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segunda-feira, 19 de maio de 2025

A empatia é uma fraqueza ou um superpoder? - Sem-Abrigo


Há formas de com pouco salvar vidas, e vou-vos mostrar como: Elon Musk diz que a “empatia é um sinal de fraqueza”, ele tem mais dinheiro, mas eu acredito que aqueles que acreditam que a empatia é dos sentimentos mais poderosos da mente humana são a maioria dos portugueses. Ajudam-me a provar que Musk está errado?
Orgulho-me muito de ter trabalhado uns anos no INEM, que para além da experiência médica que fui absorvendo me permitiu entrar em todo o tipo de casas, de todo o tipo de pessoas, no grande Porto. Bairros problemáticos dominados pelo tráfico e pelo crime, as famosas “ilhas” escondidas, e até casebres no meio do nada sem eletricidade. Entrei em todo o lado, com os 5 sentidos bem alerta. Achava eu que tinha visto tudo, mas infelizmente não. Há pior. Há muito pior.
Há um submundo escondido que não se vê a olho nu mesmo para quem já palmou a cidade de lés a lés. Gente que vive nos extremos da pobreza e faz por não ser vista pela fuga às autoridades e também para que não sejam vistos pelos cidadãos que têm local para tomar banho, ou seja, todos nós. Inimaginável como se colocam em tantos lugares onde já passei centenas de vezes e jamais imaginava que havia uma civilização escondida feita de tendas, panos e cartão. Alguma coisa em nós os fez tornarem-se invisíveis. São os “sem-abrigo”. Invisíveis mas iguaizinhos a nós.
A SABER COMPREENDER apoia de uma forma muito humana, integrada e de proximidade estas pessoas há quase 10 anos. Fazem as famosas “rondas”.
Prepararam-se os kits com comes, bebes, café e chá como cartão de visita para o mais importante: SABER quem são, e COMPREENDER os porquês de viverem sem um tecto digno, para que se possam tentar encontrar caminhos e soluções. Esta oferta de comida e bebida, além de suprir o básico é uma porta de entrada para uma conversa, para que aos poucos se ganhe a confiança com psicólogos e assistentes sociais, e se possam encaminhar estas pessoas à tão desejada dignidade humana, só alcançada com a independência económica. É um trabalho muito difícil, mas onde se salva “mais” vidas do que nos hospitais.
Dói-me a alma pensar que há tanta gente com tanto, e outros a dormir na rua ao frio, à chuva e à mercê da maldade alheia. Fontes oficiais: em Portugal a estimativa é que sejam mais de 13.000 as pessoas que vivem no degrau mais baixo da miséria, os sem-abrigo.
A SABER COMPREENDER faz o seu trabalho num regime de 100% voluntariado, e tinha até há pouco tempo o uso fruto duma carrinha da Junta de Freguesia que chegou ao fim. Agora, para que possam fazer o seu trabalho que tem toques de magia humana, acreditem em mim que já fiz uma ronda com eles, precisam de comprar uma carrinha em segunda mão… e já há semanas que não saem à rua, o que quer dizer que há muitos dos nossos irmãos mais pobres a sofrer ainda mais, por falta desta pequena, mas enorme ajuda e com incontáveis casos de enorme sucesso.
Se fosse fácil por certo já estaria feito. É preciso ouvir, sentir, dar e receber, criar laços, vincar a confiança, para que num momento... naquele momento certo, se consiga abrir a porta de saída para uma ajuda técnica e especializada que possa tratar as questões de fundo, e encaminhar para a tão desejada independência económica que lhes permita voltar a ser visíveis por todos nós. “Des-desumanizá-los”!
Cada um de nós vale pelo tamanho dos seus sonhos, e como sociedade apenas temos a força do nosso elo mais fraco. Só ficaremos mais fortes se fortalecermos os mais vulneráveis. É um facto. Somos um tecido humano, em que a fragilidade de uma peça, é o desequilíbrio de todos nós.
Nunca duvidem que podia ser qualquer um de nós, a “tropeçar” numa situação de sem-abrigo. Há dois anos, descobri que tinha um amigo de infância nessa situação, e foi a SABER COMPREENDER que tanto me ajudou, mas a minha admiração já vinha de antes ao ponto que lhes ofereço os lucros dum dos meus livros.
E por isso, vos peço a vossa ajuda (link a baixo), com o que entenderem poder dar, para que se consiga uma carrinha para que a humanidade não perca esta pequena gota de água de humanidade, mas que encharca de amor centenas e centenas de pessoas.
Contribuam, e partilhem se acreditam que vale a pena lutar por um mundo melhor!
Muita gente vos ficará grata por salvarem as suas vidas, e acredito que as memórias do Papa Francisco também vos agradecerão, tal como ele diz na sua carta de despedida revelada após a sua morte: “Se alguma vez as minhas palavras vos tocaram, não as guardem. Transformem-nas em ação. Abracem quem está sozinho.”
Ajudem a provar que Elon Musk está errado! Doar Aqui
IG 


sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Milhazes, PCP, o certo e o errado

Por Gustavo Carona

E, se fosse ao contrário, irias? Então é porque provavelmente não deverias ir. Parece simples, mas não é. A trama adensa-se. Para mim nada mais divide o Homem do que o certo e o errado e, perante a dúvida, a pergunta mais útil e julgadora de carácter é: “E se fosses tu?”

As posições do PCP de assumidos negacionistas da guerra e por vezes mais putinistas do que Putin não podem ter o mesmo peso na cabeça dos portugueses do que uma discussão sobre para onde vai o aeroporto ou o IVA das touradas. Se queremos dizer ao mundo que a opinião pública conta, que é o mesmo que dizer que a minha opinião conta, e que sobre questões globais o chavão “eu não posso fazer nada” é mentira, então o José Milhazes tem razão.

Penso que a arte tem o seu mais profundo valor, quando se sustenta no humanismo. E devemos à cultura a nossa existência. Não acredito que um músico seja indiferente à mensagem que passa com a sua arte. E aqueles que vão lá estar na Quinta da Atalaia pagos ou a pagar estão a dizer-nos a todos com a sua festa: “Nada me interessa o morticínio que se está a passar na Ucrânia. Nada me interessa que bombardeiem maternidades, nada me interessa que violem mulheres, homens e crianças ucranianas, nada me interessa que por causa desta guerra milhões estejam em risco de morrer à fome em África.” Porque é isto que o regime de Putin representa, assim como quem o apoia.

Quando igrejas, mesquitas, templos e sinagogas celebravam em salas vazias, o PCP levou uma multidão para a celebração do 1.º de Maio. Não me parece que alguém vá mudar a teimosia intelectual do PCP, e, por isso é que se pede a quem não tem medo de mudar de opinião que não feche os olhos ao seu divertimento, às atrocidades que, para além de qualquer margem de dúvida, estão a ser escondidas por um partido que nem sequer consegue usar a palavra “guerra”.

Não tenho qualquer sentimento anticomunista, e admiro até bastante Jerónimo de Sousa e outros representantes do PCP, porque os sinto e vejo a lutar por causas que me são queridas e são justas, mas a linha dos direitos humanos foi ultrapassada, e o maior responsável é Putin e quem o aclama.

Dino d’Santiago merece um destaque por vários motivos. É das maiores estrelas ascendentes da música em Portugal, mas, para além disso, acho-o uma pessoa adorável que ainda tem o dom de ser um activista anti-racismo poderosíssimo que consegue fazer a sua luta sem fazer sangue. É um dom ser forte sem ser bélico. Cerra e bem o seu punho contra a violência racista de ontem, hoje e amanhã. E tem aí todo o meu apoio.

Mas aqui não. Cantaria num comício nazi? Cantaria num comício do Chega? Cantaria para os Ku Klux Klan? Cantaria para alguém que dissesse que Cabo Verde não deveria existir? Então porque canta para quem quer fazer a Ucrânia desaparecer do mapa, sem qualquer sentimento ante as vidas humanas que se perdem nesta ambição colonialista? Eu não percebo.

A democracia, a igualdade, o humanismo, tudo isso e muito mais está a ser atacado, à bomba, diariamente, e os que supostamente nos deviam fazer senti-lo nada se importam com isso?

A luta é a mesma, é por quem está a sofrer e não devia. Não interessa a cor, não interessa em que parte do mundo. “Mas pela minha causa ninguém fez nada?”, ouve-se o contra-argumento de alguns artistas, por exemplo, em português do Brasil. Sem qualquer ironia, acho interessante analisar esta réplica, porque tem fundamento. Talvez ainda não tenham morrido dos dois lados da guerra, no total, tantos como morrem no Brasil todos os anos por morte violenta, números nas dezenas de milhares. Entramos em comparações, terreno legítimo mas perigoso, o que me leva a concluir que quem está do lado certo consegue ter espaço no coração para todos os temas que despertam o nosso humanismo.

“Ser pela paz” é uma falácia, quando há um agressor e um agredido, como o seria entre um violador e a sua vítima. Ser neutro dá sempre força ao agressor.

Os massacres na Ucrânia continuam e vão continuar, e não são diferentes dos dias em que todos saíam à rua com bandeiras da Ucrânia, e, neste imediatismo e superficialismo em que vivemos, eu só queria que a arte estivesse sempre do lado do humanismo e que pensássemos que todos nós temos escolhas, e o que nos define é o certo e o errado.

Milhazes está certo. Putin, o PCP e quem com eles canta estão errados. E a nossa opinião conta.

sábado, 31 de outubro de 2020

"Covid19 - Está a acontecer. Vai doer, se não levarmos a sério" por Gustavo Carona

Para quem não sabe, o Doutor Gustavo Carona é um médico especialista em anestesia e cuidados intensivos no Hospital Pedro Hispano. Fez várias missões em países como o Paquistão, Congo, Afeganistão, República Centro Africana, Síria, Yémen, Burundi, Iraque e também esteve na Faixa de Gaza. Fica aqui a opinião de quem já viu o melhor e o pior do que o mundo tem para mostrar.