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sábado, 26 de setembro de 2026

Murder By Death - Lost River

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A banda americana Murder By Death, criada em Bloomington (Indiana), move-se entre o rock independente, o folk sombrio e a chamada gothic americana. O som do grupo destaca-se pelo uso do violoncelo e pela voz grave de Adam Turla. Lançada em 2012 no álbum Bitter Drink, Bitter Moon, a canção "Lost River" explora a culpa, o luto e a passagem do tempo. A imagem do "rio perdido" não nasce de um caso real, mas surge como uma invenção poética de Turla para representar a morte, o apagamento das memórias e o peso dos erros que cada pessoa carrega ao longo da vida.

O videoclipe, realizado por Gabe Darling (músico da banda nova-iorquina O'Death), acompanha essa atmosfera visualmente. Através de uma estética poética e desolada, com a banda a tocar em cenários despojados e envoltos numa atmosfera quase intemporal, o teledisco reforça os sentimentos de isolamento, a pequenez do indivíduo perante a força da natureza e o peso do destino.
 
A nível de influências, a música inspira-se no imaginário da literatura do Gótico Sulista de autores como Cormac McCarthy, William Faulkner e Flannery O'Connor, onde o pecado, a desolação rural e a decadência moral são temas recorrentes. Nota-se também uma clara alusão ao mito grego do rio Estige - a água como a última fronteira entre os vivos e os mortos. 

No fundo, "Lost River" confronta-nos com a ideia de que o tempo passa, as pessoas partem e o mundo simplesmente continua a girar, tenhamos nós deixado as nossas contas prestadas ou não.

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quarta-feira, 15 de julho de 2026

mary in the junkyard - Crash Landing

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Letra
[Verse 1]
Crash landing
You came in like you were done pretending
Comet face
With all of these holes I couldn't help but fall into

[Chorus]
You opened up like a coconut
You opened up like a coconut

[Verse 2]
Crash landing
You came in like you were done, done, done, done, done
Comet face
With all of these holes I can't help but fall down, down, down, down, down, down

[Chorus]
You opened up
You opened up like a coconut
You opened up
You openеd up like a coconut

[Bridge]
And I can take your mask off
But only in the dark
And you won't takе your shoes off
In case you have to run, run, run
Yeah, I can take your mask off
But only in the dark
And you won't take your shoes off
In case you have to run, run

[Verse 3]
Today, today, today, today
Or any other day
Tomorrow, tomorrow, tomorrow, tomorrow
In case, in case, in case, in case, in case
Nothing's gonna happen

[Verse 4]
And I want to go outside
But I'm scared you'll melt away if we leave this place
If it was any other day
If it was any other day
I'd get the fuck away

[Outro]
Crash landing
You came in like it was all my fault
Crash landing
I never want to see you again

A Anatomia Poética e Visual de um Fim de Relação
A canção "Crash Landing", o aclamado single de avanço do álbum de estreia  Role Model Hermit da banda mary in the junkyard, é uma obra densa e de forte carga dramática, que se destaca tanto pela sua sofisticação musical como pela riqueza das suas referências estéticas.

Nascido em Londres, este trio de nacionalidade britânica - composto por Clari Freeman-Taylor, Saya Barbaglia e David Addison - consolidou-se como uma das maiores promessas da cena artística do sul de Inglaterra. O seu estilo musical desafia categorizações fáceis, posicionando-se num território de partilha entre o art-rock, o indie rock experimental e o post-punk melancólico. A canção arranca com o som hipnótico e flutuante de um harmónio (um instrumento de fole antigo) que dita uma atmosfera quase litúrgica, para depois explodir numa vaga de guitarras distorcidas com traços de shoegaze e arranjos dramáticos de viola d'arco, acompanhando a interpretação vocal de Clari, que oscila entre a palavra sussurrada e o grito catártico.

O significado da canção debruça-se sobre a autópsia emocional de uma relação amorosa desgastante e assimétrica, marcada pela dificuldade em aceder à intimidade do outro. Através de metáforas cortantes, como a imagem de alguém que se teve de abrir "como um coco" para revelar alguma vulnerabilidade, ou a descrição de um parceiro que não descalça os sapatos por estar sempre pronto a fugir, a letra expõe o peso asfixiante de carregar os segredos e as limitações emocionais de outrem. Esse "pouso forçado" (tradução literal de crash landing) deságua num desejo definitivo de libertação e rutura.

Esta queda metafórica ganha corpo no significado do videoclipe, filmado em película analógica de 16mm no cenário imponente e desolador das Falésias Brancas de Dover. Vestida com um casaco estruturado que evoca asas pesadas e óculos de aviadora, a vocalista encarna uma pilota sobrevivente a um desastre. O teledisco joga constantemente com o contraste entre o confinamento dos músicos, encolhidos contra as enormes paredes de giz, e a imensidão do céu cinzento marcado por uma deslumbrante "murmuração" (a revoada acrobática e caótica de milhares de estorninhos), simbolizando visualmente o estado de desorientação e perda de controlo que acompanha o fim de uma ligação amorosa.

Por fim, a identidade da banda é profundamente moldada por influências romancistas, filosóficas e de poetas. Longe do registo quotidiano e literal de grande parte do indie rock moderno, mary in the junkyard procura abrigo no romantismo literário do século XIX, onde a natureza indomável serve de espelho às angústias da alma, e no realismo mágico, transformando vivências pessoais em fábulas modernas. No campo poético, a métrica fragmentada de Clari bebe da poesia rítmica e da spoken word, utilizando as palavras tanto pelo seu significado como pela sua textura percussiva e dadaísta. Do ponto de vista filosófico e da performance artística, o trio partilha uma forte afinidade com a lendária artista performática Marina Abramović. Esta influência traduz-se numa filosofia de palco assente na "presença absoluta" e na corporalidade, em que os três músicos funcionam quase como um quarteto de cordas clássico, reagindo fisicamente à respiração e ao movimento uns dos outros, transformando a dor de "Crash Landing" num ato existencial e de catarse coletiva.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Patrick Watson - Dream For Dreaming

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Letra
This dream I'm dreaming
Won't you wake me up tonight
'Cause this life I'm living
Doesn't really feel like mine
This strange dream I'm dreaming
If it ain't wrong it don't feel right
Never thought you were leaving
I never thought I'd have to start again

Somebody wake me up
Don't you wish we were dreaming
Don't you wish that we were just dreaming

I never thought the stars would look new again
Thought we'd get old, get dressed, and walk the dogs
Never really thought I'd have to be alone
I never thought you'd ever really be gone
But I still sing along
To yesterday's song

I got lost in the tall green grass
Oh I'm so lost in the tall green grass
Got on the phone and called a friend
Asked him where the hell I am?

Somebody wake me up
Don't you wish we were dreaming
Don't you wish that we were just dreaming
Don't you wish that we were just dreaming

"Dream For Dreaming" foi escrita durante um período de intensas perdas pessoais na vida de Patrick Watson: a sua mãe havia falecido, o seu casamento de anos tinha chegado ao fim e o baterista original da banda havia saído.

O significado central da música é a sensação de estranhamento e desconexão com a própria realidade após um grande trauma ou mudança drástica. O próprio Patrick Watson descreveu o sentimento da canção da seguinte forma:

"É sobre quando voltas a casa e a tua casa já não se parece com aquela que deixaste. É a sensação estranha de estares tão longe do que tinhas planeado para a tua vida que a tua própria pele já não te serve. Ficas num estado de descrença, com um sorriso estranho, a perguntar-te: 'o que é que eu faço agora?'"

Na letra, o eu lírico pede para ser acordado ("Won't you wake me up tonight?"), porque a vida real que ele está a viver parece tão bizarra e dolorosa que mais se assemelha a um pesadelo ou a um "sonho estranho" ("this life I'm living doesn't really feel like mine"). É uma reflexão dolorosa, mas profundamente honesta, sobre perder o chão e ter de reaprender a viver numa nova realidade.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Patrick Watson - Drive



Letra
Drive, drive, drive, drive
You want to drive all night
Follow the yellow lines
Don't stop and look behind
And you don’t want to know where you're going
Just want to get lost sometimes
Get lost together

Drive, drive, drive, drive
And get lost together

Ah, ah, ah, ah

Want to get lost
You don't want to know where you’re going
Stepping through a hallway of trees
Getting lost to nowhere's good to me
Wild eyes in the high high beams
Staring back at me

Into endless night
Wild eyes staring back at me
Wild eyes staring back at me
Wild eyes staring back at me

A letra de "Drive" é minimalista, direta e altamente metafórica, girando em torno da urgência de escapar e do desejo de desapego, como se pode notar nos versos "You want to drive all night / Follow the yellow lines / Don't stop and look behind / And you don't want to know where you're going / Just want to get lost sometimes / Get lost together".

O significado central da canção pode ser destrinchado em quatro frentes principais. Em primeiro lugar, o carro surge como um refúgio, onde o ato de conduzir sem destino funciona como uma metáfora para a busca por paz mental; em momentos de sobrecarga emocional ou ansiedade, o foco nas linhas amarelas da estrada e a ordem de não olhar para trás representam o desejo de desligar o cérebro e viver apenas o presente imediato. Em segundo lugar, há a catarse do "perder-se", existindo uma beleza melancólica em admitir que não se sabe para onde se vai, o que valida o sentimento de que, às vezes, perder o rumo é exatamente o que precisamos para nos reencontrarmos. Adicionalmente, verifica-se uma profunda conexão no isolamento quando o eu lírico propõe perderem-se juntos ("get lost together"), transformando a solidão da estrada numa experiência partilhada que sugere uma cumplicidade íntima e o desejo de fugir das pressões do mundo real na companhia de alguém que partilha da mesma vulnerabilidade. Por fim, a faixa aborda o confronto com o desconhecido através de versos como "Wild eyes in the high high beams / Staring back at me" (Olhos selvagens nos faróis altos / Olhando de volta para mim), que introduzem uma pitada de mistério e perigo, representando o confronto com os nossos próprios medos ou com o "selvagem" que habita na escuridão ao sairmos da nossa zona de conforto.

Em resumo, "Drive" constitui uma obra sobre evasão, entrega ao fluxo da vida e a busca por um espaço de silêncio no meio do ruído do mundo moderno.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

November Ultra - Silencio (feat. Patrick Watson)


Letra
Silencio
Yo te di el silencio
Pa' que tú entiendas
¿Cómo
Va la vida?
¿Cómo
Va la vida?

I lost my voice 'cause I talked too loud
Like an old friend that ain't hanging around
In this quiet while I do my best
But I can't stop making this shit up in my head
But that's alright, I think I see the light
Half of the time, and we're just talking to ourselves

And you want to explode
And let the world know
It's the middle of the night, you're all by yourself
Begging, praying, chasing, looking for a reason, won't you let it go?
'Cause you don't know
Then you take a bow, watch the quiet smile and say "Anyhow"

I've been too many lives
I've been too many tries
Too many times, losing my mind
Thinking about what I said last night
I think you like me better since I lost my voice
Something about this quiet

¿Cómo va la vida?
No sé si bien o mal, la vida sigue igual
Doy sentido a las palabras de la gente
And, ¿Cómo va la vida?
Si queries la verdad, me cuesta respirar
A veces ya no quiero levantarme
¿Cómo va la vida?
Oir sin escuchar, no sé qué preguntar
Hubiera deseado que me escuches

It was late last night, you know
I was laying in my bed
I just wanted to know
Well, how are you doing?

Woah, just let the quiet smile
All of the "I don't know why" s, you've already tried
You're breaking your mind, so you wave and walk by
Oh, just gotta let it go
Well, the funny thing is
They think you're smarter when you shut your mouth
Take a break from yourself while you wander around
You close your eyes with a quiet smile
Hmm-mm-mm

Escúchame
Escúchame

Significado da canção
A canção "Silencio", de Patrick Watson em colaboração com a artista francesa November Ultra, carrega um significado profundamente íntimo e transformador, tendo nascido de um momento de grande vulnerabilidade física e emocional. O tema central da obra gira em torno do poder da escuta, da humildade e da redescoberta de si mesmo através do silêncio forçado, servindo quase como uma reflexão espiritual sobre a comunicação humana.

A grande inspiração por detrás desta composição foi um problema de saúde real de Patrick Watson, que o deixou completamente sem voz durante cerca de três meses. Para um cantor e compositor que vive da sua expressão vocal, este episódio poderia ter sido catastrófico, mas acabou por se transformar numa lição de humildade. Watson partilhou que o silêncio lhe trouxe a constatação, com um toque de humor, de que falava demasiado no dia a dia. Ao ser obrigado a calar-se, percebeu que muitas das coisas que dizia não eram assim tão cruciais e que, frequentemente, passava mais tempo a falar sozinho do que a dialogar verdadeiramente com os outros.

Esta experiência mudou a sua forma de interagir com o mundo, revelando-lhe a arte de saber ouvir e a importância de dar espaço ao outro. Watson notou que, quando deixava de tentar preencher o vazio com palavras, as pessoas ao seu redor começavam a ocupar esse espaço com as suas próprias confidências e verdades. O silêncio forçado ensinou-o a ser um ouvinte muito mais atento e empático, levando-o à conclusão de que nos tornamos muito mais vulneráveis quando somos nós a falar do que quando nos limitamos a escutar.

A participação de November Ultra enriquece esta narrativa, uma vez que a artista trazia a sua própria bagagem de exaustão física e colapso vocal após uma longa digressão, precisando também ela de reaprender a respirar e a respeitar o silêncio do seu corpo. Cantada numa mistura de espanhol e inglês, a música abre com os versos "Yo te di el silencio / Pa' que tú entiendas", sintetizando a ideia de que o silêncio não é uma ausência de comunicação, mas sim o melhor presente que podemos dar a alguém — ou a nós mesmos — para que surja uma compreensão real e honesta. Em resumo, "Silencio" é um hino poético sobre encontrar beleza e clareza no vazio, aprendendo a calar o ruído do mundo para valorizar a presença genuína através da escuta.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Exit North - Harm


Tema principal do álbum Harm/Terms (2025)
O vídeo oficial foi realizado e produzido pelo cantor Thomas Feiner. 
Tendo-se filmado contra um pano de fundo de clipes de IA adaptados e tratados, apresentando elementos simiescos entre outras coisas, Feiner afirma:
"Para o bem e para o mal, os media generativos vieram para ficar. E agora que os artistas foram, de certa forma, roubados, creio que é importante perceber se o propósito artístico pode ser reivindicado neste novo mundo. O vídeo em si é uma tentativa algo satírica nessa direção. Ilustra vagamente temas que inevitavelmente flutuam na minha mente hoje em dia: a história a repetir-se, a manosphere, o ressentimento, a radicalização, os ecrãs, os algoritmos e tudo o mais."

E porquê macacos?
"Se a sobrevivência do mais amigável foi o fator evolutivo que permitiu a civilização - então o que vejo agora parece quase uma espécie de contra-evolução. Por isso, usei os macacos como símbolos desse impulso retrógrado — sem qualquer intenção de desrespeito pelos animais!"

Notas sobre a tradução e contexto: 
  1. "Manosphere": Mantive o termo original, pois é o conceito usado internacionalmente para designar o ecossistema online de movimentos masculinos (muitas vezes ligados a ideologias de extrema-direita ou misoginia), que encaixa bem na tua observação inicial sobre o J.D. Vance e o fenómeno do "penedo" (alguém rígido ou retrógrado). 
  2. "Simian elements": Traduzido como "elementos simiescos" 
  3.  "Survival of the friendliest": Esta é uma brincadeira com a famosa frase de Darwin (survival of the fittest). Em Portugal, usamos "sobrevivência do mais apto", por isso a tradução "sobrevivência do mais amigável" mantém esse contraste evolutivo que o Feiner quis destacar.
Página Oficial
Exit North (youtube)

quinta-feira, 19 de março de 2026

Anna Calvi - I See A Darkness (feat. Perfume Genius)

Melhor som aqui
Letra
[Verse 1]
Well, you're my friend
That's what you told me
And can you see?
What's inside of me
Many times we've been out drinking
Many times we've shared our thoughts
Did you ever, ever notice
The kind of thoughts I got?

[Verse 2]
Well, you know I have a love
For everyone I know
And you know I have a drive
To live I won't let go
But can you see this opposition
Rising up sometimes
And it's dreadful imposition
Come blacking in my mind

[Chorus]
And then I see a darkness
And then I see a darkness
And then  I see a darkness
And then I see a darkness
Do you know how much I love you?
It's a hope that somehow you
Could save me from this darkness

[Verse 3]
Well I hope that someday, buddy
We'll  have peace in our lives
Together or apart
Alone or with our wives
And we can stop our whoring
And pull the smiles inside
And light it up forever
And never go to sleep
My best unbeaten brother
This isn't all I see

[Chorus]


I See A Darkness: a batalha psíquica, a solidariedade queer e o resgate pela conexão humana
A composição funciona como um mergulho visceral na psique humana, onde a "escuridão" não é uma ameaça externa, mas um estado mental persistente e sufocante. O narrador admite que, mesmo rodeado por afeto e momentos de paz, carrega uma sombra interna que ameaça de forma constante a sua estabilidade emocional. É nessa vulnerabilidade que a canção revela a sua faceta mais humana: uma conversa íntima e brutalmente honesta com um amigo próximo. O eu lírico anseia por retribuir o amor que recebe e ser o seu melhor amparo, mas confessa, com dolorosa lucidez, a incapacidade de estar totalmente presente enquanto trava essa batalha contra o próprio colapso.

Essa dimensão interpessoal ganha uma densidade ainda maior na versão interpretada por Anna Calvi e Perfume Genius (Mike Hadreas). Sendo ambos artistas abertamente queer - Hadreas assumidamente gay e Calvi lésbica -, as suas trajetórias musicais sempre usaram a identidade como pilar central para desconstruir papéis rígidos de género, explorar traumas e questionar a rejeição social de corpos e afetos não normativos. Ao unirem as suas vozes numa obra tão densa, a luta contra a depressão deixa de ser uma abstração genérica e ganha contornos de uma vivência partilhada. A música transforma-se num ato de resistência e num pacto de sobrevivência queer, onde a dor do isolamento é acolhida pela empatia de quem entende esse mesmo peso.

No limite, a obra manifesta-se como um pedido de socorro que recusa a resignação. Permanece um contraste latente entre o pavor paralisante desse abismo emocional e a crença - ainda que frágil e oscilante - de que a conexão humana, o afeto e a coragem de expor as próprias feridas são o único antídoto capaz de afastar as sombras.

É importante notar que "I See A Darkness" é um cover. A música foi escrita originalmente por Will Oldham (sob o nome Bonnie 'Prince' Billy) em 1999. Diferente da versão original (que é mais contida, quase leve e melancólica), a interpretação de Calvi e Perfume Genius é carregada de drama. Ela mistura o virtuosismo da guitarra de Anna com harmonias vocais etéreas, criando um som que pode ser descrito como Noir Rock ou Dark Pop.

Página Oficial

sábado, 7 de março de 2026

Shelleyan Orphan - Burst


Bonita interpretação no programa britânico The Tube

A primeira vez que "Universal Soldier" foi tocada em público foi no outono de 1963, no lendário café The Gaslight Cafe, em Greenwich Village, Nova York.

Embora a canção tenha se tornado um hino, a própria Buffy Sainte-Marie foi colocada numa "lista negra" por causa de suas posições políticas. Ela descobriu anos depois que suas cartas e músicas eram monitoradas pelo FBI e pela CIA durante as administrações Johnson e Nixon.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Caroline Polachek - Total Euphoria


Significado de "Total Euphoria" 
A canção, que faz parte da versão deluxe do aclamado álbum Desire, I Want To Turn Into You, é uma colaboração com o produtor Oneohtrix Point Never. Como o título sugere, a música explora o estado de êxtase absoluto. Não é apenas uma alegria comum; é aquela sensação de estar "fora do corpo", onde o desejo e a realidade se fundem.
 Ela utiliza metáforas sensoriais e espaciais para descrever a perda de controle. É sobre o momento em que você para de lutar contra seus instintos e se entrega totalmente a uma experiência ou a alguém. 
 Conexão com o álbum: o disco inteiro fala sobre a natureza "indomável" do desejo humano, e esta faixa serve como o clímax sonoro desse conceito.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Agnes Obel - Camera's Rolling


Letra
The script is burning
On heavy fuel
No time to lose
What will you do?

The camera's rolling
What will you do?
What will you do
That you can't undo?

The gun is loaded
What will you do?
Cruel gifted fools
What will you do?

Esta faixa abre o álbum Myopia (2020). É uma música que lida com a percepção, a memória e a sensação de estar sendo observado ou de estar "atuando" na própria vida. Com melhor som aqui

1. A Percepção da Realidade (Myopia)
O álbum chama-se Myopia (Miopia), e esta canção define o tom para isso. Agnes Obel descreveu o conceito como o estado de estar tão fechado no seu próprio mundo ou pensamento que a percepção do que é real fica distorcida. "The camera's rolling" (A câmara está a gravar) simboliza aquele momento em que nos tornamos autoconscientes, como se estivéssemos a ver a nossa vida de fora, como um filme.

2. Ansiedade e Controle
A repetição das frases sugere um estado de ansiedade. Quando a "câmara grava", há uma pressão para desempenhar um papel. Pode referir-se à sensação de que estamos sempre a ser vigiados (seja pela tecnologia, pela sociedade ou pela nossa própria mente crítica), o que nos impede de ser genuínos.

3. O Processo Criativo
Obel gravou este álbum em isolamento quase total. Ela mencionou em entrevistas que a canção lida com a dualidade de estar sozinho mas sentir que "alguém" (a própria consciência ou o público futuro) está a observar o processo. É a transição do pensamento privado para a performance pública.

Atmosfera Musical
A música utiliza técnicas de pitch-shifting (alteração do tom da voz), o que faz com que a voz de Agnes soe ora mais grave (masculina), ora mais aguda. Isso reforça a ideia de uma identidade fragmentada ou de alguém que está a ser "processado" por uma lente, tal como uma imagem de vídeo.

domingo, 14 de setembro de 2025

Camera Obscura - Break It To You Gently


Quase há 10 anos faleceu Carey Lander, teclista e cantora dos Camera Obscura, banda escocesa. Morreu aos 33 anos. Integrou a banda em 2002. Foi uma guerreira. Diagnosticada em 2021 com osteosarcoma, tipo raro de cancro nos ossos. No entanto criou a campanha Sarcoma UK, que arrecadou mais de 50 mil libras para apoiar vítimas da doença.

[Verse 1]
You had the office before you had the business
You had the ring before you found the girl
If it were up to you, would she be suffering still?
And now you say your arms ache
From the weight of your mistakes
You're the keeper of the doomsday clock, did I get that wrong?

[Chorus]
Little darling, I try, oh, at least I look on the bright side
I'll break it to you gently, break it to you gently

[Verse 2]
With their 45s from '82
And the looks that say they're cooler than you
Oh, they deal in boxing fists and arrogance
I got nothing, nothing, nothing to say
About the way you spend your day
You rest your head on your hand, would you let it slip away?

[Chorus]
Little darling, I try, oh, at least I look on the bright side
I'll break it to you gently, break it to you gently
Little darling, I try, oh, at least I look on the bright side
I'll break it to you gently, break it to you gently
Little darling, I try, oh, at least I look on the bright side
I'll break it to you gently, break it to you gently
Oh, little darling, I try, oh, at least I look on the bright side
I'll break it to you gently, break it to you gently
I'll break it to you gently, break it to you gently
I'll break it to you gently, break it to you gently
Break it to you gently, I'll break it to you gently
Break it to you gently, break it to you gently

terça-feira, 9 de abril de 2024

Música do BioTerra: Anohni - Drone Bomb Me

[Chorus 1]
Drone bomb me
Blow me from the mountains, and into the sea
Blow me from the side of the mountain
Blow my head off, explode my crystal guts
Lay my purple on the grass

[Verse 1]
I have a glint in my eye, I think I wanna die
I wanna die
I wanna be the apple of your eye

[Chorus 1]

[Verse 2]
Let me be the first
I'm not so innocent
Let me be the one
The one that you choose from above
After all, I'm partly to blame

[Chorus 2]
So, drone bomb me, I'm partly to blame
Blow me from the mountains, and into the sea
I'm partly to blame
Blow me from the mountains, and into the sea
I wanna die
I’m not so innocent
I'm partly to blame
Blow my head off
Explode my crystal guts

[Verse 3]
My blood, my blood, my blood
Choose me, choose me, choose me tonight
Choose me
Let me be the one
The one that you choose tonight
Choose me tonight, tonight

Acerca do Tema: Drone Bomb Me

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Música do BioTerra: ANOHNI and the Johnsons - Sliver Of Ice


Este tema é especialmente dedicado ao falecimento do seu amigo Lou Reed. Já me faleceram alguns. Já suportei perdas maiores. Anohni, que já tive o prazer de a ver ao vivo, é um colosso de emoções. Obrigado por existires e continua a tua bela arte.

Há cerca de 5 meses quando saiu este tema, fiquei logo apaixonado por ele. Entrei em loop. Hoje volto a revê-lo. Novas emoções. Olho para o videoclipe e sublinho este trecho da música:

"I couldn’t believe it ’til tonight
This whole place made of light
I made myself a home

Don’t know what’s wrong
Don’t know what’s right
I belong here as animals might"

domingo, 6 de agosto de 2023

John Grant - Day Is Done


When the day is done
Down to earth, then, sinks the sun
Along with everything that was lost and won
When the day is done

When the day is done
Hope so much your race will be all run
Then you find you jumped the gun
Have to go back where you began
When the day is done

When the night is cold
Some get by but some get old
Just to show life's not made of gold
When the night is cold

When the bird has flown
Got no one to call your own
Got no place to call your home
When the bird has flown

Fotografia: Bill Jackson

Biografia:

Página Oficial:

sexta-feira, 26 de maio de 2023

Moby & Nicola Sirkis (Indochine) - This Is Not Our World (Ce n’est pas notre monde)


Desta vez, Moby colabora com o vocalista da Indochine, Nicola Sirkis, para alguns minutos autênticos de música eletrónica em 'This Is Not Our World (Ce n'est pas notre monde)'. A música, originalmente escrita e produzida por Moby, mostra o artista americano apresentando-se ao lado do icónico líder da banda francesa, já que Nicola foi imediatamente atraído pela poderosa mensagem da música depois de ouvi-la pela primeira vez.

Fornecendo ao original um toque bilíngue único, Nicola salta para esta versão agora parcialmente cantada em francês, transformando-a num hino internacional para que todos possam compreender. Além dos vocais contagiantes que flutuam por toda parte, a faixa chega completa com percussão vigorosa, linhas de sintetizador rodopiantes e ritmos de linha de baixo meticulosos, todos contribuindo para a sensação retro da música. 
O videoclipe, dirigido por Jean-Charles Charavin e filmado entre Paris e Los Angeles, convidan-nos a refletir coletivamente sobre o estado lamentável do mundo em que vivemos atualmente.

Allongés par terre
Tous les deux flottant dans les airs
Le ciel crachant des étoiles
Un endroit triste et sale

Nous tomberons comme des pluies
Des nuages nous tomberons ici
Qui pourrait bien séparer
Qui pourrait bien faire la paix

Nous sommes toujours tout seuls

À combien de temps encore
Ce n'est pas notre monde
On pourrait attendre encore
Ce n'est pas notre monde

Alors reviens
Pour des milliers d'années
Alors reviens
Ce n'est pas notre monde

So run from the light
The desperate dream of days
Under the big black sun
We will slip away

And now we're lost alone

I can wait a thousand years
It's not my world
I can dry a thousand tears
It's not our world

Oh, come back
Save us here
Oh, oh come back
This is not our world

À combien de temps encore
This is not our world
On pourrait attendre encore
This is not our world

Ce n'est pas notre monde

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Encontros Improváveis: Álvaro de Campos, Coloured Tears e Hammock


Fico Sozinho com o Universo Inteiro
Começa a haver meia-noite, e a haver sossego,
Por toda a parte das coisas sobrepostas,
Os andares vários da acumulação da vida...
Calaram o piano no terceiro andar...
Não oiço já passos no segundo andar...
No rés-do-chão o rádio está em silêncio...

Vai tudo dormir...

Fico sozinho com o universo inteiro.
Não quero ir à janela:
Se eu olhar, que de estrelas!
Que grandes silêncios maiores há no alto!
Que céu anticitadino! —
Antes, recluso,
Num desejo de não ser recluso,
Escuto ansiosamente os ruídos da rua...
Um automóvel — demasiado rápido! —
Os duplos passos em conversa falam-me...
O som de um portão que se fecha brusco dóí-me...

Vai tudo dormir...

Só eu velo, sonolentamente escutando,
Esperando
Qualquer coisa antes que durma...
Qualquer coisa.

Álvaro de Campos, in "Poemas"
   

Coloured Tears
Coloured Tears (André Grafert)
Hammock (biografia; discografia)
Hammock (site)
Hammock (youtube)

domingo, 6 de novembro de 2022

Música do BioTerra: The Divine Comedy - There is a light that never goes out


Take me out tonight
Where there's music and there's people who are young and alive
Driving in your car
I never never want to go home, because I haven't got one anymore
Take me out tonight
Because I want to see people and I want to see lights
Driving in your car
Oh please don't drop me home, because it's not my home
It's their home, and I'm welcome no more

And if a double-decker bus crashes into us
To die by your side is such a heavenly way to die
And if a ten tonne truck kills the both of us
To die by your side, well, the pleasure and the privilege is mine

Take me out tonight
Oh take me anywhere, I don't care
And in a darkened underpass I thought Oh God, my chance has come at last
(but then a strange fear gripped me and I just couldn't ask)
Take me out tonight
Take me anywhere, I don't care
Just driving in your car
I never never want to go home, because I haven't got one
I haven't got one...

domingo, 1 de maio de 2022

Curta-Metragem - Flores , realizado por Thomas Blanchard




From an artistic point of view, the flowers are represented in the 4 seasons.
The fire for the fall, ice for the winter, fast hatching (timelapses) for the spring and color inks for the summer.

coproduction: EKITAIMACRO et GREENLIGHT FILMS

Music : Velvet Coffee ( Leonardo Villiger and Christophe Dugne Esquevin)

Director : Thomas Blanchard


Co produced by
Ekitaimacro // Thomas Blanchard
Greenlight Films // Paul Mignot and Léa Morel

sábado, 25 de dezembro de 2021

Eco-Natal : Patrick Watson - A Mermaid in Lisbon (feat. Teresa Salgueiro)


A letra explora a ideia de algo mágico e impossível (uma sereia) existindo dentro de uma cidade real e histórica. É sobre a beleza que se esconde nos cantos escuros e nas águas do Tejo.
Existe uma sensação de transitoriedade. A sereia representa algo que não se pode prender; ela aparece, encanta e desaparece, deixando apenas a memória e o eco da sua voz.
A canção é uma carta de amor à capital portuguesa, capturando aquele sentimento de "sol de inverno" e a luz única da cidade que parece atrair o místico.