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sexta-feira, 3 de abril de 2026

U2 - Easter Parade


A canção apresentada no vídeo é uma versão de "Easter Parade", um tema original da banda escocesa The Blue Nile, interpretado aqui pelos U2. No que toca ao estilo musical, esta peça afasta-se do rock de estádio mais convencional da banda irlandesa para mergulhar no Sophisti-pop e no Art Pop.

Trata-se de uma composição minimalista e atmosférica, onde impera uma sonoridade polida e elegante, muito característica da produção de finais dos anos 80 e início dos 90. A faixa assenta numa estrutura de Ambient Pop, privilegiando texturas suaves de piano e sintetizadores que criam uma envolvência etérea e quase hipnótica.

Do ponto de vista interpretativo, a música funciona como uma balada contemplativa. A voz de Bono assume um tom mais contido e vulnerável, focando-se na carga emocional e espiritual da letra. A presença de elementos litúrgicos, como a repetição da expressão grega "Kyrie Eleison" (Senhor, tende piedade) na secção final, reforça o carácter solene e devocional da obra, transformando-a numa espécie de hino moderno de cariz espiritual.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Anna von Hausswolff - The Mysterious Vanishing of Electra


My feet are not enough
My feet are not enough
My feet are not enough
My feet are not enough
Oh, to save me

Oh, to save me

His search is not enough
His search is not enough
Oh, to find me

Oh, to find me

My love is not enough
Oh, my love is not enough-ough
To save me
Oh, to save me

You search through the forest and the bottomless sea
And you cry
Push the trees, push the sky, push the air aside
You look at their faces and their meaningless loss
And you cry
Who is she, who is she, who is she who is she to say goodbye?


A Impotência perante a erda
Em "The Mysterious Vanishing Of Electra", o tema central do álbum Dead Magic (2018) ganha uma forma visceral. Anna von Hausswolff não se limita a cantar sobre o luto; ela constrói um exorcismo sonoro que explora a paralisia e a frustração humana perante o que é irreversível.

O Simbolismo da busca e o peso do Mito
O título remete imediatamente para Electra, um nome com fortes raízes na tragédia grega (o complexo de Electra) No entanto, a letra expande este arquétipo para uma narrativa de perda universal e desesperada.

A composição assenta na ideia de insuficiência:
  1. A limitação humana: A repetição de frases como "My feet are not enough" (Os meus pés não são suficientes) e "My love is not enough" sublinha que nem o esforço físico nem a devoção emocional conseguem resgatar quem se partiu.
  2. Cenários míticos: Ao evocar buscas por "florestas e mares sem fundo", a artista transporta o desespero do plano terreno para um cenário quase lendário, onde a "desaparição" de Electra parece definitiva.
  3. A incompreensão: A pergunta "Who is she to say goodbye?" (Quem é ela para dizer adeus?) revela a perplexidade e a revolta de quem fica para trás, incapaz de aceitar o destino.
Uma Performance de Pura Urgência
A estrutura da canção reflete uma urgência que é tanto física como espiritual. A repetição exaustiva dos versos, aliada aos vocais de Anna — que evoluem de melodias introspectivas para gritos guturais —, simboliza uma dor que já não cabe em palavras comuns. É o som de uma alma a tentar conter o inconformável.

A catedral de som: o Órgão de Tubos
O peso emocional da obra é sustentado por uma base sonora monumental, fruto de uma escolha artística rigorosa:
  1. O local: o instrumento foi registado na Marmorkirken (Igreja de Mármore), em Copenhaga. Anna escolheu este local pela acústica única do enorme domo, afirmando que o som do órgão parecia "cristalizar" e disparar notas como ondas hipnotizantes.
  2. O instrumento: trata-se de um órgão Marcussen & Søn de 1963, que incorpora tubos originais de 1894, conferindo uma textura histórica e imponente à faixa.
  3. Produção: gravado ao vivo em estéreo com o produtor Randall Dunn, o órgão cria o drone cavernoso que serve de fundação à música.
Embora o videoclipe oficial, realizado por Maria von Hausswolff, apresente uma estética visual sombria em cenários exteriores, é a reverberação das paredes desta igreja dinamarquesa que ancora a sensação de isolamento e transcendência da canção.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

A mística e a educação ambiental na conservação da natureza


A mística e a educação ambiental na conservação da natureza

Resumo
A crise socioambiental contemporânea evidencia os limites de abordagens exclusivamente técnico-científicas na conservação da natureza. Neste contexto, a mística — entendida como uma experiência profunda de conexão, sentido e transcendência na relação ser humano–natureza — emerge como um elemento relevante para a educação ambiental. Este ensaio analisa o papel da mística na educação ambiental e sua contribuição para a conservação da natureza, defendendo que dimensões simbólicas, éticas, espirituais e afetivas são fundamentais para promover mudanças duradouras de valores, atitudes e práticas socioambientais.

Palavras-chave: mística; educação ambiental; conservação da natureza; ética ambiental; espiritualidade ecológica.

1. Introdução
A degradação ambiental, a perda de biodiversidade e as alterações climáticas colocam desafios complexos à humanidade. Apesar dos avanços científicos e tecnológicos, observa-se uma persistente distância entre o conhecimento ambiental e a transformação efetiva dos comportamentos sociais. Tal cenário tem levado educadores e investigadores a questionar modelos de educação ambiental centrados apenas na transmissão de informação e no racionalismo instrumental.

Neste contexto, a mística surge como uma dimensão frequentemente marginalizada no campo académico, mas historicamente presente nas relações humanas com a natureza. Diferentes culturas, tradições espirituais e movimentos sociais reconhecem a experiência mística como fonte de sentido, compromisso ético e cuidado com o mundo natural. Este ensaio propõe reflectir sobre a articulação entre mística, educação ambiental e conservação da natureza, argumentando que a integração desta dimensão pode fortalecer processos educativos mais críticos, transformadores e emancipatórios.

2. Compreendendo a mística no contexto socioambiental
A mística pode ser compreendida como uma experiência de profundidade existencial caracterizada pela sensação de unidade, interconexão e pertença a uma totalidade maior. No contexto ambiental, essa experiência manifesta-se na relação sensível e ética com a natureza, percebida não apenas como recurso, mas como comunidade de vida.

Diferentemente de uma abordagem estritamente religiosa, a mística ecológica pode assumir formas laicas, interculturais e plurais. Ela expressa-se no encantamento diante da biodiversidade, no silêncio contemplativo, no cuidado com os ecossistemas e na reverência pela vida. Autores da ecologia profunda e da ética ambiental defendem que tal experiência é essencial para superar a lógica utilitarista que sustenta a crise ecológica.

Assim, a mística não se opõe à ciência, mas complementa-a, oferecendo uma base simbólica e afetiva para a construção de valores ecológicos e de uma ética do cuidado.

3. Educação ambiental: limites e possibilidades
A educação ambiental consolidou-se como um campo interdisciplinar voltado para a formação de sujeitos críticos e comprometidos com a sustentabilidade. No entanto, práticas educativas excessivamente normativas, informativas ou tecnocráticas tendem a produzir resultados limitados, sobretudo quando desconsideram as dimensões emocionais, culturais e espirituais dos educandos.

A incorporação da mística na educação ambiental amplia suas possibilidades pedagógicas, ao favorecer experiências vivenciais, sensoriais e reflexivas. Caminhadas interpretativas, atividades de imersão na natureza, narrativas simbólicas, arte, rituais ecológicos e momentos de silêncio são exemplos de práticas que podem despertar vínculos afetivos e sentido de responsabilidade ecológica.

Essa abordagem contribui para uma educação ambiental que não apenas informa, mas transforma, ao tocar dimensões profundas da subjetividade humana.

4. Mística e conservação da natureza
A conservação da natureza depende, em grande medida, de escolhas éticas e políticas fundamentadas em valores. A mística pode atuar como força mobilizadora, capaz de inspirar atitudes de respeito, cuidado e solidariedade interespécies. Comunidades tradicionais e povos indígenas, por exemplo, frequentemente articulam práticas de conservação a cosmovisões espirituais que reconhecem a sacralidade da natureza.

Ao integrar a mística à educação ambiental, promove-se uma mudança de paradigma: da dominação para a convivência, da exploração para o cuidado, da fragmentação para a interdependência. Tal mudança é crucial para sustentar estratégias de conservação que sejam socialmente justas, culturalmente sensíveis e ecologicamente eficazes.

5. Considerações finais
A mística, enquanto experiência de conexão profunda com a natureza, constitui um elemento potente para a educação ambiental e a conservação da natureza. Sua integração no campo educativo contribui para superar reducionismos racionalistas e fortalecer uma ética ecológica baseada no cuidado, na responsabilidade e na pertença à comunidade da vida.

Este ensaio defende que a educação ambiental deve reconhecer e valorizar a dimensão mística como parte legítima dos processos formativos, promovendo abordagens pedagógicas integradoras, críticas e sensíveis. Num contexto de crise civilizatória, a reconciliação entre conhecimento, sensibilidade e espiritualidade pode representar um caminho fecundo para a construção de sociedades mais sustentáveis.

Referências bibliográficas

domingo, 2 de novembro de 2025

Azam Ali - In Other Worlds


The key to this place
Is a cold you know
The real dispelled
Into the world you know
Doubt, tasted, you fall in
Down you sink
Into her deep devour

She's still the key holder
And through this portal
She courts you now

Endowed with will
And a course your own
Bound by the despait
Of the shoreless hours
Heed this flame
Within the walled empire
This desire
Is all around

She's still the key holder
And through this portal
She courts you now

If love be revealed
In the spark of an eye
Could all be redeemed
In the sea of time
If the stars embed
Like nails into the ground
From the unheard prayers
That have torn up the skies
Would you will it all away
As you sail on your way?

A canção In Other Worlds, de Azam Ali, é uma viagem simbólica entre mundos visíveis e invisíveis. A “chave” e o “portal” mencionados na letra representam a entrada num espaço interior — espiritual, emocional e transformador. Nesse lugar coexistem a dúvida, o desejo e o desespero, mas também a possibilidade de redenção e amor.

Azam Ali convida-nos a atravessar esse limiar: a escutar a “chama” interior e a reconhecer a força feminina e mística que guarda o caminho. O “outro mundo” da canção não é externo, mas o território profundo da alma — onde cada um decide se quer permanecer à margem ou embarcar na jornada de autoconhecimento.

Persian Roots Transformed into a World of Stratospheric Sensuality
Entrevista

sábado, 25 de dezembro de 2021

Eco-Natal : Patrick Watson - A Mermaid in Lisbon (feat. Teresa Salgueiro)


A letra explora a ideia de algo mágico e impossível (uma sereia) existindo dentro de uma cidade real e histórica. É sobre a beleza que se esconde nos cantos escuros e nas águas do Tejo.
Existe uma sensação de transitoriedade. A sereia representa algo que não se pode prender; ela aparece, encanta e desaparece, deixando apenas a memória e o eco da sua voz.
A canção é uma carta de amor à capital portuguesa, capturando aquele sentimento de "sol de inverno" e a luz única da cidade que parece atrair o místico.

quarta-feira, 31 de março de 2021

Religiões e ecologia. A fé pode salvar o planeta?


As religiões são movimentos em sintonia com o ecologismo? Qual é o papel das religiões em direção à sustentabilidade? São os líderes políticos ou os líderes religiosos que possuem maior influência nos comportamentos coletivos da população? Quando 80% da população mundial se identifica com uma fé, as religiões podem se tornar uma ferramenta poderosa, com um impacto real no meio ambiente.

Do ponto de vista moderno, a consciência pública sobre o cuidado com o meio surgiu na segunda metade do século XX, nos países industrializados, a partir de diversos desastres como vazamentos de petróleo, poluição de rios e degradação de habitats e com a publicação de obras emblemáticas como Primavera Silenciosa, de Rachel Carson. Neste contexto, o início do movimento ecologista costuma ser datado em 22 de abril de 1970, com a celebração do primeiro Dia da Terra, nos Estados Unidos. Uma corrente que, desde então, não parou de crescer.

Mas, existiu uma prévia consciência ecologista? A resposta está nas religiões. De um modo geral, todas as religiões fazem uma reflexão teológica sobre o cuidado da natureza. Nas tradições abraâmicas (cristianismo, judaísmo e islã), Deus chama os crentes a cuidar da criação e nas religiões orientais (como o budismo, o hinduísmo e o xintoísmo), a harmonia com a natureza é a principal expressão do caminho de purificação e ascensão. Mas são as tradições indígenas da África, América e Oceania que cuidam do meio ambiente de forma mais direta, já que uma grande maioria destes grupos mantém uma forte conexão espiritual com a mãe natureza e praticam uma firme ética de equilíbrio e respeito aos ecossistemas.

O que parece certo é que quanto mais nos distanciamos da natureza, através da industrialização e de abordagens mais antropocêntricas, mais penalizamos o planeta que alimenta o faminto e sacia o sedento.

E diante deste contexto de incerteza pela inexorável mudança climática que já é uma realidade, o que as religiões podem fazer? Como podem ajudar a salvar a humanidade não do ponto de vista espiritual, mas físico?

Partamos do mais tangível, o nível de influência. Não resta dúvida de que embora estejam cada vez mais separadas do poder político, ao menos formalmente e em especial no ocidente, as religiões e seus principais representantes continuam gozando de um poder ético e cultural muito importante na sociedade. E o que dizer do poder econômico [?]. Segundo dados da Unesco, as organizações religiosas controlam 8% da terra habitável de nosso planeta, 5% das florestas comerciais e 10% das instituições financeiras. Estima-se que existem 37 milhões de igrejas, 3,6 milhões de mesquitas, 20.000 sinagogas e inumeráveis outros templos e lugares de culto espalhados por todo o mundo.

De acordo com um relatório do Pew Research Center, 54% da população mundial adulta considera a religião uma parte “muito importante” em sua vida e o restante, mesmo que a prática religiosa varie muito conforme a parte do mundo, raramente escapa da religião como manifestação cultural e tradicional em todas as comunidades do mundo. No total, 80% da população se identifica com uma fé. Sem dúvida, um dado muito poderoso no momento de definir tendências globais.

Consciente deste impacto, a Organização das Nações Unidas aprovou, em 2008, uma resolução para promover o diálogo inter-religioso e intercultural, a compreensão e a cooperação para a paz, e estabeleceu um grupo de trabalho sobre Religião e Desenvolvimento, em 2010, formado por 19 organizações da ONU.

Após desenvolver uma série de iniciativas com organizações religiosas, a ONU Meio Ambiente lançou, em 2017, o projeto Faith for Earth, Fé pela Terra, para interagir estrategicamente com entidades religiosas e se associar a elas para avançar no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Desde então, já construiu uma rede de mais de 750 organizações religiosas para aproveitar o poder da fé em nome do planeta.

Faith for Earth possui três objetivos principais: inspirar e empoderar as organizações religiosas e seus líderes para atuar na proteção do meio ambiente, tornar ecológicos os investimentos e os ativos das organizações religiosas para apoiar a implementação dos ODS e proporcionar conhecimentos e redes para que seus líderes transmitam com eficácia mensagens relacionadas à sustentabilidade e ao meio ambiente aos tomadores de decisões e ao público.
Uma nova ética para mudar o rumo

As questões ecológicas atuais são essencialmente questões éticas. O imperativo moral e os sistemas de valores das religiões podem ser uma ferramenta útil para mobilizar sensibilidades com o objetivo de conservar o meio ambiente para as gerações futuras.

Para que o ser humano continue sendo uma espécie viável, em um planeta cada vez mais degradado, é necessária uma reavaliação global de seus valores, de seu modo de vida, de sua maneira de se relacionar com a natureza. Neste sentido, o historiador da religião Thomas Berry falou sobre a criação de um novo mandamento dentro da escala ética que introduza um novo conceito de “pecado ecológico”, em consonância com o que supõe para todas as religiões o pecado do homicídio, suicídio ou genocídio. É um novo crime moral: o biocídio ou o geocídio.

Há décadas, filósofos contemporâneos vêm desenvolvendo o campo da ética ambiental, que recentemente foi acolhida com entusiasmo no âmbito religioso. O exemplo mais destacado é a encíclica Laudato Si’ (2015), do Papa Francisco, “sobre o cuidado da casa comum”.

Neste texto, o bispo de Roma, cabeça da Igreja Católica, defende a natureza, a vida animal e as energias renováveis e faz uma crítica contundente ao consumismo e o desenvolvimento irresponsável, com uma declaração a favor de uma “ação mundial rápida e unificada para combater a degradação ambiental e a mudança climática”. Também se detém especialmente no cuidado da água e a importância deste recurso para a dignidade do ser humano e o equilíbrio do planeta.

A partir da publicação desta encíclica, vieram as declarações do Papa Francisco pedindo aos países maior ambição climática, aos Governos mais cuidado com a biodiversidade e inclusive às petroleiras uma transição energética radical. Para o líder de 1,2 bilhão de católicos, a conservação da natureza e a luta contra a mudança climática são imperativos morais.

Não é mais apenas uma questão de amar a criação, mas de evitar o dano contra milhões de pessoas. Uma mensagem que está permeando a agenda das comunidades católicas de todo o mundo, adicionando os valores do ecologismo como marcantes em sua escala ética e moral.

Nos últimos anos, também ganhou força um movimento de “ambientalismo islâmico” que a opinião pública muçulmana reivindica com urgência, impulsionado pela Islamic Relief Worldwide, a maior organização não governamental internacional humanitária e de desenvolvimento muçulmano do mundo, junto com a Fundação Islâmica para a Ecologia e Ciências Ambientais (IFEES/EcoIslam). Em 2015, no Simpósio Islâmico sobre Mudança Climática, realizado em Istambul (Turquia), foi redigida a “Declaração Islâmica sobre a Mudança Climática”, adoptada formalmente.

Muitos países muçulmanos são grandes prejudicados pelos efeitos da mudança climática e, ao mesmo tempo, são grandes emissores de gases do efeito estufa, como a Indonésia, e estão entre os mais poluídos do mundo, como Bangladesh e Paquistão, mas fazem pouco para frear esta situação.

A maioria destes Estados reluta em impor os conceitos ocidentais de ecologismo ou em ceder à pressão de países que já passaram pela industrialização sem precisar abordar a poluição ou reduzir as emissões. Consideram estas ingerências um “colonialismo ambiental”.

Mas os ecologistas muçulmanos ressaltam que os reticentes precisam apenas olhar para o Alcorão, onde há aproximadamente 200 versículos sobre o meio ambiente. É ensinado aos muçulmanos que “maior do que a criação do homem é a criação dos céus e a terra”. E este enfoque pode alcançar os corações e as mentes do 1,8 bilhão de muçulmanos de todo o mundo.

Um estudo de 2013, na Indonésia, mostrou que a inclusão de mensagens ambientalistas nos sermões islâmicos levou a uma maior consciência pública e preocupação com o meio ambiente. Em 2014, o mesmo país emitiu uma fátua (opinião legal islâmica) para exigir aos muçulmanos do país que protejam as espécies ameaçadas de extinção.

Também destaca o caso da Aliança das Religiões e Conservação (ARC) que envolveu estudiosos muçulmanos para convencer os pescadores da Tanzânia de que a pesca com dinamite, redes de arrasto e arpão vai contra o Alcorão. E eles os escutaram.

Sem dúvida, se as religiões se lançarem a “evangelizar” sobre o cuidado do meio ambiente e os recursos, a conservação da biodiversidade e a luta contra a mudança climática, a mensagem chegará com força a bilhões de pessoas. Uma porta-voz decisiva nesta cruzada em que está em jogo não Terra Santa, mas o planeta Terra.

Ensinamentos sagrados
Nos livros sagrados das principais religiões é possível encontrar ensinamentos que supõem a base ética e espiritual de conceitos muito atuais como o cuidado da biodiversidade, a poupança de recursos e a economia circular.

Exemplos claros podem ser o mandato de cuidar do Jardim do Éden, no Génesis do Antigo Testamento, ou Jesus nos Evangelhos exemplificando seus ensinamentos por meio de elementos da natureza. No Alcorão também podemos encontrar passagens condenando o desperdício de água e no Talmude ensinamentos sobre como descartar os resíduos do lar de maneira segura para não prejudicar o ambiente.

Contudo, há teólogos ambientalistas que apontam a tradição judaico-cristã como suposta causa da crise ecológica, já que ao conceituar o ser humano como superior ao resto das criaturas viventes e difundir o mandato de Deus de “dominar a terra”, a civilização ocidental explorou os recursos em seu benefício, sem preservar o equilíbrio da criação.

Promotoras dos ODS
A Agenda Global 2030 e o ODS 17, Alianças, estão no coração do projeto Faith for Earth. Nenhum país ou grupo de países pode alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável por conta própria. Todas as partes interessadas, incluídas as organizações religiosas, devem fazer parte da solução.

As organizações religiosas foram reconhecidas como atores centrais na erradicação da pobreza, na melhoria da saúde e a educação das pessoas, na proteção do meio ambiente e no trabalho para o desenvolvimento sustentável. Sua agilidade é crucial, especialmente em nível local, para chegar rapidamente à população mais necessitada de ajuda.

As redes de organizações religiosas e líderes religiosos cruzam continentes e fronteiras políticas, o que as torna um meio viável e prático para avançar em sustentabilidade e justiça social. As religiões cuidam de 50% das escolas no mundo - 64% na África subsaariana -, seus investimentos alcançam 12% do capital mundial e administram um terço das instituições sanitárias em todo o mundo. Portanto, seu trabalho na efetivação de direitos básicos para populações vulneráveis é essencial.

terça-feira, 10 de março de 2020

Análise do livro "O Evangelho Segundo Lázaro", de Richard Zimler


Em "O Evangelho Segundo Lázaro", Richard Zimler convida o leitor a mergulhar numa Judeia vibrante e profundamente judaica, afastando-se das interpretações eclesiásticas tradicionais para focar na humanidade crua das suas personagens. A história é narrada por Eliezer (Lázaro), que, após ser ressuscitado por Yeshua (Jesus), o seu amigo de infância e confidente mais próximo, se vê num estado de profunda desorientação espiritual e emocional. Longe de ser um renascimento glorioso, a ressurreição é apresentada como um trauma; Eliezer sente que algo essencial lhe foi retirado e luta para compreender o vazio deixado pela experiência da morte, enquanto lida com o peso de ser visto pela multidão como um prodígio vivo.

A obra centra-se na relação íntima e complexa entre estes dois homens, explorando um Yeshua desprovido de dogmas posteriores, retratado como um místico judeu profundamente ligado às tradições do seu povo e assombrado pelo destino que se aproxima. Zimler utiliza o seu vasto conhecimento histórico para pintar um retrato detalhado da vida sob a ocupação romana, focando-se nos rituais, na mística da época e nas tensões políticas que fervilhavam em Jerusalém. No fundo, o livro é uma meditação sobre a amizade, a perda e o mistério do que reside além da vida, questionando se o maior milagre foi realmente o retorno de Lázaro ou o amor incondicional que o ligava ao homem que o chamou de volta do túmulo.

Saber mais:
  1. Crítica no Público
  2. Crítica no Correio Brasiliense (Brasil)
  3. Entrevista no Jornal de Leiria (Portugal)
  4. Entrevista em Palavras Sublinhadas (Portugal)

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Qual é a diferença entre misticismo e mística?

A diferença entre misticismo e mística é sobretudo de ênfase e uso, embora os termos estejam intimamente ligados e muitas vezes sejam confundidos.

Mística
Refere-se à experiência direta de união, contacto ou comunhão profunda com o sagrado, o absoluto ou a realidade última.
É algo vivencial e interior, normalmente descrito como uma experiência transformadora.

Exemplo:
  1. A experiência de união com Deus em Teresa d’Ávila
  2. O êxtase espiritual em tradições cristãs, sufis ou budistas
Em resumo: mística é a experiência vivida.

Misticismo
Refere-se ao conjunto de ideias, doutrinas, práticas ou correntes de pensamento que explicam, organizam ou valorizam essas experiências místicas.
Pode ser estudado filosoficamente, teologicamente ou historicamente.

Exemplo:
  1. O misticismo cristão
  2. O misticismo islâmico (sufismo)
  3. O misticismo na filosofia neoplatónica
Em resumo: misticismo é o sistema, a tradição ou o discurso sobre a mística.

Referências bibliográficas 

1. Livros

Almond, P. C. (1982). Mystical experience and religious doctrine: An investigation of the study of mysticism in world religions. Mouton.

Alston, W. P. (1991). Perceiving God: The epistemology of religious experience. Cornell University Press.

James, W. (2002). The varieties of religious experience: A study in human nature (Edição original publicada em 1902). Routledge.

Pike, N. (1992). Mystic union: An essay in the phenomenology of mysticism. Cornell University Press.

Stace, W. T. (1960). The teachings of the mystics. New American Library.

2. Capítulos de livros académicos
  • Gellman, J. I. (2009). Mysticism and religious experience. In W. J. Wainwright (Ed.), The Oxford handbook of philosophy of religion (pp. 529–553). Oxford University Press.
  • Katz, S. T. (2008). Exploring the nature of mystical experience. In T. T. Kelly & J. A. Quigley (Eds.), The Cambridge companion to religious experience (pp. 34–55). Cambridge University Press.

3. Artigos em revistas científicas

4.  Artigos académicos em português


5. Enciclopédias académicas
Gellman, J. I. (2020). Mysticism. In E. N. Zalta (Ed.), The Stanford encyclopedia of philosophy (Winter 2020 ed.). Metaphysics Research Lab, Stanford University.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Encontros Improváveis: Dadi Janki e Kled Mone - Insane People


"Fraternidade significa entender que um grito de dor é igual em todas as línguas, e o mesmo se aplica a um sorriso" - Dadi Janki


“What kind of world is forming now, beyond this winter of war and sorrow, of poverty, pollution and death? In the winter, we foresee the spring. Those with a positive vision of the future give us an image of a world on this planet where all things are given freely, where the highest human potential is fully realised. But we can get to that stage only when there are leaders to take us there.” - Dadi Janki

Mais Informações

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Música do Bioterra: Lhasa de Sela - El Pajaro

Lhasa de Sela, "Pajaro" do álbum LA Lhoronna, considerado pela crítica como um dos melhores dez álbuns de sempre da World Music. O vídeo está magistralmente realizado.


Mirenme a la vida vuelvo ya
La la la
Pajarillo, tù me despertaste
Enseñame a vivir
En un abismo yo te esperé
Con el abismo yo me enamoré
Pajaro me despertaste
Pajaro no sé por qué

Mirenme a la vida vuelvo ya
La la la
Pajarillo, tu me condenaste
A un amor sin final

En un abismo yo te esperé
Con el abismo yo me enamoré
Pajaro me despertaste
Pajaro no sé por qué
Mirenme a la vida vuelvo ya
La la la...

Mais músicas de
Lhasa de Sela editadas no Bioterra

quinta-feira, 19 de junho de 2014

An Elegy for Allen Ginsberg


O vídeo é um documentário biográfico intitulado "An Elegy for Allen Ginsberg" (Uma Elegia para Allen Ginsberg). O filme reconta a trajetória pessoal, a obra literária, o ativismo político e a busca espiritual de um dos poetas mais influentes da Geração Beat americana, Allen Ginsberg.

Ginsberg nasceu e cresceu em Patterson, na Nova Jérsia, no seio de uma família com uma forte vertente política: o pai era professor do ensino secundário e poeta socialista, e a mãe, Naomi, era uma imigrante russa e comunista convicta. Desde a infância e adolescência, Allen já demonstrava interesse pela poesia, escrevendo os seus primeiros versos por volta dos nove anos de idade, enquanto vivia uma juventude tímida e guardava em segredo a sua homossexualidade no ambiente escolar. Mais tarde, ao ingressar na Universidade de Columbia, teve encontros fundamentais que moldaram a sua visão artística. Um deles foi com o já consagrado poeta William Carlos Williams, que o incentivou a extrair poesia das suas anotações diretas e quotidianas. Outro marco decisivo foi conhecer Jack Kerouac, que o introduziu ao método da associação espontânea e da escrita sem autocensura, sintetizado no famoso lema de que o primeiro pensamento é sempre o melhor pensamento. Além disso, em 1948, Ginsberg vivenciou uma experiência mística em Harlem, na qual teve uma alucinação auditiva com a voz do poeta William Blake, o que determinou o trabalho da sua vida como a missão de transmitir essa consciência espontânea à humanidade.

Em meados dos anos 1950, Ginsberg mudou-se para São Francisco, onde conheceu Peter Orlovsky, que se tornaria o grande amor da sua vida e o seu companheiro inseparável. Naquela época, sob a influência do ambiente boémio da Costa Oeste, uniu-se a poetas como Gary Snyder, Philip Whalen e Kenneth Rexroth, iniciando o chamado Renascimento da Poesia de São Francisco e o movimento Beat num sentido mais amplo. O termo "Beat", conforme explicado no documentário, carregava múltiplos significados: desde o sentimento de estar socialmente derrotado ou reduzido ao nível mais baixo, passando pelo ritmo do jazz, até à definição de "beatífico", que representava uma iluminação espiritual alcançada por quem já não tinha mais nada a perder. Foi nesse cenário que Ginsberg escreveu e leu publicamente pela primeira vez o seu poema mais célebre, "Howl" (Uivo), numa noite histórica e caótica na Six Gallery. A obra provocou um enorme impacto e acabou por ser apreendida pela alfândega e pela polícia em 1957 por obscenidade. O julgamento por censura que se seguiu centrou-se no uso de termos considerados vulgares e na abordagem aberta que o autor fazia da homossexualidade e do consumo de drogas. O veredicto do juiz acabou por absolver o livro, determinando que, para ser considerada obscena, uma obra deveria ser totalmente desprovida de importância social redentora, o que impulsionou a fama internacional do poeta.

Outro ponto central na vida e na obra de Ginsberg foi a relação com a mãe, Naomi. Ela sofria de graves e intermitentes esgotamentos nervosos desde a década de 1930, alternando períodos de aparente normalidade com descidas profundas na paranoia e na loucura, o que a levou a frequentar diversos hospitais psiquiátricos e a passar por procedimentos médicos severos, como a lobotomia. Após o falecimento de Naomi, Allen canalizou a sua dor e o luto na criação de "Kaddish", um longo e doloroso poema elegíaco. Este texto não apenas expunha o sofrimento e a decadência mental da mãe, mas também simbolizava o idealismo político frustrado de uma geração de imigrantes que chegou à América em busca de uma utopia democrática, terminando em desilusão.

Ao longo dos anos 1960 e seguintes, Ginsberg consolidou o seu papel como uma figura central do ativismo e da contracultura. Viajou pelo mundo, experimentou substâncias como o LSD e anfetaminas como ferramentas de expansão mental e participou ativamente em protestos políticos, como as manifestações contra a Guerra do Vietname e os tumultos durante a Convenção Democrata de Chicago em 1968. Nesses episódios de confronto, utilizava mantras e cânticos budistas para tentar pacificar a multidão e acalmar as tensões diante da forte repressão policial. A sua constante busca espiritual levou-o a aprofundar-se no budismo tibetano após conhecer o mestre Chögyam Trungpa Rinpoche em Nova Iorque. Dessa forte ligação nasceu a Jack Kerouac School of Disembodied Poetics, um departamento de escrita fundado no Naropa Institute, em Boulder, no Colorado, onde Allen passou a ensinar poesia e meditação.

Mesmo na velhice, enfrentando diagnósticos de diabetes, paralisia de Bell e insuficiência cardíaca congestiva, Ginsberg manteve um ritmo de trabalho exaustivo. Era um arquivista obsessivo da sua própria existência, guardando diários de sonhos, registos telefónicos, recortes de jornais e anotações em guardanapos que documentavam a sua passagem pelo mundo. Perto do fim da vida, refletia frequentemente sobre a morte e sobre o desapego material e emocional, questionando como conseguiria deixar o próprio corpo estando cercado por tantas memórias, livros e amores. Allen Ginsberg faleceu pacificamente na madrugada de uma sexta-feira, aos 70 anos, no seu apartamento, rodeado por amigos próximos, poetas e monges budistas fiéis que recitavam preces tradicionais para guiar a sua consciência em direção à iluminação ou a um renascimento favorável. O documentário conclui ressaltando que a grande tarefa da poesia de Ginsberg foi a de revelar abertamente o mundo interior e os desejos humanos mais profundos que a sociedade costuma reprimir ou ignorar, unindo as dores de indivíduos de realidades completamente distintas numa única identidade coletiva.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Encontros Improváveis- Lillum e Simone Weil


Lilium- Sorry

Quise decirte y no pudeQuise besarte no lo hiceTe digo la verdadYo no puedo masQuerer asiYo no soy capaz
 
Get her to call and ask for meGet her to call and say I am sorry


"A Amizade não se Procura, Exercita-se" - Simone Weil

quarta-feira, 13 de março de 2013

Travemos caudais de choro e de incompreensões

"La ternura es la columna central que sostiene la vida."~ José Víctor Martínez Gil


"O que traz a compreensão é o amor. Quando o coração está cheio, então estamos a ouvir o professor, o mendigo, o riso das crianças, o arco-íris e o sofrimento dos seres humanos. Em cada pedra e cada folha, existe o eterno. Mas não sabemos como vê-lo. Nossas mentes e corações estão cheios de coisas diferentes para a compreensão do "que é". Amor e a compaixão, a bondade e a generosidade não causam inimizade. Quando um ama, está muito perto da verdade, porque o amor gera sensibilidade, vulnerabilidade. O que é sensível é capaz de renovar-se. Então há a verdade. Ele não pode surgir se a mente e o coração são carregados com o peso da ignorância e animosidade" ~ Jiddu Krishnamurti

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Do sublime da Natureza ao sublime da Luz interior



Pode a experiência do sublime da natureza ser uma experiência do Mistério, do Sagrado? 

"Que luz é essa que me ilumina de quando em quando e me fere o coração sem o lesar? Horrorizo-me e inflamo-me; horrorizo-me quando sou diferente dela. Inflamo-me quando sou semelhante a ela." Sto Agostinho, Confissões. 

A luz e riqueza está dentro de nós. O mundo dá tantas voltas e tudo muda. Dizermos aos nossos filhos que a melhor saúde todos os dias se faz com presentes do coração e brinquedos da sua imaginação.

Chegaremos algum dia a uma civilização em que não teremos que COMPRAR / VENDER nada?

Os Soundpool foram uma banda norte-americana de shoegaze e dream pop formada em Nova Iorque, ativa principalmente entre 2005 e 2011.
Formação
O núcleo da banda era:
Kim Field – voz e teclados
John Ceparano – guitarra e voz
Com várias formações de apoio que incluíram baixo, bateria e sintetizadores ao longo dos anos.

Estilo musical
A Soundpool misturava o shoegaze clássico (influência de bandas como My Bloody Valentine e Slowdive) com elementos de dream pop, eletrónica e até disco psicadélico.
O som caracteriza-se por:
Camadas densas de guitarras com efeitos (“wall of sound”)
Vocais etéreos e melódicos
Batidas eletrónicas dançáveis nos trabalhos mais tardios

Discografia principal
On High (2006) – o álbum de estreia, com sonoridades shoegaze tradicionais.
Dichotomies + Dreamland (2008) – um som mais elaborado, entre o dream pop e o experimental.
Mirrors in Your Eyes (2010) – o disco mais conhecido, com fusão de shoegaze e disco; recebeu críticas positivas por inovar dentro do género.

Curiosidades
O álbum Mirrors in Your Eyes chamou a atenção da imprensa indie por combinar “disco-gaze”, uma mistura improvável de shoegaze e música de dança.

Depois de 2011, alguns membros formaram o projeto The Stargazer Lilies, que continua uma linha semelhante de dream pop psicadélico.

Mais sites:

terça-feira, 27 de março de 2007

Nuclear: Rabino Raichick, o seu legado e a homenagem através do Livro da Vida de David Kracov



Chamado de "Livro da Vida", a escultura foi inspirada na vida extraordinária do Rabino Yossi Raichik, um homem que salvou milhares de vidas de crianças dos efeitos devastadores do desastre de Chernobyl. A escultura de metal tem páginas cheias de palavras daqueles que ele tocou, e também possui um turbilhão de borboletas, cada qual representando a 2.547 crianças que ele ajudou a salvar e dar nova vida.

Detalhes da construção do Projecto [ligação]
As páginas deste livro estão repletas de poemas, extractos de diários, e canções, escritas por crianças que morreram em Auschwitz, com o poema principal é" A Borboleta ", de Pavel Friedmann, que tinha 13 anos quando o escreveu", disse o artista ao Huffington Post no Reino Unido.

The Butterfly
The last, the very last,
So richly, brightly, dazzlingly yellow
Perhaps if the sun’s tears would sing
against a white stone…

Such, such a yellow
Is carried lightly ‘way up high.
It went away I’m sure because it wished to
kiss the world goodbye.

For seven weeks I’ve lived in here,
Penned up inside this ghetto
But I have found my people here.

The dandelions call to me
And the white chestnut candles in the court.
Only I never saw another butterfly.

That butterfly was the last one.
Butterflies don’t live in here,
In the ghetto.

Quanto a Yossi Raichik, pai de seis filhos, faleceu por complicações pulmonares, aos 54 anos [notícia, Setembro 2008]. Deixou-nos um grande legado e um projecto Chabad’s Children of Chernobyl (CCOC)