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segunda-feira, 27 de julho de 2026

"Bem-vindo a 2030": por que razão não terá nada (e não será feliz)


“Bem-vindo a 2030. Eu sou dono de nada, não tenho privacidade e a vida nunca foi melhor”. Esta frase aparentemente contraditória é o título de um artigo publicado pelo Fórum Económico Mundial em 2016, da autoria de Ida Auken, uma parlamentar da Dinamarca.
A ideia dela nunca foi fazer uma profecia, mas sim especular sobre um futuro dominado pela economia circular - e ali descreve uma realidade em que ficou tão fácil, rápido e barato simplesmente alugar e usar imediatamente qualquer coisa, que já nem faz sentido ser proprietário de algo. Na teoria detalhada no texto, este verdadeiro ecossistema de acesso contínuo permitiria a todos ter o que quisessem quando desejassem, tudo isso com energia limpa, zero desperdício e muito mais tempo livre.
Ainda faltam alguns anos para chegarmos a 2030, mas na prática o que este caminho tem vindo a gerar é uma dependência crescente e escassez artificial.

Nos últimos 10 anos, pode dizer-se que a imaginação de Ida Auken conseguiu antecipar uma dinâmica real, mas errou redondamente no diagnóstico humano e económico. A nossa realidade está a caminhar na direção de não sermos donos de coisa nenhuma e não termos privacidade, mas tanto as causas como as consequências desta situação não têm o mesmo tom cor-de-rosa de otimismo da previsão.

O ciclo da "Merdificação": do encanto da Netflix à morte dos suportes físicos
Um bom exemplo de como e por que razão as coisas descarrilaram é o mercado do entretenimento, especificamente o de filmes e séries. A plataforma de streaming da Netflix mostrava em 2016 quão bom poderia ser abdicar de querer ser dono das coisas. Em vez de gastar rios de dinheiro a construir coleções de DVDs e a subscrever canais e mais canais de TV por cabo, bastava pagar uma mensalidade mais barata do que uma pizza e tinha-se acesso imediato e irrestrito a um catálogo de filmes e séries que continha praticamente tudo o que se poderia querer ver.

Não é por acaso que a Netflix fez o sucesso que fez e cresceu ao ponto de, durante muitos anos, ter impacto até na pirataria. O problema é que a forma como o mercado internacional funciona impede que algo assim continue por muito tempo, uma vez que a situação da Netflix em 2016 só era possível por uma combinação de subsídio vindo de capital de risco, o que era viabilizado apenas por políticas de juros baixos, e por licenças baratas que só existiam porque os estúdios tradicionais ainda não sabiam fixar o preço da distribuição digital de conteúdos. Era uma questão de tempo até que alguns fatores mudassem a situação.

Por um lado, outras empresas percebem o potencial do novo mercado e passam a competir por um espaço próprio nele; como algumas dessas empresas são as produtoras dos conteúdos que estavam disponíveis na Netflix, faz-lhes mais sentido retirar as suas produções de lá e colocá-las nos seus próprios serviços, pulverizando o acesso. Por outro lado, a própria Netflix, até então inquestionavelmente dominante no espaço do streaming, passa a ter de investir cada vez mais na caríssima produção de conteúdos próprios enquanto, simultaneamente, vê o crescimento do número de utilizadores desacelerar com a chegada de concorrentes de peso.

Para os acionistas, não existe a opção de aceitar que o valor das suas ações não vá aumentar o máximo possível para manter a qualidade e a relação custo-benefício da plataforma para o público. Assim, com a aquisição de novos utilizadores em queda, a solução é espremer lucros daqueles que já existem. Por isso, os preços aumentam, surgem planos com anúncios e os novos conteúdos de qualidade são substituídos cada vez mais por produções pasteurizadas, com fórmulas repetitivas e uso de IA no que for possível para tornar o processo mais ágil e barato.

Este processo, popularmente conhecido como “enshittification” (ou “merdificação”, em tradução livre), não é exclusivo da Netflix e já foi observado numa quantidade enorme de mercados, plataformas e produtos.

Ilusão da licença digital
Um exemplo mais recente foi o anúncio da Sony sobre o seu plano para encerrar de vez a fabricação de suportes físicos para os seus jogos. Com o fim dos discos, agora vai ser tudo digital através da loja oficial da PlayStation – esqueça a possibilidade de revender jogos que já terminou ou emprestar jogos facilmente aos seus amigos. Se por algum motivo algum título que comprou for retirado da loja e não o tiver descarregado, adeus, sem hipótese de o recuperar.

Caso a sua conta seja pirateada e a Sony decida que não quer ajudar a recuperá-la por iniciativa própria, terá de ser você a lutar na Justiça para tentar forçar a gigante corporativa a fazer o mínimo. E antes que alguém me acuse de terrorismo psicológico, aconteceu exatamente isso a um utilizador brasileiro identificado pela gamertag Ordo_Liberal: a conta Xbox dele foi invadida mesmo com a autenticação de dois fatores ativada e a Microsoft recusou-se a recuperá-la, argumentando que, como ele apenas tinha acesso a uma licença dos jogos, teria de comprar tudo novamente numa conta nova. O jogador teve de derrotar uma verdadeira equipa de advogados da empresa para conseguir forçar a recuperação da conta original com a biblioteca completa.

Caberiam mais uma série de exemplos aqui, desde a Uber e Lyft até ao motor de busca do Google, às recomendações (e fabrico) de produtos da Amazon e até aos smartglasses da Meta, mas cada um destes casos tem contextos socioeconómicos ligeiramente diferentes por trás da merdificação. Ainda assim, já dá para ter uma ideia de quão universal é a presença desta regra informal quando falamos de produtos e serviços, não é?

Hoje, esta dinâmica de subscrição forçada já avança sobre os eletrónicos físicos: desde smartphones de última geração alugados até construtoras automóveis que exigem mensalidades para libertar funções de hardware que já estão instaladas no seu próprio carro. E isto vale também para setores de produtos fora da área que costumamos associar mais à tecnologia.

Crise das memórias: IA devora o hardware do consumidor
Ao mesmo tempo que esta triste realidade do mundo corporativo já nos empurrava para o modelo de subscrições infinitas, a chegada da IA generativa e dos robôs não só acelerou este comboio para a velocidade máxima, como também cortou todos os travões da locomotiva. Estes sistemas ameaçam de forma não muito velada o trabalho de absolutamente toda a gente, eliminando a fonte de rendimento de grande parte da população mundial e concentrando ainda mais a riqueza nas mãos de poucos.

A IA não está a libertar o ser humano do trabalho braçal para que este produza mais arte, cultura e entretenimento enquanto aproveita melhor a vida. Está a precarizar o trabalho intelectual, a roubar trabalho autoral sem permissão nem distribuição de receita, e a usar mão de obra sub-remunerada em países mais pobres para treinar os robôs que vão ocupar os seus postos de trabalho no futuro.

A falta de regulamentação e o comportamento das Big Techs de “agir primeiro, pedir desculpa depois” já se transformou em vários processos de direitos de autor movidos por consórcios de artistas e órgãos de comunicação social contra as gigantes da IA. Nos escritórios, a transição é imposta à força: profissionais de criação e programadores enfrentam metas de produtividade absurdas sob a justificativa de que a IA deve acelerar o processo - ignorando a perda de qualidade e o aumento de erros no produto final.

Ao mesmo tempo, os centros de dados que vão permitir que as capacidades das IAs aumentem cada vez mais exigem expansão e atualização constantes. Isto deu origem a uma competição desequilibrada por semicondutores, especialmente no que diz respeito à memória RAM, e os três grandes fornecedores de memória que basicamente dominam quase toda a produção global escolheram, logicamente, vender às Big Techs dispostas a pagar o preço que for preciso, em vez de venderem a quem produz dispositivos para o consumidor final. O ritmo é tão intenso que mais de 70% da produção de memória de alta velocidade é consumida hoje justamente pelo mercado da inteligência artificial, deixando o mercado de eletrónicos de consumo a disputar as migalhas a preços inflacionados.

Os componentes tornaram-se tão escassos que até gigantes dos dispositivos de consumo direto, como a Apple e a Samsung, estão a ter de aumentar os preços dos seus produtos para manter parte das suas margens de lucro.

Com margens ainda menores, fabricantes de escala global, mas um pouco mais pequenas, sofrem agravamentos mais significativos – isto quando não são forçadas a adiar lançamentos e a revelar novidades com preços que há dois anos seriam considerados delirantes, como a nova Steam Machine a partir de 1050 $. As consolas de jogos, que tradicionalmente deveriam ir ficando mais baratas com o tempo, passam por aumentos grandes e consecutivos mesmo 6 anos após o lançamento.

Quando é que a crise acaba?
A pior parte é que não dá para dizer que esta seja uma crise passageira. As empresas de memória estão a lucrar como nunca. Segundo analistas, a receita operacional da Micron só em 2026 deverá ficar entre os 90 e os 100 mil milhões de dólares, o que é mais do que a soma de todo o lucro acumulado pela empresa nos 35 anos anteriores.

A situação é muito parecida na Samsung e na SK Hynix, que compõem o resto do trio que domina 90% do mercado de DRAM e também a totalidade da produção de memórias HBM, as mais rápidas e desejadas. Por isso, é óbvio que não têm qualquer motivação para mudar a situação, ainda para mais considerando que, antes da explosão da IA, estas mesmas fabricantes sofriam para fechar o balanço financeiro no verde, já que tinham de ceder às pressões das grandes empresas de eletrónicos e vender a sua produção com descontos agressivos.

Ao ritmo atual, a previsão é que a parte mais dolorosa desta crise dure no mínimo até 2028, com escassez e subida de preços a continuarem pelo menos até meados de 2030; mesmo depois disso, é improvável que os preços voltem ao “normal” de antigamente – deverão apenas parar de aumentar tanto e tão rapidamente. E mesmo isto pode ser otimismo, com o CEO da SK Hynix, uma das três grandes fabricantes de memória, a avisar que 2027 vai ser o pior ano de todos nesta crise e que a procura deverá continuar maior do que a oferta mesmo depois de 2030.

Também não adianta torcer pelo “rebentamento da bolha da IA”, uma vez que o nível de investimento associado às gigantes do setor é hoje tão grande que isso provavelmente afundaria o mundo numa depressão económica de níveis catastróficos.

A escolha forçada: por que razão não terá nada?
Com a combinação desta provável concentração de rendimento acelerada pela IA e pelos robôs, somada aos aumentos de preços de todo o tipo de produtos devido à crise das memórias, um futuro em que não seremos donos de nada parece-me cada vez mais inevitável. Não por causa de uma realidade utópica em que os produtos como serviço são melhores e mais baratos – a merdificação encarregar-se-á de eliminar o que surgir nesse sentido –, mas sim porque, em breve, a maioria de nós já não terá o poder de compra necessário para possuir algo próprio.

E aí, o que resta para todos nós, os 99% de não-milionários, é escolher entre três opções bastante difíceis: ou aceitamos a crescente realidade em que tudo é um serviço por subscrição e nos submetemos aos caprichos das Big Techs, ou desistimos de tudo e acabamos cada vez mais marginalizados e desatualizados, ou então apertamos os cintos para resistir por conta própria enquanto exigimos a políticos e entidades reguladoras legislações que, para ser sincero, provavelmente virão tarde demais.

Se, como eu, acha a terceira opção mais interessante, então a forma de resistir é estudar. Como utilizar sistemas abertos como as diferentes distribuições de Linux? Como fazer jailbreak em dispositivos como smartphones para estender o seu suporte de hardware por mais tempo? Como montar um servidor próprio (NAS) usando o que tiver de máquinas velhas em casa para armazenar os seus ficheiros e centralizar os seus conteúdos multimédia sem depender de nuvens pagas? Como reaproveitar tablets e portáteis antigos para dar uma nova vida a equipamentos que iriam para o lixo? Estes conhecimentos não vão mudar o contexto macroeconómico que nos trouxe até aqui, mas são o único escudo real para o ajudar a continuar no controlo da sua própria vida digital, na medida do possível.

Ler mais:
  1. Sophia Harris (2015) - Netflix helps reform hard-core movie pirates, but at a cost
  2. Mauritaz Wagner (2020) - The effect of Netflix on movie piracy and its impact on the movie industry
  3. Sarah Frick, et al (2023) - Pirate and chill: The effect of netflix on illegal streaming
  4. "Ilegal por Conceção" e Tóxica para o Planeta: A Amnistia Internacional Desmascara a IA

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Razan Al Mubarak - Foco e Filosofia

"O futuro do nosso planeta — o nosso futuro — dependerá da nossa capacidade de trabalhar não apenas entre setores, mas também entre geografias e entre culturas." - Razan Al Mubarak

Razan Al Mubarak nasceu em 1979, nos Emirados Árabes Unidos. Razan Al Mubarak é uma líder ambiental e gestora pública reconhecida pelo seu papel fundamental na proteção da biodiversidade e na luta contra as alterações climáticas.
𝐀𝐥 𝐌𝐮𝐛𝐚𝐫𝐚𝐤 foi incluída na lista das 𝟏𝟎𝟎 𝐏𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐌𝐚𝐢𝐬 𝐈𝐧𝐟𝐥𝐮𝐞𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝟐𝟎𝟐𝟒 𝐝𝐚 𝐫𝐞𝐯𝐢𝐬𝐭𝐚 𝐓𝐢𝐦𝐞, consolidando o seu estatuto como uma voz essencial para o futuro do planeta.
Al Mubarak tem um mestrado em Compreensão Pública das Alterações Ambientais pela University College London e uma licenciatura em Estudos Ambientais e Relações Internacionais pela Tufts University.

Em setembro de 2021,fez história ao ser eleita Presidente da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), para um mandato de 4 anos tornando-se a segunda mulher a liderar a organização nos seus 75 anos de história e a primeira do mundo árabe 

Percurso Profissional e Liderança
O seu impacto é sentido tanto a nível nacional como internacional:
  1. Agência do Ambiente de Abu Dhabi (EAD): actuou como Diretora-Geral, sendo a pessoa mais jovem a assumir este cargo. Sob a sua liderança, a agência expandiu significativamente os seus esforços na proteção de espécies ameaçadas e na gestão de recursos naturais.
  2. Fundo Mohamed bin Zayed para a Conservação de Espécies: é  a Diretora Executiva desta fundação, que já apoiou milhares de projetos de conservação em mais de 160 países, focando-se em salvar espécies da extinção.
  3. COP28: em 2023, desempenhou o papel crucial de Campeã de Alto Nível das Nações Unidas para as Alterações Climáticas na COP28, que decorreu no Dubai. Nesta função, foi a ponte entre o governo e os intervenientes não estatais (cidades, empresas e sociedade civil).
Foco e Filosofia
Razan Al Mubarak é uma defensora acérrima de soluções baseadas na natureza. O seu trabalho destaca-se por:
  1. Inclusão: defende que a conservação deve incluir as comunidades locais e os povos indígenas como guardiões da biodiversidade.
  2. Multidisciplinaridade: combina a conservação científica com estratégias económicas e políticas públicas eficazes.
  3. Identidade de Género: É uma voz ativa no empoderamento feminino em cargos de decisão ambiental.
"A conservação não é apenas sobre proteger a natureza de nós próprios; é sobre proteger a natureza para nós próprios." — Razan Khalifa Al Mubarak

Reconhecimento
 Em 2018, o Fórum Económico Mundial nomeou-a Jovem Líder Global do Fórum. Em 2013, a Câmara de Comércio Americana de Abu Dhabi atribuiu a Al Mubarak o Prémio Mulheres nos Negócios.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Organização para Segurança na Europa pede maior cooperação diante de clima extremo


A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) alertou hoje que as tempestades que afetam Portugal e Espanha demonstram que os riscos aumentados pelas alterações climáticas impõem mais colaboração entre legisladores.

“O impacto das sucessivas tempestades na Península Ibérica é um forte lembrete de que as alterações climáticas estão a remodelar os riscos que todos enfrentamos, sublinhando a necessidade de agir com urgência e cooperação para reforçar a nossa resiliência e adaptarmo-nos às realidades de um mundo em aquecimento”, declarou a representante especial da Assembleia Parlamentar da organização, Ainur Argynbekova, num comunicado.

Segundo a representante da OSCE, “os parlamentares têm um papel crucial na tradução dos compromissos climáticos com leis concretas e em quadros de cooperação”.

“Uma forte liderança legislativa é essencial para proteger vidas, meios de subsistência e a estabilidade das comunidades em toda a região da OSCE”, avaliou.

Ainur Argynbekova declarou que “a Assembleia Parlamentar da OSCE reafirma o seu compromisso de integrar as considerações climáticas e de segurança em todas as áreas do seu trabalho e de promover ações cooperativas e inclusivas que construam resiliência e prosperidade partilhada”.

Segundo a responsável, “os recentes debates internacionais, incluindo a COP30 – a conferência da ONU para as Alterações Climáticas, realizada em novembro, em Belém, no Brasil – têm enfatizado que a resposta aos riscos climáticos exige não só a redução das emissões, mas também a aceleração da adaptação”.

“Os eventos climáticos extremos não são incidentes isolados. Refletem uma tendência global mais ampla, identificada pelo Relatório de Riscos Globais 2026 do Fórum Económico Mundial como a principal ameaça a longo prazo para as sociedades atuais”, disse.

De acordo com Ainur Argynbekova, as alterações climáticas aumenta os riscos de segurança, económicos e sociais.

“A ciência confirma que as alterações climáticas aumentam a frequência e a intensidade das tempestades, inundações, ondas de calor e outros fenómenos climáticos extremos, com consequências de longo alcance para os sistemas energéticos, segurança alimentar e hídrica, serviços de emergência e equidade social”, lembrou.

“A Assembleia Parlamentar da OSCE expressa as suas mais profundas condolências a todos os afetados e solidariza-se com as comunidades que enfrentam estes acontecimentos devastadores”, disse ainda a responsável da OSCE.

Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.

As sucessivas tempestades também atingiram a Espanha, provocando enormes danos materiais e milhares de atingidos.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Como o Presidente Trump está a influenciar as ações climáticas globais?


Em 2024, pela primeira vez, a temperatura média global ultrapassou 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, tornando ainda mais urgente a necessidade de ações climáticas globais rápidas e coordenadas.

Em vez de apoiar uma eliminação rápida e justa dos combustíveis fósseis, o presidente dos EUA, Donald Trump, está a atacar de forma imprudente os esforços globais para combater as alterações climáticas de cinco formas:
  1. Retirando os EUA dos organismos climáticos globais;
  2. Promovendo uma campanha de desinformação contra a ciência climática;
  3. Recorrendo a medidas intimidadoras e coercivas para promover políticas pró-combustíveis fósseis;
  4. Enfraquecendo as proteções climáticas internas e cortando o financiamento da ciência climática;
  5. Restringindo o espaço cívico, o que prejudica o ativismo climático.
De que organismos climáticos globais os EUA se retiraram e qual o impacto?
A retirada dos EUA do histórico Acordo de Paris entrou em vigor a 27 de janeiro de 2026. Esta é a segunda vez que os EUA se retiram do acordo e vem na sequência da intenção declarada de se retirarem da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC), do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) e do Fundo Verde para o Clima (GCF). Trump também pediu a saída dos EUA de mais de 60 outras organizações internacionais, incluindo várias relacionadas com as alterações climáticas, a biodiversidade e as energias renováveis, apelidando-as de “desperdiçadoras, ineficazes ou prejudiciais”.

Esses anúncios provavelmente acelerarão o corte de financiamento dos EUA a instituições e programas multilaterais e bilaterais importantes relacionados com o clima. O financiamento dos EUA a essas agências da ONU e ao seu trabalho deve terminar em breve. A ONU já enfrentava uma crise financeira, agravada no último ano pela recusa dos EUA em pagar a sua contribuição para o orçamento regular.

Trump também se recusou a gastar a verba aprovada pelo Congresso norte-americano para assistência externa – incluindo para agências da ONU -; desmantelou a Agência dos Estados Unidos da América para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e outras agências americanas que fornecem apoio direto a comunidades prejudicadas pelas alterações climáticas e atacou programas que abordam as alterações climáticas.

O que é o Acordo de Paris e por que é importante?
A 12 de dezembro de 2015, os países adotaram o quadro mais ambicioso do mundo para combater as alterações climáticas durante a Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas em Paris (COP21). No âmbito do Acordo de Paris, os governos concordaram, pela primeira vez, em tentar limitar o aquecimento global a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais para evitar os efeitos mais catastróficos das alterações climáticas. O acordo exige que todos os Estados estabeleçam metas atualizadas regularmente para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, tanto a longo como a curto prazo, e partilhem os seus planos para as alcançar.

Qual será o impacto para perdas e danos?
Os EUA também se retiraram do conselho do Fundo das Nações Unidas para Responder a Perdas e Danos (FRLD). Criado após difíceis negociações na COP27 em 2022, o Fundo dedica-se a ajudar nações e comunidades de baixos rendimentos e vulneráveis às mudanças climáticas a recuperarem de desastres “não naturais” relacionados com as alterações climáticas. A 19 de novembro de 2025, um total de cerca de 684 milhões de euros tinha sido prometido ao FRLD, incluindo 14,5 milhões dos EUA. No entanto, não está claro se agora essa promessa modesta será sequer honrada.

A reunião do conselho do FRLD em julho de 2026 deverá concentrar-se na finalização da operacionalização do fundo. Cabe a todos os países que podem, especialmente aqueles mais responsáveis pelas alterações climáticas, dar um passo à frente e garantir que o fundo tenha recursos adequados. Quanto menos os países contribuírem, especialmente os países historicamente com altas emissões, incluindo os EUA, mais custará, a longo prazo, aos países na linha de frente dos danos climáticos lidar com as perdas e prejuízos relacionados com as alterações climáticas.

Qual a posição de Trump sobre as alterações climáticas e como está a incentivar a desinformação sobre a ciência climática?
Trump apelidou as alterações climáticas de “fraude” quando discursou na Assembleia Geral da ONU em 2025. Também chamou as políticas de energia sustentável de “a maior farsa da história” no Fórum Económico Mundial em Davos, em 2026.

Um novo relatório do Departamento de Energia dos EUA afirma que as projeções do aquecimento global futuro são exageradas. Isso faz parte de um esforço da campanha de desinformação do governo Trump para produzir uma narrativa falsa contrária à ciência climática global e ao consenso, e usar essa ciência sem fundamento como justificativa para revogar a regulamentação climática.

Os EUA também cancelaram um relatório histórico sobre as alterações climáticas – a sexta Avaliação Nacional do Clima – e retiraram inúmeras páginas sobre ciência climática de sites oficiais. A eliminação destes e de outros programas e instituições de ciência climática significa que há menos informações fiáveis disponíveis ao público e torna mais difícil aos cientistas de todo o mundo verificar informações enganosas sobre as alterações climáticas.

Como os EUA usaram táticas de intimidação para minar a cooperação global sobre o clima e o meio ambiente?
Mais de 430 milhões de toneladas de plástico são produzidas todos os anos, a maior parte feita a partir de combustíveis fósseis. Esse plástico rapidamente se transforma em resíduos que entopem aterros sanitários ou acabam nos oceanos. No entanto, as negociações para um histórico Tratado Global sobre Plásticos não chegaram a um consenso no ano passado, pois os EUA, juntamente com outros países produtores de combustíveis fósseis, deixaram claro que se opunham a cortes na produção de plástico.

A administração Trump também conseguiu arquivar uma taxa global sobre as emissões de carbono do transporte marítimo, que estava quase finalizada, ameaçando diplomatas envolvidos nas negociações e usando ameaças sobre o aumento das tarifas de importação para pressionar as nações.

Noutros fóruns, a pressão do lobby dos EUA prejudicou muito a diretiva de due diligence de sustentabilidade corporativa (CSDDD) da União Europeia, que exige que as empresas resolvam questões de direitos humanos e ambientais nas suas cadeias de abastecimento. Os EUA também procuraram ativamente alianças com partidos políticos na Europa que são contra a ação climática.

A compra do chamado gás “natural” produzido nos EUA tem sido usada como moeda de troca nas negociações tarifárias. Por outro lado, os bancos americanos retiraram-se das alianças de ação climática.

Qual tem sido o impacto das políticas anticlimáticas de Trump a nível interno?
A administração Trump desmantelou os esforços domésticos de ação climática e envolveu-se numa reversão sem precedentes das regulamentações que protegem as pessoas nos EUA da poluição por combustíveis fósseis e das alterações climáticas.

Destruiu agências governamentais que prestam assistência de emergência às pessoas afetadas por eventos climáticos extremos, que se tornaram mais prováveis e intensos devido às alterações climáticas; cortou o financiamento de programas de diversidade e clima em agências governamentais e universidades dos EUA, o que originou demissões em massa, congelamento de subsídios e ataques; aumentou os subsídios financiados pelos contribuintes à indústria de combustíveis fósseis; e ameaçou — em alguns casos com sucesso — os estados dos EUA com planos para reduzir as emissões de carbono para acabar com essas políticas.

A abordagem “perfura, baby, perfura” de Trump aumentou a produção de petróleo e gás e acelerou a mineração em águas profundas.

Desde que Trump voltou ao cargo, o governo dos EUA reduziu a disponibilidade e a recolha de dados sobre poluição atmosférica, clima e uma série de outros dados ambientais e climáticos que são usados nos EUA e em todo o mundo. A administração Trump também ameaçou diretamente a liberdade académica e o direito de acesso à informação, incluindo sobre as alterações climáticas, como parte de um padrão consistente com práticas autoritárias crescentes.

Os EUA também aumentaram as suas atividades militares, particularmente na América Latina e no Médio Oriente, que têm uma pegada de carbono pesada, sem mencionar os danos ultrajantes causados aos direitos humanos. No caso da Venezuela, o presidente Trump citou a indústria de combustíveis fósseis como parte da sua decisão de tomar medidas ilegais para destituir Nicolás Maduro.

Como a repressão de Trump ao espaço cívico prejudicou o ativismo climático?
O governo dos EUA reprimiu protestos e dissidências, incluindo a limitação da capacidade dos ativistas climáticos de exercerem os seus direitos à liberdade de expressão, associação e reunião pacífica através de intimidação, demonização e ameaças de mudanças nas leis.

O Departamento de Energia terá adicionado “alterações climáticas”, “verde” e “descarbonização” à sua crescente “lista de palavras a evitar”.[Guardian]

Os ativistas climáticos têm sido descritos como “ecoterroristas”, entre outros ataques públicos por parte das autoridades. Isso encorajou as empresas de combustíveis fósseis e outros intervenientes anti ação climática e levou a uma crescente ameaça de litígios judiciais contra ativistas climáticos.

A administração Trump também demonizou populações marginalizadas, usando retórica racial de formas que corroem o apoio público a serviços públicos essenciais — incluindo aqueles críticos para ajudar os americanos a prepararem-se e resistirem aos impactos das alterações climáticas.

O que deve ser feito?
As alterações climáticas transcendem fronteiras e afetam todas as pessoas, em todos os locais. Muitas vezes, são os menos responsáveis que são mais afetados. A cooperação global é essencial para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis de forma equitativa, apoiar uma transição justa para os trabalhadores afetados, proteger as comunidades vulneráveis e financiar a recuperação de perdas e danos. Uma abordagem fragmentada aprofundará os danos climáticos, como o aumento do nível do mar, a escassez de alimentos, incêndios florestais, tempestades e inundações extremas e a falta de acesso a água potável.

As pessoas e os governos em todo o mundo devem resistir a todos os esforços coercivos da administração Trump. Ceder terreno agora coloca em risco o nosso futuro coletivo. A humanidade deve vencer.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Guess how many times world leaders mentioned climate change in Davos?

Zero.
This is not an opinion. It is a fact.
Across the 2026 World Economic Forum, the main special addresses from Trump, Carney, Merz, von der Leyen, Zelenski, and Macron amounted to almost four hours of speaking time.
In those four hours:
Not once was climate change or global warming mentioned.

Let that sink in.
These speeches are revealing. Not because of what was said, but because of what was carefully avoided. They show, in plain sight, what currently ranks as urgent for the political elite and what does not

This is exactly why We Don’t Have Time was present in Davos
While climate disappeared from the main stage, we did the opposite. Together with our partners GreenUp and the Davos Climate Hub, we broadcast more than 40 hours of live climate content, reaching over 15 million people worldwide.

At a time when many leaders and companies are actively avoiding the word climate, our role becomes even more critical. The climate crisis will not disappear just because the political climate has hardened.

Standing up for facts, science, and what is right now takes more courage than ever.
The Alternative WEF speech

From left: Carlos Nobre – Climate scientist, former President of CAPES (Brazil), leading expert on Amazon tipping points | Paul Polman – Former CEO of Unilever | Sandrine Dixson-Declève – Honorary Co-Chair, Club of Rome | Johan Rockström – Director, Potsdam Institute for Climate Impact Research. 

That silence did not go unanswered.
Just before President Trump’s address, an alternative WEF speech was delivered in Davos by some of the world’s leading scientists and systems thinkers. The speech was not on the official agenda of the World Economic Forum. It was not permitted on the public square either.

So we found another place. Quite literally, the only available space was a pile of snow.

From there, climate reality was addressed head-on.

While much of Davos had President Trump’s speech top of mind, this moment may prove to be the one history remembers: scientists standing up for facts, for evidence, and for what is right, even when it was inconvenient, even when there was no official stage.

Broadcast globally on We Don’t Have Time, Sandrine Dixson-Declève, Johan Rockström, Carlos Nobre, and Paul Polman presented a clear alternative to the economic and political model on display in Davos.

Their message was unambiguous: the old system is a dead end.

Every year, trillions are lost to climate and ecological breakdown. This is not the cost of progress, but the cost of delay. Their “giant leap” scenario shows that investing just 1–2 percent of global GDP in climate action and nature restoration can generate tenfold returns in economic, social, and environmental value.

They challenged the idea that prosperity can be measured by GDP alone. A viable economy must ensure that every child has enough to eat, every worker can live without fear, and every society can thrive within planetary boundaries. Continued fossil-fuel expansion offers no path forward.

This was not a protest. It was not theatre. It was a science-based intervention, delivered from the margins at a moment when silence had become the norm.

Everyone at We Don’t Have Time who helped make this possible is proud to have stood up for science when it mattered.

If this speech matters to you too, help it travel.
Download the video and share it on your own social media so more people can see what science actually says about our future.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

A riqueza dos 12 mais ricos já ultrapassa a de metade da humanidade


Um novo recorde de desigualdade: 12 pessoas concentram mais riqueza do que metade da humanidade



A concentração extrema de riqueza voltou a atingir um novo máximo. As 12 pessoas mais ricas do mundo detêm hoje mais dinheiro do que a metade mais pobre da humanidade — cerca de quatro mil milhões de pessoas — segundo um relatório divulgado este domingo pela Oxfam, no arranque do Fórum Económico Mundial, em Davos.

Em 2025, a riqueza dos multimilionários cresceu mais de 16%, um ritmo três vezes superior à média dos últimos cinco anos, atingindo um total de 15,7 biliões de euros, o valor mais elevado alguma vez registado. Só no último ano, a riqueza conjunta deste grupo aumentou 2,1 biliões de euros — um montante que, segundo a organização, seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes.

O número de multimilionários ultrapassou pela primeira vez a fasquia dos 3.000. No topo da hierarquia surge o empresário norte-americano Elon Musk, que se tornou o primeiro indivíduo a acumular uma fortuna pessoal superior a meio bilião de dólares (cerca de 430 biliões de euros).

A dimensão do desequilíbrio é ilustrada por outro dado: a riqueza acumulada pelos multimilionários no último ano permitiria entregar 250 dólares a cada habitante do planeta, mantendo ainda assim intacto um património conjunto de 430 mil milhões de euros entre os mais ricos.

“A riqueza dos multimilionários aumentou 81% desde 2020”, sublinha a Oxfam, num contexto em que “uma em cada quatro pessoas no mundo não tem o suficiente para comer regularmente” e quase metade da população vive em situação de pobreza.

Intitulado "Resistir ao Domínio dos Ricos: Proteger a Liberdade do Poder dos Bilionários", o relatório analisa a crescente influência política dos super-ricos e o modo como moldam regras económicas e institucionais em benefício próprio. Os Estados Unidos surgem como um dos exemplos centrais desta dinâmica.

A Oxfam associa a aceleração da concentração de riqueza à administração de Donald Trump, apontando uma agenda favorável aos bilionários: cortes fiscais para grandes fortunas, recuo nos esforços internacionais de tributação das multinacionais, enfraquecimento do combate ao poder monopolista e um forte impulso aos mercados ligados à inteligência artificial, que beneficiaram sobretudo os grandes investidores.

Ainda assim, a organização sublinha que o fenómeno não é exclusivo dos Estados Unidos. O relatório identifica sinais semelhantes noutras geografias, alertando para o risco de as oligarquias económicas estarem a corroer as democracias e a ampliar desigualdades sociais à escala global.

Perante este cenário, a Oxfam defende que os governos avancem com planos nacionais para reduzir as disparidades entre ricos e pobres, incluindo impostos sobre grandes fortunas, medidas para limitar o poder económico excessivo e regulamentação que proteja a independência dos meios de comunicação social.

O relatório é divulgado no mesmo dia em que arranca o Fórum Económico Mundial, que decorre até sexta-feira sob o lema “O espírito do diálogo” e reúne líderes políticos, empresariais e institucionais num contexto marcado por tensões geopolíticas e incerteza económica.

Entre os participantes confirmados estão o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — que regressa presencialmente a Davos pela primeira vez desde 2020 —, o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, seis dos sete líderes do G7, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, e cerca de 850 líderes empresariais de todo o mundo.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

IA, geopolítica e fraude marcam cibersegurança em 2026


A cibersegurança em 2026 está a evoluir num contexto marcado pela aceleração da Inteligência Artificial (IA), pelo aumento das tensões geopolíticas e por desigualdades crescentes no acesso a recursos e competências, segundo o Global Cybersecurity Outlook 2026. O relatório do Fórum Económico Mundial conclui que a colaboração continua a ser um fator determinante para reforçar a resiliência coletiva num ambiente cada vez mais fragmentado.

Uma das principais conclusões do estudo, que se baseia num inquérito global a mais de 800 líderes de cibersegurança, executivos de topo e decisores públicos de 92 países, complementado por workshops e entrevistas com especialistas do Fórum Económico Mundial, revela que a IA assume um papel central na chamada “corrida ao armamento” da cibersegurança. Cerca de 94% dos inquiridos identificam a IA como o principal motor de mudança na cibersegurança no próximo ano. Embora a tecnologia esteja a ser usada para melhorar a deteção e resposta a incidentes, 87% dos participantes consideram as vulnerabilidades associadas à IA o risco de cibersegurança com crescimento mais rápido em 2025. Em paralelo, a percentagem de organizações que avaliam a segurança das suas ferramentas de IA subiu de 37% em 2025 para 64% em 2026.

Geopolítica no centro do risco
O relatório indica que a geopolítica surge como outro fator estruturante, com 64% das organizações já a considerarem ataques motivados por fatores geopolíticos nas suas estratégias de mitigação de risco. Entre as maiores organizações, 91% ajustaram as suas estratégias de cibersegurança em resposta à volatilidade geopolítica. Apesar disso, a confiança na preparação nacional para responder a grandes incidentes continua a diminuir, com 31% dos inquiridos a manifestarem baixa confiança na capacidade dos seus países para lidar com ataques a infraestruturas críticas.

A fraude digital assume também um peso crescente, visto que cerca de 73% dos participantes afirmam que eles próprios ou alguém do seu círculo foi afetado por fraude digital em 2025. Para os CEO, este tipo de fraude tornou-se a principal preocupação, superando o ransomware, enquanto os responsáveis de segurança continuam a destacar o ransomware e os riscos na supply chain como ameaças prioritárias.

O relatório evidencia ainda um fosso persistente na resiliência entre organizações e regiões. Embora 64% das entidades indiquem cumprir os requisitos mínimos de resiliência, apenas 19% consideram ultrapassar esse patamar. A escassez de competências em cibersegurança continua a ser um dos principais fatores de desigualdade, afetando sobretudo pequenas organizações, o setor público e regiões como a América Latina, Caraíbas e África subsaariana.

Ao longo de cinco edições, o Global Cybersecurity Outlook tem documentado a crescente interligação entre cibersegurança, economia e geopolítica. A edição de 2026 reforça que a cibersegurança deixou de ser uma função exclusivamente técnica para se tornar uma prioridade estratégica e económica, com impacto direto na confiança, na inovação e na estabilidade social.

O estudo conclui que reforçar a resiliência exige uma abordagem que vá além do investimento tecnológico, assente numa governação eficaz, no desenvolvimento de competências, na partilha de informação e na cooperação entre os setores público e privado, considerados essenciais para enfrentar um cenário de ciberameaças cada vez mais complexo e global.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Economia verde alcança a marca de US$ 5 triliões


A COP30, realizada em novembro em Belém do Pará, no Brasil, terminou sem um resultado preciso. Houve avanços reais em alguns aspectos, sobretudo em relação à adaptação às mudanças climáticas, mas não foi possível chegar a um acordo em torno de aspectos básicos, como a eliminação do uso de combustíveis fósseis. O debate segue vivo até a próxima COP, que será sediada na Turquia, em 2026. Ainda assim, os temas ambientais continuam em alta no mundo e a agenda ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança), usada para avaliar práticas sustentáveis e responsáveis das empresas, ganha cada vez mais relevância.

Fórum Económico Mundial afirma que o dinamismo da economia verde só fica atrás do setor de tecnologia. Em relatório recém-divulgado, a instituição estima que a chamada green economy já chega a US$ 5 triliões por ano e deve alcançar US$ 7 triliões até 2030. Segundo o documento, em média, as receitas verdes crescem ao dobro da velocidade das receitas convencionais; as empresas que actuam no segmento têm acesso a recursos mais baratos e costumam ser mais bem avaliadas no mercado de capitais.

Investimento em títulos verdes
Nas finanças, o movimento é nítido. Antes vistos como um nicho, os fundos ESG se tornaram uma força importante no mundo financeiro global, atraindo triliões de dólares. Segundo a Fortune Business Insights, empresa de inteligência de mercado e consultoria, o mercado global de investimentos ESG foi avaliado em US$ 39 triliões em 2025 e deve atingir US$ 125,17 triliões até 2032, crescendo a uma taxa anual média composta de 18,1%.

O avanço é impulsionado pelo aumento da preocupação da sociedade com esses temas, o que leva empresas a adotar práticas sustentáveis e também a fazer emissões de títulos verdes, sociais e de sustentabilidade, que superaram US$ 160 biliões em 2023. Segundo a pesquisa global de investidores da PwC, 79% dos investidores consideram riscos e oportunidades ESG ao tomar decisões de investimento.

Investidores institucionais, como fundos de pensão, seguradoras e governos, dominam o mercado actualmente, mas a expectativa é que o segmento de pessoas físicas ganhe tração nos próximos anos.

A agenda ambiental abre um gigantesco horizonte econômico, que aparece nas finanças, mas também na economia real, com a necessidade, por exemplo, de contratação de profissionais com habilidades verdes. E a procura  por esses trabalhadores vem crescendo mais do que a oferta. De acordo com o relatório Global Green Skills Report 2023, do LinkedIn, entre 2023 e 2024, a procura por profissionais com habilidades sustentáveis aumentou 11,6%, enquanto o número de trabalhadores sem essas qualificações subiu apenas 5,6%.

Redução de Gases de Efeito Estufa
São empregos em áreas diversas, como agricultura regenerativa e sustentável, energia renovável, saneamento, reciclagem, entre outros. "O importante é que o trabalho desempenhado contribui para a redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), para a preservação dos recursos naturais e para o avanço da transição ecológica. Fonte: Global Energy Review 2025

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Presidente do Fórum Económico Mundial alerta: bolha de IA pode ameaçar empregos


O presidente do Fórum Económico Mundial, Børge Brende, fez um alerta nesta quarta-feira (05): o mundo deve ficar atento a três possíveis bolhas nos mercados financeiros, incluindo a bolha de IA. A fala aconteceu durante visita do executivo a São Paulo.

Brende também alertou que, apesar de aumentar a produtividade, a tecnologia pode ameaçar empregos de escritório.

Bolha de IA preocupa
Conforme reportado pelo Olhar Digital, ações de empresas de tecnologia tiveram uma queda expressiva nas bolsas ao redor do mundo. Altos investimentos em IA e a supervalorização de big techs deixaram investidores com um pé atrás.

Diante desse cenário, Brende alertou que o mundo deve ficar atento a três possíveis bolhas de mercado: a de inteligência artificial, a de criptomoedas e a de dívidas.

Ele também afirmou que governos não estavam endividados como estão agora desde 1945. As expectativas com a IA e os altos investimentos ignoraram preocupações com taxas de juros, inflações e turbulências, o que também balançou o mercado esta semana.

Durante encontro com jornalistas, o presidente do Fórum Económico Mundial ainda afirmou que a tecnologia traz possibilidades de ganhos de produtividade, mas alertou que “trabalhadores de escritórios podem ser mais facilmente substituídos por essa IA”.

Segundo a agência de notícias Reuters, ele citou cortes recentes em empresas como Amazon e Nestlé.

Brende ainda destacou que as mudanças tecnológicas levam ao aumento da produtividade. E que a produtividade “é a única maneira de aumentar a prosperidade ao longo do tempo”.

Assim, você poderá pagar salários melhores às pessoas e terá mais prosperidade na sociedade. Børge Brende, presidente do Fórum Econômico Mundial, à agência Reuters

A reviravolta veio depois que as big techs divulgaram resultados positivos e com expectativa de mais investimentos em IA, mas especialistas voltaram a alertar sobre a “bolha de IA”.
Segundo o The Guardian, sete big techs tiveram queda na bolsa no mesmo dia: Nvidia, Amazon, Apple, Microsoft, Tesla, Alphabet (proprietária do Google) e Meta.

Chefes de bancos e analistas destacaram uma possível correção no mercado de ações e a “bolha de IA”, num cenário que os grandes investimentos no setor ainda não deram o retorno esperado.

Confira os detalhes aqui

quarta-feira, 4 de junho de 2025

José Luís Arnaut - o facilitador das privatizações


Em entrevista ao podcast “A lei e a Prática” do Diário de Notícias, José Luís Arnaut afirma que “a morte do Bloco de Esquerda é um sinal positivo para a economia”. E por economia o ex-ministro do PSD e atual presidente da ANA Aeroportos refere-se ao investidor estrangeiro que “olha para as notícias e vê tetos nas rendas, taxar os ricos, impostos sobre a fortuna” e assusta-se e vai embora. Para o antigo secretário-geral do PSD, “quem o bom senso dos portugueses mandou embora foram esses que tinham essas veleidades, digamos, de criar essas medidas”.

17 de janeiro 2018

O antigo ministro de Durão Barroso e Santana Lopes ficou conhecido como “o advogado das privatizações”, com o seu escritório a estar ligado às vendas pelo Estado da EDP, REN, ANA, TAP e CTT. No caso dos Correios, o seu escritório assessorou o banco Goldman Sachs, que se tornou no maior acionista após a privatização. Arnaut viria a ser nomeado em 2014 para o conselho consultivo internacional do Goldman Sachs, cargo que ainda hoje ocupa.

Entre 2014 e 2016, a sociedade de advogados de Arnaut faturou mais de 400 mil euros em serviços jurídicos à REN, outra empresa privatizada e onde Arnaut ocupa o cargo de administrador não executivo desde 2012.
O centro de negócios, 03 de abril 2019

Em 2013 o governo de Passos Coelho e Paulo Portas concluiu a privatização dos aeroportos portugueses, entregando 95% do capital à multinacional francesa Vinci. Do lado do comprador, estava a assessoria jurídica da CMS Rui Pena & Arnaut, como o ex-ministro à frente da equipa que preparou o negócio. Mais tarde viria a ser recompensado com o cargo de presidente da ANA Aeroportos, que também continua a ocupar hoje.

Segundo os dados biográficos atualizados, além dos cargos na Goldman Sachs, REN e ANA Aeroportos, José Luís Arnaut é ainda presidente adjunto da Associação de Turismo de Lisboa, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Portway, da Siemens, do grupo Super Bock e da Tabaqueira. Até há poucos meses ocupava o mesmo cargo na Federação Portuguesa de Futebol e também presidiu à Associação de Amizade Portugal-Qatar, participando em iniciativas promovidas pela família real daquele país. Em 2021, o consórcio de jornalistas OCCRP - Organized Crime and Corruption Reporting Project - revelou detalhes do negócio de concessão à Vinci de um aeroporto em Belgrado e da compra dos terrenos contíguos a um milionário com ligações ao narcotráfico, que a seguir se tornou sócio de José Luís Arnaut.

quinta-feira, 1 de maio de 2025

What are climate misinformation and disinformation and how can we tackle them?


What is the difference between climate misinformation and climate disinformation?

Climate misinformation refers to false or inaccurate information about climate change and climate action that is generally spread without malicious intent. It usually arises from misunderstandings, misinterpretations of data or simply outdated knowledge. For example, some people might misinterpret short-term weather patterns, like an extended winter season, as evidence against global warming. Despite the absence of intent to deceive, misinformation still contributes to confusion and scepticism about climate science, making it harder for people to access accurate information.

Climate disinformation, on the other hand, is deliberately false and fabricated to deceive people about climate change and climate action for political, financial or ideological reasons. It is spread by individuals or organizations with vested interests in denying or downplaying the reality of climate change and its impacts. For instance, fossil fuel companies have been known to fund campaigns that cast doubt on climate science to protect their profits.

Disinformation tactics can include cherry-picking data, promoting pseudoscience, or amplifying conspiracy theories. Unlike misinformation, which can often be corrected through education and better communication, disinformation is more difficult to address and requires targeted efforts to expose and counter the deliberate falsehoods being spread.

Both climate misinformation and disinformation undermine public trust in climate science, delay policy responses and polarize public discourse. According to the Global Risk Report 2024, misinformation and disinformation, together with the impacts of the climate and nature crises, are the biggest short-term and long-term risks to human society.
Climate misinformation is generally spread without malicious intent. Climate disinformation, on the other hand, is deliberately false and purposefully harmful for political, financial or ideological reasons.

What are the different types of climate misinformation and disinformation?
Climate misinformation and disinformation come in various forms, each serving different purposes but ultimately hindering climate action. While some outright deny climate change, others seek to delay solutions, mislead the public or promote conspiracy theories that undermine trust in science and institutions.Climate denial: Despite the overwhelming scientific consensus that human activities like burning fossil fuels are the primary driver of climate change, some people deny that climate change is real, downplay the severity of its impacts or promote the idea that it is solely a natural phenomenon. Although outright climate denial has lost credibility in mainstream discourse, it still thrives in certain political and online spaces, often resurfacing in the form of misleading arguments that exaggerate natural climate variability or misrepresent climate data. A subtler form, known as soft climate denial, is becoming increasingly prevalent in recent years. Here, individuals or groups acknowledge the impacts of climate change but tend to highlight other urgent issues as a justification for delaying or opposing responses. This approach, often framed as pragmatic, effectively serves as a guise for undermining climate action.
  • Climate delay: Climate delay strategies acknowledge the existence of climate change but aim to obstruct or hinder action. They dispute the feasibility, necessity or fairness of climate policies by claiming measures are too costly or emphasizing uncertainties and unintended consequences. For example, messaging from the fossil fuel industry aims to create panic about potential job losses and economic harm from transitioning to renewable energy sources. Because climate delay messages often seem more reasonable than outright denial, they are particularly effective at shaping public opinion.
  • Greenwashing: Greenwashing is a form of climate misinformation in which companies or institutions exaggerate or falsely claim environmental benefits to maintain their market position without making real changes. This is usually done by using imagery and language associated with sustainability such as lush forests, wind turbines or eco-friendly branding. Such tactics delay stronger policies and regulations by creating an illusion of progress.
  • Climate conspiracy narratives: Conspiracy theories about climate change attempt to delegitimize climate science, policies and activists by suggesting they are part of a hidden agenda. These narratives try to advance false claims such as climate change being a hoax designed to increase government control or renewable energy policies being part of a larger effort to manipulate economies or suppress individual freedoms.
Who spreads climate disinformation?
Considering the scale and urgency of the climate crisis, it may seem counterintuitive that individuals or organizations would deliberately create and share false or misleading information about it. However, research points to two primary motivations behind the spread of climate disinformation:
  1. Protecting fossil fuel interests and maintaining a business-as-usual scenario: Many actors, particularly within the fossil fuel industry and related sectors, have a vested interest in delaying climate action. By spreading doubt about climate science or the effectiveness of renewable energy solutions, they seek to extend the viability of fossil fuels and maintain economic gains.
  2. Gaining revenue, influence or support by exploiting the attention economy: The digital landscape rewards content that sparks strong emotional reactions like outrage or controversy. Questioning mainstream science or promoting conspiracy theories can generate more engagement on social media, translating into ad revenue, online influence or political support.
Moreover, in regions already stressed by environmental pressures such as resource scarcity and extreme weather events, climate misinformation and disinformation can exacerbate existing tensions. False information and narratives, for example around climate-induced migration and displacement, are often exploited by political actors or extremist groups to blame specific communities for climate-related hardships, creating an environment of fear and mistrust which can lead to violence and conflicts. This not only undermines local peacebuilding efforts but also links climate challenges with broader issues of security, destabilizing communities and economies while hindering integrated responses to both environmental and security threats.
Individuals can learn how to verify the accuracy of a piece of information through a series of steps including verifying the source, verifying the data and consulting with experts.

How do climate misinformation and disinformation spread?
The spread of climate misinformation and disinformation, both online and offline, is linked to social processes that shape how people interact and consume information. These dynamics contribute to the reinforcement of false narratives, making it harder to correct misinformation and disinformation once it takes hold.

As social beings, humans have the tendency to form social connections with others who share similar beliefs, interests or backgrounds. Social media platforms reinforce this behaviour by recommending new connections based on existing networks and interests. Combined with the natural inclination to trust information from familiar sources, this leads to the formation of echo chambers – closed communities where the same ideas, whether true or false, are continuously reinforced without being questioned. Over time, these echo chambers can deepen divisions on topics such as climate change.

Furthermore, many social media algorithms are designed to maximize engagement. As such, they often promote content based on a user’s past interactions, rather than its credibility or accuracy. This creates algorithmic bias, where users are more likely to see content that aligns with their existing beliefs, rather than diverse or fact-based perspectives. The effect is then amplified by confirmation bias – the psychological tendency for people to seek out and accept information that supports their pre-existing views while ignoring or dismissing contradictory evidence. As a result, misleading or sensationalized climate content can spread rapidly, especially if it resonates with a particular audience’s worldview.

Beyond organic social behaviours, false information is also actively spread by malicious actors, including bots, trolls and coordinated disinformation campaigns. These actors deliberately create and amplify misleading narratives to shape public perception, undermine trust in scientific institutions or serve certain political and economic interests.

A recent example is a rise in online abuse against climate scientists, where coordinated campaigns on social media platforms target researchers with harassment and false accusations to discredit their work. These attacks often exploit existing echo chambers, amplifying divisive narratives that portray climate science as a hoax or conspiracy. By leveraging algorithmic biases and the viral nature of sensational content, these campaigns sow doubt and erode public trust in evidence-based solutions. This not only undermines efforts to address climate change but also discourages scientists from engaging with the public, further polarizing the discourse and hindering collective action.

How can we tackle climate misinformation and disinformation?
The fight against climate misinformation and disinformation is a global effort, involving a diverse range of actors including governments, academic organizations, think tanks, media organizations, civil society and collaborative partnerships between these entities. Given the high complexity of the issue, it requires multifaceted responses, and these actors play key roles in research, policy advocacy, education and public outreach. Through specialized initiatives and campaigns, they work to address the challenges posed by misinformation, which often undermines public understanding of climate science, fuels scepticism about climate change and hinders policy action.

Recognizing that misinformation, disinformation and hate speech are fuelling conflict, threatening democracy and human rights, the United Nations launched the United Nations Global Principles for Information Integrity, a set of recommendations designed to foster healthier and safer information spaces that champion human rights, peaceful societies and a sustainable future. Moreover, in November 2024, the Brazilian government, the United Nations and the United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO) launched the Global Initiative for Information Integrity on Climate Change, joining forces to strengthen research and measures to address disinformation campaigns that are delaying and derailing climate action.

However, a large majority of efforts to combat climate misinformation and disinformation are still primarily based in the Global North, which often leads to a skewed focus on issues, narratives and perspectives that are more relevant to them. In this context, it is essential to build the capacities of stakeholders and institutions in the Global South to tackle climate misinformation and disinformation. By empowering local organizations, media and communities with the necessary skills, knowledge and resources, we can ensure that climate communication and responses to disinformation are more culturally appropriate and contextually relevant.

At the individual level, anyone can learn how to prevent climate misinformation and disinformation through a series of steps:
  1. Verify the source: Evaluate the credibility of the source. Is the claim from a peer-reviewed study, a reputable news outlet or a blog with no scientific backing? For scientific data, academic databases and peer-reviewed sources can be used to verify its authenticity.
  2. Verify the information: Check if the information is available from multiple sources and use fact-checkers to verify claims.
  3. Consult experts: Try to connect with scientists and subject matter experts that can corroborate the information. The Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) is widely recognized as the most credible source of information related to the science of climate change.
  4. Communicate the truth: To counter climate misinformation and disinformation, evidence-based messages using simple language and relatable examples work best. Engage trusted voices and support claims with credible sources, encouraging respectful dialogue. Repetition of accurate information helps build long-term public understanding and resilience.
How does UNDP support efforts to address climate misinformation and climate disinformation?
UNDP works to address climate misinformation and disinformation through a multi‐pronged approach that combines digital innovation, capacity building and partnerships. This includes developing programmes and platforms that leverage collective intelligence, combining automated tools and crowdsourcing to identify and counter false narratives.

Digital tools such as iVerify and eMonitor+ combine AI with human fact-checking to identify, flag and counter false and misleading narratives including those for climate-related issues. Such platforms, developed as part of UNDP’s broader digital strategy to leverage Digital Public Infrastructure, harness interoperable systems for data exchange and digital identity, supporting transparency and accountability in climate action by helping to counter information that undermines scientific consensus on climate change.

UNDP also supports initiatives aimed at developing media literacy and factchecking skills among journalists, media students and young civic actors. In Somalia, UNDP trains journalists to enhance their understanding of climate change issues, their interlinkages and nuances. In Lebanon, UNDP helps equip young people with the tools to identify and debunk fake news and hate speech, including false narratives on climate change. Such efforts help reduce the polarization and confusion often fuelled by false information, particularly in regions vulnerable to climate misinformation and disinformation campaigns.

Furthermore, through initiatives like Information Integrity, UNDP is working with development organizations, governments, the private sector and civil society on campaigns to ensure information integrity on issues directly and indirectly affecting climate action.