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terça-feira, 28 de julho de 2026

Cientistas conseguem transformar plásticos em combustível: o sistema que os converte em energia

Este novo processo alcança três resultados de uma só vez: transforma o plástico mais comum em hidrogénio de alta pureza e, ao mesmo tempo, solidifica o CO2, evitando assim a sua libertação na atmosfera.

Quanto plástico existe realmente no planeta? É uma pergunta para a qual, quase certamente, nunca teremos uma resposta. Independentemente das estimativas que possamos fazer, a preocupação com a situação cresce — ainda que lentamente — em contraste com a rápida escalada do problema em si; a realidade é que, a cada minuto que passa, há mais plástico no planeta.

No meio de diversas iniciativas e campanhas voltadas para mitigar a questão, cientistas de todo o mundo continuam a procurar soluções eficazes para erradicar o problema rapidamente, sem causar mais danos ao planeta e às suas esferas (ou seja, sem criar novas fontes de poluição da água, do ar ou do solo).

Das profundezas dos oceanos às nuvens - e até mesmo no nosso sangue -, o plástico alcançou todos os espaços no nosso redor, persistindo no meio ambiente e permanecendo com as futuras gerações por séculos.

Um dos projetos de investigação mais interessantes a apresentar resultados promissores recentemente - em julho deste ano - foi publicado pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), e pela Ewha Womans University, na Coreia do Sul.

Este estudo não apenas desenvolveu com sucesso um processo capaz de transformar a reciclagem de plásticos no futuro sem gerar poluição adicional, mas também oferece uma via nova e altamente eficiente para a geração de energia limpa.

Do plástico ao hidrogénio: uma transformação sem emissões
Misturar plásticos para transformá-los? O resultado desta nova proposta é nada menos que hidrogénio de alta pureza, obtido pela combinação de três tipos comuns de plástico: PET, polietileno e polipropileno.

Isto é alcançado através de um novo processo chamado tratamento térmico alcalino, que utiliza temperaturas até 400 °C mais baixas do que as empregadas em processos convencionais de gaseificação, permitindo que o dióxido de carbono libertado durante o processo seja capturado e transformado na sua forma sólida.

Ao utilizar hidróxido de sódio e uma diferença de temperatura tão significativa (este processo geralmente opera em temperaturas entre 700 °C e 1300 °C), esta técnica requer menos energia e, ao mesmo tempo, produz hidrogénio com pureza superior a 90% - um nível muito próximo do padrão exigido para aplicação em tecnologias de energia limpa.

Além disso, a capacidade de capturar o dióxido de carbono emitido durante o processo evita que o gás seja libertado na atmosfera e a polua, criando também a oportunidade de aproveitar o material sólido resultante; uma vez transformado, este material pode ser utilizado em setores como manufatura e construção civil, entre outros.

Segundo dados da UCLA, menos de 10% do plástico descartado é reciclado, quase 80% acaba em aterros sanitários e nos oceanos, enquanto cerca de 10% é incinerado, libertando gases poluentes na atmosfera durante o processo.

Embora este projeto ainda esteja em fase experimental e precise de passar por um processo de implementação industrial fora do laboratório, os resultados são promissores no que diz respeito à redução de custos na triagem e separação de materiais plásticos, à produção de hidrogénio de alta pureza e à gestão e aproveitamento dos resíduos remanescentes.

Um problema que tem uma janela de oportunidade
Desde 2020, diversas iniciativas de investigação e projetos surgiram na tentativa de mitigar este problema crescente, visto que a maioria dos bens essenciais atuais contém, infelizmente, algum tipo de plástico.

Em 2025, investigadores japoneses publicaram uma descoberta sobre o desenvolvimento de um plástico à base de celulose altamente durável, que se degrada completamente em água salgada; e, no início de 2026, foi anunciado um projeto que decompõe o plástico utilizando enzimas, degradando com sucesso até 90% das garrafas PET.

É importante realçar que a adoção de bioplásticos no quotidiano e a implementação de novas estratégias para mitigar o impacto deste material ainda podem levar muito tempo; portanto, a melhor oportunidade de promover mudanças nessa questão está na decisão de cada um de nós de gerar a menor quantidade possível de resíduos plásticos no nosso dia a dia.

Ler mais:

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Acabei de submeter o meu parecer de discordância relativamente ao Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (PSZAER)

Ler o texto aqui


Anexei o relatório do próprio Governo (Agenda Nacional de IA) e o mais recente relatório “Global Data Centers Outlook 2026”, elaborado pela JLL.

𝐀𝐜𝐞𝐥𝐞𝐫𝐚𝐫 𝐚𝐬 𝐙𝐀𝐄𝐑 𝐚 𝐭𝐨𝐝𝐨 𝐨 𝐜𝐮𝐬𝐭𝐨? 𝐍𝐚̃𝐨 𝐚 𝐞𝐬𝐭𝐞 𝐩𝐫𝐞𝐜̧𝐨
Como o litoral e as grandes áreas metropolitanas (como Lisboa e Porto) estão com a rede elétrica severamente saturada, direcionar as ZAER para o interior ajuda a equilibrar a Rede Elétrica Nacional (REN). Ao produzir energia nestas zonas e ao acoplá-las a novos sistemas de armazenamento de grande escala (baterias), torna-se viável abastecer os grandes centros de consumo e de dados através de linhas de transporte de alta tensão que atravessam o país, sem sobrecarregar ainda mais os nós elétricos do litoral.

Isto é a narrativa por detrás das ZAER.

O grande paradoxo de toda esta história é simples: a eletricidade produzida nestes novos moldes não vai para as pessoas que vivem na região. Vai, quase toda, alimentar os servidores gigantes de multinacionais como a Amazon, a Google ou a Microsoft.

O negócio funciona através de acordos privados a longo prazo, conhecidos na gíria como PPAs (Power Purchase Agreements). Na prática, uma elétrica constrói o parque solar no Alentejo ou no interior e vende essa energia diretamente à tecnológica por um preço fechado e muito baixo durante 10 ou 15 anos. Com isto, a multinacional garante energia barata e o "selo verde" para os seus relatórios financeiros de sustentabilidade, o promotor assegura o retorno do investimento e as populações locais ficam apenas com a paisagem desfigurada e menos terra para trabalhar.

Há ainda outro pormenor que quase ninguém explica e que pesa no bolso de todos. Para que essa eletricidade viaje do interior até aos grandes centros de dados ou ao litoral, é preciso construir novas linhas de alta tensão e subestações. Quem paga esta fatura milionária de expansão da rede? Nós. O custo das infraestruturas é diluído nas tarifas de acesso à rede que aparecem na fatura da luz de qualquer família portuguesa ao fim do mês. Acabamos, no fundo, a subsidiar indiretamente a rede que serve estas tecnológicas.

A Agência Europeia do Ambiente (AEA) classifica Portugal, a par de outros países do sul do continente como Espanha, Itália e Grécia, como uma das regiões europeias mais vulneráveis e pressionadas pelo stress hídrico. A agência considera a escassez de água no território nacional um problema altamente premente que exige políticas urgentes de resiliência. Atualmente, o país encontra-se bem acima do limiar de alerta de stress hídrico da União Europeia, sendo frequentemente apontado como o sexto país com maior pressão sobre os recursos hídricos durante o período do verão. Esta classificação sazonal deve-se ao facto de o período estival combinar uma seca meteorológica acentuada com uma redução severa dos caudais dos rios e um aumento drástico das captações para a agricultura irrigada, o turismo e o consumo doméstico.

Para medir esta pressão de forma técnica, a AEA utiliza o indicador de exploração de água conhecido como WEI+, que calcula a percentagem de água doce consumida face aos recursos renováveis disponíveis em cada região. Os padrões europeus estipulam que valores acima de 20% indicam stress hídrico, ao passo que valores acima de 40% sinalizam um stress severo e um uso insustentável da água. Embora a média anual portuguesa possa parecer moderada à escala global, as análises regionais e sazonais da agência revelam que as bacias hidrográficas do sul, nomeadamente as do Sado, do Mira e do Algarve, ultrapassam com frequência e de forma alarmante o limiar crítico de 40% durante a primavera e o verão.

Claro que Portugal precisa de apostar nas renováveis e fechar as centrais poluentes. Ninguém discute isso. Mas o modelo atual tem um forte cunho extrativista: o interior arca com os custos ambientais, perde o montado ou o olival e vê a sua paisagem descaracterizada, enquanto a riqueza, a eletricidade barata e os empregos qualificados vão para as sedes das empresas e para os polos tecnológicos do litoral.

A solução não passa por travar a transição, mas por mudar as regras do jogo. O licenciamento destes grandes projetos devia obrigar à criação de comunidades de energia locais, que distribuíssem parte da eletricidade de graça ou a preço de custo a quem vive e trabalha nessas regiões. Sem regras que protejam quem lá está, as novas zonas de aceleração do interior correm o risco de ser apenas o quintal de energia barata das grandes tecnológicas.

Esta vulnerabilidade é substancialmente agravada pela elevada dependência transfronteiriça de Portugal, uma vez que o país depende fortemente dos caudais de rios internacionais como o Tejo, o Douro e o Guadiana, que nascem em território espanhol. Esta circunstância deixa a segurança hídrica nacional exposta às decisões de gestão do país vizinho, especialmente em anos de seca ibérica severa. Além disso, a AEA aponta no seu diagnóstico que o problema em Portugal é potenciado pela ineficiência no consumo, estimando que até metade da água captada para a agricultura seja perdida por sistemas de rega desatualizados, enquanto as perdas nos setores industrial e urbano também continuam elevadas. Face ao cenário de alterações climáticas, as projeções da agência apontam para reduções que podem atingir 40% nos caudais dos rios durante o verão, reforçando o aviso de que o país não pode sustentar novos projetos de consumo intensivo e inflexível de água sem uma transição urgente para a reutilização de águas residuais tratadas.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Portugal está a ser vendido às peças em nome da “transição verde”

Vale do Lítio em Minas Gerais- Brasil


O discurso é clima e futuro; a realidade, no terreno, é corrupção suspeita, decisões opacas e destruição brutal de turismo, agricultura, comunidades e natureza.

Barroso e Montalegre: O que era paisagem intacta, ideal para caminhadas, gastronomia local e vida comunitária, arrisca tornar-se um cenário de explosões, pó e camiões. Ao mesmo tempo, concessões polémicas, negócios com baldios travados em tribunal e projectos ligados à Operação Influencer (Galamba/Escária PS- etc) alimentam a ideia de que o que manda não é o interesse público, mas redes de influência em torno do Estado.

No Alentejo, a mega-central solar Fernando Pessoa significa abater cerca de um milhão e meio de árvores e transformar centenas de hectares num campo industrial cercado. O montado, a paisagem aberta, o silêncio e o céu limpo – pilares do turismo, da agricultura de qualidade e da identidade da região – são sacrificados em troca de um “mega projecto” aprovado à pressa, já contestado. A energia e o dinheiro saem pela linha de alta tensão; quem fica herda a paisagem arruinada

Em Sines, a corrida ao hidrogénio “verde” e a novas infraestruturas industriais ameaça virar a costa alentejana – hoje motor de turismo balnear e de natureza – num corredor de tubos, tanques e betão. Um dos grandes projectos está também sob investigação na Operação Influencer, reforçando a percepção de que a transição energética é o novo campo de negócios para quem tem a chave dos gabinetes certos.

Quanto à Central Solar SOPHIA , na Beira Interior podemos dizer com certeza que a Central Solar Sophia é um projeto privado, promovido pela Lightsource bp, com apoio de empresa nacional para licenciamento (Coloursflow). Contudo:

1.Há receio de que o projeto assuma características de “mega-central”, implicando vastas áreas vedadas (1.734 hectares vedados, segundo dados públicos) e ocupação de solos que hoje têm funções agrícolas, florestais ou naturais.

2. A escala do projeto, o tipo de zoneamento de solo e a densidade de instalação levantaram enormes críticas de ambientalistas, populações locais e comunidades intermunicipais.
3.A contestação pública e institucional é significativa — há quem considere que a forma como o processo está a decorrer reflete desequilíbrios entre interesses privados e os valores ambientais, sociais e territoriais da região.

Por isso, para muitos, Sophia já não é apenas “energia solar”: é um exemplo do que se entende como “projetos energéticos feitos à pressa” — com promessas de “transição verde” que coincidiriam com lucro para privados, e riscos definitivos de prejuízo para território, biodiversidade e comunidades.

Conclusão
Estamos perante um caso de Green Corruption (Corrupção Verde)
O padrão é sempre o mesmo: destrói-se em baixo, lucra-se em cima. Territórios que vivem de turismo, agricultura e natureza perdem tudo o que os faz existir; grandes empresas e decisores políticos ganham projectos “estratégicos”, subsídios e poder. Se isto é a “transição verde”, o risco não é só matar serras, campos e mar – é matar a já quase nula confiança das pessoas e transformar o combate ao clima em mais um capítulo da história da corrupção em Portugal. E Portugal mais pobre em todos os aspectos. Todos estes projectos, a ser confirmados, inevitavelmente gerarão um considerável passivo ambiental para as gerações futuras.

sábado, 17 de maio de 2025

Vandalism, with a plan

Figuring out what the thugs are up to so we can stand up to them



It would be tempting to dismiss Trump’s many functionaries as idiots, because many of them are. Here, for instance, is a transcript of leaked audio from a recent staff meeting led by acting FEMA director David Richardson, a man with no experience in disaster management (but who did write what the reliable Kate Aronoff described as a bad autobiographical novel with the inspired title War Story). Anyway, put yourself in the place of the FEMA staff hearing this highly relatable anecdote:

"The other day I was chatting with my girlfriend, she's from Texas. She's got like huge red hair. Like, she's from Texas. And I said something and she said, well, you know, oh, I know what it was. I said, how come it takes so long to drive 10 hours from Galveston to Amarillo? And she said, well, you know, Texas is bigger than Spain. I didn't know that. So I looked at the map. Texas is huge! I mean, if you put it in the middle of Europe, it takes up most of Europe up. However, they do disaster recovery very, very well, and so does Florida, okay. So, we should be able to take some lessons learned on how Florida and Texas do their disaster recovery, we’ve got to spread that around and get other folks do it some way. And there should be some budgeting things that they have, I bet. I bet Governor Abbott has a rainy day fund for fires and tornadoes and disasters such as hurricanes, and he doesn't spend it on something else"

But if there’s endless idiocy at work (some of it as cover—if I was taking flak for my $400 million flying bribe I’d start tweeting about Taylor Swift and Bruce Springsteen too), there’s also a kind of underlying feral cunning. All the stupid stuff heads in the same direction.

For example, the administration last week announced it would get rid of the Energy Star program, which rates various appliances by their efficiency so that consumers (and landlords and building owners) can make wise choices.


“The Energy Star program and all the other climate work, outside of what’s required by statute, is being de-prioritized and eliminated,” Paul Gunning, the director of the E.P.A. Office of Atmospheric Protection, told employees during the meeting, according to the recording obtained by The New York Times. Mr. Gunning’s office itself is also slated for elimination.

This is a program begun by Republicans—former EPA administrator William K. Reilly wrote a fond reminiscence yesterday for the Washington Post, who pointed out that if you were actually worried about, say, waste, then this would be the last program to cut

The program costs $32 million in annual federal outlays to administer but has saved consumers $200 billion in utility bills since 1992 — $14 billion in 2024 alone. The averted air pollution, which was the EPA’s initial objective, has been considerable, equivalent to the emissions of hundreds of thousands of cars removed from the road.

But what if you wanted to burn more fossil fuel? What if you wanted to stretch out the transition to cheap, clean renewable energy? Well then it would make a lot of sense.

Or take yesterday’s news, from EPA administrator Lee Zeldin, vowed that he would eliminate the “start-stop” technology in cars because “everyone hates it.” This feature keeps your car from idling at stoplights—when you tap the accelerator the car turns back on. It’s not mandatory for carmakers, and drivers can turn it off with a button. But, as Fox News points out,

The feature can improve fuel economy by between 4% and 5%, previous EPA estimates showed. It also eliminated nearly 10 million tons of greenhouse gas emissions per year as of 2023

Meanwhile, energy secretary Chris Wright, according to excellent reporting in Heatmap News today, is taking federal money designed to convert a steel plant to electricity and hydrogen and instead using it to convert the steel plant to…the fossil fuel it’s already using. The company, its CEO explained, is working with the Department of Energy to “explore changes in scope to better align with the administration’s energy priorities,” and those priorities, of course, are to use more energy.

Occam’s Razor, I think, would lead us to say that many things the Trump administration does are simply designed to waste energy, because that is good for the incumbent producers, i.e. Big Oil. That’s not a particularly sophisticated rule for understanding their actions, but remember: Trump was bankrolled by the fossil fuel industry, and that industry has always wanted us to waste energy. Remember all that endless Trump nonsense about low-flow shower heads? They cut the use of hot water by about forty percent. Ditto incandescent bulbs, which use 75-90 percent more energy, and which Trump is trying to bring back. It’s strange to be pro-waste, but there you are. This administration is garbage in every way.

That all of this costs consumers money is obvious—but we don’t really pretend to care about consumers any more. Remember: two dolls and five pencils apiece. No, the ultimate customer for the Trump administration is the oil industry. And really for the GOP as a whole: it became increasingly clear this week that the Republican Congressional majority is all too willing to gut the IRA, even though that will come at a big price to consumers, in its effort to help Big Oil.

And Big Oil is in trouble. Power demand in New England hit an all time low in late April, because so many homes now have solar panels on top. In, um, Saudi Arabia solar arrays are springing up left and right. Bloomberg’s David Fickling chronicles the “relentless” switch towards spending on clean energuy, albeit too slowly to hit the most important climate targets. A new global poll of business executives found that 97 percent were eager to make the switch to renewable energy for their companies, on the grounds that

Electricity is the most efficient form of energy, and renewables-generated electricity a value-add to businesses and economies. In many countries, fossil fuels, with their exposure to imports and volatility to geopolitical shocks, are a liability. For business, this isn’t just inconvenient. It’s dangerous. Volatility drives up costs, turns strategic planning into guesswork and delays investment.

That’s how sensible people with sensible goals—like making their businesses work, think. But it’s exactly the opposite of how our government now imagines its role. The DOE put their strategy pretty plainly in a filing to the Federal Register yesterday: their goal, they said, was “bolstering American energy dominance by increasing exports and subsequently the reliance of foreign nations on American energy.” If you’re a foreign government, that about sums it up: either you can rely on the sun and wind which shine on your country, or you can rely on the incredibly unreliable U.S. China, meanwhile, is essentially exporting energy security, in the form of clean energy tech.

So the goal for the rest of us, as we resist Trump and resist climate change, is pretty clear: do everything we can to speed up this transition to clean energy, here and everywhere. Solar works, solar is cheap, and solar is liberating. Courtesy of Johann Saether in Norway, here’s the Sun of the Week, from the global gallery at Sunday.earth, where I hope you’re planning your event for September 21

In other energy and climate news:

+Well, we’re finding out what doesn’t work. The giant “direct air capture” plant in Iceland, designed to filter co2 out of the air, has always been hopelessly expensive. But it also is failing to capture enough carbon dioxide to cover its own emissions—that is, it’s making the problem worse. Reykjavik’s weekly newspaper Heimildin had the data and also the reactions from good people around the world who had signed up to reduce their carbon footprints

“I’m 65 years old and retired when I was 60. One of the things I wanted to do in my later years was reduce my carbon footprint,” says Michael de Podesta, who worked for the UK’s National Physical Laboratory for most of his life, where he studied cold fusion, including debunking it. Michael is one of 21,000 subscribers to Climeworks, but after paying his subscription dutifully for about two years, he began to have doubts. Finally, he wrote on his widely read blog and asked a simple question: Am I a gullible idiot?

“I paid £40 [around 7,000 ISK] a month for fifty kilograms of CO2. I was supposed to get around 600 kilograms a year. I paid them right up until October last year and by then I had paid them to dispose of almost 2.2 tonnes of CO2 and got the tonne for around £800 [135 thousand ISK],” says Michael. He says the project seemed promising at first. He saw coverage of the project in the scientific journal Nature, one of the most prestigious in the world. The science was certainly there: CO2 can be sucked out of the atmosphere and Climeworks’ plans were ambitious.

However, Michael quickly noticed that no matter how much he paid, no CO2 had been captured and disposed of in his name. The math didn’t add up when the energy requirements were examined more closely.

Meanwhile, the project’s Swiss sponsor, Climeworks, told Zurich media yesterday that they were laying off many of their employees, arguing that the problems in Iceland were due to “ice and snow causing certain mechanisms to freeze.”

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Energia: Portugal e a Europa estão a ficar perigosamente dependentes da China



País mais poluidor do planeta controla 80 a 90% das matérias-primas indispensáveis às baterias dos carros elétricos, turbinas eólicas e painéis solares

"A dependência de matérias-primas críticas poderá em breve substituir a presente dependência do petróleo". Este sério aviso está escrito no relatório final da Comissão Europeia relativo ao 'Estudo das matérias-primas críticas para a União Europeia', publicado em 2023. A nova dependência levanta questões da maior gravidade. Para começar, põe em causa o modelo - e, sobretudo, o ritmo de aplicação - das políticas de transição energética. No limite, no futuro próximo, ameaça a segurança do abastecimento energético à Europa para satisfazer as necessidades correntes das famílias e das empresas, com destaque para as industriais.

O assunto ainda não é discutido em Portugal, que continua a ser pioneiro na implementação das políticas comunitárias de transição energética sem qualquer ponderação daqueles riscos. João Bernardo, que foi diretor-geral de Energia e Geologia entre 2018 e 2023, lança o debate em entrevista à CNN Portugal. “Esta transição energética está a ser demasiado brusca, porque as renováveis dependem de um conjunto de materiais críticos - indispensáveis à construção de baterias, carros elétricos, torres eólicas e painéis solares - controlados por países que têm praticamente o monopólio do seu processamento”, alerta o agora presidente do Centro de Biomassa para a Energia (CBE).

O lítio é a matéria-prima mais popular, devido à massificação dos telemóveis. No entanto, eletrodomésticos, veículos elétricos e tecnologias para a digitalização, dependem de dezenas de outros minérios, em muitos casos raros ou concentrados em áreas geográficas politicamente instáveis. Passa-se o mesmo com as centrais eólicas e solares, já hoje predominantes na produção de eletricidade em Portugal. A OCDE prevê que a procura global por esses materiais críticos mais do que duplique, dos 79 mil milhões de toneladas, em 2023, para 167 mil milhões de toneladas em 2060. “A competição por matérias-primas tornar-se-á feroz na próxima década”, antecipa o relatório da Comissão Europeia.

“Já é evidente um descompasso entre a oferta e a procura por vários minerais, com níveis particularmente altos observados para o lítio”, descreve o relatório “Geopolítica da Transição Energética”, da Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA). Esta organização declara-se preocupada com o impacto que este desequilíbrio poderá vir a ter no cumprimento das metas de transição energética.

A Agência Internacional de Energia (AIE) antecipa problemas de curto prazo no fornecimento de níquel e de terras raras como o neodímio e o disprósio. O próprio lítio, no médio prazo, será insuficiente para as encomendas. “Um enorme aumento na procura de matérias-primas críticas - na maioria dos casos bem acima do ritmo histórico - levanta questões sobre se essa demanda pode ser satisfeita de forma segura”, previne a AIE. Para além disso, adverte os decisores políticos para “as consequências ambientais e sociais associadas à produção mineral”. As populações do mundo desenvolvido reagem mal à exploração mineira ao pé da porta.

O Conselho Europeu aprovou em 18 de março o Regulamento Europeu das Matérias-Primas Críticas, com o propósito assumido de controlar, até 2030, a origem de 10% e o processamento de 40%. Este ato legislativo constitui a primeira tentativa concreta de mitigar os riscos de interrupção das cadeias de abastecimento. Provavelmente, chegou tarde demais. “Dado que países como a China, os Estados Unidos e mesmo a Rússia já se posicionaram estrategicamente nesta corrida há algum tempo, tanto no continente Africano, como na América do Sul ou na Ásia Central, parece-me muito difícil alcançar essas metas”, adverte João Bernardo.

Partido Comunista Chinês tem o telecomando da Europa na mão
De acordo com os dados da IRENA, a China tem uma quota de processamento, a nível mundial, de 100% de grafite; superior a 85% nas terras raras; mais de 70% do cobalto; e cerca de 60% do lítio e do manganésio. Todos estes materiais, juntamente com o níquel, são indispensáveis ao fabrico dos motores dos carros e autocarros elétricos. Problemas nas cadeias de fornecimento destas matérias-primas chinesas colocariam em risco o modelo de transportes públicos que está a ser implementado em Portugal e na Europa.

Um sistema elétrico dependente da primeira geração de energias renováveis é o segundo elo fraco dos países europeus face ao gigante asiático. A China processa também 100% de algumas terras raras, como o disprósio. Para além de fazer falta aos motores dos veículos elétricos, esta matéria-prima é vital para as turbinas eólicas de alta eficiência, assim como nas barras de controlo dos reatores nucleares. Já o manganês é crucial na produção de aço de alta resistência, imprescindível ao funcionamento de turbinas eólicas e ao fabrico das infraestruturas dos parques solares.

A China é, de longe, o país mais poluidor do mundo, com 31,58% das emissões de dióxido de carbono do planeta. Os dados do Atlas Global do Carbono mostram que o gigante asiático se destaca no ranking dos países responsáveis pela concentração de CO2 na atmosfera. Os outros quatro são Estados Unidos (14,01%), Índia (7,84%), Rússia (4,58%) e Japão (2,92%). Nos últimos três anos, a China abriu cerca de quarenta centrais a carvão, aumentando a potência instalada em 91 gigawatts (GW), em 2022; outros 107 GW, em 2023; e mais 10 GW nos primeiros seis meses deste ano.

As novas centrais a carvão chinesas equivalem a nove vezes a potência instalada em todo o sistema elétrico português. “A China continua a utilizar as energias fósseis para manter preços baratos para a sua economia e garantir a segurança de abastecimento do seu sistema energético”, salienta João Bernardo. O antigo diretor-geral de Energia chama também a atenção para o investimento do maior país asiático na investigação e desenvolvimento de tecnologias alternativas e descarbonizadas. “O governo chinês está a tentar dominar as energias renováveis do ponto de vista tecnológico e da inovação, atraindo conhecimento, para quando tiver de fazer mesmo a mudança já estar a liderar este mercado”, comenta. A empresa estatal China Three Gorges, que é a maior acionista da portuguesa EDP, acaba de anunciar um investimento de 11 mil milhões de dólares no deserto do interior do país, combinando as tecnologias eólica, solar e… o carvão.

O governo chinês ignora por completo os protestos de organizações ambientalistas, como a Greenpeace, e justifica a sua política nos fóruns internacionais com o argumento de que as energias fósseis são mais fiáveis do que as renováveis, por oferecerem ao sistema elétrico potência firme, sempre que ela é necessária, independentemente das condições meteorológicas. Pela mesma razão, anunciou este verão a decisão de construir onze novos reatores nucleares, num investimento de 28 mil milhões de euros.
O risco da morte anunciada do gás natural

Os Estados Unidos, segundo maior emissor de CO2 do mundo, seguem igual política de investimento em tecnologias alternativas, mas sem descontinuar abruptamente as fontes tradicionais, como a energia nuclear e as centrais termoelétricas movidas a combustíveis fósseis. O governo federal americano reservou 342 mil milhões de euros de subsídios e descontos fiscais para financiar a deslocalização de empresas de energias verdes da Europa para o seu território. “Isto está a roubar competências e postos de trabalho na Europa e a criá-los do lado de lá”, lamenta João Bernardo. Se a União Europeia não responder com “mecanismos mais assertivos para apoiar as empresas, fixando cá o trabalho e a riqueza, vamos perder a batalha da competitividade à escala mundial”, antecipa o presidente do CBE.

Em Portugal, os planos de transição energética passam pelo encerramento do gás natural, para produção elétrica e no uso doméstico e industrial. “Se isso acontecer, será um erro grave. Eu sempre defendi, enquanto fui diretor-geral, a importância de mantermos dois vetores de energia: um vetor gás e um vetor eletricidade. Duas redes e duas infraestruturas, para não ficarmos dependentes de um único vetor energético”, argumenta João Bernardo.

Para o presidente do CBE, o fim da rede de gás natural seria acrescentar uma segunda vulnerabilidade estrutural à economia, por cima da dependência de matérias-primas raras. “Temos de ter muito cuidado antes de cancelar algumas energias, mesmo fósseis, para não nos lançarmos numa aventura que não sabemos onde vai terminar”, recomenda João Bernardo. “O gás natural é crítico para a segurança de abastecimento e um veículo para a introdução dos gases renováveis, como o hidrogénio e o biometano”, justifica este especialista.

Para além de aconselhar prudência no encerramento de fontes energéticas, João Bernardo elege as áreas de investimento que lhe parecem críticas para a União Europeia. A primeira delas passa pelo aproveitamento dos processos de dessalinização. “A água potável vai ser um recurso cada vez mais crítico, esse investimento vai ter de acontecer”, antecipa. A água da dessalinização é essencial para a agricultura, mas também pode ser aproveitada para a produção de hidrogénio. “Nesta tecnologia não ficaremos tão dependentes de matérias críticas como estamos nas renováveis eólica e solar, porque a água é um bem mais democrático e a tecnologia dos eletrolisadores é dominada pela Europa”, argumenta.

O hidrogénio deverá depois ser aproveitado para a produção de combustíveis sintéticos. O presidente do CBE considera este investimento estratégico por duas razões: o aproveitamento da rede existente de postos de combustível e a defesa da indústria automóvel europeia da feroz concorrência dos carros elétricos produzidos na China.

quarta-feira, 17 de julho de 2024

UE deverá falhar metas de hidrogénio renovável e tem de repensar caminho a seguir


Bruxelas, 17 jul 2024 (Lusa) – A União Europeia (UE) não deverá cumprir os objetivos que fixou para a produção e importação de hidrogénio renovável e deve agora decidir sobre o caminho estratégico a seguir para a descarbonização, considera o Tribunal de Contas Europeu (TCE).

No relatório especial Política Industrial da UE para o Hidrogénio Renovável, hoje divulgado, o TCE destaca, pela positiva, que quatro anos depois da publicação, pela Comissão Europeia, da estratégia para o hidrogénio renovável – como parte do esforço para a neutralidade carbónica do bloco em 2050 -, “o quadro jurídico relativo ao hidrogénio renovável está praticamente concluído”.

No entanto, não foram discriminadas metas vinculativas para produção e importação de hidrogénio renovável para os Estados-membros até 2030 e as da UE não deverão ser cumpridas, nomeadamente a da produção de dez milhões de toneladas de hidrogénio renovável e da importação de outro tanto, objetivos que o TCE considera terem resultado de vontade política e não de uma “análise rigorosa”.
Em declarações aos jornalistas, o membro do TCE responsável pelo relatório, Stef Blok, referiu que os auditores recomendam a Bruxelas “a atualização da estratégia para o hidrogénio com base numa avaliação cuidadosa”.

Blok destacou três aspetos que a Comissão Europeia deve ter em conta, começando pelas implicações geopolíticas da produção da UE em comparação com as importações de países terceiros, ou seja, “que indústrias quer a UE manter e a que preço”.

Dar prioridade ao financiamento da UE, decidindo em que partes da cadeia de valor do hidrogénio se deve concentrar, e calibrar os incentivos de mercado para a produção e utilização de hidrogénio renovável e com baixo teor de carbono são outros dois pontos das recomendações do TCE.

A decisão sobre o caminho a seguir deve ainda ter em conta “a situação concorrencial das principais indústrias da UE”.

O financiamento total da UE para projetos relacionados com o hidrogénio está atualmente estimado em 18,8 mil milhões de euros, sendo atribuído através de vários programas, avaliaram os auditores, montante que Blok considera escasso.

O membro do TCE considerou ser necessário “fazer um ponto da situação da política industrial da UE para o hidrogénio renovável", devendo a UE continuar o caminho para a redução das emissões de gases com efeito de estufa, “mas sem prejudicar a competitividade das suas principais indústrias nem criar novas dependências estratégicas".

A auditoria do TCE abrangeu o período de 2020 a 2023 em quatro Estados-membros: Alemanha, Espanha, Países Baixos e Polónia.

sexta-feira, 8 de março de 2024

Pacheco Pereira - Tanta verdade junta mereceu publicação


Não resisti a não publicar o vídeo do programa de Miguel Sousa Tavares, a 5ª Coluna, exibido em 07/03/2024. Nem sempre concordo com o MST mas, desta vez, todos os assuntos tratados são de uma atualidade candente e foram abordados contra a corrente das ladaínhas dos jornaleiros serventes das narrativas do poder dominante.

O primeiro assunto é do âmbito da política nacional e tem a ver a queda do governo de António Costa. Em véspera das eleições de dia 10, ainda o Ministério Público não informou os portugueses sobre o que de errado fez o ex-primeiro ministro, de que é acusado, que indícios existem contra ele, etc. Aliás, a revista Visão publicou, também nessa data, um artigo em que revela que o próprio Ministério Público não tem indicios de crime, nos dois casos que levaram às buscas que deram origem ao comunicado que fez cair o Governo:

“Ao fim de quatro anos de investigação e milhares de escutas telefónicas, o Ministério Público (MP) admitiu não ter a certeza de que foram praticados crimes nos casos do lítio e do hidrogénio, assim como noutras situações que envolvem antigos ministros, como João Galamba e João Matos Fernandes. Quando separaram as investigações por processos autónomos, os procuradores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) assumiram estar ainda por “comprovar a existência de indícios da própria ocorrência de crime” naquelas duas situações, o que carecerá de análise necessariamente mais demorada”, acrescentaram”. (Visão, 07/03/2024).

MST pergunta, e eu também pergunto: como pode a justiça fazer cair um governo sem ter nada de sólido e concreto para acusar o chefe e outros membros do governo?! Um golpe de estado para levar o Chega e companhia ao poder? Quem sabe.

O segundo assunto é o horror dos crimes que Israel está a cometer na faixa de Gaza, nomeadamente contra crianças. MST compara, sem pejo, os crimes de Israel aos crimes dos nazis contra os judeus nos campos de concentração e no gueto de Varsóvia.

O terceiro assunto é sobre a guerra na Ucrânia e sobre as loucas decisões belicistas dos líderes europeus, com Macron à frente, que querem aumentar as despesas com armamento à custa do definhamento do estado social, e que ainda sonham com a possibilidade de derrotar a Rússia e sacarem-lhe os seus vastos recursos. Ora, qualquer mentecapto sabe que atacar a Rússia equivale a desencadear a III Guerra Mundial, mas é para esse cenário de morte e destruição do planeta que os líderes europeus nos estão a conduzir.

Por tudo isto, vejam o vídeo. MST das poucas vozes que ainda vai tendo espaço, na comunicação social de larga audiência, para expressar, de quando em quando, algum ruído nas narrativas dominantes que nos servem diariamente, em catadupa, por vezes quase até ao vómito.

Podem ver o vídeo aqui.

sábado, 2 de março de 2024

Adélio Mendes: “A extração de lítio em Portugal é um engano, as reservas são pequenas e os custos de extração enormíssimos”


Adélio Mendes, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), confessa-se entusiasta das energias renováveis, mas não abdica da capacidade crítica sobre alguns projetos que têm em vista colocar o País no mapa das baterias de nova geração.

“A extração de lítio em Portugal é um engano. As reservas em Portugal são pequenas, os custos da extração são enormíssimos, é uma extração que precisa de ser subsidiada para ser viável economicamente. E nós olhamos para o mar e temos milhares de vezes mais de lítio dissolvido na água do mar à espera de ser recolhido”, responde o cientista em entrevista ao Futuro do Futuro.

Também no que toca o uso do hidrogénio como vetor que armazena e permite transportar energia, Adélio Mendes é especialmente crítico, devido aos custos implicados. “É um mau vetor energético”, reitera o cientista. Segundo as estimativas que realizou, o projeto de produção e transporte de hidrogénio entre Sines e a Holanda terá sempre de debater-se com o custo da liquefação.

“O processo de liquefação faz com que se gaste o correspondente a 36% da energia do próprio hidrogénio”, refere Adélio Mendes, apontando o metanol como alternativa menos onerosa.

Numa entrevista que começa em cerveja e acaba num novo método de extração de dióxido de carbono para a produção de carvão e hidrogénio, o cientista portuense que hoje tem o nome em 35 famílias de patentes explica quais os métodos a que recorre quando quer potenciar ideias luminosas, e dá a conhecer os projetos de desenvolvimento de painéis fotovoltaicos para espaços interiores e também a corrida a novos materiais, como a perovskita, para painéis fotovoltaicos que eventualmente poderão superar os 32% do limite atual da captação de energia solar.

É também por questões ambientais e de eficiência energética que o investigador revela reticências quanto aos carros elétricos, que prefere descrever como carros a pilhas, devido às baterias que transportam. O reparo é essencialmente dirigido aos carros com baterias de lítio que têm “uma potência absolutamente brutal que não é precisa”, mas por outro lado não têm “o armazenamento de energia que gostaríamos que tivesse”.

Para garantir uma maior autonomia, as baterias dos automóveis terão de assumir um peso superior ao peso das pessoas transportadas. “ E o impacto ambiental passa a ser muito grande”, acrescenta Adélio Mendes, indicando as baterias de sódio como potencial solução para este problema.

Num dos projetos mais bem-sucedidos do currículo, o cientista recorda como foi transacionada aquela que é, provavelmente, a patente mais valiosa que alguma vez saiu de uma universidade portuguesa. Em causa estava um novo método de solda de painéis fotovoltaicos que tinha como atrativo o facto de não precisar de recorrer a temperaturas de 250 graus.

“Os australianos chegaram à nossa beira e disseram assim: “Damos 5 milhões de euros se vocês soldarem a 120 graus””, lembra o professor da FEUP que estará entre os mais prolíferos autores de patentes das universidades nacionais.

Para os desafios que costumam ser colocados no podcast Futuro do Futuro, Adélio Mendes trouxe um som que tem por base dados recolhidos pela Sonda Solar Parker, e ainda uma imagem ilustrativa da epopeia portuguesa do Descobrimentos, que só se tornou possível com “tecnologia, preparação de recursos humanos altamente qualificados, desenvolvimento de métodos de navegação dez vezes mais precisos do que a concorrência, aprovisionamento de matérias-primas, conservação dos alimentos e financiamento das operações”.

terça-feira, 7 de novembro de 2023

Quem são Vítor Escária e Lacerda Machado, os homens de confiança de Costa detidos na investigação sobre o lítio e hidrogénio


A investigação do Ministério Público aos negócios do lítio e hidrogénio verde envolve duas figuras do círculo mais próximo do primeiro-ministro, com uma relação já longa com António Costa: Vítor Escária, seu chefe de gabinete, e Diogo Lacerda Machado, empresário e amigo pessoal. Saiba quem são os principais detidos.

Economista, professor do departamento de Economia do ISEG, Vítor Escária chega aos Governos PS pela mão de José Sócrates, de quem foi assessor económico entre 2005 e 2011. A proximidade com o antigo primeiro-ministro fez dele um dos alvos da investigação da Operação Marquês. Segundo noticiou o Semanário Sol em maio de 2015, esteve meses sob escuta e foi alvo de buscas.

Um dos negócios investigados foi o contrato para a construção de habitações pelo Grupo Lena na Venezuela, processo em que esteve envolvido. Ao contrário de José Sócrates, não foi constituído arguido. Seria mais tarde, noutro processo. Na altura, afirmou que a sua missão era fazer “diplomacia económica e não negócios particulares”.

A proximidade com José Sócrates não impediu que o mestre em Economia Monetária e Financeira, pelo ISEG, e doutorado em Economia pela Universidade de York, no Reino Unido, tivesse sido convidado para fazer parte do grupo de trabalho que elaborou o cenário macroeconómico que serviu de base ao programa eleitoral do PS, em 2015. Um grupo de 12 elementos coordenado por Mário Centeno.

Com a chegada de António Costa ao poder, Vítor Escária regressa ao papel de assessor económico do primeiro-ministro. Cargo que teve de deixar em 2017, na sequência do caso das viagens ao campeonato europeu de futebol de 2016 pagas pela Galp. O assessor foi um dos 18 arguidos por recebimento indevido de vantagem, numa lista que incluía também Rocha Andrade, antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, e Jorge Oliveira, ex-secretário de Estado da Internacionalização.

Os arguidos pagaram uma multa (1.200 euros no caso de Escária) e o processo acabou por ser arquivado em julho de 2020, segundo noticiou na altura o Observador. No mês seguinte, o economista agora com 52 anos era nomeado chefe de gabinete do primeiro-ministro.

Oito anos depois, Vítor Escária volta a ser investigado num caso de alegada corrupção, desta vez a propósito dos investimentos da extração de lítio em Montalegre e da central de hidrogénio verde em Sines, ambos aprovados pelo Governo.

A relação de Diogo Lacerda Machado com António Costa remonta ao tempo em que ambos estudaram juntos na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Nasceu aí uma amizade muito próxima, que levou o primeiro-ministro a escolhê-lo para padrinho de casamento.

Foi secretário de Estado da Justiça de António Costa no Governo de António Guterres. Quando o “melhor amigo” chegou à liderança do Governo, em 2015, Lacerda Machado tornou-se um homem de confiança de António Costa para negociar dossiês difíceis.

Em 2016, foi o escolhido para encontrar uma solução para os lesados do papel comercial vendido pelo BES, que perderam as poupanças na sequência do colapso do banco. Lacerda machado mediou as conversações entre os reguladores (CMVM e Banco de Portugal), o Novo Banco e os lesados, que terminaram com um acordo para a recuperação de 75% do montante investido, até 500 mil euros.

Uma das promessas de António Costa na campanha eleitoral de 2015 foi reverter a privatização da TAP para devolver a maioria do capital ao Estado. Lacerda Machado voltou a ser o escolhido para mediar as negociações que levariam a que a Atlantic Gateway baixasse a sua participação de 61% para 45%, ficando o Estado com 50%.

Após a conclusão do processo, em 2017, Lacerda Machado, um apaixonado pela aviação, entrou para a administração da companhia aérea como não executivo. Cargo em que se manteve até 2021.

Com uma carreira ligada aos negócios, Lacerda Machado é diretor da Geocapital, uma sociedade com sede em Macau ligada à família de Stanley Ho, que resultou da sua ligação antiga àquele território. No final dos anos 80 foi secretário adjunto para a Administração e Justiça do Governo de Macau e tornou-se próximo do empresário dos casinos, que faleceu em 2020. Através da Geocapital exerce também cargos em instituições financeiras em África, nomeadamente no Banco da África Ocidental, na Guiné-Bissau.

O “melhor amigo” de António Costa é também administrador da Mystic Invest, a holding de investimentos no turismo do empresário Mário Ferreira.

A sua passagem pela TAP levou a que fosse um dos ouvidos na comissão parlamentar de inquérito à companhia aérea. Questionado sobre a sua relação com o primeiro-ministro, respondeu que António Costa é um “advogado brilhantíssimo”. “Podia ser rico, mas escolheu ficar pobre, que é o que ele é. Mas é riquíssimo de espírito”, disse.

Além de Vítor Escária e Lacerda Machado foi também detido Nuno Mascarenhas, presidente da Câmara Municipal de Sines, a cumprir o terceiro mandato. O autarca socialista é também presidente da Comissão Permanente do Conselho Regional da CCDR do Alentejo, vice-presidente do Conselho Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral e líder do Conselho de Administração do Sines Tecnopolo.

Também o primeiro-ministro está a ser investigado pelo Supremo Tribunal de Justiça, segundo adiantou esta terça-feira a PGR.

Saber mais:

terça-feira, 19 de setembro de 2023

O discurso sobre o estado da União de Ursula von der Leyen esconde retrocessos, atrasos e promessas quebradas


Promessas não cumpridas
1. Futuro livre de tóxicos: Ao adiar a revisão do REACH, o regulamento da UE relativo aos produtos químicos, a Comissão está a apoiar o modelo de crescimento ultrapassado que deixa para trás os cidadãos e as gerações futuras. Tal como mostram os escândalos do PFAS, os atrasos na reforma da regulamentação dos produtos químicos causam sofrimento e doenças, e impedem a indústria da UE de se tornar líder mundial na produção limpa.

2. Alimentação Sustentável: A Estratégia do Prado ao Prato da UE comprometeu-se com uma Lei de Sistemas Alimentares Sustentáveis. O atual sistema alimentar causa poluição, dietas inadequadas e desigualdade. A promessa de consertar isso ainda não foi cumprida.

3. Transição energética: As concessões às indústrias do hidrogénio e nuclear nos regulamentos sobre energias renováveis ​​e nos atos delegados sobre o hidrogénio dão prioridade aos lucros das grandes empresas de energia em detrimento das energias renováveis ​​e da modernização da rede. Recursos valiosos são desviados, em vez de se concentrarem no combustível do futuro: a electricidade renovável.

4. Matérias-primas críticas: A UE prometeu reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros de terras raras com padrões elevados. A ausência de compromissos vinculativos, como o Consentimento Livre, Prévio e Informado, levanta preocupações sobre o consentimento dos povos indígenas.

5. Restauração da Natureza: Enquanto o discurso de Ursula von der Leyen fala da importância da natureza e dos ecossistemas, o Parlamento Europeu eviscerou a sua legislação. Os trílogos devem restaurar a ambição da Lei de Restauração da Natureza.

6. Acesso à justiça: Apesar das promessas, a Comissão não introduziu uma diretiva prometida para garantir o acesso mínimo à justiça para questões ambientais nos Estados-Membros. Também não conseguiu garantir o acesso à justiça para as propostas Fit for 55, minando a política climática e favorecendo a indústria em detrimento da governação ambiental.

7. Bem-estar animal: Milhões de animais sofrem diariamente num sistema ultrapassado. A Comissão comprometeu-se a atualizar a legislação relativa ao bem-estar dos animais, mas parece estar a ignorar este compromisso, apesar de 1,4 milhões de cidadãos apoiarem a iniciativa “End the Cage Age”.

domingo, 9 de julho de 2023

A política monetária do BCE não é verde


Christine Lagarde culpou os salários pela inflação. A sua afirmação é sintomática de uma política monetária assente na combinação perniciosa de taxas de juro elevadas e de compressão salarial. Não se espera que o BCE resolva a crise climática, mas sem um banco central alinhado com o investimento público e privado no sistema energético, a transição dificilmente vai acontecer.

No final da semana passada, o Ministério do Ambiente e da Ação Climática (MAAC) publicou a primeira versão da revisão do Plano Nacional Energia e Clima 2021-2030 (PNEC 2030), o principal instrumento de política energética e climática para esta década. O documento, que terá de ser avaliado pela Comissão Europeia e posteriormente alterado em função dessas recomendações, fixa em 85% a meta de incorporação de energias renováveis na produção de eletricidade em 2030 (o objetivo inicial era de 80%).

O governo pretende duplicar a capacidade instalada de produção de eletricidade a partir de fontes renováveis até ao final da década. O maior crescimento virá do solar fotovoltaico (centralizado e descentralizado): Portugal tem, atualmente, 2,6 GW em operação, o objetivo para 2030 é de 20,4 GW (14, 9 GW de produção centralizada e 5,5 GW de produção descentralizada) – esta meta duplica os valores previstos na versão prévia, aprovada em 2020. De acordo com o comunicado do governo, a estratégia de transição energética representa um investimento de 75 mil milhões de euros em projetos de produção de energia verde (eletricidade e gases renováveis, como o hidrogénio verde e o biometano).

Também na semana passada, Christine Lagarde, aquando da sua participação no Fórum do Banco Central Europeu (BCE) que decorreu em Sintra, atribuiu à recuperação dos salários reais (não do seu, evidentemente) a responsabilidade pela eventual persistência da inflação acima dos valores considerados adequados pelo BCE. Mais do que declarações polémicas que “incendiaram” as redes sociais, as afirmações erróneas de Christine Lagarde são sintomáticas de uma política monetária, assente na combinação perniciosa de taxas de juro elevadas e de compressão salarial, que poderá condenar a transição energética ao fracasso.

Não se espera, obviamente, que o BCE resolva a crise climática, mas sem um Banco Central alinhado com o avultado investimento público e privado no sistema energético, a transição dificilmente ocorrerá. Ao elevar os custos de investimento, através das suas medidas, esta instituição influencia, necessariamente, as opções de política climática e energética. Com efeito, as energias renováveis exigem investimentos iniciais substanciais e são sensíveis à deterioração das condições de financiamento e ao aumento das taxas de juro.

Como exemplificam Philipp Heimberger e Lea Steininger, enquanto uma central termoelétrica alimentada a gás natural pode utilizar as suas receitas presentes para pagar novos combustíveis, um projeto de energias renováveis de grande escala, como um parque eólico offshore, ou até mesmo uma central de hidrogénio verde ou uma mega central fotovoltaica, utiliza as receitas presentes para pagar o serviço da dívida contraída para despesas de capital. Deste modo, quanto mais elevado for o custo do capital, menos atrativo é o investimento neste tipo de projetos.

Por conseguinte, taxas de juro elevadas poderão impedir investimentos urgentes para atenuar a crise climática e realizar a transição energética. Além disso, a concomitante compressão salarial impede qualquer tipo de justiça social ao longo deste processo, esvaziando o slogan da Comissão Europeia de “não deixar ninguém para trás”. Não esqueçamos: fim do mundo, fim do mês, a mesma luta.

As políticas climáticas e energéticas deverão ser conduzidas à escala nacional, por representantes políticos democraticamente eleitos. Os investimentos têm de ser impulsionados pelo Estado através de instrumentos de planeamento robustos e investimento público em energias renováveis, na modernização da rede elétrica, na eletrificação da ferrovia e dos transportes públicos rodoviários, ou ainda na reabilitação e renovação energética do edificado. Isto exige um Banco Central subordinado às prioridades orçamentais democráticas, não impondo restrições financeiras.

O agora ex-editor de energia do insuspeito Financial Times é perentório: “o capitalismo não conseguirá concretizar a transição energética com a rapidez necessária”. Terão de ser os governos a liderar este novo “Plano Marshall”, acrescenta, o que implicará incorrer em “défices orçamentais significativos”.

Com a sua política, o BCE e as restantes instituições europeias são parte do problema social e ecológico. A análise e a solução têm mesmo de ser sistémicas. Nenhum tema, incluindo a moeda, pode ficar de fora da solução ecossocialista.

quarta-feira, 12 de abril de 2023

Relatório "Germany’s great hydrogen race" - Hidrogénio: será mesmo "verde"?


Durante anos, a Alemanha tem feito do hidrogénio a peça central de uma economia neutra para o clima e a UE tem acolhido de braços abertos este alegado "gás milagroso". O papel influente da Alemanha na definição da agenda da UE contribuiu para o hidrogénio estar agora no centro das políticas climática e industrial da UE, e Bruxelas planeia gastar milhares de milhões em subsídios públicos para estimular o setor europeu do hidrogénio.
Este endeusamento ignora vários factos sujos. Em primeiro lugar, 99% do hidrogénio atualmente produzido a nível mundial é hidrogénio "cinzento" feito a partir de combustíveis fósseis, com emissões anuais de CO2 superiores às de toda a Alemanha. Segundo, o hidrogénio 'azul' à base de fósseis, que está a ser promovido como uma alternativa 'com baixo teor de carbono', tem uma pegada climática que é quase tão má quando as suas emissões totais são tidas em conta. Finalmente, mesmo o hidrogénio "verde", considerado "livre de carbono" mas representando apenas 0,04 por cento da produção global de hidrogénio em 2021, vem com sérios desafios e riscos. É ineficiente em termos energéticos, comporta-se como um potente gás com efeito de estufa indireto, e a produção em grande escala exige grandes quantidades de terra, água e energia renovável. A sua produção pode alimentar o "green grabbing" - a apropriação de terras e recursos para fins ambientais. Uma procura inflacionada de hidrogénio está a ser utilizada como um cavalo de Tróia para prolongar a utilização de combustíveis fósseis.
Os projetos de hidrogénio verde apoiados pela Alemanha no estrangeiro seguem padrões coloniais. Os recursos são apropriados enquanto impactos negativos como os danos ecológicos e a escassez de energia são convenientemente externalizados. Os conflitos sobre o uso da terra e da água já estão à vista e podem intensificar-se nos próximos anos. Há também preocupações sobre a subsistência das comunidades piscatórias em resultado dos mega-portos e outras infra-estruturas de exportação, bem como a poluição causada pelos resíduos das fábricas de dessalinização que são necessárias para obter água para a produção de hidrogénio verde em regiões áridas.
Um exemplo chocante de violações dos direitos humanos relacionadas com projetos de hidrogénio verde é Neom, a megacidade da Arábia Saudita, onde o Thyssenkrupp irá instalar um enorme electrolisador para produzir hidrogénio para exportação. Tribos antigas foram expulsas das suas terras à força para dar lugar a Neom. Vários manifestantes foram condenados à morte por causa da sua resistência ao despejo, e um deles foi morto a tiro pelas forças de segurança em abril de 2020.
Os projectos de hidrogénio no Sul Global tendem a ser mega projetos centralizados e carecem de participação cívica. Um mapeamento de 27 países maioritariamente africanos não conseguiu identificar um único projeto de hidrogénio em que a comunidade tenha sido consultada antes da decisão de avançar com o projecto. É provável que um pequeno grupo de elite política e económica lucre com estes processos de cima para baixo.
O iminente colonialismo de hidrogénio na UE e na Alemanha não cumpre a sua promessa principal: ajudar a enfrentar a crise climática. Em vez disso, há um risco real de a corrida ao hidrogénio atrasar a ação para descarbonizar estruturalmente a economia: por exemplo, aumentar a eficiência energética dos edifícios (em vez de aquecer ineficientemente as casas com hidrogénio), fazer a transição para a agricultura agro-ecológica (em vez de apenas tornar verdes os fertilizantes sintéticos) e reduzir o tráfego (em vez de desperdiçar energia em carros movidos a hidrogénio).
Relatório completo aqui 

segunda-feira, 6 de março de 2023

Enquanto o Japão se esforça para expandir os combustíveis fósseis, especialistas revelam caminho para gerar 90% de energia limpa até 2035



O Japão, o maior financiador mundial de combustíveis fósseis, está convocando uma série de reuniões esta semana para impulsionar a expansão do GNL e das tecnologias baseadas em fósseis.

Termina hoje a 5ª Cúpula de Energia do Japão , que se autodenomina uma “plataforma global que reúne os principais interessados” do governo e da indústria para discutir “tópicos pertinentes que afetam a indústria”. É patrocinado por algumas das maiores empresas de gás do Japão e dos EUA, incluindo Tokyo Gas, Venture Global LNG e Cheniere.

Isso é seguido de perto em 4 de março pela reunião ministerial da Comunidade de Emissões Zero da Ásia, que o Japão está organizando para galvanizar a demanda dos ministros de energia de toda a região por suas tecnologias sujas baseadas em fósseis.

Ambas as convenções estão focadas em tecnologias como GNL, co-incineração de amônia, captura e armazenamento de hidrogênio e carbono, o que prolongaria o uso de combustíveis fósseis. Já sabemos há algum tempo que o Japão é viciado em combustíveis fósseis. De 2012 a 2020, o país foi o maior financiador de projetos de combustíveis fósseis. Entre 2019 e 2021 , o Japão forneceu US$ 10,6 biliões em média a cada ano para novos projetos de gás, petróleo e carvão.

O governo japonês e interesses comerciais arraigados estão promovendo a narrativa de que o gás é uma parte crítica da transição energética, apesar do fato de os combustíveis fósseis serem responsáveis ​​pela crise climática. A cúpula de energia é enquadrada no “papel crítico do GNL e do gás no fornecimento de segurança energética” e como o hidrogênio e a amônia podem ser vistos como “soluções de baixo carbono”. A Reuters relata que o Japão está planejando “enfatizar a importância dos investimentos em gás natural, gás natural liquefeito, bem como combustíveis mais limpos, como hidrogênio e amônia” durante sua presidência do G7 este ano.

Tais sentimentos ignoram as lições da guerra na Ucrânia, que mostrou como a dependência do gás estrangeiro prejudicou a segurança energética. As nações têm lutado por suprimentos e dezenas de milhões de pessoas que vivem na pobreza de combustível sofreram com a escalada dos preços. A OCI e outras organizações há muito argumentam que o gás não é um combustível intermediário e sim um muro que bloqueia a transição para a energia limpa.

Desde a guerra, o órgão regulador global da energia , a Agência Internacional de Energia, destacou como “a perturbação econômica causada pela guerra na Ucrânia ampliou os apelos para uma transição energética acelerada. Uma mudança que afastaria os países de combustíveis altamente poluentes, muitas vezes fornecidos por apenas um punhado de grandes produtores, para fontes de energia de baixo carbono, como renováveis”.

Não precisa ser assim.

Dois relatórios publicados esta semana destacam como o gás é cada vez mais redundante na transição energética. O primeiro intitula-se “ Relatório do Japão de 2035: a queda dos custos da energia solar, eólica e das baterias pode acelerar o futuro da eletricidade limpa e independente do Japão”, publicado pelo Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, apoiado pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos.

Os pesquisadores concluíram que o Japão poderia obter 90% de sua energia de energia limpa até 2035. Isso seria possível “sem geração de carvão ou novas fábricas de gás natural”.

Ironicamente, o relatório afirma que o Japão enfrenta riscos significativos de segurança energética se continuar a importar quase todo o combustível usado em seu setor de energia, incluindo gás. O relatório destaca como reduzir as importações de combustíveis fósseis em 85% com uma rede de energia limpa de 90% “pode reforçar significativamente a segurança energética do Japão”. Tais políticas contradizem as discutidas em Tóquio esta semana, que defendem o aumento do GNL para segurança energética.

O segundo relatório publicado pela Climate Integrate é intitulado Descarbonizando o Sistema de Eletricidade do Japão: Mudança de Política para Provocar uma Mudança . Isso descreve as políticas claras necessárias para aumentar a quantidade de energia limpa produzida no Japão, incluindo o estabelecimento de uma visão de longo prazo centrada na mudança para energias renováveis.

As políticas recomendadas incluem “Expandir a energia renovável de maneira que beneficie as comunidades”, “Impulsionar o desenvolvimento eólico offshore”, “Melhorar a eficiência energética” e “Usar medidas fiscais para apoiar a mudança energética”.

Kimiko Hirata, diretora executiva da Climate Integrate, disse: “a descarbonização da eletricidade no Japão pode ser alcançada por meio da ampla promoção de energia renovável. Isso difere significativamente da direção atual do governo japonês com a Transformação Verde, como amônia e hidrogênio... A barreira não é a tecnologia ou o custo, mas a política”.

A oposição está aumentando em toda a Ásia, com 140 grupos de 18 países pedindo ao primeiro-ministro japonês Fumio Kishida em uma carta aberta divulgada hoje para parar de minar a transição energética.

“Permanecemos firmes em nossa oposição aos combustíveis fósseis e à estratégia de energia suja do Japão para a Ásia com suas “falsas soluções”, que nada mais são do que mentiras de lavagem verde”, conclui um artigo publicado hoje por Gerry Arances, do Centro de Energia, Ecologia e Desenvolvimento nas Filipinas e Dwi Sawung de WALHI – Amigos da Terra Indonésia.

quinta-feira, 2 de março de 2023

Reino Unido: que alternativas para o atual combustível dos aviões?


A substituição do combustível nos aviões britânicos por hidrogénio exigiria mais do dobro da energia renovável que o país gera atualmente. Até 68% das terras agrícolas do Reino Unido seriam necessárias para cultivar biocombustíveis em quantidade suficiente para substituir todo o combustível para aviões a jato do Reino Unido. A utilização de todo o óleo de cozinha residual do Reino Unido substituiria no máximo 0,6% da procura de combustível para aviões a jato. O desperdício de madeira proveniente da silvicultura representaria 1,2%. Desviar cada desperdício de comida, etc. das cidades poderia acrescentar mais 10%. 
Gráficos Josh Gabbatiss
Relatórios 

sábado, 4 de fevereiro de 2023

4 maneiras práticas de descarbonizar a indústria offshore


No webinar Net Zero Investment da Business Green para empresas offshore de petróleo e gás, um painel de investidores experientes fez um pronunciamento importante. Embora o portfólio global de investimentos em petróleo e gás tradicionais em 2021 ainda supere significativamente o das energias alternativas, o investimento em fontes renováveis ​​está aumentando anualmente. A questão para as empresas de petróleo e gás não é mais se as energias renováveis ​​ultrapassarão o petróleo, mas quando chegará o ponto de inflexão.

Dados como este – juntamente com condições de mercado em constante mudança, expectativas sociais e pressões financeiras – estão levando as empresas de petróleo e gás a se adaptarem. Muitos grandes produtores fizeram recentemente investimentos substanciais em energia renovável e prometeu retrabalhar suas cadeias de suprimentos e métodos de produção com alto teor de carbono. Mas é mais fácil falar do que fazer, e as empresas de petróleo e gás agora estão enfrentando as implicações práticas de seus investimentos e iniciativas conscientes do clima.

Quatro áreas-chave para ação

A primeira preocupação de qualquer empresa de petróleo e gás é minimizar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) — principalmente carbono — das operações de produção. O petróleo não desaparecerá completamente e continuará a fazer parte do futuro mix de energia. Os produtores, no entanto, procuram tornar seus processos de produção mais ecológicos e gerar “barris de baixo carbono”. Isso requer a análise da cadeia produtiva, identificando áreas de melhoria e implementando políticas para reduzir a emissão de GEE.

Uma segunda frente crucial é o desenvolvimento de energias mais limpas. Empresas offshore de petróleo e gás deram os primeiros passos para desenvolver parques eólicos offshore, que podem se beneficiar de algumas das mesmas infraestruturas das plataformas de petróleo. A eletrificação de ativos permitirá que os produtores removam máquinas pesadas em carbono, substituindo-as por conexões com operações onshore e parques eólicos offshore que geram eletricidade produzida de forma sustentável. Entre as fontes de energia renovável que as empresas estão desenvolvendo estão o hidrogénio verde, a energia solar, a energia eólica offshore e a energia das marés.

Um terceiro pilar para muitas empresas envolve a minimização das emissões de carbono durante a transição de atividades pesadas em carbono para atividades descarbonizadas. O desenvolvimento da tecnologia de captura e armazenamento de carbono (CCS) é fundamental para esses esforços, permitindo que os produtores capturem quantidades significativas de carbono produzido por atividades tradicionais. Olhando ainda mais adiante, a tecnologia CCS pode ajudar as empresas de petróleo e gás a remover o carbono que já escapou para a atmosfera, desfazendo os impactos ambientais negativos do passado.

Finalmente, além de mudar os processos internos de produção e desenvolver formas sustentáveis ​​de energia, as empresas de petróleo e gás precisarão ampliar sua visão para incluir toda a cadeia de suprimentos. As empresas estão cada vez mais sendo responsabilizadas pelos impactos dos fornecedores e, para alcançar emissões líquidas zero até 2050, os fornecedores também precisarão limitar as emissões. Embora as empresas possam primeiro priorizar a minimização da emissão de carbono de suas próprias operações, elas precisarão integrar o pensamento da cadeia de suprimentos em suas estratégias de gestão ambiental de longo prazo.

Um conjunto de serviços para a descarbonização

Em colaboração com nossos colegas da rede global do Bureau Veritas, o Bureau Veritas Marine & Offshore oferece um conjunto completo de serviços de descarbonização. Nossos especialistas ajudam empresas offshore de petróleo e gás a construir uma estratégia completa de carbono. Com uma abordagem sólida, nossos clientes podem quantificar seu impacto, implementar padrões e sistemas de gerenciamento relevantes, relatar esforços de descarbonização e verificar dados .

Nossas soluções técnicas para protocolos de GHG e critérios ESG ajudam as empresas a monitorar e limitar seu consumo de energia e emissões . O Bureau Veritas fornece verificação de terceiros, certificação de projeto, aprovação em princípio e qualificação de tecnologia para novas soluções para CCS, hidrogénio e outras energias alternativas.

Isso ajuda a reduzir os riscos e avançar em projetos importantes, permitindo que os clientes capitalizem a já extensa experiência do Bureau Veritas em energias renováveis ​​e limpas. Também oferecemos verificação de dados por terceiros, auditoria regulatória, garantia e relatórios e consultoria para atores em toda a cadeia de suprimentos, incluindo fabricantes, operadores e distribuidores.