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sexta-feira, 8 de maio de 2026

David Attenborough faz 100 anos: O maior aliado da Natureza ainda tem fé no Homem


Sir David Attenborough celebra esta sext-feira o 100.º aniversário e dispensa apresentações. A paixão e o entusiasmo com que deu a conhecer, ao longo das últimas sete décadas, o complexo e mágico mundo selvagem educou, entreteve e inspirou milhões de pessoas em todo o Mundo. Antes de alertar para questões ecológicas, ele ensinou-nos a amar cada espécie, mesmo as mais estranhas e perigosas.

David Frederick Attenborough nasceu a 8 de maio de 1926 em Isleworth, Londres, mas passou a infância em Leicester. Fascinado por fósseis, estudou Geologia e Zoologia. Em 1952 tornou-se estagiário na BBC e dois anos depois apresentava ‘Zoo Quest’ - apesar de acharem que os seus dentes eram “demasiado grandes” -, que combinava cenas de estúdio com imagens reais da vida selvagem, algo inédito até então. Imerso nos ambientes que visita, foi pioneiro em técnicas de filmagem e nunca hesitou em ultrapassar os limites para captar a essência dos 94 países que explorou, o que lhe permitiu viver experiências marcantes com alguns dos animais mais raros do planeta, como os gorilas da montanha no Ruanda. Na sua vida, apenas se arrepende de não ter sido um pai mais presente para Susan e Robert, frutos da sua relação com Jane Oriel, com quem casou em 1950. Esta viria a morrer em 1997, quando o britânico estava a filmar ‘The Life of Birds’, na Nova Zelândia. “Em momentos de luto - luto profundo - o único consolo que podemos encontrar é no mundo natural.”

Atualmente, Attenborough reduziu o ritmo das viagens, mas continua a trabalhar em estúdio: “No dia em que deixar de conseguir subir e descer as escadas é o dia em que paro.” O seu foco é agora na conservação do mundo natural: “É a maior fonte de tanta coisa na vida que a torna digna de ser vivida. Talvez um dia possa ser visto como alguém que documentou o início de uma nova relação entre a humanidade e a natureza.”

O centenário do naturalista é hoje assinalado com um evento no Royal Albert Hall, em Londres, e com o lançamento do documentário ‘Life on Earth: Attenborough’s Greatest Adventure’, da BBC.

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

FIFA cria (grande) prémio sobre a paz e o primeiro vencedor é Donald Trump



Presidente dos Estados Unidos recebe prémio que vai passar a ser atribuído a "indivíduos que tenham feito ações extraordinárias e excecionais pela paz"

Não é um Prémio Nobel da Paz, mas é o mais perto disso. A FIFA atribuiu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prémio relacionado com a paz, que se chama FIFA Peace Prize (Prémio FIFA da Paz).

Após a divulgação de um vídeo em que exaltam a procura da paz por parte do presidente norte-americano, lembrando os acordos alcançados, nomeadamente na Faixa de Gaza, o organismo que gere o futebol mundial quis congratular oficialmente Donald Trump.

Trata-se de um prémio em ouro, com várias mãos a tocarem uma bola que as encima. Um prémio grande em tamanho e que é também acompanhado por uma medalha, além de um certificado em que constam as razões para a atribuição deste prémio.

De acordo com Gianni Infantino, que gere a FIFA e tem estreitado laços com Donald Trump, este é um prémio que passará a ser entregue a "indivíduos que tenham feito ações extraordinárias e excecionais pela paz".

Donald Trump, que subiu rapidamente a palco para receber aquilo que confirmou ser uma das suas maiores honras, destacou os esforços feitos para acabar com vários conflitos. "Esta é realmente uma das maiores honras da minha vida. [Há] tantas guerras que conseguimos acabar, em alguns casos até antes de começarem, mesmo antes de começarem", apontou, referindo-se nomeadamente a um possível conflito entre Paquistão e Irão.

De recordar que o presidente norte-americano tinha dito mesmo antes da atribuição do Nobel da Paz, que acabou por ir parar à venezuelana Maria Corina Machado, que tinha conseguido acabar com sete guerras, o que é comprovadamente falso, como pode confirmar neste artigo da CNN Portugal.

"Salvámos milhões de vidas: no Congo, por exemplo, morreram 10 milhões de pessoas. Também com a Índia e o Paquistão, impedimos que as guerras acontecessem mesmo antes de começarem", reiterou, referindo-se à República Democrática do Congo.

"Gianni [Infantino] fez um trabalho incrível, estabeleceu um novo recorde de vendas de bilhetes. É uma bela homenagem a si e ao jogo de futebol, ou como lhe chamamos futebol. Os números ultrapassam tudo o que pensávamos ser possível", culminou.

sexta-feira, 23 de maio de 2025

O olhar de Sebastião Salgado: a Humanidade sem fronteiras

"Mais do que nunca, sinto que a raça humana é somente uma. Há diferenças de cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os sentimentos e reações das pessoas são semelhantes. Pessoas fogem das guerras para escapar da morte, migram para melhorar sua sorte, constroem novas vidas em terras estrangeiras, adaptam-se a situações extremas...” (Êxodos”, publicado em 2000).


Sebastião Salgado é referência mundial pela sua fotografia social, que historicamente retratou pessoas em situações de pobreza, miséria, em tragédias e em movimentações da sociedade que influenciaram as migrações humanas no globo terrestre. Dessas histórias, originaram-se obras como Êxodos, a qual, quando terminada sua produção, levou Salgado à depressão. Por isso, o fotógrafo e sua esposa, Lélia, voltaram para Aimorés (MG), a fim de cuidar da antiga fazenda dos pais de Salgado. Ali, viu a degradação ambiental. Uma terra tão doente quanto ele mesmo estava. Foi sua esposa quem teve a ideia de reflorestar a Mata Atlântica naquele pedaço de terra assoreado e sem vida. Criou-se o Instituto Terra e, junto com ele, Sebastião Salgado obteve a cura para sua depressão. Deste modo, fotografou 32 reportagens durante oito anos, retratando o que ainda há de puro ecologicamente no mundo. As fotografias deram origem à obra Gênesis. A partir desse conhecimento, a presente pesquisa questionou como teria ocorrido a mudança de olhar do fotógrafo de Êxodos para Gênesis e o que mudou na hora de Salgado fazer fotografia. O objetivo foi o de descobrir se, através da aproximação do fotógrafo com o objeto a ser registrado, a fotografia teria a capacidade de construir uma transformação no agente fotográfico. Para isso, utilizou-se o levantamento bibliográfico e a entrevista aberta em profundidade para aprofundar o conhecimento sobre o Salgado e suas obras. E, para análise das fotos, usou-se a metodologia das conotações, híbrida das teorias de Barthes (2000) e Eco (1997). Esse método se fez necessário para decompor as fotografias em seus elementos e analisá-los de modo a interpretar suas conotações e compreender as alterações do fotógrafo em seu trabalho. Os resultados obtidos enfatizam a mudança vivida por Sebastião graças ao seu contato com a natureza através do Instituto Terra; a essência de suas fotografias; e mantém o questionamento sobre o paradigma da aproximação entre jornalistas e seus objetos de trabalho.

quarta-feira, 21 de maio de 2025

O genocídio

Genocídio no Ruanda

O genocídio infelizmente não é novidade. A história humana está repleta de histórias de vingança, diferenças religiosas ou sociais ou competição por terras. Exige que um grupo seja visto como menos que humano. A vítima não deve ter qualquer mérito ou importância. O genocídio vitorioso deve centrar-se nas mulheres e nas crianças; é um requisito. São o futuro da vítima e devem ser mortos, degradados, levados para a selva, enlouquecidos. Genocídio não é guerra. É o mal mais tóxico da alma humana.

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Genocídio do Ruanda - 30 anos depois


O genocídio no Ruanda, ocorrido em 1994, foi uma das maiores tragédias humanitárias do século XX. em apenas 100 dias, estima-se que cerca de 800 mil a 1 milhão de pessoas foram brutalmente assassinadas. a esmagadora maioria das vítimas pertencia à minoria étnica tutsi, além de moderados da maioria hutu que se opunham à violência.

O contexto e as raízes do conflito
  1. A divisão entre hutus (historicamente agricultores, a maioria da população) e tutsis (historicamente pastores, a elite minoritária) foi aprofundada durante o período colonial.
  2. Colonização alemã e belga: o território começou por ser uma colónia alemã, mas passou para as mãos da Bélgica após a primeira guerra mundial. foram os belgas que transformaram a divisão social numa separação racial rígida, introduzindo bilhetes de identidade com indicação étnica na década de 1930 e favorecendo a minoria tutsi.
  3. A inversão de poder (1959-1962): uma revolta hutu derrubou a monarquia tutsi e levou o país à independência. Milhares de tutsis fugiram para países vizinhos (como o Uganda) e formaram a frente patriótica ruandesa (RPF), um grupo rebelde armado.
  4. O estopim (6 de abril de 1994): o avião do presidente ruandês, Juvénal Habyarimana (um hutu), foi abatido em Kigali. Extremistas hutus culparam imediatamente os rebeldes tutsis e iniciaram a matança organizada na manhã seguinte.
Como o genocídio aconteceu
Diferente de outros genocídios industrializados da história, o horror no Ruanda foi perpetrado de forma extremamente direta e descentralizada, mobilizando civis comuns.
  1. Armas: a maior parte dos assassinatos foi cometida com catanas (facões), paus e enxadas.
  2. Milícias interahamwe: o exército oficial foi apoiado por milícias civis extremistas chamadas interahamwe ("os que atacam juntos").
  3. O papel da comunicação social: a estação de rádio estatal RTLM desempenhou um papel crucial, transmitindo discursos de ódio, identificando os tutsis como "baratas" e revelando esconderijos, nomes e matrículas de carros das pessoas a abater.
A inação internacional
Um dos aspetos mais marcantes e dolorosos do conflito foi a passividade do resto do mundo. a força de paz da ONU no terreno tinha ordens estritas para não intervir militarmente, servindo apenas como observadora.

Após a morte de 10 soldados belgas da ONU que protegiam a primeira-ministra ruandesa, a Bélgica retirou as suas tropas e o conselho de segurança da ONU reduziu o contingente militar no país para uma presença simbólica de menos de 300 homens, mesmo ciente do massacre em curso. Países como os EUA e a França evitaram ativamente classificar a situação como "genocídio" para não assumirem a obrigação legal de intervir.

O fim do conflito e consequências
O genocídio terminou em meados de julho de 1994, quando a frente patriótica ruandesa (RPF), liderada por Paul Kagame (que se tornou presidente do país), conseguiu avançar militarmente a partir do Uganda e capturar a capital, Kigali.
  1. Êxodo em massa: temendo represálias do novo governo dominado por tutsis, cerca de 2 milhões de hutus fugiram para o vizinho Zaire (atual República Democrática do Congo), gerando uma crise humanitária monumental.
  2. Justiça e reconciliação: o tribunal penal internacional para o Ruanda julgou os principais mentores do massacre. contudo, para lidar com a quantidade massiva de suspeitos locais, o governo recorreu aos tribunais comunitários tradicionais chamados gacaca, focados na confissão, no perdão e na reintegração comunitária.

Hoje, o Ruanda é um país amplamente pacificado, com uma economia de crescimento rápido e leis rigorosas que proíbem qualquer discurso baseado em divisões étnicas. o termo "hutu", "twa" ou "tutsi" foi abolido dos documentos oficiais; todos são agora, simplesmente, ruandeses.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Ofra Haza - Forgiveness


Ofra Haza with Nusrat Ali Fateh Khan
from CD The Prayer Cycle 1999 of Jonathan Elias (Sony)
Offically last recorded Ofra's song
Words from The Bible - Psalm 23:
The Lord is my shepherd; I shall not want.
Even when I walk in the valley of Darkness
May only goodness and kindness pursue me all the days of my life

O Ciclo de Orações é um álbum coral/orquestral do compositor americano de bandas sonoras para cinema e televisão Jonathan Elias. O álbum foi lançado pela Sony Classical Records nos Estados Unidos a 23 de março de 1999.

O projeto, gravado e misturado pelo co-produtor R. Walt Vincent, consiste numa sinfonia coral contemporânea em nove partes, em treze línguas (húngaro, maliês, suaíli, dwala, tibetano, alemão, francês, urdu, latim, inglês, italiano, hebraico e espanhol). Nas notas do livrete do álbum, Elias descreveu a obra como "um conjunto de nove orações em adágio" influenciadas pelas suas "visões pessoais" sobre o futuro da humanidade e o poder da oração em diferentes culturas. Os músicos que contribuíram "utilizaram poemas que [ele] escreveu como inspiração, interpretando as palavras à sua maneira, em diversas línguas e cantos". Mais informação aqui

domingo, 11 de setembro de 2005

M.I.A. - World Town


 Obg, André Freitas

Muito mais profundo que o vídeo MIA original, esta adaptação juvenil é deveras criativo e o apelo que fazem no Youtube a algumas ONG promotoras da Paz, é uma mais valia. Atento às novas sonoridades (rap, hip-hop, etc) não as rejeito completamente, e abraço-as sempre que traz um sentido, uma linha de pensamento e melodia. A ouvir e (re)ler a letra activista. 

World Town
Paz é possível! Não mais 11 de Setembro, não mais blocos, não mais guerra-fria, não mais Vietname, não mais Afeganistão, não mais Iraque, não mais Darfur, não mais Ruanda, não mais Nato. Não mais!

Compilação de conflitos armados e impactes ambientais até 2007

Hands up
Guns out
Represent the world town

Sick of all the shit that's keeping me down
Dead from the waist down
It's easy staying down
I never thought about it twice
But you do pay the price
It aint your weekly cash that feeds my mum the rice

Yo don't be calling me desperate
When I'm knocking on the door
Every wall you build I'll knock it down to the floor
See me see me bubbling quietly
See me see me acting like you ain't met me

Hands up
Guns out
Represent the world town

Look at what you did, you done it before
Every little dollar just keeps me down more
I never had you on my side bubbling on my side
Why they tell me different
When they make me explodified

Yo dont be calling me desperate
When i'm knocking on the door
Every wall you build i'll knock it down to the floor
See me see me bubbling quietly
See me see me acting like you ain't met me