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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Portugal deve rever Plano de Restauro da Natureza, pede associação de ambiente

A associação ambientalista Zero alertou hoje que Portugal deve rever o Plano Nacional de Restauro da Natureza (PNRN) antes de o enviar a Bruxelas, porque aprová-lo como está é “comprometê-lo à partida”.

Num comunicado a propósito do Dia Nacional da Conservação da Natureza, que se assinala na terça-feira, a associação deixa seis sugestões de mudança do Plano, não negando que este é um instrumento importante e “uma oportunidade histórica de transformar o restauro numa verdadeira política de Estado com força de lei”.

Entende a associação que o PNRN deve contemplar um relatório anual de execução, medidas localizadas e não vagas, haver uma entidade responsável pelo Plano e não “competências difusas”, haver uma autoridade de execução, e haver um compromisso orçamental plurianual do Estado e um inventário dos subsídios ambientalmente prejudiciais.

Um plano de restauro não se executa “com boas intenções, mas com datas, mapas, responsáveis e financiamento”, o que este PNRN não tem, diz a Zero.

Não se sabe se está a funcionar, porque o primeiro relatório de execução só está previsto dentro de seis anos, das 406 medidas 58% (237) são “nacionais” e sem localização definida, nenhuma das 406 medidas tem uma entidade responsável ou um custo estimado associado, a forma de governação está por definir, e dos 500 milhões de euros anuais anunciados há, segundo a Zero, apenas 168,7 milhões.

Ou seja, resume, o diagnóstico do PNRN está correto e Portugal sabe o que restaurar e porquê mas faltam as medidas concretas.

A propósito da efeméride de terça-feira a Zero recorda no comunicado que a 28 de julho de 1948 surgiu a associação de ambiente mais antiga da Península Ibérica, a Liga para a Proteção da Natureza, na altura criada pela defesa da Mata do Solitário, na Serra da Arrábida (o Parque foi criado em 1976).

E alerta que entre a classificação de uma área no papel e a sua gestão efetiva no terreno tem havido sempre “uma distância persistente”. É essa distância entre os plano e o resultado que a Zero teme ver repetida no PNRN.

A Zero recorda que os prazos para designar as Zonas Especiais de Conservação e publicar os respetivos planos de gestão terminaram em 2012 e não foram cumpridos, que em 2019, o Tribunal de Justiça da União Europeia condenou o país, e que a Comissão Europeia condenou Portugal a pagar uma multa que no verão passado já ia nos 100 milhões de euros.

O PNRN deve ser enviado por Portugal a Bruxelas em setembro próximo. Está em consulta pública no Portal Participa até 19 de agosto.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Ainda Girabolhos: A ironia da data e o impacto ambiental da nova barragem no Mondego


Por Alexandre Silva
Hoje, dia 15 de julho, vai ser anunciado pela Senhora Ministra do Ambiente e da Energia, a abertura do concurso para atribuição da concessão de captação de água, produção, Hidroelétrica e conceção, construção, exploração e conservação do Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos Girabolhos/Bogueira no rio Mondego.

A data escolhida para o lançamento do procedimento concursal é no mínimo sinistra, enigmática, hilariante, infeliz, senão provocatória. Vejamos, por mero acaso ou por incúria, por desconhecimento ou insensatez, ou talvez para acicatar aqueles, que se manifestam e levantam muitas reservas à construção deste empreendimento, os promotores decidiram fazer o anúncio oficial, em data coincidente com as comemorações dos 50 anos do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) e, aproveitando o ensejo, para se regozijarem pela recente classificação da região como Reserva da Biosfera da UNESCO (RBU). 

Será que o ICNF (salvaguardando que o empreendimento se encontra na periferia exterior do PNSE) e a pomposa RBU concordam com este tipo de infraestruturas? 

Acresce, ainda, que o local de implantação deste empreendimento é território abrangido pelo Estrela Geopark UNSECO e área marginal ao Sítio de Interesse Comunitário: Carregal do Sal, ao abrigo da Directiva habitats – Rede Natura 2000, criada para a conservação do narciso-do-mondego (Narcissus scaberulus), planta endémica do troço médio do rio Mondego. 

Será que a UNESCO compactuaria com a implementação deste empreendimento?

E quanto ao Plano Nacional de Restauro da Natureza a que estamos obrigados no âmbito da União Europeia? Não estamos a ir precisamente no sentido oposto? E os compromissos da mesma Rede Natura?

Será que foram avaliados os verdadeiros impactes sobre os sobreirais de ambas as vertentes do rio Mondego, na área de implementação do empreendimento? 

As barragens têm impactos ambientais muito significativos e as atuais orientações da Directiva-Quadro da Água, não privilegiam estas infraestruturas e consideram-nas como “pressões hidromorfológicas”. 

Presentemente, a União Europeia condiciona ou não financia de todo barragens.  Serão os vencedores do concurso os financiadores do projeto? A que custos para o erário publico e para os contribuintes? Rendas milionárias, quase perpétuas? Impostos encapotados? 

Uma barragem com fins hidroelétricos deve estar próxima da sua capacidade máxima, já para regularizar picos de caudal deve estar o mais vazia possível. Não parece um contrassenso?  

A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) de 2009/2010 está, no mínimo, desatualizada e enferma de omissões.  

A sub-bacia regularizada pela Barragem de Girabolhos representará apenas 15% da Bacia do Mondego. O rio Ceira contribuiu com mais de 1000 m3/s nas cheias de 2019 e 2026. Não será fácil controlar as cheias em Coimbra e no Baixo Mondego aquando de eventos extremos. Girabolhos-Bogueira é um mero paliativo, caríssimo, de duvidosa eficiência e catastrófico a nível ambiental.

Porquê a pressa? Tendo sido alterados, os pressupostos iniciais a que o empreendimento se destinava, não seria lógico e mais consensual lançar uma nova AIA e depois decidir?

A APA consegue saber qual o impacte sobre a população de narciso-do-mondego, sobre os sobreirais e sobre os serviços dos ecossistemas associados a este troço do rio Mondego? 


A montante de Girabolhos-Bogueira:
O que se fez após os incêndios de 2017, 2022 e 2025 para minimizar a erosão? 
Porque não reabilitar a Barragem de Fagilde aumentando a sua capacidade de reserva?
E a jusante de Girabolhos-Bogueira:
Como tem sido a manutenção, ou falta dela, no Aproveitamento Hidráulico do Baixo Mondego? Diques em rutura, vegetação exótica e invasora a desestabilizar e fragilizar a estabilidade e a segurança dos diques.

E a contínua construção em leito de cheia no setor inferior do Mondego? Quem a autoriza, mesmo após as cheias de 2026, apesar dos constantes e recorrentes alertas? 

Porque se projetou e edificou em 1991, um troço da A1 em pleno dique direito do Canal Principal do Mondego construído, 10 anos antes, em 1981?

E a falta do desassoreamento do troço do Mondego entre Santa Clara-Açude? De quem é a competência? Da APA? Do Governo? do Aproveitamento Hidráulico do Baixo Mondego?



O que se antevê caso Girabolhos-Bogueira realmente se construa:
Abre-se  um sério precedente para a construção da Barragem de Nossa Senhora da Assedasse, entretanto adormecida numa qualquer gaveta poeirenta, mas que encontrará respaldo de Girabolhos-Bogueira! 

Estamos também dispostos a abdicar dos Casais de Folgosinho e do Covão da Ponte (Gouveia-Manteigas)? 

E porque não exumar das catacumbas o projeto da barragem da Candieira, em pleno Vale Glaciário do Zêzere (Aproveitamento Hidráulico do Alto-Zêzere)?

Será, também, uma excelente oportunidade para instalar parques eólicos e, talvez fotovoltaicos, como estruturas complementares a Girabolhos-Bogueira, que serão financiados, sob a forma de rendas ruinosas, a longo prazo, para pagar o investimento da construção. Não seremos nós a pagar, mas será a herança que será legada às gerações futuras e a uma população, ainda mais reduzida do que aquela que, hoje, por cá sobrevive.

Por fim, de que valem os chapéus como Reservas da Biosfera e Geoparques UNSECO, Sítios Rede Natura 2000, como o de Carregal do Sal criado para proteger uma planta endémica do Portugal e cuja área de inundação da barragem será um forte revés à sua conservação?

Será que o narciso-do-mondego sabe mesmo nadar?

terça-feira, 9 de junho de 2026

Serra da Estrela ganha novo selo da UNESCO e passa a ter dupla proteção internacional


A Serra da Estrela foi integrada esta sexta-feira, dia 3 de junho, na Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO, uma distinção internacional que premeia territórios que conciliam a conservação da natureza com o desenvolvimento sustentável

A Serra da Estrela passa a integrar a Rede Mundial de Reservas da Biosfera, distinção atribuída pela UNESCO a territórios que conciliam "a conservação da natureza com o desenvolvimento humano sustentável", foi divulgado esta sexta-feira.

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) adiantou, em comunicado, que a aprovação da candidatura foi anunciada hoje na 38.ª sessão do Conselho Internacional de Coordenação do Programa Homem e Biosfera (MAB), que decorre no Centro de Convenções Itaipu Roga, em Hernandarias, Paraguai, desde 3 de junho.

Com esta aprovação, Portugal passa a contar com 14 Reservas da Biosfera da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), lembrou o ICNF.

Já a Serra da Estrela passa a deter duas designações UNESCO para o mesmo território: o Geopark Global UNESCO, reconhecido em julho de 2020, e agora a Reserva da Biosfera.

"Os dois estatutos serão geridos de forma integrada, numa lógica de governança conjunta que permitirá otimizar recursos humanos, financeiros e materiais", referiu o ICNF.

De acordo com o instituto, a nova Reserva da Biosfera da Estrela abrange uma área total de 2.372,99 quilómetros quadrados (km²), distribuída pelos seis municípios do Parque Natural da Serra da Estrela, Seia, Gouveia, Celorico da Beira, Guarda, Manteigas e Covilhã.

A Reserva da Biosfera da Estrela está estruturada em três zonas complementares: uma Zona Núcleo onde se concentram os valores naturais mais relevantes (212,55 km²), uma Zona Tampão de mediação ecológica (679,65 km²) e uma Zona de Transição dedicada às atividades humanas sustentáveis (1.480,80 km², correspondendo a 62% da reserva).

A candidatura foi promovida pela AGE - Associação Geopark Estrela, com coordenação científica de Helena Freitas, do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra.

O ICNF realçou que a iniciativa resultou "de um amplo processo participativo que envolveu autarquias, sociedade civil, comunidade educativa e organizações ambientais, tendo como base o Plano de Cogestão do Parque Natural, aprovado em novembro de 2024".

"Esta designação não é apenas um reconhecimento internacional, é um compromisso ativo com os objetivos globais de conservação da biodiversidade inscritos no Quadro Global de Biodiversidade Kunming-Montreal, e uma oportunidade para afirmar a Serra da Estrela como referência nacional e internacional em práticas inovadoras de sustentabilidade e educação ambiental", salientou ainda o ICNF.

Já a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, realçou que o reconhecimento é "uma oportunidade para reforçar a sustentabilidade da Serra da Estrela, colocando a inovação e a educação ambiental ao serviço das comunidades e das gerações futuras".

Numa nota divulgada pelo ministério, Maria da Graça Carvalho destacou "o forte envolvimento dos autarcas e da sociedade civil, que tanto contribuíram para o sucesso do projeto, o papel da Associação Geopark Estrela, que promoveu a candidatura, e da professora Helena Freitas, que assegurou a sua coordenação científica".

Ler mais:
Serra da Estrela: Quo vadis biodiversidade?

domingo, 24 de maio de 2026

Dia Europeu dos Parques Naturais

Todos precisamos de ligações para crescer, viver e aprender.

Ecossistemas saudáveis não existem isolados: eles só prosperam quando existem ligações ecológicas - corredores de vida selvagem, habitats interligados e paisagens que permitem às espécies deslocarem-se, adaptarem-se e florescerem.

Estas ligações ultrapassam frequentemente as fronteiras de qualquer Área Protegida individual.

A Estratégia de Biodiversidade da UE para 2030 visa criar uma "Rede de Natureza Trans-Europeia" .

O Regulamento da UE sobre o Restauro da Natureza contém metas específicas sobre a conectividade terrestre e fluvial, focando-se especialmente na Natura 2000: a maior rede coordenada de Áreas Protegidas do mundo. A Meta 3 do Quadro Global de Biodiversidade proclama a necessidade de proteger 30% da superfície terrestre e garantir que estes espaços sejam conservados de forma eficaz e estejam bem ligados entre si.

Estas prioridades políticas enviam uma mensagem poderosa: proteger a natureza não é suficiente. Temos de a reconectar. As Áreas Protegidas estão no centro desta transformação. São os blocos de construção das redes ecológicas da Europa. Através da cooperação transfronteiriça, do restauro de habitats, da criação de corredores e da gestão a longo prazo, as Áreas Protegidas estão a transformar a ambição política em ação prática no terreno.

No Dia Europeu dos Parques de 2026, não só celebramos os lugares que protegemos, mas também as ligações que os tornam mais fortes.

Áreas Protegidas, comunidades locais, decisores políticos, visitantes juntos a construir um futuro onde as nossas paisagens não sejam fragmentadas, mas verdadeiramente ligadas pela natureza.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Espanha: 'burros bombeiros' evitam há uma década incêndios em Doñana


Todos os verões, Espanha é devastada por incêndios florestais. Milhares de hectares são consumidos pelas chamas, não só devido ao calor e à seca, mas também ao abandono rural: menos pessoas, menos rebanhos e mais vegetação que cresce sem ser vigiada.

No entanto, tal como em Portugal, algumas comunidades encontraram uma solução tão antiga como eficaz – trazer de volta os burros, que caminham ao lado dos seres humanos há mais de 7.000 anos, para participar numa nova missão de combate aos incêndios florestais. Estes animais trabalham em pequenas brigadas, deslocando-se silenciosamente pela floresta, arrancando ervas daninhas e comendo-as dia após dia.

A urgência dessa missão tem vindo a aumentar. Em Agosto de 2025, cerca de 400 hectares arderam em várias regiões de Espanha, tornando-o o pior ano de incêndios florestais das últimas três décadas. A magnitude desta crise levou o governo a declarar estado de calamidade nas regiões de Castela e Leão, Galiza, Astúrias, Extremadura, Madrid e Andaluzia.

Nesse contexto, o trabalho lento e deliberado destes burros parece quase radical – um regresso a ritmos antigos para enfrentar uma crise muito moderna.

Desde cerca de 2014, 18 burros patrulham os arredores do Parque Nacional de Doñana. Pertencem todos a uma associação chamada El Burrito Feliz. O grupo resgata animais abandonados e transforma-os naquilo a que o seu presidente, Luis Manuel Bejarano, descreve como “os melhores bombeiros herbívoros”.

Mortadelo, Magallanes, Leonor, Ainoa e Ume são alguns dos recrutas do Batalhão de Burros Bombeiros de Doñana. Eles seguem um plano táctico: patrulham durante cinco horas por dia, entre Março e Novembro, ao longo de caminhos quebra-fogos assinalados por limitações que vão mudando de sítio. Todos os dias, estes burros dirigem-se à zona que lhe está atribuída, comem uma faixa de vegetação com cerca de 40 por 15 metros, bebem cerca de 30 litros de água e depois regressam para descansar. No final do dia, consumiram todo o material inflamável na área que lhes foi atribuída, diminuindo drasticamente o risco de incêndio.

A estratégia funciona. Embora Espanha enfrente incêndios florestais cada vez mais intensos, o Parque Nacional de Doñana — um refúgio essencial para aves europeias e africanas, linces ibéricos e outras espécies ameaçadas – não sofreu um único incêndio florestal nos últimos nove anos. “Os burros bombeiros tornaram-se um símbolo de eficiência”, diz Bejarano.

O seu sucesso até conquistou o apoio da unidade militar de emergência (UME), o serviço espanhol que responde a incêndios, cheias e terramotos quando os recursos civis ficam sobrecarregados. Durante uma visita ao parque, soldados da UME adoptaram um dos burros e ofereceram-lhe um pequeno capacete – igualzinho ao de um bombeiro.

Os burros não estão sozinhos no terreno. São constantemente monitorizados por voluntários do grupo ambiental Mujeres por Doñana, que fornece apoio logístico de campo, transportando água em carrinhos de mão através de áreas florestadas que não são acessíveis através de veículos.

Parece um trabalho difícil – e é –, mas da perspectiva dos burros é um paraíso. Eles podem alimentar-se à vontade durante o dia, recebem cuidados e afecto dos seus cuidadores e dos visitantes do parque e até recebem visitas como a rainha Sofia, que já passou algum tempo com a burra Leonor.

Apesar do aumento dos incêndios florestais ocorridos em Espanha nos últimos anos, o Parque Nacional de Doñana não sofreu um único incêndio nos últimos nove anos.

O que faz com que os burros sejam bons bombeiros
Ao contrário das vacas ou das ovelhas, os burros não têm um sistema digestivo complexo, o que lhes permite consumir repetidamente o mesmo alimento. Comem lenta, mas frequentemente, transformando até a erva mais rija em energia – uma adaptação perfeita para sobreviver em ambientes inóspitos. A sua dieta simples e apetite constante criam um efeito cumulativo: cada ramo que mastigam é menos combustível que arde na vaga de calor seguinte.

Especialistas em ecologia de pasto e restauro de ecossistemas, como Rosa María Canals Tresserrras, professora de ecologia de pradarias e restauro na Universidade Pública de Navarra concordam: os burros reduzem a quantidade de vegetação que serve de combustível e, consequentemente, a propagação do fogo em paisagens cada vez mais cobertas por arbustos e plantas lenhosas.

“Os burros, por exemplo, eram outrora bastante comuns, não enquanto animais que forneciam carne, mas enquanto animais de carga – para transportar mercadorias, trabalho agrícola e lavoura”, explica Canals. “A chegada dos tractores, automóveis e maquinaria substituíram-nos gradualmente. Aquela era a sua função e, como muitas coisas na vida, só nos apercebemos do seu valor depois de desaparecerem.”

A ausência de burros está a fazer-se sentir mais do que nunca noutros locais. Em algumas regiões, a ausência de herbívoros selvagens de grande porte – desde mamutes-lanudos a gado mantido em liberdade – associada ao declínio do pasto tradicional, o abandono do uso da lenha e o despovoamento rural deixaram as paisagens mais densas e secas, transformando-as em sítios onde as alterações climáticas podem funcionar como acelerador natural.

Trazer os burros de volta às zonas rurais não é apenas uma questão cultural ou simbólica, mas uma estratégia preventiva. À medida que pastam, eles criam zonas-tampão com pouco combustível em redor das aldeias e ajudam a conter os incêndios antes de estes sequer começarem.

Como outros sítios estão a seguir este exemplo
O sucesso do projecto andaluz inspirou outros. Nos anos subsequentes, comunidades rurais de Espanha começaram a replicar a ideia, adaptando-a às suas próprias paisagens. Na Catalunha, País Basco e Galiza, surgiram novas brigadas, aliando a conservação ambiental à prevenção de incêndios.

Durante milénios, o burro foi considerado o símbolo da teimosia. “Os cavalos fazem as coisas por obrigação. Os burros fazem-nas por convicção”, diz Joan Cedó, que lançou o programa Burros Bombeiros de Tivissa em 2020.

Aquilo que começou como um projecto-piloto, com três burros em dois hectares, foi crescendo até se transformar no trabalho diário de cerca de 40 animais – todos resgatados de negligência ou maus-tratos – que se dedicam a limpar cerca de 300 hectares de terrenos públicos e privados na região montanhosa de Tarragona, na Catalunha.

“Um burro pesa três vezes mais do que uma cabra, por isso, quando se desloca, destrói a vegetação de forma mais eficaz”, diz Cedó. “Um burro também come cerca de dez vezes mais do que uma cabra. Isto significa que o seu impacto diário é muito maior”.

Se têm sido tão eficazes como os seus homólogos de Doñana? “Desde que introduzimos os burros no nosso município, não tem havido incêndios florestais”, diz Cedó. Ele acha que, com mais apoio do estado, a burricada poderá crescer até alcançar 300 animais e proteger uma área muito maior.

Em Allariz, uma vila na província de Ourense, no noroeste de Espanha, os burros da Associación Andrea trabalham de forma semelhante, cuidando de cerca de mil hectares de floresta dentro de uma Reserva da Biosfera da UNESCO. O projecto começou numa aldeia abandonada, onde o grupo, colaborando com o conselho local, testou um modelo de restauro da terra: efectuando primeiro uma limpeza manual e depois mantendo o terreno limpo com a ajuda dos burros.

Com o passar do tempo, o esforço estendeu-se à zona central da reserva. Os burros vagueiam em liberdade e são monitorizados através de GPS, o que permite alertar os seus cuidadores para o caso de se desviarem para além dos limites de segurança. Podem percorrer até 19 quilómetros por dia, alimentando-se maioritariamente de arbustos pequenos – o mesmo tipo de vegetação que causa incêndios florestais.

Em todos estes anos, a área principal onde os burros pastam não ardeu uma única vez. “E neste ano, a província de Ourense foi devastada”, diz o presidente da associação, David Lema. “Nunca houvera incêndios tão grandes nesta província”.

Lema acrescenta que, embora esta nova táctica de combate aos incêndios seja bem-sucedida, a prevenção real dos incêndios depende daquilo que se cultiva nas zonas circundantes.

“A verdadeira solução reside no planeamento do uso da terra”, diz ele. “Aquilo que não pode continuar a acontecer plantarem-se espécies pirófitas, como pinheiros ou eucaliptos, em terras florestais, pois isso é uma garantia de incêndios. Embora os animais sejam uma ferramenta valiosa, não são uma solução completa – fazem parte da solução”.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Dia 3 de Novembro - Dia Mundial das Reservas da Biosfera


A Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo (RBPB) é uma Reserva da 1ª Geração, classificada desde 1981 pela Unesco, tendo sido a nível nacional a primeira área portuguesa a ser integrada na Rede Mundial de Reservas da Biosfera. 
A Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo constitui o maior ecossistema de água doce do país. Localizada no distrito de Santarém, a RNPB distribui-se entre dois concelhos, Golegã e Torres Novas, a que correspondem duas regiões, O Alentejo e o Centro, bem como duas sub-regiões, a Lezíria do Tejo e o Médio Tejo. Ocupando os concelhos de Torres Novas e Golegã, a RBPB desenvolve-se sobre uma área de 5 896 ha integrando as localidades de Golegã, Riachos, Azinhaga, Pombalinho e Boquilobo, abrangendo uma população total de 8 450 habitantes traduzidos em 3.919 famílias. Da população abrangida pela RBPB 10% está empregada no sector primário, 20% no sector secundário e 70% no terciário. 
Em 1996, a Reserva de Paúl do Boquilobo foi considerada uma Zona Húmida de Importância Internacional ao abrigo da Convenção de Ramsar. Dada a sua importância para a avifauna, está também classificada, desde 1999, como uma Zona de Proteção Especial, de acordo com a Diretiva n.º 2009/147/CE. 
A agricultura e a pecuária são as principais atividades económicas da região e atraem visitantes em busca de um turismo rural que valorize os espaços da ruralidade e da natureza. Existem marcas da presença humana no território da Reserva da Biosfera desde o paleolítico, sendo possível encontrar vestígios dessa presença em grutas como a Buraca da Moura ou a Lapa da Bugalheira.

sábado, 27 de setembro de 2025

Unesco distingue Arrábida como Reserva da Biosfera


O conselho Coordenador Internacional do programa Man and the Biosphere da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), atribuiu a classificação este sábado, durante o 37.º Encontro deste organismo, que juntou mais de uma centena de países em Hangzhou, China.

Esta é a 13ª reserva do género em Portugal.

André Martins, presidente da Associação de Municípios Região Setúbal, considerou este passo será essencial para a proteção e a promoção da Serra em termos ambientais, económicos e paisagísticos.

A candidatura havia sido apresentada pela Associação de Municípios da Região de Setúbal, que coordenou o processo.

As Câmaras Municipais de Palmela, Sesimbra e Setúbal e pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, assinaram igualmente a candidatura, que o Comité Internacional elogiou como "muito bem documentada". A Arrábida, na Península de Setúbal, passa a integrar agora uma rede mundial de 785 Reservas da Biosfera onde se encontram áreas naturais, incluindo as Galápagos, no Equador, o Serengueti, na Tanzânia, o Yellowstone, nos Estados Unidos ou o Parque Donaña ou Canárias, em Espanha. 

O Comité Consultivo reconheceu que a candidatura apresentou "uma paisagem diversificada caracterizada pela Serra da Arrábida e um rico ecossistema marinho". 

Na sua recomendação, destacou "as mais de 1400 espécies vegetais – que representam 40 por cento da flora portuguesa –, incluindo 70 espécies raras e endémicas", e destacou a "fauna diversificada, com 200 espécies de vertebrados e mais de 2000 espécies marinhas". 

Também o Plano de Ação apresentado pelas autarquias envolventes mereceu menção, considerando o Comité que ele "define objetivos de conservação, desenvolvimento e resiliência climática, alinhados com o Plano de Ação de Lima e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas". 

Entre os desafios colocados à Serra da Arrábida coloca-se a sua promoção, proteção e desenvolvimento sustentável.

Os municípios da Região de Setúbal acreditam que a distinção da Reserva da Biosfera da Arrábida dada pela Unesco irá estimular um amplo movimento de conhecimento e de sensibilização sobre os valores naturais e culturais da região, a par da experimentação. 

O objetivo, referiram, é que este território se afirme como exemplo de equilíbrio, usufruto sustentável e boas práticas comunitárias. 

A distinção como reserva de Biosfera deverá criar também uma verdadeira plataforma de trabalho integrado entre as autarquias, o ICNF e o conjunto de outros agentes que diariamente utilizam este espaço e os seus recursos.

Congresso Mundial de Reservas da Biosfera, que terminou na sexta-feira, foram anunciadas as 30 novas áreas, incluindo as de quatro de países lusófonos, Portugal, S. Tomé e Príncipe, Angola e Guiné Equatorial.

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Mineração de ouro deixa cicatrizes tóxicas na reserva de Dimonika, no Congo


Acredita-se que estes buracos escancarados no coração da Reserva da Biosfera de Dimonika sejam o resultado da mineração de ouro. Observe esta vasta extensão, recordo que estamos numa reserva estadual,e veja por si mesmo: já não há floresta.
Localizada na República do Congo,a 50 km da costa atlântica, a Reserva da Biosfera de Dimonikacobre 136.000 hectares de floresta. Reconhecida como Património Mundial da UNESCO em 1988,esta área protegida serve como um laboratório vivo: para a conservação da biodiversidade, pesquisa científicae gestão sustentável dos recursos naturais.
Mas, desde a chegada daempresa chinesa City SARLno final de 2023,esta área protegida pode estar perigo. De acordo com os meios de comunicação locais, estas retroescavadeiras já destruíram5 hectares de floresta, o equivalente a sete campos de futebol. Alguns garimpeiros locais receberamc ompensação financeira da empresa para abandonar o local. 
Estes três homens recusaram. Tinham vindo com uma política de dar às pessoas uma pequena quantia [equivalente a 70 dólares] para libertar os lugares para que eles próprios pudessem vir trabalhar. Mas se pudéssemos ficar aqui, trabalharíamos durante décadas. 
Sem terra, esta comunidade local de cerca de 3.000 pessoas também está privada de água potável.O Rio Yanika, que costumava atravessar a área, está agora quase seco. Costumávamos ter fontes de água, fontes de água muito boas. Hoje está tudo amarelo, até tem medo de lavar as mãos nele.
No final de 2024,em resposta às preocupações das comunidades locais, a ONG Congo Nature Conservation recolheu amostras de água. As suas análises laboratoriais mostraram um teor anormalmente elevado de mercúrio. Assim, o nível normal é de 0,00005 mg/l, mas estamos nos 0,007 mg/l, que está bem acimado nível permitido em água doce. Isto é mais de 140 vezes mais do que o habitual.
O mercúrio ficará nos pulmões, no fígado, e, em segundo lugar, pode causar danos às pessoas que consomem essas águas. 
Portanto, é tempo de apontar e interromper a exploração anárquica de ouro nesta reserva de Dimonika. Em Brazzaville, as nossas equipas reuniram com um dos gerentes da empresa chinesa em causa, que negou ser responsável pelos danos. Os danos já eram visíveis antes de chegarmos. É como a chegada de um inquilino: se não houve um inventário feito antes de o inquilino ocupar a casa, e se é feito um inventário só depois de o inquilino já estar alojado, vemo-nos carregando tudo o que veio antes de nós. Os inquilinos anteriores nesta analogia seriam mineiros artesanais do distrito de Mvoutique aqui prospectam ouro há décadas com a autorização das autoridades locais. Alguns recusaram-se a deixar o local diante da empresa mineira e continuam a trabalhar a terra com ferramentas mais rudimentares. O que fazemos num ano, as máquinas chinesas fazem-no numa semana. Com a mineração artesanal de ouro, não conseguimos cortar 10 ou 15 árvores. Com as suas máquinas, arrasam tudo. Então, como vamos alimentar as nossas famílias? E os nossos filhos, como sobreviverão? Perante a escala do desastre, a ministra do Ambiente, Arlette Soudan-Nonault, ordenou a proibição das atividades da empresa em novembro de 2024. Mas, entretanto, a biodiversidade foi severamente danificada, a água está imprópria para consumo e alguns habitantes foram obrigados a fugir.

sábado, 12 de julho de 2025

A relevância da Educação Ambiental

Margaret Raven (artista plástica nascida em 1962, na Polónia)

Sobre a relevância da educação ambiental para enfrentar estes tempos de decisões desastrosas e enfrentar os lóbis sem que pessoalmente vamos abaixo.

EIXO 3 – Educação e literacia ambientais: com este eixo pretende-se a definição de um modelo de educação ambiental liderado pela autarquia e articulado entre os vários setores da sociedade. (ODS, Agenda 2030)

Por que a educação ambiental ainda é tão desvalorizada?
Em tempos de crise climática, desastres ambientais cada vez mais frequentes e perda acelerada da biodiversidade, seria natural supor que a educação ambiental ocupasse um lugar central na formação de cidadãos conscientes e responsáveis. No entanto, a realidade é outra: ela continua à margem, tratada como algo secundário, quando deveria ser uma das bases do nosso futuro coletivo.

Por que é que isso acontece?
Em primeiro lugar, há um desinteresse estrutural por parte de muitos governos, autarquias, programas eleitorais e mesmo até nos sistemas de ensino. A educação ambiental costuma ser mencionada apenas como um “tema transversal”, o que, na prática, significa que não tem espaço nem tempo dedicados. Muitas escolas falam e fazem reciclagem ao longo do ano e acreditam ter cumprido o seu papel. Mas a educação ambiental vai muito além de plantar árvores ou recolher lixo. Trata-se de formar pensamento crítico, compreender relações ecológicas, refletir sobre consumo, justiça social e os limites do planeta.

Outro problema é a visão simplista e despolitizada com que o tema é tratado. Fala-se de meio ambiente como se fosse uma questão neutra, técnica, quando na verdade está profundamente ligada à política, à economia e às desigualdades sociais. Falar de educação ambiental é também falar de poder, de escolhas coletivas e do modelo de desenvolvimento que queremos.

Além disso, a sociedade de consumo — amplamente reforçada pela media — cria uma cultura de individualismo e imediatismo, que mina qualquer esforço educativo voltado para a coletividade e o longo prazo. É difícil competir com um mundo onde o valor está em “ter”, e não em “ser” ou “pertencer”. A educação ambiental exige tempo, reflexão e ação, tudo o que a lógica apressada do consumismo não incentiva.

Também não podemos ignorar o desconhecimento ou cepticismo de muitos diante da gravidade da crise ambiental. Há quem acredite que tudo será resolvido pela tecnologia, ou pior, que tudo é exagero. Essa visão conforta, mas é perigosa. Sem consciência ambiental, as soluções que a ciência propõe não encontram solo fértil na sociedade.

O que falta, portanto, é valorizar a educação ambiental como prática transformadora, conectada à realidade local, ao território, ao quotidiano das pessoas. Quando ela é vivida na prática — em projetos escolares, ações comunitárias, hortas urbanas, defesa de rios e matas — ela deixa de ser abstrata e torna-se urgente, palpável, viva.

Reconhecer o papel da educação ambiental é mais do que uma escolha pedagógica: é um acto político, ético e existencial. Quem não a reconhece, talvez ainda não tenha entendido que não haverá futuro viável sem ela.

Bons exemplos
1. A resiliência de Idanha-a-Nova. Idanha-a-Nova integrou o primeiro geoparque português, da rede geoparques reconhecidos pela UNESCO. Foi a primeira Reserva da Biosfera em Portugal. Sendo uma vila, foi a primeira Cidade Criativa portuguesa, igualmente com a chancela da UNESCO, para a área da Música. Em 2018, tornou-se na primeira Bio-região portuguesa. E em 2013 a UE elegeu-a como a melhor Bio-região da Europa. Eis como a periferia se tornou centro.

2. 90% dos portugueses ‘desconfia’ da sustentabilidade das marcas. 90% dos consumidores portugueses acreditam que as marcas afirmam ser sustentáveis apenas para fins promocionais, concluiu o 3º Relatório Global de Consumo MARCO 2024, promovido pela MARCO em parceria com a Cint, empresa de investigação tecnológica.

Depois de Portugal, segue-se a África do Sul com 86% e o México com 85%, indica a análise.

De acordo com o estudo, este sentimento é particularmente significativo nos países ocidentais, onde existe uma tendência para exigir maior transparência e responsabilidade por parte das marcas. A análise revelou que a grande maioria dos consumidores a nível global (81%) suspeita que as empresas estão a utilizar as suas credenciais de sustentabilidade como instrumentos de marketing, em vez de demonstrarem um compromisso genuíno com a responsabilidade ambiental e social. 

O relatório revelou também que os consumidores estão cada vez mais motivados a fazer escolhas sustentáveis no dia a dia, com mais de metade dos inquiridos portugueses (58%, valor semelhante à média global) a revelarem comprar produtos em segunda mão para promover práticas de consumo mais sustentáveis; 95% assume a importância da reciclagem para poupar recursos naturais, contra 90% a nível global; e 66% consideram positiva a utilização de automóveis elétricos para proteger o ambiente, em linha com a média global de 67%. 

Além disso, 44% dos portugueses assumiu que consideraria deixar de andar de avião por questões de consciência ambiental, um valor que contrasta com a média global de 53%.

“Estas conclusões sublinham a importância da transparência e da responsabilidade nas iniciativas de sustentabilidade das empresas. À medida que os consumidores se tornam mais exigentes e esperam provas de um compromisso genuíno, as empresas devem navegar cuidadosamente neste novo cenário. Uma comunicação eficaz e ações tangíveis são mais cruciais do que nunca para criar e manter a confiança dos consumidores”, referiu Diana Castilho, Head of Portugal da MARCO.

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Naturalmente Flores


O filme foi realizado e editado por Paulo Ferreira e tem a narração a cargo de Eduardo Rêgo. Paulo Ferreira esteve a gravar na ilha das Flores durante 15 dias em 2022 e mostra-nos algumas singularidades ao nível da flora e da fauna, incluindo a marinha. As imagens do fundo do mar das Flores despertam em nós a consciência ambiental necessária para que todos possamos reverter o sentido das alterações climáticas. As imagens noturnas (da Via Láctea), gravadas ao redor da ilha das Flores são uma visão diferente do que estamos habituados a ver. Isto porque a Ilha das Flores possui pouca poluição luminosa, algo que a todos deveria preocupar. Durante o filme quase que damos por nós sentados à beira mar, a ouvir o som dos Cagarros, sob um céu estrelado salpicado pela luz da Via Láctea. São imagens belas de uma Ilha especial para Paulo Ferreira.

A Ilha das Flores, nos Açores, é conhecida pela sua rica biodiversidade, com destaque para a presença de várias espécies endémicas e habitats únicos. A ilha possui uma área protegida, o Parque Natural da Ilha das Flores, que integra diversas zonas classificadas na Rede Natura 2000 e um Sítio Ramsar. A Reserva da Biosfera da Ilha das Flores, reconhecida pela UNESCO, reforça a importância da conservação deste património natural. 
Biodiversidade:
Espécies endémicas:
A Ilha das Flores possui uma elevada concentração de espécies endémicas, tanto na flora como na fauna. Entre os vertebrados endémicos dos Açores, nove aves, um morcego e um peixe marinho são conhecidos apenas na ilha. 
Plantas:
Mais de 50 espécies e subespécies de plantas vasculares são endémicas do arquipélago. Destacam-se a Myosotis azorica (não-me-esqueças) e a Veronica dabneyi, duas plantas raras que só são encontradas em estado selvagem nas ilhas do Grupo Ocidental. 
Fauna terrestre:
Três espécies endémicas de artrópodes são exclusivas da Ilha das Flores: o escaravelho-cascudo-da-mata (Tarphius floresensis), Agyneta depigmentata e Cheiracanthium floresense
Aves marinhas:
A ilha é um local de nidificação importante para várias espécies de aves marinhas, muitas delas protegidas pela Diretiva Aves da União Europeia. 

Parque Natural e Reserva da Biosfera:
O Parque Natural da Ilha das Flores é responsável pela conservação da natureza na ilha e nas áreas marinhas circundantes. 
A Reserva da Biosfera da Ilha das Flores, reconhecida pela UNESCO, destaca a importância da ilha como um local com valores ambientais e culturais únicos. 
A Reserva da Biosfera promove atividades de turismo sustentável, investigação e valorização da biodiversidade. 

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Qual a dimensão do património natural de Portugal?

A diversidade topográfica e edafoclimática do nosso país
permite uma multiplicidade de áreas com valor de conservação (mapa do continente).
Fonte (adaptada): Relatório Estado do Ambiente, APA, consultado em Abril 2025 (ICNF, 2024)

O património natural de Portugal inclui cerca de 35 mil espécies de animais e plantas, segundo a União Internacional da Conservação da Natureza (IUCN), citada na Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ENCNB 2030). Estes valores representam 22% da totalidade das espécies descritas na Europa e 2% das espécies mundiais.

As áreas portuguesas com valor de conservação e biodiversidade encontram-se integradas no Sistema Nacional de Áreas Classificadas – SNAC. Além de incluir as áreas classificadas como a Rede Natura 2000, o SNAC abrange também a Rede Nacional de Áreas Protegidas (RNAP) e outras áreas classificadas na sequência de compromissos internacionais assumidos pelo Estado português.

De acordo com o geocatálogo do ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (consultado em março de 2025), existem no território continental 55 áreas protegidas:

Todas elas integram a RNAP e juntas correspondem a uma área de 816 mil hectares (dos quais 746 mil hectares de área terrestre), que ocupa cerca de 9% do território nacional.

Além destas tipologias de proteção, o ICNF refere ainda:
  1. 05 Sítios Natura 2000, com uma área de 4,5 milhões de hectares, dos quais 1,6 milhões de hectares em área terrestre;
  2. 6 Reservas da Biosfera, com 1,1 milhões de hectares, maioritariamente em área terrestre;
  3. 18 Sítios Ramsar, que se estendem por 117 mil hectares de área terrestre;
  4. e 4 Geoparques, que ocupam 836 mil hectares de área terrestre (em vez de quatro, a lista de Geoparques Mundiais da UNESCO, indicada por esta organização, refere cinco em território continental: Naturtejo da Meseta Meridional, Arouca, Terras de Cavaleiros, Serra da Estrela e Oeste, tendo este último sido integrado ainda em 2024).
No seu conjunto, estas áreas classificadas ocupam 3,1 milhões de hectares de área terrestre – 34,8% do território terrestre de Portugal continental – e 3,4 milhões de hectares de área marinha – 10,7% do território marítimo de Portugal continental. E não está ainda aqui considerado o Geoparque do Oeste.

Quanto à Rede Natura 2000, esta rede ecológica para o espaço da União Europeia (UE) integra cerca de 22% da área total terrestre nacional, da que acrescem uma área marinha de cerca de 10,7%. O país ocupa, a propósito, o 10.º lugar entre os 28 Estados-Membros da UE em termos de percentagem de área total integrada na Rede Natura 2000, realça a ENCNB 2030.

Os ecossistemas agrícolas e florestais ocupam cerca de 80% das áreas protegidas ou classificadas em Portugal continental, segundo a ENCNB 2030. O 6.º Inventário Florestal Nacional (IFN6, publicado pelo ICNF em 2019), que fornece um retrato mais focado na importância da área florestal para a biodiversidade, indica que a área florestal integrada no SNAC corresponde a 18,7% da floresta nacional e que 5,5% da floresta está incluída na RNAP, com várias espécies presentes.

Aproximadamente 25% da área florestal sob Planos de Gestão Florestal está englobada no SNAC, ou seja, em áreas classificadas e, por isso, sujeitas a Planos de Gestão da Biodiversidade, reforça o 5.º Relatório Nacional à Convenção sobre a Diversidade Biológica.

Património natural das regiões autónomas
Ao património natural continental somam-se ainda inúmeras áreas terrestres e marinhas nos arquipélagos dos Açores e da Madeira:

– Na Região Autónoma dos Açores, estão classificadas 24 Reservas Naturais, 10 Monumentos Naturais e 16 Paisagens Protegidas; 4 Reservas da Biosfera; 13 sítios Ramsar, 1 Geoparque e 40 áreas de Rede Natura 2000.

– Na Região Autónoma da Madeira, contabilizam-se o Parque Natural da Madeira (que abrange cerca de dois terços da ilha da Madeira), 4 Reservas Naturais, 2 Áreas Protegidas e a Rede de Áreas Marinhas Protegidas de Porto Santo.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Dia Mundial Do Ambiente 2024: Nós Somos A Geração Restauro

O restauro da terra, o combate à desertificação e a resiliência à seca são os temas do Dia Mundial do Ambiente 2024 que se celebra hoje, 5 de junho!
As comemorações deste dia pretendem impulsionar a ação global para o cumprimento das metas de restauro de grandes porções da Terra, protegendo a natureza e desacelerando as alterações climáticas, e levando ao aumento dos meios de subsistência e segurança alimentar de milhares de milhão de pessoas em todo o mundo.
Nós somos a Geração Restauro, não podemos voltar o tempo atrás, mas podemos fazer crescer florestas, reabilitar a disponibilidade de água e contribuir para a recuperação do solo para as gerações presentes e futuras.
Mais informações: aqui

segunda-feira, 22 de abril de 2024

22 de abril - Dia da Terra


A celebração do Dia da Terra é a reafirmação do compromisso das Reservas da Biosfera de Portugal em eleger o respeito pela natureza e o bem-estar de todos os seres vivos.
A esperança é que esta celebração inspire as comunidades a juntarem-se a este esforço global para cuidar do nosso planeta.
Conheça aqui as Reservas da Biosfera 

quinta-feira, 28 de março de 2024

O contributo tecnológico que uma árvore pode ter para o planeta


Parece um processo altamente tecnológico, mas apenas envolve… plantas. As espécies vegetais absorvem e retêm carbono conforme o seu tamanho, fase de crescimento e ciclo de vida. É através da fotossíntese que plantas, como árvores, absorvem CO2 e emitem oxigénio. A existência de florestas – naturais ou bem geridas – contribui por isso para o arrefecimento de áreas urbanas, para o enriquecimento de áreas agrícolas e para sustentabilidade do planeta.

As mudanças climáticas estão na ordem do dia pelas piores razões: o aumento da temperatura e dos fenómenos climáticos extremos está a espalhar-se por todo o mundo.

No mês em que se comemorou o Dia Internacional das Florestas, a 21 de março, importa lembrar a importância das árvores no sequestro de CO2 e no armazenamento feito pelos produtos gerados a partir da madeira, caso seja essa a sua finalidade.

O relatório Emissions Gap Report 2023: Broken Record – Temperatures hit new highs, yet world fails to cut emissions (again) confirma que as temperaturas no mundo estão a aumentar relativamente aos níveis pré-industriais. E o papel das florestas é mais importante do que nunca. Estima-se, de acordo com o site florestas.pt, que o CO2 removido pela floresta à escala global tenha rondado os 15,6 mil milhões de toneladas (gigatoneladas ou Gt) de CO2 por ano, entre 2001 e 2019. À escala global, as florestas armazenam entre 662 e 861 gigatoneladas de carbono.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

O fascínio pelas plantas


Assim. Simples. Geometria matemática biológica. Adaptação. Relações bióticas. Por vezes as flores têm que ser rápidas na decisão de polinização. Como as dos desertos. As plantas com flor são especializadas. Umas são competitivas: pela luz, pelos nutrientes do solo. Vivazes, invasoras, cultivadas, endémicas, transgénicas. Isso são razões humanas. Raras são as parasitas. Algumas venenosas. De muitas delas extraímos fármacos e o seu perfume ou propriedades cosméticas compradas a peso de ouro. Elas não sabem. Nascem e florescem e procriam e morrem. Nada mais. Mas são belas. Se são!

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Caravana anti-mineração percorreu as estradas do Barroso


Vários carros inundaram as estradas da região do Barroso, pedindo a suspensão e rescisão de todos os contratos de exploração mineira duvidosos, assinados nos últimos anos na região do Barroso.
A caravana anti-mineração passou em quatro aldeias ameaçadas por diferentes projetos. Partindo às 13h da Junta de Freguesia de Morgade, a caravana rumou até à Borralha, passando por Dornelas, e terminando em Covas do Barroso.
Às 15h30, ao chegar a Covas do Barroso, os diferentes movimentos e associações locais realizaram uma conferência de imprensa. Esta caravana é uma iniciativa conjunta de 8 associações locais e nacionais – a Associação Povo e Natureza do Barroso (PNB); a Associação Unidos pela Natureza; a Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB); a Associação Bio-N; o Movimento Não às Minas - Montalegre; o Espaço A SACHOLA; a Rede Minas Não; e a Iris – Associação Nacional de Ambiente.
Com esta caravana, os movimentos e associações querem denunciar o avanço forçado destes projetos. 

Nas últimas semanas, temos assistido à entrada de máquinas em terrenos baldios em Covas do Barroso e em terrenos do Alto das Forcadas, na Borralha. Apesar do pedido de demissão do primeiro-ministro estar relacionado com os negócios do lítio, as empresas, com a conivência do Estado, têm tentado, à força, entrar nos terrenos.

As populações querem demonstrar a sua união e força perante esta ameaça aos seus territórios, mostrando às empresas mineiras, ao governo demissionário e ao que virá que a oposição contra as minas não baixará os braços.

A concentração terminou com discursos de vários intervenientes no Largo do Cruzeiro, em Covas do Barroso, entre as 15h30 e as 17h00.

segunda-feira, 15 de maio de 2023

Ramina e Somba: dois linces-ibéricos que convivem perto de humanos na mina de Neves-Corvo


Ramina e Somba: dois linces-ibéricos que convivem perto de humanos na mina de Neves-Corvo
O lince-ibérico Ramina nasceu em liberdade e estabeleceu o seu território perto da mina devido à alta densidade de coelho-bravo na região e pela coexistência pacífica com os trabalhadores.
ções.

No dia 3 de Maio, foi publicado um vídeo no Facebook em que se vê um lince-ibérico a caminhar tranquilamente entre carros na mina de Neves-Corvo, em Castro Verde. Ouve-se a voz surpreendida de quem grava, com a proximidade daquele animal numa zona com tantas marcas da presença humana. E porque estava ali aquele lince? É normal circular tão perto dos humanos? Nos comentários desenrolaram-se preocupações de que estaria com fome ou doente, mas, segundo o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), este tipo de aproximação não é incomum.

O lince-ibérico das imagens é Ramina, uma fêmea que nasceu em 2020, em liberdade, a cerca de sete quilómetros da mina, refere o ICNF ao Azul. Em 2021, “esta fêmea estabeleceu o seu território no perímetro da mina”, devido à alta densidade de coelho-bravo na região (uma das presas preferidas do lince-ibérico). Desde essa altura que o ICFN, “com a colaboração dos funcionários do complexo mineiro”, diz que tem estado a acompanhar a situação.

No entanto, a Liga de Protecção da Natureza (LPN) ressalva que, “apesar de ser uma ‘historia bonita’”, é preciso alertar que esta não é a situação ideal ou a mais vantajosa para a espécie.

Este ano, Somba, um jovem macho nascido em 2021 a cerca de 13 quilómetros da mina, juntou-se a Ramina. “Os dois linces apresentam boa condição física e aparentemente estão bem adaptados ao local, exibindo uma grande tolerância à presença humana”, garante o ICNF.

O motivo que levou estes dois animais a juntarem-se e aproximarem-se de uma zona com presença e actividade humana será “a elevada abundância de coelho-bravo, a principal presa do lince-ibérico” sugere a LPN. Para motivar a presença do lince-ibérico, é necessário um conjunto de condições essenciais, acrescenta a LPN, onde, além da presença do alimento, se destaca “a estrutura do habitat e a ausência de perturbação”.

Um exemplo: no Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico, em Silves, o contacto dos linces com humanos é quase nulo para aumentar a sua taxa de sobrevivência. Os linces-ibéricos estiveram quase extintos nos anos 2000, mas um programa de recuperação conseguiu que os linces fossem aumentando de ano para ano. Os linces estiveram perto da extinção em grande parte por causa da caça por humanos (e atropelamentos), mas também por causa do declínio das populações de coelho-bravo.

Neste caso, “como, aliado a uma elevada abundância de coelho, temos uma coexistência pacífica com os trabalhadores da actividade (extractiva) daquele espaço”, indica a LPN, o factor de perturbação parece não ser um problema para Ramina e Somba.

“Não é a situação ideal para a espécie”
Apesar de parecer atractivo um local recheado de alimento e sem “chatices” com as populações, esta situação “não é a ideal ou a mais vantajosa para a espécie”, alerta a Liga para a Protecção da Natureza. “O lince-ibérico é uma espécie silvestre, vulnerável a um alargado conjunto de ameaças de origem não-natural, de onde destacamos o atropelamento, e de origem natural, como doenças infecciosas, muitas delas transmitidas por espécies domésticas, como é o caso da leucemia felina que também afecta os gatos.”

Por isso, esta proximidade pode ser um risco para a espécie, que, em Portugal, “continua com um elevado estatuto de ameaça (Em Perigo) e reduzida a um total de pouco mais de duas centenas de exemplares na Natureza”, avisa a organização não-governamental. Apesar disso, salientam que esta história ajuda a ilustrar o papel do lince-ibérico “na manutenção de populações saudáveis de coelho-bravo, que ali continuam a existir, e a demonstrar a possibilidade da coexistência do ser humano com este importante superpredador da fauna ibérica”.

A Liga de Protecção da Natureza elogia a população de Castro Verde “pela sua interacção e protecção deste emblemático símbolo da biodiversidade ibérica no seu concelho, classificado como Reserva da Biosfera da UNESCO e parte integrante da Rede Natura 2000”.

segunda-feira, 8 de maio de 2023

97º Aniversário de David Attenborough

Here's how you can  #ActNow and join him in protecting our planet 

Aos 97 anos, o naturalista britânico David Attenborough tem consciência de que a luta pela sobrevivência do nosso planeta está fora das suas mãos. Depois de uma carreira extremamente bem sucedida a ser a cara e a voz de inúmeros programas de televisão sobre História natural, e uma participação ativa em campanhas e projetos que apoiam a causa ambiental, poderia cruzar os braços e delegar essa responsabilidade às novas gerações, sabendo que deixou a sua marca neste planeta. No entanto, David não está ainda preparado para desistir dessa luta.Parabéns, David Attenborough!

David Attenborough em 1956, numa das suas primeiras expedições.

Happy birthday, David Attenborough!
The name is synonymy of greatest educator, journalist, naturalist I always admired and respected since my earliest years as Portuguese scholar. Thank you for your wonderful journey as mentor and thank you for your tireless commitment to #ClimateAction.
David Attenborough again thank you so much!

segunda-feira, 24 de abril de 2023

Petição: Fim das armadilhas para captura de espécies de fauna selvagem


Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República,

Todos os abaixo signatários vêm solicitar a proibição de captura de espécies de fauna selvagem com recurso a qualquer tipo de armadilha e regulamentação que garanta critérios claros e estritos para atribuição de licenças temporárias e excecionais, bem como respetivos mecanismos de controlo, reforçando por essa via a efetiva excecionalidade da sua utilização inscrita de forma genérica na atual lei nacional e diretivas europeias.

A diretiva 92/43/CEE relativa à preservação dos habitats naturais e da fauna e da flora selvagens estabelece a proibição do uso de armadilhas não seletivas nos seus princípios ou condições de utilização de métodos e meios de captura e abate.
De acordo com este princípio o Decreto de Lei (DL) n.º 38/2021, de 31 de Maio, que regulamenta a aplicação da convenção da vida selvagem e dos habitats naturais na Europa, proíbe a captura ou abate de espécimes listadas pelas Convenções de Berna e de Bona com recurso a armadilhas não seletivas, salvo licenciamento excecional a emitir pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF I.P.), obedecendo-se critérios cumulativos de falta de alternativa satisfatória, não prejudicar a manutenção das populações da espécie em causa e o ato ou atividade em causa vise atingir uma das finalidades admissíveis, entre as quais garantir a saúde e a segurança públicas, proteger a flora e a fauna selvagens, evitar graves prejuízos, nomeadamente às culturas, à criação de gado, à apicultura, às florestas, às zonas de pesca e às águas e outras formas de propriedade.

1. A lei da caça de 1967 inscrevia a proibição de “caçar com redes, ratoeiras, laços ou armadilhas de qualquer espécie”. A atual Lei de Bases Gerais da Caça, apesar não incluir a armadilha como possível meio de caça, é omissa relativamente à sua proibição.

2. O DL 38/2021 não descreve nem mensura os critérios para atribuição de licenças excecionais relativamente às referidas “alternativas satisfatórias”, possíveis impactos para “saúde e segurança pública” e “graves prejuízos, nomeadamente às culturas, à criação de gado, à apicultura, às florestas”.

3. É do conhecimento público a atribuição de licenças para efeitos de "correção de densidades populacionais" de espécies cinegéticas sem que seja garantido e atestado qualquer dos atuais critérios genéricos mencionados em lei.

Tendo em conta os ratificados princípios gerais de bem-estar e segurança animal, os signatários desta petição vêm assim requerer legislação que alargue a proibição de captura com recurso a armadilhas a todas as espécies de fauna selvagem e regulamente a atribuição excecional de licenças para controlo de espécies exóticas invasoras com comprovados impactos nos ecossistemas locais, que garanta o mínimo de dor e sofrimento dos animais capturados, estabeleça meios e métodos de abate, encaminhamento das carcaças, locais de colocação de armadilhas e identificação dos responsáveis por verificação e manuseamento da armadilha e animais capturados.