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terça-feira, 19 de maio de 2026

O declínio da ordem democrática e a emergência da Pós-Democracia


Hoje, parece que a democracia deixou de ser a força motriz do desenvolvimento político que foi durante o último meio século. Há sinais de que isso é evidente.

A ordem mundial estabelecida no final da Segunda Guerra Mundial concebia a democracia como a forma ideal de governo, baseada em três ideias fundamentais: a eleição popular de autoridades através de sufrágios livres, competitivos, igualitários e secretos; a separação de poderes; e a expansão dos direitos humanos no âmbito do Estado de Direito. Tudo isto, além disso, ocorreu num contexto de crescente reconhecimento do pluralismo.

Este panorama consolidou-se no contexto da "terceira vaga" teorizada por Samuel Huntington, que abrange os processos democratizadores ocorridos nas duas décadas que separam os países do sul da Europa dos do leste. O fracasso do comunismo, do militarismo desenvolvimentista e de vários modelos de regimes sultanistas era evidente, e quase todos os países latino-americanos se viram imersos nesse movimento. Restaram apenas casos desviantes, como Cuba, mas a maioria aparentemente seguiu o caminho da chamada consolidação democrática.

O sucesso desta transformação no final do século passado traduziu-se num novo impulso na ciência política e numa agenda para a "qualidade da democracia", que consiste em mensurar o seu comportamento de acordo com abordagens teóricas pioneiras, desenvolvidas, entre outros, por Guillermo O'Donnell e Leonardo Morlino. Isto levou a avanços significativos na análise da democracia com base na avaliação dos seus componentes. A Freedom House, a The Economist Intelligence Unit, a Fundação Bertelsmann, a International IDEA e o Projeto V-DEM foram os agentes mais proeminentes na condução destes estudos.

Os Sintomas de Fadiga e a Revolução Digital
A reviravolta global provocada pela pandemia exacerbou os sintomas de fadiga que vários países, em diferentes níveis da estrutura democrática, vinham a experimentar. A desconfiança nas instituições, o desapego face à democracia e a crise de representação política — evidentes em partidos fragmentados e voláteis, com uma identidade reduzida e difusa — tornaram-se patentes. Isto foi também articulado pela centralidade de líderes inexperientes, empurrados para a arena política por consultores de comunicação especializados. Além disso, na maioria dos países latino-americanos, os fracos resultados no combate à insegurança pública e à corrupção desacreditaram ainda mais a política.

Este cenário completou-se com uma sociedade transformada pela revolução digital exponencial:
  1. O crescente individualismo e a articulação de diferentes identidades nas redes sociais emergentes (que romperam com as formas anteriores de interação social);
  2. Novos mecanismos de informação e comunicação que alcançavam as pessoas de forma personalizada, imediata e viral;
O domínio da pós-verdade, marcado por formas de manipulação da realidade.
Tratou-se, em suma, da consolidação de uma "sociedade do cansaço", segundo Byung-Chul Han, que explorou o estado da "sociedade líquida" descrita por Zygmunt Bauman ao teorizar sobre a sociedade de consumo.

Hoje, parece que a democracia deixou de ser a força motriz do desenvolvimento político que foi durante o último meio século. Nada sugere que o inegável consenso estabelecido se mantenha. Os sinais são claros.

O Cenário Pós-Democrático e as Três Ameaças
O mundo é atualmente movido por conglomerados tecnológicos em constante crescimento, com uma escala financeira sem precedentes. Estes agem em conjunto com a alienação dos seres humanos, desenvolvendo novas formas de ação coletiva incompatíveis com a forma como a democracia, agora desarticulada, evoluiu ao longo de décadas, abrindo caminho para um cenário pós-democrático invulgar e incerto, onde a polarização emocional se mostra um instrumento eficaz.

Dentro da ambiguidade do termo, e em meio ao desmantelamento do multilateralismo como caminho para uma ordem mundial minimamente operacional, emergem três fenómenos, aos quais se soma agora a disrupção provocada pela inteligência artificial (IA):

1. A capacidade autodestrutiva inerente: Há atores internos cujo comportamento é desleal, ou mesmo "semileal", como denunciou Juan Linz. Um exemplo é Vladimir Putin, que já foi presidente graças ao voto popular, mas iniciou de imediato a erosão do credo democrático, esmagando a oposição e controlando todas as alavancas do poder. O chavismo, Daniel Ortega e Nayib Bukele fizeram o mesmo, com resultados devastadores para os seus países.

2. A retórica populista e nacionalista: Diz respeito ao caminho perigoso trilhado por Donald Trump e os seus seguidores na Europa e na América Latina. O seu comportamento mina os direitos humanos ao bloquear políticas de inclusão, diversidade e igualdade, e ao criar bodes expiatórios para escoar a ira de uma população seduzida por múltiplas formas de manipulação da realidade. A retórica nacionalista, bem como os ataques aos meios de comunicação independentes, a intelectuais e a grupos de oposição, minam qualquer estrutura de consideração e respeito pelo pluralismo.

3. O modelo autoritário de sucesso: Refere-se ao modelo chinês de inegável sucesso económico e enorme transformação social, impulsionado pela urbanização e pela elevação dos padrões educativos e de saúde. Assim, o autoritarismo chinês tornou-se um estímulo à manutenção de formas antidemocráticas noutros países.

O Impacto da Inteligência Artificial
Por sua vez, a IA está a revelar-se uma ferramenta disruptiva que impacta drasticamente a desinformação e fomenta o conhecimento profundo das preferências das pessoas, tornando a participação política convencional obsoleta. Não será surpresa, portanto, que a forma como os eleitores se deslocam regularmente às urnas seja em breve substituída, tal como a forma como elegem os seus representantes.

A pós-democracia, em suma, representa um espaço incerto que responde aos desafios da sociedade digital, sendo, ao mesmo tempo, a consequência do cerco histórico sofrido pela democracia representativa e das suas falhas em enfrentar os problemas dos cidadãos e responder às suas exigências.

E em Portugal? Marca na agenda: faz greve no dia 3 de Junho

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Steve Earle - City Of Immigrants (canção de intervenção, mais uma no seu currículo imaculado e coerente com princípios éticos e eco-pacifistas)


Veteran singer-songwriter-actor Steve Earle and veteran actor-director Steve Buscemi are two people who would seem to have known each other for ages. Their work, whether it’s Earle’s vast catalog of songs (“Copperhead Road,” “Guitar Town”) and acting roles (“The Wire,” “Treme,” “Leaves of Grass”), or Buscemi’s formidable history of acting and directing (“Fargo,” “Reservoir Dogs,” “The Big Lebowski,” “The Sopranos,” “Boardwalk Empire”), shares a certain humanity, sensitivity and sensibilities.

Yet the two actually met for the first time earlier this year, after Buscemi was suggested as a director for a new video for Earle’s 2007 song “City of Immigrants” from his New York-themed album “Washington Square Serenade.” The video is a heartfelt, lively celebration of the polyglot melting pot that New York City has always been, created by two longtime residents.

Earle and Buscemi, together with a small cast of extras and technicians, were together in the East Village one sunny spring afternoon in April to shoot footage for the clip, which features people from the city’s countless ethnic groups, along with shots of Earle walking the streets and singing the in several different neighborhoods — also including Jackson Heights in Queens, which the singer describes as “easily the most diverse neighborhood in the country” — and performing a concert at the Gramercy Theater.

Steve Earle has never been afraid to speak his mind even if it loses him fans. He was singing about gun violence and attacking the NRA back in the 80's when it was deeply unpopular. He made a whole album against the war in Iraq when most of the country, especially his Copperhead Road fans, were supporting it. He has sung about the children of Gaza long before anyone was talking about Palestine. Seeing him stand up for immigrants is not surprising. Beautiful song.

Letra
Livin' in a city of immigrants
I don't need to go travelin'
Open my door and the world walks in
Livin' in a city of immigrants
Livin' in a city that never sleeps
My heart keepin' time to a thousand beats
Singin' in languages I don't speak
Livin' in a city of immigrants

City of black
City of white
City of light
City of innocents
City of sweat
City of tears
City of prayers
City of immigrants

Livin' in a city where the dreams of men
Reach up to touch the sky and then
Tumble back down to earth again
Livin' in a city that never quits
Livin' in a city where the streets are paved
With good intentions and a people's faith
In the sacred promise a statue made
Livin' in a city of immigrants

City of stone
City of steel
City of wheels
Constantly spinnin'
City of bone
City of skin
City of pain
City of immigrants

All of us are immigrants
Every daughter, every son
Everyone is everyone
All of us are immigrants - everyone
Livin' in a city of immigrants
River flows out and the sea rolls in
Washin' away nearly all of my sins
Livin' in a city of immigrants

City of black
City of white
City of light
Livin' in a city of immigrants
City of sweat
City of tears
City of prayers
Livin' in a city of immigrants

City of stone
City of steel
City of wheels
Livin' in a city of immigrants

City of bone
City of skin
City of pain
City of immigrants
All of us are immigrants


segunda-feira, 11 de maio de 2026

Nikolai Gogol - sobre a corrupção de uma classe decadente que domina o povo ignorante e escravo do Estado


Há momentos em que é impossível encaminhar a sociedade, ou mesmo uma geração inteira, para o belo sem revelar toda a profundidade da sua verdadeira abominação.

Esta frase de Nikolai Gogol carrega o peso do realismo fantástico e da sátira social que definiram a sua obra. Gogol não era apenas um contador de histórias; era um observador clínico das falhas humanas. Para compreender o que ele pretende dizer, precisamos de olhar para a ideia de choque de realidade.

Em primeiro lugar, surge a necessidade do espelho cruel. Gogol sugere que a sociedade vive frequentemente num estado de negação ou hipocrisia e, para ele, falar sobre beleza, virtude ou progresso moral é inútil se os alicerces da sociedade estiverem podres. O conceito é simples: não se pode curar uma doença se o paciente se recusa a admitir que está doente. Assim, a acção da arte ou da história deve ser a de actuar como um espelho que não embeleza, revelando a abominação — as injustiças, a corrupção e a mediocridade — para que o horror da própria imagem force a mudança.

Esta abordagem liga-se à catarse pelo grotesco, estilo pelo qual Gogol é famoso. Em obras como O Inspector Geral ou Almas Mortas, o autor retrata burocratas corruptos e proprietários de terras absurdos, não apenas para fazer rir, mas para causar um desconforto profundo. Ele acredita que a beleza não pode florescer em solo contaminado por mentiras não reveladas e que a sociedade só se sentirá motivada a procurar a beleza e a ordem moral quando o peso do seu próprio vazio se tornar insuportável. É a ideia de que é preciso chegar ao fundo do poço para, finalmente, olhar para cima.

Desta forma, o papel do artista é o de um revelador. Para Gogol, o escritor não deve apenas entreter, mas sim realizar uma espécie de exorcismo social. Ele afirma que é impossível conduzir uma geração pela lógica ou pelo incentivo gentil porque as pessoas estão anestesiadas. O choque provocado pela revelação da profundidade da verdadeira abominação é o que possui a energia cinética necessária para retirar uma sociedade da sua inércia moral.

Em resumo, Gogol defende que a regeneração moral exige honestidade brutal. Ele acredita que a luz só será valorizada e procurada quando todos compreenderem plenamente a extensão das trevas em que estão mergulhados. É uma visão pessimista no diagnóstico, mas esperançosa no objectivo final: a transformação através da verdade.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Corrupção aumenta globalmente com EUA a atingir pior nível de sempre


O Índice de Perceção da Corrupção de 2025 da Transparência Internacional revela que a corrupção está a aumentar globalmente, mesmo em democracias consolidadas. 

A corrupção está a aumentar mesmo em democracias consolidadas, tendo os Estados Unidos atingido, no ano passado, o pior nível de sempre, segundo o Índice de Perceção da Corrupção (IPC) de 2025, hoje publicado pela organização Transparência Internacional.

Segundo o documento, apesar de os desenvolvimentos de 2025 ainda não estarem totalmente refletidos na análise hoje divulgada, os Estados Unidos registaram uma forte queda no índice de perceção.

O país obteve uma pontuação de 64 pontos numa escala de 0 (altamente corrupto) a 100 (muito íntegro).

Os Estados que se destacam pela elevada transparência e integridade do setor público têm classificações de 80 ou mais pontos, sendo a lista liderada pela Dinamarca (89), Finlândia (88) e Singapura (84).

No entanto, alertou a organização não-governamental (ONG), os Estados com índices elevados não estão livres de corrupção, já que apoiam, em alguns casos, a corrupção noutros países ao facilitar o branqueamento e a transferência de dinheiro proveniente de atos de corrupção, o que a análise do IPC não abrange.

Por exemplo, a Suíça (80) e Singapura (84) estão entre os países com melhores pontuações, mas têm sido alvo de críticas por facilitarem a movimentação de dinheiro ilícito, destacaram os analistas da organização.

42 pontos a nível global, o nível mais baixo em mais de uma década
Em termos globais, a pontuação média ficou-se pelos 42 pontos, o que representa o nível mais baixo em mais de uma década.

"A grande maioria dos países não consegue controlar a corrupção: mais de dois terços -- 122 em 180 -- têm uma pontuação inferior a 50" pontos, observou a Transparência Internacional.

De acordo com o IPC deste ano, o número de países com pontuação acima de 80 diminuiu dos 12 registados há uma década para apenas cinco.

Influência dos EUA no mundo
A queda registada nos Estados Unidos teve repercussões no mundo, avaliou a ONG, lembrando, por exemplo, que a Lei sobre Práticas de Corrupção no Estrangeiro (que proíbe pessoas e empresas norte-americanas ou cotadas em bolsas dos Estados Unidos) tem um forte impacto em empresas internacionais, exigindo rigorosas práticas de contabilidade.

"O congelamento temporário [decidido em fevereiro de 2025, no início do segundo mandato de Donald Trump] sinalizou uma tolerância para com práticas comerciais corruptas", apontou a Transparência Internacional no relatório.

Além disso, os cortes nas ajudas dos Estados Unidos à sociedade civil no estrangeiro "enfraqueceram os esforços globais anticorrupção", acrescentou.

Segundo os analistas, estas decisões foram interpretadas pelos líderes políticos de outros países "como um sinal para restringir ainda mais as organizações não-governamentais, os jornalistas e outras vozes independentes".

Por isso, a perceção da corrupção piorou também em países como o Canadá (75 pontos), a Nova Zelândia (81) e em várias partes da Europa, como o Reino Unido (70), França (66) e a Suécia (80).

"Desde 2012, 13 países da Europa Ocidental e da União Europeia [UE] apresentaram um declínio significativo [no IPC], e apenas sete melhoraram significativamente", alertou a Transparência Internacional no mesmo documento.

Apesar do cenário, "a corrupção não é inevitável", sublinhou o presidente da Transparência Internacional, François Valérian, citado na análise, apelando aos governos e aos líderes para que "atuem com integridade e cumpram as suas responsabilidades".

É fundamental proteger o espaço cívico, pondo fim aos ataques a jornalistas, ONG e denunciantes, e interrompendo os esforços para restringir o trabalho independente da sociedade civil, segundo o representante.

Interferência dos Estados em ONG
Na última década, a interferência politizada nas operações das ONG aumentou em países como a Geórgia (50), Indonésia (34) e Peru (30), onde os governos introduziram novas leis para limitar o acesso ao financiamento das organizações e lançou campanhas de difamação e intimidação.

Nestes contextos, tornou-se cada vez mais difícil aos jornalistas independentes, organizações da sociedade civil e ativistas manifestarem-se contra a corrupção, facilitando, por sua vez, a manutenção dos abusos de poder.

Foi o que aconteceu em países como a Rússia (22) e a Venezuela (10), onde a repressão da sociedade civil aumentou o número de críticos do regime obrigados ao exílio, assinalou a Transparência Internacional.

Estes ambientes restritivos não só silenciam os críticos e os órgãos de fiscalização, como também criam perigos reais para aqueles que ousam expor irregularidades, frisou a organização, referindo que "desde 2012, 150 jornalistas que cobriam temas relacionados com corrupção em zonas sem conflito foram assassinados -quase todos em países com elevados níveis de corrupção".

Segundo o IPC, os países com as pontuações mais baixas apresentam, na sua grande maioria, sociedades civis severamente reprimidas e elevados níveis de instabilidade, como acontece no Sudão do Sul (9), na Somália (9) e na Venezuela (10).

Cenários que ameaçam os 50 países que viram as suas pontuações descerem significativamente nos últimos 13 anos, como aconteceu com a Turquia (31), a Hungria (40) e a Nicarágua (14).

sábado, 17 de janeiro de 2026

Kumi Naidoo : For over 30 years, the world has been addressing climate change without confronting its root cause: fossil fuels


Why is a global fossil fuel treaty needed and what should it look like?
For over 30 years, the world has been addressing climate change without confronting its root cause: fossil fuels. We have been standing in a flooding room, mopping the floor instead of turning off the tap. Eighty-six per cent of climate change is caused by coal, oil and gas, yet the global system still allows – even subsidises – their expansion. A treaty will give us a clear, fair and binding plan to end fossil fuel expansion, phase out existing production and support a just transition for workers and communities.

An ambitious treaty would have three pillars: no new investments in coal, gas or oil projects, a phase-out of existing production, based on science and equity, and a fast, funded transition that supports communities, workers and global south countries. This is a roadmap to turn off the tap at the source, something the current global system has failed to do.

The First International Conference for the Just Transition Away from Fossil Fuels, co-hosted by Colombia and the Netherlands, will take place in Santa Marta, Colombia, on 28 and 29 April, bringing together governments, experts and communities to develop policies for a transition in line with the Paris Agreement.

How can a treaty succeed where the COP series of climate summits has failed?
The COP process requires consensus from almost 200 governments, including many captured by fossil fuel interests. This leads to deals that are full of loopholes and not very binding. In contrast, a treaty can be negotiated by a coalition of the ambitious, set binding rules to stop expansion and deliver a governed, financed just transition.

This approach works. Think of the Landmine Convention or the Ozone Treaties. They didn’t need every country to start, just enough courageous ones to lead. Almost every major treaty began with a small group of pioneers. Once they move, they can set new global norms, shift finance away from fossil fuels and create economic and moral pressure on those lagging behind. A treaty supported by even 20 or 30 determined states can reshape diplomacy and global markets.

And the courage is already emerging. It’s coming from those on the frontlines of climate impacts: Caribbean and Pacific Island states and even some fossil-fuel exporters such as Colombia, Pakistan and Timor-Leste.

Of course there are obstacles. Powerful fossil fuel corporations drive corruption and political capture. Governments fear losing revenue from fossil fuel extraction and old patterns of global inequality continue to shape the global response. But as has been said before, first they ignore you, then they laugh at you, then they fight you – and then you win.

What’s civil society bringing to the process?
Civil society is not just at the table – it’s the one that built the table. This treaty initiative grew directly out of the work of climate justice networks, communities, frontline organisers, Indigenous peoples and youth activists. Over 2,000 civil society organisations now support the Fossil Fuel Non-Proliferation Treaty Initiative, alongside 101 Nobel laureates, 3,000 scientists and academics, the European Parliament and the World Health Organization. In 2023, Pacific civil society groups launched the Naiuli Declaration, the first endorsement of the treaty by an entire region’s civil society groups, demonstrating the power of grassroots leadership in this movement.

Civil society brings moral courage where governments hesitate, people power where institutions stagnate and art, culture and storytelling that reach the heart in ways data cannot. From the anti-apartheid movement in my youth to Greenpeace to Amnesty, I’ve seen that movements are the midwives of progress. There is vast space and an urgent need for civil society leadership.

Why should organisations and states join this initiative?
Because our children will one day ask us a simple question: when the moment of truth came, did you turn off the tap, or did you keep mopping until the flood swept us away?

Joining the treaty means choosing justice over delay, courage over convenience and solidarity over short-term profit. The treaty must directly improve people’s lives, reduce inequality and safeguard democratic space. It’s not about saving the planet, because the planet will survive us. It’s about saving ourselves, our human dignity and our shared future.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Media Pushing Pro-LNG Report Didn’t Mention Author Worked for Oil and Gas Lobby Firm


Several Canadian media outlets gave prominent coverage in December to a new report arguing that exporting massive amounts of natural gas from British Columbia to Asia will be good for the global fight against climate change.

But stories in Canada’s national newspaper of record, The Globe & Mail, as well as an influential conservative outlet called The Hub, didn’t mention that one of the report’s authors worked for a lobby group that has represented some of the country’s largest oil and gas companies.

“A new report is giving fresh support to Canada’s ambition to be an energy superpower as the federal and B.C. governments push for increased exports of liquefied natural gas,” read the Globe story.

It noted that the report “stands in sharp contrast to studies from climate groups and environmental think tanks, which say the world needs to focus on renewable energy, not on fossil fuels such as LNG.”

The report was co-authored by Mark Cameron, who from 2022 to 2025 served as vice president, External Relations, with Pathways Alliance, a consortium of Canadian oil sands producers — a fact not mentioned by Globe reporter Brent Jang.

The Globe story also didn’t note that Cameron currently works as a senior associate with Bluesky Strategy Group, a lobbying firm that has counted major players in Canada’s fossil fuel sector — including Pathways, Cenovus, Pembina Pipeline and Cedar LNG — among its clients. Those clients are listed on the Bluesky site and in federal lobbying records.

The report, which was published by Public Policy Forum and the Canadian Chamber of Commerce, “reads more like an echo of industry narratives than a rigorous, independent assessment—while keeping its modelling and assumptions out of public view,” said Thomas Green of the David Suzuki Foundation, in a statement to DeSmog.

DeSmog reached out to the Globe and Mail and Cameron for comment but didn’t receive a response.

Bluesky Boasts of Connections to Media
The report rehashes an argument frequently made by oil and gas producers that exporting gas will reduce emissions worldwide because that gas will replace more polluting power sources such as coal.
Inez Jabalpurwala, president and CEO of the Public Policy Forum, said in a release that “the report’s conclusions counter the simplistic narrative that more oil and gas equals more emissions.

Though Cameron’s past affiliation with Pathways Alliance is mentioned in the report, his connection to Bluesky Strategy Group, where he is a senior associate, is not. Neither affiliation is mentioned in the statement accompanying the report that was published on the Canadian Chamber of Commerce’s website.

Bluesky describes itself as “a leading-edge, full-service public affairs firm based in Ottawa, Canada, with national and global reach.” The group says on its website that it has close “integrated” connections to Canadian media and boasts to clients that “Our team has the reach to get your story told where it will be seen and heard.”

A week after the LNG report was published, Cameron authored a commentary in The Hub, entitled “Here’s how Canadian oil and gas can fuel global emissions reductions.”

“While more Canadian exports are not automatically ‘good for the planet,’ under the right conditions, they can lower global emissions compared with the most likely alternatives,” he argued.

The Hub also didn’t note Cameron’s connection to Bluesky. But it appears to be a valuable outlet to land for the report, boasting that “Canadians engage two million times monthly with The Hub’s content, generating over 200,000 hours of user interaction.”

Bluesky says on its own site that “we connect clients to the right audiences, on the right platforms, whether in government, media, industry, or the public sphere.”

Dubious Climate Claims
Climate experts and advocates argue that the report significantly undercounts the climate impacts of natural gas exports.

“A Coal-to-LNG transition is being championed by fossil fuel exporters who are racing to make the last buck on LNG before the market gets flooded with oversupply,” said Emilia Belliveau, energy transition program manager with Environmental Defence, in a statement to DeSmog. “Countries transitioning off of coal and looking for energy security are better served by moving from coal directly to the clean energy technologies supplying and shaping the future like wind, solar and batteries.”

Scientists, environmentalists and energy economists have been consistently warning that there’s little evidence Canadian oil or gas resources will displace fossil fuel use elsewhere and that continued production of fossil fuels will exacerbate climate change and delay transition to renewables. Some liquid natural gas (LNG) projects in Canada are expected to be so carbon intensive they’ve been called ‘carbon bombs’.

DeSmog reached out to Rewa Mourad, strategic communications specialist with the Canadian Chamber of Commerce, as well as Alison Uncles, vice president of media and communications with the Public Policy Forum, with questions about the report. Mourad did not reply, while a spokesperson for the Public Policy Forum told DeSmog the group is fully transparent about Cameron’s role and experience.

Steven Haig, a policy advisor for IISD’s Energy Program, whose work focuses on oil and gas policy in Canada, is also unconvinced by the report’s conclusions.

“We’re unlikely to see a widespread global transition from coal to Canadian LNG,” he wrote in a statement to DeSmog.

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Viúva de Alexei Navalny diz que laboratórios independentes provaram envenenamento mortal do marido

O opositor russo, de 47 anos, um dos principais críticos do Presidente russo, Vladimir Putin, morreu na prisão em fevereiro do ano passado

A viúva do líder da oposição russa Alexei Navalny afirmou hoje que o marido morreu envenenado, na sequência da confirmação por dois laboratórios diferentes depois de análises aos "restos biológicos" do ativista.

"Conseguimos transferir o material biológico de Alexei [Navalny] para o estrangeiro. Laboratórios de dois países diferentes realizaram análises. Estes laboratórios, independentes um do outro, concluíram que Alexei foi envenenado", escreveu Yulia Navalnaya numa mensagem publicada nas redes sociais e na qual exigiu que os resultados destes testes sejam tornados públicos.

O opositor russo, de 47 anos, um dos principais críticos do Presidente russo, Vladimir Putin, morreu na prisão em fevereiro do ano passado.

Navaly estava numa prisão no Ártico para cumprir uma pena de 19 anos sob "regime especial" e, segundo os serviços penitenciários, sentiu-se mal depois de uma caminhada e perdeu a consciência.

A viúva adiantou que Navalny tinha sido transferido para aquela prisão dois meses antes da morte, "claramente para esse fim".

"Durante os três anos que passou atrás das grades, o estado de saúde agravou-se. Não queriam apenas matá-lo, tentaram dominá-lo. Atormentaram-no com fome, frio e isolamento total. Foi impedido de receber telefonemas e visitas e deixaram de lhe entregar cartas. As reuniões com os advogados foram obstruídas. Passou longos períodos numa cela de castigo sem bens pessoais, sem livros e até sem papel ou caneta", contou.

Navalnaya realçou que a cela onde o marido se encontrava tinha "seis metros quadrados, uma chávena, uma escova de dentes e uma cama fixada na parede durante o dia, pelo que não era possível deitar-se nela".

"Esta foi a cela de castigo em que foi assassinado", denunciou.

Segundo Navalnaya, o opositor russo começou a sentir-se mal durante "uma caminhada programada" feita numa cela vizinha.

"O Alexei bateu à porta e disse que se sentia mal (...) Estava deitado no chão, com os joelhos sobre o estômago, a gemer de dor. Disse que o peito e a barriga estavam a arder. Começou a vomitar", contou.

"De acordo com o testemunho de alguns guardas prisionais, Alexei sofreu convulsões, respirava com dificuldade e tossia", acrescentou Navalnaya, referindo que "a ambulância foi chamada mais de 40 minutos depois de Alexei se ter começado a sentir mal".

"Nesse momento, já estava inconsciente. A ambulância, que chegou 10 minutos depois, tentou ressuscitá-lo, mas sem sucesso", adiantou.

A viúva lembrou que, após a morte do marido, prometeu fazer "todos os possíveis para investigar o assassínio de Alexei" Navalny, garantindo que tanto ela como a equipa que apoiava o opositor estão a cumprir essa promessa.

"Os assassinos trabalharam cuidadosamente para eliminar as pistas, mas conseguimos preservar algumas provas", disse.

Contou que conseguiram, em fevereiro de 2024, obter "amostras de material biológico de Alexei [Navalny] e contrabandeá-las em segurança para o estrangeiro".

Agora, os resultados dos testes de dois laboratórios "chegaram à mesma conclusão: Alexei foi assassinado. Mais especificamente, foi envenenado".

Navalnaya lamentou que "os países ocidentais não tenham base legal para abrir processos criminais" relativamente ao caso, mas lembrou que "também há considerações políticas".

"O Alexei era o meu marido. Era o meu amigo. Era um símbolo de esperança para o nosso país. Putin assassinou essa esperança. Temos o direito de saber como o fez. Peço aos laboratórios que realizaram os testes que publiquem os resultados", apelou.

"Parem de bajular Putin em nome de considerações ditas superiores. Enquanto permanecerem em silêncio, ele não para. Talvez alguém esteja a morrer agora por causa de outro envenenamento por Putin. Não apenas na Rússia, pois já vimos casos semelhantes noutras partes do mundo", instou.

"A única forma de confrontar Putin é agir com coragem e franqueza", concluiu.

terça-feira, 15 de julho de 2025

Viúva de Alexei Navalny pede que Itália cancele concerto de maestro apoiador de Putin

Yulia Navalnaya, viúva de Alexei Navalny, líder da oposição russa morto em fevereiro de 2024, pediu quee a Itália cancele um concerto de Valery Gergiev, maestro russo apoiador de Vladimir Putin. O regente tem uma apresentação programada no festival Un’Estate da Re, no palácio de La Reggia di Caserta, na Câmpania, em 27 de julho - caso aconteça, será a primeira aparição de Gergiev na Europa desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022.

Valery Gergiev é um entre muitos artistas russos que não tem se apresentado no Ocidente desde o início da ofensiva do país contra território ucraniano. Caso se apresente na Itália, o país terá rompido um boicote europeu a artistas pró-Kremlin.

Em artigo publicado no jornal La Repubblica nesta terça-feira (15), Yulia Navalnaya afirma que a apresentação de Gergiev no festival seria “um presente para o ditador”. Segundo ela, o maestro não era apenas um “amigo íntimo” e apoiador de Putin, mas também um “promotor” das “políticas criminosas” do presidente russo.

“Como é possível que, no verão de 2025, três anos após o início do conflito na Ucrânia, Valery Gergiev — cúmplice de Putin e pessoa incluída nas listas de sanções de vários países — tenha sido subitamente convidado para a Itália para participar de um festival?”, escreve Navalnaya.

Valery Gergiev, de 72 anos, tem uma reconhecida carreira na música de concerto, que o levou a reger em alguns dos principais palcos do mundo, como o Royal Opera House, em Londres, o Metropolitan Opera, em Nova York, e o Alla Scala, em Milão. Seu apoio a Putin não é uma novidade, e o maestro endossou o líder em campanhas eleitorais, após a anexação da Crimeia em 2014, em um concerto em Palmira, na Síria, em 2016, após as forças russas ajudarem o ex-ditador sírio Bashar al-Assad a retomá-la, e mais recentemente, declarou seu apoio a Putin durante a invasão russa à Ucrânia.

domingo, 8 de janeiro de 2023

Música do BioTerra - Inquietação, por JP Simões



A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes

São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa
Que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber

Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas

Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco pra chegar
Eu não meti o barco ao mar
Para ficar pelo caminho

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
Que não sei ainda

Há sempre qualquer coisa
Que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver

Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda