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domingo, 27 de setembro de 2026

Por que Portugal é mais seguro que Espanha no Global Peace Index?


A diferença de posicionamento entre Portugal, em sexto lugar no ranking europeu e sétimo a nível mundial, e Espanha, em décimo nono lugar no ranking europeu e vigésimo quinto a nível mundial, no Global Peace Index deve-se principalmente à forma como os vinte e três indicadores do índice são calculados e ponderados. Embora ambos os países partilhem elevados padrões de segurança e qualidade de vida na Europa do Sul, Portugal supera Espanha no índice por três fatores estruturais.

O primeiro fator reside na instabilidade e tensão política interna. O Global Peace Index avalia fortemente a coesão e a estabilidade política de cada nação. Espanha perde pontos devido a tensões regionais históricas, como os movimentos separatistas na Catalunha e no País Basco, além de um ambiente de maior polarização partidária e manifestações políticas de grande dimensão. Em contrapartida, Portugal mantém indicadores de estabilidade política interna muito elevados, com ausência de movimentos separatistas e um clima de paz social contínuo.

O segundo fator prende-se com a militarização e os gastos com defesa. Sendo uma das maiores economias da União Europeia e um membro com capacidades militares significativas, Espanha apresenta gastos absolutos mais elevados em defesa, um maior volume de forças armadas e exportações de armamento e equipamento militar superiores às de Portugal. Já Portugal regista um perfil militar significativamente mais reduzido em termos absolutos e de exportação de equipamento de defesa, o que lhe permite pontuar substancialmente melhor nos indicadores do domínio de militarização do índice.

Por fim, o terceiro fator envolve a criminalidade percebida e os fatores de segurança societal. Apesar de Espanha ser um país muito seguro para o turismo e para o quotidiano, as suas cidades de grande dimensão registam taxas absolutas mais elevadas de furtos e pequenas infrações em pontos turísticos, além de uma perceção ligeiramente superior de risco em áreas urbanas de grande densidade. Por outro lado, Portugal apresenta taxas baixíssimas de crimes violentos, uma legislação sobre armas bastante rigorosa e níveis muito reduzidos de perceção de insegurança por parte da população no dia a dia.

A ausência da Noruega e da Suécia no Top 20 europeu explica-se pelos critérios específicos do Global Peace Index (GPI), um índice que mede o nível de paz global através de métricas amplas e não apenas com base na criminalidade do dia a dia.

No caso da Suécia, a queda no ranking deve-se ao crescimento da violência associada a gangues organizados, com um aumento notório de tiroteios e explosões, o que elevou a perceção de insegurança e o impacto do mercado ilegal de armas.

Já a Noruega, apesar de manter níveis altíssimos de segurança no quotidiano e taxas residuais de crimes violentos, acaba por ser penalizada no pilar da militarização. O país regista um volume considerável de exportação de material militar por habitante e assume despesas significativas em defesa e missões internacionais, fatores que influenciam negativamente a sua pontuação final no índice.

Fontes


sábado, 30 de maio de 2026

Classificação: os países que alimentam o mundo


Um grupo relativamente pequeno de países fornece hoje uma enorme fatia dos alimentos comercializados no mundo. Os 10 maiores exportadores, por si só, representam quase metade das exportações agrícolas globais, conferindo a um punhado de economias uma enorme influência sobre os preços e as cadeias de abastecimento globais de alimentos.

As Américas constituem o núcleo do sistema global de comércio de alimentos. Os EUA, o Brasil, o Canadá e o México, em conjunto, representam quase 30% das exportações agrícolas globais, abrangendo desde cereais e carne a alimentos processados ​​e oleaginosas.

Enquanto isso, várias economias populosas apresentam classificações inferiores às esperadas. Apesar de ser o maior produtor agrícola do mundo, a China está muito atrás dos EUA e do Brasil em termos de valor de exportação, o que reflete a parcela da sua produção que é consumida internamente.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Poluição atmosférica responsável por 79 mil mortes anuais na Europa, revela estudo


Um trabalho relaciona a exposição a curto prazo a uma série de poluentes atmosféricos com aproximadamente 146.500 mortes prematuras por ano na Europa, sendo as partículas finas as mais nocivas, responsáveis por 79.000 mortes.

Publicada na revista 'Nature Health', a investigação do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) e do Centro de Supercomputação de Barcelona (BSC) fornece a primeira estimativa à escala europeia da mortalidade a curto prazo atribuível aos efeitos combinados de múltiplos poluentes em 31 países, representando mais de 530 milhões de pessoas.

Embora o maior impacto na saúde seja causado pela exposição a longo prazo, a poluição atmosférica a curto prazo pode também desencadear respostas fisiológicas agudas, como inflamação sistémica, desequilíbrio e aumento da coagulação sanguínea, que elevam o risco de mortalidade, noticiou na quarta-feira a agência Efe.

O estudo analisou quase 89 milhões de mortes registadas entre 2003 e 2019 em 653 regiões europeias, combinando dados de estações de monitorização, satélites, uso do solo e variáveis meteorológicas, ajustados para os níveis regionais.

Ao contrário da maioria das investigações anteriores, que se centravam apenas nas cidades ou analisavam um único poluente, este estudo considera quatro poluentes em conjunto: material particulado fino, dióxido de azoto, ozono e material particulado de tamanho intermédio.

"Isto permite uma análise mais precisa de como a exposição a curto prazo afeta as pessoas de forma diferente, dependendo da idade, sexo e causa da morte", explicou Zhao-Yue Chen, investigador do ISGlobal e primeiro autor do estudo.

Analisadas individualmente, as partículas finas causam anualmente aproximadamente 79.000 mortes, seguidas pelo dióxido de azoto com 69.000, do ozono com 31.000 e partículas de tamanho intermédio com 29.000, embora estes números não sejam cumulativos, uma vez que os poluentes tendem a ocorrer em simultâneo e os seus efeitos sobrepõem-se.

As partículas finas são as mais nocivas porque, devido ao seu tamanho, penetram profundamente nos pulmões e podem entrar na corrente sanguínea, desencadeando inflamação.

As partículas maiores afetam principalmente o trato respiratório superior, enquanto o dióxido de azoto e o ozono irritam os pulmões e aumentam a vulnerabilidade a doenças respiratórias.

A poluição do ar não afeta todos da mesma forma: os homens jovens apresentaram maior vulnerabilidade do que as mulheres da mesma faixa etária, de acordo com o estudo, devido à maior exposição ocupacional, ao tráfego e ao tabagismo, bem como ao início mais precoce de doenças crónicas.

No entanto, o padrão altera-se com a idade, uma vez que a partir dos 85 anos, o maior risco é observado nas mulheres, que também apresentam riscos cardiovasculares mais elevados devido à exposição a partículas do que os homens.

“Os nossos resultados apoiam a utilização de modelos epidemiológicos ajustados por sexo, idade e comorbilidades para criar sistemas de alerta precoce especificamente direcionados para grupos vulneráveis”, concluiu Joan Ballester, investigador do ISGlobal e coordenador do estudo.

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

‘Change course now’: humanity has missed 1.5ºC climate target, says UN head

Humanity has failed to limit global heating to 1.5º C and must change course immediately, the secretary general of the UN has warned.

In his only interview before next month’s Cop30 climate summit, António Guterres acknowledged it is now “inevitable” that humanity will overshoot the target in the Paris climate agreement, with “devastating consequences” for the world.

He urged the leaders who will gather in the Brazilian rainforest city of Belém to realise that the longer they delay cutting emissions, the greater the danger of passing catastrophic “tipping points” in the Amazon, the Arctic and the oceans.

“Let’s recognise our failure,” he told the Guardian and Amazon-based news organisation Sumaúma. “The truth is that we have failed to avoid an overshooting above 1.5ºC in the next few years. And that going above 1.5C has devastating consequences. Some of these devastating consequences are tipping points, be it in the Amazon, be it in Greenland, or western Antarctica or the coral reefs.

He said the priority at Cop30 was to shift direction: “It is absolutely indispensable to change course in order to make sure that the overshoot is as short as possible and as low in intensity as possible to avoid tipping points like the Amazon. We don’t want to see the Amazon as a savannah. But that is a real risk if we don’t change course and if we don’t make a dramatic decrease of emissions as soon as possible.”

The planet’s past 10 years have been the hottest in recorded history. Despite growing scientific alarm at the speed of global temperature increases caused by the burning of fossil fuels – oil, coal and gas – the secretary general said government commitments have come up short.

Fewer than a third of the world’s nations (62 out of 197) have sent in their climate action plans, known as nationally determined contributions (NDCs) under the Paris agreement. The US under Donald Trump has abandoned the process. Europe has promised but so far failed to deliver. China, the world’s biggest emitter, has been accused of undercommitting.

António Guterres giving his speech at Cop29 in Baku, Azerbaijan, in November 2024. 

Guterres said the lack of NDC ambition means the Paris goal of 1.5ºC will be breached, at least temporarily: “From those [NDCs] received until now, there is an expectation of a reduction of emissions of 10%. We would need 60% [to stay within 1.5ºC]. So overshooting is now inevitable.”

He did not give up on the target though, and said it may still be possible to temporarily overshoot and then bring temperatures down in time to return to 1.5ºC by the end of the century, but this would require a change of direction at and beyond Cop30.

He called for governments to rebalance representation at Cops so that civil society groups, particularly from Indigenous communities, will have a greater presence and influence than people paid by corporations.

“We all know what the lobbyists want,” he said. “It’s to increase their profits, with the price being paid by humankind.”

He said a transition away from fossil fuels was a matter of economic self-interest, because it was clear that the era of fossil fuels was coming to an end: “We are seeing a renewables revolution and the transition will inevitably accelerate and there will be no way in which humankind will be able to use all the oil and gas already discovered,” he said.

Asked if he had raised this with the Brazilian president, Luiz Inácio Lula da Silva, whose government has just given the green light for oil exploration near the mouth of the Amazon, he said: “Not yet. I’ll take advantage of the Cop [to do this].”

sábado, 12 de julho de 2025

Marci Shore saiu dos EUA e agora deixa o aviso: "A Europa não deve absolutamente confiar em nós"



A grande questão neste momento, defende Marci Shore, "é saber quem vai forçar quem" na "situação sem precedentes" em que os Estados Unidos se encontram. "Trump e Vance não são omnipotentes nem imortais, são habilitados por muitas outras pessoas, incluindo quase todos os republicanos".

Isso é notório, por exemplo, na recente aprovação da "lei grande e bela" que vai enriquecer os mais ricos e empobrecer os mais pobres, num país que está a resvalar para o autoritarismo. "O terror atomiza-nos, e os regimes tirânicos alimentam-se dessa atomização – e o único antídoto é a solidariedade ", ressalta a historiadora especializada em fascismo.

Aos que dizem que a América será salva pelos "pesos e contrapesos" que sempre orientaram a política norte-americana, Shore deixa um aviso. "As estruturas e instituições não são proteções mágicas e sobrenaturais, são criadas e geridas por pessoas" – e se a História nos mostra algo, é a facilidade com que coisas impensáveis são normalizadas. "Os seres humanos têm uma capacidade extraordinária de normalizar o anormal; o que parecia inconcebível num dado momento pode tornar-se o novo normal alguns meses mais tarde, e mal nos apercebemos de como as fronteiras recuaram."

Com uma carreira de décadas dedicada à cultura eslava e à Europa Central e de Leste, Shore trocou a Universidade de Yale, nos EUA, pela Universidade de Toronto, no Canadá, uma decisão que, garante, foi tomada após muita ponderação em família. Se dependesse do marido, o historiador e escritor Timothy Snyder, é possível que a mudança nunca tivesse acontecido. "O meu marido não é uma pessoa ansiosa por natureza. Se estivesse sozinho, teria regressado a New Haven, não apesar, mas precisamente por causa da vitória de Trump, para lutar pela democracia dos Estados Unidos."

Ao ver o vídeo que o NYT fez consigo e com outros dois especialistas em Fascismo da Universidade de Yale, Jason Stanley e o seu marido, Timothy Snyder, achei muito marcante a analogia que faz com o Titanic, em relação a esta ideia do ‘excecionalismo americano’. Continua a haver muita gente, dentro e fora dos Estados Unidos, a acreditar que os pesos e contrapesos vão impedir o navio de se afundar, apesar de a realidade apontar na direção oposta. Vislumbra alguma forma de esses pesos e contrapesos prevalecerem, por exemplo, por via das eleições intercalares no próximo ano ou do ramo judiciário? Ou estamos destinados a ver o navio afundar-se?
Não existe nada “destinado”. Os “pesos e contrapesos” referem-se a estruturas e instituições – não são proteções mágicas e sobrenaturais, são criadas e geridas por pessoas. Há certamente juízes que estão a recuar e a dizer ‘não’ – e a administração Trump está, muitas vezes, a recusar-se a honrar essas decisões judiciais. Torna-se então uma questão de saber quem vai forçar quem. Esta é, de certa forma, uma situação sem precedentes nos Estados Unidos.

E como se sai dessa situação?
Tudo depende das pessoas. Trump não é omnipotente nem imortal – e JD Vance também não. Eles são habilitados por muitas outras pessoas – incluindo quase todos os membros republicanos do Congresso, que fizeram barganhas faustianas. Esta “Lei Grande e Bela”, que priva milhões de americanos de cuidados de saúde e milhões de crianças de comida, não teria sido aprovada se o Partido Republicano não tivesse alinhado com Trump. Eles podiam dizer ‘não’.

A votação no Senado estava a 50-50 antes de JD Vance ter dado o voto de desempate na sua qualidade de vice-presidente. Juntamente com todos os democratas, três senadores republicanos votaram contra. Se mais um senador republicano tivesse votado contra, o projeto de lei não teria sido aprovado.

Logo após o voto, o meu irmão, que é compositor de ópera, publicou este vídeo [uma música chamada “Na noite passada sonhei que vi Jesus”, que termina com o verso “E ele disse-me que eu podia ir para o inferno” e com a adenda: “Mantenham-se seguros, amigos – e não fiquem doentes”. Desde a eleição de Trump, Dan Shore tem usado os seus dotes musicais para compor sátiras políticas de protesto contra as políticas da administração.]

Em tempos como estes, as pessoas tentam encontrar esperança onde quer que seja e muitas estão algo esperançosas perante notícias recentes como a libertação de Mahmoud Khalil, ativista da Universidade de Columbia, e a vitória de Zohran Mamdani nas primárias democratas à Câmara Municipal de Nova Iorque. O que podem estes eventos indiciar no contexto da busca por um caminho alternativo para os EUA?
Os Estados Unidos são um país profundamente dividido, é por isso que todas as eleições presidenciais são uma competição por um grupo demográfico relativamente mínimo, os chamados “swing voters”, ou eleitores indecisos. Há uma verdadeira resistência, há momentos de esperança, e é importante estar ciente e reconhecer esses momentos.

Estou a participar numa iniciativa do Seminário de Democracia da New School para documentar “pequenos atos de resistência democrática”. Este site pretende ser uma plataforma de solidariedade, reconhecimento e apoio moral, mas também um recurso para jornalistas, especialmente jornalistas fora dos Estados Unidos.

Recentemente, deu uma palestra na Universidade Metropolitana de Toronto onde avisou os canadianos – numa mensagem também dirigida, presumo, aos europeus e a outras sociedades – que “não podem confiar” no atual governo americano e que, por conseguinte, não podem confiar nos Estados Unidos. A verdade, porém, é que a arquitetura da relação transatlântica assenta nesta dependência europeia dos EUA, por exemplo, em matéria de defesa e segurança. Quão exequível seria “sair” desta relação? Ou existe outra forma de negociar (e fazer acordos) com os EUA, reduzindo essa dependência?

Eu nem sequer o descreveria como uma mudança de paradigma, mas sim como um salto para o niilismo. Para Trump, não existe a verdade versus a mentira ou o bem versus o mal; existe apenas o que é vantajoso ou desvantajoso para si próprio num dado momento. Todas as relações são puramente transacionais. Não existem valores ou princípios.

Estamos a olhar para um abismo. Pode acontecer, claro, que algo que Trump entenda como sendo do seu interesse num determinado momento tenha, por acaso, efeitos positivos – mas isso não deve ser mal interpretado como uma política coerente ou um paradigma que reflita qualquer tipo de valores consistentes.

A Europa não deve absolutamente confiar em nós. É isto mesmo: o fim do namoro.

Num artigo que escreveu em maio, afirmava que se deve “evitar fetichizar” conceitos como autocracia, fascismo, autoritarismo, etc., porque “nenhuma situação histórica é exatamente igual a outra”. Ainda assim, impõe-se a pergunta: que lições é que o passado pode ensinar-nos no que toca a lutar contra este sentimento de paralisia da sociedade?
Conceitos como o fascismo são muito úteis, só não devem ser fetichizados. Quanto às lições: os seres humanos têm uma capacidade extraordinária de normalizar o anormal. O que parecia inconcebível num dado momento pode tornar-se o novo normal alguns meses mais tarde, e mal nos apercebemos de como as fronteiras recuaram. Habituamo-nos a uma nova realidade e depois não conseguimos ver verdadeiramente o que está a acontecer à nossa volta.

Após as eleições de novembro de 2016, o comediante John Oliver disse ao seu público televisivo: "Vai ser demasiado fácil as coisas começarem a parecer normais – especialmente se se for alguém que não é diretamente afetado pelas ações [da administração Trump]. Por isso, lembrem-se: isto não é normal. Escreva-o num post-it e cole-o no seu frigorífico." O contexto era um programa de comédia política, mas isto não era uma piada, e o conselho de John Oliver foi absolutamente correto.

Há aqui dois desafios: abanar a sociedade, para que reconheça as implicações aterradoras da livre expressão da violência e da crueldade, e encontrar métodos para fundamentar o nosso discurso na verdade empírica"

É essencial não normalizar o anormal. É também essencial insistir na verdade – procurando-a, dizendo-a em voz alta. O terror atomiza-nos, e os regimes tirânicos alimentam-se dessa atomização. O único antídoto para isso é a solidariedade. Conhecemos a famosa citação de Martin Niemöller, o simpatizante da direita alemã que se tornou prisioneiro político dos nazis: "Primeiro vieram atrás dos socialistas, e eu não me pronunciei – porque não era socialista. Depois vieram atrás dos sindicalistas, e eu não falei – porque não era sindicalista. Depois vieram buscar os judeus, e eu não falei – porque não era judeu. Depois vieram atrás de mim – e já não havia ninguém para falar por mim".

Líderes como Donald Trump são regularmente aplaudidos pela sua “honestidade”, mas essa honestidade não corresponde à ideia de falar verdade no sentido do que se pode empiricamente provar como verdadeiro – corresponde, antes, a falar sem qualquer filtro, mesmo quando o que se está a dizer é o oposto do que é verdadeiro. Isto coloca um desafio aos cidadãos em geral, e aos jornalistas em particular, tornando ainda mais difícil navegar a realidade e reportá-la nos dias que correm. Desde que Trump anunciou a sua primeira candidatura à presidência, há uma década, os jornalistas têm tentado combater a desinformação com factos, mas isso não parece ser suficiente, nem nos EUA, nem na Europa. Qual é o caminho?
O que os apoiantes de Trump entendem como “honestidade” é o tipo de libertação da repressão que Freud descreveu em “A Civilização e os seus Descontentamentos: a livre expressão de Eros e Thanatos”. Hoje, se virmos uma mulher a andar na rua e desejarmos violá-la, é perfeitamente admissível expressá-lo em voz alta. Freud dir-nos-ia que a civilização se baseia na repressão. A libertação dessa repressão é a verdadeira libertação – pela qual pagamos o pequeno preço da destruição da civilização. E estamos a pagar esse preço.

As possibilidades tecnológicas de disseminação e consumo de informação – e desinformação – não têm precedentes. É um alvo em movimento: a tecnologia acelera mais rapidamente do que conseguimos compreender o problema e formular soluções. Em 2016, os jornalistas americanos ficaram sem saber o que fazer. Estavam habituados a verificar factos individuais – não estavam habituados a um completo afastamento da realidade empírica. E ninguém conseguia verificar os factos tão rapidamente quanto Trump conseguia mentir.

Portanto, há aqui dois desafios. Um é abanar a sociedade, para que reconheça as implicações aterradoras da livre expressão da violência e da crueldade. O outro é encontrar métodos para fundamentar o nosso discurso na verdade empírica.

Diz que “a grande lição de 1933 é que se deve sair mais cedo do que tarde”, num paralelismo entre o que aconteceu na Alemanha, com a ascensão de Adolf Hitler ao poder, e o que está a acontecer agora nos EUA. Porque é que decidiu abandonar o seu país-natal?
Receio que a mudança da minha família para Toronto tenha sido um pouco dramatizada de forma absurda. Na verdade, não é assim tão dramática. Foi uma decisão familiar muito gradual e complexa, que começou muito antes das eleições. Por um lado, Yale é uma instituição excecional; adorei ensinar em Yale, tenho lá amigos e colegas de quem sentirei muitas saudades. Por outro lado, nunca pensei ficar tanto tempo na mesma cidade ou na mesma instituição; parecia que estava na altura de mudar a meio da carreira.

Há muito que queria criar os meus filhos num lugar onde não houvesse tanta violência armada – mesmo em tempos muito melhores politicamente, a quantidade de violência armada nos Estados Unidos é horrível. New Haven [a cidade do Connecticut que alberga a Universidade de Yale] fica a menos de uma hora de Sandy Hook, onde uma turma inteira de alunos do primeiro ano foi assassinada por um atirador numa escola primária há pouco mais de 12 anos. Na altura, um dos meus alunos de licenciatura trabalhava como paramédico a tempo parcial e foi um dos primeiros a responder. Chegou ao local e não havia nada a fazer – estavam todos mortos.

A posse de armas per capita é mais elevada nos Estados Unidos do que em qualquer outra parte do mundo. Sou eslava e sabe o que Anton Chekhov disse sobre as armas? "Quando a arma está em cena, tem de disparar até ao fim do último ato." Receio que isso seja verdade tanto na vida quanto no teatro. Em qualquer sábado à noite em New Haven, as urgências estão cheias de vítimas de ferimentos provocados por armas de fogo.

Foi por isso que decidiu ir dar aulas na Universidade de Toronto?
A Munk School for Global Affairs começou a recrutar-me a mim e ao meu marido, Tim Snyder, há cerca de três anos. E há muitas razões pelas quais não só Toronto em geral, mas também a Munk School da Universidade de Toronto em particular, eram especialmente atrativas. Estudei na Universidade de Toronto nos anos 90 e adorei tanto a cidade como a universidade. A Munk foi concebida para promover e apoiar a interdisciplinaridade, o envolvimento, tanto académico como público. Há lá um grupo fantástico de académicos, liderado pela extraordinária cientista política Janice Stein, muito inspiradora para mim.

O Tim e eu viemos para Toronto em agosto de 2024 com os nossos filhos, num ano sabático de Yale. Por isso, já estávamos a viver aqui durante as eleições de novembro. E é muito provável que tivéssemos ficado em Toronto e aceitado as ofertas da Munk mesmo que Kamala Harris tivesse vencido. O meu marido não é uma pessoa ansiosa por natureza; se estivesse sozinho, teria regressado a New Haven, não apesar, mas precisamente por causa da vitória de Trump, para lutar pela democracia dos Estados Unidos.

Mas aceitou mudar-se pela família?
Sim, concordou em ficar em Toronto por mim e pelos nossos filhos. Estou muito disposta a assumir a minha própria ansiedade, mas encolho-me quando vejo a imprensa infligir-lhe a minha ansiedade e cobardia. “Fugir” é o tipo de palavra que quer Jason Stanley quer eu, enquanto judeus neuróticos, usaríamos – mas o Tim não foge.

A minha posição é influenciada pelo facto de, apesar de ser americana, não ser uma americanista – ou seja, o meu trabalho intelectual sempre se centrou na Europa Central e de Leste. Há muito que estou mais empenhada na Ucrânia do que nos Estados Unidos, e muito do que faço é desempenhar o papel de mediadora cultural, ajudando os americanos a compreender a Europa de Leste.

A minha vida intelectual nunca esteve centrada no meu próprio país, o que talvez contribua para o meu sentimento geral de que é possível trabalhar em prol do bem a partir de onde quer que seja – ainda que de formas diferentes. Além disso, tendo saído dos Estados Unidos, sinto-me ainda mais obrigada a falar sobre o que se está a passar lá, em nome dos meus amigos e colegas que se encontram em posições mais vulneráveis.

quinta-feira, 29 de maio de 2025

Europa em crise de relevância


Expresso
A evolução para um sistema multipolar assimétrico tem sido marcada pelo aparecimento de inúmeros centros de poder. Para a Europa, está a tornar-se cada vez mais difícil posicionar-se como um protagonista de primeira linha, em grande parte devido às suas normas restritivas de tomada de decisão, mas não só.

No início do século XX, o geógrafo britânico Halford Mackinder conjeturava que o vasto interior da Eurásia continha a chave definitiva para a geopolítica global. A “Teoria da Terra Central” lembrava como o controlo daquela região crucial moldou a dinâmica do poder mundial durante séculos. 

O surgimento do Ocidente moderno apontou a agulha para os territórios ocidentais, que tiveram uma liderança de cerca de 200 anos. Nas últimas duas décadas, porém, a perda de influência europeia tem sido gradual, e, com o regresso de Donald Trump à Casa Branca, esse enfraquecimento da autoridade tornou-se ainda mais evidente: os países europeus têm sido deixados de fora de quaisquer negociações sobre a Ucrânia, a primeira viagem do Presidente dos EUA ao estrangeiro foi ao Médio Oriente, e há algum tempo que a figura do mediador se deslocou para protagonistas mais inesperados — a Turquia, o Catar e a Arábia Saudita.

Minha reflexão
O problema não é a dificuldade na tomada de decisão mas sim as decisões que vêm sendo tomadas, nomeadamente face à Rússia, à China e a Israel. E também a posição subalterna face à política externa Norte-americana e do Reino Unido. A UE devia estar pelo menos como observador nos BRICS. Devia ter uma posição menos "neocolonial" face a África e à dita Maioria Global (a estória do Jardim e da Selva do Borrell foi imensamente destrutiva). Devia ser o maior promotor da paz e não da guerra; a dualidade de critérios em relação à Ucrânia e à Palestina só a diminuem como entidade credível. E devia funcionar como uma entidade coesa e não a França e a Alemanha a fazerem como querem e a posicionarem-se sempre como um duo, em desrespeito dos seus parceiros na UE. Enfim! O comentário geopolítico do Expresso continua a atirar só lado.

sexta-feira, 28 de junho de 2024

Portugal é o único país a alcançar presidência da Comissão Europeia, Conselho e ONU


Com a eleição do ex-primeiro-ministro António Costa pelos chefes de Estado e de Governo da União Europeia, Portugal torna-se o único país a ter alcançado a liderança do Conselho Europeu, da Comissão Europeia e das Nações Unidas.

O ex-primeiro-ministro português, o socialista António Costa, foi ontem eleito pelos chefes de Estado e de Governo da União Europeia como presidente do Conselho Europeu para um mandato de dois anos e meio, foi anunciado em Bruxelas.

De acordo com fontes diplomáticas, a decisão foi adotada numa reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas, na qual os líderes da União Europeia (UE) propuseram também o nome de Ursula von der Leyen para um segundo mandato à frente da Comissão Europeia, que depende porém do aval final do Parlamento Europeu, e nomearam a primeira-ministra da Estónia, Kaja Kallas, para Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, sujeita à eleição pelos eurodeputados de todo o colégio de comissários.

Um feito que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, atribuiu esta semana a uma “capacidade extraordinária de Portugal”, que alcançou “apoio e reconhecimento suficientes para o desempenho de altas funções em organizações internacionais variadas e de reputada importância”.

O antigo chefe do Governo socialista António Guterres desempenha atualmente o segundo mandato como secretário-geral das Nações Unidas, cargo que iniciou em janeiro de 2017.

José Manuel Durão Barroso, antigo primeiro-ministro social-democrata, liderou a Comissão Europeia durante dois mandatos, entre 2004 e 2014.

“E houve outras alturas em que tivemos lugares importantes”, salientou Montenegro, dando os exemplos do antigo comissário europeu António Vitorino (PS) à frente da Organização Internacional das Migrações (2018-2023), da presidência do Eurogrupo exercida pelo antigo ministro das Finanças do PS Mário Centeno (2018-2020), ou, atualmente, do antigo ministro social-democrata Jorge Moreira da Silva, que dirige a UNOPS (agência da ONU para as infraestruturas e gestão de projetos).

“É o reconhecimento da qualidade dos nossos cidadãos que se disponibilizam para o exercício de funções políticas, e obviamente de todos os serviços e acompanhamento de retaguarda, incluindo a nossa rede diplomática e todos os funcionários que temos em várias instituições”, referiu o primeiro-ministro esta quarta-feira, no parlamento, durante o debate preparatório do Conselho Europeu.

“O facto de termos um país com uma grande história, termos demonstrado ao longo dos séculos a nossa capacidade, termos uma das línguas mais faladas do mundo - tudo isso tem sido reconhecido”, comentou Luís Montenegro.

Para o chefe do Governo, estas nomeações de portugueses para cargos de topo são uma “oportunidade de não sermos aquilo que às vezes somos, demasiado pessimistas sobre nós próprios”.

sexta-feira, 7 de junho de 2024

Ciclovias: Portugal pedala na cauda da Europa


No acesso a ciclovias seguras, Portugal ainda pedala na cauda da Europa. Neste novo indicador do Atlas of Sustainable City Transport , Portugal regista 13%, ficando apenas à frente da Grécia (6%), Roménia (6%), Ucrânia (7%) e Bielorrússia (10%). No topo da tabela de países que têm melhor cobertura estão Finlândia (97%), Dinamarca (94%), Suécia (89%) e Países Baixos (85%). 
Público 4jun2024

sexta-feira, 3 de maio de 2024

A atribulada carreira diplomática do candidato do Chega



O cabeça de lista do Chega às próximas eleições europeias tem no seu currículo quatro décadas de carreira diplomática marcadas por várias polémicas e infrações disciplinares. Antes disso, juntou-se ao CDS e foi secretário-geral da Juventude Centrista logo em 1974. E esteve ligado a um dos momentos mais importantes dos primeiros tempos do partido, quando organizou o comício no Teatro de São Luiz que acabou com os militares a escoltarem os jovens centristas à saída do local, cercado por manifestantes da esquerda. Depois do evento, a atividade partidária reduz-se mas mantém a proximidade. Em 1979, a vitória da AD garante a pasta dos Negócios Estrangeiros a Freitas do Amaral e Tânger, há poucos meses no quadro do Ministério, é chamado para seu adjunto. Numa reportagem sobre o percurso de Tânger Corrêa, o Público recorda que o ativismo partidário do jovem diplomata, que passava pela colagem de cartazes do partido, deixou furioso o então secretário-geral do Ministério, Gonçalo Caldeira Coelho, também próximo do CDS.

Comunidade portuguesa de Toronto recolheu dinheiro para lhe comprar barcos de competição... e ficou a ver navios
Já nas funções de chefia de um posto diplomático, em 1984 como cônsul-geral em Toronto, surge o primeiro caso polémico. O estilo aventureiro e enérgico depressa lhe garantem simpatia de figuras da comunidade emigrante. E Tânger transmite-lhes o seu amor pela prática de vela e o sonho de ir aos Jogos Olímpicos. A comunidade mobilizou-se para lhe oferecer um barco de competição, mas o azar levou a que fosse destruído na viagem para uma competição nos EUA. Seguiu-se novo peditório para angariar dezenas de milhares de dólares e assim comprar um segundo barco topo de gama para o cônsul. Não há memória de um diplomata português ter aceite um presente - na verdade, dois - tão caro, o que as regras de conduta hoje proíbem expressamente a partir de um limite de 150 euros.

Tânger Corrêa usou o barco na preparação dos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992, onde cumpriu o sonho de participar. Mas a promessa de devolver o barco à comunidade portuguesa quando abandonasse o posto consular, ficando à guarda de um clube náutico que a comunidade iria criar, nunca se cumpriu. O cônsul trouxe o barco para o Clube Naval Setubalense, alegando que para isso teve o acordo da comunidade, que ficou a ver navios. Um inquérito do Ministério foi arquivado após as explicações de Tânger Corrêa de que o barco era apenas emprestado e que dele não tirou benefícios patrimoniais.

Em Goa ocupou uma casa, içou a bandeira... e abriu conflito diplomático
Depois de Toronto, foi colocado em Goa em 1993, com a missão de comprar uma casa para a residência oficial e a chancelaria. O negócio com uma propriedade da família Pacheco de Figueiredo ficou fechado, mas a casa estava vazia e à guarda de um motorista da família, que se recusou a abandoná-la. Com um grupo de amigos, Tânger Corrêa arrombou a porta da casa quando o seu ocupante estava ausente, retirando os seus pertences e colocando um poste onde içou a bandeira portuguesa, abrindo assim um incidente diplomático. Um grupo de populares organizou-se e retirou a bandeira, num caso que fez notícia e levou o governo local a afirmar não ter autorizado a mudança do consulado português. O negócio da casa ocupada acabou por cair e Tânger não tardou a ser retirado do posto.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Música do BioTerra: Beck - European Son


You killed your European son
You spit on those under twenty-one
But now your blue cars are gone
You better say so long
Hey hey hey, bye bye bye

You made your wallpapers green
You want to make love to the scene
Your European son is gone
You'd better say so long
Your clowns bid you goodbye

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Um avanço histórico. União Europeia reconhece o crime de ecocídio no seu direito penal


Este é o fim da impunidade dos criminosos ambientais, quer acreditar Marie Toussaint, uma eurodeputada Verde que há anos defende o reconhecimento do crime de ecocídio. Quinta-feira, 16 de novembro, por iniciativa da Presidência espanhola do Conselho da União Europeia, foi alcançado um acordo para reconhecer o crime de ecocídio no direito penal europeu. Uma decisão sem precedentes que abre caminho ao reconhecimento internacional.

É uma vitória para o reconhecimento do crime de ecocídio. Após longas negociações, a Comissão, o Conselho e o Parlamento Europeu chegaram a acordo na quinta-feira, 16 de novembro, sobre uma diretiva de compromisso que inclui a criminalidade ambiental no direito penal europeu. “ É um momento histórico ”, exulta a eurodeputada dos Verdes, Marie Toussaint, que levanta o assunto há muitos anos. “Este texto marca o fim da impunidade dos criminosos ambientais”, acrescenta.

O Parlamento Europeu já tinha chegado a um acordo em Março passado para reconhecer o crime de ecocídio, mas desde então as negociações foram bloqueadas. Finalmente concretizaram-se graças a uma nova proposta da presidência espanhola do Conselho da União Europeia que, contra todas as expectativas, revelou-se bastante ambiciosa. Se a directiva revista sobre a protecção do ambiente pelo direito penal não cita directamente o crime de ecocídio, introduz uma infracção dita "qualificada" que visa criminalizar os ataques mais graves ao ambiente, referindo-se à definição de ecocídio retidos pelos especialistas da Fundação Stop Ecocide.

“A poluição extensiva, os acidentes industriais ou os grandes incêndios florestais são abrangidos pelo delito qualificado de forma comparável ao crime de ecocídio conforme debatido no direito internacional ”, especifica o texto. Além disso, a directiva, anteriormente limitada a resíduos perigosos, materiais radioactivos ou ao comércio ilegal de vida selvagem, reconhece agora novas infracções como a comercialização de produtos resultantes de desflorestação importada, retiradas ilegais de água, destruição de habitat ou ozono, descarga de substâncias poluentes por navios ou mesmo pelo comércio de mercúrio.


A influência dos lobbies
Mas vai ainda mais longe, pois além da violação da legislação citada pela directiva, abrangerá de forma mais ampla comportamentos que causam danos ao ambiente. “Está além do que esperávamos”, disse Marie Toussaint à Novethic. Portanto, muitos ataques ambientais não abrangidos anteriormente pelo direito penal terão de ser abrangidos amanhã, como “derrames de petróleo, a propagação massiva de pesticidas ou produtos tóxicos como os PFAS espalhados no ambiente” , cita.

No que diz respeito à questão das sanções, o acordo introduz pela primeira vez a nível europeu sanções precisas e harmonizadas para infracções ambientais. A pena máxima de prisão também é fixada em oito anos para crimes qualificados. Nos casos mais graves, as empresas infratoras serão multadas em 5% do seu volume de negócios global anual ou 40 milhões de euros (3% do volume de negócios ou 24 milhões de euros para outras violações). Podem ser privados de financiamento público e serão obrigados a reparar os danos e a indemnizar as vítimas.

"Não há mais como fugir da regra, seja por meio de licenças ou de brechas legais: esta lei é preparada para o futuro, o que significa que a lista de crimes será mantida atualizada. Se você poluir, você pagará pelos seus crimes ; as empresas responsáveis ​​pagarão multas e estão previstas penas de prisão para representantes de empresas poluidoras, reagiu o relator do texto, Antonius Manders (PPE, NL). O texto, no entanto, apresenta algumas falhas e destaca a falta de consistência entre as autoridades, que votaram o mesmo manhã para a renovação por dez anos do glifosato , um polémico pesticida.

Rumo a uma resolução no Tribunal Penal Internacional?
Com este progresso, a União Europeia é o primeiro bloco de países a nível mundial a incluir o ecocídio na sua legislação. Resta agora aos Estados transporem o texto para a sua legislação mas, acima de tudo, podem agora submeter uma alteração ao estatuto do Tribunal Penal Internacional - do qual representam quase um quinto dos Estados membros - a fim de acrescentar graves violações ao ambiente a crimes de genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e crimes de agressão.

Segundo a Interpol, o crime ambiental tornou-se, em apenas algumas décadas, o quarto maior sector criminoso do mundo, com um crescimento duas a três vezes superior ao da economia global. Hoje é um negócio tão lucrativo quanto o tráfico de drogas. Em todo o mundo, a pilhagem e a destruição da natureza representam hoje entre 110 e 280 mil milhões de dólares por ano.

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quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Depois da vespa asiática, a formiga de fogo vermelha chega à Europa


A formiga de fogo vermelha, com o nome científico Solenopsis invicta, é uma espécie invasora de formiga que se estabeleceu nos últimos meses em Itália e poderá chegar rapidamente a outros pontos da Europa, nomeadamente à Península Ibérica e ao Reino Unido, à boleia das alterações climáticas. Portadora de um ferrão poderoso, esta formiga tem a capacidade de danificar plantações e infestar componentes e equipamentos eletrónicos, em carros e computadores, por exemplo.
(...) assim que se estabelecer no continente (europeu), será muito difícil erradicá-la (...)

Esta é já considerada, pela comunidade científica como uma das espécies invasoras mais destrutivas e mais causadoras de prejuízos, de sempre, já que têm a capacidade de criar colónias densamente povoadas num curto espaço de tempo, enquanto ataca invertebrados, vertebrados de maiores dimensões e plantas. Esta “ousadia” acaba por resultar na destruição de plantas nativas e na competição direta (e injusta) com outras espécies de formigas, insetos e herbívoros nativos.

Esta espécie invasora espalha-se através do comércio humano, partindo da América do Sul (local de origem) para vários países, regiões e continentes, como o México, as Caraíbas, a Austrália, os Estados Unidos da América e mesmo a China, causando um prejuízo médio de 6 mil milhões de dólares a cada ano, nesses países.


Ameaça em novos espaços geográficos
Chegando à Itália em primeiro lugar, vindas da China ou dos Estados Unidos, são agora novos espaços geográficos da Europa que estão ameaçados pela presença da formiga de fogo vermelha. Os casos mais flagrantes são o Reino Unido e Espanha, que estão a registar as primeiras colónias desta espécie invasora, com consequências que ainda não estão bem quantificadas. Há, de resto, uma preocupação generalizada com o surgimento desta e doutras espécies de formigas que podem interferir com o normal funcionamento dos ecossistemas nativos do continente europeu.

A formiga de fogo vermelha está numa lista da União Europeia (UE) como uma das espécies mais preocupantes e assim que se estabelecer no continente, será muito difícil erradicá-la (só a Nova Zelândia conseguiu), segundo afirmam os especialistas. A UE foi mais longe e proibiu a exportação de solo do Reino Unido, mas este país não acompanhou estas preocupações e continua a importar solo agrícola, europeu e de outros continentes, fornecendo uma porta escancarada à entrada de espécies invasoras na natureza.

A questão climática também é um fator importante para esta análise, já que a formiga de fogo vermelha é uma espécie que gosta de temperaturas elevadas. Com o aumento da temperatura média que se tem registado em grandes porções do território europeu e em particular da Europa mediterrânica, é natural que Espanha e Portugal sejam os próximos países a serem afetados por esta “praga”. Grandes cidades, como Barcelona, Roma, Londres ou Paris poderão sofrer com a chegada de grandes números desta formiga.

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Música do BioTerra: Europe- The Final Countdown tocado por 200 músicos


Quando os humanos usam voz, guitarras, baterias, baixos, saxs ao invés de metralhadoras, tanques, rifles, bombas a vida tem mais sentido. Isso traz alegria e felicidade ao nosso planeta.

We're leaving together
But still it's farewell
And maybe we'll come back
To earth, who can tell?
I guess there is no one to blame
We're leaving ground (leaving ground)
Will things ever be the same again?

It's the final countdown

The final countdown
Oh-oh
We're heading for Venus and still we stand tall
'Cause maybe they've seen us and welcome us all, yeah
With so many light years to go and things to be found (to be found)
I'm sure that we'll all miss her so

It's the final countdown

The final countdown

The final countdown (the final countdown)
(Oh) oh-oh-oh

The final countdown, oh-oh
It's the final countdown

The final countdown

The final countdown (the final countdown)

Oh
It's the final countdown!
We're leaving together
The final countdown
We'll all miss her so
It's the final countdown (the final countdown)
(Oh) it's the final countdown

sexta-feira, 26 de maio de 2023

'Infratores reincidentes': estas são as 10 centrais a carvão mais poluentes da Europa


Dois países dominam as emissões de carvão da Europa. Embora em queda, o carvão representou mais de 60% da poluição do setor de energia do bloco no ano passado.

Os 10 maiores emissores de carbono da Europa no ano passado foram todas as centrais de carvão, de acordo com uma nova análise do think tank Ember.

Esses sites - quase exclusivamente na Polónia e na Alemanha - foram responsáveis ​​por um quarto de todas as emissões do setor de energia em 2022.

Juntos, eles bombearam 13% das emissões totais da UE, conforme registrado no Sistema de Comércio de Emissões da UE (EU-ETS) - um esquema de 'cap and trade' que faz um balanço da poluição por gases de efeito estufa.

“As centrais de carvão são reincidentes na lista suja da UE”, diz Harriet Fox, analista da Ember. “Quanto mais rápido a Europa conseguir abandonar a energia do carvão, melhor.”

Onde estão as centrais elétricas mais poluentes da Europa?
Sete das centrais de carvão estão entre as 10 maiores fábricas de energia de emissão todos os anos na última década, com Bełchatów da PGE na Polónia liderando a lista desde que o esquema EU-ETS começou em 2005.

A central de carvão de Neurath da RWE na Alemanha está em segundo lugar, seguida pela fábrica de Boxberg - também com sede na Alemanha, mas administrada pela empresa EPH, com sede na República Checa.


Essas três concessionárias dominaram as emissões do setor de energia pelo sexto ano consecutivo, mostra o relatório da Ember .

RWE , PGE e EPH emitiram quase tantos equivalentes de CO2 (CO2e) quanto todo o setor de energia da Itália em 2022. Juntos, eles representaram 30% das emissões do setor de energia da UE, com fábricas de linhite responsáveis ​​pela maior parte de sua contribuição .

Para reunir sua 'lista suja', a Ember analisou as emissões de 2022 registradas no EU-ETS, que abrange mais de 10.000 instalações em setores como aviação , energia e indústria.

Três concessionárias dominaram as emissões do setor de energia pelo sexto ano consecutivo: RWE, PGE e EPH. 

No ano passado, o setor de energia foi responsável por 739 milhões de toneladas de (CO2e) - cerca de metade das emissões totais do EU-ETS.

O carvão contribuiu com mais de 60% das emissões do setor de energia, das quais a Alemanha e a Polónia foram responsáveis ​​por dois terços.

A Bulgária também está na lista dos 10 piores 'infratores' - com sua fábrica de linhite Maritsa East 2, administrada pela BEH, na 10ª posição.

Emissões de carvão estão a cair na Europa

Embora o carvão ainda domine as emissões da UE, o declínio de longo prazo da energia do carvão é claro. As emissões de carvão em 2022 foram 40% menores do que uma década atrás.

Apesar das preocupações com o retorno da Europa ao carvão durante a crise global do gás, os aumentos foram limitados. As emissões de energia a carvão aumentaram 6% em relação a 2021, mas permaneceram abaixo dos níveis de 2019.

Os dois maiores emissores de carvão da UE-ETS, Alemanha e Polónia, viram um declínio no seu uso.

As fábricas de lenhite são responsáveis ​​pela maior parte das emissões do setor de energia da UE

A Alemanha está se movendo mais rapidamente, no entanto. Ela alcançou uma redução de 37% nas emissões de energia a carvão na última década e agora tem como meta a eliminação gradual do carvão em 2030.

A Polónia , por outro lado, ainda não definiu uma data para a eliminação do carvão e só conseguiu uma redução de 12% na última década.
“A Polónia logo será o maior emissor da UE se não mudar de rumo”, acrescenta Fox. “A Alemanha está fazendo progressos para reduzir sua dependência do carvão, mas a Polónia ainda não começou.”

Como resultado, a Polónia tem uma participação maior nas emissões do setor de energia a carvão EU-ETS em 2022 (28%), acima dos 19% de uma década atrás, enquanto a participação da Alemanha permaneceu estável.

quinta-feira, 27 de abril de 2023

Remoção de barreiras fluviais obsoletas bate novos recordes em 2022 – relatório


Pelo menos 325 barreiras fluviais obsoletas foram removidas na Europa em 2022, um novo recorde, segundo um relatório da organização “Dam Removal Europe”.

A remoção de 325 barreiras desnecessárias e prejudiciais à natureza representou um aumento de 36% em relação ao recorde do ano anterior, indica a organização, uma coligação de sete organizações internacionais.

As barreiras foram removidas em 16 países europeus, na maior parte dos casos represas, quase sempre antigas e obsoletas e sem a remoção representar grandes custos.

A organização atribui o grande número de remoções a novas oportunidades de financiamento disponíveis, como o “Open Rivers Programme”, os esforços coordenados de autoridades públicas para divulgar a informação e uma maior sensibilização para o problema.

Espanha é o país europeu que mais barragens removeu, seguindo-se a Suécia e a França. O Luxemburgo registou a primeira remoção de barragens. Portugal não tem expressão nesta matéria.

Os responsáveis da organização referem a proposta da Comissão Europeia para uma lei da Restauração da Natureza para afirmar que é importante continuar a destacar a remoção de barragens como uma ferramenta crucial para a restauração de ecossistemas. A Estratégia para a Biodiversidade 2030 quer libertar pelo menos 25.000 quilómetros de rios europeus.

A remoção de barreiras também contribui para o Desafio Global da Água Doce, de restaurar 300.000 quilómetros de rios degradados até 2030, um objetivo lançado na Conferência das Nações Unidas sobre a Água, realizada em Nova Iorque em março passado.

Os ecossistemas de água doce enfrentam problemas de poluição, degradação de habitats, exploração excessiva de recursos naturais e também de excesso de obstáculos, como barragens e açudes, que prejudicam a biodiversidade mas também as comunidades que dependem dos cursos de água.

Mais de 1,2 milhões de barreiras fragmentam os rios europeus, sendo muitas delas estruturas abandonadas (pelo menos 150.000 segundo a organização internacional WWF). Essas barreiras impedem as migrações de peixes de água doce, cujas populações sofreram na Europa um declínio de 93% (76% a nível mundial).

A “Dam Removal Europe” junta as organizações “World Wide Fund for Nature” (WWF), “The Rivers Trust”, “The Nature Conservancy”, “The European Rivers Network”, “Rewilding Europe”, “Wetlands International”, e “World Fish Migration Foundation”.

Na semana passada o ministro do Ambiente disse que o programa de recuperação da rede hidrográfica vai incluir um plano nacional de remoção de barreiras obsoletas nos rios portugueses, contando com a colaboração das organizações não-governamentais na identificação das prioridades.

Duarte Cordeiro falava numa sessão que decorreu na margem do rio Alviela, em Vaqueiros, no concelho e distrito de Santarém, que se seguiu à remoção de um antigo açude que impedia o curso livre do rio, no âmbito de um projeto da organização não-governamental (ONG) Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), financiado pela fundação suíça MAVA.

A responsável pelo projeto “Rios Livres”, do GEOTA, Catarina Miranda, afirmou na altura que se estima em cerca de 30.000 as barreiras à conectividade fluvial em Portugal, muitas delas obsoletas, apelando para que, a exemplo do que acontece em outros países da Europa e do mundo, Portugal inicie um programa de remoção de pequenos açudes a grandes barragens “que já não têm nenhum papel atual, nem económico, nem social, nem cultural”.

Em março, a associação ambientalista ANP/WWF lançou uma petição pública para pedir ao Governo prioridade na remoção de barreiras desnecessárias em rios e atenção ao restauro fluvial.

Na altura a associação procedeu à primeira remoção de uma barreira fluvial obsoleta, o açude de Galaxes, no concelho de Alcoutim.

O relatório da “Dam Removal Europe” do ano passado indicava que em 2021 foram removidas 239 barragens em 17 países europeus.

quinta-feira, 20 de abril de 2023

Relatório avisa que temperaturas na Europa estão a subir duas vezes mais do que a média global


As temperaturas na Europa estão a subir duas vezes mais que a média global e este aumento é mais rápido do que em qualquer outro continente, segundo o relatório “Estado do Clima Europeu 2022” hoje divulgado.

O relatório do Serviço de Monitorização das Alterações Climáticas Copernicus, um dos seis serviços de informação temáticos do programa de Observação da Terra da União Europeia, indica que o ano de 2022 foi o segundo mais quente na Europa desde que há registo, com 0,9 graus celsius (ºC) acima da média, e o verão foi o mais quente de sempre, com 1,4ºC acima da média.

“A Europa viveu o verão mais quente desde que há registo, agravado por vários eventos extremos, como ondas de calor intensas, condições de seca e incêndios florestais extensos”, precisa o documento.

Segundo o Copernicus, a maior parte da Europa Ocidental teve ondas de calor e as temperaturas no Reino Unido ultrapassaram os 40°C pela primeira vez, além de terem sido também registados os valores mais altos da temperatura média da superfície nos mares da Europa.

O relatório “Estado do Clima Europeu 2022” alerta para as consequências que o calor extremo registado no final da primavera e verão teve na saúde humana, frisando que o sul da Europa viveu um número recorde de dias com “stresse de calor muito forte” devido às ondas de calor extremas durante o verão.

O serviço europeu de observação da Terra sustenta também que a Europa está a assistir a uma tendência ascendente do número de dias de verão com “stresse de calor forte” ou “muito forte” e no sul da Europa existe já “stresse de calor extremo”.

O Serviço de Monitorização das Alterações Climáticas do Copernicus salienta que um dos eventos mais significativos que afetou a Europa em 2022 foi a seca generalizada, tendo grande parte do continente registado durante o inverno de 2021-2022 menos dias de neve do que a média e muitas áreas chegaram a ter menos 30 dias.

Na primavera, a precipitação ficou abaixo da média numa grande parte do continente, nomeadamente no mês de maio, que registou a menor quantidade de chuva de sempre.

Segundo o relatório, a falta de neve no inverno e as altas temperaturas no verão resultaram numa perda recorde de gelo nos glaciares dos Alpes, o equivalente a uma perda de mais de cinco quilómetros cúbicos de gelo.

“A baixa precipitação, que se manteve durante todo o verão, aliada às excecionais vagas de calor, provocaram também uma seca generalizada e prolongada que afetou vários setores, como a agricultura, transportes fluviais e energia”, refere o relatório, frisando que a humidade nos solos foi a segunda mais baixa dos últimos 50 anos, com apenas áreas isoladas a apresentarem condições de humidade do solo mais húmidas do que a média.

O documento precisa que o ano de 2022 foi o mais seco na Europa desde que há registo, com 63% dos rios da Europa com fluxos abaixo da média e dá conta das condições de perigo de incêndio florestal em 2022, que foram acima da média durante a maior parte do ano, tendo os cientistas do Copernicus que monitorizam os fogos em todo o mundo encontrado aumentos significativos nas emissões de carbono em algumas regiões da Europa no verão do ano passado.

Segundo o Copernicus, as emissões totais de carbono estimadas nos países da UE para o verão de 2022 foram as mais altas desde 2007, com França, Espanha, Alemanha e Eslovénia a registaram os valores mais elevados dos últimos 20 anos e o sudoeste da Europa a registar alguns dos maiores incêndios verificados na Europa.

O relatório indica ainda que as temperaturas no Ártico aumentaram muito mais rapidamente do que na maior parte do resto do mundo, sendo 2022 o sexto ano mais quente desde que há registo, e a região mais afetadas foi o arquipélago norueguês de Svalbard, que teve o verão mais quente de sempre, com algumas áreas a atingirem temperaturas 2,5°C acima da média.

Durante o ano passado, a Gronelândia também teve condições climáticas extremas, incluindo calor e chuvas excecionais em setembro, uma época do ano em que a neve é o mais comum, registando nesse mês temperaturas médias até 8°C acima da média, além de a ilha ter sido afetada por três ondas de calor diferentes, o que causou um derretimento recorde da camada de gelo.

O Serviço de Monitorização das Alterações Climáticas do Copernicus segue a recomendação da Organização Mundial de Meteorologia para usar o período de 30 anos mais recente (1991-2020) para calcular as médias climatológicas.

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Vladimir Putin prevê o fim do domínio ocidental

Vladimir Putin acredita que domínio do Ocidente está a chegar ao fim. Com a guerra da Ucrânia sempre em eco, o líder do Kremlin traçou a sua visão do mundo, numa conferência de analistas políticos internacionais, onde se discutiu o papel da Rússia no mundo. O ódio em relação ao Ocidente e loas à Grande Rússia tal como já previ aqui nesta postagem.


Putin, acusou o Ocidente de jogar sujo e que está "a tentar desesperadamente" "governar o mundo". [aqui em video] 

O conselheiro presidencial da Ucrânia, Mykhailo Podolyak, descreveu o discurso de Putin como sendo freudiano, pois acusa os outros de tudo o que faz; prevendo que: "quem semeia ventos, colhe tempestades". E a tempestade está a chegar". Os Estados Unidos, por seu lado, colocam a ameaça russa em perspetiva, comparando-a com o desafio que a China representa. 

Lloyd Austin reconheceu a preocupação sobre uma possível "escalada" das tensões com a Rússia. Declarando ainda que a resposta comunidade internacional seria significativa em caso de ataque nuclear.

Douglas London considera Putin previsível e consistente  na política e passar a mensagem da Grande Rússia para o Ocidente.

Discurso completo aqui

Análise da CNN
Um jogo "perigoso, sangrento e sujo" que coloca o mundo perante a "década mais perigosa” desde o fim da Segunda Guerra Mundial: Vladimir Putin teceu esta quinta-feira duras críticas ao Ocidente e aos seus líderes e ex-líderes - nem Liz Truss foi esquecida num longo discurso em que o presidente russo defendeu também a doutrina militar e os valores do seu país. “O mundo unipolar é coisa do passado. Estamos numa fronteira histórica. À frente está a década mais perigosa, imprevisível e, ao mesmo tempo, importante desde o fim da Segunda Guerra Mundial”, afirmou no Valdai Discussion Club em Moscovo.

Sobre Clube Valdai aqui
Site oficial - Valdai Discussion Club

terça-feira, 25 de outubro de 2022

Há um impasse na Europa e por isso os relógios voltam a andar para trás no próximo fim de semana

Na madrugada de domingo, os relógios europeus vão recuar uma hora e dar entrada no horário de inverno.

Esta convenção, que é seguida em Portugal há cerca de um século, tem sido questionada nos últimos anos. Na UE, está inclusivamente em curso uma proposta para que deixe de ser seguida. Sem decisão à vista, adiada pelas contingências dos últimos anos, permanece a tradição.

Um impasse sem fim à vista
Na Europa, a discussão remonta a 2018. Na altura, a Comissão Europeia publicou um estudo de opinião segundo o qual 84% dos europeus são a favor de acabar com as mudanças de horário duas vezes por ano.

Em 2019, o Parlamento Europeu votou favoravelmente para que esta medida avançasse. Tudo indicava que o fim estava iminente, dependendo apenas da negociação do Conselho Europeu. A previsão era a de que os relógios seriam mexidos pela última vez em 2021, mas isso não aconteceu.

O Conselho Europeu considerou que a medida carecia de uma avaliação de impacto e remeteu o tema para a Comissão Europeia. Começa aqui o impasse que se prolonga até hoje. No site oficial do Parlamento Europeu, a medida está “à espera da posição do Conselho em primeira leitura” e tudo indica que as negociações ainda não começaram.

Pelo caminho surgiram outros temas mais prementes que têm concentrado os esforços europeus, desde o Brexit, à pandemia e mais recentemente à guerra. Entretanto, e com eleições europeias pelo meio, a proposta poderá já não reunir o consenso necessário, não sendo claro quando o tema voltará à agenda do Conselho.