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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Portugueses lideram estudo para descobrir como a poluição atmosférica castiga os mais pobres


Viver numa rua onde o ar carrega o peso de milhares de escapes diários ou o fumo constante de uma fábrica não é, para muitas famílias, uma escolha. É a única opção compatível com o seu orçamento.

A comunidade científica internacional já classifica a poluição atmosférica como o maior perigo ambiental para a sobrevivência humana, mas o risco não é igual para todos. As populações mais vulneráveis enfrentam níveis de exposição muito superiores.

Foi esta desigualdade que motivou uma equipa liderada pela Universidade de Aveiro a analisar exaustivamente a literatura científica global. Em colaboração com a Universidade de Coimbra, o Laboratório Associado de Sistemas Inteligentes da Universidade do Minho e a University of the West of England, os investigadores examinaram 99 artigos internacionais para perceber até que ponto as avaliações de impacto sanitário incorporam justiça ambiental e desigualdades sociais.

Mapa geográfico das falhas
Os resultados, publicados na revista Heliyon, revelam um desequilíbrio geográfico na produção de conhecimento. Dos 21 países onde se realizaram os estudos analisados, os Estados Unidos representam 53 por cento da amostra. O Canadá surge muito atrás, com seis por cento, seguido pela China com cinco por cento.

A investigação sobre injustiça ambiental cresce, no entanto, a ritmo acelerado: mais de metade dos artigos selecionados foram publicados nos últimos cinco anos.

Segundo os autores portugueses, esta tendência mostra uma maior atenção às dimensões sociodemográficas da crise ambiental. Ainda assim, a maioria dos trabalhos concentra-se nos efeitos prolongados da exposição, deixando de fora análises mais imediatas ou de curta duração.

O peso das partículas finas
A quase totalidade dos estudos centra-se nas partículas finas em suspensão, conhecidas como PM2.5. Estas partículas microscópicas conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório e estão associadas a doenças graves.

Apesar disso, apenas metade dos artigos cruza os dados de monitorização ambiental com os registos médicos ou com os níveis reais de exposição das populações. A análise estatística clássica domina as metodologias, estando presente em cerca de 71 por cento dos casos. Os restantes trabalhos dividem-se entre modelação de cenários futuros e inquéritos diretos às comunidades afetadas, revelando abordagens ainda pouco integradas.

Ar puro não é para todos
A justiça climática parte da premissa de que quem menos contribui para a poluição é, muitas vezes, quem mais sofre com os seus efeitos. Todos os artigos revistos adotam esta perspetiva, avaliando fatores como rendimento e etnia. Os dados financeiros são o indicador mais utilizado, presente em 99 por cento das investigações.

A Organização Mundial da Saúde e o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas confirmam esta realidade. Famílias com baixos rendimentos e minorias étnicas vivem frequentemente perto de vias rodoviárias saturadas ou complexos industriais. A consequência traduz-se numa maior incidência de asma, doenças cardíacas crónicas e complicações durante a gravidez.

Lacunas na Europa
Perante este diagnóstico, os investigadores portugueses defendem que é urgente alargar estes estudos ao continente europeu e a outras regiões pouco representadas. A equipa sublinha a necessidade de modelos de análise mais robustos e métodos mistos capazes de captar a complexidade das variáveis sociais.

Para além dos dados numéricos, os autores destacam a importância de ouvir as comunidades através de inquéritos de proximidade.

O estudo conclui que compreender as perceções sociais e envolver os cidadãos na monitorização do ar é essencial para que as futuras políticas ambientais e de saúde pública deixem de ignorar as desigualdades que afetam a vida de milhões de pessoas.

Referência da notícia

domingo, 21 de junho de 2026

Investigadores portugueses estudam ligação entre poluição do ar e desigualdades ambientais

A poluição do ar é considerada o maior risco ambiental para a saúde humana, segundo entidades internacionais como a Organização Mundial da Saúde, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e a Agência Europeia do Ambiente.

Contudo, persistem lacunas no conhecimento de como a poluição do ar se relacionada com outras dimensões centrais para a compreensão devida do problema, como o facto de nem todas as pessoas e comunidades são afetadas da mesma forma.

Grupos humanos mais vulneráveis podem estar mais expostos à poluição do ar do que outros, os impactos podem ser mais fortemente sentidos em certas áreas ou regiões e não tanto noutras, levantando questões relacionadas com desigualdades e justiça ambientais.

Foi essa constatação que levou um grupo de investigadores, liderado por membros de instituições académicas e centros de investigação portugueses, a rever o conhecimento existente para perceber se, e também como, conceitos relacionados com desigualdades e justiça ambientais são tidos em conta em avaliações dos impactos da poluição do ar na saúde.

O trabalho, liderado pela Universidade de Aveiro em colaboração com a Universidade de Coimbra, o Laboratório Associado de Sistemas Inteligentes (LASI), sediado na Universidade do Minho, e também a University of the West of England (Reino Unido), analisou 99 artigos científicos. Nesse exame, foram tidos em conta diferentes aspetos como o enquadramento conceptual, a região estudada, a escala temporal, os dados e indicadores utilizados e os métodos de análise aplicados, sejam estatísticos, numéricos ou baseados em inquéritos.

Os resultados, revelados num artigo publicado na revista ‘Heliyon’, mostram que os estudos sobre justiça ambiental associados à poluição do ar foram realizados em 21 países, sendo os Estados Unidos da América responsáveis pela maioria das investigações (53%). Seguem-se Canadá (6%) e China (5%).

Em termos temporais, mais de metade dos estudos foram publicados nos últimos cinco anos, o que os investigadores dizem refletir “um crescimento recente do interesse científico neste tema”. A maioria das investigações analisa impactos de longo prazo da poluição atmosférica.

Relativamente aos dados que são utilizados, a maior parte dos trabalhos centra-se nas partículas finas PM2.5, um dos poluentes mais associados a riscos para a saúde. No entanto, apenas cerca de metade dos estudos inclui explicitamente dados sobre saúde ou níveis de exposição, avança esta equipa.

Todos os artigos analisados abordam questões de justiça ambiental relacionadas com estatuto socioeconómico ou raça/etnia. Entre os indicadores socioeconómicos mais utilizados, mostra este estudo, destacam-se os dados de rendimento (99%), seguidos de indicadores de caracterização populacional e de habitação.

O método de análise mais frequente é a análise estatística, utilizada em 71% dos estudos. Cerca de 14% recorrem a inquéritos e 15% utilizam modelos de simulação para explorar cenários.

Com base na revisão, os autores deste artigo consideram que ainda existe margem para o desenvolvimento de novos estudos, especialmente na Europa e noutras regiões menos representadas. Os investigadores, é avançado em comunicado da Universidade de Aveiro, defendem a utilização de modelos estatísticos “mais robustos e métodos mistos”, que sejam capazes de lidar com “a complexidade das múltiplas variáveis envolvidas neste tipo de investigação”.

Em escalas geográficas mais pequenas, os autores recomendam também a realização de estudos apoiados por inquéritos, que permitam “integrar indicadores socioeconómicos tanto individuais como contextuais”. A revisão destaca ainda que poucos estudos abordam perceções sociais ou o envolvimento dos cidadãos nas questões relacionadas com a poluição do ar.

A equipa conclui que é preciso aprofundar o conhecimento sobre as dimensões sociais da poluição atmosférica, algo que permitirá contribuir de forma importante para políticas ambientais e de saúde pública mais equitativas.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Poluição do carvão limita produção de energia solar


A energia solar tem sido descrita como a “estrela brilhante” da transição limpa da UE, mas cientistas alertam que a poluição causada pelo carvão está a comprometer a capacidade das renováveis de reduzir emissões.

Um novo estudo, liderado pela Universidade de Oxford e pelo University College London (UCL), mapeou e avaliou mais de 140.000 instalações de energia solar fotovoltaica (solar PV) em todo o mundo.

O estudo, publicado na revista científica Nature Sustainability, recorre a dados de satélite e da atmosfera sobre poluição do ar para calcular quanta luz solar se perde e de que forma isso reduz a produção de eletricidade.

Os investigadores concluíram que a poluição das centrais elétricas a carvão “reduz de forma significativa” a produção de energia das instalações solares fotovoltaicas, em especial onde ambos os tipos de capacidade estão a crescer em paralelo.

Como a poluição do carvão está a prejudicar a produção solar
O estudo alerta que os aerossóis (minúsculas partículas suspensas no ar) reduziram em 5,8 % a eletricidade solar à escala global em 2023.

Isto equivale a 111 terawatts-hora de energia perdida - a quantidade gerada por 18 centrais a carvão de média dimensão. Para se ter uma ordem de grandeza, um terawatt-hora corresponde aproximadamente ao consumo anual de eletricidade de 150 000 cidadãos da UE, segundo o Our World in Data.

Entre 2017 e 2023, as novas instalações fotovoltaicas acrescentaram, em média, 246,6 TWh de eletricidade por ano, enquanto as perdas relacionadas com aerossóis nos sistemas já existentes atingiram 74 TWh anuais - o equivalente a quase um terço dos ganhos com a nova capacidade, acrescenta o relatório.

Os investigadores defendem que isto evidencia uma “interação até agora não reconhecida” entre o uso de combustíveis fósseis e as energias renováveis, em que as emissões de um sistema afetam diretamente o desempenho do outro.

“Estamos a assistir a uma rápida expansão global das energias renováveis, mas a eficácia dessa transição é inferior ao que muitas vezes se supõe”, afirma o autor principal, Rui Song.

“À medida que o carvão e a energia solar crescem em paralelo, as emissões alteram o regime de radiação, comprometendo diretamente o desempenho da produção solar.”

Por que razão as centrais a carvão são más notícias para as renováveis?
O carvão é considerado a forma mais suja e poluente de produzir energia e é um dos principais motores do aquecimento global. Apesar de, no ano passado, as renováveis terem ultrapassado, pela primeira vez, a produção a partir de combustíveis fósseis, muitos países continuam dependentes das centrais a carvão, apesar dos seus impactos ambientais.

No mês passado, a Itália anunciou que adiava o encerramento definitivo das suas centrais a carvão até 2038, 13 anos além do prazo inicial. Organizações ambientalistas e a oposição de centro-esquerda criticaram a decisão, com o líder do partido ecologista Europa Verde, Angelo Bonelli, a acusar o governo de “negligência climática”.

As centrais a carvão emitem partículas poluentes finas que dispersam e absorvem a luz solar, reduzindo a quantidade que chega aos painéis solares nas proximidades. O Dr Song explica que a poluição atmosférica não se limita a bloquear a luz do sol, mas também altera as nuvens, o que pode reduzir ainda mais a produção solar.

“Isso significa que o impacto real é provavelmente maior do que o que medimos, pelo que podemos estar a sobrestimar o contributo da energia solar para a redução das emissões se não controlarmos a poluição das centrais a carvão”, acrescenta.

Este efeito foi particularmente evidente na China, onde a capacidade solar e a capacidade a carvão cresceram em paralelo e são muitas vezes implantadas na mesma zona. As regiões com elevada capacidade a carvão coincidiam em grande medida com as áreas que registaram as maiores perdas de produção solar fotovoltaica.

A China é o maior produtor solar do mundo e gerou 793,5 TWh de eletricidade solar fotovoltaica em 2023 (41,5 % do total global). Mas também registou as maiores perdas causadas por aerossóis, com a produção total reduzida em 7,7 %.

Os investigadores estimam que cerca de 29 % das perdas de solar fotovoltaica relacionadas com aerossóis na China se devam especificamente às centrais elétricas a carvão.

O coautor, Chenchen Huang, da Universidade de Bath, no Reino Unido, afirma que as conclusões do relatório constituem um “aviso claro” de que ignorar as perdas de energia solar causadas pela poluição pode levar a uma “sobreestimação sistemática da produção de energias renováveis por parte de governos, empresas e da sociedade em geral”.

“Para mantermos o rumo, as políticas têm de ter em conta este travão oculto e desviar os subsídios aos combustíveis fósseis do carvão”, acrescenta o Huang.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Poluição atmosférica responsável por 79 mil mortes anuais na Europa, revela estudo


Um trabalho relaciona a exposição a curto prazo a uma série de poluentes atmosféricos com aproximadamente 146.500 mortes prematuras por ano na Europa, sendo as partículas finas as mais nocivas, responsáveis por 79.000 mortes.

Publicada na revista 'Nature Health', a investigação do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) e do Centro de Supercomputação de Barcelona (BSC) fornece a primeira estimativa à escala europeia da mortalidade a curto prazo atribuível aos efeitos combinados de múltiplos poluentes em 31 países, representando mais de 530 milhões de pessoas.

Embora o maior impacto na saúde seja causado pela exposição a longo prazo, a poluição atmosférica a curto prazo pode também desencadear respostas fisiológicas agudas, como inflamação sistémica, desequilíbrio e aumento da coagulação sanguínea, que elevam o risco de mortalidade, noticiou na quarta-feira a agência Efe.

O estudo analisou quase 89 milhões de mortes registadas entre 2003 e 2019 em 653 regiões europeias, combinando dados de estações de monitorização, satélites, uso do solo e variáveis meteorológicas, ajustados para os níveis regionais.

Ao contrário da maioria das investigações anteriores, que se centravam apenas nas cidades ou analisavam um único poluente, este estudo considera quatro poluentes em conjunto: material particulado fino, dióxido de azoto, ozono e material particulado de tamanho intermédio.

"Isto permite uma análise mais precisa de como a exposição a curto prazo afeta as pessoas de forma diferente, dependendo da idade, sexo e causa da morte", explicou Zhao-Yue Chen, investigador do ISGlobal e primeiro autor do estudo.

Analisadas individualmente, as partículas finas causam anualmente aproximadamente 79.000 mortes, seguidas pelo dióxido de azoto com 69.000, do ozono com 31.000 e partículas de tamanho intermédio com 29.000, embora estes números não sejam cumulativos, uma vez que os poluentes tendem a ocorrer em simultâneo e os seus efeitos sobrepõem-se.

As partículas finas são as mais nocivas porque, devido ao seu tamanho, penetram profundamente nos pulmões e podem entrar na corrente sanguínea, desencadeando inflamação.

As partículas maiores afetam principalmente o trato respiratório superior, enquanto o dióxido de azoto e o ozono irritam os pulmões e aumentam a vulnerabilidade a doenças respiratórias.

A poluição do ar não afeta todos da mesma forma: os homens jovens apresentaram maior vulnerabilidade do que as mulheres da mesma faixa etária, de acordo com o estudo, devido à maior exposição ocupacional, ao tráfego e ao tabagismo, bem como ao início mais precoce de doenças crónicas.

No entanto, o padrão altera-se com a idade, uma vez que a partir dos 85 anos, o maior risco é observado nas mulheres, que também apresentam riscos cardiovasculares mais elevados devido à exposição a partículas do que os homens.

“Os nossos resultados apoiam a utilização de modelos epidemiológicos ajustados por sexo, idade e comorbilidades para criar sistemas de alerta precoce especificamente direcionados para grupos vulneráveis”, concluiu Joan Ballester, investigador do ISGlobal e coordenador do estudo.

terça-feira, 7 de abril de 2026

US is ‘using Mexico as a garbage sink’ leading to ‘toxic crisis’, UN expert says


Mexico is facing a “toxic crisis” and has become a “garbage sink” for the US, exposing Mexican communities to dangerous pollution, a UN expert has warned.

In an interview with the Guardian and Quinto Elemento Lab, an investigative outlet, Marcos Orellana, an environmental specialist, said pollutants ranging from imported waste to dangerous pesticides were affecting people’s right to live healthy lives.

Orellana, whose title is UN special rapporteur on toxics and human rights, conducted an 11-day investigative mission in Mexico last month to learn about toxic threats facing its population. He said he found lax environmental standards and a lack of oversight, which have allowed pollution to accumulate over the years.

“Where standards are weak, what you get is legalized pollution,” he said, adding that imports of hazardous and plastic waste from the United States were worsening the situation.

“US overconsumption and economic activity are using Mexico as a garbage sink.”

The rapporteur said there were more than 1,000 contaminated locations officially recorded in Mexico’s National Inventory of Contaminated Sites, many of which he said had become “sacrifice zones”, where diseases such as cancer, and medical events such as miscarriages, were normalized.

In a preliminary report summarizing his visit, he cited factories spewing hazardous waste into the Atoyac River in Puebla, huge industrial pig farms contaminating drinking water on the Yucatan peninsula and a decade-old mining chemical spill that continued to affect health in communities around the Sonora River.

He said many of these situations left residents struggling with dire health effects.

A resident collects water outside their home in the Arizpe community, Sonora state, Mexico, in 2014, when a copper mine leaked 40,000 cubic meters of sulfuric acid into the Sonora River, seriously polluting the water way. Photograph: Héctor Guerrero/AFP/Getty Images

“As I heard during one meeting: living in a sacrifice zone means losing the right to die of old age,” he wrote.

He cited one place he visited, the industrial corridor of Tula in the central Mexican state of Hidalgo, where steel plants, cement factories and petrochemical facilities operate near a river polluted by industrial waste and untreated sewage from Mexico City. He said proposals to bring in additional waste for recycling would only add to an already devastating environmental burden on communities there.

Meanwhile, companies are not held responsible for preventing, mitigating and repairing the damage, he said.

The result, he said, was the “legalized poisoning of people”.

The rapporteur highlighted the influx of plastic waste from the United States. He said once this waste crosses the border, there is often little clarity about its final destinations. In addition, he said he was concerned that microscopic plastic particles had been detected in rivers such as the Tecate in Baja California, the Atoyac in Puebla and the Jamapa in Veracruz.

This view shows a section of the Pemex thermoelectric plant and refinery in Tula de Allende, Hidalgo state, Mexico, in August 2024. 

Government records show the US ships hundreds of thousands of tons of hazardous waste to Mexico each year, including lead-acid car batteries, as well as common scrap such as plastic, paper and metal for recycling. Environmental groups have questioned whether the country is equipped to handle all this without it leading to pollution.

Residents in Monterrey, which serves as a US manufacturing hub and suffers some of the worst air pollution in North America, welcomed the rapporteur’s calls for more attention to the health of Mexico’s people.

María Enríquez, a mother and activist in Monterrey, who co-founded the environmental group Comité Ecológico Integral, warned that poor air quality has become part of daily life in the city, and residents suffer from rhinitis, eye irritation and asthma attacks.

“We have learned to live sick, especially with respiratory illnesses,” she said.

Guadalupe Rodríguez, director of a network of childcare centers in Monterrey, agreed, saying children in her nursery program were also affected.

“Families consider it normal for children to have constant coughing,” said Rodríguez. She called on the government to do more to enforce Mexico’s constitutional guarantee of a healthy living environment, especially for the most vulnerable. “If they are not protected, the right to health is not being guaranteed.”
People take part in a protest demanding the closure of the Pemex refinery, blaming it for polluting the air, in Monterrey, Mexico, in January 2024.

The rapporteur’s visit, at the invitation of the Mexican government, comes at a time when toxic and hazardous waste are coming under increasing scrutiny in the country.

In Monterrey, residents have been demanding government action to reduce heavy metal pollution, much of it emitted in the air by factories that are manufacturing goods for the US or recycling hazardous US waste.

Already, officials in President Claudia Sheinbaum’s administration have acknowledged that regulatory standards, such as rules for how much pollution factories can emit, are out of date, and have announced plans to strengthen them.

In an interview, Mariana Boy Tamborrell, Mexico’s federal attorney for environmental protection, said her agency had reached a regulatory “turning point”, and would start requiring industries to remediate environmental damage they caused. Her agency is rolling out a new air monitoring system to detect emissions coming from specific facilities, starting in an industrial corridor of Monterrey.

“Then there will be no room for ‘it wasn’t me,’” she said. “We will be able to clearly identify the source.”

The rapporteur said Mexico could adopt restrictions on the import of hazardous waste as a measure to address part of the crisis. He noted that some countries had chosen to ban such imports to avoid becoming destinations for international waste, without undermining their participation in global trade.

Waldo Fernández, a Mexican senator, has already introduced legislation to more strictly regulate imports of waste into Mexico for recycling. The law would prohibit importing waste if it has greater environmental impacts in Mexico than allowed in its country of origin.

Mexico “must not become a dumping ground for toxic waste or a recipient of pollution under commercial pressures”, said Fernández.

The rapporteur also said the upcoming review of the free trade agreement between Mexico, the US and Canada represented an opportunity to strengthen environmental standards and their enforcement.

If they did not, “economic pressure will worsen the toxic crisis”, he said.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Como é que os fatores ambientais contribuem para as doenças cardiovasculares na Europa?

Uma em cada cinco mortes por doenças cardiovasculares na UE poderia ser evitada com a melhoria do ambiente, de acordo com um novo relatório da Agência Europeia do Ambiente (AEA).

As doenças cardiovasculares são a causa mais comum de morte na UE, segundo a Sociedade Europeia de Cardiologia.

Em 2022, mais de 1,7 milhões de pessoas morreram na sequência destas doenças, representando um terço de todas as mortes no bloco nesse ano.

Contribuem também significativamente para a incapacidade, a reforma antecipada e o absentismo, o que diminui a qualidade de vida e reduz a esperança de vida.

Além do custo humano, as doenças cardiovasculares custam à UE mais de 282 mil milhões de euros anualmente devido à diminuição da produtividade e da produção económica, segundo a Comissão Europeia.

Para além das características pessoais, como a idade e o historial familiar, os fatores ambientais também desempenham um papel fundamental nas doenças cardiovasculares.

Na UE, estima-se que factores como a poluição atmosférica, as temperaturas extremas e os produtos químicos causem pelo menos 18% de todas as mortes por doenças cardiovasculares.


Em contraste, a Finlândia e a Suécia registaram as taxas mais baixas, com 9,72% e 10,01%, respetivamente.

A poluição atmosférica causa cerca de 8% das mortes por doenças cardiovasculares na UE por ano, segundo a Rede Europeia do Coração.

As partículas finas — provenientes de fontes como as emissões dos veículos, os processos industriais e a queima de combustíveis fósseis — o dióxido de azoto e o ozono são os três principais poluentes associados às doenças cardiovasculares na Europa.

Em 2022, a Polónia (82,32%) e a Irlanda (81,83%) foram os Estados-Membros com as taxas mais elevadas de mortes prematuras devido à exposição a partículas finas no bloco.

Por outro lado, a Finlândia e a Estónia registaram as percentagens mais baixas, com 5,48% e 11,21%, respetivamente.

A exposição prolongada a estes poluentes contribui significativamente para a mortalidade prematura e para as doenças cardiovasculares crónicas, incluindo ataques cardíacos, AVC e insuficiência cardíaca.

Estima-se ainda que cerca de 66.000 mortes prematuras anuais na UE sejam atribuíveis à exposição ao ruído dos transportes, sendo mais de 30% devido a causas cardiovasculares.

As políticas e regulamentos da UE, que visam combater a poluição atmosférica, estão, no entanto, a surtir efeito. A poluição atmosférica diminuiu em toda a UE, resultando num menor número de mortes prematuras atribuíveis.

Ainda assim, 95% dos residentes da UE, particularmente os que vivem em zonas urbanas, continuam expostos a níveis de poluição inseguros.

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Rare Super Blue Moon


Get ready for the rare Super Blue Moon on August 30, 2023, illuminating the sky with its remarkable brilliance.

A dazzling celestial event is set to grace the skies on August 30, 2023 – the Super Blue Moon, an extraordinary occurrence that promises to be the grandest and brightest Moon display of the year.

According to moon.nasa.gov, this phenomenon is an infrequent spectacle, offering a once-in-a-lifetime visual feast until its reappearance in 2037. The subsequent instances of the Super Blue Moon will emerge as a pair in January and March 2037.

Exploring the Supermoon Marvel: Shedding Light on the Phenomenon
The Supermoon is a remarkable phenomenon born from the intricate celestial dance between our Earth and its lunar companion.

As the moon orbits our planet in an elliptical trajectory, it crosses its nearest point to us, a location aptly termed 'Perigee'. The convergence of a full moon with this proximity results in what we call a Supermoon.

Untangling the Mystery of the Blue Moon
A 'Blue Moon' occurs when a full moon graces our skies twice within the span of a month.

This enigmatic phenomenon is witnessed every two to three years when a full moon emerges at the start of the month, only to be followed by another at the month's conclusion.

In essence, when two full moons grace our calendar within a single month, the celestial event earns the moniker of a Blue Moon.

This occurrence can be further classified into two categories: monthly and seasonal. The upcoming Blue Moon on August 31, 2023, falls under the monthly variety.

Decoding the Super Blue Moon: Realities and Misconceptions
The convergence of a full moon's double appearance within a single month, combined with its proximity to Earth's closest point (Perigee), births the awe-inspiring Super Blue Moon.

However, despite its name, the Super Blue Moon doesn't truly manifest in a blue hue. Occasionally, minute particles such as dust and smoke disperse the red wavelengths of light, leading to a deceptive blue appearance of the moon.

Unravelling the Enigma of Size and Brilliance
Contrary to misconceptions, the visual disparity in size during a Super Blue Moon is subtle. moon.nasa.gov explains that during its closest approach to Earth, the Supermoon appears approximately 14 percent larger than when it is at its farthest distance.

This size distinction mirrors the difference in dimensions between a quarter and a nickel. The moon's proximity during this phase in its orbit contributes to its heightened luminance, making it appear brighter than its usual radiance.

Mark Your Calendars: August 31, 6:07 AM IST
When the Super Blue Moon of 2023 reaches its peak luminosity, it will be 6:07 AM IST on August 31.

As the world anticipates the spectacular event, enthusiasts and sky gazers are primed for a celestial display that fuses scientific wonder with visual enchantment.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Scientists understood physics of climate change in the 1800s – thanks to a woman named Eunice Foote



Long before the current political divide over climate change, and even before the U.S. Civil War (1861-1865), an American scientist named Eunice Foote documented the underlying cause of today’s climate change crisis.

The year was 1856. Foote’s brief scientific paper was the first to describe the extraordinary power of carbon dioxide gas to absorb heat – the driving force of global warming.

Carbon dioxide is an odorless, tasteless, transparent gas that forms when people burn fuels, including coal, oil, gasoline and wood.

As Earth’s surface heats, one might think that the heat would just radiate back into space. But, it’s not that simple. The atmosphere stays hotter than expected mainly due to greenhouse gases such as carbon dioxide, methane and atmospheric water vapor, which all absorb outgoing heat. They’re called “greenhouse gases” because, not unlike the glass of a greenhouse, they trap heat in Earth’s atmosphere and radiate it back to the planet’s surface. The idea that the atmosphere trapped heat was known, but not the cause.

Foote conducted a simple experiment. She put a thermometer in each of two glass cylinders, pumped carbon dioxide gas into one and air into the other and set the cylinders in the Sun. The cylinder containing carbon dioxide got much hotter than the one with air, and Foote realized that carbon dioxide would strongly absorb heat in the atmosphere. 
Eunice Foote’s paper in the American Journal of Science and Arts. Royal Society

Foote’s discovery of the high heat absorption of carbon dioxide gas led her to conclude that “… if the air had mixed with it a higher proportion of carbon dioxide than at present, an increased temperature” would result.

A few years later, in 1861, the well-known Irish scientist John Tyndall also measured the heat absorption of carbon dioxide and was so surprised that something “so transparent to light” could so strongly absorb heat that he “made several hundred experiments with this single substance.”

Tyndall also recognized the possible effects on the climate, saying “every variation” of water vapor or carbon dioxide “must produce a change of climate.” He also noted the contribution other hydrocarbon gases, such as methane, could make to climate change, writing that “an almost inappreciable addition” of gases like methane would have “great effects on climate.”
Humans were already increasing carbon dioxide in the 1800s

By the 1800s, human activities were already dramatically increasing the carbon dioxide in the atmosphere. Burning more and more fossil fuels – coal and eventually oil and gas – added an ever-increasing amount of carbon dioxide into the air.

The first quantitative estimate of carbon dioxide-induced climate change was made by Svante Arrhenius, a Swedish scientist and Nobel laureate. In 1896, he calculated that “the temperature in the Arctic regions would rise 8 or 9 degrees Celsius if carbon dioxide increased to 2.5 or 3 times” its level at that time. Arrhenius’ estimate was likely conservative: Since 1900 atmospheric carbon dioxide has risen from about 300 parts per million to around 417 ppm as a result of human activities, and the Arctic has already warmed by about 3.8 C (6.8 F).

Nils Ekholm, a Swedish meteorologist, agreed, writing in 1901 that “The present burning of pit-coal is so great that if it continues … it must undoubtedly cause a very obvious rise in the mean temperature of the earth.” Ekholm also noted that carbon dioxide acted in a layer high in the atmosphere, above water vapor layers, where small amounts of carbon dioxide mattered.

All of this was understood well over a century ago.
The Keeling curve tracks the changing carbon dioxide concentration in the atmosphere. Observations from Hawaii starting in 1958 show the rise and fall of the seasons as concentrations climb. Scripps Institution of Oceanography

Initially, scientists thought a possible small rise in the Earth’s temperature could be a benefit, but these scientists could not envision the coming huge increases in fossil fuel use. In 1937, English engineer Guy Callendar documented how rising temperatures correlated with rising carbon dioxide levels. “By fuel combustion, man has added about 150,000 million tons of carbon dioxide to the air during the past half century,” he wrote, and “world temperatures have actually increased ….”
A warning to the president in 1965, and then …

In 1965, scientists warned U.S. President Lyndon Johnson about the growing climate risk, concluding: “Man is unwittingly conducting a vast geophysical experiment. Within a few generations he is burning the fossil fuels that slowly accumulated in the earth over the past 500 million years.” The scientists issued clear warnings of high temperatures, melting ice caps, rising sea levels and acidification of ocean waters.

In the half-century that has followed that warning, more of the ice has melted, sea level has risen further and acidification due to ever increasing absorption of carbon dioxide forming carbonic acid has become a critical problem for ocean-dwelling organisms.

Scientific research has vastly strengthened the conclusion that human-generated emissions from the burning of fossil fuels are causing dangerous warming of the climate and a host of harmful effects. Politicians, however, have been slow to respond. Some follow an approach that has been used by some fossil fuel companies of denying and casting doubt on the truth, while others want to “wait and see,” despite the overwhelming evidence that harm and costs will continue to rise.

In fact, reality is now fast overtaking scientific models. The megadrought and heat waves in the western U.S., record high temperatures and zombie fires in Siberia, massive wildfires in Australia and the U.S. West, relentless, intense Gulf Coast and European rains and more powerful hurricanes are all harbingers of increasing climate disruption.

The world has known about the warming risk posed by excessive levels of carbon dioxide for decades, even before the invention of cars or coal-fired power stations. A rare female scientist in her time, Eunice Foote, explicitly warned about the basic science 165 years ago. Why haven’t we listened more closely?


Neil Anderson, a retired chemical engineer and chemistry teacher, contributed to this article.

terça-feira, 18 de junho de 2019

Lisboa é a sexta cidade europeia mais poluída pelos navios de cruzeiro

Fonte e notícia aqui


Lisboa foi a cidade europeia que mais navios de cruzeiro recebeu em 2017. No entanto, um indicador que pode ser bom para a economia da capital acaba por ter um retorno negativo para o ambiente. O alerta vem num estudo da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E) que coloca a Lisboa em sexto lugar entre as cidades europeias mais expostas à poluição por navios de cruzeiro — depois de Barcelona, Palma de Maiorca, Veneza, Civitavecchia (Roma) e Southampton.

Esta foi uma das conclusões do estudo, agora divulgado pela associação ambientalista Zero, que avaliou as emissões de diferentes poluentes provenientes de 203 navios de cruzeiro de luxo de 50 portos europeus. Em 2017, passaram por Lisboa 115 navios de cruzeiro, fazendo do porto da capital o mais concorrido a nível europeu, seguindo-se Barcelona e Palma de Maiorca. Estes navios estiveram estacionados 7953 horas. O porto de Lisboa foi, assim, o terceiro maior porto europeu em termos de horas totais de estacionamento, depois de Barcelona e Veneza. 

De acordo com as contas apresentadas no estudo, os navios de cruzeiro que passaram pelo capital libertaram 3,5 vezes mais óxidos de enxofre — um gás que causa problemas respiratórios, dores de cabeça e indisposição — que os 375 mil automóveis que diariamente circulam em Lisboa. Quanto aos óxidos de azoto — que têm sobretudo origem na queima de combustíveis fósseis (na indústria ou transportes) e estão também na origem de outros poluentes, como as partículas finas e o ozono (ao nível do solo) —, os navios de cruzeiro emitiram quase o equivalente a um quinto dos carros que circulam na cidade.

“Os navios de cruzeiro de luxo são verdadeiras cidades flutuantes alimentadas por alguns dos combustíveis mais poluentes. As cidades estão a restringir a circulação dos veículos a gasóleo, mais poluentes, mas as autoridades locais estão a dar total liberdade às empresas de cruzeiros para continuarem a emitir gases e partículas tóxicas que causam danos imensuráveis na saúde, o que é inaceitável”, nota Francisco Ferreira, presidente da associação ambientalista Zero e professor na área da qualidade do ar Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade Nova de Lisboa. 

Atingir emissões zero

O estudo apresenta ainda resultados em termos nacionais, que colocam Portugal em sexto lugar entre os países europeus mais expostos à poluição por óxidos de enxofre dos navios de cruzeiro, depois de Espanha, Itália, Grécia, França e Noruega. Será fácil de perceber porque estão estes países mais expostos a esta fonte de poluição — são grandes destinos turísticos. Mas também porque, explica a Zero, “têm limites de enxofre nos combustíveis navais menos rigorosos, permitindo assim que os navios de cruzeiro queimem combustível mais sulfuroso (e mais poluente) ao longo dos seus litorais”. 

A associação ambientalista comparou ainda os dados do estudo da T&E com o inventário oficial de emissões de óxidos de enxofre da Agência Portuguesa do Ambiente, referentes a 2017, concluindo que as emissões dos navios de cruzeiro na costa portuguesa foram 86 vezes superiores às emissões dos automóveis que circulam em Portugal (5100 toneladas em relação a 59 toneladas, respectivamente). No total, este poluente libertado pelos navios representa mais de 10% do total das emissões nacionais de óxidos de enxofre (5100 toneladas em relação a 47500 toneladas), diz a Zero em comunicado.

Se olharmos para o contexto europeu, o cenário é semelhante: as emissões de óxidos de azoto dos navios de cruzeiro equivalem a cerca de 15% do total que a frota de automóveis emite num ano, refere o estudo.

“Precisamos de fazer a transição para combustíveis mais limpos de forma voluntária, e que os governos intervenham e imponham, desde já, limites restritivos de emissão nas suas zonas costeiras, e no médio prazo, limites zero nos portos nacionais”, nota Francisco Ferreira. Para a Zero, a Europa “deve implementar, o mais rapidamente possível, um regulamento, a aplicar em todos os portos europeus, com planos para se atingirem limites de emissão zero nos navios, o que pode ser conseguido através da electrificação associada ao armazenamento de energia proveniente de fontes renováveis”.

domingo, 5 de março de 2017

Música do BioTerra: Marvin Gaye- Mercy Mercy Me (The Ecology)

Um trabalho escolar feito por um aluno norte-americano, com letras e imagens, dedicado ao tema Mercy, Mercy Me do álbum What's Going On , de Marvin Gaye, em 1971

Ah, mercy, mercy me,
Ah, things ain't what they used to be, no, no.
Where did all the blue skies go?
Poison is the wind that blows from the north and south and east.

Mercy, mercy me,
Ah, things ain't what they used to be, no, no.
Oil wasted on the ocean and upon
Our seas fish full of mercury,
Oh, mercy, mercy me.

Ah, things ain't what they used to be, no, no, no.
Radiation underground and in the sky;
Animals and birds who live near by are dying.

Oh, mercy, mercy me.
Ah, things ain't what they used to be.
What about this over crowded land?
How much more abuse from man can she stand?

"Mercy Mercy Me (The Ecology)" was written and sung by Marvin Gaye. Released in 1971 as the second single from his iconic album What's Going On, the song is famous for its environmentally conscious lyrics addressing pollution and the destruction of nature.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Transportes permanecem a principal fonte de poluentes prejudiciais à saúde


O relatório mostra que o transporte rodoviário continua a ser a única fonte principal de óxidos de azoto (NOx), monóxido de carbono (CO) e não-metano compostos orgânicos voláteis (COV-NM), bem como o segundo mais importante fonte de emissões de partículas finas (PM10 e PM2. 5) na UE-27. Este relatório contém os dados essenciais que ajuda a compreender a evolução das emissões de poluentes atmosféricos, desde 1990. Este relatório-inventário acompanha a apresentação do inventário anual de emissões a Comunidade Europeia a Convenção da UNECE sobre Long- Poluição Atmosférica Transfronteiriças.Ele apresenta uma visão global de emissão de poluentes atmosféricos dos dados reportados pelos Estados-Membros da UE-27 entre os anos de 1990 a 2006. Em particular, o relatório destaca a significativa contribuição para a poluição do ar feitas pelo sector dos transportes- neste sector é a fonte mais significativa de NOx, CO e NMVOCs ea segunda mais importante fonte de emissões de partículas (PM10 e PM2.5). Na UE-27, ocorreram reduções significativas das emissões de vários poluentes do ar desde 1990- o relatado emissões de óxidos de azoto em 2006 foram reduzidas em mais de 35%, e dióxido de enxofre por quase 70%. As reduções de emissões têm tido lugar em muitos dos sectores económicos relatados por países.

Saber mais:

Relatório completo (pdf, 28 Jul 2008)





quarta-feira, 14 de julho de 2004

Mais resultados do Programa Científico Observa - Ambiente, Sociedade e Opinião Pública


Cidadãos querem do Estado mais actuação no ambiente
Inquérito Estudo sociológico indica que a poluição de rios e ribeiras figura no topo das preocupações dos portugueses. No dia-a-dia, o problema mais apontado é a poluição do ar.

Eduarda Ferreira, JN

Os portugueses são muito críticos para com a actuação do Estado no domínio do ambiente: 82% consideram-no incapaz de desempenhar bem essa tarefa, segundo os resultados do II Inquérito Nacional "Os Portugueses e o Ambiente". Entre as medidas mais preconizadas pelos cidadãos ouvidos contam-se a fiscalização, proibições e aplicação de multas a prevaricadores.

O programa científico Observa - Ambiente, Sociedade e Opinião Pública, desenvolvido no âmbito do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresas, divulgou, ontem, os resultados de um segundo inquérito destinado a avaliar as atitudes dos portugueses em relação ao ambiente. Com um intervalo de
três anos em relação ao primeiro, e sendo elaborado sobre dados colhidos em 2000, este estudo não assinala evoluções muito profundas. Uma das poucas marcantes, segundo um dos autores do estudo, Joaquim Gil Nave, consiste na adesão aos mecanismos de reciclagem que entretanto foram facilitados (vidrões,ecopontos).

Por outro lado, admite o mesmo investigador, os receios continuam a ser remetidos para o abstracto e para o global, tendo as pessoas dificuldade em ver os problemas existentes ao pé da porta. Apagar a luz em divisões não utilizadas e não lavar loiça ou dentes com a torneira a correr ainda são as atitudes mais frequentemente assumidas em prol do ambiente(cerca de 50%).

Para 65% dos inquiridos, a paisagem que mais os choca é a de um rio poluído com peixes mortos, seguida de uma floresta a arder e uma maré negra. Uma lixeira a céu aberto impressiona-os menos (36,4%) e ainda menos resíduos tóxicos derramados no solo (29%). No dia-a- dia, as pessoas sentem mais o problema da poluição do ar e maus cheiros (29%) e não deixam de assinalar o caos urbano e o desordenamento. Pessimistas, consideram que tudo piorará nos próximos dez ou 15 anos: trânsito, qualidade do ar e água, ruído, entre muitos outros problemas. Face a este quadro, 45% dos inquiridos afirmaram desejar viver noutro local.

Na periferia das grandes cidades situam-se os mais descontentes. Da totalidade,a maior parte sonha com jardins públicos e árvores para a envolvência das casas, valorizando uma "natureza domesticada". Este era um desejo já referenciado no primeiro estudo. Uma percentagem significativa mudaria para o campo ou pequenas e médias cidades, mas não o faz por falta de oportunidades de emprego, serviços de saúde, escolas e acessibilidades.

Poucas mudanças houve nas iniciativas pessoais
Os portugueses são críticos, isso são, para com as condições ambientais em que vivem. Mas, assinalam as conclusões do inquérito, revelam "uma certa bonomia face à realidade nacional, quando comparada com a dos restantes países europeus". Relativamente ao inquérito anterior, a degradação ambiental do país é vista com cores mais negras. A preocupação é mais forte, talvez por haver mais informação. Segundo o coordenador deste trabalho afirmou ao JN, mantém-se o desfasamento entre atitude e preocupação. Uma coisa é o que os portugueses pensam, outra as iniciativas que tomam para mudar o que dizem estar mal.

O sociólogo João Ferreira de Almeida destaca uma diferença entre os resultados do inquérito anterior e agora divulgado: a agricultura, agora, já surge com a sua quota de responsabilidade na poluição ;antes, a visão deste sector era mais bucólica.