mercados financeiros o muito aguardado prospeto com os resultados financeiros. O documento coloca a descoberto que a SpaceX perdeu 4,94 mil milhões de dólares em 2025 e revela que dois terços dos 18,7 mil milhões em receitas foram obtidos através da Starlink.

O documento consultado pelo ECO mostra também que a Starlink chegou ao fim de março de 2026 com 10,3 milhões de clientes, número que compara com os 2,3 milhões de clientes que tinha no final de 2023. A empresa fechou 2025 com uma receita média por cliente de 86 dólares.

Segundo as agências internacionais, é esperado que o IPO da SpaceX arranque por volta do dia 4 de junho, com as ações da empresa a chegarem à bolsa a 11 ou 12 de junho. Poucos dias depois, entrará em vigor o aumento das mensalidades.

Impactos ambientais

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

As pressões militares ocultas por trás do novo impulso para pequenos reactores nucleares



A recente visita de Donald Trump ao Reino Unido resultou numa chamada «parceria histórica» em matéria de energia nuclear. Londres e Washington anunciaram planos para construir 20 pequenos reatores modulares e também desenvolver tecnologia de microrreatores – apesar do facto de ainda não terem sido construídas centrais deste tipo em nenhum lugar do mundo.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, prometeu que estes planos irão proporcionar uma «era dourada» da energia nuclear, que também irá «reduzir as faturas» .

No entanto, a história da energia nuclear tem sido marcada por décadas de exageros, custos crescentes e atrasos constantes. Em todo o mundo, as tendências apontam na direção errada.

Então, porquê o entusiasmo renovado em relação à energia nuclear? As verdadeiras razões têm menos a ver com segurança energética ou alterações climáticas e muito mais com poder militar.

À primeira vista, o caso pode parecer óbvio. Os defensores da energia nuclear apresentam os pequenos reatores modulares, ou SMRs, como vitais para reduzir as emissões e atender à crescente procura por eletricidade por parte dos automóveis e centros de dados. Com as grandes centrais nucleares agora proibitivamente caras, os reatores menores são apresentados como uma alternativa empolgante.

Mas hoje em dia, mesmo as análises mais optimistas do sector admitem que a energia nuclear — mesmo os SMRs — provavelmente não conseguirá competir com as energias renováveis. Uma análise publicada no New Civil Engineer no início de 2025 concluiu que os SMRs são “a fonte mais cara por quilowatt de eletricidade gerada quando comparados com o gás natural, a energia nuclear tradicional e as energias renováveis”.

segunda-feira, 10 de março de 2025

Study: Climate change will reduce the number of satellites that can safely orbit in space


MIT aerospace engineers have found that greenhouse gas emissions are changing the environment of near-Earth space in ways that, over time, will reduce the number of satellites that can sustainably operate there.

In a study appearing today in Nature Sustainability, the researchers report that carbon dioxide and other greenhouse gases can cause the upper atmosphere to shrink. An atmospheric layer of special interest is the thermosphere, where the International Space Station and most satellites orbit today. When the thermosphere contracts, the decreasing density reduces atmospheric drag — a force that pulls old satellites and other debris down to altitudes where they will encounter air molecules and burn up.

Less drag therefore means extended lifetimes for space junk, which will litter sought-after regions for decades and increase the potential for collisions in orbit.

The team carried out simulations of how carbon emissions affect the upper atmosphere and orbital dynamics, in order to estimate the “satellite carrying capacity” of low Earth orbit. These simulations predict that by the year 2100, the carrying capacity of the most popular regions could be reduced by 50-66 percent due to the effects of greenhouse gases.

“Our behavior with greenhouse gases here on Earth over the past 100 years is having an effect on how we operate satellites over the next 100 years,” says study author Richard Linares, associate professor in MIT’s Department of Aeronautics and Astronautics (AeroAstro).

“The upper atmosphere is in a fragile state as climate change disrupts the status quo,” adds lead author William Parker, a graduate student in AeroAstro. “At the same time, there’s been a massive increase in the number of satellites launched, especially for delivering broadband internet from space. If we don’t manage this activity carefully and work to reduce our emissions, space could become too crowded, leading to more collisions and debris.”

The study includes co-author Matthew Brown of the University of Birmingham.

Sky fall
The thermosphere naturally contracts and expands every 11 years in response to the sun’s regular activity cycle. When the sun’s activity is low, the Earth receives less radiation, and its outermost atmosphere temporarily cools and contracts before expanding again during solar maximum.

In the 1990s, scientists wondered what response the thermosphere might have to greenhouse gases. Their preliminary modeling showed that, while the gases trap heat in the lower atmosphere, where we experience global warming and weather, the same gases radiate heat at much higher altitudes, effectively cooling the thermosphere. With this cooling, the researchers predicted that the thermosphere should shrink, reducing atmospheric density at high altitudes.

In the last decade, scientists have been able to measure changes in drag on satellites, which has provided some evidence that the thermosphere is contracting in response to something more than the sun’s natural, 11-year cycle.

“The sky is quite literally falling — just at a rate that’s on the scale of decades,” Parker says. “And we can see this by how the drag on our satellites is changing.”

The MIT team wondered how that response will affect the number of satellites that can safely operate in Earth’s orbit. Today, there are over 10,000 satellites drifting through low Earth orbit, which describes the region of space up to 1,200 miles (2,000 kilometers), from Earth’s surface. These satellites deliver essential services, including internet, communications, navigation, weather forecasting, and banking. The satellite population has ballooned in recent years, requiring operators to perform regular collision-avoidance maneuvers to keep safe. Any collisions that do occur can generate debris that remains in orbit for decades or centuries, increasing the chance for follow-on collisions with satellites, both old and new.

“More satellites have been launched in the last five years than in the preceding 60 years combined,” Parker says. “One of key things we’re trying to understand is whether the path we’re on today is sustainable.”

Crowded shells
In their new study, the researchers simulated different greenhouse gas emissions scenarios over the next century to investigate impacts on atmospheric density and drag. For each “shell,” or altitude range of interest, they then modeled the orbital dynamics and the risk of satellite collisions based on the number of objects within the shell. They used this approach to identify each shell’s “carrying capacity” — a term that is typically used in studies of ecology to describe the number of individuals that an ecosystem can support.

“We’re taking that carrying capacity idea and translating it to this space sustainability problem, to understand how many satellites low Earth orbit can sustain,” Parker explains.

The team compared several scenarios: one in which greenhouse gas concentrations remain at their level from the year 2000 and others where emissions change according to the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) Shared Socioeconomic Pathways (SSPs). They found that scenarios with continuing increases in emissions would lead to a significantly reduced carrying capacity throughout low Earth orbit.

In particular, the team estimates that by the end of this century, the number of satellites safely accommodated within the altitudes of 200 and 1,000 kilometers could be reduced by 50 to 66 percent compared with a scenario in which emissions remain at year-2000 levels. If satellite capacity is exceeded, even in a local region, the researchers predict that the region will experience a “runaway instability,” or a cascade of collisions that would create so much debris that satellites could no longer safely operate there.

Their predictions forecast out to the year 2100, but the team says that certain shells in the atmosphere today are already crowding up with satellites, particularly from recent “megaconstellations” such as SpaceX’s Starlink, which comprises fleets of thousands of small internet satellites.

“The megaconstellation is a new trend, and we’re showing that because of climate change, we’re going to have a reduced capacity in orbit,” Linares says. “And in local regions, we’re close to approaching this capacity value today.”

“We rely on the atmosphere to clean up our debris. If the atmosphere is changing, then the debris environment will change too,” Parker adds. “We show the long-term outlook on orbital debris is critically dependent on curbing our greenhouse gas emissions.”

This research is supported, in part, by the U.S. National Science Foundation, the U.S. Air Force, and the U.K. Natural Environment Research Council.

sábado, 20 de maio de 2023

Climate change and space debris, a vicious cycle



Just when we thought it couldn’t get worse, the satellite constellations threatening our night sky and the climate crisis impacting every aspect of our lives have joined forces. It is now established that numerous and largely unregulated swarms of satellites in low Earth orbit (LEO) have a direct impact on ground-based astronomy, as discussed in this Astrobite. Now, researchers have determined that the decreasing density of the upper atmosphere due to climate change is only worsening the space debris issue, increasing the orbital lifetimes of active satellites and space trash alike and creating an environment of debris cloaking the Earth.
Changes in the thermosphere

The effects of climate change extend beyond the surface of the Earth out to all levels of the atmosphere. A few teams set out to understand the consequences of climate change through a specific lens: how do CO2 emissions impact the upper atmosphere and the space debris environment? In today’s bite, we cover two papers that independently model global conditions and make projections for the future of the upper atmosphere given a changing climate.

Human-induced climate change leads to a global warming at ground level, but if we move up in the atmosphere by 15-500 km, this same increased concentration of greenhouse gasses causes a global cooling in the middle to upper atmosphere. A decrease in temperature causes this part of the atmosphere to effectively shrink, which in turn reduces the air density in the thermosphere (~90−500 km above the ground). While there are a few variables that impact the density of the thermosphere, increasing CO2 concentration at the ground plays a main role in global cooling and contraction of the upper atmosphere.
The thermosphere is home to thousands of LEO satellites, including the International Space Station, and while it hosts satellites, it also naturally pulls them back down to Earth over time. But the rate at which the atmosphere sends satellites back down to the ground is affected when the density of the atmosphere changes – the question is, by how much?

BRAD and other models
The teams validate and then project models of global circulation into the future to make predictions for the state of the thermosphere out multiple decades. Both studies find similar projections of climate change in the upper atmosphere, with Cnossen (2022) predicting a global mean cooling and a decline in thermosphere density for 2015–2070 that is about twice as strong as that of the past.

In Brown et al. (2021), the authors use a method called BRAD, or the Binned Representative Atmospheric Decay debris model. BRAD essentially makes a few clever assumptions to handle the motions and collisions of objects in LEO statistically, working to distill a pretty messy system and figure out how the objects in LEO will decay in their orbits when the density changes. Given a global temperature increase of 1.5ºC, Brown et al. predict a 15-32% decrease from the year 2000 to now in the thermospheric density at 400 km, a reduction that will speed up with any further increases to CO2 concentration. While BRAD inherently doesn’t model effects of large constellations of satellites, their results imply that the thermospheric density will greatly impact lone and constellations of satellites alike, at least doubling (and possibly increasing by 10-20x) the number of trackable objects (meaning both active instruments and the trash left behind).
An atmospheric drag

Why exactly does climate change in the upper atmosphere lead to a doubling of trackable objects in LEO? With density decreased, atmospheric drag is reduced, so orbital lifetimes of satellites increase: reducing atmospheric drag makes it easier for satellites to whiz around the Earth. With easier travels, they can live in their orbits longer, and lead to the accumulation of space debris. For example, Cnossen (2022) find that a decrease in thermospheric density of ~30% maps to an increase in orbital lifetimes by ~30% as well.

Increased space debris poses risk to other spacecraft, which is relevant to – as Cnossen (2022) put it – the “future exploitation” of the LEO environment. Objects that remain in orbit longer are given more chances to collide with other debris or active satellites. Fragmented space debris can quickly trigger a cascade of more collisions, as by introducing more objects in orbit, the potential for two objects to hit each other rises dramatically. From there, the fragments from such an impact increases the number of objects in LEO, and increases the probability of more collisions. This scenario, called the Kessler Syndrome, could mean trouble for future space activities, and in an extreme case space activities could even be made impossible for decades. And, beyond the potential collisions and resulting trash cloud, staying in orbit longer also impacts long-term effectiveness of satellite-based measurements that need to be stable like precise measurements of sea level.

This vicious cycle of satellite population growth worsening climate change, which in turn negatively impacts the satellite debris environment is well-established and exemplifies how our human impacts on Earth are not limited to the ground. Faced with the reality of climate change advancing and satellite megaconstellations continuing to be launched, this Astrobite lists ways to help preserve the global commons that is our night sky. Space trash doesn’t have to be a permanent fixture of our night skies, but we do have to take significant steps in taking satellites down, which primarily depends on action from the two companies (SpaceX and OneWeb) that own nearly half of all LEO satellites. With the satellite population booming and catastrophic collisions becoming more and more common, we may have already reached a point of instability in terms of space trash, and action to mitigate both climate change and satellite overpopulation is more and more critical.

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Os rastos dos aviões fazem parte de uma conspiração mundial? Não, dizem os cientistas


Há 20 anos nasceu a teoria de que os rastos brancos dos aviões no céu contêm propositadamente substâncias nocivas com um objectivo secreto. Esta teoria da conspiração voltou a chumbar na última avaliação dos cientistas.

Em 1915 — poucos anos depois dos primeiros voos controlados da história —, o físico austríaco Robert Ettenreich observava uma aeronave rodeando o céu no sul do Tirol quando notou uma longa e fina nuvem estendendo-se atrás dela.

Ettenreich descreveu o que viu em um estudo de 1919, como sendo "a condensação de uma linha de cúmulos com os gases de escape de uma aeronave", observando que ela ficou visível por um longo tempo.

Um capitão com inclinação poética do Corpo Médico do Exército dos Estados Unidos descreveu os rastos em 1918 como "diversas nuvens estranhas e impressionantes — longas e graciosas fitas brancas em laços". E acrescentou que nunca havia visto antes "um avião escrevendo em branco sobre a lousa azul do céu".

À medida que a jovem indústria da aviação amadurecia e se expandia pelos céus, os rastos de nuvens se tornaram uma visão cada vez mais comum. Sua presença chamativa despertou a atenção de muitas pessoas — e até gerou a crença, surpreendentemente comum, numa teoria da conspiração sobre os rastos deixados pelos aviões. Mas a real preocupação dos cientistas é o seu impacto climático.

As 'trilhas de condensação'
Após as primeiras observações no início do século 20, a causa exata dos rastos de nuvens deixados pelos aviões foi motivo de debate por décadas, segundo Ulrich Schumann, professor de física atmosférica do Centro Aeroespacial Alemão (DLR, na sigla em alemão).

As primeiras teorias propuseram que os rastos seriam vibrações do motor do avião ou efeitos de cargas elétricas. Outros imaginaram se elas ocorreriam devido ao vapor d'água supersaturado, mas isso foi descartado porque se acreditava que a quantidade de vapor emitida seria insuficiente.

Descobrir as causas dos rastos dos aviões não foi uma grande preocupação até a Segunda Guerra Mundial, quando eles foram considerados um problema pela primeira vez.

"Eles [os rastos] revelam a posição das aeronaves. Você pode ver o rastro de um avião durante o voo", afirma Schumann. "Por isso, durante a Segunda Guerra Mundial, os militares tentaram evitar os rastos de nuvens porque queriam impedir a visibilidade das suas aeronaves."

As primeiras explicações corretas sobre a formação dessas nuvens foram elaboradas no início dos anos 1940 e 50. Foi quando surgiu o que agora é conhecido como critério de Schmidt-Appleman, que demonstra que as condições para formação dependem da pressão ambiente, da humidade e da relação entre a água e o calor liberados pelo avião.

Em resumo, os rastos dos aviões — chamados em inglês de contrails, abreviação de "trilhas de condensação" — são nuvens de partículas de gelo em formato linear que se formam depois da passagem das aeronaves. Eles podem ter de 100 metros a vários quilómetros de comprimento.

Três coisas são necessárias para que os rastos se formem: vapor d'água, ar frio e partículas sobre as quais o vapor d'água possa condensar-se.

O vapor d'água é produzido pelos aviões quando o hidrogénio do combustível reage com o oxigênio do ar. Em condições frias (tipicamente, abaixo de cerca de -40 °C), ele pode condensar-se, normalmente sobre as partículas de fuligem também emitidas pelos motores das aeronaves, numa nuvem de gotículas que se congelam para formar partículas de gelo.

De forma geral, o processo relembra o congelamento da respiração em um dia frio de inverno, segundo Schumann.

Nem todas as aeronaves produzem rastos de nuvens. Estima-se que eles ocorram em cerca de 18% dos voos. É preciso que o ar esteja suficientemente frio para que a água congele e, por isso, eles normalmente aparecem apenas acima de certas altitudes — tipicamente, 6 km, ou 20 mil pés.

E a quantidade de voos que produz os rastos de nuvens mais persistentes é ainda menor. Quando o ar é limpo e sem nuvens, os rastos desaparecem rapidamente, pois o ar seco ambiente causa a sublimação das partículas de gelo (elas passam do estado sólido diretamente para o gasoso).

Mas se a atmosfera estiver húmida, as partículas de gelo não conseguem sublimar-se e os rastos podem durar por muito mais tempo.

"Os rastos podem durar apenas alguns minutos se o ar à sua volta for seco, mas, quando for húmido, eles podem persistir e espalhar-se para aumentar a formação de cirros", afirma Tim Johnson, diretor da organização sem fins lucrativos Aviation Environment Federation (AEF), com sede no Reino Unido.

Ele acrescenta que isso é importante porque os rastos de nuvens e o aumento da captura do calor irradiado pela Terra nas nuvens contribuem com o aquecimento do nosso planeta. E esse aquecimento é somado ao outro importante impacto climático da aviação — o CO2 lançado em imensas quantidades pelo escapamento dos aviões, que representa cerca de 2,5% das emissões globais de gás carbônico.

Mas o impacto climático dos rastos dos aviões é muito mais complicado que o das emissões de CO2

O efeito sobre o aquecimento global
Nos anos 1960, começaram a surgir os primeiros estudos observando que os rastos dos aviões poderiam ter um efeito sobre a Terra, mas de resfriamento, segundo Schumann.

Isso ocorre porque o tom de branco das nuvens induzidas pelos rastos dos aviões reflete a luz solar para longe da superfície da Terra durante o dia, de forma similar aos cirros, que são nuvens naturais também compostas de cristais de gelo.

Mas os cientistas logo perceberam que os rastos de nuvens dos aviões também podem ter efeito de aquecimento da Terra, por meio de um efeito "estufa" de captura da luz infravermelha. "Eles capturam o calor emitido pela superfície da Terra e emitem parte dele de volta para a superfície", afirma Schumann.

Este processo é similar à forma como os céus nublados produzem nuvens mais quentes.

Dependendo das condições exatas, um desses efeitos opostos pode sair vencedor. Rastos de nuvens formados sobre um cenário coberto de neve, por exemplo, não aumentam o resfriamento com a reflexão da luz solar, pois a superfície já é branca e refletora. Os rastos dos aviões também aquecem mais à noite, pois não há luz solar para ser refletida por eles. Por isso, o único efeito que ocorre é o de aquecimento.

Tudo isso, aliado à dificuldade de compreensão das condições atmosféricas exatas que formam os rastos dos aviões e a sua diferenciação dos cirros naturais depois que eles se espalham pelo céu, faz com que a definição de números exatos sobre o impacto climático dos rastos de nuvens dos aviões seja algo complicado.

Mas a compreensão atual é de que "em média, em todos os países do mundo, ao longo de um ano, os rastos dos aviões aquecem", segundo Schumann.

O último estudo importante sobre o impacto climático dos rastos de nuvens, publicado em 2020, estimou que os impactos da aviação não relacionados ao CO2 — basicamente, os rastos de nuvens — triplicam a "promoção radiativa" das emissões de CO2 isoladamente.

De certa forma, esta é uma comparação capciosa, já que os efeitos de aquecimento dos rastos dos aviões e do CO2 ocorrem em horizontes temporais muito diferentes. "Os rastos de nuvens têm um esforço promotor muito forte, muito mais forte que o CO2. Mas os rastos têm vida curta e desaparecem após cerca de uma hora. Já o CO2 permanece por muito tempo — ele pode permanecer por 100 anos", explica Schumann.

A solução
Ainda assim, os cientistas alertaram que o efeito de captura de calor dos rastos de nuvens poderá triplicar até 2050, se nenhuma medida for tomada.

A boa notícia é que esta pode ser, na verdade, uma ação razoavelmente simples. Pesquisadores demonstraram que apenas 2,2% dos voos contribuem com 80% dessa promoção e ajustes relativamente pequenos das altitudes desses voos — com baixo custo de combustível — poderão reduzir enormemente o efeito de aquecimento dos rastos de nuvens.

Pesquisas indicaram ainda que a formação de rastos de nuvens pode também ser reduzida diminuindo-se a quantidade de partículas de fuligem emitidas pelos voos, pois elas fornecem os núcleos onde se formam os cristais de gelo.

Evitar voar através de ar muito úmido, onde podem formar-se rastos de nuvens persistentes, é a medida mais importante neste processo, segundo Schumann, passando-se a voar acima, abaixo ou em volta dessas regiões. Mas ele afirma que são necessárias melhores previsões do tempo para possibilitar esta medida.

"As previsões meteorológicas que temos hoje em dia não são suficientemente precisas para este propósito", segundo ele.

Em carta à revista Nature em 2021, dois pesquisadores argumentaram que o ajuste das altitudes de voo para minimizar a formação de rastos de nuvens poderá ser uma das medidas climáticas mais económicas que podem ser tomadas.

Eles calculam que evitar os rastos de nuvens mais prejudiciais custaria US$ 1 bilião (cerca de R$ 5,1 biliões) por ano, com benefício de mais de mil vezes este valor. "Não conhecemos nenhum investimento climático comparável com probabilidade tão alta de sucesso", escreveram eles.

Mas, embora os governos reconheçam os desafios climáticos impostos pelos rastos dos aviões, poucas ações políticas foram tomadas até agora, segundo Tim Johnson.

"Todos os objetivos climáticos definidos para o setor pela indústria, pelos países e pelas Nações Unidas referem-se apenas ao CO2", explica ele. "O debate sobre a incerteza científica e medições apropriadas é frequentemente mencionado como razão para dedicar maiores pesquisas em vez de ações."

No Reino Unido, os consultores governamentais sobre mudanças climáticas afirmaram que efeitos não relativos ao CO2, como os dos rastos de nuvens dos aviões, precisam ser objeto de maior atenção.

Observar esses efeitos agora é essencial, especialmente considerando como as tecnologias do futuro, como o hidrogénio, podem reduzir as emissões do setor, segundo Johnson.

A teoria da conspiração
Apesar das complicações, os impactos de aquecimento e resfriamento dos rastos de nuvens são bem estabelecidos dentro da ciência.

Mas essas linhas finas que pairam acima de nós no céu também inspiraram uma teoria que não é sustentada pela ciência: que elas são rastos de substâncias químicas tóxicas pulverizadas de forma intencional na atmosfera por dezenas de milhares de aeronaves comerciais.

"As pessoas que acreditam na teoria da conspiração acham que os rastos de nuvens dos aviões são pulverizados deliberadamente para fins malignos", afirma Amy Bruckman, pesquisadora de computação social do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos. Em 2021, Bruckman foi uma das autoras de um estudo observando como as pessoas passaram a acreditar na teoria da conspiração dos rastos de nuvens dos aviões.

"Elas têm diferentes opiniões sobre os seus propósitos. Alguns acreditam que seja controle populacional ou controle da mente", segundo ela. "Diversas pessoas acreditam que seus problemas de saúde são causados pela pulverização."

A teoria da conspiração dos rastos de nuvens dos aviões é uma crença inacreditavelmente disseminada. Uma pesquisa concluiu em 2016 que 10% dos americanos acreditam que a teoria da conspiração é "totalmente verdadeira", enquanto outros 20-30% a consideram "um pouco" verdadeira.

A crença não apresenta divisões entre filiações partidárias e, ao contrário de outras teorias da conspiração, homens e mulheres parecem acreditar igualmente nos rastos dos aviões, segundo Bruckman.

No Reino Unido, os rastos de nuvens deixados pelos aviões viraram tendência nas redes sociais por diversas vezes no último verão do hemisfério norte. O site de verificação Full Fact desmente regularmente fotos e outras afirmações sobre supostos rastos de nuvens.

A crença, muitas vezes, é relacionada a preocupações de que os governos ou as empresas estão implementando modificações climáticas secretas em larga escala. Cerca de 61% das postagens em inglês nas redes sociais sobre geoengenharia entre 2008 e 2017 estavam relacionadas à teoria da conspiração dos rastos dos aviões.

Defensores da geoengenharia solar queixam-se de que a teoria da conspiração é tão grande que prejudica o debate público real sobre a geoengenharia.

A teoria da conspiração dos rastos de nuvens dos aviões começou nos anos 1990, mas irrompeu de forma generalizada no início dos anos 2000, quando se espalhou pela internet.

"Em 2001, muitas pessoas falavam sobre os rastos dos aviões, eles apareceram de repente", afirma Schumann. Ele ressalta que a teoria é "totalmente ilógica". Seu instituto mede as emissões causadas pelas aeronaves e não encontrou nenhuma substância química artificial.

"Tudo são coisas que você compreende facilmente a partir da combustão de querosene", segundo ele. "Não há nenhuma evidência de que existam rastos químicos."

Mas estas provas são regularmente desmentidas pelos teóricos da conspiração. Um colega de Schumann que citou seu trabalho para alguém que acreditava nos rastos químicos ouviu rapidamente que Ulrich Schumann era um "cientista inventado" que não existe — segundo o relato do próprio Schumann.

Não é difícil entender por que as pessoas vêm refletindo sobre o efeito dessas linhas finas feitas pelo homem no céu há mais de um século. Mas a necessidade real agora é concentrar-nos na sua melhor compreensão e na tomada de ações sobre os seus impactos climáticos.

Jocelyn Timperley é jornalista sênior da BBC Future. Sua conta no Twitter é @jloistf.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

The nuclearization of space


By Karl Grossman

“BACK TO THE FUTURE NASA’S NEW NUCLEAR VISION” was the headline emblazoned on the cover of the May 3-16, 2021 edition of the leading U.S. aerospace trade publication, Aviation Week & Space Technology.

“More than sixty years after the U.S. began serious studies into nuclear propulsion for space travel, NASA is taking the first steps on a new path to develop nuclear-powered engines for crewed missions to Mars by the end of the next decade,” it began.

“Nuclear enabled space vehicles would allow NASA to keep the round-trip crewed Mars mission duration to about two years, versus more than three years with the best chemical rockets and even longer with solar electric propulsion,” the extensive five-page piece declared.

Also, it said, “other factors strengthening the case for nuclear power include growing interest from the Defense Department in using the technology to extend operational capability in space.”

Further, nuclear power—either through nuclear thermal propulsion (NTP) or nuclear electric propulsion (NEP)—would “provide power for future crewed and robotic deep-space exploration missions as well as faster, more responsive resupply flights to lunar and Martian outposts.”

The article was accompanied by a two-page addition providing a military link. “Draco Embarks on Quest To Revive Nuclear Space Propulsion,” was the headline of this piece. Draco stands for “Demonstration Rocket for Agile Cislunar Operations.” It’s a program of the Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA), a U.S. Department of Defense agency that develops technologies for the military.

Space News, another major U.S. aerospace publication, two weeks later ran a two-page piece headlined: “America’s future in space is nuclear.”

Authored by John M. Horack, the Neil Armstrong Chair in Aerospace Policy at Ohio State University, he previously worked for almost two decades at NASA and led the Science and Mission Systems Office at NASA’s Space Flight Center.

Horack wrote: “Today, we have a unique opportunity to make the entire solar system—including the strategically vital regions of space surrounding the Earth and the moon—more accessible, through investments in advanced propulsion systems…Nuclear thermal propulsion is the most promising technology to accomplish these goals.” It “will enable the U.S. to ‘sail’ the ocean of space with greater efficiency, capability, and autonomy, thereby exercising and helping secure our leadership position in civil and national security spaceflight activities.”

These are “dangerous plans for full-blown nukes in space,” declares Bruce Gagnon, coordinator of the Global Network Against Weapons and Nuclear Power in Space.

They translate to “high-risk for those of us on Earth below as nuclear reactors are launched on rockets that blow up from time to time,” said Gagnon. Moreover, although there are no cost estimates included in any of the trade journal pieces, Gagnon asks: “Where will those funds come from? Maybe from the budget that helps deal with our current climate crisis here on Mother Earth.”

Established in 1992, the Global Network, based in Maine, is the leading group internationally challenging the use of nuclear power in space.

The “BACK TO THE FUTURE” reference in the main Aviation Week & Space Technology article refers to, as it notes, how “the new program will also leverage knowledge gained as far back as the 1955-73 Atomic Energy Commission’s Project Rover and 1961-73 NASA Nuclear Engine for Rocket Vehicle Application program.” These projects “were canceled as funding priorities shifted.”

“The benefits of space nuclear propulsion are as attractive as the challenges are daunting,” said the piece. “Although offering faster trip times…the practicality of integrating a fission reactor into a viable propulsion system will require significant technological advances, particularly in materials in fuel. The solid core reactor—the configuration most likely to be used in near-term NTP designs—can create much higher temperatures than conventional materials can withstand. Additionally, fuel coatings can crack because of large temperature variations along fuel rods, lowering performance.”

“So,” asks the piece, “with these ever-prevent challenges still an obstacle, is NASA’s new nuclear space plan more realistic than previous attempts?”

In response, it quotes Anthony Calomino, whom it identifies as nuclear technology portfolio lead in NASA’s Space Technology Mission Directorate, saying: “The need case for the technology has changed in the last few decades, particularly with NASA’s focus on developing the capabilities for Mars missions.”
The additional piece with the military link starts off: “A nebulously named ‘Deterrence Layer’ is on the drawing board for the National Defense Space Architecture, and that could mean the return of a functioning U.S. operated, nuclear-powered satellite in orbit by 2025 for the first time in 60 years.”

“The idea of nuclear-powered space flight by the military is hardly original to Draco,” it states. “The U.S. Air Force operated the 950-lb. Systems for Nuclear Auxiliary Power (SNAP-10A) satellite which used an onboard nuclear reactor to generate at least 500 watts of electricity for 43 days in 1965 until the failure of a nonpropulsive component. Although no longer in service, the SNAP-10A reactor is expected to remain in orbit for the next 3,000 years.” SNAP-10A was fueled with uranium.

Not mentioned by Aviation Week & Space Technology was an accident the year earlier—involving a radioisotope thermoelectric generator, SNAP-9A, not a reactor but a device utilizing heat from the breakdown of plutonium to produce electricity. The satellite on which it was to provide power failed to attain orbit and crashed back into the atmosphere, the plutonium in SNAP-9A dispersing and spreading widely on Earth.

Dr. John Gofman, an M.D. and Ph.D. involved in the isolation of plutonium during the Manhattan Project and long a professor of medical physics at the University of California at Berkeley, connected the SNAP-9A accident with a spike in lung cancer on Earth.

The article went on: “Twenty years after the launch of SNAP-10A, the Strategic Defense Initiative revived the nuclear-powered rocket concept as a proposal for the upper stage of a boost-phase intercept that would shoot down intercontinental ballistic missiles over the Soviet Union from Alaska. As the Cold War ended, the so-called Timberwind project was transferred to the Air Force to pursue as a science experiment, but it was cancelled in 1994 before a reactor could be tested.”

The article also declares: “Concerns about launching a nuclear reactor into space have persisted for decades.”

A NASA webinar on U.S. space nuclear plans was held earlier this year, relates Gagnon, which emphasized how the U.S. is moving ahead with not only schemes for nuclear propulsion in space but for plans for “full nuclearization” of colonies on the moon, Mars “and in other planetary colonization.”

The public relations slogan being advanced, Gagnon said, was that the space nuclear activities would be “’clean and reliable.’ That’s a laugh. Say it often enough and the public might begin to believe it.”

Gagnon said the nuclear reactors for placement on the moon were described in the NASA webinar as having a “10-year life-cycle, which would mean frequent launches of these nuclear reactors.” And, he noted, one out of 100 rocket launches have historically resulted in a major malfunction, usually the rocket blowing up.

Further, nuclear operations on the moon were described as “working out the kinks for the Mars missions.” Said Gagnon: “So it is more than clear that this entire program is one very dangerous experiment.”

Meanwhile, continued Gagnon, “Little is said about the national Department of Energy nuclear labs where they fabricate space nuclear devices. Over the years we’ve learned that these labs have a long and dirty track record of accidental worker and local water/air contamination of uranium and plutonium.

“The nuclear industry clearly is interested in hitching a ride,” said Gagnon, “as it eyes the opportunity to put its toxic product on the moon, Mars and on rockets to the red planet. The DoE and NASA plan to cut as many corners as possible on testing and funding and lessen public scrutiny of these deadly projects. For those of us who have been tracking the nuclear space industry for many years, the alarm bells are clanging in our ears. It would be the right time for inquiring people to raise questions, challenge untested assumptions, and warn an unsuspecting public about the dangers of the nuclearization of the heavens.”

The SNAP-9A and SNAP-10 space mishaps spurred NASA in pioneering solar power for satellites. Now, all satellites utilize solar energy as does the International Space Station.

But despite claiming for decades that nuclear power was needed for space probes, NASA used three solar photovoltaic panels on its Juno space probe, which in 2016 reached Jupiter. Juno is still up there, orbiting and studying the solar system’s largest planet, at which sunlight is a hundredth of what it is on Earth.

There have been studies and articles through the years pointing to solar power as an energy source for moon and Mars colonies including a piece in Universe Today headed “Solar Power Is Best for Mars Colonies.”

And a Discover magazine piece, “How to Harvest Terawatts of Solar Power on the Moon,” spoke of the Japanese corporation, Shimizu, “gearing up to develop solar power on the moon.” The “photovoltaic cells themselves could be tissue thin, since the moon has no weather or air,” said the article, “and half of the moon is in sunlight at any one time.” Indeed, said the article, a huge amount of solar power energy could be generated on the moon and be beamed back to Earth.

Karl Grossman is professor of journalism at State University of New York/College at Old Westbury, and is the author of the book, The Wrong Stuff: The Space’s Program’s Nuclear Threat to Our Planet, and the Beyond Nuclear handbook, The U.S. Space Force and the dangers of nuclear power and nuclear war in space. Grossman is a board member of Beyond Nuclear and an associate of the media watch group Fairness and Accuracy in Reporting (FAIR). He is a contributor to Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion.