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terça-feira, 26 de maio de 2026

Cientistas descobrem por que a reciclagem de garrafas de plástico PET não é 100% eficaz


Uma investigação permitiu identificar os mecanismos moleculares que bloqueiam a degradação enzimática de um dos plásticos mais produzidos no mundo, o tereftalato de polietileno (PET), quando este se encontra na sua forma cristalina.

Publicado na revista The Journal of Physical Chemistry Letters, o estudo do Instituto de Ciências Marinhas (ICM-CSIC) e do Instituto de Química Avançada da Catalunha (IQAC-CSIC) apontou como principal problema a grande quantidade de energia necessária para a enzima se ligar às cadeias poliméricas quando estas estão extremamente compactadas.

Há duas décadas que os cientistas tentam aperfeiçoar enzimas capazes de decompor este material, presente em milhões de toneladas de resíduos, mas a maioria delas atua apenas na sua porção mais flexível, noticiou na terça-feira a agência Efe.

No entanto, os produtos comerciais apresentam frequentemente um elevado grau de cristalinidade, com moléculas altamente ordenadas, o que representa um desafio significativo para a degradação biológica.

Limitação estrutural e energética
Para realizar o estudo, a equipa científica combinou a análise de dados experimentais sobre o formato das cadeias de plástico com simulações computacionais de alta precisão.

Estas simulações permitiram observar como a enzima se liga a pequenos fragmentos de plástico e medir o gasto energético deste processo.
"Os nossos resultados demonstram que, embora a enzima seja teoricamente capaz de alcançar a posição correta para realizar o corte químico tanto em plástico macio como em plástico cristalino, o custo energético para tal neste último é proibitivo", observou o autor principal do estudo, Francesco Colizzi.
Ao compreender que a limitação é estrutural e energética, os investigadores podem agora concentrar-se na modificação da arquitetura das enzimas existentes.
"Se conseguirmos conceber enzimas que ultrapassem estas barreiras energéticas, estaremos muito mais próximos de uma verdadeira economia circular, onde as garrafas usadas possam ser transformadas em novas garrafas da mesma qualidade, vezes sem conta", realçou a primeira autora do estudo, Ania Di Pede-Mattatelli.
Para os cientistas, esta descoberta realça a necessidade de desenvolver novas ferramentas biotecnológicas para um processo de reciclagem circular mais sustentável e independente dos combustíveis fósseis.

Os investigadores sublinharam que a colaboração internacional é fundamental para alcançar o objetivo final, de criar um catálogo de biocatalisadores otimizados para diferentes tipos de resíduos plásticos, minimizando a pegada de carbono do processo de reciclagem e oferecendo uma alternativa viável à produção de plástico virgem derivado do petróleo.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Projeto de megacentral fotovoltaica em Castelo Branco volta a ser chumbado


A Agência Portuguesa do Ambiente voltou a chumbar a central fotovoltaica da Beira, em Castelo Branco.

O projeto da central solar da Beira iria ocupar mais de 500 hectares nos concelhos de Idanha-a-Nova e Castelo Branco. Previa a instalação de mais de 400 mil módulos fotovoltaicos, com 22 quilómetros de linhas de muito alta tensão, em paisagens protegidas e áreas classificadas.

O projeto foi chumbado pela Agência Portuguesa do Ambiente. A confirmação foi dada à SIC pela ministra Maria da Graça Carvalho.

A APA já tinha chumbado um projeto para esta central no ano passado. Com o novo chumbo, a empresa pode ainda apresentar uma nova versão.

A Plataforma de Defesa do Parque Natural do Tejo Internacional garante que continuará atenta, tendo também como foco outra megacentral solar, o projeto Sophia. Este é igualmente alvo de protestos e tem uma dimensão ainda maior.

São cerca de dois mil hectares nos concelhos do Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova. O projeto está ainda em fase de avaliação do estudo de impacte ambiental e aguarda parecer da Agência Portuguesa do Ambiente.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Mensagem de Natal do Primeiro-Ministro - a essência de um regime cleptocrata


A mensagem de Natal de Luís Montenegro não foi neutra. Foi uma armadilha retórica para deslocar a responsabilidade do Governo para as pessoas. Segundo o Primeiro-Ministro, o país está bem e a economia cresce. Se não sentes isso na tua vida, se o salário é curto, o problema não é estrutural, é teu. Falta-te ambição. Falta-te “mentalidade de campeão”.

É aqui que a analogia com Cristiano Ronaldo se torna ofensiva. O modelo deste Governo não é quem segura o SNS ou a escola pública, é um multimilionário a jogar na Arábia Saudita, um regime autoritário que usa o desporto para lavar a sua imagem internacional. A mensagem é simples. Se ele conseguiu, tu também consegues. Ronaldo é a exceção absoluta. Usar uma exceção para julgar a vida de milhões de portugueses que trabalham, descontam e cumprem é profundamente desonesto.

Sete minutos de ladainha. Dizem que está tudo óptimo, mas quando chega à prática temos o menor aumento percentual do salário mínimo dos últimos anos e um ataque cerrado aos direitos laborais. Sinal claro de que a propaganda vive melhor do que as pessoas.

Enquanto vendem a ilusão do “país rico”, os números mostram onde fica a riqueza:
Jerónimo Martins: faturou 33,4 mil milhões € em 2024 (lucro: 599M€).
Sonae: cerca de 10 mil milhões € de volume de negócios (lucro: 223M€).
EDP: 801M€ de lucro.
Galp: 961M€ de lucro.
Banca: lucros recorde de 6,3 mil milhões €, à custa dos juros pagos pelas famílias.

A riqueza existe. A distribuição é que não. O “trickle-down” é uma mentira contada muitas vezes. A produtividade sobe, mas os ganhos ficam nos salários e prémios dos CEOs e nos dividendos, não nos salários de quem trabalha.

E sobre o essencial? Silêncio.

Ignorou as falhas graves no SNS, a habitação que esmaga vidas e ignorou a transparência. O mesmo Primeiro-Ministro que pede “mentalidade” opôs-se a revelar detalhes de 55 imóveis e lidera um Governo com um património conjunto de 20,9 milhões €, com três ministras a concentrarem mais de 11M€.
A distância entre quem governa e quem trabalha é abismal.

Esta mensagem não serviu para unir o país. Serviu para disciplinar. Para justificar desigualdade.
Para transformar problemas colectivos em culpas individuais.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Esta é a lista de clientes divulgada por Marques Mendes


O candidato presidencial Luís Marques Mendes divulgou esta sexta-feira uma lista com os 22 clientes da sua empresa, na qual se encontram prestações de serviços em consultoria, comentário e participações em conferências, e que inclui a construtora de Famalicão Alberto Couto Alves.

Numa lista enviada à agência Lusa pela sua candidatura, encontram-se como clientes da sociedade LS2MM, Lda., no âmbito de consultoria estratégica: a Alberto Couto Alves, SGPS, SA; a Associação Portuguesa dos Industriais de Engenharia Energética (APIEE); a Atrys Portugal Centro Médico Avançado, SA, do Porto; a Denominador Comum – Consultoria de Negócios, SA, com sede na Póvoa de Lanhoso; e a Painhas SA, com sede no Porto.

À Lusa, o diretor de campanha, Duarte Marques, desafia os restantes candidato, “a bem da transparência”, a divulgarem “tudo o que se possa suscitar conflitos de interesses”.

McDonald’s e transportes pesados entre clientes

Na sequência de um artigo da revista Sábado, segundo o qual Marques Mendes ganhou mais de 700 mil euros nos últimos dois anos enquanto consultor da Abreu Advogados e na sociedade LS2MM, Lda, o candidato presidencial comprometeu-se a divulgar a lista da sua empresa familiar, após autorização dos clientes, mas não da sociedade de advogados, por colocar em causa o sigilo profissional.

Da lista da sua empresa constam igualmente, no âmbito de conferências proferidas por Marques Mendes: a ARP – Associação Rodoviária de Transportes Pesados de Passageiros; associação de Restaurantes McDonald’s, Brandom – Comunicação, Imagem e eventos, Lda; CBRE – Sociedade de Mediação Imobiliária, Lda; Cimpor – Serviços, SA; Eixo e Debate, Lda; El Circo del Marketing SL; Ger Imotion – Lda; GS1 Portugal; Marketividade – Marketing, comunicação e vendas, Lda; Primavera – Business Software Solutions, SA; Rede Global, SA; Shopitur, SA; a Tabaqueira II, SA; e Tedcom, Lda.

A SIC Sociedade Independente de Comunicação, SA, aparece na lista pelo espaço de comentário que manteve, assim como a Medipress Sc Jornalística e Editorial, Lda, no âmbito de artigos de opinião.

"Quem não deve não teme"
O diretor de campanha de Marques Mendes salientou, na declaração escrita enviada à Lusa, que o candidato presidencial divulgou esta lista “por dever de escrutínio e porque quem não deve não teme”.

“Cumpriu o que prometeu”, declarou, sublinhando que “o escrutínio deve ser para todos”.

“Isto é escrutínio e é correto. Outra coisa são insinuações vindas de alguns outros candidatos, só exibem desespero e baixa política”, afirmou Duarte Marques, que disse que “Marques Mendes resolveu fazer algo de inédito em Portugal em termos de transparência: divulgar a lista de clientes com que trabalhou, na sua vida”.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Hideo Tanaka


Hideo Tanaka (pintor, Japonês, nascido em 1959) - "Flowers", 2020

Hideo Tanaka não é propriamente um pintor hiper-realista. Digamos que é um pintor realista e neo-surrealista.

Tanaka pinta com um olhar muito atento ao detalhe, unindo realismo com elementos surreais.

As suas obras figurativas frequentemente retratam mulheres — muitas vezes “empoleiradas” em postes eléctricos ou semáforos — num ambiente onírico / surreal, como se estivessem prestes a uma epifania. Outras em posições fetais.

Também abundam quadros com vasos, luzes e lâmpadas, ou até refeições, convocando o espectador a uma reflexão profunda sobre a energia, o significado simbólico da luz e do nutrimento.

Apesar da componente surreal e imaginativa, os seus retratos e composições mantêm uma precisão realista nos elementos representados — gerando uma sensação nostálgica, contemplativa, em vez de assombro imediato.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Dia Mundial da Economia de Energia - A energia mais limpa é a que não se consome


O Dia Mundial da Economia de Energia foi criado em 21 de outubro de 1973, logo após a crise mundial do petróleo que começou nesse mesmo ano. O aumento repentino do preço e a escassez deste recurso essencial despertaram a consciência global sobre a dependência energética e a necessidade urgente de racionalizar o consumo.

Esta data convida-nos a repensar a forma como usamos a energia — em casa, no trabalho e nas cidades — e a adotar hábitos mais eficientes e sustentáveis. Economizar energia não significa apenas gastar menos; significa usar melhor, reduzir desperdícios e proteger o planeta.

Todos sabemos que economizar energia é bom para o planeta. Mas, e para o negócio? Neste Dia Mundial da Economia de Energia, vale a pena lembrar que cada kWh poupado é mais um passo dado para empresas se tornarem mais eficientes, competitivas e até mais inovadoras. Porque inovar também é repensar processos, otimizar recursos, fazer mais com menos. A energia mais limpa é, afinal, a que não se consome.

A verdade é que a eficiência energética deixou de ser apenas uma exigência legal: tornou-se uma alavanca estratégica. Não se trata apenas de instalar tecnologia verde ou de cumprir regulamentos; trata-se de criar uma cultura de consumo consciente. É perceber que cada processo, cada equipamento e cada decisão de investimento podem gerar impacto direto nos resultados da empresa. E essa transformação começa dentro de casa: ao mapear processos, identificar desperdícios e agir de forma proativa, as empresas conseguem produzir mais com menos, reduzir emissões e aumentar a competitividade.

Um exemplo claro desta abordagem é a monitorização em tempo real. Quando conseguimos acompanhar, minuto a minuto, como a energia é consumida, deixamos de reagir a problemas e começamos a preveni-los. Os dados deixam de ser números isolados e transformam-se em decisões inteligentes, traduzindo-se em ação e, consequentemente, em resultados. É aqui que se esconde o verdadeiro valor da eficiência: na capacidade de transformar informação em vantagem concreta.

Outro vetor estratégico é a eletrificação da indústria. Portugal tem dado passos importantes, mas ainda há muito a fazer. A eletrificação só é eficaz se estiver integrada com soluções digitais, energias renováveis e armazenamento. Esta transformação exige visão de longo prazo e um trabalho contínuo de melhoria, um processo incremental, mas consistente, capaz de gerar valor real e sustentável.

Depois, a economia de energia também é um exercício de liderança. Empresas que olham para a eficiência como uma prioridade estratégica não estão apenas a cortar custos: estão a construir resiliência, a reforçar a reputação e a abrir portas para novos investimentos.

No fundo, a mensagem é simples: criar hábitos, investir em soluções inteligentes e integrar a eficiência energética na estratégia do dia a dia não é apenas bom para o planeta, é essencial para as empresas que querem liderar o futuro.

⚡ Algumas ações simples que fazem diferença:
  • Substituir lâmpadas incandescentes por LED.
  • Desligar aparelhos e carregadores da tomada quando não estão em uso.
  • Aproveitar a luz natural e melhorar o isolamento térmico das casas.
  • Optar por transportes sustentáveis.
  • Escolher equipamentos com selo de eficiência energética.

sábado, 19 de julho de 2025

Jeffrey Sachs: Eu avisei que algo estava chegando e agora está aqui


Contexto e mensagens principais

  1. Advertências anteriores
    Sachs já vinha alertando que tensões geopolíticas (como a expansão da NATO e rivalidades entre EUA, China e Rússia) estavam criando uma conjuntura de risco. Ele diz agora que “isso já está aqui” — possivelmente referindo-se a crises económicas, conflitos regionais, ou tensões globais mais agudas.

  2. Papel crítico da NATO e dos EUA
    Em declarações recentes (até fevereiro de 2025), ele criticou a ampliação da NATO como um catalisador para a guerra na Ucrânia e tensão com a Rússia. Ele defende que foi um erro estratégico e um dos fatores centrais do conflito Visão multipolar

  3. Nos últimos meses, Sachs defendeu uma ordem mundial menos centrada nos EUA, pedindo que a Europa e outros países adotem independência nas suas políticas — buscando mediação como China, e falando de uma “Europa livre” da influência norte-americana 

  4. Críticas específicas
    Ele chegou a sugerir que o Nord Stream poderia ter sido sabotado pelos EUA, e acusou Washington de planejar ações em áreas como Irão, Israel e outros pontos sensíveis — chegando a falar sobre um "plot" (conspiração) envolvendo EUA e Israel e avisando sobre risco de uma guerra com o Irão


🧭 E agora? O que significa “está aqui”?

Na minha interpretação, com base no que Sachs disse:

  • Crise nas grandes potências – Tensões entre EUA, China e Rússia intensificadas em domínios militares, económicos e diplomáticos.

  • Escalada económica – Guerra económica, disrupções energéticas, instabilidade financeira global — efeitos que Sachs vinha prevendo.

  • Possibilidade de conflitos regionais – Com foco em Irão, Oriente Médio, Taiwan, Ucrânia.


✅ Conclusão

Sim — Sachs estava alertando há meses para crises profundas, e agora afirma que já as estamos sentindo. O seu alerta conjunto é sobre:

  • Ampliação da NATO e tensão Rússia‑Ocidente

  • Competição acelerada entre grandes potências

  • Escalada económica e conflitos por energia e influência

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Combustíveis fósseis: Bruxelas diz que Portugal não cumpriu recomendações


Portugal não cumpriu as recomendações da Comissão Europeia para eliminar subsídios aos combustíveis fósseis até 2030, ser mais ambicioso na eficiência energética e responder às necessidades de investimento na transição climática.

A Comissão Europeia concluiu que Portugal "não respondeu" a três recomendações, incluindo a de eliminar subsídios aos combustíveis fósseis.

"O plano reconhece a necessidade de eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis até 2030, em conformidade com os compromissos internacionais, mas não apresenta medidas específicas nem um cronograma claro para tal", assinala a instituição.

Além disso, apesar de o plano português incluir metas sobre a eficiência energética, o país "não aumentou o nível de ambição", critica Bruxelas.

Já quanto ao financiamento da transição energética e climática, o plano de Portugal "não apresenta dados sobre necessidades de investimento", nem "explica como as medidas irão mobilizar investimentos privados", não incluindo uma "divisão entre investimento público e privado".

A Comissão Europeia pede que Portugal garanta "uma implementação atempada e completa" de um novo plano energético.

"A UE está atualmente no caminho para reduzir as emissões líquidas de gases com efeito de estufa em cerca de 54% até 2030, caso os Estados-membros implementem plenamente as medidas nacionais existentes e planeadas, bem como as políticas da UE", concluiu a Comissão Europeia.

A meta da UE é reduzir as emissões líquidas de gases com efeito de estufa em pelo menos 55% face a 1990, alcançar pelo menos 42,5% de energias renováveis no consumo final bruto de energia e melhorar a eficiência energética em pelo menos 11,7%.

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Quem manda neste país - De pouco nos serve escolher um Parlamento e um Governo, se o verdadeiro poder em Portugal não é o democrático


Por João Paulo Batalha
Está a chegar ao fim, graças a Deus, a campanha para uma eleição dispensável, convocada para resolver um caso de venalidade e má conduta ética, que não vai resolver o caso que a provocou. Uma ficção dramatizada e pouco convincente, em que os políticos fingem que vão resolver tudo, e os eleitores já nem fingem que acreditam. É uma campanha pouco entusiasmante porque é uma campanha repetida (estivemos nisto há um ano) e porque o cidadão médio espera muito pouco dos mesmos partidos e das mesmas lideranças.

Temos boas razões para a descrença. Em Portugal, o verdadeiro poder está hoje fora do Estado, acima do Estado. Capturando um poder político fraco, mandam os grandes lóbis. Comem à mesa dos contribuintes, esmifram os consumidores, prosperam intocados, protegidos pela lei e a salvo dos tribunais. O melhor caso de estudo dessa privatização do poder e da soberania democrática desenrola-se à frente dos nossos olhos há cinco anos.

Em 2020, a EDP vendeu à francesa Engie seis barragens na bacia do Douro por 2.200 milhões de euros – concessões que o Estado tinha prorrogado não muito tempo antes, sem concurso, por uma fração desse valor. O negócio foi estruturado de forma a que a operação não pagasse impostos. Os alertas para a engenharia fiscal foram feitos ainda de o negócio se concretizar, pelo Movimento Cultural da Terra de Miranda, uma organização cívica que assumiu um combate desigual por justiça para o Nordeste transmontano, de onde há décadas muita riqueza é extraída, sem contrapartidas justas para as populações locais.

Os avisos foram inúteis. Apesar de prevenido, o Governo da época abriu todas as portas e estendeu à EDP todas as facilidades. O negócio das barragens está sob investigação há anos, e faz parte de um conjunto grande de diferendos que opõem a EDP ao Estado, a maior parte dos quais sem resolução à vista – e vários a trabalhar para a prescrição. Mas o conflito mais revelador tem sido o pagamento do IMI devido pelas concessões das barragens. De novo, tem sido a sociedade civil, através do Movimento Cultural da Terra de Miranda, a liderar este combate, com apoio dos municípios beneficiários do IMI que nunca foi cobrado, e contra a cumplicidade permanente dos Governos e da Autoridade Tributária, sempre do lado da EDP.

A receita foi sempre a mesma: os agentes públicos que deviam zelar pelo interesse comum, no Governo ou na AT, eram os primeiros a expressar dúvidas sobre a legalidade de cobrar o imposto sobre imóveis aos imóveis nos quais a EDP sustenta a sua atividade de produção energética e boa parte dos seus lucros. Invocava-se a complexidade do problema e as intricâncias da lei. A EDP empatava – e empatar é ganhar. Finalmente, em 2023, o então secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Nuno Félix, ordenou à Autoridade Tributária que avaliasse as barragens e cobrasse os impostos. Nem assim. A própria AT, sempre expedita com o pequeno contribuinte faltoso, continuou a arrastar os pés.

O novo Governo PSD/CDS tratou da coisa de forma muito portuguesa: nomeou uma comissão para estudar o assunto. A comissão publicou agora o seu relatório, em que sugere uma alteração legislativa para garantir que o IMI seja mesmo cobrado. 

Uma derrota para a EDP? Pelo contrário: uma requintada vitória travestida de derrota. Como noticiou ontem o Jornal de Negócios, alterar a lei para mandar cobrar o IMI seria reconhecer que a lei atual não obriga ao seu pagamento – quando obriga! Seria dar cabo dos esforços, desde 2020, para arrecadar o bendito imposto, que qualquer outro cidadão paga sem reclamar, e seria deitar fora o que está por cobrar dos últimos quatro anos (tudo o que não foi pago antes disso já prescreveu). A comissão nomeada pelo Governo propõe, em suma, fazer a vontade à EDP, parecendo que está a derrotá-la. Mesmo perdendo, a EDP ganha.

Pior, alertou de novo o Movimento Cultural da Terra de Miranda, uma alteração legislativa não só limparia todo o IMI de anos anteriores, como daria argumentos para renegociar os contratos de concessão, a pretexto de que os novos encargos fiscais não estavam previstos. Significa isto que, mesmo quando começasse a ser pago, o imposto sobre os imóveis que rendem milhões à energética não seria pago pelo contribuinte EDP, mas por todos os outros contribuintes!

Há cinco anos que o Estado português não consegue cobrar os impostos que são devidos nas barragens. Quando se exige à Autoridade Tributária e a sucessivos Governos que defendam o interesse público, arranjam sempre forma de fazer as vontades ao grande lóbi. A soberania da EDP sobrepõe-se à do Estado, num país onde os concessionários exercem um domínio feudal sobre os servos da gleba. Domingo elegeremos um novo Parlamento e escolheremos um novo Governo. Mas continuaremos a baixar a cabeça a quem verdadeiramente manda neste país.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Biden Boosts AI Despite Energy Dept. Warning



Just before President Joe Biden this week issued a last-minute order designed to boost tech companies’ artificial intelligence buildout, his own Energy Department issued a report warning that data centers’ energy consumption, water use, and emissions are already skyrocketing amid increasing electricity costs, droughts, and climate disasters.

Biden’s Jan. 14 executive order calls for the Energy and Defense Departments to lease federal lands to private-sector companies to “build AI infrastructure at speed and scale.”

“Today’s Executive Order enables an AI infrastructure buildout that protects national security, enhances competitiveness, powers AI with clean energy, enhances AI safety, keeps prices low for consumers, demonstrates responsible ways to scale new technologies, and promotes a competitive AI ecosystem,” Biden said in a statement announcing the executive order.

The AI industry already uses more energy annually than 16.3 million American households, and studies suggest that energy use is increasing electricity prices for American consumers.

The executive order comes just one month after a new Department of Energy report that found energy consumption for data centers — particularly AI data centers — is projected to boom in the coming years, accounting for up to 12 percent of the total U.S. electricity use in 2028.

The report, produced by scientists at the Lawrence Berkeley National Laboratory, found that data center energy use more than doubled from 2017 to 2023, largely due to AI and Bitcoin mining. The spike in energy use comes after years of relatively stable data center energy usage throughout the 2010s.

The kinds of data centers and storage facilities being built have also changed dramatically. Historically, office buildings had on-site storage for their data. That has since changed as many companies have shifted to cloud computing — or off-site, energy-intensive data facilities accessed through the internet.

The report found that in 2023, U.S. data center energy use accounted for 176 terawatt hours — 4.4 percent of all total electricity consumption nationwide, or more than the total amount consumed by all households in California. By 2028, scientists estimate that data center energy use will be between 325 and 580 terawatt-hours per year — roughly 6.7 to 12 percent of all U.S. electricity consumption, or the amount that 30 to 53 million households currently use.

The explosion in data center energy use can impact consumers’ pocketbooks. A November study from the Jack Kemp Foundation, a public policy nonprofit, found that electricity bills could increase by up to 70 percent due to AI data center energy demands.

The data center explosion is also consuming massive amounts of water. In 2014, data centers indirectly used more than 5.6 billion gallons of water for cooling and other energy purposes. According to the new Energy Department report, that indirect water footprint swelled to more than 211 billion gallons in 2023 — more water than 1.76 million U.S. households use per year.

The report’s authors declined to estimate future environmental impacts of the data center boom due to “potential future changes in the electricity mix.” Still, they noted, “With the projected growth of data centers’ energy use in the coming years, indirect water consumption and emissions are also expected to increase.”

Biden’s executive order calls for the new data centers to use clean energy sources, such as geothermal energy. However, the clean energy stipulation may be in jeopardy as President-elect Donald Trump takes office on January 20.

Trump, who received more than $32 million from the oil and gas industry during the past election cycle, has promised to “Drill, baby, drill” in order to expand the use of fossil fuels and roll back climate change regulations.

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Organizações não governamentais dos EUA, Canadá, Letónia, Estónia e Portugal apelam ao novo governo do Reino Unido para parar de subsidiar Drax para queimar árvores das florestas dos seus países


41 organizações de países que exportam pellets de madeira para o Reino Unido escreveram hoje ao Secretário de Estado Ed Miliband, instando-o a não ceder ao lóbi de Drax por novos subsídios assim que o apoio existente termine em 2027 . [1] A central termoeléctrica a biomassa de Drax, em Yorkshire, queima mais madeira do que qualquer outra central no mundo, toda ela (quase 6 milhões de toneladas de pellets de madeira em 2023) importada. O Reino Unido paga mais subsídios para a queima de madeira, principalmente nas centrais termoeléctricas, do que qualquer outro país da Europa, e Drax é de longe o maior beneficiário destes subsídios. O governo anterior propôs vários anos de novos subsídios, os chamados “transitórios”, para Drax e possivelmente para a central termoeléctrica de Lynemouth, que, de acordo com a sua avaliação de impacto, poderiam ascender a 2,5 mil milhões de libras por ano .

A maioria dos pellets de madeira queimados em Drax vêm do sudeste dos EUA e do Canadá.
Adam Colette, da Dogwood Alliance, [2] com sede na Carolina do Norte, afirma: "As nossas florestas e comunidades há muito que sofrem com as práticas destrutivas da indústria da biomassa. A devastação é liderada pela Drax e financiada pelo governo britânico. A nossa esperança é que uma nova administração veja os impactos que advêm de soluções falsas que prejudicam as pessoas e o ambiente no sul dos EUA e deixam de subsidiar as empresas que destroem o planeta."

Len Vanderstar, Diretor da Bulkley Valley Stewardship Coalition na Colúmbia Britânica [3], acrescenta: “Dado que o mundo se aproximou e até ultrapassou os pontos de viragem no que diz respeito ao aquecimento global, a solução para as alterações climáticas não é uma maior desverdização do planeta.

Drax queima também quantidades substanciais de pellets de madeira provenientes da Letónia, Estónia e Portugal.
Liina Steinberg, membro do Conselho da Save Estonia's Forests [4], afirma: “A pressão sobre as florestas da Estónia continua a aumentar rapidamente. A procura da indústria da biomassa florestal, incluindo a exportação para o Reino Unido, soma-se à crescente procura de pasta de papel, papel e produtos bioquímicos. Para fornecer toda esta madeira, novas propostas legislativas - fortemente apoiadas pela indústria - prevêem as primeiras plantações de árvores em grande escala na Estónia, bem como o enfraquecimento das protecções de áreas naturais supostamente protegidas.»

Viesturs Ķerus da Sociedade Ornitológica da Letónia [5] afirma: “Na Letónia, estamos a assistir a declínios nas populações de espécies florestais que deveríamos proteger, habitats florestais de importância internacional estão a ser destruídos e perdemos o sumidouro de carbono florestal. Embora existam vários factores envolvidos, a procura subsidiada de biomassa para queima por parte do Reino Unido e de outros países é, sem dúvida, um factor importante por detrás desta degradação das nossas florestas.”

Paulo Pimenta de Castro da Acréscimo - Associação de Promoção ao Investimento Florestal [6] acrescenta: “Em Portugal, a produção de pellets para energia, maioritariamente para exportação, bem como a queima direta de biomassa têm provocado uma perda significativa de cobertura arbórea, afetando espécies autóctones, nomeadamente pinheiros e carvalhos . Esta perda está associada à expansão das plantações de eucalipto e à invasão de acácias, que têm um impacto crescente nos incêndios florestais.”

Os grupos que assinaram a carta apelam ao governo para que utilize o dinheiro poupado ao não conceder novos subsídios a Drax e à Lynemouth Power para apoiar energias renováveis ​​limpas e genuinamente de baixo carbono, como a energia eólica e solar.

[1] The letter can be viewed here

[2] Dogwood Alliance is a non-profit organization which promotes environmental justice and climate action by mobilizing diverse voices to protect Southern forests and communities from industrial logging: dogwoodalliance.org/

[3] Bulkley Valley Stewardship Coalition is a volunteer-run organization that works to protect the natural environment in Bulkley Valley, which is located in the northwest Central Interior of British Columbia, Canada,

[4] Latvian Ornithological Society is the Latvian member group of BirdLife International: lob.lv/

[5] Save Estonia’s Forests is a grassroots movement that seeks to improve the protection of forests in Estonia: savetheforest.ee/en/

[6] Acréscimo is a non-profit organization that seeks to improve the conservation and management of forests in Portugal: https://www.facebook.com/acrescimo/

quarta-feira, 3 de julho de 2024

A IA representou um aumento de 48% das emissões de gases com efeito de estufa da Google em 5 anos



Google's greenhouse gas emissions in 2023 were 48% higher than in 2019, according to its latest environmental report.

The tech giant puts it down to the increasing amounts of energy needed by its data centres, exacerbated by the explosive growth of artificial intelligence (AI).

AI-powered services involve considerably more computer power - and so electricity - than standard online activity, prompting a series of warnings about the technology's environmental impact.

Google's target is to reach net zero emissions by 2030 but it admits that "as we further integrate AI into our products, reducing emissions may be challenging."

In its 2024 Environmental Report, Google says it is "due to increasing energy demands from the greater intensity of AI compute."

Data centres are essentially massive collections of computer servers - and AI needs a huge amount of them.

A generative AI system - such as ChatGPT - might use around 33 times more energy than machines running task-specific software, according to a recent study.

However, Google's report also reveals large global disparities in the impacts of its data centres.

Most of the centres in Europe and the Americas get the majority of their energy from carbon-free sources.

This compares with data centres in the Middle East, Asia and Australia, which use far less carbon-free energy.

Overall, Google says about two thirds of its energy is derived from carbon-free sources.

"If you actually go into data centre, it's really hot and really noisy," says Tom Jackson, professor of information and knowledge management at Loughborough University.

"People don't realise everything they're storing in the cloud is having an impact on their digital carbon footprint," he says.

Prof Jackson runs the Digital Decarbonisation Design Group, which tries to measure and find solutions to reduce the carbon footprint of data usage.

"Data providers have to work closely with large organisations to help them move away from storing so much of their dark data," he says.

Dark data is data which has been collected by organisations but which has either been used once or not at all.

However, storing it on chips still takes up large amounts of energy even when it is not being used.

"On average, 65% of the data an organisation stores is dark data," says Prof Jackson.

He commends Google's target of reaching net zero in its data centres by 2030, but says it will be "really tough."

The increasing energy - and water - use of AI has prompted a series of warnings, especially as the sector is forecast to keep growing rapidly.

The boss of the UK's National Grid said in March that the combination of AI and quantum computing would lead to a six-fold surge in demand in the next 10 years.

However, Microsoft co-founder Bill Gates recently downplayed the environmental impact of AI.

Speaking in London last week, he suggested AI would increase electricity demand by between 2% and 6%.

"The question is, will AI accelerate a more than 6 per cent reduction? And the answer is: certainly," he said, as reported by the Financial Times.

segunda-feira, 20 de maio de 2024

O verdadeiro custo da reprodução no reino animal

Verdilhão (Chloris chloris)

Um novo estudo publicado na revista Science e liderado por biólogos da Universidade Monash revela que o custo energético da reprodução é muito maior do que se pensava anteriormente.

A investigação, liderada por Samuel C Ginther, da Escola de Ciências Biológicas, desafia os pressupostos há muito defendidos sobre a dinâmica energética da reprodução e as suas implicações para a evolução da história de vida.

O estudo concluiu que a energia investida pelos progenitores na reprodução inclui não só a contida nos próprios descendentes (custos diretos), mas também a energia gasta para os produzir e transportar (custos indiretos). Na maioria das espécies, os custos indiretos, como a carga metabólica da gravidez, excedem os custos diretos.

A equipa de investigação analisou dados de 81 metazoários, desde rotíferos a seres humanos, para estimar os custos energéticos totais da reprodução e dos seus componentes. Esta abordagem global fornece um novo quadro para a compreensão da dinâmica energética da reprodução numa vasta gama de animais.

Embora os cientistas tenham compreendido os custos energéticos diretos associados à descendência (como a energia utilizada para a criar e alimentar), os custos indiretos – a carga metabólica da gravidez e dos cuidados parentais – têm sido largamente ignorados. Esta nova investigação revela que estes custos indiretos podem ser imensos.

Por exemplo, nos mamíferos, apenas cerca de 10% da energia utilizada na reprodução é canalizada para os próprios descendentes. No entanto, 90% é gasta no processo de gestação, que exige muito metabolismo. Os seres humanos, com as suas gravidezes prolongadas, têm alguns dos custos indiretos mais elevados, atingindo cerca de 96%.

Descobertas importantes para perceber como é que os animais evoluem e se adaptam aos seus ambientes

“Os resultados foram surpreendentes”, afirmo Ginther, revelando que descobriram que, para muitos animais, a energia gasta simplesmente no transporte e nos cuidados com a prole antes do nascimento “ultrapassa de longe a energia investida na própria prole”.

“Estas descobertas têm implicações significativas para a compreensão da forma como os animais evoluem e se adaptam aos seus ambientes. Também levantam preocupações sobre o potencial impacto das alterações climáticas no sucesso reprodutivo das espécies, uma vez que o estudo concluiu que os custos indiretos são particularmente sensíveis às flutuações de temperatura”, acrescenta.

O estudo concluiu que os mamíferos despendem mais energia na reprodução do que os ectotérmicos (anfíbios, répteis, peixes, etc.), representando os custos indirectos cerca de 90% do total das suas despesas de energia reprodutiva, enquanto os ectotérmicos que vivem têm custos indirectos mais elevados do que as espécies que põem ovos.

“O estudo altera fundamentalmente a nossa compreensão da dinâmica energética da reprodução e do seu profundo impacto nos fluxos de energia de um organismo”, afirma o coautor do estudo, o Professor Dustin Marshall, também da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Monash.

“O estudo também destaca a sensibilidade dos custos da energia reprodutiva ao aquecimento global, particularmente nos ectotérmicos”, adianta.

Dustin Marshall explica ainda que “as temperaturas mais quentes podem aumentar as taxas metabólicas, aumentando potencialmente os custos indiretos da reprodução”.

“Isso pode levar a descendentes menores e ter implicações para a reposição da população num mundo em aquecimento”, conclui.

quinta-feira, 2 de maio de 2024

“Nanofios” de bactérias podem ajudar a desenvolver a tecnologia eletrónica verde


Os cientistas modificaram filamentos de proteínas originalmente produzidos por bactérias para conduzirem eletricidade.

Num estudo publicado recentemente na revista Small, os investigadores revelaram que os nanofios de proteínas – que foram modificados através da adição de um único composto – podem conduzir eletricidade a curtas distâncias e aproveitar a energia da humidade do ar.

“As nossas descobertas abrem possibilidades para o desenvolvimento de componentes e dispositivos elétricos sustentáveis e amigos do ambiente, baseados em proteínas”, afirma Lorenzo Travaglini, principal autor do estudo. “Estes nanofios artificiais poderão um dia conduzir a inovações na recolha de energia, em aplicações biomédicas e na deteção ambiental”, acrescenta.

Os desenvolvimentos no campo interdisciplinar que combina a engenharia de proteínas e a nanoeletrónica são também promissores para o desenvolvimento de tecnologias de ponta que façam a ponte entre os sistemas biológicos e os dispositivos eletrónicos.

“Em última análise, o nosso objetivo é modificar os materiais produzidos pelas bactérias para criar componentes eletrónicos. Isto poderá conduzir a uma nova era de eletrónica verde, ajudando a moldar um futuro mais sustentável”, sublinha Travaglini, que é supervisionado por Dominic Glover no SYNbioLAB da Escola de Biotecnologia e Ciências Biomoleculares.

Inspirar-se na natureza
A eletricidade é criada pelo movimento dos eletrões – pequenas partículas que transportam uma carga elétrica – entre os átomos.

“Muitos eventos na natureza requerem o movimento de eletrões e são a fonte de inspiração para novas técnicas de recolha de eletricidade”, diz Ravaglini. “Por exemplo, a clorofila nas plantas precisa de mover eletrões entre diferentes proteínas para fazer a fotossíntese”.

As bactérias que ocorrem naturalmente também utilizam filamentos condutores, conhecidos como nanofios, para transferir eletrões através das suas membranas. É importante notar que os nanofios bacterianos que conduzem eletricidade têm o potencial de interagir com sistemas biológicos, como as células vivas, e podem ser utilizados em biossensores para monitorizar sinais internos do corpo utilizando uma interface homem-máquina.

No entanto, quando extraídos diretamente de bactérias, estes nanofios naturais são difíceis de modificar e têm uma funcionalidade limitada.

“Para ultrapassar estas limitações, criámos geneticamente uma fibra utilizando a bactéria E. coli”, afirma Travaglini. “Modificámos o ADN da E. coli de modo a que a bactéria não só produzisse as proteínas de que necessitava para sobreviver, mas também construísse a proteína específica que tínhamos concebido, que depois modificámos e montámos em nanofios no laboratório”, acrescenta.

A equipa sabia que, por si só, a proteína produzida pela bactéria não seria altamente condutora, mas que precisariam de acrescentar um único ingrediente.

A peça que faltava no puzzle era uma molécula de hemo.

segunda-feira, 29 de abril de 2024

Documentário: Freedom Fuels (2006)


Freedom Fuels from waywardeus on Vimeo.

Este documentário aborda de forma profunda os recursos renováveis baseados em fuel , como o biodiesel, etanol, agro-combustível, biomassa e óleo vegetal.
Personalidades convidadas: Daryl Hannah e Willie Nelson

Produzido e realizado por Martin O'Brie.2006 Tempo: 49 Minutos

Vencedor do Environmental Preservation Award, 2006 Artivist Film Festival. Este filme também obedece a Carbon Free Designation (ou seja foram eliminadas todas as emissões de carbono para a a realização deste filme.)

quinta-feira, 21 de março de 2024

Energia nuclear para descarbonização da Europa é desnecessária


O prolongamento da vida útil da energia nuclear na Europa é desnecessário para a descarbonização, indica um relatório do Gabinete Europeu do Ambiente (EEB, na sigla original), ontem divulgado.

Segundo as conclusões do EEB, que junta 180 associações ambientalistas de 38 países, as energias renováveis, a poupança de energia e opções de flexibilidade podem substituir a energia nuclear, sendo viável a eliminação gradual da “frota nuclear envelhecida da Europa e alcançar a neutralidade carbónica até 2040”.

O relatório é divulgado na véspera de uma cimeira em Bruxelas sobre energia nuclear, que junta dirigentes políticos e empresas, para debater o papel da energia nuclear na redução dos combustíveis fósseis, aumentando a segurança energética e o desenvolvimento económico.

A cimeira será copresidida pelo primeiro-ministro belga, Alexander De Croo, e pelo diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), Rafael Mariano Grossi e surge na sequência da inclusão do nuclear na declaração da cimeira da ONU sobre o ambiente que decorreu no final do ano passado no Dubai (COP28), admitindo a energia nuclear como fonte de energia com baixas emissões de dióxido de carbono.

No entanto, de acordo com o relatório do EEB, a construção de novas centrais nucleares é “uma estratégia irrealista para a descarbonização”.

Porque tem custos muito elevados e a construção é demorada está também em debate o prolongamento da vida das atuais centrais nucleares, algo que o relatório do EEB também contraria.

O documento mostra “que a atual frota nuclear pode ser eliminada gradualmente, a par dos combustíveis fósseis, à medida que os países da União Europeia (UE) transitam para um sistema energético drasticamente mais eficiente, alimentado por energias renováveis e apoiado por opções de flexibilidade”.

“À medida que as energias renováveis crescem e a procura de energia diminui, o papel da energia nuclear na Europa torna-se redundante. Veja-se o caso de Espanha, onde o aumento da energia eólica, solar e hídrica fez baixar os preços da eletricidade e obrigou as empresas de energia a suspender a energia nuclear para evitar perdas financeiras”, acrescenta.

O EEB salienta que a frota nuclear da UE está envelhecida, que todas as centrais, exceto duas, foram construídas antes de 2000, e que sem extensões de prazo a maioria das centrais deve encerrar até 2030. Segundo o organismo europeu, a contribuição da energia nuclear para o cabaz elétrico está em declínio na UE e os custos a aumentar.

O relatório conclui que os esforços de descarbonização dos Estados membros da UE devem dar prioridade à redução do consumo de energia na indústria, nos edifícios e nos transportes, ao mesmo tempo que aumentam a implantação das energias renováveis.

Por causa da cimeira, uma coligação internacional de ativistas vai organizar uma manifestação de protesto em Bruxelas. A organização ambientalista Greenpeace UE diz em comunicado que os ativistas protestam contra o que consideram “contos de fadas nucleares”.

Esta semana, mais de 500 organizações de todo o mundo assinaram uma declaração anti-nuclear, defendendo “energia segura, acessível e amiga do clima para todos”, e apelando aos governos para que não desperdicem tempo e dinheiro com esses “contos de fadas”.

Outra organização ambientalista, que junta associações europeias, a “Climate Action Network” (CAN Europe) apresenta também um documento segundo o qual a energia nuclear é “uma perigosa distração” da transição para um sistema energético baseado em energias renováveis, “e ameaça atrasar a urgente eliminação progressiva dos combustíveis fósseis”.

“Vemos com crescente preocupação o renascimento da energia nuclear”, diz Thomas Lewis, da CAN Europe, frisando que as energias renováveis são o substituto mais barato, mais rápido e mais viável para os combustíveis fósseis.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Petrolíferas europeias e americanas lucram 260 mil milhões de euros desde invasão da Ucrânia

Desde que a Rússia invadiu a vizinha Ucrânia em fevereiro de 2022, as maiores petrolíferas norte americanas e europeias já lucraram perto de 260 mil milhões de euros, revela a mais recente análise da ‘Global Witness’.

O trabalho refere-se às cinco maiores empresas de combustíveis fósseis dos Estados Unidos da América e da Europa: Shell, BP, Chevron, ExxonMobil e TotalEnergies. A organização não-governamental aponta, em comunicado, que essas entidades “pagaram 200 mil milhões de dólares [cerca de 185 mil milhões de euros] aos seus acionistas desde a invasão da Ucrânia, canalizando dinheiro para os investidores enquanto mais de 10 mil civis ucranianos eram mortos e milhões de famílias por toda a Europa tinham dificuldades em manter as luzes acesas”.

Quadro mostra os lucros trimestrais e totais das cinco maiores empresas de combustíveis fósseis nos EUA e na Europa desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022.Fonte: Global Witness

A ‘Global Witness’ recorda que as empresas de combustíveis fósseis logo em 2022 tinham conseguido “lucros record às custas do aumento dos preços da energia”, tendo entregado aos seus acionistas “uns sem precedentes 111 mil milhões de dólares [cerca de 103 mil milhões de euros] em 2023”.

“No ano mais quente de que há registo, este valor é quase 158 vezes mais do que o que foi prometido às nações vulneráveis na cimeira climática COP28 no ano passado”, diz a organização.

Assim, contas feitas, desde o segundo trimestre de 2022, quando já se sentiam os efeitos do primeiro conflito armado na Europa desde a Segunda Grande Guerra, e até ao quarto trimestre de 2023, a Shell terá registado um lucro total de 59 mil milhões de dólares (cerca de 55 mil milhões de euros), a BP de 35 mil milhões (cerca de 32 mil milhões de euros), a ExxonMobil de 86 mil milhões (cerca de 80 mil milhões de euros), a Chevron de 51 mil milhões (cerca de 47 mil milhões de euros), e a TotalEnergies de 50 mil milhões (cerca de 46 mil milhões de euros).

“Esta análise mostra que, independentemente do que acontece nas linhas da frente, as grandes empresas de combustíveis fósseis são os principais vencedores da guerra na Ucrânia”, afirma Patrick Galey, investigador da Global Witness.

“Acumularam uma riqueza incalculável à custa da morte, da destruição e da subida vertiginosa dos preços da energia”, critica o especialista, acrescentando que os ganhos estão a ser usados para enriquecer os seus investidores e para alimentar novos projetos de exploração de combustíveis fósseis, “que a Europa não precisa e que o clima não consegue suportar”.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Perovskite - a energia do futuro?

O silício tem sido o cavalo de batalha para o fabrico de painéis fotovoltaicos e a China tem o quase monopólio do seu fabrico, como aprendi numa viagem relâmpago a Hong Kong, no âmbito da Quimonda Solar.

A partir do silício fabricam-se as “wafers” que na sua maioria utilizam a tecnologia monocristalina. Mas as coisas podem estar a mudar.

Porque como sempre, vão aparecer alternativas. Uma delas são as células solares de perovskite. Um nome difícil de pronunciar. Perovskite é uma classe de minerais com estruturas cristalinas em cubo e diamante que foram descobertos há 170 anos nos Montes Urais. Verificou-se que é relativamente fácil de sintetizar perovskite a partir de elementos químicos comuns.

Uma das suas utilizações é para o fabrico de células fotovoltaicas. Em 10 anos a eficiência das células solares de perovskite subiu de 2,5% para 25%. Um avanço muito mais rápido do que o que se tinha verificado com as células de silício. Estas células têm várias vantagens: utilizam materiais baratos e abundantes, não precisam de terras raras e o fabrico exige pouca energia, que é recuperada em poucos meses de funcionamento.

Até há pouco tempo a sua utilização comercial não era viável, em virtude da sua baixa estabilidade, que lhes permitia pouco tempo de funcionamento. Mas agora começam a aparecer os primeiros produtos comerciais.

Uma das empresas que se está a evidenciar neste campo é a “Oxford PV”, que aposta na colocação de uma camada de perovskite sobre um célula clássica de silício. Estas células em “tandem” conseguem eficiências na ordem dos 30%, o que é perto do limite teórico de uma célula de silício.

Este aumento de eficiência é relevante sobretudo em aplicações onde o espaço é escasso, como é frequentemente o caso das instalações em telhados para autoconsumo. Mas a tecnologia ainda tem desafios pela frente, entre eles assegurar a sua longevidade.

Uma dúzia de outras empresas seguem o mesmo caminho do que a “Oxford PV”. Várias trabalham em projetos financiados pela União Europeia, que procura a forma de recuperar a tecnologia solar que perdeu para a China.

Cada vez mais estou convencido a energia fotovoltaica vai ser determinante para a transição energética. É já a tecnologia que produz a energia a menor custo, e o custo continua a descer. Para lá disso tecnologias como a perovskite permitirão fabricar células finas e flexíveis que poderão ser instaladas em qualquer superfície.

Se não forem as células de perovskite serão outras, porque a inovação não vai parar e a transição energética não vai interromper por falta de materiais.

A energia solar poderá permitir um Mundo com abundância de energia, o que a verificar-se nos vai obrigar a repensar a forma como irão funcionar no futuro os Sistemas Elétrico, que cada vez mais serão distribuídos com princípios de controlo próximos dos da Internet.

São temas que é importante seguir de perto porque nos esperam mudanças rápidas de paradigmas.

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Chuva e vento permitem vários dias de consumo renovável. Vai ser cada vez mais frequente


Durante dois dias, no final da semana passada, o consumo de eletricidade em Portugal foi assegurado por fontes renováveis, sobretudo energia eólica e hídrica, devido às "condições favoráveis de vento e chuva". O anúncio da REN - Redes Energéticas Nacionais entusiasmou o Governo e a maioria dos agentes ligados ao ambiente.

Num comunicado divulgado no sábado, dia 28, a REN dava conta de que o consumo de eletricidade estava a ser assegurado por fontes renováveis desde as 22.30 de sexta-feira. E prolongou-se até domingo. Desde essa hora até às 00.00 de sábado foram gerados 97,6 Gigawatts-hora (GWh) de energia eólica, 6,6GWh de energia solar e 68,3GWh de energia hídrica, que "asseguraram o consumo de 137,1GWh", adiantava a REN, anunciando que "os excedentes de produção têm sido exportados através da interligação com Espanha".

Segundo a empresa, desde as 09.00 horas do dia 24 de outubro, o consumo de eletricidade em Portugal foi assegurado por energias renováveis, apesar de "recorrer à importação de eletricidade de Espanha em alguns períodos".

De acordo com o comunicado, "a passagem à exportação plena decorreu na sexta-feira, dia 27 outubro, pelas 17.00 horas, em que Portugal passou a exportador de eletricidade em 100% do tempo".

Citada pela Agência Lusa, a REN sublinhava que, por questões de equilíbrio entre a geração e o consumo, entraram, no mesmo dia, em operação dois grupos em duas centrais térmicas de ciclo combinado a gás natural entre as 16.00 e as 22.30, "findas as quais o consumo de eletricidade em Portugal passou a ser abastecido com produção 100% renovável, e ainda com saldo exportador para Espanha".

Pedro Nunes, coordenador do grupo de Energia, Clima e Mobilidade da associação ambientalista Zero, acredita que os dois dias verificados nesta semana fazem parte de "uma boa notícia que antecipa já, de alguma maneira, aquela que será a realidade do sistema elétrico português em 2030". Isto quer dizer que, nessa altura, o país deverá ter "100 por cento de eletricidade renovável e que, para já, conseguimos ter o sistema a funcionar sem ir abaixo". Por ora, "isto só é possível em situações excecionais, mas a tendência será tornar-se a norma", afirma o dirigente daquela associação.

Não é a primeira vez que a situação de pleno consumo renovável se verifica, embora só aconteça "quando temos um quadro excecional de vento e chuva abundante. Neste caso, até foi mais o vento: tivemos mais energia eólica do que hídrica a ser produzida", sustenta Pedro Nunes.

A verdade é que, apesar de dias nublados, até a energia solar acabou por ter algum peso. E isso, em 2030, será uma constante. "Teremos uma grande bossa (é assim que ela aparece nos gráficos durante o dia, porque começa a produzir de manhã, tem ali um apogeu a meio do dia e depois, à noite, volta a deixar de ser produzida) de energia solar".

No grupo de Energia, Clima e Mobilidade da Zero, não há dúvidas de que "esta situação tenderá a repetir-se cada vez com mais frequência, até ser a norma".

O facto é que temos cada vez maior incorporação de energia renovável no sistema elétrico. De acordo com a revisão do PNEC (Plano Nacional de Energia e Clima), "temos 47GW previstos de energia renovável - o que é muita potência instalada - em 2030. E portanto isto será muito mais a norma do que a exceção".

Uma viagem ao futuro
O regozijo tomou conta também da Associação de Energias Renováveis (APREN), ao cabo de mais dois dias em que fizeram o pleno. "Estamos a desenhar todo um sistema elétrico para ter incorporação de renovável cada vez maior e que permita chegar ao maior número possível de consumidores", afirma ao DN Pedro Amaral Jorge, presidente da direção.

"As renováveis vão suprir uma dimensão adicional que é a segurança energética. Quando nós temos dias em que o conjunto da eletricidade em Portugal é 100% suprido em fontes renováveis, isso é uma viagem ao futuro", sublinha Pedro Amaral Jorge. Também ele antevê que, nos próximos anos, teremos "esse comportamento na maior parte dos dias do ano e não apenas quando as condições concomitantes de eólica e hídrica o permitem".

"Este é o desenho do mercado de eletricidade. Obviamente que ficamos muito contentes que tenhamos já dias em que isso acontece e que todo o sistema elétrico - os produtores de eletricidade, as redes, os consumidores - conseguem gerir toda esta incorporação de renovável sem haver falhas", conclui o presidente da APREN, que espera ver, em 2030, "cerca de 85 a 90% renovável o consumo de energia no país".

Mas o que à partida parece uma boa notícia reveste-se de outras preocupações para a Iris - Associação Nacional de Ambiente. O presidente, Paulo Pimenta de Castro, aponta, por exemplo, "a questão da biomassa, porque vai ter impacto na redução do arvoredo e consequentemente na biodiversidade".

Além disso, o ambientalista lembra que tanto os fotovoltaicos como os parques eólicos "são muitas vezes projetados para áreas de reserva ecológica ou da Rede Natura 2000, como está atualmente a acontecer em Sines".

"Nós somos favoráveis a fontes de energia renovável, mas não à conta da destruição dos ecossistemas". "O que se passa em Portugal é que vamos cumprir metas, mas com custos ambientais elevados", considera Pimenta de Castro, para quem "não há, da parte do Governo, critérios definidos, apesar das metas de 2030".

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quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Estudo comprova que produção de combustíveis fósseis está 110% acima dos limites recomendados até 2030

Para o estudo, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente comparou a produção de carvão, petróleo e gás planeada dos governos assinantes, com os níveis estabelecidos no Acordo de Paris.


Os governos de todo o mundo planeiam produzir mais do dobro da quantidade máxima de combustíveis fósseis até 2030, limite que permitia manter o aquecimento global abaixo de 1,5 graus, alertou esta segunda-feira a ONU.

“Os planos dos governos para expandir a produção de combustíveis fósseis estão a prejudicar a transição energética necessária para alcançar zero emissões líquidas de gases com efeito de estufa, colocando em dúvida o futuro da humanidade”, salientou a diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Inger Andersen, em comunicado.

O PNUMA, com sede em Nairobi, apresentou estes dados na nova edição do Relatório sobre as Lacunas de Produção, produzido em conjunto com o Instituto do Ambiente de Estocolmo (SEI), a organização não governamental Climate Analytics e o grupo de reflexão europeu E3G.

O estudo comparou a produção de carvão, petróleo e gás planeada pelos governos com os níveis estabelecidos no Acordo de Paris (assinado em 2015 e que, por si só, tem como objetivo combater o aquecimento global) para cumprir os limites de aumento da temperatura para evitar efeitos ainda mais devastadores da crise climática.

Os planos de 20 governos analisados no relatório envolvem a produção de cerca de 110% mais combustíveis fósseis até 2030 do que o necessário para evitar um aquecimento de 1,5 graus e 69% mais do que um aumento de 2 graus.

Os países analisados incluem alguns dos maiores produtores mundiais de combustíveis fósseis, incluindo Austrália, Brasil, Estados Unidos, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, China, Nigéria, África do Sul, Colômbia e México.

“A maior parte destes governos continua a dar um apoio financeiro e legislativo significativo à produção de combustíveis fósseis”, destacou o PNUMA.

Embora 17 governos se tenham comprometido a atingir emissões líquidas nulas e muitos tenham lançado iniciativas para as reduzir, nenhum deles se comprometeu a reduzir a produção de carvão, petróleo e gás para cumprir os objetivos climáticos.

Assim, os planos destes governos significam um aumento da produção mundial de carvão até, pelo menos, 2030 e da produção mundial de petróleo e gás até, pelo menos, 2050.

“Vemos que muitos governos estão a promover o gás fóssil como um combustível essencial de ‘transição’, mas sem planos aparentes para o abandonar mais tarde”, afirmou um dos principais autores do relatório e cientista do SEI Ploy Achakulwisut.

O documento sublinhou ainda que uma “transição energética equitativa” deve “reconhecer as diferentes responsabilidades e capacidades dos países”.

“Os governos com maior capacidade para se afastarem da produção de combustíveis fósseis têm a maior responsabilidade de o fazer, ao mesmo tempo que fornecem financiamento e apoio para ajudar outros países a fazer o mesmo”, afirmou Michael Lazarus, outro autor do estudo e diretor da sede do SEI nos EUA.

Andersen apelou aos países para que se unam em torno de uma “eliminação controlada e equitativa do carvão, do petróleo e do gás” na próxima Cimeira da ONU sobre as Alterações Climáticas (COP28), que começa a 30 de novembro no Dubai e é o principal fórum político sobre o clima.