sábado, 13 de abril de 2024

O nome de Zeca Afonso voltou à superfície dos dias, pois aproxima-se o 25 de Abril

No parlamento há 50 deputados que não sairão à rua nesse dia. E mais de um milhão de portugueses decidiram colocar a cruz num partido que não defende a liberdade e a democracia.

José Afonso dedico a ti este poema.

"Na luta pelo povo, Zeca Afonso marchou,
Com a sua voz firme, a opressão enfrentou.
Nas notas das suas canções, ecoava a liberdade,
Era o eco de um povo em busca de igualdade.

No 25 de abril, o seu canto ressoou alto e claro,
Contra o fascismo, ele foi um guerreiro raro.
Mas a vida, implacável, lhe lançou um duro fado,
A esclerose lateral amiotrófica, cruel e desgraçado.

Abandonado por muitos, mas nunca por sua voz,
Zeca lutou até o fim, apesar de ter sido atroz.
O seu corpo enfraquecido, mas o seu espírito não cedeu,
A sua música continuou, o seu legado floresceu.

Pobre e desamparado, assim ele se viu,
Mas a sua alma livre, no coração do povo sorriu.
Hoje, lembramos com saudade o grande Zeca Afonso,
E juramos que o fascismo, em nós, nunca terá pranto."
João Soares, 12.04.2024

sexta-feira, 12 de abril de 2024

Música do BioTerra: Brian Eno - Baby's on Fire


Baby's on fire
Better throw her in the water
Look at her laughing
Like a heifer to the slaughter

Baby's on fire
And all the laughing boys are bitching
Waiting for photos
Oh the plot is so bewitching

Rescuers row, row
Do your best to change the subject
Blow the wind blow, blow
Lend some assistance to the object

Photographers snip snap
Take your time, she's only burning
This kind of experience
Is necessary for her learning

If you'll be my flotsam
I could be half the man I used to
They said, "You were hot stuff
And that's what baby's been reduced to"

Juanita and Juan
Very clever with maracas
Makin' their fortunes
Selling second-hand tobaccos

Juan dances at Chico's
And when the clients are evicted
He empties the ashtrays
And pockets all that he's collected

But baby's on fire
And all the instruments agree that
Her temperature's rising
But any idiot would know that 

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Estado Novo- pobreza instituída, bufaria, guerra e tortura


A tremenda miséria que eu vi neste país no tempo do ditador é incontornável e insuportável. E Irene Pimentel estimou que durante o Estado Novo morreram cerca de 600.000 crianças, adultos e idosos. A esperança de vida era muito mais baixa que hoje.
Quando os fascistas da rede X vêm contestar os 50 anos de Liberdade, compararam o Portugal de Salazar com regimes de Cuba e da ex-União Soviética. Relembro este gráfico da mortalidade infantil pós- 25 de Abril. Elucidativo. Vocês não têm argumentos. 
Repararem como Salazar está com luvas para encher um copo a um pobre (podia ter doenças, medo de ser contagiado com alguma doença)

O 25 de Abril acabou com: 
A censura 
A tortura
A prisão e execução arbitrárias 
A guerra colonial 
O domínio imperial 
A bufaria e a PIDE 
O partido único 
A repressão dos trabalhadores 
Portanto não, não acho estranho que quem se afirme de direita seja contra. Acho estranho que aceitemos a antidemocracia.

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Música do BioTerra: Joe Strummer - Forbidden City



Okay, dream of freedom
Under the moon in the dragon room
Inside the mind of a soul confined
Don't talk about soon in the dragon room
Under the scream of a jet machine
Who knows in the hills
Who knows when she will

[Refrão] 4x
When all the hidden pity in the Forbidden City comes out

Gold silk in a loom in the dragon room
That silk that will be for the flag of the free
Who knows in the hills
Who knows when she will

[Refrão]

Yeah, China
Whoa, oh, China
Yeah, China

[Refrão]

Oh, China
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Quem é Paulo Otero, co-autor do livro "Identidade e Família" e amigo de Pedro Passos Coelho



Paulo Otero identifica-se como Professor Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e Professor Decano de Direito Público.
Consultor jurídico de entidades públicas e privadas.
Autor de mais de uma centena de títulos publicados nos domínios do Direito, da Ciência Política e da História. Exerceu já funções como Presidente do Conselho Directivo da Faculdade de Direito e de Coordenador do Centro de Investigação da Faculdade de Direito.
Nesta palestra que decorreu num Jantar Conferência da TEM/CDS, 1º de Dezembro de 2018, Guimarães, Paulo Otero afirma que "Família é o exemplo de Maria, José e Jesus". Ora vamos lá verificar isto:
1º A Maria tinha 14 anos e o José cerca de 80 
2º Maria concebeu virgem Jesus, filho de Deus. Portanto o José não é pai. Quanto muito padrasto.

Se isto é o conceito de família "tradicional", algo de errado se passa.

E quanto ao 25 de Abril está muito enganado. O 25 de Abril acabou com:
A censura
A tortura
A prisão e execução arbitrárias
A guerra colonial
A bufaria e a PIDE
O partido único
A repressão dos trabalhadores

Portanto não, não acho estranho que quem se afirme de direita seja contra. Acho estranho que aceitemos a antidemocracia
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Obrigado

Música do BioTerra: Agent Side Grinder - Stripdown



Para os madrugadores. Saudades das noites de boémia, dos copos, animação, tagarelar, bailar.

Strip it down to the floor
Strip it down to the ritual ground
Strip it down to the scene
Where it all began

Strip it down to the skin
Further down to the chilling bone
Where you freeze the most
Where you feel the most

Strip it down to the heart
Strip it down to that bleeding stone
Strip it down to the beat
Just a metal stick

Mind is deconstructing
Mind is self-destructing
Mind is going down the drain

Body coldly burning
Pulse slowly returning
Out of ash to grow again

Strip it down to the core
Further down to the naked truth
Where you freeze the most
Where you hurt the most

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Cão desaparecido


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quarta-feira, 10 de abril de 2024

Conversar com a Natureza


"Conversar com a natureza é como dialogar com um amigo íntimo, cujo amor e beleza transcendem todas as palavras. A nossa entrega apaixonante é como um abraço caloroso que envolve a alma, purificando-a de preocupações e aflições mundanas. Ao mergulhar na natureza, encontramos uma sensação de plenitude, de estar completo e inteiro.

Os seus ritmos e padrões são mais vívidos e complexos do que qualquer pintura já criada. Cada movimento das folhas dançando ao vento, cada onda quebrando na costa, cada raio de sol filtrando através das folhas das árvores é uma obra-prima única, uma tela viva que transcende a arte humana.

Na presença da natureza, a poesia surge espontaneamente nos nossos corações. As suas paisagens inspiram versos que fluem como rios límpidos, carregando consigo a essência da vida. Cada detalhe, cada momento, é uma estrofe num poema eterno, cantando a beleza e a majestade do mundo natural.

Assim, ao conversar com a natureza, entregamos as nossas almas à sua magnificência, permitindo-nos ser purificados e renovados. Em sua presença, encontramos uma paz que vai além das palavras, uma conexão que transcende o entendimento. A natureza é verdadeiramente a maior fonte de inspiração, cura e beleza neste mundo."

Foto e poema de João Soares, 10.04.2024
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Poema: Saga

Saga
"No vasto palco do céu,
Uma saga de nuvens se desenrola,
Como actores dançantes num teatro celestial.
Cada nuvem, um poema em movimento,
Sussurrando segredos aos ventos,
Carregando consigo o aroma da terra molhada.
O terreno abaixo, um tapete a esperar,
A limpeza purificadora do ar,
Onde cada partícula de pó é abraçada pela chuva.
Gotas de cristal, como mensageiras do céu,
Caindo num ritmo suave e constante,
Desenhando linhas de vida nos campos sedentos.
E o céu, muitas vezes de chumbo,
Um aviso solene da tempestade iminente,
Mas também um convite para a contemplação serena.
Nas margens dos rios e mares,
Onde a água se mistura com o horizonte,
A poesia encontra sua morada eterna.
Assim é a dança cósmica da natureza,
Uma sinfonia de elementos entrelaçados,
Que inspira os poetas a tecerem as suas palavras."
Poema e foto de João Soares - 09.04.2024

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terça-feira, 9 de abril de 2024

Campanha de recolha de donativos


O trabalho de um blogueiro é tão trabalhoso como o de um influencer ou youtuber. Implica análise de documentários, resumos dos mesmos, tradução de artigos científicos, síntese dos mesmos. Elaboração de muitos cartazes, minhas reflexões e partilha de notícias relevantes na área da Educação Ambiental. Sou um profissional competente, com Mestrado em Ecologia. 
Por isso, meus caros leitores surgiu esta ideia de recolha de donativos, para estimular a continuação deste trabalho (2 a 3 horas diárias).

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Inação climática: decisão do Tribunal Europeu sobre Portugal iminente


O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem pronuncia-se esta terça-feira sobre a queixa dos jovens portugueses contra Portugal e outros 32 países sobre alterações climáticas.

Será um dia marcante para o direito ambiental e que poderá ter consequências diretas para Portugal. Quatro anos volvidos desde que o caso chegou a Estrasburgo, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH) vai pronunciar-se esta terça-feira sobre a queixa feita pelos seis jovens portugueses contra o Estado português e outros 32 por inação climática. Mas esta não é a única decisão sobre alterações climáticas esperada da audiência pública - marcada para as 10h30 (menos uma hora em Lisboa). O caso não é apenas contra Portugal, mas contra todos os Estados-Membros da UE, a Noruega, a Suíça, a Turquia, o Reino Unido e a Rússia.

A par do caso português, estão também na agenda da Grande Câmara outros dois casos. Um deles foi levantado contra a Suíça por um grupo de 2.400 idosas que se queixam que as políticas do país sobre o clima põem em causa a sua saúde, nomeadamente durante as ondas de calor. O primeiro dos casos foi apresentado pela KlimaSeniorinnen (Idosos Suíços para a Proteção do Clima). Esta associação de 2.500mulheres suíças tem uma idade média de 73 anos. As idosas suíças apresentaram uma queixa sobre várias "falhas" em matéria de alterações climáticas que "iriam prejudicar seriamente o seu estado de saúde". Argumentam que as políticas do seu governo são "claramente inadequadas" para manter o aquecimento global abaixo do limite previsto pelo Acordo de Paris de 1,5ºC. Depois de lutarem nos tribunais suíços durante vários anos e de terem sido finalmente derrotadas no Tribunal Federal - o mais alto do país -, levaram o caso ao TEDH.

A outra queixa é do ex-autarca de Grande-Synthe, que acusa França de não fazer o suficiente para prevenir as alterações do clima. O antigo presidente da câmara da cidade francesa de Grande-Synthe, Damien Careme, queixa-se das "deficiências" do governo que colocam a sua cidade em risco devido à subida do nível do mar.

O que significa o acórdão para a ação climática?
Como todos os países acusados são membros do Conselho da Europa (instituição separada da União Europeia que se dedica à defesa e promoção dos Direitos Humanos no continente), todos eles ratificaram a Convenção Europeia para a Proteção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais e estão por isso vinculados pelas decisões deste tribunal. Assim, se Portugal perder o caso, isto significa que o governo pode ter de alterar a legislação e as suas práticas administrativas para dar resposta às queixas.

Estes três casos levantam várias questões jurídicas sobre as obrigações de um governo no que diz respeito às alterações climáticas. Entre elas, o dever de prevenir danos previsíveis aos direitos humanos causados pelas alterações climáticas; quem pode procurar proteção e reparação dos danos climáticos junto do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos; e o papel do direito internacional, como o Acordo de Paris, na determinação do que é uma ação climática adequada.

A Convenção Europeia dos Direitos Humanos não faz qualquer referência específica às alterações climáticas. Mas o tribunal já decidiu, a favor da indústria e da gestão de resíduos, que, com base no artigo 8.º ou no direito ao respeito pela vida privada e familiar, os Estados têm a obrigação de manter um "ambiente saudável".

Se o tribunal decidir a favor destes três casos, poderá abrir um precedente para que outros indivíduos recorram ao TEDH para obter reparação pelo facto de o seu governo não os proteger das consequências das alterações climáticas.

Os acórdãos aplicar-se-iam à forma como a lei dos direitos humanos é interpretada para proteger os cidadãos das alterações climáticas nos 46 Estados-Membros do Conselho da Europa. Estes casos poderão também servir de modelo para futuras decisões judiciais, influenciando os casos climáticos ainda pendentes na Europa e em todo o mundo.

Petição Criação da Ordem dos Geólogos (2024)

Para: Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia da República

Os geólogos são profissionais com formação superior específica no vasto domínio da geologia, debruçando-se, nomeadamente, no estudo do solo, do subsolo, dos processos geológicos ativos e daqueles que ocorreram ao longo da história da Terra. Atuam, igualmente, no âmbito do ordenamento e planeamento do território, na exploração e gestão sustentável dos recursos naturais, e na prevenção e mitigação dos riscos geológicos. O desempenho da profissão de geólogo está dependente do conhecimento geológico do território, sendo este de importância estratégica para o desenvolvimento socioeconómico do país. Estes profissionais contribuem para a obtenção de soluções sustentáveis para muitos dos grandes problemas sociais, económicos e ambientais que a Sociedade enfrenta, tais como as mudanças climáticas, a transição energética, a escassez hídrica e o declínio dos ecossistemas.

A profissão de geólogo tornou-se, nas últimas décadas, complexa e muito diversificada devido à sua ligação com outras profissões numa grande variedade de domínios de atividade, nomeadamente, nos sectores das indústrias de construção, extrativa e energética, do ordenamento do território, da gestão ambiental, bem como da prestação de serviços especializados ao Estado e às empresas. Atua, ainda, nos setores da proteção ambiental e societal. Ou seja, o geólogo é um especialista com um olhar único na proteção e gestão sustentável do nexo solo-água-energia-alimentos-património, tão destacado, por exemplo, pela ONU – Organização das Nações Unidas, FAO - Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, e UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Tem, também, um papel determinante na dinamização da geologia espacial dos programas da AEP - Agência Espacial Portuguesa, ESA – Agência Espacial Europeia e NASA - Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Estados Unidos da América).

Neste quadro complexo, mas desafiante, os geólogos defendem a necessidade da criação de uma associação pública profissional, assentando esta aspiração em quatro pontos fundamentais:

1) A necessidade de uma cabal regulação da profissão, visando definir os requisitos e as qualificações profissionais, o âmbito da profissão e a exigência dos respetivos atos profissionais, levando à atribuição de uma certificação através de uma cédula profissional, elevando assim os mais exigentes padrões na prática do geólogo profissional englobando todos os princípios éticos e de probidade técnica que acarretam;

2) A necessidade de dispor de um código de princípios deontológicos e de dispositivos jurídico-disciplinares adequados à defesa da independência do julgamento profissional;

3) A necessidade de criar condições que permitam o reconhecimento das qualificações e requisitos profissionais em condições de reciprocidade com instituições homólogas nacionais e estrangeiras, visando garantir o exercício da atividade profissional dos geólogos portugueses dentro e fora do espaço europeu;

4) A verificação do cumprimento de requisitos profissionais deve ser confiada aos próprios geólogos constituídos em associação pública profissional, dado que, face à atual complexidade desta atividade profissional, estão mais bem apetrechados para a realizar, compatibilizando a liberdade de acesso e de exercício da profissão, e a ponderação do interesse público.

A estreita relação entre a natureza da profissão e o interesse público emerge com clareza do simples enunciado de algumas das áreas mais paradigmáticas da intervenção profissional dos geólogos:

a) Planeamento territorial e georrecursos: estudos de cartografia geológica sistemática do país, realizada a várias escalas, implementação e gestão de bases de dados digitais da cartografia geológica, dos recursos geológicos, hidrogeológicos e geotérmicos, entre outros. Apoio à execução de cartografia temática e com fins diversos que incluem uma perspetiva agronómica, agrícola, geotécnica, hidrológica, territorial e de risco natural/geológico. De facto, o território é um agente de transformação a ser conhecido e gerido de uma forma ambientalmente sustentável e de interligação com todos os agentes envolvidos, incluindo as comunidades e os ecossistemas;

b) Riscos naturais, segurança e proteção civil: previsão e prevenção de riscos naturais visando a minimização dos desastres, a proteção da vida humana e a limitação de danos (identificação das falhas sísmicas e zonamento do perigo sísmico das regiões e dos sítios, contribuição na engenharia sísmica geotécnica, monitorização da atividade vulcânica, controlo da erosão, da estabilidade de taludes, das encostas e das arribas de praia ou adjacentes a outros espaços públicos, entre outros);

c) Análise de riscos na construção e economia das grandes obras: estudo e avaliação das condições geológico-geotécnicas para o projeto e construção das grandes obras de engenharia e identificação dos riscos financeiros, bem como de problemas de desempenho induzidos por causas geológicas (a derrapagem do custo final das grandes obras está frequentemente relacionada com a falta ou com a insuficiência de estudos de geologia de engenharia);

d) Ambiente, água, território e adaptação às mudanças climáticas: prospeção, pesquisa, captação e proteção de águas subterrâneas; contributo para a avaliação, proteção e gestão sustentável dos recursos hídricos e recursos hidrominerais, a várias escalas; avaliação da radioatividade natural; estudos sobre o uso sustentável do solo; prevenção e mitigação de riscos naturais ou tecnológicos; remediação de solos e águas contaminadas, monitorização da erosão costeira, restauro da natureza, gestão da geodiversidade, entre outros;

e) Gestão sustentável e proteção dos recursos naturais: prospeção, avaliação e extração dos recursos minerais numa base eco-eficiente (metálicos estratégicos e não-metálicos); estudo, caracterização e gestão de geomateriais; colaboração na exploração e gestão dos recursos energéticos (como a geotermia); conservação do património geológico e valorização do geoturismo;

f) Saúde pública e geologia: prevenção dos riscos de contaminação dos solos e das águas subterrâneas, com base no estudo dos sistemas aquíferos, da sua vulnerabilidade e dos processos de propagação dos contaminantes; estudo da contaminação dos solos e dos métodos de descontaminação; avaliação do risco de exposição da radioatividade natural; estudos e o papel da geologia médica nos solos-alimentos-água; o papel terapêutico e de bem-estar dos recursos hidrominerais; contributos dos recursos hidrominerais em produtos farmacêuticos e dermocosméticos, entre outros temas;

g) Geologia marinha e reconhecimento dos fundos oceânicos da Zona Económica Exclusiva (ZEE) de Portugal: o nosso país detém a maior ZEE da Europa, revestindo-se esta de grande valor estratégico e potencial base de um novo paradigma do desenvolvimento económico do país ligado à Economia do Mar e Oceanografia Geológica. Os geólogos têm um papel preponderante no estudo da geologia dos fundos marinhos, e no estudo, exploração e gestão dos valiosos recursos naturais localizados na ZEE. A geologia costeira é, igualmente, importante na gestão, valorização da zona costeira continental e insular, bem como para a valorização deste fantástico e frágil território de interface com o oceano;

h) Investigação, ensino e cultura: os geólogos têm um papel extremamente relevante quer nas atividades de investigação, desenvolvimento e inovação em equipas inter, multi e transdisciplinares, quer no ensino básico, secundário e superior, bem como na formação de cidadãos cultos e informados. É, igualmente, relevante a sua participação em programas de astrogeologia para a difusão da geologia planetária, promovidos pela AEP e ESA. Os geólogos têm, também, um papel pertinente na difusão e disseminação de uma literacia e cultura geocientífica esclarecida direcionada aos cidadãos, através de programas e iniciativas de divulgação científica.

Assim, tendo em conta a defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos, a salvaguarda do interesse público e a correlativa necessidade de autorregulação da profissão de Geólogo, assinamos esta petição solicitando à Assembleia da República a criação da Ordem dos Geólogos.

Música do BioTerra: Anohni - Drone Bomb Me

[Chorus 1]
Drone bomb me
Blow me from the mountains, and into the sea
Blow me from the side of the mountain
Blow my head off, explode my crystal guts
Lay my purple on the grass

[Verse 1]
I have a glint in my eye, I think I wanna die
I wanna die
I wanna be the apple of your eye

[Chorus 1]

[Verse 2]
Let me be the first
I'm not so innocent
Let me be the one
The one that you choose from above
After all, I'm partly to blame

[Chorus 2]
So, drone bomb me, I'm partly to blame
Blow me from the mountains, and into the sea
I'm partly to blame
Blow me from the mountains, and into the sea
I wanna die
I’m not so innocent
I'm partly to blame
Blow my head off
Explode my crystal guts

[Verse 3]
My blood, my blood, my blood
Choose me, choose me, choose me tonight
Choose me
Let me be the one
The one that you choose tonight
Choose me tonight, tonight

Acerca do Tema: Drone Bomb Me

segunda-feira, 8 de abril de 2024

Não ao Serviço Militar Obrigatório

Parece que é altura de recuperar velhas playlists. Tropa? Não, obrigado.

Peste & Sida - Pátria Sábia


(Re)Ler: Serviço inútil obrigatório

Nova árvore da vida das Aves


Um novo estudo genético dá agora uma ideia mais clara sobre a árvore genealógica das aves. Todas têm um ancestral comum, que viveu há cerca de 90 milhões de anos, que se dividiu em 3 grupos: o das aves que nas voam, como a ema, o kiwi e a avestruz, o dos patos, galinhas de água e afins, e o das Neoaves, que inclui mais de 95% das aves actuais. Mas só há cerca de 61 milhões de anos, após a extinção dos dinossaurios seus parentes 5 milhões de anos antes, é que as aves se diversificaram. O mesmo aconteceu com os mamíferos, cujas linhagens ancestrais remontam ao Jurássico, mas que que se mantiveram na sombra até à extinção dos dinossaurios.

Uma ave, o hoatzin da América do Sul, não se parece com nada e é a única representante da sua linhagem, mantendo-se a sua origem um mistério. Curiosa é a associação dos falcões com os papagaios. Já os passeriformes, que representam mais de 50% de todas as aves, terão surgido na Austrália e daí se expandido para todo o mundo. São o grupo mais recente e diverso do planeta.

O estudo do genoma é o produto de quase uma década de pesquisa, conduzida como parte do Projeto Bird 10.000 Genomes. O objetivo final deste projeto é sequenciar os genomas de todas as 10.000 espécies de aves vivas.

Serviço inútil obrigatório

Por Filipe Gil
Foi o dia mais inútil da minha vida. Bem cedo, numa manhã de sol, fui de autocarro até à Calçada da Ajuda, em Lisboa, para o dia de inspeção militar. Eu e uma centena de jovens de várias regiões do país (notava-se pelos diferentes sotaques) juntámo-nos num pavilhão do Quartel da Ajuda para ouvir um militar - não me lembro da patente - discursar sobre aquele momento e a importância do serviço militar para Portugal. Depois seguimos para uma longa fila à espera da dita inspeção. Horas e horas de espera num dia de sol que, mesmo depois do discurso do militar, não deixaram de parecer completamente inúteis.

Uma vez feitos os testes, sentei-me em frente de um outro militar para responder a um questionário. Das perguntas recordo-me de uma que julguei ter-me deixado em maus lençóis, sobretudo porque o meu interesse em ir à “tropa” era nulo. Estava muito mais interessado em continuar os estudos do que ver a minha vida interrompida durante uma série de meses para fazer o tal serviço militar então obrigatório. À pergunta: “Faz desporto?”, respondi orgulhosamente: “Sim, sou federado em andebol há vários anos!”. Arrependi-me meio segundo depois quando vi o militar a sorrir como quem dizia: “já não te safas!”. Mas a pergunta seguinte, sobre a área de estudo que ia seguir, colocou-me certamente na reserva. Respondi que ia estudar Ciências da Comunicação, e aí o militar encolheu os ombros com indiferença. Fiquei feliz. E mais feliz fiquei quando ao final da tarde os militares indicaram que não seria necessário regressar no dia seguinte como até aí estava previsto. Foram horas totalmente inúteis que não despertaram em mim qualquer veia patriótica para me juntar ao serviço militar. E naquelas horas de tédio lembrei-me do meu pai contar um dos piores momentos da sua vida: o dia em que se despediu dos seus pais para embarcar na viagem que o levou para combater na guerra em Angola. E como diz o ditado, “filho és, pai serás…”, sou pai de dois rapazes e não consigo ficar indiferente a esta memória, nem à ideia agora trazida à baila por várias chefias militares portuguesas do regresso do Serviço Militar Obrigatório (SMO)  - e o que isso implicará na vida dos meus filhos.

É certo que vivemos uma ameaça cada vez mais real de Putin atacar outros países para além da Ucrânia, o que implicará uma resposta à altura dos países da NATO (à qual Portugal pertence). Mas basta ligar as televisões e ler os jornais para ver que a forma de fazer guerra mudou, é feita com muita tecnologia e com militares muito especializados. O coronel (e capitão de Abril) Carlos Matos Gomes relembrou isso mesmo num artigo publicado na revista Visão esta semana: “As guerras atuais assentam em sofisticados sistemas de armas e os soldados só servem como alvo e para morrer dentro das trincheiras”. Será preciso acrescentar mais?

Convém relembrar que, em tempos, as forças armadas, tal como a ida para o seminário, eram formas de sair da pobreza extrema da ditadura de Salazar. Um país que viu demasiadas vezes os filhos das famílias amigas do regime serem dispensados de irem “à tropa” ou de serem enviados para a guerra. 
Por isso, ao invés de se pensar no SMO “com base em estados de alma”, como disse o general Luís Valença Pinto na edição de ontem do DN, não será sim melhor pensar o assunto com estratégia para  “valorizar a carreira militar”, como disse em campanha Pedro Nuno Santos ou criar um “sistema de incentivos” para a carreira militar como disse na mesma altura o agora primeiro-ministro Luís Montenegro?

Em tempo de paz, o serviço militar obrigatório vai interromper a vida de muitos jovens, que nesse período devem ter outras experiências muito mais interessantes , estudar, viajar, entre outras coisas. Já se for em tempo de guerra, o SMO servirá para mandar carne para canhão. E se há cerca de um milhão de portugueses muito ávidos de saudosismo, convém relembrar todos os dias que são uma minoria, o resto não vai em cantigas saudosistas. Mas o caminho não é por aí, devemos pensar sim no serviço militar com uma forte vertente profissionalizada, bem paga, e sempre como uma escolha, nunca como uma obrigação. Ideias avulsas, atiradas para o ar, como esta do regresso do SMO, tiram-nos o foco do que é importante e de tratar os assuntos de forma séria. Mas vá, concentremo-nos no que importa: o velho e o novo logótipo do governo português…

domingo, 7 de abril de 2024

Poema: Jardim das Flores Brancas


"No jardim das flores brancas,
Perfume subtil paira no ar,
Beleza que encanta, que lança
A sua aura de paz a contemplar.

Em cada pétala, uma história,
Um poema que a natureza compõe,
Numa dança suave e notória,
Que aos corações mais duros amolece.

Contemplação profunda, olhar sereno,
Nesse jardim, a alma se aquieta,
E encontra-se em cada pequeno
Detalhe, a essência que completa.

Flores brancas, símbolos de pureza,
No seu silêncio, segredos contidos,
Inspiração para uma alma em clareza,
Neste poema que busca os sentidos.

Que o jardim das flores brancas
Seja sempre fonte de inspiração,
E em sua beleza, as nossas esperanças
Encontrem renovada comunhão."

Foto e poema de João Soares. 07.04.2024

Petição - Contra a Reversão da Nova Identidade Visual do Governo de Portugal


Os autores da petição pública declaram-se “unidos além de fronteiras profissionais ou ideológicas” e criaram-na para “repudiar” a recente decisão do primeiro-ministro Luís Montenegro (uma das primeiras do novo executivo e que já gerou profunda discussão) de reverter aquela que consideravam ser “a inovadora identidade visual do Governo de Portugal”. O governo revelou desta forma, consideram, “uma perspectiva alarmantemente retrógrada”.

“Esta ação não apenas desconsidera a vitalidade e a relevância da comunidade artística, criativa e de design, mas também subestima a capacidade intelectual e crítica de toda a população portuguesa”, justificam os autores desta petição.

Considerado “um trabalho de renome mundial”, a petição considera que a anterior identidade visual do governo, entretanto revogada, foi totalmente “ignorada” e que se “regrediu a práticas obsoletas”. “Tal medida reflete uma desconexão profunda com valores contemporâneos essenciais para a evolução da sociedade portuguesa no palco global”, acusa-se.

Ainda segundo esta petição pública, que soma já algumas milhares de assinaturas, a identidade visual anterior [de 2011], mas que agora é a vigorante novamente, é “tecnicamente inadequada e visualmente obsoleta”, contrariando os “princípios básicos do design eficaz” e colocando Portugal “numa posição de desvantagem no diálogo internacional e na economia criativa mundial”.

Por forma a reverter o que é entendido como um “golpe contra a cultura de inovação”, os autores da petição exigem que esta decisão “seja imediatamente parada”. “Portugal merece uma identidade que espelhe o seu legado histórico e a sua dinâmica contemporânea, uma identidade que nos propulse para o futuro, não que nos arraste para o passado”, concluem.

Música do BioTerra: Zanias - Thanatos (feat. Lynette Cerezo of Bestial Mouths)


O toque de Thanatos

sábado, 6 de abril de 2024

Pensamento de Erasmo de Roterdão


"Quanto menos talento eles têm, mais orgulho, vaidade e arrogância têm. Todos esses tolos, porém, encontram outros tolos que os aplaudem."
– Erasmo de Roterdão (1466 – 1536) in "Laus Stultitiae" ("Elogio da Loucura"), 1509

Esta célebre e incontornável obra, ainda que com mais de 500 anos, continua atual. O autor levanta o véu que cobre e tolda o olhar e humano, numa denúncia dos comportamentos sociais. É introduzida a linha do Humanismo nesta amálgama satírica.

Música do BioTerra: Pachelbel Canon in D Major - the original and best


Cânone em Ré Maior, é um cânone do compositor alemão Johann Pachelbel. Seu nome original é Cânone e Giga para 3 violinos e baixo contínuo, às vezes também chamado de Cânone e Giga em ré ou Cânone de Pachelbel. Wikipédia

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Porque é que devemos levar o deputado do Chega, Gabriel Mithá Ribeiro, muito a sério


Por Vítor Matos
Eu sou um “herdeiro” de assassinos como Estaline ou Mao, um “polícia mental" do “aparelho repressivo” deste “tumor da democracia” que é a comunicação social. Sou um foco de “infeções psíquicas” para a sociedade, um jornalista-autor que usa as mesmas técnicas totalitárias dos “genocidas” estalinistas ou nazis no extermínio dos judeus. Se pudesse, o sr. deputado Mithá Ribeiro internava-me num campo de reeducação. Devemos levá-lo a sério

Caro leitor, fica avisado que não deve ler este texto, se quiser manter a sua saúde mental. Proteja-se, por favor, das “infecções psíquicas” e da “pandemia mental” desta prosa infeta, de um autor “herdeiro” de “assassinos” e “genocidas” soviéticos e nazis. Que sou eu.

É bom que se saiba, para proteção da comunidade, que represento um perigo para esta sociedade que o dr. André Ventura quer apenas “limpar”, mas que os seus mais dedicados e puros seguidores desejam purificar: cuidado, leitores e leitoras, uma vez que sou “um polícia mental”, que “trabalha para um regime repressivo, promotor social de uma ignorância que causa dano à sanidade mental coletiva dos portugueses.” Atenção, cautela com estas leituras. Pare já aqui. Não prossiga. E não deixe este texto ao alcance das crianças.

Podia fazer uma paródia - seria muito divertido -, mas o caso é para levar a sério. A primeira vez que li a diatribe publicada pelo sr. deputado do Chega, Gabriel Mithá Ribeiro, no “Observador”, contra o meu livro “Na Cabeça de Ventura” (Zigurate) com o título “‘Na cabeça de Ventura’ ou tratado sobre o aparelho repressivo do regime”, cuja leitura aconselho vivamente, confesso que me diverti pelo nível do disparate. Mas quando reli aquele glorioso absurdo, não achei graça. Considero ter o dever de responder, não para lhe devolver os insultos nem para dizer que o vou processar por difamação (não vou), mas para chamar a atenção de quem tiver paciência, para a gravidade do que está em causa.

Gabriel Mithá Ribeiro não é uma pessoa qualquer, não é um excêntrico nem um inimputável que escreve “coisas” em jornais. É um deputado da nação, foi eleito duas vezes pelo Chega no círculo de Leiria, e agora foi escolhido para secretário da mesa da Assembleia da República. Foi coordenador do Gabinete de Estudos do Chega e redator do programa eleitoral de 2022. Representa-me a mim e a si no Parlamento português.

Por isso, estamos no domínio das coisas sérias. Imagine que o PSD abandona as linhas vermelhas e abre a porta do poder ao Chega, ou que o Chega vai mesmo ao Governo, ou que ganha umas eleições, e o professor Mithá chega a ministro, secretário de Estado, ou mantém-se apenas como um influente, ou que isto vinga. Nem é preciso tanto. Neste momento, é uma obrigação expor o que o sr. deputado pensa. Este texto é como um aviso de receção: “isto” está entre nós.

E o que é “isto”? Não é o “fascismo”, como eles adoram que se lhes chame. É outra coisa, uma coisa nova, esta direita radical internacional, “iliberal” que não quer instaurar uma ditadura, mas matar a essência das democracias por dentro. Uma técnica é insultar (talvez insultar aqui seja pouco) os jornalistas que fazem o seu trabalho de escrutínio sobre os líderes e os partidos da direita radical: “A Máquina do Ódio” (Quetzal), livro da repórter brasileira da “Folha de São Paulo” editado em Portugal, é uma história arrepiante e exemplar sobre o bullying do bolsonarismo sobre jornalistas. Noutro livro, “O Crepúsculo da Democracia”, a autora Anne Applebaum, insuspeita de esquerdismos, conta histórias semelhantes na Hungria e na Polónia. É só uma pequena amostra.

Para além do insulto, a outra forma de tentar destruir o adversário real ou imaginado é tratá-lo como inimigo. O sr. deputado Mithá Ribeiro não tem uma cultura democrática que admita o escrutínio jornalístico independente sobre André Ventura ou o Chega.

Felizmente, o sr. deputado não esconde o que pensa: em janeiro, publicou um livro intitulado as “12 regras para um Portugal mais justo”, onde escreve que a comunicação social é “o tumor da democracia”. Imagina o que acontecia ao “tumor”, se a IV República do dr. Ventura passasse pelas mãos do professor Mithá?

Propagar o ódio aos jornalistas é uma técnica não exclusiva da direita radical, mas já foi ultrapassada a vulgata das acusações aos “esquerdalhos” da imprensa, para entrar no domínio das acusações de doença mental, que é a forma mais totalitária possível de desqualificar e despersonalizar um (suposto) adversário. Perante as posições do sr. deputado Mithá, a imprensa livre é uma impossibilidade. Sem imprensa livre não há democracia. E por aí fora…

O cisne selvagem


"No céu vasto, o cisne selvagem voa,
Com asas que dançam na brisa branda.
Leveza e graça na sua jornada,
Como um sonho que a alma ecoa.

Entre nuvens brancas, ele desliza,
Um sereno bailarino celestial.
A sua plumagem, um manto imortal,
Nas notas do vento, a sua melodia.

Oh, como o meu coração almeja voar,
Como o cisne, livre e sereno,
Para além do tempo, além do terreno,
Na busca do etéreo, para além do olhar.

Que possamos, como o cisne, encontrar,
A nossa própria leveza, a nossa própria canção,
E voar pelos sonhos, com devoção,
No voo eterno da alma, sem parar."
João Soares, 03.04.2024

Miguel Guimarães e Ana Paula Martins geriram em conta pessoal fundo solidário de 1,4 milhões pejado de irregularidades. Não se sabe onde pára auditoria prometida


Miguel Guimarães (ex-bastonário da Ordem dos Médicos) e Ana Paula Martins (ex-bastonária da Ordem dos Farmacêuticos) serão, no próximo hemiciclo, colegas de bancada do PSD, mas já são ‘velhos conhecidos’, a tal ponto que geriram uma conta bancária pessoal conjunta (com Eurico Castro Alves) para gerir 1,4 milhões de euros de uma angariação de fundos em 2020 durante a pandemia, com financiamento quase em exclusivo de farmacêuticas. A gestão do dinheiro em conta pessoal – e não titulada pelas duas ordens profissionais – foi uma das muitas irregularidades e mesmo ilegalidades detectadas no decurso de uma investigação do PÁGINA UM no final de 2022. A existência de facturas falsas de quase 980 mil euros na Ordem dos Médicos foi apenas um dos problemas mais graves então encontrados. Miguel Guimarães garantiu então que estava a ser concluída uma auditoria às contas pela consultora BDO, mas mais de um ano depois, não se vislumbram conclusões. Perante a recusa da Ordem dos Médicos, uma sentença do Tribunal Administrativo exige agora que o actual bastonário, Carlos Cortes, revele o contrato da auditoria com a BDO (para confirmar se existe) e provas cabais que expliquem o alegado atraso. Há meses que o PÁGINA UM insiste em saber se a Procuradoria-Geral da República está a investigar a gestão muito particular da campanha ‘Todos por Quem Cuida’, mas nunca obteve resposta.

A gestão de um fundo de 1,4 milhões de euros de uma campanha para apoiar entidades na luta contra a pandemia da covid-19, promovida pela Ordem dos Médicos e Ordem dos Farmacêuticos a partir de 2020, estava pejada de irregularidades e mesmo ilegalidades, incluindo facturas falsas e fugas ao fisco, mas em 11 de Dezembro de 2022, em reacção às notícias do PÁGINA UM, o então bastonário dos médicos, Miguel Guimarães, garantia ao Correio da Manhã que o “fundo é à prova de bala e que foi tudo contabilizado” e que “está a ser concluída uma auditoria, pedida pelas duas ordens e pela Apifarma”.

Catorze meses depois, sem ser conhecida publicamente qualquer auditoria – a Ordem dos Médicos garante agora nunca ter sido concluída –, o Tribunal Administrativo de Lisboa obrigou anteontem, por sentença (que incluiu também os pareceres do Colégio de Pediatria sobre vacinação de menores contra a covid-19), que a Ordem dos Médicos, agora liderada por Carlos Cortes, disponibilize ao PÁGINA UM “a cópia do contrato celebrado entre a Ordem dos Médicos e a BDO & Associados, SROC, Lda., ou os documentos que comprove a adjudicação da auditoria às atividades e contas da ação solidária ‘Todos por Quem Cuida’, e ainda as comunicações que existam e estejam na posse da Entidade Requerida de ‘onde seja possível compreender os motivos para a eventual não conclusão da auditoria’ expurgados os dados pessoais deles constantes”. A Ordem dos Médicos tem 10 dias para cumprir a sentença.

Na verdade, existem sérias dúvidas sobre a existência de qualquer auditoria às contas daquele fundo gerido pessoalmente por Miguel Guimarães e Ana Paula Martins (antiga bastonária da Ordem dos Farmacêuticos), ambos agora na iminência de se tornarem deputados na Assembleia da República pelo PSD. A alegada realização da auditoria serviu, numa primeira fase em 2022, para tentar convencer o Tribunal Administrativo de Lisboa, a não disponibilizar o acesso às contas e operações logísticas da campanha “Todos por Quem Cuida” então solicitada pelo PÁGINA UM. Não teve as duas ordens sucesso. Depois, com a publicação das investigações do PÁGINA UM sobre as ilegalidades e irregularidades na gestão do fundo, o anúncio da realização de uma auditoria serviu para dar uma aura de credibilidade e seriedade.

Contudo, a existir um contrato entre a Ordem dos Médicos e a BDO & Associados, este deveria obrigatoriamente constar no Portal Base. E não está. Aliás, até à data nunca houve qualquer relação contratual entre estas duas entidades. Também entre a Ordem dos Farmacêuticos e a BDO não existem, até à data, quaisquer contratos registados na plataforma de contratação pública, como é obrigatório por lei.

quinta-feira, 4 de abril de 2024

Inglaterra: Doenças transmitidas pela água aumentaram 60%


As doenças transmitidas pela água, como a disenteria e a doença de Weil, aumentaram 60% desde 2010 em Inglaterra, revelam novos números.
A análise das internações hospitalares do NHS pelo Partido Trabalhista descobriu que o número de pessoas internadas no hospital com doenças transmitidas por infecções transmitidas pela água aumentou de 2.085 em 2010-11 para 3.286 em 2022-23.
A análise segue a indignação generalizada depois que vazamentos recordes de esgoto foram revelados esta semana. Os dados da Agência Ambiental mostraram que o esgoto bruto foi descarregado durante mais de 3,6 milhões de horas em rios e mares no ano passado – um aumento de 129% em relação aos 12 meses anteriores.
O aumento do esgoto bruto nos rios significa que há um risco maior de infecções, argumentam os ativistas, uma vez que as pessoas têm maior probabilidade de entrar em contacto com as bactérias presentes nos dejetos humanos.
No último ano, por exemplo, 122 pessoas foram diagnosticadas com leptospirose (doença de Weil), o dobro do número de 2010. A doença, que pode causar danos hepáticos e insuficiência renal, é transmitida através de água contaminada com urina de animais infectados, geralmente ratos ou gado. A urina infectada entra na boca, nos olhos ou em um corte, geralmente durante atividades como canoagem, natação ao ar livre ou pesca. Os casos de febre tifóide, que também se espalha através de águas poluídas, aumentaram de 445 para 603.
O secretário do Meio Ambiente do Partido Trabalhista, Steve Reed, disse: “É repugnante que este governo conservador tenha feito vista grossa ao despejo ilegal de esgoto que colocou milhares de pessoas no hospital. Para piorar a situação, os consumidores enfrentam contas de água mais elevadas, enquanto os chefes da água embolsam milhões em bónus.
“Os trabalhadores colocarão as empresas de água sob medidas especiais para limpar a água. Reforçaremos a regulamentação para que os chefes da água que violam a lei enfrentem acusações criminais e daremos ao regulador novos poderes para bloquear o pagamento de quaisquer bónus até que os chefes da água tenham limpo a sua sujidade.”
A análise ocorre no momento em que os organizadores da corrida de barcos de Oxford e Cambridge emitiram novas orientações de segurança para a corrida no sábado, alertando os remadores para não entrarem na água e cobrirem quaisquer feridas abertas, depois que altos níveis de bactérias E. coli foram encontrados no curso do rio Tamisa.
Em vez da celebração tradicional em que os membros da equipa vencedora saltam frequentemente no rio, as tripulações serão incentivadas a lavar-se numa estação de limpeza dedicada no final. Alguns remadores relataram que ficaram gravemente indispostos depois que água suja entrou nas bolhas que eles tiveram ao segurar os remos.
Alastair Chisholm, diretor de políticas da Chartered Institution of Water and Environmental Management, disse: “Nossa pesquisa mostra que 86% do público deseja a reforma da água no próximo governo. A nossa crise fluvial não está apenas a afetar a saúde da natureza, mas também a adoecer as pessoas. Isso tem que mudar. Precisamos de uma reforma urgente.”
Richard Benwell, executivo-chefe da Wildlife and Countryside Link, disse: “A poluição e a perda da natureza são um desastre de saúde pública. Biliões de dólares poderiam ser economizados todos os anos para o NHS limpando rios imundos, reduzindo a poluição do ar e trazendo a natureza de volta à vida. Todas as partes devem fazer com que os grandes poluidores paguem e garantir que as empresas de água invistam na recuperação da natureza em prol da saúde pública.”
Richard Walker, empresário e ex-presidente do Surfers Against Sewage, que era um doador conservador antes de mudar em janeiro para apoiar o Trabalhismo, disse: “A maneira como os conservadores permitiram que nossas costas, rios e córregos ficassem cheios de excrementos é a metáfora perfeita pela forma como trataram o país nos últimos 14 anos. O plano trabalhista tomará as medidas duras necessárias para que os nossos serviços vitais voltem a servir o interesse público.
“Todos merecem desfrutar da nossa bela costa e dos nossos rios sem medo de adoecer porque algum gato gordo está a distribuir dividendos em vez de investir em melhorias vitais.”
Um porta-voz do governo disse: “Fomos claros que o volume de esgoto despejado em nossas águas é completamente inaceitável e as empresas de água precisam melhorar rapidamente.
“Já estamos tomando medidas duras para responsabilizá-los, incluindo a exigência de níveis recordes de investimento acelerado, garantindo uma monitorização de 100% dos transbordamentos de tempestades e uma quadruplicação das inspeções das companhias de água, e estamos atualmente consultando sobre a proibição dos chefes de água. bônus, quando ocorreram infrações criminais.
“Isso se soma às metas rigorosas em vigor para as empresas de água reduzirem os derramamentos de esgoto – ações antecipadas em águas balneares designadas para fazer a maior diferença nesses locais o mais rápido possível.”

Na altura em que abandonam o ninho, 90% dos cagarros já têm o estômago cheio de plástico, mostra estudo do Instituto Okeanos


Trabalho baseado em necropsias a mais de 1100 aves, uma amostra especialmente robusta, eleva esta espécie marinha à categoria de bioindicador
Com o seu grito esganiçado, os cagarros são uma marca das noites de verão açorianas. Esta ave marinha, que nidifica em Portugal e Espanha, em concreto nos arquipélagos da Madeira, Açores e Canárias, ganharam agora um novo estatuto, graças ao trabalho de uma equipa do Instituto de Investigação em Ciências do Mar – Okeanos – da Universidade dos Açores.

Num estudo publicado na revista “Environment International“, o cagarro (Calonectris borealis) surge, pela primeira vez, como um indicador do lixo marinho no Atlântico Norte, ajudando a perceber quais as tendências na presença de plásticos nesta região do oceano.

Este título de bioindicador não surgiu do nada. É antes o resultado de um trabalho de quase nove anos e mais de 1100 necropsias a cagarros juvenis e no qual os investigadores descobriram que mais de 90% dos juvenis desta espécie, quando abandonam o ninho, já contém partículas plásticas nos seus estômagos. Um dos valores mais altos encontrados, quando comparado com outras espécies de cagarros noutras regiões.

O método mais simples de monitorizar a quantidade de plásticos a circular no mar é por amostragem. “Mas não é um método tão bom”, diz à Exame Informática a investigadora responsável pelo estudo, Yasmina Gonzalez. É mais rigoroso e oferece mais informação a pesquisa deste material no sistema digestivo de espécies chave. A tartaruga, por exemplo, é uma delas. Só que no Atlântico Norte não são assim tão comuns. É por isso que o grupo de estudo do lixo marinho do Okeanos começou a pensar nos cagarros como um veículo de monitorização do problema. “Trata-se de espécies que acumulam plástico e que também são vítimas da contaminação luminosa”, justifica Yasmina.

Com uma passagem muito estreita entre a parte principal do estômago e a moela, nos cagarros as pequenas partículas de plástico vão-se acumulando, em vez de serem regurgitadas, como acontece noutras espécies de aves. Sendo assim, as micropartículas vão-se acumulando e formando pedaços maiores e bem visíveis (como se pode ver nas fotos).

Quando saem do ninho, os juvenis ficam atarantados com as luzes das cidades e apesar de serem alvo de campanhas de proteção, como a SOS Cagarro, alguns acampam por morrer com os embates. São estas vítimas da poluição luminosa que têm vindo a ser necropsiadas, desde 2015, o que resultou num dos estudos de maior amostra e mais robustos que já foi feito, sublinha a investigadora. “Este é um estudo de grande relevância pois apesar de recentemente terem sido propostas diferentes espécies como bioindicadores de lixo marinho no oceano, até agora poucas se baseavam em análises exaustivas que permitissem a sua aceitação efetiva”, detalha.

“O facto destes juvenis conterem plásticos nos estômagos, mesmo antes de se alimentarem por si próprios, indica que os plásticos são ingeridos durante o processo de alimentação pelos progenitores, durante o seu crescimento no ninho”, detalha-se em comunicado de imprensa. “Os juvenis vítimas da poluição luminosa oferecem uma amostra não invasiva, facilmente acessível, o que os torna cientificamente úteis, a longo prazo, para programas de monitorização do lixo marinho, implementadas pelos Governos destas Regiões Autónomas de Portugal e de Espanha, no quadro das políticas europeias, nomeadamente da Diretiva Quadro Estratégia Marinha”, explica Christopher Pham, do Instituto OKEANOS, supervisor do estudo e investigador responsável pela equipa que estuda os impactos do lixo marinho no bom estado ambiental do oceano.

Nos cagarros açorianos, a média de partículas encontradas foi de 10 por cada animal, nas Canárias foi ainda mais, 28, revela Yasmina Gonzalez. Além da diferença em termos de quantidade, também é percetível a diferença na origem, com “mais elementos que vêm da pesca” na população do arquipélago espanhol.

Com base neste trabalho, a equipa do Okeanos pretende agora propor um novo limite considerado aceitável para a presença de plásticos nestas espécies marinhas. Mas de pouco adianta legislar se os comportamentos não se alterarem. “O problema não é o material em si, o material é valioso. O problema é o seu uso único. Temos de ser mais críticos e conscientes na utilização”, recomenda.

quarta-feira, 3 de abril de 2024

Música do BioTerra: Zanias - Burial


I’m crumbling inside
and I’m feeling disconnected from it all.
It’s like I never even tried and I
watch my body fall.
Can’t seem to do this anymore.
Can’t seem to do this anymore. [Refrão]

Save the tears...
Will they remember me?
I’m not even sorry I disappeared,
took a break...
Runaway...
Runaway, runaway...

[Refrão]

On the hottest day of spring I...
I... dug a hole and buried him, buried him. 
I... buried him, buried him.
With a final touch
of the softest grey
I... took it in, took it in.

Life of praise:
got it made, got it made.
Now step away, step away.
I just can’t take
another day,
another day.

[Refrão]

Créditos
lançado em 4 de abril de 2023
Written and produced by Alison Lewis
Mixed by Ewan Kay
Mastered by Alain Paul

Presidente do Botsuana ameaça enviar 20.000 elefantes para a Alemanha


O Presidente do Botsuana ameaçou ontem a Alemanha com o envio de 20.000 elefantes, devido às críticas de Berlim à caça de paquidermes e à exportação de troféus, que o país utiliza para regular o número de animais.

Os alemães devem “viver com os animais que nos tentam ditar”, afirmou o Presidente do Botsuana, Mokgweetsi Masisi, em declarações ao diário alemão Bild, hoje publicadas.

“Não se trata de uma brincadeira”, esclareceu em relação à sua proposta de transferir 20.000 paquidermes para a nação europeia, acrescentando que “não aceitaria um não como resposta” a este “presente”.

O Botsuana, um país sem litoral na África Austral, alberga a maior população de elefantes do mundo, com cerca de 130.000 exemplares, com os quais é muitas vezes difícil coabitar, segundo o Presidente, que referiu os ataques a seres humanos, aldeias e culturas.

As críticas do Ministério do Ambiente alemão, que é dirigido por ambientalistas, têm sido dirigidas aos troféus de caça de elefantes comprados por clientes ocidentais abastados.

No início deste ano, o Ministério levantou a possibilidade de impor limites mais rigorosos à importação destes troféus devido aos problemas de caça furtiva.

“No seio da União Europeia (UE), estamos a discutir a possibilidade de alargar a exigência de autorização de importação (…) a outros troféus de caça de animais protegidos”, disse hoje uma porta-voz do Ministério à agência noticiosa France Presse (AFP).

A Alemanha é um dos maiores importadores de troféus de caça da UE, pelo que tem “uma responsabilidade especial” nesta matéria, acrescentou a porta-voz.

Quanto ao “presente” anunciado por Masisi, o Ministério do Ambiente alemão disse que “o Botsuana ainda não entrou em contacto” sobre o assunto.

Em 2019, o Botsuana levantou uma proibição total da caça, introduzida cinco anos antes para inverter o declínio das populações de elefantes e outras espécies.

Desde então, o Botsuana tem decidido todos os anos uma quota de animais que podem ser caçados, sendo a caça comercial também uma importante fonte de receitas locais.

O levantamento da proibição mereceu as críticas dos conservacionistas.

No ano passado, o país ofereceu 8.000 elefantes a Angola.