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domingo, 10 de maio de 2026

Em homenagem a Francesca Albanese

Yanis Varoufakis

Há uma pergunta que me assalta nas primeiras horas da madrugada, quando o sono não chega e a mente remói velhos assuntos. A pergunta é esta: «O que teria eu feito na década de 1930, na manhã seguinte à Kristallnacht?» Não o que digo que teria feito. Não o que espero que tivesse feito. Mas o que teria eu realmente feito — quando os comboios começaram a circular, quando os vizinhos ficaram em silêncio, quando o preço da decência passou a ser a perda de tudo? A maioria de nós, penso eu, teria feito pouco. Não por malícia. Por medo. Pela convicção suave e insidiosa de que alguém falaria, de que a situação é complexa, de que temos de ser «razoáveis».

Para que não nos esqueçamos, o comum é o álibi do extraordinário. E como nos agarrámos a esse álibi! Como ainda nos agarramos a ele! E então, de vez em quando, surge alguém que não se agarra. Alguém que dá um passo em frente quando os outros recuam. Alguém que diz o nome da coisa quando todos os outros estão ocupados a nomear outra coisa. Francesca Albanese é essa pessoa. Ela ergue-se perante o mundo — sozinha, desarmada, armada apenas com a lei, a linguagem e uma coragem rara — e diz o que os centristas não dizem, o que os ministérios dos Negócios Estrangeiros não dizem, o que os conselhos editoriais não dizem.

Ela diz: «Isto é um genocídio. E estamos a assistir a tudo.» Não me digam que isso é exagero. Não me digam que o termo é contestado. Ela não o utilizou de ânimo leve. Utilizou-o da mesma forma que um médico chega cientificamente a um diagnóstico — não para ferir, mas para alertar. Não para inflamar, mas para nomear. E por isso, vieram atrás dela. Oh, como vieram atrás dela. Calúnias. Investigações. Editoriais maliciosos. Contas bancárias congeladas. Desapropriação do único apartamento que alguma vez possuíra. A máquina dos respeitáveis voltou-se contra ela para a esmagar. Porque os respeitáveis não suportam o que ela representa: um espelho que lhes mostra a sua cumplicidade.

Voltemos, mais uma vez, à década de 1930. De volta aos poucos que se levantaram quando os comboios começaram a circular carregados de judeus. Havia Aristides de Sousa Mendes, um cônsul português em Bordéus. Ele desafiou o seu próprio governo. Assinou milhares de vistos, à mão, durante horas, até os dedos sangrarem. Salvou mais vidas do que Schindler. E morreu sem um tostão, desonrado, apagado. Havia um oficial alemão em Varsóvia chamado Wilm Hosenfeld. Ele escondeu um pianista judeu nos escombros. Não salvou milhares. Salvou um. Mas esse único — Władysław Szpilman — guardou a memória. E a memória é «o único refúgio do qual não podemos ser expulsos». Havia Raoul Wallenberg. Havia os aldeões de Le Chambon. Havia os anónimos, os silenciosos, os poucos furiosos que diziam: «Não enquanto eu estiver aqui.»

Francesca Albanese é a sua herdeira. Não porque ande armada. Não porque esconda refugiados na sua cave. Mas porque faz algo igualmente perigoso num mundo que aperfeiçoou a arte de não ver. Ela vê. E fala. Não fala como uma diplomata. Ainda bem que não! Os diplomatas deram-nos a linguagem do «há argumentos de ambos os lados», da «moderação» e da «proporcionalidade». A linguagem diplomática é o túmulo perfumado da clareza moral. Não, ela fala como jurista. Como ser humano. Como uma mulher que olhou para o abismo e se recusou a chamá-lo de «paisagem geopolítica complexa».

Edna O’Brien descreveu uma vez uma personagem que «tinha a imprudência daqueles que já perderam tudo o que valia a pena perder». Francesca Albanese não perdeu tudo. Ela tem a sua dignidade, o seu cargo, a sua voz, a sua família. Mas calculou o custo de dizer a verdade ao poder. E decidiu que esse custo é infinitamente menor do que o custo do silêncio.

Qual é esse custo? Vamos nomeá-lo. Ela foi chamada de antissemita — ela, que se baseia no direito internacional forjado nas cinzas de Auschwitz e nas chamas de Nuremberga. Ela foi chamada de teórica da conspiração — ela, que cita todas as fontes, todas as notas de rodapé, todas as resoluções da ONU. Ela foi chamada de ingénua — ela, que compreende melhor do que a maioria a maquinaria da realpolitik.

Estas acusações não são argumentos. São a saliva dos que se sentem ameaçados. Porque Francesca Albanese ameaça algo muito precioso para os poderosos: o direito de cometer atrocidades sem ser identificado.

Amigos, os anos 30 não chegaram com botas militares e pogroms logo no primeiro dia. Chegaram aos poucos. Com restrições «razoáveis». Com medidas «proporcionais». Com o silêncio dos respeitáveis. Dizemos a nós próprios que teríamos sido diferentes. Que teríamos sido Sousa Mendes. Que teríamos sido Wallenberg. Mas a maioria de nós, receio, teria sido os vizinhos que mais tarde disseram: «Eu não sabia.»

Francesca Albanese sabe. E recusa-se a fingir o contrário. Por isso, louvemo-la. Não com estátuas ou prémios que ela não procura. Mas com algo mais difícil: com a nossa própria recusa em desviar o olhar. Com as nossas próprias vozes, erguidas em lugares que são seguros para nós, mas perigosos para ela. Com os nossos próprios corpos, se for preciso. Uma mulher corajosa, que ficou ferida durante uma manifestação à porta de uma base militar nuclear dos EUA em 1982, a infame Greenham Common, disse-me que «o coração é um caçador daquilo que não pode ter». Mas eu digo que o coração é um caçador daquilo que não vai perder. E o que não vamos perder é a memória daqueles que se levantaram quando levantar-se custava tudo. Francesca Albanese está a levantar-se agora. No nosso tempo. Em nosso nome. Sob o nosso céu indiferente. Vamos ficar ao lado dela. Não amanhã. Não quando for seguro. Agora.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

ONU: Guterres anuncia cortes orçamentais de 500 milhões de euros e redução de 2.681 postos de trabalho


O secretário-geral da ONU, António Guterres, atualizou esta segunda-feira a proposta de orçamento regular da organização para 2026, prevendo agora cortes de 577 milhões de dólares (496,4 milhões de euros) e uma redução de 2.681 postos de trabalho.

Numa apresentação perante a Quinta Comissão da ONU, responsável por assuntos administrativos e orçamentais, Guterres propôs reduzir as necessidades de recursos das Nações Unidas para 3,238 biliões de dólares (2,79 mil milhões de euros), uma redução de 15,1% face a 2025.

A tabela de pessoal foi revista para 11.594 postos de trabalho – incluindo Missões Políticas Especiais –, uma redução de 2.681 postos, ou 18,8%, em comparação com a tabela de pessoal aprovada para 2025.

"Embora as reduções propostas sejam substanciais, foram cuidadosamente calibradas para preservar o equilíbrio entre os três pilares da organização: paz e segurança, desenvolvimento sustentável e direitos humanos", assegurou Guterres, num momento em que a ONU atravessa uma grave crise de liquidez.

Os cortes integram a "Iniciativa ONU80", um projeto anunciado por Guterres que visa mudanças estruturais na própria organização, como a fusão de unidades, eliminação de duplicações funcionais e estruturais, e cortes em funções que são desempenhadas noutras partes do sistema, incluindo nas Missões de Paz.

Isenta de cortes ficou a agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (UNRWA), com Guterres a justificar que quaisquer reduções poderiam ter "consequências drásticas na espinha dorsal de toda a resposta humanitária a Gaza".

"A Conta de Desenvolvimento e a defesa do desenvolvimento de África também foram isentas de cortes que inevitavelmente teriam impacto direto no nosso apoio aos Estados-membros, dificultando os esforços para a Agenda 2030, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a Agenda 2063 da União Africana", argumentou Guterres.

Para as missões políticas especiais, o orçamento revisto ascende a 543,6 milhões de dólares (467,6 milhões de euros), uma redução de 96,3 milhões de dólares (82,8 milhões de euros) ou 15% em comparação com o orçamento inicialmente proposto para 2026, e uma redução de 21,6% face a este ano.

Segundo o líder da ONU, estes ajustes refletem os apelos para um secretariado da organização internacional "mais eficaz, ágil e resiliente" e contém propostas para "alinhar os recursos com as prioridades organizacionais, modernizar as operações internas e refletir uma resposta pragmática ao contexto fiscal em constante evolução".

Porém, reduções desta magnitude "terão inevitavelmente impactos programáticos e operacionais em todas as entidades e acarretarão ajustes na forma como o secretariado executa as atividades que lhe estão atribuídas", alertou o antigo primeiro-ministro português.

"Estas medidas constituem reduções orçamentais substanciais que afetam as pessoas reais, as famílias e os futuros – e nunca devemos perder de vista esta dimensão humana", acrescentou.

As propostas incluem também a criação de centros administrativos em Nova Iorque e Banguecoque (Tailândia), a unificação do processamento de salários numa equipa global distribuída entre Nova Iorque, Entebbe (Uganda) e Nairobi (Quénia), e a transferência de funções desde as sedes mais caras - como Nova Iorque e Genebra - para locais de menor custo.

Desde 2017, o secretariado da ONU poupou 126 milhões de dólares (108,4 milhões de euros) com o fim de contratos de arrendamento comercial em Nova Iorque, especificou ainda Guterres.

Além disso, a ONU planeia desocupar dois edifícios alugados em Nova Iorque até 2027, gerando poupanças de milhões de dólares anuais a partir de 2028.

Apesar da carga de trabalho da ONU aumentar de ano para ano, os recursos estão a diminuir em todos os setores, contribuindo para isso o facto de que nem todos os Estados-membros pagam na totalidade as obrigações anuais e muitos também não pagam a tempo.  

Sobre o pagamento das obrigações anuais, Guterres criticou o "volume inaceitável de atrasos", frisando que a ONU terminou 2024 com um débito de 760 milhões de dólares (653,8 milhões de euros), dos quais 709 milhões de dólares (610 milhões de euros) ainda estão pendentes.

Além disso, Guterres assinalou que a ONU também não recebeu 877 milhões de dólares (754,2 milhões de euros) referentes às contribuições de 2025.

Assim, o débito é atualmente superior a 1,3 mil milhões de euros.

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Faixa de Gaza. "O genocídio, ao que parece, é lucrativo", denuncia relatora da ONU"


"Da Economia da Ocupação à Economia do Genocídio" é o título do mais recente relatório que Francesca Albanese vai apresentar, esta semana, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. A relatora especial da ONU para a situação dos Direitos Humanos na Palestina conclui que o genocídio levado a cabo por Israel em Gaza está a ser "lucrativo" para muitas multinacionais de setores como tecnologia, bancos e armas. 

O documento menciona mais de 60 empresas, incluindo grandes fabricantes de armas e tecnologia (Microsoft, Alphabet Inc. e Amazon), pelo apoio que têm dado à instalação de colonatos judeus e às operações militares em Gaza. 

Estas ações são referidas como parte de uma "campanha genocida". 

Também são mencionadas Caterpillar Inc e HD Hyundai, cujos equipamentos contribuíram para a destruição de propriedades palestinianas. São alguns nomes referidos no mesmo documento em que a relatora pede que as empresas interrompam as relações comerciais com Israel e que os dirigentes e executivos das mesmas sejam responsabilizados por “violações do Direito Internacional”. 

“Enquanto líderes políticos e governos se esquivam das suas obrigações, muitas entidades corporativas lucraram com a economia israelita de ocupação ilegal, apartheid e, agora, genocídio”, denuncia o documento. 

Francesca Albanese sublinha a urgência em exigir responsabilidades porque “a autodeterminação e a própria existência de um povo estão em jogo”.“Este é um passo necessário para pôr fim ao genocídio e desmantelar o sistema global que o permitiu”, está escrito no documento de 27 páginas. 

O relatório que Francesca Albanese apresenta esta semana, em Genebra, foi partilhado pela própria na mensagem que partilhou na rede social X. “Isto não é o negócio de sempre. O meu novo relatório da ONU, Da Economia da Ocupação à Economia do Genocídio, foi publicado hoje. Ele revela como as corporações alimentaram e legitimaram a destruição da Palestina. O genocídio, ao que parece, é lucrativo. Isto não pode continuar, a responsabilização deve ser o resultado”. 

“A cumplicidade exposta pelo relatório é apenas a ponta do icebergue”, admite o relatório de Francesca Albanese. O relatório foi elaborado com base em mais de 200 contribuições de Estados, defensores de Direitos Humanos e académicos. Francesca Albanese, que está mandatada pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU, mas que não fala em nome da organização, é uma das vozes mais críticas da guerra de Israel em Gaza. 

Francesca Albanese foi também uma das primeiras vozes a classificar a guerra de Israel contra a população palestiniana como "genocídio". 

Ainda na terça-feira, os Estados Unidos pediram ao secretário-geral da ONU que expulse Francesca Albanese do cargo de relatora especial para a situação dos direitos humanos na Palestina, alegando "má conduta". Washington considerou ainda que as alegações de Albanese de que Israel está a cometer genocídio em Gaza e a envolver-se num sistema de 'apartheid' "são falsas e ofensivas".

Porque é que o genocídio palestiniano continua? Porque é lucrativo



The United Nations special rapporteur on the situation of human rights in the occupied Palestinian territory (oPt) has released a new report mapping the corporations aiding Israel in the displacement of Palestinians and its genocidal war on Gaza, in breach of international law.

Francesca Albanese’s latest report, which is scheduled to be presented at a news conference in Geneva on Thursday, names 48 corporate actors, including United States tech giants Microsoft, Alphabet Inc. – Google’s parent company – and Amazon. A database of more than 1000 corporate entities was also put together as part of the investigation.

“[Israel’s] forever-occupation has become the ideal testing ground for arms manufacturers and Big Tech – providing significant supply and demand, little oversight, and zero accountability – while investors and private and public institutions profit freely,” the report said.

“Companies are no longer merely implicated in occupation – they may be embedded in an economy of genocide,” it said, in a reference to Israel’s ongoing assault on the Gaza Strip. In an expert opinion last year, Albanese said there were “reasonable grounds” to believe Israel was committing genocide in the besieged Palestinian enclave.

The report stated that its findings illustrate “why Israel’s genocide continues”.

“Because it is lucrative for many,” it said.

Ontem, os meios de comunicação em Portugal, reproduziram notícias de agências internacionais, titulando: “EUA pedem expulsão de Francisca Albanese da ONU.” Nenhum concedeu acrescentar algo mais próximo da verdade como: “EUA pedem expulsão de relatora da ONU, por causa de documento comprometedor." Ou, pronto, vá, qualquer coisa como: “EUA pedem expulsão de Albanese: em causa relatório que compromete inúmeras multinacionais e Israel.”

Porque é disso que se trata. Na próxima quinta, a relatora especial para a situação dos direitos humanos na Palestina, vai apresentar um documento que conclui que o genocídio que está a ser levado a cabo por Israel é lucrativo para muitas multinacionais de setores como a tecnologia, bancos e armas. É contundente e avassalador. Discorre sobre as fundações da economia global e a relação com os acontecimentos em Gaza. Daí que, claro, os EUA, e não só, tentem agora, numa jogada de antecipação, desacreditá-la, falando em “má conduta” e, pondo em causa, inclusive, o seu carácter, as qualificações e outras coisas que tais, numa manobra recorrente nestes casos.

O relatório está aqui para quem quiser ler. Detalha a responsabilidade de dezenas de empresas, com nomes e apelidos. Todos sabemos dos condicionalismos das redes, mas se existe algo que podemos fazer neste momento, é disseminar este documento.

domingo, 29 de junho de 2025

Gaza’s Hunger Games - Os jogos da fome de Gaza. Artigo de Chris Hedges


Israel’s weaponization of starvation is how genocides always end. I covered the insidious effects of orchestrated starvation in the Guatemalan Highlands during the genocidal campaign of Gen. Efraín Ríos Montt, the famine in southern Sudan that left a quarter of a million dead — I walked past the frail and skeletal corpses of families lining roadsides — and later during the war in Bosnia when Serbs cut off food supplies to enclaves such as Srebrencia and Goražde.

Starvation was weaponized by the Ottoman Empire to decimate the Armenians. It was used to kill millions of Ukrainians in the Holodomor in 1932 and 1933. It was employed by the Nazis against the Jews in the ghettos in World War II. German soldiers used food, as Israel does, like bait. They offered three kilograms of bread and one kilogram of marmalade to lure desperate families in the Warsaw Ghetto onto transports to the death camps. “There were times when hundreds of people had to wait in line for several days to be ‘deported,’” Marek Edelman writes in “The Ghetto Fights.” “The number of people anxious to obtain the three kilograms of bread was such that the transports, now leaving twice daily with 12,000 people, could not accommodate them all.” And when crowds became unruly, as in Gaza, the German troops fired deadly volleys that ripped through emaciated husks of women, children and the elderly.

This tactic is as old as warfare itself.
The report in the Israeli newspaper Haaretz, that Israeli soldiers are ordered to shoot into crowds of Palestinians at aid hubs, with 580 killed and 4,216 wounded, is not a surprise. It is the predictable denouement of the genocide, the inevitable conclusion to a campaign of mass extermination.

Israel, with its targeted assassinations of at least 1,400 health care workers, hundreds of United Nations (U.N.) workers, journalists, police and even poets and academics, its obliteration of multi-story apartment blocks wiping out dozens of families, its shelling of designated “humanitarian zones” where Palestinians huddle under tents, tarps or in the open air, its systematic targeting of U.N. food distribution centers, bakeries and aid convoys or its sadistic sniper fire that guns down children, long ago illustrated that Palestinians are regarded as vermin worthy only of annihilation.

The blockade of food and humanitarian aid, imposed on Gaza since March 2, is reducing Palestinians to abject dependence. To eat, they must crawl towards their killers and beg. Humiliated, terrified, desperate for a few scraps of food, they are stripped of dignity, autonomy and agency. This is by intent.

Yousef al-Ajouri, 40, explained to Middle East Eye his nightmarish journey to one of four aid hubs set up by the Gaza Humanitarian Foundation (GHF). The hubs are not designed to meet the needs of the Palestinians, who once relied on 400 aid distribution sites, but to lure them from northern Gaza to the south. Israel, which on Sunday again ordered Palestinians to leave northern Gaza, is steadily expanding its annexation of the coastal strip. Palestinians are corralled like livestock into narrow metal chutes at distribution points which are overseen by heavily armed mercenaries. They receive, if they are one of the fortunate few, a small box of food.

Al-Ajouri, who before the genocide was a taxi driver, lives with his wife, seven children and his mother and father in a tent in al-Saraya, near the middle of Gaza City. He set out to an aid hub at Salah al-Din Road near the Netzarim corridor, to find some food for his children, who he said cry constantly “because of how hungry they are.” On the advice of his neighbor in the tent next to him, he dressed in loose clothing “so that I could run and be agile.” He carried a bag for canned and packaged goods because the crush of the crowds meant “no one was able to carry the boxes the aid came in.”

He left at about 9 p.m. with five other men “including an engineer and a teacher,” and “children aged 10 and 12.” They did not take the official route designated by the Israeli army. The massive crowds converging on the aid point along the official route ensure that most never get close enough to receive food. Instead, they walked in the darkness in areas exposed to Israeli gunfire, often having to crawl to avoid being seen.

“As I crawled, I looked over, and to my surprise, saw several women and elderly people taking the same treacherous route as us,” he explained. “At one point, there was a barrage of live gunfire all around me. We hid behind a destroyed building. Anyone who moved or made a noticeable motion was immediately shot by snipers. Next to me was a tall, light-haired young man using the flashlight on his phone to guide him. The others yelled at him to turn it off. Seconds later, he was shot. He collapsed to the ground and lay there bleeding, but no one could help or move him. He died within minutes.”

He passed six bodies along the route who had been shot dead by Israeli soldiers.

Al-Ajouri reached the hub at 2 a.m., the designated time for aid distribution. He saw a green light turned on ahead of him which signaled that aid was about to be distributed. Thousands began to run towards the light, pushing, shoving and trampling each other. He fought his way through the crowd until he reached the aid.

“I started feeling around for the aid boxes and grabbed a bag that felt like rice,” he said. “But just as I did, someone else snatched it from my hands. I tried to hold on, but he threatened to stab me with his knife. Most people there were carrying knives, either to defend themselves or to steal from others. Eventually, I managed to grab four cans of beans, a kilogram of bulgur, and half a kilogram of pasta. Within moments, the boxes were empty. Most of the people there, including women, children and the elderly, got nothing. Some begged others to share. But no one could afford to give up what they managed to get.”

The U.S. contractors and Israeli soldiers overseeing the mayhem laughed and pointed their weapons at the crowd. Some filmed with their phones.

“Minutes later, red smoke grenades were thrown into the air,” he remembered. “Someone told me that it was the signal to evacuate the area. After that, heavy gunfire began. Me, Khalil and a few others headed to al-Awda Hospital in Nuseirat because our friend Wael had injured his hand during the journey. I was shocked by what I saw at the hospital. There were at least 35 martyrs lying dead on the ground in one of the rooms. A doctor told me they had all been brought in that same day. They were each shot in the head or chest while queuing near the aid center. Their families were waiting for them to come home with food and ingredients. Now, they were corpses.”

GHF is a Mossad-funded creation of Israel’s Defense Ministry that contracts with UG Solutions and Safe Reach Solutions, run by former members of the CIA and U.S. Special Forces. GHF is headed by Rev. Johnnie Moore, a far-right Christian Zionist with close ties to Donald Trump and Benjamin Netanyahu. The organization has also contracted anti-Hamas drug-smuggling gangs to provide security at aid sites.

As Chris Gunness, a former spokesperson for the United Nations Relief and Work Agency (UNRWA) told Al Jazeera, GHF is “aid washing,” a way to mask the reality that “people are being starved into submission.”

Israel, along with the U.S. and European countries that provide weapons to sustain the genocide, have chosen to disregard the January 2024 ruling by the International Court of Justice (ICJ) which demanded immediate protection for civilians in Gaza and widespread provision of humanitarian assistance.

Haaretz, in its article headlined “‘It’s a Killing Field’: IDF Soldiers Ordered to Shoot Deliberately at Unarmed Gazans Waiting for Humanitarian Aid” reported that Israeli commanders order soldiers to open fire on crowds to keep them away from aid sites or disperse them.

“The distribution centers typically open for just one hour each morning,” Haaretz writes. “According to officers and soldiers who served in their areas, the IDF fires at people who arrive before opening hours to prevent them from approaching, or again after the centers close, to disperse them. Since some of the shooting incidents occurred at night — ahead of the opening — it’s possible that some civilians couldn't see the boundaries of the designated area.”

“It's a killing field,” one soldier told Haaretz. “Where I was stationed, between one and five people were killed every day. They're treated like a hostile force — no crowd-control measures, no tear gas — just live fire with everything imaginable: heavy machine guns, grenade launchers, mortars. Then, once the center opens, the shooting stops, and they know they can approach. Our form of communication is gunfire.”

“We open fire early in the morning if someone tries to get in line from a few hundred meters away, and sometimes we just charge at them from close range. But there’s no danger to the forces,” the soldier explained, “I’m not aware of a single instance of return fire. There’s no enemy, no weapons.”

He said the deployment at the aid sites is known as “Operation Salted Fish,” a reference to the Israeli name for the children’s game “Red light, green light.” The game was featured in the first episode of the South Korean dystopian thriller Squid Game, in which financially desperate people are killed as they battle each other for money.

Israel has obliterated the civilian and humanitarian infrastructure in Gaza. It has reduced Palestinians, half a million of whom face starvation, into desperate herds. The goal is to break Palestinians, to make them malleable and entice them to leave Gaza, never to return.

There is talk from the Trump White House about a ceasefire. But don’t be fooled. Israel has nothing left to destroy. Its saturation bombing over 20 months has reduced Gaza to a moonscape. Gaza is uninhabitable, a toxic wilderness where Palestinians, living amid broken slabs of concrete and pools of raw sewage, lack food and clean water, fuel, shelter, electricity, medicine and an infrastructure to survive. The final impediment to the annexation of Gaza are the Palestinians themselves. They are the primary target. Starvation is the weapon of choice.

Tradução aqui

sábado, 17 de maio de 2025

Israel denuncia "discurso irresponsável" do chefe humanitário da ONU



Na terça-feira, durante uma reunião do Conselho de Segurança, Tom Fletcher criticou duramente as condições desumanas impostas "sem o menor constrangimento" por Israel no território palestiniano.

Tom Fletcher utilizou mesmo a palavra "genocídio".

"De que mais provas precisam? Vão agir de forma decisiva para impedir o genocídio e garantir o respeito pelo direito internacional humanitário, ou, em vez disso, dirão `fizemos tudo o que podíamos?`", questionou.

Danny Danon realçou, numa carta enviada na sexta-feira a Tom Fletcher, tornada pública pelo seu gabinete, que ficou "profundamente chocado e perturbado" com aquelas declarações.

"Teve a ousadia, na sua capacidade de alto funcionário da ONU, de se apresentar perante o Conselho de Segurança e invocar a acusação de genocídio sem provas, sem mandato, sem restrições", denunciou.

"Esta foi uma declaração completamente descabida e irresponsável, que destruiu qualquer noção de neutralidade (...) O senhor não informou o Conselho, fez um sermão político", acrescentou.

Para o embaixador israelita, utilizar "a palavra `genocídio` como arma contra Israel não é apenas uma distorção, é a profanação e a subversão de um termo de força e peso únicos".

O difícil relacionamento entre Israel e a ONU deteriorou-se ainda mais após o ataque sem precedentes do Hamas contra Israel, a 07 de outubro de 2023, e a retaliação do exército israelita na Faixa de Gaza.

As autoridades israelitas cortaram todos os laços com a agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (UNRWA), que acusam de estar infiltrada pelo Hamas.

Em outubro passado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, foi declarado "persona non grata" em Israel.

Já hoje, o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, lamentou a escalada dos ataques israelitas na Faixa de Gaza, alertando para uma "limpeza étnica" do povo palestiniano em curso.

Em resposta ao ataque de 07 de outubro de 2023 do grupo islamita palestiniano Hamas - que fez 1.200 mortos e 251 sequestrados -, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, propôs-se "erradicar" o movimento, e o seu Exército lançou horas depois uma ofensiva destruidora em Gaza que causou mais de 53.000 mortos, obrigou os 2,4 milhões de habitantes a deslocarem-se várias vezes em busca de refúgio e provocou uma catástrofe humanitária.

Após um cessar-fogo de dois meses, o Exército israelita retomou a ofensiva na Faixa de Gaza a 18 de março e apoderou-se de vastas áreas do território.

No início de maio, o Governo de Netanyahu anunciou um plano para "conquistar" Gaza, que Israel ocupou entre 1967 e 2005.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Moita de Deus é a falência da humanidade de que o Público fala


Segundo um recente relatório, Gaza é a zona do mundo com maior n° de crianças amputadas. A falta de empatia deste tipo de pessoas é a prova que evolução tecnológica ou intelectual não tem relação com evolução ética ou moral. Não passam de crápulas de fato, ignorantes, alheios à dor e ao sofrimento humano. Puros monstros.

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Ministro invocou motivos de agenda para não receber Francesca Albanese



Francesca Albanese veio esta semana a Portugal para dar algumas conferências sobre o genocídio em Gaza e o Direito Internacional. Na quarta-feira esteve no ISCTE, esta quinta-feira irá ao CCB e na sexta é a vez da Universidade de Coimbra. Pelo meio está previsto um encontro no Ministério dos Negócios Estrangeiros, mas o ministro Paulo Rangel, que recentemente teve de recuar na sua posição sobre a bandeira portuguesa no navio que transporta explosivos para Israel, invocou motivos de agenda para não a receber. E em vez de ser recebida por um secretário de Estado, será um diretor-geral do Ministério a marcar presença no encontro.

Na manhã desta quinta-feira, a relatora especial da ONU foi recebida por deputados na Assembleia da República. No final do encontro, a coordenadora bloquista Mariana Mortágua lamentou que o ministro tenha optado por não receber Francesca Albanese “como era sua responsabilidade como representante do Governo português”. E considerou a ausência como “mais uma das contradições do Governo” no que diz respeito à Palestina, a juntar à da defesa dos dois estados sem reconhecer o Estado da Palestina. E para o Bloco a prioridade agora passa por reconhecer o Estado da Palestina e parar o massacre, caso contrário “não vai ter população para reconhecer daqui a uns meses”.

Mariana Mortágua destacou a importância da presença de Albanese no Parlamento português, elogiando a forma clara e simples como coloca o problema que está em causa: que “as ações de Israel só podem ser enquadradas num projeto racista, expansionista, de ocupação do território palestiniano e extermínio da sua população” e que por isso “não se trata de uma resposta, de uma defesa, não se trata sequer de uma vingança, mas sim de “um plano de longo prazo” para a Palestina com aquelas características.

A coordenadora do Bloco criticou ainda o ministro Paulo Rangel por dizer na ONU que Israel tem o direito à legítima defesa mas que cometeu “excessos” em Gaza. “O genocídio não é excesso, é crime internacional”, prosseguiu Mariana, concluindo que o argumento dos “excessos” não faz mais do que revelar “a natureza da cumplicidade” de muitos estados com Israel. A coordenadora do Bloco agradeceu ainda a pressão feita por Albanese para a retirada da bandeira portuguesa do navio Kathrin, considerando-a “decisiva” para a “vitória da mobilização popular e da pressão que fizemos” junto do Governo que tinha começado por negar que houvesse navio e depois que houvesse explosivos a bordo.

Em conferência de imprensa na quarta-feira, Albanese congratulou-se com a retirada da bandeira do cargueiro Kathrin, mas sublinhou que “a questão mais urgente é saber o que é que Portugal vai fazer para não ter qualquer relação política, diplomática ou económica com Israel que possa prejudicar os palestinianos. O que é que o Governo vai fazer sobre o reconhecimento do Estado da Palestina. O que é que é preciso?”, questionou.

Albanese diz acreditar que “os arquitetos deste genocídio vão ser responsabilizados” e que a pressão sobre os governos para aplicarem o Direito Internacional “é um imperativo moral para todos nós”. Questionada sobre se o corte de relações diplomáticas com Israel não seria um passo excessivo, responde que “há um genocídio a acontecer, e mesmo se não lhe quiserem chamar genocídio, crimes de guerra, crimes contra a humanidade, o que seja: não se apoia um país no momento em que este comete atrocidades, e isto não começou ontem.”

A relatora das Nações Unidas defendeu que “este deve ser o momento para o Governo de Portugal ter um papel exemplar. Eu vejo como o vosso país vota nas Nações Unidas. Este é o momento de passar à ação. Qual é a coerência em dizer que concordam com a autodeterminação mas não reconhecem o Estado da Palestina? Isto é uma incoerência. Onde está o compasso moral da Europa?”, voltou a perguntar, contrapondo que “[os palestinianos] têm o direito de existir como povo num ou em dois Estados”.

Francesca Albanese foi também questionada pelos jornalistas sobre o recente anúncio de considerar o secretário-geral da ONU como persona non grata. “Já não há palavras. O mandato do secretário-geral vai ser marcado por este genocídio. Ele tem estado debaixo de grande pressão mas foi muito corajoso. Quanto ao facto de ter sido declarado persona non grata, já somos dois. É o que é”, concluiu.

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Discurso completo de António Guterres. Parem de dizer que o Secretário da ONU "normalizou" o Hamas!


Discurso de António Guterres na reunião deste dia 24 de outubro: 
Excelências,
A situação no Oriente Médio está se tornando ainda mais terrível a cada hora. A guerra em Gaza está em andamento e corre o risco de se espalhar por toda a região. As divisões estão fragmentando as sociedades. As tensões ameaçam transbordar. Num momento crucial como este, é vital que os princípios sejam claros - a começar pelo princípio fundamental de respeitar e proteger civis. Condenei inequivocamente os horríveis e sem precedentes atos de terror do Hamas em Israel no dia 7 de outubro.
Nada pode justificar a morte, os ferimentos e o sequestro deliberados de civis - ou o lançamento de foguetes contra alvos civis. Todas as pessoas reféns devem ser tratadas com humanidade e liberadas imediatamente e sem condições. Observo respeitosamente a presença entre nós de membros de suas famílias.

Excelências,
É importante também reconhecer que os ataques do Hamas não aconteceram num vácuo. O povo palestino foi submetido a 56 anos de ocupação sufocante. Eles viram suas terras serem constantemente devoradas por assentamentos e assoladas pela violência; sua economia foi sufocada; seu povo foi deslocado e suas casas demolidas. Suas esperanças de uma solução política para sua situação estão desaparecendo. Mas as queixas do povo palestino não podem justificar os terríveis ataques do Hamas. E esses ataques terríveis não podem justificar a punição coletiva do povo palestino.

Excelências,
Até mesmo a guerra tem regras. Devemos exigir que todas as partes cumpram e respeitem suas obrigações de acordo com o direito internacional humanitário; tomem cuidado constante na condução de operações militares para poupar civis; respeitem e protejam os hospitais e respeitem a inviolabilidade das instalações da ONU, que hoje abrigam mais de 600.000 palestinos. O bombardeio implacável de Gaza pelas forças israelitas, o nível de vítimas civis e a destruição em massa de bairros continuam a aumentar e são profundamente alarmantes. Lamento e honro as dezenas de colegas da ONU que trabalhavam para a Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA) - infelizmente, pelo menos 35, e a contagem continua - foram mortos nos bombardeamentos em Gaza nas últimas duas semanas. Devo às suas famílias a minha condenação por essas e muitas outras mortes semelhantes. A proteção dos civis é fundamental em qualquer conflito armado. Proteger civis nunca pode significar usá-los como escudos humanos. Proteger civis não significa ordenar que mais de um milhão de pessoas sejam evacuadas para o sul, onde não há abrigo, comida, água, remédios ou combustível, e depois continuar bombardeando o próprio sul. Estou profundamente preocupado com as claras violações do direito internacional humanitário que estamos testemunhando em Gaza. Quero deixar claro: nenhuma parte num conflito armado está acima das leis humanitárias internacionais.

Excelências,
Felizmente, alguma ajuda humanitária está finalmente a chegar a Gaza. Mas é uma gota de ajuda em um oceano de necessidades. Além disso, nossos suprimentos de combustível da ONU em Gaza se esgotarão em questão de dias. Isso será outro desastre. Sem combustível, a ajuda não poderá ser fornecida, os hospitais não terão energia e a água potável não poderá ser purificada ou mesmo bombeada. A população de Gaza precisa de ajuda contínua em um nível que corresponda às enormes necessidades. Essa ajuda deve ser fornecida sem restrições. Saúdo os colegas da ONU e parceiros humanitários em Gaza que trabalham em condições perigosas e arriscam suas vidas para fornecer ajuda aos necessitados. Essas pessoas são uma inspiração. Para aliviar o sofrimento épico, tornar a entrega da ajuda mais fácil e segura e facilitar a libertação dos reféns, reitero meu apelo por um cessar-fogo humanitário imediato.

Excelências,
Mesmo neste momento de perigo grave e imediato, não podemos perder de vista a única base realista para uma paz e estabilidade verdadeiras: uma solução de dois Estados. Israelitas precisam ver materializadas as suas necessidades legítimas de segurança, e os palestinos precisam ver concretizadas suas aspirações legítimas por um Estado independente, de acordo com as resoluções das Nações Unidas, o direito internacional e os acordos anteriores. Por fim, devemos ser claros quanto ao princípio da defesa da dignidade humana. A polarização e a desumanização estão sendo alimentadas por um tsunami de desinformação. Devemos enfrentar as forças do antissemitismo, do fanatismo antimuçulmano e de todas as formas de ódio.

Sr. Presidente,
Excelências,
Hoje é o Dia das Nações Unidas, que marca os 78 anos da entrada em vigor da Carta das Nações Unidas. Essa Carta reflete nosso compromisso compartilhado de promover a paz, o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos. Neste Dia da ONU, nesta hora crítica, apelo a todos para que se afastem da beira do abismo antes que a violência ceife ainda mais vidas e se espalhe ainda mais.
Muito obrigado.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Neturei Karta, judeus que apoiam os inimigos de Israel



O movimento ultra-ortodoxo judeu Neturei Karta apoia a causa palestina, em linha com um ferrenho ideário antissionista que o levou a se aproximar de alguns dos maiores inimigos de Israel como Mahmoud Ahmadinejad e Yasser Arafat.

Uma recente visita solidária à Faixa de Gaza, após a ofensiva israelita de novembro, e sua recente presença em Ramala durante os atos comemorativos pelo reconhecimento da Palestina como Estado observador da ONU, são apenas algumas das últimas atividades de um grupo cujos membros costumam aparecer na imprensa defendendo posições claramente anti-israelitas, embora muitos ignorem o porquê.

Fundada em 1938 em Jerusalém sob mandato britânico, Neturei Karta é um termo aramaico que significa "Guardiões da Cidade" e alude a custódios espirituais da fé talmúdica que lutavam contra o laicismo que o sionismo defendia na época.

O seu ideário defende o desmantelamento pacífico de Israel segundo a crença mais ortodoxa que os judeus estão proibidos de ter um Estado próprio até que não aconteça o advento do messias, segundo um castigo que aparece no livro do profeta Amós.

"A ideia sionista é contrária à religião judia, e nós como judeus autênticos nos opomos a ela", defende em entrevista à Agência Efe o rabino Meir Hirsch, líder do grupo, em sua casa do bairro ultra-ortodoxo de Mea Shearim, de Jerusalém.

Filho do ex-ministro para Assuntos Judeus da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Moshé Hirsch, Meir aponta que inclusive a utilização de "Israel" como nome do Estado representa uma "usurpação", porque "os sionistas escolheram se separar do povo judeu" e não têm nenhum direito de falar em seu nome.

Sustenta que após o castigo divino do exílio, ocorrido no século I, as profecias sagradas só falam de um "reino celestial" e que não é missão do homem forçar o estabelecimento de um Estado.

Trata-se de uma postura que há três décadas caracterizava quase toda a ultra-ortodoxia judaica, embora com o tempo boa parte dos setores que a formam tenha claudicado e participado da vida do Estado e inclusive do jogo político.

"Eles se assimilaram", sentencia o rabino, considerado popularmente pela imprensa israelita como "o ministro das Relações Exteriores" do grupo, uma função que herdou do seu pai, amigo de Arafat, ex-líder palestino que, garante, "foi assassinado pelos sionistas".

Tachados por alguns como seita radical, Hirsch afirma que o seu grupo é integrado por dezenas de milhares de pessoas com comunidades espalhadas principalmente entre Jerusalém e Nova York.

Com cidadania americana, Hirsch é consequente com as suas crenças e aponta que a sua comunidade vive de doações estrangeiras, à margem do Estado de Israel, que diz deixar a cada três meses por contar com um visto de turista.

Pelas ruas de Mea Shearim são frequentes os cartazes do seu grupo nos quais adverte que o movimento nacional judeu perpetra um "Holocausto" de seu próprio povo porque "tenta transformar pela força um povo crente num povo infiel".

Hirsch explica que, segundo o Talmude, os judeus não estão autorizados a dominar, matar, magoar ou degradar outro povo e não devem ter nada a ver com a iniciativa sionista e as suas guerras.

Por isso se opõem a desempossar os palestinos de suas terras e lares e defendem como solução ao conflito do Médio Oriente "o desmantelamento de Israel e a criação em todo o território de um único Estado", o da Palestina.

"Sabemos que o Estado sionista desaparecerá do mapa. Como? Nós não comandamos a agenda divina", acrescentou.

Estes zelotes, que se consideram os únicos guardiões verdadeiros da lei judaica, descendem de comunidades na Hungria e Lituânia que se assentaram no século 19 na Cidade Antiga de Jerusalém.

E, embora vivam em Israel, se consideram ainda no exílio da diáspora, um exílio "muito pior" ao do que se estivessem a viver "nos Estados Unidos ou França", opina.

Mas talvez o mais controverso da sua agenda sejam os seus apoios a inimigos declarados, passados e presentes, do Estado judeu.

No marco das atividades do movimento judeu contra ao que ele classifica como "desgraçada resolução" de partilha da Palestina em 1947, fizeram sua a causa da OLP, hoje em dia a do Hamas, e em 2006 a de Ahmadinejad, ao participar em Teerão de um seminário repleto de figuras que negam o Holocausto.

"Os sionistas colaboraram para o extermínio dos judeus na Europa a fim de obter o seu Estado", assegura Hirsch, que se mostra contrário ao "uso cínico do Holocausto", em linha com um ideário atribuído entre outros ao presidente iraniano, a quem classifica de "carismático" e "moral".

Com a sua posição radical, o Neturei Karta não só colheu iradas críticas entre os israelitas, mas também entre os demais ultra-ortodoxos, que consideram o grupo uma avis rara do variado povo judeu, empenhado em seguir a penitência do exílio até que Deus lhes devolva ao "reino dos céus".

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Dia Mundial da Ajuda Humanitária


O Dia Mundial Humanitário celebra-se anualmente a 19 de agosto.

O objetivo do Dia Mundial Humanitário é homenagear todos os voluntários do mundo pelo seu trabalho e divulgar as obras realizadas pelas organizações humanitárias espalhadas pelo globo apesar de todas as dificuldades vividas. A data também é conhecida como o Dia Mundial da Ajuda Humanitária e o Dia da Memória dos Trabalhadores Humanitários, prestando tributo a todos os funcionários e trabalhadores humanitários que foram mortos no exercício do seu trabalho.

Neste dia, onde o mote é ajudar o próximo, pode fazer donativos ou juntar-se a uma organização humanitária local ou global. Pode também divulgar a data e as causas atuais urgentes nas redes sociais. Existem mais de 130 milhões de pessoas a precisar de ajuda humanitária para sobreviver.

Origem da data
O Dia Mundial Humanitário foi comemorado pela primeira vez em 2009, após a Assembleia Geral da ONU ter decretado o dia em sessão plenária em dezembro de 2008. O dia 19 de agosto foi escolhido em honra do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Sérgio Vieira de Mello, e de outros 21 funcionários e colaboradores da ONU falecidos no Iraque em 2003 durante uma missão de paz. [Remember The Fallen]

Documentos
Resolução A/63/L.49 adotada na Assembleia Geral da ONU sobre o Dia Mundial da Ajuda Humanitária | ONU [en]  DESCARREGAR

Declaração do Alto Representante Borrel e Comissário Janez Lenarčič sobre o Dia Internacional da Ajuda Humanitária [en]  DESCARREGAR

Links relacionados

segunda-feira, 26 de março de 2007

Dossiê Planificando a Paz

ATENÇÃO © Copyleft - É permitida a partilha do dossiê exclusivamente para fins não comerciais e desde que o autor e o BioTerra sejam citados.

Já num pequeno dossier do Bioterra "Construindo a Paz Através da Cooperação Ambiental", é referido e frisado o seguinte facto: dos NOVE capítulos do livro Estado do Mundo 2005, CINCO apelam fortemente à Paz!!!
Neste mega dossier, muito heterogéneo, confesso, pretendo pelo menos mostrar (e dar a conhecer aos meus leitores) que há muitas ONG, muitas Fundações, Universidades, pesquisadores, voluntários, jornalistas, técnicos que estão fortemente activos e empenhados em soluções construtoras de Paz, Sustentabilidade e de Não Violência...e mostrar-vos exemplos de homens e mulheres que ao longo da História e nos dias de hoje tiveram, optaram por essa perspectiva e com fortes projectos cívicos e ecosolidários, uns homenageados, outros menos conhecidos mas que urge não deixar esquecer e urge homenagear sempre e estar os seus ideais e know-how nos nossos actos sempre. Urge e exige-se também um jornalismo mais de investigação e isento de poderes e lobbying (grupos de pressão). Urge e exige-se maior transparência internacional. Urge criar e saber desenvolver dinâmicas de grupos em genuína partilha de saberes, sabores, artes, etc...e ainda, para finalizar, que há necessidade urgente de cooperação ambiental...pois que surgirão muito brevemente uma nova categoria de refugiados...não apenas fugindo de armas, torturas, racismo mas refugiados das alterações climáticas, desertificação e dos enormes e vastos atentados ao ambiente.
Optei por simples listagem de acordo com alguns parâmetros e seria custoso (e penso compreensível da vossa parte) estar a elaborar uma síntese uma a uma.
Mas atenção: muitas ligações contêm imensa informação e dirigem-nos, por sua vez, para outras organizações, redes, projectos escolares, etc.


Não esqueças de visitar regularmente este espaço para manteres-te actualizado 
A Carta da Terra - Earth Charter
A Carta das Responsabilidades Humanas - Charter of Human Responsabilities
Fratelli Tutti
Declaração de Bruxelas (proposta)
Departamento de Pesquisa da Paz e Conflitos da Universidade de Uppsala
Mapping ATT-relevant Cooperation and Assistance Ativities Project

Activistas
David Suzuki

Autores || Pensadores || Prémio Nobel da Paz
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Doug Weir 
Eric Baker
Eugénio Costa Almeida
Kofi Annan (instagram)
Kofi Annan (wiki)

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GreenNet
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