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quarta-feira, 12 de junho de 2024
Documentário: Antes que vire lixo
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segunda-feira, 27 de maio de 2024
domingo, 19 de maio de 2024
Ode à Ecologia
![]() |
| Minha Foto: "Aquarela" |
"Ó Terra mãe, de beleza infinita,
Teu corpo verdejante, oásis de vida,
Das profundezas aos picos altivos,
Guardas segredos, seres furtivos.
Berço das ondas, força inconteste,
Reinos submersos, mistério profundo,
No teu abraço, sustentas o mundo.
Florestas densas, pulmões do planeta,
Rios que correm, veias de água inquieta,
Cada folha, cada flor desabrochada,
É um hino à vida, uma ode encantada.
Animais livres, em harmonia dançam,
Ciclos naturais, eternos, se balançam,
O canto dos pássaros, sinfonia divina,
Ecos de um mundo, em paz, se alinha.
Céus estrelados, vastidão serena,
Mistérios do cosmos, beleza plena,
Constelações cintilam, luzes guiam,
Na noite escura, sonhos se criam.
Homem, filho ingrato, desperta e vê,
A terra chora, teu descaso, por quê?
Destróis o que te dá sustento e guarida,
Mas ainda há tempo, busca a saída.
Protege a fauna, flora e águas claras,
Repensa, reduz, reutiliza, repara, recicla
Com sabedoria, age com cuidado,
E a Terra renasce, num abraço renovado.
Que a Ecologia seja teu norte e guia,
Em cada acto, em cada novo dia,
Respeita a Terra, teu único lar,
E a natureza sempre há de te amar."
João Soares, 18.05.2024
Foto: Aguarela
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domingo, 12 de maio de 2024
Sobras têm valor
Opção 1 – No lixo comum
Opção 2 – No contentor amarelo das embalagens
Opção 3 – No contentor castanho das sobras alimentares
Se respondeu a opção 3 está correto! Mas apenas as saquetas de papel com as borras de chá ou café, pois são biodegradáveis. Só assim as suas sobras têm valor.
Em resumo: no contentor castanho deve colocar apenas sobras alimentares e alimentos impróprios para consumo. Evite sacos e resíduos de plástico e despeje as sobras diretamente no contentor mais próximo da sua casa.
✅ O que Colocar:
🥖 Sobras de pão, bolos, bolachas
🥑 Legumes, frutas
🐟 Carne, peixe (confecionados ou não)
🥚 Cascas de ovos, borras de café, saquetas de chá
🤧 Guardanapos e toalhas de papel
🍎 Separe corretamente! Reduza o desperdício, economize recursos e participe!
segunda-feira, 22 de abril de 2024
Dia Mundial da Terra: reutilização de T-Shirts usadas
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| Sacos feitos a partir de T-shirts velhas |
Dia Mundial da Terra 2024 – Planeta vs. Plásticos
O Dia Mundial da Terra é comemorado, anualmente, a 22 de abril. Esta data visa reconhecer a importância do planeta e alertar para a preservação dos recursos naturais do mundo, tendo como tema em 2024 - Planeta versus Plásticos
O Dia Mundial da Terra é uma celebração anual que visa despertar a consciência para a necessidade de proteger os recursos naturais para que possam ser usados pelas gerações futuras. O tema escolhido para este ano pela Earth Day Network (EDN) é o Planeta versus Plásticos, almejando que haja uma redução em 60% de todos os plásticos, até 2040.
Uma forma de ajudar a diminuir o consumo de plástico passa pela utilização de outros materiais que o possam substituir, como o caso do papel. Face ao plástico, o papel tem a vantagem de ser biodegradável e ainda pode ser obtido com impactos reduzidos no ambiente quando aplicadas práticas silvícolas sustentáveis. Realça-se que o papel é amplamente reciclável e pode ser transformado em novos produtos. Ou por ideias interessantes de reutilização (como ilustrado na imagem acima) de fazer sacos a partir de T-shirts velhas, reduzindo o uso de sacos de plástico.
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domingo, 8 de outubro de 2023
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quarta-feira, 20 de setembro de 2023
Johan Rockström interview - Planetary boundaries, 'negative emissions', mitigation models and fairness
Johan Rockström é mais conhecido por seu trabalho no Planetary Boundary Framework e como codiretor do Potsdam Institute for Climate Impact Research. Nesta ampla conversa com Kevin Anderson, gravada na Noruega em março de 2023, eles discutem as suas respetivas opiniões sobre os riscos e desafios que enfrentamos no cumprimento dos nossos compromissos climáticos de Paris.
Referências Bibliográficas:
- O artigo seminal de 2009 sobre fronteiras planetárias, do qual Johan foi coautor, 'Planetary Boundaries: Exploring the Safe Operating Space for Humanity'
- O artigo da Nature de Lucas Chancel que Kevin menciona é 'Desigualdade global de carbono ao longo de 1990-2019'
- O relatório da IEA que Kevin menciona é “O 1% dos maiores emissores do mundo produz mais de 1000 vezes mais CO2 do que o 1% da base”.
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quinta-feira, 14 de setembro de 2023
Embalagens descartáveis de papel têm forte impacto na biodiversidade e em futuros incêndios florestais em Portugal

A revisão dessas regras pela UE é encarada pela indústria de celulose como uma oportunidade de expansão da sua área de negócio, associada às fibras da madeira, aos “biomateriais”. Em Portugal, essa oportunidade tem suscitado um aumento da pressão das celuloses sobre a governação para o aumento das áreas de plantações de eucalipto.
As embalagens de papel e cartão estão associadas à produção de madeira para triturar. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), na publicação das Contas Económicas da Silvicultura de 2021, em junho deste ano, a produção de madeira para triturar triturada representou em 2021 (dados provisórios) 41,4% da produção de madeira, cortiça e outros bens silvícolas, o vlor mais alto desde 2015. Já a produção de cortiça e de madeira para serração representaram apenas 24,4% e 20,2%, respetivamente. Face a 2020, em 2021 a produção de madeira para triturar aumentou 2,5%, ao contrário da produção de cortiça que contraiu 6,0%. Em 2021, o Valor Acrescentado Bruto (VAB) da silvicultura registou uma contração de 1,8%, mantendo a tendência decrescente registada desde 2015. O VAB da silvicultura representa atualmente menos de metade do peso registado em 2000. Ou seja, o aumento na produção de madeira para triturar ao longo deste período de tempo não tem peso económico significativo para a silvicultura nacional. Os reflexos fazem-se sentir não só na economia, mas têm impacto social, no emprego, e ambiental, na perda de biodiversidade e em emissões de gases de efeito estufa decorrentes da tendência crescente dos incêndios, sobretudo em áreas de “povoamento florestal”.
A produção de madeira para triturar, essencial para a produção de embalagens, de papel de escritório e de “bio”energia, está associada em Portugal, sobretudo, às plantações de eucalipto, a extensas áreas de monocultura, a modelos de silvicultura intensiva, a crescente risco de incêndio. A expansão da área destas plantações, pelo peso crescente da área sob gestão de abandono nas últimas décadas em Portugal, acarretará significativos problemas sociais e ambientais no futuro, entre os quais os associados aos incêndios florestais e emissões decorrentes, como assistimos recentemente em Odemira, em Ourém/Leiria e em Coimbra.
O mito da aposta “verde” nos “biomateriais”, nas “forest fibers” tem consequências negativas, motivo pela qual a Acréscimo manifesta a sua preocupação face ao oportunismo associado à revisão do normativo da UE protagonizado por parte da indústria de celulose. No plano europeu, a Environmental Paper Network (EPN) e a Fern produziram e divulgaram um vídeo sobre os impactos do uso de embalagem descartáveis de papel e cartão, no caso, associados ao setor alimentar, nomeadamente ao “fast food” e ao “take away”.
O embalamento em papel tem algumas vantagens sobre o uso de plástico no que diz respeito à sustentabilidade. São mais fáceis de reciclar e, por serem biodegradáveis, podem ser utilizados para fins como compostagem. No entanto, a produção de papel exige muitos recursos: p.e., fabricar um saco de papel consome mais energia do que a produção de um saco de plástico, e os produtos químicos e fertilizantes utilizados na produção de sacos de papel criam danos adicionais para o ambiente. Estudos demonstraram que, para um saco de papel neutralizar o seu impacto ambiental em comparação com o plástico, teria de ser utilizado entre três e 43 vezes. Como os sacos de papel são os menos duráveis de todas as opções de ensacamento, é improvável que um consumidor aproveite o suficiente de qualquer saco de papel para equilibrar o impacto ambiental. O facto de o papel ser reciclável tem as suas limitações. Como as fibras do papel ficam mais curtas e mais fracas cada vez que ocorre o processo de reciclagem, existe um limite de quantas vezes o papel pode ser reciclado.
Se qualquer material de embalamento tem o seu impacte ambiental, seja papel, plástico, tecido, vidro ou outro, o fundamental é optar por aquele material que garanta maior capacidade de reutilização. O embalamento à base do corte de arvoredo tem, a este nível, enormes limitações. Por outro lado, o uso de madeira para embalamento descartável gera menos emprego, menor valor acrescentado na silvicultura, tem maior impacto na perda de biodiversidade e está associado a bens que rapidamente libertam para a atmosfera o carbono antes sequestrado pelo arvoredo, carbono esse que contribui para o aquecimento global, o que acarreta fortes consequências em futuros incêndios florestais.
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terça-feira, 25 de julho de 2023
Experts Say Decades of Recycling Hype Has Backfired Dramatically
You've just finished a cup of coffee at your favorite cafe. Now you're facing a trash bin, a recycling bin and a compost bin. What's the most planet-friendly thing to do with your cup?
Many of us would opt for the recycling bin – but that's often the wrong choice. In order to hold liquids, most paper coffee cups are made with a thin plastic lining, which makes separating these materials and recycling them difficult.
In fact, the most sustainable option isn't available at the trash bin. It happens earlier, before you're handed a disposable cup in the first place.
In our research on waste behavior, sustainability, engineering design and decision making, we examine what U.S. residents understand about the efficacy of different waste management strategies and which of those strategies they prefer.
In two nationwide surveys in the U.S. that we conducted in October 2019 and March 2022, we found that people overlook waste reduction and reuse in favor of recycling. We call this tendency recycling bias and reduction neglect.
Our results show that a decades-long effort to educate the U.S. public about recycling has succeeded in some ways but failed in others. These efforts have made recycling an option that consumers see as important – but to the detriment of more sustainable options. And it has not made people more effective recyclers.
A global waste crisis
Experts and advocates widely agree that humans are generating waste worldwide at levels that are unmanageable and unsustainable. Microplastics are polluting the Earth's most remote regions and amassing in the bodies of humans and animals.
Producing and disposing of goods is a major source of greenhouse gas emissions and a public health threat, especially for vulnerable communities that receive large quantities of waste. New research suggests that even when plastic does get recycled, it produces staggering amounts of microplastic pollution.
Given the scope and urgency of this problem, in June 2023 the United Nations convened talks with government representatives from around the globe to begin drafting a legally binding pact aimed at stemming harmful plastic waste. Meanwhile, many U.S. cities and states are banning single-use plastic products or restricting their use.
Upstream and downstream solutions
Experts have long recommended tackling the waste problem by prioritizing source reduction strategies that prevent the creation of waste in the first place, rather than seeking to manage and mitigate its impact later.
The U.S. Environmental Protection Agency and other prominent environmental organizations like the U.N. Environment Programme use a framework called the waste management hierarchy that ranks strategies from most to least environmentally preferred.
The familiar waste management hierarchy urges people to "Reduce, Reuse, Recycle," in that order. Creating items that can be recycled is better from a sustainability perspective than burning them in an incinerator or burying them in a landfill, but it still consumes energy and resources.
In contrast, reducing waste generation conserves natural resources and avoids other negative environmental impacts throughout a product's life.
R's out of place
In our surveys, participants completed a series of questions and tasks that elicited their views of different waste strategies. In response to open-ended questions about the most effective way to reduce landfill waste or solve environmental issues associated with waste, participants overwhelmingly cited recycling and other downstream strategies.
We also asked people to rank the four strategies of the Environmental Protection Agency's waste management hierarchy from most to least environmentally preferred.
In that order, they include source reduction and reuse; recycling and composting; energy recovery, such as burning trash to generate energy; and treatment and disposal, typically in a landfill. More than three out of four participants (78%) ordered the strategies incorrectly.
When they were asked to rank the reduce/reuse/recycle options in the same way, participants fared somewhat better, but nearly half (46%) still misordered the popular phrase.
Finally, we asked participants to choose between just two options – waste prevention and recycling. This time, over 80% of participants understood that preventing waste was much better than recycling.
Recycling badly
While our participants defaulted to recycling as a waste management strategy, they did not execute it very well.
This isn't surprising, since the current U.S. recycling system puts the onus on consumers to separate recyclable materials and keep contaminants out of the bin.
There is a lot of variation in what can be recycled from community to community, and this standard can change frequently as new products are introduced and markets for recycled materials shift.
Our second study asked participants to sort common consumer goods into virtual recycling, compost and trash bins and then say how confident they were in their choices.
Many people placed common recycling contaminants, including plastic bags (58%), disposable coffee cups (46%) and light bulbs (26%), erroneously – and often confidently – in the virtual recycling bins.
For a few materials, such as cardboard and aluminum foil, the correct answer can vary depending on the capacities of local waste management systems.
This is known as wishcycling – placing nonrecyclable items in the recycling stream in the hope or belief that they will be recycled. Wishcycling creates additional costs and problems for recyclers, who have to sort the materials, and sometimes results in otherwise recyclable materials being landfilled or incinerated instead.
Although our participants were strongly biased toward recycling, they weren't confident that it would work.
Participants in our first survey were asked to estimate what fraction of plastic has been recycled since plastic production began. According to a widely cited estimate, the answer is just 9%.
Our respondents thought that 25% of plastic had been recycled – more than expert estimates but still a low amount. And they correctly reasoned that a majority of it has ended up in landfills and the environment.
Empowering consumers to cut waste
Post-consumer waste is the result of a long supply chain with environmental impacts at every stage. However, U.S. policy and corporate discourse focuses on consumers as the main source of waste, as implied by the term "post-consumer waste."
Other approaches put more responsibility on producers by requiring them to take back their products for disposal, cover recycling costs and design and produce goods that are easy to recycle effectively.
These approaches are used in some sectors in the U.S., including lead-acid car batteries and consumer electronics, but they are largely voluntary or mandated at the state and local level.
When we asked participants in our second study where change could have the most impact and where they felt they could have the most impact as individuals, they correctly focused on upstream interventions.
But they felt they could only affect the system through what they chose to purchase and how they subsequently disposed of it – in other words, acting as consumers, not as citizens.
As waste-related pollution accumulates worldwide, corporations continue to shame and blame consumers rather than reducing the amount of disposable products they create.
In our view, recycling is not a get-out-of-jail-free card for overproducing and consuming goods, and it is time that the U.S. stopped treating it as such.

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terça-feira, 11 de julho de 2023
O que se passa com a reciclagem em Portugal?
Números muito negros. Portugal é um dos países da UE que menos reciclam plástico, papel, vidro e outros resíduos embalados. Em 2021, Portugal reciclou 30% dos seus resíduos municipais, uma percentagem só superior à da Roménia, Malta, Chipre e Estónia. A Alemanha, no topo do ranking, reciclou 71%.
Dados: Pordata
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segunda-feira, 19 de junho de 2023
Entrevista a Nicolas Jourdain: Economia circular pode ser “difícil de implementar” mas “o potencial é enorme”
A economia circular é apontada como um pilar-chave da transição para modos de produção e consumo mais sustentáveis e com menos impactos sobre o planeta. A maior parte dos recursos que nos são disponibilizados pela Terra, e dos quais as nossas economias e vidas hoje dependem, não são infinitos, pelo que os modelos de extração, transformação, comercialização e consumo também não podem basear-se na ideia de que são inesgotáveis.
Por isso mesmo, a União Europeia quer duplicar a presença de materiais reciclados nas economias regionais até 2030, mas este não parece ser um caminho fácil. Em 2021, os materiais reciclados representaram 11,7% de todos os materiais usados, um aumento de menos de 1% face a 2010.
Como tal, ainda temos muito terreno por desbravar para que consigamos concretizar uma verdadeira circularidade nas economias europeias.
Nicolas Jourdain, responsável de Economia Circular da KPMG para as regiões da Europa, Médio Oriente e África, falou com a ‘Green Savers’ sobre o potencial da circularidade para ajudar as economias europeias, e não só, a serem mais sustentáveis, a reduzirem a pressão sobre os sistemas planetários e a recuperarem, pelo menos em parte, a harmonia com a Natureza.
Estima-se que, se mantivermos os atuais níveis de consumo de recursos naturais, em 2050 precisaremos de três Terras para satisfazer as nossas necessidades. Do outro lado da moeda, temos os resíduos gerados pelo consumo, que se estima que aumentem em 70% até 2050. Como é que a economia circular pode ajudar a inverter estas tendências?
Das 100 mil milhões de toneladas de recursos naturais extraídas todos os anos, apenas cerca de 7% são circulares, pelo que o potencial é enorme. Mas temos de enfrentar uma grande mudança comportamental na compra de materiais, na produção, nos modelos de negócio, nos padrões de consumo e na gestão do fim de vida dos produtos. Tudo tem de basear-se nos princípios da economia circular, que visa dissociar o crescimento económico da extração de recursos naturais.
Os atuais debates sobre o tratado para pôr fim à poluição por plásticos, por exemplo, são muito interessantes, pois demonstram o que está em jogo e as forças frequentemente contraditórias em jogo para se chegar a uma solução sustentável. Das 408 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos produzidos todos os anos, menos de 18% são efetivamente separadas para reciclagem em todo o mundo e, frequentemente, o resultado é uma qualidade degradada. O problema não está na reciclagem, mas no próprio design dos produtos e na sua conceção inicial.
Quase tudo é concebido para ser deitado fora após a utilização, como se o material não tivesse qualquer valor residual. Tudo tem de ser reinventado em termos de conceção, volume, utilização e tratamento dos produtos, quando já não precisamos deles. Os mesmos princípios aplicam-se a praticamente todos os materiais de base utilizados para produzir os bens que consumimos: têxteis, metais, cimento, biomassa, vidro e combustíveis fósseis.
A transição energética é apontada como fundamental para reduzir os impactos humanos no planeta, combater as alterações climáticas, reduzir a poluição e travar a perda de biodiversidade. As tecnologias de energias renováveis podem basear-se na economia circular para serem verdadeiramente sustentáveis, em vez de dependerem da extração contínua de minerais e outras matérias-primas?
Abordámos esta questão fundamental num relatório intitulado “Resourcing the energy transition”.
Ao implementar o Acordo de Paris, são necessários esforços globais por parte dos governos e do setor privado para avançar para um sistema de energias renováveis. Fechar o ciclo não será fácil. O desenvolvimento destas estratégias de economia circular pode deparar-se com barreiras jurídicas, financeiras, organizacionais e operacionais, que exigem a colaboração entre as diferentes partes interessadas e, potencialmente, novas competências (tecnológicas, ambientais e económicas) para ultrapassá-las.
No entanto, à medida que a tecnologia avança, as oportunidades de adotar os princípios da economia circular e a sua aplicação aos recursos necessários para este sistema energético e para outras inovações tecnológicas deve estar no topo da agenda das empresas de um amplo espectro de setores.
A passagem para um sistema de energias renováveis e a transição para uma economia mais circular fazem parte da mesma agenda.
Porque é que é tão importante que a economia circular se torne o ponto de orientação das economias e deixe de ser algo marginal? As empresas apercebem-se da sua importância, não só para o planeta, mas para elas próprias?
É evidente que, atualmente, a economia circular é reconhecida pelos governos e decisores políticos como uma solução importante, se não a única solução, para resolver em profundidade os problemas do aquecimento global devido às emissões de gases com efeito de estufa, da poluição do solo, do ar e da água e do impacto na natureza e na biodiversidade devido à extração cada vez mais massiva de matérias-primas virgens (combustíveis fósseis, minerais ferrosos e não ferrosos, biomassa).
Mas a transição de uma economia linear, baseada precisamente em volumes muito elevados, em reduzidos ciclos de vida dos produtos e numa intensidade de extração muito elevada dos recursos naturais a custos relativamente baixos, é particularmente difícil de implementar.
Estamos a falar de uma transformação completa dos modelos empresariais e das relações entre as funções empresariais e com os fornecedores, clientes e concorrentes, que devem evoluir para uma maior integração e colaboração. Muitas coisas precisam de ser repensadas, como a conceção dos produtos e a gestão do ciclo de vida, para prolongar ou mesmo multiplicar a vida dos produtos vendidos ou alugados, uma vez que a economia circular evoluirá necessariamente para modelos de aluguer ou de leasing, em que o cliente pagará pela utilização e pelos serviços prestados pelo produto, em vez de ter propriedade sobre ele.
É uma transição que levará tempo, mas muitos líderes de mercado já vão com avanço. Os líderes da circularidade estão a emergir em muitos setores, como o automóvel, a eletrónica, o equipamento industrial ou a construção. A longo prazo, será uma corrida pela competitividade e inovação.
Os produtos circulares e responsáveis tornar-se-ão uma questão importante tanto para o impacto ambiental das empresas como para os clientes e os consumidores, que deixarão de aceitar produtos irresponsáveis que causam danos aos ecossistemas e à sua saúde.
O que é que tem impedido a economia circular de se afirmar verdadeiramente e de se tornar a regra e não a exceção? Será que é a resistência das empresas e indústrias em utilizar materiais “usados”, é o facto de os consumidores não exigirem esta mudança e quererem produtos novos, ou será que a responsabilidade recai sobre os organismos governamentais e reguladores que não implementam as regras necessárias?
Penso que é um pouco de tudo isso. Mas, na minha opinião, é sobretudo uma questão de acesso fácil a recursos virgens e a combustíveis fósseis baratos nos últimos 150 anos. Toda a indústria tem sido organizada em torno de uma economia linear de “pegar, fazer, usar, desperdiçar” desde o final do século XIX, com uma aceleração acentuada após a Segunda Guerra Mundial.
Por isso, tudo precisa de ser alterado e adaptado, e isso envolverá o lado da oferta e inovações das empresas, o setor público e, especialmente, as cidades e regiões, o apetite dos consumidores por esses novos tipos de produtos e padrões de consumo mais responsáveis, os legisladores e os investidores.
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segunda-feira, 5 de junho de 2023
Portugal diminuiu emissões de gases com efeito de estufa, mas falhou nos resíduos
Os dados da Pordata mostram também uma grande dependência da energia fóssil e que Portugal tem vindo a ter temperaturas cada vez mais altas.
Portugal é dos países da União Europeia (UE) que mais diminuiu as emissões de gases com efeito de estufa mas foi incapaz de lidar com os resíduos, estando neste caso muito abaixo da média europeia.
Os números fazem parte de um retrato estatístico da situação ambiental em Portugal, divulgado no Dia Mundial do Ambiente pela base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos, a Pordata, em colaboração com a Agência Portuguesa do Ambiente.
Se os dados mostram que desde 2005 Portugal reduziu 35% das emissões de gases com efeito de estufa (média da UE é 24%), mostram também uma grande dependência ainda da energia fóssil, e mostram que o país tem vindo a ter temperaturas cada vez mais altas, e que produz cada vez mais resíduos.
Energia e transportes produzem metade das emissões de gases em Portugal
A Pordata nota na análise que face a 2005, e apesar das oscilações, as emissões de GEE têm baixado na generalidade dos setores, em Portugal e na UE, com exceção da agricultura em Portugal, cujas emissões de GEE aumentaram 4,7%.
Na área da energia, apesar dos ganhos nas renováveis, a energia fóssil representa 65% do cabaz (repartição pelas diferentes fontes da energia aprovisionada), com 40,6% vinda do petróleo e 23,6% do gás natural, em 2021. Face a 2000 o peso do carvão baixou de 15% para menos de 1% e o petróleo caiu mais de 20 pontos percentuais, com crescimento do gás natural e das renováveis.
Positivo é o peso das energias renováveis na produção de energia elétrica. Em 2021 64,9% da produção vinha de fontes renováveis. Desde 2018, destaca o Pordata, mais de metade da produção elétrica tem como fonte as energias renováveis.
Economia portuguesa é das que mais recursos naturais consome
Segundo os dados da Pordata, em 2021, Portugal consumiu cerca de 174 milhões de toneladas de materiais (segundo o Eurostat, o INE indica 163,9 milhões), o equivalente a 16,9 toneladas por habitante, quando o valor da média europeia não vai além das 14,1 toneladas por habitante.
A Pordata explica que os minerais não metálicos, muito usados na construção, são os mais consumidos em Portugal, representando 63% do total em 2021.
"Em Portugal, o consumo interno de materiais aumentou 65% entre 1995 e 2008, ano em que atingiu o seu valor máximo com 242 milhões de toneladas. A trajetória posterior foi de forte redução durante o período da crise económica, tendo-se seguido uma quase estabilização em torno de 164 milhões de toneladas", explica a análise, a que a Lusa teve acesso.
De acordo com os números, no balanço entre crescimento económico e consumo de materiais, Portugal atingiu em 2013 uma melhoria de 23% na produtividade dos recursos (quociente entre o PIB e o Consumo Interno de Materiais), face a 1995.
Desde então, apesar de manter sempre a produtividade acima de 1995, nunca mais atingiu o mesmo valor. Em 2021 foi de 14%.
Na área dos resíduos os números mostram que em 2020 cada pessoa produziu em média 1,4 quilos de lixo por dia. Desde 1995 que a produção de resíduos "per capita" tem aumentado, um aumento que desde então foi de 46%, quando a média europeia não passou dos 12%.
Outro fator negativo é o da deposição de resíduos em aterro, metade dos resíduos portugueses tiveram esse destino em 2021, o dobro da média europeia (23%).
A Pordata nota que o ponto de partida de Portugal foi diferente, porque em 1995 cerca de 90% dos resíduos urbanos em Portugal iam para aterro, contra 65% da média europeia.
Um ponto de partida também diferente na reciclagem. No mesmo ano de 1995 Portugal reciclava 1% e a média europeia já era de 12%. Assim, em 2021, o principal destino dos resíduos urbanos na UE era a reciclagem (30%) mas em Portugal atingia-se apenas os 13%.
Hoje, Dia Mundial do Ambiente
O Dia Mundial do Ambiente celebra-se anualmente a 05 de junho desde 1974. Este ano, tendo como países anfitriões a Costa do Marfim e os Países Baixos, debate soluções para a poluição plástica.
Nos últimos 50 anos tem sido um pretexto para sensibilizar a população mundial para as questões ambientais.
Para assinalar a data, os desafios a emergência climática serão debatidos num debate na Central Tejo, em Lisboa, numa iniciativa das entidades gestoras de resíduos, Novo Verde e ERP Portugal, em parceria com a Fundação EDP.
O dia é também assinalado com outras iniciativas, quer em Lisboa quer em cidades como Guimarães ou Coimbra, Braga, Guarda ou Funchal, sobretudo com conferências.
A propósito da efeméride a empresa Prosegur apresenta uma lista do que considera os principais crimes ambientais, na qual inclui a pesca irregular, não declarada e não regulamentada, a posse e o comércio ilegal de espécies, a caça ilegal ou furtiva, a exploração ilegal e o tráfico de madeira, a extração ilegal de recursos minerais e a gestão ilegal de resíduos.
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sexta-feira, 31 de março de 2023
Criado grupo industrial de reciclagem de pneus apoiado pela Michelin
Estima-se que 1 bilião de pneus usados é destinado para aterros sanitários.
Uma empresa de reciclagem sueca e uma empresa de investimentos francesa anunciaram ontem a criação de um projeto de reciclagem de pneus, “o ponto de partida para a industrialização” do setor, que fornecerá materiais reciclados à Michelin.
O objetivo deste grupo é construir várias fábricas na Europa, com uma capacidade de reciclagem de até “um milhão de toneladas de pneus em fim de vida por ano até 2030”, ou seja, um terço da quantidade anual de pneus usados no continente.
Isso representaria, segundo um comunicado de imprensa, “uma redução estimada nas emissões de dióxido de carbono de 670 mil toneladas”.
Especialista no “desenvolvimento de infraestruturas sustentáveis”, a empresa de investimentos francesa Antin deve financiar o investimento inicial e ser o acionista maioritário do grupo. A participação da empresa de reciclagem sueca Enviro deve ser de 30%.
“Encontrámos na Antin e na Michelin os parceiros ideais para juntos acelerarmos a nossa expansão (…) de forma a contribuir para a transição da indústria dos pneus tornando-a circular”, congratulou-se o presidente da empresa sueca Alf Blomqvist, citado no comunicado de imprensa.
Já existem canais de reciclagem de pneus mas, para a Michelin, a criação desta empresa “é o ponto de partida para a industrialização”, explicou este grupo à agência France-Presse (AFP).
Com sede em Uddevalla, na Suécia, a primeira fábrica deverá estar operacional “até 2025”.
Deverá ter uma capacidade inicial de reciclagem “equivalente a 34.500 toneladas de pneus usados, ou 40% do volume anual de pneus em fim de vida na Suécia”.
A sua construção, ainda “sujeita a decisão final de investimento”, deverá arrancar no segundo trimestre.
A Michelin “planeia ingressar nesta ‘joint venture’ [empreendimento conjunto] à medida que as fábricas sejam construídas”.
Em concreto, a Enviro deve recuperar pneus em fim de vida e reciclá-los utilizando a sua tecnologia patenteada.
Esta consiste na extração e regeneração do negro de carbono, que aumenta a resistência da borracha, assim como dos óleos de pirólise.
A Michelin, maior acionista da Enviro, planeia comprar esses dois componentes reciclados desse novo fabricante e utilizá-los para fabricar novos pneus.
“Ao substituir o negro de carbono virgem pelo reciclado da Enviro, é possível reduzir as emissões ligadas ao uso do negro de carbono convencional em mais de 90%”, sublinha o grupo sueco.
Na Europa, “o volume de pneus em fim de vida descartados a cada ano aumentou constantemente para 3,5 milhões de toneladas por ano”, segundo as empresas.
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sábado, 11 de março de 2023
O que é a madeira impressa em 3D e irá reduzir o desperdício?
À medida que nos aproximamos do futuro, o que costumava acontecer apenas na natureza está a ter lugar em laboratórios. No novo mundo da agricultura celular, os cientistas estão a produzir carne sem matar animais. E agora é a vez das árvores viverem, uma vez que os cientistas descobriram como imprimir madeira em 3D. Em vez de serem cortadas e transformadas em cadeiras, jornais, papel de parede, caixas de ovos, sacos, caixas e papel higiénico, em breve as árvores poderão continuar a crescer, escreve o “Inhabitat”.
Precisamos de árvores e madeira
Segundo a mesma fonte, à medida que a população humana global foi aumentando para oito mil milhões, com muitas dessas pessoas a precisarem de muitas coisas, continuámos a cortar árvores para fornecer uma multiplicidade de produtos. Desde o início da civilização humana, eliminámos 54% da população de árvores da Terra, de acordo com um inquérito florestal global. E enquanto nos preocupamos em proteger os elefantes e os rinocerontes dos caçadores furtivos que procuram o marfim, o produto selvagem mais traficado é na realidade o pau-rosa. Da Tailândia para Madagáscar, onde existe pau-rosa, há pessoas a tentar cortar a árvore em vias de extinção e vendê-la ao mercado de mobiliário chinês. O emaranhado com os caçadores furtivos de pau-rosa “é tão perigoso que a árvore ganhou o apelido de ‘madeira de sangue’”.
“Mas uma árvore não tem de ter madeira adequada para tornar o mobiliário adequado para que as dinastias imperiais sejam valiosas”. As árvores fornecem sombra para arrefecer os nossos bairros, remover o carbono da atmosfera, filtrar a água, limpar o nosso ar e abrandar os surtos de tempestade. Assim, a capacidade de imprimir madeira em 3D “é uma boa notícia para os seres humanos, bem como para as árvores”.
Génios do MIT revolucionam a madeira
Cientistas afiliados ao Massachusetts Institute of Technology e ao Charles Stark Draper Laboratory publicaram o seu progresso na revista Materials Today no ano passado. Iniciaram o seu trabalho a fim de reduzir o desperdício e a perturbação ambiental, aumentando ao mesmo tempo os rendimentos e as taxas de produção.
Começaram com células dos Zinnia elegans, também conhecidos como zinnias.
“Em princípio, o esforço para produzir materiais vegetais na ausência da planta de apoio não é totalmente diferente da engenharia de tecidos em sistemas de células animais”, escreveram os autores do estudo. “Em ambos os campos, as células num ambiente de crescimento estruturado e rico em nutrientes podem ser orientadas para crescer e transformar-se em produtos semelhantes a tecidos”.
As células vegetais requerem vias metabólicas diferentes das células animais, mas os cientistas foram capazes de construir sobre o campo mais desenvolvido dos mamíferos. Até agora, a maioria dos esforços de engenharia de tecidos tem-se concentrado na cultura de células animais. Os autores do estudo salientam que o seu é o primeiro trabalho a utilizar a abordagem da agricultura celular para gerar material vegetal. Pode ler aqui todos os pormenores suculentos do estudo.
Uma start-up de impressão em madeira 3D
Os cientistas do MIT podem ser os primeiros a fazer madeira a partir de células zínnias. Mas não são os primeiros a experimentar formas alternativas de fazer madeira. Há já alguns anos que uma startup chamada Forust é a madeira de impressão 3D, começando com os resíduos de madeira de serradura e lignina. Este último ingrediente é um polímero orgânico que é um dos principais constituintes da madeira.
“Percebemos muito rapidamente que os resíduos de madeira são um material que poderia ser transformado para impressão em 3D”, disse Virginia San Fratello, presidente do departamento de design da Universidade de San Jose State e um dos fundadores da Forust, à Fast Company em 2021. O seu processo envolve camadas de serradura e aglutinantes não tóxicos para recriar o grão da madeira.
“Uma árvore é feita de lignina e celulose”, disse Ric Fulop, CEO da Desktop Metal, uma empresa de impressão 3D maior que inclui a Forust, como relatado pela Fast Company. “Quando se fazem coisas a partir de árvores, quer seja mobiliário ou papel, está-se essencialmente a desmaterializar a árvore… o que estamos a tentar fazer é voltar a juntá-la”. Pode soar um pouco como um aglomerado de partículas. Mas o grão na madeira impressa em 3D percorre todo o material, para que se possa lixá-lo e acabá-lo tal como a madeira.
E há bastante serradura e lignina em excesso. A poeira desvia estes materiais dos aterros sanitários.
“Centenas de milhões de toneladas métricas de resíduos são geradas todos os anos só nos Estados Unidos”, disse Fulop.
Redução de resíduos
Uma das coisas interessantes sobre estes dois processos é que os objetos podem ser impressos em 3D nas suas formas finais. As empresas podem imprimir uma cadeira ou mesa em 3D – sem desperdício. Podem também imprimir formas complexas. Talvez o melhor de tudo, a impressão em 3D possa levar a um processo circular para a fabricação de madeira. Quando a sua velha cabeceira se desgasta ou parte, pode enviá-la de volta para o fabricante, onde pode ser moída e impressa em 3D numa estante ou cadeira ou qualquer outra coisa que o mercado exija. O mobiliário poderia ser feito de uma forma totalmente nova, livre de resíduos.
“Claro que a tecnologia de impressão em madeira 3D ainda se encontra nas fases iniciais. Mas os cientistas do MIT estão esperançosos. O seu estudo espera um futuro em que os materiais possam ser produzidos localmente, em qualquer parte do mundo, sem necessidade de luz solar ou terra”, conclui o “Inhabitat”.
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domingo, 22 de janeiro de 2023
Euromonitor revela as 10 principais tendências globais de consumo 2023
O custo de vida e a crise ambiental estão transformando as tendências e o comportamento do consumidor, divulgou a Euromonitor International em seu relatório recentemente lançado “10 Principais Tendências Globais de Consumo 2023”.
Consumidores gastando de forma responsável, porém emocional, o papel da digitalização nos processos de compra, as demandas de igualdade feminina e uma Geração Z disruptiva são alguns dos fatores que definirão as tendências globais de consumo em 2023 de acordo a empresa global de pesquisa de mercado.
O aumento do custo de vida e a crise ambiental parecem ser dois dos principais impulsionadores do comportamento do consumidor. Compradores Cautelosos e Eco-Econômicos — duas das 10 principais tendências globais da Euromonitor em 2023 — são resultado direto da dupla evolução.
As 10 tendências que a Euromonitor levantou em seu relatório Principais Tendências Globais de Consumo 2023 são as seguintes:
Automação Autêntica : Humanos e máquinas precisam estar em sincronia para fornecer soluções significativas. As conexões emocionais não devem ser subestimadas e os benefícios tecnológicos devem superar a necessidade de interações pessoais para criar uma experiência perfeita.
Compradores Cautelosos : A crise do custo de vida está diminuindo o poder de compra dos consumidores. Economizar é prioridade. Em 2022, 75% dos consumidores não planejavam aumentar os gastos gerais.
Controlar o Tempo de Tela : As pessoas ainda estão ligadas a seus dispositivos, mas o tempo de tela é mais seletivo. Os consumidores querem uma experiência digital eficiente e filtrada de acordo com seus interesses.
Eco-Económicos : Os padrões de consumo são menos de aquisição e mais de redução, o que impacta positivamente o planeta. 43% dos consumidores reduziram o consumo de energia no ano passado.
Hora do Jogo : Os games se tornaram um líder em entretenimento e transcenderam a divisão geracional. O que antes era um nicho é agora uma oportunidade de mercado em massa.
Aqui e Agora : Soluções flexíveis expandem o poder de compra e aliviam as pressões de custo para ajudar os consumidores a gastar com felicidade. No curto-prazo, “alegria” é um motivador de compra. Em 2022, o valor de empréstimo do buy now, pay later foi de US$ 156 biliões.
Rotinas Revividas : A pós-pandemia está aqui. Os consumidores estão se adaptando a novos horários e navegando em um retorno à realidade. 39% dos consumidores disseram que mais de suas atividades diárias serão presenciais nos próximos cinco anos.
Ascenção Feminina : Os consumidores se recusam a permanecer em silêncio sobre a desigualdade de gênero. Representação justa, equidade e inclusão estão na vanguarda das decisões de compra das mulheres.
Os Prósperos : A fadiga está se instalando à medida que os consumidores navegam em tempos caóticos e erráticos; eles estão colocando as necessidades pessoais acima de tudo. 53% dos consumidores estabeleceram um limite estrito entre vida profissional (ou escolar) e pessoal em 2022.
Jovens e Disruptivos : Os consumidores da Geração Z defendem suas crenças e se expõem. Eles são imunes à publicidade tradicional. Autenticidade e impacto social fazem a diferença.“Os últimos anos foram tudo menos convencionais e 2023 não será exceção”, de acordo com Alison Angus, Head de Inovação da Euromonitor International. “As empresas devem esperar um comportamento bastante divergente à medida que os consumidores lidam com os desafios contínuos enquanto voltam ao normal”.
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sábado, 10 de dezembro de 2022
Para a transição ecológica todas as vozes contam!
No momento presente, estejamos no Norte ou no Sul, no Este ou no Oeste, não podemos mais continuar a ignorar a necessidade de mudança transformadora das nossas formas de organização social face à crise global que vivemos, onde as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, as guerras e as migrações em massa são cada vez mais banais e tendem a ser invisibilizadas ao ponto de só quem as vive parecer ser afetado por estes fenómenos. A todos os outros apresenta-se como algo distante que parece não os afetar.
Reconhecendo essa situação e sendo pressionada a fazer algo, a União Europeia lança um novo pacto para facilitar e promover as mudanças necessárias. O Pacto Ecológico Europeu, conhecido por Green Deal, apresenta-se como uma estratégia que procura implementar a transição ecológica para uma Europa mais sustentável, mais verde e que proporcione e assegure futuros às gerações vindouras. Ou seja, pressupõe a transformação dos modos de vida que nos conduziram a esta insustentabilidade da vida humana na terra. Mas ao mesmo tempo e aparentemente em contradição, centra-se na missão de salvar as instituições que nos guiaram até aqui, salvar o capitalismo de uma morte anunciada, ao mesmo tempo que procura combater as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, as extinções em massa. Será possível articular movimentos em direções opostas? Como compatibilizar diferentes posições, diferentes interesses, diferentes atores?
Um dos grandes desafios é, simultaneamente, encontrar respostas e soluções para os problemas e as crises contemporâneas que, mais do que meramente ecológicas, são sociais no sentido amplo e até civilizacionais. Respostas essas que permitam articular o que está desarticulado e nos permitam desenvolver estratégias de reconciliação das sociedades com a natureza ou as naturezas expressas nos diversos territórios e geografias, com as suas diversidades biofísicas e culturais, as suas desigualdades, que nos exigem repensar os modelos sociais em que vivemos, numa forma interligada, interdependente e articulada. Não deixar ninguém para trás é o desafio.
Assumir esta responsabilidade maior de dar voz aos diversos atores onde se incluem os elementos da natureza. Fazê-los ouvir ou fazê-los presentes, colocá-los ao mesmo nível ou até acima dos humanos, lança-nos perante o desafio maior de todos: refundar as relações sociedades/naturezas e ressignificar os seus laços. Esta poderá ser a esperança que precisamos para nos lançar na utopia de sistemas de organização socio-ecológica verdadeiramente sustentáveis.
Estes e outros desafios socio-ecológicos contemporâneos só podem ser enfrentados por meio de novas formas de organização e participação social, o que alguns projetos já estão a desenvolver. Um desses projetos é o Phoenix que procura promover a análise aprofundada de diferentes tipologias de inovação democrática em 11 pilotos distribuídos por 7 países (Portugal, Espanha, França, Islândia, Itália, Hungria, Estónia).
Com o PHOENIX, a maior expectativa reside na possibilidade de mudar os moldes tradicionais de participação cidadã rumo à transição ecológica, implementando uma política transformadora baseada no conhecimento aprofundado das características biofísicas e sócio-economico-culturais dos territórios que articule/integre a pluralidade de saberes, poderes e posições locais. Só através desta combinação, com a participação plena e efetiva das populações e das suas diversidades, é que é possível assegurar uma transição justa e equitativa tendo em vista um planeta sustentável para todos os elementos que habitam a “casa comum”.
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sexta-feira, 9 de dezembro de 2022
E se aproveitássemos a produção de plástico para tirar carbono da atmosfera?
Das profundezas do oceano ao sangue humano, o plástico tornou-se um problema de poluição ubíquo, que além de tudo acelera as alterações climáticas. Em 2015, este sector gerou 4,5% das emissões mundiais de gases com efeito de estufa, um valor superior ao da aviação. Se nada for feito, as emissões poderão mais do que triplicar até ao fim do século. No entanto, uma equipa de cientistas da Universidade de Utrecht, nos Países Baixos, avançou com um cenário completamente diferente.
Os combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão, são a principal matéria-prima na produção do plástico. Mas, se em vez deste material de origem fóssil for usada biomassa vegetal, seria possível chegar a 2100 com emissões negativas de CO2, adiantam os investigadores. Ou seja, o sector do plástico, com ajuda de outras medidas como o aumento de preço do carbono e a economia circular, passaria a ajudar a retirar dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, podendo ter um papel positivo na mitigação das alterações climáticas. O estudo foi publicado esta quarta-feira na revista Nature.
“As plantas retiram CO2 [da atmosfera] enquanto crescem. Se usamos estas plantas para produzir plástico, o CO2 acumulado nos produtos de plástico causa emissões negativas, desde que sejam mantidos a uso e não sejam incinerados”, diz Paul Stegmann ao PÚBLICO, primeiro autor do artigo Futuros do Plástico e as Suas Emissões de CO2.
Montanhas de plástico
Desde que se inventou o plástico, a sua evolução foi imparável. De dois milhões de toneladas, produzidas em 1950, passaram-se para 390 milhões de toneladas em 2021. Isto faz com que este seja o material sólido “com o maior crescimento de produção a nível mundial”, lê-se no artigo.
Todos os anos, uma boa parte do plástico produzido é deitada para o lixo – principalmente o que é usado para embalagens e em produtos de pouca duração, como as garrafas. Mas cerca de 17% é plástico de longa duração, usado em material de construção e em edifícios. Por isso, de ano para ano, a quantidade de plástico na Terra vai aumentando. A equipa estimou que em 2050, o stock total de plástico será de 7,7 mil milhões de toneladas, uma subida de 4,5 mil milhões de toneladas face a 2020. E de 2020 até 2100 serão produzidas ao todo 100 mil milhões de toneladas de plástico.
Apesar de “o plástico poder oferecer benefícios ambientais, como reduzir o consumo de combustível ao tornar os veículos mais leves, o aumento do seu consumo está a ter impacto no ambiente”, resume o artigo.
Estas montanhas de plástico produzidas e descartadas traduzem-se em emissões de CO2. Se a evolução da produção de plástico não for travada, o sector poderá emitir cerca de 56 mil milhões de toneladas de CO2 até 2050. Este valor equivale a entre dez e 13% da quantidade de CO2 que o mundo pode ainda emitir se quiser que o aquecimento global fique abaixo dos 1,5 graus Celsius.
A maioria daquelas emissões surge “por causa da energia usada nos processos químicos ou nas perdas de conversão quando se transformam combustíveis fósseis, como o petróleo e o gás, em químicos e plásticos”, explica Paul Stegmann ao PÚBLICO. “A incineração do plástico que vai para o lixo é outra fonte importante de emissões de carbono”, acrescenta.
Quatro cenários
Perante este panorama, a equipa da Universidade de Utrecht foi observar o que aconteceria à produção de plástico e às emissões de CO2 até 2100 em quatro cenários diferentes. Os cenários serviram-se de um modelo que a equipa já tinha desenvolvido para o sector do plástico e que tem em conta não só o ciclo de plástico, com a extracção da matéria-prima, a produção, a reciclagem e o descarte do plástico, mas também as ligações deste sector com outros – como o da energia e o da agricultura –, e com o ambiente.
Por isso, o modelo “reage a mudanças do nosso sistema energético ou à disponibilidade e custos da biomassa para a produção de plástico”, afirma o investigador.
A solução mais eficaz é reduzir a necessidade de plástico e reduzir as emissões e a poluição. No entanto, isto só resulta se todo o serviço providenciado pelo plástico for reduzido.
Paul Stegmann
No primeiro cenário, a produção de plástico continua a ser maioritariamente baseada em combustíveis fósseis, atingindo um pico de emissões em 2090, com 5,7 mil milhões de toneladas de CO2 emitidas nesse ano. Nos restantes cenários, a equipa aplicou estratégias de mitigação. Todos os três cenários incluem um aumento do preço das emissões de carbono para evitar o aumento da temperatura média global além dos dois graus Celsius. Além disso, o primeiro dos três não tem mais nenhuma estratégia específica, o segundo aposta principalmente na economia circular e o terceiro aposta principalmente na bioeconomia circular.
“O cenário da economia circular apenas aumenta a reciclagem dos plásticos, mas não altera os recursos usados para a produção de plástico virgem, que se mantém e que é baseada em grande parte em combustíveis fósseis como o petróleo e o gás”, explica o investigador. “Um cenário de bioeconomia circular combina a reciclagem com um maior uso de biomassa.”
O aumento do preço das emissões de carbono tem um efeito importante. “Todos os três cenários de mitigação atingem o pico das emissões por volta de 2030 entre os 2,8 e três mil milhões de toneladas de CO2”, lê-se no artigo. Depois, as emissões decaem. “O aumento do preço de CO2 leva à descarbonização da produção eléctrica. […] Além disso, favorece uma mudança em direcção à biomassa e ao gás natural, provocando assim uma eliminação progressiva do uso de carvão e uma diminuição do uso de petróleo”, explica o artigo, revelando como modelo reage aos cenários propostos pelos investigadores.
Vantagens e desafios
Mas a partir dali há divergências. No primeiro dos três cenários de mitigação, o pico das emissões acontece um pouco depois de 2030. No final do século, embora as emissões de CO2 sejam negativas – já que o cenário também contempla o uso da biomassa vegetal – isto acontece porque deixa de haver incineração do plástico devido ao aumento do preço pago pelas emissões de CO2.
Como consequência, há “uma acumulação drástica de plástico nos aterros”, lê-se no artigo, subindo de 6,4 mil milhões de toneladas em 2020 para uns estimados 66 mil milhões de toneladas em 2100. Nos aterros, o “plástico e o seu carbono ficam sequestrados durante séculos”, adiantam os autores.
No cenário da economia circular a grande aposta é na reciclagem do plástico descartável. Apesar de haver uma grande diminuição do plástico a ir para o aterro, as emissões de CO2 em 2100 acabam ainda por ser positivas, já que os combustíveis fósseis continuam a ser uma parte importante da matéria-prima na produção de plástico.
O melhor dos cenários é, por isso, o da bioeconomia circular. “Ao combinar medidas da economia circular e aumentando o uso de biomassa [vegetal], a estratégia da bioeconomia circular alcança a maior redução de emissões cumulativas de todos os cenários analisados, ao mesmo tempo que elimina progressivamente os aterros e reduz a necessidade final de energia do sector do plástico”, conclui o artigo.
Mas há desafios: não só esta tecnologia tem de ser desenvolvida para que se torne mais rentável do que o uso de petróleo, como a necessidade de área agrícola para se produzir a biomassa pode ter consequências ambientais e de sustentabilidade alimentar. “Pode reduzir a biodiversidade e causar emissões de gases com efeito de estufa se florestas naturais como a Amazónia são destruídas para se obter a biomassa”, exemplifica Paul Stegmann. “É por isso que é importante ter padrões altos de sustentabilidade e um bom sistema de monitorização da produção de biomassa.”
Carbono na tecnosfera
O estudo, mais do que tudo, “sublinha a magnitude do desafio que está pela frente”, lê-se num comentário ao artigo científico, dos peritos Sangwon Suh, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e André Bardow, do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça.
Os autores falam, no comentário, sobre a tecnosfera, o universo de objectos produzidos pelos humanos a partir do seu conhecimento tecnológico: “O quinto compartimento onde o carbono pode ser armazenado”, depois da atmosfera, da biosfera, da hidrosfera e da geosfera. O plástico fará parte dessa quinta esfera. E apontam que o novo trabalho tem o “valor real” de colocar o foco nas condições socioeconómicas e tecnológicas que poderão permitir que isso aconteça.
“Parece plausível que o plástico se possa tornar num sumidouro de carbono no futuro”, reflectem os autores. “Mas será que se tornará nisso? Na nossa opinião, a resposta depende maioritariamente da capacidade da sociedade de criar uma paisagem socioeconómica e política que facilite essa transição, e não tanto no desenvolvimento das tecnologias necessárias.”
Além disso, este avanço teórico não responde a toda a poluição que o plástico tem vindo a produzir quando se transforma em lixo e vai parar aos ecossistemas. “A chave é evitar quaisquer perdas de plástico para o ambiente. Por via de uma gestão de lixo drasticamente melhorada e mudanças no design dos produtos, uma grande parte do lixo poderia ser evitado”, refere Paul Stegmann, que não deixa de defender um outro passo que hoje parece ser o mais radical.
“A solução mais eficaz é reduzir a necessidade de plástico e reduzir as emissões e a poluição. No entanto, isto só resulta se todo o serviço providenciado pelo plástico for reduzido. Se, por exemplo, apenas saltarmos do plástico para o vidro, as emissões de gases com efeito de estufa poderão ser ainda maiores.”
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segunda-feira, 28 de novembro de 2022
Pele de cogumelo pode ser usada para criar chips eletrónicos biodegradáveis
O mundo está em constante mudança e nós, claro está, temos que mudar a avançar com ele. Neste sentido, as investigações trazem novidades com regularidade, como, por exemplo, novas formas mais sustentáveis de criar os produtos que usamos no nosso dia-a-dia.
Assim, dados mais recentes indicam que a pele dos cogumelos pode ser usada como substrato para a criação de chips eletrónicos biodegradáveis.
Pele de cogumelo para fazer chips biodegradáveis
Com a exigência da produção de cada vez mais chips eletrónicos para responder às necessidades do mercado, a indústria depara-se com um problema a curto e longo prazo relacionado com a poluição desses mesmos componentes. Como tal, é fundamental que sejam encontradas soluções para lidar com este problema que nos afeta a todos.
Assim, as investigações científicas realizadas por cientistas austríacos podem agora ter encontrado uma alternativa amiga do ambiente. Trata-se de uma pesquisa designada MycelioTronics e consiste no uso de pele de fungos como forma de substrato para a criação de PCBs (Printed Circuit Boards) biodegradáveis. Os investigadores descobriram que assim que a pele é removida e seca, esta consegue desenvolver muitas das propriedades encontradas nos PCBs que são usados em todos os dispositivos eletrónicos do mercado.
A pesquisa baseia-se no fungo Ganoderma lucidum para a criação de chips e PCBs, cuja pele é fina, flexível e pode ser dobrada mais de 2.000 vezes, preservando ainda assim a sua integridade estrutural. Para além disso é também um bom isolante e pode suportar temperaturas acima dos 200 graus, o que é mais do que os PCBs conseguem suportar.
Mas, como é normal, tudo isto tem que ser aplicado na prática para ver se é ou não viável. Assim, os investigadores já realizaram várias experiências onde revestiram a pele seca do fungo com uma camada de cobre, crómio e ouro de forma a melhorar a condutividade. Por cima usaram um laser para imprimir trilhos condutores e descobriram que o produto se comportava como um PCB, tendo ainda como vantagem o facto de ser biodegradável.
O fungo Ganoderma lucidum é uma espécie de cogumelo muito popular na Ásia, sendo também conhecido pelo nome Reishi e usado na medicina tradicional chinesa há mais de 4.000 anos. Há quem o descreva como cogumelo da imortalidade.
Assim, quem sabe daqui a uns anos os chips dos nossos equipamentos tecnológicos não serão baseados neste cogumelo, evitando assim enormes quantidade de resíduos?
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