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sábado, 10 de outubro de 2026

O Boicote à agressividade digital: por que devemos tirar o palco à provocação nos Media


A praça pública digital virou palco de uma agressividade orquestrada: figuras como Joaquim Vieira ou Henrique Raposo vivem da provocação barata, confundindo truculência com coragem intelectual. Sentindo-se impunes, assumem uma atitude de vigilância ideológica e atuam como puros arrivistas, invadindo ativamente as publicações de terceiros para atacar, caluniar e alimentar o próprio ego à custa do espaço alheio. O objetivo é claro: procurar a paralisia, o desgaste e a intimidação psicológica de quem defende valores humanistas, recuperando táticas que evocam o passado autoritário e pidesco.

Contudo, este espetáculo só subsiste enquanto lhe dermos palco e audiência. O fim deste assédio começa no momento em que cortamos o acesso e boicotamos os canais que os sustentam e financiam. Há muito tempo que cancelei a assinatura digital do Público e rejeito assinar o Observador, recusando alimentar uma máquina que vive da indignação calculada, de constante desinformação, terror psicológico, ataques ad hominem e promovem o discurso neossalazarista e alt-right portuguesa.

Para que estes intervenientes fiquem remetidos ao seu próprio ecossistema, o boicote tem de se estender aos ecossistemas televisivos. Ao recusar assistir e ao desligar a emissão sempre que surgem nos canais de informação, baixamos as suas audiências e cortamos a sua relevância. 

Figuras e Comentadores da Direita e Combate Cultural no Panorama Mediático Português
Esta síntese organiza as principais figuras e comentadores do espectro da direita e do combate cultural em Portugal, agrupados pelo perfil, formato e tom de intervenção televisiva e mediática.

1. Formatos Solo e sem Contraditório Direto
Espaços de intervenção individual em canal aberto, programas próprios ou plataformas digitais onde o comentador expõe a sua análise política e económica sem debate ou oposição direta em estúdio:
  • Luís Marques Mendes (SIC) -  Análise política de fundo aos domingos em horário nobre, representativa da direita tradicional e institucional.
  • Paulo Portas (TVI / CNN Portugal) - Espaço semanal solo de análise geopolítica e política nacional com viés centro-direita.
  • Camilo Lourenço (A Cor do Dinheiro / Colunista do Observador) - Comentário diário no digital e colunas de opinião com forte foco na análise económica e crítica governamental.
  • Alberto Gonçalves (Podcast / Observador) - Espaço de intervenção focado na crítica incisiva ao politicamente correto, causas progressistas e políticas de esquerda.
  • José Gomes Ferreira (SIC Notícias) - Análise económica e financeira em canal de informação com estilo interventivo e de denúncia individual.
2. Doutrinadores e Colunistas da Direita Conservadora / Tradicional
Figuras de fundo ideológico e histórico que operam no jornalismo de opinião, em ensaios de combate cultural ou em espaços de comentário reflexivo:
  • Jaime Nogueira Pinto (Observador / Antena 1 / Participações televisivas) — Representante histórico do pensamento reacionário e conservador, com origens ideológicas na direita pré-25 de Abril; atua como referência doutrinária em análises de fundo, geopolítica e artigos de opinião.
  • Helena Matos (CNN Portugal) — Intervenção incisiva com foco no combate cultural e crítica ao ativismo progressista.
  • João Miguel Tavares (SIC Notícias / Podcast Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer) - É uma das vozes mais ativas na crítica ao que define como obsessão da esquerda pelas questões de identidade (género, raça, linguagem inclusiva), traduzindo para o grande público a rejeição conservadora a essas causas.
  • Miguel Pinheiro (RTP3 e Rádio Observador)- ao contrário do tom inflamado de outros comentadores, adota um registo sóbrio e pedagógico. Isso traduz uma estratégia de legitimação: faz com que a leitura de direita da realidade pareça a única leitura tecnicamente rigorosa e lógica.
  • Rui Ramos (Observador / Programas de História e análise política) — Análise histórica e política sob uma perspetiva conservadora.
  • José Manuel Fernandes (Observador / Comentário pontual de linha editorial)
3. Comentadores Fixos e de Debate nos Canais de Informação
Intervenientes com presença regular em painéis de debate na CNN Portugal, SIC Notícias e RTP3:
  • Sérgio Sousa Pinto (CNN Portugal) — Focado com frequência na crítica às causas ditas "woke", ao politicamente correto e ao ativismo progressista.
  • Sebastião Bugalho (SIC Notícias / Ex-CNN Portugal) - A juvenilização e o combate dinâmico da nova direita de poder
  • Miguel Morgado (SIC Notícias / CNN Portugal) - É uma das vozes mais articuladas na denúncia daquilo que considera ser o "domínio cultural" da esquerda e na defesa da herança do passismo/liberalismo económico.
  • Cecília Meireles (SIC Notícias) - Com origem no CDS-PP (ala liberal/centrista), traduz uma direita de tom calmo, institucional e focado na economia real, fiscalidade e funcionamento das empresas.
  • Rodrigo Moita de Deus (CNN Portugal / RTP) - A comunicação estratégica, a provocação e a estética liberal-conservadora. O "spin" e a linguagem de redes sociais: com fundo ligado ao marketing e à comunicação, traduz a transformação do comentário político em provocação conceptual.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Jerry Seinfeld, Extrema-Direita e o Limite do Humor: A Democracia sob Ameaça


No  𝑫𝒊𝒂 𝑰𝒏𝒕𝒆𝒓𝒏𝒂𝒄𝒊𝒐𝒏𝒂𝒍 𝒅𝒂 𝑫𝒆𝒎𝒐𝒄𝒓𝒂𝒄𝒊𝒂 relembro que apenas 6,6% da população mundial vive em verdadeira democracia. E isto exige uma enorme e profunda reflexão. Peguemos no case-study actual de Jerrey Seinfeld. Em setembro de 2025, durante uma aparição surpresa na Universidade Duke para apresentar Omer Shem Tov - um refém israelita libertado pelo Hamas , Jerry Seinfeld fez declarações diretas comparando o movimento Free Palestine à organização supremacista branca Ku Klux Klan (KKK). 

E assim solidificou a transição de Seinfeld de um comediante famoso pelo humor neutro e apolítico para uma das figuras mais polarizadoras e ativas no debate sobre o conflito no Médio Oriente. 
Para além deste discurso, outra interação gravada em vídeo meses antes (junho de 2026) alimentou a contestação dos ativistas. Quando abordado na rua por um transeunte que lhe pediu para dizer a frase "Free Palestine" (Palestina Livre), Seinfeld respondeu com um riso desdenhoso: "Haha. Isso não existe". 

Sim, o humor tem limites.

A direita e extrema-direita é tão nojenta que já cooptou temas defendidos ou explicitamente de esquerda: wokismo e apropriação cultural e até "pós-verdade" já foram utilizados e normalizados pela nossa extrema-direita. 

A extrema-direita não assimilou a essência do wokismo, mas percebeu que, para ter palco e viabilidade eleitoral, precisava de adotar a sua gramática e jogar com as mesmas regras.
É uma apropriação puramente tática do discurso. Conceitos como "liberdade de expressão", "diversidade" ou "combate à discriminação" são agora accionados para inverter a lógica da opressão, posicionando o conservadorismo como a nova identidade "perseguida" ou "cancelada" pela hegemonia cultural dominante.
Paralelamente, assiste-se à instrumentalização estratégica de causas sociais específicas - o que a sociologia apelida de homonacionalismo e feminacionalismo. Em vários países europeus, a defesa dos direitos das mulheres ou da comunidade LGBTQIA+ é puxada para a agenda não por convicção igualitária, mas como um trunfo político para rejeitar a imigração de matriz islâmica, apresentada como a verdadeira ameaça a esses valores.

Trata-se do clássico processo de normalização partidária (de-demonization): suavizar a estética e utilizar os códigos do mainstream corporativo e mediático para tornar a agenda viável, sem nunca alterar a sua substância.
 
Se uns acham que a extrema-esquerda parece o paladino de uma nova moralidade, a extrema-direita e o conservadorismo radical fazem exatamente a mesma coisa, só mudam o filtro moral.

Olhemos para movimentos como as "Mulheres Conservadoras" cá em Portugal ou a malta que quer proibir a educação sexual e cancelar tudo o que não encaixe na família tradicional. A lógica é rigorosamente a mesma: "nós somos os virtuosos, vocês são os degenerados e a sociedade tem de ser purgada". 

Concluo, por isso, reafirmando que a democracia não sobreviverá se aceitarmos o cinismo como norma ou a deslegitimação do outro como método. Se o humor perdeu a capacidade de rir de si mesmo para se transformar em dogmatismo político, e se a extrema-direita tenta monopolizar o debate moral impondo a sua própria agenda de cancelamento, a resposta da esquerda democrática não pode ser a retração.

Reclamar o espaço público para o debate fundamentado, a empatia e a justiça social é a única forma de evitar que os 6,6% de verdadeira democracia no mundo continuem a encolher. 

A liberdade não é um privilégio de quem grita mais alto ou de quem cancela melhor - é a garantia de que o debate sobre os direitos humanos continua vivo, urgente e inegociável.

terça-feira, 17 de março de 2026

"Trump is aiming for dictatorship". That’s the verdict of the world’s most credible democracy watchdog

The Gunman and the Would-Be Dictator [The Atlantic, July 14, 2024]

The US is no longer a democracy. One of the most credible global sources on the health of democratic nations now says this outright. The Varieties of Democracy (V-Dem) Institute at Gothenburg University reaches the alarming conclusion in its annual report, that the US is hurtling towards autocracy at a faster rate than Hungary and Turkey.

“Our data on the USA goes back to 1789. What we’re seeing now is the most severe magnitude of democratic backsliding ever in the country,” says Staffan Lindberg, founder of the institute.

Since 2012, Lindberg has led his small group of researchers in Sweden to become the world’s leading source for analysis of the health of global democracy. In their latest report, published on Tuesday, they conclude that the US, for the first time in more than half a century, has lost its long-term status as a liberal democracy. The country is now going through a rapid process of what the report’s authors call “autocratisation”.

“For Orbán in Hungary, it took about four years, for Vučić in Serbia, it took eight years, and for Erdoğan in Turkey and Modi in India, it took about 10 years to accomplish the suppression of democratic institutions that Trump has achieved in only one year,” Lindberg says.

US democracy is now back at the worst recorded level since 1965, when US civil rights laws first introduced de facto universal suffrage. All progress made since then has been erased, according to the report.

Worldwide, democracy has receded to its lowest levels since the mid-70s. “The world has never before seen as many countries autocratising at the same time,” Lindberg says.

A record 41% (3.4 billion) of the world’s population currently resides in countries where democracy is deteriorating, the report claims, adding that Washington is leading this global turn away from democracy.

The researchers use 48 different metrics to assess democratic health, such as the freedom of expression and the media, the quality of elections and the observance of the rule of law. The resulting “liberal democracy index” shows that the speed with which US democracy is being dismantled is unprecedented in modern history. The main factor is a “rapid and aggressive concentration of powers in the presidency”, Lindberg says. Congress has been marginalised, jeopardising the “checks and balances” (judicial and legislative constraints on the executive) so crucial to US democracy. At the same time, civil rights have been rapidly declining and freedom of expression is now at its lowest level since the 1940s.

“We’ve seen a very fast concentration of power in the executive wing. The legislative branch has practically abdicated its powers to the president. It no longer functions as a check on executive power,” Lindberg says.
Livro lançado em Setembro de 2020, pouco tempo antes de Joe Biden derrotar Donald Trump 1.0

In Donald Trump’s first year as president, he signed 225 executive orders, whereas the Republican-controlled Congress passed only 49 new laws. “Most of Trump’s executive orders were significant. He shut down entire departments of the government, firing hundreds of thousands of employees. The bills passed by Congress were mostly insignificant modifications to existing laws. So, we no longer have a meaningful division between the legislative and executive branches,” Lindberg says.

Congress has been marginalised and freedom of expression is at its lowest level since the 1940s
Meanwhile, the supreme court has also mostly abdicated power, and even when it does strike down Trump’s executive orders, he circumvents it, Lindberg tells me. He points out that there are more than 600 ongoing judicial procedures against the Trump administration in the courts.

Another aspect of America’s rapidly deteriorating democracy, according to the report, is the removal of internal guardrails that protect the federal government from abuse of power. When I ask Lindberg how we should read the findings, his response is emphatic. “Trump has fired inspector generals and higher levels of civil servants across departments, and replaced them with loyalists. This is exactly what Orbán and Erdoğan did. They remove the constraints on power. It should be obvious by now that Trump is aiming for dictatorship.”

So how did a small research institute in Gothenburg become such a credible source on the decline of democracy in Washington? When Lindberg, a soft-spoken political scientist, founded the V-Dem Institute in 2012, global democracy was near its historic peak.

“Back then, we were all researching the process of democratisation, and we were frustrated that the metrics weren’t good enough, so we wanted to create a credible global index that was relevant for the whole community of democracy researchers,” he says.

Five years later, when the institute published its first dataset of global democracy, its experts realised that things were rapidly going in the wrong direction. “Now, all of us researching democratisation have become researchers on autocratisation,” Lindberg says.

At the time, their reports were criticised for “exaggerating” the risks to global democratic stability. “We were called alarmists. But now our warnings seem justified,” Lindberg says.

The core group of a dozen researchers in Gothenburg works with 4,200 researchers in 180 countries, using what they claim to be the largest global dataset on democracy, with more than 32m data points for 202 countries and territories, spanning from 1789 to 2025. “We have universal standards, but also people on the ground to tell us what is actually going on. The reports are 100% scientific, research-driven, and our data is free from bias and state influence, from general punditry and political considerations.”

V-Dem’s report, titled Unravelling the Democratic Era?, should be required reading for Europe, where seven EU member states – Hungary, Greece, Croatia, Slovenia, Slovakia, Italy and Romania – are “affected by autocratisation”, amid signs of governments using media censorship, curbs on freedom of expression and repression of civil society. Portugal and Bulgaria have joined the institute’s “watchlist”.

The report identifies the UK as a “new autocratiser”, driven by “a substantial decline” in freedom of expression and the media. “In the UK, it began before Keir Starmer, with the Elections Act 2022, and the government expanding its power over electoral commissions,” Lindberg says. “The Policing Act 2022 decreased civil rights and free speech. The Online Safety Act 2023 was used to penalise online speech and lawsuits silencing journalists. The Higher Education (Freedom of Speech) Act 2023 increased demands on universities to monitor protests and police free speech. What’s worrying is that once the democratic backsliding begins, it’s often hard to stop.”.

Denmark, Sweden, Norway, Switzerland, Estonia and Ireland top V-Dem’s global democracy index for 2025. The efforts of others, including Poland, are highlighted for attempting to “U-turn” away from autocracy. But only 18 countries across the world are democratising, a historic low.

A single bright spot in the assessment of the US is that free and open elections are still being held, and the electoral system “remains stable for now”. But executive orders since Trump came to power point to new risks for the electoral system.

Threats to bureaucrats and poll workers administering elections are already alarming, Lindberg says. “We’ve seen media reports that 40% of election/poll workers have quit since 2020. And Trump never accepted his defeat then. Why would he accept a defeat now? If we see a denial of the election results in 2026, then it’s a complete democratic breakdown.”

A potential source of cautious optimism may be that Trump’s authoritarian turn is increasingly unpopular. His approval rating is now below 40%. Large numbers of Trump voters are deeply disappointed with the new war in Iran, and with steadily rising living costs. Many of the liberal states that have been Trump targets, such as Minnesota and California, have successfully fought back against threats to civil rights and local communities.

“We’re also seeing more criticism from within the Maga movement,” Lindberg says.

It would be naive, as the report warns, to think that European countries are immune to democratic decline, whatever happens in Washington. “It’s a global trend,” says Lindberg, “so it’s not just America that is driving this. Research clearly shows that the far right, once they gain power, have a high probability of dismantling democratic institutions.” [ Anne Applebaum expert on dictators warns: Don't lose hope - that's what they want]


In many countries across Europe, voters are now mobilising to elect their own versions of Trump, despite the administration’s open threats to the continent and its persistent support for extremist parties that undermine European stability. Establishment conservatives are following along, hoping against reason that things will somehow work out better this time than in previous eras of authoritarian rule. With stark numbers and crystal-clear language, the V-Dem report underscores the risks of this path.




sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Documentário: The Epstein Files and the 100 Most Powerful Figures


This documentary examines publicly released records related to the Jeffrey Epstein case using primary documents and verified reporting.

Sources include:
  1. U.S. Department of Justice releases (Jan–Feb 2026)
  2. Unsealed federal court filings (SDNY; U.S. Virgin Islands)
  3. Congressional statements (Feb 10, 2026)
  4. Reporting from BBC, Reuters, AP, and The New York Times ...
  5. The film analyzes how names appear in official materials such as flight logs, depositions, correspondence, and contact records.
This work focuses on evidentiary clarity — not speculation.

Legal Protection & Standards

This content is protected under:
  1. First Amendment free speech protections
  2. Public Record Doctrine (FOIA; federal transparency rules)
  3. Fair Use (17 U.S.C. §107) for news reporting, commentary, and education
  4. Public Figure Doctrine (New York Times v. Sullivan, 1964)
Supported by Supreme Court precedent including:
  1. Bartnicki v. Vopper (2001)
  2. Cox Broadcasting v. Cohn (1975)
  3. Florida Star v. B.J.F. (1989)
All individuals discussed are presumed innocent unless legally convicted.

Editorial Standards
This documentary distinguishes between:
✓ Documented fact (name appearing in records)
✓ Reported public outcome (resignation, investigation)
✓ Analytical commentary

It does not make criminal accusations.

Purpose
This film exists for:Historical documentation
  1. Legal literacy
  2. Public record clarification
  3. Educational analysis
  4. It is not intended to defame, accuse, or sensationalize.
The list above contains only billionaires, powerful politicians, or royalty.
✅ CLEARED IMPACT
Evidence shows they never engaged with Epstein or successfully avoided his approaches. Their reputation remains intact or even improved.
⚪ NO IMPACT
Found only in Epstein's surveillance files monitoring them without their knowledge. No actual contact, no consequences.
🟢 MINIMAL IMPACT
Brief mentions in address books or attendance at large public events. Easily explained as coincidental proximity. Media attention fades quickly.
🟡 MODERATE IMPACT
Notable PR challenges requiring public statements. Media coverage and online discussions continue, but no legal consequences or job losses.
🟠 SERIOUS IMPACT
Active investigations or lawsuits underway. Significant professional pressure with outcomes still uncertain. Career stability at risk but position maintained.
🔴 CRITICAL IMPACT
Resignations occurring or expected soon. Official investigations opened. Career significantly damaged with institutional relationships strained.
⚫ CATASTROPHIC IMPACT
Complete career ruin. Federal prosecution proceedings, permanent professional exclusions, or total institutional separation with no realistic path forward.

IMPORTANT NOTE: According to the U.S. Department of Justice, none of the individuals listed have been convicted or found guilty. The DOJ’s investigative process remains ongoing.

Note (4:40): 
(49) Sergei Belyakov served as Former Deputy Minister of Economic Development of Russia. 
(50) Al Gore served as Vice President of the United States from 1993 to 2001.
The on-screen labels were blurred due to a rendering error.

Trump was initially placed in the serious impact level, but after considering his history of navigating multiple controversies simultaneously, I moved him to moderate. Similar to Mark Zuckerberg, he has demonstrated a strong ability to manage legal and media challenges. In general, billionaires often have a higher chance of surviving media impact than politicians, since politicians depend more heavily on public legitimacy.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

A Liberdade não se canta: vive-se!


A Liberdade é Acção  
"Os pássaros domesticados cantam sobre a liberdade. Pássaros selvagens voam." - John Lennon

Introdução
Esta breve citação encerra uma reflexão profunda sobre a forma como compreendemos e praticamos a liberdade. No seu aparente contraste simples — cantar versus voar — está implícita uma crítica poderosa aos discursos que exaltam a liberdade sem a concretizar. Este pensamento é particularmente pertinente quando analisado à luz da educação, da ecologia e da sociedade contemporânea.

Educação: ensinar a cantar ou aprender a voar?
Grande parte dos sistemas educativos afirma formar cidadãos críticos, autónomos e livres. Contudo, na prática, muitos continuam assentes em modelos de padronização, obediência e reprodução de conteúdos. Neste contexto, os estudantes tornam‑se “pássaros domesticados”: aprendem o vocabulário da liberdade, do pensamento crítico e da cidadania, mas raramente dispõem de espaço real para questionar, experimentar ou errar.

Uma educação verdadeiramente emancipadora não se limita a falar de autonomia — cria condições para que ela seja vivida. Voar, aqui, significa permitir escolhas, fomentar a curiosidade, aceitar a diversidade de percursos e reconhecer o erro como parte essencial da aprendizagem. Como defendia Paulo Freire, não há educação neutra: ou ela domestica, ou liberta.

Ecologia: discursos verdes em gaiolas douradas
No campo da ecologia, a metáfora de Lennon ganha uma força ainda mais evidente. Nunca se falou tanto de sustentabilidade, biodiversidade e proteção ambiental. No entanto, a degradação dos ecossistemas continua a acelerar. Multiplicam‑se os discursos “verdes”, mas persistem práticas económicas e políticas que mantêm a natureza confinada a uma lógica de exploração.

Cantar sobre a liberdade da natureza traduz‑se em campanhas, relatórios e compromissos internacionais; permitir que os pássaros voem implica respeitar os limites ecológicos do planeta, restaurar ecossistemas e aceitar que nem tudo pode — ou deve — ser controlado.

Uma ecologia autêntica não é apenas declarativa. É prática, ética e relacional. Reconhece que a natureza não precisa apenas de proteção, mas de autonomia funcional.

Sociedade contemporânea: a ilusão da liberdade
Vivemos numa sociedade que se apresenta como livre, aberta e plural. Contudo, muitos dos nossos comportamentos são moldados por algoritmos, padrões de consumo, pressões sociais e medo da exclusão. Fala‑se muito de liberdade de escolha, mas as escolhas são frequentemente condicionadas.

Os “pássaros domesticados” da contemporaneidade repetem discursos de liberdade enquanto permanecem presos a rotinas e expectativas impostas. Já os “pássaros selvagens” são aqueles que ousam questionar, desacelerar, resistir à normalização e viver com coerência entre valores e ações.

Voar, neste contexto, implica responsabilidade, consciência crítica e, muitas vezes, desconforto.

Conclusão: da retórica à prática
A citação de John Lennon lembra‑nos que a liberdade não se esgota na palavra. É uma experiência vivida, construída diariamente nas escolhas individuais e colectivas.

Na educação, na ecologia e na sociedade, o desafio é o mesmo: deixar de apenas cantar sobre a liberdade e criar condições reais para que ela exista. Porque, no fim, não é o canto que transforma o mundo — é o voo.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

The Stone Roses - She Bangs the Drums


She Bangs The Drums
The Stone Roses

can feel the earth begin to move
I hear my needle hit the groove
And spiral through another day
I hear my song begin to say
Kiss me where the sun don't shine
The past was yours
But the future's mine
You're all out of time

I don't feel too steady on my feet
I feel hollow I feel weak
Passion fruit and holy bread
Fill my guts and ease my head
Through the early morning sun
I can see her here she comes

She bangs the drums

Have you seen her have you heard
The way she plays there are no words
To describe the way I feel

How could it ever come to pass
She'll be the first she'll be the last
To describe the way I feel
The way I feel

Have you seen her have you heard
The way she plays there are no words
To describe the way I feel

How could it ever come to pass
She'll be the first she'll be the last
To describe the way I feel
The way I feel

Have you seen her have you heard
The way she plays there are no words
To describe the way I feel

How could it ever come to pass
She'll be the first she'll be the last
To describe the way I feel
The way I feel

Em “She Bangs The Drums”, do The Stone Roses, a frase “O passado foi seu, mas o futuro é meu” expressa a confiança e o desejo de renovação que marcaram a banda e o movimento Madchester no final dos anos 1980. Essa linha mostra uma geração que quer se desvincular do passado e construir algo novo, refletindo o espírito de ambição e mudança da época.

A repetição do verso “She bangs the drums” serve como uma metáfora central. Ela pode ser interpretada tanto como uma homenagem a uma mulher inspiradora quanto como uma referência à energia contagiante da música e à cultura dos clubes, onde a batida era fundamental para a experiência coletiva. A letra mistura sensações físicas e emocionais, como em “I don't feel too steady on my feet / I feel hollow I feel weak” (Não me sinto muito firme nos pés / Me sinto vazio, me sinto fraco), sugerindo o impacto intenso de uma paixão ou de um momento de êxtase musical. Trechos como “Kiss me where the sun don't shine” (Me beije onde o sol não brilha) trazem irreverência, enquanto “Passion fruit and holy bread / Fill my guts and ease my head” (Maracujá e pão sagrado / Enchem meu estômago e acalmam minha mente) misturam sensualidade e espiritualidade. Assim, a música se destaca como uma celebração da juventude, da liberdade e do poder transformador da música.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Freedom of the Press Worldwide 2025


The ongoing wave of media shutdowns
  1. According to data collected by RSF for the 2025 World Press Freedom Index, in 160 out of the 180 countries assessed, media outlets achieve financial stability “with difficulty” — or “not at all.”
  2. Worse, news outlets are shutting down due to economic hardship in nearly a third of countries globally. This is the case in the United States (57th, down 2 places) Tunisia (129th, down 11 places) and Argentina (87th, down 21 places).
  3. The situation in Palestine (163rd) is disastrous. In Gaza, the Israeli army has destroyed newsrooms, killed nearly 200 journalists and imposed a total blockade on the strip for over 18 months. In Haiti (112th, down 18 places), the lack of political stability has also plunged the media economy into chaos.
  4. Even relatively well-ranked countries such as South Africa (27th) and New Zealand (16th) are not immune to such challenges.
  5. Thirty-four countries stand out for the mass closures of their media outlets, which has led to the exile of journalists in recent years. This is especially true in Nicaragua (172nd, down 9 places), Belarus (166th), Iran (176th), Myanmar (169th), Sudan (156th), Azerbaijan (167th) and Afghanistan (175th), where economic difficulties compound the effects of political pressure.

The United States: leader of the economic depression
In the United States (57th, down 2 places), where the economic indicator has dropped by more than 14 points in two years, vast regions are turning into news deserts. Local journalism is bearing the brunt of the economic downturn: over 60 per cent of journalists and media experts surveyed by RSF in Arizona, Florida, Nevada and Pennsylvania agree that it is “difficult to earn a living wage as a journalist,” and 75 per cent believe that “the average media outlet struggles for economic viability.” The country’s 28-place drop in the social indicator reveals that the press operates in an increasingly hostile environment.

President Donald Trump’s second term has already intensified this trend as false economic pretexts are used to bring the press into line. This led to the abrupt end to funding for the US Agency for Global Media (USAGM), which affected several newsrooms — including Voice of America and Radio Free Europe/Radio Liberty — and, as a result, over 400 million citizens worldwide were suddenly deprived of access to reliable information. Similarly, the freeze on funding for the US Agency for International Development (USAID) halted US international aid, throwing hundreds of news outlets into a critical state of economic instability and forcing some to shut down — particularly in Ukraine (62nd).

Media concentration and the dominance of online platforms
These serious funding cuts are an additional blow to a media economy already weakened by the dominance that tech giants such as Google, Apple, Facebook, Amazon and Microsoft have over the dissemination of information. These largely unregulated platforms are absorbing an ever-growing share of advertising revenues that would usually support journalism. Total spending on advertising through social media reached 247.3 billion USD in 2024, a 14 per cent increase compared to 2023. These online platforms further hamper the information space by contributing to the spread of manipulated and misleading content, amplifying disinformation.

In addition to the loss of advertising revenue, which has severely disrupted and constrained the media economy, media ownership concentration is another key factor in the deterioration of the Index’s economic indicator and poses a serious threat to media plurality. Data from the Index shows that media ownership is highly concentrated in 46 countries and, in some cases, entirely controlled by the state.

This is evident in Russia (171st, down 9 places), where the press is dominated by the state or Kremlin-linked oligarchs, and in Hungary (68th), where the government stifles outlets critical of its policies through the unequal distribution of state advertising. It is also apparent in countries where “foreign influence” laws are used to repress independent journalism, such as Georgia (114th, down 11 places). In Tunisia (129th, down 11 places), Peru (130th) and Hong Kong (140th), where public subsidies are now directed toward pro-government media.

Even in highly ranked countries like Australia (29th), Canada (21st) and Czechia (10th), media concentration is cause for concern. In France (25th, down 4 places), a significant share of the national press is controlled by a few wealthy owners. This growing concentration restricts editorial diversity, increases the risk of self-censorship and raises serious concerns about newsrooms’ independence from the economic and political interests of their shareholders.

The Index’s survey shows that editorial interference is indeed compounding the problem. In over half of the countries and territories evaluated by the Index (92 out of 180), a majority of respondents reported that media owners “always” or “often” limited their outlet’s editorial independence. In Lebanon (132nd), India (151st), Armenia (34th) and Bulgaria (70th, down 11 places), many outlets owe their survival to conditional financing from individuals close to the political or business worlds. The majority of respondents in 21 countries, including Rwanda (146th), the United Arab Emirates (164th) and Vietnam (173rd), said media owners “always” interfered editorially.

Global state of press freedom is "difficult," a historical first
For over ten years, the Index’s results have warned of a worldwide decline in press freedom. In 2025, a new low point emerged: the average score of all assessed countries fell below 55 points, falling into the category of a “difficult situation.” More than six out of ten countries (112 in total) saw their overall scores decline in the Index.

For the first time in the history of the Index, the conditions for practising journalism are “difficult” or “very serious” in over half of the world’s countries and satisfactory in fewer than one in four.

An increasingly red map
In 42 countries — harbouring over half of the world’s population — the situation is classified as “very serious.” In these zones, press freedom is entirely absent and practising journalism is particularly dangerous. This is the case in Palestine (163rd), where the Israeli army has been annihilating journalism for over 18 months, killing nearly 200 media professionals — including at least 43 murdered while working — and imposing a blackout on the besieged strip. Israel (112th) continued its decline in the Index, dropping 11 places.

Three East African countries — Uganda (143rd), Ethiopia (145th), and Rwanda (146th) — entered the “very serious” category this year. Hong Kong (140th) also moved into the red zone for the first time, and is now the same colour as China (178th, down 6 places), which has joined the bottom three countries, alongside North Korea (179th) and Eritrea (180th). In Central Asia, Kyrgyzstan (144th) and Kazakhstan (141st) have darkened the region. In the Middle East, Jordan (147th) plummeted 15 places, largely due to repressive legislation used against the press.

The Index by region: the gap widens between the European Union and other zones
The Middle East-North Africa region remains the most dangerous in the world for journalists, harbouring the mass destruction of journalism in Gaza by the Israeli army. Every country in the region is in a “difficult” or “very serious” press freedom situation, except Qatar (79th). The press is caught between crackdowns from authoritarian regimes and persistent economic precariousness. Tunisia (129th, down 11 places), the only North African country to fall this year, recorded the sharpest drop in the region’s economic indicator (down 7.97 points, down 30 places), due to a political crisis where independent outlets are under direct threat. Iran (176th), where journalists are gagged and all critical viewpoints are suppressed, remains near the bottom of the Index, alongside Syria (177th), which is still awaiting a profound transformation of its media landscape post-Bachar al-Assad.

Out of the 32 countries and territories in the Asia-Pacific region, 20 have seen their economic score decline in the 2025 World Press Freedom Index. The systemic media control in authoritarian regimes is often inspired by China’s propaganda model. China (178th) remains the world’s largest jail for journalists and reentered the bottom trio of the Index, coming just ahead of North Korea (179th). Meanwhile, the concentration of media ownership in the hands of influential groups linked to those in power — as seen in India (151st) — combined with growing economic pressures even in established democracies, means that press freedom in the region faces mounting repression and increasing uncertainty.

In Sub-Saharan Africa, press freedom is experiencing a worrying decline. Eritrea (180th) retained its position as the worst-ranking country in the Index. The economic score deteriorated in 80 per cent of the region’s countries. In the Democratic Republic of the Congo (133rd, down 10 places), where the economic indicator plummeted, the media landscape is hampered by persistent polarisation and repression in the east of the country. Similar patterns appeared in other conflict zones, such as Burkina Faso (105th, down 19 places), Sudan (156th, down 7 places), and Mali (199th, down 5 places). In these situations, newsrooms are forced to self-censor, close or go into exile. The hyper-concentration of media ownership in the hands of political figures or business elites without safeguards for editorial independence remains a recurring problem, as seen in Cameroon (131st), Nigeria (122nd, down 10) and Rwanda (146th). By contrast, Senegal (74th) moved up 20 places as its authorities launched economic reform initiatives, which still need to be implemented and carried out in a consultative manner.

In the Americas, the vast majority of countries (22 out of 28) have seen their economic indicators decline. In the United States (57th), Donald Trump’s second term as president has brought a troubling deterioration in press freedom. In Argentina (87th), President Javier Milei has stigmatised journalists and dismantled public media. Press freedom has been weakened in Peru (130th) and El Salvador (135th), undermined by propaganda and attacks on outlets critical of those in power. Mexico (124th), the most dangerous country for journalists in the region, has also seen a sharp decline in its economic score. Nicaragua (172nd) comes in last in the region and sits at the bottom of the Index, as the Ortega-Murillo regime has dismantled the independent media. In contrast, Brazil (63rd) has continued its recovery after the Bolsonaro era.

Europe still leads the regional rankings but is increasingly divided. 
The Eastern Europe- Central Asia (EEAC) region has experienced the steepest overall decline worldwide, while the European Union (EU)-Balkans zone has the highest overall score globally, and its gap with the rest of the world continues to grow. However, even the EU-Balkans zone is hurt by the media’s economic crisis, as seven in 10 countries (28 out of 40) have seen their economic score decline. What’s more, the implementation of the European Media Freedom Act (EMFA) — which could benefit the media economy — is still pending. The situation is worsening in Portugal (8th), Croatia (60th), and Kosovo (99th). Norway (1st) remains the only country in the world to enjoy a “good” rating across all five indicators of the Index. It held on to its top spot for the ninth consecutive year, increasing its lead over other countries. Estonia (2nd) moved up to second place, closely followed by the Netherlands (3rd), which overtook Sweden (4th) in the world’s top three.

Relatório completo aqui

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Pixies - Hang On to Your Ego


Intro]
Hello
Hello?
Hello, hello
Hello hello hello
[?]

[Verse 1]
I know so many people who think they can do it alone
They isolate their heads and stay in their safety zone
What can you tell them?
What can you say that will make them defensive?

[Chorus]
Hang on to your ego
Hang on but I know that you're gonna lose the fight

[Verse 2]
They come on like they're peaceful but inside they're so uptight
They trip through the day and waste all their thoughts at night
Now how can I say it?
How can I come on when I know I'm guilty?

[Chorus]
Yeah
Hang on to your ego
Hang on, but I know you're gonna lose the fight

Por volta de 1965–1966, Brian Wilson começou a experimentar LSD enquanto trabalhava em novas ideias musicais para os Beach Boys.

Essas experiências expandiram a sua perceção sonora e emocional, levando-o a criar composições cada vez mais ambiciosas, espirituais e psicodélicas — o que culminou no álbum Pet Sounds, um dos mais inovadores da história da música pop.

O título “Hang On to Your Ego” (algo como “Agarra-te ao teu ego”) vem diretamente dessa fase.
Wilson descreveu a canção como uma reflexão sobre o ego, a identidade e o efeito do LSD — uma tentativa de compreender como a mente muda sob a influência psicodélica.
A letra inclui versos como:

“They said I had to learn to let go / But I was so afraid of losing control.”
(“Disseram-me que eu tinha de aprender a largar / Mas eu tinha tanto medo de perder o controlo.”)

Isto remete diretamente à dissolução do ego que muitos relatam nas experiências com LSD — a sensação de perder os limites entre o “eu” e o mundo.

Os outros membros da banda — especialmente Mike Love — acharam a letra “demasiado inspirada em drogas” e exigiram mudanças.
Resultado: Brian Wilson foi pressionado a alterar o texto e o título, rebatizando a faixa como “I Know There’s an Answer” para o álbum final.
Mas o LSD também o expôs a vulnerabilidades mentais — intensificou a sua sensibilidade e ansiedade, o que mais tarde contribuiu para o seu colapso psicológico.

Pixies, 25 anos depois, fizeram uma homenagem à libertação criativa, à mente expandida e à coragem artística de Brian.


Uma versão mais dançável de Frank Black

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

O dia em que um filósofo se irritou e salvou a sua vida: Espinosa, o autor judeu português que vivia à frente do seu século XVII


Um dos mais influentes historiadores do Iluminismo, Jonathan Israel, professor britânico que integrou o Institute for Advanced Study de Princeton, publicou recentemente “Spinoza, Life and Legacy”, uma impressionante biografia de Bento Espinosa, a quem Israel atribui o título de verdadeiro fundador do Iluminismo Radical — corrente filosófica que lançou as bases das ideias modernas de democracia.

Baseando-se nas mais de 1300 páginas desta extensa obra, Rui Tavares detém-se num episódio que Israel optou por omitir: aquele em que Espinosa, ao confrontar um crime bárbaro de motivação política, revela uma faceta intensamente humana e apaixonada, perdendo as estribeiras.

Que evento terá provocado tamanha irritação no autor do “Tratado Teológico-Político”? Neste episódio, somos convidados a redescobrir a biografia, o pensamento e a pertinência do legado filosófico e político de Espinosa, trazendo à luz uma reflexão que ressoa nos desafios contemporâneos.

O Episódio: o massacre dos Irmãos de Witt
O evento ocorreu em 1672, o "Ano do Desastre" para a Holanda. O país estava a ser invadido pela França e pela Inglaterra. A turba enfurecida e manipulada por fanáticos religiosos culpou os líderes liberais do país, Johan e Cornelis de Witt, que eram amigos e protetores de Espinosa, tendo sido eleito  Príncipe de Orange - Guilherme III. 
Os irmãos foram arrastados por uma multidão linchadora em Haia, assassinados de forma bárbara e os seus corpos foram mutilados (reza a lenda que partes foram inclusivamente comidas pelos agressores).
Ao saber do horror, Espinosa — que raramente perdia a compostura — teve um surto de indignação. Preparou um cartaz onde escreveu:

"Ultimi Barbarorum" (Os Últimos dos Bárbaros)

Ele pretendia levar o cartaz até ao local do massacre e exibi-lo diante da multidão enfurecida. Teria sido um suicídio certo. O que salvou a vida de Espinosa foi o seu senhorio que, percebendo o perigo, trancou a porta da casa à chave e impediu o filósofo de sair. Graças a essa tranca, Espinosa viveu mais cinco anos para terminar a sua obra-prima, a Ética.


O pensamento de Espinoza
O pensamento de Espinosa exerce um fascínio duradouro sobre intelectuais de diversas áreas devido à sua visão revolucionária da realidade e da natureza humana. O ponto central da sua filosofia é a ideia de que Deus e a Natureza são a mesma coisa, uma substância única e infinita que segue leis necessárias, o que remove a figura de um Deus justiceiro e coloca a racionalidade no centro da existência. Esta perspectiva atraiu figuras como Albert Einstein, que afirmava acreditar no "Deus de Espinosa". Além disso, o filósofo substituiu a moral baseada na culpa e no pecado por uma ética da alegria e da potência, onde o bem é aquilo que aumenta a nossa capacidade de agir e pensar, enquanto o mal é o que nos diminui. Ao defender que a liberdade nasce da compreensão das causas que nos determinam e ao ser um pioneiro na defesa da democracia e da liberdade de expressão, Espinosa tornou-se o filósofo da libertação intelectual e emocional, mantendo-se atual tanto na ciência como na política contemporânea.

sábado, 11 de outubro de 2025

Raquel Varela silenciada pela estação pública RTP


Como é público, a nova Direção de Informação da RTP decidiu não continuar a contar comigo nos programas de debate semanal. Quero, ao final destes 11 anos, deixar aqui algumas notas que serão, espero, sinceras e delicadas.

Quero agradecer a quem me convidou, a quem esteve na organização e na produção, dos jornalistas aos técnicos de som, imagem, produção, realização, maquilhagem, cabeleireiro, um trabalho imenso e essencial. Fui acarinhada por tantos.

Quero agradecer aos amigos, colegas, com quem discuti semanalmente os temas, e a muitas outras dezenas de pessoas a quem, consoante os assuntos, telefonei, com quem me reuni para aprofundar saberes que nenhum indivíduo sozinho domina.

Vivi anos em países “nórdicos” onde a sinceridade não é vista como má educação. São países mais adultos e com uma esfera pública mais desenvolvida. Em Portugal, o desacordo frontal é mal visto (a não ser nos programas sobre futebol) e rapidamente se passa de debater ideias a acusar e insultar pessoas. Em suma, as pessoas fogem ao debate porque acham que assim evitam conflitos ou porque assim fomos habituados à força por décadas de ditadura. Mas o que acontece é que a violência verbal, a desconfiança, a coscuvilhice se instalam nessa ausência de debatermos frontalmente as divergências.

A minha saída do comentário semanal da RTP não se deve certamente a audiências, já que em todos os programas onde estive elas subiram. Há, porém, muitos programas sem grandes audiências que são excelentes, outros com grandes audiências que são uma desgraça para o nível geral de educação do país (desqualificam-no e embrutecem-no). Saio por uma escolha política – todas as escolhas são políticas, e devemos falar abertamente delas.

Há um quadro de mudança política no país. Está no poder um Governo da AD, com o apoio da IL, com influência crescente do partido fascista Chega. Há uma situação mundial de degradação do modo de vida e do debate de ideias. O Presidente dos EUA comunica por tweets e memes, e disse querer transformar Gaza num resort. Por cá, o presidente do Chega lidera uma organização racista que usa a mentira como arma política de eleição, e a internet está cheia de perfis falsos que reproduzem a propaganda do Chega. A União Europeia corta o orçamento para a saúde, para a educação, para a agricultura para produzir drones carros e aviões de combate, munições para matar, amputar e dizimar o género humano, a primeira pátria a que pertenço.

Pautei-me todos estes anos por uma defesa intransigente da liberdade de expressão. Mesmo contra um centro-esquerda que considero sem ânimo, moralista e descafeinado. Aquilo a que hoje se assiste é, porém, de enorme gravidade. Tenho vinte anos de carreira como historiadora e professora. Se afirmo que o Chega é fascista não é para produzir efeito mediático. Sou cuidadosa com os conceitos. Estamos a viver a legitimação do irracionalismo, do culto do Estado, da punição, da violência verbal (e física) contra os percebidos como mais fracos e da mentira como “opinião”. Que o Estado tenha legalizado isto é uma coisa, que eu como historiadora o aceitasse seria uma rutura ética com o meu trabalho.

A minha saída de comentadora da RTP fragiliza ainda mais a esfera pública. Não por mim, pois ninguém é insubstituível. Mas porque as vozes como a minha não representam mais uma “opinião”. Reflectem um modo de pensar a sociedade em que vivemos, com demonstração de argumentos e critério de verdade – errando, também -, que discorda abertamente dos grandes mantras da opinião publicada: a inevitabilidade do capitalismo, e da guerra, a naturalização do sofrimento e assédio contra quem trabalha. Defendi a Democracia sem adjetivos, que só pode ser de base, participativa, e a auto-organização dos cidadãos, plenos no uso da Razão, independente do Estado.

A voz pública é uma necessidade. Deve ser séria e diversa. É-o cada vez menos. E é isso que tem levado, também, à quebra de audiências – a repetição ad nauseam dos mesmos argumentos, da mesma falta de imaginação ou de vontade para repensar a sociedade. O que produzimos? Para quem produzimos? Como produzimos? Estas questões, que são centrais para a humanidade, quase nunca são feitas, fagocitadas por uma comunicação ligeira e ideologicamente homogénea.

Estive, por vezes sozinha como comentadora, ao lado das primeiras greves dos estivadores, da greve cirúrgica dos enfermeiros, da paralisação dos camionistas e da greve dos trabalhadores da AutoEuropa contra o trabalho ao domingo, todos alvo de campanhas mediáticas que pareciam verdades indiscutíveis na altura e mentiras descaradas dias depois. E estive, com poucos mais comentadores, ao lado das greves dos professores, médicos, maquinistas, transportes em geral, sustentando o que para mim é óbvio – se há alguém capaz de parar esta deriva para a guerra e para a morte são os trabalhadores organizados.

Nos últimos anos, nunca saí de casa sem que viessem ter comigo pessoas para falar, agradecer, apoiar, conversar. Recebi carinho e afeto, abraços, nos cafés, nos aviões, nas filas de serviços apinhados, nas escolas, entre as empregadas de limpeza de jardins e trabalhadores da ferrovia, motoristas e professores, enfermeiros e médicos. Tudo isso me ajudou a conhecer um país decente, que existe, embora muitas vezes sem voz. Muito obrigado a todas e a cada uma dessas pessoas. Ajudaram-me muito a crescer e a ter força para continuar.

Há um Portugal sentado e outro de pé. O de pé é quem vive do trabalho, e que todos os dias assegura a produção e a reprodução da nossa vida. É nesse país, dos que trabalham, que me revejo e ao qual procurei dar voz. Se fui um pouco voz desse Portugal ignorado, valeu a pena.

Continuarei a fazer ouvir a minha voz e ideias, a defender os trabalhadores e os seus direitos, a dar aulas públicas e conferências, cursos, documentários, livros, a lutar por um outro país assente no bem comum, na igualdade real, na democracia do povo e na liberdade.

O Estrangeiro (1967)


Um filme marcante. O Estrangeiro (1967), baseado na obra homónima de Albert Camus, com Marcello Mastroianni e dirigido pelo mestre Luchino Visconti. O filme capta toda a atmosfera do seu livro.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Relembrar a fascinante obra de Albert Camus - "O Estrangeiro"


O "estrangeiro" por vezes somos nós próprios!! É essa a grande lição deste livro. Não há fronteiras. Nesta obra profundamente simbólica e do absurdo, alerta-nos que a condição humana é sufocante e "estranha" a toda a gente. Há que alertar para a situação que as pessoas podem ser estrangeiras quando tu és estranho.

E no mundo actual o absurdo regressou. O absurdo é o discurso do ódio, levantar esqueletos do armário do imperialismo dos séculos atrás da nossa civilização, incluindo Portugal. Fazer basófia da barbárie contra os Palestinianos, denegrir a flotilha. Publicar um vídeo piroso do Ventura sobre Bangladesh. Por isso é importante RELER o "Estrangeiro" de Albert Camus.

O "Estrangeiro" é um dos livros da trilogia do absurdo, de Albert Camus. O livro conta a história de Meursault, um homem que vive completamente alheio à importância das coisas ao seu redor. O protagonista é indiferente a tudo, sendo que uma das palavras mais usadas por ele é: “tanto faz”. Albert Camus desenvolve uma história simples, escrita em frases curtas, evidenciando conceitos segundo o qual o homem é livre e seus atos são responsáveis por seu destino.

Meursault, é descrito como “um cidadão da França, homem do Mediterrâneo, um homem que dificilmente compartilha da cultura mediterrânea tradicional”. Semanas após o funeral de sua mãe, ele mata um homem árabe na Argélia francesa, que estava envolvido num conflito com um dos vizinhos de Meursault. Mersault é julgado e condenado à morte. A história é dividida em duas partes, apresentando a visão narrativa em primeira pessoa de Mersault antes e depois do assassinato, respectivamente.

Esta história, cuja narração me fez lembrar um conto ou um texto diarístico, deve ser encarada como uma reflexão acerca da existência humana. Através da indiferença extremada e quase absurda do Sr. Meursault, captamos uma perspetiva diferente da vida, alheia a sobressaltos, à importância das decisões, a questões filosóficas e a figuras transcendentes. Meursault limita-se a viver consoante o que lhe calha na sina, sem se entregar à extravagância das emoções ou à indignação contra o destino. Em vez disso, permanece apático e ultrapassa as reviravoltas da vida através do hábito.

Se há uma sensação que predomina, implacável, nesta obra, essa sensação é o calor. Um calor asfixiante, insuportável, captada pelo autor com tanta autenticidade e intensidade que o leitor se sente tentado a tirar o casaco. Essa impressão prolonga-se pela capa do livro, de um cor de laranja forte que me faz pensar nele como um deserto tórrido comprimido em menos de uma centena de folhas de papel.
Camus serve-se deste personagem principal para mergulhar no absurdo existencial. A vida banal de Mersault até ao momento em que ocorre um crime processa-se dentro do clima do absurdo da vida humana, que não pode ser logicamente explicado, mas simplesmente apreendido e vivido.

Para Camus, a vida é absurda e filosoficamente, isso quer dizer que a situação existencial humana é caracterizada essencialmente pela ausência de sentido e, dessa forma, não existem consistências, certezas e/ou garantias. Não há finalidade última e não há causas primeiras no mundo absurdo.

Para uma melhor compreensão do absurdo é necessário fazer uma análise do próprio quotidiano. As loucuras do dia-a-dia, o corre-corre e a busca do sentido para as coisas e acontecimentos já são indícios do absurdo. O homem cria uma rotina de vida, uma monotonia e acaba deixando levar-se pelo absurdo, perde o sentido da sua existência, passando a não dar mais importância aos factos e acontecimentos no seu trabalho, com os amigos, na família…tudo se torna comum, rotineiro.

Outro ponto que ilustra o absurdo é o facto do homem já não conseguir mais dar conta dos acontecimentos e tudo lhe foge da percepção e ele mesmo constata que o mundo não tem sentido nem razão, e que a vida é absurda e fantasiosa.

É necessário VER esta época, sair do absurdo e criar coragem e buscar inovações e outros caminhos para as atividades do dia-a-dia.

Albert Camus ele próprio dá pistas! Aconselho por isso a leitura "O Homem Revoltado", e em seguida "A Queda". E depois, "A Peste" que é um intermédio entre os dois temas.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Do (Im)possível


"Se te quiserem convencer de que é impossível, diz-lhes que impossível é ficares calado, impossível é não teres voz. Temos direito a viver. Acreditamos nessa certeza com todas as forças do nosso corpo e, mais ainda, com todas as forças da nossa vontade. Viver é um verbo enorme, longo. Acreditamos em todo o seu tamanho, não prescindimos de um único passo do seu/nosso caminho.
Sabemos bem que é inútil resmungar contra o ecrã do telejornal. O vidro não responde. Por isso, temos outros planos. Temos voz, tantas vozes; temos rosto, tantos rostos. As ruas hão-de receber-nos, serão pequenas para nós. Sabemos formar marés, correntes. Sabemos também que nunca nos foi oferecido nada. Cada conquista foi ganha milímetro a milímetro. Antes de estar à vista de toda a gente, prática e concreta, era sempre impossível, mas viver é acreditar. Temos direito à esperança. Esta vida pertence-nos.
Além disso, é magnífico estragar a festa aos poderosos. É divertido, saudável, faz bem à pele. Quando eles pensam que já nos distribuíram um lugar, que já está tudo decidido, que nos compraram com falinhas mansas e autocolantes, mostramos-lhes que sabemos gritar. Envergonhamo-los como as crianças de cinco anos envergonham os pais na fila do supermercado. Com a diferença grande de não sermos crianças de cinco anos e com a diferença imensa de eles não serem nossos pais porque os nossos pais, há quase quatro décadas atrás, tiveram de livrar-se dos pais deles. Ou, pelo menos, tentaram.
O único impossível é o que julgarmos que não somos capazes de construir. Temos mãos e um número sem fim de habilidades que podemos fazer com elas. Nenhum desses truques é deixá-las cair ao longo do corpo, guardá-las nos bolsos, estendê-las à caridade. Por isso, não vamos pedir, vamos exigir. Havemos de repetir as vezes que forem necessárias: temos direito a viver. Nunca duvidámos de que somos muito maiores do que o nosso currículo, o nosso tempo não é um contrato a prazo, não há recibos verdes capazes de contabilizar aquilo que valemos.
Vida, se nos estás a ouvir, sabe que caminhamos na tua direcção. A nossa liberdade cresce ao acreditarmos e nós crescemos com ela e tu, vida, cresces também. Se te quiserem convencer, vida, de que é impossível, diz-lhe que vamos todos em teu resgate, faremos o que for preciso e diz-lhes que impossível é negarem-te, camuflarem-te com números, diz-lhes que impossível é não teres voz."
José Luís Peixoto
Abraço, Quetzal Editores

terça-feira, 27 de maio de 2025

A guerra de propaganda financiada pela UE contra a liberdade de expressão


Um novo relatório revelou uma campanha discretamente orquestrada pela Comissão Europeia para moldar o discurso público com o apoio de cerca de € 649 milhões em projetos financiados pelos contribuintes com o objetivo de regulamentar o discurso online. Por trás dos frequentes apelos da UE para combater o “discurso de ódio” e a “desinformação”, esconde-se o que o relatório descreve como uma vasta infraestrutura ideológica concebida para corroer a liberdade de expressão sob o pretexto da segurança e da capacitação cívica.

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Robert de Niro ataca Trump em Cannes: “Temos de agir agora“


De Niro recebe a Palma de Ouro Honorária na abertura de Cannes. Durante o seu discurso, o ator elogiou o espírito do evento, aberto à arte, a uma “arte que procura a verdade, uma arte que abraça a inclusão”. “E é por isso”, continuou, “a arte é uma ameaça, nós somos uma ameaça para os autocratas e fascistas de todo o mundo”. A partir daí, começou a falar com Donald Trump ("o presidente filisteu americano") para desfazer os seus cortes na ajuda cultural e atacar o seu plano tarifário. “A originalidade na arte não tem preço, mas parece que pode ser tributada.” E pediu que as pessoas se organizassem em apoio da democracia, “sem violência, mas com paixão e determinação”.

terça-feira, 13 de maio de 2025

Estamos a cancelar a desobediência civil e isso é grave


Chamam-lhes palermas, parvos, "ecofascistas", que só prejudicam o ambientalismo, etc, etc. Mas como sabemos os ambientalistas com "boa educação" preocupam-se em insistir na legislação e a legislação ambiental não é clara, há pareceres questionáveis do ICNF, da APA e andamos esgotados com argumentos para a frente e para trás. A lavagem verde não acontece só em Portugal. Procuram denegrir as acções "radicais" destes jovens. O que é verdade e um facto incontestável é que eles se magoaram líderes, estão a sofrer repressão. E silenciamento. E isso assusta-nos. Deve inquietar-nos. Já não se fala da greve estudantil climática há quase 2 anos, fruto dessa repressão e desdém por parte de outros ambientalistas. 
E o ecologismo na Política? Então não faltam exemplos de gestos "palermas". Estou a falar, por exemplo do passe ferroviário. Uma boa medida climática mas provocou guerra suja. O LIVRE precisa denunciar fortemente o PSD. Eles não criaram nada; eles apenas alargaram o Passe Ferroviário Nacional — uma invenção do LIVRE que foi colocado em prática através do contributo da maioria do PS. E fazer essa denúncia, como?

Concordo com Myriam Zaluar que diz o seguinte "Sei que este meu pensamento não é popular, nos dias que correm, em que é permitido lutar pelas causas certas, mas só se for uma luta fofinha, porém vou exprimi-lo na mesma:  as conquistas dos trabalhadores, das mulheres, das pessoas racializadas ou de quem quer que seja NUNCA se fizeram através de acções fofinhas. Fizeram-se através de greves que 'prejudicaram' o conjunto da sociedade porque se assim não fosse não surtiam qualquer efeito. Fizeram-se através de acções 'radicais' que causaram muita celeuma e às vezes alguma dor, até por se não fosse assim, não teriam tido qualquer visibilidade."
Acrescento eu o seguinte: a emergência climática, os abusos sobre a mineração, directivas dos Habitats sem um suporte de desobediência civil, percebemos que tudo está na mesma e para pior!
A Nova Lei dos Solos e o Mercado Voluntário de Carbono isso são realmente medidas absurdas e radicais num Planeta com limites planetários. É o "sistema" capitalista novamente "radical" e a levar-nos para o abismo, se continuarmos com contestação apenas na base de "boa educação". 

Por fim para vossa reflexão sugiro a leitura deste artigo  Gerador
"Nos últimos anos, observa-se na Europa uma tendência crescente de criminalização do ativismo climático, com autoridades a recorrerem a novas leis e processos judiciais para travar protestos ambientais​. Em democracias consolidadas como o Reino Unido, a Alemanha ou a Itália, ativistas pacíficos têm sido detidos, julgados e até condenados por ações de desobediência civil em nome do clima, levantando alarmes sobre possíveis excessos legais e retrocessos nas liberdades de expressão e reunião​.

Portugal não está imune a este fenómeno: de ações simbólicas nas ruas de Lisboa a bloqueios de infraestruturas, vários ativistas climáticos portugueses enfrentaram detenções e acusações formais – incluindo multas pesadas – por exercerem o direito à manifestação. Enquanto as autoridades justificam estas intervenções como defesa da ordem pública e do Estado de direito, organizações da sociedade civil e juristas alertam para o impacto de tais medidas na liberdade de protesto e na vitalidade da democracia, num momento em que a urgência climática torna o dissenso cada vez mais crucial.

A decisão de interromper o então primeiro-ministro, António Costa, para ler um comunicado ao microfone foi impulsiva. Na sala que acolhia uma cerimónia do Partido Socialista, estava um grupo de ativistas do movimento Aterra sentados na plateia, à espera do momento para intervir. Queriam apelar ao governo para “dizer a verdade sobre os impactos ambientais da decisão” de construir um novo aeroporto, conta Francisco.

Foi ele quem subiu ao palco. Não disse mais do que “Lamentamos incomodar a vossa festa”, porque os seguranças logo o detiveram. Foi o único arguido, tendo sido acusado do crime de desobediência qualificada. Ficou sujeito a uma multa ou até dois anos de prisão por não ter informado às autoridades aquela manifestação que alegadamente tinha organizado. Depois de três audiências de julgamento em primeira instância, foi considerado inocente, mas o Ministério Público recorreu da decisão. O caso foi para o Tribunal da Relação e o Ministério Público ganhou.

“Claramente, há uma vontade de perseguir. E que mostra também a importância de agir, porque a quantidade de recursos que estão a ser mobilizados contra isto é revelador da importância do trabalho que estamos a fazer também”, afirmou Francisco, numa entrevista ao Gerador em agosto do ano passado.

“Recorremos dessa decisão, porque não podemos deixar que se abra um precedente tão absurdo para outras pessoas”, acrescenta.

Há cinco anos que decorre o processo do Francisco. Ainda hoje aguarda a decisão final, sob uma medida de coação que lhe exige apresentar termo de identidade e residência. Não sabe se vai ter de pagar uma multa ou se fará trabalho comunitário, mas vai avançar com uma queixa ao Comité dos Direitos Humanos."