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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Fernando Alexandre defendeu o fim do pagamento do 14.º mês aos reformados?


Através da partilha de uma notícia do “Jornal Económico” a dar conta de que o Governo já tem o relatório final que vai servir para implementar uma nova reforma da Segurança Social, há quem aponte o dedo à estratégia do Executivo de Luís Montenegro nestas matérias.

“Há muito que venho alertando para o que a direita e a extrema-direita racista anda a ‘preparar’ para lixarem os portugueses no que diz respeito à Segurança Social e, portanto, às suas reformas e pensões”, começa por escrever um utilizador do X.

A publicação continua: “Pretendem privatizar a Segurança Social (SS) pública e, depois, colocá-la em bolsa, isto é, deixar todos os portugueses na mão e à sorte desta seita de capitalistas.”

Segue-se, depois, uma crítica concreta: “Estas ideias cripto-fascistas têm duas madrinhas e um padrinho, Marilu [uma provável referência à ex-ministra Maria Luís Albuquerque], Palma Ramalho e o impagável ministro da Educação Fernando Alexandre que há muito defende o fim definitivo do pagamento do 14.º mês aos reformados/pensionistas.”

Será que esta alegação em relação ao atual ministro da Educação tem fundamento?
De facto, numa entrevista de 21 de novembro de 2011 ao jornal “Público“, o professor de Economia da Universidade do Minho defendia uma “forte redução nas reformas futuras”. A justificação era a seguinte: “A decisão da poupança é tomada em grande medida pela expectativa de rendimento que se quer ter no futuro. Mas eu vou mais longe, e desde o início da crise defendo o corte definitivo do 14.º mês para as reformas acima dos 1500 euros mensais. Esse corte teria um efeito positivo na redução da despesa da Segurança Social, e representaria uma questão de justiça. É que as reformas actuais foram fixadas num período de expectativas demasiado optimistas e estão a ser financiadas por quem está agora a trabalhar e que vai ter um corte brutal no seu rendimento quando se reformar. Este sistema é injusto. É preciso criar um sistema de transição.”

Questionado sobre se o corte do 13.º e 14.º mês para os funcionários públicos devia ser temporário, Fernando Alexandre contestou: “Um dos salários deveria ser cortado de forma definitiva. Quando houver condições, os aumentos na função pública deveriam ser feitos com base no mérito. No entanto, o corte de dois meses, para muitas famílias, vai ser brutal.”

Assim, o corte do 14.º mês faria “as pessoas aterrar”. E “ajudava-as a perceberem que, de facto, muita coisa mudou”. O recado deixava-o aos políticos: “Ninguém gosta de dar más notícias. A democracia é assim. É curioso verificar que dois terços do aumento da despesa pública foram decididos pouco antes de eleições. O último exemplo foi o aumento dos funcionários públicos em 2009. Nas últimas décadas, a política orçamental portuguesa tem sido uma aberração, e por isso chegamos à situação actual. Agora é preciso dizer às pessoas que o Estado social está a diminuir. Em relação à educação e à saúde tenho muito receio do impacto que esse corte pode ter na vida das pessoas e no bem-estar da sociedade em geral. Um modelo de saúde como o americano é assustador.”

Além disso, em 2012, no estudo “A Poupança em Portugal”, que publicou em colaboração com Luís Aguiar-Conraria, Pedro Bação e Miguel Portela, Fernando Alexandre também defendeu um primeiro passo na privatização da Segurança Social, com a criação de um novo modelo contributivo.

A Conta Poupança Desemprego, como lhe chamou, funcionaria em concreto para situações de desemprego, mas substitui, de certa forma, o papel da SS, como explicou na entrevista ao “Público”: “Se o trabalhador ficar desempregado, o subsídio é pago a partir dessa conta, e se ficar negativa, o Estado assume esse pagamento. Quando o trabalhador voltar ao ativo, o Estado recupera o saldo negativo. O que não for gasto em situações de desemprego será recebido na reforma. Este sistema responsabiliza mais o trabalhador“.

Em suma, é verdade que o atual ministro da Educação defende “há muito” o fim do pagamento do 14.º mês aos reformados e pensionistas. Mais concretamente, há 15 anos.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

A fascinante obra de Dru Blair

Dru Blair é amplamente considerado um dos maiores mestres contemporâneos do aerógrafo (airbrush) e da pintura hiper-realista a nível mundial. Nascido a 7 de setembro de 1959 em Newbern, na Carolina do Norte, o artista norte-americano planeava inicialmente seguir uma carreira na área da medicina, mas acabou por descobrir a sua verdadeira vocação nas artes visuais. Licenciou-se em Belas-Artes pela Furman University em 1981 e, mais tarde, em 1984, concluiu o seu mestrado (MFA) na University of South Carolina, consolidando as bases técnicas que definiriam o seu percurso.

O seu estilo artístico insere-se perfeitamente no Hiper-realismo (ou Fotorrealismo). Utilizando o aerógrafo como ferramenta principal, Blair desenvolveu um controlo de pigmentação e sobreposição de camadas tão meticuloso que as suas obras são frequentemente confundidas com fotografias de alta resolução. A sua técnica foca-se na replicação exata de texturas complexas, desde os poros e nuances da pele humana até aos reflexos em superfícies metálicas e aos efeitos atmosféricos, como a neblina ou os raios de luz volumétricos, eliminando qualquer vestígio visível de pinceladas.

No que diz respeito aos temas, a sua obra transita com facilidade entre a arte comercial, a ficção científica e a vertente militar. Dru Blair tornou-se mundialmente famoso pela sua arte de aviação, retratando caças, bombardeiros e helicópteros em pleno voo com uma precisão geométrica e mecânica impressionante. Além disso, deixou uma marca indelével na cultura pop ao ilustrar capas icónicas de livros da franquia Star Trek (com especial destaque para Star Trek: Voyager) e ao criar campanhas publicitárias de grande escala, como os célebres sapos da marca de cerveja Budweiser nos anos 90. O seu portfólio inclui ainda retratos detalhados e paisagens naturais que desafiam a perceção do espetador.

O impacto e o legado da obra de Dru Blair são visíveis tanto no mercado artístico como na vertente pedagógica. A sua pintura de 1989, intitulada "Power" - que retrata um bombardeiro B-1B Lancer a voar a baixa altitude sobre a água -, tornou-se a gravura de aviação mais vendida da história, redefinindo os padrões de realismo do género e garantindo-lhe o título de Membro Honorário da Força Aérea dos Estados Unidos. Contudo, o seu maior contributo para a comunidade artística reside na fundação da Blair School of Realism. Através desta escola, Blair transformou-se num mentor global, desenvolvendo métodos científicos aplicados à pintura, como a Teoria do Color Buffer (um sistema prático para identificar e misturar qualquer cor com exatidão), que continua a formar e a inspirar gerações de ilustradores e aerografistas em todo o mundo.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

A Senda da Altitude

Em tempos perigosos em que cobiça e desumanidade rimam com grosseira desmemória, os povos caminham para o abismo. A voracidade ultraliberal põe o nosso Mundo finito a ferro e fogo, ruína e saque. Nem as riquezas do fundo dos mares escapam agora aos novos ogres (os que chamam a essa rapina dos recursos vitais...«liberdade») ! Sempre a ânsia do lucro para poucos.
Nunca como hoje o sentido de leveza da vida residiu mais na busca da Altitude, individual e colectiva. A partilha, a fraternidade, o amor, a poesia, a arte, a busca de saberes, são o sal na estrada dos homens e mulheres sábios. 
Por isso de novo evoco a pintora Lourdes Castro (1930-2022), nome maior da arte portuguesa, a quem ouvi louvar a desprendida altitude que só se afirma no avançar do nosso caminhar na existência, sem egoísmo, acima de vãs vaidades, sempre na busca e partilhas de brisas essenciais: «Eu não gosto do nome 'velhice' e então inventei outra palavra, que é 'ALTitude' (do alemão 'alt', idade). Quando se entra em altitude é assim» ! 
Numa entrevista conduzida pelo jornalista João Pacheco (Expresso, 1-IX-2019), dizia a artista: «é bonito isto de as coisas na vida se irem transformando, irem gerando outras. Continua-se a respirar». Sim, é isso. Abraçar o Mundo de que fazemos parte ínfima, sentindo as suas misérias e os seus anseios. Com memória. Com utopia. Com altitude.

P.S. Um dos trabalhos da série Sombras Projectadas (Lourdes Castro com René Bértholo): os homens medem-se aos palmos na sua capacidade de solidariedade e leveza.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Idadismo? Nunca

Uma mulher idosa a caminhar livremente - Porto, Portugal

Bom primeiro dia de Ano Novo! Happy first day of the New Year!

"Sente-te livre por seres idosa,
ramo de sorrisos e rugas.
O que importa não envelhece na pele,
nem repousa nos lábios.
Não tomes isso como castigo divino.

Não rebentes em lágrimas.
O melhor do mundo humano és tu:
acende a lembrança no peito
e fixa o teu rosto na claridade do tempo.

Os sábios sabem:
não há motivo para luto.
A beleza não é um recipiente,
é o fogo que tremula dentro dele.

A tua alma luminosa
deixa-a inteira à vista,
assim eu te amo ainda mais.
Não te entristeças! Não dês ouvidos
às sentenças dos espelhos!

Tu és a mais bela!

João Soares, 01.01.2026

terça-feira, 21 de março de 2023

Reflexão sobre o Dia Mundial da Poesia e Dia Internacional contra a Discriminação Racial


Os professores mudam vidas, é um facto. Os professores são uns poetas. Porém, na sala de aula dos dias de hoje, a individualização é muito esgotante. Já não temos apenas alunos portugueses. Há islâmicos, há os de NEE, há os judeus, há os testemunhas de Jeová, há russos, ucranianos, africanos, os evangélicos, etc. Todos ainda à procura, com os pais, da dupla nacionalidade. A base intelectual e cultural são muito fortes, para uma avaliação justa. A educação para a cidadania é por isso muito importante. Depois, as famílias estão muito desestruturadas. A ansiedade e irritabilidade é uma constante entre os alunos. 

Encontrar um(a) aluno(a) que goste da Escola no sentido lato, é quase um milagre. E temos 5, 6 turmas. Com 20 a 25 alunos. O fastio impera, o materialismo também. Vejo alunos com melhores roupas e até já têm carros muito mais caros que a de um(a) professor(a). Finalmente, o copianço, a trapaça, a burocracia, as provas, a rejeição dos pais- o meu/minha filha é incapaz disso (!). 

A literacia dos nossos pais ainda continua muito baixa- a maioria tiraram o 9º ano, tão pouco mais do que além. Fazê-los entender a linguagem da Escola versus o poder de acesso informativo, TIC e SMS dos telemóveis é uma árdua tarefa. Os (poucos) pais licenciados são terríveis anti-escola. Não são empáticos com os docentes. Por outro lado há uma extra-escola, que é o mudo dos explicadores. 

Um telemóvel dos dias de hoje é um mini-PC. Não há recreio. Os alunos ficam nos corredores aditivos aos aplicativos dos telemóveis. O Instagram e Watssap torna-os poderosos instrumentos de racismo, gordofobia, coscuvilhice, namoricos precoces, idadismo, machismo, "tribos" e reacções psicóticas. 

Desconstruir isto tudo é sobre-humano. O educador não é um super-tudo. Tem família, é pai/mãe ou cuidador informal.

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Contra a Gerontofobia

Sarah Jessica Parker's no makeup photo.
She' s 57.

Mariza - She´s 47

Duas celebridades. Duas atitudes. Sarah, natural, aceitando a velhice, sem artificialismos.
Mariza, o oposto. Anos atrás já fez botox. E agora esta transformação. Nota-se que fez plástica aos lábios. "Por vezes, mudamos tanto por dentro que precisamos de uma mudança por fora… ou não 
Se me vissem assim na rua, reconheciam?" pergunta ela na sua conta de .Instagram. Eu respondo que só ela é que sabe porque faz plásticas e não precisa do aval do público. Há ma coisa artificial que me incomoda. E depois, mordaz, a Mariza pensa que dá um golpe certo no mershandising. A não aceitação que o corpo envelhece, mas é no interior que está a juventude. A Mariza cobra cerca de 6.000 a 8.000 euros em contratos directos com as câmaras. Como diz o Massado de Assis "O dinheiro não traz felicidade — para quem não sabe o que fazer com ele.". Perdeste um fã, definitivamente.

Saiba mais:

domingo, 10 de março de 2013

Velho é o preconceito!

Os Velhos
Todos nasceram velhos — desconfio. Em casas mais velhas que a velhice, em ruas que existiram sempre — sempre assim como estão hoje e não deixarão nunca de estar: soturnas e paradas e indeléveis mesmo no desmoronar do Juízo Final. Os mais velhos têm 100, 200 anos e lá se perde a conta. Os mais novos dos novos, não menos de 50 — enorm'idade. Nenhum olha para mim. A velhice o proíbe. Quem autorizou existirem meninos neste largo municipal? Quem infrigiu a lei da eternidade que não permite recomeçar a vida? Ignoram-me. Não sou. Tenho vontade de ser também um velho desde sempre. Assim conversarão comigo sobre coisas seladas em cofre de subentendidos a conversa infindável de monossílabos, resmungos, tosse conclusiva. Nem me vêem passar. Não me dão confiança. Confiança! Confiança! Dádiva impensável nos semblantes fechados, nos felpudos redingotes, nos chapéus autoritários, nas barbas de milénios. Sigo, seco e só, atravessando a floresta de velhos. 
Carlos Drummond de Andrade, in 'Boitempo'