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segunda-feira, 25 de novembro de 2024

COP29: Desastre total


Ativistas e ambientalistas criticam acordo financeiro frágil na COP29. Greta Thunberg: “A decisão da COP29 é um desastre completo. As pessoas no poder estão mais uma vez prestes a concordar com uma sentença de morte para as inúmeras pessoas cujas vidas foram e serão arruinadas pela crise climática. O texto está cheio de falsas soluções e promessas vazias”. Claudio Angelo, do Observatório do Clima: “O acordo de financiamento fechado em Baku distorce a UNFCCC e subverte qualquer conceito de justiça. Com a ajuda de uma presidência incompetente, os países desenvolvidos conseguiram mais uma vez abandonar suas obrigações e fazer os países em desenvolvimento literalmente pagarem a conta”. Tasneem Essop, da Climate Action Network, acusou os países desenvolvidos de má-fé nas negociações em torno do financiamento climático: “Esta deveria ser a COP das finanças, mas o Norte Global apareceu com um plano para trair o Sul Global. No final, assistimos à mesma história, com os países em desenvolvimento ficando com pouca opção a não ser aceitar um acordo ruim”. Tracy Carty, da Greenpeace International: “A nova meta é uma amarga decepção. US$ 300 biliões anuais até 2035 é muito pouco, muito tarde. Essa meta de financiamento não vem com nenhuma garantia de que não será entregue por meio de empréstimos ou financiamento privado, em vez do financiamento público baseado em subsídios os quais os países em desenvolvimento precisam desesperadamente”. Fonte.

Um delegado da Arábia Saudita foi acusado de fazer alterações diretas a um texto oficial de negociação da COP29, diz o Guardian: “As presidências das COP costumam distribuir os textos de negociação como documentos PDF não editáveis a todos os países em simultâneo, sendo depois discutidos. No sábado, a presidência do Azerbaijão fez circular um documento com atualizações ao texto de negociação sobre o programa de trabalho para uma transição justa (JTWP). Este programa tem por objetivo ajudar os países a avançar para um futuro mais limpo e mais resistente, reduzindo simultaneamente as desigualdades. O documento foi enviado com ‘alterações registadas’ em relação à versão anteriormente distribuída. Em dois casos, o documento mostrava que as alterações tinham sido feitas diretamente por Basel Alsubaity, que pertence ao Ministério da Energia saudita e é o líder do JTWP.Namíbia aproveita a cimeira sobre o clima COP29 para promover investimentos em petróleo e gás. Fonte.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Guterres pede medidas urgentes para próximos 18 meses contra “inferno climático”


O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou esta quarta-feira que o planeta se aproxima do "inferno climático", instando os líderes mundiais a tomar medidas nos próximos 18 meses para "criar pontos de viragem" e livrar as populações do desastre.

No Dia Mundial do Meio Ambiente, Guterres fez um discurso no Museu Americano de História Natural de Nova Iorque, e, num "momento de verdade", expôs os limites climáticos que o planeta já ultrapassou e o que as empresas e os países - especialmente o G7 e o G20 - precisam de fazer durante os próximos 18 meses para permitir um futuro habitável para a humanidade. 

"Hoje é o Dia Mundial do Meio Ambiente. É também o dia em que o Serviço de Alterações Climáticas Copernicus da Comissão Europeia reporta oficialmente maio de 2024 como o mês mais quente de que há registo. Isto marca 12 meses consecutivos dos meses mais quentes de todos os tempos", disse.

"No ano passado, cada viragem do calendário aumentou a temperatura. O nosso planeta está a tentar dizer-nos algo. Mas parece que não estamos a ouvir", lamentou.

Aproveitando a localização do evento, Guterres fez uma comparação com o período em que um meteoro varreu os dinossauros do planeta, advogando que o mundo vive também agora um impacto "descomunal". Com uma diferença: "No caso do clima, nós não somos os dinossauros. Nós somos o meteoro", frisou. "Não estamos apenas em perigo. Nós somos o perigo. Mas também somos a solução", defendeu.

O ex-primeiro-ministro português alertou que, a este ritmo, todo o orçamento de carbono (o dióxido de carbono que pode ser emitido antes que o aquecimento global de 1,5°C seja inevitável) será destruído antes de 2030.

A Organização Meteorológica Mundial informou esta quarta-feira que há 80% de probabilidade de a temperatura média anual global exceder o limite de 1,5 graus em pelo menos um dos próximos cinco anos.

Em 2015, a probabilidade de tal acontecer "era próxima de zero", sublinhou o líder da ONU.

"Estamos a jogar à roleta russa com o nosso planeta. Precisamos de uma rampa de saída do inferno climático. E a verdade é que temos o controlo da roda. O limite de 1,5 graus ainda é possível", advogou Guterres, que tem na agenda climática uma das prioridades do seu mandato.

Explicando a importância em torno do limite de 1,5 graus, António Guterres indicou que o planeta é uma massa de sistemas complexos e conectados e que cada fração de grau de aquecimento global conta.

"A diferença entre 1,5 e dois graus pode ser a diferença entre a extinção e a sobrevivência de alguns pequenos Estados insulares e comunidades costeiras. (...) 1,5 graus não é uma meta. Não é um objetivo. É um limite físico", reforçou.

Num discurso duro em que usou uma dezena de vezes a palavra "verdade", o secretário-geral observou que a batalha pelo limite de 1,5 graus será vencida ou perdida na década de 2020, sob a vigilância dos líderes atuais.

Colocando a pressão sobre os líderes, Guterres sublinhou que "tudo dependerá das decisões que tomarem - ou deixarem de tomar - especialmente nos próximos dezoito meses".

Entre as medidas urgentes que devem ser tomadas no próximo ano e meio, o secretário-geral da ONU apontou a redução das emissões, a proteção das pessoas e da natureza dos extremos climáticos, o aumento do financiamento climático, e a repressão à indústria de combustíveis fósseis.

Na prática, Guterres instou, entre outros pontos, que o G7 e outros países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) se comprometem a acabar com o carvão até 2030 e criar sistemas de energia livres de combustíveis fósseis e reduzir a oferta e a procura de petróleo e gás em 60% até 2035.

Apelou também às instituições financeiras para que comecem a investir numa revolução global das energias renováveis e instou todos os países a proibirem a publicidade de empresas de combustíveis fósseis.

O líder das Nações Unidas criticou ainda o facto de os menos responsáveis pela crise climática serem os mais atingidos: "as pessoas mais pobres; os países mais vulneráveis; pessoas indígenas; mulheres e meninas".

Enquanto isso, "os padrinhos do caos climático - a indústria dos combustíveis fósseis - obtêm lucros recordes e celebram biliões em subsídios financiados pelos contribuintes", criticou.

"Nós temos uma escolha. Criar pontos de viragem para o progresso climático -- ou aproximar-se de pontos de viragem para desastres climáticos. Nenhum país pode resolver a crise climática isoladamente", dependeu.

Guterres aproveitou ainda para agradecer aos jovens, à sociedade civil, às cidades, às regiões, às empresas e a outros que têm liderado a luta por um mundo "mais seguro e mais limpo", afirmando que "estão do lado certo da história".

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Extração de hidrocarbonetos soma e segue


A produção média de petróleo nos EUA será de 13,2 milhões de barris por dia este ano, aumentando para 13,4 milhões de b/d em 2025, de acordo com uma previsão energética divulgada pela Administração de Informação de Energia. Os números superam os 12,9 milhões de b/d estimados em 2023 – em si um recorde, superando os níveis alcançados antes da pandemia de Covid-19. Também a Rússia parece estar a caminho de um segundo ano de perfuração recorde de petróleo e até mesmo a Galp está a perfurar petróleo no mar da Namíbia. Fontes: Financial Times, Bloomberg e OEDigital.

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Cartoon - As alterações climáticas são causadas por duas coisas: atividade humana...e inação humana


Não votem na Iniciativa Liberal, nem no Partido Chega. São cépticos climáticos e vendidos ao lóbi das petrolíferas.
Dr Friederike Otto, of Imperial College London said: “The science of climate change has been clear for decades: we need to stop burning fossil fuels. A failure to phase out fossil fuels at Cop28 will put several millions more vulnerable people in the firing line of climate change. This would be a terrible legacy for Cop28.”

The Global Carbon Project, an international collaboration of scientists, estimates that worldwide carbon dioxide emissions from burning fossil fuels will rise 1.1% this year over 2022, to 36.8 billion metric tons. That’s a new peak and 1.4% higher than the level in 2019, prior to the Covid-19 pandemic. [Bloomberg

sábado, 11 de novembro de 2023

Produção de combustíveis fósseis será em 2030 mais do dobro do compatível com as metas ambientais


Foi esta quarta-feira lançado o Production Gap Report 2023, um estudo do Programa das Nações Unidas para o Ambiente que se debruça sobre as discrepâncias entre as promessas de corte das emissões de gases com efeito de estufa e a realidade. Nele se evidencia que os governos a nível mundial planeiam “produzir mais 110% de combustíveis fósseis do que o considerado compatível com a meta de limitar o aquecimento global a 1,5ºC; e mais 69% do relativo à meta de 2ºC” de aumento relativamente à época pré-industrial.

O relatório foi produzido pelo Stockholm Environment Institute, em colaboração com a Climate Analytics, a E3G, o International Institute for Sustainable Development (IISD) e o próprio PNUMA e envolveu mais 80 cientistas de cerca de trinta nacionalidades.

O documento mostra também que apenas 20 países são responsáveis por 80% das emissões globais e três quartos do consumo global de combustíveis fósseis. São eles: Austrália, Brasil, Canadá, China, Colômbia, Alemanha, Índia, Indonésia, Cazaquistão, Kuwait, México, Nigéria, Noruega, Qatar, Federação Russa, Arábia Saudita, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos da América.

António Guterres, secretário-geral da ONU, vincou que “não podemos lidar com a catástrofe climática sem resolver a sua causa: a dependência dos combustíveis fósseis.” E instou a COP28 a “enviar um sinal claro de que o combustível fóssil está a perder gás – que o seu fim é inevitável”. Assim, “precisamos de compromissos credíveis para incrementar as energias renováveis, eliminar gradualmente os combustíveis fósseis e aumentar a eficiência energética, assegurando ao mesmo tempo uma transição justa e equitativa”.

Ploy Achakulwisut, investigadora do SEI Asia, explicou durante a apresentação o relatório que “só os dez países ricos são responsáveis por se ultrapassar a meta de 1,5ºC” de aumento da temperatura relativamente à era pré-industrial, denunciando que “muitos governos estão a promover o gás fóssil como um combustível essencial para a ‘transição’, mas sem quaisquer planos aparentes para o abandonar mais tarde”.

Em comunicado, Inger Andersen, diretora executiva do PNUmA, pronuncia-se sobre este quadro sublinhando que “as nações têm que acordar na COP28 a eliminação progressiva do carvão, do petróleo e do gás para acalmar a turbulência” que temos “pela frente e beneficiar todas as pessoas do planeta”. Também ela critica os planos para aumentar a produção de combustíveis fósseis que “mina a transição energética necessária para se alcançar o objetivo de ‘emissões líquidas-zero’” e “põe em causa o futuro da humanidade”.

Neil Grant, da Climate Analytics, reforça a mensagem dizendo que “em meados do século, o carvão apenas devia constar dos livros de história e a produção de gás e petróleo estar reduzida em três quartos a caminho da sua eliminação total”. O cientista fustiga igualmente os governos que “planeiem investir ainda mais dinheiro numa indústria suja e moribunda, enquanto as oportunidades abundam num sector de energia limpa florescente”.

O texto defende que “os países devem ter como objetivo uma eliminação quase total da produção e utilização de carvão até 2040, uma redução do consumo de energia elétrica até 2030 e uma redução combinada da produção e utilização de petróleo e gás em três quartos até 2050, em relação aos níveis de 2020”.

Saber mais:

domingo, 2 de julho de 2023

Contradição- A Noruega aprovou 19 novos projetos de petróleo e gás nas suas águas


A Noruega aprovou 19 novos projetos de petróleo e gás nas suas águas. O ministro norueguês do Petróleo e da Energia, Terje Aasland, afirmou que a luz verde para estes projectos contribuirá para a segurança energética da Europa e assegurará uma nova produção a partir da segunda metade da década de 2020. Há contradições claras entre a política interna e a política externa da Noruega, uma vez que esta decisão acontece seis meses depois de o governo norueguês ter insistido, sem sucesso, nas conversações sobre o clima da COP27, num acordo para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis não consumidos e seis meses antes da COP28, onde é provável que volte a tentar. A Noruega é a sétima nação mais rica do mundo e a continuação da sua produção de combustíveis fósseis será utilizada pelos apoiantes da produção de combustíveis fósseis nos países mais pobres para minar a oposição aos seus projetos. Recorde-se que em 2021, a Agência Internacional de Energia recomendou que não fossem abertos novos campos de petróleo e gás, numa tentativa de atingir a neutralidade carbónica até meados do século. Fontes: Energy Voice, Climate Home News e AFP.

sexta-feira, 14 de abril de 2023

O “início do fim da era fóssil”? Produção global de eletricidade a partir de fontes renováveis atinge novo recorde em 2022


No ano passado, as energias solar e eólica produziram 12% de toda a eletricidade consumida a nível global, face aos cerca de 10% registados em 2021.

A conclusão é de um relatório divulgado esta quarta-feira pela Ember, um grupo de reflexão independente que se dedica às questões relacionadas com a energia, e que revela também que, no seu conjunto, as renováveis e a nuclear produziram 39% da eletricidade a nível global em 2022, o valor mais alto de sempre.

A energia solar é a que mais tem crescido, aumentando sucessivamente ao longo dos últimos 18 anos. No ano passado, a geração de eletricidade de origem solar subiu 24% face a 2021, sendo que a energia eólica, a segunda maior fonte de energia renovável, cresceu 17%.

Os especialistas do grupo de reflexão Ember preveem que 2023 poderá marcar o início de uma nova era de declínio da presença dos combustíveis fósseis na produção de eletricidade a nível global.
Crédito: Ember
Os especialistas da Ember estimam que a quantidade de eletricidade produzida pelo solar em 2022 terá sido suficiente para alimentar África do Sul durante um ano inteiro, e que a energia eólica terá gerado eletricidade suficiente para iluminar quase todo o Reino Unido.

Contudo, as emissões de gases com efeito de estufa do setor elétrico mundial aumentaram 1,3% em 2022, atingindo um máximo histórico. Apesar de a incorporação de renováveis nunca ter sido tão grande, o consumo de eletricidade tem aumentado fortemente, o que não permitiu reduzir as emissões.

A eletricidade produzida a partir do carvão subiu ligeiramente em 2022 (1,1%), sendo que os autores do relatório argumentam que, embora o abandono progressivo desse combustível fóssil não tenha arrancado no ano passado, tal como acordado na cimeira climática COP26, de 2021, a crise energética despoletada pela guerra da Rússia na Ucrânia não fez disparar, contrariamente ao que se receava, a geração de eletricidade através da queima de carvão.

Nesse quadro, os especialistas da Ember consideram que em 2022 é possível que o setor global da produção de eletricidade tenha, por fim, alcançado um pico. “As energias eólica e solar estão a desacelerar o aumento das emissões do setor elétrico”, dizem, calculando que se toda a eletricidade produzida em 2022 a partir de fontes renováveis tivesse, ao invés, sido gerada por combustíveis fósseis, as emissões do setor teriam crescido 20% face a 2021.

Assim, os relatores preveem que, com base no crescimento médio da procura global e do fortalecimento das renováveis, neste ano de 2023 poderemos assistir a “uma pequena queda” da geração de eletricidade a partir de combustíveis fósseis, que deverá ser da ordem dos 0,3%, “com quedas maiores nos próximos anos, à medida que as energias eólica e solar crescem ainda mais”.

Por isso, vaticinam que “uma nova era de reduções das emissões do setor elétrico está próxima”.

Małgorzata Wiatros-Motyka, analista sénior da Ember especializada no setor da eletricidade, salienta que “nesta década decisiva para o clima, este é o início do fim da era fóssil”, destacando que estamos a dar os primeiros passos no que considera ser “a era da energia limpa”.

“Uma nova era de queda das emissões fósseis significa que ao abandono progressivo do carvão irá acontecer, e o fim do crescimento da geração de eletricidade através do gás está à vista”, afiança a especialista, que acredita que “a mudança aproxima-se a passos largos”, mas “tudo depende das ações que sejam agora tomadas pelos governos, empresas e cidadãos para colocar o mundo no caminho da energia limpa até 2040”.

quinta-feira, 30 de março de 2023

Saudi Aramco does not rule the world

A petrolífera Saudi Aramco aumentou o seu investimento multi-bilionário na China através da conclusão de uma empresa comum no nordeste da China e aquisição de uma participação alargada num grupo petroquímico de controlo privado.[Reuters]


Crown Prince Mohammed bin Salman tends to get his way in Saudi Arabia, so the mood in Riyadh on Saturday when a group of investment bankers rejected his wishes must have been frosty. He had wanted an initial public offering to put a value of $2tn on Saudi Aramco, the world’s biggest oil company, but they demurred.

The prince still runs the country and Yasir al-Rumayyan, chairman of Saudi Aramco and head of the kingdom’s sovereign wealth fund, responded by calling off plans for a global IPO in favour of a local offering. Saudi Aramco will probably be valued at $1.7tn, but the prince’s vision of the IPO symbolising his country’s opening up to the world has faded.

It is a telling moment, not only for Saudi Arabia and its crown prince, but for investors. After the aborted IPO of WeWork, the shared offices group, it is another example of public shareholders refusing to accept the lofty valuations of private owners. Companies have enjoyed a good run — making exchanges compete for listings and gaining high prices from investment institutions — but the mood has changed.

Saudi Aramco could hardly be more different to WeWork as a company. Drilling for oil and gas and refining fuels is about as solid and cash generative a business as any investor could want, even if the future of fossil fuels is less certain these days. Saudi Aramco has access to 52 years of proven reserves and extracts oil more cheaply than any western energy major. Even in a carbon squeeze, it would prosper.

It is also very well managed, given the potential for corruption and insider dealing in a state energy monopoly. The bankers who rejected the prince’s estimate of its value admire the engineering skills of a company founded in 1933 as a subsidiary of Standard Oil of California. When production was crippled by a drone attack in September, it restored its operations quickly.

But a connection between Saudi Aramco and WeWork runs through the crown prince’s backyard. The Saudi Public Investment Fund (PIF), its sovereign wealth fund, invested $45bn in the SoftBank Vision Fund in 2016. The Vision Fund in turn backed WeWork and Adam Neumann, its discredited founder, and SoftBank was forced to organise the $9.5bn rescue of WeWork after its IPO failed.

The kingdom’s resources have been funnelled into other high-flying technology groups. Mr al-Rumayyan, who was put in charge of the Saudi Aramco IPO by the crown prince in September, is a director of both SoftBank and Uber, the ride sharing group backed by SoftBank. The PIF has taken bigger investment risks than the Saudi Arabian Monetary Authority central bank.

The intention is to realise the prince’s Vision 2030 plan to reduce the kingdom’s reliance on a single industry — one company, in fact — and to diversify the economy. At one point, the IPO was expected to raise up to $100bn, rather than the $25bn that a domestic listing on the Tadawul exchange is likely to produce. Selling only 1.5 per cent of the company’s equity is a domestic dabble, not a global revolution.

The crown prince and Mr al-Rumayyan could both be forgiven for believing that everyone would obey them. The prince is a monarch and Mr al-Rumayyan has billions to invest, which is the nearest financial equivalent to royalty. He and Masayoshi Son, founder of SoftBank, have adopted the wave-of-money view of investing: if you lead the way with billions, others are bound to get swept along.

It did not work for Saudi Aramco. “They were fixated on one price and that’s what happens in a monarchy if the top guy wants something. But I respect them for holding the line,” says one banker. “It’s disappointing,” says another. “There is an element of them saying, ‘I’m taking my toys home’.”

Despite the cancelling of investor roadshows in the US, Europe and Asia for the flotation, an international IPO may eventually happen. That is the hope of banks that poured resources into lobbying for lucrative roles, and lent $11bn to the PIF to fill the hole left by the retreat. If the company floats successfully in Saudi Arabia, an international listing might follow.

This requires the Tadawul exchange to operate transparently and to establish a price for Saudi Aramco that is trusted by global investors. One banker compares the domestic listing, in which citizens are being allocated one-third of the shares, with the British Gas privatisation in 1986 and its “Tell Sid” marketing campaign to retail investors.

But price discovery is not like oil discovery: it cannot be engineered by governments. Members of the kingdom’s ruling families were detained in the Ritz-Carlton in Riyadh in 2017 in an alleged corruption inquiry and some were later told it was their duty to buy shares in the IPO. Saudi Arabia’s Sids are incentivised to take the prince’s word for what Saudi Aramco is worth.

The original promise of the Saudi Aramco IPO was that it would not only unleash the world’s most valuable company but would make the kingdom more liberal and transparent. “He is opening Saudi Arabia to the world,” promised the posters displayed on the prince’s international diplomatic visits. Not really, it turns out.

segunda-feira, 6 de março de 2023

Enquanto o Japão se esforça para expandir os combustíveis fósseis, especialistas revelam caminho para gerar 90% de energia limpa até 2035



O Japão, o maior financiador mundial de combustíveis fósseis, está convocando uma série de reuniões esta semana para impulsionar a expansão do GNL e das tecnologias baseadas em fósseis.

Termina hoje a 5ª Cúpula de Energia do Japão , que se autodenomina uma “plataforma global que reúne os principais interessados” do governo e da indústria para discutir “tópicos pertinentes que afetam a indústria”. É patrocinado por algumas das maiores empresas de gás do Japão e dos EUA, incluindo Tokyo Gas, Venture Global LNG e Cheniere.

Isso é seguido de perto em 4 de março pela reunião ministerial da Comunidade de Emissões Zero da Ásia, que o Japão está organizando para galvanizar a demanda dos ministros de energia de toda a região por suas tecnologias sujas baseadas em fósseis.

Ambas as convenções estão focadas em tecnologias como GNL, co-incineração de amônia, captura e armazenamento de hidrogênio e carbono, o que prolongaria o uso de combustíveis fósseis. Já sabemos há algum tempo que o Japão é viciado em combustíveis fósseis. De 2012 a 2020, o país foi o maior financiador de projetos de combustíveis fósseis. Entre 2019 e 2021 , o Japão forneceu US$ 10,6 biliões em média a cada ano para novos projetos de gás, petróleo e carvão.

O governo japonês e interesses comerciais arraigados estão promovendo a narrativa de que o gás é uma parte crítica da transição energética, apesar do fato de os combustíveis fósseis serem responsáveis ​​pela crise climática. A cúpula de energia é enquadrada no “papel crítico do GNL e do gás no fornecimento de segurança energética” e como o hidrogênio e a amônia podem ser vistos como “soluções de baixo carbono”. A Reuters relata que o Japão está planejando “enfatizar a importância dos investimentos em gás natural, gás natural liquefeito, bem como combustíveis mais limpos, como hidrogênio e amônia” durante sua presidência do G7 este ano.

Tais sentimentos ignoram as lições da guerra na Ucrânia, que mostrou como a dependência do gás estrangeiro prejudicou a segurança energética. As nações têm lutado por suprimentos e dezenas de milhões de pessoas que vivem na pobreza de combustível sofreram com a escalada dos preços. A OCI e outras organizações há muito argumentam que o gás não é um combustível intermediário e sim um muro que bloqueia a transição para a energia limpa.

Desde a guerra, o órgão regulador global da energia , a Agência Internacional de Energia, destacou como “a perturbação econômica causada pela guerra na Ucrânia ampliou os apelos para uma transição energética acelerada. Uma mudança que afastaria os países de combustíveis altamente poluentes, muitas vezes fornecidos por apenas um punhado de grandes produtores, para fontes de energia de baixo carbono, como renováveis”.

Não precisa ser assim.

Dois relatórios publicados esta semana destacam como o gás é cada vez mais redundante na transição energética. O primeiro intitula-se “ Relatório do Japão de 2035: a queda dos custos da energia solar, eólica e das baterias pode acelerar o futuro da eletricidade limpa e independente do Japão”, publicado pelo Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, apoiado pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos.

Os pesquisadores concluíram que o Japão poderia obter 90% de sua energia de energia limpa até 2035. Isso seria possível “sem geração de carvão ou novas fábricas de gás natural”.

Ironicamente, o relatório afirma que o Japão enfrenta riscos significativos de segurança energética se continuar a importar quase todo o combustível usado em seu setor de energia, incluindo gás. O relatório destaca como reduzir as importações de combustíveis fósseis em 85% com uma rede de energia limpa de 90% “pode reforçar significativamente a segurança energética do Japão”. Tais políticas contradizem as discutidas em Tóquio esta semana, que defendem o aumento do GNL para segurança energética.

O segundo relatório publicado pela Climate Integrate é intitulado Descarbonizando o Sistema de Eletricidade do Japão: Mudança de Política para Provocar uma Mudança . Isso descreve as políticas claras necessárias para aumentar a quantidade de energia limpa produzida no Japão, incluindo o estabelecimento de uma visão de longo prazo centrada na mudança para energias renováveis.

As políticas recomendadas incluem “Expandir a energia renovável de maneira que beneficie as comunidades”, “Impulsionar o desenvolvimento eólico offshore”, “Melhorar a eficiência energética” e “Usar medidas fiscais para apoiar a mudança energética”.

Kimiko Hirata, diretora executiva da Climate Integrate, disse: “a descarbonização da eletricidade no Japão pode ser alcançada por meio da ampla promoção de energia renovável. Isso difere significativamente da direção atual do governo japonês com a Transformação Verde, como amônia e hidrogênio... A barreira não é a tecnologia ou o custo, mas a política”.

A oposição está aumentando em toda a Ásia, com 140 grupos de 18 países pedindo ao primeiro-ministro japonês Fumio Kishida em uma carta aberta divulgada hoje para parar de minar a transição energética.

“Permanecemos firmes em nossa oposição aos combustíveis fósseis e à estratégia de energia suja do Japão para a Ásia com suas “falsas soluções”, que nada mais são do que mentiras de lavagem verde”, conclui um artigo publicado hoje por Gerry Arances, do Centro de Energia, Ecologia e Desenvolvimento nas Filipinas e Dwi Sawung de WALHI – Amigos da Terra Indonésia.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

A energia eólica e solar foram as principais fontes de eletricidade da UE em 2022 pela primeira vez



A energia eólica e solar forneceram mais eletricidade da UE do que qualquer outra fonte de energia pela primeira vez em 2022, segundo uma nova análise.

Juntos, eles forneceram um recorde de um quinto da eletricidade da UE em 2022 – uma parcela maior do que o gás ou a energia nuclear, de acordo com um relatório do thinktank climático Ember .

Adições recordes de novas energias eólica e solar em 2022 ajudaram a Europa a sobreviver a uma “crise tripla” criada por restrições no fornecimento de gás russo, uma queda na energia hidrelétrica causada pela seca e interrupções inesperadas de energia nuclear, diz a análise.

Cerca de 83% da queda na energia hidrelétrica e nuclear foi atendida pela energia eólica e solar – e pela queda na demanda de eletricidade. O restante foi atendido pelo carvão, que cresceu em um ritmo mais lento do que alguns esperavam em meio a uma queda no fornecimento de combustíveis fósseis da Rússia.

A geração solar em toda a UE aumentou um recorde de 24% em 2022, ajudando a evitar € 10 biliões em custos de gás, de acordo com as descobertas. Cerca de 20 nações da UE obtiveram uma parcela recorde de sua energia solar, incluindo Holanda, Espanha e Alemanha.

Espera-se que o crescimento eólico e solar continue este ano, enquanto a geração hidroelétrica e nuclear provavelmente se recuperará. Como resultado, a geração de energia com combustíveis fósseis pode cair 20% sem precedentes em 2023 – o dobro do recorde anterior observado em 2020, projeta a análise.

Recorde de renováveis

A energia eólica e solar gerou um recorde de 22,3% da eletricidade da UE em 2022, ultrapassando pela primeira vez a nuclear (21,9%) e o gás (19,9%), de acordo com a análise e mostrada no gráfico acima.

O novo marco reflete o crescimento recorde da energia eólica e solar na Europa e uma queda inesperada na energia nuclear em 2022.

No ano passado, a Europa enfrentou uma “crise tripla” em seu abastecimento de energia, diz o relatório.

O primeiro fator foi a invasão da Ucrânia pela Rússia, que enviou ondas de choque através do sistema energético global.

Antes do ataque, a Europa obtinha um terço de seu gás da Rússia. Mas a eclosão da guerra viu a Rússia restringir o fornecimento de gás à Europa e novas sanções da UE sobre as importações de petróleo e carvão do país.

Apesar da turbulência, a geração de gás da UE permaneceu estável em 2022, quando comparada a 2021.

Isso ocorre principalmente porque o gás já era mais caro que o carvão na maior parte de 2021, diz o principal autor da análise, Dave Jones , chefe de insights de dados da Ember. Ele diz ao Carbon Brief:

“Não houve mais troca possível de gás para carvão em 2022.”

Os outros principais contribuintes para a crise foram as quedas no fornecimento de energia nuclear e hidroelétrica, explica o relatório:

“Uma seca de um em 500 anos em toda a Europa levou ao nível mais baixo de geração hidrelétrica desde pelo menos 2000, e houve interrupções inesperadas generalizadas da energia nuclear francesa no momento em que as unidades nucleares alemãs estavam fechando.”

Isso criou uma lacuna na geração igual a 7% da procura total de eletricidade da Europa em 2022, diz o relatório.

Cerca de 83% dessa lacuna foi suprida pela geração eólica e solar – e uma queda na demanda de eletricidade. (A demanda por eletricidade caiu 8% no último trimestre de 2022 em comparação com 2021 – impulsionada por uma combinação de clima ameno e esforços públicos para reduzir o uso de energia, de acordo com a Ember.)

A geração solar aumentou um recorde de 24% em 2022, ajudando a evitar € 10 bilhões em custos de gás, de acordo com a Ember. Isso se deveu às instalações recordes de 41 gigawatts (GW) em 2022 – quase 50% a mais do que foi adicionado em 2021.

De maio a agosto, a energia solar forneceu 12% da energia da UE – ultrapassando 10% no primeiro verão da história.


Cerca de 20 países da UE obtiveram uma parcela recorde de energia solar em 2022. O líder foi a Holanda, que produziu 14% de sua energia solar - ultrapassando o carvão pela primeira vez.

Em outros lugares, a Grécia funcionou exclusivamente com energias renováveis ​​por cinco horas em outubro de 2022, de acordo com a Ember. O país também deve atingir sua meta de capacidade solar de 8 GW para 2030 até o final deste ano – sete anos antes.

Nenhum papel para o carvão

Enquanto os países lutavam para substituir os combustíveis fósseis da Rússia no início de 2022, vários países da UE sinalizaram que estavam considerando aumentar sua dependência da energia movida a carvão.

No entanto, o novo relatório conclui que o carvão desempenhou um papel mínimo em ajudar a UE a enfrentar sua crise energética.

Apenas um sexto da queda em energia nuclear e hidrelétrica em 2022 foi atendida pelo carvão, de acordo com a análise.

E nos últimos quatro meses do ano – quando as temperaturas começaram a cair – a geração de carvão caiu 6%, em comparação com o mesmo período de 2021. Isso foi impulsionado principalmente pela queda na demanda de eletricidade, diz o relatório.

Acrescenta que as 26 unidades de carvão trazidas de volta como reserva de emergência funcionaram com apenas 18% da capacidade nos últimos quatro meses de 2022. Nove das 26 unidades de carvão não forneceram nenhuma geração.

No geral, a geração de carvão aumentou 7% em 2022 em comparação com 2021, aumentando as emissões do setor de energia da UE em quase 4%. O relatório diz:

“Poderia ter sido muito pior: eólica, solar e uma queda na demanda de eletricidade impediram um retorno muito maior do carvão. No contexto, o aumento do carvão não foi substancial: a energia a carvão permaneceu abaixo dos níveis de 2018 e adicionou apenas 0,3% à geração global de carvão.”

Perspectivas de 2023

O crescimento da energia eólica e solar deve continuar este ano, de acordo com estimativas da indústria, diz o relatório.

Ao mesmo tempo, espera-se que a energia hidrelétrica e nuclear se recupere – com a EDF prevendo que muitas de suas centrais nucleares francesas voltarão a funcionar em 2023.

Como resultado desses fatores, a geração de energia com combustíveis fósseis pode cair 20% sem precedentes em 2023 – o dobro do recorde anterior observado em 2020, projeta a análise. O relatório diz:

“A geração a carvão cairá, mas a geração a gás, que deve permanecer mais cara que o carvão até pelo menos 2025, cairá mais rapidamente.”

O gráfico abaixo demonstra como o crescimento da energia eólica e solar – bem como uma queda contínua na demanda de eletricidade – pode levar à queda da geração de combustível fóssil em 2023.



Jones acrescenta que as descobertas mostram que a crise energética “sem dúvida acelerou a transição elétrica da Europa”. Ele diz:

“Não apenas os países europeus ainda estão comprometidos com a eliminação gradual do carvão, mas também estão se esforçando para eliminar gradualmente o gás. A Europa está caminhando para uma economia limpa e eletrificada e isso estará em plena exibição em 2023. A mudança está chegando rapidamente e todos precisam estar prontos para ela.”

sábado, 4 de fevereiro de 2023

4 maneiras práticas de descarbonizar a indústria offshore


No webinar Net Zero Investment da Business Green para empresas offshore de petróleo e gás, um painel de investidores experientes fez um pronunciamento importante. Embora o portfólio global de investimentos em petróleo e gás tradicionais em 2021 ainda supere significativamente o das energias alternativas, o investimento em fontes renováveis ​​está aumentando anualmente. A questão para as empresas de petróleo e gás não é mais se as energias renováveis ​​ultrapassarão o petróleo, mas quando chegará o ponto de inflexão.

Dados como este – juntamente com condições de mercado em constante mudança, expectativas sociais e pressões financeiras – estão levando as empresas de petróleo e gás a se adaptarem. Muitos grandes produtores fizeram recentemente investimentos substanciais em energia renovável e prometeu retrabalhar suas cadeias de suprimentos e métodos de produção com alto teor de carbono. Mas é mais fácil falar do que fazer, e as empresas de petróleo e gás agora estão enfrentando as implicações práticas de seus investimentos e iniciativas conscientes do clima.

Quatro áreas-chave para ação

A primeira preocupação de qualquer empresa de petróleo e gás é minimizar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) — principalmente carbono — das operações de produção. O petróleo não desaparecerá completamente e continuará a fazer parte do futuro mix de energia. Os produtores, no entanto, procuram tornar seus processos de produção mais ecológicos e gerar “barris de baixo carbono”. Isso requer a análise da cadeia produtiva, identificando áreas de melhoria e implementando políticas para reduzir a emissão de GEE.

Uma segunda frente crucial é o desenvolvimento de energias mais limpas. Empresas offshore de petróleo e gás deram os primeiros passos para desenvolver parques eólicos offshore, que podem se beneficiar de algumas das mesmas infraestruturas das plataformas de petróleo. A eletrificação de ativos permitirá que os produtores removam máquinas pesadas em carbono, substituindo-as por conexões com operações onshore e parques eólicos offshore que geram eletricidade produzida de forma sustentável. Entre as fontes de energia renovável que as empresas estão desenvolvendo estão o hidrogénio verde, a energia solar, a energia eólica offshore e a energia das marés.

Um terceiro pilar para muitas empresas envolve a minimização das emissões de carbono durante a transição de atividades pesadas em carbono para atividades descarbonizadas. O desenvolvimento da tecnologia de captura e armazenamento de carbono (CCS) é fundamental para esses esforços, permitindo que os produtores capturem quantidades significativas de carbono produzido por atividades tradicionais. Olhando ainda mais adiante, a tecnologia CCS pode ajudar as empresas de petróleo e gás a remover o carbono que já escapou para a atmosfera, desfazendo os impactos ambientais negativos do passado.

Finalmente, além de mudar os processos internos de produção e desenvolver formas sustentáveis ​​de energia, as empresas de petróleo e gás precisarão ampliar sua visão para incluir toda a cadeia de suprimentos. As empresas estão cada vez mais sendo responsabilizadas pelos impactos dos fornecedores e, para alcançar emissões líquidas zero até 2050, os fornecedores também precisarão limitar as emissões. Embora as empresas possam primeiro priorizar a minimização da emissão de carbono de suas próprias operações, elas precisarão integrar o pensamento da cadeia de suprimentos em suas estratégias de gestão ambiental de longo prazo.

Um conjunto de serviços para a descarbonização

Em colaboração com nossos colegas da rede global do Bureau Veritas, o Bureau Veritas Marine & Offshore oferece um conjunto completo de serviços de descarbonização. Nossos especialistas ajudam empresas offshore de petróleo e gás a construir uma estratégia completa de carbono. Com uma abordagem sólida, nossos clientes podem quantificar seu impacto, implementar padrões e sistemas de gerenciamento relevantes, relatar esforços de descarbonização e verificar dados .

Nossas soluções técnicas para protocolos de GHG e critérios ESG ajudam as empresas a monitorar e limitar seu consumo de energia e emissões . O Bureau Veritas fornece verificação de terceiros, certificação de projeto, aprovação em princípio e qualificação de tecnologia para novas soluções para CCS, hidrogénio e outras energias alternativas.

Isso ajuda a reduzir os riscos e avançar em projetos importantes, permitindo que os clientes capitalizem a já extensa experiência do Bureau Veritas em energias renováveis ​​e limpas. Também oferecemos verificação de dados por terceiros, auditoria regulatória, garantia e relatórios e consultoria para atores em toda a cadeia de suprimentos, incluindo fabricantes, operadores e distribuidores.

domingo, 22 de janeiro de 2023

Gás Natural e Putin

Coincidência ou não as áreas laranja representam as segundas maiores reservas de gás natural da Europa. Agora comparem com a invasão russa em Fevereiro de 2022.
A vontade de Putin monopolizar o mercado de gás natural na Europa já levou à morte de centenas de milhares de pessoas.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

Ted Talk - Fossil fuel companies know how to stop global warming. Why don't they? por Myles Allen


The fossil fuel industry knows how to stop global warming, but they're waiting for someone else to pay, says climate science scholar Myles Allen. Instead of a total ban on carbon-emitting fuels, Allen puts forth a bold plan for oil and gas companies to progressively decarbonize themselves and sequester CO2 deep in the earth, with the aim of reaching net-zero emissions by 2050 and creating a carbon dioxide disposal industry that works for everyone. 

This talk was part of the Countdown Global Launch on 10.10.2020. Countdown is TED's global initiative to accelerate solutions to the climate crisis. The goal: to build a better future by cutting greenhouse gas emissions in half by 2030, in the race to a zero-carbon world. 

Get involved at Countdown Ted

Saber mais:

Página Adémica de Myles Allen

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Reino Unido: fundos de investimento rotulam-se de 'verdes' mas financiam empresas de combustíveis fósseis


Os principais fundos de investimento disponíveis para os consumidores britânicos estão a comercializar-se a si próprios como "sustentáveis" e "éticos", mas financiam empresas de combustíveis fósseis. Muitos gestores de ativos estão a utilizar termos "verdes" na sua marca, apesar de investirem em gigantes petrolíferos, com o pior desempenho a ser um fundo gerido pela BlackRock, revela uma reportagem da revista Ethical Consumer.

Na Cimeira Climática da ONU, Urgewald, Stop EACOP, Oilwatch Africa, Africa Coal Network, 33 outras ONGs africanas e BankTrack divulgaram o relatório "Quem está a financiar a expansão dos combustíveis fósseis em África?" O relatório identifica 200 empresas que estão a explorar ou a desenvolver novas reservas de combustíveis fósseis ou a desenvolver novas infra-estruturas fósseis, tais como terminais de gás natural liquefeito, gasodutos ou centrais elétricas alimentadas a gás e a carvão em África.Altos funcionários do Departamento de Ambiente do Novo México demitem-se rotineiramente para irem trabalhar para os laboratórios de armas nucleares, para o Departamento de Energia, ou para os contratantes do DOE. Em alguns casos, foi de onde eles vieram para começar. Jay Coghlan, Nuclear Watch.


16 municípios porto-riquenhos estão a processar a Chevron, ExxonMobil, Shell, e outros para os indemnizar pelos danos da época de furacões de 2017, que foi exacerbada pelas emissões de combustíveis fósseis responsáveis pelo aquecimento global. KENNY STANCIL, Common Dreams.A Nuclear Free WA protestou no exterior da assembleia geral anual da Deep Yellow contra os planos da empresa para extrair urânio em Mulga Rock, a noroeste de Kalgoorlie, Austrália. Sam Wainwright, Green Left.

A Nuclear Free WA protestou no exterior da assembleia geral anual da Deep Yellow contra os planos da empresa para extrair urânio em Mulga Rock, a noroeste de Kalgoorlie, Austrália. Sam Wainwright, Green Left.

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Acabar com a crise climática tem apenas uma solução simples - TNPCF

Há 9 anos, o falecido Arcebispo Desmond Tutu já pedia o fim da indústria petrolífera. A principal ameaça ao nosso clima, biodiversidade, saúde humana e água: os combustíveis fósseis.


Assine e divulgue o TNPCF- Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis

À medida que a COP27 se desenrola no Egipto, ouvimos falar de uma grande variedade de soluções para a mudança climática, desde construção com bambu absorvente de carbono e usando menos plástico para crescendo mais algas nos oceanos para reter seus estoques de carbono e aumentar a biodiversidade.

Todas essas ideias são importantes e podem levar a resultados ambientais positivos se implementadas com sucesso.

No entanto, como cientistas do clima, acreditamos que eles também podem ser distrações perigosas, desviando a atenção das três coisas que precisamos fazer para acabar com a crise climática: parar de queimar carvão, parar de queimar petróleo e parar de queimar gás natural.

Acabar com o uso de combustíveis fósseis é essencial para acabar com a crise climática, e não há alternativa.

Um problema simples com uma solução simples

O aquecimento global é fundamentalmente um problema muito simples.

O uso humano de combustíveis fósseis – seja na forma de carvão, petróleo ou gás natural – liberta dióxido de carbono (CO2) e outros gases de efeito estufa na atmosfera, tornando o efeito estufa da Terra mais forte e aumentando a temperatura da Terra.

O aumento da temperatura, que atingiu 1.25 C e contando continuará a menos que paremos de adicionar CO2 à atmosfera. A única maneira de conseguir isso é acabar com o uso de carvão, petróleo e gás natural.

Outras soluções, incluindo menos desmatamento, áreas naturais mais conservadas e restauradas e melhores práticas agrícolas poderia ajudar a retardar o aquecimento global. Estes também teriam Benefícios adicionais como fortalecer a biodiversidade e aumentar a resiliência da comunidade aos impactos climáticos.

Capturar e armazenar carbono também pode eventualmente desempenhar um papel menor na limitação dos piores efeitos da mudança climática, mas depois de décadas de pesquisa ainda não temos uma estratégia económica para colocar centenas de biliões de toneladas de CO2 de volta no solo uma vez os combustíveis fósseis foram queimados.

Se não acabarmos com o uso de combustíveis fósseis, todo o resto não passará de galhos empilhados nos trilhos em frente a um trem desgovernado. Eles podem desacelerar o trem temporariamente, mas até entrarmos no motor e desligarmos o acelerador, o trem continuará acelerando.
É um grande desafio, mas não complexo

A solução para a crise climática não é complexa. Mas é grande.

A quantidade de carvão, petróleo e gás natural extraídos da Terra somam biliões de toneladas por ano. Assim, mudar de combustíveis fósseis para sistemas de energia melhorados exigem esforços muito além o que até agora foi alocado para resolver o problema climático.

Mas “grande” não é o mesmo que “complexo”. O termo “complexo” implica que realmente não sabemos quais são as soluções ou se elas funcionarão de facto. Nenhum dos dois é verdade aqui: sabemos com absoluta certeza que a substituição de combustíveis fósseis por sistemas de energia livres de carbono resolveria o problema climático. Além do mais, é a única maneira de fazer isso.

Até agora, falhamos em tomar as medidas necessárias para lidar com esse problema grande, mas simples, principalmente porque o problema parece complexo.


Por muitos anos, o argumento foi que o sistema climático é complexo e que talvez as emissões de gases de efeito estufa não fossem um problema. Hoje, esse mesmo disfarce de complexidade está sendo usado para propagar dúvidas sobre a eficácia de soluções reais e para promover ações que nos levarão na direção errada. Mesmo agora, os representantes do gás na COP27 estão sugerindo que queimando mais gás natural faz parte da solução.

É hora de olharmos para além dessa fachada de complexidade e começarmos a trabalhar nas soluções que sabemos que funcionarão.

Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis mostra o caminho

Nós sabemos o que precisa ser feito. O Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis é um passo promissor na direção certa. O tratado, lançado na Semana de Ação Climática de Nova York em 2020, pedia, finalmente, para interromper a expansão do desenvolvimento de novos combustíveis fósseis e administrar uma transição justa do carvão, petróleo e gás para a energia limpa.

Mas não podemos parar por aí. Precisamos agir rapidamente para interromper completamente o uso de combustíveis fósseis, substituindo a infraestrutura existente o mais rápido possível com energia solar, eólica e outras fontes de energia não fósseis, para que as pessoas possam prosperar em um futuro climático seguro.

É hora de deixar de lado as distrações e focar na solução simples para a crise climática. Precisamos parar de queimar carvão, petróleo e gás natural. Nosso futuro climático depende disso.
Sobre os autores

H. Damon Matthews, Professor e Cadeira de Pesquisa da Concordia University em Ciência Climática e Sustentabilidade, Concordia University e Eric Galbraith, Professor de Ciências da Terra e Cadeira de Pesquisa do Canadá em Dinâmica do Sistema Humano-Terra, McGill University

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

COP27 tem decisão histórica de fundo de perdas e danos para países vulneráveis


COP27 chega ao fim com criação histórica de um fundo de perdas e danos para países vulnéraveis. Porém, decepciona ao não limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC até 2100, nem avançar no que diz respeito à eliminação de combustíveis fósseis.

Uma vitória e duas derrotas resumem o encerramento de uma das mais longas conferências climáticas da ONU já realizadas. A criação de um fundo para indenizar os países mais vulneráveis às mudanças climáticas foi uma conquista histórica — desde a Eco92, há três décadas, o grupo de nações em desenvolvimento apresenta a pauta, sem sucesso. Pela primeira vez em uma COP, o chamado mecanismo de perdas e danos não só entrou na agenda oficial, como no texto final, divulgado por volta das 5h (horário local) em Sharm el-Sheikh, no Egipto. Por outro lado, a declaração decepcionou ao não mencionar petróleo e gás como combustíveis fósseis que precisam ser eliminados e por não enfatizar a necessidade de limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC até o fim do século.

De uma forma geral, o texto da 27ª Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP27) foi bem recebido, mas também bastante criticado no que se refere ao combate ao aquecimento global. Alguns avanços em relação à COP anterior, em Glasgow, incluem a citação, pela primeira vez, dos pontos de inflexão, quando não há como reverter os danos provocados pelas emissões de CO2 na atmosfera.

Os rascunhos da conferência de 2021 faziam essa menção, que foi retirada do documento final. Também foi novidade a inclusão do termo "soluções baseadas na natureza", ou seja, redução de desmatamento e incentivo ao reflorestamento como estratégia de contenção das mudanças climáticas.

Outra novidade no documento final foi a menção à insegurança alimentar como consequência direta do aquecimento global. O texto, porém, é vago e não detalha o papel dos sistemas agrícolas na produção de carbono. Diz que os países reconhecem "a vulnerabilidade particular do sistema de produção dos alimentos aos impactos adversos das mudanças climáticas", sem se estender.

Vulneráveis

Uma das arquitetas do Acordo de Paris, a economista Laurence Tubiana, presidente da European Climate Foundation, destacou, em nota, a importância do fundo de perdas e danos, que deve começar a valer no próximo ano. "Há muito a ser feito e detalhado, mas o princípio está em vigor e isso é uma mudança de mentalidade significativa." Os rascunhos falavam em direcionar o fundo para os países em desenvolvimento, o que ajudou a bloquear a pauta e estender a COP até domingo.

No documento aprovado, foi especificado que os beneficiados serão aqueles mais vulneráveis às mudanças climáticas. Com isso, ficam de fora, como queriam os Estados Unidos e a União Europeia, nações como China e Índia, que, embora em desenvolvimento, estão entre os quatro maiores emissores mundiais de CO2. O enviado especial do clima norte-americano, John Kerry, afirmou, no discurso de encerramento da conferência, que os EUA "estão satisfeitos" em apoiar o novo fundo.

Em princípio, Kerry se posicionou contra, mas concordou com o mecanismo indenizatório depois que foi assegurado que não haverá responsabilidade legal pelos danos climáticos causados a outros países. "O fundo, que será um entre muitos caminhos disponíveis para financiamento voluntário, deve ser projetado para ser eficaz e atrair uma base de doadores expandida", disse o representante do governo de Joe Biden.

Se o reconhecimento de perdas e danos foi celebrado por delegações, especialistas em políticas climáticas e ambientalistas, quanto à mitigação (redução das emissões), a COP27 decepcionou. Com mais de 600 lobistas do petróleo circulando pelo centro de convenções de Sharm el-Sheikh e forte pressão da Rússia e da Arábia Saudita, a declaração final da conferência só cita a redução gradual do carvão, o que já estava no documento de 2021.

Petróleo e gás não foram nominados no texto, que fala apenas em "formas obsoletas de combustíveis" e na necessidade de mais fontes energéticas renováveis. A expectativa é que a questão não avance em 2023, com a realização da COP28 em Dubai.

Sem ambição
Outro golpe para quem esperava um alinhamento maior da conferência com as evidências científicas. Havia uma forte expectativa de "manter o 1,5ºC vivo", uma campanha encabeçada pelo parlamentar britânico Alok Sharma, que presidiu a COP26. Desde o Acordo de Paris, em 2015, relatórios indicaram que um aumento de temperatura superior a 1,5ºC até o fim do século será catastrófico.

Esperava-se que a conferência da África enfatizasse essa meta, mas não houve avanços. O texto assemelha-se ao construído há sete anos na capital francesa: reconhece a importância desse limite, mas aceita também que se chegue a 2ºC em relação à era pré-industrial.

"De forma geral, o resultado da COP27 pode ser considerado decepcionante. O texto final não demonstra a ambição necessária para alcançarmos a meta de 1,5ºC estabelecida pelo Acordo de Paris e o chamado plano de implementação é fraco e incipiente. Nunca estiveram tão claros o greenwashing de países e empresas e o desalinhamento entre ciência e política como nesta COP", analisa Maurício Voivodic, diretor geral do WWF-Brasil.

"Ao concordar com um fundo sem detalhes e permanecendo sem o compromisso de eliminar os combustíveis fósseis, aceitamos tecnicamente pagar por danos futuros, em vez de evitá-los", avalia, por sua vez, Sven Teske, diretor de pesquisa do Instituto de Futuros Sustentáveis na Universidade Tecnológica de Sydney, na Austrália. "Sete anos atrás, 196 países adotaram o Acordo Climático de Paris para limitar o aquecimento global bem abaixo de 2ºC, de preferência a 1,5ºC. O principal objetivo da conferência do clima COP27 era garantir que esse objetivo seja implementado. As negociações climáticas em Sharm El-Sheikh foram uma verdadeira decepção, pois a declaração da COP27 não exige uma eliminação obrigatória dos combustíveis fósseis."

Em nota, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse que "nosso planeta ainda está na sala de emergência". "Precisamos reduzir drasticamente as emissões agora — e esta é uma questão que a COP não abordou. A linha vermelha que não devemos cruzar é a que leva nosso planeta acima do limite de temperatura de 1,5ºC", assinalou.

Saber mais:

domingo, 20 de novembro de 2022

Análise da greve estudantil durante o mês de Novembro em Portugal


Sejamos imparciais, objectivos e científicos:
1.Invasão - consiste de uma ação militar em que forças armadas de uma entidade geopolítica, entram em território controlado por outra entidade, geralmente com objetivos de conquista territorial ou de alterar o governo estabelecido na região.

2. Motim - caracteriza-se por atos explícitos de desobediência a autoridades ou contra a ordem pública, sendo frequentemente acompanhado de tumulto, vandalismo contra a propriedade pública e privada (lojas, automóveis, sedes de instituições, etc.) e atos de violência contra pessoas.

3. Ocupação - os manifestantes, na continuação dos protestos por fim aos fósseis, ocuparam algumas escolas e universidades sobretudo na capital. Não vandalizaram as instalações, não houve danos, não destruíram móveis, não furtaram computadores. Ou seja movia-os apenas a vontade em ser ouvidos e culpar os lobistas da indústria petrolífera em não respeitarem o Acordo de Paris.

4. Aquecimento global-> crise da biodiversidade -> crise ecológica -> sobreconsumo -> mais aquecimento global.

Perguntamos: e soluções? Os jovens apontaram e estão correctos: fim aos subsídios da indústria fóssil e pediram a demissão do ministro da Economia e do Mar. E nós, geração dos 55 anos, como responder a esta questão. De facto nós, a minha geração de 55-58 anos assumamos a quota parte de ineficácia e impotência e agressão que estamos a causar sobre os jovens de hoje. COPs, ONGA, debater em múltiplas consultas públicas, a sensação de impotência também nos atinge. Sou há muitos anos defensor do decrescimento económico, simplicidade voluntária,  em recusar o marketing agressivo das marcas que nos aliciam a comprar, degradando ainda mais o ambiente e acelerando o aquecimento global.

Resumindo e concluindo, não houve invasão, não houve motim. Houve ocupação. Não vi instrumentalização política dos jovens. Ninguém está tipo bicho papão "comunista" ou de "esquerda" a manipular os estudantes e /ou incutir medo nesta geração que tem 16-18 anos. Também pude testemunhar que nem todos os jovens grevistas eram "betinhos". Ocupação das escolas coincidiu com a época dos testes. Como em tudo. As greves, maioritariamente decididas por associações sindicais, só fazem sentido criando dilemas e transtornos vários, mostrando à população como essa "classe" social em greve é relevante para a economia e progresso do País.

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Invasão da Ucrânia pode ter acelerado a transição energética do planeta


No relatório anual de 2022 hoje divulgado, a Agência Internacional de Energia (AIE) esclarece que em consequência da invasão da Ucrânia pela Rússia, as emissões mundiais de gases do efeito estufa vinculadas à energia devem alcançar o pico já em 2025, após o aumento dos investimentos em energias renováveis provocado pela "profunda reorientação" dos mercados energéticos.

A oito dias do início da Conferência Mundial sobre o Clima COP27 no Egito, a agência, no entanto, adverte para "divisões" entre países ricos e pobres em termos de investimentos nas energias com baixa emissão de carbono e pede "maior esforço internacional para reduzir a preocupante diferença".

"As respostas dos governos de todo o mundo a esta crise de energia indicam um ponto de virada histórico", afirmou o diretor da AIE, Fatih Birol, numa entrevista coletiva na qual examinou o relatório anual da agência de 2022.

"Esta crise acelerou efetivamente a transição para a energia verde", acrescentou.

"Os mercados de energia e as políticas públicas mudaram desde a invasão russa da Ucrânia, não apenas para o presente, e sim para as próximas décadas", afirmou Birol no relatório.

Embora existam países que buscam aumentar ou diversificar o abastecimento de petróleo e gás - combustíveis fósseis que emitem muito CO2 -, muitos estudam acelerar mudanças estruturais na direção de energias limpas, aponta a agência, vinculada à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos (OCDE).

O mundo aproxima -se do "fim da idade do ouro do gás" que já dura uma década, afirmou Birol. "A procura (de gás), especificamente nas economias desenvolvidas, está a diminuir".

"Ruptura" com a Rússia 
A "ruptura" da Europa com o gás russo aconteceu numa velocidade que "poucas pessoas consideravam possível" mesmo no ano passado, afirma a agência.

E a Rússia "não consegue" redirecionar para outros países os estoques de gás que antes eram enviados aos países do oeste da Europa.

Em nenhum dos três cenários examinados pela AIE os níveis de exportação de gás e petróleo russo retornam aos níveis de 2021. Numa das hipóteses, o peso no mercado mundial cai pela metade até 2030.

Destruição do mito mito de que o gás fóssil é um combustível de transição

Pela primeira vez, os três cenários da AIE identificam um pico ou plateau no consumo de cada um dos combustíveis fósseis (carvão, gás, petróleo) que provocam o aquecimento global.

No cenário central, que se baseia em compromissos governamentais já anunciados para investimentos climáticos ("Inflation Reduction Act" nos EUA, "Fit for 55" e "RePowerEu" na Europa, "Green Transformation" no Japão...), as emissões globais de dióxido de carbono (CO2) relacionadas com a energia atingiriam um pico de 37.000 milhões de toneladas em 2025, caindo depois para 32.000 milhões de toneladas em 2050.

Mas, apesar destes esforços, as temperaturas médias subiriam cerca de 2,5 graus até 2100, o que está "longe de ser suficiente para evitar consequências climáticas severas".

A agência destaca mais uma vez a necessidade de grandes investimentos em energias limpas ou com baixa emissão de carbono, como a nuclear, e a aceleração em alguns setores, como o das baterias elétricas (para automóveis) ou a energia fotovoltaica.

No cenário central, estes investimentos teriam de exceder 2.000 mil milhões de dólares até 2030, e teriam de subir para 4.000 mil milhões de dólares para satisfazer as condições do cenário com emissões líquidas zero em 2050.

"São necessários grandes esforços internacionais para colmatar o fosso preocupante no investimento em energia limpa entre economias avançadas e emergentes e em desenvolvimento", disse a AIE.