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terça-feira, 30 de junho de 2026
Sabia que o seu protetor solar está a afetar os oceanos? Saiba como cuidar da sua saúde e proteger os oceanos
Com a chegada do verão e de mais temporadas passadas na praia ou na piscina, é muito importante manter a nossa pele protegida dos raios UV provenientes do sol, através do uso de protetor solar. No entanto, muitos dos filtros solares utilizados nestes produtos são prejudiciais à biodiversidade e aos ecossistemas marinhos.
Existem dois tipos principais de filtros solares: filtros minerais e filtros orgânicos (ou químicos). Estes últimos são os mais problemáticos para várias espécies marinhas, sendo um dos mais usados a oxibenzona. Este químico não se degrada facilmente e, por isso, pode persistir durante muito tempo quando introduzido na natureza. É também um dos mais encontrados em águas naturais.
Estes filtros solares químicos são introduzidos nos ecossistemas marinhos através do protetor solar que usamos na nossa pele e que depois se liberta quando entramos na água do mar, mas também podem ser descartados para a natureza através das estações de tratamento de águas residuais. Os efeitos negativos destes químicos são muito variados. Podem impedir o crescimento e a fotossíntese em algas marinhas, reduzir a fertilidade em peixes, causar danos nos sistemas imunitário e reprodutor de várias espécies de ouriços do mar e bivalves e também acumularem-se nos tecidos dos golfinhos. Um dos piores impactos verifica-se nos corais, nos quais estas substâncias se podem acumular e deformar o seu ADN, podendo levar ao seu branqueamento (uma das principais causas de morte nos corais, também provocada pelo aumento de temperatura da água do mar).
Existe uma lista de químicos potencialmente prejudiciais à vida marinha, publicada pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (conhecida pela sigla NOAA), na qual se incluem: oxibenzona, benzofenona-1, benzofenona-8, p-aminobenzoato de octilo dimetilo (OD-PABA), 4-metilbenzilideno cânfora, 3-benzilideno cânfora, dióxido de nano-titânio, óxido de nano-zinco, octinoxato e octocrileno. A utilização de alguns deles foi proibida na União Europeia, por poderem ser considerados prejudiciais ao ser humano e outros compostos, como a oxibenzona e o octinoxato foram banidos em alguns locais com o intuito de proteger os corais, como o Havai e o arquipélago de Palau, mas ainda continuam a ser muito comuns na maioria dos protetores solares.
Em Portugal, um projeto recente denominado Scree&Toxin (coordenado pela universidade de Aveiro) está a estudar de que forma a oxibenzona está a interferir na acumulação de biotoxinas marinhas em conquilhas da espécie Donax trunculus.
O que podemos fazer?
Devemos por a nossa saúde em primeiro lugar, não dispensando o uso de proteção solar. No entanto, aquando da escolha de um protetor solar, podemos ter em atenção os ingredientes presentes e tentar evitar estas substâncias. Algumas marcas já apresentam na própria embalagem mensagens de alerta como “Reef Safe”, “Ocean friendly” ou “Respeita os oceanos”. No entanto, devemos ter atenção, pois alguns destes produtos poderão não estar livres de todos os filtros prejudiciais, sendo por isso importante rever a lista de ingredientes. Devemos igualmente adotar comportamentos que podem ser mais amigos do ambiente e também da nossa saúde como evitar a exposição solar nas horas de maior calor e usar roupa de e chapéu para prevenir as queimaduras solares.
Utilizar alguns aplicativos que nos ajudam a destrinçar os seus componentes, como a Yuka.
As marcas de protetores solares ecológicos dividem-se maioritariamente em fórmulas 100% minerais (filtros físicos de zinco ou titânio "não nano") que não prejudicam os corais e utilizam embalagens sustentáveis.
Para quem procura proteger a pele e o oceano, o mercado atual já oferece excelentes plataformas especializadas em cosmética sustentável com envio para Portugal. Se a preferência for explorar lojas multimarcas que fazem uma curadoria rigorosa, a My True Bio destaca-se a nível nacional por disponibilizar uma secção inteiramente dedicada a fórmulas minerais não-nano de marcas conceituadas. No mesmo alinhamento de desperdício zero, a pioneira Organii foca-se em opções biológicas certificadas e formatos inovadores, como os sticks solares sólidos. Já para quem valoriza a maior variedade possível de marcas europeias e quer comparar preços, a versão portuguesa da Ecco Verde oferece um catálogo vastíssimo com filtros estritamente seguros para os corais.
Para saber mais sobre este tema consulte:
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terça-feira, 13 de julho de 2021
O seu protetor solar está a afetar os oceanos? Evite marcas com estas substâncias

Todos os anos, milhares de toneladas de cremes solares vão parar ao mar. E muitos têm químicos nocivos para a vida marinha. Alguns estudos identificaram os piores
Os protetores solares são imprescindíveis para nos defender da radiação ultravioleta. Mas o que nos protege a nós não protege necessariamente outros seres vivos. Ao longo dos últimos anos, tem sido estudado o efeito em organismos marinhos de diferentes substâncias presentes nos cremes, e as notícias não são boas: vários destes químicos têm impactos destrutivos.
A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (dos EUA, mais conhecida pela sua sigla, NOAA), uma das entidades que mais se tem debruçado sobre estes efeitos, tem uma lista “oficial” de químicos com potencial para afetar a vida marinha: 3-benzilideno cânfora, 4-metilbenzilideno cânfora, octocryleno, benzofenona-1, 2 e 8, oxibenzona (também chamada benzofenona-3 ou BP-3), p-aminobenzoato de octilo dimetilo (OD-PABA), dióxido de nano-titânio, óxido de nano-zinco e octinoxato. Se se preocupa com os impactos ambientais das suas escolhas, leia a lista de ingredientes e evite estas substâncias.
Os efeitos mais negativos destes químicos são variados. Podem provocar uma redução de fertilidade nos peixes fêmeas, danificar os sistemas reprodutores e imunológicos dos ouriços-do-mar adultos e causar deformações nos juvenis (o que também acontece nos mexilhões), prejudicar o processo de fotossíntese das algas e acumularem-se nos tecidos dos golfinhos (e transmitirem-se para as crias). Os piores impactos, no entanto, são nos corais. As substâncias acumulam-se nos tecidos destes organismos e conseguem alterar o seu ADN, provocando deformidades e branqueamento (a principal causa de morte dos corais).
Algumas estão já interditas na União Europeia (o 3-benzilideno cânfora, por exemplo não pode ser usado em qualquer produto cosmético desde 2016). Mas outras continuam a ser usadas. Entre essas, as que levantam mais preocupações são a benzofenona-2, a oxibenzona e o octinoxato, ingredientes comuns nos protetores solares.
A primeiro, a benzofenona-2, presente em muitos tipos de cremes e sabonetes, mata jovens corais rapidamente e mesmo em baixas concentrações, de acordo com um estudo publicado em 2013 na revista científica Ecotoxicology. Além disso, provocada branqueamento e mutações nos organismos maduros. A oxibenzona tem os mesmos efeitos, a que se juntam deformidades no crescimento dos corais, segundo um estudo publicado na Archives of Environmental Contamination and Toxicology, em 2015. Outra investigação, publicada em 2008 na Environmental Health Perspectives, reportou que tanto a oxibenzona como o octinoxato eram responsáveis por fenómenos de branqueamento em recifes de coral nos três oceanos onde existem, o Atlântico, o Índico e o Pacífico.
Os protetores minerais podem ser uma forma de proteger a pele sem passar ingredientes nocivos para o mar (desde que tenham dióxido de titânio ou óxido de zinco não-nanotizados, ou seja, com pelo menos 100 nanómetros). Mas vários testes realizados pela organização de consumidores americana Consumer Reports concluíram que estes não são tão eficazes a proteger dos raios ultravioleta como os outros.
A alternativa é minimizar a quantidade de protetor que aplicamos. A NOAA sugere que, na praia, usemos camisolas com fator de proteção ultravioleta e que procuremos sempre a sombra, sobretudo nas horas mais críticas. Mesmo usar uma simples tshirt pode ser uma solução, já que deixa menos pele exposta ao sol.
E atenção – em alguns protetores solares, a lista de ingredientes surge em inglês. Nesse caso, procure por estes nomes, para (tentar) evitá-los: oxybenzone, octinoxate, octocrylene, benzophenone-1, 2, e 8, OD-PABA, 4-methylbenzylidene camphor, 3-benzylidene camphor, nano-titanium dioxide e nano-zinc oxide.
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