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terça-feira, 17 de março de 2026
As análises contundentes e realísticas de Yanis Varoufakis sobre a Guerra no Irão
Análise da Varoufakis sobre o bloqueio do estreito de Ormuz, hoje 17.03.206
Nesta entrevista concedida a Chris Hedges, o economista Yanis Varoufakis apresenta um diagnóstico sombrio sobre o impacto da guerra com o Irão, afirmando que o mundo entrou numa espiral de crise que ultrapassa a mera questão militar. O ponto central da análise é o bloqueio do Estreito de Hormuz, uma artéria vital por onde passa 20% da energia global, o que já provocou uma subida em flecha do preço do petróleo e, consequentemente, dos combustíveis e fertilizantes. Segundo Varoufakis, este aumento nos fertilizantes terá um efeito dominó catastrófico nos preços dos alimentos, ameaçando a estabilidade social a nível mundial e empurrando a economia para uma depressão.
Varoufakis argumenta que Donald Trump caiu numa armadilha estratégica montada por Benjamin Netanyahu, sublinhando que esta crise é estruturalmente diferente das tensões comerciais do passado. Se anteriormente o crescimento do setor da Inteligência Artificial conseguia camuflar certas fragilidades económicas, agora a própria IA está em risco devido ao seu consumo energético massivo. O economista prevê que o Ocidente não enfrentará uma hiperinflação, mas sim algo mais perverso: a estagflação. Neste cenário, os bancos centrais deverão subir as taxas de juro para proteger os ativos das classes dominantes, o que resultará num aumento drástico do desemprego e no esmagamento do poder de compra das classes trabalhadoras, de forma semelhante ao que aconteceu nos anos 70.
No contexto europeu, Varoufakis descreve uma União Europeia profundamente fragmentada e enfraquecida. Ele aponta o exemplo da Grécia, onde a submissão aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos e de Israel, aliada a regimes oligárquicos locais, resultou em preços de eletricidade incomportáveis para a população. Esta "desunião" europeia, dividida entre países que pressionam por mais militarismo e outros que tentam manter alguma autonomia, retira à Europa qualquer capacidade de influenciar o desfecho do conflito.
Por fim, a entrevista aborda a deriva autoritária que acompanha estas crises económicas. Varoufakis alerta que o fascismo é a resposta histórica do capitalismo quando este perde o controlo sobre as suas próprias crises. Ele denuncia a repressão de jornalistas e a suspensão de direitos civis na Europa e nos EUA, onde vozes críticas são marginalizadas ou silenciadas por meios administrativos. O economista conclui que, perante este cenário de colapso do modelo de negócio global e de erosão democrática, a única saída reside na organização política coletiva e na resistência contra as elites que beneficiam com a economia de guerra.
Análise de Varoufakis, em 14. 03.2026
Nesta entrevista concedida a Glenn Diesen, Yanis Varoufakis apresenta uma análise incisiva sobre como o conflito com o Irão está a acelerar o colapso do modelo económico e geopolítico do Ocidente. O economista começa por destacar a natureza assimétrica desta guerra, onde o Irão, apesar da inferioridade militar convencional, utiliza o bloqueio do Estreito de Ormuz como uma arma económica devastadora. Este bloqueio expõe a fragilidade das potências ocidentais que, após décadas de políticas neoliberais e desindustrialização, perderam a sua soberania produtiva e tecnológica, tornando-se reféns de cadeias de abastecimento globais que agora se rompem.
Varoufakis critica severamente a falta de uma estratégia de saída por parte da administração de Donald Trump, sugerindo que o presidente norte-americano foi "atraído para uma armadilha" por Benjamin Netanyahu. Na sua visão, a estratégia de Israel passa por fomentar uma guerra permanente e um estado de insegurança regional que sirva de cobertura para a anexação da Cisjordânia e a continuação da limpeza étnica na Palestina. O economista aponta ainda o cinismo das justificações humanitárias, argumentando que a narrativa de "libertar as mulheres iranianas" através de bombardeamentos é um absurdo histórico, uma vez que a verdadeira libertação não pode ocorrer sobre as ruínas de um Estado falhado, como aconteceu na Líbia ou na Síria.
No campo militar, Varoufakis alerta para uma mudança radical no paradigma da guerra devido à tecnologia de drones e à Inteligência Artificial. Ele sublinha a insustentabilidade económica de utilizar mísseis de milhões de dólares para abater drones de baixo custo, o que favorece potências como a China e a Rússia, que dominam as cadeias de produção destes componentes. Além disso, expressa uma preocupação existencial com a automação do campo de batalha, onde drones autónomos podem tomar decisões de vida ou morte, empurrando a humanidade para um cenário de "tecnofeudalismo" militar onde a paz se torna um erro de sistema e a guerra o estado padrão.
Finalmente, Varoufakis aborda o dilema moral da esquerda ocidental. Embora se declare um opositor ferrenho do regime teocrático iraniano, ele recusa-se a escolher entre a teocracia e o imperialismo. Para o economista, o dever primordial dos cidadãos no Ocidente é responsabilizar e travar os seus próprios governos, que utilizam o dinheiro público para financiar crimes de guerra. Ele conclui que os grandes perdedores deste conflito são as classes trabalhadoras globais, que enfrentam agora preços de energia e alimentos incomportáveis, enquanto as elites políticas e económicas consolidam o seu poder através do caos. Ler mais: Recorde-se que o bloqueio do estreito de Ormuz foi feito em 02.03.2016
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segunda-feira, 2 de março de 2026
Donald Trump é o primeiro presidente norte-americano que, em apenas um ano, já bombardeou e autorizou ataques militares em 7 países

Reports from late 2025 and early 2026 [1] [2] [3] indicate that the second Trump administration has indeed authorized military strikes in seven countries during its first year. While the administration has often framed these actions as part of a "Peace through Strength" doctrine, conflict monitors have noted a significant surge in the frequency of operations compared to previous years.
Below is the breakdown of the countries involved and the nature of the strikes:
Countries Targeted in 2025–2026
| Country | Timing | Objective / Context |
| Yemen | Jan – May 2025 | Operation Rough Rider: Extensive strikes against Houthi rebels to secure Red Sea shipping lanes. |
| Somalia | Ongoing (since Feb 2025) | Significant escalation of counterterrorism strikes against al-Shabaab and ISIS-Somalia. |
| Iraq | March 2025 | Precision strikes targeting high-ranking ISIS leaders in the Anbar province. |
| Iran | June 2025 / Feb 2026 | Initial strikes on nuclear facilities in 2025, followed by Operation Epic Fury in early 2026 targeting leadership and military infrastructure. |
| Syria | Dec 2025 | Operation Hawkeye Strike: Retaliatory strikes against over 70 ISIS targets following the deaths of U.S. service members. |
| Nigeria | Dec 25, 2025 | Christmas Day strikes against ISIS-affiliated groups in the Sokoto state, coordinated with the Nigerian government. |
| Venezuela | Dec 2025 – Jan 2026 | Maritime strikes against alleged drug-smuggling vessels and a January 2026 operation resulting in the capture of Nicolás Maduro. |
- Scale of Activity: The Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED) reported over 600 strikes in 2025 alone. Some analysts have noted that this volume in a single year exceeds the total number of strikes carried out during the entire preceding four-year term.
- Controversy over "Peace" Platform: Critics and conflict monitors often contrast this high level of military activity with the President's campaign promises to end "forever wars" and avoid new foreign entanglements.
- Legal & Humanitarian Concerns: Organizations like Airwars have raised concerns regarding civilian casualties, particularly during the intensive campaigns in Yemen and Somalia. Additionally, the strikes on Venezuelan vessels in international waters have been described by some legal experts as "legally dubious."
Sobre a capa de "democratizar" o Irão e fim dos "terroristas", só há 2 interesses: petróleo e o expansionismo demencial de Israel sionista.
Embora seja o 9º em produção, o Irão possui a 3ª maior reserva provada de petróleo do mundo (atrás apenas da Venezuela e Arábia Saudita).
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| Going to War, Again, for Israel |
"Israel & Saudi Arabia pushed the U.S. to attack Iran. Netanyahu killed 72,000 people in Gaza, mostly women & children.
Saudi Arabia is a brutal dictatorship that allows no opposition.
These are the leaders who want to bring “freedom” to Iran?
Does anyone really believe that?" [Bernie Sanders]
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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
Francesca Albanese e o caminho solitário da rebeldia
Pode ver a minha entrevista com Francesca sobre a reportagem aqui
(…) Francesca (…) é a bête noire de Israel e dos EUA. Foi colocada na lista do Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA — normalmente usada para sancionar os acusados de lavagem de dinheiro ou envolvimento com organizações terroristas — seis dias após a publicação do seu relatório, “Da economia da ocupação à economia do genocídio”.
A lista da OFAC — usada pela administração Trump para perseguir Francesca e em clara violação da imunidade diplomática concedida aos funcionários da ONU — proíbe qualquer instituição financeira de ter alguém da lista como cliente. Um banco que permita que alguém da lista da OFAC realize transações financeiras é proibido de operar em dólares, enfrenta multas multimilionárias e é bloqueado dos sistemas de pagamento internacionais.
No seu relatório, Francesca lista 48 empresas e instituições, incluindo a Palantir Technologies, a Lockheed Martin, a Alphabet Inc., a Amazon, a International Business Machines Corporation (IBM), a Caterpillar Inc., a Microsoft Corporation e o Massachusetts Institute of Technology (MIT), juntamente com bancos e empresas financeiras como a BlackRock, seguradoras, imobiliárias e instituições de caridade, que, em violação do direito internacional, estão a ganhar milhares de milhões com a ocupação e o genocídio dos palestinianos.
O relatório, que inclui uma base de dados com mais de 1.000 entidades corporativas que colaboram com Israel, exige que essas empresas e instituições rompam os laços com Israel ou sejam responsabilizadas por cumplicidade em crimes de guerra. O relatório descreve a «ocupação eterna» de Israel como «o campo de testes ideal para fabricantes de armas e grandes empresas de tecnologia — proporcionando oferta e procura ilimitadas, pouca supervisão e zero responsabilização — enquanto investidores e instituições privadas e públicas lucram livremente».
Francesca, cujos relatórios anteriores, incluindo «Genocídio em Gaza: um crime coletivo» e «Genocídio como apagamento colonial», juntamente com as suas denúncias apaixonadas do massacre em massa de Israel em Gaza, tornaram-na um alvo fácil. Ela é criticada sempre que se desvia do guião aprovado, incluindo quando manifestantes pró-Palestina invadiram a sede do jornal diário italiano La Stampa enquanto estávamos em Itália.
Francesca condenou a invasão e a destruição de propriedade — os manifestantes espalharam jornais e pintaram slogans nas paredes, como «Palestina Livre» e «Jornais cúmplices de Israel» —, mas acrescentou que isso deveria servir como um «aviso à imprensa» para que fizesse o seu trabalho. Essa qualificação expressou a sua frustração com o descrédito dos media em relação às reportagens dos jornalistas palestinianos — mais de 278 jornalistas e profissionais dos media foram mortos por Israel desde 7 de outubro, juntamente com mais de 700 membros de suas famílias — e a amplificação acrítica da propaganda israelita. Mas isso foi aproveitado pelos seus críticos, incluindo a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, para linchá-la.
O secretário de Estado Marco Rubio impôs sanções a Francesca em julho.
«Os EUA condenaram e opuseram-se repetidamente às atividades tendenciosas e maliciosas de Albanese, que há muito a tornam inadequada para o cargo de Relatora Especial», dizia o comunicado de imprensa do Departamento de Estado. «Albanese tem espalhado antissemitismo descarado, expressado apoio ao terrorismo e desprezo aberto pelos EUA, Israel e o Ocidente. Esse preconceito tem sido evidente ao longo de toda a sua carreira, incluindo a recomendação de que o TPI, sem base legítima, emitisse mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant.»
«Recentemente, ela intensificou esses esforços escrevendo cartas ameaçadoras a dezenas de entidades em todo o mundo, incluindo grandes empresas norte-americanas dos setores financeiro, tecnológico, de defesa, energético e hoteleiro, fazendo acusações extremas e infundadas e recomendando que o Tribunal Penal Internacional investigasse e processasse essas empresas e os seus executivos», continuou. «Não toleraremos essas campanhas de guerra política e económica, que ameaçam os nossos interesses nacionais e a nossa soberania.»
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domingo, 29 de junho de 2025
Gaza’s Hunger Games - Os jogos da fome de Gaza. Artigo de Chris Hedges
Israel’s weaponization of starvation is how genocides always end. I covered the insidious effects of orchestrated starvation in the Guatemalan Highlands during the genocidal campaign of Gen. Efraín Ríos Montt, the famine in southern Sudan that left a quarter of a million dead — I walked past the frail and skeletal corpses of families lining roadsides — and later during the war in Bosnia when Serbs cut off food supplies to enclaves such as Srebrencia and Goražde.
Starvation was weaponized by the Ottoman Empire to decimate the Armenians. It was used to kill millions of Ukrainians in the Holodomor in 1932 and 1933. It was employed by the Nazis against the Jews in the ghettos in World War II. German soldiers used food, as Israel does, like bait. They offered three kilograms of bread and one kilogram of marmalade to lure desperate families in the Warsaw Ghetto onto transports to the death camps. “There were times when hundreds of people had to wait in line for several days to be ‘deported,’” Marek Edelman writes in “The Ghetto Fights.” “The number of people anxious to obtain the three kilograms of bread was such that the transports, now leaving twice daily with 12,000 people, could not accommodate them all.” And when crowds became unruly, as in Gaza, the German troops fired deadly volleys that ripped through emaciated husks of women, children and the elderly.
This tactic is as old as warfare itself.
The report in the Israeli newspaper Haaretz, that Israeli soldiers are ordered to shoot into crowds of Palestinians at aid hubs, with 580 killed and 4,216 wounded, is not a surprise. It is the predictable denouement of the genocide, the inevitable conclusion to a campaign of mass extermination.
Israel, with its targeted assassinations of at least 1,400 health care workers, hundreds of United Nations (U.N.) workers, journalists, police and even poets and academics, its obliteration of multi-story apartment blocks wiping out dozens of families, its shelling of designated “humanitarian zones” where Palestinians huddle under tents, tarps or in the open air, its systematic targeting of U.N. food distribution centers, bakeries and aid convoys or its sadistic sniper fire that guns down children, long ago illustrated that Palestinians are regarded as vermin worthy only of annihilation.
The blockade of food and humanitarian aid, imposed on Gaza since March 2, is reducing Palestinians to abject dependence. To eat, they must crawl towards their killers and beg. Humiliated, terrified, desperate for a few scraps of food, they are stripped of dignity, autonomy and agency. This is by intent.
Yousef al-Ajouri, 40, explained to Middle East Eye his nightmarish journey to one of four aid hubs set up by the Gaza Humanitarian Foundation (GHF). The hubs are not designed to meet the needs of the Palestinians, who once relied on 400 aid distribution sites, but to lure them from northern Gaza to the south. Israel, which on Sunday again ordered Palestinians to leave northern Gaza, is steadily expanding its annexation of the coastal strip. Palestinians are corralled like livestock into narrow metal chutes at distribution points which are overseen by heavily armed mercenaries. They receive, if they are one of the fortunate few, a small box of food.
Al-Ajouri, who before the genocide was a taxi driver, lives with his wife, seven children and his mother and father in a tent in al-Saraya, near the middle of Gaza City. He set out to an aid hub at Salah al-Din Road near the Netzarim corridor, to find some food for his children, who he said cry constantly “because of how hungry they are.” On the advice of his neighbor in the tent next to him, he dressed in loose clothing “so that I could run and be agile.” He carried a bag for canned and packaged goods because the crush of the crowds meant “no one was able to carry the boxes the aid came in.”
He left at about 9 p.m. with five other men “including an engineer and a teacher,” and “children aged 10 and 12.” They did not take the official route designated by the Israeli army. The massive crowds converging on the aid point along the official route ensure that most never get close enough to receive food. Instead, they walked in the darkness in areas exposed to Israeli gunfire, often having to crawl to avoid being seen.
“As I crawled, I looked over, and to my surprise, saw several women and elderly people taking the same treacherous route as us,” he explained. “At one point, there was a barrage of live gunfire all around me. We hid behind a destroyed building. Anyone who moved or made a noticeable motion was immediately shot by snipers. Next to me was a tall, light-haired young man using the flashlight on his phone to guide him. The others yelled at him to turn it off. Seconds later, he was shot. He collapsed to the ground and lay there bleeding, but no one could help or move him. He died within minutes.”
He passed six bodies along the route who had been shot dead by Israeli soldiers.
Al-Ajouri reached the hub at 2 a.m., the designated time for aid distribution. He saw a green light turned on ahead of him which signaled that aid was about to be distributed. Thousands began to run towards the light, pushing, shoving and trampling each other. He fought his way through the crowd until he reached the aid.
“I started feeling around for the aid boxes and grabbed a bag that felt like rice,” he said. “But just as I did, someone else snatched it from my hands. I tried to hold on, but he threatened to stab me with his knife. Most people there were carrying knives, either to defend themselves or to steal from others. Eventually, I managed to grab four cans of beans, a kilogram of bulgur, and half a kilogram of pasta. Within moments, the boxes were empty. Most of the people there, including women, children and the elderly, got nothing. Some begged others to share. But no one could afford to give up what they managed to get.”
The U.S. contractors and Israeli soldiers overseeing the mayhem laughed and pointed their weapons at the crowd. Some filmed with their phones.
“Minutes later, red smoke grenades were thrown into the air,” he remembered. “Someone told me that it was the signal to evacuate the area. After that, heavy gunfire began. Me, Khalil and a few others headed to al-Awda Hospital in Nuseirat because our friend Wael had injured his hand during the journey. I was shocked by what I saw at the hospital. There were at least 35 martyrs lying dead on the ground in one of the rooms. A doctor told me they had all been brought in that same day. They were each shot in the head or chest while queuing near the aid center. Their families were waiting for them to come home with food and ingredients. Now, they were corpses.”
GHF is a Mossad-funded creation of Israel’s Defense Ministry that contracts with UG Solutions and Safe Reach Solutions, run by former members of the CIA and U.S. Special Forces. GHF is headed by Rev. Johnnie Moore, a far-right Christian Zionist with close ties to Donald Trump and Benjamin Netanyahu. The organization has also contracted anti-Hamas drug-smuggling gangs to provide security at aid sites.
As Chris Gunness, a former spokesperson for the United Nations Relief and Work Agency (UNRWA) told Al Jazeera, GHF is “aid washing,” a way to mask the reality that “people are being starved into submission.”
Israel, along with the U.S. and European countries that provide weapons to sustain the genocide, have chosen to disregard the January 2024 ruling by the International Court of Justice (ICJ) which demanded immediate protection for civilians in Gaza and widespread provision of humanitarian assistance.
Haaretz, in its article headlined “‘It’s a Killing Field’: IDF Soldiers Ordered to Shoot Deliberately at Unarmed Gazans Waiting for Humanitarian Aid” reported that Israeli commanders order soldiers to open fire on crowds to keep them away from aid sites or disperse them.
“The distribution centers typically open for just one hour each morning,” Haaretz writes. “According to officers and soldiers who served in their areas, the IDF fires at people who arrive before opening hours to prevent them from approaching, or again after the centers close, to disperse them. Since some of the shooting incidents occurred at night — ahead of the opening — it’s possible that some civilians couldn't see the boundaries of the designated area.”
“It's a killing field,” one soldier told Haaretz. “Where I was stationed, between one and five people were killed every day. They're treated like a hostile force — no crowd-control measures, no tear gas — just live fire with everything imaginable: heavy machine guns, grenade launchers, mortars. Then, once the center opens, the shooting stops, and they know they can approach. Our form of communication is gunfire.”
“We open fire early in the morning if someone tries to get in line from a few hundred meters away, and sometimes we just charge at them from close range. But there’s no danger to the forces,” the soldier explained, “I’m not aware of a single instance of return fire. There’s no enemy, no weapons.”
He said the deployment at the aid sites is known as “Operation Salted Fish,” a reference to the Israeli name for the children’s game “Red light, green light.” The game was featured in the first episode of the South Korean dystopian thriller Squid Game, in which financially desperate people are killed as they battle each other for money.
Israel has obliterated the civilian and humanitarian infrastructure in Gaza. It has reduced Palestinians, half a million of whom face starvation, into desperate herds. The goal is to break Palestinians, to make them malleable and entice them to leave Gaza, never to return.
There is talk from the Trump White House about a ceasefire. But don’t be fooled. Israel has nothing left to destroy. Its saturation bombing over 20 months has reduced Gaza to a moonscape. Gaza is uninhabitable, a toxic wilderness where Palestinians, living amid broken slabs of concrete and pools of raw sewage, lack food and clean water, fuel, shelter, electricity, medicine and an infrastructure to survive. The final impediment to the annexation of Gaza are the Palestinians themselves. They are the primary target. Starvation is the weapon of choice.
Tradução aqui
segunda-feira, 26 de maio de 2025
Enfrentar a crise climática e a mortalidade humana com Eiren Caffall
domingo, 25 de maio de 2025
Gabor Maté, Chris Hedges and Aaron Maté on 'Palestine: The Moral Issue of Our Time'
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quarta-feira, 7 de maio de 2025
O fim da sociedade aberta - a LER antes das eleições
O golpe de estado corporativo e o colapso da democracia americana começaram muito antes de Trump. Ele está simplesmente a extinguir o que resta.
Chris Hedges, jornalista, Prémio Pulitzer. Por quase duas décadas foi correspondente na América Central, Oriente Médio, África e Bálcãs.
"Os fascistas cristãos e os oligarcas que entregam alegremente a Donald Trump a sua caneta afiada e as suas ordens executivas não estão a fazer guerra ao Estado profundo, à esquerda radical ou a proteger-nos dos “anti-semitas”. Estão a fazer guerra a factos verificáveis, ao Estado de direito e à transparência e responsabilidade que só é possível com uma imprensa livre, o direito à dissidência, uma cultura vibrante e uma separação de poderes, incluindo um poder judicial independente.
Todos estes pilares de uma sociedade aberta, como detalho no meu livro “Death of the Liberal Class”, foram degradados muito antes de Trump. A imprensa, incluindo a radiodifusão pública, a academia, o Partido Democrata, uma cultura corporativa e banal, um sistema judicial que serve a classe bilionária e um Congresso comprado por lobistas, foram estirpados. São facilmente eliminados. Poucos querem levantar-se para os defender. Eles venderam-nos. Deixem-nos morrer.
“A perda da classe liberal cria um vazio de poder preenchido por especuladores, especuladores de guerra, gangsters e assassinos, muitas vezes liderados por demagogos carismáticos”, escrevi em “Death of the Liberal Class”, em 2010. "Abre a porta a movimentos totalitários que se tornam proeminentes ridicularizando e ridicularizando a classe liberal e os valores que ela afirma defender. As promessas destes movimentos totalitários são fantásticas e irrealistas, mas as suas críticas à classe liberal são baseadas na verdade."
O fascismo nasce de um liberalismo falido que renunciou ao seu papel tradicional numa democracia capitalista. Já não melhora os piores excessos da classe dominante e do império, instituindo reformas graduais e fragmentadas. Repreende e moraliza os trabalhadores destituídos de direitos que traiu.
Os meios de comunicação social dão mais prioridade ao acesso aos poderosos do que à verdade. Amplificaram as mentiras e a propaganda para nos empurrarem para uma guerra contra o Iraque. Enalteceram Wall Street e garantiram-nos que era prudente confiar as nossas poupanças a um sistema financeiro gerido por especuladores e ladrões. As poupanças foram destruídas. Alimentaram-nos com as mentiras do Russiagate. Servem servilmente o lobby de Israel, distorcendo a cobertura do genocídio e dos protestos nas universidades para demonizar os palestinianos, os muçulmanos e os estudantes que protestam. Dançam ao som da música dos seus anunciantes e patrocinadores empresariais. Tornam invisíveis sectores inteiros da população, cuja miséria, pobreza e queixas deveriam ser o principal foco do jornalismo.
As universidades transformaram-se em empresas. Os administradores de topo, que muitas vezes têm um Master of Business Administration (MBA), com pouca ou nenhuma experiência no ensino superior, juntamente com os treinadores desportivos que têm potencial para ganhar dinheiro para a universidade, são altamente compensados com salários na ordem das centenas de milhares de dólares, com treinadores premiados e presidentes de faculdades a ganharem milhões.
Atualmente, pouco mais de 10% dos postos de trabalho do corpo docente são ocupados por professores titulares. Cerca de 45% são empregados contingentes a tempo parcial ou adjuntos. Um em cada cinco é a tempo inteiro e não é titular. As universidades, ao reduzirem radicalmente os postos de trabalho com direitos adquiridos e adequadamente remunerados, tornaram-se extensões da economia informal. Os professores adjuntos e os trabalhadores licenciados são muitas vezes obrigados a candidatar-se ao Medicaid, a aceitar segundos empregos a dar aulas noutras faculdades, a conduzir para a Uber ou para a Lyft, a trabalhar como caixas, a entregar comida para a Grubhub ou para a DoorDash, a passear cães, a tomar conta de casas, a servir à mesa e a viver quatro ou seis pessoas num apartamento ou a acampar no sofá de um amigo.
Um corpo docente mal pago e sem segurança no emprego não levanta questões que desafiem a narrativa dominante, seja sobre a desigualdade social, as corporações predadoras, os crimes do império, o genocídio israelita ou o nosso estado de guerra permanente. Se o fizerem, são despedidos. Entretanto, os administradores superiores das universidades recebem bónus por “reduzirem as despesas”, aumentando as propinas e as taxas, cortando pessoal e suprimindo salários. Esta instabilidade garante aos doadores ricos que a ideologia neoliberal que está a devastar o país, para além de permitir o genocídio em Gaza, não será questionada pelos académicos que temem perder os seus cargos. Os ricos e os poderosos são louvados. Os trabalhadores pobres, incluindo os empregados pela universidade, são esquecidos.
Como Irving Howe assinalou no seu ensaio de 1954 “This Age of Conformity”, a "ideia da vocação intelectual - a ideia de uma vida dedicada a valores que não podem ser realizados por uma civilização comercial - perdeu gradualmente o seu encanto. E é isso, mais do que o abandono de um programa particular, que constitui a nossa derrota". A crença de que o capitalismo é o motor inatacável do progresso humano, escreve Howe, “é apregoada através de todos os meios de comunicação: propaganda oficial, publicidade institucional e escritos académicos de pessoas que, até há poucos anos, eram os seus principais opositores”.
quinta-feira, 27 de março de 2025
Apagando a História: Como o Fascismo Funciona , com Jason Stanley
Resenha do Livro "Como funciona o fascismos"
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