Mostrar mensagens com a etiqueta Conselhos Ecológicos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Conselhos Ecológicos. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Eclipse Solar 2026 em Portugal: vale a pena Montesinho ou ir para Espanha?

Vale a pena milhares de pessoas no aeródromo de Bragança para ver o eclipse solar, durante uns meros 20s e apenas 90%? [É a "loucura": farmácias de Bragança em rutura de stock de óculos para o eclipse]

No dia 12 de agosto de 2026, a Península Ibérica será o palco principal de um dos eventos astronómicos mais aguardados do século: um eclipse solar total. Contudo, apesar do entusiasmo mediático e do orgulho nacional, a realidade geográfica e astronómica impõe uma conclusão inequívoca: tentar assistir ao eclipse em solo português é uma escolha errada e um investimento de tempo sem garantia de retorno. Se o objetivo é vivenciar o fenómeno em toda a sua plenitude - a descida abrupta da noite em pleno dia, a queda de temperatura e a visão a olho nu da coroa solar -, a decisão racional passa por cruzar a fronteira e rumar ao Norte de Espanha. Veja aqui o mapa real.

Em quase todo o território de Portugal Continental, do Porto a Lisboa e ao Algarve, o eclipse será apenas parcial, variando entre 92% e 99% de ocultação. Os pareceres divulgados pelo Planetário do Porto / Centro Ciência Viva e por diversos astrónomos são perentórios nesta distinção: um eclipse 99% parcial não oferece 99% da experiência de um eclipse total, oferece 0%. Enquanto restarem escassos raios solares desprotegidos, o céu não escurece totalmente, é estritamente proibido retirar os óculos de proteção certificados e a coroa solar permanece invisível. Para a maioria dos residentes em Portugal, a experiência resumir-se-á a olhar através de filtros escuros para um simples "crescente de Sol".

O único ponto de Portugal Continental rasgado pela faixa de totalidade é a extremidade nordeste do Parque Natural de Montesinho, na aldeia de Guadramil em Bragança, mas focar os planos nesta região ou no Aeródromo Municipal de Bragança revela-se um erro estratégico. De acordo com o mapeamento e as diretrizes disponibilizadas pela Comissão Nacional Eclipse 2026, a duração da totalidade na aldeia de Guadramil será de escassos 26 segundos, enquanto no aeródromo o tempo cai para míseros 15 a 18 segundos. Além desta duração ínfima - onde qualquer nuvem ou ajuste de câmara faz perder o momento -, o evento ocorre pelas 19h30 com o Sol a escassos 10° acima do horizonte, correndo o risco de ficar tapado pelo relevo ou pela bruma ao nível do solo. Soma-se a isto o alerta das autoridades para a falta de capacidade da rede viária de montanha em Montesinho e do próprio aeródromo para acolher milhares de visitantes, criando um risco real de bloqueio no trânsito na hora do fenómeno.

Enquanto Portugal hesita na preparação de infraestruturas, Espanha já percebeu o enorme potencial económico do astro-turismo e está a mobilizar-se em força. Em regiões do Norte de Espanha como Galiza, Astúrias e Castela e Leão, o impacto comercial já se faz sentir com grande intensidade: a procura disparou de tal forma que estadias de 3 noites em pontos estratégicos de montanha, como na zona de Riaño em Leão, chegam a atingir valores inflacionados de 850 euros, com muitos alojamentos esgotados com longa antecedência. A razão para esta corrida ao mercado espanhol é simples: ao avançar no interior do país vizinho, a duração da noite solar salta para valores entre 1 minuto e 30 segundos e quase 2 minutos, o Sol encontra-se numa posição mais favorável no céu e a rede de autoestradas e planaltos permite acolher o público com muito maior segurança. Faça bem a sua escolha: ficar em Portugal no dia 12 de agosto de 2026 é arriscar uma enorme frustração, pelo que atravessar a fronteira em direção ao Norte de Espanha é a única forma de garantir a experiência de uma vida. Ou ver, descansado e gratuito, ao vivo em live stream na página da ESA

Mais info:

NASA - Total Solar Eclipse 2026

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Vaga de calor agrava desperdício alimentar e acelera deterioração dos alimentos

Portugal enfrenta uma vaga de temperaturas extremamente elevadas, com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a emitir múltiplos avisos meteorológicos devido ao calor intenso. Para além dos impactos na saúde pública e no quotidiano das populações, as temperaturas extremas trazem consigo um desafio crítico de sustentabilidade e gestão económica: a aceleração drástica do desperdício alimentar.

Esta aceleração é validada cientificamente através do Princípio Q10, que demonstra que um aumento de apenas 10°C na temperatura ambiente pode duplicar ou até triplicar a velocidade das reações químicas e biológicas responsáveis pela deterioração dos alimentos.

O fenómeno agrava o panorama nacional num período em que, de acordo com o relatório oficial do Parlamento Europeu sobre o Desperdício Alimentar, cada português desperdiça cerca de 184 kg de alimentos por ano – o que posiciona Portugal como o quarto país da União Europeia com maior quebra alimentar por habitante, estimando-se um total anual de 1,9 milhões de toneladas de comida desperdiçada no país.

Esta pressão estrutural intensifica-se consideravelmente durante a época estival. De acordo com o histórico de dados de consumo da Too Good To Go, 28% dos consumidores portugueses admitem desperdiçar uma maior quantidade de alimentos durante os meses de verão, sendo a fruta (48%) a categoria de produto mais afetada, seguida de perto pelos legumes e pelos produtos lácteo, devido ao seu menor tempo de vida útil sob temperaturas elevadas.

“As temperaturas extremas exigem uma adaptação rigorosa nos nossos hábitos de conservação”, afirma Maria Tolentino, Country Manager da Too Good To Go em Portugal. “Num contexto de pressão económica sobre o orçamento das famílias, o desperdício de alimentos devido ao calor representa um prejuízo duplo: o custo financeiro do produto que se estragou e o desperdício da energia elétrica que o equipamento de refrigeração consumiu, em sobre-esforço, para tentar conservar esse mesmo alimento. É fundamental adotarmos medidas preventivas imediatas, recorrendo tanto a pequenos gestos diários na cozinha como ao suporte da tecnologia, para mitigar este impacto antes que o desperdício aconteça.”

 Para apoiar os consumidores na mitigação do impacto das altas temperaturas, a Too Good To Go reuniu um conjunto de orientações e dicas:

  1. Avaliação sensorial dos produtos (Observar, Cheirar, Provar): o calor pode fazer com que laticínios ou sumos sofram alterações físicas ligeiras perto do fim do seu prazo de validade. Antes de descartar um produto com a indicação de “Consumir de preferência antes de” ultrapassada, a Too Good To Go recomenda a utilização dos sentidos para verificar se o alimento está realmente impróprio para consumo;
  2. Eficiência do equipamento de refrigeração: os frigoríficos operam em sobre-esforço com temperaturas externas elevadas. Para evitar falhas técnicas ou consumo excessivo de energia, não deve sobrecarregar o equipamento (o ar frio necessita de circular livremente) e deve assegurar a limpeza das bobinas traseiras. Garanta que a temperatura se mantém entre os 0°C e os 4°C na zona mais fria.
  3. Isolamento de alimentos produtores de etileno: frutas como bananas, maçãs e tomates libertam gás etileno, um componente natural que funciona como catalisador e acelera a maturação dos vegetais circundantes. Durante uma vaga de calor, separe estes alimentos dos restantes e armazene as frutas de verão na gaveta inferior do frigorífico para retardar o processo de desidratação e amadurecimento acelerado;
  4. Utilização de cortiça para controlo de humidade: a colocação de uma ou duas rolhas de cortiça (cortadas longitudinalmente) no interior da fruteira ajuda a absorver o excesso de humidade ambiente. Esta medida reduz significativamente a proliferação de bolor nas frutas mais sensíveis;
  5. Preparação de refeições frias (Gaspacho): Tomates e pimentos que tenham amolecido devido ao calor acumulam uma maior concentração de açúcares naturais. Este é o momento ideal para os processar a frio com azeite e alho, resultando numa refeição hidratante e com aproveitamento total da matéria-prima;
  6. Congelação e confeção de gelados caseiros: caso verifique que as bananas estão a amadurecer demasiado rápido, corte-as em rodelas e armazene-as no congelador. Posteriormente, podem ser trituradas para a criação de um gelado natural instantâneo (nice cream), sem adição de açúcares;
  7. Bebidas aromatizadas com excedentes de fruta: morangos ou fatias de pepino que apresentem sinais de desidratação pelo calor podem ser integrados num jarro com água fria e gelo, constituindo uma opção de hidratação refrescante e de desperdício zero;
  8. Armazenamento em suportes ventilados: evite recipientes fechados para produtos frescos. Os ventilados permitem a circulação contínua do ar, impedindo a criação de bolsas de calor e humidade entre os alimentos.
O papel da tecnologia na gestão do retalho nacional
As temperaturas elevadas não afetam apenas as cozinhas dos consumidores; representam também um desafio severo para a gestão de stocks em supermercados, padarias, restaurantes e mercearias, onde a quebra de produtos frescos tende a registar um aumento linear nos dias de maior calor.

A Too Good To Go, empresa de impacto social responsável pela maior aplicação do mundo para salvar alimentos e combater o desperdício alimentar, posiciona-se aqui como uma ferramenta de resposta rápida para o tecido empresarial. Atualmente, a comunidade da plataforma em Portugal já conta com mais de 2,7 milhões de utilizadores, que em conjunto com uma rede de mais de 5.500 parceiros já salvaram mais de 7,7 milhões de refeições (Suprise Bags) — o que evitou diretamente a destruição de mais de 7.700 toneladas de comida em perfeitas condições de consumo.

Relacionados
1.Será que a Too Good To Go compensa? Testámos em supermercados e padarias, fizemos as contas... e temos respostas

terça-feira, 24 de março de 2026

Agência Internacional de Energia recomenda teletrabalho e transportes públicos para aliviar pressão dos preços do petróleo devido a interrupções no fornecimento no Médio Oriente


Medidas surgem como resposta à maior interrupção de abastecimento na história do mercado global de petróleo e abrangem transporte rodoviário, viagens aéreas, cozinha e indústria. AIE destaca que governos podem liderar pelo exemplo.

Trabalhar a partir de casa sempre que possível, reduzir a velocidade em autoestradas e recorrer aos transportes públicos são três das dez medidas que a Agência Internacional de Energia (AIE) recomenda para aliviar a pressão dos preços do petróleo sobre os consumidores.

Num relatório publicado nesta sexta-feira, a autoridade mundial recomenda ainda evitar viagens aéreas sempre que existam alternativas e recorrer à eletricidade em substituição do gás na cozinha.

As medidas surgem como resposta às perturbações nos mercados petrolíferos causadas pela guerra no Médio Oriente. O conflito desencadeou a maior interrupção de abastecimento na história do mercado global de petróleo, com o tráfego através do Estreito de Ormuz, que normalmente transporta cerca de 20% do consumo global de petróleo, reduzido a níveis mínimos, segundo a AIE.

Cerca de 20 milhões de barris por dia de petróleo bruto e produtos petrolíferos transitam habitualmente por este estreito. A perda destes fluxos apertou significativamente os mercados, fazendo subir os preços do petróleo bruto acima dos 100 dólares por barril e provocando aumentos ainda mais acentuados em produtos refinados como o gasóleo, o combustível de aviação e o gás de petróleo liquefeito (GPL).
Para estabilizar os mercados energéticos globais, os países membros da AIE acordaram, a 11 de março, libertar 400 milhões de barris de petróleo das reservas de emergência, a maior libertação de stocks na história da Agência. Porém, a autoridade refere que atuar do lado da oferta não é suficiente para compensar a dimensão da perturbação. “Atuar sobre a procura é uma ferramenta crítica e imediata para reduzir a pressão sobre os consumidores, melhorando a acessibilidade e apoiando a segurança energética”, defende a AIE.

As medidas do lado da procura disponíveis para governos, empresas e famílias abrangem o transporte rodoviário, as viagens aéreas, a cozinha e a indústria.

“A guerra no Médio Oriente está a criar uma grande crise energética, incluindo a maior interrupção de abastecimento na história do mercado global de petróleo. Na ausência de uma resolução rápida, os impactos nos mercados energéticos e nas economias tenderão a agravar-se cada vez mais”, afirmou o Diretor Executivo da AIE, Fatih Birol.

As recomendações do lado da procura agora apresentadas “baseiam-se em décadas de experiência da AIE nesta área e destaca medidas que já provaram funcionar na prática em diferentes contextos. Acredito que será útil para governos em todo o mundo, tanto em economias avançadas como em desenvolvimento, nestes tempos desafiantes”, assinala Fatih Birol.

A AIE refere ainda que os governos podem liderar pelo exemplo através de medidas no setor público, ações regulamentares e incentivos direcionados, assegurando simultaneamente que o apoio aos consumidores é bem calendarizado e dirigido a quem mais precisa.

Ações imediatas para reduzir a procura
1 – Trabalhar a partir de casa sempre que possível
Reduz o consumo de petróleo nas deslocações, sobretudo em funções compatíveis com o trabalho remoto.

2 – Reduzir os limites de velocidade em autoestradas em pelo menos 10 km/h
Velocidades mais baixas reduzem o consumo de combustível em automóveis, carrinhas e camiões.

3 – Incentivar o uso de transportes públicos
A mudança do carro particular para autocarros e comboios pode reduzir rapidamente a procura de petróleo.

4 – Alternar o acesso de carros particulares às estradas nas grandes cidades em dias diferentes
Sistemas de rotação de matrículas podem reduzir o congestionamento e a condução intensiva em combustível.

5 – Aumentar a partilha de automóveis e adotar práticas de condução eficiente
Maior ocupação dos veículos e condução ecológica reduzem rapidamente o consumo.

6 – Condução eficiente para veículos comerciais rodoviários e distribuição de mercadorias
Melhores práticas de condução, manutenção e otimização de cargas reduzem o consumo de gasóleo.

7 – Desviar a utilização de GPL do transporte
Transferir veículos bi-combustível para gasolina pode preservar o GPL para a cozinha e outras necessidades essenciais.

8 – Evitar viagens aéreas sempre que existam alternativas
Reduzir viagens de negócios pode aliviar rapidamente a pressão sobre o combustível de aviação.

9 – Sempre que possível, recorrer a outras soluções modernas de cozinha
Incentivar o uso de eletricidade e outras opções modernas pode reduzir a dependência do GPL.

10 – Tirar partido da flexibilidade nas matérias-primas petroquímicas e implementar medidas de eficiência e manutenção de curto prazo
A indústria pode ajudar a libertar GPL para usos essenciais, ao mesmo tempo que reduz o consumo de petróleo através de melhorias operacionais rápidas.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Contaminação por raticidas ameaça aves de rapina em Portugal



Mais de 80 por cento das aves de rapina portuguesas podem estar contaminadas por raticidas anticoagulantes, ameaçando a conservação de várias espécies.

Este é um alerta lançado por um grupo de investigadores de Portugal e de Espanha num estudo publicado na revista ‘Science of The Total Environment’.

Coordenado pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e pela Universidad de Las Palmas de Gran Canaria, em colaboração com o centro de investigação CIBIO e o centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens (RIAS), o trabalho incidiu sobre 210 aves de 15 espécies, entregues em centros de recuperação no continente e na Madeira. Em comunicado, as instituições chamam a atenção para uma exposição generalizada a compostos usados no controlo de roedores, revelam as instituições em comunicado.

Do total de aves analisadas entre 2017 e 2024, 83% apresenta sinais de pelo menos um raticida anticoagulante no fígado. Em quase 60% dos casos positivos surgiam dois ou mais compostos, aumentando o risco de efeitos cumulativos e potencialmente fatais.

Ana Carromeu-Santos, a ecóloga do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C), da Universidade de Lisboa, que conduziu a investigação, salienta que “os estudos de monitorização de envenenamento secundário por raticidas são recorrentes em vários países europeus, mas este é o primeiro realizado em Portugal”.

Na Madeira, o problema é ainda mais grave, mostra o estudo. Quase 90% das aves apresentam contaminação múltipla, com concentrações médias superiores às registadas no continente, sugerindo um uso mais intensivo de raticidas no controlo de pragas na ilha.

Explica a equipa que os raticidas anticoagulantes são usados para controlar roedores, provocando hemorragias internas fatais ao impedir a coagulação do sangue. Como persistem nos tecidos, acumulam-se em predadores que consomem presas contaminadas, representando um risco para aves de rapina.

Por sua vez, nas aves estes compostos podem provocar hemorragias internas, fraqueza, perda de coordenação e, em casos extremos, a morte. Mesmo em doses não letais, avisam os investigadores, reduzem a capacidade de caça, aumentam o risco de acidentes e comprometem a reprodução.

Entre os compostos detetados destacam-se o Brodifacoum e a Bromadiolona, substâncias altamente persistentes e tóxicas. As aves mais velhas revelam maiores concentrações, evidenciando o efeito de bioacumulação ao longo dos anos.

Espécies comuns como o peneireiro-de-dorso-malhado (Falco tinnunculus) e a coruja-das-torres (Tyto alba) podem servir como “sentinelas”, permitindo acompanhar a evolução da contaminação devido à sua ampla distribuição e dieta baseada em pequenos roedores.

Sofia Gabriel, investigadora do CE3C e principal coautora do artigo, alerta que “estes resultados demonstram que os raticidas utilizados no controlo de pragas de roedores estão a entrar nas cadeias alimentares da fauna selvagem, o que coloca estas espécies em risco e exige medidas de mitigação para reduzir os impactos”.

O estudo confirma que o impacto dos raticidas “já não é pontual”, salientam os cientistas, mas sim “um fenómeno persistente e transversal”, que afeta várias gerações de aves e fragiliza populações já vulneráveis.

As consequências para a biodiversidade são significativas, podendo comprometer o equilíbrio dos ecossistemas se espécies essenciais diminuírem drasticamente ou desaparecerem de determinadas regiões.

Os autores defendem medidas urgentes, incluindo monitorização regular, restrições ao uso indiscriminado de raticidas e promoção de alternativas mais seguras no controlo de roedores, fundamentais para proteger a fauna selvagem.

sábado, 22 de novembro de 2025

Cremação: o que é e porque não é sustentável



Cremação é o processo de reduzir um corpo a cinzas usando fogo. É uma alternativa para o enterro convencional e geralmente ocorre depois de um funeral ou uma cerimônia de despedida.

A cremação é realizada em uma câmara pré-aquecida que recebe o corpo e o queima, variando de temperatura entre 870ºC a 980ºC. Ela dura por volta de uma ou três horas e resulta em cinzas e pequenos fragmentos de osso que podem ser guardados.

O procedimento de cremação virou uma alternativa popular para o enterro por ser mais barata — além de ter o custo do enterro, existem também as manutenções do túmulo e do cemitério — e possibilitar às pessoas de ficarem com as cinzas de um ente querido.


Também é possível transformar as cinzas resultantes da cremação em outros objetos. Empresas especializadas conseguem fazer joias, diamantes e até discos de vinil com o material.

Impacto ambiental
Porém, a cremação pode não ser a melhor opção para o meio ambiente e para pessoas que se importam com ele. O método pode muitas vezes ser promovido como uma técnica menos prejudicial ao meio ambiente, principalmente em comparação com o enterro convencional, mas isso não significa que ele se isenta de causar danos ao planeta.

É estimado que apenas um processo de cremação seja responsável pela produção de mais de 100 kg de dióxido de carbono. Um relatório publicado em 2008 pela Adelaide’s Centennial Park indica que o enterro comum gera por volta de 39 kg de CO2, ainda assim, avaliando os efeitos em longo prazo, ele tem 10% mais impacto negativo no meio ambiente do que a cremação. A maioria das emissões vem da manutenção dos túmulos e do cemitério.

O concreto usado nos túmulos é considerado um dos materiais mais destrutivos do planeta. Os químicos utilizados no embalsamento dos corpos também podem ser absorvidos pelo solo e causam danos ao local. Além disso, os cemitérios ocupam muito espaço e podem requerer o desmatamento de certas áreas para a implantação de túmulos. Na cremação, contudo, existe a liberação de outros gases além do CO2, como o mercúrio e a dioxina. Métodos de filtração de mercúrio podem ser implantados em crematórios para reduzir parte desse impacto.

Ressomação
Ressomação é o processo de reduzir um corpo usando a hidrólise alcalina. Ela geralmente envolve água e algum tipo de alcalino e promete ser a forma funerária mais sustentável que existe.

Pode parecer que a utilização de água resulta em desperdício, mas não é bem assim. A água da ressomação tem nutrientes que podem virar fertilizantes. Acredita-se que tudo nesse processo pode ser reciclado e que a técnica emite seis vezes menos carbono que outras cerimónias e sete vezes menos energia que o enterro.

Embora seja uma alternativa para a população sustentável, a ressomação ainda não é feita no Brasil.

Compostagem humana
A compostagem humana é um método que surgiu em 2019 em Seattle e promete transformar cadáveres em solo. É um método eco-friendly e não conta com o embalsamento dos corpos para que a decomposição ocorra naturalmente. O corpo é reduzido com materiais orgânicos, como palha ou lascas de madeira, por algumas semanas até que consiga virar solo.

Outras soluções
Muitos dos métodos eco-friendly não estão disponíveis no Brasil, portanto é difícil se despedir de entes queridos de um modo completamente sustentável. A cremação ainda é uma opção melhor que o enterro convencional, mas a produção de gases do efeito estufa é um problema a ser solucionado.

Existem algumas pequenas soluções para as pessoas que desejam planear um serviço funerário pensando no meio ambiente. Entre elas estão a utilização de um caixão biodegradável feito de papelão ou madeira bio, sem alças de metal. É possível, também, vestir o corpo com roupas de materiais biodegradáveis como algodão.

Fontes
NewsBreak, National Geographic, Calgary Memorial, The Guardian, Cremation Source, Bare e Popular Science

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

AI, UX, and the Gen Z Journey: Evolving Patterns for the Next Era of Search


Following our recent presentation at the Digital Collegium annual conference, this expanded webinar builds on our original research with a new case study and updated UX findings. As AI continues to reshape how prospective students discover and evaluate institutions, higher education websites must adapt not just in content, but in design and interaction.

We will explore emerging UX patterns shaped by conversational interfaces and AI-driven expectations, and how Gen Z users are blending intuitive navigation with AI-based discovery. Through usability testing insights and practical examples, you will learn how to evolve your information architecture and content to prepare for more conversational user experiences while keeping your site relevant, discoverable, and user-centered in this rapidly changing landscape.

"UX patterns" (padrões de UX) são soluções de design repetidas e testadas para resolver problemas comuns na experiência do utilizador. Em vez de criar uma nova solução para cada desafio, os designers usam estes padrões para garantir usabilidade, consistência e eficiência, como a hierarquia visual, os elementos de feedback ou as heurísticas de usabilidade. É importante diferenciar entre os "padrões de UX" positivos e os "dark patterns" (padrões obscuros), que manipulam o utilizador, como visto em Alura.

As AI reshapes how prospective students discover and evaluate institutions, higher education websites are entering a new era defined by changing expectations.

AI is everywhere right now. It’s writing emails, generating designs, powering customer service bots, and making its way into tools we use every day as designers. And while the hype is loud, the reality is more subtle – AI isn’t replacing us anytime soon, but it is changing how we work, what users expect, and how we should be thinking about product experiences.

For UX designers, this raises some big questions. How do you design for something that behaves unpredictably? How do you build trust when users don’t fully understand what’s happening? And what skills actually matter in a world where AI is baked into almost everything?

O que faz um designer de UX
  1. Foco no utilizador: Um designer de UX, ou designer de experiência do utilizador, foca-se na criação de experiências de usuário significativas e agradáveis ao interagir com um produto, serviço ou interface digital.
  2. Mapeamento da jornada: Cria cenários de utilizador, padrões de interação, protótipos e testa o produto para garantir que atende às necessidades do utilizador.
  3. Colaboração: Trabalha frequentemente com equipas de programação para garantir a viabilidade técnica das soluções de design.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Sabia que estamos a deitar mais de metade do lixo no sítio errado? Não é o único comportamento que temos de mudar



Vai na rua e tem um resíduo em mãos. Deita-o para o chão porque não há contentores por perto, mas pode estar enganado se pensa que a culpa é de não existir um contentor “ali à mão”. A vice-presidente da ZERO - Associação Sistema Terrestre Sustentável, Susana Fonseca, esclarece a situação: “O lixo é nosso, a responsabilidade é nossa e nós é que temos de encontrar uma solução.”

Separar o lixo e distribuí-lo pelos diferentes contentores coloridos é um dos primeiros hábitos a ganhar se queremos ajudar o ambiente. “É benéfico para todos nós, enquanto sociedade, porque quando separamos na origem conseguimos aproveitar muito mais daquelas matérias-primas”, garante Susana Fonseca, que admite “uma certa desresponsabilização e falta de proatividade” por parte da população no ato de reciclar.

Em concreto, qual será o problema de misturar todo o lixo num só caixote? A vice-presidente daquela associação explica à CNN Portugal que quando os resíduos são misturados “corre-se um maior risco de haver contaminações”. Contaminação esta que dificulta o tratamento dos resíduos, podendo mesmo comprometer a recuperação dos materiais recicláveis, de acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA). “A separação deve acontecer tão cedo quanto possível”, não só para melhorar as hipóteses de reciclar, mas também para minimizar o número de tratamentos pelos quais o resíduo passa antes de poder ser reciclado.

Do plástico recolhido em 2023, 77% foi encontrado no fluxo indiferenciado. O metal fica à frente com 81% a ser recolhido do lixo indiferenciado. Já o cartão e o papel destacam-se pela positiva, com 47% destes resíduos a serem retirados do lixo de recolha seletiva, mas mais de metade - 53% - ainda na recolha indiferenciada. Os dados são da APA, que alerta para a “quantidade muito significativa de resíduos com potencial de serem encaminhados para reciclagem que existe no fluxo indiferenciado”.

“É urgente inverter esta realidade”. O presidente da APA, José Pimenta Machado, refere-se à deposição em aterro dos resíduos dos portugueses que, com “pequenos gestos individuais”, pode ser diminuída. Os gestos em causa, “somados, têm um impacto considerável” e, não sendo possível evitar por completo a produção de resíduos, “é fundamental assegurar o seu encaminhamento para um destino adequado”, conta.

Portugal foi responsável pela produção de mais de cinco mil toneladas de resíduos urbanos, só em 2023, de acordo com os dados disponibilizados pela agência. “O país tem de acordar, estamos em estado de emergência.” O apelo é feito por José Pimenta Machado, que, em entrevista à CNN Portugal, revela que no ano passado 53% do nosso lixo foi parar aos aterros. Em 2023, esta percentagem era mais elevada - 59% -, mas a diferença continua a ser pouco expressiva. Deste total, 12% conheceram o seu destino na valorização energética - um processo de queima controlada que permite produzir energia a partir de todos os resíduos que não estão próprios para serem reciclados ou utilizados na compostagem. Para Susana Fonseca, “estarmos a incinerar os [resíduos] orgânicos também é uma má solução.”

A vice-presidente da associação ZERO critica o desperdício de “matéria orgânica” que é “fundamental para os nossos solos, particularmente em Portugal, que tem solos pobres nesta matéria”, refere. “Nós estamos a colocá-los em aterro e depois vamos comprar os fertilizantes para o solo”, acrescenta, sublinhando aquilo que acredita ser “uma má gestão de recursos”.

A boa notícia é que não somos obrigados a deitar fora estes biorresíduos (restos de comida, por exemplo). A compostagem doméstica pode ser uma solução e, de acordo com Susana Fonseca, é “uma das formas mais eficazes de reduzirmos a quantidade de resíduos orgânicos que saem das nossas casas.” Descrita pela vice-presidente da ZERO como “um processo relativamente simples”, a compostagem pode ser feita “no nosso quintal ou mesmo na nossa varanda”. O solo é quem mais beneficia desta prática, mas a população, especialmente as comunidades próximas de aterros, não fica nada atrás. “Estes resíduos são os que criam mais problemas, por causa dos cheiros, a atração de ratos e aves, por exemplo”, explica.

Apostar na prevenção
“Uma das formas mais eficazes de reduzirmos os resíduos que produzimos é começar a tentar reduzir o nosso consumo”. Além da reciclagem, reduzir o consumo próprio - e o desperdício - poderá ser uma maneira tão ou mais eficiente de minimizar o impacto ambiental do nosso lixo, indica Susana Fonseca.

Já se sentiu seduzido pelas promoções dos supermercados? Se sim, provavelmente não é o único. Fazer uma lista e pensar bem naquilo que é realmente preciso comprar, pode ajudá-lo. Pimenta Machado aconselha a população a ganhar o hábito de “planear antecipadamente as refeições de forma a comprar apenas as quantidades e os produtos necessários”. Susana Fonseca argumenta a favor “porque quando ficamos deslumbrados pelas promoções, muitas vezes o que compramos acaba por se estragar”.

Ser criterioso nas compras pode ajudar o ambiente, e podemos sê-lo a vários níveis. “Quando falamos em resíduos urbanos, os têxteis, os objetos que compramos para a casa e até o equipamento eletrónico fazem parte, portanto devemos pensar muito bem sobre a necessidade de comprar algo novo”, esclarece a vice-presidente da ZERO. No caso das roupas e dos móveis, podem ganhar uma segunda vida, se, como afirma, “o primeiro reflexo não for deitar fora”: “Estando em boas condições, podem ser doados ou vendidos em segunda mão”.

“As garrafas reutilizáveis” e os “nossos próprios sacos” devem substituir as embalagens descartáveis, diz Susana Fonseca, e mesmo as compras a granel - que devem ser “privilegiadas” - “funcionam bem se levarmos sacos”, caso contrário corremos o risco de estar a comprar uma pequena quantidade e a levá-la “dentro de um saco grande, que é pior do que se comprássemos um produto embalado”, refere. O presidente da APA reforça que “escolher produtos reutilizáveis é apostar na durabilidade”.

Se não pensa duas vezes antes de deitar um alimento fora, talvez o deva começar a fazer. “Nos produtos que são mais sensíveis precisamos de ter um cuidado a redobrar, mas muitos produtos vão para o lixo e ainda podem ser aproveitados”, afirma a vice-presidente da ZERO. Congelar ou pré-confecionar os alimentos que se podem vir a estragar evita “o desperdício para o ambiente e para os orçamentos familiares.” José Pimenta Machado adiciona mais um conselho à lista: “A aposta pode passar pelo reaproveitamento das sobras de refeições anteriores na confecção de novas receitas.”

As soluções que nos restam para além destas não são tão aliciantes. “Ou começamos a exportar resíduos ou regressamos às lixeiras”, alerta o presidente da APA. Isto num cenário em que, segundo os dados mais recentes de 2024, temos em média “14% de aterro disponível” e a maior parte dos nossos resíduos urbanos continua a ter os aterros como destino final.

O Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos (PERSU 2030), aprovado pelo Governo, dita que, em 2035, apenas 10% dos nossos resíduos urbanos podem ser encaminhados para os aterros.

sábado, 8 de novembro de 2025

Não deve dar pão às aves


Os nossos parques da cidade são habitualmente refúgios para muitos animais, entre eles os nossos adoráveis patos.
Os patos e gansos são geralmente animais mais sociáveis e aproximam-se facilmente dos humanos, sobretudo, quando estes lhes oferecem comida.
Das inúmeras vezes que caminho pelos parques, é fácil presenciar outras pessoas a alimentarem os patos, e, normalmente, fazem-no com pão que lhes sobrou em casa.
Já tive oportunidade de escrever sobre este tema, mas nunca será demais lembrar. O pão não deve ser fornecido às aves como alimento.

Existem vários riscos associados ao fornecerem pão às aves, e quando escrevo “aves”, refiro-me efectivamente a todo o tipo de aves. Até porque, há muito boa gente que, também dá pão aos pássaros.

Primeiro: as aves não precisam que lhes forneçam alimento, elas sabem procurá-lo, e assim deve ser.

Segundo: o pão é um alimento de humanos, altamente calórico, e muito prejudicial para as aves que, ao contrário dos humanos não têm por hábito ingerir alimentos calóricos.

Terceiro: fornecer alimento aos animais, ou, colocar muito alimento inapropriado disponível, cria nos animais selvagens uma espécie de letargia, impedindo-os de procurar o seu próprio alimento, o que deve acontecer em condições naturais.

Quarto: Em casos habituais de distribuição de pão às aves, pode levar a casos graves de desnutrição e à morte das aves.

Quinto: uma das patologias que se podem observar nos patos devido à má nutrição, ou se quiserem, a uma alimentação excessivamente calórica é a designada “Asas-de-Anjo” que impede os patos de voarem e os torna presas fáceis para outros animais e humanos.

Sexto: Cada ave tem as suas necessidades nutricionais. Assim sendo, cada espécie de pato, tem o seu próprio alimento e as suas necessidades nutricionais. Sendo que, uns se alimentam de plantas, enquanto outros consomem vermes e pequenos insectos. Substituir o seu alimento por pão, não é, nem nunca será, adequado à sua nutrição.

Sétimo: O pão é basicamente constituído por hidratos de carbono. Assim sendo, fornecer às aves uma dieta só com base em hidratos de carbono é saciar-lhe a fome e fornecer-lhes um alimento totalmente desadequado, e que desequilibra totalmente a sua nutrição. Esta má nutrição pode inclusive afectar a descendência das aves, uma vez que, a patologia “Asas-de-Anjo” se manifesta nos patinhos, impedindo-os, como disse, de voarem.

Oitavo: O síndrome de “Asas-de-Anjo” ou “Angel-Wing” é comum nos locais onde os patos são alimentados com pão. Este síndrome é uma condição em que as asas das aves crescem para fora, em vez de dobrarem para dentro. Esta condição faz com que os patos percam de forma permanente a capacidade de voarem. Como tal, tornam-se presas fáceis e em última estância pode dizimar as populações de patos.

Nono: quando alimentamos a aves com pão fazemos com que estas se juntem. No caso de algumas das aves presentes se encontrarem com uma infecção provocada por vírus (gripe aviária, por exemplo) ou bactéria, fazemos com que as outras fiquem expostas ao agente infeccioso, e, com que a infecção se dissemine mais rapidamente. Em última análise, podemos estar também a expormo-nos ao mesmo agente infeccioso.

Décimo: As migalhas e resto de pão que se decompõe nos lagos, rios e ribeiros comprometem a qualidade da água desses locais, o que vai afectar toda a comunidade presente nestes locais.

domingo, 26 de outubro de 2025

Agostinho da Silva dixit


“Valioso para mim é a noção de que o que importa não é educar, mas evitar que os seres humanos se deseduquem. Cada pessoa que nasce deve ser orientada para não desanimar com o mundo que encontra à volta. Porque cada um de nós é um ente extraordinário, com lugar no céu das ideias. Seremos capazes de nos desenvolver, de reencontrar o que em nós é extraordinário e transformaremos o mundo.” ~ Agostinho da Silva

Pensa nisto e agarra-te a este mantra, para não seres seduzido por André Ventura, facho, boçal e assim como atraído(a) pelos 60 acólitos (muitos com cadastro) na Assembleia da República. Dizem eles que querem limpar Portugal, mas são racistas e corruptos.
Parque de Serralves, Porto. Foto minha.

sábado, 25 de outubro de 2025

Bicicultura Portugal


Sabiam que andar de bicicleta também faz bem ao cérebro?
Um estudo científico com quase 480 mil pessoas acompanhadas durante mais de 13 anos concluiu que, quem escolhe a mobilidade activa (especialmente a bicicleta), tem um risco menor de demência de todos os tipos.
Como se não bastasse, estes ciclistas também apresentaram volumes maiores em regiões fundamentais do cérebro.
Todas as deslocações de bicicleta contam quando fazemos da bicicleta uma parte da nossa mobilidade urbana, mas também da nossa saúde mental!

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Kogi - Lições Espirituais de um Povo Indígena


Nas imponentes montanhas da Serra Nevada de Santa Marta, na Colômbia, vive o povo indígena Kogi, guardião de uma cultura ancestral com mais de 4.000 anos de história. Preservaram até aqui as suas tradições pré-colombianas, sendo uma das últimas sociedades da América Latina a resistir aos impactos da globalização.

Os Kogi emergem agora do isolamento para partilhar a sua sabedoria milenar com o mundo moderno. As suas mensagens oferecem reflexões poderosas sobre como enfrentar os desafios ecológicos, sociais e individuais do século XXI.

Acreditam que muitas das crises atuais decorrem da nossa visão de mundo desequilibrada e convidam-nos a adotar uma nova perspetiva.

Quem são os Kogi e o que podemos aprender com eles?
Os Kogi não são apenas um vestígio do passado, mas uma comunidade que vive uma relação profunda e espiritualmente ativa com o Planeta, e que observa de perto o impacto da sociedade moderna no meio ambiente. Chamam a Serra Nevada o “Coração do Mundo” e veem na destruição ambiental uma ameaça não apenas ao planeta, mas à essência da vida.

Lucas Buchholz, o autor deste livro, foi convidado pelos anciãos do povo Kogi a visitar as suas aldeias, a aprender sobre a sua visão de mundo e a escrever este livro. Nesta obra, Buchholz reúne ensinamentos únicos que revelam como os Kogi equilibram tradição e espiritualidade, a sua relação com a natureza e com o planeta.

Porque os ensinamentos dos Kogi são relevantes hoje?
Os Kogi partilham uma mensagem urgente: é a hora de repensar a nossa relação com o meio ambiente e connosco próprios. Propõem diversas questões transformadoras que nos ajudam a:
  1. Redescobrir a harmonia com a natureza e com o Planeta;
  2. Enfrentar desafios ecológicos e sociais de forma consciente;
  3. Reavaliar os nossos valores e ações quotidianas.
Este livro não sugere abandonarmos abruptamente o estilo de vida moderno, mas convida-nos a integrar práticas ancestrais para criar um futuro mais regenerativo e equilibrado.

“A sabedoria dos Kogi é uma fonte de inspiração para viver com propósito e equilíbrio”, afirma Buchholz. Em vários capítulos encontrará diálogos entre o autor e os anciãos Kogi. Se procura um livro que proponha soluções para enfrentar os desafios do mundo moderno e reconectar-se com os seus valores essenciais, este é de leitura indispensável.
Os ensinamentos dos Kogi são uma oportunidade rara de aceder a uma sabedoria ancestral que permanece relevante. Ao ler este livro, sentir-se-á transportado para o mundo dos Kogi em Serra Nevada, onde a simplicidade e a profundidade das suas palavras podem transformar sua forma de pensar e agir quotidianamente.

Descubra agora como essa cultura ancestral pode inspirar sua jornada para um estilo de vida mais regenerativo, consciente e conectado à essência da vida e do planeta.

domingo, 27 de julho de 2025

Calor à porta: 3 estratégias para um verão mais amigo do ambiente



Com o verão a começar, são muitos os que decidem aproveitar os longos dias de calor para tirar férias e recarregar baterias. Embora a descontração seja sempre bem-vinda, é importante não deixar de estar atento a comportamentos que, apesar de comuns, podem ser prejudiciais para o meio ambiente.

Para ajudar todos os que procuram reduzir a sua pegada individual e sensibilizar família, amigos e colegas durante esta época do ano, a Goparity, plataforma de finanças de impacto, reuniu três dicas para ter em conta:

1. Escolher protetores solares menos prejudiciais para o ambiente: um primeiro passo consciente pode ser a verificação dos rótulos e escolha de produtos que contenham o menor número de químicos. Vários protetores solares têm na sua composição partículas de microplástico que contribuem para aumentar a sua espessura ou melhorar a sua aparência, funcionando ainda como filtros UV mais acessíveis. Ao mergulhar no mar após ter aplicado estes protetores no corpo, os microplásticos acabam por ser libertados diretamente no oceano, prejudicando o equilíbrio do ecossistema. Além disso, sabe-se que mais de 3.500 produtos populares de proteção solar contêm ainda substâncias químicas, como oxibenzona e octinoxato, altamente nocivas para ecossistemas como os recifes de coral.

2. Optar por uma alimentação consciente, local e da época: desde os alimentos consumidos à forma como são transportados, podem ser feitas escolhas mais sustentáveis. É importante escolher garrafas ou recipientes térmicos e reutilizáveis sempre que possível. Estes são mais eficientes em termos financeiros, na preservação da temperatura da água e melhores para o ambiente; o mesmo pode ser dito relativamente à forma como se transportam e conservam os alimentos consumidos na praia, como as sandes ou a fruta – a comida levada de casa em recipientes que possam ser lavados e usados novamente é preferível ao recurso a comida pré-feita, embalada em recipientes de utilização única. A acrescentar, optar por alimentos da época produzidos em Portugal, como por exemplo as laranjas do Algarve ou cerejas do Fundão, não só contribuirá para a economia local como evitará as emissões de carbono do transporte de alimentos de outros países e continentes e os gastos energéticos da conservação em arcas de congelação.

3. Procurar reduzir a pegada ecológica individual: o transporte escolhido e a forma como se arrefecem as casas são dois bons pontos de partida. A climatização da casa pode pesar muito na pegada ambiental de cada um. Apesar das melhorias em anos recentes, Portugal continua atrás em relação à média europeia no que toca à eficiência energética dos edifícios, pelo que poderá dar-se primazia à ventilação natural e a equipamentos de melhor classificação energética, como as ventoinhas. No que toca a deslocações para os destinos de férias, é sempre bom tentar evitar aviões e se possível optar por transportes coletivos, como comboios, ou partilhar boleias, de modo a fazer escolhas mais amigas do ambiente (e em muitos casos da carteira). Segundo dados da ZERO, um comboio intercidades ou autocarro entre Lisboa e Porto tem uma pegada de 3,8 e 4,6kg de CO2 por pessoa, respetivamente, ao passo que fazer uma viagem sozinho num carro a gasóleo para o mesmo trajeto terá um peso de 50,2kg em emissões de CO2.

Para além dos comportamentos individuais que têm um impacto significativo quando reproduzidos em massa, a Goparity apela a que todas as empresas e organizações, tendo em conta o seu impacto coletivo, tenham em conta como podem minimizar a sua pegada ambiental. A principal missão da Goparity é a democratização do acesso às finanças sustentáveis, ligando empresas e indivíduos que querem investir em projetos com impacto positivo nas pessoas e no planeta.

A Goparity já permitiu mais de 35 milhões de euros investidos por mais de 45.000 membros registados. Os projetos financiados através da plataforma permitiram impactar positivamente cerca de 89.000 pessoas, criar quase 5.000 postos de trabalho e contribuir para evitar a emissão de 25.000 toneladas de emissões de CO2 para a atmosfera todos os anos.

domingo, 13 de abril de 2025

Vegetais e frutas congelados são mais saudáveis que os frescos?


É consensual que uma alimentação equilibrada deve incluir o consumo diário de frutas e vegetais. O ritmo de vida e o aumento dos preços é muitas vezes responsável pela tendência para cortar nesse tipo de alimentos. O consumo de legumes e frutos congelados é uma boa alternativa que, em certos casos, é até mais rica em alguns nutrientes, além de se tornar mais económica também pelo facto de evitar desperdícios.

Uma investigadora do Programa de Nutrição e Ciências dos Alimentos da Universidade do Sul da Austrália não só desfaz o mito de que "fresco é melhor", como também explica que em certos casos estes alimentos podem até ser mais ricos em alguns nutrientes quando são congelados.

Evangeline Mantzioris, diretora do Programa de Nutrição e Ciências dos Alimentos da Universidade do Sul da Austrália, explica que os vegetais e frutas congelados logo após o momento da colheita podem ser mais ricos em alguns nutrientes, como as vitaminas C e E.

A investigadora adianta que se estes produtos forem adequadamente congelados têm propriedades nutricionais equivalentes aos frescos.

"Minerais como cálcio, ferro e magnésio permanecem em níveis semelhantes nos produtos congelados em comparação com os frescos. Outra vantagem dos vegetais e frutas congelados é o potencial de redução do desperdício de alimentos, já que se pode usar apenas o que se precisa no momento", refere Mantzioris, num artigo publicado no site The Conversation.

A especialista enumera outras vantagens dos produtos congelados, nomeadamente a possibilidade de serem conservados durante mais tempo, quando são congelados logo após a colheita ou depois de comprados ao produtor, no mercado ou na feira.

Mantzioris indica também a técnica adequada para um congelamento adequado dos vegetais, que devem ser cozidos por pouco tempo em água a ferver e logo de seguida passar para água com gelo. Após este processo, o produto pode ser congelado sem perder os seus nutrientes.

"Os vegetais congelados não são adequados para saladas, mas podem ser consumidos assados ​​ou cozidos no vapor e usados ​​em sopas, ensopados, caçarolas, caril, tortas e quiches. As frutas congeladas podem ser usadas ao pequeno-almoço, com cereais, iogurte ou utilizadas na culinária de tortas e bolos de frutas, por exemplo", acrescenta a especialista.Mudar hábitos alimentares pode dar-lhe mais 10 anos de vida

Relação entre longevidade e o consumo de frutas e vegetais
A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de pelo menos 400g (o equivalente a cinco porções) de frutas e vegetais por dia. O reduzido consumo destes alimentos é um dos dez principais fatores de risco associados ao desenvolvimento de doenças crónicas não transmissíveis, alerta a OMS.

Um estudo recente da Universidade de Harvard, divulgado pela Associação Americana de Saúde Pública, vem ao encontro das diretrizes da OMS ao concluir que para viver mais é recomendado o consumo de duas porções de frutas e três porções de vegetais todos os dias.

"Essa quantidade provavelmente oferece o maior benefício em termos de prevenção de doenças crónicas graves e é uma ingestão relativamente alcançável para o público em geral", refere Dong Wang, principal autor do estudo, em entrevista ao site CNBC.

Com o objetivo de investigar a relação entre longevidade, mortalidade e o consumo de frutas e vegetais, foram analisados dados de mais de 100 mil adultos desde 1984 a 2014.

Durante 30 anos, foram usados questionários de hábitos alimentar a cada dois ou quatro anos. Esta investigação também recolheu informações de outros 26 estudos sobre o consumo de frutas e vegetais.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Conselhos para envelhecer bem


Escrito por uma alma de 90 anos!
42 lições que a vida me ensinou
“É algo que todos deveriam ler pelo menos uma vez por semana.”
“Certifique-se de ler até o fim.”
“Para celebrar o envelhecimento, escrevi as lições que a vida me ensinou. É a coluna mais pedida que já escrevi.”
“Meu conta-quilômetro rolou para 90 em agosto, então aqui estão elas mais uma vez.”
Escrito por Regina Brett, 90 anos, do Plain Dealer, Cleveland, Ohio.
“A vida não é justa, mas ainda é boa.”
“Quando em dúvida, dê o próximo pequeno passo.”
“A vida é curta demais para desperdiçá-la.”
“Seu trabalho não cuidará de você quando estiver doente, mas seus amigos e família sim.”
“Quite seus cartões de crédito todos os meses.”
“Você não precisa vencer todas as discussões. Seja fiel a si mesmo.”
“Chore com alguém. É mais curativo do que chorar sozinho.”
“Comece a economizar para a aposentadoria no primeiro cheque de salário.”
“Quando se trata de chocolate, a resistência é inútil.”
“Faça as pazes com o passado para que ele não estrague o presente.”
“Não faz mal deixar seus filhos verem você chorar.”
“Não compare sua vida com a dos outros. Você não conhece a jornada deles.”
“Se um relacionamento precisa ser segredo, você não deveria estar nele.”
“Respire fundo. Isso acalma a mente.”
“Desfaça-se de tudo que não for útil. O peso da desordem é maior do que você imagina.”
“O que não te mata realmente te fortalece.”
“Nunca é tarde demais para ser feliz. Mas isso depende apenas de você.”
“Quando for atrás do que ama, não aceite um não como resposta.”
“Use as velas, os lençóis bonitos e a lingerie especial. Hoje é uma ocasião especial.”
“Prepare-se, mas depois siga o fluxo.”
“Seja excêntrico agora. Não espere a velhice para usar roxo.”
“O órgão sexual mais importante é o cérebro.”
“Ninguém está no comando da sua felicidade além de você.”
“Reenquadre os desastres com a pergunta: ‘Isso vai importar em cinco anos?’”
“Escolha sempre a vida.”
“Perdoe, mas não esqueça.”
“O que os outros pensam de você não é da sua conta.”
“O tempo cura quase tudo. Apenas dê tempo.”
“Por melhor ou pior que uma situação seja, ela mudará.”
“Não se leve tão a sério. Ninguém mais leva.”
“Acredite em milagres.”
“Não audite a vida. Apenas apareça e aproveite agora.”
“Envelhecer é melhor que a alternativa: morrer jovem.”
“Seus filhos têm apenas uma infância. Não a desperdice.”
“No fim, tudo o que importa é que você amou.”
“Saia todos os dias. Milagres estão ao seu redor.”
“Se víssemos os problemas dos outros, pegaríamos de volta os nossos.”
“Invejar é perda de tempo. Valorize o que você já tem.”
“O melhor ainda está por vir.”
“Não importa como você se sente, levante-se, vista-se e apareça.”
“Desista do controle.”
“A vida não vem com um laço, mas ainda é um presente.”

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Cinzas de cremação: onde jogar e outras ideias


As cinzas de cremação são, na verdade, fragmentos ósseos pulverizados resultantes do processo de cremação. A cremação é um processo de redução do corpo de um ser vivo após o falecimento.

Ao longo do tempo, a cremação tornou-se uma das opções mais populares nas alternativas aos enterros convencionais. No entanto, o influxo de pessoas procurando eternizar um ente querido em cinzas também resultou em impactos consequentes do descarte incorreto desses fragmentos.

Em vez de urnas usadas para armazenar as cinzas, muitas pessoas optam por jogar os fragmentos em corpos d’água, como o mar, ou em locais significativos ao falecido. De fato, dados da Inglaterra comprovaram que na década de 70, cerca de 12% das cinzas foram retiradas do crematório – agora são quase dois terços.

Porém, por muitos anos, cemitérios têm enterrado cinzas apenas para descobrir que a vida vegetal circundante não prospera. Mas por que isso acontece?

Do que são compostas as cinzas de cremação?
Como já mencionado, as cinzas de cremação são restos de ossos pulverizados. Durante o processo de cremação, o fogo destrói todos os vestígios de matéria orgânica à base de carbono e todos os fluidos corporais evaporam e escapam pelo escapamento do cremador.

O esqueleto humano, em geral, é constituído, principalmente, de carbonatos e fosfatos de cálcio. Ambos esses elementos contribuem para a força e formação dos ossos — que consequentemente sobrevivem às altas temperaturas de câmaras de cremação. Adicionalmente, um baixo percentual de outros elementos, como metais, também pode ser encontrado nos restos humanos.

Em geral, não existem duas amostras de cinzas humanas exatamente iguais em termos de composição elementar, já que ela é influenciada por condições externas, além da dieta e outros fatores.

Por que não se pode enterrar as cinzas de cremação?
Segundo uma investigação realizada pelo site Let your love grow, o enterro de altas concentrações de cinzas de cremação pode ter impactos negativos no meio ambiente. Isso se dá pelo alto pH dos fragmentos, que interagem com o solo e não permitem a liberação natural dos bons nutrientes das cinzas cremadas.

Além disso, as cinzas de cremação também possuem concentrações de sódio em quantidades que variam de 200 a 2 mil vezes mais do que a vida vegetal pode tolerar.

Por outro lado, outros especialistas concluem que, como não resta nenhum material orgânico após a cremação, as cinzas humanas não apresentam nenhum tipo de risco à saúde dos seres vivos ou do meio ambiente.

É proibido jogar as cinzas de cremação no mar?
No Brasil, não há legislação específica sobre o que se pode ou não fazer com as cinzas de cremação. Portanto, jogar as cinzas no mar não é especificamente proibido.

Coincidentemente, algumas instituições realizam serviços memoriais em que as cinzas são espalhadas no mar após serem entregues à família. Entretanto, existem algumas “regras de etiqueta” a serem seguidas antes de espalhar as cinzas em um lugar específico.

Onde não se pode jogar cinzas de cremação?

Segundo à Cremation Society da Grã-Bretanha, a dispersão de cinzas é desencorajada em:
  1. Topos de montanhas, onde as cinzas podem afetar a vida das plantas;
  2. Rios, perto de locais onde as pessoas tomam banho ou pescam;
  3. Menos de um quilômetro a montante de onde a água é retirada para beber;
  4. Dias de vento, quando as cinzas afetam as pessoas que vivem e trabalham nas proximidades.
Além disso, a instituição alerta sobre a possível poluição de outros materiais durante a cerimônia. Por isso, é desencorajada a dispersão de flores de plástico e outros materiais possivelmente poluentes em combinação com as cinzas.

Outros locais

Em contrapartida a essas regras, existem locais em que as cinzas não devem ser descartadas, como propriedades privadas. De fato, alguns anos atrás, o Wall Street Journal postou uma matéria que viralizou nas redes sociais sobre o descarte ilegal de cinzas de cremação em parques da Disney.

“Os atuais e antigos zeladores dos Parques Disney dizem que identificar e aspirar cinzas humanas é uma parte secreta e exclusiva do trabalho [nos parques]. É um trabalho terrível para eles, mas uma libertação catártica para os enlutados, que dizem que tratar os Parques Disney como um local de descanso final é o maior tributo aos fãs fervorosos.

Cinzas humanas foram espalhadas em canteiros de flores, arbustos e gramados do Magic Kingdom; fora dos portões do parque e durante os fogos de artifício; em Piratas do Caribe e no fosso sob os elefantes voadores do passeio Dumbo. Na maioria das vezes, de acordo com os zeladores e funcionários do parque, eles foram dispersos pela Haunted Mansion, a atração [com mais de 50 anos] que apresenta uma misteriosa propriedade antiga cheia de fantasmas imaginários”, diz o autor.

O ato de espalhar cinzas nos parques é estritamente proibido e ilegal, podendo resultar na expulsão e banimento de visitantes.

O que fazer com as cinzas de cremação?
Felizmente, existem diversas maneiras de eternizar as cinzas. Muitas instituições oferecem serviços em que as cinzas de cremação são transformadas em relicários e outros artefatos que podem ser guardados para sempre em memória da pessoa que faleceu.

Veja algumas dessas opções:
  1. Joias memoriais: Algumas joalherias transformam as cinzas em diamantes após a purificação do carbono dos fragmentos. Então, são transformadas em anéis, colares e outras joias;
  2. Tatuagem: Parece macabro, mas alguns tatuadores oferecem a imortalização das cinzas de cremação em tatuagens. Durante esse processo, as cinzas são misturadas com a tinta e marcadas para sempre na pele do recipiente;
  3. Plante uma árvore: Embora as cinzas possam oferecer prejuízos ao meio ambiente ao serem enterradas, algumas instituições oferecem um serviço em que a mistura das cinzas é purificada e transformada em matéria orgânica. Você também pode escolher uma urna biodegradável e enterrá-la junto com as cinzas;
  4. Prensagem de vinil: É possível fazer a prensagem de discos de vinis com as cinzas;
  5. Guarde em um bichinho de pelúcia: Em vez de uma urna, é possível armazenar as cinzas de cremação dentro de bichos de pelúcia, permitindo que você se console ao saber que uma pequena lembrança de seu ente querido está perto de você;
  6. Arte: Faça você mesmo uma pintura memorial para a pessoa que perdeu. Misture um pouco das cinzas na tinta e deixe sua inspiração fluir.
Fontes

domingo, 11 de agosto de 2024

Procura pela selfie perfeita coloca a Natureza em risco


A necessidade de uma selfie impressionante ou de uma fotografia da paisagem perfeita está a revelar-se prejudicial para a natureza, revela uma nova investigação.

Os investigadores da Universidade Edith Cowan (ECU), da Universidade Curtin, da Universidade Murdoch e do programa Kings Park Science do Departamento de Biodiversidade, Conservação e Atração identificaram vários impactos diretos e indiretos que o avanço e a proeminência dos meios de comunicação social tiveram no ambiente natural, incluindo perturbações nos padrões de reprodução e alimentação dos animais e o atropelamento de espécies vegetais ameaçadas.

“O avanço dos meios de comunicação social criou um impacto ambiental que, de outro modo, nunca teria existido”, afirmou Rob Davis, professor catedrático de Biologia de Vertebrados na Universidade do Equador.

“Os grupos de redes sociais facilitaram a identificação da localização de espécies vegetais ameaçadas ou dos locais de reprodução de espécies de aves ou de animais selvagens, sendo a informação divulgada rapidamente e provocando um grande afluxo de pessoas a uma área que, de outro modo, teria permanecido intocada”, explicou.

“Como resultado, os padrões de reprodução e alimentação dos animais são perturbados e há um risco acrescido de predação. Além disso, a utilização de reprodução de chamadas, ou de drones, ou a manipulação de animais selvagens para fotografias tem um impacto duradouro”, acrescentou Davis.

Os impactos indiretos incluem a propagação de doenças e o aumento da caça furtiva da flora e da fauna.

O Professor Associado Bill Bateman, da Faculdade de Ciências Moleculares e da Vida da Universidade de Curtin, afirmou que uma gama diversificada de animais e plantas estava a sentir os impactos negativos do comportamento relacionado com as redes sociais.

“O risonho-de-coroa-azul é uma espécie de ave criticamente ameaçada que mostrou comportamentos de nidificação alterados devido a perturbações dos fotógrafos”, disse Bateman.

“Também sabemos que as orquídeas são altamente suscetíveis ao pisoteio e às alterações do habitat, com muitos grupos ameaçados pelo aumento do turismo e das atividades recreativas promovidas através dos meios de comunicação social”, sublinhou.

“Mas não é só em terra e no ar: a fotografia com flash e as perturbações dos mergulhadores podem afetar negativamente a vida marinha, como os tubarões-baleia e outros organismos aquáticos sensíveis”, acrescentou.

A cientista de investigação do Departamento de Biodiversidade, Conservação e Atrações do programa Kings Park, Belinda Davis, referiu que, de toda a flora, as orquídeas eram um conteúdo particularmente popular para publicações nas redes sociais, havendo mesmo grupos de redes sociais dedicados à publicação de fotografias de orquídeas nativas.

“Estes grupos podem ter mais de 10.000 membros, pelo que a rápida divulgação dos locais de floração e o tráfego pedonal gerado em sítios-chave devem ser considerados uma ameaça emergente”, explicou.

“As orquídeas podem ter interações altamente específicas com uma única espécie de polinizador e de fungo. A sobre-visitação não só tem um impacto direto nas orquídeas devido ao pisoteio, como também pode ter um impacto indireto na integridade das suas interações ecológicas, deixando as orquídeas vulneráveis ao colapso da população”, apontou.

O lado do Sol
Apesar da desvantagem de os utilizadores das redes sociais invadirem habitats naturais, a fotografia pode ser uma ferramenta de conservação incrivelmente poderosa, cultivando e reforçando o ativismo ambiental, as ligações baseadas na natureza ou as oportunidades de gestão e educação, explicou Davis.

O amplo alcance das redes sociais significa que os conteúdos também podem ser aproveitados por cientistas e profissionais de gestão de terras para fins de conservação, essencialmente através da “extração de dados” de conteúdos ou do envolvimento ativo de “cientistas cidadãos” na recolha de dados como subproduto das suas actividades nas redes sociais”.

As redes sociais também resultaram diretamente na identificação de várias novas espécies de plantas.

No entanto, a investigação defendeu a instituição de códigos de ética e controlos mais rigorosos em torno da utilização e promoção da flora e da fauna nas redes sociais.

“Propomos um quadro que considera as espécies em maior risco devido às atividades das redes sociais, especialmente as que são raras, sésseis e têm áreas de distribuição restritas”, afirmou Davis.

“A utilização crescente e a natureza omnipresente dos meios de comunicação social significam que é impossível controlar ou restringir o acesso a espécies ou a pontos de interesse natural que são alvo de conteúdos dos meios de comunicação social. Consequentemente, a melhor esperança assenta numa combinação de gestão no terreno ou de restrições de acesso em sítios públicos fundamentais, na adesão de uma variedade de partes interessadas e num aumento da educação que promova um comportamento adequado nas zonas naturais”, acrescentou.

“Muitos grupos e sociedades da natureza já dispõem de códigos de ética bem estabelecidos para uma conduta responsável, incluindo para atividades como a observação de aves, a fotografia de aves e a fotografia de orquídeas. Esses códigos de conduta são um excelente ponto de partida, mas não são vinculativos e dependem da atuação correta dos indivíduos e/ou da pressão dos pares para que se pronunciem sobre comportamentos inadequados”, disse ainda.

“No entanto, esta pode continuar a ser a base mais realista para reduzir os impactos na biodiversidade e podem ser colocadas questões a todos os grupos que não tenham ou não adiram a esses códigos de conduta”, concluiu.