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sábado, 25 de julho de 2026

The Awakening - Until The Dawn

Melhor som daqui
Letra
Angels, don't you know you're my lifeline?
When I feel like letting go, I need you by my side
To make these feelings go away
To start the healing once again

Carry me through the dark, I need to know the way out

I hold my breath again as the night falls
I need to let you in through these hollow walls
And take my hand as I pray
Wipe the tears from my face

Carry me through the dark, I need to know the way out

Angels, don't you know you're my lifeline?
Carry me through the dark
Carry me through the dark, I need to know the way out

The Awakening – Until The Dawn: significado, estilo e influências da canção
A banda The Awakening é um dos projetos mais emblemáticos do gothic rock e do darkwave, fundada em Joanesburgo, na África do Sul, em 1995, pelo músico, compositor e produtor Ashton Nyte (atualmente radicado nos Estados Unidos). No tema "Until The Dawn", lançado como o primeiro single do seu décimo terceiro álbum de estúdio (The Lost Theatre), o grupo reafirma a sua identidade musical marcada pela fusão de guitarras melancólicas, ritmos pulsantes do post-punk e pelos profundos vocais barítonos característicos do seu líder. Liricamente, a canção explora a vulnerabilidade e a resiliência humana, focando-se na coragem necessária para pedir ajuda durante momentos de profunda escuridão interior e sofrimento pessoal, transformando o apelo a uma "linha de vida" (lifeline) numa celebração de esperança até ao despontar de um novo dia. Do ponto de vista conceptual e criativo, o universo artístico do projeto é fortemente moldado por influências filosóficas e literárias que vão desde o existencialismo e o romantismo sombrio do século XIX até ao pensamento distópico de George Orwell (em especial a crítica ao isolamento e ao controlo expressa em 1984), combinando de forma poética alegorias espirituais, dilemas éticos e o incessante anseio de redenção e conexão humana.

O tecido literário e filosófico no universo de Ashton Nyte
No universo criativo dos The Awakening e na escrita poética de Ashton Nyte, manifesta em temas como "Until The Dawn" do álbum The Lost Theatre, a música transcende o mero entretenimento para se tornar um espaço de profunda reflexão conceptual. A estética da banda apoia-se num diálogo constante com a literatura clássica e a filosofia existencial, moldando uma narrativa que utiliza a escuridão não como um fim absoluto, mas como o ponto de partida para a iluminação interior.

Do ponto de vista literário, a influência do Romantismo Sombrio e da tradição gótica de figuras como Edgar Allan Poe e Lord Byron é evidente na forma como a noite e a figura simbólica dos "anjos" são evocadas. Longe de uma representação estritamente teológica, o apelo a uma força protetora ou a uma "linha de vida" surge como uma metáfora romântica para a fragilidade da condição humana, a angústia da perda e a necessidade vital de ligação afetiva. A esta sensibilidade junta-se o eco da literatura distópica, em particular a visão de George Orwell em 1984. A ideia de atravessar "paredes ocas" em busca de cura e redenção reflete a luta do indivíduo contra o isolamento alienante e a perda de empatia impostos por uma sociedade fria e desumanizada. Além disso, o próprio enquadramento concetual do álbum remete para o Teatro do Absurdo de Samuel Beckett, no qual a vida é representada como um palco trágico-cómico e o ato de aguardar a alvorada se assemelha à incessante busca por sentido num mundo que parece desprovido dele.

No plano filosófico, a canção mergulha nas correntes do existencialismo de Søren Kierkegaard e Jean-Paul Sartre. A expressão explícita da dor e da vontade de desistir confronta o ouvinte com a angústia existencial e com o desespero interior. A decisão de pedir ajuda e procurar um caminho para fora da escuridão espelha o "salto de fé" de Kierkegaard - o momento em que a vulnerabilidade é aceite e convertida num ato consciente de escolha e resiliência. Esta jornada através das sombras rumo à luz estabelece também uma analogia com a Alegoria da Caverna de Platão, onde a libertação da escuridão simboliza o despertar da consciência e a ultrapassagem do sofrimento. Ao recusar o niilismo passivo e ao transformar a dor numa busca ativa por esperança, Ashton Nyte constrói uma obra em que a literatura e a filosofia se unem para guiar o ouvinte até ao despontar de uma nova alvorada.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

China zera tarifas para produtos de países africanos - já vemos as diferenças


A China anunciou em 28 de abril que vai abolir  as tarifas de importação para produtos de 53 países africanos. Na prática, isto significa abrir as portas do maior mercado de consumo do planeta a quase todo o continente africano. Não estamos a falar de ajuda humanitária nem de discurso diplomático. Estamos a falar de comércio, investimento e influência.

A medida, que entrou em vigor a 1 de maio, abrange praticamente todo o continente, excluindo apenas o Essuatíni devido às suas relações com Taiwan.

O mais impressionante é que esta decisão não surgiu por acaso. Nos últimos anos, Xi Jinping transformou a África numa das prioridades estratégicas de Pequim. Empresas chinesas construíram estradas, linhas ferroviárias, pontes, centrais elétricas e portos. Hoje em dia, a China já possui o controlo ou participação em cerca de um terço da infraestrutura portuária africana. Agora, além de investir, Pequim está a facilitar a entrada dos produtos africanos no mercado chinês.

Por trás desta decisão existe uma disputa muito maior. Enquanto várias potências ocidentais reduziram a sua presença económica em diversas regiões africanas, a China fez o oposto. Investiu, financiou projetos e ampliou o comércio. O resultado é que muitos governos africanos passaram a encarar Pequim como um parceiro estratégico para o desenvolvimento a longo prazo.

O que Xi Jinping está a construir em África vai muito além de acordos comerciais. É uma rede de influência económica que pode redefinir o equilíbrio de poder nas próximas décadas. E enquanto muitos ainda observam apenas as guerras e crises do momento, a China continua a avançar silenciosamente onde o futuro está a ser construído. É exatamente por isso que a África se tornou uma das peças mais importantes do tabuleiro geopolítico mundial.

Impactos Económicos na Agricultura e Mineração
  1. Agricultura (O maior beneficiado imediato): a remoção de tarifas aumentou de imediato a competitividade de preço dos produtos africanos face a concorrentes da América Latina ou da Ásia (que enfrentam taxas de 20% a 25%). O benefício foca-se na redução de custos logísticos e aduaneiros. Isso estimula o investimento chinês em infraestruturas locais, como cadeias de frio e processamento, elevando os rendimentos rurais. [1, 2, 3]
  2. Mineração (Consolidação do fornecimento): minerais estratégicos para a transição energética (como o cobre, cobalto, lítio e grafite) ganharam maior fluidez. A isenção de tarifas incentiva as empresas mineiras em África a avançar da extração de minério bruto para o processamento local profundo, agregando valor antes da exportação. [1, 2]
O Contraste com as Potências Ocidentais
  1. Unilateralidade sem contrapartidas: a política da China é não-recíproca. Os produtos africanos entram na China sem taxas, mas os países africanos não são obrigados a reduzir as suas tarifas sobre os produtos chineses. [1, 2]
  2. Diferença face aos EUA: contrasta diretamente com programas americanos como o AGOA (African Growth and Opportunity Act), que exige contrapartidas políticas, de direitos humanos e de abertura de mercado. Adicionalmente, Washington aplicou recentemente tarifas pesadas a várias nações africanas. [1]
  3. Diferença face à União Europeia: os acordos da UE (EPAs) exigem frequentemente uma abertura recíproca dos mercados africanos a longo prazo, o que gera receios de desindustrialização local na África. A China posiciona-se assim como o "parceiro mais amigável". [1]

Produtos Africanos com Maior Potencial de Exportação
Abaixo encontram-se os produtos que registam maior crescimento e procura no mercado chinês: [1, 2, 3]


Categoria [1, 2, 3, 4, 5, 6]Produtos de DestaquePaíses Líderes Beneficiados
Frutas e AgroMaçãs, Abacates, CitrinosÁfrica do Sul, Quénia, Egito
CommoditiesCafé, Cacau, Sésamo, Castanha de CajuEtiópia, Costa do Marfim, Tanzânia
Minerais CríticosCobalto, Cobre, Grafite, LítioRDC, Zâmbia, Tanzânia
Bens ProcessadosÓleo de abacate, Couros, Alimentos processadosQuénia, Nigéria, Marrocos

Apesar do otimismo, analistas alertam que as tarifas eram apenas uma das barreiras. Para mitigar o enorme défice comercial com a China, África precisa de superar barreiras não-tarifárias (como exigências fitossanitárias) e melhorar as suas infraestruturas de transporte. A facilidade de comércio impulsionou também o uso do Yuan (RMB) em detrimento do dólar nas transações bilaterais. [1, 3, 4]

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Ainda o Mundial de Futebol- Denúncia de Racismo

Aleksander Čeferin

As federações de futebol de Cabo Verde, Curaçau, Usbequistão, Congo, Haiti, Argélia, Tunísia, Marrocos, Egito, Gana, Senegal, Costa do Marfim e África do Sul expressam a sua profunda desilusão após as recentes declarações do presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, sobre a expansão do Mundial da FIFA e a sua classificação de muitos jogos como 'desinteressantes'.

Para os nossos países, não existe nenhum jogo insignificante no Mundial da FIFA.

Para os nossos países, o apuramento para o Mundial da FIFA representa uma conquista histórica e a realização de um sonho partilhado por gerações.

Sugerir que alguns dos nossos jogos seriam de alguma forma menos importantes é profundamente dececionante e equivale a ignorar os esforços, sacrifícios e aspirações de jogadores, treinadores, clubes, dirigentes do futebol e adeptos em todo o mundo.

Por trás de cada apuramento, existem anos de trabalho árduo e investimento. Por trás de cada seleção nacional, existem comunidades inteiras e milhões de pessoas que veem o futebol como uma fonte de orgulho, esperança e união.

O futebol não pertence a um pequeno grupo de líderes privilegiados. A sua força reside na sua universalidade.

O Mundial da FIFA é a maior competição de futebol do mundo justamente porque reúne diferentes culturas, diferentes histórias e diferentes trajetórias no futebol.

Para muitos países, a participação no Mundial da FIFA não é apenas uma conquista desportiva. É um momento que inspira uma geração, acelera o desenvolvimento do futebol e cria memórias para a vida toda.

Acreditamos que toda a nação que se apura merece respeito.

Cada equipa qualificou-se por mérito.

Cada jogo conta.
Assinado por:
Federação Cabo-Verdiana de Futebol
Federação Senegalesa de Futebol
Federação de Futebol de Curaçao
Federação de Futebol do Uzbequistão
Federação Congolesa de Futebol
Federação Haitiana de Futebol
Em solidariedade com:
Federação Argelina de Futebol
Federação Tunisiana de Futebol
Federação Real Marroquina de Futebol
Federação Egípcia de Futebol
Associação de Futebol do Gana
Federação Marfinense de Futebol
Associação Sul-Africana de Futebol

sábado, 13 de junho de 2026

GENER8ION - Love and Tears, featuring Yannis Phillipakis

Letra
Out, out,
From the wall,
See it all fall.
And down, down around you,
All and out our way.

Out, out,
Seven feet tall,
Fool around then fall.
All, all around you,
All the way out,
Into another face.

Out, out,
Seven feet tall,
Out, out,
All around you,
All the way out,
Into another face.

Out, out,
Seven, seven,
Feet tall,
Out, out,
All around you,
All the way out,
Into another face.

Out, out,
From the wall,
See it all fall.
And down, down around you,
All and out our way.

Out, out,
Seven feet tall,
Fool around then fall.
All, all around you,
All the way out,
Into another face.

Out, out,
Seven, seven,
Feet tall,
Out, out,
All around you,
All the way out,
Into another face.

Out, out,
Seven, seven,
Feet tall,
Out, out,
All around you,
All the way out...

A canção "Love and Tears" é uma colaboração artística marcante que une o projeto multimédia francês GENER8ION, liderado pelo produtor Surkin em parceria com o realizador Romain Gavras, à voz do músico luso-grego ou britânico Yannis Philippakis, conhecido como o vocalista da banda Foals. Esta fusão cultural resulta num estilo musical que transita pelo pop eletrónico alternativo e pelo indie dance, combinando uma produção eletrónica densa, com sintetizadores cinemáticos de travo french touch, à interpretação vocal crua e melancólica típica do indie rock. Toda a envolvência sonora é descrita como hipnótica e nostálgica.
Todo o álbum "Love and Tears" trata-se de uma instalação artística visual ambientada num futuro distópico no ano de 2034.A obra aborda a fragmentação social, a saturação emocional e o impacto da inteligência artificial/tecnologia na identidade humana.
O significado da canção expande-se através do seu conceito visual, funcionando como a faixa-título de um projeto mais amplo ambientado num futuro distópico. A obra aborda a fragmentação social, a saturação emocional e o impacto da tecnologia na identidade humana. No aclamado videoclipe, protagonizado pela atriz Charlize Theron, a câmara foca-se obsessivamente nas suas expressões faciais enquanto um motor de renderização digital a replica, transitando de uma euforia radiante para um desespero profundo. A letra, interpretada por Philippakis, reflete sobre o desejo e o isolamento, retratando a forma como o amor e a dor se transformam em espetáculo num mundo cada vez mais sintético e alienante.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

The Awakening - Angelyn


Melhor som aqui

Letra
Angelyn
Rise above the bitter end
Angelyn
Your smile won't let the winter in

I needed you
More than I thought I ever did
Won’t you just
Bring your sweet touch back again

'Cause I lied, I lied
'Cause I lied, I lied

Angelyn
The morning sun won’t shine again
Everything
Belongs to where we started it

I'm falling down
More than I could ever stand
Angelyn
Won't you bring your healing hand

'Cause I lied, I lied
Kept your world inside
You might also like
Armageddon Style
The Awakening
The Man Who Wasn’t There
The Awakening
Through The Veil
The Awakening
Can't take back the years
Can't swallow all the tears

Angelyn
Rise above the bitter end
Angelyn
Your smile won't let the winter in

'Cause I needed you
More than I thought I ever did
Angelyn
Bring your sweet touch back again

’Cause I lied, I lied
Kept your world inside

Oh, sweet angel let me in
Glance the thirst I’m drowning in
Oh, sweet angel let me in
Glance the thirst I'm drowning in

Significado da canção
O estilo central da canção é o rock gótico e o darkwave, numa faixa que mistura guitarras melódicas e melancólicas com sintetizadores subtis, uma atmosfera densa e o marcante vocal barítono e dramático de Ashton Nyte. Lançada originalmente no aclamado álbum Darker Than Silence (2004), a música surge numa era em que a banda refinou aquilo a que chamava "dark future rock". No que toca ao significado, "Angelyn" faz parte de um trabalho conceptual cujos temas principais giram em torno da devastação emocional, da perda, do isolamento e da dependência ou automedicação, transitando por sentimentos de profunda vulnerabilidade. O amor e a salvação surgem aqui como um refúgio, onde o eu lírico evoca "Angelyn" como uma figura salvadora ou um farol de pureza em meio ao caos interno - tal como se ouve em "Your smile won't let the winter in" ("O teu sorriso não deixa o inverno entrar") -, representando o conforto de que ele precisava desesperadamente, mais do que imaginava. Contudo, a dor da perda e o arrependimento ganham espaço à medida que a música avança, tornando claro que houve uma fratura ou uma mentira que destruiu essa ligação, algo evidente nos versos "For I lied, I lied... The morning sun won't appear again" ("Porque eu menti, eu menti... O sol da manhã não voltará a aparecer"). Cria-se assim um casulo escuro, onde a canção retrata a busca por trazer de volta o doce toque de alguém que trazia luz, enquanto o narrador se vê preso no inverno frio da sua própria mente e dos seus erros. Em resumo, trata-se de uma poesia gótica clássica sobre como o amor e a beleza de alguém podem ser a única barreira contra a depressão e a escuridão interior, evidenciando o desespero absoluto que surge quando essa barreira é quebrada.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Património dos super-ricos causa danos climáticos desproporcionados, diz estudo

Stargate Datacenter (Texas)
A Greenpeace calcula que os mais abastados contribuem com quase um bilião de dólares de prejuízos por ano através de emissões associadas à propriedade de ativos.

As pessoas ultra ricas que cruzam os céus mundiais nos seus jatos privados, relaxam em iates e se destacam pelo seu consumo ostensivo no Instagram estão entre os culpados individuais mais facilmente identificáveis na crise climática. No entanto, uma nova investigação defende que a culpa não reside apenas nos seus estilos de vida exuberantes, mas também nas suas contas bancárias.

Através da detenção de empresas e de ativos financeiros e físicos privados — que vão desde produtores de petróleo a empreendimentos imobiliários —, os super-ricos são responsáveis por uma fatia desproporcionada dos gases com efeito de estufa que estão a sobreaquecer o planeta. O 1% do topo da população mundial em termos de riqueza controla, através das suas participações acionistas e investimentos, cerca de um quarto do total das emissões anuais globais.

A Greenpeace calculou a "dívida climática" destes indivíduos com elevado património líquido, atribuindo-lhes a respetiva quota-parte dos danos causados ao clima pelos ativos de que são proprietários. Segundo estas contas, os mais ricos do mundo provocam quase um bilião de dólares ($1tn) por ano em prejuízos climáticos.

Clara Thompson, responsável global de campanhas sobre sistemas socioeconómicos na Greenpeace International, afirmou: "Numa altura em que as pessoas enfrentam faturas de energia cada vez mais altas, o aumento do custo de vida e impactos climáticos crescentes, muitos questionam-se por que razão os agregados familiares comuns devem carregar com uma parte tão grande do fardo, enquanto algumas das pessoas mais ricas do mundo continuam a lucrar com as indústrias que alimentam a crise."

A Greenpeace estima que o 1% mais rico da população seja responsável por cerca de 40% de todas as emissões baseadas na "propriedade" — ou seja, as emissões produzidas por empresas e associadas a ativos financeiros e físicos privados —, as quais representam, por si só, 60% da produção global de carbono. Dentro desse grupo, os 0,1% do topo respondem por cerca de 17% das emissões baseadas na propriedade, e os 0,01% mais ricos por cerca de 9%.

O escalão do 1% do topo é composto por indivíduos com um património superior a cerca de 2 milhões de dólares; os 0,1% detêm uma riqueza acima dos 7 milhões de dólares; e os 0,01% correspondem a pessoas com fortunas superiores a cerca de 38 milhões de dólares. Em contrapartida, a metade mais pobre da população mundial detém apenas 3% das emissões associadas à propriedade de ativos.

Thompson sublinhou que é fundamental pensar em termos de emissões baseadas na propriedade porque, embora sejam menos visíveis do que as emissões associadas ao consumo, são mais difíceis de combater.

"Isto não é apenas uma história sobre jatos privados e estilos de vida luxuosos. Quando se trata da poluição dos ultra-ricos, a propriedade importa ainda mais do que o consumo. Uma grande parte das emissões está associada à detenção de ativos e investimentos com elevada intensidade de carbono", explicou. "Durante anos, a política climática focou-se nos consumidores. Mas as nossas conclusões sugerem que deveríamos prestar muito mais atenção àquilo que as pessoas possuem e onde investem."

Uma forma de corrigir este desequilíbrio poderia passar pela aplicação de impostos sobre a riqueza. "A dívida climática tem a ver com responsabilidade", referiu Thompson. "Se concordamos que aqueles que mais contribuíram para o problema devem contribuir mais para o resolver, é perfeitamente razoável perguntar se esse princípio também se deve aplicar à riqueza extrema."

Dados independentes revelaram que os grandes bancos e outros investidores financeiros canalizaram 900 mil milhões de dólares para combustíveis fósseis no ano passado, apesar das promessas feitas por muitos deles há cinco anos para reduzir tais investimentos.

As disparidades gritantes entre o impacto ambiental dos super-ricos e o dos cidadãos comuns estão cada vez mais no centro das atenções, à medida que a desigualdade de riqueza dispara em todo o mundo. Recentemente, um relatório liderado pelo economista Thomas Piketty demonstrou que o mundo poderia viver de forma equitativa dentro dos recursos finitos do planeta, caso os excessos de riqueza fossem travados por impostos e os mais pobres pudessem reter uma maior fatia daquilo que o seu trabalho produz.

Governos de todo o mundo, com exceção dos EUA, estão reunidos em Bona, na Alemanha, para duas semanas de conversações que antecedem a cimeira do clima da ONU (Cop31) em novembro. Um dos temas que deverá receber maior atenção prende-se com os mecanismos para uma "transição justa", que ajude os trabalhadores afetados pelo abandono dos combustíveis fósseis a integrarem-se na economia de baixo carbono.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Relembrar a obra "À Espera dos Bárbaros" de John Maxwell Coetzee


A obra "À Espera dos Bárbaros", publicada em 1980 por J.M. Coetzee, constitui-se como uma densa alegoria sobre a natureza do poder, a erosão da moralidade e a construção artificial da inimizade. A narrativa centra-se na figura do Magistrado, um administrador colonial que vive numa pacata cidade fronteiriça de um Império sem nome, cuja rotina é estilhaçada pela chegada do Coronel Joll. Este oficial do "Terceiro Gabinete" encarna a face mais sombria da autoridade, instaurando um estado de exceção sob o pretexto de uma iminente invasão bárbara. Através da tortura e da paranoia, Joll transforma a convivência pacífica num cenário de terror, forçando o Magistrado a confrontar a sua própria cumplicidade no sistema que agora o horroriza.

Intelectualmente, o romance é um palimpsesto de referências que elevam a trama para além da crítica política imediata. A génese do título e do tema central reside no poema do grego Constantino Cavafy, que explora a ideia de que o Império necessita da figura do "bárbaro" para justificar a sua própria existência e coesão interna. Esta necessidade política de um inimigo externo é o motor que permite ao Estado exercer uma violência sem limites, um conceito que encontra eco nas teorias de Hannah Arendt sobre a "banalidade do mal". O Coronel Joll não é movido por um ódio pessoal, mas sim por uma eficiência burocrática e uma cegueira ética que Arendt identificou nos perpetradores dos maiores crimes do século XX.

A atmosfera de opressão e o absurdo da máquina estatal remetem invariavelmente para Franz Kafka. Tal como nas obras do autor checo, o Magistrado vê-se preso numa engrenagem que não consegue controlar nem compreender totalmente, onde a justiça é uma miragem e a punição precede muitas vezes o crime. Esta violência física, exercida sobre os corpos dos prisioneiros, estabelece um diálogo direto com as teses de Michel Foucault em Vigiar e Punir. Coetzee demonstra como o Império utiliza a tortura para inscrever o seu poder na carne, transformando o corpo humano num território de domínio absoluto onde a "verdade" é extraída através do sofrimento.

No centro da crise espiritual do protagonista está a sua relação com uma prisioneira bárbara, deixada cega e mutilada. Aqui, a narrativa mergulha na filosofia da alteridade de Emmanuel Levinas. O Magistrado tenta, através do cuidado e de uma obsessiva observação, compreender o sofrimento da rapariga, mas acaba por perceber que o "Outro" permanece radicalmente inacessível. A sua tentativa de redenção é, em si mesma, uma forma de apropriação, revelando que mesmo o desejo de bondade pode estar contaminado pela estrutura de poder colonial.

Escrito durante o auge do regime do Apartheid na África do Sul, o texto de Coetzee transcende o seu contexto histórico para se tornar uma meditação universal. Ao recusar localizações geográficas precisas, o autor sugere que a barbárie não habita fora das muralhas, nas planícies dos nómadas, mas sim no coração da civilização que se define pela exclusão e pela crueldade. O desfecho da obra, marcado por uma espera vazia e pela decadência do posto fronteiriço, sublinha a tese de que todos os impérios, ao alimentarem-se da destruição do outro, acabam por acelerar a sua própria e inevitável queda.

Ver o filme aqui

quinta-feira, 12 de março de 2026

The Awakening - Nothing Like the Rain

Versão original, 6ª canção do álbum Tales Of Absolution + Obsoletion lançado em Junho de 2009
 

Versão mais dançável,  6ª canção do álbum Anthology IV lançado em Abril de 2014


Letra
[Verso 1]
It doesn't have to be like this
Down on the floor with your heart
It never felt so meaningless
It's over, the hurting won't stop

[Verso 2]
It doesn't have to be like this
As time leaves and time wounds the dark
You suffocate the emptiness
It's over

[Refrão]
There's nothing like the rain here
To wash away the scars
There's nothing like the rain here
Feel it fall

[Verso 3]
It doesn't have to be like this
Broken by who you are, not
Sorrow leaves you with her kiss
And echoes the words to a song

[Verso 4]
It doesn't have to be like this
Down on the floor with your past
The suffocating emptiness
Is over

[Refrão]

[Verso 5]
And like some other tragedy
You drift away in spite of me
And like, the words I've never known
I'm shown

[Refrão]

Esta música é um mergulho profundo no Gótico moderno, onde a melancolia não é apenas tristeza, mas uma forma de catarse. A letra explora temas clássicos de perda, arrependimento e a busca por redenção emocional, colocando o eu lírico num momento de colapso — "no chão com seu coração" — enquanto tenta processar o fim de algo doloroso.

Dentro desta narrativa, a metáfora da chuva é central: no universo da música gótica, a chuva raramente é apenas clima; ela representa uma força externa que limpa e "lava as cicatrizes". É um momento de entrega total onde, quando não há mais o que fazer, o indivíduo permite que a chuva caia para levar o peso do passado. Essa resiliência trágica é reforçada pelo refrão "it doesn't have to be like this" (não precisa ser assim), que sugere uma luta interna contra o sofrimento cíclico e a tentativa desesperada de encontrar um fim para o vazio sufocante que a dor deixou.

Musicalmente, o The Awakening entrega aqui um exemplo perfeito de Darkwave e Gothic Rock. Com o uso de sintetizadores atmosféricos, guitarras dramáticas e a voz barítona marcante de Ashton Nyte, a canção cria uma sensação de espaço vasto e solitário. É uma sonoridade que herda o legado de bandas como The Sisters of Mercy, mas com uma sensibilidade moderna que transforma a angústia em algo esteticamente belo e libertador.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Fokofpolisiekar - Ek Skyn(Heilig)


Te vinnigTe veelEk sal al my beloftes breek as jy my net 'n kans kan geeWie sal vir my liefde maak?Wie sal vir my liefde maak?As die somer so lekker is, hoekom voel ek so fucked?
Ek skynEk skyn heiligOnder die straatligOnder die maanligSê vir my as die rewolusie verby is
GeliefdesOns weet'n Hond sal altyd na sy braaksel toe terugkeerMoenie so verbaas wees nieGooi net 'n bietjie vet op die vuurDoos siek en melancholies
Ek skynEk skyn heiligOnder die straatligOnder die maanligSê vir my as die rewolusie verby is
Ek bly verveeldEn my bene is seerEk staan voor jou deurEn my kop klop
Genade onbeskryflik grootEk is die Hel inBibber en beef die boere bedriëerDie wêreld gaan jou haat, my seunAs jy die waarheid praat gaan hulle jou wil doodmaak
Ek skynEk skyn heiligOnder die straatligOnder die maanligSê vir my as die rewolusie verby is
Ek bly verveeldEn my bene is seerEk staan voor jou deurEn my kop klop

Curiosidade: O nome da banda traduz-se literalmente como "Fck Off Police Car" o que gerou muita controvérsia na África do Sul na época da sua formação em 2003.

A canção "Ek Skyn(Heilig)" é uma das obras mais profundas e críticas do Fokofpolisiekar. Para entender o seu significado, é preciso olhar para o trocadilho no título e para o contexto cultural da banda.

1. O Jogo de Palavras: "Ek Skyn(Heilig)"
O título é um trocadilho brilhante em língua africâner:

"Ek skyn": Significa "Eu brilho".

"Skynheilig": Significa "Hipócrita" (literalmente, alguém que "brilha como um santo" mas não o é).

Ao colocar o "Heilig" (Santo) entre parênteses, a banda sugere que, enquanto tentam "brilhar" ou ser autênticos, a sociedade ou a religião os rotula como hipócritas — ou vice-versa.

2. O Significado e Temas Principais
A letra é um desabafo contra as expectativas da sociedade conservadora sul-africana e a desilusão com a religião institucionalizada.

A Luta contra a Hipocrisia: A música critica as pessoas que mantêm uma aparência de santidade ("brilham") mas vivem vidas vazias ou julgadoras. A banda questiona as normas morais impostas pela geração anterior.

Crise de Identidade: O refrão explora a sensação de estar perdido. Eles cantam sobre não se sentirem em casa e sobre a dificuldade de encontrar a "luz" (verdade) num mundo cheio de falsidade.

Desespero Existencial: Há um tom de cansaço. A música pergunta se vale a pena tentar ser "bom" segundo os padrões de outros quando isso parece inalcançável ou falso.

3. Impacto Cultural
Lançada no álbum Swanesang (2006), esta música tornou-se um hino para a juventude africâner que se sentia alienada pela Igreja Reformada Holandesa e pelo peso histórico do Apartheid. A canção diz, essencialmente: "Eu prefiro admitir que sou imperfeito do que brilhar com uma santidade falsa."

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Pensamento e Filosofia de Desmond Tutu

"Esperança é conseguir ver que há luz apesar de toda a escuridão." - Desmond Tutu

Desmond Tutu (07/10/1931 26/12/2021) foi uma das figuras morais mais relevantes do século XX, articulando de forma original a filosofia africana, a teologia cristã e a ética política. O seu pensamento desenvolveu-se sobretudo como resposta a contextos históricos concretos de injustiça estrutural, em particular o regime do apartheid na África do Sul, o que confere à sua reflexão um carácter marcadamente prático e aplicado. Mais do que construir um sistema filosófico abstrato, Tutu propõe uma ética orientada para a transformação social e para a reconstrução da humanidade ferida pela opressão.

No centro do seu pensamento encontra-se o conceito africano de Ubuntu, que funciona simultaneamente como fundamento ontológico e ético. Segundo esta conceção, o ser humano não é um indivíduo isolado, mas um ser relacional, cuja identidade se constrói no interior da comunidade. A ideia de que “eu sou porque nós somos” expressa uma ontologia relacional que contrasta com modelos individualistas predominantes na tradição filosófica ocidental. Para Tutu, a realização pessoal só é possível quando as relações humanas são justas, solidárias e reconhecedoras da dignidade de todos. O Ubuntu sustenta, assim, uma ética comunitária em que o bem individual não pode ser separado do bem comum.

A noção de dignidade humana ocupa um lugar central nesta perspetiva. Tutu defende que a dignidade é intrínseca e universal, não dependendo de raça, estatuto social, cultura ou reconhecimento jurídico. Nenhum sistema político ou económico pode legitimamente negar a humanidade de um grupo sem, ao mesmo tempo, desumanizar toda a sociedade. Esta convicção fundamenta a sua crítica moral ao apartheid, entendido não apenas como um erro político, mas como uma violação profunda da condição humana, tanto das vítimas como dos opressores. A partir daqui, o pensamento de Tutu aproxima-se das éticas dos direitos humanos, rejeitando qualquer relativismo cultural que pretenda justificar a exclusão ou a violência.

Um dos contributos mais relevantes de Desmond Tutu para a reflexão ética e política contemporânea é a defesa da justiça restaurativa. Esta abordagem ganhou expressão institucional na Comissão da Verdade e Reconciliação da África do Sul, que Tutu presidiu após o fim do apartheid. Ao contrário da justiça retributiva, centrada na punição do culpado, a justiça restaurativa procura reconhecer a verdade, responsabilizar moralmente os perpetradores e, sobretudo, reparar as relações sociais destruídas pela violência. A justiça deixa de ser entendida apenas como aplicação da lei e passa a ser concebida como um processo de cura social, no qual a memória, o reconhecimento do sofrimento e o diálogo desempenham um papel fundamental.

Neste contexto, o perdão assume uma dimensão ética e política central. Para Tutu, perdoar não significa esquecer nem negar a gravidade do mal cometido. O perdão pressupõe a verdade e a responsabilização, mas recusa a perpetuação do ressentimento como base da vida coletiva. Trata-se de um ato moral exigente, que rompe ciclos de vingança e cria condições para uma convivência futura. O perdão é, assim, entendido como uma forma de práxis transformadora, capaz de libertar tanto as vítimas como os ofensores da lógica da violência contínua.

A relação entre religião, ética e política é outro eixo fundamental do pensamento de Tutu. Embora profundamente enraizado na tradição cristã, ele rejeita uma separação absoluta entre fé e esfera pública. A religião, na sua perspetiva, deve funcionar como consciência crítica da sociedade, denunciando estruturas de injustiça e interpelando o poder quando este viola a dignidade humana. A sua célebre frase resume bem esta posição:“Se és neutro em situações de injustiça, escolheste o lado do opressor.” A neutralidade perante a injustiça é, para Tutu, uma forma de cumplicidade moral, o que levanta importantes questões filosóficas sobre responsabilidade ética, compromisso cívico e o papel das convicções morais na vida pública.

Em síntese, o pensamento de Desmond Tutu pode ser compreendido como uma ética da interdependência humana, fundada no Ubuntu, na dignidade universal e na convicção de que a justiça deve restaurar, e não apenas punir. A sua reflexão permanece particularmente актуada em contextos de pós-conflito, nos debates sobre memória histórica, reconciliação e direitos humanos, bem como na educação para a cidadania democrática. Trata-se de uma filosofia que, partindo de uma experiência histórica concreta, propõe princípios com clara relevância universal, convidando à construção de sociedades mais justas, solidárias e humanas.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Solos em vários países de África estão repletos de “químicos eternos” que ameaçam ecossistemas e saúde pública



Substâncias poluentes químicas estão a acumular-se nos solos e culturas agrícolas em níveis potencialmente perigosos para os ecossistemas e a saúde pública em vários países africanos.

A revelação é feita por uma investigação publicada este mês na revista ‘New Contaminants’, na qual um grupo de cientistas da China, do Quénia e da Rússia alerta para altas concentrações de ácido perfluorooctanossulfónico (PFOS), integrado na categoria dos poluentes persistentes conhecidos vulgarmente como “químico eternos” devido à sua resistência à degradação, em países como Gana, África do Sul, Quénia e Uganda.

Embora digam que o uso de PFOS tenha sido abandonado em muitas partes do mundo, os investigadores apontam que contaminação histórica, atividades industriais ainda em curso, o processamento de resíduos eletrónicos e descargas de águas residuais, por exemplo, continuam a introduzir essas substâncias nos solos agrícolas africanos.

“O nosso objetivo era chamar a atenção para um desafio ambiental silencioso que tem amplamente passado despercebido em África”, diz, citado em comunicado, Bonface Oginga, primeiro autor do estudo.

“O solo e os sistemas vegetais que suportam a produção de alimentos estão já sob stress. A presença de PFOS acrescenta ainda mais uma camada de pressão que os países não estão devidamente equipados para monitorizar ou gerir”, acrescenta.

A equipa refere que em alguns dos países estudados as lamas resultantes do tratamento de águas residuais contêm altos níveis de “químicos eternos”, pelo que, quando são usadas como fertilizantes agrícolas, esses poluentes entram nas culturas e nos alimentos produzidos. E, a partir daí, podem chegar às populações humanas.

“Compreender como é que os PFOS entram no solo e nas plantas é essencial para avaliar os riscos para as comunidades que dependem da agricultura local”, salienta Fredrick Owino Gudda, coautor do artigo.

No que toca aos impactos ecológicos, os cientistas indicam que a exposição aos PFOS pode afetar as comunidades de microrganismos que vivem e sustentam o bom funcionamento dos solos e interferir negativamente na absorção de nutrientes por parte das plantas. Em regiões onde os solos são já pobres em nutrientes essenciais para as plantas, como fósforo e nitrogénio, a produtividade agrícola pode ser ainda mais reduzida.

Assim, os investigadores apelam aos governos africanos e às respetivas agências ambientais que expandam os seus esforços de monitorização, que adoptem tecnologias avançadas de análise e que reforcem os regulamentos para combater os “químicos eternos”. A par de tudo isso, é imprescindível, argumentam os autores, investir na investigação científica.

“Ao fortalecerem a monitorização, a regulamentação e a investigação, os países africanos podem proteger melhor os seus solos, culturas agrícolas e comunidades face aos riscos de longo-prazo resultantes dos PFOS”, sublinha Chao Qin, que também assina este trabalho.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

The Awakening - Haunting


Something borrowed
Something lost
Something in this circle
Of salt and dust

The candles flicker
As the cards are dealt
A pale reflection
Of another lesser doubt

And I know
I'm holding on to something
I can never hold

So rise
As the shadows stain the wall
I hear you down the hall
I know this feeling
You’re haunting me
Again
Haunting

An old piano
And a little wine
I summon stories
As I rob the vine

Sleep is hiding
In the other room
My eyes are open
In the fading, splintered gloom
I know, I know
You'll be here soon

Oh rise
Like the ashes from your flame
Whispering my name
I love the feeling
Of you haunting me
Again
Haunting

So rise
As the shadows stain the wall
I hear you down the hall
I'm still dreaming
Of you haunting me
Again
Haunting me
Again
Haunting

A canção “Haunting”, da banda sul-africana The Awakening, mergulha no universo do gótico e do simbólico. A melodia e a letra conduzem-nos por um cenário de velas, ecos e recordações — onde o “assombro” não é terror, mas presença do passado.

Trata-se de uma metáfora emocional: as memórias, as perdas e os amores que continuam a habitar-nos, mesmo quando julgávamos tê-los deixado para trás. O narrador sente-se “assombrado” por alguém ou algo que regressa — e, paradoxalmente, acolhe essa presença com ternura.

No imaginário de The Awakening, o “haunting” é também um despertar interior: a consciência de que cada experiência, mesmo a mais dolorosa, deixa marcas que moldam o nosso ser. É um hino à beleza melancólica da impermanência — um eco entre o espiritual e o humano.

domingo, 26 de outubro de 2025

Relembrar o legado de Nelson Mandela


"Damos dignidade às pessoas presumindo que são boas, que partilham as qualidades humanas que atribuímos a nós próprios." ~ Nelson Mandela

Nelson Mandela esteve preso durante 27 anos — de 1962 a 1990.
Ele foi inicialmente condenado a cinco anos por incitar greves e sair ilegalmente do país, e depois, em 1964, foi sentenciado à prisão perpétua no famoso Julgamento de Rivonia, acusado de sabotagem e conspiração contra o regime do apartheid.

Mandela passou a maior parte desse tempo na prisão de Robben Island, depois foi transferido para Pollsmoor e mais tarde para a prisão de Victor Verster, de onde foi libertado em 11 de fevereiro de 1990.

Em março de 1980, o slogan "Mandela Livre!" foi desenvolvido pelo jornalista Percy Qoboza, desencadeando uma campanha internacional que levou o Conselho de Segurança das Nações Unidas a pedir sua libertação. Apesar do crescente isolamento do país, o governo recusou em ceder às pressões internacionais, confiando em seus aliados anticomunistas da Guerra Fria, o presidente norte-americano Ronald Reagan e a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher; ambos consideravam o CNA de Mandela uma organização terrorista simpatizante do comunismo e apoiavam sua repressão.

Não guardou rancor. Nelson Mandela deixou um legado de coragem, perdão e esperança. Lutou contra o apartheid, defendeu a liberdade e guiou a África do Sul rumo à reconciliação e à democracia. O seu exemplo lembra-nos que a verdadeira liderança se mede pela capacidade de unir, servir e inspirar.

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Superpoder das algas marinhas e novas possibilidades de armazenamento


As ervas marinhas têm um superpoder oculto. Por mais insignificante que a planta possa parecer, tem diversas propriedades positivas. Assim, contribui significativamente para a biodiversidade e oferece um habitat protegido para animais como peixes, moluscos e camarões. Com os seus caules e raízes, as ervas marinhas também consolidam a areia e os sedimentos, protegendo assim as costas contra a erosão. Além disso, as ervas marinhas absorvem CO2 do mar e armazenam o seu carbono, o que contribui para a proteção climática.
“Queremos que as ervas marinhas voltem a espalhar-se de forma permanente, sem a nossa ajuda”, afirma Maike Paul, da Universidade de Hanôver, coordenadora do projeto SeaStore. No sul do Mar Báltico, ela e a sua equipa trabalham nas bases científicas para uma renaturalização em grande escala. Em três locais, já reintroduziram as ervas marinhas e analisaram o seu crescimento para garantir o sucesso a longo prazo. Ao mesmo tempo, a equipa de investigação sensibiliza a população costeira e os turistas para a proteção destas plantas. Além disso, vários voluntários apoiam os investigadores, mergulhando também no Mar Báltico e ajudando a plantar novas ervas marinhas.

Desviar chuvas fortes e torná-las utilizáveis
Da proteção contra cheias à prevenção de secas: o projeto de investigação Smart-SWS, iniciado pela Universidade Técnica de Munique e no qual também participa a Universidade Técnica de Deggendorf, no Danúbio, aborda uma gama notável de temas. Em 2013, após dias de chuvas intensas, o rio transbordou, causando grandes danos com as massas de água. A Smart-SWS pretende evitar tais eventos e, ao mesmo tempo, melhorar o abastecimento de águas subterrâneas.
No final de 2024, uma instalação-piloto entrou em funcionamento na localidade de Hüll, na Alta Baviera: esta recolhe a água da chuva forte da superfície, trata-a e disponibiliza-a para o abastecimento de águas subterrâneas. Com o novo sistema, a água acumulada pode escoar muito mais rapidamente do que em circunstâncias normais e ser armazenada por mais tempo no local. Lea Augustin, colaboradora da Smart-SWS, explicou: “Uma grande vantagem é que o sistema pode ser usado em muitos locais e regiões da Alemanha com base nos resultados das nossas análises de adequação.” E provavelmente também mais além: recentemente, a equipa apresentou a instalação-piloto num simpósio em Stellenbosch, na África do Sul.

terça-feira, 27 de maio de 2025

A migração espectacular de um falcão fêmea


Um falcão fêmea equipada com um rastreador GPS, fez uma jornada da África do Sul até a Finlândia, percorrendo cerca de 230 km por dia.
Ela voou em linha reta pelas terras africanas até chegar ao deserto no norte, depois seguiu o caminho do Rio Nilo pelo Sudão e Egito e evitou sobrevoar o Mar Mediterrâneo.
Ela cruzou a Síria e o Líbano e também evitou sobrevoar o Mar Negro, pois se tivesse sede, não poderia beber dele.
Ela continuou em linha reta e chegou à Finlândia depois de 42 dias.

sábado, 17 de maio de 2025

War/No More Trouble feat. Bono



À medida que viajávamos pelo mundo, encontrávamos amor, ódio, ricos e pobres, negros e brancos, bem como muitos grupos religiosos e ideologias diferentes. Ficou muito claro que, enquanto raça humana, precisamos de transcender das trevas para a luz e a música é a nossa arma do futuro. This Song Around The World conta com a participação de Bono, David Broza, Rocky Dawuni, Mermans Mosengo e músicos que viram e superaram conflitos e ódio com amor e perseverança. Não precisamos de mais problemas, o que precisamos é de amor. O espírito de Bob Marley vive sempre.

Until the philosophy which hold one race
Superior and another inferior
Is finally and permanently
Discredited and abandoned
Everywhere is war, me say war

(We don't need) No, we don't need (no more trouble)
No more trouble!
(We don't need no more trouble)

(We don't need) We don't need (no more) trouble!
We don't need no trouble!

What we need is love (love)
To guide and protect us on (on)
If you hope good down from above (love)
Help the weak if you are strong now (strong)

We don't need no trouble (Need no trouble)
What we need is love
(What we need is love sweet love) Oh, no!
We don't need, no more trouble!
Lord knows, we don't need no trouble!

Speak happiness! (Sad enough without your woes)
Come on, you all, and speak of love
(Sad enough without your foes)

We don't need no trouble (We don't need your troubles)
What we need is love now (What we need is love!)
(We don't need) Oh, we don't need no more trouble!
We don't need, no, we don't need no trouble!

segunda-feira, 17 de março de 2025

O vínculo amargo




Esta curta-metragem de animação, chamada "The Bitter Bond, foi lançada pela Born Free Foundation e denuncia a criação de leões em cativeiro na África do Sul. Porque existem reservas privadas onde são criados para que quem quiser e puder pagar possa ir e disparar.
Não há maior hipocrisia do que a do ser humano.

sexta-feira, 12 de julho de 2024

Organização Meteorológica Mundial alerta para impacto humano nas poeiras da atmosfera


A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou hoje para o impacto das atividades humanas na libertação de poeiras na atmosfera, cujas concentrações aumentaram em 2023 em certas zonas do planeta, como China e Mongólia.

“Necessitamos de estar vigilantes face à contínua degradação ambiental e às alterações climáticas. Provas científicas demonstram que as atividades humanas estão a ter impacto nas tempestades de areia e poeiras. Por exemplo, temperaturas mais elevadas, secas e maior evaporação levam a uma menor humidade do solo, que, combinada com a má gestão da terra, conduz a mais tempestades de areia e poeiras”, advertiu, citada em comunicado, a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.

Segundo a OMM, que hoje divulgou o relatório anual sobre poeiras, no Dia Internacional de Combate às Tempestades de Areia e Poeiras, todos os anos “cerca de dois mil milhões de toneladas de poeiras entram na atmosfera, escurecendo os céus e prejudicando a qualidade do ar em regiões que podem estar a milhares de quilómetros de distância, afetando economias, ecossistemas, tempo e clima”.

Em grande parte, tal deve-se a “uma má gestão da água e da terra”, assinala a OMM, agência da ONU, organização liderada pelo português António Guterres que estima que pelo menos 25% das emissões globais de poeiras têm origem em atividades humanas.

De acordo com o relatório hoje publicado, as concentrações médias de poeiras aumentaram em 2023 no oeste da Ásia Central, no centro-norte da China e no Sul da Mongólia face a 2022.

No ano passado, a tempestade de areia mais severa ocorreu em março na Mongólia, atingindo uma área de mais de quatro milhões de metros quadrados, incluindo 20 províncias da China.

No hemisfério sul, as concentrações de poeiras alcançaram o seu nível mais alto em partes da Austrália Central e na costa oeste da África do Sul.

De acordo com a OMM, as regiões mais vulneráveis ao transporte de poeiras de longa distância são o norte do oceano Atlântico tropical, entre a África Ocidental e as Caraíbas, a América do Sul, o mar Mediterrâneo, o mar Arábico, a baía de Bengala e o Centro-Leste da China.

Em 2023, o pico anual estimado para a concentração média de poeiras registou-se em algumas áreas do Chade, país no Centro-Norte de África abrangido pelo deserto do Sara.

No ano passado, em agosto, uma nuvem de poeiras do norte de África afetou a qualidade do ar em Portugal continental.

As poeiras com origem nesta região do globo voltaram em 2024 a afetar Portugal, e com mais frequência, nos meses de março, abril e junho.

Mas nem tudo é mau, segundo a Organização Meteorológica Mundial, que, citando um novo estudo, realça que a deposição de poeiras do Sara nas águas do Atlântico favorece o crescimento de fitoplâncton (algas microscópicas e cianobactérias), de que se alimentam peixes como o atum-bonito, cuja captura aumentou entre as décadas de 1950 e 2020.

terça-feira, 16 de abril de 2024

José Goulão – o sionismo explicado pelos sionistas. Como pensa e age a “raça pura”


Os árabes e muçulmanos… Sempre os árabes e muçulmanos culpados por tudo de mau que acontece aos judeus, a começar por quererem manter-se numa terra que não lhes pertence, uma vez que, voltando a citar o ex-primeiro-ministro israelita Naftali Bennet em 2022, «ainda vocês trepavam às árvores já nós tínhamos um Estado». Esta é uma das essências do sionismo e do seu racismo fundamentalista. Não é que existam formas benignas de racismo mas, tal como o regime de apartheid – cujo ideólogo, Cecil Rhodes, foi tão enaltecido pelo fundador do sionismo –, a teoria e prática em que assentam o Estado de Israel são um caso extremo e psicopata de racismo cultivado num ambiente doentio em que se cruzam aberrações teológicas, a crueldade mística e sádica emanando do Antigo Testamento, os mitos do «povo escolhido» e da «terra prometida» encarados como preceitos divinos a respeitar acima de quaisquer leis terrenas e das decisões tomadas pelos humanos não-judeus, que afinal existem «apenas para nos servir».
À resultante desta mistela de elucubrações tonificadas por uma ficção delirante na qual o ser humano que não seja «judeu» é a menor das preocupações do deus do sionismo, chama o Ocidente colectivo «a única democracia do Médio Oriente».
A função de Israel como um «polo da civilização no meio da barbárie», ou seja, o argumento que está na base do papel colonial e imperial geostratégico que o regime de Telavive continua a desempenhar, com a crueldade inerente, vem dos primórdios do sionismo; isto é, a componente mística e a nova cruzada na Palestina tiveram também no bojo os interesses económicos, financeiros e o controlo de rotas comerciais e matérias-primas dos poderes mundiais dominantes, na altura o Império Britânico. Não é por acaso que este assumiu o mandato internacional da Palestina, preparando o terreno para que o papel de colonizador transitasse para o sionismo.
Theodor Herzl especificou, no seu trabalho fundador, que um Estado judaico construído pelo sionismo será «um muro de defesa da Europa na Ásia, um posto avançado da civilização contra a barbárie (…) pelo que a Europa deverá garantir a nossa segurança». Herzl tinha, por certo, veia de «profeta», embora sem o mérito dos de antanho porque o desfecho era previsível perante um quadro de relação de forças tão definido como o da época, tal como o actual – embora este seja bem mais periclitante. Aliás, Joseph Biden parece ter herdado uma costela de Herzl: nos anos oitenta, quando ainda não era guiado pelos auriculares e pelo teleponto, dizia que «o Estado de Israel se não existisse teria de ser inventado».

Não é por acaso que o actual presidente dos Estados Unidos se define como «um cristão sionista». O sionismo assegura os interesses terrenos dominantes; a religião, que afinal pode não ser apenas a judaica, garante a mistificação da História e das realidades próprias do colonialismo, quando não do fascismo, independentemente das épocas. Um singelo exemplo doméstico: D.ª Lucinda Ribeiro Alves, uma fundadora do Chega, diz-se uma «evangélica cristã sionista», além de seguidora de Bolsonaro.
O sionismo é uma doutrina doentia, aberrante, oportunista e violenta que não pode, nem deve, ser confundida com o judaísmo e a cultura hebraica, muito menos com os povos semitas. O sionismo, seguindo a teoria e a prática dos seus mentores, é uma ideologia antissemita. David Ben Gurion, considerado o fundador do Estado de Israel, que se considerava laico e trabalhista, não deixou dúvidas quanto a isso ao afirmar que «as considerações sionistas prevalecem sobre os sentimentos judaicos e quando o digo não faço mais do que ter em conta os preceitos sionistas».
Os conceitos de «raça pura» e «povo escolhido» elevam, porém, o Estado de Israel para um patamar transcendente; são conceitos assustadores a todos os níveis e sob quaisquer perspectivas porque sustentam uma entidade supostamente dotada de imunidade, impunidade e de uma missão escatológica associada ao fim do mundo, o Armagedão, a luta final entre o bem e o mal biblicamente programada para o lugar de Meggido, por sinal no interior do território israelita. Não se creia que estamos apenas perante delírios místicos. Ariel Sharon, criminoso de guerra com o sangue dos mártires de Sabra e Chatila nas mãos e ex-primeiro ministro de Israel, garantiu numa entrevista ao jornal britânico Guardian que, em caso de confrontação limite no planeta, «temos capacidade para destruir o mundo e garanto que isso acontecerá antes de Israel se afundar».
Sharon nunca foi conhecido por ter muita garganta e ser um fanfarrão.

«Um projecto nacionalista, mais nada»
Sionismo e racismo são indissociáveis. Assentam na ficção mística e têm como objectivo terreno a expansão do poder judaico de origem europeia, dotado de um estatuto civilizacional e humanista de que o Ocidente colectivo se declarou proprietário, através de vastas zonas de influências económicas, estratégicas e, sobretudo, militares do Médio Oriente.
Pode dizer-se que o Estado de Israel é um pequeno território. Pode até acrescentar-se um desabafo da antiga primeira-ministra sionista Golda Meir: «A única coisa que tenho contra Moisés é ele ter andado 40 anos no deserto para nos conduzir ao único lugar no Médio Oriente que não tem petróleo. Se Moisés tivesse virado à direita em vez de ter virado à esquerda teríamos petróleo e os árabes areia».
O errado palpite geográfico de Moisés, no entanto, é uma coisa que se corrige. Segundo a mesma Golda Meir, «a fronteira de Israel é onde os judeus vivem, não onde existe uma linha no mapa».
Considerações afins já tinham sido proferidas por Ben Gurion vinte a trinta anos antes ao enunciar o dogma de que «a pedra de toque do sionismo é a verdadeira colonização conduzida por judeus em todas as regiões da Terra de Israel», um conceito que então ainda deixou em aberto. Posteriormente o primeiro primeiro-ministro de Israel avançou na especificação dessa ideia, embora sem desvendar ainda totalmente o jogo, ao declarar que «o Estado será apenas uma etapa na realização do sionismo e a sua tarefa é preparar a expansão; o Estado deverá preservar a ordem não apenas pregando a moralidade mas também com metralhadoras, se necessário».

Dito e feito. No «protocolo de governo» quando se tornou primeiro-ministro, em 1948, Ben Gurion estabeleceu que «devemos partir para a ofensiva com o objectivo de esmagar o Líbano, a Transjordânia (actualmente Jordânia) e a Síria». Citado pelo Times of Israel, o lendário dirigente sionista e israelita desvendou a sua estratégia militar: «quando bombardearmos Amã eliminaremos também a Cisjordânia e então a Síria cairá; sem qualquer esforço militar especial que ponha em perigo as outras frentes, apenas usando as tropas já designadas para essa tarefa, poderemos limpar a Galileia», no norte do território actual de Israel até à fronteira com o Líbano, o que implicou a expulsão de pelo menos 100 mil palestinianos. Ben Gurion «limpou» a Galileia, é certo, mas outras alíneas do programa continuam por cumprir – percebendo-se, no entanto, que não foram retiradas do pacote de ambições sionistas.
Num conselho ao então jovem oficial Ariel Sharon, dado no seguimento do massacre na aldeia de Qibya em 1953 – chacina de 70 pessoas, dois terços das quais eram mulheres e crianças, não faltaram mestres aos genocidas de agora em Gaza – Ben Gurion disse que «a única coisa que interessa é podermos existir aqui na terra dos nossos antepassados; e que mostremos aos árabes que há um alto preço a pagar pelo assassínio de judeus». «Existir» nesta terra, de acordo com o pensamento do primeiro chefe de um governo israelita, significa «que devemos aceitar as fronteiras de hoje, mas os limites das aspirações sionistas são uma questão do povo judaico e nenhum factor externo será capaz de limitá-lo». Palavras que são todo um inequívoco programa político-militar genocida, ignorando deliberadamente o direito internacional.