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segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Documentário: História da Permacultura


After compiling a little film about Bill Mollison, there was a large call to expand on it and the origins of permaculture, giving some other pioneers their dues. So, here I have focused on some of the people who influenced me heavily when I first became interested in permaculture. It includes clips from David Holmgren, Masanobu Fukuoka, Sepp Holzer, Robert Hart, Emilia Hazelip, Allan Savory, Vandana Shiva, Dr. Elaine Ingham and Geoff Lawton. I realise that there are many more who could be listed but due to the nature of this being a video, I focused mostly on people who had amassed a large library of footage to choose from.

domingo, 7 de maio de 2023

Masanobu Fukuoka - Natural Life




Visto como o pai da agricultura natural moderna, Masanobu Fukuoka é autor de “A Revolução de uma Palha”, um livro fundamental para entender como os seres humanos podem viver juntos com o planeta Terra. Esta série de filmes em três partes apresenta entrevistas inéditas com Larry Korn, que em 1974 (depois de uma década estudando solo, plantas e cultura oriental) passou dois anos morando e estudando com Fukuoka.

Quando Larry deixou o Japão, ele levou consigo o manuscrito japonês do livro de Fukuoka para a Califórnia, determinado a publicar o livro em inglês. Seu trabalho ajudando a traduzir e editar este livro levaria as ideias de Fukuoka e da Agricultura Natural a milhões de pessoas em todo o mundo.

Estas entrevistas foram filmadas na casa de Larry Korn em Ashland, Oregon, em 2012, durante a produção do documentário Final Straw: Food, Earth, Happiness . Eles contam a história de Fukuoka da perspectiva de um homem que passou grande parte de sua vida dedicado a unir as ideias do Oriente e do Ocidente, encontrando a verdade no solo, nas plantas e, por sua vez, nos seres humanos.

É impossível subestimar o quão fundamental foi o trabalho de Larry para o estabelecimento e crescimento do movimento mundial de agricultura sustentável. Mais do que apenas um estudioso do solo, ele era um homem cheio de sabedoria, que exercia profundo cuidado, humildade e amor por esta Terra. O seu trabalho preparou o cenário para uma jornada que mudou o curso de nossas vidas de uma maneira linda.

Esperamos que os momentos com Larry nesses filmes simples possam ajudar a fazer o mesmo por outras pessoas.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Masanobu Fukuoka - Natural Farming (Agricultura Natural)


Masanobu Fukuoka (japonês: 福岡 正信, 2 de fevereiro de 1913 - 16 de agosto de 2008) foi um fazendeiro e filósofo japonês celebrado por sua agricultura natural e revegetação de terras desertificadas. Ele foi um defensor dos métodos de cultivo de grãos sem plantio direto e sem herbicidas tradicionais de muitas culturas indígenas, a partir dos quais criou um método particular de cultivo, comumente referido como "agricultura natural" ou "agricultura sem fazer nada".

Suas influências foram além da agricultura para inspirar indivíduos dentro dos movimentos de alimentação natural e estilo de vida. Ele era um defensor declarado do valor de observar os princípios da natureza.

Fukuoka chamou sua filosofia agrícola de shizen nōhō (自然農法), mais comumente traduzida para o inglês como "agricultura natural". Também é referido como "o método Fukuoka", "a maneira natural de cultivar" ou "agricultura sem fazer nada".

Fukuoka reinventou e avançou o uso de bolas de sementes de argila. As bolas de sementes de argila eram originalmente uma prática antiga em que as sementes para as colheitas da próxima estação são misturadas, às vezes com húmus ou composto para inoculantes microbianos, e então são enroladas na argila para formar pequenas bolas. Este método agora é comumente usado em jardinagem de guerrilha para semear rapidamente áreas restritas ou privadas.

Biografia e obra científica:

E-Livro:
A Revolução de uma Palha

Documentário:

Fundação:

domingo, 29 de março de 2020

Documentário: Food, Earth, Happiness


Uma viagem majestosa pelo Japão, Coreia e Estados Unidos que vira nossas percepções sobre comida (e vida) de cabeça para baixo de uma forma simples e poética. Soluções para nossos problemas sociais e ecológicos mais prementes vêm de lugares inesperados em um pequeno filme que a autora best-seller do New York Times, Alicia Bay Laurel, chama de “lindo…tanto arte quanto documentário”.

Inspirado pelo trabalho e filosofia de Masanobu Fukuoka, o artista Patrick M. Lydon (EUA) e a editora Suhee Kang (Coréia do Sul) passaram quatro anos conhecendo e estudando com várias gerações de agricultores naturais modernos. O resultado é um filme que tece paisagens de tirar o fôlego e uma trilha sonora original eclética junto com histórias e percepções de um elenco inspirador de fazendeiros naturais, chefs e professores. O filme dá relevância moderna a ideias antigas sobre formas mais sustentáveis, regenerativas e harmoniosas de viver com a terra.

Os líderes atuais do movimento de agricultura natural apresentados no filme incluem Yoshikazu Kawaguchi (Japão), Seonghyun Choi (Coreia), Larry Korn (Estados Unidos) e uma dúzia de outros. Suas histórias iluminam um caminho brilhante, mas incrivelmente simples, para a sustentabilidade e o bem-estar, popularizado pelo falecido Masanobu Fukuoka, autor do seminal texto ambiental “One Straw Revolution”.

De grande alcance em sua aplicação, “Comida, Terra, Felicidade” oferece sementes filosóficas para cultivar soluções para a justiça social e ambiental.

Nota: Lançado oficialmente em 1º de janeiro de 2019, este filme é uma versão abreviada do aclamado documentário ambiental Final Straw: Food, Earth, Happiness (74 min/2015). Foi editado pelos diretores para uso público e em sala de aula.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Documentário - "One Straw Revolution" by Masanobu Fukuoka


"O agricultor tornou-se atarefado demais quando começámos a estudar o mundo e a decidir que seria bom fazer isto ou fazer aquilo. Toda a minha pesquisa se baseou em não fazer isto ou não fazer aquilo. Estes trinta anos ensinaram-me que os agricultores estariam numa situação bem melhor se não fizessem praticamente nada." Ao longo das últimas décadas, Masanobu Fukuoka assistiu à degradação da terra e da sociedade japonesas, enquanto o seu país seguia o modelo de desenvolvimento económico e industrial americano, deixando para trás uma rica herança de trabalho simples e próximo da terra. Mas Fukuoka estava decidido a não abandonar a agricultura tradicional. Pelo contrário, refinou-a de tal modo que o seu método de agricultura selvagem, mantendo o mesmo rendimento por hectare que o dos camponeses seus vizinhos, exige menos trabalho e desgasta menos a Natureza do que qualquer outro método agrícola. Nesta obra, além de descrever a agricultura selvagem em si, Fukuoka relata os acontecimentos que o levaram a desenvolver o seu método e o impacto deste na terra, em si próprio e nas pessoas a quem o ensinou, explicando a razão que o leva a acreditar que ele oferece um modelo de sociedade prático e estável baseado na simplicidade e na permanência.
Partindo do princípio de que curar a terra e purificar o espírito humano são a mesma coisa. A Revolução de Uma Palha tem por objectivo mudar as nossas atitudes para com a Natureza, a agricultura, a alimentação e a saúde física e espiritual.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Biblioteca gratuita e completa sobre permacultura, bioconstrução, agricultura ecológica (em Castelhano) e muito mais

Citação de Brecht, cartaz feito por João Soares

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Permacultura, a arte de viver em harmonia com a natureza


A permacultura como paradigma de convivência sustentável com a natureza

Num contexto global marcado por crises ambientais, climáticas e socioeconómicas de crescente complexidade, a permacultura emerge como um paradigma alternativo de organização dos sistemas humanos em relação à natureza. Longe de se restringir a uma técnica agrícola, a permacultura constitui uma abordagem integrada que articula princípios ecológicos, éticos e sociais, propondo modelos de desenvolvimento sustentáveis e resilientes.

O conceito de permacultura foi desenvolvido na década de 1970 por Bill Mollison e David Holmgren, inicialmente associado à ideia de agricultura permanente. Posteriormente, o termo evoluiu para cultura permanente, refletindo a ampliação do seu campo de aplicação para além da produção alimentar. A permacultura passou, assim, a abranger dimensões como o planeamento do território, a arquitetura sustentável, a gestão de recursos naturais, a economia local e as dinâmicas comunitárias.

A base ética da permacultura assenta em três princípios fundamentais: o cuidado com a Terra, o cuidado com as pessoas e a partilha justa dos excedentes. Estes princípios traduzem uma crítica ao modelo dominante de exploração intensiva dos recursos naturais e propõem uma redefinição da relação entre o ser humano e os ecossistemas. A natureza deixa de ser concebida como um mero reservatório de recursos e passa a ser entendida como um sistema complexo, interdependente e dotado de limites biofísicos.

Do ponto de vista ecológico, a permacultura inspira-se no funcionamento dos ecossistemas naturais, caracterizados pela diversidade, pela eficiência energética e pela ausência de desperdício. Os sistemas permaculturais procuram integrar múltiplos elementos com funções complementares, promovendo sinergias que aumentam a produtividade e a estabilidade do conjunto. A lógica linear de produção e descarte é substituída por uma lógica circular, na qual resíduos são reintegrados como recursos.

Para além do seu contributo ambiental, a permacultura apresenta implicações relevantes no plano social e cultural. Ao valorizar o conhecimento local, a autonomia das comunidades e a cooperação, desafia modelos económicos baseados na centralização e na maximização do lucro. Neste sentido, pode ser interpretada como uma resposta prática às desigualdades sociais e à vulnerabilidade das populações face às alterações climáticas.

Em síntese, a permacultura configura-se como um modelo teórico-prático que propõe uma nova racionalidade ecológica. Ao articular ciência, ética e prática social, oferece ferramentas para a construção de sistemas humanos mais equilibrados e adaptados às condições do Antropoceno. Enquanto arte de viver com a natureza, a permacultura contribui para a transição rumo a sociedades mais sustentáveis, resilientes e socialmente justas.

Referências bibliográficas

Holmgren, D. (2002). Permaculture: Principles and pathways beyond sustainability. Hepburn: Holmgren Design Services.

Holmgren, D. (2011). Essence of permaculture. Hepburn: Holmgren Design Services.

Mollison, B. (1988). Permaculture: A designer’s manual. Tyalgum: Tagari Publications.

Mollison, B., & Slay, R. M. (1991). Introduction to permaculture. Tyalgum: Tagari Publications.

Odum, E. P., & Barrett, G. W. (2008). Fundamentos de ecologia (5.ª ed.). São Paulo: Cengage Learning.

Altieri, M. A. (2012). Agroecologia: Bases científicas para uma agricultura sustentável. São Paulo: Expressão Popular.

Fukuoka, M. (2010). A revolução de uma palha: Uma introdução à agricultura natural. Lisboa: Antígona.

Pretty, J. (2018). Sustainable intensification of agriculture. London: Routledge.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O Sistema Irracional - Sociedade do Trabalho ou da Preguiça


O trabalho é a palavra que tomou conta dos discursos e das preocupações das pessoas. Aqueles que o não têm gritam pelo direito ao trabalho, aqueles que o têm gritam pela sua manutenção, por um trabalho a tempo inteiro e para a vida. As pessoas vivem cada vez mais em função do trabalho, deixaram de ter tempo para si próprias e esqueceram-se de si mesmas. A necessidade da manutenção e da defesa dos seus postos de trabalho tornaram-se no melhor polícia de cada um, fizeram com que cada vez mais as pessoas se calem, mantem a constestação social com rédea curta. A automatização tomou conta das pessoas e a ideia dos quase robôs nas cadeias de montagem, como mostrou Chaplin nos Tempos Modernos, já esteve mais longe.

Entramos numa tal engrenagem que os tempos livres nos assustam porque não sabemos o que fazer com eles, porque a única coisa que sabemos fazer é matar o tempo daquilo que não é mais tempo livre, mas tempo de recuperação de energias para voltarmos ao tempo do trabalho .Por isso há toda uma indústria do tempo livre organizada para nos entreter, para manter o barulho à nossa volta, para não deixar que o silêncio nos perturbe, pois temos horror do silêncio, para que o tempo de contemplação, de troca de ideias, de vagabundagem, o tempo dos eurekas de que falam os grandes inventores, não possa acontecer.

O trabalho tornou-se o deus que comanda cada vez mais esta sociedade, tornou-se uma verdadeira obsessão, e a verdade é que começamos a tomar consciência que nunca mais haverá trabalho a tempo inteiro para tanta gente. Diminuir o tempo de trabalho era a ideia e o objetivo de que presidia aos visionários que inventaram e hoje inventam as máquinas cada vez mais sofisticadas para fazerem o nosso trabalho, para nos aumentar o bem estar e diminuir e redistribuir o tempo de trabalho.

Se vivêssemos num tempo em que as tomadas de decisão tivessem um mínimo de lógica, hoje o tempo de trabalho era muito mais curto, haveria efetivamente mais tempos livres, mais tempos de lazer, estaríamos a assistir ao fim de uma sociedade centrada no trabalho e ao nascimento de um tempo onde o trabalho ocuparia menos tempo da nossa vida, um tempo onde onde o direito à preguiça, porque tempo de criação e invenção, fosse incentivado, numa sociedade da espiritualidade, do novo renascimento. Uma consciência antiga pois já em 1902 Paul Lafargue defendia o direito à preguiça, o direito a uma sociedade do lazer, e, em 1930, John Keynes, em plena crise, dizia que antes do fim do século necessitaríamos só de 3 horas de trabalho produtivo para que a sociedade pudesse responder às suas necessidades.

Pelo contrário, este sistema irracional perpetua o modelo da ainda revolução industrial, do tempo de sermos escravos do dinheiro e do consumo, onde nos esquecemos de nós próprios e do nosso bem. Um sistema que produz uma legião de inúteis, como os donos do mundo chamam aqueles que não têm trabalho, que cada vez mais estão a engrossar, levando a que aos poucos a maior parte deles acabem por desistir da própria vida.

Mas, ao mesmo tempo que estamos a viver um tempo que parece sem saída, um tempo de bloqueios, se trabalharmos no interior da contradição, percebemos que esta sociedade, este modo de vida, tem dentro dela os vírus que a vai destruir e vai abrir espaço para a entrada num tempo onde o direito à preguiça deve ter todo o espaço do mundo, um tempo onde o lazer deve ser uma realidade, um tempo onde temos todo o tempo do mundo para a vagabundagem, tempo por excelência onde as invenções se concretizam. onde estamos livres para as novas ideias aparecerem.: Só agora, continuemos a ouvir Agostinho da Silva , com uma economia capitalista há riqueza e saber para se conseguir o desenvolvimento pleno, para acabar com a carência que vem de tão longe, para chegar a um ponto em que haja tudo para todos, tal como na Ilha dos Amores, que Camões tão bem contou nos Lusíadas, em que toda a economia desaparecerá. Economia que será uma recordação do passado, como queriam os tais portugueses do século XIII, onde o Homem possa passar à sua verdadeira vida, que é a de contemplar o mundo, de ser poeta do mundo, de tal forma que ninguém se preocupe por fazer tal e tal obra, mas por ser único no mundo, entre os tais biliões que existem.

Vamos entrar numa coisa parecida como a que os portugueses e alguns italianos intitulavam de Idade do Espírito Santo, a Idade em que as crianças cresceram tanto que a sua espontaneidade e capacidade de sonhar nunca se extinguisse e um dia dia fossem capazes de dirigir o mundo.

Interessa-nos hoje que os tempos de criação e fruição, os tempos de lazer e gratuitidade de que falámos atrás, sejam não só um espaço-tempo de respiração que liga dois tempos afogueados, mas também um espaço-tempo de concepção de projectos que permitam e criem condições para o desenvolvimento e a afirmação das capacidades criativas de cada indivíduo, onde se pode ter todo o tempo do mundo para pensar, desenvolver projectos, experimentar soluções. Efetivamente, procuramos configurar algo que possa potenciar ideias e estratégias capazes de conduzirem à transformação do tempo chamado de trabalho num tempo que estimule a participação e a criatividade de cada indivíduo e que seja factor de desenvolvimento e de realização pessoal.

Procuramos no fundo romper as fronteiras entre os tempos chamados de trabalho e de lazer, e isto porque temos consciência que a própria transformação interna do mundo chamado do trabalho, que passará a exigir outras qualificações das pessoas e uma redistribuição mais solidária, vai implicar não só um aumento dos tempos livres, mas que estes tempos livres sejam não um tempo de fuga mas sim um espaço de afirmação de novas qualificações e de novos desafios. A diferença que passará a haver entre estes dois tempos traduzir-se-á, a nosso ver, no facto de que no trabalho tudo se deverá centrar no produto e na planificação dos tempos de criação-produção desse produto, enquanto que no lazer haverá uma outra liberdade para experimentar os processos e para perder tempo a descobrir outras soluções, para vagabundear tal como Umberto Eco quando se perdia nas bibliotecas em busca do livro que desconhecia, ou melhor, em busca do conhecimento. [Fonte: Carlos Fragateiro]

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Livro "A Revolução de uma Palha" de Masanobu Fukuoka

"Acredito que uma revolução pode começar a partir desta uma vertente de palha . Visto de relance, esta palha de arroz pode parecer leve e insignificante. Dificilmente alguém acreditaria que poderia começar uma revolução. Mas eu passei a perceber o peso e o poder dessa palha. Para mim, esta revolução é muito real."

Ao longo das últimas décadas, Masanobu Fukuoka (microbiologista, falecido em 2008) assistiu à degradação da terra e da sociedade japonesas, enquanto o seu país seguia o modelo de desenvolvimento económico e industrial americano, deixando para trás uma rica herança de trabalho simples e próximo da terra. Mas Fukuoka estava decidido a não abandonar a agricultura tradicional. Pelo contrário, refinou-a de tal modo que o seu método de agricultura natural, mantendo o mesmo rendimento por hectare que o dos camponeses seus vizinhos, exige menos trabalho e desgasta menos a Natureza do que qualquer outro método agrícola.

Nesta obra, além de descrever a agricultura natural em si, Fukuoka relata os acontecimentos que o levaram a desenvolver o seu método e o impacto deste na terra, em si próprio e nas pessoas a quem o ensinou, explicando a razão que o leva a acreditar que ele oferece um modelo de sociedade prático e estável baseado na simplicidade e na permanência.

Partindo do princípio de que curar a terra e purificar o espírito humano são a mesma coisa, A Revolução de Uma Palha tem por objectivo mudar as nossas atitudes para com a Natureza, a agricultura, a alimentação e a saúde física e espiritual.

Livro para descarregar aqui

sexta-feira, 21 de abril de 2006

A Flor da Permacultura e Cultura de Transição


Clica na foto para ampliar


Os 7 Campos do Conhecimento da Permacultura de David Holmgren* (texto em Brasileiro)

1 – Manejo da Terra e da Natureza

Jardinagem bio-intensiva - Uso do composto, cavação dupla, plantas companheiras e controle natural de pestes para produzir o máximo de comida numa área mínima.

Jardinagem Florestal - Produção de alimento com árvores, plantas perenes e anuais em um sistema que imita a floresta natural.

Salvando Sementes – Banco de Sementes - Coletando e armazenando sementes, com alvo freqüente de manter certas linhagens.

Agricultura Orgânica vs agricultura comercial que usa fertilizantes e métodos de controle de pestes naturais.

Biodinâmica - Um sistema de agricultura orgânica e jardinagem baseada no trabalho de Rudolf Steiner.

Plantio Natural - Um sistema japonês de agricultura orgânica envolvendo o mínimo ou nenhum uso de maquinário e manejo animal, muito notavelmente associado com Masanobu Fukuoka.

Linha chave para coleta de água - Um sistema de análise de paisagem, que capta água e desenvolve solos usando represas, canais, arando e condicionando o solo, desenvolvido por P.A. Yeomans

Manejo Holístico de Campos - Um sistema que usa rotação pastoril de gado intensiva para o manejo sustentável da terra, provendo a criação de animais, desenvolvido e ensinado por Allen Savory.

Plantio em Seqüencia Natural- Um sistema de gabiões, revegetação e valas de infiltração para restaurar a saúde e a produtividade de planícies alagadiças, desenvolvida por Peter Andrews.

Agrofloresta- Produção integrada de pasto e/ou roça com madeira e/ou árvores de corte.

Floresta baseada na natureza - Floresta sustentável que usa espécies mistas, rotações longas, coleta de mínimo impacto e regeneração natural em florestas selvagens ou plantadas.

Aquacultura Integrada- Sistemas aquáticos que provêem a maior parte da alimentação para criação de peixes e/ou outros animais.

Coleta e Caça Selvagem- Coleta de comida e outros rendimentos de plantas e animais selvagens

Gleaning – Recoletando- Coleta de comida desperdiçada por sistemas comerciais de produção e distribuição.


2- Construção

Planejamento Solar Passivo - Sombreamento e iluminação orientados pelo sol, massa térmica, ventilação passiva.

Materiais de Construção Naturais - Terra, palha, reboco com esterco, toras de madeiras, pedras.

Coleta e Reuso da Água - Tanques de água (cisternas), banheiros compostáveis e filtros biológicos

Bioarquitetura - A manipulação da forma das árvores crescerem para criar estruturas e construções.

Construções de abrigos na terra - “Casas-nave” e outros projetos construídos para dentro do solo.

Construções resistentes a desastres naturais - Queimadas, ventos, inundações, terremotos.

Construção pelo Proprietário - Empoderamento e autonomia financeira dos moradores e comunidades na construção de suas próprias casas usando tecnologias e materiais acessíveis.

Linguagem dos Padrões - Teoria e ferramentas de design orgânico de Christopher Alexander

3- Ferramentas e Tecnologias

Reuso e Reciclagem Criativa- Reuso de materiais de forma artesanal, descentralizada e específica para o contexto, ao invés de processos industriais centralizados.

Ferramentas Manuais- Recuperação e manutenção de ferramentas e habilidades tradicionais

Bicicletas e Motocicletas Elétricas - Energia humana e transporte assistido que aumenta a eficiência do corpo humano.

Fogão de lenha eficiente e de baixa poluição - Forno e outros fogões desenhados usando materiais locais e construção simples

Combustíveis de restos orgânicos - Bio-diesel, metanol, biogás e gás de madeira para queima, eletricidade e transporte local.

Gaseificação de Madeira- Combustíveis de carbono neutro eficientes para energia elétrica local e veículos de transporte

Bio-char de rejeitos florestais- Formação de solo e captura progressiva de carbono

Co-geração -Uso de combustível para gerar eletricidade e prover calor para usar no sítio.

Micro-hydro e Vento em pequena escala - Tecnologias renováveis simples e uso da força da gravidade para transporte local.

Cerca elétrica de geração de energia renovável - O uso de cerca elétrica com uma “bateria” para geração de energia local.

Armazenagem de energia - Bancos quentes, bombas para rega (água), ar comprimido e outras armazenagens temporárias simples de energia.

Engenharia de Transição - Recolocação para manutenção, retroajuste e replanejamento da tecnologia e da infra-estrutura.


4 – Educação e Cultura

Educação em Casa - Pais como professores naturais das crianças dentro da economia da casa.

Educação Waldorf - Escolas baseadas nos métodos educacionais de Rudolf Steiner.

Arte e Música participativa- Requerer nosso lugar como atores e músicos em vez de espectadores.

Ecologia social - Filosofia focada no replanejamento da sociedade usando princípios da ecologia.

Pesquisa-Ação - Um processo reflexivo de resolução progressiva de problemas que aceita o observador como parte do sistema que está sendo estudado.

Cultura de transição - Uma exploração evolutiva da cabeça, coração e mão no declínio da energia.

5 – Bem Estar Físico e Espiritual

Parto em casa e Aleitamento materno - Requerendo o nascimento e a nutrição infantil como parte da economia da natureza e doméstica.

Medicina Complementar e Holística - Um espectro amplo de se apropriar dos cuidados com a saúde fora da medicina alopática convencional.

Yoga, Tai Chi, Capoeira e outras disciplinas de corpo/mente/espírito - A manutenção da saúde através de exercícios planejados regulares baseados em tradições orientais.

Espírito do lugar, renascimento cultural indígena - Reconexão com valores espirituais e culturais de lugar e “País”.

Morte Digna - Movimento para requerer a morte fora da medicina institucionalizada.

6– Economia e Finanças

Moeda local e regional - Interesse em sistemas livres de dinheiro que serve um definido e limitado território.

Rodovias específicas para carros cheios, carona e compartilhar o carro - Reconstrução da comunidade através do uso mais eficiente de carros e rodovias existentes.

Investimento Ético e Comércio Justo - Usando o poder de investimento e consumo para orientar economias equitativas.

Mercados dos Produtores e Agricultura Apoiada na Comunidade (AAC) - Conexão direta entre produtores e consumidores sem intermediário.

WWOOFing e Redes similares - Intercâmbio de trabalho voluntário por comida, acomodação e experiência de vida ecológica.

Cotas de Energia Cambiável - Uma moeda paralela para permitir um comércio e uma distribuição equitativa do direito de consumir e poluir.

Análise do Ciclo da Vida e Contabilidade Emergética - Método holístico para avaliar os custos e benefícios totais de tecnologias e economias novas e existentes.

7 – Posse da Terra e Governo Comunitário

Cooperativas e Associações comunitárias - Estruturas legais para compartilhar coletivamente a administração e a propriedade da terra, das construções e outros bens.

Ecovilas e Co-habitações - Comunidades ecologicamente desenhadas onde juntos os residentes se organizam e dividem uma certa propriedade.

Tecnologia para espaço aberto e Tomada de Decisão por Consenso - Ferramentas colaborativas para compartilhar o conhecimento e atingir decisões.

Título Nativo e Direito tradicional de uso -Maneiras tradicionais não exclusivos, reconhecidos por lei do uso da terra e recursos.

*Extraido do Livro "Permaculture - Principles and Pathways beyond the Sustainability" - David Holmgren

Traduzido por Coletivo Serra do Mar

sábado, 23 de julho de 2005

Masanobu Fukuoka. Da "agricultura natural" ao "reverdecer"


Sessenta anos junto à natureza lhe deram o saber para entender quem somos, o que devemos ser e o que temos que fazer no futuro para ser. A alma deste homem humilde (vive com sua aposentadoria), honesto, comprometido até às entranhas, camponês, poeta, filósofo, intelectual, ilumina as mentes e os corações de milhares de pessoas pelo mundo. É um revolucionário, um grande sábio.

Com seus livros e suas palavras nos faz pensar sobre nossa maneira de viver e nos indica o caminho e como chegar nele. Seu método revolucionário de agricultura natural, seu invento das "nendo dango" (bolinhas de argila em japonês) para converter desertos em bosques, seus livros, tudo o que diz e sua filosofia de vida o convertem sem dúvida em um personagem excepcional.

Sua filosofia de vida, faz-lhe feliz?
Se não tivesse me conectado à minha filosofia, há anos que estaria morto. Só existe uma coisa: que todo é um. Também descobri que não há nada que exista neste mundo, esta é a idéia que tenho perseguido. Tenho tentado entrar cada vez mais nos detalhes do mais profundo do NADA. A única grande idéia que tive aos 25 anos é que tudo é o mesmo.


Em geral seu pensamento está conectado com o NADA, “MU”, FAZER NADA. De acordo com este pensamento, até a educação é inútil. O conhecimento em si mesmo é algo que separa as coisas. Fukuoca diz "se utilizas este pensamento para separar o vermelho do negro, aprendeste a separar o vermelho do negro, mas nada sobre o vermelho ou o negro".

Como se explica que uma pessoa de sua idade tenha tal vitalidade?
Todo o secreto é que não me preocupo em absoluto com minha saúde. Talvez seja o fato de que há 60 anos decidi fazer-me de louco e fazer loucuras.

Crê que sua filosofia é transcendente?
(Sorri) Demasiado simbólico. Não sinto que seja assim. Sou um homem muito simples, muito normal. Meu grande privilégio foi ter descoberto que sou louco. Por isso não me sinto ofendido quando alguém diz algo estranho sobre mim, como tampouco me sinto maravilhado quando me elogiam. Penso que não tenho talento para fazer uma ONG. Por outro lado nunca vi uma organização funcionando bem, necessitam dinheiro e infra-estrutura para funcionar. Para reverdecer só são necessárias sementes e argila.

O que lhe pareceu a paisagem do Mediterrâneo desde a Grécia, Itália e Espanha (com a ilha de Mallorca)?
Também comparando com as paisagens africanas estas aqui são desertos rochosos, que serão muito difíceis de reverdecer. Às verduras, parece-me que lhes falta o sabor delicado. Creio que este sabor delicado que lhes falta é como se a natureza fosse muito simples e os nutrientes também. Parece que isso se passa com toda a natureza. À natureza falta-lhe vitalidade e esta deficiência se transmite aos alimentos e através deles, às pessoas. Não vejo variedades nos campos.

Que lhe parece esta paisagem tomada de oliveiras?
Parece ser a árvore que mais aguenta este clima. Uma árvore ideal para o deserto. E aqui é um deserto. Podes pensar que isso (o que vemos aqui) é a natureza tal qual. Numa área de uns 10 mts. só há cinco tipos de frutíferas diferentes. Com 30 tipos de frutíferas e que cada uma delas tenha 5 a 6 variedades poderíamos ter 150 tipos de fruta. Fazem 2.000 anos que se cortaram as árvores da floresta para se construir barcos. Começou a erosão e o avanço do deserto. Venho o deserto da Espanha para esta ilha (Mallorca). A agricultura moderna e a erosão são as causas para que este processo continue. Desapareceram a cultura e o uso dos bosques. A fome do mundo, a violência social e étnica. Estas coisas ocorrem porque se acelerou a destruição da natureza, se se perder mais uns 3% mais dela, o mundo se destruirá. Abri este livro (tem nas mãos um livro sobre a Mallorca e o mediterrâneo), demonstrando que é assim que o mundo pode chegar a ser. Sacrificar la natureza para o desenvolvimento de uma civilização. A civilização e a cultura vão em declínio e terminaremos neste deserto de pedra e terra. Este local deveria ser um bosque com árvores de 100 mts. Agora só nos resta a água armazenada nas pedras e esta é nossa última oportunidade.

Como solucionar a questão da fome?
O erro básico é quando o ser humano pensa que é ele que produz a comida. Por isso utiliza produtos químicos. As coisas que se faz para controlar a água, barragens, diques, é um erro. Parar o fluxo do rio, suja a água. A água ao fluir com as pedras é muito melhor, a água se purifica. O ser humano pensa que o problema se soluciona fazendo barragens, mas não faz nada para solucionar a falta de água. A água é produzida pela quantidade de folhas que há no solo. Este local está deserto não por falta d’água, mas sim pela falta de vegetação. Na Espanha, no Egito, na Líbia, tiram a água do fundo da terra, agravando o problema, ao tentarem puxá-la do fundo da terra. Destruindo liquens e folhas, pioramos a possibilidade de obter água. Tiramos a água do mar para produzir riqueza. Com este método cremos que estamos controlando a água. O trabalho que esse processo inclui realmente destrói a natureza. O homem queima madeira, carvão, urânio, crê que está criando mais e mais energia, mas está fazendo o contrário. A energia não serve para nada.

O que pensa das sementes híbridas?
Não. Não utilizo híbridos. Venho tentando explicar isso há uns 40 anos. Os japoneses não entendem porque só compreendem uma parte do problema, não sua totalidade. Quando falo do todo se converte em grande. Quando falo de algo concreto se torna pequeno. 60 anos buscando uma boa solução, um bom método, não encontrei. Tornei-me um pouco pessimista, agora tento explicar meus pensamentos com poemas. Si semeias sementes e lhe acrescentas fertilizante de um certo ponto de vista pode estar bem. Mas visto incluindo todas as partes pode o fertilizante ser um erro. Pode-se dizer que hoje em dia na raça humana para aqueles que crêem piamente na ciência que esta se converteu em uma religião. Faz 60 anos que cheguei ao conceito do “não fazer”. A única palavra em minha cabeça tem sido “UM”. Todas as coisas que tem valor realmente não existem. O conhecimento humano não tem nenhum valor, não tem valor a separação das cores, de algo que existe, que não existe.

Como imagina um livro para crianças?
A única esperança para esta situação são as crianças e talvez sejam os únicos sobreviventes. O problema está nos professores, pois eles podem criar mal-entendidos às crianças. Em uma palestra com estudantes na Univ. de Kioto, uma fala de duas horas, converteu-se em uma de 8 h. O tema principal da conversação foi que cremos que o professor de escola média é menos do que um de universidade. Este é um equívoco e me tomou 20 h. para explicá-lo e porque os seres humanos são muito mais estúpidos que os cães. O ser humano crê que tem a habilidade de saber conhecer, e isso não é certo. O ser humano tem dois olhos, os cães também, nós estamos pensando que vemos as mesmas coisas. Os cães e os gatos vêem uma coisa através dos olhos, e não fazem discriminação se é boa ou má, homem-mulher. Os gatos não vêem, é próprio dos humanos. O ser humano crê que conseguiu capturar a cor azul. O ser humano olha a montanha, o vale e vê cada um de uma maneira separada. Pensa que conhece a cada um separadamente. Os gatos e os cães vêem estes elementos, mas não separados. O ser humano dividiu a natureza em 4 partes, os cães as vêem como uma unidade. O ser humano crê que conhece a natureza, no entanto a única coisa que fez, foi dividi-la. O homem a fragmentou em 4 partes, pensando que realmente a conhece, mas não é verdade. Os cães e gatos conhecem-na verdadeira, os homens a dividem em partes. É como se tivéssemos um vaso e o rompemos em 4 pedaços. O ser humano observa um dos pedaços e pensa que é a totalidade, além do mais pensando que é mais inteligente que os cães e gatos que vêem a totalidade. Crê que conhece um ponto, uma linha, entretanto na realidade não conhece nem o ponto nem a linha. De acordo com as palavras de Sócrates: só sei que nada sei. Os seres humanos nem se quer conhecem-se a si mesmos. O único que sabemos é que o ser humano é diferente dos cães e dos gatos, e tendem a pensar que conhecem tudo.

Qual crê que é a razão de que só estudamos o pontual?
O problema se resolve admirando a totalidade. A razão do problema é que utilizamos o conhecimento científico e este é o verdadeiro problema.

Como podemos deixar de ver as coisas deste ponto de vista científico?
Quando o homem se afasta da natureza não pode sentir o coração da natureza. Quando pensamos em cobrar da natureza de forma científica isso é impossível. A razão porque a temos destruído é porque o que fazemos à ela, estaremos fazendo em nosso próprio benefício.

O que pensa dos cientistas?
Só pensam em fazer dinheiro. Utilizando o fundo de uma mina a 3.000 mts. Os cientistas do Instituto Fukuba estão pesquisando a antimatéria e estudos sobre supercondutores. Em uma piscina aceleram as partículas e observam como se comportam.

Aonde nos levarão estes experimentos? Porque buscamos coisas que já sabemos que existem? Porque buscamos coisas que já sabemos que não existem? Estes estudos podem ter algum valor?
Não se pode chamar progresso aquilo que não sabemos como pode acabar. Poderia chegar a resultados de uma força superior à bomba atómica. Se formos capazes de findar com estes experimentos, haveria dinheiro para salvar a África duas ou três vezes. A investigação da antimatéria pode se converter em a coisa mais perigosa que jamais existiu. É tão perigoso porque é somente algo antinatural. Hoje em dia podem ser geradas ratas maiores do que gatos. Imagina-se um ratão perseguindo um gato.

Isto é algo precioso ou monstruoso?
Esse momento está se aproximando. A montanha no rio e as ervas na árvore estão destroçadas. Aqui não existe Deus nem Buda. O humanos estão fragmentando a natureza em minúsculos pedaços.

Quando tempo ainda para a queda do ser humano se isso não se reverte?
No Japão a TV recorreu a cientistas de todo o mundo para discutir este tema e o que se disse é que nos restam 10 anos de vida. Eu avalio em uns 25-30 anos de vida. As coisas chegaram a um limiar. Em todas as questões que envolvem a natureza estamos em um ponto crítico. Penso que se perdermos mais uns 3% da vegetação a humanidade estará em perigo. Se perdermos estes 3%, perderemos a alegria da vida.

Por que perderemos a alegria da vida?
No Japão quando floresce a cerejeira a gente vai ao campo alegre, para ver sua flor, se senta embaixo das árvores e fazem festa. Estão felizes. Bebendo sakê admirando as flores. Quando as plantas florescem, produzem uma oxigenação isso produz ar puro. Se há muito ar puro estamos contentes e bebemos sakê. Se perdermos os 3% da natureza é igual a perder ar puro e perderemos o sentimento de bailar e beber sakê, e as pessoas se esfriarão. Creio que a melhor maneira de recuperar é atirar as bolinhas de argila. Estou dizendo para jogar fora os livros e deixar de pensar. Podes anotar o que quiseres desta entrevista, mas o último parágrafo deves colocar “esta entrevista não serve para nada”. Temos que semear as bolinhas de argila com rapidez porque não tem mais tempo. Depende de cada um de vocês para que isto seja um ponto de partida para o reflorestamento de todo o planeta ou nos restará somente reverdecer somente esta ilha. Não devemos deixar que esta ilha se converta no último paraíso. Aqui deve haver um paraíso para demonstrar para o resto do mundo com um reflorestamento de verdade.

O “nendo dango” é um experimento?
Não posso dizer que seja um invento, é uma imitação da natureza. Quando jogamos nendo dango , semeamos como Deus. Quando fazemos nendo dango temos que nos sentir que somos Deuses. Quando se faz os nendo dango estamos colocando alma na bolinha de argila. Que tipo de sementes devemos semear e quais não? Já não se trata de introduzir ou não espécies não autóctones, trata-se de “sobrevivência”. Tenho um plano de fazer uma olimpíada verde de repovoamento florestal para o Mediterrâneo. A Espanha, sobretudo, padece de um grave caso de desertificação.

Como podemos chegar à consciência das pessoas ante o problema de que a natureza está morrendo?
Vocês terão que inventar as palavras. Eu sou capaz de transmitir este pensamento em poucas palavras. Aqui nesta região da Europa há pouca água, portanto há que dançar e tocar o tambor para atrair a água.

Qual é o seu último projeto? O que está fazendo ultimamente?
Na Grécia com um grupo, estamos levando a cabo um projeto de reverdecer uma extensa área de 10 mil hectares desértica com a ajuda de 500 voluntários e espalhando por todo o espaço bolinhas de argila. Utilizaram 70 toneladas de argila e 12 toneladas de sementes, 5 toneladas de algodão e três toneladas de jornais. Todo mundo colaborou, daí não precisar de dinheiro nem organização. Eu dizia aos jovens: vocês têm que semear bolinhas com alma para que cresçam melhor. Quando semeias “nendo dango”, és como Deus.