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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Adiado o Doutoramento Honoris Causa de Rosa Mota


A cerimónia de atribuição do Doutoramento Honoris Causa da Universidade do Porto a Rosa Mota, que estava agendada para dia 19 de fevereiro, foi adiada para “data a anunciar oportunamente” por decisão da homenageada, na sequência do “difícil e doloroso contexto que o nosso País atravessa na sequência das recentes tempestades”.

“Vivemos um momento que exige a mobilização plena de todas as instituições públicas e privadas, bem como dos seus representantes, num esforço de todos no auxílio às populações afetadas. (…) Não me sentiria bem, que uma iniciativa que me envolve, por muito honrosa e simbólica que seja, pudesse de alguma forma desfocar ou desviar atenções daquilo que é hoje verdadeiramente urgente”, lê-se no comunicado assinado pela atleta.

Na mesma nota, Rota Mota agradece “profundamente à Universidade do Porto, e em particular à Faculdade de Desporto, a compreensão, a sensibilidade e a solidariedade demonstradas, bem como a enorme honra que me foi concedida”.

O comunicado termina referindo que “a cerimónia será realizada em data a anunciar oportunamente, quando o País reunir condições para, com serenidade, podermos celebrar tão importante momento”.

Recorde-se que a atribuição do Doutoramento Honoris Causa à primeira campeã olímpica portuguesa estava prevista para as 11h00 da próxima quinta-feira, dia 19 de fevereiro. A decorrer na Faculdade de Desporto da U.Porto (FADEUP), a cerimónia contaria com a participação do Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e do Presidente da República de Timor-Leste, José Ramos-Horta, na qualidade de padrinho de Rosa Mota.

sábado, 13 de dezembro de 2025

Estudo genético diz que os humanos terão chegado à Austrália há cerca de 60.000 anos, vindos de África

Como chegaram até ali? Simples, quase sempre a pé. Naquela altura, estávamos em plena Era Glaciar (Hürm) e o nível do mar era muito inferior ao de agora (100 a 120 m a menos), deixando extensas áreas, hoje submersas, fora de água. Duas massas terrestres, a primeira chamada Sundaland, na actual Indonésia e outra a Norte da Austrália que a unia a Timor Leste, bem como extensões de terra de outras ilhas, como Bornéu e Sumatra, deixaram pouca área marinha para atravessar, o que podia ser feito por simples pirogas ou com as jangadas tão típicas daquela zona.
Muito mais tarde, há cerca de 30 a 35.000 anos atrás, os humanos chegariam à América pela mesma razão, ao atravessar a pé o actual Estreito de Bering, que então era uma grande massa terrestre chamada Beríngia.
Estudo aqui

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Os crimes de Henry Kissinger


Vamos desenterrar Timor-Leste e outros crimes do Kissinger? Morreu um grande criminoso.
Este livro foi direitinho para o lixo. Porquê? Foi Kissinger que enviou Carlucci entre muitos outros para Portugal. Não temos muito por onde fugir. Ou CIA ou China ou uma Federação Europeia.


É chato, mas republicanos hipócritas, criminosos e ultra-liberais, por favor, poupem-me!!
Sobre uma possível invasão espanhola, afirma Frank Carlucci : "Sempre tentei contrariar essa ideia e falei com o embaixador de Madrid em Lisboa, que concordou comigo. Espanha devia ser o último país a intervir em Portugal. Seria desastroso. Enviei várias mensagens ao meu Governo para não tentar envolver Espanha, mas não sei se Henry Kissinger [então secretário de Estado] prestou alguma atenção ao que lhe disse".

A Argentina foi sempre vítima de Kissinger. Já vem muito detrás 👉 The Conversation.

Críticas e Condenações
As críticas a Kissinger foram e são severas. O obituário de Kissinger na revista Rolling Stone tem como título “War Criminal Beloved by America’s Ruling Class, Finally Dies” (Criminoso de guerra amado pela classe dominante americana, finalmente morre).

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Ramos-Horta defende transição justa nos combustíveis fósseis


O presidente da república de Timor-Leste, José Ramos-Horta, tornou-se no segundo chefe de Estado de um país produtor de combustíveis fósseis a apelar a um tratado para a sua não proliferação, na sequência do seu discurso ao G7+, à margem da Assembleia Geral da ONU, que decorreu na última semana.

José Ramos-Horta tornou a sua posição pública através de um artigo de opinião no jornal australiano Sydney Morning Herald, intitulado “Por uma fração do orçamento de um caça australiano deixaria o combustível de Timor-Leste no solo”, uma versão resumida da sua oratória na Assembleia Geral da ONU, que defende a necessidade de um tratado para gerir uma transição global justa e as desigualdades do sistema de combustíveis fósseis, expondo ainda as dificuldades que o seu país enfrenta nessa matéria devido à grande dependência das receitas da venda de petróleo e gás.

Na sequência de um apelo dirigido por Tallis Obed Moses, presidente da república de Vanuatu, para que os governos negoceiem um Tratado de Não-Proliferação de Combustíveis Fósseis, José Ramos-Hora integrou uma proposta juntamente com outros 100 laureados com o Prémio Nobel, explicando por que razão apoia tal tratado.

“Embora ameaçando a saúde do nosso planeta, a produção de combustíveis fósseis também atrasa uma distribuição mais equitativa da riqueza a nível mundial. Após um recente discurso no Clube Nacional de Imprensa, em Camberra, foi-me pedido que justificasse o desenvolvimento da indústria do petróleo e do gás de Timor-Leste à luz das consequências ambientais. A Austrália é um dos maiores exportadores de gás do mundo e o segundo maior exportador de carvão, mas por esta questão foi o meu país que foi implicado como um vândalo ambiental”, escreveu, sublinhando que está “bem ciente dos danos ambientais causados pelos combustíveis fósseis – a principal causa da crise climática. O nosso planeta está literal e metaforicamente a arder, como se vê pelo registo de inundações, fogos florestais em massa, eventos de calor extremo que ameaçam a vida das populações, secas, tempestades intensas e espécies ameaçadas”.

“Não foram países como o meu que trouxeram a civilização à beira de uma calamidade climática, mas somos nós que agora enfrentamos as consequências ambientais e económicas imediatas”
José Ramos-Horta

José Ramos-Horta defende ainda que “esta crise não foi causada por todos por igual”. “Não foram países como o meu que trouxeram a civilização à beira de uma calamidade climática, mas somos nós que agora enfrentamos as consequências ambientais e económicas imediatas. Esta é tanto uma crise de desigualdade, como qualquer outra coisa. Perante isto, são países ricos como a Austrália, e não nós, que precisam de fazer sacrifícios”, declarou no artigo de opinião.

O governante explica também que “os países de elevado rendimento representam apenas 16% da população mundial, mas são responsáveis por 74% da utilização de recursos. Esta discrepância coloca um fardo injusto sobre os países produtores de baixo e médio rendimento, que enfrentam um grave paradoxo: embora tenhamos de aumentar o fornecimento de energia e os níveis de rendimento, não devemos contribuir para os graves efeitos das alterações climáticas”.

José Ramos-Horta admite que “ficaria feliz” se o seu país “nunca tivesse de expandir a sua indústria de combustíveis fósseis”. “Mas, neste momento, continuamos quase completamente dependentes das receitas do petróleo e do gás, presos a um sistema imposto pelas nações ricas. Somos obrigados a negociar com a Austrália o desenvolvimento do projeto de petróleo e gás do ‘Greater Sunrise”, com um valor estimado para Timor-Leste de, pelo menos, 50 mil milhões de dólares, porque dizem que este é o nosso caminho para a prosperidade. Teria todo o gosto em deixar o combustível no solo, mas se o fizéssemos, renunciaríamos aos nossos benefícios de desenvolvimento. E se, em vez disso, os países de elevado rendimento começassem a financiar uma transição para que pudéssemos construir uma sociedade sustentável baseada em energias renováveis? Apontei um valor de 153,6 mil milhões de dólares para as nossas necessidades, menos de um décimo sexto do custo vitalício do programa de caças F-35 da Austrália”, revelou, ele que defende que “há uma escolha difícil a fazer: continuar as nossas práticas pouco saudáveis e injustas e esperar que os conflitos nos prejudiquem, ou planear uma transição justa à escala global para evitar futuros conflitos relacionados com o clima”.

No artigo de opinião, José Ramos-Horta explica que os argumentos por si apresentados podem fazer “de um Tratado de Não-Proliferação de Combustíveis Fósseis um tratado de paz global, uma valiosa política para o nosso tempo. Tal tratado poderia ser um veículo para o financiamento de que necessitamos para a transição dos combustíveis fósseis”, afirmou, lembrando que “a comunidade internacional tem conseguido unir-nos com sucesso na luta contra a varíola, a poliomielite, o buraco na camada de ozono, a proliferação de armas nucleares, e a guerra injusta contra a Ucrânia. Se a comunidade internacional, e particularmente as nações de elevado rendimento, levam a sério a defesa do nosso clima, precisam de fazer mais do que simplesmente descarbonizar as suas próprias economias. Devem ajudar os países que só agora têm a oportunidade de desenvolver os seus próprios recursos nacionais e a sua própria segurança. Comecemos a utilizar os 500 mil milhões de dólares prometidos no financiamento internacional do clima para conseguir uma transição justa e global dos combustíveis fósseis. Comecemos a restaurar e reanimar o nosso planeta ferido e maravilhoso”, concluiu.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

O Miguel que eu conheci


Tive o privilégio de conhecer o Miguel Portas no final dos anos 80, princípio dos 90. Era o tempo em que Reagan e Thatcher mandavam no mundo como se não houvesse amanhã e como se qualquer alternativa fosse impossível. Em Portugal, resistia-se à normalização imposta pela derrota da Revolução em 25 de Novembro de 1975.

O Miguel foi evidentemente daqueles que não se resignou. Contra a corrente, e para além da atividade partidária (no PCP), fundou revistas de debates de ideias, escrevia, fazia ativismo cultural. Era ativo, solidário, imaginativo e apaixonado.

Viajou muito, sobretudo pelo Mediterrâneo e no Médio Oriente, construindo pontes. Organizou várias viagens de visita ao Saara Ocidental onde foi dar apoio a Aminatou Haidar quando esta fazia greve de fome.

O Miguel trazia a Palestina no coração. Aliás transportava consigo toda/os a/os oprimida/os, qualquer que fosse a causa da sua opressão.

Em 1999, o Miguel foi uma das pessoas-chave da formação do Bloco de Esquerda, essa imensa esperança e ousadia de refundar a esquerda.

Nas legislativas de Outubro desse ano, o Miguel foi cabeça de lista pelo círculo eleitoral do Porto. Essa campanha marcou para sempre a forma de o Bloco fazer política.

Era também o momento das gigantescas mobilizações populares de solidariedade com o povo de Timor-Leste. Havia concentrações e manifestações todos os dias. Na Praça da Liberdade no Porto havia uma espécie de sit-in permanente, com cartazes, velas e gente. Sempre muita gente. O Miguel esteve presente horas a fio durante dias a fio. Fez um turno de 24h de greve da fome em que participaram umas 30 pessoas de cada vez. As pessoas conheciam-no, dirigiam-se a ele na rua e tratavam-no por tu, com uma familiaridade a que ele também correspondia.

Durante essa campanha, o Bloco “ocupou” literalmente os cafés da cidade do Porto, especialmente o “Piolho”, com debates abertos em que participaram como convidados personalidades como Maria de Lurdes Pintasilgo, Alexandre Quintanilha, Manuel António Pina (que era o mandatário distrital da campanha). O “Piolho” enchia e transbordava.

A preocupação do Miguel era o alargamento, era responder à pergunta: quem poderá ainda vir/ser chamada e que ainda não está? E sempre, sempre, não ceder à rotina, desafiar o impossível, fazer o que era mais difícil.

Relembro a história de Marco de Canavezes, cujo presidente da Câmara na altura era Avelino Ferreira Torres que, a par de muitas barbaridades, tinha feito um decreto municipal que proibia os munícipes de cantar ou fazer música na rua. A Associação de Amigos do Marco, gente cheia de coragem que se opunha visceralmente a Ferreira Torres, tinha convidado o Miguel para ir ao Marco, o que já tinha acontecido. Mas o Miguel não ficou por aí. Na tarde do último dia de campanha, fez o impossível acontecer: o Bloco organizou um enorme desfile de rua, com o Miguel na primeira fila, atrás de uma fanfarra. Gritaram-se palavras de ordem e cantou-se, num desafio ao poder de então e mostrando desobediência máxima. O Marco nunca mais foi o mesmo.

Foi este o Miguel que eu conheci: passava das gargalhadas às fúrias imensas. Vivia tudo com alegria, otimismo e paixão. Ensinou-nos a coragem e o valor da coragem.

Faz-nos muita, muita falta. Mas nós continuamos todos os seus combates. Até porque, como ele costumava dizer “os únicos realistas deste filme somos mesmo nós”.

Até já, Miguel, meu camarada, meu amigo.

Intervenção no Tributo "Building Bridges -- Construindo Pontes", que decorreu em Bruxelas no dia 2 de maio de 2017

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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Lusofalantes: onde mora o mundo


Onde Mora o Mundo - JP Simões & Afonso Pais 


 LUSOFALANTE

Países de língua portuguesa: Portugal, Brasil, Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e parte da população de Goa, Damão e Macau na Ásia.

SINOPSE / RELEASE
O programa LUSOFALANTE pretende ser um ponto de encontro e de troca entre os países de língua portuguesa. Apresenta a diversidade cultural, lingüística e artística que se desenvolveu através de raízes comuns e em continentes ao mesmo tempo tão diversos e tão semelhantes.
O LUSOFALANTE reúne entrevistas, músicas, informações históricas e culturais sobre os diversos países Lusofalantes. As informações do programa interagem mesclando os locais de origem de cada entrevistado e as músicas apresentadas. Uma espécie de produto reciclado fruto das misturas e colagens da própria língua portuguesa que a torna tão rica, dinâmica e viva.
Estabelece trocas entre artistas, compositores, poetas, escritores, lingüístas e produtores culturais, Lusofalantes. Sublinha com a música, esta busca de conhecimento mútuo porque possibilita a apresentação de artistas que mesmo tão próximos em termos de vínculos musicais, culturais e lingüísticos, têm seus trabalhos pouco divulgados nos países de língua portuguesa. Aponta para as diversas cores, ritmos e falares destes países que de alguma forma se pertencem.
O LUSOFALANTE pretende colaborar para que o Brasil se olhe mais demoradamente no espelho e se veja na África, em Portugal e nos demais países da comunidade de língua portuguesa e que perceba o quanto a ponte precisa ser refeita. A música tem esse dom e, neste caso, a língua é um agente facilitador de aproximação.