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domingo, 2 de agosto de 2026

Cientistas descobrem DNA misterioso: dois antepassados desconhecidos no genoma humano

A calote craniana encontrada no vale de Salkhit, no leste da Mongólia, pertenceu a uma mulher que viveu há cerca de 34.000 anos. Institut für Archäologie, Mongolische Akademie der Wissenschaften

Investigadores da conceituada University of California, em Berkeley, fizeram uma descoberta impressionante: identificaram segmentos de ADN no genoma dos humanos atuais, que provêm de antepassados até agora desconhecidos. Os cientistas falam de “antepassados fantasma”, porque destas populações humanas extintas nada se sabe por enquanto.

Hoje, o Homo sapiens é a única espécie humana ainda existente. No passado distante, porém, partilhava o planeta com numerosas outras linhagens de hominídeos.

Estudos anteriores já tinham mostrado que os humanos modernos se cruzaram com neandertais e com os chamados humanos de Denisova, gerando descendentes comuns. Muitos indivíduos conservam ainda hoje, no seu genoma, vestígios genéticos desses encontros. Agora, um novo estudo sugere que terão existido pelo menos mais dois grupos humanos desconhecidos, que também transmitiram ADN aos nossos antepassados.

Um destes antepassados até agora desconhecidos cruzou-se há mais de 50.000 anos, em África, com os antepassados dos humanos modernos, antes da última grande vaga migratória de Homo sapiens para a Europa e a Ásia. Os genes herdados nessa altura representam hoje cerca de 1% do genoma de todas as pessoas – aproximadamente a mesma proporção da componente neandertal do ADN.

Segundo os cálculos dos investigadores, esta enigmática linhagem humana terá divergido da linha evolutiva que conduziu ao humano moderno há cerca de 800.000 anos – aproximadamente na mesma altura em que também neandertais e humanos de Denisova se separaram entre si.

“Estudos anteriores já tinham sugerido a existência de uma chamada descendência fantasma – ou seja, vestígios genéticos de linhagens humanas desconhecidas e extintas no genoma dos humanos modernos”, explica a doutoranda de Berkeley Yulin Zhang, uma das primeiras autoras do estudo. “Até agora, porém, não se sabia se essa descendência desconhecida ocorria apenas em africanos, nem quando terá acontecido essa mistura. Conseguimos agora identificar e cartografar os segmentos de ADN correspondentes no genoma de humanos modernos e demonstrar que esta descendência fantasma está presente em todas as populações atuais – não apenas em africanos.”

Linha temporal: 1,8 milhões de anos
Ainda mais enigmático é o segundo antepassado, que os investigadores descrevem como “super-arcaico”. A sua linhagem humana ter-se-á separado das restantes há cerca de 1,8 milhões de anos. Há mais de 200.000 anos, terá provavelmente cruzado, na Eurásia, com os humanos de Denisova – e foi por essa via indireta que fragmentos desse ADN ancestral acabaram por entrar no genoma do humano moderno.

“O registo deste antepassado super-arcaico é particularmente intrigante, porque revela contribuições genéticas de uma linhagem humana que viveu há mais de um milhão de anos – apesar de, até agora, não existir qualquer ADN desta população decifrado”, afirmou Arjun Biddanda, pós-doutorando na Johns Hopkins University e um dos primeiros autores do estudo.

“Graças ao ADN antigo de neandertais e de humanos de Denisova, bem como a novos métodos genealógicos, estamos a perceber cada vez melhor que, ao longo da evolução, as populações humanas se misturaram repetidamente”, afirmou Priya Moorjani, professora de Biologia Molecular e Celular na University of California, em Berkeley. “A evolução humana assemelha-se, por isso, menos a uma árvore genealógica ramificada e mais a uma rede complexa, em que diferentes populações ficaram ligadas entre si através de sucessivas migrações e misturas.”

Diferença entre ADN neandertal e de Denisova
Atualmente, a maioria das pessoas fora de África possui cerca de 1% a 2% de ADN neandertal no seu genoma. Em média, entre 1% e 2% do genoma de europeus e asiáticos atuais provém de neandertais. Esse é o resultado de cruzamentos entre neandertais e primeiros humanos modernos há cerca de 50.000 a 60.000 anos, pouco depois de Homo sapiens ter saído de África.

Os segmentos de ADN herdados continuam a influenciar os humanos atuais. Algumas variantes estão associadas à resposta imunitária, às características da pele e do cabelo ou à adaptação a condições ambientais. Outras aumentam o risco de determinadas doenças ou influenciam a reação a infeções.

Grupos populacionais na Ásia e na Oceânia têm, além do ADN neandertal, componentes genéticas dos humanos de Denisova. Restos de humanos de Denisova com ADN sequenciado foram sobretudo identificados na região da Eurásia:

Há cerca de seis anos, o estudo do genoma do mais antigo fóssil humano até agora descoberto na Mongólia permitiu novos avanços no conhecimento da história antiga da nossa espécie. Investigadores do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, e da Academia de Ciências da Mongólia mostraram que, nos restos com cerca de 34.000 anos de uma mulher, cerca de 25% do ADN tinha origem em antepassados da Eurásia ocidental. Além disso, a equipa encontrou no genoma dessa mulher – tal como no de um humano com cerca de 40.000 anos da China – traços de ADN de Denisova, a forma humana extinta que viveu na Ásia antes de ali chegarem os humanos modernos.

É igualmente significativo que neandertais e humanos de Denisova também se tenham cruzado entre si. Sabe-se, a partir de um fóssil da gruta de Denisova, na cordilheira de Altai, no sul da Sibéria, perto das fronteiras com o Cazaquistão, a Mongólia e a China, que se tratava de uma mulher com mãe neandertal e pai de Denisova – uma prova direta de que ambas as formas humanas tiveram descendência comum.

Quem eram exatamente este “antepassado fantasma” e o “antepassado super-arcaico” continua por esclarecer. Os momentos de divergência calculados ajustam-se, contudo, a formas humanas já conhecidas: os antepassados fantasma poderão ter pertencido a grupos de Homo do Médio Pleistocénico que viveram em África há cerca de 800.000 anos. O antepassado super-arcaico poderá ter sido idêntico, ou estreitamente aparentado, a Homo erectus, espécie que colonizou a Eurásia há cerca de 1,8 milhões de anos.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Nove em cada dez europeus ponderam emigrar: estes são os destinos preferidos

Como já tinha referido aqui, há uma mudança global nos passaportes e destinos.

Quase metade das pessoas que vivem em França, Alemanha, Itália e no Reino Unido espera vir a viver noutro país algures no futuro, revela um novo inquérito.

Realizado para a seguradora digital Feather, o estudo mostra que a crise do custo de vida é o principal motivo que leva as pessoas a ponderar uma vida no estrangeiro, apontado por 53% dos britânicos, 48% dos franceses, 43% dos alemães e 32% dos italianos.

Apenas um em cada dez europeus em cada um dos mercados analisados – com 500 adultos inquiridos em cada país – afirmou que, em caso algum, se mudaria para o estrangeiro.

Embora o destino preferido varie de país para país, Espanha surge como a escolha destacada.

Tanto britânicos como italianos identificam Espanha como a opção de eleição, com 24% e 20% a indicar o país, respetivamente, enquanto este ocupa o segundo lugar em França e Itália, com 16% e 12% a sugeri-lo como principal opção.

No caso de França, o destino número um é o Canadá, mencionado por 17% como um lugar onde gostariam de viver no futuro, à frente de Itália, assinalada por 14% dos inquiridos.

Os alemães não parecem querer afastar-se muito de casa: 17% escolhem a Áustria, seguida de Espanha e Suíça, ambas com 12%.

Já os britânicos mostram-se bastante disponíveis para mudar para destinos longínquos, com 19% a escolher a Austrália, 15% o Canadá e 10% a Nova Zelândia.

Embora o Dubai seja frequentemente referido como um dos principais destinos para expatriados, apenas 3% dos britânicos disseram estar a ponderar essa opção. Ainda assim, o inquérito foi realizado no final de junho, pelo que as respostas terão sido inevitavelmente influenciadas pelos ataques do Irão contra os Emirados Árabes Unidos nos últimos meses.

Ascensão dos ‘semi-pats’
Ao analisar o futuro dos expatriados, a Feather falou também com a especialista em viagens Holly Rubenstein.

A autora do podcast “The Travel Diaries” nota que a versão tradicional da vida de expatriado, em que se escolhe um único país e aí se constrói toda a vida, está a perder terreno.

“A versão que está a emergir é muito mais flexível: passar seis meses num lugar, trabalhar remotamente, experimentar um estilo de vida e criar ligações em vários sítios”, sublinha.

“A geração Alpha vai crescer com a ligação remota como norma. Para estas pessoas, carreira, amizades e identidade já não terão de estar concentradas num único lugar.”

sábado, 11 de julho de 2026

Por detrás da sua imagem amiga do ambiente, a IKEA - o maior consumidor de madeira do mundo - esconde práticas bastante pouco escrupulosas


O documentário "IKEA, o Caçador de Árvores" (originalmente IKEA, le seigneur des forêts ou How IKEA Plunders the Planet, 2024 ), realizado por Xavier Deleu e Marianne Kerfriden com base numa investigação jornalística de Alexander Abdelilah e Robert Schmidt, expõe o contraste dramático entre a imagem pública ecológica do gigante sueco do mobiliário e o impacto ambiental real da sua cadeia global de abastecimento de madeira. Consumindo cerca de 20 milhões de metros cúbicos de madeira por ano - o equivalente ao abate de uma árvore a cada um ou dois segundos -, a multinacional transformou-se num predador florestal global, cuja procura implacável por matéria-prima barata impulsiona crimes ambientais e a destruição de ecossistemas preciosos em múltiplos continentes.

A investigação percorre vários países, revelando que a exploração intensiva começa na própria Suécia. Ali, ativistas locais e representantes do povo indígena Sámi denunciam a prática sistemática de cortes rasos (abates totais de parcelas florestais) nas últimas florestas boreais antigas. Estas áreas ricas em biodiversidade são sistematicamente substituídas por monoculturas industriais de árvores alinhadas que funcionam como autênticos "desertos verdes", destruindo os líquenes de que as renas locais dependem para sobreviver e alterando permanentemente a paisagem escandinava.

O cenário agrava-se na Roménia e na Ucrânia, onde o documentário acompanha o rasto da madeira que alimenta as fábricas de fornecedores da IKEA. Na cordilheira dos Cárpatos romenos, lar de algumas das últimas florestas virgens da Europa, ativistas de organizações não-governamentais como a Agent Green expõem o abate ilegal e abusivo dentro de parques nacionais e áreas teoricamente protegidas pela rede Natura 2000. Cientistas e investigadores demonstram como o sistema de rastreabilidade é contornado através do branqueamento de madeira, misturando troncos extraídos ilegalmente com lotes autorizados. O impacto estende-se à Ucrânia, onde investigações anteriores já tinham sinalizado a entrada de madeira extraída de forma irregular nas cadeias de produção de produtos icónicos da marca.

A nível global, a reportagem viaja até à Rússia (região da Sibéria), expondo ligações a fornecedores locais envolvidos no desflorestamento de florestas protegidas de Taiga antes das restrições geopolíticas, e até à Nova Zelândia. Neste último país, o documentário foca-se nas consequências catastróficas das plantações intensivas de pinheiros exóticos que substituíram a vegetação nativa. Quando ocorrem tempestades violentas, os resíduos de madeira deixados pelas empresas de exploração florestal nas encostas deslizam em massa, gerando violentas enxurradas de detritos que destroem rios, praias e infraestruturas, afetando diretamente as comunidades locais e as terras ancestrais do povo Māori, que lamentam a perda da harmonia ecológica original. Representantes do povo Māori declararam na ONU que tal prática corporativa representa uma nova forma de colonização, retirando poder às comunidades nativas em favor do lucro estrangeiro e degradando a ligação sagrada que mantêm com a terra (Papatūānuku).

Um dos pontos centrais da crítica do documentário foca-se no papel do FSC (Forest Stewardship Council). Criado originalmente na década de 1990 com o apoio de organizações de prestígio como a WWF e a Friends of the Earth para garantir uma gestão florestal sustentável, o selo verde é apontado pelos realizadores e por antigos fundadores como tendo sido instrumentalizado. O FSC acabou por se transformar num escudo de greenwashing (lavagem verde) para as grandes corporações. Ao certificar áreas onde se praticam cortes rasos ou onde a madeira provém de origens controversas, o sistema falha em proteger as florestas que restam no planeta, permitindo que o consumidor compre mobiliário de massa sob uma falsa premissa de sustentabilidade.

Em janeiro de 2024, o documentário IKEA Loves Wood (IKEA elsker træ) já denunciava más práticas na Roménia.

Dinheiro a circular por paraísos fiscais e fundações suspeitas, graças à IKEA
Este artigo do portal de jornalismo independente Basta! esmiuça um relatório da organização Attac Alemanha sobre o intrincado labirinto financeiro que a IKEA utiliza para praticar a otimização fiscal em larga escala e minimizar as suas obrigações tributárias. A investigação desconstrói a imagem pública puramente filantrópica da empresa, demonstrando como as receitas geradas nas lojas físicas são canalizadas por uma complexa rede de holdings e fundações que se estende por várias jurisdições. 

No cerne desta estrutura está uma rede de fundações ostensivamente sem fins lucrativos, desenhada para fragmentar a propriedade legal e blindar o capital contra a tributação. Na Holanda, a fundação Stichting Ingka fica no topo da pirâmide como proprietária do Ingka Group, que opera a maioria das lojas globais. Pelo facto de o fisco holandês a reconhecer como uma entidade de caridade, os seus vastos rendimentos de investimentos e ativos líquidos desfrutam de massivas isenções fiscais. Além disso, a legislação holandesa protege este arranjo ao não exigir que a fundação publique relatórios financeiros anuais. 

Enquanto isso, o conceito da marca em si é controlado por outro braço através da Fundação Interogo, localizada no paraíso fiscal de Liechtenstein. Uma investigação da televisão sueca revelou que esta única entidade permitiu ao fundador da empresa, Ingvar Kamprad, evitar o pagamento de algo entre 2,3 e 3,2 mil milhões de euros em impostos ao longo de um período de vinte anos. 

Um terceiro grande tentáculo corporativo, o Ikano Group, está sediado em Luxemburgo e pertence aos três filhos de Kamprad. Esse braço supervisiona a gestão financeira, serviços bancários, imobiliários e de seguros, utilizando subsidiárias adicionais ocultas em paraísos fiscais como a Suíça e a ilha de Curaçao, nas Antilhas Holandesas. 

Ao movimentar continuamente dinheiro entre a Holanda, Luxemburgo, Liechtenstein e Curaçao, a multinacional sueca paga taxas efetivas de imposto muito abaixo das médias corporativas europeias padrão. A empresa de retalho controladora historicamente enfrentou uma taxa efetiva de imposto sobre o rendimento de apenas 17,8%, enquanto o Inter IKEA Group, detentor da marca, pagou no máximo 11,6%. 

O sigilo que envolve estes arranjos é uma escolha deliberada. Quando a comissão de informação da Assembleia Nacional Francesa intimou grandes multinacionais a depor sobre otimização fiscal corporativa, a IKEA recusou-se categoricamente a participar, oferecendo a desculpa de que, infelizmente, carecia de conhecimento técnico num campo tão complexo, uma justificativa que os parlamentares rotularam como altamente improvável e perturbadora para uma organização do seu porte. 
O artigo, em última análise, destaca uma contradição gritante entre as mensagens corporativas e as práticas financeiras, observando que, embora a IKEA Foundation proclame publicamente uma dedicação ao bem-estar das crianças, a corporação como um todo minimiza agressivamente as próprias receitas fiscais necessárias para financiar os sistemas públicos de educação e saúde nas comunidades onde opera.

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Quando a IKEA lançou um outdoor fascista

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Lorde - Team


Tanto a letra como o teledisco de "Team", da cantora Lorde, funcionam como um manifesto de resistência juvenil que rejeita os clichés do consumismo e celebra a resiliência das comunidades que vivem à margem do sistema. Na letra, a artista critica a ostentação e as falsas promessas de felicidade vendidas pela televisão, afirmando com orgulho que a maioria dos jovens vive em realidades invisíveis para a grande comunicação social através do icónico verso "vivemos em cidades que nunca verás no ecrã". Ao mesmo tempo, recusa a alienação das músicas festivas tradicionais ao cantar que já não tem paciência para que lhe digam para atirar as mãos para o ar, assumindo o peso do amadurecimento e a necessidade de procurar um propósito mais profundo. O refrão centraliza tudo na lealdade e na entreajuda, garantindo que, mesmo quando a realidade não é perfeita ou se vive nas ruínas de um palácio de sonhos, aquele grupo sabe exatamente como organizar-se, gerir a sua subsistência e comandar as coisas porque jogam todos na mesma equipa.

Fontes
The efeect of eco-anxiety on pro-environmental behaviors and mental well-being: a parallel mediation model
The effect of eco-anxiety on pro-environmental behaviors and mental well-being: a parallel mediation model

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Mild Orange - This Kinda Day

Keep moving
To the out-lies
Of your head

Like an ocean
So often
In change

Yeah it's this kinda day
For a long kinda night
Yeah it's this kinda day
For a long kinda night

Let it getaway
Let's get away

'Cause I can tell there's something wrong
Usually it's not like this
All these things inside of our heads
Are okay - this moment too
Will all make sense someday

Keep your eye on
The horizon
Always

'Cause I can tell there's something wrong
And usually it's not like this
All these things inside of our heads
Are okay - this moment too
Will all pass someday
It's not like you're always like this
Remember how it felt moving forward
But for now - this moment too
Will all make sense someday

Yeah it's this kinda day
For a long kinda night
Yeah it's this kinda day
For a long kinda night

Let it getaway
Let's get away

'Cause I can tell there's something wrong
And usually it's not like this
All these things inside of our heads
Are okay - this moment too
Will all pass someday
It's not like you're always like this
Remember how it felt moving forward
But for now - this moment too
Will all make sense someday
It's not like you're always like this
Remember how it felt moving forward
But for now - this moment too
Will all make sense someday

Significado
Com uma letra minimalista e repetitiva, a canção aborda a importância da pausa, da autorreflexão e da gratidão. O eu lírico descreve o ato de deitar-se ao sol e refletir sobre as próprias ações passadas, concluindo que a paz daquele dia específico desperta uma vontade incontrolável de dizer "eu te amo". Longe de ser apenas uma declaração romântica tradicional, o refrão funciona como uma expressão de amor à vida, ao momento presente e à sensação de contentamento puro.

O videoclipe da música, dirigido por Simon Oliver e pelo vocalista Josh Mehrtens, aprofunda esse conceito ao explorar visualmente o contraste entre a monotonia do isolamento urbano e a libertação proporcionada pela natureza e pelos laços comunitários. Filmado com uma estética analógica e vintage que evoca nostalgia, o vídeo acompanha jovens que deixam suas rotinas solitárias e fechadas para se moverem em direção às paisagens naturais da Nova Zelândia, como praias e colinas verdes. O foco em elementos sensoriais, como a luz do sol e o vento, culmina na reunião desse grupo de amigos na praia. Assim, o videoclipe transforma a faixa num manifesto sobre saúde mental e desaceleração, sugerindo que a cura para os dias pesados está na reconexão com o mundo natural e na celebração das conexões humanas simples e genuínas.


"Estivemos recentemente em confinamento na Nova Zelândia e o tempo estava deslumbrante, por isso montámos o nosso estúdio no jardim e gravámos esta pequena sessão ao vivo enquanto convivíamos com os pássaros, as borboletas e... os dinossauros. A vida selvagem na Nova Zelândia é simplesmente excecional. Aproveitem"

sexta-feira, 8 de maio de 2026

David Attenborough faz 100 anos: O maior aliado da Natureza ainda tem fé no Homem


Sir David Attenborough celebra esta sext-feira o 100.º aniversário e dispensa apresentações. A paixão e o entusiasmo com que deu a conhecer, ao longo das últimas sete décadas, o complexo e mágico mundo selvagem educou, entreteve e inspirou milhões de pessoas em todo o Mundo. Antes de alertar para questões ecológicas, ele ensinou-nos a amar cada espécie, mesmo as mais estranhas e perigosas.

David Frederick Attenborough nasceu a 8 de maio de 1926 em Isleworth, Londres, mas passou a infância em Leicester. Fascinado por fósseis, estudou Geologia e Zoologia. Em 1952 tornou-se estagiário na BBC e dois anos depois apresentava ‘Zoo Quest’ - apesar de acharem que os seus dentes eram “demasiado grandes” -, que combinava cenas de estúdio com imagens reais da vida selvagem, algo inédito até então. Imerso nos ambientes que visita, foi pioneiro em técnicas de filmagem e nunca hesitou em ultrapassar os limites para captar a essência dos 94 países que explorou, o que lhe permitiu viver experiências marcantes com alguns dos animais mais raros do planeta, como os gorilas da montanha no Ruanda. Na sua vida, apenas se arrepende de não ter sido um pai mais presente para Susan e Robert, frutos da sua relação com Jane Oriel, com quem casou em 1950. Esta viria a morrer em 1997, quando o britânico estava a filmar ‘The Life of Birds’, na Nova Zelândia. “Em momentos de luto - luto profundo - o único consolo que podemos encontrar é no mundo natural.”

Atualmente, Attenborough reduziu o ritmo das viagens, mas continua a trabalhar em estúdio: “No dia em que deixar de conseguir subir e descer as escadas é o dia em que paro.” O seu foco é agora na conservação do mundo natural: “É a maior fonte de tanta coisa na vida que a torna digna de ser vivida. Talvez um dia possa ser visto como alguém que documentou o início de uma nova relação entre a humanidade e a natureza.”

O centenário do naturalista é hoje assinalado com um evento no Royal Albert Hall, em Londres, e com o lançamento do documentário ‘Life on Earth: Attenborough’s Greatest Adventure’, da BBC.

Saber mais

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Maioria dos homens não é tóxico, aponta estudo da Universidade de Auckland


Levantamento internacional aponta baixos níveis de traços problemáticos na maior parte dos participantes. No entanto, especialistas apontam que realidade do Brasil é diferente e é preciso cautela.

A maioria dos homens é tóxica?
A maioria dos homens é realmente "tóxica"? Um estudo da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, com mais de 15 mil participantes, diz que não. A pesquisa revelou que 89,2% dos homens apresentam níveis baixos ou moderados de traços problemáticos.

O termo “homem tóxico” se popularizou e se tornou parte do vocabulário popular. Nas redes sociais, milhares de vídeos com essa tag trazem conteúdos que explicam sinais que podem indicar que um homem tem uma inclinação a ser machista, misógino ou violento.
A ciência já vinha tentando entender o que é o homem tóxico, e uma pesquisa apontou uma checklist que poderia colocar ou retirar homens dessa “categoria”. Agora, pesquisadores entrevistaram mais de 15 mil homens para entender: a maioria é ou não é tóxica?

Diferente do que muitos poderiam imaginar, a pesquisa aponta que não. Na verdade, a maioria dos homens entrevistados estava fora dessa categoria.

A pesquisa vem sendo replicada nas redes sociais, mas o que especialistas ouvidos pelo g1 explicam é que os dados são importantes, mas é preciso levar em consideração o abismo social entre a Nova Zelândia, onde o estudo foi feito, e o Brasil.

Aqui, o país vem batendo recordes de violência contra a mulher, e a maioria dos homens acha que há muita cobrança sobre eles para a igualdade entre os gêneros.

Homens não são tóxicos?
A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, analisou diferentes dimensões de atitudes associadas à masculinidade — incluindo agressividade, controle emocional, visões sobre mulheres e normas de gênero. A partir disso, os participantes foram divididos em cinco perfis.

O que eles descobriram:
O perfil “atóxico”, que não tem nenhum traço tóxico, representava o maior grupo. Cerca de 35% dos homens da pesquisa estavam nele e apresentavam os menores níveis de comportamentos considerados problemáticos.
O grupo mais extremo, denominado “tóxico hostil”, teve os menores índices, representando apenas 3,2% dos entrevistados.

Para identificar o grupo mais problemático, os pesquisadores analisaram respostas ligadas a oito indicadores. Os homens classificados como “hostis” se destacaram por combinar pontuações altas em temas como:
  1. crença de que mulheres buscam controlar os homens;
  2. valorização da agressividade e da dominação;
  3. dificuldade extrema de expressar vulnerabilidade;
  4. rejeição a traços considerados femininos e maior preconceito;
  5. tendência a comportamentos de controle em relações íntimas;
  6. baixa capacidade de lidar com emoções.
“Dizer que homens são tóxicos é uma forma solta de avaliar o momento que estamos vivendo. Se queremos uma mudança de comportamento, não tenho certeza se usar o termo como se usa, de forma ampla, como um rótulo para os homens, seja útil”, explica Deborah Hill Cone, autora do estudo.

Entre os dois extremos encontrados na pesquisa, ficaram perfis considerados intermediários, com homens que podem apresentar algum nível de sexismo ou visões tradicionais de gênero, mas sem traços de hostilidade ou agressividade elevada.

Foram eles:
  1. Moderados Tolerantes a LGBT (27,2%): Níveis baixos a moderados de traços tradicionais, mas com alta aceitação da diversidade.
  2. Moderados Anti-LGBT (26,6%): Perfil semelhante ao anterior, porém com maior preconceito sexual. Ainda assim, com poucos traços de agressividade relacionada.
  3. Tóxicos Benevolentes (7,6%): Homens que apresentam um sexismo "paternalista", acreditando que as mulheres devem ser protegidas e se manter em papéis sociais restritos. Ainda assim, com pouco índice de agressividade.
Isso vale para o Brasil?
O que Hill e a pesquisadora brasileira sobre género e doutora em psicologia Ana Maria Bercht explicam é que não.

A ideia da pesquisa é ter um norte, mas é preciso entender que existe um abismo social entre o Brasil e a Nova Zelândia.

O país está nas primeiras posições de rankings mundiais de paridade de gênero, enquanto o Brasil segue na 70ª posição.

"impossível que esses dados sejam aplicados ao Brasil, que tem a violência contra mulheres vivida como uma epidemia. O resultado da Nova Zelândia reflete uma trajetória de políticas públicas que colocaram as mulheres em pé de igualdade com os homens no país. Hoje, lá, elas são vistas como pessoas individuais, e não como alguém que deve ser submissa a seus maridos." - Ana Maria Bercht, pesquisadora sobre género.

Hill, autora do estudo, reforça que a pesquisa traz uma análise importante sobre o quão distorcidas podem ser essas “etiquetas sociais” criadas, mas que isso precisa ser analisado levando em conta o cenário do país.

“Podem existir diferenças transculturais significativas se a pesquisa fosse replicada em outro contexto cultural, como o caso do Brasil”, diz.

E por que o cenário no Brasil é tão diferente?
Para os especialistas, essa é uma questão cultural, em que, no Brasil, a mulher ainda é vista como um anexo do homem, e não em sua individualidade.

Para Bercht, isso tem relação com mudanças sociais tardias: No Brasil, tem menos de 100 anos que a mulher tem o direito ao voto, a ser eleita e ao trabalho formal. Isso tudo só aconteceu no país nos anos 30. E foi só nos anos 70 que a mulher recebeu o direito de se divorciar.

Para que um homem entenda uma mulher como pessoa, ele precisa vê-la nos mesmos espaços que ele, com o mesmo poder de decisão, pautando as discussões. Isso demorou para nos ser permitido no Brasil e ainda está longe de ser equilibrado. As mulheres ainda ganham menos no mercado e não somos nem mesmo a metade dos que nos representam nas esferas de poder. - Ana Maria Bercht, pesquisadora sobre gênero.

É a partir desse histórico que a mulher é vista na sociedade. E, ainda que algumas dessas conquistas tenham quase 100 anos, dados recentes reforçam essa percepção de que o Brasil ainda caminha a passos lentos na igualdade de gênero.

Uma pesquisa feita pela Ipsos em parceria com o Instituto Global de Liderança Feminina do King's College London mostra que no país:
  1. 70% dos brasileiros sentem que está sendo exigido demais dos homens para apoiar a igualdade (a média global é de 46%).
  2. 21% concordam que a mulher deve obedecer ao marido.
  3. 16% dos homens acreditam que cuidar dos filhos torna o homem "menos masculino".
Para Hill e Bercht esse contexto que traduz a violência quase epidêmica que mulheres vem sofrendo no país e que ainda não afastam uma parcela importante dos homens de uma postura de violência e subordinação.

"Vivemos uma violência quase epidêmica contra mulheres. Ainda não somos vistas no país de forma individual e livres. Muitos homens brasileiros sequer entendem a violência como tal. Pesquisas recentes mostram que autores de violência doméstica, mesmo após serem condenados, justificam seus atos culpando a vítima ou o ciúme, demonstrando uma forte desresponsabilização masculina", explica Bercht.

A misoginia não passa batido nem mesmo nas redes sociais. Ela se reflete nas trends recentes, que trazem dicas de como homens devem tratar mulheres, com conteúdos misóginos que acumulam milhões de seguidores. Além da incitação à violência.

Recentemente, o Senado aprovou o projeto de lei que equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres. A votação na Casa foi unânime, mas o consenso encontrou resistência na Câmara dos Deputados, onde parlamentares da oposição fazem críticas e prometem trabalhar para barrar o avanço do projeto. Porém, até agora, o projeto não saiu do papel.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Vergonhoso. Itália visa Trump e recusa substituir Irão no Mundial


O Governo de Itália colocou, esta quinta-feira, totalmente de parte a possibilidade de a seleção nacional vir a substituir o Irão no Campeonato do Mundo, em resposta à proposta que Paolo Zampolli, enviado especial dos Estados Unidos da América e 'braço direito' de Donald Trump, fez chegar ao presidente da FIFA, Gianni Infantino.

"Em primeiro lugar, não é possível. Em segundo lugar, não é oportuno. Não sei o que é que vem primeiro, mas a qualificação decide-se em campo", atirou o ministro do Desporto, Andrea Abodi, em declarações reproduzidas pelo jornal transalpino Il Giornale. Uma posição que mereceu o apoio por parte do responsável pela pasta da Economia, Giancarlo Giorgetti.

"Considero isso uma coisa vergonhosa. Eu ficaria envergonhado", atirou o responsável político, à margem de um evento que teve lugar no Palácio do Quirinal, em Roma. Isto, depois de a squadra azzurra ter falhado (surpreendentemente) o apuramento para um Campeonato do Mundo pela terceira vez consecutiva.

A hipótese foi veiculada pelo próprio Paolo Zampolli, em conversa com o jornal Financial Times, horas antes: "Eu confirmo que sugeri a Trump e Infantino que a Itália substitua o Irão, no Mundial. Eu sou nativo de Itália, e seria um sonho ver os azzurri num torneio organizado pelos EUA. Com quatro títulos, eles têm o 'pedigree' para justificar a inclusão".

Seguiu-se, entretanto, uma notícia avançada pela estação televisiva britânica BBC Sport, dando conta de que o organismo que rege o futebol internacional não teria qualquer intenção de retirar o Irão do Mundial2026, apesar da guerra com os Estados Unidos da América, que se prolonga já há mais de dois meses.

Fatemeh Mohajerani, porta-voz do governo do Irão, garantiu, de resto, que o país está "totalmente preparado" para disputar o torneio, no qual se encontra integrado no Grupo G, juntamente com Nova Zelândia, Egito e Bélgica.

EUA queriam 'redimir-se' após troca de galhardetes com o Papa Leão XIV
A publicação original citava fontes próximas do processo, que garantem que esta proposta não passou de uma tentativa de Donald Trump de remendar as relações com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, na sequência do 'bate-boca' público entre ambos, por conta da posição do Papa Leão XIV sobre a guerra no Médio Oriente.

"Acho que ele não está a fazer um bom trabalho. Acho que ele gosta de criminalidade. Não gostamos de um Papa que diga que não há problema em ter armas nucleares", afirmou o líder máximo norte-americano, em abril, a propósito das intervenções públicas levadas a cabo pelo compatriota sobre este tema.

"Continuarei a manifestar-me abertamente contra a guerra, procurando promover a paz, o diálogo e as relações multilaterais entre os Estados, para encontrar soluções justas para os problemas. Há demasiadas pessoas a sofrer no mundo de hoje. Há demasiadas pessoas inocentes a ser mortas", respondeu este.

"Considero inaceitáveis as declarações do Presidente Trump a propósito do Santo Padre. O Papa é o chefe da Igreja Católica, e é correto e natural que peça a paz e condene todas as formas de guerra, interveio a transalpina, deixando Donald Trump "chocado": "Pensei que ela tinha coragem, enganei-me".

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terça-feira, 25 de novembro de 2025

Aldous Harding - Horizon


“Horizon”, de Aldous Harding (do álbum Party, 2017) , é geralmente interpretada como uma canção sobre o fim de uma relação e o momento difícil em que alguém decide pôr termo a algo importante. A letra transmite uma tensão calma, quase ritualística, como se a narradora estivesse a confrontar a outra pessoa com uma verdade inevitável. Quando Harding canta “I’m telling you it’s over”, sente-se uma mistura de firmeza e vulnerabilidade, típica da forma como ela aborda emoções profundas. A repetição de “Here is your princess / And here is the horizon” pode ser vista como a exposição honesta de quem ela realmente é, contrastada com o limite simbólico — o horizonte — que marca o futuro que já não será partilhado. O videoclipe reforça essa leitura, com Harding imóvel, expressiva e contida, transmitindo a luta interna entre dizer a verdade e lidar com as consequências. Como a artista evita explicar o significado das suas letras, a canção permanece aberta, funcionando menos como uma história concreta e mais como um momento emocional puro de despedida, clareza dolorosa e aceitação.

sábado, 5 de abril de 2025

Nem ilhas desabitadas fogem às tarifas de Trump. Um país “que ninguém conhece” é o mais afetado



“Nenhum lugar do mundo está isento” da vingança da nova administração dos EUA. Do arquipélago dos imortais às ilhas desabitadas da Austrália e Noruega: os pequenos territórios não escaparam ao “Dia da Libertação”.

Esta quarta-feira Donald Trump puniu os países que acusa de abusarem da bondade dos Estados Unidos e das suas políticas comerciais dos últimos anos, com novas tarifas “recíprocas” que afetam cerca de 185 locais por todo o mundo. E os “piores infratores” são os mais castigados, disse a Casa Branca.

Um dos grandes objetivos das tarifas, segundo Trump, é proteger os empregos americanos da concorrência estrangeira desleal, mas entre as regiões afetadas estão algumas onde há mais pinguins do que humanos.

É o exemplo das ilhas Heard e McDonald, territórios australianos no Oceano Índico mais conhecidos pelas suas populações de pinguins do que por qualquer atividade económica humana, uma vez que são ilhas totalmente desabitadas; ou Tokelau, perto da Nova Zelândia, onde vivem menos de 2.000 pessoas; ou Norfolk, no Pacífico Sul.

Falamos também das ilhas norueguesas de Svalbard, com apenas 3.000 pessoas, e de Jan Mayen, no Oceano Ártico, onde moram apenas 18 pessoas, todos trabalhadores temporários; ou o Território Britânico do Oceano Índico, que só tem uma base militar conjunta do Reino Unido… com os EUA.

Todos estes territórios serão atingidos pela tarifa mínima de 10%, confirma a Casa Branca ao Politico, porque estão sob a jurisdição da Austrália e Noruega, que estão sujeitos às novas tarifas.

“Não tenho a certeza de que a Ilha Norfolk seja um concorrente comercial da economia gigante dos Estados Unidos, mas isto só mostra que nenhum lugar do mundo está isento” das tarifas, desabafou o primeiro-ministro australiano Anthony Albanese.

Nesta novela, o país mais afetado pelas tarifas é um de que “nunca ninguém ouviu falar”, como descreveu o próprio Trump no seu primeiro discurso ao Congresso dos EUA, em que prometeu cortar a ajuda ao Lesoto. O pequeno país africano conhecido como o “Reino no Céu” foi atingido por uma tarifa de 50%, devido às suas próprias políticas tarifárias de 99%.

As tarifas entram em vigor este sábado, 5 de abril. A União Europeia rapidamente começou a prometer uma resposta às tarifas de 20% aplicadas pela administração Trump.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Não há como ir ao IKEA para destruir florestas


Durante dois anos, a Disclose investigou o ogre sueco e o seu sistema de predação de madeira em todo o mundo. Apesar dos seus compromissos com a gestão florestal sustentável, a Ikea é, acima de tudo, uma defensora do greenwashing. Este documentário de 50 minutos mostra que uma árvore a cada dois segundos. Esta é a quantidade de madeira que a Ikea utiliza todos os anos para fabricar os seus móveis, que são vendidos a preços baixos em mais de 60 países. Nos últimos anos, a empresa sueca intensificou o seu compromisso com a gestão florestal sustentável. Mas qual é a realidade?

A cada 5 segundos, uma estante BILLY é vendida. Mas os números surpreendentes da marca sueca têm um custo: dependem da exploração descontrolada da madeira e do trabalho humano.

Para o Disclose, os cineastas Marianne Kerfriden e Xavier Deleu traçaram a cadeia de fornecimento da multinacional. A sua investigação levou-os da Suécia à Nova Zelândia, passando pelo Brasil e pela Polónia, para se reunirem com especialistas da indústria madeireira, activistas e cidadãos empenhados em proteger as suas florestas. Este documentário lança uma nova luz sobre o apetite insaciável do ogre da floresta.

quarta-feira, 29 de maio de 2024

Música do BioTerra: Tamaryn - Love Fade

13 anos passados e ainda mexe comigo. Adorava escutá-lo de madrugada, percorrendo a cidade despida e com os vidros do carro descidos. Tema lindo!

[Verse 1]
Turn the heart
Turn the sea
In the sun
We can descend
Under city lights are silvering
I'm missing I'm not the same

[Chorus]
Fade love fade
As the sun sunlight

[Verse 2: Tamaryn]
Walls struck white
Washed their skin
Diamond pointed light
Across their backs

[Chorus]
Fade love fade
As the sun sunlight

Fade love fade
As the sun descends

Fade love fade
As the sun sunlight


terça-feira, 31 de outubro de 2023

Tribunal de Nova Zelândia condena donos do vulcão cuja erupção causou 22 mortos

Vulcão Whakaari, Nova Zelândia

Ter apenas "fé" na iniciativa liberal, como modus operandi político, económico e ecológico não dá bons resultados. O melhor sistema democrático ainda é a gestão do Estado social eficiente.

Um tribunal da Nova Zelândia condenou esta terça-feira os proprietários do vulcão Whakaari, que entrou em erupção em 2019 e causou 22 mortos, por violação das leis de segurança no trabalho.

O Tribunal Distrital de Auckland decidiu que a Whakaari Management, propriedade dos irmãos Andrew, James e Peter Buttle, não cumpriu as obrigações de segurança antes de uma visita turística ao vulcão e emitirá a sua condenação em fevereiro.

A 9 de dezembro de 2019, o Whakaari entrou em erupção quando dezenas de turistas se encontravam na ilha ou perto dela, matando 22 pessoas e ferindo 25.

Durante a leitura da decisão, o juiz Evangelos Thomas sublinhou que a Whakaari Management não tomou as medidas necessárias para evitar "expor qualquer pessoa ao risco de morte ou ferimentos graves", segundo a audiência seguida virtualmente pela agência de notícias EFE.

O magistrado explicou que a Whakaari Management, nas mãos da família desde 1936, cometeu um erro grave ao não procurar mais informações junto de especialistas para reduzir os riscos ligados à atividade vulcânica.

"Não deveria ter sido uma surpresa que o Whakaari pudesse entrar em erupção a qualquer momento e sem aviso prévio, com risco de morte e ferimentos graves", afirmou o magistrado, que também rejeitou outra acusação contra a empresa relacionada com a segurança dos próprios trabalhadores.

O julgamento começou em julho, com os sobreviventes a testemunharem que não tinham sido devidamente informados dos riscos da visita.

O Whakaari entrou em erupção quando se encontrava em alerta 2 (numa escala de 5), que previa uma atividade vulcânica moderada, e quando 47 pessoas, na maioria turistas, se encontravam na ilha.

Com a decisão de hoje, a Whakaari Management junta-se a seis outras empresas - que anteriormente aceitaram a acusação - que podem ser multadas até 1,5 milhões de dólares neozelandeses (825 mil euros) em audiências previstas para fevereiro de 2024.

Anteriormente, os tribunais neozelandeses já tinham rejeitado as acusações contra outras seis organizações e contra os três irmãos Buttle, individualmente, enquanto diretores da Whakaari Management.

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Os países europeus com maiores e menores liberdades


A Europa é considerada um dos continentes mais livres do mundo. A maioria dos países europeus está no topo do Índice de Liberdade Humana, ocupando 19 das 25 primeiras posições do ranking, de acordo com o relatório produzido pelo Cato Institute, dos EUA, e pelo Fraser Institute, do Canadá.

A liderar a lista encontra-se a Suíça (8,94 pontos num ranking de 0 a 10), sendo seguida por Estónia (8,73), que é o segundo país mais “livre” da Europa e o terceiro do mundo, superado apenas pela Nova Zelândia.

Portugal também está bem posicionado na tabela, com uma pontuação de 8,20, à frente, por exemplo, de Espanha (8,08), França (7,80) e Itália (8,02).

De referir que a maior parte dos países europeus tem, em média, mais de 7,50 pontos. Os países com pior pontuação na Europa são Turquia (5,71), Bielorrússia (5,78) e Rússia (6,01).

Em causa está um índice anual que se baseia em 83 indicadores diferentes de liberdade pessoal e económica em áreas como:
  1. Estado de direito;
  2. Segurança;
  3. Circulação de pessoas;
  4. Liberdade religiosa;
  5. Liberdade de expressão e informação;
  6. Sistema jurídico justos e direitos de propriedade;
  7. Moeda forte;
  8. Liberdade de comércio internacional;
  9. Regulamentos do país.

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Depois da vespa asiática, a formiga de fogo vermelha chega à Europa


A formiga de fogo vermelha, com o nome científico Solenopsis invicta, é uma espécie invasora de formiga que se estabeleceu nos últimos meses em Itália e poderá chegar rapidamente a outros pontos da Europa, nomeadamente à Península Ibérica e ao Reino Unido, à boleia das alterações climáticas. Portadora de um ferrão poderoso, esta formiga tem a capacidade de danificar plantações e infestar componentes e equipamentos eletrónicos, em carros e computadores, por exemplo.
(...) assim que se estabelecer no continente (europeu), será muito difícil erradicá-la (...)

Esta é já considerada, pela comunidade científica como uma das espécies invasoras mais destrutivas e mais causadoras de prejuízos, de sempre, já que têm a capacidade de criar colónias densamente povoadas num curto espaço de tempo, enquanto ataca invertebrados, vertebrados de maiores dimensões e plantas. Esta “ousadia” acaba por resultar na destruição de plantas nativas e na competição direta (e injusta) com outras espécies de formigas, insetos e herbívoros nativos.

Esta espécie invasora espalha-se através do comércio humano, partindo da América do Sul (local de origem) para vários países, regiões e continentes, como o México, as Caraíbas, a Austrália, os Estados Unidos da América e mesmo a China, causando um prejuízo médio de 6 mil milhões de dólares a cada ano, nesses países.


Ameaça em novos espaços geográficos
Chegando à Itália em primeiro lugar, vindas da China ou dos Estados Unidos, são agora novos espaços geográficos da Europa que estão ameaçados pela presença da formiga de fogo vermelha. Os casos mais flagrantes são o Reino Unido e Espanha, que estão a registar as primeiras colónias desta espécie invasora, com consequências que ainda não estão bem quantificadas. Há, de resto, uma preocupação generalizada com o surgimento desta e doutras espécies de formigas que podem interferir com o normal funcionamento dos ecossistemas nativos do continente europeu.

A formiga de fogo vermelha está numa lista da União Europeia (UE) como uma das espécies mais preocupantes e assim que se estabelecer no continente, será muito difícil erradicá-la (só a Nova Zelândia conseguiu), segundo afirmam os especialistas. A UE foi mais longe e proibiu a exportação de solo do Reino Unido, mas este país não acompanhou estas preocupações e continua a importar solo agrícola, europeu e de outros continentes, fornecendo uma porta escancarada à entrada de espécies invasoras na natureza.

A questão climática também é um fator importante para esta análise, já que a formiga de fogo vermelha é uma espécie que gosta de temperaturas elevadas. Com o aumento da temperatura média que se tem registado em grandes porções do território europeu e em particular da Europa mediterrânica, é natural que Espanha e Portugal sejam os próximos países a serem afetados por esta “praga”. Grandes cidades, como Barcelona, Roma, Londres ou Paris poderão sofrer com a chegada de grandes números desta formiga.

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Mais de 90% das promessas climáticas dos países “não são credíveis”

Uma escultura de canguru em chamas, com a frase "O clima não é negociável", instalada à porta da Conferência do Clima em Bona

A maioria das promessas climáticas dos países não é fiável, revela um artigo publicado nesta quinta-feira na revista científica Science. Umas são mais ambiciosas – transpõem metas para a legislação nacional e já estão a mostrar resultados, como na União Europeia, por exemplo –, outras ainda estão bem longe disso. O estudo, que analisa a credibilidade dos compromissos climáticos de diferentes economias, demonstra que existe um abismo entre as palavras e as acções.

“A nossa mensagem é muito clara: promessas vazias não valem de nada”, afirma a co-autora Joana Portugal Pereira, investigadora portuguesa na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Brasil, e autora líder do sexto ciclo de avaliação do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla inglesa).

Numa videochamada a partir de Bona, na Alemanha, onde decorre a Conferência do Clima até ao dia 15 de Junho, a cientista referiu que “mais de 90% das promessas analisadas no estudo não são credíveis”. Este evento serve de antecâmara para a Conferência das Mudanças Climáticas (COP28), que se realiza em Dezembro no Dubai.

Fonte: Público

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Teste nacional à semana de quatro dias arranca hoje. Sim ou não?

Quem não gostaria de trabalhar apenas quatro dias por semana, ganhando um dia extra de descanso e mantendo o seu rendimento? Se a semana de quatro dias de trabalho veio para ficar ainda não é claro, mas teve o dom de dar impulso à discussão sobre flexibilidade, saúde mental e até produtividade. Agora é a vez de Portugal testar este modelo, num piloto promovido pelo Governo, projeto que arranca com 39 empresas, abrangendo um total de 1.000 trabalhadores. Quais as vantagens e desvantagens deste novo modelo de trabalho?

Múltiplos benefícios têm sido apontados relativamente à adoção da semana de trabalho de quatro dias, sendo que o maior equilíbrio entre a esfera privada e a profissional é o que mais pesa na balança, em prol da saúde mental e do bem-estar. Recentemente, o Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis (LABPATS) recomendou a concretização da semana de quatro dias de trabalho, sem perda de remuneração, para uma melhor conciliação da vida profissional e familiar, e também para uma melhor e maior capacidade retenção das novas gerações.

“O trabalho é uma área da sua vida, mas não é a área da sua vida”, afirma Tânia Gaspar, coordenadora do trabalho desenvolvido pelo LABPATS. Mas a semana de quatro dias só funciona com algumas condições, defende. “Não pode haver decréscimo salarial, ou seja, que a pessoa não fique a receber menos, e que a pessoa não tenha que fazer o trabalho de todos os dias naqueles quatro dias, senão acaba por ficar completamente sobrecarregada.”

Reconhecendo que há atividades profissionais em que a semana de quatro dias é mais fácil de aplicar do que noutras, a psicóloga acrescentou ainda que “se a pessoa tiver de fazer o mesmo número de horas [da semana] numa fábrica, por exemplo, em quatro dias, vai haver quatro dias muito pesados e isso pode levar à exaustão”.

Na experiência que arranca esta segunda-feira, e tendo em conta as últimas informações divulgadas pelo Ministério do Trabalho, não haverá, perda de rendimento para os trabalhadores que beneficiarem de uma redução de horário, e também não é esperada concentração horária nos restantes dias. Haverá, sim, alguma flexibilidade no que toca à dimensão da redução horária.

No caso da Crioestaminal, Evolve e Onya Health, três das empresas que anunciaram publicamente que farão parte do piloto do Governo, a semana de quatro dias será alternada com a tradicional semana de cinco dias, o que dará uma redução das habituais 40 horas semanais para 32 horas semanais, de 15 em 15 dias.

Redução do stress, absentismo e rotatividade

Um relatório publicado no final de fevereiro por investigadores da Universidade de Cambridge, a partir do projeto-piloto de 61 empresas no Reino Unido, concluiu que trabalhar quatro dias por semana reduz o stress e mantém os níveis de produtividade.

Os investigadores sustentam que durante os seis meses em que estas organizações reduziram o horário de trabalho dos seus colaboradores em 20%, sem redução salarial, as baixas por doença diminuíram na ordem dos 65% e a rotatividade reduziu em 57%.

A investigação aponta também que 79% dos funcionários indicaram que o seu burnout (exaustão) foi reduzido e 39% disseram que os seus níveis de stress diminuíram.

Números especialmente importantes para a realidade nacional quando sabemos que, atualmente, os problemas relacionados com stress e saúde mental dos trabalhadores, resultando em absentismo, presentismo e quebras de produtividade, estão a custar às empresas portuguesas até 5,3 mil milhões de euros por ano, uma subida face aos 3,2 mil milhões estimados no ano passado, dava conta o II Relatório “Custo do Stresse e dos Problemas de Saúde Psicológica no Trabalho”, da Ordem dos Psicólogos Portugueses.

Mas, voltando ao Reino Unido, 61 empresas e 2.900 trabalhadores experimentaram, de junho a dezembro de 2022, este modelo de trabalho. E o piloto inglês ‘passou no teste’ com distinção.

Feito o balanço final, a maioria das empresas participantes (91%) não planeia voltar à semana de cinco dias. Só três empresas interromperam a experiência e duas ainda ponderam horários de trabalho mais curtos. As restantes encaram a experiência como bem-sucedida, tendo em conta os aumentos de receitas ou os menores níveis de burnout.

“Questionava-me se seria muito mais difícil para as empresas fazer semanas de trabalho de quatro dias e a resposta parece ser não. As organizações fizeram um excelente trabalho e estão realmente satisfeitas com ele”, comentava Juliet Schor, responsável pela investigação, à Bloomberg (acesso pago, conteúdo em inglês), no final de fevereiro, aquando da divulgação destes dados.

A economista e socióloga indica que foram obtidos “resultados muito semelhantes” aos de testes mais pequenos de empresas nos Estados Unidos, Irlanda e Austrália.

Os trabalhadores com uma semana mais curta gostaram da experiência devido às melhorias sentidas ao nível do stress e fadiga, mas também em termos do impacto na vida pessoal. O tempo que os homens passaram a cuidar das crianças aumentou, enquanto as mulheres dizem ter beneficiado do dia extra de folga, em simultâneo com uma maior satisfação com a vida e o trabalho.

Num exemplo entre diferentes áreas, os trabalhadores dos serviços e de organizações sem fins lucrativos encontraram mais tempo para praticar exercício físico, enquanto os da construção civil sentiram maiores benefícios em termos do sono.

Nenhum dos trabalhadores que participaram disse querer abandonar o modelo e 15% garantiram que nenhuma quantia de dinheiro os motivaria a regressar à semana de cinco dias. O absentismo, por sua vez, diminuiu de dois dias por mês para 0,7. E as receitas das organizações aumentaram 35% relativamente a períodos semelhantes do ano anterior e 1,4% durante o teste.

De forma geral, as empresas classificaram a experiência, que foi coordenada pela organização sem fins lucrativos 4-Day Week Global, com um 8,5, numa escala de um a dez.

O que acontece à produtividade?

Os resultados esperançosos no Reino Unido devem ser contrastados com outras realidades, e mais próximas ainda. Em Espanha, nove em cada dez profissionais preferiam trabalhar quatro dias por semana. Contudo, um novo estudo da Hays España, divulgado pelo Expansión (acesso pago, conteúdo em espanhol), revela que apenas 5% das empresas pensou realmente em implementar a semana de trabalho reduzida. Uma percentagem que fica muito distante da vontade de 93% dos colaboradores espanhóis.

Porquê? Receios ao nível da produtividade persistem. Cerca de 70% das empresas espanholas inquiridas pela Hays admitiram que não estão preparadas para implementar este modelo de trabalho. Preocupa-lhes que comprometa a produtividade (39%) e não estarem preparadas a nível operacional (37%).

Receios partilhados pelos empresários portugueses. Um inquérito realizado junto de 1.130 empresas associadas da Associação Empresarial de Portugal (AEP) mostra que “cerca de um terço dos empresários considera que a implementação da semana dos quatro dias não será benéfica para nenhuma das partes, e outro tanto que apenas é benéfica para os trabalhadores”.

Do inquérito resulta que os mais de mil empresários inquiridos temem os impactos que a generalização da medida teria: 71% antecipam que a medida teria um impacto “negativo ou muito negativo” nos lucros, na competitividade (69%) e na produtividade (65%). As preocupações dos gestores abrangem também o aumento das queixas dos clientes (70%) e dificuldades resultantes da organização dos processos internos (70%).

Para os empresários, quem terá mais benefícios com a implementação da semana dos quatro dias, “serão seguramente os trabalhadores e não as empresas”. Cerca de um terço considera que a implementação da semana dos quatro dias “não será benéfica para nenhuma das partes” e mais de um terço considera que “apenas é benéfica para os trabalhadores”.

A esmagadora maioria das empresas (77%) concorda (parcial ou totalmente) que, em alternativa, “seria preferível uma total flexibilidade no modelo a adotar, por acordo entre o trabalhador e a empresa”.

Se olharmos para a própria preparação do piloto português que arranca hoje, vemos esses recuos. Das 90 empresas que manifestaram, inicialmente, interesse em aderir à semana de quatro dias de trabalho, apenas 46 decidiram avançar para a segunda fase do piloto e, destas, “39 empresas, distribuídas por 10 distritos” passaram a esta nova fase, informa o Ministério do Trabalho. Destas 39, um total de “12 empresas são associadas do projeto e iniciaram a semana de 4 dias no final de 2022, ou início de 2023”.

“Lisboa, Porto e Braga são as principais localizações das empresas, entre as quais está um instituto de investigação, uma creche, um centro de dia, um banco de células estaminais que trabalha 7 dias, e empresas do setor social, indústria e comércio. Ao todo, o piloto arranca com cerca de mil colaboradores“, refere o Ministério. Na fase anterior, a mais de quatro dezenas de empresas abrangiam um total de 20.000 colaboradores.

“Das empresas que optaram por ainda não avançar nesta fase, a maioria mantém o interesse em implementar a semana de 4 dias, mas preferiu adiar para durante o segundo semestre de 2023 ou início de 2024“, refere a mesma fonte.

“O número de inscrições no projeto piloto em Portugal assemelha-se com a realidade internacional. O projeto piloto europeu contou com 20 empresas europeias, em Inglaterra 61 empresas avançaram com a experiência e, nos Estados Unidos, o piloto arrancou com 30 empresas assim como na Nova Zelândia”, conclui.

segunda-feira, 17 de abril de 2023

Estudo revela qual é o melhor país do planeta para sobreviver a um apocalipse nuclear

 Pesquisa que analisou dezenas de países revelou qual o melhor lugar para sobreviver a apocalipse nuclear.


A Austrália, seguida pela vizinha Nova Zelândia, lidera um estudo que analisou os melhores países para se sobreviver depois de um possível apocalipse nuclear. Segundo a pesquisa, os países tem as melhores condições de iniciar o processo de repovoar a civilização humana depois de um colapso.

O estudo publicado na revista Risk Analysis comparou 38 países insulares dentro de 13 fatores que, segundo os autores, poderiam prever o sucesso de sobrevivência pós-apocalíptica. Entre os fatores estão a produção de alimentos, autossuficiência energética, manufatura e o efeito do desastre no clima.

Austrália, Nova Zelândia, Islândia, Ilhas Salomão e Vanuatu foram os destaques da pesquisa pela sua capacidade de suprir sua população depois de uma “catástrofe abrupta de redução da luz solar”, como uma guerra nuclear, a erupção de um supervulcão ou a queda de um asteroide. Entre os países, Austrália e Nova Zelândia lideram a tabela por serem ambas grandes produtoras agrícolas e se localizarem longe dos prováveis locais de precipitação nuclear do hemisfério norte.

No geral, a Austrália acabou tendo um desempenho melhor no estudo que a sua vizinha pela sua boa infraestrutura, vasto excedente de energia, alta segurança sanitária e orçamento de defesa.

“A reserva de abastecimento de alimentos da Austrália é gigantesca (…) com potencial para alimentar muitas dezenas de milhões de pessoas a mais”, diz o estudo.

Porém, os fortes laços militares da Austrália com os EUA e Reino Unido podem fazer do país um possível alvo de uma guerra nuclear. Nesta área, a Nova Zelândia exibiu mais vantagens devido ao seu status de longa data livre de armas nucleares.

Além disso, todos os locais da Nova Zelândia são relativamente próximos ao oceano, o que os tornam mais resistentes a uma queda brusca na temperatura global provocada por um período de escuridão. A autossuficiência alimentar do país também é um ponto positivo visto que, mesmo em um cenário em que existe uma redução de 61% das colheitas, os neozelandeses ainda teriam o que comer.

“Temos uma economia de exportação de alimentos supereficiente que poderia alimentar os neozelandeses várias vezes apenas com as exportações”, disse um dos autores do estudo, o professor Nick Wilson, da Universidade de Otago, Wellington.

O motivo da Nova Zelândia não ultrapassar a vizinha Austrália na tabela é a dependência do país da importação de diesel, pesticidas e máquinas necessárias para sustentar seu setor agrícola. Uma paralisação no sistema de comércio global levaria o país a um colapso social.

O estudo ainda destaca que China, Rússia e Estados Unidos teriam problemas nesse contexto hipotético e poderiam ver a produção de alimentos cair até 97%. Esses países dependeriam do desenvolvimento de novas tecnologias para a produção de alimentos.

sábado, 21 de janeiro de 2023

British environmentalist Sir Jonathon Porritt and his long association with Aotearoa



From “pathetic” offshore wind energy technology, to livestock emission plans heading “in the right direction”, British environmentalist Sir Jonathon Porritt tells Katy Jones what Aotearoa is doing well - and not so well – tackling the climate crisis.

Jonathon Porritt raises his eyebrows when I ask if Aotearoa’s farming sector might be on the right track to reducing their greenhouse gas emissions.

He has just been describing moves by New Zealand multinational meat company, Silver Fern Farms, to produce net zero carbon beef for the American market – paying its Kiwi farmers a premium for the CO2 they sequester , through “insetting” (gaining carbon credits from the carbon sequestered on their farms, rather than elsewhere).

New Zealand may have come a long way since the uproar 20 years ago after the government first tried to introduce a levy on methane emissions from livestock – when farmers “invaded” Wellington, and the government backed down – he said.

The fact there was now a scheme for a levy on cows, put together by farmers, iwi representatives and the government, with the proceeds paying for research to help farmers innovate to become lower carbon farmers, was “definitely moving in the right direction”.

“But it's not a very ambitious target.The target is only for a 10% reduction in methane by 2030. Honestly, that's just barely trying.”

Even big buyers of Fonterra milk, Nestle and Danone, said the target was not ambitious, Porritt told me when I met him at the Cawthron Institute in Nelson – New Zealand's largest independent science organisation.

England-based Porritt added the Cawthron Institute to his places to visit in New Zealand in December, after Volker Kuntzsch was appointed chief executive in 2021.

“I've known Volker for a long time. He and I did some work on international fishing issues ... when he was at Sanford.”

Kuntzsch was now co-chair of The Aotearoa Circle, a voluntary initiative Porritt co-founded to try to help reverse the decline of natural resources in New Zealand.

Porritt’s visit just before Christmas also coincided with a meeting of the Air New Zealand Sustainability Advisory Panel – of which he was chair.

His association with Kiwi environmental initiatives stemmed back to his time living in New Zealand, when his father was appointed Governor-General in 1967.

The young Porritt developed a passion for the environment while planting trees and working on farms in Aotearoa.

Returning to England in the 1970s, he now has a long list of environmental credentials to his name.

Chair of the Ecology Party (now the Green Party of England and Wales) in the 1980s, a director of environmental campaigning organisation Friends of the Earth, and co-founder of the sustainable development charity, Forum for the Future.

He was made a CBE (Commander of the Order of the British Empire) in 2000 for services to environmental protection, and has written several books on issues including the climate emergency.

A book he published on the politics of ecology, in 1984, was found 30 years later to be prophetic in many respects.

What was needed globally to become net-zero by 2050, included vast investment in renewable energy, he said.

As far as offshore wind went, New Zealand could be doing a lot better.

“New Zealand is utterly pathetic when it comes to offshore wind.

“New Zealand has a huge amount of coastline. The wind blows quite a lot in many parts of New Zealand. And if people really wanted to double down and get some proper, large scale new renewable electricity into the system, then offshore wind is the way to go.”

He was less enamoured with hydrogen energy – “blue” or “grey” hydrogen at least.

“It really bugs me that people talk about hydrogen as the cleanest fuel.

“It's a clean fuel when you burn it. But to make it, is not clean.”

Ninety-five % of today’s 70 million tonnes of hydrogen production depended on burning huge amounts of either gas or coal, he said.

He was in favour of “green” hydrogen, produced using renewable electricity, but it would take time to scale up, and was expensive.
Green hydrogen would play an important part in decarbonising some so-called “hard-to-abate” industries like steel, fertilisers, cement and possibly aviation, but that was all, he said.

The aircraft manufacturer Airbus was very focused on hydrogen as the fuel source of the future, but it would be a “massive technological challenge”.

“You need to carry a lot of hydrogen to get that plane to fly thousands of kilometres.

“So you're not going to get long haul flights using hydrogen.”

Air New Zealand‘s target of substituting 10% of its planes’ fuel with Sustainable Aviation Fuels (SAF) by 2030 would be very demanding, due to limited availability of SAF, he said.

Rapid progress was being made on electric planes, with the airline looking to have a commercially-operated electric plane flying passengers at some point after 2026, Porritt said.

For short haul flights, electric planes would become the dominant way of substituting for jet fuel, he predicted.

Air New Zealand – 50% government owned – was among companies that would have to declare the financial consequences of its climate risk, which would help ordinary shareholders “wake up” to the costs, he said.

Natural gas and LPG are fossil fuels. Homes using these for heating and cooking have a higher carbon footprint than ones using electricity. When an appliance needs replacing, consider purchasing an electric heat pump or induction cooktop. As a bonus: these technologies are more efficient and therefore cheaper to run than fossil-fueled versions.

Environmental research was another area where New Zealand could benefit from greater financial backing, Porritt said.

Aotearoa could be a world leader in the field if the government increased and accelerated funding for such research organisations, he said.

New Zealand's biodiversity had been “absolutely hammered” over the last 30,40 years.

The country’s future prosperity depended on its natural capital.

So there was also every reason to prioritise funding for places like Cawthron Institute from a “self-interested” point of view, he said.

The institute specialised in science that supported the environment and development within primary industries, with its scientists including experts in aquaculture, marine and freshwater resources and food safety.

“New Zealanders love the marine environment, fishing industries are hugely important to New Zealand's exports.”

Water quality had been affected in New Zealand and elsewhere, by pine forestry blocks not being well-managed, Porritt said.

The government shouldn’t be “taken in by the notion that all trees anywhere are good”, because the right trees needed to be planted in the right place to get the benefits of carbon sequestration.

“I don't understand why the government has failed to come forward with really smart ways of encouraging investment in native forest.

“It makes sense for New Zealand to say we can really lead on many of these different controversial areas, how we manage our environment in particular.”