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quarta-feira, 15 de julho de 2026

O 'bicho-de-sete-cabeças' que não é: como uma loja online unificada salvaria os museus públicos

Pelo que conheço de e-commerce, pôr de pé uma loja online que junte o espólio de mais de 30 museus e monumentos nacionais não é bicho-de-sete-cabeças, mas exige dividir os custos em dois momentos: o arranque e o dia a dia.

Para começar, o desenvolvimento do site - que tem de ser robusto para cruzar os stocks de museus diferentes -, a fotografia profissional das réplicas e livros, e a integração com sistemas de pagamento (como o MB Way, ou melhor ainda um agregador, como a Stripe ou a Adyen) e faturação ficaria entre os 21.500 € e os 43.000 €. É um investimento feito apenas uma vez.

O verdadeiro desafio está no que vem a seguir. Manter a loja viva e a faturar custaria entre 30.000 € e 61.000 € por ano. Este valor serve para pagar os servidores, o marketing digital (essencial para que os turistas saibam que a loja existe) e, acima de tudo, a logística: alguém tem de estar num armazém central a embalar as peças com cuidado e a despachar as encomendas.

Pode parecer muito dinheiro para a realidade da nossa cultura, mas as contas fazem-se depressa. Se cada cliente gastar, em média, 40 € (o preço de um catálogo e de uma lembrança), a loja só precisa de fazer 6 ou 7 vendas por dia para pagar todas as suas despesas e começar a dar lucro. Para os milhões de visitantes que os museus portugueses recebem todos os anos, isto é uma gota no oceano.

Fica claro que o problema nunca foi o preço da tecnologia, mas sim a falta de vontade política para gerir a nossa Cultura com uma visão sustentável, estratégica e promoção da Língua Portuguesa 
(P.S. sem nacionalismos ou ideologias) 

Ironia: a pretensa loja até existe, mas actualmente é um cemitério, desde 2012! . O que aconteceu? O dinheiro público foi gasto, mas as plataformas exigem manutenção contínua, interação constante entre as autarquias e a logística e como concluí, não há uma visão estratégica da Cultura Portuguesa além-fronteiras.

Neste aspecto (lojas virtuais de museus) não somos Franceses, Alemães, Holandeses nem os Países Nórdicos.

De Serralves à Vista Alegre: O sucesso das lojas digitais que o setor público devia imitar
As fundações privadas em Portugal estão, na verdade, bastante mais avançadas na transição digital do que o setor público. Como têm maior autonomia de gestão, orçamentos focados na internacionalização e processos de decisão mais ágeis, conseguiram criar plataformas de comércio eletrónico muito completas e intuitivas, que funcionam quase como montras de design e cultura.

Um dos melhores exemplos nacionais é a Loja de Serralves, no Porto, que se posiciona hoje como uma verdadeira concept store de arte contemporânea. No seu site, além de uma vasta livraria especializada em arte e arquitetura, é possível adquirir edições limitadas e numeradas de artistas consagrados, peças de decoração exclusivas, acessórios de moda desenhados por criadores portugueses e brinquedos didáticos de design premiado. Na mesma linha de excelência, as Lojas da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, dividem-se entre o catálogo do museu clássico e o do recém-renovado Centro de Arte Moderna (CAM). O seu espaço online destaca-se pela impressionante oferta de catálogos de exposições e ensaios históricos, mas também por peças de joalharia fina inspiradas na famosa coleção de René Lalique e por reproduções de azulejaria artística desenvolvidas em parcerias com galerias nacionais.

Para quem procura um nicho mais histórico e aristocrático, a Fundação das Casas de Fronteira e Alorna disponibiliza na sua loja virtual os "Cadernos da Fundação" - que reúnem investigações sobre o património barroco e a literatura dos séculos XVII e XVIII - , além de peças de azulejaria e produtos exclusivos inspirados na iconografia do próprio Palácio Fronteira. Por fim, num cruzamento perfeito entre a arte, a indústria e a preservação histórica, a Fundação Vista Alegre desempenha um papel crucial ao disponibilizar online réplicas exatas de peças de porcelana do século XIX, retiradas diretamente do espólio do seu museu histórico, bem como edições limitadas produzidas em colaboração com artistas contemporâneos globais.

A grande vantagem destas plataformas, além da óbvia comodidade de receber as peças em casa, é que muitas oferecem descontos de liquidação em livros e catálogos antigos que já não se encontram no mercado comum. Acima de tudo, comprar nestes canais digitais é uma forma direta de apoiar a sustentabilidade da cultura em Portugal, uma vez que a receita destas vendas reverte inteiramente para a manutenção do património, restauro de peças e financiamento de novas exposições e bolsas artísticas. 

Sim, os bilhetes normais são caros e proibitivos para o dia a dia. Mas conhecendo os dias específicos, podemos usufruir do melhor que estas fundações privadas têm para oferecer com o mesmo custo do programa Acesso 52 dos museus públicos: zero euros.

sábado, 6 de junho de 2026

Evangelina Mascardi baroque lute: Preludio e Fuga de Sylvius Leopold Weiss

Tenho tido a incrível sorte de assistir a inúmeros concertos ao vivo ao longo dos anos, desfrutando tanto de ambientes íntimos em recintos fechados como de atuações ao ar livre, rodeadas pela natureza. Há uma alquimia única quando música bela é tocada com tanta naturalidade por um verdadeiro mestre e, para mim, Evangelina Mascardi personifica essa perfeição. O seu domínio do alaúde é absolutamente hipnotizante.

O meu profundo amor por este instrumento estende-se também à brilhante obra do alaúdista e compositor alemão Sylvius Leopold Weiss. As suas composições transmitem uma beleza profunda e intemporal que ressoa profundamente, especialmente quando trazidas à vida por artistas que compreendem a alma delicada do alaúde.

Ouvir esta música no seio da natureza é uma experiência sublime - onde o suave dedilhar das cordas se funde na perfeição com o farfalhar das folhas e o céu aberto. É uma lembrança de quão poderosa e reconfortante a arte pura pode ser.

Biografia de Evangelina Mascardi

Tocar um instrumento musical como o alaúde barroco em plena natureza é uma experiência que cruza de forma profunda a biologia, a cultura e a sensibilidade humana. Para compreender esta ação, podemos dividi-la em duas perspetivas fundamentais: a biofilia e a etnobiologia. A biofilia, um conceito popularizado pelo biólogo E. O. Wilson, sugere que os seres humanos possuem uma tendência inata para procurar conexões com o mundo natural e outras formas de vida. Ao levar um instrumento para um bosque, para uma praia ou para um jardim, o músico não está apenas a contemplar a paisagem, mas sim a interagir ativamente com ela. A música transforma-se num diálogo e numa busca por bem-estar, onde o ritmo do dedilhar e o timbre do instrumento se alinham instintivamente com o som do vento, das ondas ou do canto dos pássaros. No caso específico do alaúde barroco, esta ligação é ainda mais íntima devido à sua natureza inteiramente orgânica, construída com madeiras ressonantes leves e cordas delicadas, produzindo um som acústico e suave que não agride o ecossistema, mas funde-se perfeitamente com ele.

Por outro lado, embora o ato isolado de tocar não seja uma ciência, a relação humana e cultural que o sustenta é o objeto de estudo perfeito para a etnobiologia. Esta disciplina estuda as complexas interações entre as sociedades humanas e os ecossistemas ao seu redor. Quando analisamos o alaúde barroco sob esta lente, entramos no campo da etnobotânica aplicada à luthieria, que é a arte de construir instrumentos de corda. A própria existência do alaúde é o resultado de séculos de conhecimento acumulado por artesãos europeus sobre as propriedades físicas e acústicas das árvores. Para criar o tampo harmónico do instrumento, por exemplo, utiliza-se historicamente o abeto de ressonância, uma madeira proveniente de árvores que crescem em altitudes elevadas e em condições de frio extremo, como nos Alpes. Este crescimento lento gera anéis de madeira extremamente compactos e regulares, garantindo uma elasticidade e uma rigidez únicas que permitem ao instrumento vibrar com a máxima sensibilidade. Já para a construção da concha traseira do alaúde, recorre-se a madeiras como o ácer, que reflete o som rapidamente e confere brilho e clareza às notas, ou o teixo e as madeiras de árvores de fruto, como a ameixoeira, que trazem doçura e harmónicos calorosos à música.

Existe ainda uma ponte fascinante entre estes conceitos chamada biomúsica ou zoomusicologia, que estuda a música humana que incorpora ou responde diretamente aos sons do ambiente. No período Barroco, compositores como Sylvius Leopold Weiss criavam obras inspiradas na imitação da natureza, tentando traduzir paisagens e movimentos do mundo natural para as cordas do instrumento. Ao interpretar estas peças ao ar livre, o músico está, na verdade, a devolver essa matéria-prima florestal, agora transformada em património cultural, ao seu local de origem. Cria-se assim uma simbiose física e ambiental instantânea, uma vez que a madeira, sendo um material vivo e higroscópico, reage diretamente ao microclima, expandindo-se ou contraindo-se com a humidade e a temperatura do ar. Hoje em dia, esta relação enfrenta até desafios ecológicos modernos, pois as alterações climáticas e os invernos menos rigorosos na Europa fazem com que as árvores cresçam mais depressa, forçando os construtores de instrumentos a subir cada vez mais alto nas montanhas para encontrar a madeira ideal. Assim, tocar este instrumento na natureza manifesta o impulso biofílico de pertença ao mundo vivo e, em simultâneo, celebra o conhecimento etnobotânico que permitiu transformar a floresta em arte pura.

Finalmente, saber que o instrumento foi construído em 2024 pelo conceituado luthier Cezar Mateus, em Nova Jérsia, liga o passado histórico diretamente ao presente globalizado.

Do ponto de vista da etnobotânica moderna, a construção deste alaúde específico reflete a complexa jornada dos materiais na atualidade. Embora Cezar Mateus trabalhe nos Estados Unidos, um construtor desse nível mantém a tradição rigorosa de importar as madeiras europeias ideais, como o abeto dos Alpes para o tampo harmónico e o ácer ou o teixo para o corpo. Isto demonstra como o conhecimento tradicional sobre as árvores europeias cruzou o Atlântico, sendo aplicado por um mestre artesão nas Américas para criar um instrumento que, depois, viaja de volta à Europa para ser tocado na natureza pela alaudista Evangelina Mascardi. É a globalização ao serviço da preservação duma arte ecológica e histórica.

Além disso, o facto de ser um instrumento tão recente traz uma dinâmica física única para a biofilia e para a acústica ao ar livre. Um alaúde construído em 2024 é um instrumento "jovem". As suas madeiras ainda estão a aprender a vibrar juntas e são extremamente sensíveis às condições atmosféricas. Quando a artista o retira do ambiente controlado de um estúdio e o toca num espaço natural, o instrumento enfrenta o seu batismo de fogo ambiental, reagindo de forma muito viva à humidade e à temperatura daquele momento. Há uma beleza poética nisso: um instrumento feito recentemente com árvores antigas, esculpido do outro lado do oceano, a cantar e a vibrar pela primeira vez em plena sintonia com a natureza europeia.

terça-feira, 3 de março de 2026

Dia Mundial da Vida Selvagem


Hoje, 3 de março celebra-se, anualmente, o Dia Mundial da Vida Selvagem. 

Este ano com o tema Plantas aromáticas e medicinais - preservar a saúde, o património e os meios de subsistência.
A 3 de março de 2026, das 12:30 h às 14:30 (hora de Lisboa) assista aqui à celebração oficial da ONU, que contará com histórias e apresentações sobre o uso sustentável e a conservação de plantas aromáticas e medicinais, por especialistas dos Estados-Membros, representantes de alto nível de organizações internacionais, partes interessadas da indústria, líderes comunitários locais e membros de redes juvenis.

Vídeo oficial (em inglês)
Sítio oficial da comemoração (versão espanhola - permite tradução para português).

Utilize ainda os materiais informativos e educativos no sítio do ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, I. P.

Como pode ajudar?
- Descubra mais acerca das plantas nativas da sua região.
- Ajude a conhecer onde elas existem inserindo as suas observações em plataformas de ciência-cidadã como a Biodiversity4all.
- Evite a colheita de plantas selvagens, a menos que tenha formação e autorização para tal.
- Se usar produtos à base de plantas, escolha os de origem sustentável.
- Se é pai/mãe ou professor(a) ensine os seus filhos(as) e alunos(as) a conhecer e proteger as plantas nativas.
- Maximize o seu impacto contribuindo para iniciativas de conservação.
- Tenha plantas aromáticas ou medicinais nativas em casa ou no seu jardim ou quintal.

Sabia que?
- Cerca de 25% dos medicamentos modernos são derivados de plantas.
- Estima-se que entre 50.000 a 70.000 espécies de plantas são usadas medicinalmente e cerca de 1.500 delas estão listadas nos Anexos da CITES - Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção - e mais de 800 no seu Anexo II.
- Algumas farmacopeias indígenas documentam milhares de remédios à base de plantas.
- No mundo, as plantas selvagens sustentam milhões de família rurais, através do comércio, da medicina e do artesanato.
- As práticas de cultivo e colheita de plantas aromáticas e medicinais garantem recursos vitais para muitas famílias, sendo que, no mundo, uma em cada cinco pessoas depende de plantas silvestres, algas e fungos para a sua alimentação e rendimento.
- A identidade cultural, as práticas espirituais e as tradições curativas são, frequentemente, indissociáveis da biodiversidade vegetal.
O objetivo deste dia é consciencializar os cidadãos para a proteção da fauna e flora, especialmente as espécies ameaçadas. Pretende-se, também, demonstrar os benefícios que a conservação das espécies tem para a vida no planeta e para a sobrevivência do ser humano.

Sobre o Dia Mundial da Vida Selvagem
Este dia foi criado na 16.ª Conferência das Partes da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção, em Março de 2013, por iniciativa da Tailândia. Mais tarde, a 20 de dezembro de 2013, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou este dia, através da Resolução 68/205

domingo, 21 de setembro de 2025

Turismo Imersivo: Da Massificação à Experiência com Significado


Hoje, viajar tornou-se uma prática tão comum que se arrisca a uma certa banalização. Em 2023, os residentes da União Europeia com mais de 15 anos realizaram mais de 1,1 mil milhões de viagens turísticas com pelo menos uma noite de estadia. Isso equivale a uma média de 2,4 viagens por pessoa por ano (Eurostat, 2023). No outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos, a maioria das famílias realiza uma média de três viagens por ano.

Apesar da dimensão impressionante destes números, esta massificação e repetição de itinerários semelhantes — praias, monumentos, capitais turísticas — faz com que muitas dessas viagens deixem de ser experiências marcantes ou transformadoras.

É neste contexto que surge com força uma tendência internacional: o turismo imersivo (immersive tourism), também referido como experiential travel ou curated travel. A sua proposta é clara: substituir a quantidade pela qualidade, levando o viajante a viver experiências autênticas e a criar ligações genuínas com as comunidades locais.

O que distingue o turismo imersivo?
Ao contrário do turismo de massas, o turismo imersivo privilegia pequenos grupos e experiências de proximidade, onde os visitantes deixam de ser meros observadores para se tornarem participantes ativos:

Aprendendo diretamente com artesãos locais em workshops práticos.
  1. Descobrindo saberes tradicionais, como a cestaria com plantas autóctones ou a produção de queijo de cabra numa pequena unidade artesanal
  2. Partilhando refeições com gastronomia regional preparada com produtos locais.
  3. Integrando-se em festividades comunitárias e tradições vivas.
  4. Explorando a natureza através de passeios guiados que revelam paisagens, histórias e biodiversidade.
Um estudo recente de Zhou & Wang (2024) sublinha que a qualidade destas experiências depende de dois fatores: o experiencescape físico (o ambiente, a temática, e as infraestruturas que envolvem a experiência) e o experiencescape interpessoal (proporcionado pela interação entre anfitriões e visitantes). Ambos os elementos, segundo os autores, potenciam emoções positivas, que aumentam a probabilidade de os viajantes recomendarem o destino ou regressarem no futuro.

Uma prática de Turismo Responsável
As viagens imersivas não são apenas gratificantes para os viajantes – representam também um avanço no movimento global pelo Turismo Responsável. Ao escolher este tipo de experiência:
  1. As economias locais beneficiam diretamente: artesãos, produtores, guias e pequenos negócios veem o seu trabalho valorizado e justamente compensado.
  2. O património cultural é preservado: os ofícios e práticas tradicionais ganham visibilidade e continuam a florescer.
  3. As comunidades são fortalecidas: receber viajantes aumenta o orgulho na identidade local e abre novas oportunidades.
  4. O ambiente é respeitado: o formato de pequenos grupos e as atividades de contacto com a natureza promovem práticas de baixo impacto.
Desta forma, o turismo imersivo gera benefícios mútuos. Os visitantes têm experiências autênticas – não encenadas - que se tornam o ponto alto da viagem: as histórias das pessoas que conheceram, os ofícios que experimentaram com as próprias mãos, as receitas que provaram e as tradições em que participaram. E, ao fazê-lo, cada viagem contribui para uma economia local mais forte e para a preservação do que torna cada lugar único.

domingo, 11 de maio de 2025

11 de maio é o Dia Mundial do Kuffiyeh, símbolo da Palestina, identidade e cultura



Este tradicional acessório representa a identidade nacional palestiniana e a ligação com a sua terra. Adoptado por milhões de pessoas em todo o mundo, representa a solidariedade com a Palestina e a sua luta pela liberdade e justiça.

O keffiyeh palestiniano, foi reconhecido como Património Cultural Imaterial pela UNESCO. O anúncio foi feito pelo Ministério da Cultura da Palestina em 16 de novembro de 2024, por ocasião do “Dia Nacional do Keffiyeh”. Este reconhecimento é um importante marco na preservação do legado cultural palestiniano e reforça a identidade e a resiliência do povo palestiniano.

Originalmente usado por pastores e agricultores nómadas, o keffiyeh "tornou-se uma peça de vestuário icónica usada globalmente por revolucionários anticolonialistas, ativistas e afins, embora continue a ser usado como um toucado tradicional pelos anciãos e agricultores", disse Majeed Malhas, jornalista palestino-canadiano e candidato a doutoramento em antropologia na Universidade de Toronto.

Fonte: aqui

segunda-feira, 24 de junho de 2024

S. João- Figurado de Estremoz


São João Baptista, que terá nascido sensivelmente na mesma época que Jesus Cristo, diz a tradição cristã que foi a 24 de Junho que baptizou Jesus.
Um eremita profeta muito apreciado pelo povo há mais de 2.000 anos, por pregar a necessidade do arrependimento e converter os gentios. 
Foi morto num célebre episódio descrito na Bíblia (Marcos 6:14-29), no qual Herodes, seduzido pela dança da sobrinha Salomé, filha de sua mulher Herodíades, acede ao pedido desta para lhe dar a cabeça do profeta numa bandeja de prata.
A Produção de Figurado em Barro de Estremoz integra o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, desde 2014, sendo desde  2017 Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.
O S. João de Estremoz apresenta-se com peles de animais (pele de camelo atada com rude cinto de couro) e um cordeiro apoiado nas patas traseiras (evocação que foi este que anunciou a chegada do Cordeiro de Deus), junto da sua perna direita. Apoia-se num bastão com bandeira. Há peças que apresentam plantas muito altas detrás do Santo, representação da sua condição de Eremita.

sábado, 30 de março de 2024

Canibalismo era um ritual fúnebre comum na Europa há 15 mil anos, segundo estudo

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Sítio fúnebre de Herxheim, Alemanha

O canibalismo era uma prática funerária rotineira na Europa há cerca de 15 mil anos, quando as pessoas comiam os seus mortos não por necessidade, mas sim como parte da sua cultura, de acordo com um novo estudo.

Embora os pesquisadores tenham encontrado anteriormente ossos roídos e crânios humanos que foram transformados em taças na caverna de Gough, na Inglaterra, um estudo publicado na revista Quaternary Science Reviews sugere que este não foi um incidente isolado.

A pesquisa se concentrou no período Magdaleniano do final do Paleolítico Superior. Os magdalenianos viveram há cerca de 11 mil a 17 mil anos.

Especialistas do Museu de História Natural de Londres analisaram a literatura para identificar 59 sítios magdalenianos que contêm restos humanos. A maioria estava na França, mas há sítios também na Alemanha, Espanha, Rússia, Reino Unido, Bélgica, Polónia, República Checa e Portugal.

Eles foram capazes de interpretar os comportamentos funerários em 25 sítios. Quinze mostraram evidências de restos humanos com marcas de mordidas, ossos de crânio com marcas de corte e ossos quebrados propositalmente em um padrão associado à extração de medula óssea em busca de nutrientes, indicando que o canibalismo era praticado.

Também houve evidências que sugerem que, em alguns casos, restos mortais humanos foram misturados com restos de animais.

A manipulação ritualística de restos mortais humanos e a sua ocorrência frequente em locais do norte e oeste da Europa sugerem que o canibalismo era uma prática funerária – e não um complemento à dieta – difundida na cultura magdaleniana, disseram os pesquisadores.

“[É] inegável que a frequência de casos de canibalismo entre os sítios magdalenianos excede qualquer incidência desse comportamento entre grupos de hominídeos anteriores ou posteriores, e sugere que o canibalismo mortuário era um método que o povo magdaleniano usava para se livrar de seus falecidos”, disse o estudo.

“Em vez de enterrar seus mortos, essas pessoas os comiam”, disse a coautora do estudo Silvia Bello, paleoantropóloga e pesquisadora principal do Museu de História Natural, em um comunicado à imprensa.

Ela acrescentou que o canibalismo “não era praticado simplesmente por necessidade”. “Isso por si só é interessante, porque é a evidência mais antiga de canibalismo como prática funerária conhecida até agora”, acrescentou Bello.

Comportamento funerário associado à ancestralidade genética
Os pesquisadores também conseguiram obter informações genéticas de oito sítios e combiná-las com evidências arqueológicas para identificar uma relação entre o comportamento funerário e a ancestralidade genética.

Eles descobriram que havia dois grupos ancestrais distintos presentes na região durante esse período – um da cultura magdaleniana e outro chamado epigravetiano, uma cultura humana europeia diferente e geograficamente distinta.

Os pesquisadores descobriram que aqueles pertencentes à cultura magdaleniana no noroeste da Europa preferiam comer os seus mortos, enquanto os humanos da cultura epigravetiana preferiam enterrar os seus mortos sem canibalismo.

“Houve uma mudança no sentido de as pessoas enterrarem os seus mortos, um comportamento amplamente observado em todo o centro-sul da Europa e atribuído a uma segunda cultura distinta, conhecida como Epigravetiana”, disse o Museu de História Natural no comunicado.

A presença de sepultamentos regulares durante o Magdaleniano Superior deveu-se à migração de indivíduos com ascendência relacionada com o Epigravetiano para áreas anteriormente habitadas por pessoas com ascendência relacionada com o Magdaleniano que praticavam o canibalismo funerário, sugeriu o estudo.

“Acreditamos que a mudança no comportamento funerário aqui identificada é um exemplo de difusão dêmica onde essencialmente uma população entra e substitui outra população e isso provoca uma mudança de comportamento”, disse William Marsh, pesquisador de pós-doutorado do museu, no comunicado à imprensa.

Estes são resultados preliminares e é necessária uma análise mais aprofundada dos resultados em maior escala para examinar completamente as descobertas, disseram os autores do estudo.

Thomas Booth, cientista sénior de pesquisa de laboratório do Instituto Francis Crick que não esteve envolvido no estudo, disse à CNN: “Estamos sentindo falta dos restos mortais da maioria das pessoas que viveram na Europa durante o Paleolítico e por isso pode sempre ser complicado ter certeza do que as pessoas faziam com os seus mortos”.

“No entanto, este estudo fornece evidências bastante convincentes de que o canibalismo ritual funerário era praticado por pessoas em toda a Europa há 20 mil – 14 mil anos atrás”.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Aniversário da morte de Sócrates


Aniversário da morte de Sócrates 15 de fevereiro (disputado) 399 AC Atenas, Grécia "A vida não examinada não vale a pena viver." - Sócrates
Um famoso ditado supostamente proferido por Sócrates em seu julgamento por impiedade e corrupção de jovens, pelo qual foi posteriormente condenado à morte.
Bertrand Russell comenta Uma História da Filosofia Ocidental (1945) “Os principais factos do julgamento e morte de Sócrates não são susceptíveis de dúvida. A acusação baseou-se na acusação de que: “Sócrates é um malfeitor e uma pessoa curiosa, que investiga as coisas debaixo da terra e acima do céu; e fazer com que o pior pareça ser a melhor causa, e ensinar tudo isso aos outros.“ Isso está registado no diálogo Apologia, que é geralmente considerado histórico. Este afirma ser o discurso que Sócrates fez em sua própria defesa no seu julgamento – não, claro, um relatório estenográfico, mas o que permaneceu na memória de Platão alguns anos depois do acontecimento, reunido e elaborado com arte literária. Platão esteve presente no julgamento, e certamente parece bastante claro que o que está estabelecido é o tipo de coisa que Platão se lembrava de Sócrates ter dito, e que a intenção é, em termos gerais, histórica. Isto, com todas as suas limitações, é suficiente para dar uma imagem bastante definida do carácter de Sócrates. Ao que parece, certa vez perguntaram ao Oráculo de Delfos se havia algum homem mais sábio que Sócrates, e ele respondeu que não. Sócrates afirma ter ficado completamente perplexo, pois não sabia de nada e, no entanto, um deus não pode mentir. Ele, portanto, andou entre homens considerados sábios, para ver se poderia convencer o deus do erro. Primeiro ele procurou um político, que "era considerado sábio por muitos, e ainda mais sábio por ele mesmo". Ele logo descobriu que o homem não era sábio e explicou-lhe isso, de maneira gentil, mas firme, "e a consequência foi que ele me odiou". Ele então foi até os poetas e pediu-lhes que explicassem passagens de seus escritos, mas eles não conseguiram fazê-lo. "Então eu soube que não é por sabedoria que os poetas escrevem poesia, mas por uma espécie de génio e inspiração." Depois procurou os artesãos, mas achou-os igualmente decepcionantes. No processo, diz ele, ele fez muitos inimigos perigosos. Finalmente concluiu que "só Deus é sábio; e com a sua resposta pretende mostrar que a sabedoria dos homens vale pouco ou nada; não está a falar de Sócrates, está apenas a usar o meu nome a título de ilustração, como se ele disse: Aquele, ó homens, é o mais sábio, aquele que, como Sócrates, sabe que sua sabedoria na verdade não vale nada. Esse negócio de mostrar pretendentes à sabedoria ocupa todo o seu tempo e o deixou em extrema pobreza, mas ele sente que é um dever defender o oráculo. pág. 86
A acusação dizia que Sócrates não só negava os deuses do Estado, mas também introduzia outros deuses próprios; seu promotor Meleto, porém, diz que Sócrates é um ateu completo e acrescenta: "Ele diz que o sol é pedra e a lua é terra." Sócrates responde que Meleto parece pensar que está processando Anaxágoras, cujas opiniões podem ser ouvidas no teatro por um dracma (presumivelmente nas peças de Eurípides). É claro que Sócrates salienta que esta nova acusação de ateísmo completo contradiz a acusação, e depois passa para considerações mais gerais. pág. 87
A Apologia dá uma imagem clara de um certo tipo de homem: um homem muito seguro de si, nobre, indiferente ao sucesso mundano, acreditando que é guiado por uma voz divina e persuadido de que o pensamento claro é o requisito mais importante para viver corretamente. Exceto neste último ponto, ele se assemelha a um mártir cristão ou a um puritano. Na passagem final, onde considera o que acontece após a morte, é impossível não sentir que acredita firmemente na imortalidade e que a sua professada incerteza é apenas assumida. Ele não se preocupa, como os cristãos, pelo medo do tormento eterno: não tem dúvidas de que a sua vida no outro mundo será feliz. No Fédon, o Sócrates platónico dá razões para a crença na imortalidade; se foram essas as razões que influenciaram o Sócrates histórico, é impossível dizer.” p. 89 — Bertrand Russell, Uma História da Filosofia Ocidental (1945), Livro Um Filosofia Antiga, Parte II. Cap: XI, Sócrates, p. 86, pág. 87 e pág. 89
Antecedentes: A Morte de Sócrates, 15 de fevereiro de 399 AEC Sócrates (c. 470-399 aC) foi uma figura altamente enigmática e polarizadora na sociedade ateniense. Em 399 aC, ele foi acusado de impiedade e de corromper a juventude. Após um julgamento que durou apenas um dia, ele foi condenado à morte e obrigado a beber uma bebida venenosa composta principalmente de cicuta, mel e leite (o mel era usado para mascarar o forte sabor amargo da cicuta e leite adicionado para não causar vómito ). Sócrates passou seu último dia na prisão, recusando ofertas de ajuda para escapar. As últimas palavras de Sócrates foram de acordo com Platão: “Crito, devemos um galo a Asclépio. Pague e não negligencie."
— Sócrates, Fédon 118a (Ὦ Κρίτων τῷ Ἀσκληπιῷ ὀφείλομεν ἀλεκτρυόνα. ἀλλὰ ἀπόδοτε καὶ μὴ ἀμ ελήσητε)

* O Oráculo de Delfos
Pítia era o título oficial da suma sacerdotisa do Templo de Apolo em Delfos. Ela serviu especificamente como oráculo e era comumente conhecida como Oráculo de Delfos. Os gregos antigos derivaram este nome de lugar do verbo πύθειν (púthein) 'apodrecer', que se refere ao cheiro doce e enjoativo do corpo em decomposição de uma monstruosa Píton depois de ter sido morto pelo deus Apolo. O Oráculo de Delfos era o oráculo de maior prestígio e autoridade entre os gregos antigos e estava entre as mulheres mais poderosas do mundo clássico. Muitos dos escritos antigos afirmavam que a Pítia entregava oráculos num estado frenético e hipnótico induzido por vapores que subiam de um abismo vulcânico na rocha no centro do templo. Quaisquer palavras que os Ptyhia pronunciassem, os sacerdotes délficos masculinos interpretavam como profecias enigmáticas. Esta interpretação antiga, no entanto, foi contestada por muitos estudiosos modernos e atualmente não é geologicamente sustentável. O templo sobreviveu até 390 DC, quando o imperador cristão romano Teodósio I silenciou o oráculo destruindo o templo e destruindo a maioria das estátuas e obras de arte na tentativa de remover todos os vestígios do paganismo grego, uma tarefa que foi amplamente bem-sucedida.
Imagem: Busto de Sócrates. Mármore, obra de arte romana (século I), talvez uma cópia de uma estátua de bronze perdida feita pelo escultor grego antigo Lísippo. Atualmente alojado no Museu do Louvre, Paris.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Fivelas de cinto revelam culto pagão medieval desconhecido na República Checa





Uma fivela de cinto medieval com a imagem de uma cobra ou um dragão devorando um sapo foi descoberta com a ajuda de detectores de metal perto da vila de Lány, na República Bcheca.


Para arqueólogos da Universidade de Masaryk, a representação pode ser um símbolo de um culto pagão desconhecido. Um estudo sobre a descoberta foi publicado na edição de janeiro do periódico Journal of Archaeological Science.

"Lutar contra um dragão ou uma cobra é um dos motivos básicos nos mitos cosmogônicos de criação do mundo de muitas culturas diferentes, enquanto a interação entre o sapo e a cobra pode ser vinculada às práticas cultuais de fertilidade", afirma comunicado da Universidade de Masaryk.

Inicialmente, os pesquisadores pensaram que a descoberta da fivela era rara, com uma decoração única. "No entanto, mais tarde descobrimos que outros artefatos quase idênticos também foram desenterrados na Alemanha, Hungria e Boémia", conta Jiří Macháček, chefe do Departamento de Arqueologia e Museologia da Faculdade de Artes de Masaryk.

Após encontrar os itens, Macháček se deu conta de que estava "diante de um culto pagão previamente desconhecido que ligava diferentes regiões da Europa Central no início da Idade Média, antes da chegada do Cristianismo".

Investigando as fivelas
Uma equipa internacional de pesquisa foi formada para estudar os artefatos no sítio arqueológico, que já havia chamado a atenção pela descoberta de uma costela de animal com inscrições em runas germânicas antigas.

A pesquisa revela que o cinto medieval de Lány pertence a um grupo de artefatos chamado "Avar belt fittings", que foram produzidos na Europa Central nos séculos 7 e 8 d.C.. Tais itens eram parte do traje dos ávaros, um povo nômade que se estabeleceu na Bacia dos Cárpatos, atual Hungria.

A moda ávara costumava ser adotada por povos vizinhos, como os eslavos. "O motivo de uma serpente ou cobra devorando sua vítima aparece na mitologia germânica, ávara e eslava", diz Macháček. "Era um ideograma universalmente compreensível e importante. Hoje, só podemos especular sobre o seu significado exato, mas, no início da Idade Média, conectava os diversos povos que viviam na Europa Central em um nível espiritual."

Para estudar os itens de Lány e outros semelhantes, os pesquisadores utilizaram métodos de ponta, como análise por fluorescência de raios-X e microscopia eletrónica de varredura. Stefan Eichert, do Museu de História Natural de Viena, na Áustria, realizou uma análise material e tecnológica que revelou que a maioria dos acessórios de bronze originalmente era dourada.

Já Ernst Pernicka, da Universidade de Tubinga, na Alemanha, utilizou uma análise química dos isótopos de chumbo contidos nas ligas de bronze, identificando uma fonte comum do cobre a partir do qual todos os acessórios descobertos foram feitos: as Montanhas de Minério da Eslováquia.

Uma análise morfométrica com base em modelos digitais 3D, realizada por Vojtěch Nosek da Universidade Masaryk, reforçou essa conclusão, sugerindo que alguns dos acessórios vieram da mesma oficina ou foram derivados de um modelo comum.

"Todas estas conclusões lançam uma nova luz sobre o desenvolvimento social, cultural e político da Europa Central no início da Idade Média", conclui o estudo.

domingo, 17 de dezembro de 2023

Como e porquê instalar caixas-ninho para as aves?


Os meses de Novembro a Janeiro são a melhor altura do ano para a colocação de caixas-ninho para aves como chapins, carriças, trepadeiras ou pica-paus. Filipa Coelho e João Pires, da associação 30Por1Linha dizem-lhe o que precisa saber.

Porque é esta a melhor altura do ano para a colocação de caixas-ninho?
A colocação de caixas-ninho deve ser realizada, preferencialmente, entre os meses de Novembro e Janeiro, porque desta forma as aves têm tempo de se habituarem a elas e estas deixarem de ser um elemento estranho no habitat. Desta forma, na época de escolha do local para fazer o ninho, normalmente fim do inverno, início da primavera, as aves já estarão familiarizadas com estas estruturas e poderão aproveitá-las. 

Que espécies de aves podem aproveitar estas caixas-ninho?
As caixas-ninho poderão ser ocupadas por diferentes espécies de aves dependendo da sua forma, tamanho e diâmetro de entrada. Por exemplo, no que diz respeito ao orifício de entrada, as caixas-ninho com orifício circular com 25mm ou 28mm de diâmetro, poderão ter como “inquilinos” o chapim azul, o chapim real, a carriça, a trepadeira comum ou a trepadeira azul.  As caixas-ninho com diâmetros superiores poderão receber o pardal comum, o estorninho ou mesmo os pica-paus.

As caixas-ninho com um género de “janela” (em vez do orifício redondo) poderão ser utilizadas por piscos de peito ruivo, rabirruivo, melros ou tordos. 

Porque é importante colocar caixas-ninho?
Algumas espécies de aves aproveitam buracos de árvores antigas para fazerem os seus ninhos. No entanto, nos ambientes urbanos, as árvores mortas ou doentes são removidas por razões de segurança, diminuindo desta forma a disponibilidade de cavidades para as aves que têm assim dificuldades em encontrar locais disponíveis para a construção de ninhos e se conseguirem reproduzir. Também os edifícios antigos vão sendo recuperados, e a existência de fissuras disponíveis para as aves vão diminuindo. Nesse sentido, as caixas-ninho são consideradas uma boa solução para tentar reduzir o problema da falta de locais disponíveis ao abrigo e nidificação.

Onde podemos adquirir caixas-ninho? Ou podemos fazê-las nós próprios?
As pessoas poderão construir as suas próprias caixas-ninho, reaproveitando/reutilizando madeiras (ex: paletes), ou no caso de não serem muito habilidosos ou não terem tempo de as fazer, podem adquiri-las junto da 30Por1Linha, outras associações ou entidades que se dediquem a esta causa. Desta forma, estarão também a contribuir para que essas associações possam continuar a sua missão no que toca à conservação da natureza.

Importa frisar que as caixas-ninho não devem levar qualquer tipo de tratamento na madeira. A presença de cheiros fortes pode inviabilizar a ocupação do ninho e em alguns casos ser tóxico para as aves. Outra nota importante é que não deve ser colocado qualquer material sintético ou vegetal no interior, pois as próprias aves transportam o material que encontram disponível em meio natural para forrar o interior do ninho. No final da época de reprodução, em meados de Agosto ou Setembro, é importante limpar a caixa-ninho e voltar a colocá-la no local para que esteja disponível na próxima época de reprodução.

Quais os melhores locais para colocar as caixas-ninho?
As caixas-ninho podem ser colocadas em árvores, postes ou edifícios, se possível a mais de dois metros de altura do chão, de modo a evitar predadores. Devem ficar viradas a sul e a leste, de forma a estarem protegidas dos ventos dominantes de norte ou oeste. Ter atenção para não colocar em locais com exposição prolongada à luz solar directa para que não aqueçam muito. Colocar o mais protegidas da chuva possível para aumentar a sua durabilidade. 

O que podem as pessoas fazer para ajudar as aves no Inverno?
Para além da colocação de caixas-ninho, no Inverno também poderemos construir comedouros para disponibilizar alimento às aves, uma vez que esta época do ano, devido às baixas temperaturas, há uma disponibilidade alimentar mais baixa como por exemplo de sementes e insectos. Nos comedouros poderemos colocar uma mistura de sementes como girassol, sésamo, trigo, milho e amendoins (sem sal e sem serem tostados). Não colocar alimento em excesso para não atrair predadores. O comedouro deverá ser colocado num local seguro de predadores e ter uma protecção para a chuva e assim o alimento não se molhar.

Quem tiver quintal com jardim poderá optar por espécies arbustivas que dão bagas no outono/inverno – como o pilriteiro, a murta ou a aroeira – para as aves se alimentarem. 

Feliz Natal Ecológico

Árvore de Natal de granny square - Trivento (Itália)

O Natal está chegar. Desejo a todos um bom Natal, feliz e simples. Muito mais escuta, presentes sois vocês próprios à mesa. Haja muita entreajuda.

Conselhos para um Natal mais ecológico:

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Dia de nascimento de Kateryna Bilokur



Hoje é o aniversário da grande artista ucraniana – Kateryna Bilokur (1900-1961). Ela poderia ter sido mais reconhecida durante a sua vida, mas não foi porque era mulher e camponesa. Mas agora podemos celebrar a arte dela como ela merece!

Kateryna Bilokur (1900–1961) foi uma proeminente artista ucraniana reconhecida internacionalmente pelo seu talento singular, tendo chegado a encantar Pablo Picasso, que declarou em 1954: "Se tivéssemos uma artista deste nível, faríamos o mundo inteiro falar dela." A sua vida e obra desenrolaram-se num contexto histórico de profundas e violentas transformações políticas, sociais e económicas que devastaram o campo ucraniano ao longo da primeira metade do século XX.

Nascida no seio de uma família camponesa na aldeia de Bohdanivka, na região de Poltava, sob o domínio do Império Russo, Bilokur cresceu numa época em que a educação das mulheres no campo era profundamente limitada e vista como desnecessária. A mentalidade patriarcal vigente ditava que o seu dever se devia restringir ao trabalho agrícola e à gestão do lar. Totalmente autodidacta, aprendeu a desenhar em segredo, enfrentando a forte oposição e as punições da família, que temia que a sua paixão pela arte prejudicasse as suas hipóteses de casamento.

Mais tarde, com a queda do império e a criação da União Soviética, a vida rural sofreu um golpe devastador durante o final da década de 1920 com a coletivização forçada imposta por Joseph Stalin. O regime soviético negou passaportes internos aos camponeses dos kolkhozes (quintas coletivas), prendendo-os de forma efetiva às suas aldeias. Devido a este impedimento burocrático e ao facto de não possuir o diploma da escolaridade básica de sete anos, viu ser-lhe recusada a admissão em várias instituições de ensino artístico, como a Escola Técnica de Cerâmica de Myrhorod e o Colégio de Belas Artes de Kiev.

Bilokur sobreviveu também ao Holodomor (1932–1933), a fome devastadora provocada pelas políticas de requisição de grãos do regime soviético que vitimou milhões de ucranianos. Diante do horror, da escassez e da morte ao seu redor, a pintura funcionou como um refúgio estético e de resistência espiritual. Em 1934, exausta dos conflitos familiares e da impossibilidade de pintar livremente, tentou o suicídio ao atirar-se às águas geladas do rio Chumhak. Embora tenha sobrevivido, o incidente deixou-lhe sequelas permanentes nas pernas, o que acabou por levar a sua família a aceitar, ainda que com relutância, a sua vocação artística.

Sem acesso a materiais profissionais durante a maior parte da vida, desenvolveu uma técnica inteiramente artesanal: fabricava os seus próprios pincéis com pelos de rabo de gato e finos ramos de salgueiro, extraía pigmentos de plantas e minerais locais (como beterraba, calêndula e bagas) e misturava-os com óleos. Aplicava a tinta a óleo diretamente na tela sem esboços ou rascunhos prévios, trabalhando detalhe por detalhe com pinceladas extremamente finas. Recusando-se a colher as flores para pintar no estúdio, caminhava quilómetros até aos campos para pintar a flora viva ao ar livre.

O seu estilo enquadra-se na Arte Naïf e no Primitivismo Folclórico, destacando-se pelas suas composições de natureza-morta botânica de uma densidade e riqueza cromática impressionantes, onde frequentemente combinava plantas de diferentes estações do ano numa única cena sobre fundos escuros ou céus limpos.

As suas influências transcendem o âmbito técnico. No plano literário e cultural, a sua maior inspiração moral foi o poeta e pintor Taras Shevchenko, cujos textos lhe deram força espiritual para perseverar. Nutriu-se igualmente das descrições místicas do folclore rural na obra de Nikolai Gogol, do patriotismo de Ivan Kotlyarevsky e da poesia oral e canções populares ucranianas. Visualmente, foi influenciada pela tradição dos pintura decorativa de Petrykivka, pelos bordados tradicionais (vyshyvanka) e pela iconografia religiosa ortodoxa. Sob o ponto de vista filosófico, a sua obra é marcada pelo panteísmo e pelo vitalismo, encarando as flores não como meros ornamentos, mas como seres vivos dotados de alma - a que chamava "os seus filhos" -, traduzindo uma celebração contemplativa da harmonia entre a terra, o cosmos e a natureza.

A sua vida mudou radicalmente em 1940, quando a cantora de ópera Oksana Petrusenko, impressionada por um desenho que a artista lhe enviara por carta, intercedeu junto do meio artístico para a organização da sua primeira exposição individual em Poltava. Após a Segunda Guerra Mundial e o fim da ocupação nazi da sua aldeia, o regime soviético acabou por promovê-la como uma "artista do povo", aproveitando a sua origem camponesa para a propaganda cultural. Contudo, o estilo de Bilokur manteve-se imune às exigências ideológicas do Realismo Socialista, preservando a sua liberdade poética.

O ápice do seu reconhecimento internacional ocorreu em 1954, quando três das suas obras foram exibidas na Exposição Internacional de Paris e elogiadas por Picasso. Apesar dos títulos e da aclamação tardia, viveu os seus últimos anos em condições financeiras modestas na sua aldeia natal, cuidando da mãe doente antes de falecer em 1961, deixando um legado indelével na história da arte ucraniana e mundial.

Biografia

segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Festival Míscaros em versão alargada vai ser decorado com lixo da serra da Gardunha


O Míscaros – Festival do Cogumelo volta a realizar-se no Alcaide, aldeia do concelho do Fundão, com uma decoração feita a partir de lixo recolhido na serra da Gardunha e numa versão alargada além dos habituais três dias.

Entre os dias 17 e 19 realiza-se o habitual evento, centrado na gastronomia, animação de rua, artes, ‘workshops’, concertos e exposições, mas, nesta 14.ª edição, a organização “prolonga a experiência” a um “Míscaros nas Calmas”, de 24 a 26 e, até 09 de dezembro, continuam a ser dinamizados os passeios micológicos.

“Vai ser um primeiro fim de semana que é uma algazarra completa, e um outro, que vai ter também animação, mas mais calmo, para dar oportunidade às pessoas de desfrutarem mais tranquilamente, sem filas”, salientou, em declarações à agência Lusa, Fernando Tavares, o presidente da Liga dos Amigos do Alcaide (LAA), que organiza o Míscaros em parceria com a Câmara do Fundão.

Segundo Fernando Tavares, a decisão de ter o Mês do Cogumelo deveu-se à necessidade de dar resposta à habitual elevada procura, que nem sempre permitia a todos os visitantes experimentarem tudo o que pretendiam.

O responsável deu o exemplo das 180 vagas abertas para os primeiros passeios micológicos, que esgotaram em dois dias, e abriram esta semana as inscrições para mais três fins de semana em que é possível participar nestas visitas orientadas por especialistas, para identificar algumas das mais de 500 espécies existentes na serra da Gardunha, e também um passeio com cães.

“Queremos promover o respeito pela natureza e o conhecimento do nosso património micológico”, realçou o presidente da LAA.

A sensibilização ambiental é outra das prioridades, afirmou Fernando Tavares, segundo o qual o Míscaros não utiliza plástico desde 2015.

Este responsável explicou que foi feita uma recolha de lixo na serra da Gardunha, que vai ser reaproveitado para fazer as instalações e a decoração, em parte por crianças da escola do Alcaide, para envolver e consciencializar toda a comunidade.

“É importante saber que, por um lado, limparam-se zonas da Gardunha e, por outro, reutilizou-se e passou-se uma mensagem de sustentabilidade”, vincou.

Fernando Tavares frisou que, após 14 edições, os visitantes vão continuar a ser surpreendidos e destacou tratar-se de um evento “feito em casa das pessoas, que abrem as suas portas para os visitantes entrarem e experimentarem as refeições confecionadas por si, não é numa tenda, com vários expositores”.

O dirigente da LAA destacou que o Festival do Cogumelo vai ter à venda vinte espécies, através de produtores certificados, para garantir a segurança alimentar.

O habitual almoço comunitário de arroz de míscaro volta a realizar-se no dia 19, um domingo, e este ano vão estar a cozinhar ao vivo, entre outros, dois ‘chefs’ com estrela Michelin: Alexandre Silva e António Loureiro.

O vice-presidente da Câmara do Fundão, Miguel Gavinhos, enfatizou o impacto muito significativo que o Míscaros tem na economia e turismo locais, nomeadamente na hotelaria, já com a lotação esgotada no concelho e a notar-se a pressão nas unidades dos municípios vizinhos.

De acordo com o autarca, em declarações à agência Lusa, o Festival do Cogumelo representa uma circulação de “cerca de meio milhão de euros”, entre as transações feitas no evento e a hotelaria e espaços de restauração locais.

Este ano vai ser instalado um compostor comunitário no Alcaide para fazer o aproveitamento dos biorresíduos, que darão origem a fertilizantes.

sábado, 21 de outubro de 2023

Dendrocronologia

A dendrocronologia é um método científico de datação que determina a idade das árvores e investiga as variações climáticas ao longo do tempo com base nos anéis de crescimento encontrados no tronco das árvores.

 Este termo tem raízes no grego antigo. “Dendron” significa “árvore”, “khronos” refere-se a “tempo” e “logos” significa “conhecimento”. 

Esses anéis representam o crescimento anual da árvore e podem ser usados para entender as condições climáticas e ambientais passadas. Um anel mais fino pode realmente significar que a planta passou por um ano de seca ou frio extremo que limitou o seu crescimento. A Dendrocronologia é então usada no campo da climatologia para estudar o clima do passado e seus efeitos no meio ambiente (falamos de Dendroclimatologia). Dessa forma, é possível compreender as consequências das futuras mudanças climáticas no meio ambiente.

Essa técnica foi criada e aprimorada por A. E. Douglass, o fundador do Laboratório de Pesquisa de Anéis de Árvores da Universidade do Arizona.

A dendrocronologia encontra aplicações em arqueologia, história da arte e património. É usada em particular para identificar monumentos ou obras de arte (um retábulo, por exemplo) da madeira que foi usada no seu projeto. Para citar apenas um, o estudo dendrocronológico da estrutura da catedral de Notre-Dame de Paris permitiu-nos aprender mais sobre a história da construção do ilustre edifício.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Curiosidades arqueológicas


Há 800 anos na Igreja de Todos os Santos em Hereford, Inglaterra, um habilidoso carpinteiro esculpiu este cavalheiro no alto do telhado escuro, onde ninguém poderia vê-lo. Cinco anos atrás, eles construíram um andar extra com luzes brilhantes para um restaurante.


Pintura de Jesus com um pénis enorme e testículos - Igreja Santa Maria del Mar (Cabo de Palos- Espanha)


Erecção mumificada (17 cm) - Viktor Wynd Museum

quarta-feira, 19 de julho de 2023

Música do BioTerra: CocteauTwins - Musette And Drums


Did it again
We're fast follow trained, yes
Money and
Watching gets too hard
Writes a song
The favor of Juliet's
Somebody's
She turned thirteen oh

Tragedy end
Am I pretty enough

Musette and drums
Our answer Juliet's
Somebody's
She turned thirteen oh

Writes a song
The favor of Juliet's
Somebody's
She turned thirteen oh

Tragedy end
Am I pretty enough

Musette and drums
Watching is too

Musette

"Musette and Drums" é a peça que encerra o álbum Head Over Heels (1983) com uma grandiosidade quase esmagadora, marcando um ponto de viragem crucial na identidade dos Cocteau Twins. Musicalmente, a faixa é um dos pilares do que viria a ser o Dream Pop e o Shoegaze, fundindo a herança sombria do Post-Punk com uma parede de som densa e atmosférica. A guitarra de Robin Guthrie não funciona aqui apenas como um instrumento melódico, mas como uma massa sonora saturada de reverb e delay, criando uma textura que parece uma orquestra eléctrica em combustão. A bateria, como o próprio título sugere, tem um papel fulcral: é tribal, pesada e propulsiva, conferindo à canção uma urgência que contrasta com a natureza etérea da voz.

No que toca ao significado, entrar no universo de Elizabeth Fraser exige que abandonemos a procura por uma narrativa linear. Nesta fase da carreira, a vocalista já explorava a glossolalia e a fonética pura, escolhendo palavras mais pelo seu impacto sensorial e textura sonora do que pelo seu valor semântico. O título "Musette and Drums" sugere uma dualidade fascinante: a musette (um instrumento de sopro delicado, pastoral) em colisão com a força bruta da percussão. Esta tensão entre o frágil e o monumental é o coração da música. A letra evoca imagens fragmentadas de desorientação e êxtase, funcionando como uma catarse emocional onde o sentimento de urgência e deslumbramento sobrepõe-se a qualquer mensagem literal. No fundo, é uma canção sobre a intensidade da experiência humana, capturada num momento de pura tempestade sonora.


domingo, 7 de maio de 2023

Indígenas querem desculpas de Carlos III pelo genocídio e escravização


Organizações e líderes indígenas de 12 países da Commonwealth pediram ao rei Carlos III que peça desculpas pelo impacto da colonização britânica sobre os povos indígenas, que denunciam como genocídio, escravização e pilhagem.
"Apelamos ao monarca britânico, o rei Carlos III, no dia da sua coroação, 6 de maio de 2023, para que reconheça o terrível impacto e o legado do genocídio e da colonização dos povos indígenas e dos povos escravizados", afirmou, na rede social Facebook, o promotor da iniciativa, Nova Peris, antigo senador e copresidente do Movimento Republicano Australiano.

A petição insta o monarca a apresentar um pedido de desculpas formal, a reconhecer os atos de genocídio britânicos contra os povos indígenas e a repatriar os artefactos sagrados e os restos mortais dos povos indígenas que se encontram nos museus e instituições britânicos.

A carta, intitulada "Desculpas, reparações e repatriamento de artefactos e restos mortais", também recorda ao Rei Carlos III do Reino Unido as suas palavras numa reunião de chefes de governo da Commonwealth, em junho de 2022, no Ruanda, onde afirmou que era "tempo" de reconhecer os erros do passado.
Representantes de Antígua e Barbuda, Austrália, Bahamas, Belize, Canadá, Granada, Jamaica, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, São Cristóvão e Neves, Santa Lúcia e São Vicente e Granadinas - que têm Carlos III como chefe de Estado - assinam esta carta em que instam a Coroa a "redistribuir a riqueza" retirada aos povos originários.
Na carta pede-se a Carlos III que inicie "imediatamente" um diálogo sobre o "impacto duradouro da escravatura" dos povos indígenas durante a colonização britânica, bem como sobre outras questões como a reparação dos "povos oprimidos" cujos "recursos foram pilhados e a sua cultura denegrida".
Outra exigência é que o monarca renuncie à chamada "Doutrina dos Descobrimentos", como fez o Vaticano em março.
Esta doutrina, juntamente com o princípio da "Terra nullius" (terra de ninguém), gerou um conceito jurídico que protegia a colonização baseada no direito de requisitar as terras das populações indígenas.
Os signatários da carta a Carlos III consideram que o repúdio desta doutrina permitiria iniciar o processo de consulta e reparação entre os povos originários que foram vítimas de um genocídio em nome de Deus.
"Esperamos que esta petição dê início a um processo de justiça", sublinhou Nova Peris.

sábado, 4 de março de 2023

Why Japanese Calligraphy Ink Is So Expensive


A tinta de caligrafia japonesa tradicional, conhecida como tinta sumi, vem em forma sólida. Leva pelo menos quatro anos de produção antes que esses bastões de tinta possam ser vendidos, e ainda mais para os mais caros. Um bastão de tinta de alta qualidade de 200 gramas de um produtor como Kobaien custa mais de US$ 1.000. E em alguns outros retalhistas, os preços podem chegar a quase US$ 2.000. Enquanto isso, quase o dobro da tinta da Índia comercial pode custar apenas US$ 9.

Nota do editor: a versão original deste vídeo nomeou incorretamente o calígrafo apresentado como Shijo Azakami. Seu nome correto é Sho Azakami. O vídeo original afirmou incorretamente que a cola de macaco foi usada para fazer bastões de tinta, o tipo correto é cola de burro.

Nos 500 anos de história da produção de tinta de Kobaien, a sociedade japonesa passou por mudanças sociais muito significativas, desde o sistema feudal dos samurais até as grandes reformas na era Meiji, Primeira Guerra Mundial e Segunda Guerra Mundial.

A história da fabricação de tinta sumi e sua filosofia de artesanato que foi preservada em tais circunstâncias é muito interessante e valiosa. Todos são bem-vindos a visitar o Koubaien em Nara.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Seixoso Vieiros - Lítio Não


Vimos desta forma manifestar a nossa preocupação e indignação pela inclusão da zona denominada Seixoso Vieiros no processo concursal para atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de lítio, enquanto representantes do Movimento Seixoso Vieiros - Lítio Não, que se empenham a favor de uma participação cívica ativa e de uma visão sustentável do desenvolvimento das regiões afetadas pelo processo supracitado, nos concelhos de Felgueiras, Fafe, Guimarães, Amarante, Mondim de Basto e Celorico de Basto.

Reconhecemos a necessidade e urgência da descarbonização e da implementação de estratégias para mitigação das alterações climáticas, mas não consideramos que estas propostas de mineração, dependentes da volatilidade do mercado global e com a previsão de períodos curtos de exploração, possam representar um contributo válido para o desenvolvimento sustentável do nosso território. Ao contrário, acreditamos que serão causa de declínio ambiental e socioeconómico.

Para este declínio contribuirão os impactes ambientais, cuja exploração prevista será a céu aberto, através de rebentamentos e detonações do solo, lavagem das rochas com processos químicos que implicam a utilização de milhares de litros de água. Todo este processo tem efeitos nocivos, como a poluição e a contaminação do ar, dos solos e, sobretudo, das águas e lençóis freáticos. O nosso território e as nossas paisagens serão irremediavelmente destruídos.

As regiões de Tâmega e Sousa e do Ave constituem uma realidade económica competitiva, fortemente industrializada, onde se concentram os maiores produtores de calçado e do setor têxtil, com um capital humano muito especializado, onde se destacam atividades económicas de cariz inovador e altamente empreendedor. Na área da agricultura destacam-se a produção do quivi, do mel e do vinho verde, para isso contribuindo a abundância e a qualidade da água destas regiões. 

Estamos convencidos que a indústria extrativista não será um contributo válido para as nossas regiões que podem, antes de mais, ser protagonistas, como já são, de um desenvolvimento genuinamente sustentável, pelo que exigimos dos nossos representantes políticos uma visão de longo prazo para os nossos territórios. Contamos com Todos. A nossa Terra precisa de Todos!


domingo, 15 de janeiro de 2023

Música do BioTerra: Christophe Maé & Ceuzany - Pays des merveilles

Bonito teledisco. Saudades de São Vicente. Cabo Verde. Um sonho. Muita pobreza, mas muita alegria. Quem passa por lá, nunca mais esquece. Marca. Na pele, nos sentidos, as gentes. O céu quente. Praia da Laginha. Monte Verde.


[Refrão]
Bu kriam na un mundu paraízu
Xeiu di amizadi i karinhu
Bu nxinam sinplisidadi
Vive n'es mundu sen maldadi

J'ai trouvé le pays des merveilles, chérie
Allons prendre l'air
Allons, allons sous le soleil, chérie
Allons prendre un verre
Ouais la vie c'est comme un cocktail, chérie
Sucré et amer
Buvons la vie à la bouteille, chérie
Allons prendre l'air

Du côté du Cap-Ver, du côté du Cap Horn
À écouter la mer, à écouter la morna
Y a des voix là-bas qui voyagent, chérie
Mets de l'amour dans tes bagages

[Refrão] 2X

On est au pays des merveilles, chérie
À la vie, à la vie
À cesária sous le soileil, chérie
Oh petits pays

Aux couleurs de Brazza, Brasero Brasil
Les fados, les playas, un peu Brazzaville
Y a des voix ici qui voyagent, chérie
Et de l'amour dans leurs langages

[Refrão] 3x

Petit pays, je t'aime beaucoup